Mostrando postagens com marcador América Latina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador América Latina. Mostrar todas as postagens

domingo, 27 de outubro de 2019

A Nova Arremetida da Esquerda na América Latina

.
O texto abaixo se refere à Colômbia, mas serve de alerta a todos os países da América Latina que julgávamos livres do flagelo marxista, particularmente o Brasil.
Sublevações sob motivos medíocres, são conduzidas criminosamente para se tornarem violentas, provocando as Forças de Segurança, a fim de produzirem vítimas e, assim, colocarem a população em franca oposição aos governos democráticos.
Não devemos nos espantar se fatos semelhantes começarem a surgir no Brasil, em atendimento às diretrizes do Foro de São Paulo, agora disfarçado de "Grupo de Puebla", a nova denominação da quadrilha.
Foto:  Grupo de Lima 
COLÔMBIA DIANTE DE VÁRIOS ESPELHOS
Equador, Chile e Peru: nosso país deve captar os sinais dos países vizinhos. Nem todas as causas são transferíveis, mas há elementos comuns. O caso do Chile é muito relevante.
Foi dito na terça-feira passada que a Colômbia e seu governo devem observar com mais atenção o que está acontecendo no Chile, bem como os fatos recentes no Equador. E acrescentaríamos, ainda, os do final do mês passado no Peru.
Equador, pela ampla mobilização de protestos contra as medidas de ajuste econômico e pela opção, finalmente atendida pelo governo, de revogar a medida de acabar com os subsídios estatais à gasolina, o que havia tornado os preços mais caros para os usuários.
Peru, devido à situação fronteiriça de ingovernabilidade em que o confronto sem saída entre o Poder Executivo e o Congresso levou ao encerramento da legislatura deste e à convocação de eleições legislativas antecipadas.
Chile, em função do que hoje já é uma mobilização de caráter nacional, e que desde seu início extrapolou o protesto pelo aumento de passagens do metrô da capital, Santiago. O governo de Sebastián Piñera, acuado, socorreu-se nos militares e nos últimos dias, tenta recompor pela via politica um grande acordo nacional, junto com o controle da ordem pública, social e econômica.
A autocrítica, com um pedido de perdão incluído, expresso por Piñera em um discurso televisivo nacional, superou até o que os partidos de oposição mais radicais esperavam. Paradoxalmente, depois de ouvi-lo e receber o convite para participar das rodadas de um acordo nacional, as forças de esquerda preferiram marginalizar-se e concentrar seus esforços no incentivo à mobilização nas ruas.
Que não conseguira entender o que se movia sob o descontentamento, e a promessa de iniciar uma reviravolta em toda política econômica e social, foi o mea culpa de Piñera, mas não foi suficiente para tranquilizar o país. A questão de saber se o mesmo poderia acontecer por aqui não é simples alarmismo ou especulação caprichosa.
As circunstâncias são muito específicas para cada país, mas existem correntes de opinião facilmente inflamáveis. Na Colômbia, como no Chile, havia uma opinião especializada que coincidia com a versão segundo a qual as bases macroeconômicas eram tão firmes que não havia riscos, pelo menos iminentes, de instabilidade política e institucional.
Na Colômbia, existe um governo moderado e democrático, mas sujeito a assédio político de vários lados, incluindo aliados parlamentares. A campanha diária e permanente dos adversários é incitar a mobilização social, "sair às ruas" sob qualquer pretexto. Isso ficou explícito em marchas como as dos movimentos estudantis. As imagens do Equador e do Chile produzem entusiasmo inquestionável nos políticos colombianos que gostariam da mesma coisa ocorrendo por aqui.
Ao apelo persistente à responsabilidade dos líderes, políticos ou de opinião, para que não exacerbem o ódio, deve-se unir um mais forte aos dirigentes e àqueles que têm responsabilidades institucionais, para que cumpram os princípios e políticas da boa governança, da luta contra a corrupção, que gerem e não freiem o desenvolvimento, que visem revitalizar a criação de empregos e a formalização do trabalho. Mais que tudo: políticas melhores e mais eficazes de igualdade e equidade social.
Uma população da qual são exigidas contribuições cada vez maiores, enquanto por outro lado, grandes setores são informados de que tudo devem esperar do Estado sem que lhes peçam maiores contribuições para sustentar essas obrigações, unem lado a lado os motivos crescentes de inconformismo. Não devemos antecipar eventos ou gerar pessimismo, mas devemos ouvir sinais que nem os líderes nem a sociedade devem ignorar.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: se no Chile e na Colômbia a situação politico econômica pode ser qualificada como estável, o mesmo não se pode dizer do Brasil. A "herança maldita" herdada do petismo ainda se faz muito presente nesta parte inicial do governo de Jair Bolsonaro.
Não podemos esquecer dos que, ao se depararem com um país estável graças ao "Plano Real" do esquecido Itamar Franco — não contentes em roubar o máximo possível —, se dedicaram a manterem-se no poder pela compra do "lúmpen proletariado" por meio da criação de direitos e mais direitos, particularmente financeiros, sem a preocupação de sustentar a estabilidade encontrada. E esses meliantes ainda estão agindo ativamente na sabotagem ao atual governante — contando com a cumplicidade de muitos sedizentes aliados, que somente visam colher benefícios políticos enquanto puderem, exibindo suas faces velhacas logo que tais benefícios possam ser obtidos na oposição.
Ao mau indício advindo da renovação do insidioso Foro de São Paulo sob a nova denominação de "Grupo de Puebla", soma-se o novo período de governo obtido por Evo Morales na vizinha Bolívia.
Não se pode desprezar, ainda, a crítica de outro analista colombiano à hesitação de Sebastián Piñera não reprimindo de pronto as primeiras manifestações tresloucadas e, também, ao não ataque aos gastos públicos — leia-se à maquina burocrática ainda dominada por esquerdistas nela encravados. Tudo muito igual a um outro reino "deitado em berço esplêndido" que conhecemos.
.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Nicaragua — Esperança e Decepção

Editorial
Na sexta-feira passada, 19 Jul, foram comemorados os quarenta anos da revolução sandinista, aquela que em seu momento encarnou a esperança da esquerda latino americana, inspirada em sua mística revolucionária. Na atualidade o balanço da revolução é agridoce porque, para os nicaraguenses, é cada vez maior o desencanto frente ao governo de Daniel Ortega, o símbolo por excelência dessa época que alguns recordam com nostalgia.
Naquele 19 de julho de 1979, a Frente Sandinista de Libertação, uma organização heterogênea e com inclinação para a esquerda, entrou triunfante em Manágua. A fuga para o Paraguai, três dias antes, do ditador Anastásio Somoza  o último representante de uma dinastia que sobreviveu desde 1936, selou seu fim.
O governo de reconstrução nacional que se instaurou depois da queda do ditador, estava composto por cinco membros (Sergio Ramírez Mercado, Alfonso Robelo Callejas, Violeta Barrios de Chamorro, Daniel Ortega e Moisés Hassan Morales). Sua tarefa urgente era restaurar o funcionamento de uma sociedade fraturada por um guerra que, estima-se, deixou entre 35.000 e 40.000 mortos, em meio ao cerco de setores opositores de diferentes origens, que queriam ver os sandinistas fora do poder.
Cinco anos depois da queda de Somoza, a Nicarágua estava outra vez em guerra. A eleição em 1984 de Daniel Ortega como Presidente, com 67% dos votos, foi questionada por seus opositores, que haviam se empenhado pela abstenção. O país se polarizou e as forças antisandinistas, bem financiadas, iniciaram uma guerra civil que terminaria com os acordos de paz de 1990, deixando mais 30.000 mortos e um país devastado.
Os sandinistas perderam o poder em 1990, nas eleições pactuadas como parte dos compromissos para finalizar a guerra. Se seguiram no comando do país: Violeta  Chamorro, José Arnoldo Alemán Lacayo e Enrique José Bolaños Geyer. Ortega recuperou o poder em 2007, depois de várias tentativas, em meio a escândalos de corrupção, e não o soltou mais desde então. Ele acumula cada vez mais poderes, já alterou a ordem constitucional para poder reeleger-se, enquanto aumentam as acusações de corrupção e de violações aos direitos humanos.
O regime de Ortega se parece cada vez mais (nepotismo, confisco de riquezas do país para aumentar a de sua família, perseguição política) ao que combatia há quarenta anos atrás. Não titubeou ao reprimir violentamente as manifestações contra seu governo. A isto se soma o péssimo manejo dado à economia nicaraguense, o que a levou a uma profunda crise. Se estima que a economia da Nicarágua se contraiu 4% em 2018 e que no corrente ano continuará decrescendo (-5,2%). Enquanto isso, a educação segue de má qualidade e os mais pobres permanecem excluídos da escola e continuam marginalizados da sociedade.
Até alguns anos atrás, a celebração dos aniversários da revolução sandinista era sempre uma festa na Nicarágua, porque lembrava aos seus cidadãos a libertação da infâmia de uma ditadura feroz e sanguinária. Porém, pouco a pouco o entusiasmo foi se perdendo, na medida em que o guerrilheiro que venceu a Somoza quer manter-se no poder usando todos os meios. Ortega não quer entender a aspiração de mudanças que almejam os nicaraguenses, se recusa a partir antecipadamente, busca apoio entre os evangélicos mais retrógrados e se aferra ao poder, do qual parece haver se tornado viciado. Triste aniversário.  
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: aparentemente, o sonho dos fundadores do Foro de São Paulo — Fidel Castro (felizmente já nos braços do Capeta) e Lula, zumbi político que teima mugir desde seu cárcere — de restabelecer na América Latina a falida URSS (União das Repúblicas Socialista Soviéticas) vai aos poucos se encaminhando para seu real destino: o lixo da história. Os seus grande "líderes" estão mortos (Fidel, Chavez, Marulanda, Alan Garcia) ou na cadeia (Lula) e lideranças que dele emergiram encontram-se em vias de enfrentar a Justiça (Cristina Kichner e Rafael Correia). A exceção é o vivaldino Evo Morales que, espertamente, já tentou uma aproximação ao Presidente Jair Bolsonaro, na esperança de obter apoio para manter-se no trono boliviano. Recentemente, entre 25 e 28 Jul 19, os "mortos-vivos" dessa quimera maligna reuniram-se em Caracas/Venezuela (o local é emblemático da situação da "entidade") tentando prorrogar a agonia dos estertores dessa nefasta iniciativa.
.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Base Espacial Chinesa na Patagônia Preocupa.

.
A desproporcional base espacial que o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner concedeu à China na Patagônia causa cada vez mais preocupação na Argentina e no mundo, como pode se ver em reportagem do jornal portenho La Nación”.
Base Chinesa na Patagônia não é só civil, diz Exército dos EUA
Teme-se cada vez mais sobre sua verdadeira finalidade. Recentes fatos, como o pouso de uma nave chinesa no lado escuro da Lua multiplicaram os temores.
A base dirigida pelo Exército Vermelho comunista teria também um objetivo militar.
Durante milênios as guerras e as hegemonias imperiais tinham como objetivo supremo o domínio da superfície terrestre.
Em séculos recentes, os impérios coloniais como o inglês privilegiaram o controle dos mares, e dos estreitos que controlam a navegação.
A II Guerra Mundial transferiu essa importância ao controle do ar.
As forças aéreas os aviões primeiro, e os mísseis posteriormente passaram a ser determinantes para o domínio do mundo ou de continentes inteiros.
Hoje o controle do espaço e das comunicações via satélite para usos militares é campo de luta primordial para as potências.
Nesse contexto foi posta em funcionamento num local desértico e afastado uma estação espacial chinesa de observação e exploração que diz ter finalidades “pacíficas”. E isso é o que cada vez menos se acredita.
Pequim ganhou de mão beijada uma área de 200 hectares, perto do povoado de Bajada del Agrio, na província de Neuquén, na estepe patagônica.
A área é na prática um enclave soberano chinês. Funciona sem supervisão das autoridades argentinas, leia-se só vigora a lei chinesa, os trabalhadores e cientistas só são chineses, que não falam espanhol, quase não se fazem ver e obedecem a um general do Exército vermelho.
Infografia publicada pela imprensa argentina
A agência Reuters obteve acesso a centenas de páginas de documentos oficiais dos acordos, aliás secretos, assinados por Kirchner. A documentação foi revista por especialistas em direito internacional.
Os EUA consideram que a China está “militarizando” o espaço e que a estação da Patagônia, acordada secretamente com um governo corrupto é mais um exemplo de táticas chinesas predatórias da soberania das nações, explicou Garrett Marquis, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
Por sua vez, Tony Beasley, diretor do Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA avala que a dita base pode “escutar” os satélites de outros países para surrupiar dados confidenciais. 
Trinta empregados chineses trabalham e moram na base que não admite argentinos, disse a prefeita local, Maria Espinosa. Os habitantes da zona rara vez veem alguém na cidade.
Alberto Hugo Amarilla, dono de um pequeno hotel, conta que um funcionário chinês o saudou com entusiasmo pois tinha sabido que era oficial retirado do exército. O chinês era general...
Base funciona como território soberano chinês.
Apresentando seu informe anual, no Congresso, o chefe do Comando Sul dos EUA, o Almirante Craig S. Faller, manifestou sua “preocupação” porque a base chinesa pode “monitorar alvos estadunidenses”, escreveu o quotidiano Clarin de Buenos Aires. 
Os perigos da penetração informática militar da China na Argentina atingem toda a América do Sul. 
Eles são acrescidos à expansão de empresas engajadas com a telefonia celular, como a Huawei e a ZTE que “penetraram agressivamente na região”, com uma estratégia que “põe em risco a propriedade intelectual, dados privados e segredos de governo”. 
O Pentágono considera, além do mais, que essas empresas incluem dispositivos nos smartphones que comercializam para grampeá-los e repassar os dados à China.
De maneira análoga, segundo a agencia britânica Reuters a base chinesa age como uma “caixa preta” para registrar toda espécie de informações sensíveis. 
Segundo militares citados pela revista Foreign Policy a forma do imenso radar revela que é usado para reunir informação sobre a posição e as atividades dos satélites militares americanos. E sublinham que a China fala muito de um espaço livre de armas, mas é a primeira em não respeitar o que diz. 
No Congresso estadunidense, o almirante Faller elencou entre as “principais ameaças” à paz mundial, a Rússia, a China, o Irã, e seus “aliados autoritários” de Cuba, Nicarágua e Venezuela.
O jornal portenho Clarín publicou fac-símiles do tratado secreto que confirmam esses temores. 
O tratado cria “uma zona de exclusão”, que tem um raio de até 100 kms em volta dos 200 hectares. Nessa “zona de exclusão”, os civis argentinos não poderão acionar aparelhos que usem ondas de rádio “como equipamentos domésticos, dispositivos para carros,” etc.
O prefeito de Bajo del Agrio, a localidade mais próxima à base, Ricardo Fabián Esparza, usou uma metáfora caseira para dizer que tudo se passa como se os chineses quisessem espionar até as peças íntimas de nosso vestuário.
.

domingo, 10 de março de 2019

A Espionagem Venezuelana em Bogotá

por Unidad Investigativa
Na foto, Carlos Pino em Bogotá na companhia de Royland Belisario, membro do SEBIN.
Foto: Arquivo particular
Organismos de Inteligência dizem que há US$ 5 milhões para atos de desestabilização na Colômbia.
Vários dos mais de 700 militares venezuelanos que se entregaram na fronteira com Colômbia vem advertindo a membros de organismos de Inteligência que ao menos dois deles não estão dizendo a verdade sobre o cargo e Unidades a que supostamente pertencem.
Ainda que não se descarte que estejam mentindo para proteger-se das represálias do regime de Nicolás Maduro, está sendo verificado se fazem parte do plano de espionagem que a Venezuela ordenou iniciar há uns meses nas ruas de Bogotá.
El Tiempo teve conhecimento de uma diretriz que organismos de Inteligência colombianos atribuem ao Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas da Venezuela (CEOFANB), datado em 10 de agosto de 2017, na qual se ordenou um deslocamento de “redes de Inteligência exterior em território colombiano, para efetuar operações encobertas em torno a interesses militares e ameaças provenientes de Colômbia e de Estados Unidos”.
O epicentro da espionagem é Bogotá, mas informação de Inteligência assinala que há pelo menos 50 membros do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) dispersos em pelo menos oito regiões do país.
Além disso, asseguram que sua missão se ampliou a controles e vigilâncias a opositores refugiados na Colômbia, a membros de missões diplomáticas de países que apoiam a saída do poder de Maduro e a funcionários colombianos de alto nível.
O dado mais recente que há sobre essa investida assinala que existe um orçamento de 5 milhões de dólares para executar atos de desestabilização na Colômbia, que incluem desde a infiltração nas marchas e protestos, até ações contra Juan Guaidó, o presidente interino de Venezuela.
Com base nessa informação, no final de fevereiro, o chanceler Carlos Holmes Trujillo responsabilizou Maduro por qualquer agressão que possa ocorrer contra Guaidó, que passa pela Colômbia para assistir à reunião do Grupo de Lima.
Há evidencias de que a ordem de planos de espionagem na Colômbia ganhou maior força depois que Duque assumiu a bandeira do bloco de países que exigem a saída imediata de Maduro e o reconhecimento de Guaidó como presidente de transição para que ocorram eleições presidenciais livres.
Assim se lê em documentos de Inteligência, nos quais inclusive, aparecem varias fotos tiradas do embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, Kevin Whitaker, por um agente do SEBIN.
O espião foi revelado ao aproximar-se demais do custodiado diplomata durante um foro sobre migração venezuelana, em 16 de outubro de 2018, a que também assistiu o chanceler Trujillo.


Coletivos chavistas e ELN
As fotos de Whitaker 
 cujo governo não descarta uma intervenção militar na Venezuela  foram enviadas em tempo real (3:44 da tarde) a Royland Belisario, membro do SEBIN, que esteve no serviço diplomático venezuelano em Bogotá e foi visto rondando Cúcuta.
Estas foram as fotos que percebidos membros do SEBIN tiraram do embaixador de EUA e do chanceler Trujillo em Bogotá.  Foto: Arquivo particular
Belisario já havia aparecido em informes de Inteligência, de dezembro passado, que serviram de base para que a Migração Colombiana ordenasse a expulsão imediata do venezuelano Carlos Manuel Pino García, por espionagem. Trata-se de um assessor da missão diplomática de Caracas em Bogotá, casado com Gloria Flórez, ex-congressista do Polo Democrático e secretaria de Governo do governo municipal de Gustavo Petro, entre 2014 e 2015.
Ainda que a ex-congressista tenha interposto uma ação legal desmentindo as acusações, qualificando-as de montagem e exigindo que seu esposo seja devolvido, autoridades judiciais tem evidencias (incluindo áudios), de que Pino mantinha contatos com membros das desmobilizadas estruturas das FARC, e que trabalhava na obtenção de apoios a favor do regime de Maduro.

El Tiempo obteve uma foto na qual ele é visto caminhando por uma rua de Bogotá ao lado de Royland Belisario (no topo da postagem).
Além disso, ele foi relacionado a seguimentos (vigilância) feitos a membros do Tribunal Supremo de Justiça Venezuelano no exílio. Um deles, Zair Mundaray, denunciou fustigamentos durante sua estadia em Bogotá e depois se soube que membros dos violentos coletivos chavistas foram encarregados dessa operação. Ainda, há evidencias de que o SEBIN está em contato com membros do ELN, autores dos mais recentes atentados com explosivos em Bogotá.

A informação do General
O SEBIN e os coletivos chavistas firmam alianças com setores favoráveis à defesa do regime, para criar cenários de crise na Colômbia, como os distúrbios em marchas e as ações do ELN”, explicaram fontes de Inteligência.
Inclusive se sabe que, no primeiro sábado de cada mês, se reúnem com membros da Inteligência de outros países afins a Maduro, para intercambiar informação sobre os objetivos em Bogotá.
Nos últimos três meses, Colômbia já localizou e expulsou pelo menos uma dezena de explícitos espiões e infiltrados do regime de Maduro. Porém os alarmes seguem ativos inclusive em um tema que se acreditava sepultado: um atentado contra o presidente Iván Duque.

El Tiempo constatou que o Major-General Hugo Carvajal  homem forte da Inteligência de Hugo Chávez e de Maduro  já ofereceu entregar informação sigilosa sobre este tipo de planos do regime de Maduro contra a Colômbia.

Migração Colombiana reconsidera a expulsão de "Pau Pau"
Apesar de que, no momento de sua expulsão chorou e insistiu que não era uma espiã do regime de Nicolás Maduro, a Inteligência do Exército colombiano ratificou que a venezuelana Tania Pérez tentou se passar como um dos membros das forças armadas do país vizinho que abandonavam o atual governo.
De fato, foi confirmado que ela responde ao codinome de "Pau Pau" e que sua verdadeira intenção era recolher informação sobre como estão sendo recebidos os uniformizados que abandonam as filas do regime, com a finalidade de envia-la a Caracas para tentar frear as deserções. “É uma ameaça para a segurança nacional”, indicou a Inteligência colombiana.
Entretanto, a Migração Colombiana informou neste sábado (2/3/19) que, com base em novo documento dos organismos de Inteligência, tomou a decisão de não expulsar 'Pau Pau'. El Tiempo obteve de fontes do Governo que a mulher ofereceu entregar informação para “ajudar a restituir a democracia na Venezuela”.
Assim, mesmo que inicialmente não tenha atendido os protocolos de verificação que a Colômbia implementou para atender os desertores venezuelanos, agora ela colaborará com as autoridades colombianas, aportando informação relevante. A decisão de que a mulher permaneça na Colômbia está sustentada em um documento em que deixou formalizada sua vontade de contribuir com a normalização da institucionalidade em seu país.
Tania Pérez, de alcunha "Pau Pau de 28 anos , era membro da Polícia Estatal venezuelana e possui informação sobre movimentos na fronteira com Colômbia por parte do regime de Nicolás Maduro.
O cancelamento da medida de expulsão coincide com a decisão do Governo venezuelano de descender os mais de 700 membros de suas Forças Armadas que se entregaram na Colômbia. Assim consta em um boletim oficial publicado recentemente, onde acrescenta que eles foram expulsos pelos delitos de deserção e traição à Pátria.


Cúcuta, o outro ponto sensível da tensão com Caracas
Para organismos de Inteligência colombianos a melhor evidencia de que há espiões venezuelanos cumprindo missão na Colômbia foi a captura de cinco pessoas, em 19 de fevereiro em Cúcuta, quando se preparava o grande concerto pela paz e a mobilização de ajuda humanitária na fronteira.
Os detidos haviam se hospedado no Hotel Hampton, o mesmo em que permaneciam vários deputados da ala de Juan Guaidó. A SIJIN 
(Seccional de Investigação Judiciária e Interpol) comprovou que o grupo estava acompanhando os movimentos dos deputados, gravando  videos e tomando fotos deles.
Segundo um relatório oficial, conhecido por El Tiempo, no momento de sua retenção disseram ser turistas, que não portavam documentos e que estavam fazendo compras no centro comercial Unicentro.
Mas com um deles, identificado como Oberto Junior Bohórquez Camejo, acharam um passaporte venezuelano, com visto americano, em sua maleta. O sujeito é um intermediário na compra de faturas e portfólios, atividade que está sendo exercida para dar liquidez ao regime.
Seus acompanhantes, que portavam cartões de fronteira falsos, foram identificados como Luis Enrique Duarte Moreno, Erwin Javier Flórez, Jesús María Bohórquez e Laura Elena Carroz.

Temos a certeza de que a mulher é do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) e que todos estão ligados a um programa que se chama ‘Grande Missão de Lares da Pátria’, que depende da vice-presidência venezuelana”, explicou a este diário um investigador.
Embora Laura Elena Carroz não tenha registro de movimentos migratórios legais para a Colômbia, apareceu hospedada anteriormente no Hotel Casino e já tinha outra entrada no Hampton.
Não vamos permitir que cidadãos estrangeiros ingressem em nosso país para afetar a ordem e a tranquilidade social. Sabemos que há um interesse manifesto por parte da ditadura de Maduro para afetar a segurança nacional diante os eventos que estão próximos a realizar-se”, indicou no fim de semana passado Christian Krüger, diretor da Migração Colombiana.
Nessa jornada, que terminou em distúrbios e até na polêmica queima de ajudas, houve outra captura. A de Crober Elías Paraco Silvera, membro ativo da velha Polícia Técnico Judicial de Venezuela (PTJ). O sujeito tomou fotos no posto fronteiriço e, quando interpelado, disse que ia buscar provisões para sua família.
Por enquanto, os alarmes estão ativos no Norte de Santander, Arauca e La Guajira, a fronteira porosa entre Colômbia e Venezuela, por onde estão ingressando os mal chamados desertores do regime. Mas também está sob vigilância outra passagem: a fronteira com o Brasil onde no fim de semana passado (23/2/19) se registraram graves distúrbios. 


Fogo amigo
O que os organismos de Inteligência e agencias de outros países pretendem é habilitar uma plataforma de informação que permita identificar a todos os uniformizados que busquem passar para Colômbia. Além do ingresso de potenciais espiões, o que tentam evitar é que militares venezuelanos e coletivos chavistas os alvejem a tiros, como ocorreu há alguns dias na fronteira com Brasil.

Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
Twitter: @uinvestigativa
 Fonte:  tradução livre de El Tiempo
.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Hezbollah na Tríplice Fronteira - O Bazar da Mentira

O grupo terrorista libanês mantêm suas conexões na fronteira argentino-brasileiro-paraguaia. Desde lá, seus agentes lavam dinheiro, traficam cocaína e enviam recursos às organizações de apoio. 
Um encontro com o homem considerado o máximo agente do Hezbollah na América Latina em Ciudad del Este. 
O cruzamento com o narcotráfico. As manobras através dos cassinos.
por Gustavo Sierra

"¡Entre! ¡Veja! ¡Aqui não temos nada que ocultar!", grita o nervoso Mohammad Youssef Abdallah, enquanto sobe as escadas da Mesquita Verde dos xiitas de Ciudad del Este. Se move como o dono do lugar, que é. Também, como o "líder espiritual e comandante regional do Hezbollah", a qualificação que lhe da a justiça estadunidense. E - de acordo com acusação do assassinado fiscal Alberto Nisman -, um dos envolvidos no atentado contra a AMIA.
"¡Venha, venha!", insiste enquanto caminha dando voltas, e acomoda as pastilhas de Turbah - as cerâmicas redondas que os xiitas usam para rezar e colocam no chão onde tocam com a fronte ao prostrar-se -, fecha um exemplar do Corão e olha ao redor buscando ajuda. Chama a um dos homens que acaba de terminar sua reza e lhe diz algo em árabe. Tenta convence-lo a que fale conosco. O homem, impertérrito, repete "não, não, não, não" e se vai. "Bueno", se resigna Abdallah, "eu vou te responder". Me tira o microfone da mão e não espera nenhuma pergunta. Começa a recitar em voz alta e com um forte acento de Médio Oriente em seu portuñol básico. "¿Quê vês aqui? ¿Vê algum terrorista? ¡Nós não somos terroristas! ¡Aqui não ocultamos nada!", diz olhando para todos lados como se temesse que alguém se acercasse para golpeá-lo. "¡Pergunte, pergunte, pergunte!", repete sem esperar nenhuma pergunta.
"Dizem que somos assim ou não sei como. Mas tu podes ver: somos gente de paz. Viemos aqui para rezar. Esta mesquita fui eu quem a fez. ¿Quê? ¿Financiamos o Hezbollah? Aqui não fazemos política. ¡Pergunte, pergunte, pergunte! ¿Acusados pela justiça de Estados Unidos? ¿Quê justiça é essa? ¡Inventam tudo! Nós estamos aqui já faz 40 anos. Eu construí esta mesquita. Hezbollah está no Médio Oriente. Não aqui. ¿Quê? ¿Lavamos dinheiro para Hezbollah? Todas acusações falsas. ¡Sim, há vários integrantes de nossa comunidade presos! Porém são todas acusações falsas. Sim, o mesmo que isso do atentado da AMIA. Outra mentira … Agora, me vou. ¡Filme o que quiser!".
Abdallah desaparece. É pequeno e, apesar de seus 66 anos se move com agilidade. Só se escuta o ruído dele descendo as escadas "chancleteando" (NT: ruído ao caminhar usando galochas)  com velocidade. Nos deixa no silêncio desta simples mesquita situada dentro de um edifício de 19 pisos na Rua Boquerón, no lado paraguaio da Tríplice Fronteira.

Mohammad Youssef Abdallah, líder da Mesquita Verde de Ciudad del Este. Segundo a justiça estadunidense, também é Comandante regional do Hezbollah e arrecadador do grupo terrorista na região (Lihueel Althabe)
Há três homens rezando, que olham surpresos mas não parecem preocupados em serem filmados. A galeria superior, a das mulheres, está vazia. Descendo pela escada está o setor da ablução, onde os fiéis se lavam antes de rezar. Mais adiante os sapatos, todos acomodados como em uma sapataria antiga. Ninguém pode pisar o tapete da mesquita se não estiver descalço. A saída é por uma galeria que transporta de imediato ao clima de uma viela da cidade antiga de Jerusalém, Bagdá ou Beirute. Uma barbearia com dois grandes televisores onde cantam e bailam artistas libanesas, um local com vitrais cobertos que parece uma "caverna" de transações financeiras e o restaurante "Mezquita", considerado como o mais autêntico dos de comida árabe desta segunda cidade paraguaia. Comemos um kibe cozido de carne picada e trigo burgol enquanto ao nosso redor vários homens tomam café com rolinhos doces de baklava e soltam fumaça dos narguiles. As mulheres só passam com seus filhos para tomar o elevador que as leva até seus apartamentos. De todos modos, o dia já terminava. São apenas quatro da tarde, mas nesse incrível e sofisticado "mercado persa" de Ciudad del Este se trabalha desde o amanhecer e pelo meio da tarde as ruas ficam desertas, cobertas de papelão e lixo.
Enquanto avançávamos entre essa rede de vendedores, aparatos de altíssima tecnologia, a maior variedade imaginável de garrafas térmicas para mate ou tereré e painéis de LED como em Times Square, perguntar pelas atividades de Abdallah e sua mesquita é inútil. Todos fazem cara de bobo, sorriem e perguntam se gostamos da comida árabe.
O informe do Departamento do Tesouro estadunidense – Ato de Prevenção do Financiamento Internacional do Hezbollah, 2015/2016 - diz que Abdallah é o principal arrecadador do grupo terrorista na região. Possui dezenas de propriedades e comércios em Ciudad del Este. Seu domicilio legal está na avenida Presidente Kubitscheck de Foz do Iguaçu, cruzando a Ponte da Amizade sobre o rio Paraná. Nasceu em junho de 1952 no povoado de Khalia do Líbano. Tem dupla nacionalidade paraguaio-libanesa. Está casado e tem dois filhos e uma filha que vivem em Foz e trabalham, como ele, em Ciudad del Este. É um contribuinte permanente de fundos para as associações de beneficência que o Hezbollah controla para manter as famílias de menores recursos do sul do Líbano e o Vale do Bekaa. Através da agência Piloto Turismo teria facilitado passaportes falsos e uma base de comunicações para os agentes libaneses que em 1994 colocaram a bomba na AMIA. Também, de acordo com o Departamento do Tesouro, foi o organizador de uma reunião de alto nível que se realizou em 2004 em Foz com arrecadadores do grupo terrorista libanês de toda América Latina. Viaja frequentemente a Beirute onde se registraram vários encontros com os líderes mais importantes do Hezbollah.

Abdallah também é o dono da Galeria Uniamérica (ex Pagé) assinalada como o centro das atividades dos agentes do Partido de Deus libanês por vinte anos. Hoje, o lugar é só mais uma das muitas espeluncas desse enorme mercado ao ar livre integrado por shoppings de primeira qualidade, como as tendas Paris, Mona Lisa e China, até os milhares de postos armados nas veredas com lonas e suportes de cano. O nome na entrada está bastante descascado. E ao olharmos para cima só vemos quatro pisos de chapas enferrujadas e janelas em ruínas. Vários locais vendem tabaco aromático para fumar com cachimbo de água. Não faltam os comércios de celulares e outros eletrônicos de duvidosa procedência. Os donos dos locais são todos libaneses que falam espanhol com um forte sotaque. Alguns são muito amáveis e até convidam o cliente com um café. O edifício é uma construção muito elementar de três pisos. Ao final do segundo piso há outra saída para a rua. Esse é o caminho que percorrem, ao menos uma vez ao dia, milhares destes comerciantes muçulmanos xiitas para chegar até a mesquita do Profeta Mohammed, duas quadras adiante. Em geral, as outras quatro rezas são feitas em seus próprios negócios. Os sunitas vão a outra mesquita situada a umas quinze quadras, a de Alkhaulafa Al-Rashdeen, na avenida Alejo Garcia. Um domo branco imponente de 18 metros de altura e dois minaretes. O sheik Mohamed Khalid está em seu outro trabalho. Atende sua loja no Shebai Center. É só mais uma das milhares de lojas de vendas de celulares.
Quando conseguimos contornar os turistas brasileiros e argentinos em busca de ofertas, perguntamos pelo Sheik a uma das vendedoras. Khalid sai irritado de seu diminuto escritório para nos dizer que não podia nos atender por falta de tempo e só quer deixar claro que "somos sunitas, não xiitas, e não temos nada que ver com terrorismo". A divisão da comunidade está clara.
A mesquita sunita é a mais imponente de Ciudad del Este. Ali se esforçam por destacar que não tem nada que ver com os xiitas e o terrorismo
Ninguém quer parecer ligado aos personagens que nos últimos meses foram detidos na Tríplice Fronteira conectados com o financiamento do Hezbollah, a lavagem de dinheiro, o contrabando e o narcotráfico. Assad Ahmad Barakat, considerado o maior arrecadador do grupo terrorista na América Latina, esteve fugitivo por quase uma década até que a Polícia de Foz o deteve em 21 de setembro de 2018 a pedido da justiça paraguaia. Formalmente, é acusado de falsificação de passaporte. Mas há muito mais. Em 2004, o Departamento do Tesouro o incluiu na lista de financiadores do terrorismo. "É capaz de por em prática todas as manobras de crimes financeiros que já pudemos detetar", foi a conclusão naquela ocasião de um dos funcionários do edifício vizinho à Casa Branca, em Washington. Na única entrevista que deu, Assad Barakat admitiu ante um repórter da Associated Press em 2001 que era um "simpatizante e contribuinte" do Hezbollah. Emanuele Ottolenghi da Fundação para Defesa das Democracias, um dos maiores especialistas internacionais nas atividades da organização libanesa, assegura que Barakat "é o líder do clã que inclui dezenas de familiares com os quais operou durante anos a nível internacional triangulando remessas desde a Tríplice Fronteira para o Líbano apesar das sanções que pesavam contra ele".
O prestigiado Centro Simon Wiesenthal ficou satisfeito com a detenção de Barakat. "Temos monitorado as atividades terroristas na Tríplice Fronteira há 20 anos. Esta detenção é um sinal de que os três países começaram a trabalhar para erradicar o Hezbollah da América Latina". Assad Barakat está encarcerado no Brasil esperando a extradição ao Paraguai ou diretamente a Nova York onde é responsabilizado em vários casos por lavagem de dinheiro. Assad nasceu em 1967 no sul do Líbano. Depois de perder um irmão e vários outros parentes na guerra civil naquele país emigrou para o Paraguai em 1985. Logo apareceu à frente de varias companhias de importação e exportaçãoApollo, Mondial Constructions – junto a seus irmãos Hatem e Hamzi que operavam na Tríplice Fronteira e na zona franca de Arica, no Chile. Na época viajava com regularidade a Beirute e Teerã para levar dinheiro e manter reuniões com Hassan Nasrrallah, o principal líder do Hezbollah. Nessas viagens teria passado informações vitais para os comandos que depois atacaram a AMIA. Em 2001 foi acusado no Paraguai por evasão de impostos e associação criminosa. Em junho de 2002 foi preso em Foz e extraditado para Assunção onde cumpriu uma sentença de seis anos e meio. Em 2009 regressou ao Brasil de onde continuou operando nas sombras até sua nova detenção. 
Assad Ahmad Barakat foi preso em 21 de setembro de 2018. É investigado por lavagem de dinheiro, contrabando, narcotráfico e inúmeras manobras financeiras para financiar o Hezbollah.

Um de seus sócios é Sobhi Mahmoud Fayad, que chegou a Ciudad del Este vindo do Líbano em meados da década de 90. A policia paraguaia o prendeu em 1999 quando realizava uma tarefa de vigilância frente à embaixada dos Estados Unidos em Assunção. Era membro de uma rede que planejava um atentado. Ele cooperou na investigação e deu dados substanciais nos interrogatórios dos agentes da CIA. Ele foi liberado um ano mais tarde. Depois se descobriu que Fayad enviou ao menos 3,5 milhões de dólares à Organização de Mártires do Hezbollah (al-Shahid), pelo que recebeu uma carta de agradecimento do comandante supremo Sayyed Hassan Nasrallah.
O Departamento Antiterrorista da Policia Nacional paraguaia (DAT) acredita que Sobhi Fayad, Assad Barakat e Ali Hassan Abdallah foram os três principais captadores de fundos do Hezbollah designados para a região. O Comitê contra o Terrorismo das Nações Unidas divulgou um informe indicando que o clã arrecada mais de 200 milhões de dólares ao ano para enviar a Beirute.
Outro personagem importante do clã foi Ali Khalil Mehri, um libanês naturalizado paraguaio, residente em Ciudad del Este. Mehri foi acusado pela policia paraguaia de vender milhões de dólares em software falsificado e canalizar os ganhos para o Hezbollah e suas organizações paralelas al-Muqawama e al-Shahid. Também produziu varias películas de propaganda para o Partido de Deus. Mehri fugiu em 2000 e se acredita que morreu 15 anos mais tarde na guerra civil síria enquanto comandava um grupo de assalto do Hezbollah.
Outro Barakat, Mahmoud Ali, foi extraditado pela justiça paraguaia aos Estados Unidos em novembro de 2018. Está acusado de lavagem de dinheiro do narcotráfico. E de transferir parte desses fundos a contas em um paraíso fiscal do Caribe relacionadas com o Hezbollah. Foi detido em 25 de junho em sua casa no segundo piso do edifício Líder 4, na rua Estrella quase esquina com O'Leary, de Assunção. Na mesma operação também caiu Nader Mohamad Farhat, sócio deste Barakat, que manejava as transferências através das sucursais da casa de cambio Unique S.A.
em Ciudad del Este, da qual era dono junto a sua esposa taiwanesa Wu Pei Yu. O fiscal Marcelo Pecci, da Unidade de Luta contra o Crime Organizado paraguaia, acredita que esses homens formavam parte de uma rede mais ampla por meio da qual enviavam drogas e recursos ilícitos à Europa e Oriente Médio. Eles teriam realizado operações superiores a 1.300 milhões de dólares. De acordo com uma fonte judicial paraguaia, sua extradição a Miami – onde é buscado por narcotráfico - está sofrendo forte resistência da Embaixada libanesa em Assunção. "Evidentemente, é um homem com contatos poderosos no Líbano", comenta.
Mahmoud Ali Barakat, extraditado em novembro passado aos EUA onde será julgado por lavar dinheiro do narcotráfico e transferir o dinheiro a uma conta do Hezbollah no  Caribe (Ministério Público do Paraguai)
Em agosto de 2018, se descobriu outra manobra do Clã Barakat e sua colaboração com o Hezbollah: a lavagem de dinheiro através dos cassinos de Porto Iguaçu, no lado argentino. Desta vez era Hassan Ali Barakat, sobrinho de Assad, que trocou fichas no valor de 3.750.000 dólares e introduziu o valor no sistema bancário brasileiro sem o declarar ao fisco. Ele cruzou as fronteiras 620 vezes entre 1º de janeiro de 2015 e 19 de outubro de 2017, incluindo 332 entradas na Argentina. Houve ocasiones em que viajou até três vezes em um dia a Porto Iguaçu. Em geral, era acompanhado por seu irmão Hussein. Ao detetar a manobra, a Unidade de Inteligência Financeira da Argentina (UFI) emitiu um alerta a 50 bancos, casas de câmbio, cassinos e financeiras de todo o mundo onde haviam circulado "ativos relacionados com o crime organizado ou o financiamento do terrorismo" deste grupo. Foram detidas 14 pessoas, todas de origem libanesa. Três com dupla nacionalidade paraguaia e o resto brasileiros.
Dois meses antes, em junho de 2018, foi desbaratada outra grande operação dos Barakat pela qual pretendiam apoderar-se do estratégico aeroporto municipal de Capitão Bado, em território paraguaio e bem próximo da fronteira com o Brasil. Em uma manobra fraudulenta, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert) do Paraguai cedeu o imóvel por apenas 5 milhões de Guaranis (menos de 1.000 dólares) a Alí Hatem Barakat, um jovem de 24 anos, sobrinho de Assad Barakat. Na manobra esteve implicado o então presidente do Indert, Luis Ortigoza, que entregou os nove hectares onde se encontra a pista de 1.100 metros,  pavimentada com cascalho, onde podem aterrissar aviões de pequeno porte como os que diariamente transportam cocaína da Bolívia para Argentina e Brasil. O imóvel está situado a metros da fronteira seca paraguaio-brasileira e junto a estrada que une Capitão Bado à cidade de Pedro Juan Caballero. Segundo os dados do caso, Alí Hatem Barakat nasceu em Ciudad del Este em 13 de janeiro de 1990. Na solicitação de compra do lote CH-92 se declarou "agricultor com cinco anos de ocupação do imóvel". Mas em seu perfil no Facebook assegura que reside em Santiago de Chile e viaja permanentemente a Foz do Iguaçu. Pelas fotos se pode ver que Alí Hatem leva uma vida muito melhor que a de um pequeno agricultor. É filho de Hatem Barakat, irmão de Assad, que vive atualmente em Iquique, Chile, onde se dedica ao comercio na zona franca dessa cidade. Segundo o portal da embaixada estadunidense em Assunção, Hatem foi investigado pela Interpol de Buenos Aires por sua vinculação com células do Hezbollah. Um terceiro irmão, Hamze Ahmad Barakat, também comerciante que integrava a sociedade que ia ficar com o aeroporto, foi detido em maio passado em Curitiba, Brasil, acusado de perpetrar uma fraude milionária.

Apesar das evidencias, a comunidade xiita assegura que tudo é uma manobra para desprestigia-los. "Isso é o que fazem habitualmente com a gente da Tríplice Fronteira para vincula-la ao Hezbollah e montar a imagem de que há tráfico de drogas, de que há lavagem de dinheiro e que se ajuda o Hezbollah com as finanças. Isso é irreal e falso", diz Galeb Moussa, um jornalista de origem libanesa correspondente do serviço em espanhol da rede iraniana HispanTV e vinculado à mesquita xiita do bairro de Flores em Buenos Aires. A especialista em segurança e inteligência venezuelano-estadunidense, Vanessa Newmann, coloca isso em contexto: "Na Tríplice Fronteira todo está misturado. A maioria da comunidade libanesa nos três países faz negócios, alguns lícitos e outros nem tanto. Mas entre eles há outros comerciantes que mantém suas conexões com o Hezbollah e estão fortemente comprometidos através de suas famílias. Fazem negócios um pouco para eles e outro pouco para o Partido de Deus que protege a seus parentes no Líbano. E a isto há que somar alguns agentes operativos diretamente relacionados com o grupo terrorista".
A mesquita xiita Husseiniyya Iman Al-Khomeini de Foz do Iguaçu permaneceu fechada na semana em que estivemos na zona. O sheik Khalid está viajando, me informa seu filho Mortadha. Foi visitar seus colegas de Curitiba e São Paulo. Ali há uma ampla comunidade árabe xiita. Em todo Brasil há uns oito milhões de libaneses e seus descendentes. Como no resto do mundo, 80% são sunitas e uns 15% xiitas. Ninguém quer falar dos Barakat ou do Hezbollah. "Para nós é um tema com o qual não temos nada que ver", diz uma pessoa que me responde do outro lado do interfone e que não quer informar seu nome. Na outra mesquita sunita de Omar Ibn Al-Khattab, na rua Meca de Foz, Mohamed Beha Rahal, presidente do Centro de Beneficência Muçulmana
nos recebe. "Somos mais ou menos 20.000 libaneses aqui em Foz, quase 10% do total da população. E somos brasileiros. Estamos aqui desde 1949 quando tudo isto era uma enorme selva", explica com voz amável em seu melhor portuñol. "Eu respondo por minha comunidade sunita. E tenho a certeza de que nenhum de nós está envolvido com nada que tenha que ver com o terrorismo. … Eles que respondam por si mesmos. Eu não posso responder por eles", agrega. Aqui também se sente a cisão e o rancor pelos que operam para o Hezbollah. E o jornalista Ali Farhat, chega a atribuir essa má imagem ao presidente eleito Jair Bolsonaro que ganhou em Foz com 56% dos votos. "Se aproveitou do assunto. Usou como propaganda. Disse que estava ameaçado pelo Hezbollah. E todo mundo sabe que isso é mentira", diz com voz firme e atitude aborrecida.
O sol vai caindo e o Paraná parece dourado desde o marco que assinala esta frágil fronteira. Um barquinho vai de uma margem à outra em apenas cinco minutos. A Ponte da Amizade adquire uma calma momentânea que se romperá em apenas umas horas. Será quando dezenas de milhares de pessoas voltem a cruzar desde Foz para Ciudad del Este antes do amanhecer e em sentido contrario ao meio da tarde. E entre eles, camuflados, agachados, disfarçados entre a maré de comerciantes, carregadores, compradores e curiosos, os agentes do Hezbollah dispostos a encontrar alguma nova brecha para lavar dinheiro, envia-los aos combatentes de Beirute ou preparar toda a infraestrutura para o momento que se decida atacar.
Fonte:  tradução livre de InfoBae-América
COMENTO: de tempos em tempos, surgem publicações como esta, citando locais e personagens da Tríplice Fronteira suspeitos de ligação com o terrorismo internacional. Tenho a suspeita de que os serviços de Inteligência com interesse no assunto incentivam essas publicações para que autoridades dos três países citados investiguem as supostas atividades suspeitas. 
Por outro lado, o cuidado com nossas fronteiras deve ter um destaque nos planos do novo governo. Não podemos continuar nessa situação de enormes deficiências no controle da entrada de estrangeiros por nossas extensas fronteiras, assunto já tratado aqui
Em 13 de maio de 2014, a coluna do jornalista Claudio Humberto, publicou uma nota preocupante. Segundo ele, o Itamaraty, emitiu a circular telegráfica nº 94443/375, de 7 de maio daquele ano, instruindo embaixadas e consulados a darem vistos – sem consulta prévia ao Brasil – para nacionais do Afeganistão, Irã, Iraque, Jordânia, Líbano, Líbia, Palestina, Paquistão e Síria, regiões tomadas por grupos terroristas.
Essa decisão irresponsável do Itamaraty, que afeta a crítica área de segurança, é agravada pela falta de estrutura e pessoal qualificado nas embaixadas e consulados, que se valem de contratados locais para analisar os pedidos de vistos.
Há quem afirme que esse ingresso aparentemente desorganizado de haitianos e naturais do denominado "Mundo Islâmico", somados aos cubanos do "mais médicos" - programa já extinto mas cujo efetivo foi denunciado estar infiltrado por muitos médicos militares com experiência de combate na África -, colombianos ligados à narcoguerrilha e paraguaios do mesmo naipe, na realidade serve para uma muito bem organizada invasão de "cumpanhêrus" revolucionários.
Quero destacar que nada há aqui contra os seguidores do Islã, somente usei o termo "Mundo Islâmico" para referir geograficamente os nacionais cujo ingresso no Brasil foi facilitado de forma inusual
.
Felizmente, temos passado incólumes, em termos de terrorismo internacional, por grandes eventos mundiais como os Jogos Pan-Americanos de 2007, o Encontro Mundial da Juventude Católica de 2013, a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 além da posse do novo Presidente da República no último dia 1º de janeiro. A atuação "suspeita" de agentes iranianos no Cone Sul não é novidade. Após muitos anos de protelações, ressurge periodicamente a denúncia de "acordo" entre os governos iraniano e argentino para "abafar o caso" AMIA. Será que continuaremos tendo a sorte de não sermos vítimas de atentados terroristas em função de "todos amarem o Brasil" (e servirmos de base de refúgio para bandidos de todos os naipes, inclusive terroristas procurados na Europa e Oriente Médio, que para cá se dirigem até "baixar a poeira")? Ou podemos confiar em nossos dispositivos de segurança?
.

domingo, 20 de maio de 2018

Ortega na Corda Bamba

por Andrés Hoyos
Daniel Ortega, êmulo de Somoza, sempre se apresenta flanqueado por sua esposa Rosario Murillo, uma caricatura viva das bruxas dos contos de fadas, que se atreve a publicar maus versos em um país de grandes poetas. Pois bem, ainda que a ditadura na Nicarágua esteja cambaleante, o casal modelo está disposto a fazer o que seja para manter-se no poder. E digo “o que seja”, pois inclusive se oferecem para “negociar”.
Um ditador, se além de tudo é um psicopata — e não se deve esquecer nem por um instante que Ortega é um violador serial que submeteu a sua enteada, Zoilamérica Narváez Murillo, a anos de abuso sexual —, não faz concessões se se sente sólido em seu posto; no máximo finge faze-las para logo contra atacar na primeira piscada. O grande paradoxo é que se de algum modo se vê obrigado a ceder em algo, como permitir que uma missão da CIDH visite o país para julgar a situação ou entabular um diálogo forçado por uma Igreja Católica subitamente militante após décadas de passividade, é porque a ameaça é muito séria.
Importa muito entender que Ortega está perdendo a crucial batalha dos símbolos. Em Masaya, praça forte do sandinismo histórico, fica o emblemático bairro indígena de Monimbó, onde há 40 anos o somozismo assassinou Camilo Ortega, irmão do presidente. Pois bem, os artesãos de Monimbó já contam cinco mortos na atual batalha contra o irmão de seu antigo herói. Há um segundo símbolo que Ortega acaba de perder: Niquinohomo, o povoado onde nasceu Sandino. Ali também se levantaram os moradores e, segundo reporta El País, ocorreu uma dura batalha para decidir que cores deveriam vestir a estátua do herói, se vermelho e preto, segundo a velha bandeira anarquista da FSLN, ou azul e branco, as cores da nação. Os moradores de Niquinohomo se arriscaram ao enfrentar os esbirros de Ortega mas não desistiram de evitar a afronta a seu prócer colocando nele uma vestimenta que associam ao ditador.
Após 26 dias de protestos ininterruptos, 54 pessoas morreram nas ruas de distintas cidades do país. FOTO REUTERS
É claro que não se pode assegurar que Ortega caia porque estas ditaduras “eleitorais” do século XXI tem demonstrado serem muito engenhosas na hora de sustentar-se no poder; também sabem roubar e muito mais. Até alguns anos atrás, Ortega parecia firme e seguro em seu posto. Mesclava uma repressão seletiva, uma corrupção abundante e alguns pactos que considerava indispensáveis: com os militares — a Polícia ele domina desde anos pois está sob o mando de Francisco Díaz, um familiar seu —, com os empresários e com Nicolás Maduro, o grande benfeitor. Mas os petrodólares venezuelanos desapareceram de forma súbita e o regime está quebrado.
Ainda que a tentação óbvia seja fazer paralelos com a Venezuela, as situações de ambos países diferem bastante. Na Nicarágua o combustível da legitimidade eleitoral se esgotou há muito tempo. Também, enquanto Maduro mantém o inefável general Vladimir Padrino López comendo em sua mão como um gatinho desdentado, o Exército nicaraguense acaba de distanciar-se de Ortega e diz que não reprimirá mais a população. Algo deve andar mal aí, porque o ditador vem dependendo cada vez mais tanto do aparato paramilitar que responde diretamente a suas ordens quanto da Polícia.
Enfim, como demonstram Nicarágua e Venezuela, tirar ditadores do poder implica um processo difícil e sangrento. O melhor é não deixa-los chegar a ele quando andam disfarçados de democratas e prometem crepúsculos rosados.
Fonte: tradução livre de El Espectador
COMENTO:  Enquanto a imprensa brasileira destaca a violência israelense contra os palestinos - culpando Donald Trump -, o tarado nicaraguense promove um massacre - 54 mortos em 26 dias, só em protestos - contra seu próprio povo, sem que os canalhas sedizentes jornalistas, seguindo as diretrizes do Foro de São Paulo, deem importância ao que ocorre na América Central. Nojo dessa imprensa de merda!
.

sábado, 20 de janeiro de 2018

A “Surpresita” Que Assusta os Venezuelanos

.
Nas pontes internacionais de Cúcuta, a uma semana concentram-se centenas de pessoas
 buscando chegar à Colômbia. - Foto de Julio Cesar Herrera.
por Rosalinda Hernández C.
transcorreram oito dias desde que o presidente Nicolás Maduro anunciou, em uma cadeia nacional de rádio e televisão, que tomaria medidas drásticas, como o fechamento aéreo e marítimo, ante a saída ilegal de produtos nacionais para as ilhas do Caribe - Aruba, Curazao e Bonaire - e que tem uma "surpresinha" pronta para a fronteira colombiana, isto é, Cúcuta e Maicao.
Em consequência, os efeitos não se fizeram esperar e em questão de dias a passagem de venezuelanos pelas pontes internacionais - Simón Bolívar e Francisco de Paula Santander - aumentou a ponto de gerar um colapso. Devido a isso, as autoridades colombianas de Migração e a Polícia Nacional tiveram que intervir e reorganizar as intermináveis filas que se formam e que tem até 300 metros de comprimento.
As ruas adjacentes à Aduana principal de San Antonio estão abarrotadas de transeuntes que correm buscando a saída para a Colômbia.  É o caso de Cesar Salazar a quem as declarações de Nicolás Maduro fizeram tomar a decisão de migrar junto a sua esposa.  “A situação que vive o país é aviltante. Nós decidimos ir para Bogotá, lá estão há cinco meses meus três filhos trabalhando. Maduro está alcançando seu propósito que não é outro que é fazer quem o conteste partir, que saiamos do país. Aqui ficam só os manipuláveis, os que se deixam dominar. Daí vem esses anúncios e ameaças que geram inquietude no povo que quer sair”, assegurou o venezuelano sentado junto a uma pilha de maletas.

Regressou para buscar a família 
As declarações de Maduro cruzaram a fronteira e chegaram até Bogotá, onde reside Ramón Meléndez, um venezuelano de 47 anos que, desde agosto foi trabalhar na capital colombiana para enviar dinheiro à sua família que ficou em Barquisimeto.
Ramón, na passagem por San Antonio, advertiu:  “venho para leva-los”, disse com notável preocupação a El Colombiano.  “Regresso para levar minha esposa e os meus dois filhos. As ameaças extremas e o temor que criaram as recentes declarações do presidente nos fazem pensar muito e é melhor sair antes que se invente qualquer coisa. Venezuela não vai mudar. O país está muito destruído”.
Também há a história de Nereida James que, enquanto se despedia de sua família na ponte internacional, avisou que adiantou a viagem por temor a um eventual fechamento da fronteira. “Entre meus vizinhos e alguns amigos, consegui vender meu carro, uma moto e todos os aparelhos eletrodomésticos da casa e móveis. Não tenho um plano definido, só queremos sair do país”, disse. 

Os mais prejudicados 
Ninguém tem claro na fronteira do que se trata a "surpresa". Sem dúvida, se especula que poderia ser uma manobra política ou um regime especial aduaneiro. O que está claro é que o caos que gerou segue latente.
Aqui ninguém sabe o que vem para a fronteira depois do anúncio do presidente. Não sabemos se a surpresa se trata da implementação de um regime econômico especial, controlado ou por cotas como funciona na Ilha Margarita ou qualquer outra situação. O presidente não pode ser irracional e desumano pretendendo fechar uma importante via de acesso de comidas e remédios ao povo venezuelano”, disse Edgardo Sandoval, empresário aduaneiro de San Antonio.
Ante a multidão que passa diariamente da Venezuela para a Colômbia, o prefeito do município colombiano Vila do Rosário, Pepe Ruiz, assinalou que serão redobradas as medidas de segurança nas imediações da ponte internacional Simón Bolívar.
Infelizmente tem aumentado o ingresso de venezuelanos nos último dias pela fronteira, muito mais do que estamos acostumados a ver na temporada dezembrina. Isto é devido ao grande problema que se apresenta na Venezuela”, disse.
Explicou que implementarão um plano de choque paraevitar que os que chega nos invadam os ginásios, ruas e praças. Os que estão sem documentos terão que ser deportados de novo ao seu país, informou o prefeito colombiano.
Ele também não descartou que após os anúncios de Nicolás Maduro se apresente um novo fechamento na passagem entre ambas as nações.

Contraponto
Um leve incremento no número de entradas e saídas de cidadãos nacionais e estrangeiros, cerca a 7% superior a outros meses do ano, se apresentou nas últimas semanas. Assim observou Christian Krüger Sarmiento, diretor geral de Migração a Colômbia, que indicou que este aumento obedeceria à dinâmica migratória que se apresenta na região durante a temporada de fim de ano, dado que na zona de fronteira a grande maioria das famílias estão compostas por cidadãos de ambos países ou, porque os cidadãos venezuelanos ingressam, durante estas datas, ao território nacional com o propósito de abastecer-se de alimentos e produtos de primeira necessidade, para passar estas festas.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano