Mostrando postagens com marcador Venezuela. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Venezuela. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de março de 2026

Qual Será a Arma Secreta Usada na Captura de Nicolás Maduro?

Trump cita publicamente o "descombobulador"
No dia 3 de janeiro, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram presos e levados para Nova York para serem julgados por tráfico de drogas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, em reunião com os soldados das Forças Especiais que capturaram Nicolás Maduro. Foto: AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou pela primeira vez, em um evento público, uma misteriosa arma que teria sido usada para atordoar as defesas do deposto chavista Nicolás Maduro no dia de sua captura.
Trata-se do "discombobulator" ("desorientador"), uma arma que, segundo o presidente, consegue bloquear os sistemas de defesa russos e chineses.
Em 3 de janeiro, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para Nova York. Durante os momentos iniciais da chamada Operação Resolução Absoluta, que envolveu drones, helicópteros e Forças Especiais, os sistemas de radar venezuelanos ficaram inoperantes antes que uma tecnologia desconhecida atingisse os defensores do regime.
A operação resultou na morte de 83 pessoas, incluindo 32 cubanos, e deixou mais de 112 feridos.
Nenhum militar americano morreu, mas Trump disse que três pilotos de helicóptero ficaram feridos.
O presidente dos EUA afirmou, no dia 12 de fevereiro passado, para soldados na base de Fort Bragg, na Carolina do Norte, que as defesas venezuelanas "não conseguiram disparar um único tiro".
"A equipe russa não funcionou. A equipe chinesa não funcionou. Todos estão tentando descobrir por que não funcionou. Algum dia eles saberão", disse ele com um sorriso.
Em entrevista ao New York Post em janeiro, Trump havia dito que "não tinha permissão para falar sobre isso (o "descompressor")", mas observou que a arma fazia com que o equipamento inimigo "não funcionasse""Eles tinham foguetes russos e chineses, e nunca lançaram nenhum. Chegamos, eles apertaram botões e nada funcionou. Estavam prontos para nos confrontar", acrescentou ele ao veículo de comunicação.
Trump, que estava acompanhado de sua esposa Melania, discursou para soldados e familiares de militares na sexta-feira (13/2/26), antes de se reunir a portas fechadas com tropas das Forças Especiais envolvidas na incursão em Caracas e outras regiões da Venezuela.

Base da Unidade de Reação Rápida, no Forte Tiuna, destruída após a operação dos EUA. 
Foto: AFP
Maduro está detido em Nova Iorque, onde enfrenta acusações de tráfico de drogas e outros crimes, dos quais se declarou inocente.
Sua próxima audiência está marcada para 17 de março.
O presidente dos EUA elogiou repetidamente a operação contra Maduro como um exemplo do poderio militar de seu país.
Fonte: tradução livre de El Tiempo
******************************************************************************
O 'desconcertante': Os EUA usaram uma 'arma secreta' no sequestro de Maduro?
O presidente dos EUA, Donald Trump, se refere a uma "arma sônica" que ele descreve como um "descompressor", mas do que ele está falando?
O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López (à direita), cumprimenta o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez Padilla, em 8 Jan 2026, ao receber uma homenagem aos cubanos mortos durante a operação dos EUA
[Arquivo: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters]
Em 26 Jan 2026
O ministro da Defesa da Venezuela acusou os Estados Unidos de usar o país como um “laboratório de armas” durante o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro.
Vladimir Padrino Lopez afirmou na semana passada que os EUA usaram a Venezuela como campo de testes para “tecnologias militares avançadas” que se baseiam em inteligência artificial e armamentos nunca antes utilizados, de acordo com o jornal venezuelano El Universal.
Em 25 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao New York Post que as forças americanas de fato usaram uma arma à qual se referiu como "o descompassador".
"Não me é permitido falar sobre isso", disse ele, acrescentando que a arma "interferiu no funcionamento do equipamento" durante a operação.
Os detalhes da missão militar dos EUA para sequestrar Maduro não foram divulgados, mas sabe-se que os EUA já usaram armas para desorientar soldados e guardas ou para desativar equipamentos e infraestrutura no passado.

O que disse o ministro da Defesa da Venezuela?
Em 16 de janeiro, Padrino López afirmou que 47 soldados venezuelanos foram mortos durante o ataque dos EUA a Caracas. Trinta e dois soldados cubanos, alguns dos quais protegiam Maduro, também foram mortos.
Na semana passada, ele fez as acusações sobre o “laboratório de armas” e foi citado pelo El Universal dizendo: “O presidente dos Estados Unidos admitiu que eles usaram armas que nunca foram usadas em campos de batalha, armas que ninguém no mundo possuía. Eles usaram essa tecnologia contra o povo venezuelano em 3 de janeiro de 2026.”
Ele parecia estar se referindo a uma entrevista que Trump concedeu ao canal de notícias americano NewsNation, na qual afirmou que uma "arma sônica" havia sido usada.

O que Trump disse sobre as "armas secretas" dos EUA?
Dias após o sequestro de Maduro, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, republicou comentários que pareciam ter sido postados no X por um guarda de segurança venezuelano. Ele escreveu que os EUA haviam "lançado algo" durante a operação que "era como uma onda sonora muito intensa".
“De repente, senti como se minha cabeça fosse explodir por dentro”, escreveu o segurança. “Todos começamos a sangrar pelo nariz. Alguns vomitaram sangue. Caímos no chão, sem conseguir nos mexer.”
A Al Jazeera não conseguiu verificar essa conta.
“Ninguém mais tem isso. E nós temos armas que ninguém conhece”, disse Trump. “E eu digo que provavelmente é melhor não falar sobre elas, mas nós temos algumas armas incríveis. Aquele foi um ataque incrível. Não se esqueçam que aquela casa ficava no meio de uma fortaleza e base militar.”
Então, no domingo, Trump foi citado pelo New York Post dizendo que os EUA usaram uma arma projetada para desativar equipamentos de defesa.
“O desconcertante”, adjetivou ele. “Não me é permitido falar sobre isso.”

Que armas "sônicas" ou outras armas incapacitantes os EUA já utilizaram no passado?
Os sistemas “sônicos” mais conhecidos usados ​​pelos EUA são os dispositivos direcionais de comunicação e alerta acústico, especialmente o dispositivo acústico de longo alcance (Long Range Acoustic Device=LRAD), disse à Al Jazeera o analista militar e político Elijah Magnier, baseado em Bruxelas.
“Essas não são armas tradicionais. Em vez disso, são projetores de som potentes e focados, usados ​​para coisas como parar navios, proteger bases, proteger comboios, gerenciar pontos de controle e, às vezes, controlar multidões”, disse ele.
O principal objetivo desses dispositivos é controlar o comportamento enviando comandos de voz a longas distâncias e em alto volume. Eles podem causar desconforto e são projetados para forçar as pessoas a obedecerem aos comandos ou a saírem de uma área.
“Os LRADs têm sido implantados em navios para dissuasão da pirataria, na segurança portuária e por agências de aplicação da lei”, explicou Magnier. “Em configurações de alta potência, esses dispositivos podem causar dor, vertigem, náusea ou danos à audição, o que torna seu uso delicado e sujeito a escrutínio.”
Os LRADs não são projetados para desativar eletrônicos ou redes de comunicação.
Outra arma usada para desorientar pessoas é o sistema de negação ativa (Active Denial System=ADS), que muitas vezes é erroneamente chamado de arma "sônica", mas não usa som.
“Em vez disso, utiliza energia de ondas milimétricas para criar uma forte sensação de aquecimento na pele, fazendo com que as pessoas se afastem”, disse Magnier. “O ADS foi enviado ao Afeganistão em 2010, mas foi retirado sem ser usado em combate. Assim como o LRAD, o ADS foi projetado para afetar pessoas, não máquinas.”

Como funcionam esses dispositivos?
O sistema LRAD consegue concentrar o som em uma onda estreita. Em uma configuração baixa, permite que as vozes sejam ouvidas com clareza a longas distâncias. Em uma configuração mais alta, no entanto, pode ser fisicamente debilitante.
“Esses efeitos são apenas físicos e mentais”, disse Magnier. “Ao contrário das ferramentas eletromagnéticas, o LRAD não pode desligar mísseis, radares, computadores ou sistemas de comunicação.
O rápido aquecimento que o ADS causa na camada externa da pele provoca um desconforto intenso e obriga as pessoas a se afastarem. "É uma ferramenta não letal de negação de área destinada ao controle de multidões e à defesa de perímetro", disse Magnier.
“Nenhum desses sistemas consegue, de forma realista, desativar sistemas de defesa aérea, redes de comunicação ou equipamentos militares”, afirmou. “Se algum equipamento parar de funcionar, é muito mais provável que seja devido a métodos de interferência eletromagnética, cibernética ou de negação de energia.”

O que os EUA usam para desativar sistemas e equipamentos?
Magnier afirmou que as forças armadas dos EUA são conhecidas por usar diversos tipos de ferramentas “não cinéticas” e “pré-cinéticas”. Entre elas:
— A guerra eletrônica (GE), que pode interferir em sistemas de radar, bloquear comunicações, enganar o GPS e ludibriar sensores, é uma estratégia eficaz. "Essas ações ajudam a controlar o espectro eletromagnético", afirmou. "A GE dificulta que os oponentes compreendam o que está acontecendo e coordenem suas defesas antes ou durante ataques."
 — Operações ciberfísicas envolvem a sabotagem de redes e sistemas de controle industrial. "O exemplo mais conhecido é a campanha Stuxnet, que teve como alvo os controladores de centrífugas nucleares iranianas e causou danos físicos ao alterar seu software" em 2009, disse Magnier.
— Armas de contra-eletrônica, armas de energia dirigida, que são principalmente sistemas de micro-ondas de alta potência projetados para desativar eletrônicos inundando seus circuitos com pulsos de micro-ondas. "O principal projeto dos EUA para isso é o CHAMP (Projeto Avançado de Mísseis de Micro-ondas de Alta Potência para Contra-eletrônica), que foi criado para desativar eletrônicos sem o uso de força física", disse Magnier.
— Munições de grafite ou fibra de carbono capazes de provocar curto-circuito em redes elétricas e causar apagões generalizados sem destruir todos os equipamentos.
“Essas ferramentas são uma parte fundamental da abordagem militar dos EUA para obter uma 'vantagem informacional' e controlar diferentes áreas de conflito”, disse Magnier.

Como esses sistemas funcionam e quando foram implantados?
A guerra eletrônica altera ou bloqueia o ambiente eletromagnético. Ela pode desorientar sistemas de radar, fazendo-os "enxergar" ruídos ou alvos falsos. Também pode causar a interrupção do funcionamento de rádios e afetar sistemas de GPS e sensores.
“O objetivo é cegar, confundir e desestabilizar o inimigo para criar uma oportunidade de ação”, disse Magnier.
Na campanha cibernética Stuxnet, em 2009, um vírus de computador foi instalado em um computador de uma instalação nuclear iraniana para causar danos mecânicos, assumindo o controle de sistemas de controle industrial. "Acredita-se amplamente que essa operação foi realizada pela inteligência dos EUA e de Israel contra o programa nuclear do Irã", disse Magnier.
Sistemas de micro-ondas de alta potência também podem desativar componentes eletrônicos inundando seus circuitos com energia de micro-ondas, fazendo com que parem de funcionar sem causar danos visíveis. "Testes públicos realizados no início da década de 2010 mostraram que esses sistemas podem desativar seletivamente alvos eletrônicos", disse Magnier.
As munições de grafite ou fibra de carbono espalham minúsculas fibras condutoras que podem causar curto-circuito em partes das redes elétricas. "Essas armas foram associadas a grandes apagões no Iraque em 1991, na Sérvia em 1999 e novamente no Iraque em 2003", disse Magnier.
“A estratégia básica permanece a mesma: primeiro, derrubar a energia, as comunicações, os sensores e a coordenação, depois iniciar os ataques físicos.”

Os Estados Unidos testaram novas armas em outros países?
“Sim, e isso não é algo que apenas os Estados Unidos fazem. As guerras modernas muitas vezes se tornam o primeiro teste no mundo real para novas tecnologias, assim que elas estão prontas para serem usadas”, disse Magnier.
A Guerra do Golfo de 1991 foi a primeira vez que aeronaves furtivas, bombas guiadas com precisão e guerra eletrônica foram usadas em larga escala.
O ciberataque ao Irã em 2009 foi a primeira vez que uma arma ciberfísica foi usada em nível estratégico.
A GBU-43/B MOAB, apelidada de "a mãe de todas as bombas", foi usada pela primeira vez em combate pelos EUA no Afeganistão em 2017. Trata-se de um explosivo não nuclear utilizado em ataques de precisão contra alvos subterrâneos fortificados, como túneis, que produz uma enorme onda de choque.
“É importante saber que testar geralmente não significa realizar testes secretos de dispositivos”, disse Magnier. “Em vez disso, significa usar novas ferramentas em situações reais e aprimorá-las com base no que acontece e no feedback recebido.”
Ele explicou que todos os principais países também testam novos sistemas em segredo, especialmente em áreas como guerra eletrônica, operações cibernéticas, ataques espaciais, inteligência de sinais e operações especiais.
“A principal diferença não reside no grau de sigilo das ferramentas, mas sim na abrangência de seu uso, na localização de suas bases e na disposição dos países em utilizá-las.”
Alguns exemplos, como o ataque Stuxnet, envolvem vários países trabalhando juntos.
“Os EUA usam Israel como vários campos de teste para diferentes tipos de armas e outros equipamentos bélicos de todos os tipos, principalmente contra os palestinos, no Líbano e no Irã”, disse Magnier.
Os EUA também acusaram outros países de usar "armas sônicas" contra seu próprio pessoal. Em 2017, exigiram uma investigação sobre um suposto ataque sônico que deixou vários de seus diplomatas precisando de tratamento médico e os obrigou a deixar Havana.
O então secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que a missão dos EUA na capital cubana havia sido alvo de "ataques sanitários" que deixaram alguns funcionários com perda auditiva.
O governo do Canadá também afirmou que pelo menos um diplomata canadense em Cuba recebeu tratamento para perda auditiva.

O que Trump quer dizer com "desconcertante"?
Não existe uma definição verificada de um "descombobulador" específico.
“Esses termos não são técnicos e parecem estar sendo usados ​​como rótulos políticos para ferramentas já existentes”, disse Magnier.
“A visão mais razoável é que esse termo se refere a um grupo de ferramentas não cinéticas conhecidas, e não a um novo dispositivo.”
Estas podem ser:
— Interrupção cibernética visando redes de comando
— Ataques cinéticos direcionados contra antenas, repetidores e nós sensores, além de negação localizada de energia.
Para observadores em terra, isso pareceria como se os sistemas repentinamente "parassem de funcionar", disse Magnier. No entanto, é altamente improvável que um dispositivo sônico tenha sido o responsável por afetar os equipamentos dessa maneira, acrescentou ele.
“Relatórios indicam que os sistemas de defesa aérea de fabricação russa da Venezuela falharam, o que pode significar que não estavam bem integrados ou prontos para uso. Isso pode acontecer devido à guerra eletrônica, supressão de nós, ataques cibernéticos ou operações deficientes, sem necessidade de explicações mirabolantes. Já vimos isso acontecer na Síria com armas russas antes dos ataques de Israel.”
Uma arma sônica poderia ter afetado soldados e guardas. Se as pessoas apresentaram sintomas físicos durante a operação em Caracas, isso não indica que uma nova "arma sônica" estava sendo usada.
“Esses efeitos podem ser causados ​​pela pressão da explosão, por dispositivos de efeito moral ou por outras ferramentas comuns de desorientação”, disse Magnier. “Não há evidências públicas de um novo tipo de arma.”
Fonte: tradução livre de Al Jazeera
COMENTO:  o avanço da tecnologia, particularmente, a voltada para os conflitos entre países tem tido um desenvolvimento incomum, nos dias de hoje, aproveitando todos os ramos possíveis. Os novos tipos de armamento (drones, artifícios eletromagnéticos, uso de laser, etc.) estão modificando e tornando obsoletas as antigas técnicas e táticas de guerra. Mas só tecnologia não é suficiente.
O militar condecorado no vídeo foi um dos feridos na operação de captura do ditador venezuelano.

domingo, 29 de maio de 2022

"Gentil Duarte" e "Mechas" os Dois Dissidentes Mortos na Venezuela

Os bandidos eram procurados por serem dois dos mais perigosos narcoguerrilheiros dissidentes, e aparentemente morreram em uma explosão na Venezuela.
Gentil Duarte teria chegado ao acampamento de Jhon Mechas fugindo das autoridades colombianas. Enquanto na Venezuela, ambos meliantes teriam morrido em uma explosão causada por seus inimigos, que lutam pelo controle territorial e pelas rotas da coca.
por Nelson Matta Colorado
 e Daniela Osório Zuluaga
O som de uma explosão na madrugada de 4 de maio teria pego de surpresa dois dos dissidentes mais procurados do país: Miguel Botache Santillana, vulgo "Gentil Duarte", e Javier Alfonso Velosa García, vulgo "Jhon Mechas", que controlava mais de 600 homens e 6.000 hectares de cocaína em todo o país.
Segundo as suspeitas das autoridades, foram seus próprios inimigos criminosos que conseguiram assassiná-los do outro lado da fronteira, no estado venezuelano de Zuila, em meio a uma disputa pelo controle territorial e rotas de narcotráfico.
Gentil Duarte foi o primeiro chefete das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) a não aceitar o Processo de Paz com o governo colombiano e e continuar a luta armada.
Após pelo menos três golpes do Exército colombiano contra ele, Duarte fugiu para o estado fronteiriço e de lá comandou mais de 600 homens. Em Zuila, Jhon Mechas, também dissidente, foi quem o acolheu e o protegeu com suas tropas daquele lado da fronteira.
Essa proximidade também teria custado a vida de Jhon Mechas, que estava no local da explosão quando os fatos ocorreram, segundo informações recebidas pelo general Jorge Luis Vargas, diretor-geral da Polícia.
A disputa pelo controle de um dos principais corredores de coca entre Catatumbo e Venezuela tem sido mais eficaz no combate aos grupos armados do que todos os esforços da Força Pública.
Em menos de dois anos, essa guerra de traição e morte removeu do mapa pelo menos quatro dos mais altos escalões dissidentes das FARC: Seuxis Pausias Hernández, vulgo “Jesús Santrich”; Hernán Darío Velásquez, vulgo “El Paisa”; Henry Castellanos, vulgo “Romanha”; e Miguel Botache Santillana, vulgo Gentil Duarte, cuja morte é noticiada como um fato.
O outro lado da fronteira, na Venezuela, deixou de ser o abrigo perfeito onde se escondiam guerrilheiros e narcotraficantes e se tornou em mais um território onde cerca de 17 estruturas criminosas disputam o chamado Arco do Caribe, caminho por onde transitam coca, armas e outros tipos de substâncias sem o assédio das autoridades, como explica Néstor Rosanía, diretor do Centro de Estudos de Segurança e Paz.

O Primeiro Dissidente
A bandeira de Miguel Botache Santillana sempre foi a revolta. Primeiro, declarou-se em rebeldia contra o Estado — tornando-se um dos mais importantes comandantes das extintas FARC — e depois voltou-se contra esse grupo guerrilheiro, sendo o primeiro a abandonar o Processo de Paz e formar sua própria quadrilha de dissidentes.
Desconfiado, esquivo e com boa capacidade de controle de rotas, Gentil Duarte tornou-se um dos homens mais procurados pelo governo colombiano, antes de sua desmobilização e após seu retorno às armas.
Segundo a Insight Crime, sob sua coordenação, os dissidentes de Duarte e Néstor Gregorio Vera Fernández, vulgo “Iván Mordisco” expandiram-se rapidamente por todo o país, consolidando suas ações em pelo menos 17 departamentos e três países: Colômbia, Venezuela e Equador.
Após deixar as negociações do Acordo de Paz em meados de 2016, Duarte se juntou aos ex-integrantes da Primeira e Sétima Frentes e continuou com a luta armada e negócios de tráfico de drogas, extorsão, mineração e sequestro, entre outros.
Santillana nasceu há 58 anos em Florencia, Caquetá, e na década de 1980 foi recrutado pelas FARC aos 14 anos. Por esse grupo militou nos departamentos de Caquetá, Putumayo, Guaviare, Meta, Guainía, Vichada e Arauca e tornou-se comandante da Sétima Frente e membro do Estado-Maior do Bloco Oriental da narcoguerrilha.
Atualmente os homens sob o comando de Duarte lutam contra a Segunda Marquetalia, liderada por "Iván Márquez"; e contra o ELN e o Clan del Golfo.
De fato, as autoridades culparam a dissidência de Duarte por provocar a onda de violência que atingiu Arauca no início deste ano.
Em meio a essa guerra cruzada entre as estruturas criminosas e a Força Pública, Duarte é acusado de assassinar soldados e lideranças sociais e de controlar cerca de 6.500 hectares de cocaína em Meta, Guaviare e Caquetá. Ele teria sido cruel até contra seus ex-companheiros de luta, já que lhe são atribuídos os assassinatos de 14 signatários da paz que se recusaram a pegar em armas e se juntar às suas fileiras.
As autoridades estão trabalhando para confirmar as mortes de Gentil Duarte — por quem a Casa de Nariño ofereceu até 3.000 milhões de pesos — e John Mecha, que é outro dos comandantes mais importantes dos dissidentes.
Este último aderiu às guerrilhas das FARC em 1996 e decidiu não aderir ao processo de paz de 2016. Além dos crimes de extorsão, tráfico de drogas e recrutamento forçado, Mechas também é acusado do ataque a um CAI policial em Ciudad Bolívar, onde duas crianças morreram; pelo ataque ao presidente Iván Duque em Cúcuta; e pelo assassinato de dois jovens de 12 e 18 anos em Tibú, Norte de Santander, em outubro de 2021.
Espera-se que o comando das estruturas que agora teriam ficado sem líder seja assumido por Iván Mordisco, um experiente ex-guerrilheiro das FARC com mais de 32 anos de experiência criminosa e um temperamento forte que o tornou famoso como "a mais radical" das dissidências.

Dissidentes se escondem na Venezuela
Os assassinatos de líderes em território venezuelano já não são mais algo estranho. Com a suposta morte de Gentil Duarte seriam quatro dissidentes de alto escalão das FARC que morreram do outro lado da fronteira em menos de dois anos. De fato, o governo colombiano insinuou que a presidência de Nicolás Maduro está abrigando grupos como o Clã del Golfo, o ELN e dissidentes para se esconder das autoridades colombianas. Após o boato da morte de Jhon Mechas e Duarte, o ministro da Defesa, Diego Molano, voltou a atacar aquele regime, assegurando que esta é mais uma prova, se esse fato se confirme, de que o regime de Nicolás Maduro protege grupos terroristas e traficantes de drogas em seu solo e não os combate.

Os que mataram Duarte
Apesar de vários grupos se movimentarem ao longo da fronteira, incluindo gangues que se vendem ao melhor lance e até supostas milícias norte-americanas, a verdade é que o poder é distribuído entre três grandes grupos: A Segunda Marquetalia — que tem mais poder pelo nome do que pelo homens armados, como diz Rosanía —, a Frente de Guerra Oriental, do ELN, e os então dissidentes de Gentil Duarte e Javier Alfonso Velosa García, vulgo Jhon Mechas.
Depois de dois anos brigando entre si para dominar rotas, fornecedores e mercado, Gentil Duarte começou a se aproximar, como antigamente, de seu antigo parceiro de insurgências Iván Márquez, um homem que não havia conseguido alianças porque pretendia continuar com a estrutura dos comandantes das FARC em um ambiente que só visava o dinheiro e o tráfico de drogas e que não estava disposto a se subordinar novamente.
Ao saber dessa traição, o também dissidente, Iván Mordisco, teria traçado um plano para assassinar Duarte e impedir o fortalecimento da Segunda Marquetalia.
Esta hipótese foi confirmada no terreno com membros dos grupos armados e habitantes do setor onde se concentram os dissidentes.
Mas assassinar Duarte não foi uma tarefa fácil. Aparentemente, os dissidentes de John Mechas e da 10ª Frente, comandada por Arturo, teriam conspirado para armar uma armadilha para ele do outro lado da fronteira e assassiná-lo enquanto dormia, como de fato aconteceu.
Por enquanto, os grupos de inteligência contra o crime organizado estão tentando verificar se as mortes de Gentil Duarte e Jhon Mechas realmente aconteceram, e se a nova reestruturação vai gerar retaliação que afete a população civil.
Rei morto, rei posto:  sai Gentil Duarte e chega Iván Mordisco
Enquanto isso, Iván Mordisco é o líder natural daquelas subestruturas que antes estavam sob o comando de Duarte e Mechas, que se caracterizavam por atrair dissidências com comandos regionais independentes.
De fato, Néstor Rosanía analisa que essa estrutura descentralizada de poder permitirá que as coisas não mudem muito, embora dependa das represálias que a Segunda Marquetalia possa tomar.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
ATUALIZAÇÃO EM 7 JUL 22: Aparentemente está em andamento uma limpeza na estrutura de mando das antigas FARC. Mais um "capo" do bando está sem sinal de vida, e outros três parecem estar em maus lençóis no território venezuelano. Ainda não se sabe se a iniciativa é de quadrilhas rivais, ou se do governo de Nicolás Maduro, em uma tentativa de "queima de arquivos", que anteceda uma negociação de retorno da Venezuela à uma vida diplomática normal.
https://www.eltiempo.com/unidad-investigativa/ivan-marquez-los-audios-que-confirmarian-su-muerte-en-venezuela-684710

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Um Russo e Seis Colombianos Presos por Subversão em Bogotá

Um deles é Sergei Vagin que transmitia ao vivo os excessos. Embaixada russa se pronunciou.
Sergei Vagin, o russo detido, assegura que não cometeu nenhum delito.
Foto:
 Archivo Particular
Em 30 de março, foram apresentados à audiência de garantias seis pessoas capturadas por supostamente formarem uma rede que movia substanciais somas de dinheiro desde a Rússia e estão vinculados aos vandalismos ocorridos nas manifestações registradas há alguns meses em Bogotá e Medellin.
As capturas ocorreram quatro dias após a divulgação, na imprensa, de vídeos, fotos e evidência que vinculam cidadãos russos com esses fatos.
Recibo de remessas
feitas da Rússia para
a Colômbia.
Foto:  El Tiempo
Um dos capturados é Sergei Vagin, que afirmou trabalhar com apostas esportivas. "Me dedico a apostas esportivas, fiz transmissões ao vivo porque era a melhor forma de fazê-lo, como pode fazer qualquer pessoa, e isso não é delito", sustentou o cidadão russo.
Vagin disse que o dinheiro das transações era próprio e que o trocava com outros analistas da Rússia, que também trabalham com apostas. "Às vezes precisavam enviar para mim, ou eu para eles" explicou.
Porém, para a CIA, o DEA e Agências britânicas, estaria ocorrendo uma operação de lavagem de dinheiro e evasão fiscal de quantia superior a 146 milhões de dólares.
Foram comprovadas transferências para a Colômbia, desde o principal banco russo. Os recursos eram depositados em contas de pessoas de baixo perfil, que faziam saques em pequenas quantias em caixas eletrônicos de criptomoedas ou em espécie. 
Quanto à sua participação nas jornadas de distúrbios e vandalismos em Bogotá, disse que um amigo o convidou para sair no dia dos protestos.  Em seguida, ele postou ao vivo pelo menos dezesseis vídeos sobre os excessos, e entrevistas com jovens que participavam deles.  
O advogado Francisco González, defensor de Vagin, confirmou a captura de seu cliente pela CTI da Fiscalia (denominação dada à Procuradoria ou Promotoria, na Colômbia). "Houve uma diligência na casa dele, às 7 da manhã, e então ele foi detido", afirmou ele.
Sergei Vagin, o russo preso
 em Suba, Bogotá, por
atuar em vandalismos.
Foto: 

El Tiempo


Além disso, explicou que ainda não havia sido agendada a audiência de legalização da prisão, e assim, ele não sabe qual é a acusação feita pela Fiscalia.
Vagin permanece no bunker do ente acusador, diz seu defensor.
Foi apurado que os delitos que serão imputados são os de conspiração para delinquir, utilização ilícita de redes de telecomunicações, transferência não consentida de ativos e acesso abusivo a um sistema informático.

¿O que diz a Embaixada russa?
A Embaixada da Rússia na Colômbia afirmou, no mesmo dia 30, através de um comunicado que "nem  tentou, nem tem intenção de ingerir na vida interna da Colômbia" e qualificou de "insinuações e calunias", as publicações sobre uma suposta ingerência russa nas eleições na Colômbia.
A Embaixada russa qualificou como 'fake news' os informes jornalísticos e destacou que não há tal ingerência nos assuntos da Colômbia. As declarações se deram através de um comunicado oficial.
Verificação de antecedentes
assinada por um membro
da Embaixada.
Foto:  El Tiempo
Também esclareceu que a Rússia respeita o direito do povo colombiano eleger seu futuro e deseja que no país reine a paz. Também explicou que existem mecanismos interestatais para denunciar ações e fatos suspeitos. "O que se faz por canais pertinentes, que estão abertos do lado russo", finalizou.
Antes, havia convocado uma entrevista coletiva com um dos cidadãos mencionados na investigação, depois capturado.
De fato, o cidadão, de 39 anos, ingressou na Colômbia com visto de turista e se movimentava com um certificado expedido pelo terceiro secretario da Embaixada, Nikolay Rycov.
Sergei Vagin e seu advogado. Imagem: El Tiempo.
Vagin assegurou que conhece a Rykov porque "não tinha o que comer nem onde dormir e ele me estendeu uma mão". O diplomata o ajudou a conseguir um certificado de boa conduta que certifica que não tem investigações na Rússia.

COMUNICADO À IMPRENSA, DA EMBAIXADA DA FEDERAÇÃO DA RÚSSIA NA REPÚBLICA DA COLÔMBIA
"Tendo em vista a continuação da campanha mediática local, premeditada e orientada a desacreditar a Rússia e lesionar as relações bilaterais com Colômbia, a Embaixada se vê obrigada a comunicar o seguinte. 
— Causa assombro a postura de alguns meios colombianos que não querem ver os fatos e publicam artigos paranoicos (baseando-se em suas fobias e suspeitas, inventam coisas inverossímeis e depois as assumem como fatos reais, dignos de fazer crer a seus leitores). O último caso é a inventada historia de uma suposta ingerência russa em assuntos internos da Colômbia por meio de alguns personagens (“Shurik”, “Servac”, e “uma cidadã russa dedicada à venda de  frigideiras elétricas”). Já foi desmascarado em nosso Comunicado de prensa e durante a Entrevista Coletiva do Sr.Vagin e seu advogado. Insistimos, essa farsa não tem nada a ver, nem com o Estado russo, nem com esta Missão Diplomática. São puros inventos e parodia de mau gosto das aventuras do Agente 007.
Ao mesmo tempo, alguns meios locais incrivelmente insinuam que o fato de que a entrevista coletiva com o Sr. Vagin se realizou na Embaixada poderia confirmar os laços entre dito Senhor e esta Missão diplomática. É totalmente falso. Dado que toda uma serie de meios colombianos, sob vários pretextos (entre eles, COVID) havia rechaçado convidar ao Sr. Vagin a suas instalações para fazer uma entrevista coletiva, a Embaixada ofereceu a possibilidade de que el Sr. Vagin se comunicasse com os periodistas via Zoom. 
Cabe recordar que, segundo o mesmo Sr. Vagin, ele é um simples analista que presta seus serviços a uma empresa de apostas esportivas. Ele não tem vinculação alguma com o Governo da Rússia ou esta Embaixada. Imaginem quanto dinheiro dos contribuintes colombianos se poderiam ter poupado, se as suspeitas sobre este cidadão russo fossem esclarecidas mediante a interação dos mecanismos policiais interestatais. 
Estamos cientes da detenção do cidadão russo Sergei Vagin em 30 de março de 2022 pelas forças de ordem pública colombianas. Esperamos que os órgãos competentes mostrem imparcialidade e o apego à lei no que se refere a este cidadão da Federação da Rússia. 
A nós, corresponde rechaçar uma vez mais, de maneira mais categórica, os intentos de prejudicar as relações entre Rússia e Colômbia, que se empreendem mediante o lançamento irresponsável de afirmações carentes de prova alguma sobre suposta ingerência do Estado russo em processos internos políticos deste país latino-americano."

Audiência na 11ª Vara Criminal Municipal para controle de garantias.
Imagem: arquivo privado
No dia 1º de abril, perante o 11º Juiz Criminal Municipal para o controle de garantias, três dos sete capturados na quarta-feira passada por pertencer a uma célula chefiada por um cidadão russo, aceitaram as acusações feitas contra eles pelo Ministério Público.
O documento que serviu de suporte à acusação fala do recrutamento de colombianos e até venezuelanos para as atividades.
Entre os capturados que aceitaram as acusações há um membro do CTI, Mauricio García Herreros. Trata-se de um técnico judicial, advogado, que ingressou na  instituição em 2008. Giovanna Gutiérrez e Ana María Gutiérrez também foram autuadas por formação de quadrilha, transferência não consensual de bens e acesso abusivo a um sistema informático.
O russo indicado como líder disse que não cometeu nenhum crime e não aceitou as acusações. Outros que não aceitaram foram os colombianos Ginna Paola García, Jorge Antonio Casas e Cristian Leandro.
Apesar das investigações estarem se concentrando nas transações milionárias que o russo atribui às apostas esportivas, documentos em poder do Ministério Público indicam uma suposta ligação entre ele e o ELN, além do recrutamento de colombianos para se infiltrar nas marchas.
A esse respeito, o advogado de Vagin, Francisco González, afirmou que a Promotoria está misturando questões. "Esse é outro filme, são questões muito complicadas e não é assim porque é outra coisa (...) eles não têm nada a ver com isso."

Sergei Vagin esteve a ponto de obter informação de “caráter ultra secreto” que poria em risco a segurança nacional colombiana. Para isto teria subornado um Coronel do Exército Nacional.
O militar assediado fazia parte do Comando Geral das Forças Militares e tinha acesso privilegiado às estratégias de defesa nacional.
Sem identificá-lo, a Fiscalía assegurou que o oficial foi contatado em 2021 para que compartilhasse o Plano Nacional de Aquisição de Armas, um importante expediente que contém os contatos do Governo para as compras de armamento bélico e onde determina sua distribuição no interior do país e nas fronteiras terrestres e marítimas.
Em troca,o cidadão Vladimir, adjunto da Embaixada russa, ofereceu ao Coronel a soma de 200 milhões e a entrega de um apartamento”, disse o Fiscal encarregado ante o juiz de controle de garantias.

Lavagem de dinheiro internacional
Segundo fontes de Inteligência, entre 2018 e a data da captura, o grupo havia movido mais de 146 milhões de dólares  cerca de 700 milhões de Reais , que eram negociados em criptomoedas para esconder seu rastro das autoridades.
Mas essa quantia fica aquém das quantias milionárias que o russo e seus aliados movimentaram entre Colômbia, México, Cuba, Espanha, Estados Unidos e Alemanha.
Aparentemente, o principal negócio da quadrilha colombiana-russa era lavagem de dinheiro, controlada na Rússia por mais dois homens que a justiça colombiana não conseguiu identificar.
A partir daí, os russos comandariam várias equipes em países latino-americanos por meio de grupos do Telegram e outras redes sociais difíceis de rastrear.
O negocio, seguindo os acusadores, ocorria em três fases. “A primeira era a etapa de recrutar o pessoal. Aqui, os implicados contatavam pessoas de escassos recursos e as convenciam a alugar sua conta bancaria por um determinado tempo para fazer pequenas transações sem gerar alarma nas autoridades fiscais”, revela um dos áudios da audiência.
Nesse ponto, os recrutadores pediam à pessoa o usuário e a senha do cartão de débito e  exigiam que não houvesse nenhum tipo de acesso do dono, enquanto eles as tinham “alugadas”.
Em um telefonema interceptado, Giovanna Edilma Gutiérrez — uma das três implicadas do bando que já admitiram culpa — fala que, em troca do empréstimo do cartão, por dois meses, ela e sua equipe pagariam um milhão de pesos à pessoa e que, também, fariam pagos adicionais de 10 mil e 20 mil pesos por cada retirada presencial que tivessem que fazer em lugares determinados.
Em outra ligação a mesma Giovanna explica a outra mulher que entregou seu cartão, que pagaria 500 mil pesos por cada 30 milhões recebidos em sua conta.
Depois do uso, a terceira fase era completada por advogados e contadores que elaboravam os papéis de declaração de renda, quando necessário, e um “comprovante”, garantindo às pessoas que não teriam problemas legais mais tarde.
Assim, Giovanna Gutiérrez e os que trabalhavam para ela conseguiram utilizar mais de 165 cartões de crédito e débito com os quais atomizavam as transações, que oscilavam entre os 50 e 100 milhões de pesos diários.
Após reunir os recursos, os russos se dedicavam, aparentemente, a investir altas quantias de dinheiro em apostas esportivas, que iam desde partidas de futebol tradicionais até jogos de tênis em uma cidade remota do Japão.
Intriga a Fiscalía, por exemplo, como esta gente conseguia ganhar ao redor de 85 % das apostas que faziam. Uma margem muito maior que o das pessoas comuns que, além disso, nos alerta para possíveis apostas irregulares”, expôs a entidade.

Um assunto de segurança nacional
Mas essas possíveis movimentações milionárias de dinheiro e essas trocas de identidade não são as únicas preocupações das autoridades.
O nome de Sergei Vagin era conhecido pelos agentes de Inteligência de pelo menos seis nações, desde antes de aparecerem as movimentações fraudulentas de criptomoedas.
Meses antes, em 2021, Vagin havia aparecido em vários vídeos nas mãos das autoridades, gravando os distúrbios e seus efeitos na Força Pública durante a greve nacional.
O fato coincide com um pico de movimentos de dinheiro ocorrido em 30 de abril de 2021, data que foi o inicio da linha de tensão com as manifestações pela reforma tributaria”.
Com essa hipótese e alguns movimentos relacionados ao recrutamento de pessoal para desrespeitar limites territoriais determinados, a Fiscalía também crê que o bando poderia estar relacionado com o financiamento de atos de vandalismo e de violência visando agredir os homens da Polícia e do Exército que prestavam seu serviço naqueles dias de manifestações.
A ser verdade, esse poderia ser mais um atrito entre o Governo colombiano e o russo.
As tensões mais recentes entre ambas nações começaram em fevereiro deste ano, quando o Ministro de Defesa, Diego Molano, acusou Moscou de dar apoio militar à Venezuela e por em risco os 2.219 Km de fronteira comum. Nessa ocasião, Colômbia cedeu e pediu calma, advertindo que seguiria vigiando de perto o que ocorreria entre os russos e o governo de Nicolás Maduro.
No entanto, apenas 20 dias depois se soube que o país vizinho havia instalado cinco radares que teriam o propósito de espiar as comunicações internas da Colômbia e, possivelmente, interferir nas operações militares. Em seguida, se conheceram drones russos que vigiavam a fronteira e ambos países exibiram seus armamentos, em demonstrações de força, com o que se ameaçaram mutuamente de maneira implícita.
E assim, as hostilidades entre o governo do presidente Iván Duque e a Embaixada da Rússia na Colômbia não pararam.
Inclusive, a embaixada se pronunciou horas depois da captura do russo, assegurando que a operação foi parte de uma campanha mediática dirigida a desacreditar aquele país.
No sábado, 2 de abril, as partes implicadas estiveram escutando as provas da Fiscalía e o juiz de controle de garantias suspendeu a audiência até segunda-feira. Nessa data, se espera que decida se os deixa em liberdade ou se responderão ao processo em andamento desde uma prisão.
Em todo caso, as autoridades seguirão atrás da pista dos líderes do bando desde o lado russo que, por meio de cooperação internacional, poderiam enfrentar os mesmos delitos de que se acusa a Vagin: transferência não consentida de recursos, concerto para delinquir e acesso abusivo informático.

Assuntos correlatos:
Unidade de Pesquisa
u.investigativa@eltiempo.com
@UinvestigativaET
Fonte: tradução livre de
COMENTO: as atividades de ingerência sobre a América Latina não cessam. As grandes potências mundiais não escondem seus interesses nas riquezas naturais e estratégicas da região. Nossos Serviços de Inteligência e de Segurança não podem vacilar nesse quesito. Não esqueçamos que não existe amizade entre Nações. O que há é criação e aproveitamento de oportunidades.   

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Caçadores de Recompensas Buscam 'Iván Márquez' e 'Gentil Duarte' na Venezuela

Mentores do regime de Maduro tentam enviá-los ao Irã.

Iván Márquez e Gentil Duarte, chefes de dissidências das FARC.
FOTO: EL TIEMPO
A sequência de ataques aos acampamentos das dissidências das extintas FARC em território venezuelano — que iniciou no passado 17 de maio com a morte de ‘Jesús Santrich’ e seguiu com as de ‘Romaña’ e o ‘Paisa’, no início de dezembro — não vai diminuir.
Assim indica um Informe de Inteligência, assinalando que ‘Iván Márquez’, chefe da ‘Segunda Marquetalia’, completou uma semana escondido no estado de Amazonas, na Venezuela. 
O outrora negociador das FARC em Havana está decidindo se volta à Colômbia (por Vichada ou Guainía) ou se finalmente vai para a Nicarágua, depois que terem bloqueado sua viajem para Cuba.

O vídeo de Romaña foi gravado, dias antes de sua morte, de forma clandestina por emissários da Mafia. Foto: EL TIEMPO
Sabe-se que o mesmo comando armado que liquidou os  "lugar-tenentes" da quadrilha seguem ‘Márquez’, ‘Jhon 40’ e ‘Zarco Aldinever’, os cabeças sobreviventes da estrutura criminosa.
Vladimir Padrino López,
ministro da Defesa.
Foto:  AFP
De fato, os caçadores de recompensas também andaram ‘comprando’ dados de outra dissidência que permanece no outro lado da fronteira: a de Miguel Botache Santillana, ‘Gentil Duarte’, e Néstor Gregorio Vera, vulgo Iván Mordisco.
Os enfrentamentos armados em território venezuelano entre essas duas facções criminais — a de ‘Márquez’ e a de ‘Duarte’ — incomodam a influentes granjeiros e empresários dos quais foram ocupados imóveis; um deles conhecido como ‘Peñadero’.
Vários deles são próximos (até mesmo sócios) de dois poderosos do regime, aos quais levaram suas queixas: Diosdado Cabello e o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino.
Militares venezolanos foram sequestrados pelas dissidências de 'Gentil Duarte'.  Foto:  Archivo Particular
A presença e os conflitos entre os bandidos colombianos  também incomodam setores do Exército venezuelano, do qual os ex-FARC já  assassinaram e sequestraram vários integrantes.

Os íntimos de ‘Mordisco’
'Iván Mordisco', um dos chefes
da dissidência.
Foto:  Archivo / EL TIEMPO
De fato, foi denunciada a cobrança de ‘impostos’ que as dissidências vem praticando aos chamados ‘patriotas cooperantes’.
Os extorsionados tratam-se de empresários venezuelanos e, também de narcotraficantes dos quais são cobrados uma substancial percentagem por cada tonelada de cocaína que carregam pelos territórios sob influência da guerrilha, nos estados de Amazonas e Bolívar.
Essas atividades de violência importada tem levado um setor do regime a proporcionar dados e coordenadas de localização dos ex-guerrilheiros colombianos em troca de consideráveis somas que os denominados "caça-recompensas" — não mais de 20 — prometem terminar de pagar com o dinheiro que os governos de Colômbia e de Estados Unidos oferecem pela localização dos membros dessas dissidências.
Passaporte de Álex Saab entre 
os papéis de Pandora.
Foto:  EL TIEMPO
O cerco na Venezuela está se fechando a tal ponto que já se sabe que um grupo vinculado às dissidências de ‘Gentil Duarte’, incluídos familiares, está planejando sair com destino ao Irã nos próximos dias.
A informação que se tem é de que os chamados comandantes ‘Ernesto’ e ‘Adrián’ ou ‘el Intelectual’ estão conseguindo cédulas de identidade e passaportes venezolanos.
O outro a que estão tentando remover é um advogado internacionalista, ligado a ‘Iván Mordisco’, que foi assessor de um dos maiores chefes das ex-FARC.
A intenção é de que possam debandar ao exterior como assessores em matéria de segurança, um mecanismo similar ao que usou, em seu início, Álex Saab”, assegurou uma fonte humana a agentes de Inteligência.

Os IGLA e os fuzis
Agências internacionais investigam entrega de fuzis às ex-FARC.
Foto: Policia Nacional
O informante agregou que estariam pensando fazer o mesmo com aparentados de outros caudilhos que permanecem nas imediações de Capacho — cidade entre San Antonio e San Cristóbal —, próxima à fronteira, e Valencia, custodiados por integrantes do Corpo de Investigações Científicas, Penales e Criminalísticas (CICPC), a anterior PTJ.
Mas, além de deixar os chefes das dissidências fora do alcance dos caça-recompensas, é investigado outro propósito em torno de seu deslocamento ao Irã.
Agências internacionais indagam uma suposta entrega de fuzis às ex-FARC, dentro dos planos que vinham traçando junto com o Hezbolah, o grupo pro-iraniano que vários países ligam a violentos atos terroristas.
Também se investiga o destino de dez (10) dos mais de 3.900 misseis terra-ar portáteis russos (IGLA) que Venezuela tem em seu poder.
Apesar de constarem como baixados do estoque por seu Exército, ninguém sabe sua localização e há temor de que tenham terminado nas mãos das dissidências.



Reunião em Casigua-El Cubo
Nesse local ocorreu a reunião para planejar o atentado contra Iván Duque.
Foto: EL TIEMPO
O sistema de defesa e ataque antiaéreo (os IGLA) lhes permitiria chegar com maior precisão a objetivos como os helicópteros e outras aeronaves militares e de polícia colombianas”, disse um oficial de Inteligência.
Investigam vazamento de informação
 no atentado a Duque. 
Foto: Archivo Particular
E completou dizendo que as dissidências da Frente 33 tem estado atrás de um desses mísseis para executar um ato terrorista antes de 7 de agosto de 2022.
Em uma reunião que fizeram seus chefes — incluído o vulgo Jhon Mechas, o cérebro da sequência de atentados em Cúcuta — foram oferecidos 4.000 milhões de pesos (cerca de 4 milhões de Reais) para repetir os atentados contra o presidente Iván Duque, que falharam em 25 de junho passado.
A reunião, para esse fim, se levou a cabo na zona rural de Casigua El Cubo, capital de um município que se chama Jesús María Semprúm, localizado no estado de Zulia”, explicou uma fonte de Inteligência. E agregou que ‘Jhon Mechas’ ainda permanece nessa zona, a tão somente uns poucos quilômetros de Tibú, Norte de Santander.

A reunião com a CIA
Aeroporto Internacional de Maiquetía, Venezuela. Foto: Google Maps
Sobre ‘Márquez’, agências estrangeiras não descartam que o atentado, em 14 de dezembro passado, no aeroporto Camilo Daza de Cúcuta — que acabou com a vida de dois especialistas em explosivos — tenha sido um ato terrorista diversionista para possibilitar a movimentação do bandido.
Se acredita que, para sair da Venezuela, contariam agora com a complicidade de organizações criminosas locais, como o ‘Trem de Aragua’, que controlam várias passagens fronteiriças ilegais na fronteira.
Nicolás Maduro e seu regime seguem guardando silencio sobre esses fatos. Mas despertou a atenção de vários atores (legais e ilegais) a reunião com um enviado da CIA que teria ocorrido em 7 de dezembro passado.
O que se sabe, até agora, é que no aeroporto de Maiquetía aterrizou o avião estadunidense Phoenix Air 38, o mesmo que teria sido usado em 2019 para evacuar o pessoal da embaixada dos Estados Unidos logo após serem expulsos pelo regime de Maduro.

Os atritos com Daniel Ortega
Daniel Ortega.
Foto: EFE/EPA/AMIT SHABI
/ POOL y Jorge Torres
Para investigadores, ‘Iván Márquez’, que permanece oculto no estado de Amazonas (Venezuela), teria a Nicarágua como sua mais segura rota de escape. Aproveitando que, as relações entre o governo desse país e o colombiano tem se deteriorado.
Primeiro foi pela disputa limítrofe em San Andrés, depois pelo não reconhecimento da reeleição de Daniel Ortega  pela Colômbia, e agora pelas agressivas declarações do presidente nicaraguense, que teriam sido motivadas pela possível chegada de líderes da ‘Segunda Marquetalia’ a Manágua. “Colômbia é um narco-Estado”, disse Ortega nesta semana.
Para o Governo colombiano, se trata de uma estrategia com que Ortega busca distrair a atenção da comunidade internacional, que rechaça com veemência a nova ditadura que se instala no país centro-americano, disse o Ministério de Relações Exteriores em um comunicado.
E adicionou que a resposta de Ortega aos reclamos sobre eleições livres em seu país consiste em atacar a Colômbia para distrair a atenção e censura internacional.
Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
@UinvestigativaET
Leia também:
Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO:  procurei fazer a tradução na forma como o texto foi publicado, e essa apresentação pode nos aparentar um tanto incompleta, mas é assim que age o jornalismo sério internacional. Apresentam o que foi obtido e as conclusões são feitas pelos leitores.
Pelo visto, parece que o Foro de São Paulo já foi para o saco, pelo menos por enquanto. Não adiantou tentarem "refundar" a quadrilha com o nome de Grupo de Puebla. Sem os recursos financeiros que a quadrilha petista mandava desde o Brasil, nem o petróleo venezuelano — cuja extração definha devido à crise que aflige o regime de Nicolas Maduro — não há "motivação" para os bandidos. E, sabemos, "casa em que falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão." O canalha Daniel Ortega, vendo o barco afundar, procura retirar seu feudo do naufrágio iminente. 
Repetindo o que houve no Brasil, os narcoguerrilheiros negociaram um pacto com o fraco governo colombiano que sucedeu Álvaro Uribe — incentivado, tal governo, pelos políticos canalhas vinculados aos terroristas — obtendo inúmeras vantagens. Mas os benefícios foram direcionados só para a cúpula dos canalhas, como sempre ocorre entre "comunistas", e a ralé foi se reorganizar para dar continuidade em suas atividades criminosas. Mais, os EUA não entraram nas negociações. Os criminosos continuam sendo buscados pelos yankees e as recompensas por suas capturas e/ou morte seguem em vigor. Daí o surgimento dos "caçadores de recompensas" que, bem ou mal, estão fazendo o que a justiça falha dos colombianos não faz.
Não esquecendo que as investigações sobre os apoios criminosos às ditaduras socialistas/comunistas seguem ocorrendo. Os delatores venezuelanos estão revelando o que sabem. E na Justiça norte-americana não há os excremerdíssimos brasileiros que autocraticamente anulam processos. Ainda pode sobrar indiciamento para muitos bandidos daqui.
E nesse vai e vem legal, continua o sofrimento do povo daquele país.
Por este motivo, os brasileiros tem o dever, até mesmo a obrigação, de extirpar o câncer representado pelos bandidos travestidos de socialistas/comunistas da vida pública do Brasil. A proteção à vida do Presidente Bolsonaro deve ser priorizada. O General Heleno foi claro. O desespero fará com que a bandidagem tente de tudo. E mais um atentado ao líder do Brasil não é impossível. Se tentaram quando ele ainda era candidato, imaginem agora que sua reeleição é iminente!
Esperemos que não haja necessidade de formação de grupos de caçadores de recompensa por aqui. Se houver, será uma boa fonte de renda para muitos. E fonte de pavor para muitos outros.