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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Um Russo e Seis Colombianos Presos por Subversão em Bogotá

Um deles é Sergei Vagin que transmitia ao vivo os excessos. Embaixada russa se pronunciou.
Sergei Vagin, o russo detido, assegura que não cometeu nenhum delito.
Foto:
 Archivo Particular
Em 30 de março, foram apresentados à audiência de garantias seis pessoas capturadas por supostamente formarem uma rede que movia substanciais somas de dinheiro desde a Rússia e estão vinculados aos vandalismos ocorridos nas manifestações registradas há alguns meses em Bogotá e Medellin.
As capturas ocorreram quatro dias após a divulgação, na imprensa, de vídeos, fotos e evidência que vinculam cidadãos russos com esses fatos.
Recibo de remessas
feitas da Rússia para
a Colômbia.
Foto:  El Tiempo
Um dos capturados é Sergei Vagin, que afirmou trabalhar com apostas esportivas. "Me dedico a apostas esportivas, fiz transmissões ao vivo porque era a melhor forma de fazê-lo, como pode fazer qualquer pessoa, e isso não é delito", sustentou o cidadão russo.
Vagin disse que o dinheiro das transações era próprio e que o trocava com outros analistas da Rússia, que também trabalham com apostas. "Às vezes precisavam enviar para mim, ou eu para eles" explicou.
Porém, para a CIA, o DEA e Agências britânicas, estaria ocorrendo uma operação de lavagem de dinheiro e evasão fiscal de quantia superior a 146 milhões de dólares.
Foram comprovadas transferências para a Colômbia, desde o principal banco russo. Os recursos eram depositados em contas de pessoas de baixo perfil, que faziam saques em pequenas quantias em caixas eletrônicos de criptomoedas ou em espécie. 
Quanto à sua participação nas jornadas de distúrbios e vandalismos em Bogotá, disse que um amigo o convidou para sair no dia dos protestos.  Em seguida, ele postou ao vivo pelo menos dezesseis vídeos sobre os excessos, e entrevistas com jovens que participavam deles.  
O advogado Francisco González, defensor de Vagin, confirmou a captura de seu cliente pela CTI da Fiscalia (denominação dada à Procuradoria ou Promotoria, na Colômbia). "Houve uma diligência na casa dele, às 7 da manhã, e então ele foi detido", afirmou ele.
Sergei Vagin, o russo preso
 em Suba, Bogotá, por
atuar em vandalismos.
Foto: 

El Tiempo


Além disso, explicou que ainda não havia sido agendada a audiência de legalização da prisão, e assim, ele não sabe qual é a acusação feita pela Fiscalia.
Vagin permanece no bunker do ente acusador, diz seu defensor.
Foi apurado que os delitos que serão imputados são os de conspiração para delinquir, utilização ilícita de redes de telecomunicações, transferência não consentida de ativos e acesso abusivo a um sistema informático.

¿O que diz a Embaixada russa?
A Embaixada da Rússia na Colômbia afirmou, no mesmo dia 30, através de um comunicado que "nem  tentou, nem tem intenção de ingerir na vida interna da Colômbia" e qualificou de "insinuações e calunias", as publicações sobre uma suposta ingerência russa nas eleições na Colômbia.
A Embaixada russa qualificou como 'fake news' os informes jornalísticos e destacou que não há tal ingerência nos assuntos da Colômbia. As declarações se deram através de um comunicado oficial.
Verificação de antecedentes
assinada por um membro
da Embaixada.
Foto:  El Tiempo
Também esclareceu que a Rússia respeita o direito do povo colombiano eleger seu futuro e deseja que no país reine a paz. Também explicou que existem mecanismos interestatais para denunciar ações e fatos suspeitos. "O que se faz por canais pertinentes, que estão abertos do lado russo", finalizou.
Antes, havia convocado uma entrevista coletiva com um dos cidadãos mencionados na investigação, depois capturado.
De fato, o cidadão, de 39 anos, ingressou na Colômbia com visto de turista e se movimentava com um certificado expedido pelo terceiro secretario da Embaixada, Nikolay Rycov.
Sergei Vagin e seu advogado. Imagem: El Tiempo.
Vagin assegurou que conhece a Rykov porque "não tinha o que comer nem onde dormir e ele me estendeu uma mão". O diplomata o ajudou a conseguir um certificado de boa conduta que certifica que não tem investigações na Rússia.

COMUNICADO À IMPRENSA, DA EMBAIXADA DA FEDERAÇÃO DA RÚSSIA NA REPÚBLICA DA COLÔMBIA
"Tendo em vista a continuação da campanha mediática local, premeditada e orientada a desacreditar a Rússia e lesionar as relações bilaterais com Colômbia, a Embaixada se vê obrigada a comunicar o seguinte. 
— Causa assombro a postura de alguns meios colombianos que não querem ver os fatos e publicam artigos paranoicos (baseando-se em suas fobias e suspeitas, inventam coisas inverossímeis e depois as assumem como fatos reais, dignos de fazer crer a seus leitores). O último caso é a inventada historia de uma suposta ingerência russa em assuntos internos da Colômbia por meio de alguns personagens (“Shurik”, “Servac”, e “uma cidadã russa dedicada à venda de  frigideiras elétricas”). Já foi desmascarado em nosso Comunicado de prensa e durante a Entrevista Coletiva do Sr.Vagin e seu advogado. Insistimos, essa farsa não tem nada a ver, nem com o Estado russo, nem com esta Missão Diplomática. São puros inventos e parodia de mau gosto das aventuras do Agente 007.
Ao mesmo tempo, alguns meios locais incrivelmente insinuam que o fato de que a entrevista coletiva com o Sr. Vagin se realizou na Embaixada poderia confirmar os laços entre dito Senhor e esta Missão diplomática. É totalmente falso. Dado que toda uma serie de meios colombianos, sob vários pretextos (entre eles, COVID) havia rechaçado convidar ao Sr. Vagin a suas instalações para fazer uma entrevista coletiva, a Embaixada ofereceu a possibilidade de que el Sr. Vagin se comunicasse com os periodistas via Zoom. 
Cabe recordar que, segundo o mesmo Sr. Vagin, ele é um simples analista que presta seus serviços a uma empresa de apostas esportivas. Ele não tem vinculação alguma com o Governo da Rússia ou esta Embaixada. Imaginem quanto dinheiro dos contribuintes colombianos se poderiam ter poupado, se as suspeitas sobre este cidadão russo fossem esclarecidas mediante a interação dos mecanismos policiais interestatais. 
Estamos cientes da detenção do cidadão russo Sergei Vagin em 30 de março de 2022 pelas forças de ordem pública colombianas. Esperamos que os órgãos competentes mostrem imparcialidade e o apego à lei no que se refere a este cidadão da Federação da Rússia. 
A nós, corresponde rechaçar uma vez mais, de maneira mais categórica, os intentos de prejudicar as relações entre Rússia e Colômbia, que se empreendem mediante o lançamento irresponsável de afirmações carentes de prova alguma sobre suposta ingerência do Estado russo em processos internos políticos deste país latino-americano."

Audiência na 11ª Vara Criminal Municipal para controle de garantias.
Imagem: arquivo privado
No dia 1º de abril, perante o 11º Juiz Criminal Municipal para o controle de garantias, três dos sete capturados na quarta-feira passada por pertencer a uma célula chefiada por um cidadão russo, aceitaram as acusações feitas contra eles pelo Ministério Público.
O documento que serviu de suporte à acusação fala do recrutamento de colombianos e até venezuelanos para as atividades.
Entre os capturados que aceitaram as acusações há um membro do CTI, Mauricio García Herreros. Trata-se de um técnico judicial, advogado, que ingressou na  instituição em 2008. Giovanna Gutiérrez e Ana María Gutiérrez também foram autuadas por formação de quadrilha, transferência não consensual de bens e acesso abusivo a um sistema informático.
O russo indicado como líder disse que não cometeu nenhum crime e não aceitou as acusações. Outros que não aceitaram foram os colombianos Ginna Paola García, Jorge Antonio Casas e Cristian Leandro.
Apesar das investigações estarem se concentrando nas transações milionárias que o russo atribui às apostas esportivas, documentos em poder do Ministério Público indicam uma suposta ligação entre ele e o ELN, além do recrutamento de colombianos para se infiltrar nas marchas.
A esse respeito, o advogado de Vagin, Francisco González, afirmou que a Promotoria está misturando questões. "Esse é outro filme, são questões muito complicadas e não é assim porque é outra coisa (...) eles não têm nada a ver com isso."

Sergei Vagin esteve a ponto de obter informação de “caráter ultra secreto” que poria em risco a segurança nacional colombiana. Para isto teria subornado um Coronel do Exército Nacional.
O militar assediado fazia parte do Comando Geral das Forças Militares e tinha acesso privilegiado às estratégias de defesa nacional.
Sem identificá-lo, a Fiscalía assegurou que o oficial foi contatado em 2021 para que compartilhasse o Plano Nacional de Aquisição de Armas, um importante expediente que contém os contatos do Governo para as compras de armamento bélico e onde determina sua distribuição no interior do país e nas fronteiras terrestres e marítimas.
Em troca,o cidadão Vladimir, adjunto da Embaixada russa, ofereceu ao Coronel a soma de 200 milhões e a entrega de um apartamento”, disse o Fiscal encarregado ante o juiz de controle de garantias.

Lavagem de dinheiro internacional
Segundo fontes de Inteligência, entre 2018 e a data da captura, o grupo havia movido mais de 146 milhões de dólares  cerca de 700 milhões de Reais , que eram negociados em criptomoedas para esconder seu rastro das autoridades.
Mas essa quantia fica aquém das quantias milionárias que o russo e seus aliados movimentaram entre Colômbia, México, Cuba, Espanha, Estados Unidos e Alemanha.
Aparentemente, o principal negócio da quadrilha colombiana-russa era lavagem de dinheiro, controlada na Rússia por mais dois homens que a justiça colombiana não conseguiu identificar.
A partir daí, os russos comandariam várias equipes em países latino-americanos por meio de grupos do Telegram e outras redes sociais difíceis de rastrear.
O negocio, seguindo os acusadores, ocorria em três fases. “A primeira era a etapa de recrutar o pessoal. Aqui, os implicados contatavam pessoas de escassos recursos e as convenciam a alugar sua conta bancaria por um determinado tempo para fazer pequenas transações sem gerar alarma nas autoridades fiscais”, revela um dos áudios da audiência.
Nesse ponto, os recrutadores pediam à pessoa o usuário e a senha do cartão de débito e  exigiam que não houvesse nenhum tipo de acesso do dono, enquanto eles as tinham “alugadas”.
Em um telefonema interceptado, Giovanna Edilma Gutiérrez — uma das três implicadas do bando que já admitiram culpa — fala que, em troca do empréstimo do cartão, por dois meses, ela e sua equipe pagariam um milhão de pesos à pessoa e que, também, fariam pagos adicionais de 10 mil e 20 mil pesos por cada retirada presencial que tivessem que fazer em lugares determinados.
Em outra ligação a mesma Giovanna explica a outra mulher que entregou seu cartão, que pagaria 500 mil pesos por cada 30 milhões recebidos em sua conta.
Depois do uso, a terceira fase era completada por advogados e contadores que elaboravam os papéis de declaração de renda, quando necessário, e um “comprovante”, garantindo às pessoas que não teriam problemas legais mais tarde.
Assim, Giovanna Gutiérrez e os que trabalhavam para ela conseguiram utilizar mais de 165 cartões de crédito e débito com os quais atomizavam as transações, que oscilavam entre os 50 e 100 milhões de pesos diários.
Após reunir os recursos, os russos se dedicavam, aparentemente, a investir altas quantias de dinheiro em apostas esportivas, que iam desde partidas de futebol tradicionais até jogos de tênis em uma cidade remota do Japão.
Intriga a Fiscalía, por exemplo, como esta gente conseguia ganhar ao redor de 85 % das apostas que faziam. Uma margem muito maior que o das pessoas comuns que, além disso, nos alerta para possíveis apostas irregulares”, expôs a entidade.

Um assunto de segurança nacional
Mas essas possíveis movimentações milionárias de dinheiro e essas trocas de identidade não são as únicas preocupações das autoridades.
O nome de Sergei Vagin era conhecido pelos agentes de Inteligência de pelo menos seis nações, desde antes de aparecerem as movimentações fraudulentas de criptomoedas.
Meses antes, em 2021, Vagin havia aparecido em vários vídeos nas mãos das autoridades, gravando os distúrbios e seus efeitos na Força Pública durante a greve nacional.
O fato coincide com um pico de movimentos de dinheiro ocorrido em 30 de abril de 2021, data que foi o inicio da linha de tensão com as manifestações pela reforma tributaria”.
Com essa hipótese e alguns movimentos relacionados ao recrutamento de pessoal para desrespeitar limites territoriais determinados, a Fiscalía também crê que o bando poderia estar relacionado com o financiamento de atos de vandalismo e de violência visando agredir os homens da Polícia e do Exército que prestavam seu serviço naqueles dias de manifestações.
A ser verdade, esse poderia ser mais um atrito entre o Governo colombiano e o russo.
As tensões mais recentes entre ambas nações começaram em fevereiro deste ano, quando o Ministro de Defesa, Diego Molano, acusou Moscou de dar apoio militar à Venezuela e por em risco os 2.219 Km de fronteira comum. Nessa ocasião, Colômbia cedeu e pediu calma, advertindo que seguiria vigiando de perto o que ocorreria entre os russos e o governo de Nicolás Maduro.
No entanto, apenas 20 dias depois se soube que o país vizinho havia instalado cinco radares que teriam o propósito de espiar as comunicações internas da Colômbia e, possivelmente, interferir nas operações militares. Em seguida, se conheceram drones russos que vigiavam a fronteira e ambos países exibiram seus armamentos, em demonstrações de força, com o que se ameaçaram mutuamente de maneira implícita.
E assim, as hostilidades entre o governo do presidente Iván Duque e a Embaixada da Rússia na Colômbia não pararam.
Inclusive, a embaixada se pronunciou horas depois da captura do russo, assegurando que a operação foi parte de uma campanha mediática dirigida a desacreditar aquele país.
No sábado, 2 de abril, as partes implicadas estiveram escutando as provas da Fiscalía e o juiz de controle de garantias suspendeu a audiência até segunda-feira. Nessa data, se espera que decida se os deixa em liberdade ou se responderão ao processo em andamento desde uma prisão.
Em todo caso, as autoridades seguirão atrás da pista dos líderes do bando desde o lado russo que, por meio de cooperação internacional, poderiam enfrentar os mesmos delitos de que se acusa a Vagin: transferência não consentida de recursos, concerto para delinquir e acesso abusivo informático.

Assuntos correlatos:
Unidade de Pesquisa
u.investigativa@eltiempo.com
@UinvestigativaET
Fonte: tradução livre de
COMENTO: as atividades de ingerência sobre a América Latina não cessam. As grandes potências mundiais não escondem seus interesses nas riquezas naturais e estratégicas da região. Nossos Serviços de Inteligência e de Segurança não podem vacilar nesse quesito. Não esqueçamos que não existe amizade entre Nações. O que há é criação e aproveitamento de oportunidades.   

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Caçadores de Recompensas Buscam 'Iván Márquez' e 'Gentil Duarte' na Venezuela

Mentores do regime de Maduro tentam enviá-los ao Irã.

Iván Márquez e Gentil Duarte, chefes de dissidências das FARC.
FOTO: EL TIEMPO
A sequência de ataques aos acampamentos das dissidências das extintas FARC em território venezuelano — que iniciou no passado 17 de maio com a morte de ‘Jesús Santrich’ e seguiu com as de ‘Romaña’ e o ‘Paisa’, no início de dezembro — não vai diminuir.
Assim indica um Informe de Inteligência, assinalando que ‘Iván Márquez’, chefe da ‘Segunda Marquetalia’, completou uma semana escondido no estado de Amazonas, na Venezuela. 
O outrora negociador das FARC em Havana está decidindo se volta à Colômbia (por Vichada ou Guainía) ou se finalmente vai para a Nicarágua, depois que terem bloqueado sua viajem para Cuba.

O vídeo de Romaña foi gravado, dias antes de sua morte, de forma clandestina por emissários da Mafia. Foto: EL TIEMPO
Sabe-se que o mesmo comando armado que liquidou os  "lugar-tenentes" da quadrilha seguem ‘Márquez’, ‘Jhon 40’ e ‘Zarco Aldinever’, os cabeças sobreviventes da estrutura criminosa.
Vladimir Padrino López,
ministro da Defesa.
Foto:  AFP
De fato, os caçadores de recompensas também andaram ‘comprando’ dados de outra dissidência que permanece no outro lado da fronteira: a de Miguel Botache Santillana, ‘Gentil Duarte’, e Néstor Gregorio Vera, vulgo Iván Mordisco.
Os enfrentamentos armados em território venezuelano entre essas duas facções criminais — a de ‘Márquez’ e a de ‘Duarte’ — incomodam a influentes granjeiros e empresários dos quais foram ocupados imóveis; um deles conhecido como ‘Peñadero’.
Vários deles são próximos (até mesmo sócios) de dois poderosos do regime, aos quais levaram suas queixas: Diosdado Cabello e o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino.
Militares venezolanos foram sequestrados pelas dissidências de 'Gentil Duarte'.  Foto:  Archivo Particular
A presença e os conflitos entre os bandidos colombianos  também incomodam setores do Exército venezuelano, do qual os ex-FARC já  assassinaram e sequestraram vários integrantes.

Os íntimos de ‘Mordisco’
'Iván Mordisco', um dos chefes
da dissidência.
Foto:  Archivo / EL TIEMPO
De fato, foi denunciada a cobrança de ‘impostos’ que as dissidências vem praticando aos chamados ‘patriotas cooperantes’.
Os extorsionados tratam-se de empresários venezuelanos e, também de narcotraficantes dos quais são cobrados uma substancial percentagem por cada tonelada de cocaína que carregam pelos territórios sob influência da guerrilha, nos estados de Amazonas e Bolívar.
Essas atividades de violência importada tem levado um setor do regime a proporcionar dados e coordenadas de localização dos ex-guerrilheiros colombianos em troca de consideráveis somas que os denominados "caça-recompensas" — não mais de 20 — prometem terminar de pagar com o dinheiro que os governos de Colômbia e de Estados Unidos oferecem pela localização dos membros dessas dissidências.
Passaporte de Álex Saab entre 
os papéis de Pandora.
Foto:  EL TIEMPO
O cerco na Venezuela está se fechando a tal ponto que já se sabe que um grupo vinculado às dissidências de ‘Gentil Duarte’, incluídos familiares, está planejando sair com destino ao Irã nos próximos dias.
A informação que se tem é de que os chamados comandantes ‘Ernesto’ e ‘Adrián’ ou ‘el Intelectual’ estão conseguindo cédulas de identidade e passaportes venezolanos.
O outro a que estão tentando remover é um advogado internacionalista, ligado a ‘Iván Mordisco’, que foi assessor de um dos maiores chefes das ex-FARC.
A intenção é de que possam debandar ao exterior como assessores em matéria de segurança, um mecanismo similar ao que usou, em seu início, Álex Saab”, assegurou uma fonte humana a agentes de Inteligência.

Os IGLA e os fuzis
Agências internacionais investigam entrega de fuzis às ex-FARC.
Foto: Policia Nacional
O informante agregou que estariam pensando fazer o mesmo com aparentados de outros caudilhos que permanecem nas imediações de Capacho — cidade entre San Antonio e San Cristóbal —, próxima à fronteira, e Valencia, custodiados por integrantes do Corpo de Investigações Científicas, Penales e Criminalísticas (CICPC), a anterior PTJ.
Mas, além de deixar os chefes das dissidências fora do alcance dos caça-recompensas, é investigado outro propósito em torno de seu deslocamento ao Irã.
Agências internacionais indagam uma suposta entrega de fuzis às ex-FARC, dentro dos planos que vinham traçando junto com o Hezbolah, o grupo pro-iraniano que vários países ligam a violentos atos terroristas.
Também se investiga o destino de dez (10) dos mais de 3.900 misseis terra-ar portáteis russos (IGLA) que Venezuela tem em seu poder.
Apesar de constarem como baixados do estoque por seu Exército, ninguém sabe sua localização e há temor de que tenham terminado nas mãos das dissidências.



Reunião em Casigua-El Cubo
Nesse local ocorreu a reunião para planejar o atentado contra Iván Duque.
Foto: EL TIEMPO
O sistema de defesa e ataque antiaéreo (os IGLA) lhes permitiria chegar com maior precisão a objetivos como os helicópteros e outras aeronaves militares e de polícia colombianas”, disse um oficial de Inteligência.
Investigam vazamento de informação
 no atentado a Duque. 
Foto: Archivo Particular
E completou dizendo que as dissidências da Frente 33 tem estado atrás de um desses mísseis para executar um ato terrorista antes de 7 de agosto de 2022.
Em uma reunião que fizeram seus chefes — incluído o vulgo Jhon Mechas, o cérebro da sequência de atentados em Cúcuta — foram oferecidos 4.000 milhões de pesos (cerca de 4 milhões de Reais) para repetir os atentados contra o presidente Iván Duque, que falharam em 25 de junho passado.
A reunião, para esse fim, se levou a cabo na zona rural de Casigua El Cubo, capital de um município que se chama Jesús María Semprúm, localizado no estado de Zulia”, explicou uma fonte de Inteligência. E agregou que ‘Jhon Mechas’ ainda permanece nessa zona, a tão somente uns poucos quilômetros de Tibú, Norte de Santander.

A reunião com a CIA
Aeroporto Internacional de Maiquetía, Venezuela. Foto: Google Maps
Sobre ‘Márquez’, agências estrangeiras não descartam que o atentado, em 14 de dezembro passado, no aeroporto Camilo Daza de Cúcuta — que acabou com a vida de dois especialistas em explosivos — tenha sido um ato terrorista diversionista para possibilitar a movimentação do bandido.
Se acredita que, para sair da Venezuela, contariam agora com a complicidade de organizações criminosas locais, como o ‘Trem de Aragua’, que controlam várias passagens fronteiriças ilegais na fronteira.
Nicolás Maduro e seu regime seguem guardando silencio sobre esses fatos. Mas despertou a atenção de vários atores (legais e ilegais) a reunião com um enviado da CIA que teria ocorrido em 7 de dezembro passado.
O que se sabe, até agora, é que no aeroporto de Maiquetía aterrizou o avião estadunidense Phoenix Air 38, o mesmo que teria sido usado em 2019 para evacuar o pessoal da embaixada dos Estados Unidos logo após serem expulsos pelo regime de Maduro.

Os atritos com Daniel Ortega
Daniel Ortega.
Foto: EFE/EPA/AMIT SHABI
/ POOL y Jorge Torres
Para investigadores, ‘Iván Márquez’, que permanece oculto no estado de Amazonas (Venezuela), teria a Nicarágua como sua mais segura rota de escape. Aproveitando que, as relações entre o governo desse país e o colombiano tem se deteriorado.
Primeiro foi pela disputa limítrofe em San Andrés, depois pelo não reconhecimento da reeleição de Daniel Ortega  pela Colômbia, e agora pelas agressivas declarações do presidente nicaraguense, que teriam sido motivadas pela possível chegada de líderes da ‘Segunda Marquetalia’ a Manágua. “Colômbia é um narco-Estado”, disse Ortega nesta semana.
Para o Governo colombiano, se trata de uma estrategia com que Ortega busca distrair a atenção da comunidade internacional, que rechaça com veemência a nova ditadura que se instala no país centro-americano, disse o Ministério de Relações Exteriores em um comunicado.
E adicionou que a resposta de Ortega aos reclamos sobre eleições livres em seu país consiste em atacar a Colômbia para distrair a atenção e censura internacional.
Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
@UinvestigativaET
Leia também:
Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO:  procurei fazer a tradução na forma como o texto foi publicado, e essa apresentação pode nos aparentar um tanto incompleta, mas é assim que age o jornalismo sério internacional. Apresentam o que foi obtido e as conclusões são feitas pelos leitores.
Pelo visto, parece que o Foro de São Paulo já foi para o saco, pelo menos por enquanto. Não adiantou tentarem "refundar" a quadrilha com o nome de Grupo de Puebla. Sem os recursos financeiros que a quadrilha petista mandava desde o Brasil, nem o petróleo venezuelano — cuja extração definha devido à crise que aflige o regime de Nicolas Maduro — não há "motivação" para os bandidos. E, sabemos, "casa em que falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão." O canalha Daniel Ortega, vendo o barco afundar, procura retirar seu feudo do naufrágio iminente. 
Repetindo o que houve no Brasil, os narcoguerrilheiros negociaram um pacto com o fraco governo colombiano que sucedeu Álvaro Uribe — incentivado, tal governo, pelos políticos canalhas vinculados aos terroristas — obtendo inúmeras vantagens. Mas os benefícios foram direcionados só para a cúpula dos canalhas, como sempre ocorre entre "comunistas", e a ralé foi se reorganizar para dar continuidade em suas atividades criminosas. Mais, os EUA não entraram nas negociações. Os criminosos continuam sendo buscados pelos yankees e as recompensas por suas capturas e/ou morte seguem em vigor. Daí o surgimento dos "caçadores de recompensas" que, bem ou mal, estão fazendo o que a justiça falha dos colombianos não faz.
Não esquecendo que as investigações sobre os apoios criminosos às ditaduras socialistas/comunistas seguem ocorrendo. Os delatores venezuelanos estão revelando o que sabem. E na Justiça norte-americana não há os excremerdíssimos brasileiros que autocraticamente anulam processos. Ainda pode sobrar indiciamento para muitos bandidos daqui.
E nesse vai e vem legal, continua o sofrimento do povo daquele país.
Por este motivo, os brasileiros tem o dever, até mesmo a obrigação, de extirpar o câncer representado pelos bandidos travestidos de socialistas/comunistas da vida pública do Brasil. A proteção à vida do Presidente Bolsonaro deve ser priorizada. O General Heleno foi claro. O desespero fará com que a bandidagem tente de tudo. E mais um atentado ao líder do Brasil não é impossível. Se tentaram quando ele ainda era candidato, imaginem agora que sua reeleição é iminente!
Esperemos que não haja necessidade de formação de grupos de caçadores de recompensa por aqui. Se houver, será uma boa fonte de renda para muitos. E fonte de pavor para muitos outros.  

sexta-feira, 22 de junho de 2018

"Trigon" - Espiões Passeando na Noite

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Aleksandr Ogorodnik 
(codinome: Trigon)
Em 22 de junho de 1977 [41 anos atrás],  Aleksandr Ogorodnik, (Trigon), matou-se com uma pílula de veneno fornecida pela CIA, após a KGB detê-lo com base em informes fornecidos por um infiltrado na Agência. Cerca de três semanas depois, a Agente da CIA Martha (Marti) Peterson  sem saber sobre a morte de Aleksandr  foi presa em uma emboscada da KGB enquanto realizava um "dead drop" (Comunicação Sigilosa) em Moscou.
As ruas de Moscou foram um dos mais importantes e perigosos campos de batalha durante a Guerra Fria. Agentes de Inteligência dos EUA como Marti trabalhavam nas sombras com  informantes como Aleksandr, coletando segredos soviéticos. Os soviéticos, por sua vez, vigiavam de perto todos os estrangeiros e os seus próprios cidadãos em busca de sinais de espionagem.
"Trigon" e sua  mini-câmera 
T-100. 
Credit: SPYCRAFT,  by 
Robert Wallace & H Keith Melton
Embora a história de Trigon tenha terminado tragicamente, os dados que Aleksandr forneceu deram aos analistas dos EUA uma ampla visão sobre planos e intenções da União Soviética (URSS) para sua política externa. E foram esses conhecimentos que ajudaram os EUA vencerem a Guerra Fria.
Recrutamento de um Espião
Aleksandr Ogorodnil era um funcionário de nível médio no Ministério de Relações Exteriores (MFA) da URSS servindo na América Latina, tendo acesso às informações a respeito das intenções soviéticas para a região. Ele gostava de sua vida ao estilo ocidental, considerando-a melhor que o sistema vigente na URSS, que ele considerava opressivo.
A CIA recrutou Aleksandr na América do Sul — Bogotá, Colômbia  em 1973. Ao aceitar espionar para a Agência, ele recebeu o codinome "Trigon".
Ele escamoteava documentos da Embaixada e os levava a um esconderijo, onde eram fotografados por agentes da Agência. O material que ele forneceu deu uma visão incomum sobre as políticas soviéticas na América Latina, incluindo planos para influenciar outros governos.
Retorno à Pátria-Mãe 
Antecipando seu retorno a Moscou, Agentes da CIA ensinaram Métodos e Técnicas Operacionais a Trigon. Ele recebeu treinamento em escrita secreta, uso de códigos de criptografia e procedimentos de "dead drop" (recipiente fixo). Uma das primeiras agentes femininas da CIA a servir por trás da Cortina de Ferro, Marti Peterson, foi enviada a Moscou para ser a controladora de Trigon. Na época, a KGB menosprezava a capacidade feminina de realizar Operações de Inteligência, assim, Marti trabalhou despercebida por mais de 18 meses. 
Instruções de "dead drop" para Trigon
Credito: SPYCRAFT.
O valor de Trigon cresceu expressivamente após o seu retorno a Moscou em Outubro de 1974. Ele concordou em continuar a espionar para a Agência, mas condicionou isto a que o governo dos EUA abrigasse sua namorada que estava grávida. Antes de partir para a União Soviética, Trigon solicitou algum dispositivo para suicídio para o caso de ser pego. Após discussões de alto nível em Langley, seus controladores da CIA relutantemente lhe entregaram uma caneta-tinteiro contendo uma cápsula de cianeto.
Alguns meses depois, conforme suas instruções para recontato, Trigon deu um "sinal de vida" em fevereiro de 1975. Como encontros face a face eram muito perigosos, encontros impessoais operacionais — usando marcas de sinalização, mensagens de rádio, dispositivos de ocultamento, "dead drops— começaram em outubro, sendo repetidos mensalmente.
Por aproximadamente dois anos em que trabalharam juntos, Marti e Trigon nunca se encontraram pessoalmente. Eles foram somente dois espiões "passeando na noite".
Ratos Mortos nos "Dead Drops"
Simulacro de pedra para uso em
"Dead drop". Credit SPYCRAFT.
Moscou era um ambiente operacional desafiador. Até mesmo encontrar um simples endereço na cidade era difícil devido aos mapas lá produzidos serem deliberadamente imprecisos. A Agência teve que ser criativa para comunicar-se com seus Agentes, o que regularmente incluía o uso de "dead drops".

"Dead drops" era o meio pelo qual o pessoal de Inteligência recebia ou passava itens de forma sigilosa aos Informantes sem a necessidade de ter um encontro direto.  Costumeiramente, coisas como um tijolo ou uma pedra falsa podem ser usadas como um "dead drop".
Simulacro de pedra aberto. 
Credit SPYCRAFT.
Contendo mensagens ou suprimentos, esses artefatos podem ser depositados em locais pré definidos, como um canteiro de obras, para posterior recolhimento pelo destinatário.
Um dos mais surpreendentes dispositivos de ocultação usados pela CIA eram ratos mortos. A cavidade de seus corpos era suficientemente grande para conter um maço de dinheiro ou um rolo de filme fotográfico. Um pouco de molho de pimenta-do-reino mantinha os gatos afastados, após o "rato morto" ser jogado pela janela de um carro em um ponto combinado previamente de uma estrada.
Bolsa de Marti Peterson,
usada 
nos "dead drop"
 em Moscow.
Marti usou uma bolsa para esconder suprimentos e equipamentos que ela transferiu a Trigon em coberturas de pontos de "dead drops".  Por causa do preconceito da KGB em relação à atuação feminina, a bolsa, assim como a própria Marti, não atraíram suspeitas.
A Toupeira ou O Infiltrado
Trigon logo conseguiu um cargo no Departamento de Assuntos Globais do MFA que lhe dava acesso a mensagens enviadas e recebidas das embaixadas soviéticas em todo o mundo. Ele forneceu dados sensíveis de Inteligência sobre planos e objetivos da política externa da URSS. Suas resenhas chegaram ao Presidente e altos elaboradores da política norte-americana.
Enquanto isso, Karl Koecher, cidadão norte-americano naturalizado, trabalhava na CIA como tradutor e funcionário contratado. Sem o conhecimento da CIA, ele também trabalhava simultaneamente para o Serviço de Inteligência da República Tcheca. Ele teve acesso a informações sobre as primeiras negociações da Trigon com a Agência e informou a seu serviço de inteligência, que então notificou a KGB.
Ponte Krasnoluzhskiy Most,
Moscow, local de dead drop
Credit SPYCRAFT.
Não se sabe quando isso ocorreu, nem em que época o KGB iniciou a investigar Trigon. No início de 1977, todavia, os Encarregados de Caso começaram a notar indicações — principalmente um declínio acentuado na qualidade das fotografias — de que ele havia sido comprometido e estava sob controle da KGB.
A Ponte Krasnoluzhskiy
Trigon nunca compareceu ao encontro agendado para 28 Jun 1977, assim, foi marcado outro por mensagem de rádio, para duas semanas depois.
Em 15 de julho, Marti foi até Krasnoluhskiy Most — uma ponte ferroviária próxima ao Estádio Central Lenin — para efetuar um "dead drop". A ponte atravessa o Rio Moscou e tem uma passarela para pedestres ao longo de um dos lados dos trilhos. Um local havia sido preparado para que Trigon pudesse pegar uma "encomenda" de Marti, e deixar um pacote que seria recolhido por ela mais tarde, naquela mesma noite.
Marti presa. 
Credit SPYCRAFT.
Quando a noite caiu sobre Moscou, Marti deixou um artefato disfarçado em uma estreita janela dentro da torre de pedras na Krasnoluzhskiy Most. Era uma armadilha.
Uma equipe de vigilância da KGB estava esperando e deteve Marti. Eles a levaram para a prisão de Lyubianka, onde ela foi interrogada por horas e fotografada com alguns equipamentos de espionagem que Agentes, e Trigon, costumam usar. Ela foi declarada "persona non grata" (uma pessoa indesejável) e enviada de volta aos EUA imediatamente.
Mais tarde, a Agência descobriu que Alexander Ogorodnik havia se suicidado um mês antes da detenção de Marti. Ele teria dito à KGB que faria uma confissão por escrito e, para isto, pediu sua própria caneta. Marti escreveu em seu livro de memórias, "The Widow Spy", que ele "abriu sua caneta como se fosse iniciar a escrever e mordeu o reservatório, expirando instantaneamente em frente aos seus interrogadores do KGB. Estes estavam tão concentrados em sua confissão que nunca suspeitaram que o reservatório de tinta da caneta continha veneno ... Trigon morreu à sua própria maneira, como um herói,"
Fonte: tradução livre de CIA
COMENTO: por tratar-se de um texto contendo expressões técnicas, pode ter ocorrido algum equívoco devido ao meu precário domínio da língua inglesa.  Um termo que pode gerar dúvidas é o "dead drop", cuja melhor tradução seria "receptáculo fixo", mas que eu preferi deixar como o original.  Qualquer colaboração no sentido de melhorar a compreensão do texto será bem-vinda.
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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Quando Tudo Falhar, Chame o Joe — Um Herói da CIA

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Lembrando o herói e membro-fundador da CIA, Joe Procaccino
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"Você tem que saber onde esteve para saber onde está"
(Joe Procaccino)
Joseph A. Procaccino é uma lenda da CIA. Tendo servido sob todos os diretores da CIA, Joe alcançou um marco único em 2014: 71 anos no serviço de inteligência.
Joe fez parte de todos os aspectos das missões da Agência, desde os primórdios do Escritório de Serviços Estratégicos (OSS) até a Unidade de Serviços Estratégicos (SSU) e do Grupo de Inteligência Central (CIG) de curta duração, até se tornar um membro fundador da CIA, em 1947. 
Ele recebeu numerosos prêmios, incluindo a prestigiosa Medalha do Diretor, e foi um herói em Langley. Mas foram seus sábios conselhos e orientações honradas, no entanto, que o fizeram muito estimado.
"Quando tudo mais falhar, pergunte ao Joe", tem sido um ditado popular na Agência há anos.
Joe morreu tranquilamente aos 93 anos de idade, em 8 de janeiro de 2015, após complicações de uma doença respiratória. 

Nasce uma lenda
Joe, que nasceu na Itália, entrou no mundo da Inteligência por suas habilidades com línguas estrangeiras.
Ele nasceu em 1921 em Bisaccia e veio para os Estados Unidos em 1933. Ele estabeleceu-se com sua família no Bronx, NY, onde freqüentou o DeWitt Clinton High School. 
Como adolescente, ele foi um vocalista notável que cantou na rádio local e em clubes como "The Young Caruso". Ele se formou no City College de Nova York em 1942, com especialização em lingüística.
"Concentrei-me na faculdade em línguas românicas, aspirando a ser professor de italiano", lembrou Joe durante uma palestra que ele deu na sede da CIA, em 2011. "Em dezembro de 1942, um coronel do Exército dos EUA esteve em Nova York entrevistando estudantes com fortes inclinações linguísticas para aprender japonês. Achei que era uma boa oportunidade para aprender um novo idioma". 
Joe foi aceito no Serviço de Inteligência Militar, e começou estudando japonês na Escola de Serviço de Inteligência Militar, na Universidade de Michigan e em Camp Savage em Minnesota

"Missão Dixie"
Então, de março a junho de 1945, Joe foi membro do Grupo Observador dos EUA que fazia parte da "Missão Dixie" na China.
O objetivo da missão era conseguir que os comunistas e os nacionalistas governantes formassem uma coalizão para lutar contra os japoneses.
Para fazer isso, o primeiro contingente dos EUA da missão viajou de avião para Yenan, a capital comunista sob Mao Tse-Tung. 
O segundo contingente, incluindo Joe, viajou mais de 1.200 milhas por comboio motorizado em estradas nunca antes viajadas, da capital nacionalista chinesa de Chungking para Yenan.
Lá, eles moravam em salas que realmente eram cavernas na encosta, sem eletricidade e iluminadas apenas por velas.
Joe trabalhou em estreita colaboração com os comunistas para colecionar inteligência militar sobre as forças japonesas, obter ajuda para resgatar aviadores avariados dos EUA em território inimigo e coletar informações sobre personalidades comunistas, bem como condições meteorológicas.

De Militar a OSS
Enquanto servia na China pós-guerra, Joe deixou seu trabalho militar e se juntou ao OSS. Quando o OSS foi dissolvido no final de setembro de 1945, seus restos foram alojados no Departamento de Guerra como a Unidade de Serviços Estratégicos (SSU).
O Grupo Central de Inteligência (CIG) foi criado em janeiro de 1946 pela Ordem Executiva, e o SSU foi dobrado nesse verão.
Em 1947, Joe tornou-se um membro fundador da recém-criada CIA.
Em uma palestra em 2011 na sede da Agência, Joe enfatizou que as mudanças na inteligência americana após 1945 e o trabalho pioneiro feito pelos precursores da CIA, não são amplamente conhecidos hoje.
"É difícil transmitir o significado dessas organizações de inteligência predecessoras porque não são prontamente discutidas", disse Joe. "Eu posso ser um dos últimos membros restantes capazes de contar seus triunfos".
Joe fez sua missão educar a força de trabalho da Agência em seu passado e enfatizar a importância de aprender com sua história.

Um Herói em Langley
Uma dedicação insuperável para a missão e as pessoas da CIA fizeram de Joe uma lenda.
Em uma visita à CIA em 2004, o Hall of Famer Cal Ripken se encontrou com Joe e, tendo aprendido o serviço em sete décadas diferentes, escreveu: "Joe, agora é uma série impressionante". 
Descrito pelo ex-diretor da CIA, George Tenet, como "O Pai dos Diretores de Todos os Relatórios", Joe inventou, criou ou foi pioneiro em muitas das políticas e procedimentos de gerenciamento de informações que ainda usamos hoje. 
É nesta área que Joe teve talvez o maior impacto.
Joe ajudou a estabelecer padrões para a produção e avaliação de inteligência humana, funções básicas que tocam virtualmente cada parte da CIA.
Ele desempenhou um papel decisivo na colocação em linha do primeiro sistema eletrônico de disseminação da Agência na década de 1970, substituindo um processo puramente manual.
Depois do 11 de setembro, ele empregou seus antecedentes legais — ele obteve seu diploma de Direito em 1955 e foi membro do DC Bar  para moldar, analisar e melhorar as diretrizes que regem a passagem e uso de inteligência por autoridades policiais e de segurança interna.
Nunca se afastou de um desafio, Joe era freqüentemente visto como um líder entre seus colegas.
Ele disse: "A liderança é ação  não apenas uma posição". Era um padrão que ele tentava viver todos os dias em sua própria vida, e um valor que ele passou para as novas gerações de oficiais que regularmente buscavam seu conselho.
Por sua dedicação e serviço excepcional, em 26 de fevereiro de 2003, Joe foi premiado com a Medalha do Diretor de "Fidelidade Extraordinária e Serviço Essencial". Joe já havia sido premiado com a Medalha de Inteligência do Mérito e a Medalha de Inteligência Distinguida, entre outros.

"Ask Joe"
Nenhum resumo de sua carreira ou lista de suas honras e decorações pode capturar toda a extensão das contribuições de Joe para a CIA e para a Comunidade de Inteligência.
Como um serviceman, um oficial de inteligência e um consultor, Joe definiu a forma como a inteligência americana trabalha em todo o mundo.
Sua própria avaliação foi caracteristicamente modesta: "Relembro mais do que nunca sobre os primeiros anos para afetar positivamente o futuro. Tenho a honra de ter sido parte de todas as facetas desta organização e só espero que as gerações mais jovens dos oficiais da CIA entendam seus papéis notáveis ​​e como o que eles fazem hoje afeta o futuro da Agência ".
Na Agência, costumava ser dito que, não importa o problema ou pergunta, a resposta sempre pode ser encontrada nas palavras de um cartaz acima da mesa de Joe: "Pergunte ao Joe". Infelizmente, não podemos mais fazer isso.
Mas Joe nos deixou com um legado diferente de qualquer outro. Sua história está integrada nos próprios fundamentos da Agência, e as futuras gerações olharão para ele por respostas, assim como ele procurou o conselho daqueles que vieram antes dele.
Quando tudo mais falhar, esses futuros oficiais perguntarão: "O que Joe diria?"
Fonte: tradução livre de CIA
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