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domingo, 26 de novembro de 2017

A Tragédia do ARA San Juan - A Lição Que Fica

Junto com a enorme dor que nos golpeou nas últimas horas, se acenderam centenas de luzes vermelhas e a sociedade argentina começou a fazer perguntas que deveriam ter sido formuladas há décadas.
Chegará, é inevitável, o tempo da prestação de contas, da metafórica "entrega de faturas", da busca implacável de responsáveis. E posso afirmar, quase com a mesma certeza, que essa rendição de contas se limitará naqueles que usam um quepe branco com escudo da Armada.
Durante décadas, nós que temos tripulado e comandado navios de guerra no mar, tivemos que lutar contra a apatia, a indolência e a ignorância daqueles que tomavam as decisões sobre nosso orçamento.
Portanto, sair ao mar implicava uma dose às vezes sobre-humana de vontade, de amor pela camiseta, de orgulho profissional e até de rebeldia.
Aprendemos a suprir a falta de recursos com criatividade, pedir equipamentos ou sobressalentes ao navio do lado, conseguir um reparo de última hora nas oficinas, maximizar a imaginação para resolver com ideias aqueles problemas que só se resolvem com recursos materiais e finalmente, por que não, amarrar com arame e rezar para que aguente.
De fato, esta criatividade voluntariosa e às vezes voluntarista, passou a ser um dos atributos mais valorizados nos jovens oficiais ou suboficiais da Armada.
De vez em quando nos perguntávamos: "¿E se tentarmos com dinheiro?", sabendo que lamentavelmente era uma pergunta retórica.
Simplesmente, a Nação não nos atribuía um papel relevante, em consequência não havia respaldo orçamentário e ao final, a opção era assumir os riscos ou paralisarmos definitivamente.
Esta situação é mais extrema nos meios de operação mais arriscada: aviões e submarinos. Aviadores navais e submarinistas devem ser muito mais rigorosos porque suas vidas estão em jogo de modo muito mais evidente e imediato.
Esta situação penosa se estendeu durante anos. Não ocorreu durante algum governo em particular, ainda que seja evidente que algumas gestões nos castigaram mais que outras.
Creio que mais de 90 por cento de nosso pessoal iniciou sua carreira depois da restauração democrática, porém a renovação vegetativa não importa muito quando a desconfiança é virtualmente inata e nos alcança pelo simples fato de ser o que queremos ser.
Agora aí está. Agora perdemos um submarino com 44 almas a bordo.
O mais doloroso é a perda de jovens vidas, certamente. Porém as insinuações sobre a irresponsabilidade implícita na operação de um navio em condições precárias é quase tão dolorosa, por  serem essencialmente injustas. É assim para aqueles dos quais conhecemos o enorme esforço, carinho e compromisso com que eles levaram adiante sua vocação. Nós sabemos porque sentimos o mesmo.
Como disse linhas acima, esta tragedia é de todos ainda que a responsabilidade só recaia em alguns.
Quando a carreira de um militar é interrompida por algum erro severo, ocorre algo especial: esse homem perde sua profissão definitivamente, sem chance de voltar atrás. Isto ocorre também com policiais e gendarmes.
Isto não é uma crítica nem uma queixa, é um dado da realidade. Nos matam com um único tiro, e muitas vezes "pelas dúvidas". E isto é o que vai ocorrer agora. Afirmo isto porque já começou a ocorrer.
Durante a última semana de pesadelo que viveram os argentinos, em particular os marinheiros, se produziram "fricções" entre militares e políticos.
¿Por que ocorrem? Porque pensamos de maneira distinta, cada um com sua própria estrutura de valores, ideais e objetivos legítimos.
Minha ética profissional me impõe, por exemplo, pedir minha demissão se o navio que comando sofre uma quebra, colisão ou incidente grave. Depois vamos ver se sou culpado, porém minha responsabilidade me exige o proverbial "paso al costado" [NT: "dar passagem"] ainda que seja provisório.
Agora, nossos dirigentes se dedicarão à lucrativa tarefa de "estabelecer responsabilidades". Gostaria de perguntar se irão buscar em suas casas os ministros de Defesa dos últimos 50 anos, ou se vão questionar, ainda que seja frente ao espelho, suas próprias decisões ou a falta delas.
Esta semana foi dolorosa para todos os marinheiros argentinos, mas especialmente para aqueles que aspiram continuar com sua incipiente carreira. Seu futuro é incerto e eles sabem disto.
Vozes tão estridentes como ignorantes falam hoje com equívoca fartura de conceitos técnicos que se leva uma vida inteira para compreender. Eram diretores técnicos há dois meses, peritos forenses no mês passado e submarinistas experientes hoje. É inevitável, mas doloroso, especialmente quando desde um microfone questionam atitudes profissionais sobre as quais não estão nem remotamente capacitados para avaliar.
Castiguemos os culpáveis, está bem, ainda que só seja a alguns. Se não podemos castigar aos que deveríamos, ao menos façam-lo com aqueles mais facilmente castigáveis.
Mas depois, quando se aplaquem os ânimos e se curem as dores da alma, saibamos que apesar das adversidades, pese à injustiça de pretender que suportem os erros de mais de 40 anos, pese à indolência e a apatia de uma sociedade que deveria velar por eles, segue havendo jovens argentinos cuja principal aspiração é defender a sua Pátria no mar.
Sua Pátria deveria permitir que o façam.
(*) Capitão de Navio (Inativo)
 e veterano da Guerra das Malvinas.
Fonte: tradução livre de Tribuna de Periodistas
COMENTO: Que essa tragédia que atingiu os Submarinistas Argentinos e o próprio povo argentino, sirva de exemplo aos dirigentes daquele país e de outros, particularmente do Brasil. Distribuir tarefas sem a devida distribuição de meios é ato de extrema irresponsabilidade!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Que Não Sirvam Essas Façanhas, de Modelo Para Nada

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Que me perdoem os bons profissionais advogados ou "operadores do direito" - e eu tenho diversos em minha família -, mas é sabido que muita gente os considera um "mal necessário". Alguma coisa parecida com a febre que denuncia uma enfermidade.
Não é atoa. Diferentemente de médicos, enfermeiros, policiais, professores, assistentes sociais e tantas outras profissões voltadas a minorar o sofrimento da sociedade - antes que retruquem, eu sei que maus profissionais existem em qualquer atividade exercida pelo bicho gente - quem se anima a confiar plenamente em um profissional que se dedica a livrar seu cliente de punições por malfeitos cometidos, contrariando toda e qualquer noção de justiça, moral, ética e baboseiras que tais? 
É claro que estou me referindo aos extremamente desonestos que fundamentam seu trabalho em firulas jurídicas, problemas de redação ou de "mal entendidos" e, principalmente, no maldito "decurso de prazo", usando a ineficiência que grassa no poder Judiciário para protelar a finalização de seus processos e livrar seu cliente da punição devida.  Sempre afirmo que um advogado que honre sua profissão não busca a absolvição de seu cliente sabidamente culpado. No máximo, aceita-se que procure diminuir a pena a ser aplicada!
Mas em termos de falta de caráter, há um outro tipo de trabalho que não dá margem à concorrência. Trata-se do que é atualmente conhecido como "marqueteiro". O profissional dedicado, segundo os entendidos, ao "objetivo de agregar valor às determinadas marcas ou produtos a fim de atribuir uma maior importância das mesmas para um determinado público-alvo, os consumidores".
Aquele tipo de sujeito capaz de, "agregando valor", normalmente fictício, convencer os idiotas a comprarem um veículo novo e irem andar com o mesmo na margem marítima, acelerando seu processo de deterioração, na esperança de conquistar algum favor da mulher de seus sonhos, seja a própria, a do vizinho ou a existente somente em seus sonhos. Esse mesmo tipo de profissional é capaz de produzir ilusões no atacado e promover até mesmo manipulações eleitorais como estamos vendo recentemente nesse amontoado de gente sem valor em um riquíssimo território, que denominamos país, e até mesmo em outras nações em troca de dinheiro - muito dinheiro - de preferência pago no exterior livre de impostos. Claro que me refiro a tipos como Duda Mendonça, João Santana e sua esposa mascadeira de chicletes. 
Há, também, gente como um Washington Olivetto e outros, a respeito dos quais não costumam surgir dúvidas a respeito de sua integridade moral - apesar de uma polêmica peça publicitária de alguns anos atrás feita para atender o TSE, mas de qualidade duvidosa -, mas acredito que esses sejam as exceções que confirmam a regra.
No geral, o que vemos é propaganda sobre propaganda empurrando "remédios" milagrosos para emagrecer, para ficar forte e musculoso, para parar de fumar, parar de beber, consumir celulites e gorduras localizadas, sumir com espinhas e imperfeições da pele e muitos outros embustes que para se realizarem necessitam exercícios físicos e/ou dietas forçadas, que nunca são citados nos "anúncios"! Não vou nem ingressar na seara da religião e das crenças, com seus milagres de curas e sucessos materiais promovidos via dízimos e colaborações espontâneas de recursos individuais. A propaganda voltada ao incentivo do consumismo irracional por parte crianças e adolescentes - de alimentos inadequados, equipamentos eletrônicos e de roupas e utensílios supérfluos - exigiria um texto específico.
Apesar das restrições, ainda vemos propaganda de cigarros e bebidas alcoólicas relacionando seus usos a um estilo de vida fantasioso, pleno de sucessos amorosos e materiais, iludindo jovens e otários de diversas faixas etárias. Não vejam esta frase como uma crítica aos usuários desses produtos. Cada um é senhor de seu destino e vive como bem entende. Os "jovens e otários de diversas faixas etárias" a que me refiro são os que se deixam seduzir pelo que lhes é incutido no cérebro por trabalhos muito bem planejados e executados pelos tais "marqueteiros".
A propaganda brasileira já foi considerada a melhor, ou uma das melhores do mundo. A criatividade dos brasileiros já gerou peças publicitárias históricas. Por outro lado, nos dias atuais, o padrão não é bom. A criatividade foi substituída pelo mercadejo.
Mas toda essa lenga-lenga foi para demonstrar duas coisas. O mau uso da criatividade a serviço de interesses ideológicos partidários e o mau uso das verbas públicas em propaganda.
A princípio, a melhor propaganda que poderia haver da administração pública seria o bom uso dos recursos do erário. Mas para isso, seria necessária a existência de uma sociedade atenta e instruída o suficiente para executar essa observação e avaliar seus administradores. Não é o caso do Brasil, onde a grande maioria de seu povo só é capaz de observar e avaliar as táticas e desempenhos de técnicos e jogadores de futebol.
Em rápida viagem ao Rio Grande do Sul, me deparei nos intervalos comerciais das emissoras de televisão com propagandas institucionais que se encerram com a rápida exibição de um logotipo que me pareceu estranho. Trata-se da afirmativa de que o atual governo é de "todos pelo Rio Grande". Um bom slogan se não fosse pelo detalhe do posicionamento da letra "D", em cor de destaque, mas subposta de modo que pareça um "L".
A princípio, pensei ser somente um "defeito", um detalhe que havia passado despercebido aos criadores da peça e aos seus compradores - certamente a um bom preço.
Mas em uma ou duas notícias em que apareceram o inábil e incompetente ora empoleirado na chefia do poder Executivo gaúcho - seguindo uma constante nas últimas décadas nas quais o "povo mais politizado do mundo" primou por eleger e ser desgovernado por elementos da pior espécie, tendo este último, a atenuante de ainda não ter aparecido algum ato de desonestidade que o desabone - percebi que a tal letra se destaca quanto às letras "O" que a ladeiam, evitando o erro de interpretação citado.
Daí, ficou minha certeza de que o formato do primeiro logotipo citado não foi um equívoco, mas sim uma afronta ao governante e seus governados. Não fosse assim, não haveria a "correção" na imagem quando exibida na presença da autoridade ou de outros que pudessem perceber o desrespeito.
Ficam as dúvidas: 
- foi incompetência ou pirraça de algum funcionário da agência de propaganda??? 
- Foi pirraça ou incompetência do encarregado governamental pela verificação do trabalho antes de sua aprovação???
- Houve essa verificação???
E assim seguimos. Pagando - caro, muito caro - por propagandas governamentais em âmbito federal, estadual, municipal, e de empresas estatais que monopolizam suas atividades nada nos oferecem além de péssima prestação de serviços, arrogância e ameaças de aumento nas taxas e impostos.
Que não sirvam essas façanhas de modelo a poha alguma!!!
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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Sobre Grampos e Direito à Proteção

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A respeito da polêmica causada pela Operação Métis (vão meter em outro, tô fora!) da Polícia Federal, apesar do asco que tenho pelas figuras políticas envolvidas, gostaria de fazer algumas considerações gerais, usando a velha e batida "estória" de que "todos são iguais perante a Lei".
Pelo que está sendo noticiado, aparentemente Policiais Federais usaram Operações de Busca e Apreensão para, durante a execução das mesmas, instalar - com a devida autorização judicial - equipamentos de escuta em escritórios e residências de senadores investigados nos inúmeros procedimentos a respeito da roubalheira epidêmica que assola nosso país, a fim de obter provas contra os políticos.
Como os patifes investigados podem ser adjetivados de qualquer coisa, menos de ingênuos, usaram sua autoridade política para que tais equipamentos fossem localizados e/ou neutralizados. Esclareço que isto é uma inferência que faço a partir do noticiário divulgado.
E como foi feita essa localização das escutas eletrônicas? Por meio de inspeções técnicas efetuadas por membros da Polícia Legislativa do Senado Federal, denunciadas por um membro que não concordava com tais missões.
Antes de prosseguir, abramos um parêntese. O sigilo das comunicações individuais é um direito constitucional que só pode ser quebrado mediante determinação judicial. Obviamente, nenhum juiz comunica ao investigado que suas conversas telefônicas - ou feitas no interior de sua residência - serão ouvidas e gravadas. Entendo que a decisão dessa "invasão de privacidade" seja fundamentada pelo fato da "linha" telefônica (inclusive celular) ser uma concessão governamental, isto é, em última instância, administrada pelo Estado. Agora, imagine você, caro leitor, sua faxineira lhe apresentando um aparelhinho estranho que ela encontrou sob a mesa de sua sala ou você mesmo encontrar algo assim na cabeceira de sua cama. Ou, ainda, você simplesmente desconfiar (devido a algum peso na consciência) que está sendo vigiado eletronicamente. Que fazer? Chamar a polícia? Promover uma quebradeira nos móveis e paredes de sua moradia na procura de coisas estranhas? Contratar sigilosamente um especialista no assunto? E se você for um Senador da República com uma equipe de especialistas disponíveis para fazer esse trabalho especializado? Apresento essa hipótese com uma ressalva importante: a interceptação telefônica é feita nas centrais, pelas próprias concessionárias. Já a instalação de um dispositivo de escuta em sua moradia ou em seu local de trabalho, me parece uma simples agressão aos direitos constitucionais previstos no Art 5º da CF: 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; 
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

O fato de alguém ter capacidade de ouvir o que ocorre em seu domicílio, mesmo que por via eletrônica pode ser considerado similar a que esse mesmo alguém tenha penetrado no local?
Fechemos o parêntese e retornemos ao assunto inicial.
A existência de uma "polícia legislativa" não é novidade. Já nos idos de 1964 o STF, em sua Súmula 397, reconhecia essa capacidade congressual.
SÚMULA Nº 397, de 1964, do STF: O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito.
A princípio, andei comentando que o Art 144 da Constituição Federal relaciona os órgãos policiais brasileiros e não faz referência a "polícia legislativa", posteriormente, me dei conta de que o citado artigo trata de Segurança Pública.
Reza a Constituição Federal, em seu Art. 52, que compete privativamente ao Senado Federal:
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
Já a Resolução nº 59, de 5 Dez 2002, do Senado Federal, em seu Art. 2º afirma: 
§ 1º São consideradas atividades típicas de Polícia do Senado Federal: 
I – a segurança do Presidente do Senado Federal, em qualquer localidade do território nacional e no exterior; (...) 
III – a segurança dos Senadores e de servidores em qualquer localidade do território nacional e no exterior, quando determinado pelo Presidente do Senado Federal; (...)
Essas "competências" foram ratificadas pelo Ato do Diretor-Geral nº 1516, de 31 Mar 2005, que "Estabelece as competências da Secretaria de Segurança Legislativa do Senado Federal e das Subsecretarias e Serviços a ela subordinados". 
Art. 15 – Ao Serviço de Segurança de Dignitários compete executar o Plano de Segurança dos eventos oficiais no âmbito do Senado Federal; prover a segurança dos Senadores e autoridades brasileiras e estrangeiras nas dependências sob a responsabilidade do Senado Federal; prover a segurança dos Senadores e de servidores em qualquer localidade do território nacional e no exterior, quando determinado pelo Presidente do Senado Federal; dar cumprimento às determinações do Diretor da Subsecretaria de Proteção a Autoridades e executar outras tarefas correlatas.
Não quero prolongar este texto em demasia, assim, desejo expressar algumas inferências minhas.
1 - O conceito de "segurança", quando se trata de autoridades, abrange bem mais que a chamada "segurança física", indo até a segurança da imagem, da honra, etc, da pessoa protegida;
2 - Os "policiais legislativos" agiram no cumprimento de ordens recebidas, de acordo com a legislação que rege suas funções;
3 - Alega-se que foram executadas inspeções eletrônicas - utilização de pessoal e equipamentos públicos - em imóveis de um ex Senador, o que configuraria mau uso de recursos. Todavia, o ex Senador citado é, também, um ex Presidente da República que tem direito a segurança especial, a ser proporcionada pelo Gabinete de Segurança Institucional.
4 - Não foi citada na imprensa a ocorrência de danos a equipamentos de vigilância eletrônica que houvessem sido instalados nos locais inspecionados pela Polícia Legislativa, o que não exclui a possibilidade de que tais danos tenham ocorrido.
Onde quero chegar com toda essa conversa?
Sou um crítico das ações dos defensores dos Direitos Humanos na forma como ocorrem tais ações, sempre agredindo as ações policiais. Porém, isto não quer dizer que não deva haver alguma reação a efetivos abusos cometidos por agentes do Estado.
Mesmo se considerarmos os gastos de recursos públicos nas ações da Polícia Legislativa fora das dependências do Congresso Nacional, me parece ter havido exagero na prisão de agentes e do Chefe da Polícia Legislativa.  Alguém imagina que não há equipes realizando atividades semelhantes em outros órgãos governamentais? Se até grandes empresas possuem departamentos de segurança em suas estruturas, seria muita ingenuidade imaginar que a Polícia Legislativa seja uma exceção no país. 
Assim, me parece que a prisão dos funcionários do Congresso foi um tanto afoita e desproporcional.  
Se um Senador da República - e quero ressaltar novamente meu enorme desapreço pelos envolvidos no fato - não tem o direito de resguardar sua intimidade e vida privada, o que resta de direitos constitucionais ao cidadão comum? 
Ao fim, de tudo isto, penso que essa pantomima foi um "tiro no pé, (equivocado ou proposital) só servindo para reforçar os esforços de Renan Calheiros no sentido de colocar em pauta e aprovar a tal "lei contra os abusos de autoridade".
Recordem (confira na imagem no início) que a "denúncia" do servidor que serviu de estopim ao caso ocorreu em junho de 2016, mas a Operação Métis foi desencadeada agora, quatro meses depois. 
Analise os fatos sem considerar os envolvidos, imaginando que a "vítima" pode ser você (mesmo e principalmente se você nada teme porque nada deve) e responda: a quem interessa e a quem/o que favorece?
(Imagens copiadas da internet)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O Que Significa o Aumento de 5,5% nos Soldos dos Militares Federais?

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“Ao longo dos anos, os militares vêm em um contínuo e progressivo achatamento salarial, que, nos últimos tempos, alcançou níveis nunca dantes imaginados.”
(Relatório da Comissão Mista da Câmara de Deputados para apreciar a MP nº 215/2004)
Sete respostas, propostas 
por Synésio Scofano Fernandes

1. Significa a continuidade da perversa política de remuneração imposta aos militares federais desde 2004.
Em fevereiro de 2004, a remuneração média dos militares federais equivalia a 110% daquela da Administração Direta (categoria de detentores de cargos públicos com a pior remuneração em nível federal).
Em maio de 2015, essa relação passou a ser de 69,45%.
No que se refere a outras categorias de detentores de cargos públicos, em maio de 2015, a remuneração média dos militares federais correspondia a :
- 28,17% a do Banco Central;
- 30,01% a do Legislativo;
- 33,87% a do Judiciário;
- 37,36 % a do Ministério Público Federal.
Em 2003, as despesas com o pagamento do pessoal militar federal equivaliam a 1,16% do PIB; em 2014, essa relação passou a ser de 0,82% do PIB.
Como se observa, essa política vem impondo, progressivamente, por mais de uma década, aos militares, uma situação aviltante, sob o ponto de vista salarial. Não é um processo que decorra de dificuldades econômicas eventuais do país, mas eclodiu e progrediu em períodos de elevadas taxas de crescimento do PIB.
Portanto, não tem sentido altas autoridades afirmarem, por ocasião de aumentos salariais, que o reajuste concedido foi o possível de obter para os militares. Essa afirmativa tem sido proferida em todas ocasiões, mesmo naquelas em que diferentes setores dos servidores públicos obtiveram reajustamentos superiores a 70%, enquanto os militares obtinham 15%.
No período de 2004 a 2014, os Militares Federais tiveram um aumento cumulativo de 130%, enquanto a Administração Direta, categoria de servidores federais com a pior remuneração, foi aumentada em 225%. Nesse mesmo período, a remuneração média dos Militares Federais aumentou 18,20% acima da inflação acumulada, a dos Servidores Civis em geral cresceu 62,00% acima do índice inflacionário e a da Administração Direta 95%.
O que se constata, na verdade, é a falta de interesse e de uma vontade determinada para superar a iníqua situação remuneratória dos militares, que se evidencia e se aprofunda a partir de 2004.
Sem que exista uma censura efetiva, a remuneração dos militares assumiu as condições de um tema interdito, sobre o qual não se deve falar nem perguntar.
Um assunto incômodo, possivelmente, pela sua permanência na agenda de problemas não resolvidos, pela sua prioridade, pelo impacto que causa na vida do soldado.
Mas, talvez, esse desconforto possa ser superado pelo esclarecimento, pelo debate, pelo convite a uma ação decidida e imediata.
O descaso com que o assunto da remuneração dos militares vem sendo tratado, nesses últimos anos, pelos setores da administração pública responsáveis pelo tema, se apresenta quando se faz um retrospecto das circunstâncias e dos documentos produzidos por ocasião dos estudos e das deliberações que redundaram nos últimos seis reajustes salariais concedidos aos militares federais.
Assim, por ocasião da apreciação da MP nº 215, de 16 Set 2004, que redundou na Lei nº 11.008 de 17 Dez 2004, de conversão da referida MP, a Comissão Mista, instaurada na Câmara dos Deputados, referiu-se ao problema, no seu Relatório, da seguinte forma :
Os níveis remuneratórios dos militares federais, consideradas as características peculiares da profissão, a natureza de suas atribuições e o quadro geral de remuneração do serviço público federal, são, sem dúvida, insatisfatórios. Ao longo dos anos, os militares vêm em um contínuo e progressivo achatamento salarial, que, nos últimos tempos, alcançou níveis nunca dantes imaginados”.
No entanto, naquela oportunidade, em setembro de 2004, as autoridades responsáveis pelo assunto alegaram que o exíguo 10% concedido de aumento decorria das “possibilidades orçamentárias” do momento.
Portanto, era reconhecido o “achatamento salarial”, mas a providência para superar essa disfunção limitava-se a conceder 10% de acréscimo nos valores dos soldos.
O valor do PIB, em 2004, em reais correntes, era de 1,958 trilhão.
Em 24 Nov 2005, após um longo debate sobre as possibilidades de conceder um reajuste remuneratório aos militares federais, que realmente reparasse a degradante situação salarial existente, a Lei nº 11.201 aumentou os valores dos soldos em 13%.
Naquela ocasião, já na fase final dos debates, o então Ministro da Fazenda, em reunião conjunta com o Ministro da Defesa, o Ministro do Planejamento e os Comandantes das Forças disse, dirigindo-se aos Comandantes, “Meus senhores, o governo só pode conceder, ao pessoal da tropa e para os postos mais elevados, uma gratificação”. Proposição completamente extemporânea aos estudos realizados. Incontinenti, o Comandante da Marinha, respondendo ao Ministro da Fazenda, disse: Se os senhores assim decidirem, podem escolher, agora, outro Comandante da Marinha, pois eu não darei essa notícia ao meu pessoal. Imediatamente, os outros Comandantes, igualmente, se posicionaram.
A reunião foi suspensa e dias depois estava sendo dado o aumento linear de 13%, ainda, muito aquém do que o necessário para superar o referido “achatamento salarial”. O motivo alegado para tão modesto índice foi a indisponibilidade de recursos.
O episódio retratou, com exatidão, o descaso com que tão sensível assunto é encarado pelas mais altas autoridades, pois a solução proposta, que agredia aspectos fundamentais da ética militar, nunca havia sido considerada pelas Forças, mas poderia funcionar como um “cala a boca”, um ludibrio.
Retratou, também, a repulsa à uma proposição, que, embora satisfizesse ao critério de provocar o menor impacto orçamentário possível, estaria além dos limites da moralidade, pois os militares não poderiam aceitar uma solução que privilegiasse os segmentos mais elevados da estrutura hierárquica, em detrimento dos demais postos e graduações. Ainda mais, balizou aquela linha de conduta que não pode ser transgredida e tem de ser reafirmada com atos e palavras, para que seja evidente.
Os militares federais não dispõem de sindicatos, que, na atual configuração da nossa sociedade, defendem os interesses e apresentam as reivindicações dos diferentes setores laborais.
As condições para o exercício da atividade militar, aquelas condições referidas à dignidade do homem, do soldado, a sua remuneração, a sua saúde, o seu bem estar pessoal e o da sua família, enfim, a sua proteção social são garantidas pela cadeia de comando.
Esse papel de garantidor da proteção social do soldado impõe à liderança militar um conjunto de obrigações e de exigências, dentre as quais a de velamento pela existência e efetividade dessas condições.
Em 2005, o valor do PIB, em reais correntes, era de 2,171 trilhões.
Em 29 Jun 2006, foi editada a Medida Provisória nº 306, convertida pela Lei nº 11.359, de 19 Out 2006.
Por esses diplomas legais, foi concedido 10% de aumento nos valores dos soldos.
O valor do PIB, em reais correntes, em 2006, era de 2,400 trilhões.
A Medida Provisória nº 431, de 14 Maio 2008, convertida pela Lei nº 11.784 de 28 Set 2008, retomou, na área militar, o procedimento de conceder aumentos remuneratórios parcelados.
Por esse procedimento, em um mesmo diploma legal, são concedidas várias parcelas de aumentos, em um exercício financeiro ou em vários anos. Essa maneira de tratar a questão traz para o servidor expressivas perdas.
Primeiro, no aspecto comunicacional, é enfatizada a soma total das parcelas concedidas, de modo que o impacto de um número diminuto (de uma parcela) é absorvido pela percepção da grandeza do todo.
Depois, ocorre um certo esvaziamento das reivindicações em decorrência da garantia de ganhos futuros. Constata-se uma acomodação das expectativas.
Ainda mais, as parcelas concedidas por diplomas legais, mas a serem efetivadas em um futuro, inibem a postulação de novas parcelas fora do programa estabelecido, que, na maioria das vezes, em um cenário inflacionário, como o atual, não contabiliza as perdas decorrentes do processo inflacionário.
Em 2008 foi editada a MP nº 431 que estabeleceu sete parcelas de aumentos, de janeiro de 2008 a julho de 2010, variando, em média, de 3,65% a 10,00%, com um valor total, nos três anos, de 30%.
O então Ministro da Defesa disse que “O aumento foi de acordo com as possibilidades do Estado.
Os valores do PIB em reais correntes eram :
 - em 2007, de 2,718 trilhões;
 - em 2008, de 3,107 trilhões;
 - em 2009, de 3,328 trilhões;
 - em 2010, de 3,886 trilhões.
 Em agosto de 2011, os Comandantes das Forças encaminharam, aos escalões superiores, estudo que propunha um aumento nos valores dos soldos dos Militares Federais de 47,15%, a ser concedido em um exercício financeiro.
Essa proposta tinha em vista equiparar a remuneração dos Militares Federais à da Administração Direta – categoria com a pior remuneração em nível federal.
Após um ano de avaliações, a Lei nº 12.778, de 28 Dez 2012, concedeu, aos militares federais, aumento remuneratório, em três parcelas anuais, aproximadas, de 9,16%.
O então Ministro da Defesa, na ocasião, disse que: “Na atual situação econômica foi o que pudemos dar”.
Os valores do PIB, em reais correntes, eram :
 - em 2011, de 4,375 trilhões;
 - em 2012, de 5,316 trilhões;
 - em 2013, de 5,316 trilhões;
 - em 2014, de 5,521 trilhões.
Agora, por intermédio da Mensagem nº 613, de 30 Dez 2015, o Executivo remeteu, ao Congresso Nacional, o PL nº 4255/2015 alterando os valores dos soldos dos Militares Federais.
Pela proposta, é concedido, em agosto de 2016, o aumento de 5,55% nos valores dos soldos. O Projeto também prevê outras parcelas, de 6,59% em 2017, de 6,72% em 2018 e de 6,28% em 2019.
Como se constata, os percentuais concedidos se situam em torno do limite superior (6,5) das metas de inflação estabelecidas para os dez últimos anos (2005-2015). Ocorre no entanto que, na realidade, a inflação efetiva (IPCA) de 2015 alcançou 10,67, ultrapassando, em muito, o limite superior da meta. Portanto, mantidas as atuais condições (IPCA próximo a 10,00), as parcelas de aumento previstas para 2017, 2018 e 2019 não corresponderão aos seus valores presentes, em conseqüência, o poder de compra das remunerações decairá com o tempo.
Assim, considerando-se a previsão (muito conservadora) de que a inflação efetiva alcance o modestíssimo índice de 6,00% nos anos de 2017, 2018 e 2019 e a inflação de agosto a dezembro de 2016 fique em torno de 3,68 %, teremos uma inflação acumulada, no período de agosto de 2016 até dezembro de 2019, de aproximadamente 23,48%, muito próxima do limite estabelecido na EMI nº 00507/2015 MD MP, de 30 Dez 2015, para a expansão da folha de pagamento dos Militares das Forças Armadas prevista para o período (25,50%).
Desse modo, fica claro que o aumento concedido decorre da intenção de corrigir a inflação que supostamente deverá ocorrer a partir de 1º de agosto de 2016. Em dezembro de 2019, se tudo acontecer de acordo com os índices imaginados, as remuneração dos militares estariam protegidas nos seus valores reais imaginados para agosto de 2016. É preciso, notar, no entanto, que os aumentos foram anunciados em dezembro de 2015, para serem efetivados em agosto de 2016. A inflação que ocorrerá nesse período, pela metodologia estabelecida, deverá se ajustar ao número 2,02% (25,50%-23,48%).
Por que essas minúcias estão sendo examinadas ?
Porque nesses números, nas intenções que os produziram está amparada uma questão moral.
O que foi dito? O que foi amplamente anunciado ?
Que estava sendo concedido um reajuste médio de 27,50% “tendo em vista a necessária valorização das Forças Armadas e as limitações impostas pelo cenário fiscal.
Os Militares Federais não foram valorizados, ao contrário, estão perdidos na decepção da hipocrisia cometida. As esquálidas parcelas anuais, com precisão decimal, não nasceram do interesse “em valorizar”o homem, o soldado brasileiro.
A valorização moral, afetiva, psicológica não pode ser reduzida a decimais.
O que, realmente, originou o parcelamento e a constituição das parcelas foi o interesse em controlar a expansão das despesas com o pagamento dos militares, um controle, que deveria parecer positivo (valorizar as Forças Armadas), mas, ao mesmo tempo, evitasse “o exagerado”, que os militares conseguissem sair do “arrocho salarial”, como a Câmara dos Deputados assinalou.
Pois é, exatamente, esse ludibrio, que encobre a mentira do reajuste de dezembro de 2015, o motivo da indignação de todos atingidos por essa manobra que sempre se repete: em 2004, em 2005, em 2006, em 2012, em 2015.
Interessante observar, quanto a esse aspecto, é a afirmação da Exposição de Motivos, que acompanha o PL nº 4255/2015, sobre o limite de expansão da folha de pagamento dos Militares Federais em 25,50% até 2019. Quer dizer, não se pretende corrigir o “achatamento salarial”, mas garantir um limite de crescimento da “folha de pagamento”, algo em torno de 6,00% (o limite superior da meta inflacionária) anuais.
Essa iníqua situação salarial dos militares só poderá ser superada quando for enfocada particularmente e fora de iniciativas que visem a conceder reajustamentos gerais que atendam a variadas categorias do setor público.
A EC nº 18, quando passou a denominar os integrantes das Forças Armadas de Militares e os retirou da classificação prevista na então Seção III (Dos Servidores Públicos Militares), do Capítulo VII, do Título III, colocando-os no artigo 142 do Capítulo II (Das Forças Armadas) do Titulo V, inviabilizou, no que se refere aos militares, os efeitos do inciso X do artigo 37 da CF, quando diz que à remuneração dos servidores públicos é “assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices.”
No entanto, o que tem ocorrido?
As remunerações dos Militares (que não são servidores públicos), nesses últimos anos, têm sido corrigidas no contexto dos reajustes dos servidores públicos (“revisão geral anual”), “na mesma data”e, quase exatamente, no mesmo índice (“sem distinção de índices”).
Ora, nos onze anos que separaram 2003 de 2014, não ocorreu nenhuma iniciativa realmente eficaz para corrigir essa grave disfunção; muito embora o PIB fosse ascendente e algumas categorias de detentores de cargos públicos tivessem, no período, aumentos cumulativos maiores do que o dobro dos concedidos aos militares federais.
O que realmente aconteceu ?
Desculpas, explicações risíveis: “no momento foi o possível de conceder aos militares” enquanto o PIB evoluía de R$1,72 trilhão para R$ 5,52 trilhões.
Agora, os militares, para se equivalerem, sob o ponto de vista remuneratório, à categoria de servidor com a pior remuneração, em nível federal, necessitam de um aumento de, aproximadamente, 50%, nos valores dos soldos, a ser concedido em um exercício financeiro, de acordo com os dados do Boletim Estatístico de Pessoalnº 225, de Janeiro de 2015, página 42, do MPOG.

2. O aumento de 5,5% significa que, em agosto de 2016, 50% dos:
- Generais de Brigada terão um aumento de R$ 699,51 nas suas remunerações líquidas;
- Coronéis do EB terão um aumento de R$ 508,74 nas suas remunerações líquidas;
- Capitães do EB terão um aumento de R$ 352,10 nas suas remunerações líquidas;
- Subtenentes do EB terão um aumento de R$ 210,96 nas suas remunerações líquidas;
- Segundos–Sargentos do EB terão um aumento de R$ 141,31 nas suas remunerações líquidas.
(Dados de dezembro de 2015)
É preciso considerar que o poder de compra desses números se referem aos valores presentes em janeiro de 2016, sem considerar a inflação futura de dezembro de 2015 a agosto de 2016.

3. Significa que o Estado Brasileiro retribui os serviços prestados pelos seus soldados com quantias muito abaixo dos níveis daquela categoria com a pior remuneração em âmbito federal.
Que essa retribuição remuneratória é um indicador importante da percepção que os responsáveis pela administração pública no Brasil têm do soldado brasileiro.

4. Significa que a remuneração indigna recebida pelo soldado é um estímulo aversivo, que atua negativamente sobre as suas atitudes e os seus comportamentos, minando a vontade, os interesses e toda a constelação dos atributos afetivos do homem.
Nenhuma exortação, nenhum procedimento das ditas “ações de liderança” poderá se sobrepor à percepção do soldado de si mesmo, quando constata, na sua realidade, que o tratamento que recebe é o mais depreciado entre todos os agentes do Estado.

5. Que não será possível construir e manter Forças Armadas capacitadas, motivadas e criativas sem que o militar, individualmente, perceba a si mesmo como um ente digno, útil e valorizado.
Um dos fatores fundamentais para a construção dessa consciência reside na retribuição remuneratória, que reforça o poder motivador dos estímulos auto compensatórios.
A questão da recompensa salarial dos militares não é, apenas, um elemento a ser considerado nas questões técnicas da elaboração orçamentária, evidentes em expressões tais como: “foi o possível de obter para os militares”. Transcende, em muito, essa visão econômica–financeira, contábil e reducionista. Essa questão, de amplitude e profundidade muito maiores, diz respeito à ideia da sociedade que pretendemos construir, ao nosso futuro de um país continental e livre (se ainda for possível manter essa continentalidade e a nossa liberdade).
Como não perceber o delírio de almejar sistemas de armas sofisticados, de desenvolver projetos de alta tecnologia, de considerar a possibilidade de manter políticas de projeção de poder, quando os agentes da utilização dessas armas e os sujeitos da concepção desses projetos e dessas políticas são os mais desvalorizados nas suas retribuições salariais ?

6. Significa que não há um interesse determinante, uma vontade decisiva para resolver tão grave problema, que se arrasta por mais de uma década.
Nesses últimos anos, todos os reajustes salariais concedidos aos militares federais foram irrisórios e acompanhados de justificativas risíveis.
Como aceitar as permanentes alusões à insuficiência de recursos, quando outras categorias de detentores de cargos públicos obtêm reajustes expressivos, quando a realidade com que nos deparamos na gestão e na probidade da aplicação dos recursos públicos é deprimente.
Apesar das inúmeras análises pormenorizadas, baseadas em índices divulgados por entidades oficiais, que apontam, sob variados aspectos (PIB, Despesas Primárias da União, índices inflacionários, comparações das remunerações médias per capita e dos dispêndios anuais com o pagamento de diferentes categorias do servidor público) para uma situação salarial degradante em que um Oficial do mais alto posto percebe menos que um Técnico da Polícia Civil dos Ex-Territórios do Acre, Amapá, de Roraima e Rondônia; um Capitão tem uma remuneração bruta mensal menor do que a de um Agente Penitenciário Federal; 50% dos Segundos Sargentos do Exército tem uma remuneração líquida menor que R$ 2.770,00 e 50% dos Terceiros Sargentos do Exército uma remuneração líquida menor que R$ 2.790,00. Apesar dessa situação calamitosa, que se desenvolve por mais de uma década, nenhuma medida efetiva foi realmente tomada, os reajustes concedidos, como já se viu foram irrisórios.
Mas, desconhecendo essa realidade desoladora, insistentemente descrita, setores da administração pública federal ampliam as suas atuais preocupações relativas à remuneração dos militares federais para o seu Sistema de Proteção Social. Pretendem conceber mecanismos para usurpar, ainda mais, os direitos remuneratórios dos militares, que, recentemente, já foram subtraídos de importantes parcelas compensatórias às características da atividade militar em troca da manutenção das regras da paridade e da integralidade.
De modo que se observa um movimento estranho em que, antes mesmo de serem completadas as conseqüências das medidas preconizadas na MP nº 2215/2001 e na Reforma da Previdência Social de 2003 já se especulam novas alterações nos procedimentos acordados.

7. Significa que os militares federais não estão sendo valorizados e que as suas lideranças não são levadas em conta.
Alguém desconhece essa realidade ?
Realidade perversa que vem sendo construída ano a ano.
Pois é a realidade vivida pela Família Militar, de dedicação irrepreensível ao Exército e ao Brasil.
Brasília, 3 de fevereiro de 2016
Synésio Scofano Fernandes
é Gen Div Refo do Exército
Recebido por correio eletrônico
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Cai Mais Uma Engambelação

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Governo vai 'terceirizar' financiamento do Minha Casa Minha Vida em 2016
Uma das vitrines eleitorais do governo Dilma Rousseff, programa sofreu cortes e só vai continuar no próximo ano por causa dos recursos do FGTS; Pronatec também deve usar verba privada.
As duas principais vitrines eleitorais do governo Dilma Rousseff, o Minha Casa Minha Vida e o Pronatec, deixarão de ser bancadas com recursos do Tesouro Nacional em 2016.
De todas as receitas previstas para o Minha Casa Minha Vida no próximo ano, 90% deverão vir do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), fonte de recursos formada com os 8% descontados todo mês dos salários de cada trabalhador com carteira assinada. Não são, portanto, recursos públicos.
"O governo pediu uma intervenção no Minha Casa Minha Vida. Agora quem paga esse programa são os trabalhadores brasileiros e isso tem de ficar claro para a população", diz Luigi Nese, representante da Confederação Nacional de Serviços (CNS) no conselho curador do FGTS. O órgão, cuja metade dos membros é indicada pelo governo, aprovou o repasse, em setembro, até para obras em andamento, com o argumento de que era preciso salvar os empregos da indústria da construção.
Ajustes - A previsão inicial do orçamento de 2016 para o Minha Casa Minha Vida era de 15,5 bilhões de reais. Mas o forte ajuste nas contas públicas levou governo e Congresso a passarem a tesoura em 8,6 bilhões de reais. Com isso, sobraram apenas 6,9 bilhões de reais. Se o MCMV contasse apenas com esses recursos, haveria um redução forte no ritmo de execução das obras e adiamento de novas contratações - como de fato ocorreu este ano.
A salvação do programa, que é chamariz para o governo em ano de eleições municipais, foi recorrer ao FGTS. O orçamento aprovado do fundo para o MCMV em 2016 é de 60,7 bilhões de reais. Até este ano, o FGTS só era usado no programa para bancar descontos e juros subsidiados dos financiamentos de famílias com renda de até 6,5 mil reais - as chamadas faixas 2 e 3.
Agora, porém, o Fundo passou a arcar com as obras das moradias direcionadas às famílias com renda mais baixa, de até 1,8 mil reais mensais. Nesse caso, porém, os recursos são aplicados a fundo perdido, ou seja, não voltam para o fundo. Para 2016, foram aprovados 4,8 bilhões de reais para pagar as casas destinadas a esse público de baixa renda. O conselho curador autorizou o FGTS a custear até 60% do valor do imóvel em 2016 - o limite é de 45 mil reais por moradia. Também foi criada uma nova faixa, batizada de "faixa 1,5" com recursos do FGTS. Famílias com renda mensal de até 2.350 reais terão subsídios de até 45 mil reais na aquisição do imóvel com juros de 5% ao ano.
Pronatec - Outra vitrine eleitoral do governo que deve usar recursos privados é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), voltado para o ensino técnico e profissional. Dilma prometeu, durante a campanha, que abriria 12 milhões de novas vagas no programa. Com os cortes no Orçamento, o governo, depois de eleito, diminuiu a meta para 5 milhões.
O Pronatec teve as receitas, formadas por recursos públicos, cortadas pelo Congresso de 4 bilhões de reais em 2015 para 1,6 bilhão de reais em 2016.
Está praticamente certo que boa parte do programa será bancada pelo Sistema S, mas o valor ainda não foi definido. Para isso, o governo vai reduzir a parcela da contribuição que as empresas são obrigadas a fazer para essas entidades, que incluem SESI, SENAI, SENAC e SEBRAE, para destinar a diferença ao Pronatec. Atualmente, as alíquotas variam de 0,2% a 2,5% do faturamento. Se a redução for de 20% a 30%, a perda para as entidades ficará entre 5 bilhões de reais e 6 bilhões de reais.
Bolsa Família - Apesar das ameaças, o Bolsa Família saiu ileso dos cortes nos programas sociais em 2016. O orçamento de 28 bilhões de reais do programa de transferência de renda foi mantido à custa da redução da meta fiscal do governo - de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para 0,5%. Essa foi uma das derrotas que pavimentaram a saída do ministro da Fazenda Joaquim Levy, que defendia a manutenção da meta.
Fonte:  Veja - Economia
COMENTO:  é o projeto da quadrilha ora empoleirada no governo se realizando, conforme os objetivos do socialismo/comunismo determinados pelo Foro de São Paulo. É a concretização da velha cantilena de dividir a riqueza, com a variante de não tocar no vil metal da cumpanherada que os apoia. Ou seja, a riqueza dos grandes empreiteiros e empresários, além dos bancos e banqueiros, continua intocável. Por enquanto, vamos desmantelando a "zelite" que se denominava classe média. Esses infelizes que trabalham e produzem e "se acham" burgueses. 
Não bastou destruírem os fundos de pensão dos Correios, do Banco do Brasil e da Petrobrás  - aquela grana que esses safados proletários com jeito burguês mantinham para garantir sua boa vida depois que parassem de produzir (não sem a concordância de boa parte dos contribuintes desses fundos que aceitaram colaborar com os "cumpanhêrus" em prol das mudanças que seriam implantadas rumo ao socialismo). Agora, avançam rumo ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) - esse entulho autoritário, criado por aquele General golpista, sem pescoço, em 1967. Tal fundo já estava sendo atacado ao receber como remuneração 3% anuais, mais a Taxa Referencial, valor muito abaixo da inflação atual. Assim, o golpe de misericórdia contra o FGTS será essa destinação de seus recursos para um programa de governo cujo retorno financeiro, em época dita normal, é vago. Em época de crise econômica, como se configura 2016, tal retorno pode ser inviável.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O Que Deu do Caso "Maju"?

Em julho deste ano se tornaram notícia nacional as ofensas raciais sofridas pela jornalista Maria Julia Coutinho, carinhosamente apelidada de “Maju”, postadas na página do Facebook do Jornal Nacional:
A jornalista Maria Júlia Coutinho foi alvo de comentários racistas na página do Jornal Nacional no Facebook, em post publicado na noite de quinta-feira (...) Alguns internautas escreveram comentários racistas no post que tem uma foto de Maju ...” (G1 – 03/07/2015).
Uma horda saiu em defesa da jornalista. Novamente palavras como “racismo”, “preconceito”, “injuria racial”, “reparação social” e outras mais, foram compartilhadas centenas e centenas de vezes. Mais uma vez, foi dito que a sociedade brasileira é uma sociedade racista e que os negros precisam de maiores proteções legais contra esses tipos de agressividade cibernética.
Pois bem, vamos a fundo nos fatos. O que deu do caso “Maju”?
Diante da comoção de parcela da sociedade e, tendo em vista, ser uma “global”, o poder público precisava dar uma resposta à altura. Foi o que aconteceu. O Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO – Ministério Público) criou a “Operação Tempo Fechado”, disponibilizando mais de 50 Promotores de Justiça de todo o Brasil para esclarecer as circunstâncias e autor (es) do crime, visando buscar e punir os envolvidos.
Após, aproximadamente, quatro meses de investigações, a quais conclusões chegaram? É aqui que as coisas começam a ficar interessantes e a realidade supera, em muito, a ficção.
As investigações levaram a Érico Monteiro dos Santos, 27 anos. Érico, jovem negro do interior de São Paulo, declarou ser administrador de um grupo que usava de falsos ataques racista para angariar fama à si. Os ataques eram sempre direcionados a pessoas conhecidas, tendo em vista que, dessa forma, a repercussão seria maior.
De acordo com Santos, os grupos atuam a partir de uma dinâmica de disputa e competição. Quanto maior for a atenção midiática e o número de curtidas e compartilhamentos dos ataques, maior é o prestígio entre os "rivais (...) ‘Eles querem notoriedade, competem entre si e agem como gangues de pichadores, em que uma quer sempre aparecer mais do que a outra’, afirma o promotor.” (BBC-Brasil – 10/12/2015)
Apesar de Érico ter negado as acusações, também foram encontradas fotos de nudez infantil em seu celular. Quando questionado sobre o conteúdo impróprio, disse que seria usado para lançar ataques contra seus inimigos virtuais. Essas fotos seriam postadas em suas páginas, como se de autoria deles, fazendo que as respectivas fossem bloqueadas e os mesmos respondessem judicialmente. Tudo “fake”. (G1 – 11/12/2015)
Ou seja, era tudo mentira, não existia racismo... Não existia pornografia infantil... Os ataques não eram verdadeiros... Era tudo mentira visando causar comoção social... “compartilhamentos”... Reportagens... Nada era verdade... Era tudo “fake”! A realidade superando a ficção.
E, aqui está o ponto de inflexão de minhas considerações: por que um jovem negro faria falsas ofensas raciais à uma jornalista negra? Por que usaria de falsos ataques racistas à uma personalidade de destaque? Por que usar de pornografia infantil falsamente para detratar seus adversários virtuais? Tudo “fake”!
A priori, como o próprio acusado declarou, era tudo uma questão de guerra entre grupos virtuais, para saber quem angariaria mais fama. Mas será que era só isso? Sim. Na visão do acusado, pode até ser que sim. Entretanto, não quero permanecer só na superfície da notícia, quero ir além. A quem mais interessaria essas circunstâncias?
Sabemos que pornografia infantil, ataques racistas e homofóbicos às personalidades de destaque, geram clamor social. Artistas saem em defesa dos ofendidos. A mídia expõe os “fatos” em suas “primeiras páginas”. A sociedade pede rigor na punição dos envolvidos. E, quando se trata da internet, logo aparece alguém dizendo que a internet é um lugar livre demais, que é necessário maior regulação. Mais “marcos civis da internet”. E, o cidadão, diante do caos “fake”, anui, considerando ser necessárias leis mais rígidas e maior controle para punir os envolvidos.
Mas quem ganha com isso?  O Estado.
Por meio de um ato de mentira o Estado ganha mais poder. Você me pergunta, como? A partir de mentiras, haverá novas leis, que nos regulamentarão ainda mais. Agora novas delegacias são criadas. “Delegacias de Crimes Virtuais”. Mais policiais, mais aparato repressor. Mais dinheiro, do contribuinte sendo gasto. Mais impostos. Menos dinheiro sobrando aos cidadãos. O Estado cada vez maior. Uma máquina burocrática gigantesca.
Cada vez mais Estado, menos liberdade. Cada vez mais o Estado se intrometendo na vida e liberdade individuais. Cada vez leis mais intrusivas. A ponto de o Estado ditar se podemos ou não disciplinar nossos próprios filhos, por meio de uma “Lei da Palmada”. Mais controle. Algumas décadas atrás isso seria um absurdo. Hoje, somos lenientes com este tipo de poder avassalador.
O pensamento do homem moderno se resume da seguinte forma: “Um errou, todos pagam”. Não ignoro que haja crimes sendo perpetrados na internet, mas não sou leniente com o discurso que em face do erro de um, todos devem ser punidos. É o que está acontecendo. O criminosos estão usando o Whats, ele é bloqueado. Pessoas cometem crimes virtuais e minha liberdade é cerceada. Onde isso vai parar? Já há instrumentos para investigar, prender e punir os envolvidos em crimes virtuais, não há a necessidade de novas leis mais controladoras que venham à afetar inocentes que não tem nada a ver com isso. Que façam uso delas, não tenho nada a ver com isso. Minha liberdade foi algo conquistado com luta e sangue ao longo de muitos séculos, para ter de vê-la sendo demolida pelo Estado moderno.
O homem moderno no afã de resolver seus problemas, pede mais soluções ao Estado. O Estado em sua sanha dominadora concede-lhe. O homem moderno “incapaz”, pedindo mais “cuidado” ao seu Estado-babá.
Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado”.
Isso não é novo. Para àqueles que já estudaram teoria do poder, dentro de ciências políticas, sabem que desde Lenin isso já é falado: “Fomente o caos e depois denuncie-o”. “Gere crises e aufira os ganhos decorrentes delas.” Consiste em criar o “caos”, deixar que as pessoas peçam ajuda e depois criar instrumentos que darão mais controle sobre a sociedade. Isso é velho, mas, incrivelmente, no Brasil, a grande maioria das pessoas nunca ouviu falar.
Esse é um princípio imanente à sociedade moderna. Perceba o que aconteceu nos Estados Unidos após o 11 de setembro. Nunca ninguém havia ouvido falar da Nacional Security Agency (NSA). Após o caos, em forma de terror, ter sido espalhado, milhões de americanos se dispuseram à abster-se de suas liberdades individuas em troca de uma maior “segurança”. O que aconteceu? A NSA se tornou o maior mostro na questão de espionagem que já se teve notícia. “Grampos” para todos os lados. Telefones, computadores, pessoas, veículos... Todos, de aliados a inimigos sendo monitorados. Até os neutros, como o Brasil. A partir do caos, mais poder ao Estado que tudo quer ver, tudo quer ouvir, tudo quer saber.
Por fim, o “Big Brother”. E, não, eu não estou falando do programa de televisão.
“Dividir para conquistar”. Essa é a estratégia do Estado socialista moderno. Negros contra brancos, pobres contra ricos, nordestinos contra paulistas, héteros contra gays, o “terceiro mundo” contra o “primeiro”: o “imperialismo”, os “yankees”, etc. Mas no fim das contas, quando esses grupos clamam por mais proteção, quem ganha é sempre o Estado. Cada vez mais dominante, imiscuindo-se na vida privada, nas relações sociais, com legislações cada vez mais intrusivas. Cada vez mais poderoso em face de um cidadão que clama, cada vez mais, por proteção estatal, sem saber que esse é o estratagema no qual está sendo engodado.
Parafraseando Stálin: “Aos burgueses devemos dar-lhes a corda, que farão o laço, com o qual se enforcarão”. Quando todas essas leis e controles começarem a, desgostosamente, nos afetar; lembremos que, fomos nós mesmos que pedimos.
"O Grande Irmão está te observando"
 (George Orwell)
 Geyson Santos é Bacharel em Direito,
 Servidor Público e Pesquisador Independente.
Fonte:  JusBrasil
COMENTO: gostei do texto, e lendo os comentários na publicação original - e uma das respostas do autor - penso que ele evitou propositalmente fazer referência à denominada Militância em Ambientes Virtuais (MAV), criada no Congresso do PT de 2011 para não comprometer-se. Quem quiser saber mais sobre o assunto, há um texto do sociólogo Demétrio Magnoli publicado originalmente na Folha, mas que também pode ser lido aqui, ou clicando na imagem, abaixo. Já me referi a esse pessoal no blog, denominando-os de beneficiários da "bolsa-web" em 2013 e em 2014.  Afinal, como se pergunta nas investigações: a quem interessa o crime? É muita ingenuidade acreditar que se trata de simples disputa entre "grupos em busca de notoriedade". 
Imagem do blog Força Militar
O "ato falho" da confissão de uso de pornografia infantil contra adversários indica muito mais do que disputas por audiência. A repetição dos "ataques racistas" coevos a eventos cuja ênfase em sua divulgação não interessa ao atual governo (dizem que Maju é esposa de um diretor da Pepper, agência envolvida no Petrolão; a Thaís Araújo e a Cris Vianna foram ofendidas na época da prisão do senador Delcídio; e depois, a Sheron Menezes foi atacada quando da formalização do pedido de impedimento presidencial). Esperemos que estes outros fatos também tenham seus autores identificados e devidamente punidos, e que não surjam atos de extrema bondade das ofendidas para com seus ofensores. Como li em um comentário a respeito do assunto, se a coisa seguir esse ritmo, com tanta patifaria para ser abafada, vai terminar sobrando até para a Tia Anastácia da versão original do Sítio do Pica-pau Amarelo.
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