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domingo, 2 de março de 2025

Simplesmente Brilhante

Trump Foi Simplesmente Brilhante
Se você criticou o “jeito” de Trump sem entender a complexa arte da negociação, pare agora e apague o que escreveu — caso contrário, só estará expondo sua ignorância.
Se você não tem um MBA ou sequer um curso básico de Negociação Estratégica, você é a última pessoa que deveria opinar sobre o assunto. 
Trump, por outro lado, já negociou centenas de vezes ao longo da vida, tem formação sólida e até escreveu The Art of The Deal. Ele sabe que uma boa negociação não pode ser um jogo de soma zero, precisa ser um ganha-ganha, pois, do contrário, o acordo jamais será cumprido.
Zelensky, um comediante sem experiência real em negócios ou diplomacia, não percebeu o que estava acontecendo. Trump estava articulando um substituto para a OTAN, garantindo a segurança da Ucrânia sem amarrar os EUA em um conflito sem fim. 
O acordo comercial que poderia ter sido assinado ontem mesmo foi sabotado por Zelensky, que na última hora tentou incluir novas exigências. Esse erro fatal jogou fora uma oportunidade histórica. 
Enquanto a esquerda acredita no mantra ingênuo de “faça amor, não a guerra”, a direita pragmática segue o princípio de “faça comércio e evite a guerra”. 
Quer um exemplo? Taiwan não foi invadida pela China porque os Estados Unidos dependem economicamente da ilha. Mas a Ucrânia? Para os EUA, sua relevância estratégica é mínima. 
Trump iria substituir OTAN pelo próprio interesse dos Estados Unidos, (não mexam com nossa parceira a Ucrânia), mas Zelensky não percebeu. 
Em vez de aceitar o tratado comercial e garantir a estabilidade do seu país, Zelensky já de início atacou Trump e Vance, acusando-os de não pensarem no povo ucraniano. 
Foi nesse momento que Trump e Vance perceberam que estavam sendo usados. 
Trump também sabe algo que muitos parecem ignorar: a Rússia tem armas nucleares. E um conflito prolongado com Moscou poderia levar a uma Terceira Guerra Mundial, com ogivas voando para todos os lados. 
Zelensky, por sua vez, reagiu com alarmismo, dizendo que Putin não pararia na Ucrânia e que Polônia e Dinamarca seriam os próximos alvos. Claramente, não fez sua lição de casa. Assim como muitos de vocês que repetem esse argumento sem nunca terem lido Alexander Dugin, o principal ideólogo de Putin. Dugin não quer reconstruir a URSS, ele quer reunificar os russos étnicos, muitos dos quais estão na própria Ucrânia. 
Trump e Vance ficaram furiosos. Eles estavam oferecendo uma saída para Zelensky, uma oportunidade para negociar sem ser responsabilizado pelas 45.000 mortes ucranianas e os 360.000 feridos. Zelensky poderia ter saído ileso. “Foi Trump que me obrigou a ceder a Putin, não eu.” 
Os jornalistas, previsivelmente, não entenderam nada do que aconteceu ontem. Mas a verdade é clara: Trump e Vance deram um grande passo para encerrar essa guerra.
COMENTO: o vídeo é só para chamar a atenção dos leitores e alegrar seu dia.

sábado, 17 de junho de 2023

Operação Grande Valsa

A capacidade humana, de humilhar seus adversários e de realizar operações psicológicas com objetivo de convencer seus povos e aliados de sua própria superioridade, é uma coisa quase inimaginável.
Em meados de junho de 1944, o Exército Vermelho realizou uma das mais poderosas ofensivas da Segunda Guerra Mundial na Frente Leste.
Conhecida em código como Operação Bagratión, sua execução significou a destruição quase completa da espinha dorsal do exército alemão no leste; foi apenas o início do chamado rolo compressor soviético.
Ao mesmo tempo, em 17 de junho, ocorreu outro evento incomum: No centro de Moscou, ocorreu um dos eventos mais simbólicos e chocantes da guerra, quando 57.000 soldados alemães pertencentes tanto à Wehrmacht quanto às Waffen-SS desfilaram para o espanto de muitos moscovitas nas varandas de suas casas e nas principais avenidas da capital soviética; no entanto, ao contrário do que eles haviam sonhado uma vez, sua marcha sobre Moscou não foi de vitoriosos, mas sim de vencidos. 
A chamada Operação Grande Valsa foi um dos episódios mais simbólicos da Grande Guerra Patriótica para os soviéticos, pois foi uma das humilhações mais imponentes que uma nação já infligiu ao exército de seu inimigo, o vídeo mostra todos os detalhes sobre como o "Desfile dos Vencidos" aconteceu no verão de 1944.


Fonte: Der Jürgen

sábado, 15 de abril de 2023

O Que Celso Amorim Foi Fazer em Moscou?

O que será que há por trás da reunião sigilosa do "megalonanico" com Putin.
Celso Amorim, foi recebido em Moscou logo após a detenção do jornalista estadunidense Evan Gershkovich. Há hipótese de negociação envolvendo um espião russo preso no Brasil
¿Que foi fazer Celso Amorim na Rússia em 28 de março? O conselheiro de Política Externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido por Vladimir Putin no Kremlin durante uma hora, em uma visita não oficial, qualificada de “discreta” pela imprensa brasileira e somente revelada quando de seu regresso, graças a uma nota do diário Valor.
O ex chanceler, que dirigiu o Itamaraty, o Ministério de Assuntos Exteriores do Brasil, nos dois mandatos anteriores de Lula (2003-2010), saiu de Brasília em 28 de março, aterrissou em Moscou no dia 29 e depois foi à França para uma breve viajem antes de regressar ao Brasil em 2 de abril.
Indagado pela imprensa sobre a viagem, Amorim disse que o objetivo da reunião era tratar de uma possível negociação de paz brasileira para por fim ao conflito na Ucrânia.Não há uma solução imediata”, disse Amorim, “há que preparar um cenário para quando se materialize a vontade política; e quando ficar claro para uma parte e para a outra que o custo da guerra é maior que qualquer concessão, [daí] poderão fluir as ideias de paz. Os russos disseram que apreciam os esforços do Brasil tanto como os da China. Pequim apresentou um plano de paz que foi rejeitado pelo ‘Ocidente’”.
Nos mesmos dias, em Moscou, alguns dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula, como o secretario geral Henrique Fontana e o secretario de Relações Internacionais Romênio Pereira, participaram de um evento do partido de Putin, Rússia Unida, sobre o tema do neocolonialismo. À agencia russa Tass, o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, se limitou a afirmar que “a reunião com Amorim teve lugar para reafirmar o convite prévio a Lula para realizar uma visita oficial à Rússia e para falar das relaciones bilaterais”.
Segundo os russos, em resumo, Amorim foi recebido por Putin para confirmar o convite a Lula e falar das relações bilaterais, enquanto que, segundo os brasileiros, foi para uma possível negociação de paz na qual Putin, de fato, não estava interessado. Por isto, muitos começam a se perguntar se nessa reunião o tema não era outro.

A ideia da troca
Sergey Cherkasov em um vídeo de 2017
Por exemplo sobre Sergey Cherkasov, um cidadão russo com a falsa identidade brasileira de Victor Muller Ferreira, acusado de espionagem ao tentar infiltrar-se como estagiário no Tribunal de Haya, na Holanda, onde, segundo as investigações, queria acessar informações sobre as investigações relacionadas a crimes de guerra russos.
As autoridades holandesas o deportaram para o Brasil, onde foi detido em 3 de abril de 2022 e condenado a 15 anos de prisão pela Justiça Federal de São Paulo por uso continuado de documentação falsa. Desde dezembro, Cherkasov está preso em Brasilia e Moscou solicitou sua extradição alegando  como é habitual quando se trata de repatriar a seus próprios agentes operacionais  que Cherkasov é um fugitivo, membro de uma organização de tráfico de heroína, e que seus crimes foram cometidos entre 2011 e 2013, ainda que Rússia nunca o havia buscado antes de 2022. Mais estranho ainda quando se considera que, segundo os registros de imigração brasileiros, o espião russo estava no Brasil tanto em 2010 como em 2011.
Evan Gershkovich (The Wall Street Journal/Handout via REUTERS)
Justo quando Amorim aterrizava na capital russa, em 29 de março, o correspondente em Moscou do diário estadunidense Wall Street Journal, Evan Gershkovich, era detido en Ekaterimburgo pelo FSB, o Serviço Federal de Segurança, sucessor da temida KGB. A acusação é de espionagem, algo que não se via desde 1986, durante a Guerra Fria, com a detenção pelos russos, pelas mesmas acusações, do jornalista estadunidense Nicholas Daniloff.
Uma semana antes da prisão de Gershkovich, o que demonstra como as datas nesta historia também podem indicar um rumo geopolítico, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia acusado de espionagem a  Cherkasov, que sempre sob falsa identidade brasileira de Victor Muller Ferreira, após estudar Ciências Políticas no prestigioso Trinity College de Dublín, Irlanda, havia obtido um título de Mestre no programa de Relações Internacionais da Universidade John Hopkins de Washington, especializando-se em política exterior estadunidense. A acusação das autoridades da administração Biden é o requisito legal prévio para um possível pedido de extradição pelos EUA.
No Wall Street Journal, John J. Sullivan, embaixador dos Estados Unidos em Moscou até o ano passado, afirmou que o fato de que o jornalista fosse acusado de espionagem e não de um delito comum sugere “que o Kremlin quer um grande premio na troca, um prisioneiro de alto perfil”. Algo como um espião. Nada a ver com as mais recentes permutas de prisioneiros entre Moscou e Washington, como a de abril de 2022 entre o ex marine Trevor Reed, acusado de agredir a dois oficiais russos, e Konstantin Yaroshenko, condenado por tráfico de drogas nos Estados Unidos. E, mais recentemente, em dezembro, a negociação da campeã de basquete Brittney Griner, detida em Moscou com menos de um grama de óleo de haxixe, pelo russo Viktor Bout, notório traficante de armas conhecido como O Mercador da Morte.
Daniel Hoffman, ex funcionário da CIA em Moscou, declarou ao Wall Street Journal que “o momento da detenção de Gershkovich não é, provavelmente, uma coincidência” e que o Kremlin “está tratando de incentivar uma troca de prisioneiros”, assinalando que a acusação de Cherkasov por parte dos EUA precedeu em uma semana à detenção do jornalista. Para o ex embaixador Sullivan, sem dúvidas, não está claro que Washington tenha sob sua custodia algum espião russo de alto nível. E, acrescenta o Wall Street Journal, “um câmbio incluindo Gershkovich pode ser mais difícil hoje, devido às atuais relações entre EUA e Rússia”.
Aqui, portanto, é onde o Brasil poderia entrar no jogo. Porque tem um espião russo que pode oferecer como moeda de troca — o Supremo Tribunal Federal autorizou sua extradição para a Rússia quando acabe a investigação no Brasil — e porque haveria uma perspectiva de dívida moral, tanto no Kremlin como na Casa Branca, que daria a Lula, e nem tanto ao país, uma vantagem política em sua ambígua política exterior, na qual aperta a mão de Biden e abraça o mundo multipolar de China, Rússia e Iran.
Cherkasov, que não está acusado de espionagem no Brasil, também exercia seu oficio de espião no país latino-americano. Utilizava esconderijos — "dead drop", ou recipiente fixo — para deixar dispositivos eletrônicos e mensagens, que depois eram recolhidos por outros membros da organização. Um destes recipientes foi descoberto em um bosque de Cotia, cidade vizinha a São Paulo. O documento falso com que ele ocultou sua identidade durante anos no Brasil declarava seu nascimento em 4 de abril de 1989 em Niterói, Rio de Janeiro. Foi precisamente em Niterói que a justiça brasileira descobriu e fechou, após 10 anos de processo penal, um cartório de registro civil que servia como uma fábrica de certidões de nascimento falsas, utilizadas também por uma rede de libaneses condenados por obter a nacionalidade brasileira com documentos falsos.
Além de Cherkasov, nos últimos meses foram descobertos pelo menos outros dois espiões russos com falsas identidades brasileiras. Em outubro, o serviço secreto norueguês deteve Mikhail Valeryevich Mikushin. Ele havia se apresentado como o pesquisador José Assis Giammaria na Universidade de Tromsø. Gerhard Daniel Campos Wittich era o nome falso de outro espião russo, cujo verdadeiro sobrenome segundo as autoridades gregas é Shmyrev, que viveu no Rio de Janeiro durante cinco anos, sob uma identidade brasileira com ascendência austríaca. Foi descoberto pelo serviço secreto grego porque sua esposa, a também espiã Irina Romanova, sob o nome de Maria Tsalla, operava em Atenas. O casal fugiu supostamente para Moscou, em janeiro.
No Rio de Janeiro, o suposto Daniel Campos havia alugado recentemente uma moradia próxima ao consulado estadunidense e era proprietário de uma empresa de 3D que produzia, entre outras coisas, esculturas de resina e vendia seus produtos tanto ao Exército como à Marinha e ao Ministério da Cultura do Brasil. Quem deu o sinal de alarme de seu desaparecimento em janeiro foi a noiva brasileira de Daniel Campos, que desconhecia a verdadeira identidade do jovem e denunciou seu desaparecimento durante uma viajem à Malásia.
O grande mistério segue sendo por que os espiões russos utilizam tanto o Brasil. As explicações podem ser múltiplas. Desde a facilidade para conexão a redes ilegais que proporcionam identidades falsas até a riqueza do país e seu papel estratégico no continente americano. Sob os mais de 7.000 quilômetros de costa atlântica do Brasil há quilômetros de cabos submarinos que conectam a infraestrutura de Internet do país com redes de todo o mundo. Fortaleza, no Ceará, hospeda o segundo maior centro de cabos submarinos do mundo (12 no total), com conexões para Estados Unidos (incluídos os cabos Monet em Boca Ratón, Florida), África e Europa. A Contra-inteligência, também é frágil no país. Ninguém investigou, por exemplo, se havia espiões a bordo do navio russo Akademik Boris Petrov.
O Governo do ex presidente Jair Messias Bolsonaro autorizou uma expedição científica deste navio em águas amazônicas [na verdade, atlânticas (*)] após reunir-se com Putin no ano passado, poucos dias antes do início da guerra na Ucrânia. A zona onde o Akademik Boris Petrov realizou sua exploração, em novembro passado, tem importância geopolítica. A companhia petroleira nacional brasileira Petrobras está investigando a região em busca de seus recursos petrolíferos. Além disso, o Akademik Boris Petrov havia desviado para a costa britânica em sua rota para o Brasil. Segundo o blog Plentyofships e alguns meios britânicos, sua passagem coincidiu com um acidente que danificou a infraestrutura do cabo submarino entre as Ilhas Feroe e Shetland. A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, falou de uma “situação de emergência” para as ilhas.
Por último, cabe mencionar que se a guerra na Ucrânia fracassa, Vladimir Putin poderia fugir para a América Latina, segundo informou Abbas Gallyamov, antigo porta-voz de Putin. O canal de Telegram Mozhem Obyasnit afirma que funcionários russos de alto escalão estariam se empenhando em comprar propriedades e em solicitar o status de residentes na Venezuela, Equador, Paraguai e Argentina.
Também, diplomatas russos teriam comprado propriedades na Ilha Margarita da Venezuela, para escapar da detenção em caso de que a guerra conduza a uma mudança de regime na Rússia. Enquanto isso, Lula se prepara para receber em visita oficial o ministro russo de Assuntos Exteriores, Sergei Lavrov, que chegará a Brasília em 17 de abril após a viajem de Lula a China, o que poderia aplainar o caminho para a troca de Cherkasov por Gershkovich.
Fonte: tradução livre de Infobae
COMENTO: Temos, então, mais uma jornalista se esmerando para justificar ou manipular os objetivos do passeio inútil do megalonanico Celso Amorim pela Europa, dissimulado em "assuntos bilaterais", talvez com o propósito de apagar a imagem de anão diplomático adquirida pelo atual assessor presidencial em gestões passadas. O propalado "plano de paz" sequer teve a atenção de Putin. A propósito, com a recusa do russo, o Borracho-mor deu entrevista sugerindo, então, que a Ucrânia aceitasse abrir mão da Crimeia, como "gesto de boa vontade" para encerrar o conflito com a Rússia. O chanceler ucraniano, diplomaticamente só faltou recomendar que o Cachaceiro enfiasse a proposta no rabo. Sobrou, então, a narrativa sobre os espiões russos com documentação brasileira, que poderia ser o motivo da visita do chanceler russo, trazendo um contêiner com cinco toneladas de misteriosa "bagagem diplomática", previamente guardado na Argentina.
Negociações obscuras sobre compra e venda de insumos, não passaram pela imaginação da jornalista, obviamente.
Esperamos que tanto o pessoal da nossa Polícia Federal, quanto o da ABIN estejam atentos a esses possíveis indícios de "ameaças e oportunidades" e que, pelo menos tenham identificado os "outros membros da organização" que apanhavam as encomendas deixadas no bosque em Cotia/SP Enquanto isso, o pessoal da Contrainformação russa continua alimentando a história do espião preso no Brasil, sabe-se lá com qual interesse. 
(*) Não sei se houve falta de informação ou excesso de má fé da redatora original do texto, mas a Portaria autorizando o trabalho de pesquisa do navio russo na costa brasileira é muito clara e específica. Não houve autorização para ingresso em área interna brasileira, sendo que a pesquisa foi em águas marítimas atlânticas. Durante todo o período em águas brasileiras, havia um Oficial da Marinha Brasileira fiscalizando, desde a rota percorrida, até os trabalhos propriamente ditos. As amostras coletadas foram analisadas e conferidas pela FURG (Fundação Universidade de Rio Grande) e pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco); o blog citado como fonte de suspeitas sobre o navio já não se encontra na internet. Por fim, a mesma Portaria prevê a apresentação de um Relatório, com itens muito específicos a serem bem detalhados ao término das pesquisas.

domingo, 18 de setembro de 2022

O Paralelo entre a Ucrânia e a Amazônia

Observando o que ocorre no Brasil e no mundo, sob minha ótica de que o conflito comunismo x capitalismo já foi ultrapassado, tenho tentado entender alguns fatos mundiais que aparentemente não se ligam.
Mas já há quarenta anos atrás, aprendi que "nada é o que parece ser" e, desde então, tento ver laços entre fatos que parecem díspares.
Se analisarmos a situação atual da Europa, independentemente de simpatias ou antipatias pela Rússia e seu líder, verificamos que o conflito na Ucrânia foi planejado e desencadeado "de fora". As denominadas "grandes potências" — Reino Unido, Alemanha, França, aliadas aos EUA — avaliaram que a Rússia estava em difícil situação econômica e, portanto, fragilizada militarmente. E com esse pensamento, efetuaram uma série de provocações a Vladimir Putin.
Com a ascensão do vaidoso fanfarrão Zelenski ao poder na Ucrânia, pensaram ter seu "cavalo de troia" para dar a fustigada fatal contra o remanescente do império da extinta União Soviética. Há bastante tempo, Putin alertava que não admitiria mísseis da OTAN nas proximidades das fronteiras russas. E o que fez o títere ucraniano logo que assumiu o governo? Anunciou o ingresso da Ucrânia na OTAN e a instalação de mísseis em seu território, voltados contra o leste, obviamente.
As ameaças recíprocas se sucederam e chegamos a um conflito parcamente noticiado, pois não interessa ao "mundo ocidental".
Aos críticos da violência perpetrada contra a Ucrânia, lembro aos que estudaram História da famosa "Crise dos Mísseis em Cuba", ocorrida seis décadas atrás. Ela foi contornada exatamente porque um dos líderes mundiais teve a coragem de recuar. No caso ucraniano, nem mesmo o bufão Zelenski se mostrou disposto ao diálogo, confiando nos que usaram seu país como isca de uma boa pescaria. E o largaram pendurado no pincel.
Pois bem. O que temos no Brasil? A mais de meio século temos ameaças, avisos, até mesmo solicitações de falsos nacionalistas para que ocorra uma "intervenção salvadora na Amazônia", para evitar o fim do mundo. Durante o regime militar tais investidas amainaram, mas com a volta dos civis ao poder, retornaram com força. Já passa de trinta anos que vemos e ouvimos os argumentos internacionalistas em prol de uma "administração mundial" para aquela região.
Até 1985, tudo não passava dos planos. Já no governo Collor as ameaças se transformaram em ações concretas, com a cumplicidade criminosa de membros do STF que determinaram as demarcações de terras contínuas para as diversas tribos de indígenas. A ideia inicial era a de serem demarcadas áreas em ilhas, ou seja, espaços específicos para cada tribo. A demarcação em zonas contínuas, faz com que as diversas áreas fossem somadas, totalizando enormes territórios — por casualidade em áreas fronteiriças a outros países, particularmente Venezuela e Colômbia —, ricos em minerais preciosos.
O risco, já percebido e anunciado nos anos 90 por diversos jornalistas e intelectuais preocupados com o futuro da maior nação da América Latina, é o do desmembramento da Amazônia Brasileira em diversos "mini-países indígenas".
Já faz tempo que os meios de comunicação vem incutindo na mente de nossa população a mentira de que os índios que vivem no Brasil não são "brasileiros", mas fazem parte de "nações indígenas". A influência de organizações estrangeiras nessa ação psicológica é notória. Sob a fachada de pesquisadores e religiosos na busca de como ajudar os "povos indígenas", incontáveis agentes alienígenas circulam livremente em áreas que até aos brasileiros são vedadas.
O atual Presidente da República, em diversas manifestações públicas tem advertido sobre a cobiça estrangeira sobre a Amazônia Brasileira, e se mostrado disposto a não permitir ingerências forâneas na administração governamental daquela região. Sem a devida divulgação da mídia, as ações de combate à evasão de riquezas amazônicas tem sido intensificadas, com êxito, nos últimos três anos. Isto coloca o Presidente como um inimigo das intenções intervencionistas. Até mesmo o recém empossado presidente da Colômbia
 — país com mais de 40% de seu território coberto pelas matas amazônicas — lança o pedido de ajuda via criação de um "fundo multinacional" para a Amazônia. Quem iria colocar verba nesse fundo sem a esperança de retorno?
É nítido que, retirar Bolsonaro do poder o quanto antes possibilitaria a retomada das ações intervencionistas.
A junção de adversários internos e externos já é por demais conhecida. Temos até membros da suprema corte brasileira participando de encontros, em diversas entidades europeias e norte-americanas, tratando de forma caluniosa sobre a atuação presidencial — inclusive sobre o processo eleitoral — e planejando programas do “novo governo”, solapando a caminhada do Brasil para um destino melhor, construído pelos próprios brasileiros.
O estado brasileiro está sob forte ameaça de ataque! É hora de enterrarmos antigos conceitos baseados na Guerra Fria e abrirmos os olhos para a realidade de que nas relações internacionais não existe amizades, mas sim interesses. A China, tida como adversária ideológica da Rússia — ambos países membros do BRICS, não esqueçamos — já busca uma aproximação maior com a Rússia. Chineses são malandros velhos. Sabem muito bem o que lhes convém.
A Rússia, que a União Europeia — e EUA — pretendiam colocar de joelhos, possui as fontes de energia da qual os europeus ocidentais dependem para sobreviver. E não dissimula a pretensão de dificultar seu fornecimento aos já ostensivos adversários.
O Brasil, além da cobiçada Amazônia Brasileira, possui uma enorme capacidade de produzir e vender alimentos que escasseiam no Velho Mundo. É premente, para os "globalistas", colocarem na direção do país um governante alinhado com os interesses deles. As pressões de alguns traidores da Pátria contra o agronegócio reclamando desde a proibição da produção de artigos agrícolas que rendem recursos para o país e a não criação de gado para abate — sob a risível desculpa da emanação de gás poluente pelos peidos das reses — vão se acumulando sob os nossos sorrisos de escárnio. 
Mas, enquanto achamos graça, elas as pressões, ardilosamente seguem incutindo ideias estapafúrdias nas mentes dos menos avisados.
O vídeo abaixo é mais uma demonstração de que a oposição ao Presidente não é só do ridículo moleque de fala fina, do ET de Xapuri que nos visita a cada quatro anos, e dos ladrões desbancados do poder em agosto de 2016.
É coisa de gente grande!
Para concluir, temos visto que as denominadas grandes potências fazem valer seus objetivos a qualquer custo. Vidas humanas, meio ambiente, direitos humanos e outras baboseiras não passam de reles argumento para protelar o uso da "ultima ratio Régis". O Poder Mundial já tem muitos herdeiros, e entendem que o Brasil não deve ter possibilidade de se imiscuir entre eles. A Rússia está pagando o preço por desobedecer ao Sistema. O Brasil ao destacar-se no campo econômico, podendo negociar sua produção tendo como adquirir suas necessidades de forma negociada, além de freiar a tradicional espoliação feita em seu recursos naturais, também se coloca na alça de mira do Poder Mundial. E qual motivo seria melhor que a proteção da Amazônia para uma aventura no campo militar como costumam fazer, sempre de forma indireta? Qual seria o custo de incentivar algum vizinho mais afoito a dar o primeiro soco?
Apesar dos esforços na guarda das fronteiras do norte, o Brasil ainda precisa investir muito mais recursos, materiais e humanos, nas diversas Grandes Unidades militares da Amazônia.

domingo, 11 de setembro de 2022

A Espiã Russa que Infiltrou-se na OTAN

María Adela Kuhfeldt, a espiã russa que logrou infiltrar-se na OTAN
María Adela Kuhfeldt Rivera chegou à Itália há mais de dez anos e, fingindo ser a dona de uma exitosa empresa de joias, conseguiu acessar a alguns dos melhores clubes de Nápoles, frequentados por executivos e oficiais da OTAN.
Uma investigação levada a cabo pelo diário italiano Repubblica, o meio independente The Insider e a revista alemã Der Spiegel, descobriu que a mulher que dizia chamar-se María Adela era, na realidade, Olga Kolobova, uma espiã russa pertencente ao GRU (Glavnoje Razvedyvatel'noje Upravlenije ou Departamento Central de Inteligência), o serviço de inteligência militar das Forças Armadas da Rússia.
O GRU preparou a identidade falsa de Kolobova. Segundo seu passaporte falso, ela nasceu no Peru, mas sua mãe a abandonou ainda  com pouca idade, pelo que teve que enfrentar a vida desde muito jovem. Entre 2009 e 2011 viveu na Europa e chegou a registrar sua própria marca de joias na França.
“Maria Adela”, ao centro, com amigos, inclusive Marcelle D’Argy Smith em Malta em 2010. Foto: Bellingcat, cortesia de Marcelle D’Argy Smith.
Em 2012 se casou com um homem que, segundo disse ela, era italiano, e que morreu no ano seguinte em Moscou. Pouco depois, se mudou para Nápoles, abriu uma loja de joias e começou a ganhar fama como uma exitosa desenhista de joias.
Fotos do casamento de “Maria Adela” e seu marido.
Foto: Bellingcat, cortesia de Marcelle D’Argy Smith
Dessa forma, obteve acesso ao Lions Club Napoli Monte Nuovo que, longe de ser uma organização comum, foi fundado por oficiais napolitanos da OTAN. María Adela, estabeleceu vínculos com alguns destes oficiais a quem convidava para eventos e festas de sua marca de joias.
“Maria Adela” listada como secretaria do Lions Club Monte Nuovo é vista com outros membros em uma foto postada na página da organização.
Em setembro de 2018 desapareceu da Itália de forma repentina. Dois meses depois, publicou uma mensagem no Facebook onde dizia estar passando por um câncer. Porém, a investigação levada a cabo por vários jornalistas, descobriu que, no mesmo dia de seu desaparecimento, Bellingcat e The Insider haviam publicado uma investigação sobre as identidades encobertas de dois espiões do GRU implicados no envenenamento, com Novichok, de Sergey e Yuia Skripal.
Postagem no Facebook sugerindo que “Maria Adela” estava presente em um baile das Forças do Comando Conjunto da OTAN.
Através dessa pista foram descobertas as identidade de muitos outros espiões russos que haviam estado encobertos por anos, entre eles, María Adela Kuhfeldt. Depois de um telefonema de apenas dois minutos, Kuhfeldt comprou uma passagem de ida para Moscou e nunca regressou.
Fonte: tradução livre de LISA News
COMENTO:  temos aí uma rápida descrição de uma Operação de Inteligência que deve ter rendido bons frutos, e poderia render mais se não fosse o cometimento de um assassinato de utilidade duvidosa. As obras de arte sobre Inteligência (livros e filmes) são prodigas em mostrar cometimentos de crimes, como se estes fossem coisas comuns na Atividade de Inteligência. Nada mais falso! A Atividade de Inteligência pressupõe discrição e uso da inteligência. Ações atabalhoadas como um assassinato implicam exatamente na atração da atenção das autoridades sobre o que deveria ser executado em sigilo. Atraindo a atenção, sempre há quem se dedique a buscar pormenores do ocorrido. E a identificação de detalhes até então silentes. No presente caso, alguns jornalistas (de verdade) se dedicaram e descobriram uma falha na elaboração dos documentos que embasaram as identidades falsas dos agentes. O fornecimento de Passaportes com numeração seriada para os agentes russos — provavelmente para facilitar o controle desse fornecimento, o órgão expedidor deve ter selecionado uma série específica para o GRU — deu início a uma investigação, em 2018, que culminou no descobrimento de outra falha. Ao montar a Estória-Cobertura da agente Olga, usaram uma certidão de batismo com data anterior à fundação da paróquia citada como origem do documento. Dessa forma, um erro inoportuno revelou duas Operações e seus Agentes desperdiçando recursos financeiros e, principalmente, humanos.
Para quem gosta de histórias reais de espionagem e Inteligência — bom para quem atua na área — recomendo a página da Bellingcat, que relata mais detalhes desta história da postagem, e contém outras investigações sobre o assunto.

domingo, 31 de julho de 2022

Zelensky e a Inteligência Ucraniana

Ainda nesta semana, Zelenski demitiu seu chefe dos Serviços de Inteligência, o nº dois do Conselho de Segurança Nacional e Comandante das Forças Especiais do Exército ucraniano.
Nesta semana, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, demitiu o número dois do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Mijailovich Dmchenko, e o Comandante das Forças Especiais do Exército ucraniano, Gregori Galagan.
No passado 17 de julho Zelenski anunciou ter destituído tanto o chefe do Serviço de Inteligência da Ucrânia (SBU), Ivan Bakanov, quanto a Fiscal-Geral do país, Irina Venediktova em um decreto presidencial.
No dia seguinte Zelenski anunciou que Ivan Bakanov — que, até então, formava parte do círculo mais íntimo do presidente ucraniano — seria substituído de forma “temporária” como chefe dos serviços de Inteligência.
Segundo o decreto publicado na web da Presidência da Ucrânia, Bakanov foi destituído de conformidade com o Artigo 47 do Estatuto Disciplinar das Forças Armadas da Ucrânia, que alude à falta de desempenho (ou desempenho inadequado de) deveres de serviço com o consequente custo de vidas humanas”.
Contudo, Zelenski publicou no Telegram que ambos estão acusados de protagonizar atos de traição contra Ucrânia após a divulgação de casos de funcionários ucranianos que presumivelmente colaboravam com a Rússia.
Em comentários publicados em “Kiev Independent”, Zelenski também teria revelado que as conexões que se registraram entre os empregados das forças de segurança da Ucrânia e os serviços especiais da Rússia apresentam perguntas muito sérias aos líderes relevantes.
Mais além das declarações sobre as suspeitas de “alta traição” de Zelenski no Twitter, a Presidência ucraniana reforça que os citados não estão exonerados, somente “afastados de seus cargos” enquanto é investigada sua implicação em supostos delitos de colaboração com o inimigo que teriam sido cometidos.
Segundo diversos informes mais de trinta anos depois da dissolução da União Soviética, os serviços de Inteligência russos e ucranianos tem mais em comum do que parece, sobretudo quanto à burocracia de estilo soviético e à corrupção interna.

¿O Ocidente pode confiar na Inteligência ucraniana?
Essas revelações poem à mostra o processo anunciado por Zelenski de “limpar” a possível presença da Rússia em seus círculos mais íntimos e, após os supostos casos envolvendo pessoal de Inteligência nos territórios ocupados pelos russos, que estariam colaborando com Moscou.
Segundo o técnico em Inteligência, Joseph Fitsanakis, a situação é “especialmente problemática” precisamente nas zonas sob controle russo. “A medida que os ucranianos comuns, assim como os funcionários do governo, estão tratando desesperadamente de sobreviver nas áreas ocupadas, enfrentam o dilema de deixar seus postos de trabalho ou continuar trabalhando com a esperança de receber um cheque de pagamento mensal muito necessário. Se elegem esta última opção, Zelensky e seu governo podem acusa-los facilmente de colaboracionistas”, explica em Intelnews.org.
Além disso, segundo Fitsanakis, este enfoque, somado às purgas na Ucrânia, pode criar as “condições previas de uma guerra civil” que “descarrilharia” os esforços ocidentais de apoiar a Ucrânia na guerra.
Expertos e analistas se perguntam se é legítimo desconfiar que os serviços de segurança e Inteligência da Ucrânia sofram intromissão russa, e até se podem confiar em seus homólogos ucranianos. A resposta é invariavelmente, não. De fato, sequer os próprios ucranianos estão em condições de confiar nos seus próprios serviços de Inteligência, declara Fitsanakis.
Neste sentido, é curioso como Zelenski, neste contexto de desconfiança de haver possíveis traidores em áreas sensíveis como a Inteligência ou a Segurança em seu próprio país, basearia suas decisões nas informações obtidas pelos serviços de Inteligência de outros países como Estados Unidos ou Reino Unido.
Recordemos que foram precisamente estes dois serviços de Inteligência os que majoritariamente alertaram sobre a invasão russa à Ucrânia, inclusive meses antes de que ocorresse, em uma estratégia de comunicação de Inteligência nunca antes vista.

Procedimentos penais relacionados com “alta traição”
Na mesma comunicação oficial em que anunciava a restrição de seu chefe de Inteligência, Zelenski também mencionava a detenção do antigo chefe do SBU para a Crimeia, Igor Kulinich, por imputação de traição. O presidente o havia destituído em março, a poucos dias de começar o conflito.
Os empregados da Oficina Estatal de Investigação junto com o Serviço de Segurança da Ucrânia detiveram o ex-chefe da Direção Principal do Serviço de Segurança da Ucrânia na República Autônoma da Crimeia. Essa pessoa foi despedida por mim no começo da invasão em grande escala e, como podemos ver, essa decisão estava completamente justificada. Foram recopiladas provas suficientes para indicar essa pessoa como suspeita de traição, declarou.
Todos os que, junto com ele formavam parte de um grupo criminoso que trabalhava em interesse da Federação da Rússia também terão que render contas. Se trata da transferência de informação secreta ao inimigo e outros fatos de cooperação com os serviços especiais russos”, disse.
Segundo o presidente ucraniano, até hoje se registraram 651 procedimentos penais relacionados com as atividades de traição e colaboração dos empregados das Procuradorias, os órgãos de investigação previa ao juízo e outros organismos encarregados de fazer cumprir a lei. “Em 198 procedimentos penais, se notificou a suspeita das pessoas pertinentes. Em particular, mais de sessenta empregados da Procuradoria e do Serviço de Segurança da Ucrânia permaneceram no território ocupado, e estão trabalhando contra nosso estado”, assegurou Zelenski.
Por último, o presidente ucraniano informou sobre a próxima nomeação de um novo responsável pela Procuradoria Anticorrupção do país, assim como o de uma agência adicional contra a corrupção, de caráter independente, tal como havia solicitado a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, como condição para alavancar a adesão da Ucrânia à União Europeia.

Fonte: tradução livre de LISA News

terça-feira, 5 de julho de 2022

Eis o Que Pode Ser Nosso Futuro

A escola liberal preconiza, quase como dogma, que o Capital depende do Trabalho e vice-versa, estipulando um círculo virtuoso desta relação.
Este dogma não é absolutamente verdadeiro, vez que, sim, o Capital empregado na Economia Real, aquela vinculada à produção, tem a virtuosidade de acionar a Equação de Keynes: Emprego > Renda > Consumo > Lucro > Reinvestimento na Produção > Poupança > Produção > Emprego > Renda, e assim por diante, o que explica o ciclo virtuoso relacionado ao termo macroeconômico de crescimento econômico anual do Produto Interno Bruto (PIB), quando atrelado à Economia Real.
Contudo, quando se fala em Economia Financeira, o ciclo é vicioso e é a maior causa desta guerra que se trava, por enquanto, somente por enquanto, na Eurásia, entre Rússia e Ucrânia, que tende a se espalhar por toda a Europa, envolvendo diretamente a China e os Estados Unidos, numa guerra que promete ser nuclear, química e bacteriológica e que provocará, se acontecer, centenas de milhões de mortos.
Explico: A Economia Real tem lastro real, concreto, em moeda norte-americana, na casa aproximada dos 60 trilhões de dólares, enquanto os bancos alavancam um giro de cerca 300 trilhões de dólares, o que equivale dizer que a economia global tem 230 trilhões de dólares meramente contábeis, não físicos, e sim, virtuais, empenhados em títulos governamentais colocados no mercado.
Aí entra outro termo que sempre se ouve e pouco se explica, chamado “spread”, que nada mais é que o índice de risco dos títulos públicos de cada país, representados por seus bancos centrais.
Quanto maior o “spread” (risco), maior será a taxa de juros que os bancos centrais ofertarão no mercado, ou seja, países que são qualificados por agências internacionais, como a Goldman-Sachs  nem sempre honestas e isentas, mas quase sempre servis a interesses das grandes corporações e holdings financeiras (e que lhes pagam regiamente para direcionar o mercado financeiro global) , tidos como países de risco, estes verão o seu desenvolvimento, cada vez mais, a cada dia, a cada mês, a cada ano, se atrasar, e sua população carecer de bens, serviços e infraestrutura, onerando o povo a pagar, via impostos, taxas e que tais, os juros das dívidas expressas nos títulos, quanto aos valores e prazos.
Em poucas palavras, as corporações financeiras, sobretudo, os grandes bancos, sugam do emprego, da produção, da renda, recursos, empobrecendo os povos e os países, para se locupletarem de lucros escabrosos para a presidência das instituições, diretorias e acionistas.
Some-se ao quadro a questão monetária, no sentido que o Ocidente  lendo-se Ocidente como sendo: Estados Unidos da América, Canadá e Europa Ocidental da Zona do Euro , depois da decisão de 1973, do presidente Nixon, da República dos EUA, de que não mais se tem a obrigação em lastrear a sua moeda em ativos reais, passaram a emitir moeda a rodo, de forma absolutamente irresponsável.
Evidente que o “lastro” destas moedas, sobretudo, Euro e Dólar, se fixa nos critérios do crescimento do PIB, sendo que, o desempenho das corporações financeiras, passaram a integrar o cálculo do PIB de cada país.
Equivale escrever que os lucros estratosféricos advindos com a negociação dos títulos no mercado e com a concessão de créditos a juros compostos, pelos bancos e instituições financeiras  integrantes da Economia Financeira , se expressam como “crescimento” do PIB, de forma desvinculada dos índices que expressam o crescimento das empresas voltadas à produção, que integram a Economia Real.
Sabido que o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), é um bloco que se distingue, antes tudo, pelo tamanho territorial dos respectivos países, e pela abundância de seus recursos naturais e tecnológicos.
Evidente que o sistema financeiro e monetário imposto pelo Ocidente Mundialista, é altamente prejudicial à macroeconomia do bloco BRICS, que além de tudo, deve obrigatoriamente, negociar em dólar norte-americano nos mercados internacionais da Economia Financeira e da Economia Real também.
É esta dissonância, é esta desarmonia, é este desiquilíbrio, a causa maior, principal, da Guerra da Ucrânia, na qual China e EUA se digladiam num braço de ferro que tende a colocar fogo no planeta; com a Rússia  armada até os dentes, e que teve oito anos para planificar a guerra e suas consequências, sobretudo, econômicas , sufocando a Zona do Euro, apertando a sua garganta com corte no fornecimento de gás, enquanto exige que seus créditos sejam pagos em rublos, moeda lastreada toda em ouro.
De feita que não é difícil imaginar que a se continuar assim, o sistema financeiro ocidental quebrará, expondo-se a podridão dos títulos alavancados no mercado financeiro global, não mais bastando, como ocorreu em 2008, a ajuda dos governos em trilhões de dólares aos bancos, para que não ocorresse a falência total do sistema.
Por esta razão, o primeiro-ministro italiano Mário Draghi disse que a Rússia não pode vencer esta guerra, pois que tal seria catastrófico para o Ocidente, especialmente, para a Europa, para a Zona do Euro, e para as agendas globalistas impostas pela ONU, sobretudo, em relação aos costumes e à sexualidade, que visam, antes tudo, desagregar as famílias, atacando a gravidez, via aborto, como meio e modo de desarticular a ligação das mulheres com o direito à maternidade, derrubando assim o principal pilar das sociedades nacionais: a mulher com sua prole e a instituição da família!
Basta, para isto ver e saber, que em 2008 os bancos foram salvos pela enxurrada de dinheiros saído dos Bancos Centrais e dos Tesouros Nacionais, aos trilhões, enquanto, para zerar a fome no mundo, bastaria cerca de 100 bilhões de dólares norte-americanos.
Decorre disto o aviso de Musk, no sentido que muitas empresas ocidentais, que giram o seu capital no mercado financeiro, e se financiam pelos títulos públicos  pois que amplamente deficitárias nos seus balanços, e, mesmo assim, continuam a ser providas de créditos continuados pelo sistema que se alimenta desta contabilidade virtual dos “créditos a receber”, mas que jamais serão pagos , quebrarão, acarretando desemprego em massa, pobreza, fome e desagregação social, quiçá, violenta.
Enquanto isso a China quase dobrou a importação, a bom preço, de petróleo da Rússia, enquanto a Índia aumentou as suas importações de petróleo russo em 800%, valendo-se da relação interna como integrante do BRICS.
Daí, o Brasil deve sim se valer de sua posição de integrante do bloco para manter o seu crescimento econômico real, importando petróleo e diesel russo, assim como já vem fazendo com os fertilizantes, o que garante os altos níveis de crescimento da produção agrícola brasileira.
Uma coisa é certa: Os limites da guerra na Ucrânia já desestabilizaram todo o sistema econômico ocidental, que tende a se liquefazer integralmente, atendendo em grande parte o objetivo de Rússia e China, de impor uma moeda comum do BRICS, como meio de pagamento das transações internacionais, a nível global.
Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa – OAB/SP 146.868
Dia de Vênus, 01 de julho de 2022
90º da Revolução Constitucionalista.
105º da Revelação em Fátima.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

O Que Não Foi Contado Sobre o Dia D

Foto: Getty Images (Colorido por Marina Amaral)
Momentos de loucura, atos heroicos, deserções, ataques inúteis e inclusive paradas no meio de um bombardeio para tomar chá… O prestigiado historiador britânico Antony Beevor nos conta a batalha da Normandia durante a Segunda Guerra Mundial.
por Antony Beevor 
historiador militar
Hoje, dizemos que a vitória do dia D na Batalha da Normandia era incontestável, tendo em vista a superioridade aérea e naval dos aliados.
Se reuniram 7700 barcos e 12.000 aeronaves. Os pilotos narraram depois que havia tal quantidade de embarcações que parecia possível chegar à França andando
Sem dúvidas, na historia nada está predeterminado. Naquele momento, não estava clara a linha entre o triunfo e o desastre absoluto.
No domingo, 4 de junho, o general norte-americano Eisenhower se reuniu com os comandantes aliados em seu posto de comando de Southwick House, ao norte de Portsmouth. Deviam tomar uma decisão crucial: aceitar a previsão dos meteorologistas de que o tempo tormentoso ia melhorar em 6 de junho — não muito, mas o suficiente para entrar em ação — ou postergar toda a operação. 
Eisenhower decidiu por seguir adiante. Se houvesse decidido atrasar o desembarque por duas semanas, a enorme frota invasora teria topado com a pior tempestade do canal da Mancha nos últimos 40 anos. Não me agradam as especulações históricas baseadas em perguntas do tipo ‘¿Que teria ocorrido se…?’, mas é justo reconhecer que o mapa europeu de pós-guerra poderia seria bem diferente se a grande frota aliada houvesse sido dispersada pela tormenta. Teria sido necessário empreender novos preparativos partindo do zero outra vez.
Eisenhower leu o relatório meteorológico e decidiu atuar no dia 6. Se houvesse adiado, uma tempestade teria arruinado a operação.
Churchill queria partir desde a Itália e avançar pelo centro da Europa para evitar uma ocupação soviética. Mas teve que concordar com o desembarque: os americanos mandavam.
Winston Churchill tinha, ainda, outras razões para estar nervoso. Nunca havia aprovado o plano de invadir a Alemanha pelo noroeste da Europa. Isto foi imposto por Stalin e Roosevelt na reunião de Teerã em novembro anterior. Desde o século XVIII, a Grã Bretanha sempre havia preferido ‘a estratégia periférica’: usar a Marinha Real para desgastar o adversário numericamente superior. O sonho de Churchill era partir desde a Itália e avançar pelo centro da Europa para prevenir uma ocupação soviética; mas os americanos, agora, estavam no comando e defendiam ‘a estratégia continental’: o choque massivo de forças terrestres para destruir o inimigo frontalmente.
Todos os que tomaram parte do dia D  soldados, marinheiros ou aviadores  nunca esqueceriam a imagem prévia ao desembarque. A frota reunida para a invasão era a maior da historia: 7.700 barcos e 12.000 aeronaves. Os pilotos contaram depois que, visto do céu, o mar estava tão abarrotado de embarcações que parecia possível chegar caminhando à França.
Seguimos considerando o Dia D e os enfrentamentos na Normandia como uma luta de americanos e britânicos contra alemães. Mas foi a batalha mais multinacional da guerra. Uma divisão canadense desembarcou na praia de Juno. Comandos franceses se lançaram ao assalto de Ouistreham, e paraquedistas franceses desceram sobre a Bretanha. Houve navios de nove países, assim como esquadrilhas aéreas tripuladas por canadenses, neozelandeses, australianos, rodesianos, polacos, franceses, belgas, holandeses, noruegueses…

A dor da população francesa
Há que ter em conta o sofrimento experimentado pelos civis franceses durante a invasão da Normandia. Eisenhower e os estrategistas da invasão sabiam que os aliados encontrariam graves dificuldades ao pisarem na orla, porque os alemães tratariam de reforçar rapidamente suas tropas com blindados Panzer. Por isso idealizaram a chamada ‘Operação Transporte’; o plano era bloquear e isolar a área da invasão mediante o bombardeio das pontes do Loire, no sul; e as do Sena, ao leste… e destruir os povoados e cidades que levavam às praias.
Ao inteirar-se da estimativa de baixas civis, Churchill se horrorizou. Tratou de estabelecer um limite de 10.000 mortos, mas, por insistência do general Eisenhower, Roosevelt finalmente teve a última palavra. As vítimas civis foram 15.000 mortos e até 100.000 feridos só durante os bombardeios preparatórios. Outros 20.000 faleceram nos enfrentamentos na Normandia entre 6 de junho e meados de agosto.
Em alguns locais da Normandia, o bombardeio aliado de áreas urbanas não só foi evitável mas, também, dificultou o avanço, sem prejudicar os alemães. Saint-Lo em agosto de 1944.
Foto: Getty Images (Colorido por Marina Amaral)
A cidade de Caen foi destruída pelos bombardeios de 6 de junho e em 7 de julho. Os soldados britânicos que observaram os fatos sentiam que a terra tremia como gelatina sob seus pés. Davam por certo que a cidade normanda havia sido evacuada, mas não era o caso. Um jornalista perguntou mais tarde, a um dos civis, sobre a sensação vivida durante o bombardeio. O homem respondeu: «Imagine um rato metido dentro de uma bola de futebol durante uma partida internacional. Assim era como nos sentíamos».
Os ajudantes de Hitler não se atreveram a desperta-lo na manhã da invasão. O Führer havia reservado para si o controle dos Panzer.
Em alguns lugares  sobretudo em Caen , o bombardeio da área urbana não só foi evitável, mas também resultou contraproducente, já que dificultou o avanço aliado sem prejudicar os alemães. Em seu conjunto, o sucedido mostra um importante paradoxo. Os exércitos das democracias muitas vezes terminam por matar grande número de civis, pela simples razão de que seus comandos se veem submetidos à pressão da imprensa e do parlamento na retaguarda; a insistência em reduzir ao mínimo as baixas entre suas tropas os leva a exagerar no uso da artilharia e dos bombardeios aéreos.
Rommel foi o primeiro a empregar a expressão ‘o dia mais longo’. Queria sublinhar com isso, o fato de que os alemães só teriam a oportunidade de derrotar os invasores no curso das primeiras 24 horas. Compreendia que, uma vez que os aliados estivessem bem assentados nas praias, os alemães estavam condenados à derrota final. O colossal apoio aéreo e a poderosa artilharia dos barcos aplastariam qualquer contra-ataque em grande escala. Rommel teve a ideia de deslocar divisões Panzer próximas ao litoral, mas encontrou a oposição de seus colegas, que insistiam em mantê-las nos bosques do norte de Paris. Hitler, ao final, tomou as rédeas no assunto e decidiu controla-las pessoalmente desde seu refugio de Berghof, na Alemanha … mas seus assistentes não se atreveram a despertá-lo durante a decisiva manhã da invasão.
Nos ataques aliados a povoados franceses houve 15.000 mortos e até 100.000 feridos só nos bombardeios preparatórios.
Getty Images (Colorido por Marina Amaral)
As divisões alemãs de infantaria adstritas ao 7º Exército, defensor da Normandia, não contavam com homens suficientes, estavam mal armadas e haviam sido adestradas de forma deficiente. Em poucas palavras: não eram bastante fortes para enfrentar os aliados. A invasão logo se converteu em uma batalha de desgaste. Em 10 de junho, quatro jornadas depois do dia D, os aliados e os alemães se encontraram com o avanço bloqueado.

Um massacre brutal
Se supunha que a matança se produziria no mesmo dia D, mas ocorreu mais tarde e no interior da França. Foi então quando as baixas britânicas superaram em 80 por cento as estimativas dos comandos, para angustia de Montgomery e do Secretariado de Guerra. Churchill chegou a preguntar se restaria um exército britânico em pé quando os aliados chegassem a Berlin. No curso da batalha da Normandia, os combates foram tão sangrentos como na frente russa. De fato, as baixas mensais alemãs, por divisão, duplicavam a media registrada na Rússia.
Os porta-vozes da propaganda soviética posteriormente insistiram que os aliados, na Normandia só tiveram que fazer frente aos despojos do exército alemão. Mas a realidade foi que britânicos e canadenses se encontraram ante a maior concentração de divisões Panzer das SS desde a colossal batalha de Kursk.
Os combates em terra normanda resultaram muito mais duros do que o previsto pelo comando aliado. Se supunha que os alemães estariam desmoralizados e aterrorizados pelas incursões aéreas, mas a má visibilidade daquele mês de junho extremamente chuvoso reduziu muito a superioridade aérea aliada. O alto comando também havia subestimado a capacidade do inimigo para defender-se em um terreno como aquele. Em Bocage, na claustrofóbica paisagem normanda de pequenos campos e espessas sebes, os alemães conseguiram infligir pesadas baixas a forças imensamente superiores cavando e usando camuflagem habilmente.

Baixas psiquiátricas
Outras vezes, as baixas eram causadas pela ‘fadiga de combate’, o que hoje se chama ‘transtorno de estresse pós-traumático’. Os números avultam. No lado aliado, o número de baixas por motivos psicológicos foi muito alto, uns 30.000 casos só no 1º Exército estadunidense. Por outro lado, os psiquiatras militares americanos e britânicos não entendiam como tão poucos prisioneiros alemães pareciam sofrer fadiga de combate, apesar dos intensos bombardeios que levavam tempo suportando. Suspeitavam que era pelo doutrinamento nazista. Um médico militar alemão feito prisioneiro, o doutor Damman, considerava que «a propaganda alemã que insta os homens à salvação da pátria contribuiu para limitar o número de baixas por causas neuropsiquiátricas».
O certo é que o exército de Hitler simplesmente não reconhecia a fadiga de combate como doença. Seus oficiais seguramente se haveriam burlado da brandura da disciplina entre os aliados. Seus novos soldados chegavam a ponta de bota. E se disparassem contra suas próprias mãos ou pés, simulando terem sido feridos em combate, eram executados sem delongas. Um  Obergefreiter (recruta) designado à 91ª Divisão Luftlande, relata em uma carta datada em 15 de julho: «Krammer, um jovem, competente e valoroso, cometeu a estupidez de dar um tiro na mão. Agora vão fuzilá-lo».
A carnificina não se deu no dia D, mas depois, no interior da França. Os combates foram tão sangrentos como na frente russa.
As unidades alemãs tinham um problema bem distinto. O ódio visceral gerado pelas mortes de amigos em combate, de noivas ou de familiares falecidos sob as bombas aliadas produziu o fenômeno dos verrückte Helmuts, ‘os Helmuts loucos’. Em quase todas as companhias havia ao menos um destes personagens, convencidos de que já não tinham razões para seguir vivendo, a não ser pela obsessão de matar para vingar-se.
Nem todos os soldados alemães eram fanáticos ou membros das SS. Nas divisões de infantaria, as atitudes podiam ser bem distintas. Eberhard Beck, integrante da 277ª Divisão de Infantaria, escreveu: «Tínhamos claro que a guerra já havia terminado tempos atrás. O único que nos importava era sobreviver. Por minha parte sempre estava pensando nisso». E acrescenta: «Um ferimento, hospital de campanha, hospital na Alemanha, o lar, o final da guerra… O único que me interessava era escapar daquela desolação».

O valor no combate
A questão do valor no combate se reveste de imensa importância.
Os alemães não se desmoralizaram ante a enorme mobilidade aliada: se entrincheiraram e camuflaram muito bem. Na foto, uma vítima aliada do desembarque. Foto: Getty Images (Colorido por Marina Amaral)
Há muito poucos homens que não saibam o que é o medo; de fato, os valentes são aqueles que chegam a superar esse sentimento.
Um informe britânico realizado pouco depois da invasão da Normandia deixava claro que, em um pelotão de uns 30 homens, um pequeño punhado acostumava a assumir o peso do combate, outro reduzido grupo fazia o possível por evitar a luta e até por desaparecer do combate, enquanto que a maioria situada entre ambos grupos secundava os lutadores se as coisas iam bem … mas se deixava tomar pelo pânico e tirava o corpo fora quando pareciam de má previsão.
Montgomery ficou tão chocado ao ler esse documento que fez com que o suprimissem. Sem dúvidas, suas conclusões eram verazes no fundamental, e assim o confirmaram outros estudos realizados por outros exércitos. Em geral, os soldados até se abstinham de disparar suas armas durante o combate. Curiosamente, nos arquivos russos foram encontrados indícios de que os oficiais do Exército Vermelho suspeitavam o mesmo de seus próprios homens. Um oficial muito condecorado chegou a dizer que seria oportuno revisar todos os fuzis, imediatamente depois de cada luta com o inimigo, e fuzilar no ato, como desertor, a todo soldado cuja arma não houvesse sido disparada.
Os alemães logo verificaram que os britânicos eram muito arrojados ao defender-se, mas cautelosos na ofensiva. O fenômeno se explicava por numerosas razões, mas convém recordar que, em 1944, o país levava quase cinco años em guerra, pelo que o cansaço era considerável. E a medida que se acercava o final da contenda, cada vez mais homens queriam sair vivos fosse como fosse. Além disso, soldados e suboficiais também se haviam politizado muito mais que na Primeira Guerra Mundial. Como resultado desenvolveram uma mentalidade ‘sindicalista’ que influía no que, a seu modo de ver, podia ou não ser exigido deles. Uma mentalidade que os levava a limitar-se a fazer o trabalho designado e fim. Um canadense observou que os sapadores britânicos consideravam que disparar contra o inimigo não era tarefa deles; e que o pessoal da infantaria se negava «a aterrar uma cratera ou dar uma mão quando um veículo tinha problemas para avançar em um atoleiro». Dita atitude era praticamente desconhecida nos exércitos alemão ou estadunidense.
Em um pelotão de 30 homens só uns poucos entravam em combate, segundo assinalaram informes britânicos e americanos.
Ingleses com um guia da França antes de desembarcar. Os americanos se assombravam de que os britânicos desfrutavam de pausas regulares para tomar chá. Além disso, haviam desenvolvido uma mentalidade sindicalista, diz o historiador, e se limitavam a fazer o que era mandado.
Os observadores americanos e canadenses também ficavam atônitos ao ver que o soldado britânico se encontrava muito normal ao disfrutar de pausas regulares para tomar chá ou fumar. No mesmíssimo dia D, um número assombroso de britânicos, exaustos ao chegar à orla, consideraram que faziam jus a um merecido descanso. Um oficial estadunidense de ligação comentou que «muitos deles diziam que, com o chegar à terra, já haviam feito bastante, e que tinham tempo de sobra para fumar um cigarro, e até para beber uma xícara de chá, em lugar de seguir adiante com a missão de desmantelar as defesas do inimigo e adentrar no território».
Fonte: tradução livre de XL Semanal