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sábado, 25 de maio de 2019

Dissidências da Narcoguerrilha Agem em 16 Departamentos

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Foto: AFP - As dissidências concentram sua atividade econômica no narcotráfico, além de extorquir agricultores e comerciantes da região.
Por Redação — Justiça
Em novembro do ano passado, as dissidências das FARC passaram a ser classificadas como Grupo Armado Organizado Residual (GAOR) que, por seu nível de periculosidade e capacidade do armamento, podem ser repelidos com o uso de todo o poder do Estado, ou seja até mesmo serem bombardeadas.
Em um relatório de Inteligência da Força Pública é dito que os dissidentes contam com 2.296 homens em armas e 1.452 membros nas redes de apoio. A sua área de interferência seria de 57 municípios localizados em 16 departamentos (estados).
O principal campo de ação está no leste do país, particularmente em Guaviare, Vichada e Meta, onde as antigas FARC agiam com a denominação de Bloco Oriental.
O documento indica que Miguel Botache Santillana conhecido como Gentil Duarteque estaria refugiado na Venezuela — busca unificar os dissidentes tendo enviado emissários para diferentes áreas do país com essa finalidade. "Gentil Duarte" é o chefe do principal grupo dissidente, que tem cerca de 1.400 homens dedicados à produção e ao tráfico de cocaína, que enviam para os cartéis mexicanos usando a Venezuela e o Brasil como plataformas.
Seu segundo em comando é identificado como Néstor Vera, vulgo Iván Mordisco, encarregado de unificar a estrutura do ponto de vista militar. O relatório da Força Pública, conclui que as dissidências concentram sua atividade econômica no narcotráfico, além de extorquir agricultores e comerciantes da região.
O outro grupo forte de dissidentes está no município de Tumaco, em Nariño, com cerca de 800 homens em armas que faziam parte de quatro frentes do Bloco Ocidental das FARC.
Destas dissensões, a frente 'Oliver Sinisterra' liderada por um bandido conhecido como 'Gringo' e as 'Guerrilhas Unidas do Pacífico', cujo líder é tratado como 'Borojo', estão travando uma forte guerra territorial, permitindo que o grupo 'Os Contabilistas' — que tem representantes dos cartéis mexicanos na Colômbia — adquirisse muita força e algum controle sobre as rotas do narcotráfico via oceano Pacífico.
Por outro lado, durante a Minga Indígena, ocorrida entre março e abril deste ano, adquiriu protagonismo Johany Noscué Bototo, vulgo Mayimbú, que tem sob seu comando 200 homens e executou vários ataques na Rodovia Pan-Americana. 
Um outro novo dirigente é conhecido como "Cabuyo", da 36ª Frente das FARC, acusado de assassinar três geólogos em Yarumal, Antioquia, no ano passado. Para informações que levem a esse dissidente, as autoridades oferecem 300 milhões de pesos (cerca de 300 mil reais).


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Fonte:  tradução livre de El Tiempo
COMENTO: já escrevi diversas vezes aqui que esse "processo de paz" efetivado com a narcoguerrilha não produzirá paz alguma para os colombianos. A princípio, as "exigências" dos narco-bandoleiros para a concretização desse acordo — apoiadas pelos "analistas" e "especialistas" destacados pela imprensa — expuseram a organização centralizada das decisões do Foro de São Paulo, e o fiel cumprimento de suas ordens pelos seus integrantes. Mesmo assim, alguns ingênuos ou mal intencionados renderam-se à capacidade organizativa dessa criação de Fidel, Lula e Hugo Chavez (que o capiroto o tenha) e deram seguimento à farsa. Vejamos algumas "propostas":
— anistia com um processo judiciário "transicional" — alguns colombianos não caíram nessa esparrela que os canalhas tentam transformar em um mecanismo unilateral de benefícios para um segmento e de perseguição e revanchismo para o outro, como aconteceu no Brasil, e resistem a aceitar as imposições dos bandidos provocando os problemas que estão sendo enfrentados na execução prática da "Justiça Especial para a Paz (JEP)";
anistia aos narco criminosos seguida por indenizações e recompensas para que eles sejam "reinseridos" na sociedade, onde se destaca a instalação de líderes dos criminosos em postos legislativos sem que tenham sido eleitos pela sociedade.
— A procura por "desaparecidos" é outra artimanha para render propaganda (negativa para as Forças de Segurança colombianas, certamente) e recursos financeiros (indenizações) para os narco-bandoleiros.
— A pantomima das "Comissões da Verdade", que foi exitosa na Argentina e no Brasil, onde os patifes conseguiram distorcer a história de suas canalhices, invertendo valores e transformando criminosos em heróis e heróis em bandidos, inclusive penalizando estes, além de promover um revanchismo indecente, maculando não só as memórias dos vencedores da luta armada mas convencendo os mais jovens de que foi graças a eles, os canalhas, que a democracia foi estabelecida. 
— O "controle social" da mídia, a fim de que possam reescrever sua história e manterem o proselitismo de sua ideologia é outra exigência.
Somente os muito alienados e os comparsas desses patifes se recusam a ver que esse sistema idiota que eles apregoam está falido e falindo todos os lugares onde se instalou. Assim, eles tem a necessidade de agir com urgência, conquistando espaços e, principalmente, recursos, pois ninguém é mais ávido por verbas alheias do que um comunista. Temos nossos próprios exemplos e mais recentemente, já vimos o discurso de Castro II o imperador cubano, querendo "indenização" dos EUA pelos anos de bloqueio econômico. Como se a bosta da ilha comunista improdutiva não negociasse sua miséria recebendo donativos — não se pode dizer que comercializa alguma coisa — de diversas nações, inclusive a nossa, sob a capa de "ajuda humanitária". Vergonha na cara parece ser, para eles, só mais uma manifestação burguesa-capitalista.
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sábado, 20 de abril de 2019

Dissidências das FARC Alimentam o Narcotráfico na Fronteira

por Alicia Liliana Méndez
‘Gentil Duarte’ (esq.) se encontra na Venezuela. Seu 3º homem no comando é ‘Jhon 40’.
‘Gentil Duarte’, um dos homens mais procurados na Colômbia e por quem o Governo oferece até 2 mil milhões de pesos (cerca de 2 milhões de Reais) como recompensa por ser considerado o maior chefe das dissidências no oriente do país se encontra desde novembro do ano passado no estado venezuelano de Amazonas. 
‘Duarte’ chegou ao país vizinho fugindo das operações da Força Pública que o buscam, e desde aquele território tem buscado reforçar sua estratégia para expandir sua rede criminosa. 
Miguel Botache Santillana, nome de batismo de ‘Duarte’, atuou por mais de 30 anos na narco-guerrilha das FARC que se desmobilizou após o acordo de paz, e fez parte da mesa de negociação em Havana. Mas, em um giro inesperado, ‘Duarte’ foi expulso da organização em julho de 2016.
‘Gentil Duarte’ logrou reunir inicialmente uns 300 homens em armas das Primeira, Sétima, 16ª e 62ª Frentes das FARC, que se faziam presentes no oriente do país, mas hoje estaria no comando de mais de 1.000 homens em armas, dos quais pelo menos um terço estaria na Venezuela. 
Ainda que as pessoas comuns denominem esses grupos como dissidências, devido à sua periculosidade o Governo as categorizou como Grupos Armados Organizados Residuais (GAOR), organizações a que se pode enfrentar com todo o poder do Estado, quer dizer, até com operações de bombardeio.
‘Gentil Duarte’ se encontra na Venezuela “coordenando o envio da cocaína que se processa na Colômbia e que ele negocia diretamente com cartéis mexicanos como o de Sinaloa, seu principal aliado, e cartéis do Brasil. Isto com a cumplicidade da guarda venezuelana, que lhe permite o controle tanto das pistas ilícitas e lícitas para o envio de toneladas do alcaloide”, disse uma fonte da Inteligência da Força Pública a El Tiempo.
A fonte adverte que, como parte do pagamento do cartel de Sinaloa, ‘Duarte’ está recebendo armas, especialmente fuzis de longo alcance, os quais ingressam na Colômbia para prover as frentes das dissidências em Guaviare, Vichada, Guainía, Putumayo e parte de Meta. 
Outro parceiro estratégico que 'Duarte' contatou, vem de seus dias de guerrilha se trata da Máfia Síria, da qual ele está comprando armas a um bom preço. 
Após diferentes investigações, o trabalho de Inteligência está analisando a hipótese que adverte “sobre o risco enorme de que muitas das armas que portam hoje as dissidências estejam saindo de um mercado negro no interior das Forças Armadas Venezuelanas”, o que mantém ativados os alarmas na Colômbia. 
‘Gentil Duarte’ goza da proteção de seu terceiro homem no comando, ‘Jhon 40’, que desde há mais de dois anos se encontra no estado de Amazonas (Venezuela), onde conseguiu consolidar uma estrutura armada com cerca de 300 homens, a grande maioria venezuelanos.



Eles os recrutaram aproveitando os problemas econômicos e sociais da Venezuela, pagam-lhes muito pouco, e negociam mais com comida, roupa e proteção”, disse a fonte, que explicou que a avaliação atual da presença das dissidências na Venezuela foi obtida com base em informações coletadas durante os últimos meses através de fontes humanas: dissidentes ativos, e outros que se apresentaram às autoridades. 
Géner García Molina, o ‘Jhon 40’, herdou todo o conhecimento das FARC. É considerado pelas autoridades um especialista em mover a produção e exportação de cocaína, por isso controla os corredores fluviais e terrestres que vão desde Vichada e Guainía até o estado de Amazonas na Venezuela. 
Isto lhe dá o controle das rotas do narcotráfico e da mineração ilegal, em especial o que se denomina ‘o arco mineiro do Orinoco’, onde peritos estimam que Venezuela possa ter a maior reserva de ouro, somada à exploração do coltan.
Campos de treinamento
‘Gentil Duarte’ e ‘Jhon 40’ reativaram as antigas escolas de treinamento em território venezuelano, especificamente nos estados fronteiriços de Amazonas, Táchira e Apure, para onde levam tanto a colombianos como venezuelanos para instrui-los em ideologia política e em estratégias armadas.
Nos pontos de treinamento, segundo adverte o relatório de Inteligência, seus homens aprendem a manejar armas, realizar movimentos táticos, técnicas de segurança área, Inteligência delitiva, emprego de artefatos explosivos e ações terroristas.
Um fator que preocupa a Força Pública é o recrutamento forçado de meninos e meninas entre os 12 e 14 anos que estão sendo levados à força, especialmente de reservas indígenas. Só em Guaviare se sabe do recrutamento de uns 50 menores de idade, cujas famílias não denunciam por temer represálias. Estas crianças são treinadas nos acampamentos em território venezuelano, e depois de uns meses são distribuídos nas frentes de criminosos na Colômbia. 
‘Gentil Duarte’ afirma que seu grupo não é uma dissidência mas sim a verdadeira guerrilha, e por isso em outubro de 2017 realizou uma reunião na zona rural de El Retorno, em Guaviare, onde definiu sua ideologia política e fixou como meta obter entre 2018 e 2019 uns 6 mil ou 8 mil homens em armas, pelo que através de emissários buscou a outros chefes de dissidências no país em busca de una hegemonia.
Segundo fontes de Inteligência, ‘Duarte’ não conseguiu consolidar essa estratégia por duas razões: a primeira é porque está dirigindo a estrutura desde a Venezuela; e a segunda, porque na Colômbia tem como encarregado de seu grupo o guerrilheiro conhecido como Iván Mordisco, dissidente reconhecido por sua personalidade belicosa e conflitiva que não tem a mesma aceitação que ‘Duarte’. Isto se soma à perda de ‘Rodrigo Cadete’ em uma operação da Força Pública 2 de fevereiro passado, quando resultou atomizada a estrutura da Frente 62 que estava a seu comando. Nessa ação foram 17 os mortos e resultaram capturados 42 de seus integrantes.
A Frente 62 se encarregava do transporte da cocaína processada na Colômbia, pelo que se estima que ‘Gentil Duarte’ poderia se ver obrigado a sair de sua zona de conforto (Venezuela) e vir à Colômbia para recompor o grupo criminoso, vital para a organização.
Alerta por recrutamento de menores em três zonas do país
O recrutamento de menores por parte das dissidências das FARC tem acionado os alarmes em três regiões do país. Em Guaviare, Nariño e Norte de Santander, as autoridades estão preocupadas porque membros de grupos que não se desmobilizaram após o acordo de paz estão levando crianças à força para cumprir a meta de recrutamento imposta pelos chefes desta rede criminosa.

Em Guaviare, Nariño e Norte de Santander os alarmas estão ativos.
Foto: Juan Carlos Escobar / Arquivo El Tiempo
Em Guaviare, entre 2016 e 2018, várias advertências foram levantadas, uma delas pela Defensoria alertando sobre o recrutamento forçado pelas dissidências. 
Aqui a situação é grave. Foram levados pelo menos 30 crianças, não só das reservas indígenas como também dos internatos rurais. Mas ¿quem vai denunciar, se a lei é a imposta por eles?”, afirmou uma autoridade civil desse departamento.
Em Nariño também existe uma alta preocupação, pois, segundo autoridades locais, os indivíduos que sobraram de algumas frentes que eram da guerrilha das FARC aterrorizam a população, e é por isso que muitas vezes, as pessoas não denunciam quando os menores são arrebatados de suas famílias para fazer parte de alguma das quadrilhas. 
“Aqui, em Nariño, o tema gera debate e preocupação todos os dias. Há duas grandes frentes das FARC, a ‘Oliver Sinisterra’ que age na costa Pacífica, em Telembí e Barbacoas. E a frente ‘Estiven González’, que se faz presente nos sete municípios da cordilheira”, disse a El Tiempo um integrante do Governo de Nariño, que acrescentou queestas estruturas estão levando as crianças, mas suas famílias não denunciam por medo e porque estas redes criminais convivem na zona”.
Segundo essa fonte, o recrutamento forçado nesse departamento “é alto”.
No Norte de Santander, a situação parece muito mais calma. Todavia, uma fonte da Polícia que pediu anonimato assegurou que nessa região existe a agravante de que as crianças levadas à força são passadas a campos de treinamento no estado de Apure, na Venezuela.
A constante é a mesma, não denunciam pelo temor a represálias e porque sabem que de uma ou outra forma voltarão a ver seus filhos e os tem por perto”, completou a fonte policial.
Além das dissidências das FARC, há outros grupos armados ilegais que continuam com a prática de alistar menores para suas atividades.
No ano passado, a Defensoria do Povo havia emitido 73 alertas sobre recrutamento de varias dessas organizações, principalmente em Antioquia, Chocó e Nariño.
Segundo a entidade, “os grupos armados à margem da lei que realizam estas atividades ilegais são as Autodefesas Gaitanistas Colombianas (AGC), o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as hoje conhecidas dissidências das FARC”.

Alicia Liliana Méndez 
Redacción Justicia 
No Twitter: @AyitoMendez
Fonte: tradução livre de El Tiempo
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sábado, 30 de março de 2019

É Assim Que o Tráfico de Armas Funciona

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por Nelson Matta Colorado
Antes de entrar na casa, no bairro Castilla de Medellín, os agentes só sabia duas coisas: que possivelmente havia armas que seriam vendidos a gangues e guerrilheiros de Antioquia, e que o proprietário das mercadorias era um senhor da guerra misterioso conhecido pela alcunha de  "Zeus".
Material descoberto na casa de “Zeus” em 2016, em Aranjuez.
Eles chegaram na madrugada de 22/06/2016 e foram recebidos por um ex-policial de pijama, que dormia na casa com sua esposa e sua filha. Ele ficou apavorado quando viu seus ex-colegas entrarem e, ao removerem um quadro da parede, encontrarem um cofre embutido que continha dois carregadores, 17 cartuchos de munição e peças de pistolas.
Em um esconderijo no chão, sob um ladrilho solto, eles acharam mais 298 cartuchos de calibres diferentes e sobre um beliche, uma caixa com 56 munições para fuzil 5.56. Na propriedade havia mais escaninhos nas paredes, mas estavam vazios.
Dois dias depois, um informante levou os investigadores a uma outra residência de Castilla, desocupada e com um estoque maior: três fuzis 7,62 com 18 carregadores, duas pistolas Glock e Beretta com nove carregadores, um revólver calibre 32, e 20 granadas de mão; além disso, 8.952 cartuchos para fuzil, 450 munições para pistola 9 milímetros e 50 para revólver calibre 38. Mais uma vez, as fontes insistiram que era tudo de "Zeus".
À DIJIN e à Procuradoria informações chegavam aos poucos sobre o personagem, mas nada que permitisse identificá-lo. Foi dito que adquiria armas em Villavicencio e as trazia para Medellín para alugá-las a mercenários ou vendê-las a quadrilhas, dissidências das FARC e a um contato do ELN apelidado de "Mauricio", que as receberia em Anori. A este, eram enviadas desmontadas, em maletas e caixas disfarçadas nos ônibus de transporte público.
Vulgo "Ramiro", chefe da dissidência da frente 18 das FARC, com um fuzil importado
Ninguém no submundo se atrevia a citar seu nome e  por cinco meses houve silêncio, até que outro informante enviou aos detetives uma pista definitiva. Em 22/11/16 eles chegaram a um lava-rápido no bairro Aranjuez, chamado Expresso Car. O local estava ligado a dois apartamentos e um armazém, e na busca foram apreendidas cinco pistolas com sete carregadores, dois revólveres, dois silenciadores, carcaças e canos de várias armas, três carregadores de fuzil, um par de algemas e 462 munições de diferentes calibres inclusive para pistola FiveSeven (5,7x28 mm).
Na operação, um assustado jovem com 22 anos de idade foi preso e disse que o dono do lugar era seu pai, um homem que não estava na cidade. Assim, os agentes obtiveram a esquiva identidade de "Zeus": Joseph Alexander Pelaez Mejia, nascido em 15 de agosto de 1975 em La Virginia, Risaralda, com nacionalidade colombiana e venezuelana e cuja atividade oficial era a de restaurador de carros.
José Alexánder Peláez Mejía, vulgo Zeus.
Um mandado e uma Circular Azul da Interpol foram emitidos, esperando que ele fosse localizado nos países que costumava frequentar, como o Panamá, mas ele conseguiu cobrir seus rastros por três anos.
Em 17/2/2019, um alerta da Interpol foi disparado em Tegucigalpa, Honduras, onde um homem de 43 anos, com características semelhantes às do alvo, havia entrado irregularmente. Era "Zeus".
"Esse homem seria o principal fornecedor de armas destinadas às frentes do ELN e dissidentes das FARC que cometem crimes em Antioquia", disse o general Gonzalo Londoño , diretor do DIJIN.
Em 4 de março ele foi deportado e no aeroporto de Eldorado foi preso; no dia seguinte, na audiência de garantia, a Procuradoria o indiciou por tráfico de armas e munições. Peláez não aceitou a responsabilidade e o Primeiro Tribunal Penal Ambulante de Antioquia o mandou para a cadeia.

Fontes de aquisição
A história de "Zeus" é outro capítulo no mundo sombrio do tráfico de armas em Medellín e Antioquia. De acordo com o Sistema de Informação para a Segurança e Coexistência da Prefeitura, foram confiscadas na cidade, entre 2016 e 2018, 1.957 armas, ou seja, 1,7 por dia. E em 2019 (até 3 de março) eles confiscaram 148, ou 2,4 por dia, em uma capital onde 83 pessoas foram mortas a tiros.
Apesar dos volumes de apreensões, e uma média de 1,2 homicídios com esses dispositivos, as investigações contra esse flagelo são escassas. Isto foi reconhecido pelo general Eliécer Camacho, comandante da Polícia Metropolitana: "quando cheguei (ao cargo) não encontrei uma investigação direta do tráfico de armas. É um problema delicado, neste ano temos 180 armas apreendidas (em todo o Vale do Aburrá) e já não vemos nenhum trabuco ou artesanais, são todas originais".
El Colombiano acompanhou o andamento da situação na última década, e verificando com fontes judiciais e de Inteligência, conclui-se que atualmente a principal fonte de armas são os armeiros dos EUA, especialmente da Flórida. Os traficantes contratam pessoas com cidadania americana e nenhum registro criminal, que compram as armas em lojas autorizadas e as entregam à organização criminosa.
Os rifles e fuzis semi-automáticos, cujo uso na Colômbia é exclusividade da Força Pública, são vendidos nos EUA como artigos esportivos. O controle posterior à venda naquele país não é frequente, não há acompanhamento das armas adquiridas ou um limite máximo de compra, e muito menos quando a transação é por internet.
"Estamos mais focados no que entra no nosso país, como drogas, do que nas coisas que saem", disse um oficial de segurança* com sede em Miami, quando indagado por este jornal. Ele acrescentou que, "apesar do sentimento popular" as tentativas de restringir as armas são frustradas por causa da interpretação feita pelo Supremo Tribunal Federal sobre a Segunda Emenda; e pelo influente lobby da Rifle Association, que inclui contribuições milionárias para campanhas políticas.
Os artefatos são exportados de Miami e do México e, em menor escala, pela Venezuela e pelo Equador. A rota marítima às vezes faz uma parada no Panamá, ou vai diretamente para os portos de Barranquilla, Buenaventura e Turbo; ou por via aérea, em voo de carga para Bogotá.
As armas vêm desmontadas e escondidas em caixas de eletrodomésticos, equipamentos de ginástica e autopeças. Aqui eles são distribuídos como encomendas, em táxis, ônibus, caminhões para o transporte de resíduos biológicos e hospitalares ou com logotipos multinacionais.
"Sabemos que aqueles que recebem as armas alugam apartamentos em Medellín e os ocupam por dois meses, até que o pacote chegue. Às vezes eles usam parentes, que dão seu endereço para o envio; estes não abrem a caixa, então eles não sabem o que ela contém", disse um promotor*.
Em muitos casos, há uma troca de armas por cocaína, entre cartéis internacionais e facções locais, como o Clã do Golfo, "a Oficina", ELN e o Clã Isaza do Médio Magdalena. "Os traficantes atuam como agentes de comissão entre estrangeiros e colombianos, coletam quantidades de drogas que partem de 300 quilos e as exportam, e depois trazem o arsenal", completa o jurista.
Outra modalidade de abastecimento, especialmente de explosivos e munições, envolve batalhões e armazéns militares e policiais, no que é conhecido como o mercado cinza: quando a transação começa com a aquisição legal e por várias razões acaba nas mãos de um ator ilegal.
Há três exemplos recentes: a captura do patrulheiro Ferley Cardona, do SIJIN de Antioquia (22/2/17). Em uma busca numa casa do bairro El Volador, eles apreenderam dois revólveres, 11 granadas, 288 cartuchos de explosivos Indugel, quatro rolos de estopim e 3.700 detonadores. De acordo com o Ministério Público, esse Indugel fazia parte de um carregamento de 2,7 toneladas confiscadas em Segovia e supostamente destruídas pela Polícia. Aparentemente, os uniformizados conspiraram com outros para vender ao Clã do Golfo.
O segundo caso é o do Major Héctor Murillo, chefe do Modelo Quadrante da Polícia em Antioquia, preso em 25/11/17 e processado por corrupção. De acordo com o arquivo, ele trabalhava para o Clã do Golfo e uma de suas funções era obter armas e munição.
E o terceiro começou com uma queixa da 17ª Brigada do Exército, que em 12 de janeiro relatou que um fuzil e uma metralhadora desapareceram do Batalhão de Engenheiros localizado em Apartadó.
Claudia Carrasquilla, chefe da Diretoria de Promotores Contra o Crime Organizado, lembrou que "muitos líderes de organizações ilegais têm armas com permissão para porte, obtidas em diferentes Brigadas". Um deles é Sebastián Murillo ("Lindolfo"), um dos líderes da "Oficina", capturado em 2018.
Um investigador de polícia* afirma que "90% dos homicídios em Medellín são com munição fabricada por Indumil (Indústria Militar Colombiana), há um grande desvio de balas em depósitos dos órgãos de segurança".

Perfil de "empresários"
Perseguir os traficantes é complexo, segundo os investigadores, porque eles têm um perfil diferente do bandido convencional. Seu estilo é empresarial, eles não estão na folha de pagamento de grupos tradicionais e nunca sujam as mãos com a mercadoria. Eles não são doutrinados, então eles negociam com o maior lance e vendem para facções inimigas entre si.
Nessa descrição não só cabe "Zeus", também Elkin Gallego Yepes ("El Negro"), outro dos poucos traficantes descobertos em Aburrá. Ele liderou uma estrutura que conseguia armas para diferentes clãs e tinha depósitos em Medellín, Bello e Guarne, onde ele transportava as mercadorias em táxis.
Entre os fatos que conduziram à sua prisão, houve a captura de 10 revólveres em um táxi em Calazans (24/06/2015) e 400 cartuchos de 9 mm em outro "amarelo" (cor dos táxis na Colômbia) que circulava pelo bairro Alfonso Lopez (05/08/2015).
Fusil Barret capturado do ELN em Anorí
Interceptando as comunicações de "El Negro", as autoridades aprenderam a linguagem criptografada que usavam para o comercio ilícito. Um revólver, segundo a marca, era chamado de "alacrán" (Escorpião), "Martínez" (Martial), "Don Walter" (Walter) ou "Rogelio" (Ruger); a munição, "fruticas", "caixa de arroz chinês", "comidita" ou "Cartão Sim longo" (projéteis de longo alcance); para carregadores, "cocos" ou "controles"; e para as pistolas, "brinquedo" ou "negrita".
"El Negro" e três comparsas, incluindo o superintendente César Augusto Aristizabal, vulgo "Peska", ligado à Direção da Polícia de Trânsito, foram presos em 2015 e condenados a penas entre 7 e 10 anos de prisão.
Apesar dos esforços, continuam a entrar novas armas na região, tais como as que foram encontradas em 11 de fevereiro em um cortiço em Bello, incluindo uma metralhadora M60, cinco fuzis, sete pistolas e carregadores alongados, que foram entregues por um desertor ELN.
Ricardo Abel Ayala, vulgo "Cabuyo".
Logo depois, no dia 25 de fevereiro, em uma fazenda na aldeia de Las Conchas, em Anori, prenderam "Gabino", um guerrilheiro ELN, que havia escondido, enterrado, um poderoso fuzil Barret .50 capaz de perfurar veículos blindados e atingir um alvo a 2,5 km de distância.
Esta mesma arma já havia sido vista na posse de Ricardo Ayala ("Cabuyo"), líder da dissidência da 36ª Frente, um esquadrão de foras da lei que atua no norte da Antioquia. Ele é um dos principais clientes dos senhores da guerra que, como "Zeus" e "El Negro", lucram com a violência em uma região acostumada a enterrar pessoas todos os dias.
* Identidades reservadas
Fonte: tradução livre de  El Colombiano.com
COMENTO:  observando-se o método e a rota utilizada pelos traficantes de armas para a Colômbia e somando isto à recente apreensão de mais de uma centena de fuzis de um meliante e proprietário de uma lancha de grande porte me reforça a intuição de que os grandes fornecedores de armas para a criminalidade do Rio de Janeiro estão estabelecidos nos EUA e não no Paraguai como divulgam para despistar. É facílimo trazer um caixote com armas em um navio e comunicar ao traficante quando chegar no litoral brasileiro, para que este se desloque até o encontro em alto mar, em alguma embarcação "de luxo" e receba a carga. Depois, é só voltar a alguma marina de algum clube de luxo, e rebocar seu barco com a valiosa carga de volta para casa. Ou alguém fiscaliza as saídas e chegadas de iates nos grandes clubes??
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domingo, 10 de março de 2019

A Espionagem Venezuelana em Bogotá

por Unidad Investigativa
Na foto, Carlos Pino em Bogotá na companhia de Royland Belisario, membro do SEBIN.
Foto: Arquivo particular
Organismos de Inteligência dizem que há US$ 5 milhões para atos de desestabilização na Colômbia.
Vários dos mais de 700 militares venezuelanos que se entregaram na fronteira com Colômbia vem advertindo a membros de organismos de Inteligência que ao menos dois deles não estão dizendo a verdade sobre o cargo e Unidades a que supostamente pertencem.
Ainda que não se descarte que estejam mentindo para proteger-se das represálias do regime de Nicolás Maduro, está sendo verificado se fazem parte do plano de espionagem que a Venezuela ordenou iniciar há uns meses nas ruas de Bogotá.
El Tiempo teve conhecimento de uma diretriz que organismos de Inteligência colombianos atribuem ao Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas da Venezuela (CEOFANB), datado em 10 de agosto de 2017, na qual se ordenou um deslocamento de “redes de Inteligência exterior em território colombiano, para efetuar operações encobertas em torno a interesses militares e ameaças provenientes de Colômbia e de Estados Unidos”.
O epicentro da espionagem é Bogotá, mas informação de Inteligência assinala que há pelo menos 50 membros do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) dispersos em pelo menos oito regiões do país.
Além disso, asseguram que sua missão se ampliou a controles e vigilâncias a opositores refugiados na Colômbia, a membros de missões diplomáticas de países que apoiam a saída do poder de Maduro e a funcionários colombianos de alto nível.
O dado mais recente que há sobre essa investida assinala que existe um orçamento de 5 milhões de dólares para executar atos de desestabilização na Colômbia, que incluem desde a infiltração nas marchas e protestos, até ações contra Juan Guaidó, o presidente interino de Venezuela.
Com base nessa informação, no final de fevereiro, o chanceler Carlos Holmes Trujillo responsabilizou Maduro por qualquer agressão que possa ocorrer contra Guaidó, que passa pela Colômbia para assistir à reunião do Grupo de Lima.
Há evidencias de que a ordem de planos de espionagem na Colômbia ganhou maior força depois que Duque assumiu a bandeira do bloco de países que exigem a saída imediata de Maduro e o reconhecimento de Guaidó como presidente de transição para que ocorram eleições presidenciais livres.
Assim se lê em documentos de Inteligência, nos quais inclusive, aparecem varias fotos tiradas do embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, Kevin Whitaker, por um agente do SEBIN.
O espião foi revelado ao aproximar-se demais do custodiado diplomata durante um foro sobre migração venezuelana, em 16 de outubro de 2018, a que também assistiu o chanceler Trujillo.


Coletivos chavistas e ELN
As fotos de Whitaker 
 cujo governo não descarta uma intervenção militar na Venezuela  foram enviadas em tempo real (3:44 da tarde) a Royland Belisario, membro do SEBIN, que esteve no serviço diplomático venezuelano em Bogotá e foi visto rondando Cúcuta.
Estas foram as fotos que percebidos membros do SEBIN tiraram do embaixador de EUA e do chanceler Trujillo em Bogotá.  Foto: Arquivo particular
Belisario já havia aparecido em informes de Inteligência, de dezembro passado, que serviram de base para que a Migração Colombiana ordenasse a expulsão imediata do venezuelano Carlos Manuel Pino García, por espionagem. Trata-se de um assessor da missão diplomática de Caracas em Bogotá, casado com Gloria Flórez, ex-congressista do Polo Democrático e secretaria de Governo do governo municipal de Gustavo Petro, entre 2014 e 2015.
Ainda que a ex-congressista tenha interposto uma ação legal desmentindo as acusações, qualificando-as de montagem e exigindo que seu esposo seja devolvido, autoridades judiciais tem evidencias (incluindo áudios), de que Pino mantinha contatos com membros das desmobilizadas estruturas das FARC, e que trabalhava na obtenção de apoios a favor do regime de Maduro.

El Tiempo obteve uma foto na qual ele é visto caminhando por uma rua de Bogotá ao lado de Royland Belisario (no topo da postagem).
Além disso, ele foi relacionado a seguimentos (vigilância) feitos a membros do Tribunal Supremo de Justiça Venezuelano no exílio. Um deles, Zair Mundaray, denunciou fustigamentos durante sua estadia em Bogotá e depois se soube que membros dos violentos coletivos chavistas foram encarregados dessa operação. Ainda, há evidencias de que o SEBIN está em contato com membros do ELN, autores dos mais recentes atentados com explosivos em Bogotá.

A informação do General
O SEBIN e os coletivos chavistas firmam alianças com setores favoráveis à defesa do regime, para criar cenários de crise na Colômbia, como os distúrbios em marchas e as ações do ELN”, explicaram fontes de Inteligência.
Inclusive se sabe que, no primeiro sábado de cada mês, se reúnem com membros da Inteligência de outros países afins a Maduro, para intercambiar informação sobre os objetivos em Bogotá.
Nos últimos três meses, Colômbia já localizou e expulsou pelo menos uma dezena de explícitos espiões e infiltrados do regime de Maduro. Porém os alarmes seguem ativos inclusive em um tema que se acreditava sepultado: um atentado contra o presidente Iván Duque.

El Tiempo constatou que o Major-General Hugo Carvajal  homem forte da Inteligência de Hugo Chávez e de Maduro  já ofereceu entregar informação sigilosa sobre este tipo de planos do regime de Maduro contra a Colômbia.

Migração Colombiana reconsidera a expulsão de "Pau Pau"
Apesar de que, no momento de sua expulsão chorou e insistiu que não era uma espiã do regime de Nicolás Maduro, a Inteligência do Exército colombiano ratificou que a venezuelana Tania Pérez tentou se passar como um dos membros das forças armadas do país vizinho que abandonavam o atual governo.
De fato, foi confirmado que ela responde ao codinome de "Pau Pau" e que sua verdadeira intenção era recolher informação sobre como estão sendo recebidos os uniformizados que abandonam as filas do regime, com a finalidade de envia-la a Caracas para tentar frear as deserções. “É uma ameaça para a segurança nacional”, indicou a Inteligência colombiana.
Entretanto, a Migração Colombiana informou neste sábado (2/3/19) que, com base em novo documento dos organismos de Inteligência, tomou a decisão de não expulsar 'Pau Pau'. El Tiempo obteve de fontes do Governo que a mulher ofereceu entregar informação para “ajudar a restituir a democracia na Venezuela”.
Assim, mesmo que inicialmente não tenha atendido os protocolos de verificação que a Colômbia implementou para atender os desertores venezuelanos, agora ela colaborará com as autoridades colombianas, aportando informação relevante. A decisão de que a mulher permaneça na Colômbia está sustentada em um documento em que deixou formalizada sua vontade de contribuir com a normalização da institucionalidade em seu país.
Tania Pérez, de alcunha "Pau Pau de 28 anos , era membro da Polícia Estatal venezuelana e possui informação sobre movimentos na fronteira com Colômbia por parte do regime de Nicolás Maduro.
O cancelamento da medida de expulsão coincide com a decisão do Governo venezuelano de descender os mais de 700 membros de suas Forças Armadas que se entregaram na Colômbia. Assim consta em um boletim oficial publicado recentemente, onde acrescenta que eles foram expulsos pelos delitos de deserção e traição à Pátria.


Cúcuta, o outro ponto sensível da tensão com Caracas
Para organismos de Inteligência colombianos a melhor evidencia de que há espiões venezuelanos cumprindo missão na Colômbia foi a captura de cinco pessoas, em 19 de fevereiro em Cúcuta, quando se preparava o grande concerto pela paz e a mobilização de ajuda humanitária na fronteira.
Os detidos haviam se hospedado no Hotel Hampton, o mesmo em que permaneciam vários deputados da ala de Juan Guaidó. A SIJIN 
(Seccional de Investigação Judiciária e Interpol) comprovou que o grupo estava acompanhando os movimentos dos deputados, gravando  videos e tomando fotos deles.
Segundo um relatório oficial, conhecido por El Tiempo, no momento de sua retenção disseram ser turistas, que não portavam documentos e que estavam fazendo compras no centro comercial Unicentro.
Mas com um deles, identificado como Oberto Junior Bohórquez Camejo, acharam um passaporte venezuelano, com visto americano, em sua maleta. O sujeito é um intermediário na compra de faturas e portfólios, atividade que está sendo exercida para dar liquidez ao regime.
Seus acompanhantes, que portavam cartões de fronteira falsos, foram identificados como Luis Enrique Duarte Moreno, Erwin Javier Flórez, Jesús María Bohórquez e Laura Elena Carroz.

Temos a certeza de que a mulher é do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) e que todos estão ligados a um programa que se chama ‘Grande Missão de Lares da Pátria’, que depende da vice-presidência venezuelana”, explicou a este diário um investigador.
Embora Laura Elena Carroz não tenha registro de movimentos migratórios legais para a Colômbia, apareceu hospedada anteriormente no Hotel Casino e já tinha outra entrada no Hampton.
Não vamos permitir que cidadãos estrangeiros ingressem em nosso país para afetar a ordem e a tranquilidade social. Sabemos que há um interesse manifesto por parte da ditadura de Maduro para afetar a segurança nacional diante os eventos que estão próximos a realizar-se”, indicou no fim de semana passado Christian Krüger, diretor da Migração Colombiana.
Nessa jornada, que terminou em distúrbios e até na polêmica queima de ajudas, houve outra captura. A de Crober Elías Paraco Silvera, membro ativo da velha Polícia Técnico Judicial de Venezuela (PTJ). O sujeito tomou fotos no posto fronteiriço e, quando interpelado, disse que ia buscar provisões para sua família.
Por enquanto, os alarmes estão ativos no Norte de Santander, Arauca e La Guajira, a fronteira porosa entre Colômbia e Venezuela, por onde estão ingressando os mal chamados desertores do regime. Mas também está sob vigilância outra passagem: a fronteira com o Brasil onde no fim de semana passado (23/2/19) se registraram graves distúrbios. 


Fogo amigo
O que os organismos de Inteligência e agencias de outros países pretendem é habilitar uma plataforma de informação que permita identificar a todos os uniformizados que busquem passar para Colômbia. Além do ingresso de potenciais espiões, o que tentam evitar é que militares venezuelanos e coletivos chavistas os alvejem a tiros, como ocorreu há alguns dias na fronteira com Brasil.

Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
Twitter: @uinvestigativa
 Fonte:  tradução livre de El Tiempo
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sábado, 20 de janeiro de 2018

A “Surpresita” Que Assusta os Venezuelanos

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Nas pontes internacionais de Cúcuta, a uma semana concentram-se centenas de pessoas
 buscando chegar à Colômbia. - Foto de Julio Cesar Herrera.
por Rosalinda Hernández C.
transcorreram oito dias desde que o presidente Nicolás Maduro anunciou, em uma cadeia nacional de rádio e televisão, que tomaria medidas drásticas, como o fechamento aéreo e marítimo, ante a saída ilegal de produtos nacionais para as ilhas do Caribe - Aruba, Curazao e Bonaire - e que tem uma "surpresinha" pronta para a fronteira colombiana, isto é, Cúcuta e Maicao.
Em consequência, os efeitos não se fizeram esperar e em questão de dias a passagem de venezuelanos pelas pontes internacionais - Simón Bolívar e Francisco de Paula Santander - aumentou a ponto de gerar um colapso. Devido a isso, as autoridades colombianas de Migração e a Polícia Nacional tiveram que intervir e reorganizar as intermináveis filas que se formam e que tem até 300 metros de comprimento.
As ruas adjacentes à Aduana principal de San Antonio estão abarrotadas de transeuntes que correm buscando a saída para a Colômbia.  É o caso de Cesar Salazar a quem as declarações de Nicolás Maduro fizeram tomar a decisão de migrar junto a sua esposa.  “A situação que vive o país é aviltante. Nós decidimos ir para Bogotá, lá estão há cinco meses meus três filhos trabalhando. Maduro está alcançando seu propósito que não é outro que é fazer quem o conteste partir, que saiamos do país. Aqui ficam só os manipuláveis, os que se deixam dominar. Daí vem esses anúncios e ameaças que geram inquietude no povo que quer sair”, assegurou o venezuelano sentado junto a uma pilha de maletas.

Regressou para buscar a família 
As declarações de Maduro cruzaram a fronteira e chegaram até Bogotá, onde reside Ramón Meléndez, um venezuelano de 47 anos que, desde agosto foi trabalhar na capital colombiana para enviar dinheiro à sua família que ficou em Barquisimeto.
Ramón, na passagem por San Antonio, advertiu:  “venho para leva-los”, disse com notável preocupação a El Colombiano.  “Regresso para levar minha esposa e os meus dois filhos. As ameaças extremas e o temor que criaram as recentes declarações do presidente nos fazem pensar muito e é melhor sair antes que se invente qualquer coisa. Venezuela não vai mudar. O país está muito destruído”.
Também há a história de Nereida James que, enquanto se despedia de sua família na ponte internacional, avisou que adiantou a viagem por temor a um eventual fechamento da fronteira. “Entre meus vizinhos e alguns amigos, consegui vender meu carro, uma moto e todos os aparelhos eletrodomésticos da casa e móveis. Não tenho um plano definido, só queremos sair do país”, disse. 

Os mais prejudicados 
Ninguém tem claro na fronteira do que se trata a "surpresa". Sem dúvida, se especula que poderia ser uma manobra política ou um regime especial aduaneiro. O que está claro é que o caos que gerou segue latente.
Aqui ninguém sabe o que vem para a fronteira depois do anúncio do presidente. Não sabemos se a surpresa se trata da implementação de um regime econômico especial, controlado ou por cotas como funciona na Ilha Margarita ou qualquer outra situação. O presidente não pode ser irracional e desumano pretendendo fechar uma importante via de acesso de comidas e remédios ao povo venezuelano”, disse Edgardo Sandoval, empresário aduaneiro de San Antonio.
Ante a multidão que passa diariamente da Venezuela para a Colômbia, o prefeito do município colombiano Vila do Rosário, Pepe Ruiz, assinalou que serão redobradas as medidas de segurança nas imediações da ponte internacional Simón Bolívar.
Infelizmente tem aumentado o ingresso de venezuelanos nos último dias pela fronteira, muito mais do que estamos acostumados a ver na temporada dezembrina. Isto é devido ao grande problema que se apresenta na Venezuela”, disse.
Explicou que implementarão um plano de choque paraevitar que os que chega nos invadam os ginásios, ruas e praças. Os que estão sem documentos terão que ser deportados de novo ao seu país, informou o prefeito colombiano.
Ele também não descartou que após os anúncios de Nicolás Maduro se apresente um novo fechamento na passagem entre ambas as nações.

Contraponto
Um leve incremento no número de entradas e saídas de cidadãos nacionais e estrangeiros, cerca a 7% superior a outros meses do ano, se apresentou nas últimas semanas. Assim observou Christian Krüger Sarmiento, diretor geral de Migração a Colômbia, que indicou que este aumento obedeceria à dinâmica migratória que se apresenta na região durante a temporada de fim de ano, dado que na zona de fronteira a grande maioria das famílias estão compostas por cidadãos de ambos países ou, porque os cidadãos venezuelanos ingressam, durante estas datas, ao território nacional com o propósito de abastecer-se de alimentos e produtos de primeira necessidade, para passar estas festas.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano

domingo, 15 de outubro de 2017

Maduro: Mais Armadilha que Democracia

Maduro avisou que quem votar hoje, legitimará a Assembleia Constituinte. Esta, como se sabe, anulou as atribuições da Assembleia Nacional. Poderá fazer o mesmo com os governadores.
Foto: Reuters/Ricardo Moraes
Hoje (15 de outubro) ocorrerão eleições regionais na Venezuela, para eleger 23 Governadores de Estados. Durante as últimas décadas a convocação de eleições na América Latina tem sido uma festa democrática em boa parte dos países que durante décadas tiveram governos militares. Na Venezuela houve muitas jornadas eleitorais, particularmente no extenso regime chavista. As de hoje, não obstante, se afastam muito do significado que deveriam ter como expressão autentica e legítima de democracia participativa. 
Estas eleições deveriam ter sido celebradas em dezembro de 2016. Mas Nicolás Maduro as adiou mediante decreto, prevenido pelo triunfo da oposição na eleição do poder legislativo (Assembléia Nacional). Tão logo os movimentos de oposição assumiram o controle da Assembléia, seu Governo em conluio com o Conselho Nacional Eleitoral e o Tribunal Supremo de Justiça, violentaram as normas até o ponto de desalojar os deputados do Poder Legislativo e anular suas resoluções. Esses casos indicam o grau de manipulação a que está submetido o regime eleitoral venezuelano.
Por isso, ainda que as pesquisas que se podem fazer anunciem resultados contrários aos interesses do Governo, é ilusório pensar que as medições de opinião determinem o triunfo final, pois quem faz a contagem é que elege no final, e o poder eleitoral na Venezuela se subordina às ordens do poder presidencial. A célebre Tibisay Lucena, presidente do Conselho Eleitoral, é uma funcionária subalterna de Maduro e Diosdado Cabello, e é ela quem determina quem foi eleito para os governos estaduais.
Nada do que seria normal em um Estado de Direito - começando pela divisão de poderes e um sistema de de controles do exercício do poder - funciona na Venezuela. Lá tudo se sujeita aos interesses opacos da cúpula chavista e dos militares que os tutelam.
Além de todas estas anomalias democráticas, as eleições de hoje são apresentadas como uma verdadeira armadilha para os movimentos de oposição. Depois de semanas de manifestações diárias nas ruas e de sofrer uma violência oficial que deixou mais de uma centena de mortos, o chavismo conseguiu o que tanto se temia: dividir a oposição.
Depois de impor uma Assembléia Nacional Constituinte que usurpou as funções do Legislativo, e de acrescentar que quem votar neste domingo estará reconhecendo essa Constituinte - e que os eleitos deverão comprometer-se a acatar tal Assembléia - a oposição está no dilema entre participar, e portanto, reconhecer o sistema, ou abster-se e deixar o caminho totalmente livre para o chavismo.
A comunidade internacional, sem deixar de manifestar tímidamente seu incômodo com os atropelos autocráticos do chavismo, pede aos venezuelanos que votem. Entre as duas opções, votar ou omitir-se, para o resgate da democracia na Venezuela evidentemente é mais eficaz comparecer às urnas. Mesmo assim, a pureza do sufrágio e a transparência na contagem e escrutínios será mais que remota. Porém, a mobilização do voto em favor das liberdades e contra os déspotas pode consolidar os cimentos da heróica luta da oposição venezuelana.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
Comento:  ao final, temos que os canalhas do Foro de São Paulo estão tendo sucesso em manipular a população e os mecanismos de defesa da democracia na Venezuela.  Devemos ficar atentos para a implantação dos princípios estratégicos que levaram a esse desastre para a liberdade dos venezuelanos e que faz tempo são tentados no Brasil. De um deles fazem parte as contínuas "campanhas" pelo "voto nulo" e pela abstenção nas eleições, sob o argumento de que "não há candidato que valha a pena". Outra estratégia é reivindicar que o ato de votar deixe de ser obrigatório. São estratégias que favorecem os partidos com forte militância, notadamente os de bandeiras socialistas/comunistas. A não obrigatoriedade de comparecimento às eleições, ou o deixar de votar contra essas entidades e seus candidatos, faz com que a parte do seu eleitorado, mesmo sendo minoria, eleja seus candidatos em função da omissão dos seus oponentes. Acredite, entre os canalhas há muita gente inteligente. E nunca esqueça o velho ditado castelhano: "o diabo é mais diabo por velho que por diabo"!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Processo de Paz na Colômbia - A Opinião de um Militar

O Coronel (Inativo) Luis Alberto Villamarín Pulido, especializou-se como Lanceiro, Paraquedista e Contraguerrilheiro Rural, agora é um reconhecido analista militar e político.
Luis Alberto Villamarín Pulido, natural de Fusagasugá - Cundinamarca, é um Coronel Inativo do Exército colombiano, com 25 anos de experiencia militar (1977-2002), mais da metade deles dedicado às Operações de combate contra grupos narco-terroristas na Colômbia. É especializado com cursos de Lanceiro (equivalente aos nossos Comandos), Paraquedista e de Contra-guerrilha Rural.
Logo após deixar o serviço ativo, passou a se dedicar à investigação de temas relacionados com a geopolítica, a segurança e à defesa, alcançando grande notoriedade por seus 28 livros e centenas de artigos publicados. O Coronel Villamarín teve a amabilidade de nos conceder uma entrevista relacionada com o atual processo de paz colombiano.
Fuerzas Militares: ¿Quais foram suas maiores realizações durante seu serviço ativo, e qual a anedota que mais o marcou?
Cel Villamarín: Mais que realizações e anedotas, a honra de haver comandado durante quase dois anos (1994-1995) o Batalhão de Contra-guerrilha nº 19 - Cacique Calima, da Brigada Móvel nº 1, com destacados resultados em mais de 20 combates e zero baixas ou feridos entre meus soldados.
Fuerzas Militares: ¿Quál é a sua opinião sobre o atual processo de paz em Havana?
Cel Villamarín: Que as FARC impuseram a agenda, os tempos e a metodologia de negociação. Assim, ter conseguido a iniciativa estratégica, trouxe vantagens políticas substanciais e estabeleceu um empate tático ao obter a suspensão de bombardeios contra seus esconderijos, suspensão das fumigações de seus cultivos de coca, pantomima das desminagens e agora, a suspensão das Operações Militares com o argumento do cessar fogo bilateral, que as FARC veem como um armistício.
Em resumo, as FARC estão conseguindo legitimação política e buscam obter o status de "força beligerante" com a cumplicidade dos governos socialistas do hemisfério.
Fuerzas Militares: ¿Que coisas deviam ter sido feitas e não o foram em relação ao processo de paz?
Cel Villamarín: - Exigir a concentração de todas as estruturas terroristas das FARC antes de iniciar a conversar.
- Nenhuma concessão ao terrorismo para enfrentar a Justiça.
- Enviar à Justiça e trazer à luz os "Farc-políticos" e os "laranjas" das FARC, que os ajudam a mascarar as finanças.
- Exigir a entrega sem condições de todas as armas.
- Não incluir nem Venezuela nem Cuba como governos mediadores, pois seus dirigentes fazem parte do plano marxista leninista das FARC contra a Colômbia.
- Plena identificação de todos os membros do Partido Comunista Clandestino, do Movimento Bolivariano Clandestino e das Milicias Bolivarianas.
Fuerzas Militares: Desde seu ponto de vista, ¿qual é a principal preocupação dos nossos militares em relação ao chamado pós-conflito?
Cel Villamarín: Justiça penal militar debilitada, pouca claridade da chamada justiça transicional e os tribunais de paz de cunho esquerdista, continuidade no amparo laboral de soldados profissionais e quadros de mando, no bem estar social, e nos benefícios sociais.
Fuerzas Militares: ¿Quais, pensa você, serão as principais ameaças a enfrentar pela Força Pública no chamado pós conflito?
Cel Villamarín: Primeiro há que terminar o conflito para falar de pós conflito.
No caso de se desmobilizarem as FARC, o ELN e os remanescentes do EPL, as tropas devem estar preparadas para defender a soberania frente às ambições desmedidas do atual governo da Nicarágua sobre nosso mar territorial, o risco de uma aventura armada do governo socialista da Venezuela para ocultar sua ineficiência interna, ou a continuidade das mal chamadas bandas paramilitares.
Fuerzas Militares: ¿Lhe preocupa uma possível redução das Forças Militares ou uma deterioração das condições laborais dos militares no pós conflito?
Cel Villamarín: Obviamente, porque uma nação com a potencialidade geopolítica e geoestratégica da Colômbia é um manjar apetitoso para inimigos entocados que cobiçam nossas riquezas.
Fuerzas Militares: ¿Lhe preocupa uma diminuição do orçamento de segurança e defesa no pós conflito?
Cel Villamarín: Obviamente por las razones já expostas.
Fuerzas Militares: ¿Qual sua opinião sobre a planejada participação de nossas tropas em Operações Internacionais da ONU e da OTAN?
Cel Villamarín: Muito hipotética e oportunista. Quem poderá explicar que façamos parte ativa dessas Forças enquanto que, ao mesmo tempo outras forças da ONU estarão verificando a suposta desmobilização armada das FARC.
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Nota: na página www.luisvillamarin.com pode-se ver uma relação das publicações do Cel Villamarim. A maioria dos seus artigos estão disponíveis on line.
Fonte: tradução livre de Fuerzas Militares