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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Gramscismo Orientando o Fabianismo Que Nos Domina

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Antonio Gramsci já alertava que somente pela via armada, os comunistas não chegariam ao poder, ou então, o alcançariam e perderiam em seguida.
Muito mais inteligente que o incompetente Karl Marx e os impulsivos Lenin e Trotsky talvez auxiliado pelo excesso de tempo que lhe foi disponibilizado (na prisão) para estudar e elaborar suas teorias , Gramsci conseguiu traçar a estratégia ideal para alcançar os corações e mentes dos que seriam dominados.
Transcrevo abaixo dois textos de autores diferentes, onde o primeiro explica os motivos de sermos um país que se encontra a deriva em termos ideológicos, com uma falsa imagem de democracia, manipulada por quem realmente determina o futuro dos ingênuos brasileiros. No segundo texto encontramos a visão extremamente lúcida sobre os subterrâneos da pantomima que envolveu o processo de impedimento da presidente destituída de seu cargo desmascarando as figuras nela envolvidas.

I
AÉCIO SABE O QUE ESTÁ FAZENDO
por Francisco José Dominguez
Fico muito preocupado quando vejo um articulista que se expressa bem, com capacidade de analisar fatos e concatenar ideias, como o autor do artigo [abaixo], Pedro Henrique Mancini de Azevedo, faz um comentário sobre o Senador Aécio Neves, julgando-o “uma menininha inocente”. Ora, convenhamos, ninguém chega onde ele chegou, sendo inocente…
O ponto mais importante, de todo o nosso cenário político atual, está sendo omitido. O PSDB não é um partido de oposição. É um partido socialista Fabianista. Ou seja, é aliado do PT, é seu cúmplice na implantação do socialismo/comunismo. Portanto Aécio não é inocente, ele é cúmplice do maior estelionato eleitoral que o Brasil já sofreu.
Para quem não conhece o fabianismo, sugiro uma pesquisa sobre o assunto no Google, com a seguinte ressalva: o Google vai mostrar o lado bonitinho do fabianismo, vendendo a imagem de um socialismo moderado. E é exatamente isto que o fabianismo deseja.   Na verdade, o fabianismo foi criado como uma espécie de válvula de escape para as pressões sociais criadas pelos partidos de esquerda revolucionários. Ele se apresenta como um partido de oposição, socialista, mas moderado.
Mas observem, ele JAMAIS critica os princípios socialistas. Só ataca, e violentamente, a direita conservadora. Com isto, vai ocupando os espaços políticos da direita conservadora, apresentando-a como a vilã da história. Quando o povo se cansa das medidas tomadas pelos radicais de esquerda, que criam tensões insuportáveis, o partido socialista fabianista se apresenta às eleições como a oposição que o país precisa. Obviamente consegue ser levado ao poder e passa os próximos anos preparando o retorno dos radicais. Para isto, ele conta com a memória curta do povo. À medida que o povo se esquece das imbecilidades radicais de esquerda, ele cria todas as situações que favorecem o retorno dos radicais, para continuar rumo ao ideal da revolução socialista.
Agora, comparem o que acima está dito, com o que aconteceu no Brasil. O PSDB tomou todo o espaço da oposição. Elegeu FHC como presidente, que fez tudo para facilitar a eleição de Lula, inclusive boicotar as candidaturas de Serra e Aécio, de seu próprio partido.
E agora, meus amigos, preparem-se para o choque: Estamos repetindo a dose do mesmo remédio.
Lula, Dilma e o PT esgotaram a paciência do povo. Suas medidas populistas destruíram a economia e queimaram a imagem dos socialistas radicais. 
Como continuar o “avanço” rumo ao socialismo? Lula passou a “se achar” o dono do mundo, Dilma é autoritária e burra, não conversa com ninguém, quer fazer só o que ela quer. Foi preciso tirar os dois do caminho, um preço pequeno a pagar para manter no poder os mesmos de costume, e continuar no caminho do socialismo. Fez-se o “impeachment”, mas um impeachment ‘Light”, para Dilma não ficar muito frustrada e continuar no time, e se colocou Temer no poder, com o beneplácito do PSDB, que emplacou Serra no Itamaraty. Reparem que o PSDB passa o tempo todo fazendo de conta que é oposição ao PT, mas toda vez que alguma coisa ameaça os interesses socialistas, ele reage, ameaça deixar a “coalizão”, etc..
E o que Serra tem feito? Tratado os países bolivarianos com mão de ferro, para agradar ao povo brasileiro, conservador por excelência e cansado de ditadores de esquerda, feito Fidel, Chavez, Maduro e Evo. Exatamente o que NÃO seria de se esperar de um comunista ferrenho, ex-presidente da UNE. Ou seja, ele está fazendo exatamente o papel que o fabianismo lhe determina. Está dando ao povo aquilo que ele quer, criando uma ilusão de prestidigitador. Dá com uma mão e tira com a outra. Nas próximas eleições o PSDB se apresentará como o partido que o Brasil precisa, que trata os radicais com rigor, e elegerá quem? SERRA, CLARO! E aí, meus amigos, é que vamos ver quem é o verdadeiro Serra….
O problema político brasileiro só faz sentido quando adotamos como premissa básica que o PSDB é isto aí, um cúmplice do PT. Qualquer outra hipótese leva a um quadro onde as coisas não fecham direito, várias lacunas se abrem, as pessoas e fatos parecem não se enquadrar naquilo que poderia ser um quadro mais lógico e provável. Mas basta entender que o PSDB é um partido fabianista, como acima descrito, para que as coisas se encaixem nos devidos lugares.
E esta hipótese responde à pergunta final do artigo abaixo, “Quem tem tanto interesse em proteger o PT?”. Não meus amigos, não é um ministro do STF. É um partido, o PSDB! É FHC, o líder do fabianismo no Brasil, que, segundo ele próprio, FOI comunista e pediu para esquecerem o que ele escreveu no passado. Acredite quem quiser….
Todo o resto é uma grande encenação, com várias cortinas de fumaça….
Abraços
Dominguez
(também pode ser lido em  Papéis Avulsos)
II
por Pedro Henrique Mancini de Azevedo
Quando você quiser convencer alguém, fale de interesses em vez de apelar à razão.” 
(Benjamin Franklin)
Finalmente chegou ao fim o julgamento do processo de impeachment da ex presidente Dilma Roussef. O julgamento em si não poderia ter sido mais bizarro, mostrando que estamos realmente sendo governados por um bando de malucos. São várias as situações que podem ser comentadas desse freak show, mas com certeza a decisão final de manter o direito de ocupar cargos públicos de Dilma foi a maior delas. Em meio a toda essa confusão, fiz um esforço para tentar trazer um pouco de sentido a tudo que ocorreu.
Antes de começar, porém, é impossível deixar de comentar a ladainha proferida por Dilma durante todo o julgamento, insistindo que o processo era um golpe. Chega a ser hilário. Sinceramente, comecei a imaginar Dilma daqui a uns 15 anos. Imaginem só. Um daqueles jornalistas da “esquerda moderada”, como Caco Barcelos, iriam entrevistar a já bem idosa ex presidente em sua residência. Ao iniciar a entrevista com uma simples saudação matinal, Dilma logo responde: “Foi golpe”. O jornalista, embaraçado faz outra simples pergunta: Podemos iniciar a entrevista, presidenta? Eis que Dilma responde novamente: “Foi golpe”. É mais ou menos assim que vejo Dilma no futuro. Uma senhora transtornada que vive o dia inteiro repetindo “foi golpe” como se fosse um chavão do programa Zorra Total. Mas vamos em frente.
O primeiro fato marcante ocorrido durante a votação foi quando a senadora petista Gleisi Hoffman disse que ali no Congresso não havia ninguém com moral para julgar Dilma. Após vários bate-bocas, o presidente do Senado, Renan Calheiros, tomou a palavra e acabou cometendo um ato falho. Visivelmente irritado, Renan disse que Gleisi não deveria estar dizendo aquilo, já que um mês antes ela teria solicitado a ele para impedir o seu indiciamento no STF, em inquérito relacionado a Operação Lava-Jato. Foi aí que a coisa começou a feder.
Renan, não só comprometeu a senadora Gleisi, mas também a si próprio e a algum membro do STF. Este último foi o que mais me chamou atenção. Quem seria esse membro do STF que Renan foi procurar para impedir o indiciamento da senadora Gleisi e do seu marido? Bem, vamos voltar a essa pergunta mais tarde.
O segundo fato marcante que se deu durante a votação, foi a conversa íntima e descontraída entre o senador tucano Aécio Neves, Dilma, José Eduardo Cardozo e o presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Confesso que diante daquela cena só pude me lembrar da frase de Ronald Reagan que dizia: “Dizem que a política é a segunda profissão mais antiga que existe. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira”. Sábias palavras.
Aécio, assim como a maioria dos tucanos, parece uma menininha inocente, que mesmo após ser corneada pelo namorado inúmeras vezes, continua se arrastando atrás do canalha. Não consigo entender essa necessidade que a maioria dos tucanos tem de agradar um partido como o PT, que atribui a eles todos os males causados neste país. Mas não muito tempo depois, acredito que Aécio viria a se arrepender da sua diplomacia exagerada.
Por fim, o terceiro fato marcante ficou a cargo da advogada de acusação Janaína Paschoal. A jurista, ao proferir seu discurso final, chorou e pediu perdão a Dilma pela dor que ela estava fazendo a ex presidente passar. Mas pediu que Dilma compreendesse que aquilo que ela estava fazendo era visando o futuro dos netos da ex presidente. Ao contrário de muitos, isso não me fez ter uma admiração maior por Janaína, mas sim reforçou a ideia de que temos que ter muito cuidado em cultuar salvadores da pátria. Vejam, por exemplo, o caso de Joaquim Barbosa. O ex presidente do STF era tido por muitos como possível candidato a presidência. Só que o nosso nobre colega acha que o impeachment de Dilma é um golpe. Esse era o nosso Messias? Um ex petista que acha que Dilma está sofrendo um golpe? Então, meus amigos, cuidado, pois ser contra o PT é uma coisa, não ser esquerdista é outra completamente diferente. Ser de esquerda, em muitos casos, é patológico.
Dito isso tudo, agora vamos tentar de alguma maneira ligar os fatos. Não é novidade para ninguém que Renan Calheiros, junto com o PT, fez uma manobra para manter os direitos de Dilma em ocupar cargos públicos e logrou êxito. Mas conforme dito antes, há uma pergunta que não foi respondida. Renan foi ao STF para impedir o indiciamento da senadora Gleisi. Logo, ele foi ouvido por algum dos ministros. Mas qual ministro? Quem foi esse sujeito oculto do STF que Renan foi procurar? Precisamos saber, pois esse ministro está completamente comprometido. E uma pessoa com tamanho rabo preso é capaz de até, sei lá, alterar a Constituição. Opa, isso foi feito!
Pois é. No final das contas, a vitória sobre o PT ficou com um gosto amargo. Voltando agora aos fatos mencionados, fico me perguntando o que Aécio Neves e Janaína Paschoal estão achando do PT agora. Será que Aécio ainda quer ir lá e afagar Dilma após ela e o PT terem dado mais uma pernada nele e em todos os brasileiros? Ora, senador Aécio, o PT não tem somente um projeto diferente do seu partido, o PT é uma quadrilha! Será que você não percebe isso? E você, Janaína? Ainda quer chorar e pedir desculpas a Dilma? A Dilma! A mesma Dilma que foi incapaz de pedir desculpas ao povo brasileiro por toda lambança que ela nos colocou; a mesma Dilma que nem sequer teve dignidade que o ex presidente Fernando Collor teve, em renunciar ao seu cargo, a fim de não protelar e subjugar o povo brasileiro a um processo longo e penoso que só atrasou ainda mais a dura missão de tirar a nossa economia do buraco. A essa Dilma que você pede desculpas, Janaína? Quando vocês vão entender que os petistas são embusteiros, golpistas, autoritários e truculentos? Quando?! Quantos golpes a mais vocês irão tolerar?
Enfim, talvez ao invés de tentar reverter esse fatiamento do julgamento de Dilma, devêssemos focar em descobrir o motivo pelo qual essa atitude foi tomada. O acordo entre Renan Calheiros e o PT, com a chancela do presidente do STF que simplesmente rasgou a nossa Constituição , precisa ser investigado. E para entender o motivo dessa decisão, basta ir atrás desse sujeito oculto do STF que foi procurado por Renan Calheiros. Esse sujeito teria total interesse em dar uma pedalada na nossa Constituição, pois tem suas digitais em toda a cena do crime. Quem é esse sujeito oculto? Quem tem tanto interesse em proteger o PT? Os indícios apontam para um certo ministro, mas será que ele é o único? Com a palavra, a Justiça brasileira. Se é que ela ainda existe.
Atenciosamente,
Pedro Henrique Mancini de Azevedo
Fonte: correio eletrônico
COMENTO: Apesar de parecerem antagônicos, os dois textos conduzem à mesma conclusão que meus Instrutores repetiam nos anos 70: o inimigo é solerte e insidioso.
Seus autores alertam sobre a maneira de agir dos neo comunistas, na "preparação do terreno" para implantarem sua odiosa ideologia.
Atualmente, a maior prova do conluio entre as duas grandes quadrilhas, ops, partidos, é a atitude servil e submissa adotada pelo "líder" Cássio Cunha Lima, propondo apaziguamentos e aceitação da patifaria ocorrida por ocasião do julgamento separado do impedimento e da suspensão dos direitos políticos da ex presidente da República.
Cássio Cunha Lima, para quem não lembra, é aquele impoluto paraibano que ostenta em seu currículo o fato de ter seu mandato de governador cassado em 2008 pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por uso indevido de dinheiro público. Além de estar envolvido na ação criminal que investiga esquemas de desvios de recursos e lavagem de dinheiro em sua campanha eleitoral de 2006, que está parada no STF. Também é réu na Operação Concord que apura esquemas de desvios de recursos e lavagem de dinheiro. Tal operação é conhecida por ter provocado, literalmente, uma chuva de dinheiro na capital paraibana, porque para não ser pego em flagrante pela Polícia Federal, um operador da política local, Olavo Lira, conhecido como Olavinho, teria jogado R$ 400 mil do alto do edifício ConcordEm 2013, o citado senador foi denunciado por empregar a namorada e a sogra na prefeitura e na Câmara Municipal de Campina Grande, sua cidade natal. Jackson Azevedo, seu cunhado, também ganhou um cargo de supervisor da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) na cidade. Esse currículo, pode ser o motivo para a falta de combatividade do "líder" tucano, mas a maior possibilidade é de que ele simplesmente faça parte da grande pantomima destinada a engambelar os botocudos brasileiros.
Por fim, a leitura dos textos acima só reforça a afirmação que faço constantemente de que PT e PSDB são somente as duas faces da mesma moeda podre do comuno/socialismo, com a qual os patifes pretendem comprar a consciência dos brasileiros. E, aparentemente, estão obtendo êxito. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O Verdadeiro Golpe Que Estão Armando

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Aproveito uma sequência de notas publicadas no Facebook, para tentar desvendar o que me parece ser o verdadeiro Golpe político que está em andamento.
Começa com a noticia de O Globo dando conta que Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, pediu a prisão de Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e Eduardo Cunha e, também, o afastamento do primeiro da presidência do Senado.
O fato permite uma ilação: com Renan e Jucá fora do Senado, a presidência daquela casa "cai no colo" do próximo na linha sucessória, o petista Jorge Viana. Este seria o plano de Janot  para barrar o impeachment.
Só isso pode explicar o fato de - apesar das muitas acusações (uma dúzia de inquéritos engavetados no STF) - Renan Calheiros ser poupado enquanto fazia o jogo de Dilma Rousseff, e assim que deixou de ser útil, passar a ser tratado como inimigo.
Ainda segundo a notícia d'O Globo, os investigadores consideram mais graves as provas contra Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney do que aquelas que levaram Delcídio Amaral à prisão, pois "Delcídio tentou manipular uma delação, enquanto Renan, Sarney e Jucá planejavam derrubar toda a Lava Jato".
Segundo a Procuradoria Geral da República, os três Senadores articulavam iniciativas como a tentativa de mudar a decisão do Supremo que prevê a prisão de condenados a partir da segunda instância; a tentativa de mudar a lei para permitir delação premiada apenas para pessoas em liberdade, e não para presos investigados; e também uma pressão dos três para que acordos de leniência das empresas pudessem esvaziar todas as investigações.
Então, por que a demora da decisão quanto aos três peemedebistas? Mais ainda:  "Se a trama não fosse documentada pelas gravações de Sérgio Machado, a legislação seria modificada de acordo com o interesse dos investigados. Renan, Jucá e Sarney estão entre os políticos mais influentes do Congresso. Sarney, mesmo sem mandato, controla bancadas na Câmara e no Senado. Ele teria tido, inclusive, papel decisivo no processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff".
Mas todos sabemos que Lula, Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante fizeram ainda pior. E sabemos também que as leis encomendadas para beneficiar os criminosos do "petrolão" foram propostas por petistas. Incluindo aí a famigerada lei de repatriação de recursos.
Desse jeito, quem vai acabar destruindo a Lava Jato é Rodrigo Janot, com seu propósito de associar o impeachment à tentativa de obstruir a Lava Jato.
Também se pode ler no blog O Antagonista a afirmação de um integrante do Judiciário de que "Janot (...) foi obrigado a pedir a cabeça de Dilma e Lula porque Sérgio Moro lhe deu um xeque ao divulgar o grampo da conversa em que ambos combinavam obstruir a Justiça. Janot, no entanto, sabia que as ações contra Dilma e Lula travariam no STF."
E que "O vazamento dos áudios de Sérgio Machado  foi perfeito para Janot. Ele posa de herói da Lava Jato, mas da Lava Jato dele, que pega somente o PMDB e não o PT."
Mas por que Rodrigo Janot quer a volta do PT?
Porque Janot quer que Nicolao Dino - irmão de Flávio Dino, governador do Maranhão - o suceda à frente da Procuradoria-Geral da República. E a única forma de viabilizar isso é com o PT na Presidência. Dino como Procurador-Geral significa para Janot permanecer no controle da PGR, mas isto esbarra em mágoas antigas de Sarney e parceiros. Resumindo: Janot tem um projeto de poder que nem sempre coincide com os interesses do Brasil.
Sobre o vazamento de material da Lava Jato, O Antagonista publicou que o delegado a os agentes da PF que o fizeram se esforçavam para derrubar Rosalvo Franco da Superintendência da PF no Paraná, e os advogados envolvidos no caso eram ligados ao falecido Márcio Thomaz Bastos.
Há rumores de que Marcelo Odebrecht vai delatar uma trama planejada nos inícios das investigações, para interromper a Operação, envolvendo exatamente Márcio Thomaz Bastos e José Eduardo Cardozo. Resta ver se Rodrigo Janot demonstrará algum interesse pelo assunto.
Enfim, o jogo de empurrar decisões com a barriga denuncia uma enorme pantomima combinada com os "cumpanhêrus" do STF! Eles ficam anunciando o que "pretendem" fazer; farão algumas e outras não. Enquanto alimentam a imprensa e iludem os otários com os capítulos cada vez mais enganosos dessa novela que nunca termina, o tempo vai passando e os processos seguem (como escrevia o saudoso Janer Cristaldo) em ritmo de ganso, um passo e uma cagada. Aos poucos, a patuléia perde o interesse, os escândalos são substituídos por outros mais novos e tudo cai no esquecimento e os processos seguem os doze a que responde Renan Calheiros. Mofam nas gavetas até os crimes caducarem!!!
"O sr. Rodrigo Janot é a garantia viva de que, se alguém vai pagar pelos crimes do PT, serão os inimigos do partido. Ele foi contratado para isso, e não é homem de decepcionar seus patrões"
(Olavo de Carvalho)
Encerrando, quero destacar que meus desejos são de que a cambada toda, incluindo a presidanta, seja devidamente "recolhida aos costumes" e devolvam aos cofres públicos tudo o que foi surrupiado! Mas estou estranhando o fato de somente ela estar sendo acusada como responsável pelo "investimento" maldito na refinaria de Pasadena. Estão esquecendo que há uma troupe de, no mínimo, uma dúzia de conselheiros, regiamente pagos com suculentos jetons para cada reunião de que participam, que compartilharam com ela a decisão final. Ou não?? Esses "conselheiros" estão sendo investigados???
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sábado, 19 de março de 2016

Haja Pé Para Tanto Tiro!

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Sofrendo alguns dias de "férias", fiquei sem acesso à rede mundial em dias nos quais ocorreram fatos importantes para o país. Assim, mesmo atrasado, procurarei expor alguns pontos de vista, com base no que pude obter nos noticiários da Globo, Band e SBT, quando recebia o sinal das mesmas, nas "profundezas" do litoral do RS.
O destaque, como não poderia ser diferente, foram as manifestações populares que se seguiram às divulgações das conversas telefônicas gravadas por ocasião das investigações da infindável Operação Lava-Jato - trabalho hercúleo realizado pelo Juiz Sérgio Moro e sua equipe de Procuradores, e que se assemelha a um imenso novelo de linha retirado do esgoto, que a cada puxão mostra mais e mais a imundície em que estão submergidas as pessoas ora empoleiradas nos cargos dirigentes da Nação - logo após o anúncio de que o Cachaceiro Maldito (evito citar o nome desse bosta em meu blog) seria nomeado ministro de seu poste para assumir, oficialmente, o comando político-administrativo do país e, ao mesmo tempo, fugir das investigações conduzidas pelo bravo Juiz paranaense.
Nossa população conhecida pela característica baixa capacidade de indignação, que em sua maioria procura contornar os problemas e conflitos com o famoso "jeitinho", já demonstra a perda desse aspecto de sua cultura. 
Não passou despercebido a ninguém, a enorme diferença entre o número de manifestantes que acorreram voluntariamente às ruas na noite em que o ato desesperado da presidAnta foi confirmado e o número dos participantes dos atos promovidos pelas entidades - financiadas por verbas públicas - que dão sustentação à camarilha governamental. Repetiu-se o que se vê há bastante tempo. Cidadãos que agem de acordo com sua indignação cívica confrontados por "peões" (conforme o linguajar demonstrado em uma das gravações telefônicas divulgadas) movidos pelo aparelhamento estatal pago com verbas extorquidas aos primeiros pelos administradores contestados. Mas os tempos da omissão dos corretos que "não querem se incomodar" que alimentava o ativismo de uma minoria de canalhas que dominavam a cena parece estar se esgotando. O abrigo dado ao Cretino Mor no gabinete do Palácio do Planalto mostrou-se um belo tiro no pé!
Esse era o primeira aspecto que eu queria destacar. A parte sadia de sociedade parece estar deixando a letargia do "deitado em berço esplêndido". Que assim seja!
O outro aspecto diz respeito ao que pude perceber do conteúdo das conversações telefônicas reveladas. 
Longe de mim manifestar qualquer tipo de argumentação em favor de dona Dilma, mas ficou muito claro o desespero do Patife-Mor ante a possibilidade de ser recolhido a uma cela. E as tentativas dos interlocutores palacianos em dar respostas evasivas visando não comprometer-se com ele ou com seu sabujo, Rui Urubu. Ouvindo ou lendo as transcrições mostradas, chega a ser constrangedor verificar que as respostas de Jaques Wagner e do atual ministro da economia quase que limitam-se a "ahã", "pois é", "sim, sim" e outras evasivas, enquanto que as lamurias e pedidos de que se "faça algo" se sucedem. Verdade seja dita, os pedidos de que fossem "tomadas providências" junto ao DPF, Secretaria da Receita Federal, PGR e, até mesmo junto ao STF - o Grande Canalha chegou a citar nominalmente a Ministra Rosa Weber - aparentemente não foram atendidos. Mas o simples fato desses pedidos terem sido feitos é um indicativo da possibilidade de que alguma dessas "providências" definitivamente imorais pudessem ser concretizadas.
As lamentações contra o STF, STJ e líderes Congressuais "acovardados", somadas à queixa de "ingratidão" do PGR podem indicar que havia a expectativa de que o Biltre-Apedeuta fosse beneficiado imoralmente por alguma das autoridades citadas. E esse deve ser o maior motivo de repulsa dos citados - com a exceção do alagoano que preside o Senado, que deve sentir-se lisongeado pelo adjetivo que lhe foi direcionado pelo amigo, irmão, camarada. Mais um pé atingido pelo "fogo amigo"!
O fato específico do "termo de posse" sem assinatura da presidAnta pode ser visto, também, como indicativo das pressões exercidas sobre os palácios brasilienses. O diálogo telefônico não deixa dúvidas e as explicações furadas dadas pela antiga terrorista da ALN só convencem os idiotas que se sujeitam à doutrinação ideológica dos desavergonhados. Mas a falta de assinatura da presidAnta pode ser um indicativo de que a remessa do papel foi feita para que o sujeito "parasse de encher o saco" (a falta de assinatura teria sido um "esquecimento" ou distração causada pela pressa em atender o "amigo"). É só uma hipótese, mas convenhamos, muito plausível. 
A insistência na tentativa de manter o Espertalhão sem honra protegido no palácio do Planalto, sob as saias da "cumpanhêra gerentona" mostrou-se ser uma sequência de tiros nos pés. A tentativa de retirada do Batráquio da alça de mira do Juiz Sérgio Moro possibilitou a esse fazer um despacho parcial de remessa dos autos ao STF e, aproveitando a ocasião, a retirada do sigilo dos mesmos - de acordo com suas atribuições, já que havia sido ele que havia imposto tal sigilo - a fim de dar a publicidade requerida constitucionalmente aos atos públicos. 
Seguiram-se os pedidos judiciais de impugnação da posse do Grande Imoral no cargo de ministro o que originou uma série de liminares e cassações de liminares, culminando com o pedido do Advogado-Geral da União para que o STF colocasse um ponto final a essa série. Tal pedido aparentemente foi atendido pelo ministro Gilmar Mendes na forma não desejada pois ele concluiu favoravelmente pela impugnação da tal posse e determinou que o processo retornasse ao Juízo paranaense. Vai faltar pé para tanto tiro!
Para encerrar este tópico, dona Dilma continua exercendo a única coisa que sua capacidade intelectual permite fazer: mente descaradamente e ameaça "providências cabíveis" contra quem determinou a interceptação telefônica em que ela foi flagrada tramando contra a Justiça. Alega mentirosamente que foi "grampeada" quando sabe perfeitamente que o telefone interceptado era o do seu parceiro de canalhices. A essa senhora que com sua atitude imoral afunda a imagem do Brasil ante o mundo, eu tenho um pequeno lembrete que os encarregados por sua segurança devam ter-lhe dado - quem sabe até deram - mas sua arrogância fez com que não fosse seguido: "em qualquer lugar do mundo, quem telefona para delinquentes investigados está sujeito a ter sua conversa interceptada". Então, nas próximas conversações desse tipo, recomendo-lhe recato e iniciar o diálogo com um pedido "a quem por acaso esteja gravando isto: aqui é a presidAnta e eu gostaria que esta conversa não fosse gravada". Não vai adiantar nada, mas será um bom descargo de consciência.
Outro assunto, é o início do processo legal de impedimento da presidAnta no Congresso.
Duvido que, mesmo em seus piores pesadelos, Montesquieu tenha imaginado algo tão surreal como o atual momento político brasileiro.
Uma chefe do poder Executivo, eleita em eleições nas quais teve a campanha financiada por empreiteiras que "doaram" recursos supostamente ilegais - acusação que também se aplica ao principal oponente (e quem sabe, todos os demais então candidatos) - é ameaçada de sofrer impedimento em um processo cujo início é comandado por um Presidente da Câmara Federal que responde a processo de infração à ética (que pode resultar em sua cassação). Tal processo, deverá ser remetido ao Senado, presidido por outro sujeito "bordado" de processos - que não chegam a uma conclusão graças aos intermináveis recursos protelatórios que só aos da "zelite" são concedidos - a quem caberá dar-lhe ou não prosseguimento.
Até aí, "nada demais" dirão alguns. A gritaria de "não vai ter golpe", pode-se retrucar afirmativamente que realmente não vai haver golpe pois a retirada de alguém que ocupe o mais alto cargo político-administrativo do país sem atuar de acordo com os preceitos constitucionais exigidos para tanto, não configura "golpe", mas sim uma ação justa, legal e moral em defesa da sociedade que, em última instância, é ao mesmo tempo sujeito e objeto da verdadeira democracia.
Mas é exatamente aí que se instala o grande problema a ser resolvido. Concretizando-se o impedimento de dona Dilma, deve assumir a presidência da República o Vice-presidente eleito, Michel Temer. Que é presidente do PMDB, aquele ajuntamento de ratazanas que há trinta anos roi o país. Tiro de grosso calibre no pé do país inteiro?
Não por acaso, o Presidente da Câmara (terceiro na linha de sucessão) e o presidente do Senado, acima citados, fazem parte dessa quadrilha, ops, organização política, junto a outras excrementíssimas figuras da história recente do Brasil, como Zé Sarney, Jader Barbalho, Edson Lobão, Romero Jucá, Valdir Raupp e tantos outros cujos nomes enfeitam processos judiciais que entulham nossos tribunais superiores e são inexplicavelmente "imexíveis".
Não podemos esquecer que também tramita no STE (Supremo Tribunal Eleitoral) um processo que pede a impugnação da chapa Dilma-Temer por financiamento de campanha com verbas ilegais. Como afirmei acima, essa acusação também se aplica ao principal oponente na campanha questionada. Supondo-se que o STE conclua que a dupla Dilma-Temer deve ser considerada fora da eleição ocorrida, tal decisão também deve ser aplicada à chapa Aécio-Aloysio, ou seja, a eleição seria anulada. A presidência da República cairia, então, no colo de Eduardo Cunha, prestes a ser cassado pelo Conselho de Ética da Câmara Federal. Teríamos no comando do país, então, o ministro Lewandowski, aquele que foi acusado de ter chegado ao STF mais pela sua amizade com a família do Sapo Barbudo do que por suas qualidades jurídicas. Chegariamos então a uma espécie de "moto continuum" de personagens "duvidosos" no comando do Brasil. Pode ter algum futuro um país nessa situação?
Solução? Uma renúncia coletiva, geral e irrestrita de todos os membros do Executivo e Legislativo federais, com convocação imediata de eleições gerais. É claro que esse tipo de idéia não se cria, sequer se gera. Nenhuma das figuras envolvidas se sujeitaria arriscar a perda de suas sinecuras e possibilidades de manter-se no poder.
Quem sabe uma "revolução francesa tupiniquim"? Nem pensar! De 1985 para cá o Brasil se livrou desse risco! Temos uma população estimada de 200 milhões com 40 milhões recebendo UM Salário Mínimo e (conforme a PresidAnta) 50 milhões dependendo do Programa Bolsa Família. Tirando as crianças, temos praticamente uma maioria populacional em condições de ser considerada "econômicamente ativa" - não necessariamente produtiva - "tirada da pobreza", leia-se "dependendo de verbas públicas extorquidas da parte produtiva da população - estima-se que cerca de 38 milhões de "contribários" (contribuintes otários) apresentarão Declaração de Renda em 2016. Considerando que a "zelite" (banqueiros e empresários amigos da realeza) é de menos de 5% da população, temos que essa maioria dependente está sobrevivendo às custas da quase extinta "classe média" (aquela, a quem a vaca uspiana declarou seu ódio sob os risos do Supremo Patife).
Concluindo este texto que já se prolonga, lembro da Estratégia Cloward-Piven criada pelos sociólogos norte-americanos Richard Cloward e Frances Fox Piven. Seu objetivo seria sobrecarregar o sistema econômico através de um número tão grande de "benefícios" que estes acabariam por colapsar a economia e as classes pagadoras de impostos, para que então empobrecessem juntamente com as demais, fazendo assim uma das inúmeras possíveis transições ao socialismo. Essa crise planejada terminaria deixando toda a população dependente do governo, transformando os governantes em elite dominante e os governados em uma só classe de escravos. Estaria sendo aplicada no Brasil?
Seria por isso que cada vez mais benefícios surgem sem que resolvam efetivamente o desenvolvimento social, cultural e econômico do país, com o setor produtivo pagando toda essa estrutura, sendo cada vez mais escorchado, perseguido e criminalizado. O que parece insanidade ou incompetência é na verdade apenas um processo de desmonte econômico e de posterior dissolvimento de classes e ascensão da casta governante.
É importante frisar para que não nos voltemos contra os beneficiários, e sim contra aqueles que estimulam a miséria humana como arma política. Não há progresso econômico em uma economia planificada, e é justamente isso que o socialismo entrega. 
Só uma observação: a referência à "Estratégia Cloward-Piven" foi só uma lembrança que me ocorreu, pois apesar das semelhanças, as ações dessa quadrilha que tomou conta do Brasil depois de 1995 não são de comunistas, mas sim de reles larápios que se mascaram sob essa ideologia idiota, morta e enterrada sob o Muro de Berlim, em 1989. Eu temo o que virá pela frente, com esse tipo de lideranças canalhas!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O Que Significa o Aumento de 5,5% nos Soldos dos Militares Federais?

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“Ao longo dos anos, os militares vêm em um contínuo e progressivo achatamento salarial, que, nos últimos tempos, alcançou níveis nunca dantes imaginados.”
(Relatório da Comissão Mista da Câmara de Deputados para apreciar a MP nº 215/2004)
Sete respostas, propostas 
por Synésio Scofano Fernandes

1. Significa a continuidade da perversa política de remuneração imposta aos militares federais desde 2004.
Em fevereiro de 2004, a remuneração média dos militares federais equivalia a 110% daquela da Administração Direta (categoria de detentores de cargos públicos com a pior remuneração em nível federal).
Em maio de 2015, essa relação passou a ser de 69,45%.
No que se refere a outras categorias de detentores de cargos públicos, em maio de 2015, a remuneração média dos militares federais correspondia a :
- 28,17% a do Banco Central;
- 30,01% a do Legislativo;
- 33,87% a do Judiciário;
- 37,36 % a do Ministério Público Federal.
Em 2003, as despesas com o pagamento do pessoal militar federal equivaliam a 1,16% do PIB; em 2014, essa relação passou a ser de 0,82% do PIB.
Como se observa, essa política vem impondo, progressivamente, por mais de uma década, aos militares, uma situação aviltante, sob o ponto de vista salarial. Não é um processo que decorra de dificuldades econômicas eventuais do país, mas eclodiu e progrediu em períodos de elevadas taxas de crescimento do PIB.
Portanto, não tem sentido altas autoridades afirmarem, por ocasião de aumentos salariais, que o reajuste concedido foi o possível de obter para os militares. Essa afirmativa tem sido proferida em todas ocasiões, mesmo naquelas em que diferentes setores dos servidores públicos obtiveram reajustamentos superiores a 70%, enquanto os militares obtinham 15%.
No período de 2004 a 2014, os Militares Federais tiveram um aumento cumulativo de 130%, enquanto a Administração Direta, categoria de servidores federais com a pior remuneração, foi aumentada em 225%. Nesse mesmo período, a remuneração média dos Militares Federais aumentou 18,20% acima da inflação acumulada, a dos Servidores Civis em geral cresceu 62,00% acima do índice inflacionário e a da Administração Direta 95%.
O que se constata, na verdade, é a falta de interesse e de uma vontade determinada para superar a iníqua situação remuneratória dos militares, que se evidencia e se aprofunda a partir de 2004.
Sem que exista uma censura efetiva, a remuneração dos militares assumiu as condições de um tema interdito, sobre o qual não se deve falar nem perguntar.
Um assunto incômodo, possivelmente, pela sua permanência na agenda de problemas não resolvidos, pela sua prioridade, pelo impacto que causa na vida do soldado.
Mas, talvez, esse desconforto possa ser superado pelo esclarecimento, pelo debate, pelo convite a uma ação decidida e imediata.
O descaso com que o assunto da remuneração dos militares vem sendo tratado, nesses últimos anos, pelos setores da administração pública responsáveis pelo tema, se apresenta quando se faz um retrospecto das circunstâncias e dos documentos produzidos por ocasião dos estudos e das deliberações que redundaram nos últimos seis reajustes salariais concedidos aos militares federais.
Assim, por ocasião da apreciação da MP nº 215, de 16 Set 2004, que redundou na Lei nº 11.008 de 17 Dez 2004, de conversão da referida MP, a Comissão Mista, instaurada na Câmara dos Deputados, referiu-se ao problema, no seu Relatório, da seguinte forma :
Os níveis remuneratórios dos militares federais, consideradas as características peculiares da profissão, a natureza de suas atribuições e o quadro geral de remuneração do serviço público federal, são, sem dúvida, insatisfatórios. Ao longo dos anos, os militares vêm em um contínuo e progressivo achatamento salarial, que, nos últimos tempos, alcançou níveis nunca dantes imaginados”.
No entanto, naquela oportunidade, em setembro de 2004, as autoridades responsáveis pelo assunto alegaram que o exíguo 10% concedido de aumento decorria das “possibilidades orçamentárias” do momento.
Portanto, era reconhecido o “achatamento salarial”, mas a providência para superar essa disfunção limitava-se a conceder 10% de acréscimo nos valores dos soldos.
O valor do PIB, em 2004, em reais correntes, era de 1,958 trilhão.
Em 24 Nov 2005, após um longo debate sobre as possibilidades de conceder um reajuste remuneratório aos militares federais, que realmente reparasse a degradante situação salarial existente, a Lei nº 11.201 aumentou os valores dos soldos em 13%.
Naquela ocasião, já na fase final dos debates, o então Ministro da Fazenda, em reunião conjunta com o Ministro da Defesa, o Ministro do Planejamento e os Comandantes das Forças disse, dirigindo-se aos Comandantes, “Meus senhores, o governo só pode conceder, ao pessoal da tropa e para os postos mais elevados, uma gratificação”. Proposição completamente extemporânea aos estudos realizados. Incontinenti, o Comandante da Marinha, respondendo ao Ministro da Fazenda, disse: Se os senhores assim decidirem, podem escolher, agora, outro Comandante da Marinha, pois eu não darei essa notícia ao meu pessoal. Imediatamente, os outros Comandantes, igualmente, se posicionaram.
A reunião foi suspensa e dias depois estava sendo dado o aumento linear de 13%, ainda, muito aquém do que o necessário para superar o referido “achatamento salarial”. O motivo alegado para tão modesto índice foi a indisponibilidade de recursos.
O episódio retratou, com exatidão, o descaso com que tão sensível assunto é encarado pelas mais altas autoridades, pois a solução proposta, que agredia aspectos fundamentais da ética militar, nunca havia sido considerada pelas Forças, mas poderia funcionar como um “cala a boca”, um ludibrio.
Retratou, também, a repulsa à uma proposição, que, embora satisfizesse ao critério de provocar o menor impacto orçamentário possível, estaria além dos limites da moralidade, pois os militares não poderiam aceitar uma solução que privilegiasse os segmentos mais elevados da estrutura hierárquica, em detrimento dos demais postos e graduações. Ainda mais, balizou aquela linha de conduta que não pode ser transgredida e tem de ser reafirmada com atos e palavras, para que seja evidente.
Os militares federais não dispõem de sindicatos, que, na atual configuração da nossa sociedade, defendem os interesses e apresentam as reivindicações dos diferentes setores laborais.
As condições para o exercício da atividade militar, aquelas condições referidas à dignidade do homem, do soldado, a sua remuneração, a sua saúde, o seu bem estar pessoal e o da sua família, enfim, a sua proteção social são garantidas pela cadeia de comando.
Esse papel de garantidor da proteção social do soldado impõe à liderança militar um conjunto de obrigações e de exigências, dentre as quais a de velamento pela existência e efetividade dessas condições.
Em 2005, o valor do PIB, em reais correntes, era de 2,171 trilhões.
Em 29 Jun 2006, foi editada a Medida Provisória nº 306, convertida pela Lei nº 11.359, de 19 Out 2006.
Por esses diplomas legais, foi concedido 10% de aumento nos valores dos soldos.
O valor do PIB, em reais correntes, em 2006, era de 2,400 trilhões.
A Medida Provisória nº 431, de 14 Maio 2008, convertida pela Lei nº 11.784 de 28 Set 2008, retomou, na área militar, o procedimento de conceder aumentos remuneratórios parcelados.
Por esse procedimento, em um mesmo diploma legal, são concedidas várias parcelas de aumentos, em um exercício financeiro ou em vários anos. Essa maneira de tratar a questão traz para o servidor expressivas perdas.
Primeiro, no aspecto comunicacional, é enfatizada a soma total das parcelas concedidas, de modo que o impacto de um número diminuto (de uma parcela) é absorvido pela percepção da grandeza do todo.
Depois, ocorre um certo esvaziamento das reivindicações em decorrência da garantia de ganhos futuros. Constata-se uma acomodação das expectativas.
Ainda mais, as parcelas concedidas por diplomas legais, mas a serem efetivadas em um futuro, inibem a postulação de novas parcelas fora do programa estabelecido, que, na maioria das vezes, em um cenário inflacionário, como o atual, não contabiliza as perdas decorrentes do processo inflacionário.
Em 2008 foi editada a MP nº 431 que estabeleceu sete parcelas de aumentos, de janeiro de 2008 a julho de 2010, variando, em média, de 3,65% a 10,00%, com um valor total, nos três anos, de 30%.
O então Ministro da Defesa disse que “O aumento foi de acordo com as possibilidades do Estado.
Os valores do PIB em reais correntes eram :
 - em 2007, de 2,718 trilhões;
 - em 2008, de 3,107 trilhões;
 - em 2009, de 3,328 trilhões;
 - em 2010, de 3,886 trilhões.
 Em agosto de 2011, os Comandantes das Forças encaminharam, aos escalões superiores, estudo que propunha um aumento nos valores dos soldos dos Militares Federais de 47,15%, a ser concedido em um exercício financeiro.
Essa proposta tinha em vista equiparar a remuneração dos Militares Federais à da Administração Direta – categoria com a pior remuneração em nível federal.
Após um ano de avaliações, a Lei nº 12.778, de 28 Dez 2012, concedeu, aos militares federais, aumento remuneratório, em três parcelas anuais, aproximadas, de 9,16%.
O então Ministro da Defesa, na ocasião, disse que: “Na atual situação econômica foi o que pudemos dar”.
Os valores do PIB, em reais correntes, eram :
 - em 2011, de 4,375 trilhões;
 - em 2012, de 5,316 trilhões;
 - em 2013, de 5,316 trilhões;
 - em 2014, de 5,521 trilhões.
Agora, por intermédio da Mensagem nº 613, de 30 Dez 2015, o Executivo remeteu, ao Congresso Nacional, o PL nº 4255/2015 alterando os valores dos soldos dos Militares Federais.
Pela proposta, é concedido, em agosto de 2016, o aumento de 5,55% nos valores dos soldos. O Projeto também prevê outras parcelas, de 6,59% em 2017, de 6,72% em 2018 e de 6,28% em 2019.
Como se constata, os percentuais concedidos se situam em torno do limite superior (6,5) das metas de inflação estabelecidas para os dez últimos anos (2005-2015). Ocorre no entanto que, na realidade, a inflação efetiva (IPCA) de 2015 alcançou 10,67, ultrapassando, em muito, o limite superior da meta. Portanto, mantidas as atuais condições (IPCA próximo a 10,00), as parcelas de aumento previstas para 2017, 2018 e 2019 não corresponderão aos seus valores presentes, em conseqüência, o poder de compra das remunerações decairá com o tempo.
Assim, considerando-se a previsão (muito conservadora) de que a inflação efetiva alcance o modestíssimo índice de 6,00% nos anos de 2017, 2018 e 2019 e a inflação de agosto a dezembro de 2016 fique em torno de 3,68 %, teremos uma inflação acumulada, no período de agosto de 2016 até dezembro de 2019, de aproximadamente 23,48%, muito próxima do limite estabelecido na EMI nº 00507/2015 MD MP, de 30 Dez 2015, para a expansão da folha de pagamento dos Militares das Forças Armadas prevista para o período (25,50%).
Desse modo, fica claro que o aumento concedido decorre da intenção de corrigir a inflação que supostamente deverá ocorrer a partir de 1º de agosto de 2016. Em dezembro de 2019, se tudo acontecer de acordo com os índices imaginados, as remuneração dos militares estariam protegidas nos seus valores reais imaginados para agosto de 2016. É preciso, notar, no entanto, que os aumentos foram anunciados em dezembro de 2015, para serem efetivados em agosto de 2016. A inflação que ocorrerá nesse período, pela metodologia estabelecida, deverá se ajustar ao número 2,02% (25,50%-23,48%).
Por que essas minúcias estão sendo examinadas ?
Porque nesses números, nas intenções que os produziram está amparada uma questão moral.
O que foi dito? O que foi amplamente anunciado ?
Que estava sendo concedido um reajuste médio de 27,50% “tendo em vista a necessária valorização das Forças Armadas e as limitações impostas pelo cenário fiscal.
Os Militares Federais não foram valorizados, ao contrário, estão perdidos na decepção da hipocrisia cometida. As esquálidas parcelas anuais, com precisão decimal, não nasceram do interesse “em valorizar”o homem, o soldado brasileiro.
A valorização moral, afetiva, psicológica não pode ser reduzida a decimais.
O que, realmente, originou o parcelamento e a constituição das parcelas foi o interesse em controlar a expansão das despesas com o pagamento dos militares, um controle, que deveria parecer positivo (valorizar as Forças Armadas), mas, ao mesmo tempo, evitasse “o exagerado”, que os militares conseguissem sair do “arrocho salarial”, como a Câmara dos Deputados assinalou.
Pois é, exatamente, esse ludibrio, que encobre a mentira do reajuste de dezembro de 2015, o motivo da indignação de todos atingidos por essa manobra que sempre se repete: em 2004, em 2005, em 2006, em 2012, em 2015.
Interessante observar, quanto a esse aspecto, é a afirmação da Exposição de Motivos, que acompanha o PL nº 4255/2015, sobre o limite de expansão da folha de pagamento dos Militares Federais em 25,50% até 2019. Quer dizer, não se pretende corrigir o “achatamento salarial”, mas garantir um limite de crescimento da “folha de pagamento”, algo em torno de 6,00% (o limite superior da meta inflacionária) anuais.
Essa iníqua situação salarial dos militares só poderá ser superada quando for enfocada particularmente e fora de iniciativas que visem a conceder reajustamentos gerais que atendam a variadas categorias do setor público.
A EC nº 18, quando passou a denominar os integrantes das Forças Armadas de Militares e os retirou da classificação prevista na então Seção III (Dos Servidores Públicos Militares), do Capítulo VII, do Título III, colocando-os no artigo 142 do Capítulo II (Das Forças Armadas) do Titulo V, inviabilizou, no que se refere aos militares, os efeitos do inciso X do artigo 37 da CF, quando diz que à remuneração dos servidores públicos é “assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices.”
No entanto, o que tem ocorrido?
As remunerações dos Militares (que não são servidores públicos), nesses últimos anos, têm sido corrigidas no contexto dos reajustes dos servidores públicos (“revisão geral anual”), “na mesma data”e, quase exatamente, no mesmo índice (“sem distinção de índices”).
Ora, nos onze anos que separaram 2003 de 2014, não ocorreu nenhuma iniciativa realmente eficaz para corrigir essa grave disfunção; muito embora o PIB fosse ascendente e algumas categorias de detentores de cargos públicos tivessem, no período, aumentos cumulativos maiores do que o dobro dos concedidos aos militares federais.
O que realmente aconteceu ?
Desculpas, explicações risíveis: “no momento foi o possível de conceder aos militares” enquanto o PIB evoluía de R$1,72 trilhão para R$ 5,52 trilhões.
Agora, os militares, para se equivalerem, sob o ponto de vista remuneratório, à categoria de servidor com a pior remuneração, em nível federal, necessitam de um aumento de, aproximadamente, 50%, nos valores dos soldos, a ser concedido em um exercício financeiro, de acordo com os dados do Boletim Estatístico de Pessoalnº 225, de Janeiro de 2015, página 42, do MPOG.

2. O aumento de 5,5% significa que, em agosto de 2016, 50% dos:
- Generais de Brigada terão um aumento de R$ 699,51 nas suas remunerações líquidas;
- Coronéis do EB terão um aumento de R$ 508,74 nas suas remunerações líquidas;
- Capitães do EB terão um aumento de R$ 352,10 nas suas remunerações líquidas;
- Subtenentes do EB terão um aumento de R$ 210,96 nas suas remunerações líquidas;
- Segundos–Sargentos do EB terão um aumento de R$ 141,31 nas suas remunerações líquidas.
(Dados de dezembro de 2015)
É preciso considerar que o poder de compra desses números se referem aos valores presentes em janeiro de 2016, sem considerar a inflação futura de dezembro de 2015 a agosto de 2016.

3. Significa que o Estado Brasileiro retribui os serviços prestados pelos seus soldados com quantias muito abaixo dos níveis daquela categoria com a pior remuneração em âmbito federal.
Que essa retribuição remuneratória é um indicador importante da percepção que os responsáveis pela administração pública no Brasil têm do soldado brasileiro.

4. Significa que a remuneração indigna recebida pelo soldado é um estímulo aversivo, que atua negativamente sobre as suas atitudes e os seus comportamentos, minando a vontade, os interesses e toda a constelação dos atributos afetivos do homem.
Nenhuma exortação, nenhum procedimento das ditas “ações de liderança” poderá se sobrepor à percepção do soldado de si mesmo, quando constata, na sua realidade, que o tratamento que recebe é o mais depreciado entre todos os agentes do Estado.

5. Que não será possível construir e manter Forças Armadas capacitadas, motivadas e criativas sem que o militar, individualmente, perceba a si mesmo como um ente digno, útil e valorizado.
Um dos fatores fundamentais para a construção dessa consciência reside na retribuição remuneratória, que reforça o poder motivador dos estímulos auto compensatórios.
A questão da recompensa salarial dos militares não é, apenas, um elemento a ser considerado nas questões técnicas da elaboração orçamentária, evidentes em expressões tais como: “foi o possível de obter para os militares”. Transcende, em muito, essa visão econômica–financeira, contábil e reducionista. Essa questão, de amplitude e profundidade muito maiores, diz respeito à ideia da sociedade que pretendemos construir, ao nosso futuro de um país continental e livre (se ainda for possível manter essa continentalidade e a nossa liberdade).
Como não perceber o delírio de almejar sistemas de armas sofisticados, de desenvolver projetos de alta tecnologia, de considerar a possibilidade de manter políticas de projeção de poder, quando os agentes da utilização dessas armas e os sujeitos da concepção desses projetos e dessas políticas são os mais desvalorizados nas suas retribuições salariais ?

6. Significa que não há um interesse determinante, uma vontade decisiva para resolver tão grave problema, que se arrasta por mais de uma década.
Nesses últimos anos, todos os reajustes salariais concedidos aos militares federais foram irrisórios e acompanhados de justificativas risíveis.
Como aceitar as permanentes alusões à insuficiência de recursos, quando outras categorias de detentores de cargos públicos obtêm reajustes expressivos, quando a realidade com que nos deparamos na gestão e na probidade da aplicação dos recursos públicos é deprimente.
Apesar das inúmeras análises pormenorizadas, baseadas em índices divulgados por entidades oficiais, que apontam, sob variados aspectos (PIB, Despesas Primárias da União, índices inflacionários, comparações das remunerações médias per capita e dos dispêndios anuais com o pagamento de diferentes categorias do servidor público) para uma situação salarial degradante em que um Oficial do mais alto posto percebe menos que um Técnico da Polícia Civil dos Ex-Territórios do Acre, Amapá, de Roraima e Rondônia; um Capitão tem uma remuneração bruta mensal menor do que a de um Agente Penitenciário Federal; 50% dos Segundos Sargentos do Exército tem uma remuneração líquida menor que R$ 2.770,00 e 50% dos Terceiros Sargentos do Exército uma remuneração líquida menor que R$ 2.790,00. Apesar dessa situação calamitosa, que se desenvolve por mais de uma década, nenhuma medida efetiva foi realmente tomada, os reajustes concedidos, como já se viu foram irrisórios.
Mas, desconhecendo essa realidade desoladora, insistentemente descrita, setores da administração pública federal ampliam as suas atuais preocupações relativas à remuneração dos militares federais para o seu Sistema de Proteção Social. Pretendem conceber mecanismos para usurpar, ainda mais, os direitos remuneratórios dos militares, que, recentemente, já foram subtraídos de importantes parcelas compensatórias às características da atividade militar em troca da manutenção das regras da paridade e da integralidade.
De modo que se observa um movimento estranho em que, antes mesmo de serem completadas as conseqüências das medidas preconizadas na MP nº 2215/2001 e na Reforma da Previdência Social de 2003 já se especulam novas alterações nos procedimentos acordados.

7. Significa que os militares federais não estão sendo valorizados e que as suas lideranças não são levadas em conta.
Alguém desconhece essa realidade ?
Realidade perversa que vem sendo construída ano a ano.
Pois é a realidade vivida pela Família Militar, de dedicação irrepreensível ao Exército e ao Brasil.
Brasília, 3 de fevereiro de 2016
Synésio Scofano Fernandes
é Gen Div Refo do Exército
Recebido por correio eletrônico
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