Mostrando postagens com marcador narcotráfico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador narcotráfico. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Narco-guerrilheiros Colombianos Usam Drones Para Causar Terrorismo

O Ministério da Defesa colombiano anunciou a oferta de recompensas de até 100 milhões de pesos (cerca de 100 mil reais) para quem fornecer informações que levem à localização, identificação e captura de indivíduos ou redes criminosas que operem ou vendam drones para fins criminosos ou terroristas.
A medida, de acordo com o Ministério da Segurança, visa coibir o uso de aeronaves não tripuladas em ataques contra civis e policiais.
O uso dessa tecnologia para fins ilícitos se tornou um risco à segurança do país nos últimos anos, e autoridades identificaram casos em que drones são usados ​​para transportar drogas, monitorar posições estratégicas das Forças Armadas, lançar explosivos ou interferir em operações de segurança, tornando-os um instrumento de apoio a organizações criminosas.
Nesta semana, dois casos alertaram as autoridades: um ataque à casa do prefeito de Calamar, Guaviare; e outro em El Plateado, Cauca.
O Ministério da Defesa observou que a Colômbia tem uma política abrangente para o controle e regulamentação de aeronaves não tripuladas, desenvolvida em conjunto com a Força Aérea Colombiana, a Polícia, a Aeronáutica Civil e autoridades judiciais.
Esta política visa fortalecer a rastreabilidade tecnológica dos equipamentos e impedir sua utilização para fins ilícitos, garantindo assim um monitoramento mais rigoroso de sua circulação e utilização.
Nos últimos meses, agências de inteligência detectaram que dissidentes das antigas FARC e outros grupos armados ilegais têm usado drones para atacar unidades militares e bases policiais em áreas como Cauca e Catatumbo. Esses ataques incluíram o lançamento de artefatos explosivos do ar, representando uma nova modalidade na execução de ações terroristas.
Durante a apresentação da estratégia, o Ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou que "nenhum dispositivo tecnológico pode ser usado para fins criminosos. Qualquer pessoa que use ou venda drones para fins ilegais enfrentará a justiça e a ação legítima do Estado". Ele enfatizou a necessidade de manter um controle rigoroso sobre a distribuição e o manuseio desses dispositivos em todo o país.
Por esse motivo, o Ministério disponibilizou a linha direta antiterrorismo 107 como um canal para receber denúncias de cidadãos sobre indivíduos ou estabelecimentos envolvidos no uso ou modificação de drones para fins criminosos. Segundo as autoridades, as informações recebidas serão tratadas com absoluta confidencialidade e poderão levar ao pagamento de recompensas, dependendo da relevância das informações fornecidas.
A decisão do governo ocorre poucos dias após a ativação do primeiro Batalhão Antidrone do Exército, uma unidade especializada em neutralizar ameaças aéreas não tripuladas usando sistemas de detecção, interferência e abate.
Esta força busca agir preventivamente contra o uso de drones armados ou adaptados para operações hostis contra instalações estratégicas e pessoal uniformizado.
O Ministério da Defesa reiterou que a criação do Batalhão Antidrone e o sistema de recompensas fazem parte de uma estratégia abrangente de defesa tecnológica.
COMENTO: Infelizmente, a ascensão de um ex-guerrilheiro ao governo da Colômbia jogou no lixo todo o esforço que as forças de segurança daquele país tiveram para acabar com os narco-guerrilheiros e seu poder sem limites. Todo o avanço contra a criminalidade, obtido nos dois mandatos de administração sob Álvaro Uribe, foi jogado no lixo por seus sucessores.  Por sua luta contra a criminalidade, Álvaro Uribe tem sido perseguido politicamente, sofrendo processos intermináveis, seguindo o modelo estabelecido pelo Foro de São Paulo, no combate a seus adversários. 

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Colômbia — Necessidade de Rever a Política de Segurança Interna

O que acabou de acontecer foi uma semana marcada por graves perturbações na ordem pública no sudoeste do país. Nos departamentos de Valle e Cauca, especialmente neste último, a situação é crítica. A decisão do Governo de suspender os diálogos com o 'Estado Mayor Central', que agrupa a algumas frentes — não todas — que surgiram como dissidências das antigas FARC, deu margem a una arremetida destas organizações que lembram os tempos mais cruéis do conflito armado.
Pelo menos três destes grupos violentos, especialmente as quadrilhas 'Jaime Martínez' e 'Dagoberto Ramos', lançaram ataques contra a Força Pública em municípios como Morales e Suárez. Na manhã de 26 de maio, a situação era crítica em La Toma, ao sul de Suárez, onde 350 pessoas permaneciam abrigadas nas instalações de uma igreja cristã, devido à intensidade dos combates entre os bandidos e o Exército.
Neste panorama mais que preocupante, além da vida das pessoas, está o direito de milhares de seres ao trabalho, à liberdade, à tranquilidade. Quando não é fogo cruzado, é extorsão ou medidas de regulação da convivência que incluem a proibição do uso de capacete, a condução com os vidros abertos e a obrigação de obtenção de identificação. Qualquer descumprimento pode ter um resultado fatal e, claro, não existe aqui um devido processo. Tudo isto representa um grande desafio à democracia e à prevalência de instituições legitimamente constituídas. Esses direitos constitucionais estão ameaçados.
Perante tal ameaça, o Executivo reagiu e tomou medidas que, embora tardias, correspondem a uma leitura adequada dos fatos. Aqui estamos diante de uma organização ilegal, que se nutre do narcotráfico e outras atividades proibidas, buscando retirar a Força Pública da região, para continuar suas ações criminosas, e exercer o controle sobre os cidadãos. O Presidente chegou a deslocar-se à zona, encarregando à liderança das Forças Militares a resposta para conter a investida. Apoio aéreo foi providenciado para isso. E entre as decisões tomadas está uma que surpreendeu o país nesta segunda-feira: a substituição no Comando do Exército. Saiu o general Luis Mauricio Ospina e assumiu como seu substituto, pela primeira vez na história da Instituição, um oficial já na inatividade: o general Luis Emilio Cardozo, que havia se decidido 'aproveitar a vida' em agosto de 2022.
A resposta da Força Pública — e em particular do Exército, agora com o seu novo comandante — aos que ameaçam o Estado de Direito não pode ser um esforço isolado, fruto do ponto crítico que esta situação particular atingiu. No restante deste governo, é urgente e muito necessário que a Força Pública tenha um roteiro claro e universal que lhe permita sair definitivamente dos meses de incerteza que viveu, em que faltou não só clareza no que diz respeito ao seu papel num contexto de “paz total”, mas também em termos da política de segurança que estruture e oriente as suas ações.
Como já foi dito, a segurança é a espinha dorsal da democracia e o dever de garanti-la transcende as abordagens ideológicas.
Qualquer política que o Executivo queira implementar nos territórios exige isso, e o melhor exemplo que temos é o do combate ao desmatamento: podemos ter iniciativas muito poderosas e valiosas, mas de nada adiantam se quando os funcionários chegam aos locais onde está concentrada a exploração madeireira ficam cara a cara com grupos armados. O quadro institucional estabeleceu canais e protocolos que são administrativos, não políticos, não ideológicos, para que aqueles que detêm o monopólio das armas possam exercer a autoridade de forma eficaz.
É necessário, e urgente em Cauca, que esta forma de proceder seja retomada. É urgente que a Força Pública, insistimos, tenha orientações claras e exaustivas que esclareçam qualquer incógnita ou confusão que limite a sua atuação. Um apelo que aponta para o Executivo, mas que também toca outros setores da política e até os próprios militares. Nada mais prejudicial do que combater a violência de grupos armados ilegais com dúvidas.
Pode ser que a linha de comando compreenda isto e que as ações provem que o Presidente está certo nessa cartada no jogo de xadrez da segurança nacional. Porque o que se exige é um Exército unido, estimulado, como uma engrenagem de relógio e, reiteramos, com diretrizes claras em meio a um contexto muito complexo e por vezes confuso diante do fortalecimento da criminalidade. Os desafios são enormes. Para o General Cardozo, claro, mas também para os responsáveis ​​do Executivo pela elaboração das políticas de segurança. Nesta área, o país não pode permitir-se reveses mais dolorosos.
EDITORIAL
Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO: como não poderia ser diferente, um governo que não consegue combater corretamente a "cumpanherada", buscando acordos de paz com criminosos, não pode dar certo em nenhum lugar do mundo. A tibieza no enfrentamento aos celerados; a defesa de "direitos" dos bandidos em detrimento da segurança dos cidadãos; o incremento do sentimento de que "não dá nada"; a falsa correlação — infame e asquerosa — entre pobreza e desonestidade; só servem para corroer o convívio social, incentivando o direcionamento das pessoas menos favorecidas economicamente para as praticas delituosas. Que o exemplo colombiano sirva de lição para os brasileiros!

terça-feira, 5 de março de 2024

A Historia do Narcoterrorismo, da Guerra do Ópio aos Grupos Jihadistas

O narcoterrorismo representa um dos principais desafios para a segurança global e, desde o século XIX, impacta de diferentes formas e proporções em todos os países e regiões do mundo. Neste artigo, o professor do Curso de Experto en Análisis e Investigación de Narcoterrorismo de LISA (Learning Institute of Security Advisors), Raúl González, explica como o narcoterrorismo se desenvolve como uma estrategia híbrida oferecendo exemplos concretos desde as guerras do opio, passando pelas FARC e ETA na década dos sessenta, até como hoje os grupos Hezbolah, ISIS e Hamas tem fortes conexões com grupos delitivos narcotraficantes em toda América Latina.
Narcoterrorismo: uma ameaça permanente
O narcoterrorismo representa um dos principais desafios para a segurança global, pois tem a capacidade de impactar todos os países e regiões do mundo de diferentes formas e proporções, além das consequências que são geradas nos territórios em que essas ações ocorrem.
O narcoterrorismo é considerado uma estratégia de guerra híbrida em que, tanto a violência como a corrupção são utilizadas para atingir um ou mais objetivos. Estes objetivos incluem o controle territorial, o financiamento de atividades terroristas, a desestabilização e a subversão do Estado de direito.
A ligação entre os flagelos do tráfico ilícito de drogas e do terrorismo teve um impacto significativo na comunidade internacional. Esta relação baseia-se na simbiose entre organizações terroristas e grupos criminosos organizados envolvidos no tráfico de droga. As primeiras se beneficiam de enormes recursos provenientes do tráfico ilícito de drogas para financiar as suas atividades e ampliar a sua influência. No caso dos traficantes de droga, estes aproveitam-se da violência e da corrupção para manter o seu poder e expandir-se.
As implicações deste fenômeno são extremamente graves para a segurança internacional. Todas as suas ações têm o potencial de gerar instabilidade política, social e econômica. Pode também transcender os territórios diretamente afetados pela violência gerada, com consequências que vão além da própria ação criminosa.
O seu impacto é tão amplo que os seus efeitos podem mesmo acabar por afetar gravemente as relações diplomáticas entre os países. São capazes de gerar lacunas nas economias em diferentes escalas, causando ou agravando problemas sociais de vários tipos e tornando-se uma fonte inesgotável de violência e corrupção.
Adicionalmente, baseado na tríade do poder econômico dos lucros ilícitos do tráfico de drogas, do impacto das ações terroristas e do tráfico de armas que se combinam com outras ações criminosas organizadas, o narcoterrorismo também promove conflitos de diversas dimensões e é capaz de prolongá-los por longos períodos.
Embora esteja presente na agenda internacional há décadas, a multiplicidade de fatores e variáveis ​​envolvidas (políticas, sociais, culturais e econômicas) têm forte impacto na forma como governos, instituições, organizações internacionais e a sociedade em geral percebem e enfrentam esse problema. Por esta razão, não foi possível desenvolver uma definição de narcoterrorismo que seja globalmente aceita e para a qual se gere uma dinâmica de mudança a uma velocidade muito elevada, no que diz respeito ao seu reconhecimento e tratamento.

¿Qual é a origem do narcoterrorismo?
As origens do narcoterrorismo são incertas. No entanto, apesar das diferenças em relação às guerras do ópio, poderíamos considerá-las como as suas precursoras. Acima de tudo, com base na análise crítica das suas causas, consequências, impacto e elementos característicos.
Ressaltamos, em primeiro lugar, que ambos destacam a complexidade da abordagem deste tipo de conflito. São situações em que convergem a relação entre as drogas e o seu impacto nas dinâmicas políticas, sociais e econômicas. Portanto, acabam afetando gravemente a estabilidade interna dos países e as relações internacionais.
As Guerras do Ópio ocorreram durante o século XIX (entre 1839 e 1860) e tiveram como principais protagonistas a China e o Reino Unido. A introdução de enormes quantidades de ópio (mesmo contrabandeado) na China permitiu ao Reino Unido reduzir o déficit fiscal. Déficit que ocorreu devido à grande demanda por produtos chineses (chá, seda e porcelana), além de gerar recursos para financiar a guerra com a Índia. Por outro lado, o consumo excessivo de ópio pela população foi um fator desestabilizador interno que contribuiu para o enfraquecimento da dinastia chinesa.
Estas guerras tiveram implicações importantes para a geopolítica internacional, afetando em primeira instância as relações entre a Europa e a Ásia. Os efeitos da comercialização do ópio (lícita e ilícita) geraram posteriormente as bases para a implementação do sistema internacional de controle de drogas que é aplicado em todo o mundo. Por outro lado, o narcoterrorismo inclui uma ampla e variada gama de ações criminosas, que têm vindo a desenvolver-se e a evoluir de acordo com as mudanças impostas ao espectro internacional pela Primeira e Segunda Guerras Mundiais.
É assim que vários relatórios oficiais afirmam que, desde meados da década de 1950 do século XX, estratégias não convencionais foram utilizadas pela China e pela União Soviética contra os países ocidentais, que incorporaram o tráfico de drogas como forma de guerra química e fonte de financiamento para movimentos subversivos.

Expansão internacional do narcoterrorismo: das FARC na Colômbia ao ETA na Espanha
A partir da década de 1960, grupos guerrilheiros e subversivos na América Latina começaram a financiar as suas atividades através do narcoterrorismo. Assim, envolveram-se e estabeleceram relações com organizações criminosas dedicadas ao tráfico ilícito de drogas. Estas proporcionaram-lhes proteção em troca de recursos que lhes permitiram avançar nos seus objetivos.
Na década de 1970, as organizações de tráfico de drogas começaram a estabelecer redes internacionais de tráfico de drogas, principalmente de cocaína, para os Estados Unidos e a Europa. Dessa forma, na década de 1980, os grupos guerrilheiros se fortaleceram e se expandiram. Alguns dos exemplos mais notáveis ​​são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) na Colômbia e o Sendero Luminoso no Peru. Ambas as organizações utilizaram os rendimentos do tráfico de droga para financiar as suas atividades terroristas. Entre eles, destacam-se sequestros, assassinatos, extorsões e outros atos violentos para promover os seus objetivos políticos e econômicos.
Paralelamente, o narcoterrorismo espalhou-se para além da América Latina. Na Europa, os grupos mafiosos usaram a violência e estratégias terroristas para proteger as suas operações de tráfico de drogas. Com isso, buscaram extorquir empresas locais e pressionar os operadores do sistema judiciário.
Na Espanha, organizações como a Euskadi Ta Askatasuna (ETA) tinham a extorsão e outros meios ilegais como principais fontes de financiamento. Além disso, recebiam dinheiro dos narcotraficantes galegos para financiar as suas atividades em troca de proteção e apoio na introdução de grandes quantidades de drogas na zona norte do país ibérico.
Além disso, está amplamente documentado que o ETA assessorou Pablo Escobar, Capo do Cartel de Medellín, na execução de táticas terroristas contra a Colômbia. Tudo isto, no âmbito da luta contra a extradição de traficantes de droga para os Estados Unidos da América. Além disso, ele teve uma ligação comprovada durante muitos anos com a organização narcoterrorista colombiana FARC.

Conexões do narcotráfico com os grupos jihadistas
À medida que as organizações de tráfico de drogas e os grupos guerrilheiros se tornaram mais poderosos e sofisticados, a sua capacidade de influenciar a política e a economia dos seus países de origem também cresceu. Muitos políticos e funcionários públicos foram subornados ou ameaçados por estes grupos, e a corrupção espalhou-se por vários níveis do governo e da sociedade.
A partir de 1990, o narcoterrorismo expandiu-se através da ligação entre organizações terroristas islâmicas e grupos criminosos dedicados ao tráfico de drogas. O Talibã no Afeganistão, por exemplo, envolveu-se no tráfico de ópio para financiar as suas atividades terroristas. Desde os ataques de 11 de Setembro de 2001, estas ligações intensificaram-se. Com isto, outras organizações terroristas como a Al Qaeda (ligada ao Talibã) ou o Estado Islâmico (ISIS), entre outras, apareceram na cena pública.
Atualmente, vários grupos terroristas, incluindo o Hezbollah, o ISIS e o Hamas, têm fortes ligações com grupos criminosos de tráfico de drogas em toda a América Latina. Participam diretamente em atividades ilícitas de tráfico de droga, recebem financiamento para aconselhar traficantes de droga sobre táticas terroristas e trabalham em conjunto noutras atividades ilegais, como a mineração e a exploração de recursos naturais.
Para ilustrar esta última afirmação, vamos nos referir ao caso específico do Hamas. Alguns especialistas afirmam que ele tem ligações comprovadas com o Cartel de Sinaloa, no qual ambas as organizações se beneficiam. O Hamas teria assessorado o Cartel de Sinaloa na construção de túneis na fronteira com os Estados Unidos (de estrutura semelhante aos construídos pelo Hamas para superar as barreiras com Israel em Gaza).
Além disso, o Hamas oferece proteção aos carregamentos de metanfetaminas que atravessam ou têm como destino o Oriente Médio para este Cartel Mexicano, de quem recebe dinheiro do tráfico de drogas para se sustentar e também para financiar ataques terroristas e conflitos como o que ocorre atualmente. na faixa de Gaza.

Outros casos de narcoterrorismo em âmbito internacional
A máfia italiana ainda desempenha um papel no tráfico de drogas na Europa e tem sido acusada de ter ligações com organizações criminosas na América Latina. Mesmo assim, o uso da violência diminuiu (embora continue a ser um vetor de exercício de influência), sendo em grande parte substituído pela dissuasão através da corrupção e da participação na esfera política.
Na América Latina, organizações criminosas dedicadas ao tráfico ilícito de drogas de diversas origens, porte e abrangência; continuam a utilizar táticas terroristas que geram migrações forçadas, desaparecimentos e homicídios. Um exemplo foi o assassinato de um candidato presidencial no Equador ou o de um promotor antidrogas no Paraguai. Os homicídios são comparáveis ​​às ações violentas do passado que chamaram a atenção mundial, como os notórios casos de assassinatos de candidatos presidenciais, ministros e diretores de imprensa na Colômbia, bem como de magistrados na Itália.
As acusações das autoridades dos Estados Unidos da América à China e ao México, de serem os grandes responsáveis ​​pelos problemas que afetam a sua população em diversas cidades devido ao abuso do consumo de fentanil, acusando-os de usarem isso como estratégia para desestabilizar o sistema interno ordem e saúde naquele país; têm também grandes semelhanças com os acontecimentos que levaram às guerras do ópio e que envolveram a China, o Reino Unido e a Índia.
Estas são demonstrações confiáveis ​​das dimensões e do impacto que o narcoterrorismo tem na segurança global, bem como nas relações internacionais, na saúde pública e no comportamento dos mercados econômicos e financeiros. Também destaca o perigo implícito na ação silenciosa mas continuada deste fenômeno.
Fonte: tradução livre do Boletim LISA News
(Learning Institute of Security Advisors)

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Revelações de um ex-Espião Cubano

Capa
por Ernesto Neto
Em recente viagem à Europa [2010], numa livraria em Toulon na França, me deparei com um livro que dificilmente será traduzido e lançado no Brasil: "El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro", de Juan Vivés, Éditions Hugo et Compagnie, lançado em agosto de 2005.
Juan Vivés, cujo nome verdadeiro era Andrès Alfaya Torrado, foi um dissidente cubano que residiu na França e durante 20 anos pertenceu ao serviço secreto de Fidel Castro. Adolescente ainda, foi para guerrilha na Serra de Escambray combater o regime de Batista e posteriormente fez parte da coluna guerrilheira de Che Guevara. Com a revolução vitoriosa, foi indicado e aceitou fazer parte do temível G2, onde, até 1979, esteve presente em quase todas as atividades de espionagem, guerrilheiras e militares em que Fidel fez o pequeno país caribenho participar. O que torna a sua figura ainda mais proeminente é o fato de ser sobrinho de Osvaldo Dorticós "presidente fantoche de Cuba até 1976" e grande amigo de Célia Sanchez que, segundo ele, juntamente com Raul eram as únicas pessoas que o patético tirano barbudo ainda ouvia.
Contracapa
São 17 capítulos que abrangem desde os motivos que levaram sua família — ricos proprietários de terras — à guerrilha contra Batista até o seu exílio na França, passando por vários outros acontecimentos contados por um ângulo que a esquerda sempre escondeu: a difícil convivência com Che, os primeiros dias depois da vitória, os fuzilamentos à revelia, o assassinato de Camilo Cienfuegos, a invasão da Baía dos Porcos, a crise dos mísseis soviéticos, as primeiras missões na África (Argélia), a morte de Che Guevara, o interrogatório dos prisioneiros americanos do Vietnã em Cuba, o assassinato de Salvador Allende por determinação de Fidel, as missões em Angola (Operação Carlota) e no Saara Espanhol, etc.
No meio de cada assunto, Juan Vivés conta casos que denotam o aspecto mau caráter de Fidel — colérico e com suas alegorias fantasiosas e megalomaníacas — e o prazer sádico que Guevara tinha pelos fuzilamentos e assassinatos: só na Fortaleza de La Cabaña ele comandou 600 sessões. O autor deixa bem claro que todos que se colocaram na frente de Fidel, ameaçando o seu prestígio como Líder Máximo da Revolução, foram misteriosamente "silenciados", sejam por inexplicáveis acidentes como o de Camilo Cienfuegos, sejam por falsas promessas de ajuda como o próprio Che, quando se encontrava na Bolívia.
Certamente os dois capítulos que mais chamam a atenção do leitor são o XI, onde o ex-espião revela um dos segredos mais bem guardados do comunismo cubano: o interrogatório de soldados americanos em Cuba durante a Guerra do Vietnã, e o XV sobre o assassinato de Allende. Por dominar o idioma inglês fluentemente, Vivés foi chamado à traduzir os interrogatórios dos prisioneiros americanos no Vietnã, devido a falta de pessoal capacitado para fazê-lo no pobre país asiático. Ele recusou a missão, afinal era sobrinho do "presidente" e amigo de Célia Sanchez; mesmo assim lhe entregaram dois textos de interrogatórios para que ele os traduzisse. No início ele tinha dúvidas se os prisioneiros estavam ou não em Cuba, mas posteriormente o seu próprio tio (o Presidente) lhe teria dito que havia prisioneiros americanos em território cubano. O que ele nunca soube foi o que fizeram com estes infelizes soldados. Provavelmente foram mortos. O assassinato de Allende por Patrício de la Guardia (seu próprio segurança e que pertencia ao serviço secreto cubano) já não é novidade depois do lançamento do livro Cuba Nostra de Alain Ammar (Ed. Plon, lançado em 2005) com o testemunho do próprio Juan Vivés. Segundo o autor, depois de financiar a campanha de Allende para as eleições chilenas de 1970, Fidel exigia uma postura mais ativa e radical do Presidente chileno em prol da revolução e das mudanças mais abruptas na sociedade. Com as dúvidas, os vacilos e os receios de Allende, que Fidel achava um fraco, não restou outra opção a Castro senão ordenar o seu assassinato. Em consonância com esta versão há dois fatos: a saída dos agentes cubanos do Palácio de La Moneda sem um arranhão sequer e o corpo de Allende não apresentar evidências de suicídio.
A intromissão de Cuba na questão do Saara Espanhol toma uma certa importância no mundo atual, já que Fidel praticamente criou e fomentou o Front Polisario (Frente Popular Para a Libertação de Saguia el Hamra e Rio do Ouro) que posteriormente se islamizou e hoje possui centenas de integrantes do grupo terrorista Al-Quaeda, fugidos da invasão americana do Afeganistão. Com isto, segundo Vivés, Fidel e Che desenvolveram os dois mais antigos grupos terroristas armados do planeta: o próprio Front Polisario/Al-Quaeda e o ETA. Este último apoiado e financiado por Fidel, ainda em Caracas, na Venezuela, logo no início da Revolução depois das relações entre Cuba e o governo espanhol se tornarem tensas.
O ex-espião ainda conta como a mídia internacional, artistas e escritores do mundo inteiro apoiaram (e apoiam!) o cruel regime castrista, disseminando mentiras a respeito do país e da revolução. Desde as falsas conquistas sociais devidas a Fidel até a glorificação das ditas vitórias épicas obtidas pelo Exército Cubano nas guerras africanas. Gabriel García Marques, por exemplo, ganhou uma mansão no bairro de Siboney em Havana, por ter escrito láureas a favor de Cuba em seu livro Operação Carlota, nome da operação militar cubana em Angola, onde o famoso escritor tenta justificar o injustificável. Segundo ele, uma das mentiras políticas mais bem remuneradas de toda a América Latina. O grande problema para estes intelectuais seria, depois da queda do regime, a devolução desses imóveis aos seus verdadeiros donos que se encontram no exílio.
Durante esta mesma operação militar em Angola é quando começa a se desenrolar a questão do tráfico de drogas envolvendo os irmãos Castro. Juan Vivés escreve que as tropas cubanas trocavam diamante e marfim (abundantes na África) pela heroína por intermédio da máfia de Hong Kong. Daí a droga era enviada a Havana em transportes militares cubanos e posteriormente era transportada para o Panamá, onde agentes cubanos da DGI negociavam com traficantes internacionais. O responsável por esta operação era o General Arnaldo Ochoa, que acabou sendo fuzilado por Fidel juntamente com outros participantes, em um processo digno da época estalinista, no intuito de limpar de todas estas implicações o seu regime. Vivés ainda menciona as relações com o tráfico de cocaína entre Raúl Castro, Daniel Ortega (da Nicarágua) e Pablo Escobar.
Lendo o livro, imaginamos como um pequeno país caribenho, certamente com o sacrifício extremo de seu povo, foi capaz de enviar tropas e missões de espionagem para várias partes do mundo. Já na metade da década de 60, o exército cubano possuía 500.000 homens, um pouco menos de 10% de sua população na época. Em sua louca aventura em Angola, em 15 anos de conflito, Fidel utilizou 300.000 homens. Fora os contingentes em outras regiões. Quantos jovens cubanos morreram, salvando a pele de russos, em nome de um regime que apenas escravizou e empobreceu o seu próprio povo?
No final de seu "avant-propos" (prefácio), Juan Vivés afirma não ser nenhum intelectual desiludido, nem um dissidente com ambições pessoais, apenas um homem sedento de liberdade que rejeita uma tirania egocêntrica fantasiada de revolução.
e      AR News

Livro de Espião Cubano Mostra Padres da Teologia da Libertação a Serviço de Fidel Castro
por Irapuan Costa Junior
Juan Vivés garante que
Raúl Castro (no
detalhe), é homossexual
Leio um livro que você, caro leitor, nunca lerá: El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro” (Éditions Hugo et Compagnie, Paris, 2005). O autor é Juan Vivés, cujo nome verdadeiro era Andrès Alfaya Torrado, casado com Annie Clavel, francesa, e que viveu em Marselha, de 1979, ano em que fugiu de Cuba para não ser morto até sua morte em 22 de fevereiro de 2014. Tive notícia deste livro por um amigo de Portugal e tentei comprá-lo em duas livrarias francesas onde o encontrei. As duas responderam que não podiam enviá-lo para o Brasil, sem maiores explicações. O gramcismo anda assim tão poderoso por aqui, a ponto de exercer essa censura toda (que, aliás, já conhecemos) e fazê-la chegar aos “companheiros” franceses? Mistério. O fato é que só consegui comprá-lo em um sebo francês.
O autor é um cubano oriundo da alta aristocracia espanhola, que se juntou à rebeldia de Fidel Castro, desempenhou algumas ações revolucionárias de repercussão (que lhe valeram, ainda durante a guerrilha, o cognome de El Magnífico, que é o título do livro), e serviu sob as ordens de Che Guevara. É um livro repetitivo em alguns aspectos: fala, com conhecimento — o autor foi testemunha — das atrocidades de Che Guevara, de sua incompetência administrativa e de como era inimigo de um bom banho. De como Fidel sempre foi uma figura performática, capaz de tirar proveito público de qualquer situação, em Cuba e no exterior. Mas traz notícias novas e fatos interessantes, a partir de como Vivés, apolítico, resolveu combater o ditador Batista e se aliar a Fidel Castro. O motivador foi, diz ele, Benvenutto Cellini (1500-1571), o célebre escultor italiano.
A família de Vivés tinha algumas obras de arte raras, trazidas da Europa, entre elas um Cristo de marfim, belíssimo, esculpido por Cellini. A mulher de Batista tentou forçar a compra da escultura, o que ofendeu o pai de Vivés, e acabou por criar uma inimizade que terminou em retaliação por parte do ditador. Entre as revelações do livro a de que o regime de Fulgencio Batista estava se decompondo quando o Granma desembarcou Fidel e seus guerrilheiros em Cuba. Isto fez com que os revolucionários conquistassem os quartéis do Exército praticamente sem combate. Os soldados, como praticamente toda a população cubana, ansiavam por mudanças. Não suportavam mais a corrupção (que desviava seus suprimentos), e os baixos soldos, enquanto os membros do governo roubavam e faziam fortuna. Não houve, ao contrário do alarde feito por Fidel, combates de verdade. A revolução foi quase um passeio.
Vivés era sobrinho de Osvaldo Dorticós, presidente cubano indicado por Fidel, que, embora figura decorativa tinha sua importância. Era também parente de Celia Sanchez, segunda figura do regime comunista da ilha, depois de Fidel. Era, segundo os íntimos do poder, a única pessoa a contrariar Fidel Castro e a discutir com ele, quando discordava. Vitoriosa a revolução, Vivés foi designado para importantes funções, sob disfarce diplomático, todas elas ligadas ao serviço secreto cubano. Delas, o autor esconde mais que mostra, e alega fazê-lo para se resguardar, pois, caso não o fizesse, já teria sido eliminado. O que o salva, diz, são documentos secretíssimos depositados em um banco suíço, e que serão publicados caso seja assassinado.
Salvador Allende pode
ter sido executado por
ordem de Fidel Castro
Entre as mais interessantes passagens dessa biografia está a de que o autor foi encarregado, em Cuba, de instruir padres da Teologia da Libertação para trabalharem pelo regime castrista, e passar segredos, obtidos por confissão de fiéis importantes, para os dossiês da inteligência cubana. Como os padres brasileiros desse grupo não saíam de Cuba, é bem provável que fossem dos mais entusiasmados fornecedores de informações para os homens de Vivés. Os figurões que se confessaram com Leonardo Boff e Frei Betto devem pôr as barbas de molho.
Outro episódio estranho contado no livro é o de soldados e pilotos americanos aprisionados na guerra do Vietnã terem sido drogados e levados para Cuba onde foram interrogados e provavelmente mortos, sem que ninguém soubesse nos EUA. Vivés conta que ele próprio, que falava inglês correntemente, traduziu depoimentos desses pobres coitados. Também a homossexualidade de Raúl Castro é abordada no livro.
Outra revelação importante é sobre a morte do chileno Salvador Allende, em 1973. Como se sabe, todo o corpo de guarda-costas de Allende era constituído de cubanos experimentados. Os principais eram os gêmeos, Patrício e Tony de La Guardia. Com a derrubada e morte de Allende, esses cubanos retornaram a Cuba e foram tratados como heróis por Fidel. Vivés não compreendia como tinham saído com vida do Palácio de La Moneda, até que Patrício, num encontro no bar do hotel Habana Libre, já alto, contou-lhe que, por ordem de Fidel, executara Allende que queria se asilar na embaixada sueca. Fidel queria criar (e conseguiu) um mito de Allende resistindo até a morte. Morto Allende, os cubanos conseguiram abandonar o palácio antes do assalto final de Pinochet. Aliás, Pinochet só chefiou o exército chileno por indicação de Fidel, que o julgava com tendências comunistas. Vivés havia sido seu cicerone e interlocutor quando visitou Cuba.
COMENTO: apesar do interesse que o tal livro possa despertar no público (ainda) leitor, parece que seu destino é o mesmo do muito falado mas pouco conhecido "Combate nas Trevas", de Jacob Gorender (1923-2013), editado em 1987 e raríssimo atualmente, só sendo encontrado em sebos e a preços altos. "El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro" não é encontrado em idioma diferente do francês, em que foi publicado originalmente, nem mesmo em língua espanhola, e seus exemplares à venda, custam preços desproporcionais, por sua raridade. Acredito que seria um bom negócio algum editor adquirir os direitos e publicar uma versão do livro de Andrès Alfaya Torrado no Brasil.
Dados sobre Juan Vivés e sua descendência:
"(240ii) ... Andrés Alfaya Torrado nascido em Havana em 4 de Junho de 1945 casou duas vezes: a primeira em Havana em dezembro de 1968 com Dania de la Concepción Frías y Sanz nascida a 21 de julho de 1947 filha de Mario Frías e Eugenia Salvadora Sanz Garrote. Tiveram por filha a Lisette Alfaya Frías. 
Andrés Alfaya Torrado e sua segunda mulher Annie Clavel nascida na França tiveram por filhos a Cecilia, Sofía e Alexander Emmanuel Alfaya Clavel. 
Lisette Alfaya Frías nascida em Havana a 9 de janeiro de 1969 casou a 21 de novembro de 1990 em Habana com Cesar López-Muro Suárez nascido a 27 de janeiro de 1967, filho de Fernando López-Muro Moreno e Martha Suárez Esquivel. Tuvieron por filho a Andrés Augusto López-Muro Alfaya y Frías nascido em Londres a 31 de julho de 1995."

domingo, 21 de agosto de 2022

A Duvidosa Estória da Espiã Que se Infiltrou nas FARC

Magaly tem 17 anos e chegou à Colômbia em 6 de novembro de 2021. Diz que passou um mês usando eletrônicos para que a Polícia localizasse o líder da coluna móvel Franco Benavides.
FOTO: copiada de vídeo - Cortesia.
por Javier Alexandre Macias
Na noite em que Magaly* recebeu o envelope de dinheiro, se sentiu a mulher mais feliz do mundo. Não lembra o dia da semana, a única coisa que recorda é que não conseguia lidar com tantas notas: as mãos tremiam enquanto agarrava a sacola, os olhos dispersos olhavam para todos os lados, vigiando para que não chegasse ninguém para roubar o que era dela, e quando tentou ir guardar tanto dinheiro, seus pés não responderam bem e ela terminou de bruços no solo.
Nessa noite correu tanto para se esconder, que quando caiu da cama e abriu os olhos, se liberou rapidamente da almofada que tinha apertada contra o peito e com amarga dor descobriu que só havia sido um sonho. Mas não se desesperou. Na penumbra, seguiu sonhando desperta. Sonhava com o carro que sempre havia querido, sonhava tirar sua irmã do bar de má fama em que trabalhava lá em Nariño desde que deixaram seu país, e sonhava com uma moradia rodeada de luxos para sua mãe.
Distraída pelos pensamentos Magaly* foi surpreendida pela alvorada. Sabia que com os 120 mil dólares (504 milhões de pesos colombianos) que receberia se cumprisse o trabalho proposto, arrumaria a vida dela, de sua pequena de 3 anos e de toda sua família que havia ficado em seu país.
O que Magaly* não desconfiara nas noites de insônia que se seguiram a quando disse sim ao contrato, era que matar um homem custasse tanto, e muito mais o que lhe haviam ordenado assassinar: o chamado "Marlon", comandante da coluna Franco Benavides, das dissidências de as FARC.

Seus dias na Colômbia
Com a promessa da terra prometida, Magalychegou à Colômbia em 6 de novembro de 2021. E foi para Policarpa, Nariño, onde sua irmã trabalhava como garçonete em um salão de bilhar.
Como decidi trabalhar fui fazer uns exames. Usei o nome de minha irmã mais velha para poder começar a trabalhar em um clube. Como as enfermeiras conheciam minha irmã, elas avisaram a SIJIN (Secional de Investigações Judiciais da Polícia Nacional) e me levaram para a Fiscalía (Procuradoria) porque sabiam que não era eu no documento nem tinha essa idade. Fiquei um mês presa, me soltaram com a obrigação de que minha irmã se responsabilizasse por mim. Me levaram para a delegacia de Policarpa, Nariño” relata Magaly*.
Durante os 30 dias que esteve atrás das grades, Magaly*, de 17 anos de idade e figura miúda, só pensava no que iria fazer quando saísse da prisão. No dia em que a libertaram se foi com sua irmã ao local conhecido como La Playa para fumigar coca, mas o odor dos produtos químicos fazia arder “suas narinas”, então decidiram deixar o emprego e  foram trabalhar em um outro local.
Enquanto laborava em seu novo trabalho, uma mulher cuidava de sua filha. Em um descuido da babá, a pequena deu uma cambalhota, e terminou com a cabeça sob a cama e com um hematoma que provocou sua internação por um mês na clínica infantil de Pasto.
Mas como as dores continuaram, o choro da menina se tornou entre anormal e insuportável e Magalyterminou, outra vez, no hospital. Tivemos que levá-la a Pasto e a hospitalizaram no Infantil. Estive um mês com ela, recorda.
A longa estadia em Pasto pareceu curta a Magalypor uma razão: o amor que acreditava ter se extinguido pelos maltratos e má vida que  seus dois companheiros anteriores lhe deram, renasceu quando um agente da SIJIN, que havia conhecido em dezembro em uma discoteca, a encontrou no hospital.
Nossa relação seguiu normal. Um dia me disse que tinha uma  proposta que iria me agradar, algo que ia ser bom para mim economicamente, para sair da situação em que estava, conta.
Mauricio, como chamaremos o investigador da Polícia, cortejou Magalyaté que uma tarde revelou o que ela não esperava, mas ele tinha planejado milimetricamente.
Ele me disse que a proposta era eles me darem 120 mil dólares para que eu ingressasse nas FARC-EP e entregasse cinco comandantes que estavam prejudicando o povo. Como estava necessitada, disse que sim, e depois contei a uma de minhas irmãs e ela me disse que não; eu liguei para ele e disse que aquilo era ruim e que eu não distinguiria as pessoas que deveria entregar, e ele me disse: bem, és tu quem perde”.
Passaram quinze dias daquela declaração, que não foi precisamente de amor, conta Magaly*, que uns agentes da SIJIN a procuraram. Me disseram que se não colaborasse me separavam de minha filha. Tive que me meter nas matas, disse.

Assim ela se infiltrou
Na noite em que Magalydecidiu infiltrar-se como espiã nas fileiras das dissidências das FARC, intuiu que aquele poderia ter sido seu último dia de vida sobre a terra.
Com dor no peito, a jovem de 17 anos se despediu mentalmente de cada um dos integrantes de sua família. Chorou por sua filha que, segundo conta, ficou nas mãos do ICBF, e apresentou-se cedo à SIJIN.
Sem entender o que se passava, Magalyfoi recebida por mais de 15 homens que vociferavam em um salão. Todos ditavam instruções, até que um deles, se acercou e explicou qual seria sua missão.
Ela teria três meses para entregar a eles cinco líderes do grupo dissidente. Os prazos foram determinados em um por mês, e nos primeiros 30 dias ela teria que entregar o chefe principal, vulgo “Marlon”.
Com o plano em sua cabeça, e ao melhor estilo de um filme de espionagem, entregaram a Magalyum par de brincos que serviriam de microfones e, ao mesmo tempo, para ela ouvir. Eram pequenos e pretos e eles me rastreavam onde eu estava. Me escutavam todas as conversas que tinha e as registravam em um computador, diz; e no cotovelo esquerdo lhe implantaram um chip sob a pele para saber como, quando e para onde se movia.
Pensei que a missão seria fácil e que fazer as sabotagens também. Me disseram que a ideia era que eu poderia ir para a cama com um dos comandantes para eu mesma mata-lo e eles fariam o desembarque. Me tocava cativa-lo e mata-lo. Eu não planejei, essa foi a instrução que eles me deram e, como me haviam tirado a menina, eu decidi pois por minha filha faço o que seja; e então, eu estive com o comandante”, conta Magaly*.
Com os apetrechos prontos, a jovem caminhou varias horas até onde sabia que estava o grupo armado ilegal. Ao achar os primeiros homens armados, disse que queria ingressar na quadrilha. Preguntaram por que, e ela respondeu que estava cansada dos maltratos e também necessitava dinheiro para levar comida a sua casa. A partir daí, puseram um quadrilheiro que vigiou todos seus passos e se converteu como sua sombra.
O olheiro, um homem experto nos pormenores da guerra, começou a notar que cada vez que Magalyse isolava os helicópteros voavam baixo e sentiam que as tropas se aproximavam “respirando-lhes na nuca”.
Magalytambém notou que o dissidente começou a segui-la mais que o normal e se encheu de temor, então, na primeira oportunidade avisou aos da SIJIN que não continuaria com o plano para matar “Marlon”.
A jovem equatoriana convertida em espiã, aproveitou um castigo aplicado por insubordinação (?) e se foi até o rio. Subiu em uma canoa tirou os brincos e os lançou ao rio. Depois, com um bisturi fez uma pequena incisão no braço, que cobriu com o uniforme e tirou o chip rastreador, enterrando-o na margem do rio. Desde esse dia e como em um ato de desespero ao perder o contato com a infiltrada, começaram a sobrevoar a baixa altura e a desembarcar tropas, mas as dissidências se moveram selva adentro para evitar o confronto.
Nas palavras da jovem: “Somente uma vez bombardearam e tentaram um assalto. Nós nos movemos para a montanha. Quando me mandaram para baixo subi na canoa os joguei (brincos) no rio, um deles me indagou que por que me desfazia dos brincos e respondi que era porque estavam velhos e oxidados”. Depois daquele episodio, o combatente informou a Marlon, e ele deu a ordem de que algemassem Magaly*. Ela ficou assim durante um mês amarrada a um pau.
Diga a verdade, diga a verdade e te pouparemos sua vida”, recorda a adolescente que lhe diziam, mas ela só desejava que a “atirassem no buraco porque de todas formas iam me matar fora ou lá dentro”.
Contrariando seus pedidos, o tal Marlon decidiu não fuzilar Magaly*, como é norma nos grupos criminosos fazer com quem os traem. Em vez disso, decidiu entregar a garota ao CICR (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) no passado dia 5 de agosto, como registraram em um vídeo que publicaram.

La columna móvil Franco Benavides, del Comando Conjunto de Occidente, hacemos (sic) entrega de la menor MBDP, identificada con el número 33... al Comité Internacional de la Cruz Roja, CICR, en perfectas condiciones de salud para que se inicien los trámites pertinentes para su deportación”, diz o comunicado.
De Magalynão se sabe hoje a sua localização. Antes de ir-se assegurou que depois de ter uma segunda oportunidade sobre a terra, não quero voltar a meter-me nunca em nenhum grupo armado.
* Nome trocado por segurança.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: Brincos com transmissores? Chip com localizador? E as baterias para fornecer energia? A "menina", com 17 anos  um histórico de dois ex-companheiros, e uma filha de três anos  foi para a Colômbia seguindo uma irmã, tendo a mãe e o "restante da família" (inclusive a filha de três anos) ficado no Equador. Depois, a criança aparece com ela, mais uma "irmã mais velha" que a aconselha não aceitar a aventura. Por fim, ninguém com um mínimo de conhecimento do assunto, realizaria um "recrutamento" de forma mais atabalhoada. A história, muito mais romanceada do que o normal, parece uma narrativa marqueteira com o objetivo de mostrar os narcoterroristas remanescentes das FARC como bons meninos que evitaram "prejudicar" a jovem equatoriana. Esperei alguns dias e, como não houve desmentidos sobre o caso, estou publicando este texto só como "fato curioso", e para não perder o trabalho da tradução.

domingo, 7 de agosto de 2022

Crescimento da Economia na Colômbia

Narcotráfico cresce como nos tempos de Pablo Escobar, ¿Quem o deterá?
O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente de Ecopetrol, um dos economistas mais importantes da Colômbia, analisa o crescimento da produção de cocaína — 8,6 kg por hectare — no país.
Os cultivos, como o da foto no Norte de Santander, se traduzem em uma vida de ricos para narcos disfarçados de “novos ricos”, como o recente caso de Falcon, extraditado aos EUA.
por Juan Carlos Echeverry
(@jcecheverryCol)
Desde os tempos de Pablo Escobar, lá pela década de 1980, o tamanho do negocio da cocaína na Colômbia nunca foi tão grande como aparentemente é agora. A informação das Nações Unidas (UNODC) é preocupante: em um lustro Colômbia passou de uma produção potencial de 290 toneladas métricas (tm) de cloridrato de cocaína puro para 1.200 tm (ver Gráfico 1).
O Departamento de Estado dos EUA tem uma estimativa distinta, como aparece no mesmo gráfico, ainda que não menos preocupante, pois estaríamos a cerca de 970 toneladas métricas de cocaína neste ano (todas as projeções de 2022 são feitas por EConcept com base em diversas fontes).
Como se vê nas duas linhas do Gráfico 1, o crescimento acelerou entre os anos 2013 e 2017. Mais tarde, basicamente se manteve estável a produção, apesar dos aparentes esforços para combatê-la. Se corretas estas cifras, a produção se quadruplicou em menos de cinco anos. É o único sector produtivo da Colômbia com semelhante capacidade de crescimento. Cabe recordar que boa parte de sua atividade ocorre na selva, sob terríveis condições de segurança.
Segundo a ONU, a produtividade estimada de cocaína é de 8,4 kg de cocaína/hectare colhido de folhas de coca, e vai em constante aumento. ¿Quais são as rotas para a exportação? 74% pelo Pacífico, 16% pelo Caribe e 8% por Venezuela.
¿Quanto pode retornar dessa produção para a Colômbia? Segundo estimativas, o preço no atacado oscila entre 7.500 e 10.000 dólares por kg de cocaína pura entregue em alto mar; entre 7,5 e 10 milhões de dólares por tonelada (ver Gráfico 2).
Em consequência, a produção potencial da Colômbia, ao ano valeria entre nove e onze bilhões de dólares (Gráfico 3). Naturalmente, disto se deve subtrair a cocaína apreendida, se realmente ela não volta ao mercado. Para efeitos comparativos, tomaremos o ponto médio destas duas estimativas de ingresso potencial, ou seja, dez bilhões de dólares por ano, na atualidade. Tenhamos em conta que se trata de estimativas e números grosseiros.
Se compararmos esse fluxo potencial de dólares por cocaína com as entradas legais de dólares na Colômbia estimadas para o fim de 2022, o tráfico de cocaína seria na atualidade a terceira fonte de ingressos, depois da exploração do petróleo e o carvão, e das exportações agropecuárias e manufatureiras; e estaria acima das remessas, que se encontram em níveis recorde (que se acercam a nove bilhões de dólares), e o turismo, que também vem se recuperando (Gráfico 4).
De fato, 2022 será um ano recorde de ingressos do exterior, pelas diversas fontes. Podemos dizer que a soma de todos os valores do que vendemos, com o que nossos compatriotas enviam desde o exterior, disparou em 2022. Parte da razão é a boa sorte, que sempre nos acompanha na saída das crises.
Com efeito, o Gráfico 5 mostra que os preços de alguns produtos básicos que exportamos se acham em níveis recorde. Não nos alegremos da boa sorte. A guerra na Ucrânia fez disparar os preços da energia, assim como fenómenos climáticos tem afetado os mercados agrícolas. Se bem que, também fez disparar a inflação, a qual não é benvinda, mas não faz parte do tema que nos ocupa.
Voltando à dinâmica das exportações ilegais, se pode dizer que, apesar da luta contra o narcotráfico e dos apresamentos, o tamanho do negocio da cocaína na Colômbia nunca foi tão grande como agora. Seu poder pode ser tão devastador ou desestabilizador como foi nos tempos de Pablo Escobar e o cartel de Cali. Naquela época, chegou a ser 3% do PIB, e, na atualidade estamos próximos a esse nível.
¿O que pode passar para o futuro? Os preços da cocaína parecem estar no auge, da mesma forma que os de outros produtos básicos. O Gráfico 6 mostra um forte aumento em finais da década passada; esses preços indicariam que se manter-se o imenso incentivo de rentabilidade da cocaína, isso seguirá representando uma seria ameaça para a estabilidade política nas regiões pacífica, sul, oriental e norte da Colômbia.
Uma última reflexão surge ao observar o Gráfico 4. Se forem mantidas as tendências observadas no primeiro semestre de 2022, e ao final do ano se materializa o cenário projetado nessa imagem, Colômbia estaria experimentando em 2022 a maior bonança externa de sua historia. Se esse fosse o caso, ficaria por explicar um aparente paradoxo: ¿como se pode estar desvalorizando o peso colombiano e encarecendo o dólar, em circunstancias de uma bonança externa legal e ilegal de semelhante magnitude?
Certamente, a resposta a essa questão se fixa em que a demanda de dólares está superando a oferta, por maior que esta seja. Apesar da imensa afluência, há mais gente tratando de guardar divisas no exterior, que os que estão tratando de trazê-las ao país. De fato, as importações estão disparadas, e o déficit da  Balança de Pagamentos se ampliou.
Isto indicaria que os colombianos que compram no exterior, e que até maio vinham adquirindo importações em níveis recordes, ou anteciparam uma desvalorização ou se juntaram a um suposto contingente de pessoas que estão sacando divisas (depositando no exterior).
Nesse sentido, há uma controvérsia sobre quanto se deve aos resultados políticos da Colômbia, e quanto se deve ao fenômeno internacional de aumento de juros pelo Federal Reserve dos EUA e ao fortalecimento global do dólar. O Gráfico 7 pode ajudar a responder essas perguntas. Todos os países do gráfico experimentaram alguma pressão de desvalorização. Foi mais forte para Chile e Colômbia, talvez pelos fenômenos políticos recentes. Mas a da Colômbia se manteve, indicando a presença de uma fonte interna que a diferencia dos demais. Bem poderia ser política.
¿Ou a bonança colombiana pode ter como fundo a lavagem de dinheiro?
Fonte: tradução livre de El Colombiano

domingo, 29 de maio de 2022

"Gentil Duarte" e "Mechas" os Dois Dissidentes Mortos na Venezuela

Os bandidos eram procurados por serem dois dos mais perigosos narcoguerrilheiros dissidentes, e aparentemente morreram em uma explosão na Venezuela.
Gentil Duarte teria chegado ao acampamento de Jhon Mechas fugindo das autoridades colombianas. Enquanto na Venezuela, ambos meliantes teriam morrido em uma explosão causada por seus inimigos, que lutam pelo controle territorial e pelas rotas da coca.
por Nelson Matta Colorado
 e Daniela Osório Zuluaga
O som de uma explosão na madrugada de 4 de maio teria pego de surpresa dois dos dissidentes mais procurados do país: Miguel Botache Santillana, vulgo "Gentil Duarte", e Javier Alfonso Velosa García, vulgo "Jhon Mechas", que controlava mais de 600 homens e 6.000 hectares de cocaína em todo o país.
Segundo as suspeitas das autoridades, foram seus próprios inimigos criminosos que conseguiram assassiná-los do outro lado da fronteira, no estado venezuelano de Zuila, em meio a uma disputa pelo controle territorial e rotas de narcotráfico.
Gentil Duarte foi o primeiro chefete das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) a não aceitar o Processo de Paz com o governo colombiano e e continuar a luta armada.
Após pelo menos três golpes do Exército colombiano contra ele, Duarte fugiu para o estado fronteiriço e de lá comandou mais de 600 homens. Em Zuila, Jhon Mechas, também dissidente, foi quem o acolheu e o protegeu com suas tropas daquele lado da fronteira.
Essa proximidade também teria custado a vida de Jhon Mechas, que estava no local da explosão quando os fatos ocorreram, segundo informações recebidas pelo general Jorge Luis Vargas, diretor-geral da Polícia.
A disputa pelo controle de um dos principais corredores de coca entre Catatumbo e Venezuela tem sido mais eficaz no combate aos grupos armados do que todos os esforços da Força Pública.
Em menos de dois anos, essa guerra de traição e morte removeu do mapa pelo menos quatro dos mais altos escalões dissidentes das FARC: Seuxis Pausias Hernández, vulgo “Jesús Santrich”; Hernán Darío Velásquez, vulgo “El Paisa”; Henry Castellanos, vulgo “Romanha”; e Miguel Botache Santillana, vulgo Gentil Duarte, cuja morte é noticiada como um fato.
O outro lado da fronteira, na Venezuela, deixou de ser o abrigo perfeito onde se escondiam guerrilheiros e narcotraficantes e se tornou em mais um território onde cerca de 17 estruturas criminosas disputam o chamado Arco do Caribe, caminho por onde transitam coca, armas e outros tipos de substâncias sem o assédio das autoridades, como explica Néstor Rosanía, diretor do Centro de Estudos de Segurança e Paz.

O Primeiro Dissidente
A bandeira de Miguel Botache Santillana sempre foi a revolta. Primeiro, declarou-se em rebeldia contra o Estado — tornando-se um dos mais importantes comandantes das extintas FARC — e depois voltou-se contra esse grupo guerrilheiro, sendo o primeiro a abandonar o Processo de Paz e formar sua própria quadrilha de dissidentes.
Desconfiado, esquivo e com boa capacidade de controle de rotas, Gentil Duarte tornou-se um dos homens mais procurados pelo governo colombiano, antes de sua desmobilização e após seu retorno às armas.
Segundo a Insight Crime, sob sua coordenação, os dissidentes de Duarte e Néstor Gregorio Vera Fernández, vulgo “Iván Mordisco” expandiram-se rapidamente por todo o país, consolidando suas ações em pelo menos 17 departamentos e três países: Colômbia, Venezuela e Equador.
Após deixar as negociações do Acordo de Paz em meados de 2016, Duarte se juntou aos ex-integrantes da Primeira e Sétima Frentes e continuou com a luta armada e negócios de tráfico de drogas, extorsão, mineração e sequestro, entre outros.
Santillana nasceu há 58 anos em Florencia, Caquetá, e na década de 1980 foi recrutado pelas FARC aos 14 anos. Por esse grupo militou nos departamentos de Caquetá, Putumayo, Guaviare, Meta, Guainía, Vichada e Arauca e tornou-se comandante da Sétima Frente e membro do Estado-Maior do Bloco Oriental da narcoguerrilha.
Atualmente os homens sob o comando de Duarte lutam contra a Segunda Marquetalia, liderada por "Iván Márquez"; e contra o ELN e o Clan del Golfo.
De fato, as autoridades culparam a dissidência de Duarte por provocar a onda de violência que atingiu Arauca no início deste ano.
Em meio a essa guerra cruzada entre as estruturas criminosas e a Força Pública, Duarte é acusado de assassinar soldados e lideranças sociais e de controlar cerca de 6.500 hectares de cocaína em Meta, Guaviare e Caquetá. Ele teria sido cruel até contra seus ex-companheiros de luta, já que lhe são atribuídos os assassinatos de 14 signatários da paz que se recusaram a pegar em armas e se juntar às suas fileiras.
As autoridades estão trabalhando para confirmar as mortes de Gentil Duarte — por quem a Casa de Nariño ofereceu até 3.000 milhões de pesos — e John Mecha, que é outro dos comandantes mais importantes dos dissidentes.
Este último aderiu às guerrilhas das FARC em 1996 e decidiu não aderir ao processo de paz de 2016. Além dos crimes de extorsão, tráfico de drogas e recrutamento forçado, Mechas também é acusado do ataque a um CAI policial em Ciudad Bolívar, onde duas crianças morreram; pelo ataque ao presidente Iván Duque em Cúcuta; e pelo assassinato de dois jovens de 12 e 18 anos em Tibú, Norte de Santander, em outubro de 2021.
Espera-se que o comando das estruturas que agora teriam ficado sem líder seja assumido por Iván Mordisco, um experiente ex-guerrilheiro das FARC com mais de 32 anos de experiência criminosa e um temperamento forte que o tornou famoso como "a mais radical" das dissidências.

Dissidentes se escondem na Venezuela
Os assassinatos de líderes em território venezuelano já não são mais algo estranho. Com a suposta morte de Gentil Duarte seriam quatro dissidentes de alto escalão das FARC que morreram do outro lado da fronteira em menos de dois anos. De fato, o governo colombiano insinuou que a presidência de Nicolás Maduro está abrigando grupos como o Clã del Golfo, o ELN e dissidentes para se esconder das autoridades colombianas. Após o boato da morte de Jhon Mechas e Duarte, o ministro da Defesa, Diego Molano, voltou a atacar aquele regime, assegurando que esta é mais uma prova, se esse fato se confirme, de que o regime de Nicolás Maduro protege grupos terroristas e traficantes de drogas em seu solo e não os combate.

Os que mataram Duarte
Apesar de vários grupos se movimentarem ao longo da fronteira, incluindo gangues que se vendem ao melhor lance e até supostas milícias norte-americanas, a verdade é que o poder é distribuído entre três grandes grupos: A Segunda Marquetalia — que tem mais poder pelo nome do que pelo homens armados, como diz Rosanía —, a Frente de Guerra Oriental, do ELN, e os então dissidentes de Gentil Duarte e Javier Alfonso Velosa García, vulgo Jhon Mechas.
Depois de dois anos brigando entre si para dominar rotas, fornecedores e mercado, Gentil Duarte começou a se aproximar, como antigamente, de seu antigo parceiro de insurgências Iván Márquez, um homem que não havia conseguido alianças porque pretendia continuar com a estrutura dos comandantes das FARC em um ambiente que só visava o dinheiro e o tráfico de drogas e que não estava disposto a se subordinar novamente.
Ao saber dessa traição, o também dissidente, Iván Mordisco, teria traçado um plano para assassinar Duarte e impedir o fortalecimento da Segunda Marquetalia.
Esta hipótese foi confirmada no terreno com membros dos grupos armados e habitantes do setor onde se concentram os dissidentes.
Mas assassinar Duarte não foi uma tarefa fácil. Aparentemente, os dissidentes de John Mechas e da 10ª Frente, comandada por Arturo, teriam conspirado para armar uma armadilha para ele do outro lado da fronteira e assassiná-lo enquanto dormia, como de fato aconteceu.
Por enquanto, os grupos de inteligência contra o crime organizado estão tentando verificar se as mortes de Gentil Duarte e Jhon Mechas realmente aconteceram, e se a nova reestruturação vai gerar retaliação que afete a população civil.
Rei morto, rei posto:  sai Gentil Duarte e chega Iván Mordisco
Enquanto isso, Iván Mordisco é o líder natural daquelas subestruturas que antes estavam sob o comando de Duarte e Mechas, que se caracterizavam por atrair dissidências com comandos regionais independentes.
De fato, Néstor Rosanía analisa que essa estrutura descentralizada de poder permitirá que as coisas não mudem muito, embora dependa das represálias que a Segunda Marquetalia possa tomar.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
ATUALIZAÇÃO EM 7 JUL 22: Aparentemente está em andamento uma limpeza na estrutura de mando das antigas FARC. Mais um "capo" do bando está sem sinal de vida, e outros três parecem estar em maus lençóis no território venezuelano. Ainda não se sabe se a iniciativa é de quadrilhas rivais, ou se do governo de Nicolás Maduro, em uma tentativa de "queima de arquivos", que anteceda uma negociação de retorno da Venezuela à uma vida diplomática normal.
https://www.eltiempo.com/unidad-investigativa/ivan-marquez-los-audios-que-confirmarian-su-muerte-en-venezuela-684710