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domingo, 3 de março de 2019

Jornalismo Sob Pressão

por Renato Sant'Ana
Da infinidade de virtudes imagináveis, qual será a mais desejável em um jornalista? Na era da ciberfrivolidade, uma pergunta assim é "ponto fora da curva" (permitido o lugar comum). E também por isso será válida.
A morte do jornalista Ricardo Boechat, em 11/02/19, causou grande comoção, quer pelas circunstâncias do fato, quer por ser ele muito querido e admirado por colegas e pelo grande público. Mas não é dele que se trata aqui, senão de uma fala recorrente entre seus pares, ao lamentar sua partida.

Desde militantes da Folha de S. Paulo até rapazes da equipe de esportes da Rádio Gaúcha, jornalistas articularam o discurso do vitimismo: "Ele nos deixou num momento crítico em que o jornalismo tanto precisa de alguém que denuncie o que está acontecendo", eis o que se repetiu numa abordagem cuja síntese é a afirmação de a imprensa estar vivendo dias de cerceamento, o que, no Brasil, não é verdade.
Mas uma parcela da imprensa deve estar mesmo desconfortável em razão de mudanças que, do ponto de vista da sociedade, são bem positivas: a população mais escolarizada já não engole qualquer coisa que saia nos noticiários. E uma das causas é o contraponto que as "mídias alternativas" fazem às mídias tradicionais (rádio, TV e jornal), inclusive desmascarando jornalistas favoráveis a causas revolucionárias.
Até 2013, quando atingimos o ponto de saturação e o país começou a mudar, os queixosos de agora tinham a vida mais folgada: era mais fácil engrupir o público. Quer dizer, a militância ideológica travestida de jornalismo não tinha, como hoje, o desconforto de uma enérgica e amplamente compartilhada contestação.
Mas as redes sociais ganharam corpo e a moleza acabou. Hoje, se black blocs destroem automóveis de uma loja de carros importados, se o MST põe fogo em tratores e plantações de uma fazenda altamente produtiva, se o movimento dos sem-teto cobra aluguel em um prédio invadido e tranca as portas para controlar as pessoas, não adianta a mídia tradicional se omitir nem querer dourar a pílula. Haverá sempre um abelhudo para gravar imagens no smartphone e mandar às redes.
Em suma, especialmente a partir de 2013, o núcleo hegemônico da imprensa, cabresteado pelo Foro de S. Paulo (organização que esse núcleo finge ignorar), vem sendo desmascarado e repelido.
À parte de excessos e fake news, as redes sociais tiveram a faculdade de revelar o que todo mundo via sem ver: "o rei está nu!". Os que hoje se queixam assistiram, no passado recente, à instituição da corrupção como método de poder, ao aparelhamento do Estado e à imposição de um projeto de subversão das instituições concebido com cinismo revolucionário. Mas não denunciaram! Terá sido por ignorância ou por conveniência? Tanto faz! Merecem repúdio. E hoje o têm! E se queixam.
Mas as mídias tradicionais vão acabar? Em essência não! Pode até desaparecer a impressão em papel, por exemplo, mas não o jornalismo profissional. Haverá sempre uma busca de credibilidade, inexistente no mundo anárquico das mídias sociais. E quem tiver competência e independência de caráter é que vai granjear a confiança do público.
E assim chegamos a um esboço de resposta à pergunta inicial. Sem dúvidas, uma das virtudes mais apreciáveis num jornalista e, de resto, em qualquer pessoa é "honestidade intelectual", que é a materialização do irrefreável desejo de buscar a verdade, sobre si mesmo e sobre a realidade do mundo.
Renato Sant'Ana é Psicólogo e Advogado.
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domingo, 24 de fevereiro de 2019

A Tomada de La Serra: 74 Anos

por Sérgio Pinto Monteiro*
Há setenta e quatro anos um pelotão do Regimento Sampaio escreveu, nos campos de batalha da Itália, páginas gloriosas da história da Força Expedicionária Brasileira. Seu comandante era o Primeiro-Tenente da reserva convocado Apollo Miguel Rezk.
Apollo nasceu no Rio de Janeiro em 09 de fevereiro de 1918. Era filho de imigrantes: pai libanês e mãe síria. Fez seus estudos no Colégio Pedro II. Em 1935 tentou, sem êxito, entrar para a Escola Militar do Realengo. Seus pés planos e uma reprovação em Física impediram a realização do sonho de ingressar na carreira militar.
A idade de prestação do serviço militar obrigatório conduziu o jovem Apollo ao CPOR do Rio de Janeiro. Aprovado nos exames médico, físico e intelectual, após os três anos do curso do CPOR foi declarado Aspirante a Oficial da Reserva e classificado em 10º lugar entre os setenta concludentes da Arma de Infantaria, turma de 1939.
Em 1940 formou-se Perito-Contador na Escola Superior de Comércio do Rio de Janeiro. No ano seguinte foi convocado para realizar o Estágio de Instrução no Regimento Sampaio, promovido a Segundo-Tenente e desligado do serviço ativo do Exército. Em 1942 foi convocado para o Estágio de Serviço, novamente no Regimento Sampaio. Estudioso, concluiu em 1943 o bacharelado em Ciências Econômicas na Faculdade de Administração e Finanças da Escola de Comércio do Rio de Janeiro.
Ainda nesse ano foi promovido a Primeiro-Tenente e convocado para a Força Expedicionária Brasileira, em fase de formação e adestramento.
Apollo embarcou para a Itália como oficial subalterno, Comandante de pelotão da 6ª Companhia do II Batalhão do Regimento Sampaio. O 2º escalão da FEB seguiu para o Teatro de Operações no navio transporte de tropas americano “U.S. General W. A. Mann”, que partiu do armazém nº 11 do porto do Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1944, ancorando em Nápoles no dia 06 de outubro.
Na noite de 23 e madrugada de 24 de fevereiro de 1945, atuando em apoio à 10ª Divisão de Montanha americana no ataque a La Serra, o pelotão comandado pelo tenente Apollo, após ultrapassar um extenso campo minado, atacou as posições fortificadas alemãs. Apesar do intenso fogo inimigo, o pelotão Apollo cercou o objetivo, investiu contra a posição e pôs em fuga os alemães, fazendo cinco prisioneiros. Ferido em combate por volta das 23 horas, o tenente Apollo, cercado e contra-atacado, manteve a posição durante toda a madrugada e manhã do dia 24.

19.05.45 – Ten Apollo, único brasileiro 
agraciado com a Cruz de Serviços Notáveis,
 dos  EUA, é condecorado pelo
Gen Truscott – Alessandria, Itália.
Por esta missão foi condecorado pelo governo americano, em 19 de maio de 1945, com a “Distinguished-Service Cross”, único brasileiro agraciado com essa importante medalha de bravura:
“... por heroísmo extraordinário ... a despeito de campos de minas desconhecidos, terreno excessivamente difícil e forte oposição, o Primeiro-Tenente Rezk conduziu galhardamente os seus homens através de uma cortina de fogo de metralhadoras, morteiros e artilharia, para assaltar e arrebatar o objetivo do inimigo. Embora gravemente ferido quando dirigia o ataque, o Primeiro-Tenente Rezk nunca hesitou: pelo contrário, continuou firmemente o avanço ... repeliu três fortes contra-ataques, infligindo pesadas perdas aos alemães pela sua habilidade na condução do tiro. Depois, embora em posição vulnerável ao fogo das casamatas do inimigo circundante e a despeito das bombas que caiam e da gravidade dos seus ferimentos, o Primeiro-Tenente Rezk defendeu resolutamente La Serra contra todas as tentativas fanáticas dos alemães para retomar a posição. Pelo seu heroísmo, comando inspirado e persistente coragem, o Primeiro-Tenente Rezk praticou feitos que refletem as mais altas tradições do serviço militar.”
(tradução de trechos do documento original em inglês feita pela Seção Especial do Comando da FEB).
O comandante da FEB, General João Baptista Mascarenhas de Moraes, em Citação de Combate de 09 de abril de 1945, assim se manifestou quanto às ações do tenente Apollo na conquista de La Serra:
“... a personalidade forte, o espírito de sacrifício, a combatividade, a tenacidade, o destemor do tenente Apollo constituem belos exemplos, dignos da tropa brasileira.”
30.03.45 - Ten Apollo recebe a "Silver Star" 
do Cmt do V Exército americano, Gen Lucian 
Truscott, Lizano de Belvedere – Itália.
Anteriormente, graças ao seu desempenho no ataque a Monte Castelo em 12 de dezembro de 1944, o Tenente Apollo já havia sido agraciado pelos Estados Unidos com a medalha “Silver Star”. Terminada a Campanha da Itália, o Tenente Apollo recebeu quatro condecorações brasileiras: Cruz de Combate de 1ª Classe, Medalha de Sangue, Medalha de Campanha e Medalha de Guerra.
Quando da promoção do Tenente Apollo ao posto de Capitão, em 03 de setembro de 1951, assim se expressou o Ministro da Guerra no despacho em que deferiu a proposta:
“Deferido. A promoção se justifica, sobretudo, em virtude da conduta excepcional desse Oficial no Teatro de Operações da Itália, onde, entre diversas condecorações recebidas por bravura, lhe foi conferida a medalha “Distinguished-Service Cross” do Exército Americano, por heroísmo extraordinário em ação, distinção máxima somente concedida a este combatente brasileiro...”.
O destino, que no passado não permitira ao jovem Apollo a realização do sonho de ingressar na carreira militar através da Escola do Realengo, ainda haveria de, novamente, pregar-lhe outra peça. A tão sonhada carreira, que finalmente lhe chegara não pela via da Escola Militar, mas através do CPOR e da própria guerra, como também, e principalmente, por sua bravura e eficácia no cumprimento do dever, seria interrompida precocemente. 
Seus pés planos não resistiram ao esforço do combate e ao congelamento nas trincheiras da Itália. O Capitão Apollo, em 12 de dezembro de 1957, aos 39 anos, depois de vinte anos no exército, foi julgado inapto para o serviço ativo e reformado no posto de Major.
Conheci o nosso herói já no ocaso de sua vida. Era um bravo. Foram muitos sábados e domingos de intermináveis conversas. Jamais o Major Apollo admitiu o seu heroísmo. Pessoa simples, culta e educada era, sobretudo, um gentleman. Absorvi, voraz e intensamente, cada relato de suas ações na guerra. O Exército era realmente a sua paixão. E a Pátria, o seu bem maior. Ficamos amigos, o que me enche de orgulho e gratidão.
A nação, na tristeza daquele 21 de janeiro de 1999, perdeu um filho exemplar. E o Exército viu partir um de seus grandes guerreiros. A filha Nádia comunicou-me o falecimento do pai pela manhã, bem cedo. Desloquei-me rapidamente para a sede do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva, no quartel do CPOR/RJ, de onde fiz os contatos relativos ao passamento do Major Apollo. Enviei um necrológio aos jornais, avisei ao CComSEx, aos comandantes do Regimento Sampaio e do Batalhão de Guardas - onde ele servira no após guerra - bem como à Embaixada dos Estados Unidos, já que era ele detentor de duas condecorações americanas. Informei, também, à Comunicação Social da Presidência da República e aos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro.
O sepultamento foi no cemitério do Caju. Presentes, familiares, ex-combatentes da FEB e amigos do nosso herói, bem como quase uma centena de oficiais R/2. Um pelotão do Regimento Sampaio executou as honras fúnebres. O governo americano enviou, de Brasília, um oficial superior, fardado, para representá-lo. Os governos federal, estadual e municipal não enviaram representantes, nem formularam condolências à família enlutada. Jamais esquecerei o constrangimento que senti ao ouvir o Oficial americano dizer aos filhos do major Apollo:
“Eu não entendo vocês brasileiros. Na minha terra, alguém com as importantes condecorações de guerra do Major Apollo, teria recebido, ao longo de sua vida, as homenagens, o respeito e a gratidão do seu povo.”
Na tristeza daquele momento, assumi, intimamente, o compromisso - como missão - de divulgar a história do Major Apollo. Nesses dezenove anos desde o seu falecimento, tenho viajado pelo nosso país ministrando palestras - nos meios militar e civil - relatando os seus atos de bravura e heroísmo. O meu livro “O Resgate do Tenente Apollo”, escrito em parceria com o tenente Orlando Frizanco, terá a 2ª edição publicada ainda este ano. Há, também, disponível, embora não biográfico, o livro do tenente Luiz Mergulhão “Major Apollo Miguel Rezk: O Herói Esquecido”. O Conselho Nacional de Oficiais da Reserva criou a Medalha Major Apollo Miguel Rezk, para homenagear personalidades que se destaquem no apoio aos oficiais da reserva.


Revista Manchete - Ed 2426 - 03 Out 1998
Um dos desejos não realizados do herói era ser promovido a Tenente-Coronel, a exemplo de alguns de seus companheiros que obtiveram a promoção por via judicial. Quem sabe o Exército Brasileiro, ou mesmo o Congresso Nacional, lhe concedam, ainda que tardiamente, essa honraria, como derradeira homenagem póstuma, já que em vida não logrou recebê-la sob a forma de promoção por bravura, o que teria sido, inquestionavelmente, um ato de inteira justiça.
Os feitos do Tenente Apollo ultrapassaram os limites de sua existência física. Na verdade, já não mais lhe pertenciam quando, naquela madrugada de 21 de janeiro de 1999 foi vencido pelo inexorável. São episódios gloriosos da história militar de um país que teima em não cultuar seus heróis.
A Força Expedicionária Brasileira - e seus bravos - não pode ser esquecida. Ela simboliza a pujança e o valor de um povo. A nação lhe deve eterno respeito e imorredoura gratidão.
*o autor é historiador, Oficial da Reserva do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, da Academia Brasileira de Defesa e do Instituto Histórico de Petrópolis. É presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB. É fundador e ex-presidente do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva - CNOR.
Fonte:  Informativo O Tuiuti nº 278-Jun-2018,
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sábado, 8 de setembro de 2018

Para a Ciência Sobreviver no Brasil, Só Se For de Ferro

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Eu não vou falar muito sobre o incêndio do Museu Nacional, a mídia já publicou tudo que é possível ser dito, só me restaria xingar os responsáveis e a lista é imensa, cobrindo décadas. Hoje vamos conhecer uma historinha que representa muito da relação do Brasil com ciência, nossa teimosia, burrice e malandragem. Com vocês a Saga do Meteorito de Bendegó, a Pedra Que Queimou Duas Vezes.
O Bendegó é um meteorito de ferro/níquel, com 5,3 toneladas de peso, 2,2 metros de comprimento, 1,45 m de largura e 58 cm de altura. É um dos maiores meteoritos do mundo, e por bilhões de anos vagou pelo Sistema Solar até que encontrou Wellington, um asteroide amigo que deu a dica: “Você já foi à Bahia, nego? Então vá!”. Com esse empurrão que faltava, sua órbita se alterou e ele entrou em rota de colisão, e alguns milhares de anos atrás causou uma explosão considerável e um clarão que seria imediatamente registrado na história dos índios, se eles tivessem inventado a escrita, claro.
Por séculos o meteorito ficou curtindo o clima de Monte Santo, na Bahia, até que sua paz foi atrapalhada por um jovem pastor chamado Domingos da Motta Botelho, mas quem ficou com o crédito foi o pai, Joaquim da Motta Botelho.

A pedra era muito estranha, aparentemente indestrutível e se tornou uma curiosidade no sertão da Bahia de 1784, e logo a notícia chegou até o governador, que querendo dar uma olhada na pedra, fez o que todo político acomodado faria: mandou alguém buscar.
Usando o máximo de tecnologia da época no Brasil, tentaram colocar o Bendegó em um carro de boi, puxado por 12 juntas de obviamente bois. Obviamente o planejamento foi feito nas coxas, a pedra escorregou por um barranco e foi parar no leito do rio Bendegó. Bernardo Carvalho da Cunha, o responsável pelo transporte da pedra viu que daria trabalho, lembrou que era brasileiro e deixou pra lá.
Bendegó na beira do Rio Bendegó, onde ficou por 100 anos.
O Bendegó foi abandonado e ficou enferrujando no rio por CEM ANOS, o único interessado nesse período foi um químico inglês chamado Aristides Franklin Mornay, ele trabalhava pro governo da Bahia procurando fontes de água mineral, ouviu a história da pedra e foi atrás.
Como bom cientista ele fez desenhos detalhados do meteorito, colheu amostras e as enviou para laboratórios na civilização.
Mornay suspeitou que o meteorito fosse um meteorito, suspeita essa confirmada pelos exames feitos por William Hyde Wollaston, da Sociedade Geológica Real de Londres. Mornay em 1816 publicou suas pesquisas sobre o meteorito no paper An Account of the Discovery of a Mass of Native Iron in Brazil (Bendego), Philosophical Transactions of the Royal Society of London Vol. 106 (1816), pp. 270-280, e se você ainda duvida que a internet é uma ferramenta incrivelmente maravilhosa, você pode ler o paper original de Mornay aqui.
Em 1820 dois naturalistas, Carl Friedrich Philipp Von Martius e Johann Baptist Von Spix foram estudar o meteorito e para conseguir retirar amostras acenderam uma fogueira em torno do Bendegó por 24 horas. Ou seja: o incêndio de 2018 não foi a primeira vez que o Bendegó fez cosplay de picanha.
Bendegó em vibe Juma Marruá, tomando banho de rio.
A ideia de um meteoro valiosíssimo para a Ciência ficar jogado no interior da Bahia não era agradável, e em 1883 o diretor da Seção de Mineralogia do Museu Nacional, Orville Adelbert Derby alertou que o bendegó poderia ser coberto por terra, durante a cheia do rio e ter sua localização perdida.
Obviamente ninguém ligou, e a coisa só andou em 1886, quando Dom Pedro II, o Imperador Nerd estava na França e tomou conhecimento da existência do Bendegó, quando membros da Academia de Ciências de Paris, que não tinham NENHUMA capacidade de profecia, disseram que seria mais seguro remover o meteorito para um museu.
1887
No começo de 1887 foi nomeada uma comissão para planejar a transferência do meteorito, que só começou em 7 de setembro, quando inauguraram … um marco comemorativo da empreitada, em Monte Santo. O transporte mesmo só começou em 1888, quando a extensão de um ramal ferroviário colocou trilhos de trem a 108 km do meteorito.

A tecnologia utilizada? Como isso aqui é Brasil, obviamente nada mudou em 100 anos. Colocaram o bendegó em um carro de boi, e depois de 126 dias de viagem, ele chegou a uma estação ferroviária em Itiúba, de onde foi para Salvador. Curiosidade: o transporte ferroviário foi gratuito, a Companhia Inglesa da Estrada de Ferro doou o transporte, bem como o vapor Arlindo, que seguiu para Recife e depois Rio de Janeiro.
Lembra que NENHUM ministro compareceu à Cerimônia dos 200 anos do Museu Nacional, e que o último presidente a visitar o Museu foi Juscelino Kubitschek? Pois é. Quem recebeu o Bendegó quando ele chegou ao Rio foi ninguém menos que a Princesa Isabel.
Levado para o Arsenal de Marinha, um pedaço de 60 kg do meteorito foi cortado para estudos e dividido para ser enviado a 14 museus pelo mundo. Entre outros 3,675 kg estão em Munique, 2,491 kg estão em Londres, 2,317 kg estão em Viena, 190 g estão em Berlim, 180 g em Erlanger e 500 g em Copenhague.
O Meteorito de Bendegó ficou então exposto no primeiro prédio do Museu Nacional, no Campo de Santana, depois foi movido para o Palácio Imperial. Lá teve períodos de altos e baixos, perdendo e ganhando de volta seu lugar de destaque na entrada do museu, aonde está ainda hoje, resistindo ao descaso de décadas, talvez séculos, mas correndo risco de ser roubado e derretido tal qual a taça Jules Rimet ou as Vigas da Perimetral.
De resto, nada mudará e nada será feito, pois a única constante é que o Brasil Odeia Ciência. Hoje, Sempre e em 1888 o Nordeste passou por uma grande seca, a população da região achou que a estiagem era uma maldição pela retirada da pedra e destruíram o obelisco celebrando o feito.
A lição que tiramos disso é que a única forma da Ciência sobreviver no Brasil é ela ser feita de pedra, e essa pedra, ser feita de ferro.
Fonte:  Meio Bit
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sábado, 20 de janeiro de 2018

A “Surpresita” Que Assusta os Venezuelanos

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Nas pontes internacionais de Cúcuta, a uma semana concentram-se centenas de pessoas
 buscando chegar à Colômbia. - Foto de Julio Cesar Herrera.
por Rosalinda Hernández C.
transcorreram oito dias desde que o presidente Nicolás Maduro anunciou, em uma cadeia nacional de rádio e televisão, que tomaria medidas drásticas, como o fechamento aéreo e marítimo, ante a saída ilegal de produtos nacionais para as ilhas do Caribe - Aruba, Curazao e Bonaire - e que tem uma "surpresinha" pronta para a fronteira colombiana, isto é, Cúcuta e Maicao.
Em consequência, os efeitos não se fizeram esperar e em questão de dias a passagem de venezuelanos pelas pontes internacionais - Simón Bolívar e Francisco de Paula Santander - aumentou a ponto de gerar um colapso. Devido a isso, as autoridades colombianas de Migração e a Polícia Nacional tiveram que intervir e reorganizar as intermináveis filas que se formam e que tem até 300 metros de comprimento.
As ruas adjacentes à Aduana principal de San Antonio estão abarrotadas de transeuntes que correm buscando a saída para a Colômbia.  É o caso de Cesar Salazar a quem as declarações de Nicolás Maduro fizeram tomar a decisão de migrar junto a sua esposa.  “A situação que vive o país é aviltante. Nós decidimos ir para Bogotá, lá estão há cinco meses meus três filhos trabalhando. Maduro está alcançando seu propósito que não é outro que é fazer quem o conteste partir, que saiamos do país. Aqui ficam só os manipuláveis, os que se deixam dominar. Daí vem esses anúncios e ameaças que geram inquietude no povo que quer sair”, assegurou o venezuelano sentado junto a uma pilha de maletas.

Regressou para buscar a família 
As declarações de Maduro cruzaram a fronteira e chegaram até Bogotá, onde reside Ramón Meléndez, um venezuelano de 47 anos que, desde agosto foi trabalhar na capital colombiana para enviar dinheiro à sua família que ficou em Barquisimeto.
Ramón, na passagem por San Antonio, advertiu:  “venho para leva-los”, disse com notável preocupação a El Colombiano.  “Regresso para levar minha esposa e os meus dois filhos. As ameaças extremas e o temor que criaram as recentes declarações do presidente nos fazem pensar muito e é melhor sair antes que se invente qualquer coisa. Venezuela não vai mudar. O país está muito destruído”.
Também há a história de Nereida James que, enquanto se despedia de sua família na ponte internacional, avisou que adiantou a viagem por temor a um eventual fechamento da fronteira. “Entre meus vizinhos e alguns amigos, consegui vender meu carro, uma moto e todos os aparelhos eletrodomésticos da casa e móveis. Não tenho um plano definido, só queremos sair do país”, disse. 

Os mais prejudicados 
Ninguém tem claro na fronteira do que se trata a "surpresa". Sem dúvida, se especula que poderia ser uma manobra política ou um regime especial aduaneiro. O que está claro é que o caos que gerou segue latente.
Aqui ninguém sabe o que vem para a fronteira depois do anúncio do presidente. Não sabemos se a surpresa se trata da implementação de um regime econômico especial, controlado ou por cotas como funciona na Ilha Margarita ou qualquer outra situação. O presidente não pode ser irracional e desumano pretendendo fechar uma importante via de acesso de comidas e remédios ao povo venezuelano”, disse Edgardo Sandoval, empresário aduaneiro de San Antonio.
Ante a multidão que passa diariamente da Venezuela para a Colômbia, o prefeito do município colombiano Vila do Rosário, Pepe Ruiz, assinalou que serão redobradas as medidas de segurança nas imediações da ponte internacional Simón Bolívar.
Infelizmente tem aumentado o ingresso de venezuelanos nos último dias pela fronteira, muito mais do que estamos acostumados a ver na temporada dezembrina. Isto é devido ao grande problema que se apresenta na Venezuela”, disse.
Explicou que implementarão um plano de choque paraevitar que os que chega nos invadam os ginásios, ruas e praças. Os que estão sem documentos terão que ser deportados de novo ao seu país, informou o prefeito colombiano.
Ele também não descartou que após os anúncios de Nicolás Maduro se apresente um novo fechamento na passagem entre ambas as nações.

Contraponto
Um leve incremento no número de entradas e saídas de cidadãos nacionais e estrangeiros, cerca a 7% superior a outros meses do ano, se apresentou nas últimas semanas. Assim observou Christian Krüger Sarmiento, diretor geral de Migração a Colômbia, que indicou que este aumento obedeceria à dinâmica migratória que se apresenta na região durante a temporada de fim de ano, dado que na zona de fronteira a grande maioria das famílias estão compostas por cidadãos de ambos países ou, porque os cidadãos venezuelanos ingressam, durante estas datas, ao território nacional com o propósito de abastecer-se de alimentos e produtos de primeira necessidade, para passar estas festas.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano

domingo, 9 de abril de 2017

Miséria Intelectual

por João Pequeno
Uma boa régua para medir o abismo entre o povo e intelectuais orgânicos que fingem falar em seu nome pode ser vista em duas pesquisas elaboradas por entidades ligadas ao PT. 
“Nunca na história da República o Congresso votou uma lei tão contrária aos interesses da maioria do povo brasileiro”, acusou, na “Folha de S.Paulo”, Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP e militante do PSol, sobre as terceirizações. 
No artigo “O Fim do Emprego”, ele não cita número que mostre essa tal maioria, mas sim o de uma pesquisa do Dieese/CUT apontando que trabalhadores terceirizados ganham, em média, 24% menos do que os contratados diretamente.
Acontece que “como atualmente a terceirização só é permitida para atividades meio, é razoável supor que (...) ganhem menos do que os trabalhadores nas atividades fim, independente da forma de contrato”, como destrincha Roberto Ellery, professor de Economia da UnB, no site ILISP. Ele usa o próprio estudo do Dieese para mostrar que setores tipicamente terceirizados concentram mais trabalhadores até o ensino fundamental, enquanto os tipicamente contratantes têm quase o triplo proporcional com superior completo: 22,7% contra 8,7%. Outro estudo, da FGV, compara seis atividades e mostra que, na média, terceirizados ganham só 3% a menos que contratados. A diferença era maior em limpeza e telemarketing, ficando em 5% no setor de segurança; já na área de TI, os terceirizados ganhavam melhor. Os dados podem ser vistos no link: FGV-Arquivos.pdf.
Ainda que os terceirizados ganhassem menos em qualquer área, o que seria melhor? Seguir desempregado, como quem perdeu o trabalho ante a recessão acumulada de 7,2% catapultada pelo governo Dilma Rousseff? Isso sim foi o fim de empregos – quase 3 milhões em dois anos, segundo o IBGE. 
Já a Fundação Perseu Abramo, do PT, foi ouvir moradores da periferia de São Paulo e não se conformou por eles terem visão bem mais liberal que a de seus abastados acadêmicos.
“Todos são ‘vítimas’ do Estado” e “muitos assumem o discurso propagado pela elite e pelas classes médias apontando a burocracia e os altos impostos como impecilhos (sic) para o empreendedorismo”, lamentou, com ironia, nas notas da pesquisa: P Abramo-Pesquisa Periferia.pdf.
Então, brasileiros deveriam agradecer por levar, em média, 107 dias para abrir uma empresa e cinco meses trabalhando só para pagar impostos, de acordo com o Banco Mundial e o IBPT, respectivamente. Não deixa de ser uma opinião coerente com quem escreve empecilho com I.
João Pequeno é Repórter do Destak Rio
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sábado, 24 de setembro de 2016

Viva Paulo Freire!

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Um texto antigo, mas muito atual:
por Olavo de Carvalho
Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.
As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.
Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.
Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:
Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)
Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)
“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)
A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)
Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It's All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)
A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Association em Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)
Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol. 27, No. 3, 1992.)
Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)
Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos.
Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus próprios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.
Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.
Diário do Comércio de 19 Abr 2012.

sábado, 11 de junho de 2016

As Derrotas da Esquerda na América do Sul

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Está feliz a direita na região. A esquerda está perdendo eleições ou está sendo desalojada do poder. No Brasil e na Venezuela ocorrem situações mais dramáticas. Na Argentina também ocorreu uma angustiosa batalha política. No Peru, a esquerda sequer conseguiu chegar ao segundo turno e neste domingo (5/6/2016) tem que se contentar em apoiar um notável expoente da direita para tentar atrapalhar a filha de Fujimori. No Equador e na Bolívia, o panorama para as próximas eleições não é alentador.
Imagem da Internet
Os dirigentes das forças derrotadas ou acossadas apelam para uma explicação: trata-se de uma conspiração da direita com alguma ajuda de forças externas. Seus rivais tem outra explicação: é a ineficácia, a má gestão e a incapacidade para governar esses países que estão no caminho do desenvolvimento.
É certo que em alguns deles a direita está urdindo as mais obscuras intrigas para tomar o poder. No Brasil isto é evidente. O julgamento a que está sendo submetida Dilma Rousseff é um baile a fantasia, tramado por uma aliança entre as forças mais corruptas, com o propósito de tirá-la do governo. É certo, também, como afirma a direita, que em alguns casos há uma desastrosa administração dos recursos.
Porém, as duas explicações são insuficientes. Me atrevo a dizer que no fundo da crise que vive a esquerda há três causas: nenhum dos partidos ou movimentos dessa corrente política conseguiu forjar um projeto economicamente viável; nenhum logrou afastar os inegáveis focos de corrupção; e a fadiga dos cidadãos com sua prolongação indefinida dos mandatos está afetando a todos.
O Partido dos Trabalhadores e Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram criar a mentira de um modelo econômico que distribuía riqueza ao mesmo tempo em que produzia um desenvolvimento imenso. Em seus dois mandatos Lula dizia ter tirado 30 milhões de brasileiros da pobreza, produzindo uma grande transformação econômica. Porém, a verdade em forma de crise chegou e a ilusão se desvaneceu. O combate à iniquidade e à pobreza não tinham uma base estável, tampouco o crescimento econômico.
A esquerda não encontrou o caminho para converter a riqueza natural dos países da região em riqueza produtiva. E esse é o grande desafio. A orientação da esquerda, com variações de matizes de um lugar a outro, tem sido a de extrair rendas da terra e distribuí-las por meio de programas assistencialistas. Isto não é, claro, condenável. Mostra um espírito de justiça que não pode ser abandonado. Porém já está bem demonstrado que isto não produz novas economias. A Venezuela é o exemplo mais palpável.
Por outro lado, a corrupção bateu fortemente às portas da esquerda. Depois de haver fustigado durante décadas a direita no poder pelo abuso na utilização dos recursos, esta corrente política teve que admitir que ela também, uma vez acomodada no poder local ou nacional, pode expor-se a cair em graves escândalos de corrupção. Nenhum dos governos escapou de algum surto. O menor deles pode ser o que afetou a família de Michelle Bachelet, mas dado à aura que rodeou essa líder chilena, as denúncias tiveram um grande efeito em seu mandato.
Além dos fracassos econômicos e dos buracos negros na transparência, está o cansaço dos cidadãos com a prorrogação dos mandatos. Há uma lei da democracia contra a qual é inútil lutar: o ir e vir do pêndulo político. A esquerda latino americana ainda não se deu conta disso.
Nos países de competição política aberta, com regras institucionais estáveis, com equilíbrio de poderes, é impossível que uma corrente permaneça no poder por tempo indefinido. Mesmo que os governos tenham muitas coisas favoráveis, os cidadãos se cansam de ver sempre os mesmos governantes. Aguentam dois, com alguma dificuldade, três mandatos. Porém o quarto mandato se torna em pesadelo. A situação se agrava quando, além de tudo, há que mudar as regras do jogo para obter essa continuidade no poder. O caso boliviano é bem ilustrativo. Um presidente popular como Evo Morales acaba de perder o referendo para prolongar seu mandato.
Conversando com meus amigos de esquerda me dei conta de que muitos tomam as derrotas da esquerda como uma verdadeira tragédia, como se fosse uma perda definitiva. A direita também alimenta a ideia de que os governos de esquerda nunca mais voltarão.
Contudo, em uma verdadeira democracia, passar à oposição não é uma tragédia; é, por assim dizer, um fato inerente ao jogo político. Mais ainda, pode ser uma bênção. Para alguns casos na América Latina, certamente o é. A alguns partidos e líderes políticos é conveniente um tempo de reflexão sobre novas alternativas econômicas; um tempo de depuração em seus quadros para prevenir a corrupção; um tempo nas ruas e fazendo críticas, para aspirar, de novo, conduzir esses países tão complexos em sua adolescência democrática.
Fonte:  tradução livre de Semana
COMENTO: o autor do texto acima, León Valencia Agudelo, é um jornalista colombiano que foi guerrilheiro até 1994, quando houve um acordo de paz com o Grupo de Renovación Socialista, uma dissidência do Exército de Libertação Nacional (ELN), da qual ele fazia parte. Publico seu texto para que vejamos que a queda dos incompetentes comuno/socialistas na América Latina já é um fenômeno reconhecido não só no Brasil. Felizmente, está acabando a paciência da "maioria silenciosa" para com esses bostas, desonestos e incompetentes seguidores dos ditames do Foro de São Paulo.
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sexta-feira, 20 de maio de 2016

As Provocações Não Param

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por Eliane Cantanhêde
O Comandante do Exército, General Eduardo Villas Boas, reagiu com irritação à Resolução do Diretório Nacional do PT sobre Conjuntura, aprovada na última terça-feira, em que o partido, em meio críticas à própria atuação e ao governo Dilma Rousseff, incluiu um “mea culpa” por não ter aproveitado seus 13 anos no poder para duas providências em relação às Forças Armadas: modificar o currículo das academias militares e promover oficiais com “compromisso democrático e nacionalista”.
Com esse tipo de coisa, estão plantando um forte antipetismo no Exército”, disse o Comandante ao Estado, considerando que os termos da resolução petista - e não apenas às Forças Armadas - “remetem para as décadas de 1960 e de 1970″ e têm um tom “bolivariano”, ou seja, semelhante ao usado pelos regimes de Hugo Chávez e agora de Nicolás Maduro na Venezuela e também por outros países da América do Sul, como Bolívia e Equador.
Segundo o general Villas Boas, o Exército, como Marinha e Aeronáutica, atravessam todo esse momento de crises cumprindo estritamente seu papel constitucional e profissional, sem se manifestar e muito menos sem tentar interferir na vida política do país. Ele espera, no mínimo, reciprocidade. Além dele, oficiais de altas patentes se diziam indignados contra a resolução do PT. Há intensa troca de telefonemas nas Forças Armadas nestes dois últimos dias.
Eis o parágrafo da Resolução do PT que irritou o Exército, na página 4 do documento:
Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de 5 verbas publicitárias para os monopólios da informação.
COMENTO:  promoções por motivações ideológicas nas Forças Armadas seriam tudo, o que os canalhas poderiam querer.  No Rio Grande do Sul, o ex governador onanista quis implementar essa sem-vergonhice na briosa Brigada Militar. Felizmente seu intento foi barrado pela Justiça. A submissão de currículos acadêmicos e dos sistemas de promoção aos desígnios do governante de plantão configuraria o completo abandono do compromisso das Forças Armadas para com a Nação (povo, território e cultura, não esqueçamos), transformando-as em milícias a serviço dos patifes.
Faço minhas as palavras do General Heleno:
Sobre o currículo das escolas militares, não serão os especialistas em educação do PT e congêneres, que destruíram a educação no país, que vão determinar mudanças em nossos estabelecimentos de ensino. A começar pelos Colégios Militares, modelares e invejados e chegando às Universidades Militares, em diferentes níveis, graduação, mestrado, doutorado e pós doutorado, seja no campo militar, seja no campo científico, não há o que modificar em nossos currículos e sim o que copiar. 
Primamos pela excelência, ética e absoluta ausência de preconceitos. Preservamos, em todas as crises, o Sistema Militar de Ensino, nosso orgulho, nosso cerne, nosso berço. 
Jamais seremos FA politizadas e, muito menos petistas. 
Vermelhinhos, se um dia voltarem ao poder, o que espero jamais aconteça, não se atrevam a tocar nesse vespeiro. Vão se arrepender amargamente, outra vez. Brasil acima de tudo!
Por outro lado, a intenção comuno/socialista de submeter as Forças Armadas ao "bolivarianismo" (seja lá o que essa bosta signifique), foi incentivada, após o triste episódio em que o comando do EB "se entregou como vaca para touro" e permitiu aquela pantomima cretina da placa dos "direitu dusmanu" na Academia Militar das Agulhas Negras. Ainda está nos faltando um General macho de verdade que retire aquela porcaria de lá!
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sábado, 19 de março de 2016

Haja Pé Para Tanto Tiro!

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Sofrendo alguns dias de "férias", fiquei sem acesso à rede mundial em dias nos quais ocorreram fatos importantes para o país. Assim, mesmo atrasado, procurarei expor alguns pontos de vista, com base no que pude obter nos noticiários da Globo, Band e SBT, quando recebia o sinal das mesmas, nas "profundezas" do litoral do RS.
O destaque, como não poderia ser diferente, foram as manifestações populares que se seguiram às divulgações das conversas telefônicas gravadas por ocasião das investigações da infindável Operação Lava-Jato - trabalho hercúleo realizado pelo Juiz Sérgio Moro e sua equipe de Procuradores, e que se assemelha a um imenso novelo de linha retirado do esgoto, que a cada puxão mostra mais e mais a imundície em que estão submergidas as pessoas ora empoleiradas nos cargos dirigentes da Nação - logo após o anúncio de que o Cachaceiro Maldito (evito citar o nome desse bosta em meu blog) seria nomeado ministro de seu poste para assumir, oficialmente, o comando político-administrativo do país e, ao mesmo tempo, fugir das investigações conduzidas pelo bravo Juiz paranaense.
Nossa população conhecida pela característica baixa capacidade de indignação, que em sua maioria procura contornar os problemas e conflitos com o famoso "jeitinho", já demonstra a perda desse aspecto de sua cultura. 
Não passou despercebido a ninguém, a enorme diferença entre o número de manifestantes que acorreram voluntariamente às ruas na noite em que o ato desesperado da presidAnta foi confirmado e o número dos participantes dos atos promovidos pelas entidades - financiadas por verbas públicas - que dão sustentação à camarilha governamental. Repetiu-se o que se vê há bastante tempo. Cidadãos que agem de acordo com sua indignação cívica confrontados por "peões" (conforme o linguajar demonstrado em uma das gravações telefônicas divulgadas) movidos pelo aparelhamento estatal pago com verbas extorquidas aos primeiros pelos administradores contestados. Mas os tempos da omissão dos corretos que "não querem se incomodar" que alimentava o ativismo de uma minoria de canalhas que dominavam a cena parece estar se esgotando. O abrigo dado ao Cretino Mor no gabinete do Palácio do Planalto mostrou-se um belo tiro no pé!
Esse era o primeira aspecto que eu queria destacar. A parte sadia de sociedade parece estar deixando a letargia do "deitado em berço esplêndido". Que assim seja!
O outro aspecto diz respeito ao que pude perceber do conteúdo das conversações telefônicas reveladas. 
Longe de mim manifestar qualquer tipo de argumentação em favor de dona Dilma, mas ficou muito claro o desespero do Patife-Mor ante a possibilidade de ser recolhido a uma cela. E as tentativas dos interlocutores palacianos em dar respostas evasivas visando não comprometer-se com ele ou com seu sabujo, Rui Urubu. Ouvindo ou lendo as transcrições mostradas, chega a ser constrangedor verificar que as respostas de Jaques Wagner e do atual ministro da economia quase que limitam-se a "ahã", "pois é", "sim, sim" e outras evasivas, enquanto que as lamurias e pedidos de que se "faça algo" se sucedem. Verdade seja dita, os pedidos de que fossem "tomadas providências" junto ao DPF, Secretaria da Receita Federal, PGR e, até mesmo junto ao STF - o Grande Canalha chegou a citar nominalmente a Ministra Rosa Weber - aparentemente não foram atendidos. Mas o simples fato desses pedidos terem sido feitos é um indicativo da possibilidade de que alguma dessas "providências" definitivamente imorais pudessem ser concretizadas.
As lamentações contra o STF, STJ e líderes Congressuais "acovardados", somadas à queixa de "ingratidão" do PGR podem indicar que havia a expectativa de que o Biltre-Apedeuta fosse beneficiado imoralmente por alguma das autoridades citadas. E esse deve ser o maior motivo de repulsa dos citados - com a exceção do alagoano que preside o Senado, que deve sentir-se lisongeado pelo adjetivo que lhe foi direcionado pelo amigo, irmão, camarada. Mais um pé atingido pelo "fogo amigo"!
O fato específico do "termo de posse" sem assinatura da presidAnta pode ser visto, também, como indicativo das pressões exercidas sobre os palácios brasilienses. O diálogo telefônico não deixa dúvidas e as explicações furadas dadas pela antiga terrorista da ALN só convencem os idiotas que se sujeitam à doutrinação ideológica dos desavergonhados. Mas a falta de assinatura da presidAnta pode ser um indicativo de que a remessa do papel foi feita para que o sujeito "parasse de encher o saco" (a falta de assinatura teria sido um "esquecimento" ou distração causada pela pressa em atender o "amigo"). É só uma hipótese, mas convenhamos, muito plausível. 
A insistência na tentativa de manter o Espertalhão sem honra protegido no palácio do Planalto, sob as saias da "cumpanhêra gerentona" mostrou-se ser uma sequência de tiros nos pés. A tentativa de retirada do Batráquio da alça de mira do Juiz Sérgio Moro possibilitou a esse fazer um despacho parcial de remessa dos autos ao STF e, aproveitando a ocasião, a retirada do sigilo dos mesmos - de acordo com suas atribuições, já que havia sido ele que havia imposto tal sigilo - a fim de dar a publicidade requerida constitucionalmente aos atos públicos. 
Seguiram-se os pedidos judiciais de impugnação da posse do Grande Imoral no cargo de ministro o que originou uma série de liminares e cassações de liminares, culminando com o pedido do Advogado-Geral da União para que o STF colocasse um ponto final a essa série. Tal pedido aparentemente foi atendido pelo ministro Gilmar Mendes na forma não desejada pois ele concluiu favoravelmente pela impugnação da tal posse e determinou que o processo retornasse ao Juízo paranaense. Vai faltar pé para tanto tiro!
Para encerrar este tópico, dona Dilma continua exercendo a única coisa que sua capacidade intelectual permite fazer: mente descaradamente e ameaça "providências cabíveis" contra quem determinou a interceptação telefônica em que ela foi flagrada tramando contra a Justiça. Alega mentirosamente que foi "grampeada" quando sabe perfeitamente que o telefone interceptado era o do seu parceiro de canalhices. A essa senhora que com sua atitude imoral afunda a imagem do Brasil ante o mundo, eu tenho um pequeno lembrete que os encarregados por sua segurança devam ter-lhe dado - quem sabe até deram - mas sua arrogância fez com que não fosse seguido: "em qualquer lugar do mundo, quem telefona para delinquentes investigados está sujeito a ter sua conversa interceptada". Então, nas próximas conversações desse tipo, recomendo-lhe recato e iniciar o diálogo com um pedido "a quem por acaso esteja gravando isto: aqui é a presidAnta e eu gostaria que esta conversa não fosse gravada". Não vai adiantar nada, mas será um bom descargo de consciência.
Outro assunto, é o início do processo legal de impedimento da presidAnta no Congresso.
Duvido que, mesmo em seus piores pesadelos, Montesquieu tenha imaginado algo tão surreal como o atual momento político brasileiro.
Uma chefe do poder Executivo, eleita em eleições nas quais teve a campanha financiada por empreiteiras que "doaram" recursos supostamente ilegais - acusação que também se aplica ao principal oponente (e quem sabe, todos os demais então candidatos) - é ameaçada de sofrer impedimento em um processo cujo início é comandado por um Presidente da Câmara Federal que responde a processo de infração à ética (que pode resultar em sua cassação). Tal processo, deverá ser remetido ao Senado, presidido por outro sujeito "bordado" de processos - que não chegam a uma conclusão graças aos intermináveis recursos protelatórios que só aos da "zelite" são concedidos - a quem caberá dar-lhe ou não prosseguimento.
Até aí, "nada demais" dirão alguns. A gritaria de "não vai ter golpe", pode-se retrucar afirmativamente que realmente não vai haver golpe pois a retirada de alguém que ocupe o mais alto cargo político-administrativo do país sem atuar de acordo com os preceitos constitucionais exigidos para tanto, não configura "golpe", mas sim uma ação justa, legal e moral em defesa da sociedade que, em última instância, é ao mesmo tempo sujeito e objeto da verdadeira democracia.
Mas é exatamente aí que se instala o grande problema a ser resolvido. Concretizando-se o impedimento de dona Dilma, deve assumir a presidência da República o Vice-presidente eleito, Michel Temer. Que é presidente do PMDB, aquele ajuntamento de ratazanas que há trinta anos roi o país. Tiro de grosso calibre no pé do país inteiro?
Não por acaso, o Presidente da Câmara (terceiro na linha de sucessão) e o presidente do Senado, acima citados, fazem parte dessa quadrilha, ops, organização política, junto a outras excrementíssimas figuras da história recente do Brasil, como Zé Sarney, Jader Barbalho, Edson Lobão, Romero Jucá, Valdir Raupp e tantos outros cujos nomes enfeitam processos judiciais que entulham nossos tribunais superiores e são inexplicavelmente "imexíveis".
Não podemos esquecer que também tramita no STE (Supremo Tribunal Eleitoral) um processo que pede a impugnação da chapa Dilma-Temer por financiamento de campanha com verbas ilegais. Como afirmei acima, essa acusação também se aplica ao principal oponente na campanha questionada. Supondo-se que o STE conclua que a dupla Dilma-Temer deve ser considerada fora da eleição ocorrida, tal decisão também deve ser aplicada à chapa Aécio-Aloysio, ou seja, a eleição seria anulada. A presidência da República cairia, então, no colo de Eduardo Cunha, prestes a ser cassado pelo Conselho de Ética da Câmara Federal. Teríamos no comando do país, então, o ministro Lewandowski, aquele que foi acusado de ter chegado ao STF mais pela sua amizade com a família do Sapo Barbudo do que por suas qualidades jurídicas. Chegariamos então a uma espécie de "moto continuum" de personagens "duvidosos" no comando do Brasil. Pode ter algum futuro um país nessa situação?
Solução? Uma renúncia coletiva, geral e irrestrita de todos os membros do Executivo e Legislativo federais, com convocação imediata de eleições gerais. É claro que esse tipo de idéia não se cria, sequer se gera. Nenhuma das figuras envolvidas se sujeitaria arriscar a perda de suas sinecuras e possibilidades de manter-se no poder.
Quem sabe uma "revolução francesa tupiniquim"? Nem pensar! De 1985 para cá o Brasil se livrou desse risco! Temos uma população estimada de 200 milhões com 40 milhões recebendo UM Salário Mínimo e (conforme a PresidAnta) 50 milhões dependendo do Programa Bolsa Família. Tirando as crianças, temos praticamente uma maioria populacional em condições de ser considerada "econômicamente ativa" - não necessariamente produtiva - "tirada da pobreza", leia-se "dependendo de verbas públicas extorquidas da parte produtiva da população - estima-se que cerca de 38 milhões de "contribários" (contribuintes otários) apresentarão Declaração de Renda em 2016. Considerando que a "zelite" (banqueiros e empresários amigos da realeza) é de menos de 5% da população, temos que essa maioria dependente está sobrevivendo às custas da quase extinta "classe média" (aquela, a quem a vaca uspiana declarou seu ódio sob os risos do Supremo Patife).
Concluindo este texto que já se prolonga, lembro da Estratégia Cloward-Piven criada pelos sociólogos norte-americanos Richard Cloward e Frances Fox Piven. Seu objetivo seria sobrecarregar o sistema econômico através de um número tão grande de "benefícios" que estes acabariam por colapsar a economia e as classes pagadoras de impostos, para que então empobrecessem juntamente com as demais, fazendo assim uma das inúmeras possíveis transições ao socialismo. Essa crise planejada terminaria deixando toda a população dependente do governo, transformando os governantes em elite dominante e os governados em uma só classe de escravos. Estaria sendo aplicada no Brasil?
Seria por isso que cada vez mais benefícios surgem sem que resolvam efetivamente o desenvolvimento social, cultural e econômico do país, com o setor produtivo pagando toda essa estrutura, sendo cada vez mais escorchado, perseguido e criminalizado. O que parece insanidade ou incompetência é na verdade apenas um processo de desmonte econômico e de posterior dissolvimento de classes e ascensão da casta governante.
É importante frisar para que não nos voltemos contra os beneficiários, e sim contra aqueles que estimulam a miséria humana como arma política. Não há progresso econômico em uma economia planificada, e é justamente isso que o socialismo entrega. 
Só uma observação: a referência à "Estratégia Cloward-Piven" foi só uma lembrança que me ocorreu, pois apesar das semelhanças, as ações dessa quadrilha que tomou conta do Brasil depois de 1995 não são de comunistas, mas sim de reles larápios que se mascaram sob essa ideologia idiota, morta e enterrada sob o Muro de Berlim, em 1989. Eu temo o que virá pela frente, com esse tipo de lideranças canalhas!

sábado, 5 de março de 2016

Guerra ao Mosquito

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“Se queres a paz, prepara-te para a guerra!”.
Informações oriundas do Ministério da Defesa e publicadas em órgãos de imprensa asseguram que 200.000 militares brasileiros estão sendo empregados no mutirão de combate ao mosquito "aedes aegypti", uma verdadeira guerra segundo o próprio titular da Pasta. Para os que possuem um conhecimento do número de militares das Forças Armadas, esse efetivo anunciado é surpreendente.
Nesse emprego, válido em seu mérito, a quantidade de militares empenhados causa uma real preocupação. É sinal que nossas fronteiras e organizações militares estão desguarnecidas, nossos navios estão atracados ou à deriva e os nossos aviões sem tripulação para a condução de nossas autoridades para ouvirem suas bases.
As Forças Armadas, no período da Nova República, têm sido empregadas constantemente em "ações complementares", com o objetivo de dar apoio à população, não só em calamidades de toda ordem, mas também em ações de caráter social, a substituírem órgãos que não possuem a capacidade ou competência para conduzir com eficácia tais operações. O Exército, inclusive, adota o lema "Braço Forte - Mão Amiga", esta representando o apoio à população brasileira.
Nos governos petistas este emprego é de um crescimento constante, parecendo não medirem consequências. "Chamem o Exército" é um mote a ecoar nos corredores de Brasília e até mesmo no Palácio do Planalto. Talvez ele represente fielmente o que já foi dito por um de seus líderes: "É uma mão-de-obra barata, nada questiona e nem entra em greve". Sem dúvida uma visão de sindicalistas.
Essa “guerra ao mosquito" representa também uma tentativa do governo central de atingir um grau mínimo de credibilidade. Efetivos expressivos das Forças Armadas — instituição de maior credibilidade no país —, o noticiário intenso da mídia televisiva e a presença de autoridades do primeiro escalão governamental nas grandes capitais são fatos que assinalam uma jogada de marketing na busca da sonhada credibilidade.
Para renomados infectologistas e pesquisadores do vírus não será o empenho dos militares que irá atenuar a gravidade da epidemia. Asseguram não só que a “guerra ao mosquito" poderá desmoralizar as Forças Armadas, bem como que os elevados recursos empenhados seriam melhor aplicados em pesquisas ou no aparelhamento de hospitais e postos médicos.
É preciso deixar claro que essa ação deve ser temporária, sob pena de as Forças se tornarem uma "ZICABRÁS", uma estatal com garantia de ineficiência, como as demais. É uma ação meritória, porém não poderá ser de longa duração, pois ela e outras “ações complementares” já influenciam as missões constitucionais das Forças Armadas.
Essa influência, claramente negativa, apresenta dois efeitos. O primeiro se faz sentir em especial na Força Terrestre, por sinal, a que sempre emprega maiores efetivos, em sua grande maioria, oriundos do Serviço Militar Obrigatório, com duração de nove a doze meses. O segundo dificulta nesse período anual, juntamente com as “ações complementares”, a realização de adestramentos coletivos, estes sim a principal componente da formação militar e que realmente proporciona à tropa o grau de operacionalidade desejado. Atualmente se observa uma ênfase em instruções individuais especializadas.
Esta operacionalidade não visa somente o campo externo — Defesa da Pátria — mas também o campo interno que, gradativamente, vai se tornando um campo prioritário, como prescreve o artigo 142 da Constituição, como garantidora dos poderes constitucionais da lei e da ordem. É sempre um questionamento se as Forças Armadas estão preparadas para tais missões.
Nestes tempos de crises políticas, econômicas e sociais, bem como de desgovernos e escuridões, este questionamento ganha vulto no campo interno.
Movimentos sociais, sindicatos, organizações estudantis e não governamentais, militância e até partidos políticos, com destaque para setores radicais do Partido Comunista do Brasil, que tem como uma das proeminências o atual Ministro da Defesa, pregam abertamente a tomada do poder pela força, caso necessária. Nas badernas que conduzem invadem propriedades, quebram, destroem, bloqueiam vias e estradas, agridem e matam. Não se nota qualquer medida de maior expressão para coibir estes vandalismos. Seus líderes tem livre trânsito nas altas esferas governamentais.
E esses vandalismos poderão se agravar caso o ex-presidente Lula sofra qualquer pena judicial, em razão de denúncias que o apontam como tendo recebido benefícios de empreiteiras, conforme processos que já correm no Judiciário. Segundo seus seguidores, os processos são um golpe político-eleitoral e se pretenderem prender o ex-presidente, "haverá reação e vão tocar fogo no país". O seu próprio filho repetiu essas ameaças, alertando que "não se tem ideia da reação que será desencadeada". E, o pior, eles realmente podem iniciar conflitos e manifestações que poderão incendiar o país. Já fizeram no passado e recentemente nas manifestações que antecederam a Copa do Mundo. Estão preparados e estruturados para tal fim, como consta de seus blogs: "Precisarão pôr tanques na rua (de novo) para concretizar esse golpe eleitoral, mas serão fragorosamente derrotados".
Uma afirmativa inconsequente que, se concretizada, poderá agravar o estado de pré-caos em que vive a nação e que levará o povo brasileiro a um conflito interno indesejável e de proporções muito maiores dos que já foram vividos no passado. Uma grave instabilidade institucional que obrigará o emprego das Forças Armadas de acordo com a Constituição. Para isto elas deverão estar prontas, devidamente adestradas em alerta para esses momentos críticos. É tempo de relembrar com ênfase Publius Vegetius: “Si vis pacem, parabellum!”.
​ ​Gen Ex Rômulo Bini Pereira 
​ ​Ex-Chefe/Estado-Maior da Defesa
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