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sexta-feira, 22 de março de 2019

Base Espacial Chinesa na Patagônia Preocupa.

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A desproporcional base espacial que o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner concedeu à China na Patagônia causa cada vez mais preocupação na Argentina e no mundo, como pode se ver em reportagem do jornal portenho La Nación”.
Base Chinesa na Patagônia não é só civil, diz Exército dos EUA
Teme-se cada vez mais sobre sua verdadeira finalidade. Recentes fatos, como o pouso de uma nave chinesa no lado escuro da Lua multiplicaram os temores.
A base dirigida pelo Exército Vermelho comunista teria também um objetivo militar.
Durante milênios as guerras e as hegemonias imperiais tinham como objetivo supremo o domínio da superfície terrestre.
Em séculos recentes, os impérios coloniais como o inglês privilegiaram o controle dos mares, e dos estreitos que controlam a navegação.
A II Guerra Mundial transferiu essa importância ao controle do ar.
As forças aéreas os aviões primeiro, e os mísseis posteriormente passaram a ser determinantes para o domínio do mundo ou de continentes inteiros.
Hoje o controle do espaço e das comunicações via satélite para usos militares é campo de luta primordial para as potências.
Nesse contexto foi posta em funcionamento num local desértico e afastado uma estação espacial chinesa de observação e exploração que diz ter finalidades “pacíficas”. E isso é o que cada vez menos se acredita.
Pequim ganhou de mão beijada uma área de 200 hectares, perto do povoado de Bajada del Agrio, na província de Neuquén, na estepe patagônica.
A área é na prática um enclave soberano chinês. Funciona sem supervisão das autoridades argentinas, leia-se só vigora a lei chinesa, os trabalhadores e cientistas só são chineses, que não falam espanhol, quase não se fazem ver e obedecem a um general do Exército vermelho.
Infografia publicada pela imprensa argentina
A agência Reuters obteve acesso a centenas de páginas de documentos oficiais dos acordos, aliás secretos, assinados por Kirchner. A documentação foi revista por especialistas em direito internacional.
Os EUA consideram que a China está “militarizando” o espaço e que a estação da Patagônia, acordada secretamente com um governo corrupto é mais um exemplo de táticas chinesas predatórias da soberania das nações, explicou Garrett Marquis, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
Por sua vez, Tony Beasley, diretor do Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA avala que a dita base pode “escutar” os satélites de outros países para surrupiar dados confidenciais. 
Trinta empregados chineses trabalham e moram na base que não admite argentinos, disse a prefeita local, Maria Espinosa. Os habitantes da zona rara vez veem alguém na cidade.
Alberto Hugo Amarilla, dono de um pequeno hotel, conta que um funcionário chinês o saudou com entusiasmo pois tinha sabido que era oficial retirado do exército. O chinês era general...
Base funciona como território soberano chinês.
Apresentando seu informe anual, no Congresso, o chefe do Comando Sul dos EUA, o Almirante Craig S. Faller, manifestou sua “preocupação” porque a base chinesa pode “monitorar alvos estadunidenses”, escreveu o quotidiano Clarin de Buenos Aires. 
Os perigos da penetração informática militar da China na Argentina atingem toda a América do Sul. 
Eles são acrescidos à expansão de empresas engajadas com a telefonia celular, como a Huawei e a ZTE que “penetraram agressivamente na região”, com uma estratégia que “põe em risco a propriedade intelectual, dados privados e segredos de governo”. 
O Pentágono considera, além do mais, que essas empresas incluem dispositivos nos smartphones que comercializam para grampeá-los e repassar os dados à China.
De maneira análoga, segundo a agencia britânica Reuters a base chinesa age como uma “caixa preta” para registrar toda espécie de informações sensíveis. 
Segundo militares citados pela revista Foreign Policy a forma do imenso radar revela que é usado para reunir informação sobre a posição e as atividades dos satélites militares americanos. E sublinham que a China fala muito de um espaço livre de armas, mas é a primeira em não respeitar o que diz. 
No Congresso estadunidense, o almirante Faller elencou entre as “principais ameaças” à paz mundial, a Rússia, a China, o Irã, e seus “aliados autoritários” de Cuba, Nicarágua e Venezuela.
O jornal portenho Clarín publicou fac-símiles do tratado secreto que confirmam esses temores. 
O tratado cria “uma zona de exclusão”, que tem um raio de até 100 kms em volta dos 200 hectares. Nessa “zona de exclusão”, os civis argentinos não poderão acionar aparelhos que usem ondas de rádio “como equipamentos domésticos, dispositivos para carros,” etc.
O prefeito de Bajo del Agrio, a localidade mais próxima à base, Ricardo Fabián Esparza, usou uma metáfora caseira para dizer que tudo se passa como se os chineses quisessem espionar até as peças íntimas de nosso vestuário.
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domingo, 10 de março de 2019

A Espionagem Venezuelana em Bogotá

por Unidad Investigativa
Na foto, Carlos Pino em Bogotá na companhia de Royland Belisario, membro do SEBIN.
Foto: Arquivo particular
Organismos de Inteligência dizem que há US$ 5 milhões para atos de desestabilização na Colômbia.
Vários dos mais de 700 militares venezuelanos que se entregaram na fronteira com Colômbia vem advertindo a membros de organismos de Inteligência que ao menos dois deles não estão dizendo a verdade sobre o cargo e Unidades a que supostamente pertencem.
Ainda que não se descarte que estejam mentindo para proteger-se das represálias do regime de Nicolás Maduro, está sendo verificado se fazem parte do plano de espionagem que a Venezuela ordenou iniciar há uns meses nas ruas de Bogotá.
El Tiempo teve conhecimento de uma diretriz que organismos de Inteligência colombianos atribuem ao Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas da Venezuela (CEOFANB), datado em 10 de agosto de 2017, na qual se ordenou um deslocamento de “redes de Inteligência exterior em território colombiano, para efetuar operações encobertas em torno a interesses militares e ameaças provenientes de Colômbia e de Estados Unidos”.
O epicentro da espionagem é Bogotá, mas informação de Inteligência assinala que há pelo menos 50 membros do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) dispersos em pelo menos oito regiões do país.
Além disso, asseguram que sua missão se ampliou a controles e vigilâncias a opositores refugiados na Colômbia, a membros de missões diplomáticas de países que apoiam a saída do poder de Maduro e a funcionários colombianos de alto nível.
O dado mais recente que há sobre essa investida assinala que existe um orçamento de 5 milhões de dólares para executar atos de desestabilização na Colômbia, que incluem desde a infiltração nas marchas e protestos, até ações contra Juan Guaidó, o presidente interino de Venezuela.
Com base nessa informação, no final de fevereiro, o chanceler Carlos Holmes Trujillo responsabilizou Maduro por qualquer agressão que possa ocorrer contra Guaidó, que passa pela Colômbia para assistir à reunião do Grupo de Lima.
Há evidencias de que a ordem de planos de espionagem na Colômbia ganhou maior força depois que Duque assumiu a bandeira do bloco de países que exigem a saída imediata de Maduro e o reconhecimento de Guaidó como presidente de transição para que ocorram eleições presidenciais livres.
Assim se lê em documentos de Inteligência, nos quais inclusive, aparecem varias fotos tiradas do embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, Kevin Whitaker, por um agente do SEBIN.
O espião foi revelado ao aproximar-se demais do custodiado diplomata durante um foro sobre migração venezuelana, em 16 de outubro de 2018, a que também assistiu o chanceler Trujillo.


Coletivos chavistas e ELN
As fotos de Whitaker 
 cujo governo não descarta uma intervenção militar na Venezuela  foram enviadas em tempo real (3:44 da tarde) a Royland Belisario, membro do SEBIN, que esteve no serviço diplomático venezuelano em Bogotá e foi visto rondando Cúcuta.
Estas foram as fotos que percebidos membros do SEBIN tiraram do embaixador de EUA e do chanceler Trujillo em Bogotá.  Foto: Arquivo particular
Belisario já havia aparecido em informes de Inteligência, de dezembro passado, que serviram de base para que a Migração Colombiana ordenasse a expulsão imediata do venezuelano Carlos Manuel Pino García, por espionagem. Trata-se de um assessor da missão diplomática de Caracas em Bogotá, casado com Gloria Flórez, ex-congressista do Polo Democrático e secretaria de Governo do governo municipal de Gustavo Petro, entre 2014 e 2015.
Ainda que a ex-congressista tenha interposto uma ação legal desmentindo as acusações, qualificando-as de montagem e exigindo que seu esposo seja devolvido, autoridades judiciais tem evidencias (incluindo áudios), de que Pino mantinha contatos com membros das desmobilizadas estruturas das FARC, e que trabalhava na obtenção de apoios a favor do regime de Maduro.

El Tiempo obteve uma foto na qual ele é visto caminhando por uma rua de Bogotá ao lado de Royland Belisario (no topo da postagem).
Além disso, ele foi relacionado a seguimentos (vigilância) feitos a membros do Tribunal Supremo de Justiça Venezuelano no exílio. Um deles, Zair Mundaray, denunciou fustigamentos durante sua estadia em Bogotá e depois se soube que membros dos violentos coletivos chavistas foram encarregados dessa operação. Ainda, há evidencias de que o SEBIN está em contato com membros do ELN, autores dos mais recentes atentados com explosivos em Bogotá.

A informação do General
O SEBIN e os coletivos chavistas firmam alianças com setores favoráveis à defesa do regime, para criar cenários de crise na Colômbia, como os distúrbios em marchas e as ações do ELN”, explicaram fontes de Inteligência.
Inclusive se sabe que, no primeiro sábado de cada mês, se reúnem com membros da Inteligência de outros países afins a Maduro, para intercambiar informação sobre os objetivos em Bogotá.
Nos últimos três meses, Colômbia já localizou e expulsou pelo menos uma dezena de explícitos espiões e infiltrados do regime de Maduro. Porém os alarmes seguem ativos inclusive em um tema que se acreditava sepultado: um atentado contra o presidente Iván Duque.

El Tiempo constatou que o Major-General Hugo Carvajal  homem forte da Inteligência de Hugo Chávez e de Maduro  já ofereceu entregar informação sigilosa sobre este tipo de planos do regime de Maduro contra a Colômbia.

Migração Colombiana reconsidera a expulsão de "Pau Pau"
Apesar de que, no momento de sua expulsão chorou e insistiu que não era uma espiã do regime de Nicolás Maduro, a Inteligência do Exército colombiano ratificou que a venezuelana Tania Pérez tentou se passar como um dos membros das forças armadas do país vizinho que abandonavam o atual governo.
De fato, foi confirmado que ela responde ao codinome de "Pau Pau" e que sua verdadeira intenção era recolher informação sobre como estão sendo recebidos os uniformizados que abandonam as filas do regime, com a finalidade de envia-la a Caracas para tentar frear as deserções. “É uma ameaça para a segurança nacional”, indicou a Inteligência colombiana.
Entretanto, a Migração Colombiana informou neste sábado (2/3/19) que, com base em novo documento dos organismos de Inteligência, tomou a decisão de não expulsar 'Pau Pau'. El Tiempo obteve de fontes do Governo que a mulher ofereceu entregar informação para “ajudar a restituir a democracia na Venezuela”.
Assim, mesmo que inicialmente não tenha atendido os protocolos de verificação que a Colômbia implementou para atender os desertores venezuelanos, agora ela colaborará com as autoridades colombianas, aportando informação relevante. A decisão de que a mulher permaneça na Colômbia está sustentada em um documento em que deixou formalizada sua vontade de contribuir com a normalização da institucionalidade em seu país.
Tania Pérez, de alcunha "Pau Pau de 28 anos , era membro da Polícia Estatal venezuelana e possui informação sobre movimentos na fronteira com Colômbia por parte do regime de Nicolás Maduro.
O cancelamento da medida de expulsão coincide com a decisão do Governo venezuelano de descender os mais de 700 membros de suas Forças Armadas que se entregaram na Colômbia. Assim consta em um boletim oficial publicado recentemente, onde acrescenta que eles foram expulsos pelos delitos de deserção e traição à Pátria.


Cúcuta, o outro ponto sensível da tensão com Caracas
Para organismos de Inteligência colombianos a melhor evidencia de que há espiões venezuelanos cumprindo missão na Colômbia foi a captura de cinco pessoas, em 19 de fevereiro em Cúcuta, quando se preparava o grande concerto pela paz e a mobilização de ajuda humanitária na fronteira.
Os detidos haviam se hospedado no Hotel Hampton, o mesmo em que permaneciam vários deputados da ala de Juan Guaidó. A SIJIN 
(Seccional de Investigação Judiciária e Interpol) comprovou que o grupo estava acompanhando os movimentos dos deputados, gravando  videos e tomando fotos deles.
Segundo um relatório oficial, conhecido por El Tiempo, no momento de sua retenção disseram ser turistas, que não portavam documentos e que estavam fazendo compras no centro comercial Unicentro.
Mas com um deles, identificado como Oberto Junior Bohórquez Camejo, acharam um passaporte venezuelano, com visto americano, em sua maleta. O sujeito é um intermediário na compra de faturas e portfólios, atividade que está sendo exercida para dar liquidez ao regime.
Seus acompanhantes, que portavam cartões de fronteira falsos, foram identificados como Luis Enrique Duarte Moreno, Erwin Javier Flórez, Jesús María Bohórquez e Laura Elena Carroz.

Temos a certeza de que a mulher é do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) e que todos estão ligados a um programa que se chama ‘Grande Missão de Lares da Pátria’, que depende da vice-presidência venezuelana”, explicou a este diário um investigador.
Embora Laura Elena Carroz não tenha registro de movimentos migratórios legais para a Colômbia, apareceu hospedada anteriormente no Hotel Casino e já tinha outra entrada no Hampton.
Não vamos permitir que cidadãos estrangeiros ingressem em nosso país para afetar a ordem e a tranquilidade social. Sabemos que há um interesse manifesto por parte da ditadura de Maduro para afetar a segurança nacional diante os eventos que estão próximos a realizar-se”, indicou no fim de semana passado Christian Krüger, diretor da Migração Colombiana.
Nessa jornada, que terminou em distúrbios e até na polêmica queima de ajudas, houve outra captura. A de Crober Elías Paraco Silvera, membro ativo da velha Polícia Técnico Judicial de Venezuela (PTJ). O sujeito tomou fotos no posto fronteiriço e, quando interpelado, disse que ia buscar provisões para sua família.
Por enquanto, os alarmes estão ativos no Norte de Santander, Arauca e La Guajira, a fronteira porosa entre Colômbia e Venezuela, por onde estão ingressando os mal chamados desertores do regime. Mas também está sob vigilância outra passagem: a fronteira com o Brasil onde no fim de semana passado (23/2/19) se registraram graves distúrbios. 


Fogo amigo
O que os organismos de Inteligência e agencias de outros países pretendem é habilitar uma plataforma de informação que permita identificar a todos os uniformizados que busquem passar para Colômbia. Além do ingresso de potenciais espiões, o que tentam evitar é que militares venezuelanos e coletivos chavistas os alvejem a tiros, como ocorreu há alguns dias na fronteira com Brasil.

Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
Twitter: @uinvestigativa
 Fonte:  tradução livre de El Tiempo
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domingo, 10 de fevereiro de 2019

A Nova 'Catástrofe' Palestina: Um Shopping Center Contratando Palestinos

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Foto: um supermercado da rede Rami Levy em Jerusalém Ocidental.
(Imagem: Yoninah/Wikimedia Commons)
Os dirigentes da facção FATAH do presidente Mahmoud Abbas da Autoridade Palestina reagiram à inauguração de um novo shopping center em Jerusalém Oriental, no qual a maioria dos funcionários e clientes é árabe, de uma maneira que escancara como os líderes palestinos continuam torpedeando o que for positivo ao seu povo.
por Bassam Tawil
Os dirigentes da facção FATAH do presidente Mahmoud Abbas da Autoridade Palestina estão furiosos. Tudo porque um empresário judeu israelense acabou de construir um shopping center em Jerusalém Oriental e a maioria dos funcionários e clientes são árabes.
Os líderes da FATAH apregoaram o boicote ao shopping.
A FATAH, que via de regra é retratada como uma facção moderada pela mídia ocidental, reagiu ao empreendimento do shopping de modo a escancarar a maneira pela qual os líderes palestinos continuam torpedeando o que for positivo ao seu povo.
Onde já se viu um líder condenar um projeto que fornece empregos a centenas de pessoas de seu povo? Onde já se viu um líder convocar seu povo a boicotar um shopping ou um supermercado que oferece preços competitivos em roupas e alimentos? Onde já se viu um líder retratar a abertura de um projeto comercial que beneficiará seu povo como catástrofe ("nakba")?
Rami Levy, empresário e proprietário da terceira maior rede de supermercados de Israel, investiu mais de US$50 milhões na construção de um shopping no Parque Industrial Atarot, na região nordeste de Jerusalém. Apesar do chamamento ao boicote, alguns palestinos alugaram lojas dentro do shopping, considerado um modelo de convivência entre árabes e judeus. O novo shopping também possui um espaçoso supermercado pertencente à rede de supermercados de Levy.
Os supermercados de Levy tanto em Jerusalém quanto na Cisjordânia são muito procurados pelos consumidores palestinos. Eles dizem que os preços de lá são mais baixos do que os das empresas árabes. Talvez seja por esta razão que centenas de palestinos tenham se dirigido ao recém inaugurado supermercado no shopping quando da sua inauguração em 8 de janeiro. Os supermercados israelenses contratam centenas de palestinos da Cisjordânia, bem como residentes árabes de Jerusalém, que trabalham lado a lado dos colegas judeus.
Segundo Levy, metade de seus 4 mil funcionários são palestinos ou árabes israelenses. "Comecei a dar emprego a palestinos e árabes israelenses no primeiro empreendimento Rami Levy, uma barraca no mercado Mahane Yehuda, em Jerusalém, inaugurado em 1976. Os árabes já faziam parte dos primeiros funcionários", salientou ele.
"Os funcionários continuam trabalhando na Rami Levy Hashikma, nossos atacadões, e muitos subiram na carreira, juntamente com a empresa. O primeiro funcionário que contratei há 35 anos é um homem chamado Ibrahim, árabe de Jerusalém Oriental, que permanece na Rami Levy, atualmente é diretor de logística. Outros funcionários árabes israelenses e palestinos que se juntaram à equipe de Rami Levy também foram promovidos a cargos de direção e gerência. Rami Levy não discrimina o candidato conforme a etnia, gênero ou religião ao contratar e promover funcionários. Todos os funcionários, sejam eles palestinos ou israelenses, são tratados igualmente e recebem os mesmos benefícios. O salário se baseia unicamente no cargo e desempenho do funcionário. A meta da Rami Levy é dar a mesma oportunidade a todos os funcionários de alcançarem o sucesso. Tal objetivo só pode ser alcançado se o princípio da igualdade for implementado em todos os ofícios da empresa".
Para os funcionários do alto escalão da FATAH de Abbas, no entanto, a imagem de palestinos e judeus trabalhando em harmonia é repugnante. Eles não gostam da ideia de trabalhadores palestinos estarem recebendo bons salários e serem tratados com respeito pelo empregador israelense. Eles também não gostam de ver consumidores palestinos fazendo fila para comprar alimentos e mercadorias de melhor qualidade oferecidos a preços competitivos. As autoridades da FATAH preferem ver seu povo desempregado ou pagar mais caro no mercado palestino do que fazer as compras em um shopping center de propriedade de um judeu.
Em vez de comemorar a inauguração do shopping que oferece oportunidades de emprego a dezenas de palestinos além de praticar preços mais baixos, as autoridades da FATAH veem nisso um plano israelense para "debilitar" a economia palestina. "Foi um dia triste para Jerusalém", realçou Hatem Abdel Qader Eid, funcionário de alto calibre da FATAH, ao se referir à inauguração do novo shopping. "Este projeto visa minar o comércio árabe em Jerusalém e subordiná-lo à economia israelense."
As centenas de palestinos que se acotovelavam no novo shopping no dia da inauguração, no entanto, ao que tudo indica, discordam da imagem sombria pintada por Abdel Qader Eid. O enorme número de pessoas que lá se aglomeravam, é sem sombra de dúvida positivo: mostra que os palestinos são clientes como em qualquer país do mundo que preferem produtos de melhor qualidade a preços mais baixos. Para eles, esse não foi um "dia triste", como disse o representante da FATAH, mas sim empolgante. Finalmente um shopping foi inaugurado perto da casa deles, oferecendo uma ampla gama de produtos a preços competitivos.
Não obstante, Abdel Qader Eid estava certo em relação a uma coisa: seu lamento com respeito à ausência de investidores e capital palestinos. "Os capitalistas palestinos são covardes", ressaltou ele. Os investidores palestinos, salientou Eid, bem que poderiam ter inibido Rami Levy de construir o novo shopping se eles tivessem investido na construção de um shopping palestino. "É verdade que há empresários palestinos com muito dinheiro. Mas apesar de serem muito ricos, são medíocres quando se trata de disposição e formação".
Lamentavelmente o representante da FATAH está dizendo que os empresários palestinos não botam fé no povo, preferindo investir seu dinheiro em outro lugar.
Osama Qawassmeh, outro cacique da FATAH, foi ainda mais eloquente quanto ao incitamento. Ele advertiu que qualquer palestino que faça compras ou alugue algum espaço no novo shopping será acusado de "trair a terra natal". Ele continuou com a velha ladainha das calúnias palestinas, segundo as quais, comprar produtos israelenses é um ato de "apoio aos assentamentos e ao exército israelense".
O incitamento da FATAH contra o novo shopping center não caiu no vazio. No dia em que o shopping foi inaugurado, palestinos lançaram um sem-número de bombas incendiárias no complexo, forçando os compradores (palestinos) a fugirem para salvar a própria pele. Por sorte ninguém ficou ferido, nem houve prejuízos materiais às lojas ou veículos que se encontravam no estacionamento.
A campanha de incitamento contra o shopping de Levy começou há vários meses, quando ainda estava em fase de construção, continuando até hoje. Já que a campanha deu com os burros n'água não conseguindo impedir a abertura do shopping, a FATAH e seus seguidores apelaram para ameaças e violência. As ameaças estão sendo dirigidas a consumidores e comerciantes palestinos que alugaram algum espaço no novo shopping. Os vândalos que atacaram o shopping com bombas incendiárias poderiam ter ferido ou matado palestinos. Os vândalos, que segundo consta são afiliados à FATAH, preferem que seu povo morra do que deixar que se divirtam ou comprem produtos a preços atraentes em um shopping israelense.
Ao liderar a campanha de incitamento e intimidação, a FATAH de Abbas está mais uma vez mostrando a sua verdadeira cara. Como é possível imaginar que Abbas ou algum de seus subordinados da FATAH venham algum dia a fazer a paz com Israel, quando não conseguem sequer tolerar a ideia de palestinos e judeus trabalharem juntos para o simples bem comum?
Se um palestino que compra leite israelense é considerado traidor aos olhos da FATAH, não é difícil imaginar o destino de qualquer palestino que ouse ponderar sobre um entendimento com Israel. Se ele tiver sorte, terá um encontro íntimo com uma bomba incendiária. Se ele não tiver sorte, será enforcado em praça pública. Como isso se reflete na disposição palestina de participar de um processo de paz com Israel?

Bassam Tawil, árabe muçulmano, radicado no Oriente Médio.
Tradução: Joseph Skilnik

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Hezbollah na Tríplice Fronteira - O Bazar da Mentira

O grupo terrorista libanês mantêm suas conexões na fronteira argentino-brasileiro-paraguaia. Desde lá, seus agentes lavam dinheiro, traficam cocaína e enviam recursos às organizações de apoio. 
Um encontro com o homem considerado o máximo agente do Hezbollah na América Latina em Ciudad del Este. 
O cruzamento com o narcotráfico. As manobras através dos cassinos.
por Gustavo Sierra

"¡Entre! ¡Veja! ¡Aqui não temos nada que ocultar!", grita o nervoso Mohammad Youssef Abdallah, enquanto sobe as escadas da Mesquita Verde dos xiitas de Ciudad del Este. Se move como o dono do lugar, que é. Também, como o "líder espiritual e comandante regional do Hezbollah", a qualificação que lhe da a justiça estadunidense. E - de acordo com acusação do assassinado fiscal Alberto Nisman -, um dos envolvidos no atentado contra a AMIA.
"¡Venha, venha!", insiste enquanto caminha dando voltas, e acomoda as pastilhas de Turbah - as cerâmicas redondas que os xiitas usam para rezar e colocam no chão onde tocam com a fronte ao prostrar-se -, fecha um exemplar do Corão e olha ao redor buscando ajuda. Chama a um dos homens que acaba de terminar sua reza e lhe diz algo em árabe. Tenta convence-lo a que fale conosco. O homem, impertérrito, repete "não, não, não, não" e se vai. "Bueno", se resigna Abdallah, "eu vou te responder". Me tira o microfone da mão e não espera nenhuma pergunta. Começa a recitar em voz alta e com um forte acento de Médio Oriente em seu portuñol básico. "¿Quê vês aqui? ¿Vê algum terrorista? ¡Nós não somos terroristas! ¡Aqui não ocultamos nada!", diz olhando para todos lados como se temesse que alguém se acercasse para golpeá-lo. "¡Pergunte, pergunte, pergunte!", repete sem esperar nenhuma pergunta.
"Dizem que somos assim ou não sei como. Mas tu podes ver: somos gente de paz. Viemos aqui para rezar. Esta mesquita fui eu quem a fez. ¿Quê? ¿Financiamos o Hezbollah? Aqui não fazemos política. ¡Pergunte, pergunte, pergunte! ¿Acusados pela justiça de Estados Unidos? ¿Quê justiça é essa? ¡Inventam tudo! Nós estamos aqui já faz 40 anos. Eu construí esta mesquita. Hezbollah está no Médio Oriente. Não aqui. ¿Quê? ¿Lavamos dinheiro para Hezbollah? Todas acusações falsas. ¡Sim, há vários integrantes de nossa comunidade presos! Porém são todas acusações falsas. Sim, o mesmo que isso do atentado da AMIA. Outra mentira … Agora, me vou. ¡Filme o que quiser!".
Abdallah desaparece. É pequeno e, apesar de seus 66 anos se move com agilidade. Só se escuta o ruído dele descendo as escadas "chancleteando" (NT: ruído ao caminhar usando galochas)  com velocidade. Nos deixa no silêncio desta simples mesquita situada dentro de um edifício de 19 pisos na Rua Boquerón, no lado paraguaio da Tríplice Fronteira.

Mohammad Youssef Abdallah, líder da Mesquita Verde de Ciudad del Este. Segundo a justiça estadunidense, também é Comandante regional do Hezbollah e arrecadador do grupo terrorista na região (Lihueel Althabe)
Há três homens rezando, que olham surpresos mas não parecem preocupados em serem filmados. A galeria superior, a das mulheres, está vazia. Descendo pela escada está o setor da ablução, onde os fiéis se lavam antes de rezar. Mais adiante os sapatos, todos acomodados como em uma sapataria antiga. Ninguém pode pisar o tapete da mesquita se não estiver descalço. A saída é por uma galeria que transporta de imediato ao clima de uma viela da cidade antiga de Jerusalém, Bagdá ou Beirute. Uma barbearia com dois grandes televisores onde cantam e bailam artistas libanesas, um local com vitrais cobertos que parece uma "caverna" de transações financeiras e o restaurante "Mezquita", considerado como o mais autêntico dos de comida árabe desta segunda cidade paraguaia. Comemos um kibe cozido de carne picada e trigo burgol enquanto ao nosso redor vários homens tomam café com rolinhos doces de baklava e soltam fumaça dos narguiles. As mulheres só passam com seus filhos para tomar o elevador que as leva até seus apartamentos. De todos modos, o dia já terminava. São apenas quatro da tarde, mas nesse incrível e sofisticado "mercado persa" de Ciudad del Este se trabalha desde o amanhecer e pelo meio da tarde as ruas ficam desertas, cobertas de papelão e lixo.
Enquanto avançávamos entre essa rede de vendedores, aparatos de altíssima tecnologia, a maior variedade imaginável de garrafas térmicas para mate ou tereré e painéis de LED como em Times Square, perguntar pelas atividades de Abdallah e sua mesquita é inútil. Todos fazem cara de bobo, sorriem e perguntam se gostamos da comida árabe.
O informe do Departamento do Tesouro estadunidense – Ato de Prevenção do Financiamento Internacional do Hezbollah, 2015/2016 - diz que Abdallah é o principal arrecadador do grupo terrorista na região. Possui dezenas de propriedades e comércios em Ciudad del Este. Seu domicilio legal está na avenida Presidente Kubitscheck de Foz do Iguaçu, cruzando a Ponte da Amizade sobre o rio Paraná. Nasceu em junho de 1952 no povoado de Khalia do Líbano. Tem dupla nacionalidade paraguaio-libanesa. Está casado e tem dois filhos e uma filha que vivem em Foz e trabalham, como ele, em Ciudad del Este. É um contribuinte permanente de fundos para as associações de beneficência que o Hezbollah controla para manter as famílias de menores recursos do sul do Líbano e o Vale do Bekaa. Através da agência Piloto Turismo teria facilitado passaportes falsos e uma base de comunicações para os agentes libaneses que em 1994 colocaram a bomba na AMIA. Também, de acordo com o Departamento do Tesouro, foi o organizador de uma reunião de alto nível que se realizou em 2004 em Foz com arrecadadores do grupo terrorista libanês de toda América Latina. Viaja frequentemente a Beirute onde se registraram vários encontros com os líderes mais importantes do Hezbollah.

Abdallah também é o dono da Galeria Uniamérica (ex Pagé) assinalada como o centro das atividades dos agentes do Partido de Deus libanês por vinte anos. Hoje, o lugar é só mais uma das muitas espeluncas desse enorme mercado ao ar livre integrado por shoppings de primeira qualidade, como as tendas Paris, Mona Lisa e China, até os milhares de postos armados nas veredas com lonas e suportes de cano. O nome na entrada está bastante descascado. E ao olharmos para cima só vemos quatro pisos de chapas enferrujadas e janelas em ruínas. Vários locais vendem tabaco aromático para fumar com cachimbo de água. Não faltam os comércios de celulares e outros eletrônicos de duvidosa procedência. Os donos dos locais são todos libaneses que falam espanhol com um forte sotaque. Alguns são muito amáveis e até convidam o cliente com um café. O edifício é uma construção muito elementar de três pisos. Ao final do segundo piso há outra saída para a rua. Esse é o caminho que percorrem, ao menos uma vez ao dia, milhares destes comerciantes muçulmanos xiitas para chegar até a mesquita do Profeta Mohammed, duas quadras adiante. Em geral, as outras quatro rezas são feitas em seus próprios negócios. Os sunitas vão a outra mesquita situada a umas quinze quadras, a de Alkhaulafa Al-Rashdeen, na avenida Alejo Garcia. Um domo branco imponente de 18 metros de altura e dois minaretes. O sheik Mohamed Khalid está em seu outro trabalho. Atende sua loja no Shebai Center. É só mais uma das milhares de lojas de vendas de celulares.
Quando conseguimos contornar os turistas brasileiros e argentinos em busca de ofertas, perguntamos pelo Sheik a uma das vendedoras. Khalid sai irritado de seu diminuto escritório para nos dizer que não podia nos atender por falta de tempo e só quer deixar claro que "somos sunitas, não xiitas, e não temos nada que ver com terrorismo". A divisão da comunidade está clara.
A mesquita sunita é a mais imponente de Ciudad del Este. Ali se esforçam por destacar que não tem nada que ver com os xiitas e o terrorismo
Ninguém quer parecer ligado aos personagens que nos últimos meses foram detidos na Tríplice Fronteira conectados com o financiamento do Hezbollah, a lavagem de dinheiro, o contrabando e o narcotráfico. Assad Ahmad Barakat, considerado o maior arrecadador do grupo terrorista na América Latina, esteve fugitivo por quase uma década até que a Polícia de Foz o deteve em 21 de setembro de 2018 a pedido da justiça paraguaia. Formalmente, é acusado de falsificação de passaporte. Mas há muito mais. Em 2004, o Departamento do Tesouro o incluiu na lista de financiadores do terrorismo. "É capaz de por em prática todas as manobras de crimes financeiros que já pudemos detetar", foi a conclusão naquela ocasião de um dos funcionários do edifício vizinho à Casa Branca, em Washington. Na única entrevista que deu, Assad Barakat admitiu ante um repórter da Associated Press em 2001 que era um "simpatizante e contribuinte" do Hezbollah. Emanuele Ottolenghi da Fundação para Defesa das Democracias, um dos maiores especialistas internacionais nas atividades da organização libanesa, assegura que Barakat "é o líder do clã que inclui dezenas de familiares com os quais operou durante anos a nível internacional triangulando remessas desde a Tríplice Fronteira para o Líbano apesar das sanções que pesavam contra ele".
O prestigiado Centro Simon Wiesenthal ficou satisfeito com a detenção de Barakat. "Temos monitorado as atividades terroristas na Tríplice Fronteira há 20 anos. Esta detenção é um sinal de que os três países começaram a trabalhar para erradicar o Hezbollah da América Latina". Assad Barakat está encarcerado no Brasil esperando a extradição ao Paraguai ou diretamente a Nova York onde é responsabilizado em vários casos por lavagem de dinheiro. Assad nasceu em 1967 no sul do Líbano. Depois de perder um irmão e vários outros parentes na guerra civil naquele país emigrou para o Paraguai em 1985. Logo apareceu à frente de varias companhias de importação e exportaçãoApollo, Mondial Constructions – junto a seus irmãos Hatem e Hamzi que operavam na Tríplice Fronteira e na zona franca de Arica, no Chile. Na época viajava com regularidade a Beirute e Teerã para levar dinheiro e manter reuniões com Hassan Nasrrallah, o principal líder do Hezbollah. Nessas viagens teria passado informações vitais para os comandos que depois atacaram a AMIA. Em 2001 foi acusado no Paraguai por evasão de impostos e associação criminosa. Em junho de 2002 foi preso em Foz e extraditado para Assunção onde cumpriu uma sentença de seis anos e meio. Em 2009 regressou ao Brasil de onde continuou operando nas sombras até sua nova detenção. 
Assad Ahmad Barakat foi preso em 21 de setembro de 2018. É investigado por lavagem de dinheiro, contrabando, narcotráfico e inúmeras manobras financeiras para financiar o Hezbollah.

Um de seus sócios é Sobhi Mahmoud Fayad, que chegou a Ciudad del Este vindo do Líbano em meados da década de 90. A policia paraguaia o prendeu em 1999 quando realizava uma tarefa de vigilância frente à embaixada dos Estados Unidos em Assunção. Era membro de uma rede que planejava um atentado. Ele cooperou na investigação e deu dados substanciais nos interrogatórios dos agentes da CIA. Ele foi liberado um ano mais tarde. Depois se descobriu que Fayad enviou ao menos 3,5 milhões de dólares à Organização de Mártires do Hezbollah (al-Shahid), pelo que recebeu uma carta de agradecimento do comandante supremo Sayyed Hassan Nasrallah.
O Departamento Antiterrorista da Policia Nacional paraguaia (DAT) acredita que Sobhi Fayad, Assad Barakat e Ali Hassan Abdallah foram os três principais captadores de fundos do Hezbollah designados para a região. O Comitê contra o Terrorismo das Nações Unidas divulgou um informe indicando que o clã arrecada mais de 200 milhões de dólares ao ano para enviar a Beirute.
Outro personagem importante do clã foi Ali Khalil Mehri, um libanês naturalizado paraguaio, residente em Ciudad del Este. Mehri foi acusado pela policia paraguaia de vender milhões de dólares em software falsificado e canalizar os ganhos para o Hezbollah e suas organizações paralelas al-Muqawama e al-Shahid. Também produziu varias películas de propaganda para o Partido de Deus. Mehri fugiu em 2000 e se acredita que morreu 15 anos mais tarde na guerra civil síria enquanto comandava um grupo de assalto do Hezbollah.
Outro Barakat, Mahmoud Ali, foi extraditado pela justiça paraguaia aos Estados Unidos em novembro de 2018. Está acusado de lavagem de dinheiro do narcotráfico. E de transferir parte desses fundos a contas em um paraíso fiscal do Caribe relacionadas com o Hezbollah. Foi detido em 25 de junho em sua casa no segundo piso do edifício Líder 4, na rua Estrella quase esquina com O'Leary, de Assunção. Na mesma operação também caiu Nader Mohamad Farhat, sócio deste Barakat, que manejava as transferências através das sucursais da casa de cambio Unique S.A.
em Ciudad del Este, da qual era dono junto a sua esposa taiwanesa Wu Pei Yu. O fiscal Marcelo Pecci, da Unidade de Luta contra o Crime Organizado paraguaia, acredita que esses homens formavam parte de uma rede mais ampla por meio da qual enviavam drogas e recursos ilícitos à Europa e Oriente Médio. Eles teriam realizado operações superiores a 1.300 milhões de dólares. De acordo com uma fonte judicial paraguaia, sua extradição a Miami – onde é buscado por narcotráfico - está sofrendo forte resistência da Embaixada libanesa em Assunção. "Evidentemente, é um homem com contatos poderosos no Líbano", comenta.
Mahmoud Ali Barakat, extraditado em novembro passado aos EUA onde será julgado por lavar dinheiro do narcotráfico e transferir o dinheiro a uma conta do Hezbollah no  Caribe (Ministério Público do Paraguai)
Em agosto de 2018, se descobriu outra manobra do Clã Barakat e sua colaboração com o Hezbollah: a lavagem de dinheiro através dos cassinos de Porto Iguaçu, no lado argentino. Desta vez era Hassan Ali Barakat, sobrinho de Assad, que trocou fichas no valor de 3.750.000 dólares e introduziu o valor no sistema bancário brasileiro sem o declarar ao fisco. Ele cruzou as fronteiras 620 vezes entre 1º de janeiro de 2015 e 19 de outubro de 2017, incluindo 332 entradas na Argentina. Houve ocasiones em que viajou até três vezes em um dia a Porto Iguaçu. Em geral, era acompanhado por seu irmão Hussein. Ao detetar a manobra, a Unidade de Inteligência Financeira da Argentina (UFI) emitiu um alerta a 50 bancos, casas de câmbio, cassinos e financeiras de todo o mundo onde haviam circulado "ativos relacionados com o crime organizado ou o financiamento do terrorismo" deste grupo. Foram detidas 14 pessoas, todas de origem libanesa. Três com dupla nacionalidade paraguaia e o resto brasileiros.
Dois meses antes, em junho de 2018, foi desbaratada outra grande operação dos Barakat pela qual pretendiam apoderar-se do estratégico aeroporto municipal de Capitão Bado, em território paraguaio e bem próximo da fronteira com o Brasil. Em uma manobra fraudulenta, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert) do Paraguai cedeu o imóvel por apenas 5 milhões de Guaranis (menos de 1.000 dólares) a Alí Hatem Barakat, um jovem de 24 anos, sobrinho de Assad Barakat. Na manobra esteve implicado o então presidente do Indert, Luis Ortigoza, que entregou os nove hectares onde se encontra a pista de 1.100 metros,  pavimentada com cascalho, onde podem aterrissar aviões de pequeno porte como os que diariamente transportam cocaína da Bolívia para Argentina e Brasil. O imóvel está situado a metros da fronteira seca paraguaio-brasileira e junto a estrada que une Capitão Bado à cidade de Pedro Juan Caballero. Segundo os dados do caso, Alí Hatem Barakat nasceu em Ciudad del Este em 13 de janeiro de 1990. Na solicitação de compra do lote CH-92 se declarou "agricultor com cinco anos de ocupação do imóvel". Mas em seu perfil no Facebook assegura que reside em Santiago de Chile e viaja permanentemente a Foz do Iguaçu. Pelas fotos se pode ver que Alí Hatem leva uma vida muito melhor que a de um pequeno agricultor. É filho de Hatem Barakat, irmão de Assad, que vive atualmente em Iquique, Chile, onde se dedica ao comercio na zona franca dessa cidade. Segundo o portal da embaixada estadunidense em Assunção, Hatem foi investigado pela Interpol de Buenos Aires por sua vinculação com células do Hezbollah. Um terceiro irmão, Hamze Ahmad Barakat, também comerciante que integrava a sociedade que ia ficar com o aeroporto, foi detido em maio passado em Curitiba, Brasil, acusado de perpetrar uma fraude milionária.

Apesar das evidencias, a comunidade xiita assegura que tudo é uma manobra para desprestigia-los. "Isso é o que fazem habitualmente com a gente da Tríplice Fronteira para vincula-la ao Hezbollah e montar a imagem de que há tráfico de drogas, de que há lavagem de dinheiro e que se ajuda o Hezbollah com as finanças. Isso é irreal e falso", diz Galeb Moussa, um jornalista de origem libanesa correspondente do serviço em espanhol da rede iraniana HispanTV e vinculado à mesquita xiita do bairro de Flores em Buenos Aires. A especialista em segurança e inteligência venezuelano-estadunidense, Vanessa Newmann, coloca isso em contexto: "Na Tríplice Fronteira todo está misturado. A maioria da comunidade libanesa nos três países faz negócios, alguns lícitos e outros nem tanto. Mas entre eles há outros comerciantes que mantém suas conexões com o Hezbollah e estão fortemente comprometidos através de suas famílias. Fazem negócios um pouco para eles e outro pouco para o Partido de Deus que protege a seus parentes no Líbano. E a isto há que somar alguns agentes operativos diretamente relacionados com o grupo terrorista".
A mesquita xiita Husseiniyya Iman Al-Khomeini de Foz do Iguaçu permaneceu fechada na semana em que estivemos na zona. O sheik Khalid está viajando, me informa seu filho Mortadha. Foi visitar seus colegas de Curitiba e São Paulo. Ali há uma ampla comunidade árabe xiita. Em todo Brasil há uns oito milhões de libaneses e seus descendentes. Como no resto do mundo, 80% são sunitas e uns 15% xiitas. Ninguém quer falar dos Barakat ou do Hezbollah. "Para nós é um tema com o qual não temos nada que ver", diz uma pessoa que me responde do outro lado do interfone e que não quer informar seu nome. Na outra mesquita sunita de Omar Ibn Al-Khattab, na rua Meca de Foz, Mohamed Beha Rahal, presidente do Centro de Beneficência Muçulmana
nos recebe. "Somos mais ou menos 20.000 libaneses aqui em Foz, quase 10% do total da população. E somos brasileiros. Estamos aqui desde 1949 quando tudo isto era uma enorme selva", explica com voz amável em seu melhor portuñol. "Eu respondo por minha comunidade sunita. E tenho a certeza de que nenhum de nós está envolvido com nada que tenha que ver com o terrorismo. … Eles que respondam por si mesmos. Eu não posso responder por eles", agrega. Aqui também se sente a cisão e o rancor pelos que operam para o Hezbollah. E o jornalista Ali Farhat, chega a atribuir essa má imagem ao presidente eleito Jair Bolsonaro que ganhou em Foz com 56% dos votos. "Se aproveitou do assunto. Usou como propaganda. Disse que estava ameaçado pelo Hezbollah. E todo mundo sabe que isso é mentira", diz com voz firme e atitude aborrecida.
O sol vai caindo e o Paraná parece dourado desde o marco que assinala esta frágil fronteira. Um barquinho vai de uma margem à outra em apenas cinco minutos. A Ponte da Amizade adquire uma calma momentânea que se romperá em apenas umas horas. Será quando dezenas de milhares de pessoas voltem a cruzar desde Foz para Ciudad del Este antes do amanhecer e em sentido contrario ao meio da tarde. E entre eles, camuflados, agachados, disfarçados entre a maré de comerciantes, carregadores, compradores e curiosos, os agentes do Hezbollah dispostos a encontrar alguma nova brecha para lavar dinheiro, envia-los aos combatentes de Beirute ou preparar toda a infraestrutura para o momento que se decida atacar.
Fonte:  tradução livre de InfoBae-América
COMENTO: de tempos em tempos, surgem publicações como esta, citando locais e personagens da Tríplice Fronteira suspeitos de ligação com o terrorismo internacional. Tenho a suspeita de que os serviços de Inteligência com interesse no assunto incentivam essas publicações para que autoridades dos três países citados investiguem as supostas atividades suspeitas. 
Por outro lado, o cuidado com nossas fronteiras deve ter um destaque nos planos do novo governo. Não podemos continuar nessa situação de enormes deficiências no controle da entrada de estrangeiros por nossas extensas fronteiras, assunto já tratado aqui
Em 13 de maio de 2014, a coluna do jornalista Claudio Humberto, publicou uma nota preocupante. Segundo ele, o Itamaraty, emitiu a circular telegráfica nº 94443/375, de 7 de maio daquele ano, instruindo embaixadas e consulados a darem vistos – sem consulta prévia ao Brasil – para nacionais do Afeganistão, Irã, Iraque, Jordânia, Líbano, Líbia, Palestina, Paquistão e Síria, regiões tomadas por grupos terroristas.
Essa decisão irresponsável do Itamaraty, que afeta a crítica área de segurança, é agravada pela falta de estrutura e pessoal qualificado nas embaixadas e consulados, que se valem de contratados locais para analisar os pedidos de vistos.
Há quem afirme que esse ingresso aparentemente desorganizado de haitianos e naturais do denominado "Mundo Islâmico", somados aos cubanos do "mais médicos" - programa já extinto mas cujo efetivo foi denunciado estar infiltrado por muitos médicos militares com experiência de combate na África -, colombianos ligados à narcoguerrilha e paraguaios do mesmo naipe, na realidade serve para uma muito bem organizada invasão de "cumpanhêrus" revolucionários.
Quero destacar que nada há aqui contra os seguidores do Islã, somente usei o termo "Mundo Islâmico" para referir geograficamente os nacionais cujo ingresso no Brasil foi facilitado de forma inusual
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Felizmente, temos passado incólumes, em termos de terrorismo internacional, por grandes eventos mundiais como os Jogos Pan-Americanos de 2007, o Encontro Mundial da Juventude Católica de 2013, a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 além da posse do novo Presidente da República no último dia 1º de janeiro. A atuação "suspeita" de agentes iranianos no Cone Sul não é novidade. Após muitos anos de protelações, ressurge periodicamente a denúncia de "acordo" entre os governos iraniano e argentino para "abafar o caso" AMIA. Será que continuaremos tendo a sorte de não sermos vítimas de atentados terroristas em função de "todos amarem o Brasil" (e servirmos de base de refúgio para bandidos de todos os naipes, inclusive terroristas procurados na Europa e Oriente Médio, que para cá se dirigem até "baixar a poeira")? Ou podemos confiar em nossos dispositivos de segurança?
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sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Caso da Sexta-Feira Santa - Donald Trump Encontra Ex-presidentes Colombianos

Editorial
ILUSTRAÇÃO MORPHART
O encontro mantido na Sexta-Feira Santa (14 Abr 17) pelos ex Presidentes colombianos Andrés Pastrana e Álvaro Uribe com Donald Trump, em um clube privado de propriedade deste último na Flórida, tem gerado todo tipo de especulações, encontrando terreno propício para a "rumorologia" por não se saber do que falaram, em que termos nem o caráter de dito encontro.
Só o que se sabe são as sucintas linhas do ex-presidente Pastrana em seu Twitter: "Grato, Donald Trump, pela cordial e muito franca conversação sobre problemas e perspectivas da Colômbia e a região". O ex-presidente Uribe limitou-se a dizer que foi um encontro social "organizado por terceiros". CNN em Espanhol assegurava ontem (16 Abr 17) que se tratou apenas de uma saudação muito breve, em um corredor.
O certo é que esta notícia pegou o Governo colombiano de surpresa, deixando-o confuso.  Apenas ontem, porta-vozes como o novo Secretário-Geral da Presidência, Alfonso Prada, ou o Vice-presidente Óscar Naranjo, saíram a manifestar suas preocupações pelo que possam ter falado sobre a Colômbia e o governo de Juan Manuel Santos.
A pergunta é se é ético ou não por parte dos dois ex chefes de Estado reunirem-se com o Presidente daquela potência mundial antes mesmo do governante em exercício. Ou que manifestem opiniões sobre fatos políticos de seu país. Mas a resposta a esses questionamentos estará forçosamente sujeita a saber o que foi falado, e como.
A todos os presidentes incomoda sempre que líderes políticos vão ao exterior a formular críticas contra eles ou contra suas políticas. A tal ponto vai essa sensibilidade que as críticas feitas desde fora são consideradas como ataques contra a própria Pátria. Mas no mundo de hoje são poucas as nações que podem impedir que seus líderes (políticos, empresariais, de opinião) possam manifestar no estrangeiro, livremente, suas análises sobre o que se passa em sua terra.
O mesmo Juan Manuel Santos tem experiências, como quando durante o governo de Ernesto Samper (1994-1998) falou com líderes internacionais, entre eles Felipe González, na Espanha, para conseguir uma transição de poder mediante a renúncia do então questionado mandatário.
Muitos outros políticos agiram igual, e no governo de Álvaro Uribe os dirigentes de esquerda foram especialmente ativos em sua diplomacia paralela, tanto nos Estados Unidos como na Europa e América Latina.
O que se questiona agora é que quem faz isso são dois ex-Presidentes, que por sua trajetória e experiência sabem que em política internacional se deve guardar uma série de consensos mínimos e de reconhecimento dos poderes do Chefe de Estado para conduzir as relações exteriores.
Todavia, os ex-presidentes Pastrana e Uribe, até onde se sabe, não assumiram representação internacional para este encontro com Trump, portanto, não se pode falar em usurpação de funções em política exterior. Ainda que seja evidente que, se o fato acontecesse durante seus governos, haveriam de manifestar total contrariedade.
Também deve ser considerado o "estilo Trump". Que certamente tem conduzido sem muitos cuidados as formalidades e protocolos da diplomacia tradicional, a que se sujeita a Chancelaria colombiana. Ele não considerou anormal receber os dois ex-presidentes sem ter feito o mesmo com Santos. Não é Colômbia a única que pode mostrar sua discordância pela forma como o novo presidente dos EUA maneja as relações com quase todos os demais países, sejam ou não do chamado "terceiro mundo".
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: na mesma edição do periódico, Juan David Garcia Ramírez, analista de Política Internacional e Professor da UPB (Universidade Pontifícia Bolivariana) defende que "o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e os ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana, não só foi necessário, como também desejável, uma vez que são os representantes da oposição política ao governo de Juan Manuel Santos, que somente mostraria a Trump as bondades e aspectos positivos dos acordos com as FARC, enquanto que uma visão crítica e realista dos mesmos, de suas implicações para a estabilidade do país, como também da dramática situação por que atravessa a Venezuela e os perigos que a ditadura chavista comporta para a região, permitirão a Trump tomar decisões concretas e acertadas a respeito da América Latina.
Em absoluto esse encontro constitui uma substituição dos canais diplomáticos, pelo contrário, é a oportunidade para que se tenha em conta as preocupações dos líderes da oposição, que em última análise representam uma parte muito importante da cidadania e estão plenamente legitimados para expressar seus pontos de vista."
Esse é o padrão de discussão política em um país onde seus cidadão estão atentos ao seu futuro. Onde futebol e novelas são apreciados como diversão e não como coisas imprescindíveis e os políticos de oposição procuram agir em consonância com os interesses da população e não somente de acordo com os interesses partidários e particulares.
Enquanto os colombianos discutem o relacionamento com quem determina a política da maior potência mundial (econômica e militar, gostem ou não), abaixo da linha do Equador, a diplomacia se preocupa com a recusa da visita papal.
Falta muito para que a junção da maior extensão territorial da América Latina e o povo que a habita possa ser considerada um País, uma Nação.
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quinta-feira, 31 de março de 2016

Esquerda Socialista - Mestra da Falsidade e Hipocrisia

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por Luiz Eduardo Rocha Paiva
Os socialistas condenam o Movimento Civil-Militar de 31 de Março de 1964, dizendo que teria sido imposto pelos EUA, e acusam os regimes militares por suposto conluio com países do Cone Sul na chamada Operação Condor [1]. No entanto, aceitam sua própria submissão a matrizes internacionais do socialismo revolucionário ou se calam quando o governo petista devolve refugiados cubanos à ditadura castrista, o ícone da liderança socialista tupiniquim.
Segundo a esquerda, os EUA planejaram e desencadearam o Movimento Civil-Militar de 31 de Março de 1964, sendo o cidadão brasileiro, as instituições nacionais e os soldados da Pátria meros coadjuvantes.
O envolvimento de um país na política interna de outro sempre existiu e os EUA como a URSS o faziam com seus serviços de inteligência e diplomacia. Os socialistas distorcem, segundo seus interesses, atividades normais existentes nas relações internacionais. Alguém é ingênuo de pensar que o Brasil não se envolva em assuntos de outros países? O que fizeram os governos de Lula e Dilma Rousseff, respectivamente, nas crises de Honduras (2009) e do Paraguai (2012)?
Os EUA apoiavam financeiramente institutos, partidos e políticos anticomunistas brasileiros, temerosos da guinada à esquerda do cenário nacional. Acompanhavam a situação e, com a ameaça de uma guerra civil revolucionária, preparavam-se para apoiar os oponentes a Jango ou mesmo intervir militarmente. Não aceitariam passivamente a queda do Brasil na esfera da URSS, pois seria fatal para sua liderança continental ao arrastar toda a América do Sul para o socialismo.
A URSS também apoiava organizações ligadas ao movimento comunista internacional (MCI). O Partido Comunista Brasileiro (PCB) não era nacional de fato, pois desde sua fundação fora um vassalo do Partido Comunista da URSS, seguindo suas ordens e diretrizes. As Ligas Camponesas e os Grupos dos Onze eram financiados por Moscou para a luta armada, caso a via pacífica - subversão e infiltração - não lograsse êxito. A KGB, órgão de inteligência da URSS, infiltrara-se nos ministérios, empresas estatais, Forças Armadas (FA), mídia, igreja e instituições científicas e educacionais.
As famosas cartas do embaixador Lincoln Gordon não indicam participação dos EUA na preparação nem na condução do Movimento de 31 de Março, mas sim que monitoravam a situação e pensavam na possibilidade de intervir. Em seu livro sobre o “31 de Março”, Lincoln Gordon escreveu que “o autor do golpe contra Goulart foi o próprio Goulart. Se ele fosse mais habilidoso, teria pressionado por suas reformas dentro do âmbito constitucional, em vez de ceder à tentação de seguir os modelos de Getúlio Vargas e Perón”.
A historiadora Phyllis Parker publicou o livro “1964: O Papel dos EUA no Golpe de Estado de 31 de Março”, entrevistando os principais personagens do episódio e acessando correspondência secreta. Disse não ter encontrado provas da participação direta dos EUA, mas sim que apoiaram o seu desenlace, acompanharam a evolução dos acontecimentos e tinham um plano para o caso de uma guerra civil. Uma esquadra iniciara deslocamento dos EUA para o sul, no final de março de 1964, mas retornou do Caribe, após o rápido sucesso do Movimento (pg. 99 a 116). Foi melhor assim, pois se a esquadra desembarcasse tropas no Brasil, mudaria todo o contexto do conflito. A massa das FA reagiria contra a violação de nossa soberania e do sagrado solo da Pátria. Problemas brasileiros são resolvidos entre brasileiros! Lembro-me de meu pai ter dito, coloquialmente, várias vezes: “se os gringos desembarcassem no Brasil eu me aliava aos comunas e, depois de expulsar os gringos, voltaria a guerrear os comunas”.
O livro “A KGB e a Desinformação Soviética” de Ladislav Bittman, do Serviço de Desinformação da Tchecoslováquia, afirma ser fictícia a “Operação Thomas Mann” para derrubar governos latino-americanos. Foi forjada pela KGB.
E o que dizer da tão propalada Operação Condor? Ora, assim como hoje existem a Conferência dos Exércitos Americanos e as Reuniões Bilaterais e Regionais para tratar de assuntos de pessoal, operações, ensino, logística, doutrina e inteligência (inclusive antiterrorismo), naqueles anos havia reuniões para tratar de assuntos militares, intercambiar informações, experiências e cooperar no combate à ameaça vermelha, evidenciada na luta armada que vingava no Cone Sul. E por que não? Era lógico que os governos agredidos se aliassem contra a guerra revolucionária de âmbito internacional para implantar ditaduras socialistas em toda a América do Sul.
No início dos anos 1960, a Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) exportava a guerra revolucionária a partir de Cuba para todo o Continente. Além disso, como escreveu Hermógenes de Arce em “Terapias para Cérebros Lavados” (Cap. VII; p.277): "En 1974, se fundó en París una Junta de Coordinación Revolucionaria integrada pelo Ejército de Libertación Nacional de Bolívia, Ejercito Revolucionário del Pueblo de Argentina, el Movimiento de Libertación Nacional Tupamaros de Uruguay y el Movimiento de Izquierda Revolucionária de Chile (-) y junto com ellos luchará por fortalecer y acelerar el processo de coordinación de la izquierda revolucionária latinoamericana y mundial". A luta armada no Brasil também era dirigida e financiada pelas matrizes soviética e chinesa e seus combatentes preparados em cursos por elas e nelas organizados. Mas os socialistas nunca se revoltaram com essa Operação Condor Vermelha. Ué, essa podia?
É que eles são os mestres da falsidade e hipocrisia. Presunçosos e prepotentes, julgam-se com direito de agir de forma violenta e traiçoeira para implantar o regime socialista – a democracia do partido único: sem alternância do poder; sem propriedade privada; sem liberdade de expressão; com mercado e bens de produção controlados; e com a Nação servil ao partido, tal qual nos paraísos cubano, soviético e chinês.
OBS:  [1] Suposta ação conjunta estabelecida pelos regimes militares do Cone Sul (da América do Sul) para combater a luta armada na região. A esquerda acusa esta iniciativa por diversas violações aos direitos humanos.
Gen Res Luiz Eduardo Rocha Paiva
COMENTO:  sobre o Foro de São Paulo não se vê ou lê qualquer referência negativa. Contra a subordinação brasileira aos desígnios da Unasur também nada se observa. 
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