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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Lula Quebra o Brasil Para se Reeleger

“Quebrei o Banespa, mas elegi meu sucessor.” Essa frase, atribuída ao ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, resume uma forma de usar os instrumentos à disposição do governo não para o bem comum, mas para proveito próprio. É amplamente sabido que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva vem patrocinando uma série de medidas para tentar levantar sua popularidade e ajudar em sua reeleição. Mas ninguém, até o momento, havia tido a paciência de somar todas as “pequenas bondades eleitorais” que, tomadas uma a uma, parecem inofensivas. O economista Marcos Mendes, em relatório da XP Investimentos, fez esse trabalho para o cidadão brasileiro. E o retrato não é nada bonito.
Segundo o economista, somente neste ano foram nada menos do que 33 medidas diferentes, somando a incrível marca de R$ 215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas
Tramitação de uma Emenda à Constituição:
Apresentada em novembro e aprovada em
21 de dezembro de 2022!
Em comparação, a malfadada PEC 126/2022, a chamada “PEC da gastança”, liberou R$ 168 bilhões de gastos no ano seguinte por fora do teto dos gastos, o que já foi um escândalo. Pelo visto, o governo Lula perdeu a pouca vergonha que ainda tinha.
Há uma ficção em curso no Brasil chamada “novo arcabouço fiscal”, que substituiu o finado teto de gastos. Segundo essa ficção, o País está com suas contas em ordem porque o novo arcabouço fiscal está sendo obedecido à risca. Pois bem, de acordo com o relatório de Marcos Mendes, somente 4% dos R$ 215 bilhões aprovados afetam os indicadores do arcabouço. Não, caro leitor, o senhor não leu errado: mais de R$ 200 bilhões em despesas extras ou renúncias de arrecadação simplesmente não aparecem nas contas públicas.
Mendes lista três truques usados pelo governo para maquiar as contas. O primeiro são as linhas de crédito subsidiadas, que não impactam a despesa primária e, portanto, não consomem espaço do arcabouço. É o caso, por exemplo, do subsídio para a compra de caminhões. Como esses gastos saem do Orçamento, mas continuam “pertencendo” ao Tesouro (são empréstimos), não são considerados despesas. Na prática, no entanto, esses recursos nunca voltam para o Tesouro, sendo reutilizados para outros “pacotes de bondades”. O resultado é o aumento da dívida pública, apesar de não serem uma despesa primária.
O segundo truque é o uso de fundos públicos para financiar programas de incentivo. Esses recursos, que saíram do orçamento no passado, poderiam ser usados para abater a dívida, diz Mendes. E, obviamente, estes gastos não afetam as métricas do arcabouço. Um exemplo escandaloso foi a transferência do “dinheiro público esquecido” pelos correntistas diretamente para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), usado para turbinar o Desenrola. Esses recursos deveriam passar pelo Tesouro, para daí serem encaminhados ao FGO, mas isso afetaria o resultado primário, o que impactaria as medidas do arcabouço fiscal. Nem pensar.
Por fim, o terceiro truque é abrir crédito extraordinário, gasto que fica de fora do arcabouço. As subvenções aos combustíveis, segundo o economista, provavelmente seguirão esse caminho.
Tudo isso parece um déjà vu das pedaladas fiscais do trevoso governo de Dilma Rousseff. Estamos diante dos mesmos truques para gastar mais sem nenhuma transparência. Não se discute a conveniência desses gastos — todos parecem bastante justificados quando analisados um a um, ainda que se possa questionar a incrível coincidência de todos estarem sendo feitos justamente em ano eleitoral. O problema está em escamotear esses gastos da sociedade, fazendo parecer que o arcabouço fiscal continua em pé e saudável. Esses truques servem apenas para cumprir formalmente as regras fiscais, mas não são suficientes para fazer o dinheiro aparecer do nada.
Hoje, sem espaço de manobra, com o Orçamento tomado por decisões populistas do passado e do presente, o governo Lula lança mão dos mesmos expedientes do governo Dilma. O final dessa história já conhecemos. Mas Lula poderá dizer, lembrando Quércia, que quebrou o Brasil, mas reelegeu-se.
Fonte: Estadão
COMENTO: Enquanto isto, faltando vinte dias para alcançarmos a metade do ano, já ultrapassamos o valor de Um Trilhão e Oitocentos Bilhões, retirados dos bolsos de quem trabalha, produz e é rapinado no dia a dia, de todas as formas possíveis (a imagem atualizada pode ser vista ao lado)! O futuro? Ora o futuro, em janeiro de 2027, é só colocar a culpa da quebradeira nos tridores da pátria que conseguiram manipular o presidente dos EUA a nos prejudicar de forma irrecuperável! Por outro lado, temos que, o grande fator de inquietação dos brasileiros é a conformação da Seleção que irá "defender" o Brasil na Copa!  Vai Braza!!

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Estados Unidos Reduzirão seu Pessoal de Inteligência.

A Casa Branca afirma que a agência "se tornou excessiva e ineficiente", por isso busca redirecionar suas funções para torná-las "mais ágeis, eficazes e eficientes".
Diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard / Créditos: Gage Skidmore
A Diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, anunciou um plano para reduzir o tamanho do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) em 40% até o final de 2025. Ela explicou que a iniciativa resultará em uma economia anual estimada em 700 milhões de dólares, o equivalente a pouco mais de 600 milhões de Euros. Nas palavras da autoridade, trata-se de uma medida "há muito aguardada" que visa permitir que a agência realize seu trabalho "com integridade, da maneira mais ágil, eficaz e eficiente possível".
O projeto, denominado "ODNI 2.0", prevê a eliminação de missões, funções e pessoal considerados redundantes para redirecionar recursos para as prioridades de inteligência definidas pelo presidente Donald Trump. Gabbard justificou a reforma afirmando que, duas décadas após sua criação em 2001, a agência "tornou-se excessiva e ineficiente ". Ela também denunciou que a comunidade de inteligência enfrenta "abuso de poder, vazamentos não autorizados de informações confidenciais e o uso politizado da inteligência como arma".
A Diretora também enfatizou que a nova estratégia visa "acabar com o uso da inteligência como arma e responsabilizar os infratores", com o objetivo de reconquistar a confiança pública. O anúncio ocorre em um momento de tensões internas, já que Gabbard tem sido ostensiva em seu confronto com partes da estrutura da agência. Bloomberg indicou que seus esforços visam eliminar o que ela considera uma "suposta politização" dentro do aparato de inteligência dos EUA.
Em 19 de agosto, a Diretora revogou as credenciais de segurança de 37 funcionários de Inteligência atuais e antigos. A medida, determinada por Donald Trump, baseia-se em alegações de manipulação política, vazamento de informações confidenciais e graves violações de segurança. Ela explicou nas redes sociais que os envolvidos "abusaram da confiança pública ao politizar e manipular a inteligência".
Gabbard enfatizou a natureza restritiva desse tipo de autorização, afirmando que "ter uma autorização de segurança é um privilégio, não um direito". Ela também acusou os afetados de terem "traído seu juramento à Constituição" e de colocar interesses pessoais acima dos dos americanos. Com essa mensagem, ela enfatiza que, em sua opinião, tal comportamento representa uma violação da missão e dos princípios dos serviços de inteligência .
Segundo o The New York Times, a maioria dos indivíduos citados esteve diretamente envolvida na investigação sobre a suposta interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. Eles também atuaram no monitoramento de outras suspeitas ameaças estrangeiras ao sistema eleitoral americano. Portanto, a decisão representa um golpe em um grupo de profissionais ligados a alguns dos episódios mais sensíveis e obscuros da política de segurança nacional estadunidense dos últimos anos.
Fonte: Boletim Semanal LISA News
(Learning Institute of Security Advisors)
COMENTO: Um Serviço de Inteligência deve funcionar sob a absoluta confiança do administrador do país, seu cliente prioritário. De preferência, seu efetivo deve ser composto por pessoas selecionadas, treinadas e qualificadas para atuarem com a máxima isenção política, objetivo praticamente impossível, eis que os servidores também são cidadãos com opiniões próprias. Em função disto, algumas funções ligadas diretamente ao assessoramento presidencial devem ser trocadas a cada mudança do mandatário. Isto é óbvio. Mas é uma regra completamente ignorada no Brasil onde, segundo queixas divulgadas, o mandatário sequer tem contato com o produto de sua Agência de Inteligência, preferindo confiar mais nos conselhos dos assessores indicados pelo partido do que nos profissionais aptos ao seu assessoramento. A um mandatário consciente, não basta determinar a troca do diretor de sua Agência de Inteligência. O novo Diretor deve ter capacidade para distinguir quais funções podem continuar com seu pessoal original, e quais devem ser mobiliadas com servidores de sua confiança. Mas, para que isto ocorra, a Direção não deve ser vista como só mais um cabide de emprego de companheiros partidários.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Afinal, Vão Levar o Brasil à Falência, ou Não?

ENQUANTO SE ESFORÇAM EM AUMENTAR IMPOSTOS PARA TIRAR MAIS DINHEIRO DE QUEM TRABALHA E PRODUZ, AO MESMO TEMPO EM QUE ANUNCIAM A INTENÇÃO DE DESTRUIR O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO, FIRMAM ACORDO PARA DESENVOLVER A AGRICULTURA DA ... ... ... NIGÉRIA.
O Brasil e a Nigéria assinaram na terça-feira (24/6) um acordo de US$ 1 bilhão voltado à modernização do setor agrícola nigeriano, com foco em segurança alimentar e desenvolvimento rural. O pacote integra um conjunto mais amplo de cooperação entre os dois países em áreas como energia, defesa, comércio e cultura.
Durante visita oficial a Abuja, capital nigeriana, o vice-presidente do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, formalizou os compromissos ao lado do vice-presidente da Nigéria, Kasim Shettima.
Os recursos serão destinados principalmente à execução do Programa de Imperativo Verde (“The Green Imperative”), que prevê o fornecimento de equipamentos agrícolas mecanizados, capacitação técnica e a criação de centros de serviços em diversas regiões do país africano.
Segundo Shettima, ambos os países “pretendem alocar mais de US$ 1 bilhão para fornecer equipamentos agrícolas mecanizados, treinamentos e centros de serviços em toda a Nigéria”. Ele destacou ainda que o país busca transição de um modelo agrícola de subsistência para uma produção em escala.
A agricultura na Nigéria é amplamente baseada em pequenas propriedades familiares, o que, segundo o governo, representa um desafio para expansão em larga escala. Ao mesmo tempo, o país importa parte dos alimentos consumidos por sua população de mais de 200 milhões de pessoas.
O presidente nigeriano, Bola Ahmed Tinubu, destacou o programa de mecanização agrícola na nova fase da parceria com o Brasil. O emblemático Programa de Imperativo Verde, no valor de US$ 1 bilhão [...] representa o carro-chefe dessa renovada parceria, afirmou em publicação na rede social X. Ele acrescentou que a iniciativa deve transformar a cadeia de valor agrícola da Nigéria.
Além da área agrícola, a agenda bilateral incluiu temas como transição energética, saúde, inovação, defesa e cultura. Alckmin ressaltou que a aproximação entre os dois países se insere em uma estratégia mais ampla do Brasil de fortalecimento das relações com o Sul Global. 
A visita também resultou na abertura do mercado nigeriano para material genético avícola brasileiro e a assinatura de memorandos de entendimento para ampliar parcerias nos setores agrícola e pecuário.
Alckmin destacou a complementaridade entre as economias dos dois países. O Brasil, maior economia da América Latina, e a Nigéria, economia mais pujante da África [...] tornam essa aproximação estratégica para a construção de soluções conjuntas e sustentáveis, disse.
A Nigéria tem como meta alcançar uma economia de US$ 1 trilhão até 2030. As reformas em curso, segundo Shettima, buscam criar um ambiente propício para investimentos externos, inclusive com o pedido de recapitalização dos bancos nacionais.
O saldo em favor dos nigerianos atingiu o valor máximo em 2013, quando as vendas daquele país concentradas em petróleo, nafta para a petroquímica e gás natural somaram US$ 9,648 bilhões, ao passo em que as vendas brasileiras foram de apenas US$ 876 milhões, gerando um déficit de US$ 8,772 bilhões.
Os principais produtos da pauta exportadora brasileira foram açúcar de cana (US$ 375 milhões), ônibus (US$ 116 milhões), fumo em folhas (US$ 30 milhões), compostos de funções nitrogenadas (US$ 27 milhões) e tratores (US$ 14 milhões).
Do lado nigeriano, os principais produtos vendidos foram petróleo (US$ 1,37 bilhão), ureia (US$ 134 milhões), gás natural (US$ 110 milhões) e nafta (US$ 18 milhões).


2 - Só lembrando: em dezembro de 2005, quando o mesmo Borracho Canalha dilapidava o Brasil, foram "perdoados" US$ 84 milhões da dívida nigeriana para com o Brasil.
A decisão política de perdoar parte da dívida com o Brasil foi tomada em abril daquele ano, durante a visita de Luizinácio à Nigéria. "Eram dívidas muito antigas, de mais de 20 anos, que estavam sem solução", disse na época o ministro interino da Fazenda, Murilo Portugal.

3 - Sete anos depois, em maio de 2013, nossa presidAnta perdoou mais US$ 900 milhões de dívidas de oito países africanos. 
Os dois principais beneficiados pelo perdão foram o Congo com uma dívida de US$ 352 milhões (R$ 721 milhões) e a Tanzânia, US$ 237 milhões (R$ 485 milhões). Outros foram a Costa do Marfim, o Gabão, a Guiné Conacry, a República Democrática do Congo; além de São Tomé e Príncipe e Guiné Bissau, países que também têm o português como idioma oficial.
O BNDES tentou minimizar o fato, publicando uma explicação de que se tratavam de "dívidas antigas", o que não desmente o fato de que NOVECENTOS MILHÕES DE DÓLARES, que deveriam ter sido empregados em benefício dos brasileiros, foram jogados fora!

4 - Em publicação mais recente, de maio de 2024, podemos ver o empenho do Bêbado Filantropo em busca de perdões a países devedores. E na lista, então atualizada, de devedores ao maior país da América do Sul — Antígua e Barbuda, Congo, Cuba, El Salvador, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Mauritânia, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Senegal, Venezuela e Zimbábue. Surpresa! —, quatro nações africanas já beneficiadas anteriormente com "perdões de dívidas".

5 - COMO PODE-SE OBSERVAR AS "BONDADES" DO BRASIL VÃO CRESCENDO COM O TEMPO, AO MESMO TEMPO EM QUE O NÍVEL DA MERDA EM QUE ESTAMOS NÃO PARA DE SUBIR.
ISTO NOS PERMITE CRIAR A DÚVIDA: Conhecendo os bois com que lavramos, quem garante que não existam algumas "gorjetas" ou comissões (também conhecidas empresarialmente como Recompensas por Desempenho) em troca dessa "bondade" toda?

quarta-feira, 3 de abril de 2024

O Desgaste Militar

por Rodrigo Constantino 
Já escrevi textos sobre o contexto de 1964, mostrando que havia o clima da Guerra Fria, que os verdadeiros golpistas eram os comunistas, treinados em Cuba e financiados por Moscou. O próprio Fernando Gabeira já admitiu que a esquerda não lutava por democracia alguma naquela época, e alguns confessavam que o “golpe” viria de um dos dois lados.
Imagem da Internet
Os nossos militares impediram o golpe comunista, eis a realidade que a Globo tenta apagar hoje, mas que seu fundador Roberto Marinho conhecia bem na ocasião.
É sumamente melancólico — porém não irrealista — admitir-se que no albor dos anos 60 este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: ‘anos de chumbo’ ou ‘rios de sangue’, disse Roberto Campos. A chamada “crise da legalidade” foi deflagrada com a renúncia de Jânio Quadros, quando os ministros da Guerra, da Marinha e da Aeronáutica não aceitaram a posse do vice-presidente João Goulart, herdeiro político do ditador populista Getúlio Vargas e acusado de ligações com os comunistas. O país estava em sério risco de viver uma guerra civil.
Diante da estação da Central do Brasil, mais de cem mil manifestantes gritavam por mudanças, com faixas como “Reconhecimento da China Popular”, “PCB – Teus Direitos São Sagrados”, “Abaixo com as Companhias Estrangeiras”, “Trabalhadores Querem Armas para Defender o Seu Governo” e “Jango – Defenderemos as Reformas a Bala”. A classe média teve uma reação em cadeia contra essa radicalização estimulada pelo próprio governo.
Leonel Brizola, cunhado de Jango, defendeu a substituição do Congresso por uma Constituinte repleta de trabalhadores camponeses, sargentos e oficiais nacionalistas. Goulart assinou um decreto, em 1964, desapropriando todas as terras num raio de dez quilômetros dos eixos das rodovias e ferrovias federais para sua reforma agrária, assim como encampou as refinarias de petróleo privadas, em outro decreto. Foi anunciado o tabelamento dos aluguéis.
O governo estava em crise, apelando para a intimidação, enquanto a economia afundava. A inflação fora de 50% em 1962 para 75% no ano seguinte. Os primeiros meses de 1964 projetavam uma taxa anual de 140%, a maior do século. A economia registrava uma contração na renda per capita pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. As greves duplicaram entre 1962 e 1963. O governo irresponsável acumulara um déficit equivalente a mais de um terço do total das despesas. Jango nomeou o almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues, próximo ao Partido Comunista.
O Congresso mostrava-se disposto a bloquear os projetos de reforma. Luiz Carlos Prestes, ligado ao Partido Comunista, chegou a defender a dissolução do Congresso. Um golpe, de um dos lados, parecia iminente e inevitável. Tancredo chegou a prever que os passos de Jango levariam a uma luta armada. O governador pernambucano esquerdista, Miguel Arraes, declarou estar certo de um golpe, “de lá ou de cá”. Brizola repetia que “se não dermos o golpe, eles o darão contra nós”. Jango, na China, discursava sobre o socialismo no Brasil. A famosa Revolta dos Marinheiros foi como uma gota no copo d’água lotado. Ocorreu uma quebra de hierarquia militar. O cabo Anselmo liderou a revolta, que resultou na demissão do ministro da Marinha, almirante Sílvio Mota, por tentar reprimi-lo.
Era tempo de Guerra Fria, o eixo da luta entre capitalistas e comunistas tinha se deslocado para a América Central, e os ditadores da União Soviética estavam investindo pesado no continente, enviando bilhões de dólares e agentes da KGB para diversos países. Em 1962 ocorreu a crise dos mísseis nucleares, que os russos instalaram clandestinamente no território cubano. Quase foi deflagrada uma guerra nuclear pela tentativa de avanço imperialista dos soviéticos comunistas.
O perigo do comunismo era real para todos os países, incluindo o Brasil. Diversas nações caíram nas garras comunistas nesse período, entrando em ditaduras duradouras e caóticas, enquanto outras acabaram partindo para regimes autoritários de direita, tentando travar os avanços comunistas. E era esse regime, responsável pela morte de cerca de cem milhões de pessoas no mundo todo, que as “vítimas” da ditadura queriam implantar no Brasil à força.
Eis o contexto do “golpe” de 1964 pelos militares, que, na verdade, foi mais um contragolpe. O general Humberto de Alencar Castello Branco era chefe do Estado-Maior do Exército, e fora um respeitado chefe da seção de operações da Força Expedicionária Brasileira. Não cabe, aqui, analisar o regime militar como um todo, que teve vários acertos e inúmeros erros. Tampouco é foco deste artigo um julgamento das duas décadas de positivismo sob os militares, ou se a redemocratização levou tempo demais. Roberto Campos reconheceu que “o erro dos militares foi não terem feito a abertura econômica antes da política; o erro dos civis foi, depois da abertura política, praticarem uma fechadura econômica”.
O intuito do texto é fornecer ao leitor o clima de 1964, para demonstrar que não houve um golpe do nada por parte de militares ambiciosos e sedentos pelo poder, mas sim uma reação ao avanço comunista. Após a reação dos militares, com forte apoio popular na época, que culminou no “golpe” de 64, os comunistas intensificaram alguns ataques. Como os primeiros anos não foram na “linha dura”, os radicais de esquerda perpetraram ações que incluíram assassinatos e sequestros, como o do embaixador americano, o que acabou provocando o agravamento brutal da repressão, que chegou a partir do Ato Institucional nº 5.
Antes da assinatura do AI-5, já estavam no currículo desses terroristas o assassinato de pessoas como o Major do Exército da então Alemanha Ocidental, Edward Von Westernhagen, no primeiro dia de julho de 1968, e do Capitão do Exército norte-americano Charles Rodney Chandler, em São Paulo, no dia 12 de outubro de 1968.
Um dos grupos que defendia essa guinada violenta era o Agrupamento Revolucionário de São Paulo, inspirada em Carlos Marighela, que havia redigido o “Manual do Guerrilheiro Urbano”. Em 21 de junho de 1968, na chamada “Sexta-feira Sangrenta”, ocorreu um confronto ininterrupto que resultaria em centenas de feridos, 23 pessoas baleadas e quatro mortos, incluindo um soldado da PM atingido por um tijolo. Tentaram arrombar também as portas da agência do Citibank, símbolo do “imperialismo ianque”, e jogaram vários coquetéis Molotov na sede do jornal O Estado de São Paulo. O AI-5 foi assinado apenas em 13 de dezembro de 1968, como resposta aos crimes bárbaros cometidos pelos comunistas.
Roberto Campos concluiu: “Comparados ao carniceiro profissional do Caribe, os militares brasileiros parecem escoteiros destreinados apartando um conflito de subúrbio”. Não obstante, a esquerda teve o caminho da cultura livre para ser totalmente aparelhado, e os pupilos de Fidel Castro assumiram um papel quase hegemônico nessa área. Dominando a academia, a cultura pop e a imprensa, a esquerda derrotada no campo político venceu no campo cultural. E conseguiu bancar a vítima, demonizar os militares e posar de democrata, enquanto defendia o comunismo assassino.
Aceleramos décadas no tempo e chegamos, então, à vitória de Lula em 2002, na quarta tentativa e com a embalagem criada por Duda Mendonça. O Lulinha Paz e Amor ludibriou parte da elite, enquanto seu braço-direito, José Dirceu, treinado em Cuba com o codinome Daniel, agia nos bastidores. O mensalão e o petrolão foram os maiores esquemas de corrupção já criados no país, com o claro intuito de alimentar um projeto totalitário de poder do PT. A coisa desandou quando a economia degringolou de vez e Dilma sofreu impeachment.
Lula acabou preso, mas os comunistas não desistem facilmente. Dirceu cantou a pedra: “Vamos tomar o poder, o que é diferente de ganhar eleições”. Quando alguém como Bolsonaro se tornou presidente, o sistema podre e carcomido entrou em pânico, e o petismo viu aí sua oportunidade. Numa aliança instável e oportunista, tucanos globalistas e petistas comunistas se uniram para eliminar a direita democrática. O aparelhamento de instituições, em especial o STF, foi crucial para o plano. Resumo a história pois ela é recente, e confio na memória do leitor.
Com malabarismos supremos, Lula foi solto e ficou elegível, enquanto Bolsonaro foi perseguido de forma implacável. Dirceu e sua gangue aprenderam lições importantes com o fracasso anterior: a velha imprensa precisava ser comprada, e as Forças Armadas deveriam ser domesticadas. No caso da mídia foi mais fácil: há muita pena de aluguel nas redações, além de simpatia natural pelo esquerdismo após décadas de doutrinação ideológica nas faculdades. Já com os militares o buraco é mais embaixo...
Os patriotas sérios deveriam ser caçados, e como muitos estavam ao lado de Bolsonaro, o pretexto era óbvio: são todos golpistas! General Heleno, Mauro Cid e até Villas Boas acabaram sendo alvos de ações do sistema e da imprensa para neutralizá-los. Por outro lado, uma cúpula de “generais melancias” — verdes por fora, vermelhos por dentro — foi cooptada em troca de cargos e poder. A base, certamente patriota, observa a tudo com uma mistura de revolta e decepção.
O desgaste militar faz parte da estratégia de Dirceu. O povo, que apostou suas fichas novamente nas Forças Armadas para conter o golpismo comunista, ficou a ver navios — ou pior, uma parcela acabou presa de forma arbitrária pelo ministro Alexandre de Moraes, pelos “atos antidemocráticos”. Nas redes sociais, muitos agora tiram sarro dos militares, vingam-se com “memes” alegando que nossos militares só servem para pintar asfalto ou prestar continência para ditador comunista como Maduro. Mas sem os militares, quem pode impedir o projeto comunista?
É preciso, então, tirar o chapéu para o brilhantismo de Dirceu. Os comunistas tiveram de esperar décadas, mas parece que dessa vez deu certo para eles. Os militares estão desacreditados perante a sociedade, os que ousaram resistir foram perseguidos ou até presos, e o caminho parece livre para o golpe fatal dos comunistas. O que teria acontecido no Brasil se os militares não tivessem agido em 1964? Nunca é possível saber com certeza, mas acredito que agora teremos uma ideia. E não é um futuro animador para quem preza a liberdade, a democracia verdadeira e a vida humana.
Fonte: recebido por mensagem eletrônica

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Via Dolorosa

por Alexandre Garcia
Segunda-feira reabre o Congresso. Ao arrepio da Constituição, que manda reabrir a 2 de fevereiro. Mas quem se importa hoje com a Constituição? Não custa lembrar Thomas Sowell: A Constituição não pode nos proteger se não protegemos a Constituição. Enfim, é um risco que todos corremos, com nossos direitos. No dia 5 reabre o Congresso e o presidente da República vai ver que o duro janeiro vai ser o melhor dos meses deste 2024.
De cara, a Frente Parlamentar Evangélica espera, revoltada, por mais um atrito que o governo criou sem precisar. A despeito do que diz o art. 150 da Constituição, a Receita fez uma interpretação para cobrar imposto dos evangélicos.
Cerca de 300 milhões de reais. Mais uma frente a se unir à bancada do agro e das armas, contra decisões que só afastam o governo dos votos de que precisa no Congresso. Esse ambiente favorece a emenda negociada por Campos Neto, para consolidar a autonomia do Banco Central — o governo quer o Banco Central pendurado na fiscalização do Conselho Monetário.
Janeiro foi cheio de revezes para o governo, embora a propaganda oficial se esforce para mostrar o contrário. O mês começou com o Diário Oficial mostrando a lei do marco temporal, em que 374 derrubaram os vetos do presidente. Se o governo entrar no Supremo, o desgaste vai continuar, e não apenas com a imensa bancada do Agro.
O 8 de janeiro, que era para ser uma festa da Democracia Inabalável, teve as significativas ausências do presidente da Câmara e de 15 governadores.
Dois dias depois, por vontade de Lula, o Brasil aderiu à denúncia de genocídio contra Israel.
O Tribunal Internacional não aceitou e ainda sugeriu que o Hamas deva libertar os reféns. Depois, o New York Times mostrou que funcionários da Agência da ONU em Gaza participaram do massacre de israelenses. O governo do Brasil fica com cara de quem apoia terrorista.
No dia 18, em Pernambuco, Lula reavivou a Refinaria Abreu e Lima, cujo preço se multiplicou várias vezes. O presidente acusou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos de prejudicar a Petrobras, provocando mais um atrito.
Anunciou que o Brasil vai tocar a obra mesmo sem o aporte enganoso de Chavez. A isso somou-se à perplexidade do mercado quando o BNDEs anunciou 300 bilhões de reais para ajudar o setor industrial, soando como o velho protecionismo, e derrubou a Bolsa.
Além disso, com a promessa de facilitar licenças ambientais para a Vale, o governo tentou impor Guido Mantega como CEO da Vale, empresa privatizada há 27 anos. O mercado levou um susto e as ações despencaram. O governo não entende que o Previ, com 8,6% das ações da Vale, é dos funcionários do Banco do Brasil, e não do Tesouro.
E antes que janeiro terminasse, saíram os números do Tesouro, com um rombo de 230 bilhões de reais em 2023. A receita subiu 2,12% e os gastos 12,55%. A medida provisória que tenta revogar a decisão de 438 congressistas sobre a prorrogação da desoneração da folha é outro símbolo das fricções que o governo tem provocado.
O Congresso reabre e não vai aceitar a MP. Neste reinício ainda vai vir a reação de deputados e senadores ao veto a mais da metade dos ONZE BILHÕES de reais de emendas, no orçamento deste ano. Emendas já anunciadas pelos autores a seus prefeitos e suas bases.
Não deve ser uma reação branda, mas fisiológica e dura como uma pedra. A via dolorosa de Lula vem sendo pavimentada pelo próprio presidente, não com as pedras da oposição.
Alexandre Garcia é jornalista

domingo, 3 de setembro de 2023

Quanto Tempo até o "Gado" Voltar às Ruas?

A avaliação aponta que a estratégia do medo funciona por um tempo e na medida em que o governo Lula não consegue apagar a lembrança das ações da gestão Bolsonaro e com a piora do quadro econômico é mais do que natural que os patriotas voltem para as ruas — podendo trazer de arrasto aqueles que, iludidos pelas promessas do Nine Fingers, podem deixar Lula e sua quadrilha em apuros.
Lula nunca foi o candidato do sistema, mas desencarcerá-lo, descondena-lo e colocá-lo na presidência foi a única alternativa para eliminar uma gestão que a despeito de ter passado os quatro anos debaixo do mau tempo, contando com a má vontades da mídia (desejosa das verbas que perdeu), um ativismo do Judiciário sem precedentes, um Congresso que não aceitou perder o acesso à máquina e, para completar, primeiro uma pandemia midiática e depois a guerra na Ucrânia, conseguia apresentar números positivos em todos os segmentos da vida nacional.
Passados oito meses da atual gestão, é perceptível que Lula III tem uma gestão marcada pela volta das deploráveis práticas do toma-lá-dá-cá, negociatas, uso da máquina pública, financiamento inescrupuloso da estrutura de comunicação que serve como correia de transmissão da estupidez ao modo preconizado por Lenin e bravatas que oscilam entre a bizarrice e a insanidade. Lula III é o verdadeiro retrato daquilo que Lula sempre foi: um sindicalista ávido pelo poder, um batedor de carteiras e com um discurso sob medida para retardados e imbecis.
A farsa do 8 de janeiro — muito mais para o Incêndio do Reichstag, em 27 de fevereiro de 1933 do que para a versão tupiniquim da suposta Invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 — teve a intenção de tirar os patriotas das ruas, impor uma onda de terror e de medo e garantir um começo de gestão sem oposição ao “Inocente de Taubaté”. O problema é que os autores do roteiro se equivocaram em vários momentos, acreditaram demais na esperteza e estão com as mãos lambuzadas de lama e a cada momento precisam criar uma nova narrativa para reinventar a realidade.
O grande problema é que o velho morubixaba não se deu conta de que os tempos tinham mudado, desde a sua chegada ao poder em eleições com urnas eletrônicas, um cenário econômico mundial favorável e sem oposição. Lula pode, naquele momento, exercer na plenitude o que aprendeu ao longo do tempo na máquina sindical. Ao ser recolocado na presidência em 2022, outra vez pelas urnas eletrônicas vergonhosamente sem impressão do voto e sem sua respectiva contagem pública, Lula não se deu conta de que o Brasil tinha mudado e os seus métodos de punguista sindical já não serviam mais. Além de um cenário econômico adverso, Lula e seus saqueadores pela primeira vez se depararam com uma oposição de Direita no Congresso Nacional e um sentimento junto a sociedade de que o resultado apontado pelas urnas eletrônicas não correspondeu ao desejo da imensa maioria do povo.
Mas ele não quis entender essa realidade e, em lugar de buscar desarmar o clima, ele preferiu aprofundar o enfrentamento defendendo a censura, a perseguição e até a eliminação dos adversários — agora apontados como inimigos da Nação. Transformado em palhaço no cenário internacional, ridicularizado por sua postura sabuja e servil ao ponto de ser chamado de “cadelinha do Xi”, dando pitaco na invasão da Ucrânia e se posicionando ao lado de um carniceiro como Putin, elogiando o legado dos 350 anos de escravidão e outras patacoadas, Lula é apenas um cadáver político adiado que, de tão fedorento, é vaiado por brasileiros.
A sucessão de escândalos de compra de votos, mordomias com a sua acompanhante em viagens internacionais e a perversa, para ela, comparação com a figura de Michelle Bolsonaro, faz com que o casal tenha virado sinônimo de rejeição popular.
A gota d`água pode estar se aproximando com a debacle da economia. E os lulo-petistas sabem que o chefe do Mensalão perdeu o bônus popular que tinha e logo-logo, acreditam, o povo vai perder o medo e até por necessidade, voltará às ruas. E vaticinam: se o gado voltar para às ruas, os jumentos terão que fugir. Porque sabem-se minoria…

domingo, 7 de agosto de 2022

Crescimento da Economia na Colômbia

Narcotráfico cresce como nos tempos de Pablo Escobar, ¿Quem o deterá?
O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente de Ecopetrol, um dos economistas mais importantes da Colômbia, analisa o crescimento da produção de cocaína — 8,6 kg por hectare — no país.
Os cultivos, como o da foto no Norte de Santander, se traduzem em uma vida de ricos para narcos disfarçados de “novos ricos”, como o recente caso de Falcon, extraditado aos EUA.
por Juan Carlos Echeverry
(@jcecheverryCol)
Desde os tempos de Pablo Escobar, lá pela década de 1980, o tamanho do negocio da cocaína na Colômbia nunca foi tão grande como aparentemente é agora. A informação das Nações Unidas (UNODC) é preocupante: em um lustro Colômbia passou de uma produção potencial de 290 toneladas métricas (tm) de cloridrato de cocaína puro para 1.200 tm (ver Gráfico 1).
O Departamento de Estado dos EUA tem uma estimativa distinta, como aparece no mesmo gráfico, ainda que não menos preocupante, pois estaríamos a cerca de 970 toneladas métricas de cocaína neste ano (todas as projeções de 2022 são feitas por EConcept com base em diversas fontes).
Como se vê nas duas linhas do Gráfico 1, o crescimento acelerou entre os anos 2013 e 2017. Mais tarde, basicamente se manteve estável a produção, apesar dos aparentes esforços para combatê-la. Se corretas estas cifras, a produção se quadruplicou em menos de cinco anos. É o único sector produtivo da Colômbia com semelhante capacidade de crescimento. Cabe recordar que boa parte de sua atividade ocorre na selva, sob terríveis condições de segurança.
Segundo a ONU, a produtividade estimada de cocaína é de 8,4 kg de cocaína/hectare colhido de folhas de coca, e vai em constante aumento. ¿Quais são as rotas para a exportação? 74% pelo Pacífico, 16% pelo Caribe e 8% por Venezuela.
¿Quanto pode retornar dessa produção para a Colômbia? Segundo estimativas, o preço no atacado oscila entre 7.500 e 10.000 dólares por kg de cocaína pura entregue em alto mar; entre 7,5 e 10 milhões de dólares por tonelada (ver Gráfico 2).
Em consequência, a produção potencial da Colômbia, ao ano valeria entre nove e onze bilhões de dólares (Gráfico 3). Naturalmente, disto se deve subtrair a cocaína apreendida, se realmente ela não volta ao mercado. Para efeitos comparativos, tomaremos o ponto médio destas duas estimativas de ingresso potencial, ou seja, dez bilhões de dólares por ano, na atualidade. Tenhamos em conta que se trata de estimativas e números grosseiros.
Se compararmos esse fluxo potencial de dólares por cocaína com as entradas legais de dólares na Colômbia estimadas para o fim de 2022, o tráfico de cocaína seria na atualidade a terceira fonte de ingressos, depois da exploração do petróleo e o carvão, e das exportações agropecuárias e manufatureiras; e estaria acima das remessas, que se encontram em níveis recorde (que se acercam a nove bilhões de dólares), e o turismo, que também vem se recuperando (Gráfico 4).
De fato, 2022 será um ano recorde de ingressos do exterior, pelas diversas fontes. Podemos dizer que a soma de todos os valores do que vendemos, com o que nossos compatriotas enviam desde o exterior, disparou em 2022. Parte da razão é a boa sorte, que sempre nos acompanha na saída das crises.
Com efeito, o Gráfico 5 mostra que os preços de alguns produtos básicos que exportamos se acham em níveis recorde. Não nos alegremos da boa sorte. A guerra na Ucrânia fez disparar os preços da energia, assim como fenómenos climáticos tem afetado os mercados agrícolas. Se bem que, também fez disparar a inflação, a qual não é benvinda, mas não faz parte do tema que nos ocupa.
Voltando à dinâmica das exportações ilegais, se pode dizer que, apesar da luta contra o narcotráfico e dos apresamentos, o tamanho do negocio da cocaína na Colômbia nunca foi tão grande como agora. Seu poder pode ser tão devastador ou desestabilizador como foi nos tempos de Pablo Escobar e o cartel de Cali. Naquela época, chegou a ser 3% do PIB, e, na atualidade estamos próximos a esse nível.
¿O que pode passar para o futuro? Os preços da cocaína parecem estar no auge, da mesma forma que os de outros produtos básicos. O Gráfico 6 mostra um forte aumento em finais da década passada; esses preços indicariam que se manter-se o imenso incentivo de rentabilidade da cocaína, isso seguirá representando uma seria ameaça para a estabilidade política nas regiões pacífica, sul, oriental e norte da Colômbia.
Uma última reflexão surge ao observar o Gráfico 4. Se forem mantidas as tendências observadas no primeiro semestre de 2022, e ao final do ano se materializa o cenário projetado nessa imagem, Colômbia estaria experimentando em 2022 a maior bonança externa de sua historia. Se esse fosse o caso, ficaria por explicar um aparente paradoxo: ¿como se pode estar desvalorizando o peso colombiano e encarecendo o dólar, em circunstancias de uma bonança externa legal e ilegal de semelhante magnitude?
Certamente, a resposta a essa questão se fixa em que a demanda de dólares está superando a oferta, por maior que esta seja. Apesar da imensa afluência, há mais gente tratando de guardar divisas no exterior, que os que estão tratando de trazê-las ao país. De fato, as importações estão disparadas, e o déficit da  Balança de Pagamentos se ampliou.
Isto indicaria que os colombianos que compram no exterior, e que até maio vinham adquirindo importações em níveis recordes, ou anteciparam uma desvalorização ou se juntaram a um suposto contingente de pessoas que estão sacando divisas (depositando no exterior).
Nesse sentido, há uma controvérsia sobre quanto se deve aos resultados políticos da Colômbia, e quanto se deve ao fenômeno internacional de aumento de juros pelo Federal Reserve dos EUA e ao fortalecimento global do dólar. O Gráfico 7 pode ajudar a responder essas perguntas. Todos os países do gráfico experimentaram alguma pressão de desvalorização. Foi mais forte para Chile e Colômbia, talvez pelos fenômenos políticos recentes. Mas a da Colômbia se manteve, indicando a presença de uma fonte interna que a diferencia dos demais. Bem poderia ser política.
¿Ou a bonança colombiana pode ter como fundo a lavagem de dinheiro?
Fonte: tradução livre de El Colombiano

terça-feira, 5 de julho de 2022

Eis o Que Pode Ser Nosso Futuro

A escola liberal preconiza, quase como dogma, que o Capital depende do Trabalho e vice-versa, estipulando um círculo virtuoso desta relação.
Este dogma não é absolutamente verdadeiro, vez que, sim, o Capital empregado na Economia Real, aquela vinculada à produção, tem a virtuosidade de acionar a Equação de Keynes: Emprego > Renda > Consumo > Lucro > Reinvestimento na Produção > Poupança > Produção > Emprego > Renda, e assim por diante, o que explica o ciclo virtuoso relacionado ao termo macroeconômico de crescimento econômico anual do Produto Interno Bruto (PIB), quando atrelado à Economia Real.
Contudo, quando se fala em Economia Financeira, o ciclo é vicioso e é a maior causa desta guerra que se trava, por enquanto, somente por enquanto, na Eurásia, entre Rússia e Ucrânia, que tende a se espalhar por toda a Europa, envolvendo diretamente a China e os Estados Unidos, numa guerra que promete ser nuclear, química e bacteriológica e que provocará, se acontecer, centenas de milhões de mortos.
Explico: A Economia Real tem lastro real, concreto, em moeda norte-americana, na casa aproximada dos 60 trilhões de dólares, enquanto os bancos alavancam um giro de cerca 300 trilhões de dólares, o que equivale dizer que a economia global tem 230 trilhões de dólares meramente contábeis, não físicos, e sim, virtuais, empenhados em títulos governamentais colocados no mercado.
Aí entra outro termo que sempre se ouve e pouco se explica, chamado “spread”, que nada mais é que o índice de risco dos títulos públicos de cada país, representados por seus bancos centrais.
Quanto maior o “spread” (risco), maior será a taxa de juros que os bancos centrais ofertarão no mercado, ou seja, países que são qualificados por agências internacionais, como a Goldman-Sachs  nem sempre honestas e isentas, mas quase sempre servis a interesses das grandes corporações e holdings financeiras (e que lhes pagam regiamente para direcionar o mercado financeiro global) , tidos como países de risco, estes verão o seu desenvolvimento, cada vez mais, a cada dia, a cada mês, a cada ano, se atrasar, e sua população carecer de bens, serviços e infraestrutura, onerando o povo a pagar, via impostos, taxas e que tais, os juros das dívidas expressas nos títulos, quanto aos valores e prazos.
Em poucas palavras, as corporações financeiras, sobretudo, os grandes bancos, sugam do emprego, da produção, da renda, recursos, empobrecendo os povos e os países, para se locupletarem de lucros escabrosos para a presidência das instituições, diretorias e acionistas.
Some-se ao quadro a questão monetária, no sentido que o Ocidente  lendo-se Ocidente como sendo: Estados Unidos da América, Canadá e Europa Ocidental da Zona do Euro , depois da decisão de 1973, do presidente Nixon, da República dos EUA, de que não mais se tem a obrigação em lastrear a sua moeda em ativos reais, passaram a emitir moeda a rodo, de forma absolutamente irresponsável.
Evidente que o “lastro” destas moedas, sobretudo, Euro e Dólar, se fixa nos critérios do crescimento do PIB, sendo que, o desempenho das corporações financeiras, passaram a integrar o cálculo do PIB de cada país.
Equivale escrever que os lucros estratosféricos advindos com a negociação dos títulos no mercado e com a concessão de créditos a juros compostos, pelos bancos e instituições financeiras  integrantes da Economia Financeira , se expressam como “crescimento” do PIB, de forma desvinculada dos índices que expressam o crescimento das empresas voltadas à produção, que integram a Economia Real.
Sabido que o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), é um bloco que se distingue, antes tudo, pelo tamanho territorial dos respectivos países, e pela abundância de seus recursos naturais e tecnológicos.
Evidente que o sistema financeiro e monetário imposto pelo Ocidente Mundialista, é altamente prejudicial à macroeconomia do bloco BRICS, que além de tudo, deve obrigatoriamente, negociar em dólar norte-americano nos mercados internacionais da Economia Financeira e da Economia Real também.
É esta dissonância, é esta desarmonia, é este desiquilíbrio, a causa maior, principal, da Guerra da Ucrânia, na qual China e EUA se digladiam num braço de ferro que tende a colocar fogo no planeta; com a Rússia  armada até os dentes, e que teve oito anos para planificar a guerra e suas consequências, sobretudo, econômicas , sufocando a Zona do Euro, apertando a sua garganta com corte no fornecimento de gás, enquanto exige que seus créditos sejam pagos em rublos, moeda lastreada toda em ouro.
De feita que não é difícil imaginar que a se continuar assim, o sistema financeiro ocidental quebrará, expondo-se a podridão dos títulos alavancados no mercado financeiro global, não mais bastando, como ocorreu em 2008, a ajuda dos governos em trilhões de dólares aos bancos, para que não ocorresse a falência total do sistema.
Por esta razão, o primeiro-ministro italiano Mário Draghi disse que a Rússia não pode vencer esta guerra, pois que tal seria catastrófico para o Ocidente, especialmente, para a Europa, para a Zona do Euro, e para as agendas globalistas impostas pela ONU, sobretudo, em relação aos costumes e à sexualidade, que visam, antes tudo, desagregar as famílias, atacando a gravidez, via aborto, como meio e modo de desarticular a ligação das mulheres com o direito à maternidade, derrubando assim o principal pilar das sociedades nacionais: a mulher com sua prole e a instituição da família!
Basta, para isto ver e saber, que em 2008 os bancos foram salvos pela enxurrada de dinheiros saído dos Bancos Centrais e dos Tesouros Nacionais, aos trilhões, enquanto, para zerar a fome no mundo, bastaria cerca de 100 bilhões de dólares norte-americanos.
Decorre disto o aviso de Musk, no sentido que muitas empresas ocidentais, que giram o seu capital no mercado financeiro, e se financiam pelos títulos públicos  pois que amplamente deficitárias nos seus balanços, e, mesmo assim, continuam a ser providas de créditos continuados pelo sistema que se alimenta desta contabilidade virtual dos “créditos a receber”, mas que jamais serão pagos , quebrarão, acarretando desemprego em massa, pobreza, fome e desagregação social, quiçá, violenta.
Enquanto isso a China quase dobrou a importação, a bom preço, de petróleo da Rússia, enquanto a Índia aumentou as suas importações de petróleo russo em 800%, valendo-se da relação interna como integrante do BRICS.
Daí, o Brasil deve sim se valer de sua posição de integrante do bloco para manter o seu crescimento econômico real, importando petróleo e diesel russo, assim como já vem fazendo com os fertilizantes, o que garante os altos níveis de crescimento da produção agrícola brasileira.
Uma coisa é certa: Os limites da guerra na Ucrânia já desestabilizaram todo o sistema econômico ocidental, que tende a se liquefazer integralmente, atendendo em grande parte o objetivo de Rússia e China, de impor uma moeda comum do BRICS, como meio de pagamento das transações internacionais, a nível global.
Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa – OAB/SP 146.868
Dia de Vênus, 01 de julho de 2022
90º da Revolução Constitucionalista.
105º da Revelação em Fátima.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Espionagem na América Latina — II

Continuação da matéria anterior.
Alekandr Paristov, um dos espiões russos expulsos da Colômbia
Foto: El Tiempo
Pagavam em dólares por dados de segurança nacional. Indagavam se outros espiões entravam como turistas.
Alekandr Belousov, outro espião
russo expulso da Colômbia
Foto: El Tiempo
Um executivo colombiano admitiu que, em varias entregas e em envelopes lacrados, acabou  recebendo cerca de 10.000 dólares em espécie  uns 50 mil reais  de um cidadão russo que inicialmente se apresentou como assessor de negócios do governo do poderoso Vladimir Putin.
Ele já não lembra se o russo o abordou em um foro acadêmico ou econômico mas, pouco a pouco, foi se aproximando através de encontros casuais e convites a restaurantes e reuniões, onde o moscovita se mostrava como um homem influente e endinheirado.
Mas o suposto assessor de negócios terminou sendo um dos dois espiões que o Governo colombiano expulsou, em 8 de dezembro, em uma decisão diplomática sem antecedentes que tensiona ainda mais as relações com o Kremlin, prejudicadas por seu apoio público e militar à ditadura de Nicolás Maduro.
O governo Duque acusou os dois russos — Alexander Paristov e Alexander Belousov — de estar comprando informações sobre temas estratégicos do país: recursos minerais, redes elétricas, infraestrutura petrolífera e centrais hidroelétricas.
Os espiões russos foram expulsos da Colômbia em 8 de dezembro.
Foto: EL TIEMPO
Desde 2017 rastreávamos este tipo de atividades inusuais. Mas o Governo decidiu agir quando se confirmou que não se tratava de fatos isolados mas sim de um trabalho sistemático e sustentável desenvolvido por pessoal que chegava à embaixada russa com credenciais diplomáticas, mas com treinamento em Inteligencia”, disse um oficial colombiano.
De fato, agora se verifica com agências de Estados Unidos se Belousov, um dos expulsos, é o mesmo espião que o governo Obama baniu  no final de 2016  junto com outros 34, pela suposta interferência da Rússia nas eleições presidenciais daquele país.
Naquela época se falava da participação desses cidadãos em “atividades cibernéticas maliciosas”.
Por suspeitas similares, também foi expulso, neste ano, pessoal diplomático russo da Bulgária, Áustria, Noruega, Eslováquia e da República Checa. Mas a estrategia na Colômbia, que Rússia nega taxativamente, é outra.
Se calcula que cerca de 23 membros do corpo diplomático designados em Bogotá, que ingressaram desde meados de 2016, tem perfis atípicos. Agencias estrangeiras ajudaram a verificar que estavam ligados ao Serviço de Inteligência Exterior (SVR) e ao Departamento Central de Inteligência (GRU).
Armaram pouco a pouco uma rede de informantes sólida e paga, em empresas públicas e privadas, especialmente em multinacionais que prestam serviços à Ecopetrol.
A Rússia domina o mercado do gás na Europa, um recurso político-econômico que diminuiria se petroleiras, como a colombiana, incursionam localmente no ‘fracking’ (fratura hidráulica para extrair óleo cru e gás). De fato, Ecopetrol já usa essa técnica na Cuenca Pérmica no Texas.
A produção de Ecopetrol na Cuenca Permian de EUA, por meio de Fracking, está entre os 10 maiores campos produtores da empresa.
Foto: Ecopetrol
Rastreamento político e militar
Documentos oficiais do governo Trump assinalam que Rússia vem desenvolvendo uma estrategia para boicotar esses projetos. Mas o interesse na Colômbia iria mais além.
Capa de  informe sobre ações russas no tema do gás e fracking. 
Foto: El Tiempo
Alguns dos informantes recrutados foram contatados na Expomilitar, onde os russos entregaram cartões de apresentação citando cargos militares e chegaram a oferecer até venda de armamento moderno.
Asseguravam que tinham acesso a dirigentes militares e a oficinas castrenses chaves. Além da Direção Nacional de Inteligência (DNI), o Exército já havia detectado os movimentos dos possíveis espiões.
Eles insistiam em obter informação do setor energético e tecnológico, mas também indagavam pelo político e militar.
Quando os russos que cumpriam estas tarefas eram movimentados de Bogotá, transmitiam os contatos e missões aos que chegavam”, explicou outro oficial que participou na investigação de Inteligência, batizada ‘Operación Enigma’.
Os espiões não deixavam rastreabilidade nas chamadas a celulares ou mensagens de WhatsApp ou Signal: “Fazem tudo com mensagens escritas que logo destroem ou em encontros pessoais; como a velha guarda da espionagem”.
Ademais, conduziam um esquema de segurança discreto e de alto nível que inclusive lhes proibia deslocar-se por alguns setores de Bogotá e usar o Trans-Milênio.

O voo venezuelano
Ao tráfego de ‘diplomatas’ suspeitos se juntou um inusual aumento de russos em planos turísticos na Colômbia.
Inclusive, os dois expulsos costumavam alugar luxuosos sítios nos arredores de Bogotá e viajavam para Santa Marta, Cartagena e Barranquilla, supostamente em gozo de folgas, para fazer novos contatos.
interesse pela Colômbia se tornou visível em 2 de junho passado, quando Rússia pediu que fosse aprovado um voo humanitário para retirar a seus nacionais, isolados pela pandemia.
Varias coisas chamaram a atenção. Todos foram transportados por uma empresa venezuelana (Avior Airline), e por três pilotos venezuelanos; e vários dos 57 passageiros declararam que estavam de passeio em cidades que não são ofertadas em pacotes turísticos internacionais: Nemocón, Doradal, La Vega, Zipaquirá, Girardot, Chía, Copacabana y Popayán.
E cerca de uma dúzia, que não viajavam em grupo, disseram que estavam de turismo em Córdoba. É possível que o interesse se deva a que uma firma russa participou na construção da represa de Urrao e ainda realize algum tipo de manutenção, explicou uma fonte de Inteligência.
Esse mesmo oficial disse que não é novidade que Colômbia esteja alerta a movimentos inusuais de outros governos. E recordou quMigración Colombia tem expulsado cidadãos cubanos e venezuelanos por espionagem.
Além disso, através de negociações diplomáticas, se freou uma generosa doação de outro governo que queria presentear ‘tablets’ e computadores de última geração a um grupo de mandatários regionais.
Por enquanto, além da expulsão de dois membros do corpo diplomático da Colômbia na Rússia — em uma reação de réplica —, o governo de Vladimir Putin não tomou medidas adicionais sobre as acusações da Colômbia.
Mas não se descarta algum tipo de revide, como um ataque cibernético, para o qual o país já está se blindando.
E damos como certo que a semeadura de espiões na Colômbia será renovada paulatinamente. Se trata de atividades que a Rússia desenvolve em dezenas de países e o nosso — aliado de seu arquirrival, Estados Unidos — não vai ser a exceção, previu um dos investigadores que prepara a ‘Operación Enigma II’.

Agentes britânicos e dos EUA alertaram sobre o trânsito de mensagens criptografadas.
Dezenas de mensagens criptografadas que saíam desde Colômbia diretamente a diferentes áreas do Kremlin, na Rússia, começaram a chamar a atenção de agentes britânicos e dos Estados Unidos.
O tráfico inusual de informação, em meados de 2017, coincidiu com mudanças no corpo diplomático da embaixada desse país em Bogotá e a inusitada ampliação de 23 cargos que foram preenchidos por funcionários com experiencia em Inteligência. 
De imediato, a Direção Nacional de Inteligência (DNI) ativou um dispositivo que teve suas primeiras consequências há poucas semanas, com a descoberta e expulsão de dois dos membros dessa missão: Aleksandr Nikolayevich Belousov, na Colômbia desde 1º de novembro de 2017, que fazia parte do Serviço de Inteligência Militar da Rússia (GRU); e Aleksandr Paristov, integrante do Serviço de Inteligência Exterior (SVR) daquele país, que ingressou na Colômbia em 17 de janeiro de 2019.
Detalhes desta trama estão consignados em um documento que a Presidência enviou há meses ao Embaixador da Colômbia na Rússia, Alfonso López Caballero.
"Desde 2017, começamos a identificação de vários agentes russos no país (...) um deles ficou em evidencia pelas atividades que vinha realizando. Graças a agências de Inteligência estrangeiras conseguimos confirmar que é membro ativo e de alto cargo do Serviço de Inteligência Exterior (SVR)", se lê no documento.
agente começou a recolher informações importantes nas áreas política, econômica e científica, que enviava por mensagens criptografadas a seu país.
Pagando grandes somas, armou rapidamente uma rede de informantes de nacionalidade colombiana com acesso a informações sensíveis de empresas privadas e estatais do sector energético.
Um segundo agente, do Departamento Central de Inteligencia (GRU), foi identificado meses mais tarde e sua presença ativou novos controles depois que se detectaram ameaças de ciberataques.
Em 2019, o primeiro agente foi removido do corpo diplomático e chegou, em sua substituição, outro de maior hierarquia, que herdou sua rede de informantes, ratificando que não era um trabalho pessoal e esporádico, mas sim uma missão oficial. 
"Até então, as informações da espionagem sobre Colômbia saiam exclusivamente pela Venezuela, porém ficou claro que se abriu outra comporta por Rússia", disse um agente de Inteligência. 
Ainda assim, há um dado inédito: pessoas intimas a esses funcionários russos foram retiradas do país quando começou a pandemia, por rotas que passavam por Venezuela e Irã.

Britânicos e estado-unidenses
As evidências coletadas pelas agências britânicas e dos Estados Unidos foram fundamentais para que o governo Duque procedesse diplomaticamente.
Na verdade, as informações que saíram criptografadas não eram somente sobre a Colômbia. Também eram sobre atividades de outras agências de Inteligência e governos aliados, diante de questões como Venezuela e grupos terroristas como Hezbollah.
Do país, saíram para Rússia dados de comissões estrangeiras presentes no país, coordenadas de pontos importantes de produção energética, e informação política.
Contudo, afora de diplomático, o caso tem um componente penal. Estão buscando judicializar às pessoas que venderam informação sensível aos russos: "Além de outros delitos, se configura traição à pátria". 

Tema relacionado (original em espanhol).
UNIDAD INVESTIGATIVA
u.investigativa@eltiempo.com
@UinvestigativaET
Fonte: tradução livre de El Tiempo
*atalhos no próprio texto*
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