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sábado, 25 de junho de 2016

Pobreza Absoluta das Pessoas e do Jornalismo Cretino

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O jornal El País, na sua edição em português, do dia 20 de junho, trouxe um texto sobre uma cidade maranhense e o modo de vida de seus moradores. Trata-se de Belágua, no Maranhão.
Maranhão é aquela Unidade da Federação (UF) dominada por muito tempo pela família do senhor Ribamar, aquele do bordão "brasileiros e brasileiras", o mesmo que foi chamado de ladrão por diversas vezes pelo Cachaceiro Maldito, que depois arrependeu-se e disse que o tal cidadão merecia respeito pois, "não era uma pessoa comum". Atualmente, o Maranhão é administrado por Flávio Dino, militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
O perímetro urbano de Belágua é pequeno, com cerca de 1,5 Km no sentido Leste/Oeste e 1 Km no sentido Norte/Sul.
Perímetro urbano de Belágua / MA
Segundo dados do IBGE, em 2014 havia 10 empresas no município, ocupando 359 pessoas, 349 destas, assalariadas, o que somava uma renda mensal de R$ 5.745,00.
A cidade já havia sido motivo de reportagens por ocasião das eleições presidenciais de 2014, por ter apresentado o maior índice de votos pró reeleição de Dilma Rousseff à presidência da República.
Nela, constam cerca de 7.000 habitantes e, destes, em abril de 2016, 1.440 eram beneficiários do programa Bolsa Família - aquele programa de auxílio às famílias carentes criado por Fernando Henrique (autoria esta que o jornalista espanhol atribui ao Mentiroso Mor "deçepaíz") e que até abril do corrente ano distribuiu R$ 103.906.763.752,46 de verbas federais. 
Se considerarmos o mínimo de quatro pessoas por família, teremos 5.760 pessoas beneficiadas, ou aproximadamente 82% da população da cidade.  Há um número reduzido de famílias - 20 a 30 - cujos benefícios mensais do Bolsa Família ultrapassam os R$ 750,00, cinco delas ultrapassando os R$ 900,00. Valores irrisórios, quase iguais ao salário mensal de uma professora do Ensino Fundamental e Médio no Rio Grande do Sul.
Nada demais, também, tratando-se do Maranhão, 3ª UF em termos de uso de verbas do Bolsa Família (R$ 725.141.007,00 neste ano, até abril). Belágua recebeu, nos quatro primeiros meses de 2016, R$ 1.584.326,00 desse total.
Conhecidos os dados básicos da cidade, vamos à reportagem extremamente piegas do jornalista do El Pais, motivo deste texto, que apresentou entrevistas feitas com três pessoas, dois homens e uma mulher, além de citar um quarto - aparentemente o burguês da localidade.
Me espantou o fato dos entrevistados, todos na faixa dos 35 anos de idade, pobres de tudo (subnutridos, analfabetos, e desinteressados da vida), se colocarem passivamente na condição de dependentes de algo que nem sabem o que é. Contentando-se em viver com uma "doação" governamental sem interessarem-se em buscar um pouco mais com seu próprio esforço.
Como contraponto, é citado o "Seu Cota", um sujeito de 54 anos, que vive na outra extremidade dessa enorme metrópole e consegue plantar e vender hortaliças suficientes para lhe dar uma renda - mínima mas suficiente. E o senhor Antonio José não encontra ânimo para, pelo menos com seus filhos de 14 e 15 anos de idade, tentarem empilhar os tijolos - inúteis na visão do medíocre jornalista - e rejunta-los nem que seja com o conhecido barro da taipa?
Escreve o compungido jornalista: "Belágua é um exemplo fiel do Nordeste brasileiro, atrasado, pobre e resignado à sua sorte, que aceita a ajuda estatal um dia e com o mesmo fatalismo aceita no dia seguinte que a tirem." Mas não lhe ocorre questionar por que sua entrevistada vive na miséria mas possui onze filhos, sem recorrer a outro programa social, o de distribuição de preservativos. Também não lhe abala a afirmação da criança que diz gostar mais da escola "quando dão merenda".
Duas coisas me indignaram: primeiro o "padrão" dos entrevistados - gente que Marx (o canalha, não pertencente à família de humoristas) denominava "lumpemproletariado", a casta popular de completa inutilidade social - os quais, espero que sejam uma minoria na cidade. E segundo, a canalhice do autor do texto, que compara os burgueses paulistas que usam helicóptero para fugir dos engarrafamentos (como se isso fosse a situação normal dos brasileiros) com a casa humilde de um dos entrevistados, cuja água é armazenada em um pote de barro tapado com um paninho. Seria um bom novelista esse jornalista que encerra sua publicação afirmando que "Aderaldo Ferreira, o da mulher sem palavras, o da choça sem nada, o que mostra a carteira de identidade como o documento essencial, diz que ouviu falar desse Seu Cota, que irá visitá-lo uma tarde, que lhe perguntará como fez, como faz, e aponta para o outro lado da cidade, como se fosse o outro lado do mundo".
Vale a pena conferir as imagens dos moradores de Belágua entrevistados em 2014 pelo G1, e em 2016 pelo El Pais, clicando nos respectivos atalhos.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O Regime Petista e o Carnaval dos Microcéfalos

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por Milton Simon Pires (*)
Em 27 de janeiro de 2013, duzentas e quarenta e duas pessoas morreram num incêndio dentro de uma boate na cidade de Santa Maria, aqui no Rio Grande do Sul. Escrevi, na época, um artigo chamado “Santa Maria e a Guerra do Vietnam” onde responsabilizei diretamente o Poder Público pela morte das pessoas, dei “nome aos bois” e alertei para chegada dos médicos cubanos ao Brasil. 
Trabalhando como funcionário (médico intensivista) de um hospital controlado pelo PCdoB, paguei meu preço nas “avaliações funcionais” e nas “queixas de funcionários e colegas” contra mim. Em 2014 fui acusado de um crime que não cometi – agredir uma médica dentro do Hospital – e perdi meu emprego. Até hoje não consegui, mesmo tendo feito concurso público, voltar ao trabalho e meu nome, como o nome de todos aqueles que desafiam a esquerda brasileira, foi para o lixo naquilo que eles fazem de melhor: assassinar a reputação de quem se "atreve a fazer oposição." 
Passados três anos, o Brasil inteiro vive o terror da epidemia do Zika Virus.  O “vírus da microencefalia”, como ele se tornou conhecido no pais da rubéola, da toxoplasmose do citomegalovírus, do herpes, do alcoolismo e das viciadas em crack que vagam nas ruas de São Paulo, foi descoberto em 1947 em Uganda. Afirmo ser minha convicção que ele só chegou ao Brasil em virtude da mais completa irresponsabilidade, da corrupção e do descontrole de um governo criminoso que não controla fronteiras nem entrada de imigrantes africanos (inclusive em navios com mosquitos) no país. 
O transmissor deste vírus – o mosquito Aedes Aegypit – é, como eu escrevi outro dia, uma espécie de “fusca dos mosquitos”- transporta uma infinidade de vírus a “baixo custo” para si mesmo. Há quase trinta anos (isto mesmo: trinta anos) o Governo Brasileiro vem tentando exterminar o inseto. Recentemente, em função da epidemia de dengue, as ações foram intensificadas mas, ao invés de produzirem o resultado final esperado (a extinção do mosquito) foram eficientes no sentido de torná-lo mais resistente – fenômeno comum quando se combate seres vivos a longo prazo sem conseguir matá-los. Agora, o Poder Público que não controla bandidos que entram dentro de UPAS (unidades de pronto-atendimento) e moscas varejeiras dentro de UTI's (unidades de terapia intensiva) quer “controlar um vírus” !!!
Politicamente, a organização criminosa que atende pelo nome de “Partido dos Trabalhadores” precisa urgentemente da aprovação da nova CPMF para encher os cofres do país que ela mesma destruiu. A imprensa vem “colaborando muito” e mostra cenas de terror dentro de UPAS e dos hospitais falidos que os verdadeiros médicos brasileiros - não sindicalistas e não petistas - já reconhecem e denunciam desde a implantação do SUS. 
Dos médicos cubanos, ninguém fala mais – nenhuma palavra sequer do Ministério da Saúde e do Regime Petista propondo alguma ação específica por parte destes que foram trazidos ao Brasil a peso de ouro para encher os cofres de Fidel Castro. O máximo que se escutou até agora veio de um ministro ligado ao PMDB que “ganhou o Ministério da Saúde” como pagamento para evitar o impeachment de Dilma. Ele disse que “torcia para que mulheres tivessem contato com o vírus antes de engravidar”, declaração que não merece comentário mas que surpreende porque vem de alguém com nível cognitivo que parece estar mais próximo do PT do que do PMDB.
Recentemente, a Dra. Margaret Chan, Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde (a mesma instituição que já recomendou que as pessoas comam insetos e apoiou o Programa Mais Médicos no Brasil) declarou que a epidemia de Zika Virus é uma emergência mundial em termos de saúde pública. Imagino a festa por parte dos petistas do Ministério da Saúde que querem a aprovação da CPMF e da militância feminista aborteira: nada poderia ser mais conveniente mesmo reconhecendo que se trata, definitivamente, de uma situação gravíssima e que milhões de bebês vão nascer com cérebros menores a partir da infecção das mães nas doze primeiras semanas de gestação. Um vírus que pode trazer ao mesmo tempo mais impostos e a liberação total do aborto no Brasil é uma "benção" (na visão de um militante petista).
A única coisa que o Ministério da Saúde e o Regime Petista não dizem (e isso posso citar sem receio de destruir a carreira ou perder o emprego que a esquerda já me tirou) é qual o valor em dinheiro colocado pela PETROBRAS (que já fez isso em anos anteriores) no Carnaval do Rio de Janeirofesta nacional caracterizada por uma promiscuidade sexual reconhecida em todo planeta e pelo número enorme de brasileiras que engravidam nesse período do ano.
(*) Milton Simon Pires é médico.

Fonte:  Ataque Aberto
COMENTO:  primeiramente, quero recomendar a leitura do texto citado no primeiro parágrafo. É gravíssima a denuncia ali feita e sobre a qual a nossa "grande imprensa" fez um ensurdecedor silêncio. O presente texto lança uma luz para mim e outros que tenham se admirado pelo fato das atuais campanhas sanitárias focarem na eliminação das larvas e não dos mosquitos - os verdadeiros vetores da doença. Óbvio que se deve eliminar as larvas para evitar a proliferação dos mosquitos, mas estes também devem ser combatidos, e isso não se vê nas campanhas. Nos resta "curtir" o Carnaval, a CPMF e a futura "epidemia" de abortos que nos afligirão em 2016.
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domingo, 12 de julho de 2015

Lei Rouanet - Doze Exemplos de Projetos Bizarros

por Leônidas Villeneuve
Criada durante o governo Collor, a Lei Federal de Incentivo à Cultura, que mais tarde ficaria conhecida pelo nome do Secretário da Cultura à época, Sérgio Paulo Rouanet, é o principal mecanismo de financiamento e incentivo à cultura do país.
Através de renúncia fiscal, empresas públicas e privadas e pessoas físicas podem patrocinar projetos culturais e receberem o valor em forma de desconto no imposto de renda. Ou seja, os cofres públicos deixam de receber parte daquele dinheiro em troca de um patrocínio cultural, uma forma de “terceirizar” um repasse de recursos federais.
Para que uma pessoa ou empresa possa doar, no entanto, o projeto visado precisa antes ser aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC). E é nesse ponto que as coisas se perdem entre diversos casos estranhos de aprovação de valores astronômicos para projetos pífios ou de repasses que acabam sendo uma forma de bancar patrocínio privado com dinheiro público. Ou de projetos de grande porte que teoricamente não precisariam do auxílio, aprovados pelo Ministério.
Não por acaso, no primeiro governo Dilma, 3% das propostas levaram 50% dos incentivos, um cenário que só contribui para a concentração cultural do país, enquanto pouco incentiva projetos menores.
Se o atual modelo possui falhas, as alternativas não são lá muito convincentes.
O atual Ministro da Cultura, Juca Ferreira, acredita que a Lei é “o ovo da serpente neoliberal por permitir a renúncia fiscal total dos valores destinados à cultura e defende que esse valor diminua para 80% – algo que desestimularia as doações, já que outros mecanismos legais permitem renúncias de até 125% para outros projetos específicos.
Apesar da solução proposta, o maior problema – as aprovações descabidas – continua. Não só aprovações, como também reprovações, especialmente por motivos políticos: em 2014, o MinC recusou um projeto de um documentário sobre o ex-governador paulista tucano Mário Covas, por conta do ano eleitoral. Mesmo assim, em 2006, outro ano eleitoral, dois projetos sobre Leonel Brizola foram aprovados. E o pior: ambos receberam uma verba milionária de estatais.
Diante de tantos problemas, listamos aqui 12 casos de aprovações, no mínimo, bizarras da Lei Rouanet. A lista conta com patrocínios para artistas renomados, eventos de luxo e até um caso de aprovação sem conhecimento do artista.

1) O VILÃO DA REPÚBLICA – R$ 1,5 MILHÃO
Produção: Tangerina Entretenimento Ltda
Valor aprovado: R$ 1.526.536,35
Tipo: Filme
Ano: 2013
“O Vilão da República” é um documentário que contará a história e a vida de José Dirceu, desde sua participação em movimentos guerrilheiros, passando por sua história pela via partidária até a sua condenação a 10 anos e 10 meses de cadeia por corrupção, em 2012.
O alto valor aprovado para a captação de recursos pelo Ministério, porém, ficou só no papel: o projeto não recebeu apoio de nenhuma empresa.

2) DVD DE MC GUIMÊ – R$ 516 MIL
Produção: Maximo Produtora Editora e Gravadora Ltda
Valor aprovado: R$ 516.550,00
Tipo: DVD musical
Ano: 2015
O funkeiro MC Guimê, apesar de faturar, segundo estimativas, R$ 300 mil por mês, foi autorizado a captar R$ 516 mil para a produção de um DVD, que será gravado durante um show na cidade de São Paulo. A filmagem será distribuída em 3 mil discos, dos quais 80% serão vendidos pelo preço de R$ 29. Da apresentação musical, 40% dos ingressos serão distribuídos gratuitamente, 40% serão vendidos pelo preço de R$ 50 e o restante será divido entre os patrocinadores e a população de baixa renda.

3) O MUNDO PRECISA DE POESIA – R$ 1,3 MILHÃO
Produção: Maria Bethânia
Valor aprovado 1.356.858,00
Tipo: Blog
Ano: 2011
Possivelmente um dos blogs mais caros do mundo, “O Mundo Precisa de Poesia” tinha a intenção de levar diariamente uma nova poesia, lida em vídeo, por Maria Bethânia durante um ano. Para a execução desse projeto, o Ministério da Cultura aprovou a captação de até R$ 1,35 milhão em verbas através da Lei Rouanet, mas após as críticas, a cantora desistiu da produção.

4) TURNÊ LUAN SANTANA: NOSSO TEMPO É HOJE PARTE II – R$ 4,1 MILHÕES
Produção: L S Music Produções Artísticas Ltda (Luan Santana)
Valor aprovado: R$ 4.143.325,00
Tipo: Shows ao vivo
Ano: 2014
Apesar da Lei Rouanet ter sido criada com o intuito de auxiliar artistas menores com pouca visibilidade, na prática as coisas funcionam um pouco diferente.
Em 2014, o Ministério da Cultura aprovou um incentivo de 4,1 milhões para a realização de uma turnê de Luan Santana em diversas cidades do país, dos 4,6 milhões solicitados pela equipe do cantor. Entre as justificativas para aprovação, o Ministério alegou “democratizar a cultura” e “difundir raiz sertaneja pela música romântica”.

5) TURNÊ DETONAUTAS – R$ 1 MILHÃO
Produção: Detonautas Roque Clube
Valor aprovado: R$ 1.086.214,40
Tipo: Shows ao vivo
Ano: 2013
Assim como Luan Santana, o grupo Detonautas Roque Clube, liderado por Tico Santa Cruz, é outro artista famoso na lista. A aprovação do Ministério da Cultura foi para a captação de 1 milhão de reais em recursos, para a realização de uma turnê em 25 cidades do país.
Em meio a polêmicas por conta do valor destinado a uma banda reconhecida nacionalmente, o projeto não chegou a captar nenhum valor de fato.

6) SHOWS CLÁUDIA LEITTE – R$ 5,8 MILHÕES
Produção: Produtora Ciel LTDA
Valor aprovado: R$ 5.883.100,00
Tipo: Shows ao vivo
Ano: 2013
Outro famoso autorizado a captar recursos pelo Mecenato do Ministério da Cultura, Cláudia Leitte foi aprovada para captar quase R$ 6 milhões pelo programa para a realização de 12 shows em cidades das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste em 2013. Em meio a críticas, a cantora acabou recebendo “somente” 1,2 milhão de reais em apoio.
E os escândalos em torno desse projeto não assustam só pelos valores: segundo o jornal O Dia relatou na época, a produtora Ciel possuía diversas dívidas, assim como outras empresas da cantora, que teria montado um esquema com diversos CNPJs para conseguir a aprovação do MinC para a captação de verbas.

7) FILME BRIZOLA, TEMPOS DE LUTA E EXPOSIÇÃO UM BRASILEIRO CHAMADO BRIZOLA – R$ 1,9 MILHÃO
Produção: Extensão Comunicação e Marketing Ltda
Valor aprovado: R$ 1.886.800,38
Tipo: Exposição e Filme
Ano: 2006
Ao mesmo tempo que negou o patrocínio ao filme sobre Mário Covas, citado no início do texto, por motivos de proximidade das eleições, o Ministério da Cultura aprovou, em 2006, ano de eleição, dois projetos sobre a vida de Leonel Brizola, histórico militante do PTB, conduzidos pela Extensão Comunicação e Marketing, que somam 1,88 milhão de reais.
Desse valor, “somente” R$ 1.052.100 foram efetivamente captados. Entre as empresas que apoiaram financeiramente o projeto estão as estatais Petrobras (R$ 592 mil), Eletrobras (R$ 300 mil) e CEEE (R$ 50 mil).

8) PEPPA PIG – R$ 1,7 MILHÃO
Produção: Exim Character Licenciamento e Marketing Ltda
Valor aprovado: R$ 1.772.320,00
Tipo: Teatro infantil
Ano: 2014
Até mesmo a porquinha britânica está na lista dos aprovados para captar recursos da lei. Mesmo sendo personagem de um dos desenhos mais famosos da TV por assinatura, o espetáculo “Peppa Pig” foi autorizado pelo Ministério da Cultura a captarquase 1,8 milhão de reais em recursos. E não pense que é uma obra de caridade: segundo a ficha apresentada pelos produtores, apenas 10% dos ingressos serão distribuídos gratuitamente.

9) CONCERTOS APROVADOS SEM O CONHECIMENTO DO MAESTRO JOÃO CARLOS MARTINS: R$ 25 MILHÕES
Produção: Rannavi Projeto e Marketing Cultural
Valor aprovado: R$ 25.319.712,98
Tipo: Concerto musical
Ano: 2013
Já pensou ser aprovado para receber mais de 25 milhões de reais sem precisar mover um dedo para isso? Foi o que aconteceu com o maestro João Carlos Martins, em 2013.
Em novembro daquele ano, dois projetos envolvendo o músico foram aprovados para captarem um valor total de R$ 25,3 milhões pelo Ministério da Cultura. A Folha de São Paulopercebeu a aprovação e entrou em contato com o músico para saber maiores detalhes das apresentações. Foi só então que maestro descobriu que tinha sido aprovado para uma captação de recursos através da Lei Rouanet, a qual ele não havia solicitado.
Diante da situação embaraçosa, o maestro solicitou o cancelamento da captação de recursos junto ao órgão. Mais tarde,investigações mostraram que a empresa solicitante, Rannavi Projeto e Marketing Cultural, havia feito o pedido sem o consentimento do maestro. A empresa também possuía dados duvidosos e não havia repassado documentos que comprovassem a sua relação com os projetos do maestro e com outros dois projetos solicitados ao MinC.

10) PAINEL ARTÍSTICO CLUB A SÃO PAULO – R$ 5,7 MILHÕES
Produção: ZKT Restaurante, Bar, Teatro, Buffet e Eventos Ltda (Club A)
Valor aprovado: R$ 5.714.399,96
Tipo: Música “Popular”
Ano: 2013
Outra bizarrice aprovada em 2013 pelo Ministério da Cultura, conforme noticia a Veja SP: 5,7 milhões de reais para a realização de “um painel artístico de difusão cultural nos segmentos da música, dança e artes cênicas” no Club A, em São Paulo. O clube da elite paulistana, que tem como ex-sócio Amaury Jr., faria uma lista com pessoas selecionadas para participar do evento. Quem não tivesse o nome na lista precisaria pagar R$ 160 para entrar.
Ironicamente, o projeto caríssimo e requintado da casa foi aprovado no segmento “Música Popular” para captar até 5,7 milhões de reais para a realização do painel, mas nenhum valor foi de fato captado pelos organizadores.

11) SHREK, O MUSICAL E TURNÊ – R$ 17,8 MILHÕES
Produção: Kabuki Produções Artísticas Ltda
Valor aprovado: R$ 17.878.740,00
Tipo: Teatro
Ano: 2011 e 2012
A produção acima custou R$ 11,3 milhões – a captação de recursos não atingiu o limite aprovado. Se a foto já deixa algumas dúvidas sobre a recepção da peça pelo público, a crítica especializada confirma algumas expectativas: o espetáculo recebeu a nota mínima, 1 de 5, na Veja SP.
E, apesar do aporte multimilionário, os ingressos para a peça do ogro não saíram de graça, chegando a custar R$ 180 por pessoa.

12) CIRQUE DU SOLEIL – R$ 9,4 MILHÕES
Produção: T4F Entretenimento S.A
Valor aprovado: R$ 9.400.450,00
Tipo: Teatro
Ano: 2005
Durante sua passagem pelo Brasil em 2005, o canadense Cirque Du Soleil, maior produtor teatral do mundo, foi aprovado para captar até R$ 9,4 milhões em recursos através da Rouanet. O valor foi quase totalmente captado e recebeu aporte de empresas como Bradesco e Gol, que depois puderam solicitar o valor como desconto no pagamento de impostos, segundo o funcionamento da Lei.
O problema: estas empresas também fizeram marketing e colocaram sua marca nos kits de divulgação do evento e em algumas partes do espetáculo. O valor aprovado pelo MinC também é questionável quando levado em conta o preço dos ingressos, que chegavam a custar mais que o salário-mínimo da época.
No final, o seu dinheiro foi indiretamente utilizado para financiar um patrocínio privado e um dos espetáculos circenses mais caros do mundo. Que você também teria que pagar, caso quisesse assistir.
Fonte:  Spotniks
COMENTO:  os casos acima citados são os que o autor considerou bizarros, mas há muitos outros que demonstram a safadeza com que os recursos públicos são manipulados. Enquanto assistimos coisas como o fechamento do Museu da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no Rio de Janeiro ser fechado por "falta de recursos", temos, por outro lado exemplos de como as verbas públicas não deveriam ser usadas. Tentativas falhas, como as de Caetano Veloso, citadas aqui e aqui; ou as bem sucedidas como a da "famiglia Sarney", do próprio Caetano et caterva - que o jornalista Janer Cristaldo denominava "Máfia do Dendê" - como as descritas aqui; ou as da turma da "indústria textil", ou "indústria do texto" que inclui o galã das balzaquianas, que se tornou famoso como autor de sambas "anti-ditadura militar", e que hoje em dia sobrevive na saudade do sucesso então obtido.
PS: Se alguém se interessar, pode ler A indústria textil, de autoria do Janer Cristaldo, em http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/textil.html
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domingo, 26 de abril de 2015

Castigo ou Ressocialização

por Óscar Henao Mejía
Me pergunto se o problema dos centros penitenciários no país é assunto de pouca monta para os políticos e líderes do Governo. Nas duas últimas décadas se vem anunciando medidas radicais que não logram materializar-se. Quem sabe não rendam tantos votos como se esperava.
As queixas permanentes, tanto dos recluídos quanto de seus familiares, relatam quadros dantescos que prometem mais danos que soluções. Denunciam graves deficiências em infraestrutura, iluminação, higiene, serviços sanitários, água potável, alimentação, e até mesmo condutas corruptas por parte dos membros de sua guarda. Não é outra a explicação dos motivos da venda de privilégios, o uso indevido de aparatos de comunicação, o ingresso de drogas, armas, e a cumplicidade nas fugas. Até dormir em um colchão sujo ou receber os raios do sol são assuntos de negócio nesses lugares de asfixiante amontoamento de gente.
Muitos passam pelo drama, reprovado pela Anistia Internacional, do confinamento solitário, que em alguns chega a desencadear o fenômeno da inseguridade ontológica - ficam isolados por tanto tempo, que duvidam de sua própria existência, e, existem mas sequer sabem onde estão -. Outros, vítimas de cartéis de falsos testemunhos, advogados sem ética ou da desesperante lentidão processual, padecem o pesadelo da detenção preventiva. Sua tragédia, que pode durar muitos anos, se agrava com o confinamento indiscriminado daqueles que protagonizaram transgressões menores com os que cometeram delitos atrozes, o que gera o efeito colateral das "cátedras para delinquir" que funcionam nos centros penitenciários.
Cabe nos perguntarmos, então, se nas condições subumanas reiteradamente denunciadas, que em muitas vezes levam até ao suicídio, são possíveis as alternativas de reabilitação e socialização. Sem condições respeitosas de dignidade humana, é impossível pretender a expectativa de ressocialização. A estadia humilhante em um centro carcerário gera psiquismos ressentidos. Contrariando a pretensão de uma saída para o exercício de melhores condições de cidadania; se devolve à sociedade sujeitos desadaptados e humilhados. Aqueles que delinquem se desvinculam do sentido de comunidade. Em outras palavras, eles desertam, de fato, de sua condição de cidadania. O sentido da reabilitação é devolve-los ao ser social, ao ser coletivo, à capacidade produtiva e à sensação de autoestima.
Não há alternativa entre reclusão e socialização. Irrefutavelmente devem ocorrer as duas coisas. A reclusão sem ressocialização se converte em um buraco sem fundos de recursos públicos, porque significa a perda de cidadãos íntegros em troca de sujeitos desadaptados. O sistema carcerário custa muito para que seus resultados acelerem a deterioração da sociedade e não o fortalecimento da comunidade. Sabemos que é a educação que pode favorecer o desenvolvimento dos países e, possivelmente, nenhum outro ponto possa ser mais urgente para a reivindicação dos que saíram dos cânones estabelecidos para a sã convivência. Falta um projeto no qual essas pessoas, com acompanhamento de especialistas, possam ter uma experiência construtiva.
Mais que aumentar o número de penitenciarias, o desejável é que em nosso país cada vez se necessite menos de vagas carcerárias. Para isso é que tem que apontar a cultura cidadã, a criação de oportunidades para todos e o saneamento dos mecanismos de justiça. O exemplo a seguir é o que nos apresentam os países nórdicos, especialmente a Finlândia, onde em função do espírito de comunidade que desenvolveram, os cárceres já não são tão necessários. Lá, a balança pesa mais para o lado da ressocialização do que para o lado do castigo.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano
COMENTO: o texto expressa o otimismo do seu autor colombiano em relação à situação carcerária em seu país. Em um país que, apesar da desgraça promovida pelos narcobandoleiros (que contam com o apoio dos governos ditos bolivarianos, inclusive o brasileiro) a cultura popular é elevada, é possível sonhar com a equiparação aos padrões nórdicos. Já no caso brasileiro o buraco é mais embaixo. Um país com a economia, a educação, as condições de cidadania destroçadas não permite aos seus cidadão sonharem com uma atenção especial a seus presos. Por aqui, sequer temos condições de manter os condenados em reclusão, quanto mais pensarmos em ressocialização. Que fazer? Como solução, não sei, mas penso que para, pelo menos proporcionarmos uma retomada no sentimento de segurança social, nos resta seguir o caminho inverso das sociedades mais desenvolvidas. Investir na criação de mais vagas em presídios, dando ênfase à punição em uma tentativa de desincentivo à criminalidade. Muitas mães brasileiras ainda devem chorar!
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terça-feira, 14 de abril de 2015

O Motivo do Ódio

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Uma simples pesquisa na internet colocou a descoberto o motivo do imenso ódio nutrido por grande maioria de profissionais jornalistas, professores e "intelectuais" aos promotores da Contrarrevolução de 1964. Sentimento esse repassado a seus discípulos que sem nem mesmo saberem sobre seus reais motivos o alimentaram e reproduziram.
Não parece incomum o fato do Contragolpe de 1964 ter sido incentivado e apoiado pela grande maioria da população, com ampla divulgação favorável por parte de toda a imprensa - com exceção, é claro, dos pasquins sindicalistas comunistas - e logo depois passar a ser execrado pelos "formadores de opinião" em uma perseguição antimilitarista que se prolonga até hoje, alcançando até mesmo as Polícias Militares?
Pois a explicação para esse fato foi exposta recentemente.
Uma simples e justa Emenda Constitucional, a de nº 9 de 22 de julho de 1964, inverteu o apoio dos “intelectuais” brasileiros (jornalistas, professores e escritores) que passaram a hostilizar os militares, corroborando o esforço das “minorias esquerdistas” (socialista e comunistas) para chegarem ao Poder.
“Ditadura Militar”, “Anos de Chumbo”, “Redemocratização”, Caras Pintadas” “Comissão da Verdade”, Collor, Sarney, FHC, Lula e Dilma, enfim, tudo está explicado!
Este é um dos segredos mais bem guardados pelos nossos professores de história, beneficiados que eram.
A ponto de os novos militares, jornalistas, professores de história e escritores de hoje - de modo similar aos macacos da experiência da escada e e o chuveiro frio - repetirem o processo de execração dos primeiros sem nem mesmo saberem o que o motivou.
A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 1934, tratando "Dos Direitos e das Garantias Individuais",  previa em seu artigo 113, inciso 36:
"Nenhum imposto gravará diretamente a profissão de escritor, jornalista ou professor."
Na Constituição de 1937, a Constituição do Estado Novo, o assunto não é citado, mas na de 1946, que restaurou alguns dos direitos suprimidos no governo ditatorial de Getúlio Vargas, pode-se ler em seu artigo 203:
"Nenhum imposto gravará diretamente os direitos do autor, nem a remuneração de professores e jornalistas."
Por 30 anos foi uma farra de sonegação de impostos. Algumas faculdades chegavam a vender diplomas de jornalista - “até arcebispo era jornalista.” [1]
Porém, logo depois de assumirem o governo, os militares patrocinaram a Emenda Constitucional nº 9, com cerca de uma dúzia de alterações. Ela foi aprovada 81 dias depois de apresentada e uma de suas alterações se tornaria o maior erro deles. O artigo 203 da Constituição passou a ter a seguinte redação:
"Nenhum imposto gravará diretamente os direitos do autor, nem a remuneração de professores e jornalistas, excetuando-se da isenção os impostos gerais (art. 15, número IV)."
E o que diz o Art 15, nº IV? 
Art 15 - Compete à União decretar impostos sobre: ... 
IV - renda e proventos de qualquer natureza;
Assim, a EmC nº 9 passou a obrigar todo escritor, professor e jornalista deste país a pagar imposto de renda, algo que nenhum destes fazia desde 1934.
Jornalistas também não pagavam imposto predial [2], imposto de transmissão [2]imposto complementar [3], além de ter isenção em viagens de navio, transporte gratuito ou com desconto nas estradas de ferro da União, e 50% de desconto no valor das passagens aéreas e nas casas de diversões. [4] e [5] 
Devido a estas isenções na compra de casa própria, a maioria dos jornalistas tinha pesadas dívidas, e a queda de 15% nos seus salários causou sérios problemas financeiros e familiares.
Some-se a inflação galopante que se seguiu, o baixo crescimento do PIB, e a soma disto tudo levaria uns 10 a 15 anos para jornalistas, escritores e professores recuperarem o padrão de vida que tinham antes do duro “golpe” financeiro que os militares causaram.
Assim, com esta medida os militares de 1964 antagonizaram, em menos de dois meses de poder, toda a elite intelectual deste país, obrigando pela primeira vez jornalistas, escritores e professores a pagarem Imposto de Renda, a serem cidadãos responsáveis e solidários.
Antagonizaram aqueles que até hoje fazem o coração e as mentes das novas gerações.
Estes, obviamente, se revoltaram imediatamente. Afinal, “A maior parte da grande imprensa participou do movimento que derrubou o Presidente João Goulart e foi, sem dúvida, um dos vetores de divulgação do fantasma do comunismo”, conforme João Amado – Os Jornalistas e o Golpe de 1964:
“Grande parte dos jornalistas que tiveram suas crônicas coletadas para este livro, Alceu de Amoroso Lima, Antônio Callado, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Heitor Cony, Edmundo Moniz, Newton Rodrigues, Otto Lara Resende, Otto Maria Carpeaux, entre outros, foram aqueles que logo se arrependeram do apoio dado ao golpe. ... “Jornalistas que apoiaram o golpe de 64, antes dele fazer aniversário, já eram adversários do regime que ajudaram a instalar”, ... “Ao perseguir figuras que nada tinham de comunistas ou subversivas, eram apenas liberais e até apoiaram o golpe, a ditadura, por assim dizer, perdia a razão.” afirma Thereza Cesário Alvim.[6] 
Óbvio. Quem se considera superior, a ponto de não pagar imposto de renda, não é socialista muito menos comunista. Verdadeiros comunistas são contra uma sociedade de classes, privilégios classistas, e renda mal distribuída para algumas classes.
Exigir que todos paguem Imposto de Renda não é perseguição, é justiça social.
Mas notem que Amado, professor de História, considera ter que pagar imposto de renda uma “perseguição” classista.
Antônio Calado, professor, escritor e professor escreveria:
O Golpe foi certo, mas seus desdobramentos errados”.[6]
Calado se tornou um de seus grandes opositores, um ano depois.
Enquanto IPI e ICMS pagos pelas empresas servem para financiar infraestrutura, estradas, portos, etc., é justamente o imposto de renda que usamos para reduzir a pobreza, cuidar dos inválidos, pagar o Bolsa Família.
Nenhum jornalista, professor ou escritor, nem mesmo os de “esquerda” escreveram ao longo dos 30 anos de regalia, um artigo sequer contra este privilégio que desfrutavam.
Dispensar jornalistas cegos, professores paraplégicos, escritores com deficiências mentais de pagar imposto de renda seria mais do que justificável, afinal são estes que merecem ajuda para poderem competir com jornalistas, professores e escritores de posse de tudo que é necessário para serem autossuficientes do estado.
Mas é justamente o imposto de renda que nossos intelectuais brilhantemente conseguiram burlar, e por sinal reclamam até hoje.
Em 2013, a Revista Exame da Editora Abril, comentou esta isenção da seguinte forma.
A isenção (infelizmente) foi revogada em 1964, por meio da Emenda Constitucional nº 9 de 22 de julho de 1964.
Infelizmente para quem, cara pálida?
Alberto Dines, do Observatório de Imprensa, em 2012 comentou:
Getúlio, muito inteligentemente, atuou para melhorar o padrão social do jornalista. A legislação do Getúlio deu grandes vantagens.[7]
Em discurso no dia do Professor na Associação do Ensino Superior, conclama:
Os professores mais antigos devem sentir saudades dos tempos em que os professores eram realmente respeitados e valorizados, como acontecia, por exemplo, durante a vigência da Constituição Federal de 1946, artigo 203.
Mas, por que os militares foram tão burros, segundo Alberto Dines, de se indispor justamente com a imprensa?
Por que foram adotar esta medida logo no início, quando ainda estavam com outros problemas para resolver, e não somente uns 10 anos depois?
Duas possibilidades.
Uma é que este privilégio classista estava na garganta de todo militar, advogado, médico, enfermeira, bombeiro, policial, pela sua hipocrisia e pelo seu abuso onde até arcebispo estava sendo beneficiado.
A segunda hipótese, é que Castelo Branco de fato pretendia ficar 18 meses, somente até o fim de mandato de João Goulart. E queriam corrigir algumas coisas antes de saírem. Este por exemplo.
Como resultado, os prejudicados julgaram que os militares traíram justamente quem os havia inicialmente apoiado.
E não há ninguém mais odiado neste país que um traidor.
Não é de se espantar que passado 50 anos os militares continuem sendo perseguidos por comissões da verdade, reportagens, e tudo o mais possível, apesar dos militares hoje serem outros.
Prever o passado é um exercício fútil, mas se os militares tivessem sido mais maquiavélicos, não teríamos a reação contrária que surgiria logo depois, quando o imposto de renda de fato começou a ser cobrado.
Se os militares fossem de fato desonestos, como jornalistas, professores de história e escritores não param de divulgar, eles provavelmente teriam simplesmente se incluído nesta lista classista.
Os poucos jornalistas de direita da época, assim como boa parte da sociedade, ficaram mudos e inertes.
Já os jornalistas de “esquerda”,  sem perda de tempo passaram a influenciar toda uma nova geração de jornalistas contra os profissionais da caserna.
E essa súbita mudança de tom dos jornalistas, professores de Sociologia, História, Política e Ciências Sociais, pode ter assustado a ala mais radical do Exército, tendo sido um dos fatores que os levaram a não devolver o poder como Castelo pretendia, permanecendo nele por 21 anos.
Para encerrar, uma sugestão para os militares se redimirem e reerguerem a imagem do Exército e das Forças Armadas, seu orçamento e capacidade de combater o narcotráfico internacional e outros problemas: acho que deveriam propor a volta do artigo 203.
E desta vez, para garantir que ele nunca mais seja revogado, incluir a classe de militares, já que ética no Brasil não vale para nada.
Nenhum imposto gravará diretamente a profissão de escritor, jornalista, professor, militar, médico, enfermeiro, bombeiro e policial.” 
Algo para os jovens militares, jornalistas, médicos, enfermeiras pensarem.

OBSERVAÇÕES:
[1] O Luto dos Jornalistas: "Em Santa Catarina, antes da regulamentação, todo mundo era “jornalista”. Queriam os privilégios da isenção do Imposto de Renda e desconto de 50% nas passagens aéreas. Até o arcebispo tinha carteira de jornalista."
[2] Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - 1946 - Art 27 – Durante o prazo de quinze anos, a contar da instalação da Assembleia Constituinte, o imóvel adquirido, para sua residência, por jornalista que outro não possua, será isento do imposto de transmissão e, enquanto servir ao fim previsto neste artigo, do respectivo imposto predial.
[3] Lei nº 986, de 20 Dez 1949, que alterou a Lei nº 154, de 25 Nov 1947.
[4] Jânio de Freitas:  “Até a década de 60, os jornalistas gozaram do privilégio, por exemplo, de não pagar Imposto de Renda e de só pagar 50% das passagens aéreas. Uma das consequências, para citar uma de tantas, era o grotesco princípio de gratidão que proibia publicar-se o nome da companhia de avião acidentado.
[5] Alberto Dines: "O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro era uma agência de viagens. Era uma corrupção tremenda."
[6] ALVIM, Thereza Cesário. O golpe de 64: a imprensa disse não. Civilização Brasileira, 1979.
[7] DINES, Alberto. Eles Mudaram a Imprensa. 2003. Pg. 169
Fonte:  adaptado do Blog do Kanitz
citado no Blog do Lício Maciel
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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Dois Meses e Mais Um Crime Cruel Vira Estatística!


A pouco mais de uma década, às vésperas do Ano Novo de 2002, bandidos atacaram meu amigo Albino Lautert em seu mercado no bairro Leopoldina, em Porto Alegre. Um desnecessário tiro - o bandido covardemente atirou sem que tivesse ocorrido qualquer tipo de reação por parte do assaltado - e um longo processo de recuperação. Tratamento caro, fisioterapia dolorida. Qual punição foi imposta ao meliante? O desgosto de "não ser notícia", pois nunca foi identificado, muito menos responsabilizado por seu crime. 
Depois de demorada recuperação, em 14 Fev 2014 voltam os bandidos e repetem seu ato covarde, dessa vez, com fatídico sucesso. Abrigados pela impunidade e incompetência governamental, continuam livres para cometer novos crimes, privar outras famílias de seus entes queridos e zombarem dos idiotas que sustentam essa situação com os impostos que lhes são extorquidos para alimentarem um Estado caríssimo e inepto.
O jornal Zero Hora, que divulgou o crime, noticiou também que aparentemente um dos criminosos - posteriormente identificado como Wilson Luis Rosa Cruz (28 anos) - morreu nas proximidades do fato. Vi preocupação da polícia em investigar como ocorreu essa morte (do suposto bandido - suposto por não haver certeza de que tenha efetivamente participado da morte de meu Compadre).
Dois meses já se passaram e o assunto foi esquecido. Aos familiares e amigos do morto somente restou a lembrança.
Certamente o "Leviatã Brasileiro" - incompetente aleijado moral que só se presta à parte boa de suas funções: arrecadação compulsória e cada vez maior de impostos e taxas - sentirá somente a falta de mais um 'otabuinte' (otário contribuinte) dos muitos que são extorquidos diariamente em taxas, tributos, impostos, contribuições e outras denominações dadas ao roubo do que produzem, para que seja feita a "distribuição de renda" na forma de simples e mera compra de votos, para manter os patifes de sempre empoleirados no poder.
Em meados de 2006, perdi outro Amigo, também vítima de assaltantes. Antonio Carlos Correa de Moraes foi também covardemente assassinado ao defender sua filha de um assalto. Outro amigo comum, o cantor e compositor Miro Saldanha conseguiu expressar em dolorosa poesia, os sentimento de dor, insegurança, e impotência que afligem as vítimas da violência urbana, cada vez maior, e a insensibilidade do restante da sociedade, que segue sua vida bovinamente esperando que "alguém" resolva mais esse problema.
O fato se mostra mais grave, na medida em que a polícia é tolhida no cumprimento de seu dever por falta de incentivo e investimentos pelo seu chefe maior, que procura utilizá-la somente em proveito de seus objetivos políticos; e os cofres públicos já foram devidamente esbulhados pela distribuição de recursos aos "cumpanhêrus" de várias estirpes.
As mortes se sucedem em um redemoinho de violência, as vítimas transformadas em meros números de estatísticas manipuladas para dar uma falsa sensação de "diminuição da criminalidade" e poucos autores de crimes são identificados por uma instituição policial cansada de "enxugar gelo". Menos ainda o número dos que, levados às barras dos tribunais, são efetivamente punidos. A recente elucidação da morte de um conhecido publicitário confirma isso. O assassino é um bandido condenado à reclusão, que deveria permanecer preso até o ano de 2039, mas que encontrava-se em liberdade por inoperância, cretinice, safadeza e muitos outros adjetivos de conotação negativa que podem ser atribuídos ao sistema penal vigente no país. 
Enquanto a sociedade vive o terror diário, outro tipo de bandidos, encastelados em cargos públicos - e regiamente pagos com verbas extorquidas da minoria contribuinte por meio de taxas e impostos - volta suas preocupações para as condições sanitárias dos presídios e para a impossível "ressocialização" da bandidagem, com o apoio e divulgação por parte de uma imprensa comprometida com a desinformação e alienação da sociedade. Esses mesmos canalhas apresentam, como resposta oficial ao crescimento da criminalidade, campanhas cretinas de desarmamento dos cidadãos de bem e recomendações para que ninguém reaja aos bandidos. Temos assim, que o "Leviatã Tupiniquim" arrecada tudo que pode da sociedade (exercendo toda sua fúria contra quem se nega a contribuir com sua fome imoral por verbas do povo) mas na hora de proporcionar segurança a essa mesma sociedade - apenas UM dos diversos direitos a que essa sociedade faz jus - recomenda que os cidadão se deixem abater como gado no matadouro! 
Patifes, Canalhas, Imorais, Incompetentes, Biltres, Pulhas, Velhacos, Infames, assim devem ser tratados todos esses Cafagestes que assim agem!
Os bandidos que tem apanhado da população tem tido muito melhor sorte que os cidadãos mortos nas ações dessas "vítimas da sociedade", que sempre encontram canalhas de sua mesma laia para lhes advogar direitos superiores aos demais cidadãos, aos quais só resta 'pagar a festa'.
Só nos resta amaldiçoar as autoridades que se tornam ilegítimas por sua completa inutilidade, e por só enxergarem os cidadãos de bem como fonte inesgotável de recursos a serem roubados!

domingo, 12 de maio de 2013

Trabalhe Duro: 50 Milhões de Eleitores Dependem da Tua Colaboração

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Perto de completar sua primeira década, o Bolsa Família já atende a segunda geração de beneficiários: são os netos do mais abrangente programa de transferência de renda do país. Os filhos que cresceram enquanto os pais ganhavam ajuda do governo tiveram seus filhos e constituíram a própria família, passando a receber também um novo benefício. Criado em outubro de 2003, o programa também mantém na lista dos beneficiários 45% das famílias que estavam cadastradas logo no seu início. São 522.458 benefícios pagos mensalmente há quase dez anos, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Não é possível afirmar se os 55% restantes que estavam na lista original dos beneficiários deixaram de vez o programa ou retornaram mais tarde, e quais as razões para isso. Eles podem ter saído do Bolsa Família porque tiveram aumento de renda de outras fontes, porque foram expulsos por não cumprir condicionalidades ou simplesmente deixaram de ser elegíveis ao benefício porque, por exemplo, o filho completou 18 anos.
Nas últimas semanas, O Globo localizou e entrevistou famílias atendidas desde a criação do programa em três estados: Bahia, Maranhão e Goiás.
Em Campo Formoso (BA), a 400 quilômetros de Salvador, o pedreiro Josias Henrique de Oliveira e a mulher, a empregada doméstica Maria Daura Santos Bonfim, contam que recebiam ajuda antes mesmo do Bolsa Família: primeiro com o Auxílio-Gás e depois com o Bolsa Escola, lançados em 2001 e fundidos na criação do Bolsa Família.
Josias, de 61 anos, trabalha por conta própria, sem carteira assinada, cobrando até R$ 60 por diária. Ele é o titular do cartão e ganha benefício de R$ 70 por mês. Os filhos do casal já são adultos. A mais velha, Silvana Santos Bonfim de Oliveira, tem 25 anos, três filhos e também é beneficiária: recebe R$ 282.
No último dia 25, O Globo presenciou o momento em que Silvana chegou à casa dos pais, logo após sacar o benefício dela e o do pai. Trazia três guarda-chuvas que comprara para os filhos (R$ 8,50 cada), além de um agasalho (R$ 20) para a caçula, Alice, de 4 anos. Após longa estiagem, voltara a chover na cidade.
Silvana já trabalhou como doméstica em residências e num restaurante onde a mãe lavava pratos. Ganhava R$ 50 por semana, sem carteira assinada. Além do Bolsa Família, cujo dinheiro banca o aluguel, recebe outros R$ 80 por tomar conta das filhas da vizinha e mais R$ 100 de pensão do ex-marido. Quem paga as demais despesas é o atual marido, ajudante de pedreiro.
A filha de Josias conta que largou a escola aos 17 anos, quando nasceu o primeiro filho. Depois voltou e concluiu o ensino médio no ano passado, numa turma de educação de jovens e adultos. Ela carrega o certificado de conclusão na bolsa, na esperança de conseguir emprego. E diz que gostaria de fazer um curso técnico de informática:
- Sem o Bolsa Família, eu ia ter que trabalhar de doméstica - diz Silvana, afirmando que os salários na cidade giram em torno de R$ 300.
Benefício atende 50 milhões de pessoas
O Bolsa Família atende atualmente 13,8 milhões de famílias ou 50 milhões de pessoas, com previsão de gasto de R$ 24,9 bilhões neste ano. O valor médio dos repasses é de R$ 149,70. É o mais visível programa social do governo. Estudos indicam que ele contribuiu para a redução da desigualdade e alívio da extrema pobreza na década passada. Entre 16% e 21% da queda da desigualdade são atribuídos ao Bolsa Família, que foi também um dos principais trunfos de Lula e Dilma em suas campanhas presidenciais.
Entre especialistas, há quem o critique por ser pouco efetivo na emancipação de seus beneficiados - que teriam dificuldade para se inserir no mercado de trabalho e deixar de depender do programa. Outro grupo, no entanto, ressalta o papel importante do Bolsa Família para aliviar a miséria em famílias extremamente vulneráveis, justamente as menos capazes de conseguir emprego formal, garantindo que ao menos as crianças tenham mínimo acesso a serviços de saúde e educação.
É o caso, por exemplo, de uma contemplada desde a criação do programa, a técnica de enfermagem Clarice Batista da Silva, de 49 anos. Ela é viúva e ganha R$ 70 mensais do programa. Os dois filhos de Clarice tomaram caminhos distintos: o mais velho, Alex Sandro, tem 28 anos, não concluiu o ensino fundamental e está preso - segundo a mãe, por tentativa de homicídio. Alex Sandro ingressou no Bolsa Família antes de ir para a cadeia. Quem recebe o dinheiro - R$ 102 por mês - é sua mulher, Juliete dos Santos Dias, de 22. O casal tem um filho de 5 anos.
- Se ele fosse filho de rico, já estava fora (da cadeia). O advogado cobrou R$ 5 mil. Não tenho esse dinheiro. Vou vender minha casa e morar embaixo da ponte? Está nas mãos de Deus - diz Clarice.
a filha Beatriz, de 25 anos, acaba de ingressar na faculdade, no curso de Pedagogia. Neste mês, começou a dar aulas de Artes e Educação Física numa escola pública. Beatriz tem um menino de 4 anos e está na fila para receber o Bolsa Família.
Em Timbiras (MA), a 270 quilômetros de São Luís, Maria Dalva dos Santos Ferreira, de 53 anos e mãe de dez filhos, não está no Bolsa Família desde o início. Mas diz que o programa mudou sua vida. Ela passou a vida na roça, quebrando coco de babaçu para vender os caroços, que são usados na produção de óleo de cozinha. No mês passado, levou a filha Maria Francisca para também inscrever-se no Bolsa Família. Maria Francisca tem 17 anos, é solteira e mãe de duas meninas: uma de 1 ano e 7 meses e outra de 2 meses - cada uma de um pai diferente, sendo que nenhum deles vive com a garota.
- Vai melhorar muito. Não terei mais que roçar e quebrar coco todo dia - diz Maria Francisca.
Na mesma cidade, Maria do Socorro Gomes Lopes, de 53 anos, vive numa casa com paredes de barro, telhado de palha e uma vala nos fundos para evitar inundações quando chove. Ela lembra que já perdeu um filho no parto e outro de 8 meses, com diarreia. Maria do Socorro mora com o marido, três filhos e dois netos. Recebe R$ 70 mensais do Bolsa Família.
Sua filha Maria Edinete Lopes dos Santos, de 24 anos, mãe de duas meninas, também está no programa: ganha R$ 102. Na trilha da irmã mais velha, a caçula Maria Ivanete, de 19 anos, quer receber o benefício. Maria Ivanete está no quinto mês de gestação. Maria do Socorro não esconde a contrariedade com a gravidez da filha, fruto do relacionamento com um rapaz que passou uma temporada na cidade:
- É mais uma despesa. Quando tem o pai ajudando, é bom. Mas só despesa sobrando para a avó, não.
Em Formosa (GO), a 70 quilômetros de Brasília, a diarista Silvana Cristina do Carmo, de 47 anos, mora no cemitério municipal Cruz das Almas. O atual marido, Antonio Matias dos Santos, de 59 anos, é o coveiro e zelador. Silvana o conheceu há cinco anos, quando foi fazer uma faxina na casa de um quarto erguida diante dos túmulos.
Além do casal, uma filha de Silvana e três netos também vivem no local: todos dormem na sala. Os netos têm entre 4 e 8 anos de idade. São filhos de outra filha da diarista: Elisabete, de 25 anos, que trabalha em Brasília como doméstica. Segundo Silvana Cristina, Elisabete recebe Bolsa Família, mas se separou do marido e agora disputa quem ficará com o cartão. A filha que mora no cemitério é Danielle, de 17 anos. Grávida de seis meses, Danielle estuda à noite, no 1º ano do ensino médio, e diz que só espera a criança nascer para solicitar um benefício.
- Ela está fazendo a família dela e vai ter o próprio Bolsa Família - diz Silvana Cristina.
Fonte: O Globo
COMENTÁRIO: transcrevo a opinião de João Carlos A. Melo, que recebi no e-mail que me trouxe o texto:   Acho que nem vale a pena abordar a fundo os números informados na reportagem, porque não confio em estatísticas deste governo. Para mim os números que eles vomitam são gerados na “base do chute” para cima ou para baixo conforme a conveniência. Numa parte da reportagem informa-se 522.000 benefícios por mês e mais abaixo diz que o programa atinge cerca de 50 milhões, ou seja, 1/4 da população brasileira. Ando muito por aí e nunca percebi que a cada 4 pessoas que passam por mim, uma é miserável. Ou então deve haver centenas de pequenas cidades lotadas de miseráveis para compensar os milhões que não consegui perceber nas capitais. Pode ser também que eles tenham rebaixado a classe média e a pobre para miserável e a gente não saiba disso. Só sei que se começarmos a analisar e comparar números, daqui a pouco o Brasil já terá mais de 500 milhões.  Mas voltemos ao anexo e reparemos na reportagem do jornal:
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o programa atende a segunda geração de beneficiários: são os netos do programa. Os filhos que cresceram enquanto os pais ganhavam ajuda do governo, tiveram seus filhos, que passam a receber os benefícios
O que se deduz disto? O programa não acaba com a miséria e garante votos eternamente. Não?
Então vejamos:
Que adiantou ajudar os pais na miséria se eles geraram mais filhos que continuaram na miséria precisando das bolsas?
Se um pai desses tiver 3 filhos e esses filhos seguirem o exemplo irresponsável dos pais e tiverem cada um 3 filhos também?
Na segunda geração teremos nove pessoas na miséria?
Que diabo de lógica é essa de acabar com a miséria?
Por outro lado, reparem que o governo transformou três iludidos, dependentes e miseráveis eleitores em nove seguidores agradecidos.
Existe melhor estratégia de perpetuação do poder sem apelar para ditaduras sempre mal vistas pela sociedade?
A reportagem diz também que “mãe de 10 filhos depois da bolsa não precisa mais roçar ou quebrar coco”. E ainda sobre a mesma mãe: "mãe inscreveu a filha de 17 anos no Bolsa Família porque a filha é solteira, mas já tem 2 filhos". Ou seja, os filhos viraram investimento e ela já está ensinando a filha a investir.
Tudo muito bonito, mas alguém no país terá que trabalhar para sustentar os filhos e os netos dela.
Mas ela agradecerá aos políticos com votos e dane-se quem suou para criar os dependentes dela.
Eu até concordo com este tipo de ajuda, desde que haja a contra-partida, ou seja:
A senhora tem que colocar um DIU*, enquanto receber a bolsa
OBS: *DIU (Dispositivo Intra Uterino) é um método anticoncepcional que dura cerca de 4 anos)
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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dodecálogo da Maldade

por Haroldo P. Barboza
As barbaridades executadas pelos poderes da nação (todas as esferas) se sucedem sem cerimônia pois a “manada” está domesticada há dezenas de anos e não sabe protestar. Os poucos lúcidos que ainda restam estão acomodados ou anestesiados pelo elenco (entre dezenas) de medidas que relato a seguir.
Os grupos das elites que sugam a nossa qualidade de vida possuem menos de 0,01% de elementos (ardilosos) da população. É o típico cenário de “escravos” que servem à preguiçosa “majestade”.
Desde o tempo da “proclamação” da república estão aperfeiçoando os pontos básicos do “dodecálogo” que lhes permite subtrair enormes parcelas de valores arrecadados que deveriam estar sendo aplicados nas áreas sociais objetivando menos misérias e mais oportunidades de crescimento para cada indivíduo e por extensão, para o país.
Para evitar um crescimento gradual da qualidade de vida geral, conservam aquecidas as causas que geram o caos coletivo e encobrem suas atitudes nocivas e camufladas.
Para que tal caos não seja extinto, as seguintes 12 ações básicas (sem ordem de prioridade) são praticadas em paralelo pelas diversas “máfias” que patrocinam e corrompem grandes parcelas de gerentes públicos.
1) Governantes – Apresentam sempre os mesmos candidatos corrompidos e corrompíveis (afilhados dos mais antigos) a cada pleito. A agenda (de A a Z) possui milhares de elementos comprometidos com os dominadores dos nichos e se locupletam docilmente diante das determinações impostas (em todas as esferas). Quando eventualmente cometem um “deslize” (algo que causa alvoroço na população durante 15 dias ou entre “paredões” do Big Besta Brasil), são congelados por alguns meses em locais menos focados pela imprensa. Às vezes retornam trocando de sigla partidária (sem nenhum compromisso com os ideais). Ou até inventam uma nova (com boa sonoridade) para camuflar o “arrependido”. Na pior das hipóteses, somem com o incauto para sempre.
2) Educação – O mesmo modelo arcaico de ensinamento e avaliação é disponibilizado nas escolas públicas para 98% das populações debilitadas que não podem ter acesso às informações que realmente as capacitem para melhores funções com remunerações mais justas. Mantendo o povo sem capacidade de raciocinar com lógica, fica mais fácil conduzir a “manada” domesticada. Professores mal remunerados que precisam dar aulas (inadequadas) em 3 colégios, não têm tempo para reciclagem nem promover debates elucidativos com seus alunos para melhorar o futuro destes. O tempo que lhes sobra é gasto em idéias para defender a integridade contra maus alunos protegidos por confusos “direitos” da infância. Por isto alunos dos municípios são aprovados após exames que pedem apenas para eles marcarem um “X” em colunas onde as respostas quase estão grifadas.
3) Religião – As edificações são mantidas para comprovar o quanto o povo é religioso (apesar de notarmos que a cada domingo a missa tem menos expectadores). Mas os líderes espirituais bem esclarecidos são orientados para todos os domingos repetir apenas as passagens bíblicas que imortalizaram nossos santos preferidos e lembrar ao “rebanho” sobre as festas visando arrecadação para o templo. Jamais estes formadores de opiniões aproveitam o agrupamento das “ovelhas” para debaterem futuras atitudes no sentido de combater os problemas comuns abandonados pelas autoridades e que afetam os devotos fiéis. Afinal, podemos liberar Deus de algumas ações que nós mesmos podemos praticar.
4) Mídia – jornais e rádios são “orientados” para usar 50% de seus espaços para notícias costumeiras: acidentes de carros em ruas escuras e esburacadas; chacinas em bares afastados dos subúrbios abandonados; policial envolvido em roubo de carga; jogador de futebol fotografado na madrugada antes de jogo decisivo; artista de novela aos beijos com noivo de cantora popular. O restante do espaço útil (já descontada a área de propaganda) fica para horóscopo, resultado da loteria, gato retirado do poste pelos bombeiros e enquete para saber que uniforme fica mais elegante no time de vôlei feminino. A TV deve exibir receitas de bolos (inclusive salgados), filmes infantis, mapa das chuvas pelo país, filmes com 60 anos de idade, novelas demoradas e “shows de realidade” com direito a “paredão” arrecadador. Nenhum destes canais usa 5% do espaço para cobranças constantes das falhas da administração pública nem para conscientizar os pagadores de impostos sobre seu direito cívico de exigir ética transparente de seus governantes.
5) Segurança urbana - forças policiais são mantidas em estado de falência permanente. Policiais mal pagos e mal treinados. Ferramentas obsoletas e sem manutenção. Poucos laboratórios arcaicos e sem equipamento adequado para investigações alimentam processos judiciais por 15 ou 20 anos. Câmeras são colocadas nas esquinas sob pretexto de dar segurança ao cidadão, quando na verdade são fontes de renda para multar veículos a cada minuto. Manter a população com medo de andar nas ruas traz dois benefícios aos lacaios do poder: a) evitar reuniões onde os habitantes possam aperfeiçoar idéias para controlar ações das autoridades omissas; b) permitir o livre comércio de drogas para contaminar jovens que poderiam sonhar com mudanças de tal cenário.
6) Desemprego – apesar das centenas de novas atividades nascidas em diversas áreas, uma política de desvalorização da atividade humana é mantida perversamente para provocar altas filas e baixos salários para favorecer com velocidade os altos ganhos dos gestores. Elementos esfomeados não possuem tirocínio para reivindicar direitos e curvam-se agradecidos diante das migalhas oferecidas pelos “generosos” manipuladores do chicote social. E pela base de estudo citada no item 2, não possuem qualificação para ocupar as vagas técnicas em aberto.
7) Trânsito – ainda que estudiosos do assunto possuam dezenas de soluções para amenizar o caos viário que encarece os serviços e degrada a condição humana, os gerentes que usam helicópteros não as aplicam. Talvez se divirtam com a depressão coletiva da população que perde 4 a 5 horas de produtividade e lazer. Certamente auferem enormes lucros com a venda de combustíveis e componentes para os veículos. O mal se alastra nos transportes de trens, barcos e aviões. Um sujeito que chega esgotado ao seu destino, não tem ânimo para se reunir com a comunidade e debater assuntos de interesse coletivo. E nas épocas de eventos com enorme demanda, resolvem o problema decretando “ponto facultativo”.
8) Saúde – as edificações condenadas por infiltrações de chuvas e ratos, fiações prestes e um curto e estruturas atacadas pela ferrugem representam a menor parte da doença. A falta de equipamentos, de profissionais bem pagos e bem treinados aumentam o índice de contaminações e mortes que se alastram exponencialmente, cada vez mais aumentam os astronômicos lucros dos laboratórios que burlam normas na certeza da impunidade dos gerentes públicos que aceitam suas “doações” para as campanhas eleitorais. Efetivamente assumir a postura da prevenção não gera lucros para eles.
9) Segurança nacional – as forças armadas, baluarte fundamental da sociedade na preservação da democracia, estão sendo sistematicamente depreciadas através de orçamentos acanhados que impedem a manutenção adequada de seus equipamentos e a qualificação apropriada de seus integrantes. Os símbolos nacionais (civis e militares) que deveriam servir de orgulho para nossos herdeiros, não são consagrados adequadamente para enaltecer tais ícones com orgulho. Sumiram dos cadernos escolares. Hino Nacional só é tocado (pela metade) antes de atividades esportivas. Nem o programa “A voz do Brasil” o toca. Cenário que piora paulatinamente com a impunidade disseminada que contempla os dirigentes corruptos e servem como exemplo para mentes não doutrinadas para corretas atitudes cívicas.
10) Família – os sucessivos decretos e normas não discutidos com a sociedade estão sendo gradativamente elaborados de forma a reduzir a autoridade de pais e professores sobre crianças que se imaginam mais sabidas por usarem a Internet desde 5 anos. Tal anomalia é rotulada de “direitos” dos jovens (“estaputo do menor”) que naturalmente contestam orientações de respeito, disciplina e organização. Desta forma se sentem livres para desacatarem os mais velhos e os Professores, e perderem noites de sono nas portas de bares arquitetando “brincadeiras” do tipo “queimar índio”. Grandes parcelas tornam-se escravas das drogas que circulam livremente nas comunidades, minando os alicerces de uma sociedade apodrecida.
11) Agricultura – nosso país poderia auferir monumentais lucros pelo simples fato de possuir um volume enorme de terras produtivas para quase todas as espécies de alimentos que o mundo necessita nos próximos 250 anos. No entanto, a política deste setor é uma das mais complicadas por não pagar o preço justo ao plantador, não possuir meios adequados de armazenamento e transporte deficiente para escoar a grande produção ao longo do ano. Isto ocasiona um desperdício de quase 30% do que se produz. Encarece no ponto de venda ao consumidor. E a cadeia de atravessadores fica com quase 75% dos lucros!
12) Justiça – As redações das Leis são longas e muitas vezes usam palavreados que fogem à compreensão do lúcido médio. Uma vírgula (a mais ou a menos) inocenta um “amigo do poder” e condena um “opositor”. As contradições se sucedem. As instâncias de recursos não possuem conduta padrão entre seus Juízes. Tal cenário conduz mais de 90% dos processos a terem prazos dilatados para suas conclusões. Alguns passam de 20 anos. A má redação atende aos próprios legisladores quando apanhados nas falcatruas que costumam praticar. Esta lerdeza atende aos interesses de poderosos conglomerados quando em litígio com os explorados que recorrem e naturalmente, por falta de conhecimento e/ou má fé de advogados subornáveis, tendem a aceitar “acordos” onde normalmente perdem quase 50% do que têm direito. Surpreendentemente, quando os prejudicados são os poderosos, as velocidades dos processos caem para meses.
Resta-nos calcular (mesmo sem uma equação nítida) quando tal mistura provocará a ebulição de uma convulsão dolorosa. O estopim poderá ser antecipado em 30 ou 50 anos se eventualmente numa determinada noite os “burros-expectadores” não puderem usar as linhas telefônicas para livrar uma desnuda do paredão do cultural programa Big Besta Brasil. Ou se a seleção de futebol não for campeã durante 20 anos seguidos.
Quem não aprender a lição, não ganha “sopão”.
Haroldo P. Barboza é Professor.
 Autor do livro: Brinque e cresça feliz.
Fonte:  Alerta Total
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