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quarta-feira, 31 de maio de 2023

Revelações de um ex-Espião Cubano

Capa
por Ernesto Neto
Em recente viagem à Europa [2010], numa livraria em Toulon na França, me deparei com um livro que dificilmente será traduzido e lançado no Brasil: "El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro", de Juan Vivés, Éditions Hugo et Compagnie, lançado em agosto de 2005.
Juan Vivés, cujo nome verdadeiro era Andrès Alfaya Torrado, foi um dissidente cubano que residiu na França e durante 20 anos pertenceu ao serviço secreto de Fidel Castro. Adolescente ainda, foi para guerrilha na Serra de Escambray combater o regime de Batista e posteriormente fez parte da coluna guerrilheira de Che Guevara. Com a revolução vitoriosa, foi indicado e aceitou fazer parte do temível G2, onde, até 1979, esteve presente em quase todas as atividades de espionagem, guerrilheiras e militares em que Fidel fez o pequeno país caribenho participar. O que torna a sua figura ainda mais proeminente é o fato de ser sobrinho de Osvaldo Dorticós "presidente fantoche de Cuba até 1976" e grande amigo de Célia Sanchez que, segundo ele, juntamente com Raul eram as únicas pessoas que o patético tirano barbudo ainda ouvia.
Contracapa
São 17 capítulos que abrangem desde os motivos que levaram sua família — ricos proprietários de terras — à guerrilha contra Batista até o seu exílio na França, passando por vários outros acontecimentos contados por um ângulo que a esquerda sempre escondeu: a difícil convivência com Che, os primeiros dias depois da vitória, os fuzilamentos à revelia, o assassinato de Camilo Cienfuegos, a invasão da Baía dos Porcos, a crise dos mísseis soviéticos, as primeiras missões na África (Argélia), a morte de Che Guevara, o interrogatório dos prisioneiros americanos do Vietnã em Cuba, o assassinato de Salvador Allende por determinação de Fidel, as missões em Angola (Operação Carlota) e no Saara Espanhol, etc.
No meio de cada assunto, Juan Vivés conta casos que denotam o aspecto mau caráter de Fidel — colérico e com suas alegorias fantasiosas e megalomaníacas — e o prazer sádico que Guevara tinha pelos fuzilamentos e assassinatos: só na Fortaleza de La Cabaña ele comandou 600 sessões. O autor deixa bem claro que todos que se colocaram na frente de Fidel, ameaçando o seu prestígio como Líder Máximo da Revolução, foram misteriosamente "silenciados", sejam por inexplicáveis acidentes como o de Camilo Cienfuegos, sejam por falsas promessas de ajuda como o próprio Che, quando se encontrava na Bolívia.
Certamente os dois capítulos que mais chamam a atenção do leitor são o XI, onde o ex-espião revela um dos segredos mais bem guardados do comunismo cubano: o interrogatório de soldados americanos em Cuba durante a Guerra do Vietnã, e o XV sobre o assassinato de Allende. Por dominar o idioma inglês fluentemente, Vivés foi chamado à traduzir os interrogatórios dos prisioneiros americanos no Vietnã, devido a falta de pessoal capacitado para fazê-lo no pobre país asiático. Ele recusou a missão, afinal era sobrinho do "presidente" e amigo de Célia Sanchez; mesmo assim lhe entregaram dois textos de interrogatórios para que ele os traduzisse. No início ele tinha dúvidas se os prisioneiros estavam ou não em Cuba, mas posteriormente o seu próprio tio (o Presidente) lhe teria dito que havia prisioneiros americanos em território cubano. O que ele nunca soube foi o que fizeram com estes infelizes soldados. Provavelmente foram mortos. O assassinato de Allende por Patrício de la Guardia (seu próprio segurança e que pertencia ao serviço secreto cubano) já não é novidade depois do lançamento do livro Cuba Nostra de Alain Ammar (Ed. Plon, lançado em 2005) com o testemunho do próprio Juan Vivés. Segundo o autor, depois de financiar a campanha de Allende para as eleições chilenas de 1970, Fidel exigia uma postura mais ativa e radical do Presidente chileno em prol da revolução e das mudanças mais abruptas na sociedade. Com as dúvidas, os vacilos e os receios de Allende, que Fidel achava um fraco, não restou outra opção a Castro senão ordenar o seu assassinato. Em consonância com esta versão há dois fatos: a saída dos agentes cubanos do Palácio de La Moneda sem um arranhão sequer e o corpo de Allende não apresentar evidências de suicídio.
A intromissão de Cuba na questão do Saara Espanhol toma uma certa importância no mundo atual, já que Fidel praticamente criou e fomentou o Front Polisario (Frente Popular Para a Libertação de Saguia el Hamra e Rio do Ouro) que posteriormente se islamizou e hoje possui centenas de integrantes do grupo terrorista Al-Quaeda, fugidos da invasão americana do Afeganistão. Com isto, segundo Vivés, Fidel e Che desenvolveram os dois mais antigos grupos terroristas armados do planeta: o próprio Front Polisario/Al-Quaeda e o ETA. Este último apoiado e financiado por Fidel, ainda em Caracas, na Venezuela, logo no início da Revolução depois das relações entre Cuba e o governo espanhol se tornarem tensas.
O ex-espião ainda conta como a mídia internacional, artistas e escritores do mundo inteiro apoiaram (e apoiam!) o cruel regime castrista, disseminando mentiras a respeito do país e da revolução. Desde as falsas conquistas sociais devidas a Fidel até a glorificação das ditas vitórias épicas obtidas pelo Exército Cubano nas guerras africanas. Gabriel García Marques, por exemplo, ganhou uma mansão no bairro de Siboney em Havana, por ter escrito láureas a favor de Cuba em seu livro Operação Carlota, nome da operação militar cubana em Angola, onde o famoso escritor tenta justificar o injustificável. Segundo ele, uma das mentiras políticas mais bem remuneradas de toda a América Latina. O grande problema para estes intelectuais seria, depois da queda do regime, a devolução desses imóveis aos seus verdadeiros donos que se encontram no exílio.
Durante esta mesma operação militar em Angola é quando começa a se desenrolar a questão do tráfico de drogas envolvendo os irmãos Castro. Juan Vivés escreve que as tropas cubanas trocavam diamante e marfim (abundantes na África) pela heroína por intermédio da máfia de Hong Kong. Daí a droga era enviada a Havana em transportes militares cubanos e posteriormente era transportada para o Panamá, onde agentes cubanos da DGI negociavam com traficantes internacionais. O responsável por esta operação era o General Arnaldo Ochoa, que acabou sendo fuzilado por Fidel juntamente com outros participantes, em um processo digno da época estalinista, no intuito de limpar de todas estas implicações o seu regime. Vivés ainda menciona as relações com o tráfico de cocaína entre Raúl Castro, Daniel Ortega (da Nicarágua) e Pablo Escobar.
Lendo o livro, imaginamos como um pequeno país caribenho, certamente com o sacrifício extremo de seu povo, foi capaz de enviar tropas e missões de espionagem para várias partes do mundo. Já na metade da década de 60, o exército cubano possuía 500.000 homens, um pouco menos de 10% de sua população na época. Em sua louca aventura em Angola, em 15 anos de conflito, Fidel utilizou 300.000 homens. Fora os contingentes em outras regiões. Quantos jovens cubanos morreram, salvando a pele de russos, em nome de um regime que apenas escravizou e empobreceu o seu próprio povo?
No final de seu "avant-propos" (prefácio), Juan Vivés afirma não ser nenhum intelectual desiludido, nem um dissidente com ambições pessoais, apenas um homem sedento de liberdade que rejeita uma tirania egocêntrica fantasiada de revolução.
e      AR News

Livro de Espião Cubano Mostra Padres da Teologia da Libertação a Serviço de Fidel Castro
por Irapuan Costa Junior
Juan Vivés garante que
Raúl Castro (no
detalhe), é homossexual
Leio um livro que você, caro leitor, nunca lerá: El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro” (Éditions Hugo et Compagnie, Paris, 2005). O autor é Juan Vivés, cujo nome verdadeiro era Andrès Alfaya Torrado, casado com Annie Clavel, francesa, e que viveu em Marselha, de 1979, ano em que fugiu de Cuba para não ser morto até sua morte em 22 de fevereiro de 2014. Tive notícia deste livro por um amigo de Portugal e tentei comprá-lo em duas livrarias francesas onde o encontrei. As duas responderam que não podiam enviá-lo para o Brasil, sem maiores explicações. O gramcismo anda assim tão poderoso por aqui, a ponto de exercer essa censura toda (que, aliás, já conhecemos) e fazê-la chegar aos “companheiros” franceses? Mistério. O fato é que só consegui comprá-lo em um sebo francês.
O autor é um cubano oriundo da alta aristocracia espanhola, que se juntou à rebeldia de Fidel Castro, desempenhou algumas ações revolucionárias de repercussão (que lhe valeram, ainda durante a guerrilha, o cognome de El Magnífico, que é o título do livro), e serviu sob as ordens de Che Guevara. É um livro repetitivo em alguns aspectos: fala, com conhecimento — o autor foi testemunha — das atrocidades de Che Guevara, de sua incompetência administrativa e de como era inimigo de um bom banho. De como Fidel sempre foi uma figura performática, capaz de tirar proveito público de qualquer situação, em Cuba e no exterior. Mas traz notícias novas e fatos interessantes, a partir de como Vivés, apolítico, resolveu combater o ditador Batista e se aliar a Fidel Castro. O motivador foi, diz ele, Benvenutto Cellini (1500-1571), o célebre escultor italiano.
A família de Vivés tinha algumas obras de arte raras, trazidas da Europa, entre elas um Cristo de marfim, belíssimo, esculpido por Cellini. A mulher de Batista tentou forçar a compra da escultura, o que ofendeu o pai de Vivés, e acabou por criar uma inimizade que terminou em retaliação por parte do ditador. Entre as revelações do livro a de que o regime de Fulgencio Batista estava se decompondo quando o Granma desembarcou Fidel e seus guerrilheiros em Cuba. Isto fez com que os revolucionários conquistassem os quartéis do Exército praticamente sem combate. Os soldados, como praticamente toda a população cubana, ansiavam por mudanças. Não suportavam mais a corrupção (que desviava seus suprimentos), e os baixos soldos, enquanto os membros do governo roubavam e faziam fortuna. Não houve, ao contrário do alarde feito por Fidel, combates de verdade. A revolução foi quase um passeio.
Vivés era sobrinho de Osvaldo Dorticós, presidente cubano indicado por Fidel, que, embora figura decorativa tinha sua importância. Era também parente de Celia Sanchez, segunda figura do regime comunista da ilha, depois de Fidel. Era, segundo os íntimos do poder, a única pessoa a contrariar Fidel Castro e a discutir com ele, quando discordava. Vitoriosa a revolução, Vivés foi designado para importantes funções, sob disfarce diplomático, todas elas ligadas ao serviço secreto cubano. Delas, o autor esconde mais que mostra, e alega fazê-lo para se resguardar, pois, caso não o fizesse, já teria sido eliminado. O que o salva, diz, são documentos secretíssimos depositados em um banco suíço, e que serão publicados caso seja assassinado.
Salvador Allende pode
ter sido executado por
ordem de Fidel Castro
Entre as mais interessantes passagens dessa biografia está a de que o autor foi encarregado, em Cuba, de instruir padres da Teologia da Libertação para trabalharem pelo regime castrista, e passar segredos, obtidos por confissão de fiéis importantes, para os dossiês da inteligência cubana. Como os padres brasileiros desse grupo não saíam de Cuba, é bem provável que fossem dos mais entusiasmados fornecedores de informações para os homens de Vivés. Os figurões que se confessaram com Leonardo Boff e Frei Betto devem pôr as barbas de molho.
Outro episódio estranho contado no livro é o de soldados e pilotos americanos aprisionados na guerra do Vietnã terem sido drogados e levados para Cuba onde foram interrogados e provavelmente mortos, sem que ninguém soubesse nos EUA. Vivés conta que ele próprio, que falava inglês correntemente, traduziu depoimentos desses pobres coitados. Também a homossexualidade de Raúl Castro é abordada no livro.
Outra revelação importante é sobre a morte do chileno Salvador Allende, em 1973. Como se sabe, todo o corpo de guarda-costas de Allende era constituído de cubanos experimentados. Os principais eram os gêmeos, Patrício e Tony de La Guardia. Com a derrubada e morte de Allende, esses cubanos retornaram a Cuba e foram tratados como heróis por Fidel. Vivés não compreendia como tinham saído com vida do Palácio de La Moneda, até que Patrício, num encontro no bar do hotel Habana Libre, já alto, contou-lhe que, por ordem de Fidel, executara Allende que queria se asilar na embaixada sueca. Fidel queria criar (e conseguiu) um mito de Allende resistindo até a morte. Morto Allende, os cubanos conseguiram abandonar o palácio antes do assalto final de Pinochet. Aliás, Pinochet só chefiou o exército chileno por indicação de Fidel, que o julgava com tendências comunistas. Vivés havia sido seu cicerone e interlocutor quando visitou Cuba.
COMENTO: apesar do interesse que o tal livro possa despertar no público (ainda) leitor, parece que seu destino é o mesmo do muito falado mas pouco conhecido "Combate nas Trevas", de Jacob Gorender (1923-2013), editado em 1987 e raríssimo atualmente, só sendo encontrado em sebos e a preços altos. "El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro" não é encontrado em idioma diferente do francês, em que foi publicado originalmente, nem mesmo em língua espanhola, e seus exemplares à venda, custam preços desproporcionais, por sua raridade. Acredito que seria um bom negócio algum editor adquirir os direitos e publicar uma versão do livro de Andrès Alfaya Torrado no Brasil.
Dados sobre Juan Vivés e sua descendência:
"(240ii) ... Andrés Alfaya Torrado nascido em Havana em 4 de Junho de 1945 casou duas vezes: a primeira em Havana em dezembro de 1968 com Dania de la Concepción Frías y Sanz nascida a 21 de julho de 1947 filha de Mario Frías e Eugenia Salvadora Sanz Garrote. Tiveram por filha a Lisette Alfaya Frías. 
Andrés Alfaya Torrado e sua segunda mulher Annie Clavel nascida na França tiveram por filhos a Cecilia, Sofía e Alexander Emmanuel Alfaya Clavel. 
Lisette Alfaya Frías nascida em Havana a 9 de janeiro de 1969 casou a 21 de novembro de 1990 em Habana com Cesar López-Muro Suárez nascido a 27 de janeiro de 1967, filho de Fernando López-Muro Moreno e Martha Suárez Esquivel. Tuvieron por filho a Andrés Augusto López-Muro Alfaya y Frías nascido em Londres a 31 de julho de 1995."

terça-feira, 8 de julho de 2014

O Tempo em que Brizola foi o Homem de Fidel no Brasil

O dirigente cubano parece ter acreditado que Brizola era o Fidel do Brasil e enviou um milhão de dólares para sua guerrilha, que não ocorreu
Imagem: Rede mundial
Se a história do Egito é inesgotável — daí a permanência de uma indústria editorial que inventa e reinventa romancistas-historiadores-arqueólogos —, imagine a história recente brasileira, sobretudo a pós-64. Em 1987, José Wilson da Silva lançou um livro, “O Tenente Vermelho”, que conta, entre outras histórias, que “Fidel Castro entregou 1 milhão de dólares para os exilados brasileiros no Uruguai (Brizola, Jango e Darcy Ribeiro) financiarem movimentos de guerrilha no Brasil”. O livro de José Wilson é muito interessante, mas pessimamente editado pela Tchê!, o que certamente reduziu a sua repercussão. Treze anos depois, a doutora em história pela Universidade Fluminense Denise Rollemberg amplia o que José Wilson antecipou. No livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro” (Editora Mauad, 2001), de apenas 94 páginas, Denise produz um documento de grande valia, ainda que lacunar, pois Brizola e José Dirceu, por exemplo, não quiseram falar sobre suas relações com Cuba. Denise também não conseguiu fazer entrevistas em Cuba, porque a bolsa do CNPq “exclui qualquer possibilidade de viagem ao exterior”. De resto, o livro de Denise parece sugerir, mais do que um texto definitivo, uma obra em andamento. O leitor especializado certamente achará estranha a ausência, na bibliografia, dos livros “O Tenente Vermelho”, de José Wilson, e “A Revolução Impossível”, de Luís Mir.
Pode-se dizer que a guerrilha brasileira (no fim da década de 60 e no início da década de 70) foi financiada por Cuba e pelos bancos (assaltados ou, como quer a esquerda, “expropriados”). Mas Cuba não só apoiou com dinheiro — menos certamente do que se costuma pensar, pois Cuba não era uma mina de ouro — a esquerda armada. O governo da pequena ilha, duas vezes menor do que Goiás, treinou, na avaliação do Centro de Informações do Exército, 219 militantes “treinados ou suspeitos de terem treinado em Cuba”.
Treinar em Cuba era como estudar em Harvard ou Cambrigde, segundo Mário Japa (codinome de Shizuo Osawa): “Todo mundo queria ir. Era quase um batismo de fogo: tinha que participar de uma ação militar e tinha que ir treinar em Cuba”.
A força de Fidel
As “pequenas” interpretações de Denise valem o livro, aqui e ali incompleto, mas sempre instigante. Baseada no livro “Vida e Morte da Revolução Cubana” (que tem um capítulo com o título de “Exportar a Revolução”), de Benigno (nome de guerra de Dariel Alarcón Ramírez), Denise conclui que Fidel não pensava tão-somente em construir o socialismo em outros países. Pensava além disso: queria mostrar aos seus inimigos, aos próximos e aos não tão próximos, que o pequeno país era forte e, até mesmo, financiava a revolução em outros pontos, como no gigantesco Brasil. Assim, a exportação da revolução tinha como objetivo assegurar o socialismo cubano, a manutenção da revolução cubana.
Apesar das pressões da União Soviética — que não apostava na exportação da revolução —, Fidel Castro continuou incentivando os guerrilheiros até meados da década de 70. Antes disso, conta Denise, “os revolucionários passaram a contar a história da vitória (da Revolução Cubana) de tal maneira que construíram um dos maiores mitos da esquerda latino-americana dos anos 1960: o do foco guerrilheiro”. O foco guerrilheiro teria construído a revolução, mas, ressalva Denise, propositadamente, para ampliar a força do foco, ignorou-se a conjuntura. Quando os revolucionários desembarcaram em Cuba, um episódio tantas vezes narrado como um quadro épico, não estavam sozinhos. Ao contrário, encontravam uma situação plenamente favorável à sublevação.
Entre julho e agosto de 1967, a conferência que gerou a Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) decidiu que, como olas (ondas), a revolução seria estendida em toda a América Latina. Apesar das resistências dos dirigentes soviéticos, a rota dos guerrilheiros para chegar a Cuba passava por Moscou e Praga.
Denise mostra que Fidel apoiou a “revolução” brasileira mesmo antes de 1964. “Quanto à revolução brasileira, Cuba apoiou a formação de guerrilheiros, desde o momento em que assumiu a função de exportar a revolução, quando o Brasil vivia sob o regime de democrático do governo João Goulart, ou seja, antes da instauração da ditadura. A maior parte foi treinada a partir de 1968, quando Cuba já havia se voltado para a construção do socialismo em único país, com o apoio da URSS. Embora um caso isolado, chegou a haver treinamento mesmo ao longo de 1973, quando a guerrilha no Brasil já estava aniquilada, à exceção da guerrilha do PC do B, no Araguaia (1972-1974).
As Ligas Camponesas
As Ligas Camponesas surgiram em 1955 e se destacaram na década de 1960. As Ligas eram lideradas por Francisco Julião e uma ala ligada ao Partido Comunista Brasileiro, representada pelo advogado e ex-deputado estadual Clodomir dos Santos Morais. Radical, a ala afastou-se do PCB, então acusado de ter uma atitude conciliatória com a “burguesia” brasileira. Mesmo colocando-se como aliado de Cuba, Julião não era tão radical quando parecia o seu discurso. “Mantendo relações estreitas com Cuba e radicalizando suas posições nos famosos discursos que fazia, Julião, entretanto, se opôs à facção favorável à guerrilha, liderada por Clodomir Morais, Carlos Montarroyo e Tarzan Castro [Denise exclui o “de” — Tarzan de Castro]. Julião, inclusive, participou das eleições, nesse mesmo ano de 1962, apesar de criticá-las, como candidato a deputado federal.
Denise conta que, “com Clodomir Morais, dissidente do PCB, deu-se início à formação dos campos de treinamento de guerrilhas no Brasil com o apoio de Cuba. (...) O apoio de Cuba se concretizou na implantação desses campos, na verdade, fazendas compradas, em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, ‘formados por alguns camponeses e, em sua maioria, estudantes secundaristas e universitários vindos de Pernambuco’.” (O trecho entre aspinhas foi extraído do livro “As Ligas Camponesas”, de Fernando Antônio Azevedo, da Editora Paz e Terra.) Denise acrescenta: “Houve ainda o fornecimento de armas, dinheiro e orientação para a implantação da guerrilha. Apesar do fluxo constante de lideranças e militantes a Cuba, o treinamento seria dado no Brasil”.
Em 1962, o governo de João Goulart “desbaratou o plano de formação de um campo de treinamento das Ligas, no interior de Goiás, Dianópolis” (hoje, Tocantins). Entre os guerrilheiros estavam os goianos Tarzan de Castro e João Neder (promotor de justiça aposentado). O líder era Carlos Montarroyo. De início, eles conquistaram o povo mais pobre da região, mas depois, sob a acusação de comunistas, foram rechaçados.
O Fidel brasileiro
Com a queda das Ligas Camponesas como agente da revolução, ainda antes do golpe de 64, Fidel Castro e seus aliados voltaram-se para Leonel Brizola, o, quem sabe, Fidel brasileiro, um homem de classe média como o cubano. Exilado no Uruguai, Brizola, no início, só pensava num contragolpe. “Brizola resistia à teoria cubana do foco, tão em moda na época, preferindo a ‘tradição gaúcha’: ‘Falava [Brizola] de sua teoria do carvalho [guerrilha] e da batatinha [contragolpe, levante popular]. O carvalho demora para crescer e a batatinha dá ligeiro”, escreve Denise, aqui baseada em “A Rebelião dos Marinheiros” (Editora Artes e Ofícios), de Avelino Bioen Capitani.
No Uruguai, como se fosse uma espécie de coronel (ou general, para ser mais apropriado), Brizola “agrupou em torno de si os sargentos e marinheiros expulsos das corporações e perseguidos pelos militares e formou uma espécie de Estado-Maior com o ex-deputado Neiva Moreira, o seu assessor no governo no Rio Grande do Sul, Paulo Schilling, o ex-deputado pelo PSB, Max da Costa Santos, e o coronel Dagoberto Rodrigues”, relata Denise.
Como a quartelada não deu certo — os militares estavam firmes no poder, com o presidente Castello Branco obtendo grande apoio no meio civil —, “Brizola acabou ‘aderindo’ à teoria do foco guerrilheiro cubano. A partir daí, os planos da luta armada ganharam novos rumos. Seriam implantados três focos: um na Serra de Caparaó, na divisa de Minas Gerais e Espírito Santo, sob o comando do ex-sargento Amadeu Felipe; um no norte do Mato Grosso (fronteira com a Bolívia), comandado por Marco Antônio da Silva Lima, ex-fuzileiro naval; e outro na região norte de Goiás, que acabou se concentrando em Imperatriz, oeste do Maranhão, sob o comando de José Duarte, ex-marinheiro, também treinado em Cuba. Haveria mais ‘um grupo de apoio na região fronteiriça do RS até MT’”, escreve Denise. [José Duarte mora em Goiânia.]
A historiadora avalia que, “provavelmente, a possibilidade de contar com o apoio do governo cubano tenha sido decisiva para a reorientação de Brizola”. Denise expõe as contradições: “Muitos defendem que a ‘adesão’ de Brizola ao foco merece aspas, e nada tem de ideológico, mas sim de circunstancial. Flávio Tavares, no entanto, testemunha todo o entusiasmo de Brizola com a possibilidade de reeditar a experiência cubana no Brasil e com o poder que o treinamento teria de transformar homens em guerrilheiros, em uma estranha metamorfose, fazendo deles não super-homens, mas bichos”.
Escreve Flávio Tavares, no livro “Memórias do Esquecimento” (Editora Globo): Brizola estava literalmente inundado pela concepção de guerrilha, lia revista do Vietnã do Norte e me contou, inclusive, que fazia exercícios de tiro e assalto a baioneta. (Seu instrutor, o coronel Atila Escobar, da Brigada Militar gaúcha, com formação convencional de quartel, já estava lendo — ou prometera ler — o manual de guerrilhas do Che Guevara.) Toda a veemência dos seus 43 anos concentrava-se em defender o ‘foco’”. Em seguida, Tavares ressalva: “No fundo, bem no fundo, ele nunca esteve muito convencido da guerrilha e aceitara tudo, e assimilara tudo, na maré que invadia o exílio uruguaio”. Poderia se dizer de modo diferente: não havia outra opção — era aceitar o apoio cubano, com sua ideia de revolução baseada no foco, ou nada. Brizola e seus aliados fundaram o Movimento Nacionalista Revolucionário (a Revolução Cubana, no seu início, não era rigorosamente comunista).
Os contatos de Brizola se deram, inicialmente, por intermédio da Embaixada Cubana em Montevidéu, segundo Paulo Schilling. Brizola, como diz Denise, não gosta de falar sobre o dinheiro cubano. Escreve a historiadora: “Ninguém parece saber a quantia recebida. Brizola nunca prestou conta do dinheiro nem a Cuba nem aos militantes, fosse dirigentes ou de base. Tinha-o como um ‘empréstimo pessoal’, a ele Brizola, e que seria devolvido. Acredita-se ter havido gastos nos quais o dinheiro foi usado, mas apenas uma parte”.
Avelino Capitani apresenta sua versão: “Dizem que Cuba deu muito dinheiro para o MNR, para o Brizola... (...) O dinheiro foi mandado, Cuba diz que mandou, mas não chegava à guerrilha, chegava muito pouco”. Denise acrescenta: “Brizola nunca teria ajudado os guerrilheiros presos e suas famílias com o dinheiro de Cuba”. Adversários de Brizola costumam dizer que Fidel Castro, durante muito tempo, o chamava de “El Ratón”.
O Tenente Vermelho”, livro aparentemente não consultado por Denise, que não o cita, é revelador (e não foi desmentido por Brizola). Escrito pelo capitão José Wilson da Silva (o tenente vermelho, na época), que foi assessor militar de Brizola, o livro é, no mínimo, polêmico. Na página 201, no capítulo “Os discutidos recursos”, José Wilson escreve: “Participei de quase tudo que foi feito lá [no Uruguai], nos tempos mais quentes, desde o comando do coronel Jefferson e Alvarez até o grupo menor em torno de Brizola. Não sabia de tudo o que Brizola fazia, porque ele nunca abre o jogo completo, mas a grande maioria dos fatos que lá se passavam eu terminava sabendo, geralmente por ele próprio, por estar incluído no grupo mais chegado. (...) Que eu saiba, o primeiro contato feito com Cuba foi através do deputado uruguaio Ariel Collazo, levando nossa disposição de uma retomada da democracia no Brasil”.
Segundo José Wilson, “Fidel enviou, a título de ajuda, 500 mil dólares. Desta importância, segundo um relatório de Brizola para nós, um terço teria ficado com Jango, pois a este estavam ligados vários exilados necessitados. Outro terço teria ficado com Darcy Ribeiro, por questão de segurança e que também tinha parte de responsabilidade. O outro terço teria ficado com Brizola. Lembro-me que ele, Brizola, ficou muito aborrecido porque as ações mais positivas estavam sendo feitas pela nossa gente e ficamos desse modo com relativamente pouco dinheiro. Parte desta importância foi gasta com elementos no exílio, parte com a assistência a companheiros no Brasil em situações críticas, como presos com a família sem recursos etc., e parte com os nossos homens-correios para implantação já de esquemas de trabalho, aliás, tudo em função de um plano de ação armada”.
José Wilson acrescenta: “Mais tarde o companheiro Lélio Carvalho completou outro contato com Fidel no acerto de novo auxílio que foi realizado e canalizado por Darcy Ribeiro. Mais 500 mil dólares, estes sim, em sua maioria para o esquema de resposta armada. (...) Com aquele dinheiro foi possível montar alguns esquemas de arregimentação no Brasil, com o do companheiro Daudt que comprou um mato de eucaliptos para comercializar, disfarçando o real motivo de reunir um elevado número de homens para ação armada. Até hoje há pessoas que dizem ter Daudt comprado uma fazenda com dinheiro do Uruguai, enquanto outros passavam necessidades. Não sabiam o risco que Daudt estava correndo para tentar reunir gente disposta. (...) Alguns receberam e empregaram mal o dinheiro. (...) Com este dinheiro foi montada quase toda a operação Caparaó, último recurso e esperança de fazer algo, talvez para justificar o precioso recurso vindo do povo sofrido de Cuba. Fidel teria se disposto a colaborar com mais recursos, caso as ações entrassem em prática, mas com 4 mil toneladas de açúcar para serem colocadas em compradores da Europa. Como não tínhamos vendedores nem as ações tiveram prosseguimento, este auxílio não se concretizou. Este açúcar poderia ter dado à época cerca de 4 milhões de dólares”.
Há uma história no mínimo curiosa contada por José Wilson: seus companheiros Maranhão (engenheiro) e Saulo Gomes (jornalista) assaltaram ou “desapropriaram” um cofre de João Goulart e levaram dólares.
Guevara e Brizola
Em 1966, ano do início da guerrilha (que não houve) de Caparaó, Che Guevara teria se encontrado com Brizola, em Montevidéu. Benigno garante que outras cidades, mas não Montevidéu, estavam na rota de Che. “Capitani afirma que o coronel Dagoberto Rodrigues, do MNR, acompanhou Che do Uruguai à Bolívia. Nesta mesma época do possível contato de Che com Brizola, teria havido o encontro de Che, em São Paulo, com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, dirigentes da ALN. Capitani atesta que o foco do Mato Grosso e a frente fronteiriça tinham a função de manter a ligação com Che e outra frente no norte do Paraná manteria a conexão nas fronteiras. Não fica claro, no entanto, como se daria esta ligação. A própria escolha de Caparaó pode ter a ver com as articulações com Cuba”, registra Denise.
Apesar das evidências, mas na falta da confirmação de Brizola e Neiva Moreira, a historiadora é cautelosa. Ela diz que fica difícil “saber se seus projetos [de Brizola] estavam — e como estavam —, de fato, articulados ao de Che Guevara”. As relações entre Fidel e Brizola se tornaram tensas ao longo do tempo. Não restou nenhuma admiração de um pelo outro. Brizola não fez a revolução — não conseguiu ser o Fidel brasileiro. Fidel, segundo alguns, não teria enviado os recursos necessários. De resto, Fidel abandonou Brizola e sua turma e passou a negociar diretamente com a esquerda radical e internacionalista, como a Ação Libertadora Nacional, de Carlos Marighella.
Versão de José Dirceu contraria tese da historiadora Denise Rollemberg
A historiadora Denise Rollemberg não conseguiu entrevistar o deputado José Dirceu (PT), um dos integrantes do Molipo. Mas José Dirceu falou comigo, em abril de 1999, no seu gabinete de deputado federal em Brasília (sentados ao seu lado, estavam Marco Aurélio Garcia, o hoje ideólogo do governo Lula, e o advogado Sebastião Ferreira Leite, o Juruna), sobre a sua participação no Movimento de Libertação Popular, e sua versão é diferente das versões apresentadas pela pesquisadora e seus entrevistados.
José Dirceu conta que morou na casa, em Cuba, onde se deu a cisão, na Ação Libertadora Nacional (ALN), que originou o MOLIPO. Fui convidado por amigos e companheiros de longa data do movimento estudantil para morar numa casa e a direção da ALN não quis. Mas esses companheiros se impuseram e eu fui morar nessa casa. Convivi com esse grupo todo e voltei com ele para o Brasil. (...) Insisto num ponto: em 1971, fui convidado para morar na casa dos futuros fundadores do MOLIPO. Qual era o meu cacife? Tinha sido líder estudantil no Brasil”, conta José Dirceu. “Eu voltei para o Brasil, em 1971, pelas mãos do MOLIPO. Mas não consegui ficar clandestino no Brasil. Como não havia condições objetivas de sobrevivência, voltei para Cuba.
Se foi integrante do MOLIPO, José Dirceu diz que não chegou a liderá-lo. “Eu não era nada no Molipo.” E, aqui, se revela a divergência básica em relação à tese esboçada no livro “O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil — O Treinamento Guerrilheiro”, de Denise Rollemberg: “A tese de que os cubanos incentivaram a criação do MOLIPO é equivocada. Eu sou testemunha de que os cubanos eram contra a nossa volta para o Brasil. Como eles não queriam que eu voltasse em 1974 para o Brasil. Durante mais de um ano eles me seguraram”.
Fonte:   Revista Bula
.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

A Pressão Psicológica Sobre os Agentes do Estado


Não estou fazendo a apologia do crime com este texto. Mas não admito que tripudiem as Forças Armadas sem que haja uma resposta à altura. A cada ação corresponde uma reação. Estamos preparados. ‘Eles que venham. Por aqui não passarão!’
por José Geraldo Pimentel
Na luta armada dos anos 64/85 surgiu o emprego da expressão ‘agente do Estado’, aplicada aos elementos que foram designados para dar combate a grupos de indivíduos que desde o início da década de 1960 vinham se preparando para empreender uma luta armada que colocaria o país sob a influência da então toda poderosa URSS. O mundo estava dividido entre o comunismo, liderado pela URSS, e a democracia, política adotada pelos EUA.
Antes da decretação do Ato Institucional nº 5 ocorreu o primeiro atentado praticado pelos comunistas. Aconteceu no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, Pernambuco, quando uma mala explodiu no trajeto em que o candidato à presidência da república, Marechal Costa e Silva, deveria passar. A sorte favoreceu o militar, mas parte da comitiva que o aguardava no aeroporto foi atingida pelo artefato, havendo mortos e feridos.
Os assim chamados agentes do Estado, que viriam substituir a Operação Bandeirante (OBAN), criada para combater atos terroristas que aconteciam principalmente em São Paulo, eram homens mais bem preparados para enfrentar a ação subversiva que campeava pelo país. O Ministro do Exército determinou que nas regiões militares fossem criados grupos de investigação e combate aos subversivos, os chamados Destacamentos de Operações de Informações - Centros de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). Militares das Forças Armadas, assessorados por policiais militares e civis das Forças Auxiliares, logo mostravam serviço, e o país em pouco tempo retornava à normalidade. A violência que resultaria desse confronto, com seqüestros, ciladas, assassinatos, assaltos a bancos e unidades militares, etc., não teve mocinhos e nem bandidos. O número de mortos e desaparecidos de ambos os lados, atesta esta verdade.
Com a decretação da Lei da Anistia, que chegou atendendo além das expectativas - anistia geral, ampla e irrestrita -, segundo vontade do presidente general João Batista Figueiredo, deveria pacificar a nação brasileira. Mas o passar dos anos diria que os derrotados nessa luta, reintegrados à vida política do país, resolveram que deveriam reescrever a história. E estão fazendo com o silêncio obsequioso dos generais que sucederam os homens que lideravam a instituição militar no passado.
O Exército não vai fazer nada!”, declarou o ex comandante do Exército, general Francisco Roberto de Albuquerque, ao ser instado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, notificado pelo Juiz da 23ª Vara Civel de São Paulo que atendia a uma ação movida por parentes de militantes da luta armada que morreram em combate. A covardia e fraca atuação do comandante do Exército favoreceu-lhe o prêmio, ao passar para a reserva, de uma ‘boquinha’ numa das diretorias da Petrobras. Um pró-labore mensal comparável a mais de cinco salários recebidos enquanto esteve na ativa.
A declaração do comandante do Exército abriu as portas para o inicio de uma enxurrada de ações contra os agentes do Estado.
Anos depois uma Comissão Nacional da Verdade seria criada com o aval dos novos comandantes militares, que, ainda, convocaram os presidentes dos Clubes Militares para não se oporem à aprovação do documento no Congresso Nacional. A nova lei deveria esclarecer fatos políticos acontecidos nos anos 64/85. Os sete membros escolhidos para compor a comissão logo mudariam os rumos da lei, e se prenderiam apenas aos fatos ocorridos durante os governos militares; e, ainda, enfocando as investigações exclusivamente em cima dos agentes do Estado. Transformaram a CNV em um tribunal de exceção, cuja finalidade é criar subsídios para modificar a Lei da Anistia e levar ao banco dos réus os que lutaram em defesa da pátria brasileira. A Argentina e o Chile, entre outros países que criaram comissões de investigação, estão aí para mostrar como se condenam militares, muitos à prisões perpétuas.
O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, na primeira reunião entre membros da CNV e das Forças Armadas, declarou:
Não há restrições ao trabalho da comissão e nem resistência a convocações de oficiais do passado para prestarem depoimento ao grupo”.
Ele repetia a covardia de seu antecessor. Ao facilitar a ação dos membros da CNV, quis dizer, em outras palavras, que entregava em uma bandeja de prata os seus companheiros de farda ao inimigo.
O coordenador da comissão Cláudio Fonteles, declarou à imprensa, depois:
Colocamos com muita clareza que uma experiência ditatorial não pode se repetir no país.
As autoridades militares - acovardadas - ouviram caladas e caladas permaneceram, é o que se comenta nos bastidores.
E é aí que eu entro nessa história. Como me sentiria se estivesse na situação dos agentes do Estado, desamparados pelas autoridades militares e vistos com desdém pelos próprios colegas de farda, que desconhecem minimamente os fatos que aconteceram no passado? Sofri ao ver o Coronel Ustra, a vítima preferencial dos comunistas, fazer uma declaração em que teme ter sua casa invadida e ser assassinado, como aconteceu com o ex chefe do DOI-CODI do Rio de Janeiro, coronel Júlio Miguel Molinas Dias. Além do crime, ainda plantaram documentos em sua residência, dizendo terem encontrado provas que indicam que o ex deputado Rubens Paiva foi assassinado dentro de instalações militares.
Eu sofro as dores do mundo. Minhas dores são bem menores do que as que maltratam outras pessoas. Não consigo assimilar como as nossas ‘autoridades do presente’ viram as costas para os seus companheiros de farda que cumpriram ordens superiores e com o risco de suas próprias vidas e de seus familiares, foram à luta e venceram os comunistas. Sem a ação desses bravos companheiros, hoje, provavelmente seríamos uma republiqueta do proletariado à semelhança de Cuba e outros países que seguiram o mesmo caminho orientados pela então URSS. Esses homens salvaram o país, mas não conseguem salvar a si mesmos!
As FFAA nas mãos dos atuais comandantes militares e de alguns generais que se passaram de armas e bagagens para o lado do inimigo, caminham para se transformarem em guardas pretorianas, a serviço dos governantes de plantão. O comandante Militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho, sinalizou nesse sentido. Em declaração numa palestra organizada pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, em São Paulo, foi enfático: "Somos um instrumento do Estado brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente". Essa capitulação o indica como provável substituto do general Enzo Martins Peri no comando do Exército, na reforma que a presidente deverá fazer nas FFAA. O perfil do general Adhemar da Costa Machado Filho o qualifica para integrar os quadros do governo, que se cerca de elementos bajuladores, covardes e pusilânimes!
Quando vejo um membro da Comissão da Verdade usar as câmaras de televisão para dizer que o Exército forja fatos inerentes a desaparecimentos de ex terroristas e ex guerrilheiros, e nenhuma autoridade militar reagir, causa-me mal estar.
O Exército de Caxias está nas mãos de um bando de autoridades militares que confundem covardia com disciplina militar. Omissos, lenientes e traidores; autênticos vendilhões da pátria. Esses chefes militares perderam a dignidade, não respeitam a farda que vestem, e se transformaram em ‘mercadores de medalhas’. Saem por aí tentando agradar aos antigos opositores do regime militar.
Essa derrama de condecorações vem atendendo a toda a malta de bandidos que tomou de assalto o poder. Nenhum bandido travestido de autoridade civil deixou de ser contemplado com o mimo de uma medalha militar. Condecorados ‘por relevantes serviços prestados ao país e às FFAA brasileiras’.
Nossos chefes militares são serviçais e bajuladores por natureza. Aceitam e aplaudem qualquer infâmia que seja imposta às FFAA. Não se sentiram diminuídos, por exemplo, quando o ex ministro da Defesa, Nelson Jobim, nomeou o ex guerrilheiro José Genoino, que lutou contra os militares na Guerrilha do Araguaia, como seu assessor especial, com status maior do que o do próprio ministro chefe do Estado Maior-Conjunto das Forças Armadas. Este cidadão enquanto esteve no Ministério da Defesa foi pródigo em aplaudir punições aplicadas a oficiais generais, como ocorreu com a exoneração do general Maynard Marques de Santa Rosa do Departamento-Geral do Pessoal (DGP). Punição causada pela crítica que o general fez quando da criação da Comissão Nacional da Verdade, chamando-a de ‘Comissão da Calúnia’. O general Santa Rosa foi profético em sua crítica, pois a comissão se transformou num depósito de documentos forjados por criminosos que querem reescrever a história, transformando acontecimentos históricos em parafernálias de mentiras glorificando as ações criminosas dos militantes da luta armada. Os seus atos criminosos querem passar por lutas pela liberdade.
Os homens e mulheres nomeados para compor a comissão não têm preparo profissional para esclarecer fatos históricos, desviando as normas prescritas na lei, para atender aos caprichos menores de suas vocações subversivas às quais se prendem por laços de amizade e serviços prestados a ‘cumpanheros’ presos na repressão militar. São imorais e capciosos. Seriam melhor aproveitados se tivessem sido nomeados para fazer um levantamento das condições carcerárias dos presídios do país; porquanto eles conhecem bem a atividade de advogados de porta de xadrez.
Só encontro um caminho para proteger a integridade física e moral dos agentes do Estado. Partir para o confronto. Tenho por leme que a maior defesa é o ataque! Não adianta ir atrás de advogado, quando os salários mal dão para cobrir os orçamentos familiares. Procurar a Assistência Juridica/JC, que amealha uma quantia descontada no contracheque, é perder tempo. “Não movemos ação contra o Estado (FFAA), não tratamos de ação imobiliária.” Se for tratar de questão familiar criam o maior problema! Essa banca de advocacia e nada, é a mesma coisa! Não funciona!
Ir à luta! Quem sabe no futuro os agentes do Estado serão reconhecidos, e receberão a mesma atenção dos ex terroristas e ex guerrilheiros, que hoje são tratados como heróis nacionais e gozam do privilégio de receberem indenizações e pensões milionárias, sem descontar Imposto de Renda! Os trabalhadores e todos os cidadãos que produzem, pagam Imposto de Renda.
Eu embora seja aparentemente explosivo, sou pacato por natureza. Sou incapaz de matar um animal, qualquer que seja, mas não titubearia em praticar uma desdita se uma vadia de uma ministra chefe da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, uma diretora de ONG como a cretina que tentou me enquadrar na lei porque chamei a Comissão da Verdade, de ‘Comissão da Calúnia’, quaisquer dos membros dessa comissão, ou um procurador comuna, - se atrevesse entrar em minha casa, comandando um grupo de policiais para apreender documentos. Eu cortaria a garganta do (a) infeliz e socaria a testa para que a cabeça se desprendesse do tronco. O faria sem dó e arrependimento.
Alguém precisa dar uma demonstração de força, repelindo as investidas da ‘comissão da calúnia‘, e de promotores públicos que se prestam ao papel de advogar familiares de bandidos.
Não consigo assimilar que as autoridades militares calem diante de secretarias e ONGs ditas de direitos humanos.
As nossas autoridades militares têm muito de prostitutas de bordéis de beira de estrada: apanham e gostam. São tratadas como cachorros, e agem como tal! Perdem a essência do soldado quando colocam no ombro uma estrela de general!
Repito o que tenho dito ultimamente. Não se deve atender a chamados de ‘comissão da calúnia’, nem de procuradores públicos. Esses senhores e senhoras não respeitam a instituição militar.
Se algum agente do Estado conservar em seu poder documentos ou informações que levem ao paradeiro de militantes da luta armada mortos ou desaparecidos em combate, que os destruam; e jamais dêem a chance que seus corpos sejam encontrados e nem revelado como foram executados. Esses assassinos mortos, - terroristas e guerrilheiros, - não merecem compaixão, pois traíram o país e os familiares. Que os seus restos mortais descansem em paz nos jazigos dos impuros!
A maioria dos agentes do Estado já passou dos setenta anos de idade. Muitos são octogenários, vivem em cadeiras de roda, assistidos por enfermeiras. A ‘comissão da calúnia’ corre o risco de não encontrar quem levar aos tribunais, morrendo na praia.
Mesmo ‘para lá de Bagdá’, os nossos guerreiros não se separam de suas pistolas de 9mm que mantém coladas ao corpo, prontos para receber os recalcados com pompa e circunstância. Eu sugeria aos familiares dos nossos bravos guerreiros que os defendam, como eles defenderam a pátria comum. Não permitam que o seu sossego seja perturbado com a presença de um oficial de justiça, intimando-os para comparecer em uma comissão ou promotoria pública. O caminho é o mesmo: recebam os paus mandados com uma rajada de tiros, principalmente se estiver presente um membro da comissão ou um procurador público. A porta do inferno é a serventia dos fariseus!
O segundo ponto que se deve levar em consideração é a ousadia de quantos se julgam senhores da terra e acham que podem desmoralizar as FFAA e Forças Auxiliares, impunemente. Que o pessoal da ativa, da reserva e reformado, organizem grupos de investigação para fazer um mapeamento desses bastardos. Deve-se realizar uma faxina étnica, se acontecer um novo confronto. Que não se repita a ‘ditadura branda’ do passado! Che Guevara, o ídolo da esquerda festiva, ensinou o caminho das pedras! É vencer e vencer, e seguir o seu exemplo!
José Geraldo Pimentel
Cap Ref EB
Rio de Janeiro, 07 de fevereiro de 2013.
Fonte: recebido por mensagem eletrônica

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Coitadinho do Herzog...

por Coronel Maciel
Não sei se vocês se lembram de “Zuzu Angel”, um filme que conta a história de uma estilista de moda à procura de seu filho preso, torturado e morto pelos “homens do regime”. Os “meganhas” do regime militar de 64 mataram muito, como nos afirmam essas alegres esquerdas que se apossaram do Brasil. Coisas parecidas estão acontecendo agora, quando a tal “Comissão da Verdade” conseguiu modificar a certidão de óbito do finado Herzog: agora o coitadinho não se matou; não foi suicídio.  A morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II-Exército - SP (DOI-CODI).
Uns me dizem que Herzog era um jornalista brasileiro. Outros, que não; que ele nasceu na Iugoslávia, de onde fugiu para o Brasil, escapando por sorte, por puro acaso, quando ainda criança, de ser sacrificado, como tantas outras crianças judias, nas câmaras de gás na época da Alemanha nazista. Bom; não sei realmente o que aconteceu; só sei que essas loucas e embriagadas esquerdas sempre precisaram de “mártires”, de estudantes mártires, de jornalistas mártires, úteis à propaganda das suas causas.
Só sei que esses pobres coitados na realidade eram um bando de inocentes úteis, que não tinham consciências do que fosse uma condição de guerra, dos riscos pessoais que uma guerra acarreta. Vivíamos em constantes lutas, verdadeiras guerras durante os tempos, saudáveis tempos da “ditadura”, contra esses inocentes coitados — “brutalmente torturados pelos gorilões verde-oliva, nos ‘DOI-CODIs’ da vida”. Nos “porões da ditadura” como costumam nos ofender. Mas eram porões aonde na realidade só iam uns pobres coitados, como o coitadinho do Herzog, apavorados com a realidade nua e crua das guerras. Porões, aonde só iam pobres crianças arrependidas por terem sido manipuladas, traídas, seduzidas pelos líderes carismáticos muito bem treinados em Cuba. Porões aonde só iam ingênuos adolescentes criminosamente usados para “buchas de canhão”, que viviam sonhos inocentes de adolescentes, entre nuvens de maconha, drogas marxistas, perfumados charutos cubanos. Amantes espirituais de Che Guevara, eles viviam suas fantasiosas ações terroristas, bravuras inconsequentes, sacrifícios heroicos, que logo se derretiam, desmoronavam-se ante o choque com a realidade inexorável nua e crua das guerras; realidades que lhes eram sutilmente escondidas por seus cruéis dominadores. Ensinados, doutrinados a serem guerrilheiros duros, mas somente quando na frente de civis fracos e desarmados. Ou de inocentes sentinelas.
Na verdade eles nunca foram torturados naqueles “porões”. Era o medo! Era o medo que bastava para se “cagarem” e soltarem as línguas, dedurando pais, mães, irmãos, amigos, companheiros, namoradas; fornecendo nomes, apelidos, planos, tudo para livrarem a própria cara, como fez o Genoíno e tantos outros que andam por aí posando de “democratas”. Alguns, de perfil depressivo, arrependidos dos seus perjuros, praticavam o suicídio. Os manipuladores; os autores intelectuais dos seus crimes estavam gozando as delícias de serem valentões sentadinhos nos “Cafés de Paris”, ou bebendo deliciosos vinhos chilenos, sempre a uma cuidadosa distância das ações e dos perigos.  — Não é, Zé Serra? — Não é, FHC?
Eu não conheço as estatísticas no Brasil. Mas com toda certeza em nada se comparam aos mais de cinquenta milhões de velhos, doentes mentais, minorias de perseguidos que foram assassinados na Rússia Stalinista! Nem aos que foram torturados na Alemanha nazista, onde seis milhões de judeus foram sacrificados no holocausto. E menos, muito menos que na ilha cubana de Fidel Castro, onde milhares de inocentes cubanos foram fuzilados nos “paredóns”, até hoje em pleno funcionamento! Digamos que foram maltratados uns quinhentos terroristas, nos chamados “porões da ditadura”. — Isso tudo? — Ora, ora, ora; isso são coisas de escoteiros; ingênuas brincadeiras de escoteiros, coronel, comparadas com o que fez, só para citar um exemplo, o Che Guevara em Cuba, quando seiscentos inocentes cubanos foram fuzilados de uma só vez e sem tempo nem para fazerem os pedidos dos que agonizam, em orações que rezam: — “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte, amém”.
Hoje estamos sós; sós, abandonados e desiludidos, levando cacetadas de todos os lados. Sem defensores nem no parlamento, nem na imprensa servil, nem em lugar nenhum. Dona Dilma, a nossa “Comandante-em-Chefe”, que teria a obrigação de nos defender, faz exatamente o contrário, como sói acontecer, já que ela sempre foi e sempre será nossa eterna inimiga. Nem esse Ministro da Defesa, pequenino, barbudinho, igualzinho a uma “porra loca”, que não sabe distinguir um capacete de um pinico, como bem disse o destemido deputado Bolsonaro!
Tudo bem; só nos resta então esperar pelos acontecimentos, mas sempre sabendo que ser grande não é lutar por uma grande causa; ser grande é lutar por uma palha, quando nossa honra está em jogo, como dizia aquele velho e grande e sábio bardo inglês.
Coronel Maciel.
Fonte:  Velha Águia

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Comunossauros Resistem

por Janer Cristaldo
Não se fazem mais PTs como antigamente. O partido que era “contra tudo que está aí”, no desespero para impor uma desconhecida nulidade para a prefeitura de São Paulo, fez aliança com Paulo Maluf, um dos meliantes mais procurados pela Interpol. Virou partido a favor do que der e vier. É bom lembrar que o PSDB estava namorando o Maluf. Que preferiu apoiar quem detém o poder. Os partidos, em busca do poder, perderam todo e qualquer pudor. 
Como esta aliança se revelou insuficiente, o PT escolheu para vice uma velhota há muito jogada na lata de lixo de História. Nada de espantar. Em um país em que um terrorista italiano é recebido com honrarias oficiais, é perfeitamente normal que situação e oposição lutem a tapas pelo apoio de um criminoso internacional. O curioso é boa parte desta disputa é para ganhar um minuto e pouco de espaço televisivo. Meu Deus, meu Deus! – há horas em que viro místico – ainda há alguém que assista propaganda eleitoral na TV? Pelo jeito há. E se há, é porque merece os políticos que elege. 
Costumo afirmar que o comunismo já morreu. Para indignação de alguns leitores, que acham que a peste continua viva e atuante. Quando digo que já morreu, me refiro ao mundo civilizado, onde qualquer pessoa se ruboriza ao defender o obsoletismo. Não é o caso deste país incrível, onde velhas múmias, no afã de preservar a própria biografia, ainda defendem o indefensável.
Luiza Erundina, ao aceitar a candidatura a vice-prefeita de São Paulo, retirou do baú antigas palavras, hoje obscenas. Comparou ontem (17/6) a eleição de São Paulo à luta de classes. "A sociedade de classes continua tão forte, conflitante, contraditória e antagônica como sempre esteve." E defendeu a implantação do modelo socialista no país, afirmando que a classe trabalhadora não deve disputar apenas "espaço de poder no Estado burguês".
Nossa! Até o PT já tinha abandonado por vetustas essas palavrinhas, tipo luta de classes, socialismo e burguesia. Foi preciso despertar um comunossauro de Uiraúna de seu merencório climatério para voltar ousar a pronunciá-las. "É o socialismo que garante a realização plena do ser humano. É em nome dessa utopia que estamos aqui" – disse Erundina. Pelo jeito, dormia a sono solto no 09 de novembro de 1989. E esqueceram de avisá-la do que aconteceu naquele dia.
Nem os antigos países soviéticos gostam de lembrar do socialismo e dona Erundina quer ressuscitá-lo no Brasil. O socialismo fracassou onde quer que existisse. Até a China optou por um capitalismo não-democrático, mas capitalismo. Hoje só restam dois fantasmas – Cuba e Coréia – que reivindicam o socialismo e vivem uma economia de fome. O comunismo – pois socialismo para Erundina é o velho comunismo - sumiu na janela e só Erundina não viu.
Em todo caso, será uma campanha divertida. Os jornais on line de hoje trazem a foto de um circunspecto Lula apertando a mão de um sorridente Maluf, tendo o afilhado Haddad como pano de fundo. "Esperamos que a Marta se some a nós – disse Erundina –. Se o partido e o candidato me permitirem, vou procurá-la pessoalmente, porque somos amigas e precisamos estar juntas nessa tarefa histórica".
Marta Suplicy faz biquinho, mas acabará se rendendo ao centralismo democrático – como se dizia na antiga nomenclatura. A aliança do “estupra mas não mata” com o “relaxa e goza”. Quem viver, verá.
Ao sul, o Oscar do obscurantismo goes to... Roberto Robaina, um dos gurus do PSOL e pré-candidato à prefeitura de Porto Alegre, que twitou ainda hoje: “Hj nasceu quem foi exemplo de um homem completo. Se não me engano, esta foi a definição de Sartre sobre Che Guevara. Também penso assim”.
O celerado gaúcho pensa como o celerado parisiense. Guevara, se alguém ainda não sabe, é o exemplo mais perfeito de como lutar e perder todas as lutas. Assassino de gatilho fácil, sua única vitória foi Cuba, país que precisou ser sustentado pela finada União Soviética e hoje vive à beira da fome. Ainda há pouco, Castro, em entrevista a Jeffrey Goldberg, articulista da revista Atlantic Monthly, admitia que o modelo econômico de Cuba não funciona mais. “Nem para nós”. Foi preciso mais de meio século para que Castro admitisse seu fracasso. Nem Castro acredita mais no comunismo cubano. Mas não falta gaúcho fanatizado que ainda louve a façanha de Guevara. 
Sartre – que parece ser o mentor intelectual de Robaina - é aquele lúcido pensador que, em 1954, impressionou os intelectuais do Ocidente ao voltar de uma viagem à União Soviética, onde esteve bêbado o tempo todo, quando declarou ao Libération:
"A liberdade de crítica é total na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. E o cidadão soviético melhora sem cessar sua condição no seio de uma sociedade em progressão contínua. Exceto alguns, os russos não têm muita vontade de sair do país... não têm muita vontade de viajar neste momento. Têm outra coisa a fazer em casa".
Mais uma pérola:
"Lá por 1960, antes de 1965, se a França continuar estagnada, o nível médio de vida na URSS será de 30 a 40% superior ao nosso. Qualquer que seja o caminho que a França deve seguir para sair de seu imobilismo, para recuperar seu atraso industrial, para se constituir como nação diferente da de hoje, ele não pode ser contrário ao da União Soviética"
E nisso é que dá receber mordomias de Moscou. Esta prostituta respeitosa, que chegou a receber o prêmio Nobel e o recusou de puro despeito, pois Camus o havia recebido antes, foi guru de toda uma geração de tupiniquins. E, pelo jeito, continua sendo. Entende-se agora melhor Nelson Rodrigues quando dizia ser o pensamento de Sartre de uma profundidade tal que uma formiga o atravessava com água pela canela.
Todo anticomunista é um cão, decretou um dia Sartre. Com a autoridade de parisiense que determina qual será o perfume ou filosofia da década, condenou ao círculo dos infames todos os pensadores lúcidos que clamavam por liberdade, Camus inclusive.
Em 1980, assisti por acaso ao enterro de Sartre, acompanhado por stalinistas e compagnons de route. (Estava bebendo no Select Latin, onde passou a procissão). Pena ter morrido tão cedo. Teria hoje a coragem de chamar de cães toda esta gente que derruba dos prédios estrelas vermelhas e rasga das bandeiras a foice e o martelo? Serão cães estas nações que querem abandonar de suas histórias a palavra comunista? É uma pena, realmente, que Sartre não esteja vivo neste final de década.
Em 59, intelectuais do mundo deram apoio logístico e de mídia a Fidel e Che, para instalar a mais longa ditadura da América Latina. De Paris, o filósofo feio, baixinho e confuso veio dar seu aval ao tirano do Caribe. Uma foto da época é das mais emblemáticas: Sartre, de pescoço espichado para o alto, adorando Castro como um Deus. Em La Lune et le Caudillo (Gallimard, 1989), Jeannine Verdès Leroux nos relembra este momento de extraordinária poesia.
- Todos os homens têm direito a tudo que eles pedem - pontifica Castro.
- E se eles pedem a lua? - pergunta Sartre.
O ditador retoma seu charuto e se volta para o filósofo baixinho:
- Se eles pedem a lua, é porque têm necessidade dela.
Pediam a lua no bestunto do ditador e do filósofo. Em verdade, os cubanos queriam dólares, pão e liberdade. Da mesma forma que a Espanha, em 36, foi um campo de treinamento para a Segunda Guerra, a América Latina era laboratório de experimentos sociais para os filosofadores europeus que, no dizer de Camus, assestavam suas poltronas no sentido da História. 
O comunismo morreu, dizia. Morreu onde nasceu. Na Europa. Aqui, onde nunca foi implantado, continua sendo uma utopia desejável para os “puros e duros” do PT e do PSol. Enquanto esta geração não morrer – costumo afirmar – o Brasil continuará atrelado à rabeira da história.
Fonte:  Janer Cristaldo
Imagens: Sponholz e Facebook

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Preconceito do PSOL Gaúcho Contra Ditador Nordestino

por Janer Cristaldo
Um insólito debate tomou conta da Câmara Municipal de Porto Alegre no início deste mês. A bancada do PSOL — os vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna — elaborou um projeto de lei que propunha a alteração da denominação da Avenida Presidente Castelo Branco para Avenida da Legalidade.
A medida pretendia reescrever a história do país, homenageando os participantes do Movimento da Legalidade, de 1961. O projeto não passou. Se a moda pega, os cartórios terão muito trabalho no Brasil todo. Pois o país está cheio de ruas e avenidas não só Castelo Branco, como Garrastazu Médici, Costa e Silva, Ernesto Geisel, João Figueiredo. Mas a proposta dos vereadores é curiosa. Pelo jeito, não gostam de ditador nordestino.
Ditador gaúcho pode. O Rio Grande do Sul está eivado de ruas que homenageiam o ditador Júlio de Castilhos e há inclusive uma cidade que leva seu nome. Pelo jeito, o PSOL nada conhece da história do Estado, nem nunca ouviu falar da “ditadura científica” de Castilhos, inspirada no positivismo.
Isso sem falar nas ruas que, no Estado todo, homenageiam o ditador Borges de Medeiros, que durante 25 anos — sete anos a mais que o regime militar de 64 — foi presidente do Rio Grande do Sul. Até hoje me pergunto como a capital gaúcha não se envergonha ao dar o nome do ditador à sua avenida mais central. Gaúchos a parte, Porto Alegre — como também vários municípios do Estado — têm largos, ruas e avenidas chamadas Floriano Peixoto e marechal Deodoro. Homenagens que se repetem no país todo, tendo Floriano dado seu nome à capital catarinense.
Se os vereadores porto-alegrenses queriam tecer loas à democracia, esqueceram de pedir a troca de outros nomes na cidade. O historiador Sérgio da Costa Franco observa:Prova da absoluta tolerância de Porto Alegre é que temos uma Praça Che Guevara, e uma rua do bairro Cascata com o nome de Carlos Marighela. Nem um nem o outro passariam num exame de fidelidade à democracia e à legalidade”.
A bem da verdade, até Dom Pedrito tem uma rua Ernesto Che Guevara. Como a cidade vive um tanto afastada da história contemporânea, poucos sabem quem foi o celerado e a rua passou a ser chamada de a Rua do Che. Palavra que, lá na Fronteira Oeste, designa qualquer um. Marighella, por sua vez, mereceu uma rua em Salvador. E Luís Carlos Prestes, o gaúcho a soldo de Moscou que pretendia fazer do Brasil uma republiqueta soviética, deu seu nome a uma rua na burguesa Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Costa Franco esqueceu de mencionar a rua Capitão Carlos Lamarca, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. O assassino mereceu outra homenagem no bairro Las Palmas, em São Bernardo do Campo.
O projeto de lei do PSOL foi rechaçado. Defensores da ideia aventam o absurdo de existir uma rua chamada Hitler, Franco, Stalin ou Lênin. Bom, Hitler não vale. Perdeu a guerra. Se a tivesse ganho, daria seu nome a praças e avenidas em toda a Europa. Quanto a Franco, até bem pouco era homenageado em toda Espanha. Stalin deu nome a não poucas ruas e logradouros não só na União Soviética como na Europa e, mesmo após as denúncias de Kruschov em 1956, era homenageado com estátuas colossais. O mesmo diga-se de Lênin, cuja múmia ainda é venerada em Moscou. Pelo que sei, aquela estátua colossal em frente à Estação Finlândia, em São Petersburgo, continua em pé. A propósito, Paris conserva até hoje uma rue Lenine, em Baingnolet.
Diz o manifesto do PSOL: “considerando tudo o que o Marechal Castelo Branco fez na qualidade de representante da ditadura civil-militar, remonta um período marcado por severas violações aos direitos fundamentais, a lembrança pública desta personalidade afigura-se incompatível com os ideais defendidos pelo Movimento da Legalidade. Por isso, ao realizarmos a alteração proposta, estaremos, ao mesmo tempo, renovando os ideais legalistas e repudiando qualquer forma de violação aos direitos humanos e às liberdades democráticas, tornando ainda mais justa a homenagem ao movimento gaúcho pela legalidade”.
Como se Júlio de Castilhos ou Borges de Medeiros fossem paladinos da democracia. Sem falar em Getúlio Vargas, o mais querido ditador gaúcho, que foi reconduzido à Presidência da República por voto popular. Mas as esquerdas gaúchas jamais ousariam pedir a retirada do nome do Velho, onipresente nas cidades do Rio Grande do Sul. Que mais não seja, era idolatrado por Leonel Brizola, o alvo oculto do projeto do PSOL.
Puro preconceito do PSOL gaúcho contra nossos irmãos lá do norte. Ditador gaúcho pode. Nordestino é que não pode.
Fonte:  Janer Cristaldo

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Guevara: Anatomia de um Mito

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Quem foi Ernesto "Che" Guevara?
Ficção: Um homem do povo - de todos os povos da Terra. Humanista. Corajoso guerreiro da paz. Amante da literatura e da vida. Advogado dos fracos e oprimidos.

Realidade: Assassino a sangue frio. Torturador sádico. Materialista com sede de poder. Terrorista que espalhou destruição e carnificina pela América Latina.

Assista o filme abaixo.  É mais de uma hora de desmentidos às lendas que montaram uma estória mentirosa, endeusando um reles bandido.
Livro indicado:  O Verdadeiro Che Guevara e os Idiotas Úteis que o Idolatram (Humberto Fontova)
Fonte:  You Tube
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dilma Convoca Jovens em Nome de Che Guevara

por Reinaldo Azevedo
O PT decidiu usar a imagem do assassino Che Guevara para, segundo consta, atrair os jovens eleitores para a campanha de Dilma Rousseff. O Porco Fedorento é apresentado como sinônimo de idealismo. Então tá bom…
Che, evidentemente, é co-responsável pelas milhares de mortes da “revolução” cubana: 17 mil execuções e mais de 80 mil tentando fugir da ilha.
Mas há aqueles que ele matou pessoalmente, puxando mesmo o gatilho, e também os que foram executados sob a sua ordem direta.
Che, o herói da campanha petista, gostava de matar.

Na primeira foto, o capitão Garcia Olayón é fuzilado em Santa Clara, sob o comando de Che Guevara . Depois, um dos comandados do Porco Fedorento, René Rodriguez Cruz, arremata a obra com tiro na cabeça da vítima. Reparem no ar de compenetrado progressismo do assassino
O Porco Fedorento sabia ainda ser um poeta da morte. A campanha de Dilma Rousseff está convidando os jovens brasileiros a participar dessa metafísica moral! Leiam:
“Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no (lobo) temporal direito.
Ele arquejou um pouco e estava morto. Ao tratar de retirar seus pertences, não consegui soltar o relógio”
É trecho do diário de Che!
Que estilo!
Que graça narrativa!
Que assassinato ético!
Que execução pudorosa!
Séculos de humanismo resumidos num único tiro!
Que sensibilidade!
Quanta graça para “acabar com um problema”!
Um verdadeiro herói!
E ainda roubava o morto!!!
Que precisão técnica tinha o quase-médico ao descrever a trajetória da bala que ele mesmo fizera perfurar o crânio do outro!
A vítima “arquejou um pouco”. O porco só conseguia tratar homens como porcos.
Abaixo, segue a lista das suas vítimas, com a data (mês, dia e ano) da execução. Ao longo de 10 meses à frente da Fortaleza de la Cabaña (ver abaixo), Che mandou fuzilar 179 pessoas — média de quase 18 por mês. Era um sangue-dependente! Eis o herói que o PT vende para a juventude! Protejam seus filhos!
COMENTO: leia o artigo completo, com a lista dos assassinatos cometidos pessoalmente por "El Chancho", ou por sua ordem, clicando na "fonte".
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