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domingo, 27 de outubro de 2019

A Nova Arremetida da Esquerda na América Latina

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O texto abaixo se refere à Colômbia, mas serve de alerta a todos os países da América Latina que julgávamos livres do flagelo marxista, particularmente o Brasil.
Sublevações sob motivos medíocres, são conduzidas criminosamente para se tornarem violentas, provocando as Forças de Segurança, a fim de produzirem vítimas e, assim, colocarem a população em franca oposição aos governos democráticos.
Não devemos nos espantar se fatos semelhantes começarem a surgir no Brasil, em atendimento às diretrizes do Foro de São Paulo, agora disfarçado de "Grupo de Puebla", a nova denominação da quadrilha.
Foto:  Grupo de Lima 
COLÔMBIA DIANTE DE VÁRIOS ESPELHOS
Equador, Chile e Peru: nosso país deve captar os sinais dos países vizinhos. Nem todas as causas são transferíveis, mas há elementos comuns. O caso do Chile é muito relevante.
Foi dito na terça-feira passada que a Colômbia e seu governo devem observar com mais atenção o que está acontecendo no Chile, bem como os fatos recentes no Equador. E acrescentaríamos, ainda, os do final do mês passado no Peru.
Equador, pela ampla mobilização de protestos contra as medidas de ajuste econômico e pela opção, finalmente atendida pelo governo, de revogar a medida de acabar com os subsídios estatais à gasolina, o que havia tornado os preços mais caros para os usuários.
Peru, devido à situação fronteiriça de ingovernabilidade em que o confronto sem saída entre o Poder Executivo e o Congresso levou ao encerramento da legislatura deste e à convocação de eleições legislativas antecipadas.
Chile, em função do que hoje já é uma mobilização de caráter nacional, e que desde seu início extrapolou o protesto pelo aumento de passagens do metrô da capital, Santiago. O governo de Sebastián Piñera, acuado, socorreu-se nos militares e nos últimos dias, tenta recompor pela via politica um grande acordo nacional, junto com o controle da ordem pública, social e econômica.
A autocrítica, com um pedido de perdão incluído, expresso por Piñera em um discurso televisivo nacional, superou até o que os partidos de oposição mais radicais esperavam. Paradoxalmente, depois de ouvi-lo e receber o convite para participar das rodadas de um acordo nacional, as forças de esquerda preferiram marginalizar-se e concentrar seus esforços no incentivo à mobilização nas ruas.
Que não conseguira entender o que se movia sob o descontentamento, e a promessa de iniciar uma reviravolta em toda política econômica e social, foi o mea culpa de Piñera, mas não foi suficiente para tranquilizar o país. A questão de saber se o mesmo poderia acontecer por aqui não é simples alarmismo ou especulação caprichosa.
As circunstâncias são muito específicas para cada país, mas existem correntes de opinião facilmente inflamáveis. Na Colômbia, como no Chile, havia uma opinião especializada que coincidia com a versão segundo a qual as bases macroeconômicas eram tão firmes que não havia riscos, pelo menos iminentes, de instabilidade política e institucional.
Na Colômbia, existe um governo moderado e democrático, mas sujeito a assédio político de vários lados, incluindo aliados parlamentares. A campanha diária e permanente dos adversários é incitar a mobilização social, "sair às ruas" sob qualquer pretexto. Isso ficou explícito em marchas como as dos movimentos estudantis. As imagens do Equador e do Chile produzem entusiasmo inquestionável nos políticos colombianos que gostariam da mesma coisa ocorrendo por aqui.
Ao apelo persistente à responsabilidade dos líderes, políticos ou de opinião, para que não exacerbem o ódio, deve-se unir um mais forte aos dirigentes e àqueles que têm responsabilidades institucionais, para que cumpram os princípios e políticas da boa governança, da luta contra a corrupção, que gerem e não freiem o desenvolvimento, que visem revitalizar a criação de empregos e a formalização do trabalho. Mais que tudo: políticas melhores e mais eficazes de igualdade e equidade social.
Uma população da qual são exigidas contribuições cada vez maiores, enquanto por outro lado, grandes setores são informados de que tudo devem esperar do Estado sem que lhes peçam maiores contribuições para sustentar essas obrigações, unem lado a lado os motivos crescentes de inconformismo. Não devemos antecipar eventos ou gerar pessimismo, mas devemos ouvir sinais que nem os líderes nem a sociedade devem ignorar.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: se no Chile e na Colômbia a situação politico econômica pode ser qualificada como estável, o mesmo não se pode dizer do Brasil. A "herança maldita" herdada do petismo ainda se faz muito presente nesta parte inicial do governo de Jair Bolsonaro.
Não podemos esquecer dos que, ao se depararem com um país estável graças ao "Plano Real" do esquecido Itamar Franco — não contentes em roubar o máximo possível —, se dedicaram a manterem-se no poder pela compra do "lúmpen proletariado" por meio da criação de direitos e mais direitos, particularmente financeiros, sem a preocupação de sustentar a estabilidade encontrada. E esses meliantes ainda estão agindo ativamente na sabotagem ao atual governante — contando com a cumplicidade de muitos sedizentes aliados, que somente visam colher benefícios políticos enquanto puderem, exibindo suas faces velhacas logo que tais benefícios possam ser obtidos na oposição.
Ao mau indício advindo da renovação do insidioso Foro de São Paulo sob a nova denominação de "Grupo de Puebla", soma-se o novo período de governo obtido por Evo Morales na vizinha Bolívia.
Não se pode desprezar, ainda, a crítica de outro analista colombiano à hesitação de Sebastián Piñera não reprimindo de pronto as primeiras manifestações tresloucadas e, também, ao não ataque aos gastos públicos — leia-se à maquina burocrática ainda dominada por esquerdistas nela encravados. Tudo muito igual a um outro reino "deitado em berço esplêndido" que conhecemos.
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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Direitos da Sociedade x Direitos dos Indivíduos

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É questionável que o plano de vida pouco edificante de alguns cidadãos se torne referencia pública: exemplo rodeado de álcool e drogas que não é o melhor para crianças e jovens.
Imagem: Internet - Foto de Juarez Santos / Fotos Públicas - Jornal Metro
Editorial
É certo que o Estado e suas instituições não podem usufruir uma super-autoridade que lhes permita assumir a atribuição de conceber, com proibições e repressões, o plano de vida dos cidadãos. Mas não é menos pertinente que a ordem social proposta, disposta com base em princípios diretores a Constituição , evite que o livre desenvolvimento da personalidade de alguns indivíduos se converta no espelho em que deve mirar-se e da qual deve tomar exemplo cotidianamente a maioria da sociedade, especialmente suas crianças e jovens.
Em um país que busca garantir liberdades, não se pode confundir o respeito aos direitos individuais com uma permissividade tal que faça com que a escolha de consumir álcool e drogas seja parte do cenário público, como se tratasse de simples paisagem, em um contexto contaminado de ilegalidade e ameaças contra a vida, a honra e os bens dos cidadãos.
É como se o Bronx, em Bogotá, ou as Cuevas, em Medellín (NT: ou a Cracolândia, em São Paulo), vistos desde a ótica dos consumidores
esqueçamos as máfias que os gravitam por um segundo fossem opções prometedoras e edificantes para nossa sociedade. Por fortuna, essas “panelas” de vicio já foram demolidas e recuperadas (NT: na Colômbia, pois a Cracolândia paulista encontra-se em plena atividade).
Há que agregar que hoje as redes de distribuição de drogas, seguramente ilegais e criminosas, acossam crianças e adolescentes desde as cercanias dos centros educativos. Pensar na ideia de ruas, parques e praças do país, abertos ao consumo indiscriminado e permanente de drogas e álcool, não se entende como una perspectiva condizente a melhorar as condições de ordem pública e convivência, para proveito geral e coletivo.
Compreende-se que a Corte Constitucional assuma a interpretação e aplicação dos princípios constitucionais com uma ótica de paz, de tolerância, de diversidade e de respeito a maiorias e minorias. Mas a ordem prática de sua doutrina, neste caso, se choca contra a realidade de um país cheio de limitações para garantir que o consumo de drogas e álcool no espaço público, sem restrições, não se converta em uma fonte de discórdia, inseguridade, abusos e desordens.
A Corte Constitucional tem batalhado por conquistas substanciais em matéria de direitos e liberdades para os colombianos, inclusive às vezes incompreendida no ofício de entender, interpretar e garantir igualdade no complexo e diverso espectro de um país tão heterogêneo. São muito elogiáveis sua existência e trabalho, capaz de distinguir caprichos, taras e preconceitos morais e políticos e de corrigir lacunas legais, mas esta não é a ocasião. Proibir esse tipo de consumos no espaço público, a favor do direito coletivo a um ambiente são e seguro, não significa anular liberdades individuais.
Não é lugar comum recordar que em países desenvolvidos e garantistas dos direitos civis e humanos (EE.UU., Rússia e França), é proibido o consumo de drogas e/ou álcool em espaço público (parques, praças e ruas, essencialmente; inclusive em veículos), por razões de ordem prática: impedir que essa escolha e “gosto” individual se imponham no cotidiano da maioria dos usuários do espaço público e que sejam um risco a essa maioria.
O direito consuetudinário, baseado na práxis e nos exemplos de cada caso, ensina que é melhor antecipar essas circunstâncias de vulnerabilidade da ordem pública, a que são tão propensos os indivíduos sob o efeito de substancias estimulantes, psicoativas. Por isso o consumo é permitido, mas é reduzido, ordenado, e restringido ao espaço privado, ao de um ambiente no qual esse cidadão, com legítimo direito ao desenvolvimento de sua livre personalidade, não arrisque os direitos de outros.
Não há consumo sem venda. Não há demanda sem oferta. Buscar a prevalência da ordem pública não é defesa do proibicionismo. Simpatizar e defender a segurança, a tranquilidade, a salubridade e a moralidade nos espaços de uso geral, públicos, não rivaliza com que cada um viva e exerça sua livre personalidade, com amplitude, nos espaços e lugares adequados para que sua escolha não se imponha a outros, em especial às crianças e aos jovens, sem a maturidade, assistência e proteção suficientes do Estado, da sociedade e da família, para definir seus planos de vida.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano
COMENTO: o texto se refere a uma possível liberação legal, na Colômbia, do uso de bebidas alcoólicas e drogas em locais públicos, que era proibido. Na verdade, a Suprema Corte de lá não "liberou" essas ações, mas repassou para as autoridades municipais a função de legislar sobre o assunto. Diferente do nosso STF — useiro e vezeiro na imposição de sentenças que nem sempre atendem aos interesses da coletividade —, os magistrados colombianos evitaram "legislar" sobre o assunto, conferindo essa atribuição aos legisladores municipais, que melhor conhecem as idiossincrasias de suas urbes.
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domingo, 3 de março de 2019

Jornalismo Sob Pressão

por Renato Sant'Ana
Da infinidade de virtudes imagináveis, qual será a mais desejável em um jornalista? Na era da ciberfrivolidade, uma pergunta assim é "ponto fora da curva" (permitido o lugar comum). E também por isso será válida.
A morte do jornalista Ricardo Boechat, em 11/02/19, causou grande comoção, quer pelas circunstâncias do fato, quer por ser ele muito querido e admirado por colegas e pelo grande público. Mas não é dele que se trata aqui, senão de uma fala recorrente entre seus pares, ao lamentar sua partida.

Desde militantes da Folha de S. Paulo até rapazes da equipe de esportes da Rádio Gaúcha, jornalistas articularam o discurso do vitimismo: "Ele nos deixou num momento crítico em que o jornalismo tanto precisa de alguém que denuncie o que está acontecendo", eis o que se repetiu numa abordagem cuja síntese é a afirmação de a imprensa estar vivendo dias de cerceamento, o que, no Brasil, não é verdade.
Mas uma parcela da imprensa deve estar mesmo desconfortável em razão de mudanças que, do ponto de vista da sociedade, são bem positivas: a população mais escolarizada já não engole qualquer coisa que saia nos noticiários. E uma das causas é o contraponto que as "mídias alternativas" fazem às mídias tradicionais (rádio, TV e jornal), inclusive desmascarando jornalistas favoráveis a causas revolucionárias.
Até 2013, quando atingimos o ponto de saturação e o país começou a mudar, os queixosos de agora tinham a vida mais folgada: era mais fácil engrupir o público. Quer dizer, a militância ideológica travestida de jornalismo não tinha, como hoje, o desconforto de uma enérgica e amplamente compartilhada contestação.
Mas as redes sociais ganharam corpo e a moleza acabou. Hoje, se black blocs destroem automóveis de uma loja de carros importados, se o MST põe fogo em tratores e plantações de uma fazenda altamente produtiva, se o movimento dos sem-teto cobra aluguel em um prédio invadido e tranca as portas para controlar as pessoas, não adianta a mídia tradicional se omitir nem querer dourar a pílula. Haverá sempre um abelhudo para gravar imagens no smartphone e mandar às redes.
Em suma, especialmente a partir de 2013, o núcleo hegemônico da imprensa, cabresteado pelo Foro de S. Paulo (organização que esse núcleo finge ignorar), vem sendo desmascarado e repelido.
À parte de excessos e fake news, as redes sociais tiveram a faculdade de revelar o que todo mundo via sem ver: "o rei está nu!". Os que hoje se queixam assistiram, no passado recente, à instituição da corrupção como método de poder, ao aparelhamento do Estado e à imposição de um projeto de subversão das instituições concebido com cinismo revolucionário. Mas não denunciaram! Terá sido por ignorância ou por conveniência? Tanto faz! Merecem repúdio. E hoje o têm! E se queixam.
Mas as mídias tradicionais vão acabar? Em essência não! Pode até desaparecer a impressão em papel, por exemplo, mas não o jornalismo profissional. Haverá sempre uma busca de credibilidade, inexistente no mundo anárquico das mídias sociais. E quem tiver competência e independência de caráter é que vai granjear a confiança do público.
E assim chegamos a um esboço de resposta à pergunta inicial. Sem dúvidas, uma das virtudes mais apreciáveis num jornalista e, de resto, em qualquer pessoa é "honestidade intelectual", que é a materialização do irrefreável desejo de buscar a verdade, sobre si mesmo e sobre a realidade do mundo.
Renato Sant'Ana é Psicólogo e Advogado.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

FARC Já Busca o Revanchismo - Canalhas!

Sob o amparo de um acordo de paz cuja sombra de impunidade não foi dissipada, as FARC vem agora deitar falação sobre aplicação de justiça.
¿Realmente querem debater sobre impunidades?
Ao anunciar-se no mês passado (01 Nov 18) um acordo político entre a maioria dos partidos políticos com representação no Congresso Colombiano para ajustar algumas normas da Jurisdição Especial de Paz (JEP) relativas ao regime aplicável aos agentes do Estado, dois grupos se afastaram e manifestaram sua divergência com a reforma: o Polo Democrático e o "movimento" FARC.
O Polo, cujos representantes no Legislativo tem o respaldo da legitimidade política por terem sido eleitos democraticamente nas urnas, manifestou por seus porta-vozes que considerava a introdução de modificações ou adições à JEP uma violação à Constituição, pois o regime normativo que define as competências e ligações da JEP não pode ser modificado.
Já as FARC dizem o mesmo, mas acrescentou um elemento que, por tratar-se de quem o esgrime, deve ser submetido a um juízo crítico: que os partidos políticos querem “assegurar a impunidade”, a qual, dizem, tem sido uma constante histórica no país. Se refere, é claro, à impunidade dos agentes do Estado, aos quais sempre tem sido atribuída por essa facção a responsabilidade pelo conflito armado.
A primeira vista, o que dizem as FARC em seu ataque de histeria contra a impunidade poderia ser considerado parte do clima político onde os líderes ostentam cinismo e esquecem suas promessas e programas eleitorais tão facilmente como trocam camisas para fazer o contrário daquilo a que se comprometeram. Mas ouvir representantes das FARC magoados com impunidade excede qualquer cálculo.
O agora Senador “Carlos Antonio Losada” pode explicar seus pontos de vista em uma entrevista coletiva na sede do Congresso, o mesmo Congresso que na legislatura passada convalidou os acordos de paz firmados pelas FARC com o Governo Santos, nos quais a impunidade é uma sombra que ninguém consegue dissipar. O fato de que “Losada” seja hoje um legislador e não esteja cumprindo pena de prisão pelos crimes dos quais participou como dirigente de cúpula da então guerrilha, desobriga que se explique o porque é uma afronta que agora as FARC e seus dirigentes - muitos deles com sentenças suspensas por crimes de lesa humanidade - condenem a impunidade.
Em um sistema democrático, os enganos e fraudes de seus políticos eleitos podem ser sancionados pela cidadania mediante o voto: não os reelegendo na próxima ocasião em que compareçam a eleições. As FARC não terão que temer essa sanção. Pelo acordo assinado com Santos e incorporado à Constituição - inalterável e intocável, segundo eles - tem vagas asseguradas sem necessidade de um único voto. Cinco no Senado e cinco na Câmara dos Deputados, durante três legislaturas. E se forem condenados penalmente pela justiça transacional, isso não será incompatível com o exercício de direitos políticos e de representação, diz o mesmo acordo.
Por outro lado, as instâncias máximas da justiça ordinária (Corte Suprema, Conselho de Estado) vem a muitos anos condenando o Estado colombiano - leia-se os cidadãos que pagam impostos - como responsável patrimonial dos atos terroristas das FARC. A entrega de bens e recursos estatais para a reparação às vítimas tem sido outra fraude.
Diz o pronunciamento das FARC que é inadmissível que magistrados da JEP, que serão eleitos pela institucionalidade (Estado), sejam os que investiguem e julguem os Agentes do Estado, que também são institucionalidade. Pode que sejam tantos anos desconectados do mundo e dos sistemas democráticos os responsáveis pelo desconhecimento do funcionamento de todos os sistemas ordinários de justiça. O que não é habitual, como ocorre na Colômbia, é que a redação do sistema de justiça que se aplicará aos agentes do Estado tenha sido compartilhado por representantes de um Governo e representantes dos que até pouco tempo atrás combateram com armas contra a Constituição, arrasando todos os direitos - vida, integridade, dignidade e bens - dos cidadãos da Colômbia.
Fonte: tradução livre de  El Colombiano
COMENTO:  como era fácil de prever, os canalhas vão estendendo suas redes sobre a democracia colombiana, exigindo cada vez mais, direitos. Ao mesmo tempo, vão expondo suas exigências de revanchismo contra os agentes do Estado que os combateram, particularmente os integrantes das Forças Armadas. De forma similar ao que já conhecemos, vão apresentando reivindicações cada vez mais absurdas - que são aceitas pelos políticos coniventes previamente encastelados no Congresso - buscando vingança.  Igual ocorreu em um grande país latino americano que se destaca dos demais por usar o idioma português.
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domingo, 21 de outubro de 2018

Povo Dominado por Fake News é Povo Escravo

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UMA SOCIEDADE QUE NÃO ENTENDE SUA REALIDADE É ESCRAVA DE SUA ESTUPIDEZ
Editorial
O excesso de dados que a sociedade recebe nos dias de hoje obriga cada indivíduo a escolher com cuidado e critério suas fontes informativas se quiser tomar decisões de maneira inteligente. Hoje é usual encontrar pessoas que pensam que, ao conhecer um dado ou o título de uma notícia já possuem tudo o que necessitam para serem cultas, mas a realidade é que se não se aprofundarem neles dificilmente poderão entende-los, e portanto, gerar conhecimento para si mesmos, uma opinião qualificada e uma ação inteligente; menos ainda, utiliza-los como conhecimento para transformar, criar e inovar.
Outro risco no consumo de dados e informação é o seu uso sem uma observação disciplinada do redator ou assinante. O primeiro erro comum é confundir fontes com as plataformas - Google, Facebook, Twitter, etc - ferramentas geniais mas não autoras. Expressões como: "eu li/vi/escutei nas redes" delata a ignorância e a pouca profundidade do narrador sobre um tema específico, já que evidencia que não conhece as qualificações do responsável pela informação que está compartilhando ou debatendo. O qual é, portanto, irresponsável.
Existem fontes anônimas, manipulações tecnológicas, mas também há autores e meios reconhecidos por sua trajetória com ética, respeitando os valores jornalísticos, que assinam cada produção, utilizam metodologias próprias do ofício e são regulados por normas legislativas, nacionais e internacionais. Temos que reconhecer que esses meios, apesar do seu rigor, não são infalíveis, mas sua busca diária é servir sua audiência com a verdade, mesmo que isto signifique incomodar setores da sociedade e inclusive por em risco suas vidas.
É lamentável que a classe política desminta qualquer notícia na qual é citada ou as questione com a  velha desculpa de que são notícias falsas ou que está ocorrendo uma campanha suja. O líder da maior potência mundial, Donald Trump, tem adjetivado a mídia como "inimigos", o ex candidato colombiano Gustavo Petro chegou a ameaçar na campanha empresas do setor e utilizou notícias falsas contra elas, incluído El Colombiano. Mais, ainda, os piores casos temos atualmente na Venezuela, onde a censura, fechamento e compra da midia por parte do governo "bolivariano" tem retirado do povo a liberdade de imprensa. O diário The Washington Post anunciou que Trump dizia 16 falsidades ou "meias verdades" diariamente. ¿Que tipo de transparência e lealdade ao povo pode ter um presidente com esse comportamento?
É tamanho o perigo dessa estratégia que em 16 de agosto passado mais de 350 periódicos de 49 estados atenderam ao convite do The Boston Globe em seu país para criticarem de maneira autônoma o comportamento do presidente norte-americano frente à liberdade de imprensa; pois o perigo dessas posições radicais, e das notícias falsas, é quando estas essas mentiras chegam em comunidades sem capacitação de discernimento que, além de tudo, repetem constantemente as inverdades e as ditas "afirmações" terminam sendo aceitas e aprovadas, trazendo como consequência danos à verdade, difíceis de reparar. É escandaloso que um estudo realizado pela empresa Ipsus Poll diga que 13% dos cidadãos da potência do norte concordem que Trump tenha autoridade para fechar órgãos de imprensa; que 48% compartilhe a afirmação do mandatário de que "a imprensa é inimiga dos estadunidenses"; e 43% considere que o Chefe de Estado deve ter a capacidade de "fechar agências de notícias envolvidas em mau comportamento".
"O inimigo é a desinformação que estamos vivendo nos Estados Unidos", expressou Marcela Garcia, editorialista do The Boston Globe a El Colombiano em entrevista na semana passada. Na Colômbia, como em todo o mundo, o risco é grande porque os alarmes são eloquentes, por isso convidamos a sociedade a defender e exigir jornalismo de qualidade, a não cair em frivolidades e por em evidência as manipulações de interesses políticos.  Uma sociedade que não entenda sua realidade, pelo mecanismo que escolhe, está destinada à estupidez.
Fonte:  tradução livre de  El Colombiano
COMENTO:  o autor do texto, colombiano, trata das mazelas da falta de honestidade na divulgação das mentiras - denominadas "fake news" -, mas não perde a oportunidade de fustigar o presidente dos EUA, atualmente repelido por onze em cada dez jornalistas de viés esquerdista do mundo. Parece que a isenção seja uma coisa impossível no mundo dos que tem a capacidade de influenciar opiniões alheias. Nos dias atuais a mídia brasileira se esmera na divulgação de "campanha" no sentido de evitar a proliferação de "fake news" mas não se furta de emitir mentiras, notícias sensacionalistas sem o mínimo fundamento, e meias verdades, omitindo-se de esclarecer seus pontos obscuros. 
A atual campanha eleitoral em desenvolvimento é o maior exemplo de hipocrisia e falta de honestidade de sedizentes "jornalistas e empresas de informação". A tomada de posição em favor de um candidato em detrimento do outro é visível. Mentiras e "ameaças à democracia" são destacadas e não desmentidas, sem o menor constrangimento.  Mas todos juram seu "compromisso com a verdade".  Certamente o conceito que eles tem de "verdade" não corresponde ao entendimento que as pessoas decentes tem da palavra. E tais "profissionais" se espantam quando verificam que boa parte da população, mesmo abraçando a causa da liberdade de imprensa, concorde que maus jornalistas sejam devidamente punidos. Jornalista mentiroso deve ser expurgado do meio profissional, pois usa o prestígio da atividade informativa para ludibriar seu público. É uma atitude criminosa!
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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

50 Anos do Assassinato do Capitão Chandler - Esquecer Também é Trair

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Em 12 de outubro de 1968, foi assassinado, friamente, na frente da família, quando saía de casa, em São Paulo, o Capitão do Exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler, vítima de sua cidadania (ver relato completo no ORVIL – Tentativas de Tomada do Poder, págs. 285, 306,308, 309, 310, 311 e 312).
Charles Rodney Chandler cursava a Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, foi morto na porta de sua residência, no Sumaré, na frente da esposa e de um filho de 9 anos, a tiros de metralhadora, por Marco Antonio Brás de Carvalho, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes José Carvalho de Oliveira, todos da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
Marco Antonio Braz de Carvalho, o “Marquito”, era o homem de confiança de Marighella, que dirigia o Agrupamento Comunista de São Paulo e que fazia ligação com a VPR. Em setembro, ele levou para Onofre Pinto, então coordenador-geral da VPR, a possibilidade de ser realizada a ação de “justiçamento” do Capitão do Exército dos Estados Unidos da América, Charles Rodney Chandler, aluno bolsista da Escola de Sociologia e Política, da Fundação Alvares Penteado, e que morava em São Paulo com a esposa e dois filhos pequenos. Segundo os “guerrilheiros”, Chandler era um “agente da CIA” e “encontrava-se no Brasil com a missão de assessorar a ditadura militar na repressão”.
No início de outubro, um “tribunal revolucionário”, integrado por três dirigentes da VPR, ou seja, Onofre Pinto, como presidente, João Carlos Kfouri Quartim de Morais e Ladislas Dowbor, como membros, condenou o Capitão Chandler à morte. Graças a levantamentos realizados por Dulce de Souza Maia, sobre a vítima apurou-se os horários habituais de entrada e saída de casa, costumes, roupas que costumava usar, aspectos da personalidade, dados sobre os familiares e sobre o local em que residia, na casa da Rua Petrópolis no 375, no tranquilo bairro do Sumaré, em São Paulo.
Escolhido o “grupo de execução”, integrado por Pedro Lobo de Oliveira, Diógenes José Carvalho de Oliveira e Marco Antonio Braz de Carvalho, nada é mais convincente, para demonstrar a frieza do assassinato do que transcrever trechos do depoimento de Pedro Lobo de Oliveira, um dos criminosos, publicado no livro - Caso, Antonio: “A Esquerda Armada no Brasil”, Moraes Editores, Lisboa-Portugal, 1976, pág 162:
“Como já relatei, o grupo executor ficou integrado por três companheiros: um deles levaria uma pistola-metralhadora INA, com três carregadores de trinta balas cada um; o outro, um revólver; e eu, que seria o motorista, uma granada e outro revólver. Além disso, no carro, estaria também uma carabina M-2, a ser utilizada se fôssemos perseguidos pela força repressiva do regime. Consideramos desnecessária cobertura armada para aquela ação. 
Tratava-se de uma ação simples. Três combatentes revolucionários decididos são suficientes para realizar uma ação de ‘justiçamento’ nessas condições. Considerando o nível em que se encontrava a repressão, naquela altura, entendemos que não era necessária a cobertura armada”.
A data escolhida para o crime foi o dia 8 de outubro, que assinalava o primeiro aniversário da morte de Guevara. Entretanto, nesse dia, Chandler não saiu de casa, e os três terroristas decidiram suspender a ação. Quatro dias depois, em 12 de outubro de 1968, chegaram ao local às 7 horas. Às 8 horas e 15 minutos, Chandler dirigiu-se para a garagem e retirou o seu carro, em macha à ré. Enquanto seu filho, de 9 anos, abria o portão, sua esposa aguardava na porta da casa, para dar-lhe adeus. Não sabia que seria o último.
Os terroristas avançaram com o Volkswagen, roubado antes, e bloquearam o caminho do carro de Chandler. No relato de Pedro Lobo (idem, pág 164),nesse instante, um de meus companheiros saltou do Volks, revólver na mão, e disparou contra Chandler”. Era Diógenes José Carvalho de Oliveira, que descarregava, à queima roupa, os seis tiros do seu Taurus de calibre .38.
E prossegue Pedro Lobo (ibidem, pág 164-165), que dirigia o carro:
Quando o primeiro companheiro deixou de disparar, o outro aproximou-se com a metralhadora INA e desferiu uma rajada. Foram catorze tiros. A décima quinta bala não deflagrou, e o mecanismo automático da metralhadora engasgou (deixou de funcionar). Não havia necessidade de continuar disparando. Chandler já estava morto. Quando recebeu a rajada de metralhadora, emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto”.
Quem portava a metralhadora era Marco Antonio Braz de Carvalho.
A esposa e o filho de Chandler gritaram. Diógenes apontou o revólver para o menino que, apavorado, fugiu correndo para a casa da vizinha. Após Pedro Lobo ter lançado os panfletos, nos quais era dito que o assassinato fora cometido em nome da revolução brasileira, os três terroristas fugiram no Volks, em desabalada carreira.

É interessante observarmos o destino dos sete envolvidos no crime:
Marco Antonio Braz de Carvalho (“Marquito”), que deu a rajada de metralhadora, viria a falecer, em 26 de janeiro de 1969, após troca de tiros com a polícia.
Onofre Pinto, o presidente do “tribunal revolucionário” que condenou Chandler à morte. Ex-sargento do Exército, foi preso em 2 de março de 1969 e banido para o México, em 5 de setembro, trocado pelo Embaixador dos Estados Unidos, que havia sido sequestrado. Em outubro, foi a Cuba onde ficou quase dois anos, tendo feito cursos de guerrilha. Em junho de 1971, foi para o Chile, com cerca de 20 mil dólares. Em maio de 1973, foi expulso da VPR, tendo sido acusado de “conivência com a infiltração policial no nordeste”, com referência às quedas dessa organização em dezembro de 1972. Temendo ser “justiçado” pela VPR, fugiu para a Argentina onde desapareceu, misteriosamente, em meados de 1974.
João Carlos Kfouri Quartim de Morais, um dos membros do “tribunal revolucionário”, foi expulso da VPR, em janeiro de 1969, alguns meses depois, fugiu do Brasil, com dinheiro da organização. Radicou-se em Paris, onde foi um dos fundadores da revista “Debate”. Professor universitário e jornalista, ele regressou a São Paulo após a anistia, sendo um dos diretores da sucursal da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1983, foi nomeado Secretário de Imprensa do Governo de Franco Montoro, em São Paulo.
Ladislas Dowbor (“Jamil”), também membro do “tribunal”, foi preso, em 21 de abril de 1970, e banido, em 15 de junho, para a Argélia, em troca do Embaixador alemão, outro sequestrado. No exterior, casou-se com Maria de Fátima da Costa Freire, filha do educador comunista Paulo Freire. Após passar por vários países, dentre os quais, Suíça, Itália, Polônia, Chile, Portugal, Cuba e Guiné-Bissau, retornou ao Brasil, após a anistia, e aqui leciona Economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e na Universidade de Campinas.
Dulce de Souza Maia, que realizou os levantamentos sobre Chandler, foi presa, em 27 de janeiro de 1969, e banida para a Argélia, em 15 de junho. Tem curso em Cuba e percorreu diversos países, tais como, Chile, México, Itália e Guiné-Bissau, onde passou a trabalhar para o seu governo. Retornou a São Paulo em agosto de 1979, passando a desenvolver atividades em movimentos pacifistas, tendo sido eleita, em 1980, presidente do “Comitê de Solidariedade aos Povos do Cone Sul”.
Pedro Lobo de Oliveira, o motorista da ação criminosa, foi preso em 23 de janeiro de 1969, quando pintava um caminhão com as cores do Exército, para o assalto ao quartel do 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna. Em 15 de julho de 1970, foi banido para a Argélia, em troca do Embaixador alemão. Em fins daquele ano, foi para Cuba, onde fez curso de guerrilha. Após passar por vários países, dentre os quais Chile, Peru, Portugal e República Democrática alemã, ele voltou a São Paulo, em novembro de 1980, indo trabalhar como gerente de um sítio em Pariquera-Açú, de propriedade da família de Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de subversivos e um dos dirigentes nacionais do Partido dos Trabalhadores.
Finalmente, Diógenes José Carvalho de Oliveira (“Luiz”), que descarregou o seu revólver em Chandler, foi preso em 30 de janeiro de 1969, quando desenvolvia um trabalho de campo em Paranaíba, em Mato Grosso. Em 14 de março, foi banido para o México, trocado pelo Cônsul japonês (mais um dos diplomatas estrangeiros sequestrados), indo, logo após, para Cuba. Em junho de 1971, radicou-se no Chile. Com a queda de Allende, em setembro de 1973, foi para o México e, daí para a Itália, Bélgica e Portugal. Em 1976, passou a trabalhar para o governo da Guiné-Bissau, junto com Dulce de Souza Maia, sua amásia. Após a anistia, retornou ao Brasil, indo residir em Porto Alegre, onde vive com a advogada Marilinda Fernandes. Trabalhou como assessor do vereador do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Valneri Neves Antunes, antigo companheiro de militância da VPR, até outubro de 1986, quando este faleceu, vítima de acidente de auto.
Fonte: adaptado do Blog do Lício Maciel

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Colômbia - A Comissão da Meia Verdade e a Segurança Nacional

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Vários dos documentos requeridos pela Comissão da Verdade ao Ministério da Defesa se direcionam ao cerne da segurança nacional, que todo país protege escrupulosamente.
Imagem:   Edo (https://twitter.com/edoilustrado)
A Comissão da Verdade solicitou ao Ministério da Defesa que lhe entregue uma extensa lista de material documental para, segundo alega em carta de 13 de junho passado - dada a conhecer nesta semana -, "cumprir a missão de esclarecimento do conflito armado, oferecer uma explicação ampla da complexidade do conflito e promover um entendimento compartilhado na sociedade sobre as dinâmicas e fatos, especialmente dos aspectos menos conhecidos do conflito".
De fato, as citações da carta são algumas das missões encomendadas à Comissão da Verdade. A lista completa de ditas funções está fixado no acordo com as FARC, na Reforma Constitucional de 2017 (Ato Legislativo nº 1 daquele ano) e em um dos Decretos-Lei expedidos sob o trâmite especial em busca da paz (Decreto-Lei 588/2017).
Essas normas dispõem que a Comissão da Verdade poderá solicitar informação e documentação a todas a entidades públicas, e que estas e seus funcionários deverão apresenta-las, sob pena de incorrer em causa de má conduta punível disciplinarmente. Sim, a lei diz que tal documentação será para efeitos de cumprimento da missão da Comissão da Verdade, que não é jurisdicional, ou seja, seu objetivo - diferente da Jurisdição Especial de Paz - não é o de determinar responsabilidades penais, mas sim políticas e éticas.
No Decreto-Lei expedido pela Administração Santos, se impõe aos funcionários públicos a proibição de contrapor sigilo por razões de segurança nacional quando se trate de informação relativa a fatos constitutivos de violação de direitos humanos, ao direito internacional humanitário (DIH) e crimes de lesa humanidade.
Somente agora, quando essa atribuição da Comissão da Verdade se exerce ante uma entidade tão relevante para o desenvolvimento e resolução do conflito, como é o Ministério da Defesa, boa parte da opinião pública pareceu se dar conta do alcance dos poderes dessa Comissão da Verdade, sobre a qual parece que a sociedade colombiana não estava interessada quando foi negociada pelo Governo e as FARC.
A Comissão da Verdade, então, pede um volume de 40 grupos de informações, algumas compreensíveis e relacionadas com sua missão, mas outras muito preocupantes.
Por exemplo, se pede ao Ministério da Defesa que forneça cópias dos currículos - e, portanto, a identidade - do pessoal de Inteligência e Contra-Inteligência. Ou "os métodos de combate utilizados e estratégias de controle territorial" das FFAA. Ou os documentos de planejamento de ações e operações relacionadas com narcotráfico, ou com o controle de fronteiras.
É grave porque existem pelo menos um grupo guerrilheiro (ELN) ativo, vários do narcotráfico e bandos do Crime Organizado, que estarão interessados em ter acesso a tais documentos, que lhes darão "de bandeja", a estratégia estatal para combate-los. O golpe à segurança nacional pode ser letal. ¿Quem garante que esses documentos de altíssima sensibilidade e de caráter secreto em qualquer país do mundo, não vão chegar a mãos da criminalidade? O simples fato do vazamento dessa carta da Comissão ao Ministério mostra a pouca garantia de sigilo. Isto pode causar graves danos. Que seriam incalculáveis se, da mesma forma que a carta, arquivos de caráter reservado sejam vazados.
Assim como na Comissão da Verdade há comissionados com as mais altas qualidades éticas, também há os que tem irrefutáveis afinidades - evidenciadas em múltiplas publicações - com os grupos guerrilheiros. Olhar a lista da documentação que está sendo exigida ao Ministério da Defesa e às Forças Armadas gera uma verdadeira vertigem.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: Há algum tempo, comentei que a "Comisión de la Media Verdad" colombiana faria o mesmo que sua correspondente brasileira. Com o agravante de terem a experiência do ocorrido no Brasil. Assim, buscam informações melhores para posteriormente atacarem com sucesso os que defenderam a sociedade colombiana contra a narco-quadrilha. Olhem para o Brasil, militares colombianos! O que nossos heróis sofreram serão os sofrimentos de vocês. Agora, no Brasil, boa parte da sociedade pede que os militares voltem a atuar na política e eles se negam, intimidados ao recordar a perseguição que os mais velhos sofreram.
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domingo, 29 de abril de 2018

Garantistas – Há Sinceridade Nisso?

por Gilberto Pimentel
Se dermos uma olhada mais atenta na biografia e no desempenho dos magistrados do STF que um colunista definiu como “garantistas” referindo-se àqueles juízes que pretendem assegurar irrestritamente o que está na Constituição, ser um escravo dos princípios fundamentais da legalidade, da presunção da inocência, do contraditório, do devido processo legal e, sobretudo, da dignidade da pessoa humana, poderemos não ter tanta certeza da nobreza e sequer das suas reais motivações.
Dentre eles, estão aqueles que pretendem rever a possibilidade de prisão a partir da segunda instância, os que abominam a prisão preventiva ou provisória, os que enxergam como ato de tortura a delação premiada, os que desejam a todo custo assegurar imunidades sem limites, os que colocam o habeas-corpus como símbolo da liberdade individual não importa de quem ou porquê, os que pretendem ignorar a opinião pública, os que entendem que os juízes de Curitiba inauguraram um novo código de Direito no País e os que sonham detonar a Operação Lava Jato.
Tudo isso na contramão de todo o esforço que o Brasil necessita da Justiça, hoje, para eliminar a praga da corrupção, punir os criminosos do colarinho branco, dentre governantes, políticos e poderosos empresários que arrasaram a economia do país e frustaram tantas esperanças. Na contramão também daquilo que em todo o mundo vem sendo feito para combater a criminalidade institucionalizada.
Mas para agravar, como disse acima, quando atentamos para a trajetória desses chamados “garantistas”, não sentimos segurança alguma quanto as reais intenções que os movem. Para ser sinceros não damos um tostão furado por elas. Enxergamos condenáveis preferências político-partidárias em alguns, perigosas ligações com políticos e poderosos grupos empresariais em outros e todos esses protegidos, sempre, com contas sérias e pesadas a ajustar com a lei; e até mesmo alguns exemplos de nem tanto apego assim às normas constitucionais vigentes poderiam ser invocados dentre esses juízes. Aqui bastaria lembrar o episódio da ex-presidente cassada que não teve seus direitos políticos suspensos, como exigido pela lei, por conta da interpretação marota do texto constitucional do presidente do Senado com o aval de um chamado “garantista”. Um escândalo que ainda poderá ter sérias consequências nas próximas eleições.
Portanto, amigos, todo o nosso apoio, hoje, aos chamados pelo colunista de juízes consequencialistas, pragmáticos no sentido não pejorativo do termo, que querem julgar com base em fatos, e não em pretensas teses idealistas. Estão movidos pelo desejo maior de terminar com a impunidade dos poderosos. Estão com a Lava Jato. É disso que o Brasil precisa.
É General da Reserva
COMENTO: Esses que se dizem "garantistas", são os mesmos que apregoam que "prende-se muito" no Brasil. A resposta a esse pessoal pode ser feita com base nas pesquisas que apontam que menos de 20% dos crimes (de todos os tipos) que ocorrem no país tem sua autoria determinada em inquéritos policiais. Só isto significa que 80% dos criminosos sequer são identificados, e aí estão inclusos os que cometem mais de 60.000 assassinatos anuais. Ou seja, se a grande maioria dos criminosos não é identificada, muito menos são presos. O que invalida a tese de que se prende muito, pelo contrário, mostra que somos um país com muitos bandidos e que o que está faltando são presídios!

domingo, 8 de abril de 2018

Ajuda Para Combater as "Fake News"

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Quem, o que, por quê, onde? Verificação de dados on-line
Imagem tomada por Abdulaziz Alotaibi
Uma informação mentirosa pode se propagar a um ritmo febril e neste texto abordaremos as questões essenciais de verificação, para ajudar os leitores a verificar dados que eles encontrem online.
Conteúdo:

Como foco deste texto abordaremos o conflito sírio, que é a guerra mais documentada da história com um grande esforço de documentação em andamento: desde o rastreamento da extensão do dano aos sítios arqueológicos sírios até a lista de abusos contra mulheres e pessoas desaparecidas. Cada um desses esforços desenha informações de uma variedade de fontes de mídia, como documentos de texto, fotografias e vídeos.
Esta não é apenas documentação que molda a opinião pública e torna acessível a verdade da realidade síria; é igualmente importante documentação para o futuro. Quando o regime da Síria for responsabilizado por seus crimes, uma grande parte dessa documentação terá o potencial de servir de prova e ser apresentada em um tribunal internacional. No entanto, para que esta informação seja usada em tribunais de justiça como uma fonte confiável, o conteúdo deve ser verificado.
Na cobertura de emergências, a informação se espalha rapidamente, sem que se verifique a veracidade antes de compartilhar. O grande volume do chamado Conteúdo Gerado pelo Usuário (UGC), gerado a partir de tweets, imagens digitais, blogs, bate-papos, discussões em fóruns, etc., significa que mais e mais pessoas estão documentando violações de direitos humanos e imagens de guerras e desastres. As agências de notícias muitas vezes têm prazos apertados e podem priorizar a rapidez sobre a precisão, levando à disseminação de imagens e vídeos que foram retirados do contexto ou digitalmente manipulados, e documentos de texto contendo informações erradas.
Jornalistas da Síria e outros países têm dedicado muito esforço para verificar o material digital relacionado ao conflito, pois tem havido muitos casos comprovados de conteúdo fabricado. Um bom exemplo disso foi a foto de uma criança que ilustra o início desta publicação, que Abdulaziz Alotaibi postou no Instagram, com a descrição de que era uma criança síria que havia acabado de perder sua família. A foto viralizou nas mídias sociais com pessoas, incluindo políticos, discutindo e até algumas agências de notícias a usaram para escrever notícias de última hora.
Nenhum esforço foi feito para verificar a imagem e ninguém fez perguntas como, onde a foto foi tirada, em que data e por que foi tomada, ou qual é a história por trás dela.
Quando Alotaibi viu que a imagem tinha sido usada em um contexto errado, ele postou outra foto para mostrar que a primeira era somente um projeto de arte. A foto não havia sido tomada em um cemitério e a criança era seu sobrinho.
Imagem tirada por Abdulaziz Alotaibi
A desinformação pode se propagar a um ritmo febril, então abordaremos as questões essenciais de verificação de o quê, onde, porquê e quem, além de mostrar uma série de ferramentas e técnicas para ajudar a verificação dos dados que encontramos on-line.
Antes de iniciar, gostaríamos de destacar dois fatores importantes: não há uma única ferramenta mágica que possa ser usada para fins de verificação e como o uso de ferramentas on-line pode te comprometer se você não tomar precauções específicas.
Uma ferramenta para descartar fraudes
Mais adiante, vamos apresentar várias ferramentas que podem ajudá-lo a resolver a veracidade do conteúdo online. No entanto, essas ferramentas são muitas vezes úteis apenas em combinação com outras ferramentas e, em muitos casos, é útil falar com fontes no terreno. Mas certifique-se de se comunicar com eles de forma segura para que você não os coloque em risco, especialmente se você estiver investigando problemas delicados.
Ferramentas para encontrar fraudes
Muitas ferramentas e serviços apresentados abaixo pertencem a empresas privadas e são de código fechado. Isso significa que, ao fazer o upload de conteúdo para esses serviços, você não poderá controlar como essas empresas o utilizam, nem com quem o compartilham.
Alguns desses serviços não facilitam uma conexão segura à internet, o que pode colocá-lo em risco se você estiver em uma rede Wi-Fi pública. Além disso, sua localização será acessível a esses sites se você não tomar medidas para obscurecer. Mais adiante, aprofundaremos o uso de ferramentas de código aberto para verificação e como você pode se proteger ao realizar uma investigação on-line.
O Quem, o  Que e o Onde
Em 2014, um vídeo foi publicado no YouTube mostrando uma criança sendo alvejada por membros do regime sírio. Foi observado mais de oito milhões de vezes. O vídeo foi então publicado na BBC Trending ao lado de um artigo dizendo que o vídeo provavelmente não era uma montagem.
Poucos dias depois, um diretor de cinema norueguês afirmou que ele havia realizado o vídeo que mostrava um "menino herói sírio" sob um tiroteio. Que foi filmado em Malta em maio de 2014, não na Síria. O vídeo foi usado por agências de notícias e ativistas de mídia social para divulgar informações sobre o sofrimento das crianças na guerra. Infelizmente, isso teve um impacto político negativo em geral. Filmar esse vídeo falso e divulgá-lo nas mídias sociais tornou mais fácil para os criminosos de guerra descartar imagens confiáveis ​​de abuso ao dizer que a maioria dos vídeos on-line são falsos.
Em ambos os incidentes acima, era difícil encontrar a fonte original do conteúdo. Torna-se ainda mais difícil quando o conteúdo é baixado de sites de redes sociais como Facebook, YouTube, Instagram e Twitter e postado novamente na mesma plataforma de diferentes contas e canais de usuários ou postado em diferentes plataformas.
Os agregadores de notícias como ShaamNetwork SNN 'disfarçam' a identificação dos publicadores originais em seu canal do YouTube, dificultando a busca da fonte que criou ou compartilhou o conteúdo pela primeira vez. A foto abaixo mostra como eles modificaram o conteúdo de um centro de mídia em Daraya (subúrbios de Damasco) mostrando um helicóptero lançando bombas.
O mesmo aconteceu quando o Comitê de Inteligência do Senado dos EUA lançou uma lista de reprodução de 13 vídeos que originalmente apareceram no YouTube, usados como provas relacionadas ao ataque de armas químicas de 2013 em subúrbios de Damasco na Síria.
Alguns desses vídeos foram retirados do canal YouTube de um conhecido agregador de mídia sírio, ShaamNetwork SNN, que republica regularmente vídeos de canais de outras pessoas. Félim McMahon da Storyful conseguiu descobrir as versões originais desses vídeos, usando uma série de técnicas de verificação diferentes, incluindo verificar a data de upload original dos vídeos e examinar seus perfis para avaliar se eles eram reais ou falsos. Este é um exemplo muito bom de como os vídeos verificados podem ser usados ​​para fortalecer a investigação de um incidente.
Um dos principais problemas na verificação é confirmar o quem e o que:
O Quem - Fonte: Quem enviou o conteúdo? 
O Quê    - Proveniência: Este é o conteúdo original? 
               - Data: Quando esse conteúdo foi capturado? 
               - Localização: Onde esse conteúdo foi obtido?
O Quem
Identificar a origem original é essencial ao verificar o conteúdo digital. É essencial que os investigadores de direitos humanos confirmem a autenticidade de qualquer informação ou conteúdo acessados através de sites de redes sociais e outras plataformas, pois eles podem ser facilmente fabricados. Por exemplo, é muito fácil fingir um tweet usando este site, que pode ser compartilhado como uma imagem.
A imagem acima pode então ser compartilhada no Twitter, criando a aparência de ser um tweet autêntico. Outra forma de espalhar informações enganosas é retocar informações falsas, tais como: (Boas notícias! RT@PresidentSY estou anunciando minha aposentadoria da política).
Nesta seção, vamos introduzir uma série de ferramentas e técnicas para verificar se a pessoa ou organização que você acredita ter postado ou compartilhado o conteúdo que deseja verificar é de fato o indivíduo ou o grupo que você acredita ser.
Primeiro, algumas perguntas a serem feitas ao verificar uma conta para confirmá-la como a fonte original:
- O titular da conta foi confiável no passado?
- Onde é a base do "uploader" ou carregador?
- As descrições de vídeos e fotos são consistentes e coerentes com um local específico?
- O logotipo usado é consistente em todos os vídeos?
- Quem postou costuma 'scrape' (garimpar na web) vídeos/fotos, ou ele apenas carrega conteúdos gerado por ele próprio?
- Há quanto tempo essas contas estão ativas? Quão ativos são elas?
- Quais informações há nas contas ("quem somos") que indicam a localização, a atividade, a confiabilidade e o viés ou a agenda do titular da conta?
Depois de ter algumas respostas às perguntas acima, como o nome do remetente em seu canal do YouTube ou sites vinculados às contas de redes sociais dele, você pode usar ferramentas para obter mais informações sobre a fonte.
Técnica de verificação: verifique a marca de verificação
Facebook, Twitter e YouTube têm uma maneira de verificar perfis pessoais ou páginas através de tiques azuis adicionados aos perfis pessoais ou páginas de redes sociais. Passe o mouse sobre o tique azul e você verá um "pop-up" com o texto "conta verificada". Se não estiver lá, então não é uma conta verificada. Uma vez que, aqueles que espalham informações enganosas também podem adicionar uma marca de verificação de verificação azul para a foto de capa das contas falsas, aqui estão algumas etapas para verificar a autenticidade do conteúdo:
Conta verificada do Twitter
Conta verificada do Facebook
Conta verificada do YouTube
No entanto, não podemos depender desses programas oficiais de verificação, pois esta facilidade não está disponível para todos os usuários. Como resultado, acabamos na maior parte do tempo encontrando perfis ou páginas que não incluem nenhum tique azul neles.
Técnica de verificação: pesquisando os perfis
Verifique os detalhes disponíveis no perfil para confirmar se é original ou falso analisando os seguintes itens do conteúdo:
- Existem links de outras páginas relacionados a este perfil?
- Veja as imagens e vídeos anteriores.
- Se eles compartilham na página informações "sobre/para" ("Quem somos")?
- Quantos seguidores, amigos ou assinantes eles têm?
- Quem estão seguindo?
Por exemplo, digamos que alguém compartilhou um vídeo do YouTube em uma plataforma específica sobre um incidente de violação de direitos humanos. A primeira coisa que precisamos fazer é ir ao perfil do YouTube do usuário. No caso abaixo, vemos que o nome dele é Yasser Al-Doumani. Ele tem postado vídeos diários sobre violações dos direitos humanos na Síria, que são todos filmados nos subúrbios de Damasco. Compreendemos por isso que ele é um jornalista sírio, provavelmente baseado nos subúrbios de Damasco.
Quando conferimos a página "sobre" em seu perfil do YouTube, podemos ver uma série de informações importantes:
- Links do site: há duas URLs vinculadas nas páginas do Facebook a um grupo com base nos subúrbios de Damasco, que geralmente faz trabalho de mídia. A descrição diz que este canal do YouTube é dedicado ao grupo de Douma.
Número de seguidores: Ele tem 590 assinantes.
Data de adesão: ingressou em 1 de janeiro de 2014.
Visualizações do perfil: O seu perfil tem 281.169 visualizações.
Toda essa informação fornece mais clareza sobre se esta conta é falsa ou não. Nesse caso, a conta é autêntica. Indicadores de contas possivelmente falsas incluem uma data de adesão recente, poucas visualizações de perfil, um número baixo de assinantes e se outros sites estão vinculados na seção "sobre".
Você pode verificar se foi mesmo a pessoa original que carregou um vídeo no YouTube. Se você encontrar um vídeo específico e quiser chegar ao carregador original deste vídeo, você precisa usar o filtro para ordenar por data de upload como mostrado abaixo. Neste caso, obtivemos um vídeo das redes sociais que mostra alegados ataques químicos na província de Idlib, na Síria. Ao digitar o título do vídeo na busca e classificação por 'Upload data', chegamos à conta do carregador original, que é 'Sarmeen Coordination Group'.
Como mencionamos anteriormente, você também precisa verificar se há sites ligados ao canal e o número de assinantes e espectadores para garantir que este não seja um canal falso.
Quando verificado, o Sarmeen Coordination Group tinha 2.074 assinantes, mais de um milhão de visualizações e cerca de 3.000 seguidores no Twitter. Eles também estão compartilhando provas visuais do local nos últimos quatro anos. Em conjunto, podemos verificar com confiança que a fonte do Sarmeen Coordination Group foi a fonte original do vídeo.
Técnica de verificação: identificação de bot
No Twitter, há muitas contas falsas chamadas 'bots' criadas para espalhar informações, ou às vezes para espionar as pessoas, seguindo-as. A maioria dos robôs, e outras fontes não confiáveis, usam fotografias roubadas de outras pessoas como avatares. Por exemplo, o Twitter bot @LusDgrm166 visto com destaque em vermelho na imagem abaixo:
Uma rápida investigação do avatar da conta revela que a conta do Twitter provavelmente não é operada por um ser humano. Na verdade, todas as contas na tela acima provavelmente não são operadas por um ser humano. Eles estão tweetando sobre a Síria com a hashtag #NaturalHealing e o conteúdo de seus tweets é tirado da Wikipedia e de outras páginas.
Depois de copiar o URL do avatar de @LusDgrm166 ou fazer o download da imagem do avatar, cole o link/foto em uma pesquisa de imagem reversa do Google para encontrar imagens semelhantes em outro lugar online. Como você pode ver na imagem dos resultados de pesquisa abaixo, a imagem foi usada por muitos usuários do Twitter como sua imagem de perfil.
Técnica de verificação: a lista telefônica da internet
Se você tem o nome ou o nome de usuário da pessoa que enviou o conteúdo para o YouTube, Facebook, Twitter, etc., você pode executar seu nome através de um serviço chamado Webmii para encontrar mais informações sobre sites, sites de notícias e contas de redes sociais.
Mais importante, entre em contato com a fonte diretamente para obter informações verificadas quando possível. Certifique-se de perguntar como ele obteve a informação específica. Eles poderão enviar fotos e vídeos adicionais para ajudá-lo a verificar incidentes específicos. Sempre conecte-se às fontes de forma segura para que não as coloque em risco.
Por exemplo, você encontrou evidências visuais no YouTube, mas você não conhece o remetente. Você não sabe se ele é a fonte original, nem se ele está localizado na área onde a filmagem foi feita.
Você pode obter mais informações sobre essa fonte executando seu nome no Webmii como abaixo.
Você encontrará a maioria das fotos ou vídeos que ele enviou on-line.
Você também encontrará outros conteúdos digitais de diferentes contas de redes sociais que ele compartilhou on-line, ou que outros compartilharam com ele.
Isso lhe dará uma melhor compreensão se esta fonte é confiável ou não, especialmente se você encontrar informações que respondam as perguntas que mencionamos acima para verificar a origem.
No nosso exemplo, a pessoa trabalha em um centro de mídia local em uma cidade chamada Al-Safira. Ele faz isso há anos desde o mesmo local, o que lhe dá mais credibilidade.
Você pode usar uma técnica diferente para verificar a origem nos casos em que você não encontra o nome da pessoa que carregou o conteúdo on-line através de plataformas de redes sociais. A técnica é frequentemente usada quando você quer verificar a informação que foi carregada em um site em vez de mídia social.
Técnica de verificação: quem é? usando serviços Whois
Se você estiver interessado em um site que contenha informações que você gostaria de verificar, mas o site não inclui o nome da pessoa que o executa ou se deseja encontrar mais informações sobre a pessoa que o administra, como sua localização ou número de telefone, você pode usar uma série de serviços on-line que fornecem essa informação.
Quando você registra um nome de domínio com um provedor de domínio, eles geralmente solicitarão uma série de detalhes de identificação, incluindo:
- Nome da pessoa que registra os sites
- Endereço
- Número de telefone
- E-mail (O e-mail na imagem abaixo foi borrado, mas geralmente você pode encontrar e-mails claros como username@domainname.com)
Muitos sites oferecem um serviço para ver todos esses dados registrados, como o Whois.  A maioria dos sites de registro de domínio também oferece esse serviço.
Abaixo estão os resultados obtidos no Whois sobre um site:
Nota: alguns provedores de domínio oferecem serviços para evitar que esta informação seja pública, em outros casos, os indivíduos obscurecem intencionalmente as informações de identificação pessoal por motivos de privacidade.
O quê
Nesta seção, analisaremos três abordagens de verificação diferentes que podem ajudá-lo a determinar 'o que'. Estas são a proveniência (se o conteúdo é original ou se é uma duplicação de um conteúdo previamente publicado), a data em que o conteúdo foi capturado e a localização do conteúdo capturado. Encontrar respostas para essas questões irá ajudá-lo a identificar a veracidade do conteúdo.
Verificando evidências visuais
Se você estiver procurando em evidências visuais, como foto ou vídeo, você precisa investigar se este é o conteúdo original, como é usado e se existem cópias modificadas.
- Técnica de verificação: busca inversa de imagens
Use ferramentas de pesquisa de imagem inversa, como TinEye ou Pesquisa de imagens inversas do Google, para descobrir se a imagem que você está procurando foi publicada on-line anteriormente.
Nota:  Certifique-se de ler as Recomendações sobre Proteção de Dados sobre como realizar de forma segura as investigações on-line antes de usar esta ferramenta.
- Ferramenta: TinEye - Como TinEye funciona:
1 - Vá para o site da TinEye.
2 - Carregue a imagem que deseja pesquisar. Usaremos a foto tirada pelo diretor de cinema norueguês do exemplo anterior.
3 - Nós escolhemos o filtro pelo "Mais Antigo", o que nos levará às pessoas que usaram essa imagem primeiro, ou ao originador da imagem. Você também pode classificar por "Maior Imagem" porque às vezes o criador será aquele que carrega uma versão de alta qualidade da imagem. No caso abaixo, vemos que essa imagem foi usada pela primeira vez por um site de notícias on-line norueguês.
Técnica de verificação: dados EXIF
Toda imagem possui metadados anexados (leia mais no capítulo sobre Metadados), que pode incluir detalhes sobre o tipo de dispositivo em que a imagem foi tirada, as configurações da câmera, a data e a localização. Existem várias ferramentas gratuitas que analisarão as informações de metadados e compressão de uma fotografia, permitindo uma verificação adicional da veracidade da imagem. Existe também a possibilidade de verificar as datas e a localização das imagens se estiverem incluídas nos metadados da imagem.
FotoForensics é um programa que fornece um conjunto de ferramentas de análise de fotos. O site permite a visualização de metadados, visualizando os potenciais níveis de erro no JPEG e identificando a qualidade de JPEG na última vez que foi salvo. FotoForensics não tira conclusões. Não diz se "é fotoshopped" ou "é real". O site destaca artefatos que podem não ser visíveis na imagem.
Você pode fazer o upload da imagem em que deseja analisar os metadados. Isso funciona melhor se você obtiver uma foto bruta da fonte. Você não obterá os mesmos resultados ao analisar imagens tiradas de redes de redes sociais, como Facebook, Twitter e Instagram porque alteram os metadados quando as imagens são carregadas em suas plataformas.
Você pode carregar a imagem no site FotoForensics ou inserir o URL de onde a imagem está armazenada online e depois clicar em "Metadados" para ver as informações abaixo da imagem. Nesse caso, a imagem carregada foi tirada do MMC - Marra Media Center na Síria, que é dirigido por ativistas nessa área. A foto mostra restos das armas usadas recentemente no Idlib.
Os resultados nem sempre são claros, e dependem da cópia do arquivo carregado.
Por exemplo, um JPEG que foi redimensionado, comprimido ou alterado a partir do arquivo original terá dados muito menos confiáveis ​​que a imagem original de resolução total gravada por uma câmera.
No entanto, se uma imagem foi editada no Photoshop pelo criador, isso não significa necessariamente que ela foi manipulada. Izitru é uma ferramenta que pode ajudá-lo a descobrir se a imagem está modificada ou não.
Você pode enviar uma imagem ao Izitru para verificar se ela foi manipulada ou editada, o que o ajudará a confirmar se é uma imagem em bruto ou se ela foi editada.
Nesta imagem abaixo, Izitru indica que não é a imagem original e que a imagem foi editada.
Existe uma técnica diferente para analisar uma imagem denominada "análise de nível de erro" (ELA). É um método forense para identificar partes de uma imagem com um nível de compressão diferente. Você também pode fazer isso com o Fotoforensics.
Técnica de verificação: Metadados como verificação
Existem aplicativos que podem ser úteis para capturar automaticamente a data de um vídeo ou foto, bem como capturar outros detalhes importantes, como dados GPS. Uma dessas aplicações é a Camera V, que apresentamos no capítulo Metadados deste guia.
Verificando evidências dos vídeos
Não há serviços disponíveis para pesquisa reversa de vídeo, como vimos com o Google Image Back ou TinEye, por isso não é tão fácil verificar a proveniência e fonte original de vídeos. No entanto, existem maneiras de realizar uma verificação inversa de um vídeo para ver se o vídeo foi usado e compartilhado no passado ou não. Isso exige que você faça uma captura de tela do vídeo em um momento importante para obter os melhores resultados (o momento mais oportuno para capturar a captura de tela é quando ocorre um incidente). Alternativamente, você pode capturar uma captura de tela da miniatura do vídeo, pois poderia ter sido usada anteriormente no YouTube ou em outros serviços de hospedagem de vídeo. Em seguida, execute a captura de tela capturada através do TinEye ou da imagem do Google como fizemos anteriormente neste capítulo.
A Amnistia Internacional criou uma ferramenta que o ajudará a implementar esta técnica que você pode encontrar aqui.
Digite o URL do YouTube que lhe interessa, conforme visto no exemplo abaixo e selecione 'Ir para obter miniaturas', que você fará uma pesquisa de imagem reversa.
Neste caso, este vídeo foi carregado por 'Abu Shadi AlSafrany', que trabalha em um centro de mídia local em uma cidade chamada Al-Safira. Eles não foram compartilhados on-line antes, o que significa que os vídeos não foram usados ​​em diferentes países ou contextos. Depois de verificar se um vídeo é exclusivo, será importante verificar a localização e a data do incidente para garantir que o vídeo não seja fabricado. As buscas de imagens reversas nem sempre revelam duplicações de vídeos ou fotos para que haja necessidade de realizar outras formas de verificação também.
Técnica de verificação: Confirmando a data
Verificar a data é um dos elementos mais importantes da verificação. As principais questões a serem consideradas ao encontrar provas visuais on-line são:
- Quando o conteúdo foi criado?
- Quando o incidente aconteceu?
Isso é facilitado quando as pessoas no vídeo mencionam a data de quando o evento aconteceu ou mostram jornais ou escrevem a data em um pedaço de papel e mostra para a câmera, como no exemplo abaixo.
No contexto sírio, a maior parte do tempo, os publicadores originais dos vídeos no YouTube escrevem a data exata do incidente com o título do vídeo. Na maioria dos casos, esta é a data correta, especialmente se você estiver procurando por um vídeo de uma fonte verificada e verificada.
No entanto, isso não ocorre frequentemente em outros contextos, e mesmo na Síria, é um desafio verificar a data de alguns eventos sem adicionar outras formas de confirmá-lo, como observar o clima durante o evento ou se conectar com a pessoa que tomou o imagens originais, e a obtenção de foto/vídeo em bruto com metadados anexados que mostrem a data do evento.
Centenas de vídeos foram carregados no YouTube por ativistas da mídia na Síria durante o ataque químico que aconteceu em Damasco em 21 de agosto de 2013. Os vídeos carregados foram acusados ​​de serem falsos porque ao serem publicados foram datados como de 20/08/2013, enquanto os ativistas disseram que o ataque aconteceu em 21/08/2013. Isso aconteceu porque os vídeos recebem timbres de data e hora do YouTube de acordo com o Horário Padrão do Pacífico (PST) em vez do tempo da Europa Oriental (EET), como neste caso, é importante ter consciência disso.
Verificar o clima (se possível) de uma foto/vídeo é outra maneira útil de confirmar a data do evento.
Abaixo está um vídeo publicado na Al-Aan TV alegando que os confrontos foram interrompidos em poucas áreas na Síria por causa da neve.
Para verificar isso, foi inserida a mesma data postada no YouTube no site WolframAlpha, conforme mostrado abaixo, para ver se o tempo estava realmente nevado ou não.
Como você pode ver acima, você pode verificar se a data publicada no YouTube provavelmente será correta com base nas condições climáticas semelhantes.
Técnica de verificação: confirmação da localização
O processo de geolocalização de evidências visuais é essencial para verificar se a evidência que você encontra é ou não no local que afirma ser. As plataformas de mapeamento, como o Open Street Map, Google Earth, Google Maps, Wikimapia e Panoramio, ajudarão você a localizar esses materiais quando possível. A questão chave para geolocalização é coletar tantas imagens quanto possível e usá-las todas para verificar, pois será mais difícil verificar um incidente a partir de apenas uma peça de filmagem.
Alguns detalhes a considerar para confirmar a localização:
- Placas de licença/número nos veículos
- Marcos como escolas, hospitais, lugares religiosos, torres, etc.
- Tipo de roupa
- Lojas identificáveis ​​ou edifícios na foto
- O tipo de terreno/ambiente no tiro
Técnica de verificação: placas de matrículas em veículos
Nesse caso, queríamos identificar a localização de uma suspeita de ser membro do ISIS. Durante vários anos, ela publicou muitas fotos da Guiana, América do Sul em uma conta de redes sociais. Para confirmar se ela estava na Guiana, olhamos para as imagens onde os números dos veículos são claramente visíveis. O carro branco nesta imagem contém o número BMM-5356.
Ao pesquisar este número através da Wikipedia, encontramos a página abaixo que nos confirmou que esses números de placas particulares combinam placas de registro de veículos na Guiana.
Técnica de verificação: Olhando para Marcos
Verificar marcos como escolas, hospitais, torres e edifícios religiosos é muito útil quando você está tentando georeferenciar evidências visuais. As plataformas de mapeamento como Wikimapia, Google Earth, Panoramio e Google Maps são marcadas com milhares de fotos que podem ser usadas para georeferenciar suas evidências.
Uma pesquisa de "escolas" na Wikimapia, retorna todas as escolas na área, conforme mostrado abaixo.

Panoramio funciona de maneira diferente; ele mostra todas as fotos em uma área específica que é marcada no Google Maps.
Com ambos os serviços, você pode encontrar fotos que o ajudarão a geolocar sua evidência como demonstrado abaixo. Você pode ver uma captura de tela do Panoramio de uma foto de uma loja encontrada no site. A foto inclui o número de telefone da loja e uma pequena placa com o endereço completo nele.

Depois de encontrar a localização suspeita da sua evidência, o Google Earth pode ser muito útil para confirmar se esta é realmente a localização real.
Use o Google Earth para:
- Verificar as estruturas
- Verificar o terreno
- Ver o histórico de imagens de satélite do Google
Técnica de verificação: observando estruturas
Abaixo está uma imagem de uma mesquita que foi capturada por um ativista que afirma que ela está localizada em Jisr al-Shughur, Idlib. Localizamos a mesquita no Google Earth e comparamos a estrutura na imagem de satélite com a imagem fornecida pelo ativista para garantir que ele esteja realmente localizado no local reivindicado. Neste caso, olhamos para as janelas pretas do prédio e sua estrutura. Para mais informações sobre esta técnica, veja o trabalho de Eliot Higgins e Bellingcat, que tem uma série de estudos de caso detalhados e tutoriais sobre esta técnica.

Técnica de verificação: observe o terreno
Verifique a localização, verificando o terreno da localização reivindicada em imagens de satélite.
Uma das milhares de fotos vazadas que descrevem violações dos direitos humanos nas prisões sírias foi geolocada olhando a imagem de satélite abaixo, com base no terreno que mostra o morro com as torres de comunicação que nela aparecia.

Técnica de verificação: usando a imagem de satélite do Google History
Abaixo estão as imagens de Aleppo em 2010 e em 2013. Você pode ver claramente as áreas danificadas. Isso pode ajudá-lo a geolocar ruas nesta área, ou mesmo um ataque, pois você pode ver as imagens antes do dano/ataque.

Como você pode ver nos exemplos acima, a tecnologia mudou a forma como encontramos e lidamos com fontes e informações, pois testemunhas e ativistas compartilham eventos em texto, fotos e vídeos em redes sociais e blogs em tempo real. Isso pode ajudar os pesquisadores de direitos humanos a verificar os eventos que estão ocorrendo através de evidências visuais usando diferentes técnicas e ferramentas. Lembre-se de ler nosso artigo sobre como usar as ferramentas de verificação de forma mais segura possível antes de usar qualquer uma delas.
Como realizar uma investigação on-line tão segura quanto possível
O uso de ferramentas de pesquisa on-line e técnicas de investigação pode ser muito útil para verificar o conteúdo digital gerado pelo usuário, como fotos e vídeos, como vimos anteriormente neste capítulo. Mas há questões de segurança relacionadas a isso que você precisa considerar antes de realizar sua investigação on-line.
Algumas questões importantes são:
- Quão sensível é a investigação que você está realizando? Você corre o risco de alguém saber que está trabalhando nesta investigação? Será que outras pessoas envolvidas nesta investigação também estão em risco?
- Quão sensíveis são os vídeos e fotos com os quais você está lidando e verificando? Isso colocaria você em risco se alguém visse que você os possua? É seguro transportar esses materiais com você enquanto viaja e se desloca?
- Você conhece a situação de segurança e os Termos de Serviço das ferramentas on-line que você está usando para verificar seu conteúdo? Você sabe se eles compartilhariam o conteúdo carregado com outras partes?
- Você se conecta de forma segura à internet enquanto faz uma pesquisa on-line para que pessoas conectadas à mesma rede Wi-Fi não possam ver o que você está procurando?
- Você esconde sua localização ao realizar uma pesquisa on-line para que os sites que você está visitando não sejam capazes de coletar informações que possam identificá-lo pessoalmente mais tarde?
Estas são algumas das questões que você precisa pensar ao usar ferramentas on-line e serviços baseados em nuvem para realizar uma investigação. Abaixo, passaremos por etapas básicas sobre como você realiza uma pesquisa on-line tão segura quanto possível. Também mostraremos ferramentas de código aberto que você pode usar para investigação em vez de algum software comercial. Por código aberto, nos referimos a ferramentas que permitem que você reveja como elas são construídas para que você, ou um especialista técnico que você conheça, possa entender se viola sua segurança e privacidade em qualquer ponto. O software comercial não permite que você faça isso e você não consegue entender se sua privacidade está sendo respeitada ou se é seguro usá-lo.
Etapas básicas para investigar de forma segura:
- Passo 1: Conexão segura à internet:
Certifique-se de que está usando um navegador seguro, bem como a segurança dos sites que você está investigando e aqueles que você está apenas revisando. Você pode fazer isso criptografando sua comunicação com esses sites quando possível através de SSL (Secure Socket Layer).
Nota: alguns sites não suportam comunicação segura permitindo que outras pessoas vejam os sites que você visita e as informações que você envia (informações de log-in, texto, fotos, vídeo etc.). Isso pode ser muito arriscado se você estiver trabalhando em um espaço público usando a rede Wi-Fi.
- Passo 2: escondendo sua identidade com Tor:
Você deixa muitos traços enquanto olha sites, redes sociais e usa ferramentas de verificação on-line para realizar sua investigação. A maioria dos sites que você visita recolhe informações sobre você, como a sua localização através do seu endereço IP, a impressão digital do seu navegador, o dispositivo que você está usando para acessar a internet (celular, tablet ou computador), o número exclusivo para o seu dispositivo chamado MAC endereço, os sites que você visitou on-line, quanto tempo você ficou em uma página específica e muito mais. O projeto Me and My Shadow tem mais detalhes sobre esses traços.
Toda essa informação coletada pode criar um perfil de você que o torne identificável. É importante ter certeza de que você está navegando na internet de forma segura e anônima se você não quiser:
- hackers conectados à mesma rede Wi-Fi que você para ver o que está fazendo,
- os sites que você está visitando coletando informações sobre você, ou
- seu provedor de serviços de internet vendo o que você está fazendo on-line.
Você pode fazer isso instalando e usando o pacote do navegador Tor ao fazer uma pesquisa on-line. Saiba como instalar e usar esta ferramenta aqui. Você também pode usar Tails, que é um sistema operacional que permite que você permaneça anônimo na internet por padrão.
Uma vez instalada essa ferramenta, você pode usar serviços como Pipl ou Webmii para verificar fontes, o Whois para ajudá-lo a verificar a origem na página de registro do site e FotoForensics sem divulgar sua identidade ou sua investigação.
- Passo 3: use ferramentas mais seguras para verificação e investigação quando possível:
Abaixo está uma lista de ferramentas de código aberto que podem ser usadas para uma pesquisa on-line mais segura como alternativas aos seus primos fechados.
a. Confirmando as fontes de informação
Você pode usar o Maltego em vez de serviços baseados em nuvem como o Pipl e o Webmii para obter mais informações, como contas em mídias sociais, sites relacionados, números de telefone e endereços de e-mail de uma fonte específica para verificar quem ele realmente é. Maltego é um programa disponível para Windows, Mac e Linux que pode ser usado para coletar e visualmente agregar informações postadas na internet que podem ser úteis para uma pesquisa on-line. Uma vez dominada, esta ferramenta é extremamente útil, mas é bastante complicada para um usuário principiante, então esteja preparado para investir algum tempo nela.
b. Ferramenta Exif
Considere o ExifTool como uma alternativa à FotoForensics que foi apresentada anteriormente como uma ferramenta para revisar os dados exif em uma foto. Com ele, você poderá extrair metadados de fotos, como o dispositivo usado para tirar a foto, data, localização e último programa usado para editar a foto (se ela foi editada). Ao usar o ExifTool, você não precisará fazer o upload de sua foto para um serviço baseado em nuvem que você não confie com seus dados. Tudo é feito localmente no seu computador com o ExifTool, sem terceiros envolvidos. No entanto, também há desvantagens em usar o ExifTool. Primeiro, ele não suporta análise de nível de erro e, em segundo lugar, o ExifTool é um aplicativo de linha de comando, portanto não possui interface gráfica. Mas a linha de comando é fácil de usar e instalar.
c. Confirmar local
O Google Maps e o Google Earth estão entre as ferramentas mais utilizadas para verificar locais e geolocalizar incidentes. Tudo o que você faz no Google Earth e no Google Maps está conectado ao seu Gmail uma vez que você se inscreva, o que significa que é possível saber que você está procurando locais específicos para verificar. Use uma conta Gmail separada de sua pessoa se desejar usar o Google Earth e o Google Maps para sua investigação sem expor seu email real. Isso tornará mais difícil identificar você como uma pessoa que trabalha em uma investigação específica.
Você também pode usar OpenstreetMap e Wikimapia para verificar uma localização em vez do Google Maps. Mais uma vez, certifique-se de não fazer login com seu e-mail pessoal.
d. Pesquisa inversa de imagens
Infelizmente, não há ferramentas de código aberto atualmente disponíveis que rivalizem com a funcionalidade que a TinEye ou o serviço de pesquisa de imagem inversa do Google. No entanto, os seguintes programas também são bons pontos para começar, ao procurar ferramentas de imagem reversa de código aberto:
* Projeto Lira;
* Presente ou Gift;
- Passo 4: comunique-se de forma segura com suas fontes para que você não as coloque em risco:
É muito fácil colocar você mesmo e suas fontes de informação em risco enquanto se comunicam com eles sobre sua investigação on-line, especialmente se você estiver investigando um evento sensível. Certifique-se de se comunicar com eles de forma segura e certifique-se de que você compartilha dados com segurança também. Existem ferramentas fáceis de usar que você pode instalar, como o Sinal para uma comunicação mais segura e miniLock para o compartilhamento seguro de arquivos. Leia mais sobre comunicação segura aqui.
- Passo 5: sempre faça o backup das informações:
Certifique-se de fazer backup do conteúdo relevante que você encontra, dos sites que você visita, das contas de redes sociais e das conversas que você tem com fontes de informação. As evidências visuais, como fotos e vídeos que você encontra on-line, podem desaparecer da internet por vários motivos. Faça backup de tudo o que você encontra on-line para que você possa acessá-lo mais tarde para verificação e análise, mesmo que não esteja mais on-line.
Você pode usar serviços baseados em nuvem para sites de backup e contas de redes sociais, tais como:
* Archive.is 
* Archive.org
Os arquivos fornecerão um ID para cada página que você enviar. Copie os códigos para um arquivo em seu computador local para que você possa voltar às páginas que deseja analisar mais tarde. Você pode criptografar este arquivo em seu computador com uma ferramenta chamada VeraCrypt para que ninguém mais que você possa abri-lo. Você pode encontrar mais informações sobre como instalar e usar o VeraCrypt aqui .
Nota: Certifique-se de usar os arquivos online acima no navegador Tor para ocultar sua localização.
Recursos e Ferramentas
- Recursos adicionais
* Witness Media Lab - seção de verificação, que inclui ferramentas de verificação;
Guia do Observadores-França 24 para verificação de fotos;
* Arab Citizen Media - Guia de verificação de fatos;
* Arab Citizen Media - Guia sobre ferramentas de verificação;
* GlobalVoices - Guia de verificação de conteúdo das mídias sociais;
* Processos de verificação com estudos de caso aqui e aqui.
- Ferramentas adicionais
* Checkdesk é uma ferramenta de código aberto para verificações,
* Ferramenta de pesquisa no Facebook para pesquisa de gráfico, especialmente para localizar fotos que você não pode encontrar em sua linha de tempo
* Ferramenta do Google para extraindo imagens de uma página da web;
* Esta ferramenta permite que você tweet de "qualquer lugar"
* Descubra quando novas imagens de satélite estão disponíveis com este site 
* Rastreamento de tweets georeferenciados por conta;
* Localizar usuários do Skype com geolocalização usando um ID do Skype;
* Coletando, fornecendo e organizando conteúdo no Facebook e Instagram com este site.
Imagens criadas por John Bumstead
Fonte: tradução livre de Exposing the Invisible
COMENTO: existe atualmente em andamento uma campanha contra as "notícias mentirosas", ou "fake news" para os que gostam de modismos alienígenas. A ideia é fazer com que as pessoas parem de difundir mentiras.  Mas não são "pessoas" que compartilham mentiras! Elas normalmente são obra de profissionais tendenciosos que criam as inverdades, que são ecoadas por idiotas úteis, partidários dos adversários das vítimas das mentiras e por safados pagos para fazerem exatamente isso, divulgar mentiras. Em resumo: ao invés de "pessoas", devemos ser explícitos e escrever "canalhas" que é o termo correto!  As ferramentas e métodos mostrados nesta postagem servem para identificar as mentiras de forma profissional, mas poucas pessoas se dão a tanto trabalho.  Assim, para evitar ser apenas mais uma ferramenta de difusão de mentiras, é melhor evitar compartilhar as coisas das quais não tenha certeza de que é verdade.
OBSERVAÇÃO: em função de tratar-se de um texto longo e meus parcos conhecimentos do idioma inglês, solicito que erros de tradução, ou sugestões de melhorias, sejam informados para correção.