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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

As Investigações Sobre a Odebrecht na Colômbia

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"A Colômbia foi além no caso da Odebrecht; no Brasil não tem mais nada"
O promotor renunciante Andrés Jiménez revela reuniões secretas com promotores no Brasil e no caso Cemex.
O demissionário Andrés Jiménez afirma que Colômbia avançou muito mais nas investigações dos subornos da Odebrecht.  Foto: Abel Cárdenas
Por Unidade de Pesquisa
Andrés Jiménez, promotor encarregado contra crimes financeiros, renunciou ao cargo, fez malas há oito dias e foi para a Europa para executar um projeto particular. Porém, antes admitiu a El Tiempo que teve acesso ao processo que o Brasil tem sobre o escândalo da Odebrecht e garantiu que o Ministério Público da Colômbia avançou muito mais naquele trabalho.
Além disso, ele revelou que parte dos subornos que o ex-vice-ministro Gabriel García recebeu foram perdidos em investimentos fracassados ​​na Bolsa de Valores de Nova York. E ele disse, ainda, por que os pré-acordos principais no caso Cemex não prosperaram.
Ele também falou de outros processos emblemáticos, como o da Lamborghini dos Ambuila e o processo de lavagem de dinheiro contra o renomado empresário Salomón Kor.
Esta é uma das imagens de Jenny Ambuila no carro de luxo.
Esta é uma das imagens de Jenny Ambuila no carro de luxo.- Foto: Acusação
Jiménez disse que deixa como legado uma Promotoria empoderada, com 500 promotores e investigadores treinados na investigação de crimes financeiros e com a melhor sucessora: Luz Ángela Bahamón.
— Quais foram os principais casos adiantados em seu mandato?
Os Documentos do Panamá; a corrupção no INVIMA e até os produtos "esotéricos" que Stella Durán vendia. Quanto à luta contra o contrabando e a corrupção, o caso mais falado foi o de Ómar Ambuila e sua filha JennyEla morava em uma cobertura na Trump Tower em Miami e tinha uma Lamborghini de US$ 300.000, paga na Colômbia. De mãos com a DIAN, retiramos muitos funcionários corruptos dessa entidade. Também emitimos um mandado de prisão contra Álex Saab  o chamado "testa de ferro" do regime venezuelano  muito antes de ser incluído na lista de Clinton. Somente nas operações de lavagem, nos últimos três anos, processamos 16 bilhões de pesos.
Em termos de extinção de domínio, os resultados também são históricos. De agosto de 2016 até a semana passada, quando me aposentei, esse número estava em pouco mais de 17 bilhões de pesos: [equivalentes a] duas reformas tributárias. Houve resultados notáveis ​​contra o tráfico de drogas e mercadorias que não foram entregues pelos ex-guerrilheiros das FARC, cerca de 2,5 bilhões do total que mencionei.
— O contrabando e a lavagem são comparados ao tráfico de drogas? 

Eles são primos de primeiro grau. Nos dois anos de permanência no cargo, aumentamos a produtividade da Diretoria contra o Branqueamento de Capitais em 65%. Atacamos estruturas que lavavam dinheiro de organizações criminosas. Entre outros, processamos o empresário Salomon Korn, que aparentava trocar cotoveladas com o show business enquanto interceptações mostravam como ele concordava em lavar o dinheiro.
— Dois comerciantes de ouro são processados ​​por lavagem. O que acontece nesse setor?
Hoje, a mineração ilegal constitui uma economia criminosa gigantesca que ataca o meio ambiente e fortalece grupos ilegais. Hoje, é mais lucrativo exportar ouro ilegalmente do que o próprio negócio do narcotráfico. Um quilo de coca nas ruas de Nova York custa US$ 36.000 e um quilo de ouro, US$ 42.000, e os reembolsos são feitos pelos bancos. Faça contas 
Concentramos os esforços nos profissionais de marketing interno, que compravam ouro independentemente da origem e sem cumprir o regulamento. Também em profissionais de marketing internacionais, que movimentam bilhões. Em três anos, foram realizadas operações que representaram quase 12 bilhões de lavagem através dessas operações. 
— Fontes no Brasil disseram a El Tiempo que você viajou para negociar o acordo para acessar as evidências do caso Odebrecht. Por que ele não assinou?
Tens boas fontes. No início do processo da Odebrecht, em 2017, como Diretor da Polícia Financeira (PEF), viajei várias vezes ao Brasil em busca de trocas de dados probatórios. Em junho de 2017, eu me encontrei em Brasília  na companhia de um dos Promotores colombianos no caso Odebrecht — com o coordenador de cooperação judicial do Ministério Público, Vladimir Aras. Havia também cinco ou seis Promotores que faziam parte da Força-Tarefa de Curitiba e Brasília. Trocamos informações. O resultado é que apenas 6 meses após o início do caso na Colômbia, nosso Ministério Público já tinha mais evidências de corrupção do que o Brasil e os Estados Unidos haviam coletado juntos. Os brasileiros ficaram surpresos e informalmente nos mostraram o resumo das evidências que o Ministério Público daquele país tinha e o que os colaboradores haviam dito no processo de Lava Jato.
O acordo proposto pelo Brasil implicava que as evidências que eles nos deram não poderiam ser usadas contra a Odebrecht ou seus executivos. A Colômbia não poderia aceitar essa condição, ainda mais se as evidências existentes já tivessem sido obtidas em nosso país, como resultado de nosso trabalho e dos princípios de oportunidade negociados com Luis Bueno e Eleuberto Martoreli. Teríamos ficado com as mãos atadas. Que eu saiba, a Colômbia foi o primeiro país em que mandados de prisão foram processados ​​e emitidos contra brasileiros. 
Penso que o papel dos 14 promotores do caso Odebrecht na Colômbia não foi reconhecido nem dimensionado aqui. Eles conseguiram descobrir mais coisas do que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou.
Otto Bula, ex-senador da Cordilheira condenado pelo escândalo da Odebrecht. Foto: Abel Cárdenas / A HORA
— El Tiempo revelou evidências que o Brasil tem sobre o caso colombiano. Mas o Supremo Tribunal tenta acessar o arquivo. Será que eles vão encontrar algo mais?
Como é bom que você tenha divulgado essa informação. Sabíamos tudo o que o Brasil tem. De acordo com o que vimos com o promotor com quem viajei, não há mais nada além do que já foi investigado na Colômbia. Eles não encontrarão nada além do que o Ministério Público já investigou e enviou ao Tribunal e a Procuradoria Geral da República.
Em junho de 2017, a justiça estrangeira falava em subornos na Colômbia em dois contratos de 11 milhões de dólares e, nessa época, o Ministério Público já havia estabelecido quatro contratos corrompidos: Ruta del Sol, Ocaña-Gamarra, Estabilidade Legal e Tunjuelo-Canoas, com pagamentos ilegais no valor de 84.000 milhões de pesos, três vezes o valor revelado pelos gringos e pela justiça brasileira. 
— Setores da opinião insistem que não houve progresso aqui como no Peru, com ex-presidentes envolvidos ...
O caso do Peru é diferente. Lá, a corrupção chegou aos bolsos dos ex-presidentes, o que dá muito para manchetes. De acordo com as evidências que vimos no Brasil e as coletadas no país, outro modelo de corrupção foi escolhido aqui: a compra de funcionários de entidades contratantes e congressistas, como aconteceu na República Dominicana. Existem alguns setores que, por razões políticas, continuarão sustentando que, enquanto ex-presidentes e parceiros nacionais da Odebrecht não forem processados, nada foi feito. É um absurdo, pois as muitas evidências coletadas no Brasil e na Colômbia que já são públicas não os envolvem. 
A memória é frágil. Duas semanas após a explosão do escândalo, o ex-vice-ministro Gabriel García e o ex-senador Bula já haviam sido capturados. Nada disso aconteceu na América Latina. Dou uma cifra única: no Brasil 89 pessoas foram processadas, aqui superamos a cifra.
Uma das evidências que o Brasil tem sobre o caso na Colômbia. Luiz Bueno detalhou as reuniões com o vice-ministro Gabriel García Morales e o pagamento de 6,5 milhões de dólares. Foto: El Tiempo
— E sobre as campanhas presidenciais?
A acusação provou há três anos que havia chegado dinheiro a campanhas presidenciais. No início, essas notícias foram recebidas com ceticismo e hoje não são questionadas. No Brasil, havia alguma evidência sobre o financiamento político de 2014, mas eles não sabiam das contribuições de 2010 que encontramos na Colômbia e, de qualquer forma, esse financiamento não estava relacionado a subornos. 
Também conseguimos pela primeira vez na história da cooperação judicial com o Panamá, receber informações bancárias e corporativas. Isso permitiu rastrear todo o dinheiro corrompido. Portanto, o vice-ministro Garcia não é o único envolvido no manuseio de dinheiro sujo. Há mais condenados por corrupção e lavagem de dinheiro. 
Ninguém questiona a justiça americana ou a justiça brasileira no caso da Odebrecht. Aqui, se encontrou o dobro de contratos públicos denunciados internacionalmente por corrupção, foram identificados dezenas de contratos ilegais para mover verbas irregulares, que não eram conhecidas no Brasil, e ficou provado que o dinheiro de propinas era o triplo do valor divulgado pelas autoridades estrangeiras. 
A ironia é que o debate nacional é feito com as informações coletadas pelo Ministério Público da Colômbia.
El Tiempo revelou como foi transferida verba do 'carrossel' das contratações para os EUA. Como está o caso?
Isso era uma dívida que a justiça da Colômbia tinha. Quando assumi o cargo, fizemos um balanço das operações financeiras vinculadas ao 'carrossel' de contratações. Ainda que as investigações de corrupção progredissem  ainda na semana passada, o ex-prefeito Samuel Moreno recebeu sua terceira condenação  o mesmo não ocorreu com a questão financeira. Uma das dificuldades foi montar um rastreio financeiro quase dez anos após a pilhagem. Em alguns casos, a informação já não existia; alguns não queriam cooperar já estando condenados; ou entidades, através das quais os recursos eram movidos, já não existiam mais. Mas tivemos dois resultados importantes. 
Um foi saber como os recursos foram transferidos do 'carrossel' para os Estados Unidos; e o papel do ex-embaixador Fernando Marín Valencia. Descobrimos uma rede de empresas que foram estabelecidas para comprar bens relacionados a Moreno em Miami. As empresas foram liquidadas em 2012, mas ainda estão investigando o que aconteceu após o fechamento. Também foi revelado que parte dos recursos acabou em um projeto imobiliário em Miami, cujo valor comercial seria de 70 milhões de dólares. Essas questões ainda estão em andamento com o objetivo de buscar esses recursos e rastrear outros.
O Ministério Público garante que o dinheiro do saqueio a Bogotá acabou investido em Miami. O caso envolve o ex-prefeito de Bogotá, Samuel Moreno Rojas. 
Foto: Ana Maria García-El Tiempo
— E o outro resultado?
O segundo resultado foi a apreensão de dois apartamentos relacionados com os Nule nos Estados Unidos. Eles valem aproximadamente dois milhões de dólares e foram apreendidos por ordens de um promotor de extinção de domínios da Colômbia. Mais importante ainda, essa medida foi reconhecida por um tribunal federal dos Estados Unidos. Conseguir isso em termos de cooperação judiciária internacional em tão pouco tempo é muito notável. Isso também foi alcançado graças ao acordo de compartilhamento de bens existente com os Estados Unidos, assinado no final de 2016 que, é claro, ajuda a viabilizar essas questões. 
Nesse caso, foram obtidos resultados nunca obtidos antes no Ministério Público, mas também se perdeu tempo por não terem sido feita as perguntas certas no passado. 
— O que aconteceu no caso Cemex com a confissão de dois envolvidos, que estão nos EUA? Por que não foram assinados os acordos preliminares?
As aproximações e negociação foram lideradas por mim, de mãos dadas com promotores do Departamento de Justiça de Washington e do escritório do FBI em Nova York. Viajei duas vezes a convite do Departamento de Justiça para falar com as pessoas que você mencionou. Os depoimentos foram recebidos na presença de funcionários do Ministério Público da Colômbia, do FBI e do Departamento de Justiça [americano]. No caso de Édgar Ramírez  executivo para a América Latina da Cemex , analisadas as informações, ele recebeu uma oferta de acordo, mas a rejeitou em agosto. Com Eugenio Correa, não foi possível chegar a um acordo, porque ele não forneceu todas as informações solicitadas pelo Ministério Público. Apesar disso, a investigação ainda está sendo conduzida de forma independente pelas autoridades dos Estados Unidos. O caso está progredindo e o país conhecerá em breve o alcance desta investigação.
UNIDADE DE PESQUISA 
u.investigativa@eltiempo.com
Fonte: tradução livre de El Tiempo


sábado, 25 de maio de 2019

Dissidências da Narcoguerrilha Agem em 16 Departamentos

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Foto: AFP - As dissidências concentram sua atividade econômica no narcotráfico, além de extorquir agricultores e comerciantes da região.
Por Redação — Justiça
Em novembro do ano passado, as dissidências das FARC passaram a ser classificadas como Grupo Armado Organizado Residual (GAOR) que, por seu nível de periculosidade e capacidade do armamento, podem ser repelidos com o uso de todo o poder do Estado, ou seja até mesmo serem bombardeadas.
Em um relatório de Inteligência da Força Pública é dito que os dissidentes contam com 2.296 homens em armas e 1.452 membros nas redes de apoio. A sua área de interferência seria de 57 municípios localizados em 16 departamentos (estados).
O principal campo de ação está no leste do país, particularmente em Guaviare, Vichada e Meta, onde as antigas FARC agiam com a denominação de Bloco Oriental.
O documento indica que Miguel Botache Santillana conhecido como Gentil Duarteque estaria refugiado na Venezuela — busca unificar os dissidentes tendo enviado emissários para diferentes áreas do país com essa finalidade. "Gentil Duarte" é o chefe do principal grupo dissidente, que tem cerca de 1.400 homens dedicados à produção e ao tráfico de cocaína, que enviam para os cartéis mexicanos usando a Venezuela e o Brasil como plataformas.
Seu segundo em comando é identificado como Néstor Vera, vulgo Iván Mordisco, encarregado de unificar a estrutura do ponto de vista militar. O relatório da Força Pública, conclui que as dissidências concentram sua atividade econômica no narcotráfico, além de extorquir agricultores e comerciantes da região.
O outro grupo forte de dissidentes está no município de Tumaco, em Nariño, com cerca de 800 homens em armas que faziam parte de quatro frentes do Bloco Ocidental das FARC.
Destas dissensões, a frente 'Oliver Sinisterra' liderada por um bandido conhecido como 'Gringo' e as 'Guerrilhas Unidas do Pacífico', cujo líder é tratado como 'Borojo', estão travando uma forte guerra territorial, permitindo que o grupo 'Os Contabilistas' — que tem representantes dos cartéis mexicanos na Colômbia — adquirisse muita força e algum controle sobre as rotas do narcotráfico via oceano Pacífico.
Por outro lado, durante a Minga Indígena, ocorrida entre março e abril deste ano, adquiriu protagonismo Johany Noscué Bototo, vulgo Mayimbú, que tem sob seu comando 200 homens e executou vários ataques na Rodovia Pan-Americana. 
Um outro novo dirigente é conhecido como "Cabuyo", da 36ª Frente das FARC, acusado de assassinar três geólogos em Yarumal, Antioquia, no ano passado. Para informações que levem a esse dissidente, as autoridades oferecem 300 milhões de pesos (cerca de 300 mil reais).


Veja outras notícias relacionadas a isto:
Fonte:  tradução livre de El Tiempo
COMENTO: já escrevi diversas vezes aqui que esse "processo de paz" efetivado com a narcoguerrilha não produzirá paz alguma para os colombianos. A princípio, as "exigências" dos narco-bandoleiros para a concretização desse acordo — apoiadas pelos "analistas" e "especialistas" destacados pela imprensa — expuseram a organização centralizada das decisões do Foro de São Paulo, e o fiel cumprimento de suas ordens pelos seus integrantes. Mesmo assim, alguns ingênuos ou mal intencionados renderam-se à capacidade organizativa dessa criação de Fidel, Lula e Hugo Chavez (que o capiroto o tenha) e deram seguimento à farsa. Vejamos algumas "propostas":
— anistia com um processo judiciário "transicional" — alguns colombianos não caíram nessa esparrela que os canalhas tentam transformar em um mecanismo unilateral de benefícios para um segmento e de perseguição e revanchismo para o outro, como aconteceu no Brasil, e resistem a aceitar as imposições dos bandidos provocando os problemas que estão sendo enfrentados na execução prática da "Justiça Especial para a Paz (JEP)";
anistia aos narco criminosos seguida por indenizações e recompensas para que eles sejam "reinseridos" na sociedade, onde se destaca a instalação de líderes dos criminosos em postos legislativos sem que tenham sido eleitos pela sociedade.
— A procura por "desaparecidos" é outra artimanha para render propaganda (negativa para as Forças de Segurança colombianas, certamente) e recursos financeiros (indenizações) para os narco-bandoleiros.
— A pantomima das "Comissões da Verdade", que foi exitosa na Argentina e no Brasil, onde os patifes conseguiram distorcer a história de suas canalhices, invertendo valores e transformando criminosos em heróis e heróis em bandidos, inclusive penalizando estes, além de promover um revanchismo indecente, maculando não só as memórias dos vencedores da luta armada mas convencendo os mais jovens de que foi graças a eles, os canalhas, que a democracia foi estabelecida. 
— O "controle social" da mídia, a fim de que possam reescrever sua história e manterem o proselitismo de sua ideologia é outra exigência.
Somente os muito alienados e os comparsas desses patifes se recusam a ver que esse sistema idiota que eles apregoam está falido e falindo todos os lugares onde se instalou. Assim, eles tem a necessidade de agir com urgência, conquistando espaços e, principalmente, recursos, pois ninguém é mais ávido por verbas alheias do que um comunista. Temos nossos próprios exemplos e mais recentemente, já vimos o discurso de Castro II o imperador cubano, querendo "indenização" dos EUA pelos anos de bloqueio econômico. Como se a bosta da ilha comunista improdutiva não negociasse sua miséria recebendo donativos — não se pode dizer que comercializa alguma coisa — de diversas nações, inclusive a nossa, sob a capa de "ajuda humanitária". Vergonha na cara parece ser, para eles, só mais uma manifestação burguesa-capitalista.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

FARC Já Busca o Revanchismo - Canalhas!

Sob o amparo de um acordo de paz cuja sombra de impunidade não foi dissipada, as FARC vem agora deitar falação sobre aplicação de justiça.
¿Realmente querem debater sobre impunidades?
Ao anunciar-se no mês passado (01 Nov 18) um acordo político entre a maioria dos partidos políticos com representação no Congresso Colombiano para ajustar algumas normas da Jurisdição Especial de Paz (JEP) relativas ao regime aplicável aos agentes do Estado, dois grupos se afastaram e manifestaram sua divergência com a reforma: o Polo Democrático e o "movimento" FARC.
O Polo, cujos representantes no Legislativo tem o respaldo da legitimidade política por terem sido eleitos democraticamente nas urnas, manifestou por seus porta-vozes que considerava a introdução de modificações ou adições à JEP uma violação à Constituição, pois o regime normativo que define as competências e ligações da JEP não pode ser modificado.
Já as FARC dizem o mesmo, mas acrescentou um elemento que, por tratar-se de quem o esgrime, deve ser submetido a um juízo crítico: que os partidos políticos querem “assegurar a impunidade”, a qual, dizem, tem sido uma constante histórica no país. Se refere, é claro, à impunidade dos agentes do Estado, aos quais sempre tem sido atribuída por essa facção a responsabilidade pelo conflito armado.
A primeira vista, o que dizem as FARC em seu ataque de histeria contra a impunidade poderia ser considerado parte do clima político onde os líderes ostentam cinismo e esquecem suas promessas e programas eleitorais tão facilmente como trocam camisas para fazer o contrário daquilo a que se comprometeram. Mas ouvir representantes das FARC magoados com impunidade excede qualquer cálculo.
O agora Senador “Carlos Antonio Losada” pode explicar seus pontos de vista em uma entrevista coletiva na sede do Congresso, o mesmo Congresso que na legislatura passada convalidou os acordos de paz firmados pelas FARC com o Governo Santos, nos quais a impunidade é uma sombra que ninguém consegue dissipar. O fato de que “Losada” seja hoje um legislador e não esteja cumprindo pena de prisão pelos crimes dos quais participou como dirigente de cúpula da então guerrilha, desobriga que se explique o porque é uma afronta que agora as FARC e seus dirigentes - muitos deles com sentenças suspensas por crimes de lesa humanidade - condenem a impunidade.
Em um sistema democrático, os enganos e fraudes de seus políticos eleitos podem ser sancionados pela cidadania mediante o voto: não os reelegendo na próxima ocasião em que compareçam a eleições. As FARC não terão que temer essa sanção. Pelo acordo assinado com Santos e incorporado à Constituição - inalterável e intocável, segundo eles - tem vagas asseguradas sem necessidade de um único voto. Cinco no Senado e cinco na Câmara dos Deputados, durante três legislaturas. E se forem condenados penalmente pela justiça transacional, isso não será incompatível com o exercício de direitos políticos e de representação, diz o mesmo acordo.
Por outro lado, as instâncias máximas da justiça ordinária (Corte Suprema, Conselho de Estado) vem a muitos anos condenando o Estado colombiano - leia-se os cidadãos que pagam impostos - como responsável patrimonial dos atos terroristas das FARC. A entrega de bens e recursos estatais para a reparação às vítimas tem sido outra fraude.
Diz o pronunciamento das FARC que é inadmissível que magistrados da JEP, que serão eleitos pela institucionalidade (Estado), sejam os que investiguem e julguem os Agentes do Estado, que também são institucionalidade. Pode que sejam tantos anos desconectados do mundo e dos sistemas democráticos os responsáveis pelo desconhecimento do funcionamento de todos os sistemas ordinários de justiça. O que não é habitual, como ocorre na Colômbia, é que a redação do sistema de justiça que se aplicará aos agentes do Estado tenha sido compartilhado por representantes de um Governo e representantes dos que até pouco tempo atrás combateram com armas contra a Constituição, arrasando todos os direitos - vida, integridade, dignidade e bens - dos cidadãos da Colômbia.
Fonte: tradução livre de  El Colombiano
COMENTO:  como era fácil de prever, os canalhas vão estendendo suas redes sobre a democracia colombiana, exigindo cada vez mais, direitos. Ao mesmo tempo, vão expondo suas exigências de revanchismo contra os agentes do Estado que os combateram, particularmente os integrantes das Forças Armadas. De forma similar ao que já conhecemos, vão apresentando reivindicações cada vez mais absurdas - que são aceitas pelos políticos coniventes previamente encastelados no Congresso - buscando vingança.  Igual ocorreu em um grande país latino americano que se destaca dos demais por usar o idioma português.
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sábado, 10 de novembro de 2018

O Policial Que Fingiu Ser Diplomata Corrupto Para Caçar Mafioso

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Na mala diplomática, ele transportou cocaína para o espanhol Jorge Merlo e obteve provas para sua captura.
Por Unidad Investigativa
Foto que Camilo enviou a Jorge Merlo (dir.) como prova de que havia levado uma carga de coca até Madrid. - Foto: Arquivo particular
“Comprei sapatos Hugo Boss, umas roupas elegantes e maletas finas. Mesmo arriscada, a única maneira de capturar o chefão espanhol Jorge Juan Merlo era me infiltrando em sua organização. Agências de quatro países estavam a dez anos tentando captura-lo, sem conseguirem. Mesmo sabendo que era o cérebro dos envios de droga para Europa e Estados Unidos, não havíamos conseguido capturar sequer um quilo para poder prendê-lo, e era essa a minha missão.”
Em junho de 2018, um dos oficiais mais jovens e experientes da Diretoria de Investigações Judiciais e Interpol (DIJIN) da Polícia Colombiana se converteu em "Camilo", um elegante diplomata com passaporte azul, caminhonete blindada e a possibilidade de viajar a qualquer parte do mundo sem que sua bagagem fosse revistada.
Com essa fachada se infiltrou na organização do narcotraficante espanhol e começou a identificar rotinas, substitutos, celulares criptografados e seus contatos mafiosos em três continentes.
Oficiais do departamento de Imigração e Aduanas dos Estados Unidos (ICE) haviam alertado o diretor da DIJIN, General Jorge Luis Vargas de que Merlo, vulgo "Mono" e "Pálido", procurava um transportador para levar cocaína de Cali para a Austrália, Espanha e Turquia, e aí começou o planejamento dos detalhes para infiltrar a sua rede, no qual participaram funcionários colombianos do mais alto nível.
Pelo menos em duas oportunidades, a Polícia da Colômbia havia tentado por a mão no bandido matreiro. Uma delas, quando tentou retirar cocaína em um avião-ambulância desde o aeroporto El Dorado, de Bogotá; e a outra, na denominada Operação Jaguar.
Nesta ocasião, Merlo foi identificado tentando transferir drogas em aviões tipo Cessna desde a Venezuela para a América Central e Estados Unidos. Foi armada uma cilada, mas o ardiloso espanhol nascido em Granada não foi ao local na fronteira onde seria feita a entrega da cocaína e, assim, a operação fracassou.
Mas desta vez, depois do infiltrado ser instruído, Vargas deu a ordem de por em marcha a Operação Embaixador. "Camilo" foi apresentado - por meio de um informante - a John Jairo Coy, vulgo "Coqueto", feitor de Merlo, que coordenava o transporte de cloridrato de cocaína desde o sudoeste do país para aeroportos e portos.
A Armadilha
“Mudei meu sotaque, comprei um broche com a bandeira do país que estaria representando e o coloquei na lapela para participar das reuniões do bando. Em uma delas, ofereci minha mala diplomática para levar um primeiro carregamento para Madri. Depois que me entregaram os 35 Kg de coca em Bogotá, combinamos com uma empresa aérea para que minha bagagem passasse sem ser revistada, e coordenamos a chegada do carregamento com "Ortega", um agente encoberto da Guarda Civil espanhola. Conforme o combinado com Coy, comprei um jornal local, joguei-o sobre o carregamento e enviei uma foto como prova de que havia cumprido o trato”, disse "Camilo".
Ainda que no mesmo dia, em princípios de junho, houvesse a prisão de quatro membros da quadrilha, ninguém suspeitou que "Camilo" fosse um agente infiltrado, e até lhe pediram desculpas pelo "impasse". Além disso, quase imediatamente lhe encomendaram uma tarefa maior: levar 97 Kg para a Austrália.
“Esta missão foi mais difícil. Como não há voo direto de Bogotá a Austrália, a Polícia Federal deste país teve que forjar três maletas iguais às que Merlo havia determinado para levar a cocaína, inclusive uma que tinha uma das rodinhas danificada, para fingir que o carregamento havia chegado. Merlo estava tão entusiasmado com o envio que, no dia em que me entregaram a coca no hotel Torre de Cali mandou me dizer que havia preparado, em outro lugar, uma 'penthouse' (festa) com cocaína e seis pré-pagamentos, que não aceitei, dizendo que primeiro tínhamos que completar o trabalho antes de celebrar”, acrescentou o funcionário.
Isca em Nova Orleans
O plano traçado pela DIJIN resultou ser tão exitoso que Merlo se arriscou a aparecer para a terceira viagem. Inicialmente, disseram a "Camilo" que devia levar 54 Kg à Espanha, mas logo depois ele foi chamado a um McDonald's, em Bogotá, para entregar-lhe 15 Kg adicionais que deviam ser levados com urgência a Nova Orleans.
“A coca para os Estados Unidos era a prova que os agentes do ICE estavam necessitando para autuar as 16 investigações que tinham contra Merlo, por isso concordei. Eu sempre ia acompanhado por um poderoso, mas discreto, esquema de segurança e ver os rostos de meus companheiros me cuidando me tranquilizava nos momentos mais tensos da negociação. Uma das vezes mais difíceis foi quando saí da lanchonete e vi Merlo no estacionamento. Só tive tempo para avisar que o seguissem. Mas, sem dúvidas, o mais angustiante foi quando "desapareceram" um dos meus contatos em uma reunião no Sanandresito da 38 (mercado de importados), depois que um dos carregamentos foi apreendido", recordou "Camilo".
Para comprovar que a coca que ia para Madri havia chegado, Merlo viajou de primeira classe à Espanha e começou a telefonar para o jovem "diplomata" para que celebrassem tomando uns tragos. Ante a negativa do agente encoberto e depois que o carregamento também caiu nas mãos da Polícia, viajou para Istambul (Turquia) para reunir-se com "Tatoo", seu novo e poderoso aliado.
Sem desconfiar que "Camilo" era um oficial, ponta de lança de uma operação transnacional - e imaginando que ele havia se apropriado da droga -, Merlo e seus cúmplices começaram a enviar-lhe ameaças: “Não sabes com quem te metestes; vamos te encontrar; logo terás notícias nossas”.
Mas quando o chefão voltou à Colômbia, já estava tudo pronto para a sua captura - que foi efetivada em 22 de outubro - junto com outras 30 pessoas na Austrália, Espanha e Estados Unidos. A evidência era tão demolidora que o espanhol não teve outra alternativa que aceitar as acusações.
Por isso, o próprio diretor da Polícia, General Jorge Nieto, se encarregou de anunciar os resultados da Operação Embaixador e de condecorar seus participantes, inclusive o falso diplomata, outro herói anônimo na luta contra a máfia.
"Tatoo", o novo objetivo
Segundo informações de agências antimáfia, em uma de suas viagens à Turquia, o criminoso Jorge Merlo se reuniu com "Tatoo", um perigoso narcotraficante nascido em Istambul e com ordem de prisão por terrorismo, emitida pela Alemanha. El Tiempo teve acesso ao prontuário de "Tatoo" e verificou que ele está envolvido no transporte de mais de uma tonelada de drogas para Holanda, Ucrânia, Reino Unido e Alemanha. Além disso, é ligado a "Ismael", alcunha de um curdo que costuma lavar dinheiro de drogas para financiar atividades terroristas.
O suposto sócio de Merlo possui o registro de uma prisão em Istambul, junto a um cidadão espanhol com antecedentes de porte de heroína e morfina. Agências antimáfia, especialmente o ICE, avaliam solicitar a extradição de Jorge Merlo para que responda pelos 16 processos abertos contra ele nos Estados Unidos e, aproveitando a ocasião, revele detalhes a respeito de "Tatoo" e de seus outros contatos para o transporte de coca, inclusive um grupo de narcotraficantes da Costa Rica, com os quais foi visto reunido na Colômbia, em várias ocasiões.
Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.co
Twitter: @uinvestigativa
Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO: para maiores informações, convém ver o vídeo publicado pela rede de televisão Canal1


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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

50 Anos do Assassinato do Capitão Chandler - Esquecer Também é Trair

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Em 12 de outubro de 1968, foi assassinado, friamente, na frente da família, quando saía de casa, em São Paulo, o Capitão do Exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler, vítima de sua cidadania (ver relato completo no ORVIL – Tentativas de Tomada do Poder, págs. 285, 306,308, 309, 310, 311 e 312).
Charles Rodney Chandler cursava a Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, foi morto na porta de sua residência, no Sumaré, na frente da esposa e de um filho de 9 anos, a tiros de metralhadora, por Marco Antonio Brás de Carvalho, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes José Carvalho de Oliveira, todos da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
Marco Antonio Braz de Carvalho, o “Marquito”, era o homem de confiança de Marighella, que dirigia o Agrupamento Comunista de São Paulo e que fazia ligação com a VPR. Em setembro, ele levou para Onofre Pinto, então coordenador-geral da VPR, a possibilidade de ser realizada a ação de “justiçamento” do Capitão do Exército dos Estados Unidos da América, Charles Rodney Chandler, aluno bolsista da Escola de Sociologia e Política, da Fundação Alvares Penteado, e que morava em São Paulo com a esposa e dois filhos pequenos. Segundo os “guerrilheiros”, Chandler era um “agente da CIA” e “encontrava-se no Brasil com a missão de assessorar a ditadura militar na repressão”.
No início de outubro, um “tribunal revolucionário”, integrado por três dirigentes da VPR, ou seja, Onofre Pinto, como presidente, João Carlos Kfouri Quartim de Morais e Ladislas Dowbor, como membros, condenou o Capitão Chandler à morte. Graças a levantamentos realizados por Dulce de Souza Maia, sobre a vítima apurou-se os horários habituais de entrada e saída de casa, costumes, roupas que costumava usar, aspectos da personalidade, dados sobre os familiares e sobre o local em que residia, na casa da Rua Petrópolis no 375, no tranquilo bairro do Sumaré, em São Paulo.
Escolhido o “grupo de execução”, integrado por Pedro Lobo de Oliveira, Diógenes José Carvalho de Oliveira e Marco Antonio Braz de Carvalho, nada é mais convincente, para demonstrar a frieza do assassinato do que transcrever trechos do depoimento de Pedro Lobo de Oliveira, um dos criminosos, publicado no livro - Caso, Antonio: “A Esquerda Armada no Brasil”, Moraes Editores, Lisboa-Portugal, 1976, pág 162:
“Como já relatei, o grupo executor ficou integrado por três companheiros: um deles levaria uma pistola-metralhadora INA, com três carregadores de trinta balas cada um; o outro, um revólver; e eu, que seria o motorista, uma granada e outro revólver. Além disso, no carro, estaria também uma carabina M-2, a ser utilizada se fôssemos perseguidos pela força repressiva do regime. Consideramos desnecessária cobertura armada para aquela ação. 
Tratava-se de uma ação simples. Três combatentes revolucionários decididos são suficientes para realizar uma ação de ‘justiçamento’ nessas condições. Considerando o nível em que se encontrava a repressão, naquela altura, entendemos que não era necessária a cobertura armada”.
A data escolhida para o crime foi o dia 8 de outubro, que assinalava o primeiro aniversário da morte de Guevara. Entretanto, nesse dia, Chandler não saiu de casa, e os três terroristas decidiram suspender a ação. Quatro dias depois, em 12 de outubro de 1968, chegaram ao local às 7 horas. Às 8 horas e 15 minutos, Chandler dirigiu-se para a garagem e retirou o seu carro, em macha à ré. Enquanto seu filho, de 9 anos, abria o portão, sua esposa aguardava na porta da casa, para dar-lhe adeus. Não sabia que seria o último.
Os terroristas avançaram com o Volkswagen, roubado antes, e bloquearam o caminho do carro de Chandler. No relato de Pedro Lobo (idem, pág 164),nesse instante, um de meus companheiros saltou do Volks, revólver na mão, e disparou contra Chandler”. Era Diógenes José Carvalho de Oliveira, que descarregava, à queima roupa, os seis tiros do seu Taurus de calibre .38.
E prossegue Pedro Lobo (ibidem, pág 164-165), que dirigia o carro:
Quando o primeiro companheiro deixou de disparar, o outro aproximou-se com a metralhadora INA e desferiu uma rajada. Foram catorze tiros. A décima quinta bala não deflagrou, e o mecanismo automático da metralhadora engasgou (deixou de funcionar). Não havia necessidade de continuar disparando. Chandler já estava morto. Quando recebeu a rajada de metralhadora, emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto”.
Quem portava a metralhadora era Marco Antonio Braz de Carvalho.
A esposa e o filho de Chandler gritaram. Diógenes apontou o revólver para o menino que, apavorado, fugiu correndo para a casa da vizinha. Após Pedro Lobo ter lançado os panfletos, nos quais era dito que o assassinato fora cometido em nome da revolução brasileira, os três terroristas fugiram no Volks, em desabalada carreira.

É interessante observarmos o destino dos sete envolvidos no crime:
Marco Antonio Braz de Carvalho (“Marquito”), que deu a rajada de metralhadora, viria a falecer, em 26 de janeiro de 1969, após troca de tiros com a polícia.
Onofre Pinto, o presidente do “tribunal revolucionário” que condenou Chandler à morte. Ex-sargento do Exército, foi preso em 2 de março de 1969 e banido para o México, em 5 de setembro, trocado pelo Embaixador dos Estados Unidos, que havia sido sequestrado. Em outubro, foi a Cuba onde ficou quase dois anos, tendo feito cursos de guerrilha. Em junho de 1971, foi para o Chile, com cerca de 20 mil dólares. Em maio de 1973, foi expulso da VPR, tendo sido acusado de “conivência com a infiltração policial no nordeste”, com referência às quedas dessa organização em dezembro de 1972. Temendo ser “justiçado” pela VPR, fugiu para a Argentina onde desapareceu, misteriosamente, em meados de 1974.
João Carlos Kfouri Quartim de Morais, um dos membros do “tribunal revolucionário”, foi expulso da VPR, em janeiro de 1969, alguns meses depois, fugiu do Brasil, com dinheiro da organização. Radicou-se em Paris, onde foi um dos fundadores da revista “Debate”. Professor universitário e jornalista, ele regressou a São Paulo após a anistia, sendo um dos diretores da sucursal da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1983, foi nomeado Secretário de Imprensa do Governo de Franco Montoro, em São Paulo.
Ladislas Dowbor (“Jamil”), também membro do “tribunal”, foi preso, em 21 de abril de 1970, e banido, em 15 de junho, para a Argélia, em troca do Embaixador alemão, outro sequestrado. No exterior, casou-se com Maria de Fátima da Costa Freire, filha do educador comunista Paulo Freire. Após passar por vários países, dentre os quais, Suíça, Itália, Polônia, Chile, Portugal, Cuba e Guiné-Bissau, retornou ao Brasil, após a anistia, e aqui leciona Economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e na Universidade de Campinas.
Dulce de Souza Maia, que realizou os levantamentos sobre Chandler, foi presa, em 27 de janeiro de 1969, e banida para a Argélia, em 15 de junho. Tem curso em Cuba e percorreu diversos países, tais como, Chile, México, Itália e Guiné-Bissau, onde passou a trabalhar para o seu governo. Retornou a São Paulo em agosto de 1979, passando a desenvolver atividades em movimentos pacifistas, tendo sido eleita, em 1980, presidente do “Comitê de Solidariedade aos Povos do Cone Sul”.
Pedro Lobo de Oliveira, o motorista da ação criminosa, foi preso em 23 de janeiro de 1969, quando pintava um caminhão com as cores do Exército, para o assalto ao quartel do 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna. Em 15 de julho de 1970, foi banido para a Argélia, em troca do Embaixador alemão. Em fins daquele ano, foi para Cuba, onde fez curso de guerrilha. Após passar por vários países, dentre os quais Chile, Peru, Portugal e República Democrática alemã, ele voltou a São Paulo, em novembro de 1980, indo trabalhar como gerente de um sítio em Pariquera-Açú, de propriedade da família de Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de subversivos e um dos dirigentes nacionais do Partido dos Trabalhadores.
Finalmente, Diógenes José Carvalho de Oliveira (“Luiz”), que descarregou o seu revólver em Chandler, foi preso em 30 de janeiro de 1969, quando desenvolvia um trabalho de campo em Paranaíba, em Mato Grosso. Em 14 de março, foi banido para o México, trocado pelo Cônsul japonês (mais um dos diplomatas estrangeiros sequestrados), indo, logo após, para Cuba. Em junho de 1971, radicou-se no Chile. Com a queda de Allende, em setembro de 1973, foi para o México e, daí para a Itália, Bélgica e Portugal. Em 1976, passou a trabalhar para o governo da Guiné-Bissau, junto com Dulce de Souza Maia, sua amásia. Após a anistia, retornou ao Brasil, indo residir em Porto Alegre, onde vive com a advogada Marilinda Fernandes. Trabalhou como assessor do vereador do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Valneri Neves Antunes, antigo companheiro de militância da VPR, até outubro de 1986, quando este faleceu, vítima de acidente de auto.
Fonte: adaptado do Blog do Lício Maciel

domingo, 29 de abril de 2018

Garantistas – Há Sinceridade Nisso?

por Gilberto Pimentel
Se dermos uma olhada mais atenta na biografia e no desempenho dos magistrados do STF que um colunista definiu como “garantistas” referindo-se àqueles juízes que pretendem assegurar irrestritamente o que está na Constituição, ser um escravo dos princípios fundamentais da legalidade, da presunção da inocência, do contraditório, do devido processo legal e, sobretudo, da dignidade da pessoa humana, poderemos não ter tanta certeza da nobreza e sequer das suas reais motivações.
Dentre eles, estão aqueles que pretendem rever a possibilidade de prisão a partir da segunda instância, os que abominam a prisão preventiva ou provisória, os que enxergam como ato de tortura a delação premiada, os que desejam a todo custo assegurar imunidades sem limites, os que colocam o habeas-corpus como símbolo da liberdade individual não importa de quem ou porquê, os que pretendem ignorar a opinião pública, os que entendem que os juízes de Curitiba inauguraram um novo código de Direito no País e os que sonham detonar a Operação Lava Jato.
Tudo isso na contramão de todo o esforço que o Brasil necessita da Justiça, hoje, para eliminar a praga da corrupção, punir os criminosos do colarinho branco, dentre governantes, políticos e poderosos empresários que arrasaram a economia do país e frustaram tantas esperanças. Na contramão também daquilo que em todo o mundo vem sendo feito para combater a criminalidade institucionalizada.
Mas para agravar, como disse acima, quando atentamos para a trajetória desses chamados “garantistas”, não sentimos segurança alguma quanto as reais intenções que os movem. Para ser sinceros não damos um tostão furado por elas. Enxergamos condenáveis preferências político-partidárias em alguns, perigosas ligações com políticos e poderosos grupos empresariais em outros e todos esses protegidos, sempre, com contas sérias e pesadas a ajustar com a lei; e até mesmo alguns exemplos de nem tanto apego assim às normas constitucionais vigentes poderiam ser invocados dentre esses juízes. Aqui bastaria lembrar o episódio da ex-presidente cassada que não teve seus direitos políticos suspensos, como exigido pela lei, por conta da interpretação marota do texto constitucional do presidente do Senado com o aval de um chamado “garantista”. Um escândalo que ainda poderá ter sérias consequências nas próximas eleições.
Portanto, amigos, todo o nosso apoio, hoje, aos chamados pelo colunista de juízes consequencialistas, pragmáticos no sentido não pejorativo do termo, que querem julgar com base em fatos, e não em pretensas teses idealistas. Estão movidos pelo desejo maior de terminar com a impunidade dos poderosos. Estão com a Lava Jato. É disso que o Brasil precisa.
É General da Reserva
COMENTO: Esses que se dizem "garantistas", são os mesmos que apregoam que "prende-se muito" no Brasil. A resposta a esse pessoal pode ser feita com base nas pesquisas que apontam que menos de 20% dos crimes (de todos os tipos) que ocorrem no país tem sua autoria determinada em inquéritos policiais. Só isto significa que 80% dos criminosos sequer são identificados, e aí estão inclusos os que cometem mais de 60.000 assassinatos anuais. Ou seja, se a grande maioria dos criminosos não é identificada, muito menos são presos. O que invalida a tese de que se prende muito, pelo contrário, mostra que somos um país com muitos bandidos e que o que está faltando são presídios!

domingo, 1 de outubro de 2017

Fortunas Lícitas e Ilícitas

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Escrevo com o propósito de tentar demonstrar a extensão da roubalheira a que estamos submetidos como cidadãos brasileiros, sem que a maioria da população se dê conta disso.
A alguns dias, em 27 Set 17,  morreu Hugh Hefner, o criador da revista Playboy e suas coelhinhas. Mesmo quem tenha restrições ao seu “estilo de vida” deve reconhecer que ele trabalhou, construiu um império representado por seu palácio luxuoso, cassinos, cabarés, publicações e suas colaboradoras — quase todas bem-sucedidas na vida profissional de modelo. A par disso, enriqueceu; viveu bem; e morreu como muitos gostariam — em um leito luxuoso, acompanhado por uma mulher 35 anos mais jovem. 
Seu sucesso iniciou quando eu sequer havia dado meus primeiros passos. Assim, eu tenho motivos para afirmar que a vida dele foi muito melhor sucedida que a minha, mesmo que tenhamos restrições a suas ações devido a crenças, cultura, hábitos ou de qualquer outro tipo — que podemos resumir na palavra "inveja" (mesmo aquela sem despeito ou rancor). Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que não sou infeliz com a vida e a família que tenho nem com a profissão que exerci e que me proporcionou tudo o que tenho e me faz feliz. Mas a vida de Hugh Hefner me parece que foi bem mais interessante que a minha. E tenho que concordar com um sujeito da televisão que imaginou o falecido chegando ao Paraíso Celeste e sendo recebido por São Pedro que lhe diz: "Acho que vais achar isto aqui um pouco monótono!
Do noticiário sobre a morte dele, me chamou a atenção o fato de que, por ter sofrido alguns revezes financeiros, tenha deixado uma herança estimada em 50 milhões de dólares a ser repartida entre sua última esposa e três filhos, que teve com esposas anteriores. Isto representa cerca de 12,5 milhões de dólares para cada herdeiro. É bastante dinheiro!
Temos, então, que um sujeito de vida invejável a tenha terminado com um saldo financeiro de 50 milhões de dólares. Faço questão de repetir, para que esse valor seja memorizado por quem me dá o honroso privilégio de ler o que escrevo.
Feita a referência, vamos falar sério. Gosto de comparar fatos que, na aparência nada tem em comum. Por isso citei o falecido norte-americano.
Lembremos que faz pouco tempo, encontraram 51 milhões de reais “perdidos” em um apartamento emprestado a um canalha, velho conhecido dos que acompanham as costumeiras putarias do que denominamos política brasileira. 
Ou seja, considerando o atual valor cambial de um dólar valendo pouco mais de três reais, um grandessíssimo fiádaputa — mantido a bastante tempo em cargos públicos, que por si só pagam vencimentos e regalias já fabulosos, graças a boa parte dos eleitores baianos — mantinha escondido dinheiro provavelmente obtido de forma ilegal, no valor de cerca de um terço do que foi adquirido em toda uma vida de trabalho de um “magnata” norte-americano.
Lembremos outro fato. O ladrão Paulo Roberto Costa, pego com a boca na botija em algumas das muitas roubalheiras praticadas contra a Petrobras, dentre outras ações que deveriam envergonhá-lo, ofereceu devolver 100 milhões de dólares roubados que se encontravam depositados no exterior. Aqui, abro um parêntese. Se esse outro fiádaputa se dispôs a devolver 100 milhões de dólares, suspeito que foi no intuito de agir como alguns pássaros que cantam longe de seus ninhos para enganar predadores de ovos. Os 100 milhões entregues, acredito, devem ter servido para desviar a atenção de outras centenas de milhões "preservados" para um futuro não muito longínquo. Afinal, temos leis cretinas feitas por legisladores desonestos e aplicadas por juízes e ministros de tribunais superiores lenientes permitindo as progressões de penas que logo se transformam em verdadeiros indultos. 
Temos, assim, um outro canalha — apenas UM dos muitos envolvidos na pilhagem praticada contra aquela empresa que diziam ser dos brasileiros — que mantinha uma pequena conta bancária no exterior com um saldo que era o dobro do que o pobre “explorador” das coelhinhas amealhou trabalhando toda uma vida.
Poderia citar um grande número de casos similares, mas serviria só para enojar a quem me dá a honra de sua atenção.
Fico por aqui, lembrando um fato ocorrido comigo há pouco menos de vinte anos em Bogotá, Colômbia. Em uma reunião social com diplomatas, fui abordado por um russo que já havia ultrapassado um pouco o limite de segurança de teor alcoólico. Ao saber que sou brasileiro aproximou-se e alegando ter servido em Angola onde aprendeu um pouco do nosso idioma disse preferir falar errado em português do que em espanhol, idioma que lhe parecia mais difícil. Resumindo a conversa, que derivou sobre notícias internacionais, pensei que o russo estava tentando escarnecer-me ao citar que notícias sobre o Brasil, quando aparecem no noticiário exterior quase sempre tratam de grandes roubos e desfalques. Minha irritação se dissipou quando ele complementou dizendo amar o Brasil por sua riqueza, concluindo que sua pátria, a extinta URSS — “segunda potência mundial, quase primeira”, em suas palavras — em função da corrupção, que aparentemente não alcançaria dez por cento do que ocorre no Brasil, foi parar na lata do lixo terrestre, com sua sociedade na miséria e a criminalidade se impondo como forma de sobrevivência do povo em geral.
Fiquei com pena do russo. E lhe dou plena razão, ao mesmo tempo em que me pergunto: até quando nosso povo vai continuar “deitado em berço esplêndido”, brigando e matando por paixões futebolísticas, ao mesmo tempo em que pouco realmente se manifesta sobre a verdadeira “zelite” brasileira (maus políticos, aliados a maus empresários monopolistas e maus banqueiros que compram o povo com migalhas do que roubam descaradamente) que se mantém espoliando esta que deveria ser uma das maiores — senão a maior — potência mundial, devido a suas riquezas naturais?
Até quando continuaremos acreditando nessa mentira deslavada de que empresas estatais são "patrimônio do povo" e assim devem ser preservadas, sem buscar nos informarmos a respeito do que essas empresas tem nos oferecido como sociedade?  Essas empresas servem ao povo ou a políticos indecentes e funcionários aproveitadores?
Até quando continuaremos, aceitando o revezamento no poder de quadrilhas que destroem o Brasil com a conivência de boa parcela da população que se deixa iludir por "salvadores da pátria" e se omite nos momentos de decisão, entregando seu futuro e de seus filhos nas mãos de canalhas como o Cachaceiro Mentiroso e seus quadrilheiros — com destaque para a senhora apelidada de "Amante" nas planilhas da corrupção, a mesma cujo marido é réu em processos de fraudes em empréstimos consignados para funcionários públicos e aposentados — que ora invadem as salas de nossas casas afirmando que "tiraram 35 milhões da miséria", e não falam nada sobre os bilhões que tiraram da "res-pública".
Até quando continuaremos aceitando que nos façam de idiotas enquanto nos fazem acreditar que somos os mais malandros do mundo??
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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Politicamente Correto e a Distorção da Verdade

Polêmica por declarações do General Óscar Gómez sobre homicídios
Ilustração: por Raul Zuleta - El Colombiano 
por Camilo Trujillo Villa
Uma queixa recorrente dos cidadãos é a de que muitos delinquentes e homicidas terminam livres ou pagando penas irrisórias por falhas do sistema judicial. Razão pela qual alguns se alegram e até celebram ao inteirar-se que um infrator da lei foi morto pelas autoridades ou assassinado nas disputas que se dão entre os grupos criminais.
É comum ver nas redes sociais frases alusivas ao uso de força letal para defender-se de um ladrão ou ler como justificam a morte de alguém considerado “malandro”, seja qual for a circunstância.
A conduta de fazer justiça pelas próprias mãos tem que ver, de acordo com Jairo Andrés Cárdenas, psicólogo e docente da Universidade Católica do Norte, na crença de que cada pessoa pode reclamar o direito de estabelecer uma norma social.
“Falta reconhecer o outro como individuo. E isso está se apagando. A impulsividade é a primeira que vige”, assegura.
A socióloga e especialista em Família, Ana Victoria Bedoya expõe que já se perdeu o respeito pela vida e a dignidade dos demais e que as novas tecnologias facilitam esse sentimento.
“A gente julga sem conhecer o contexto social das pessoas. Muitos aproveitam as plataformas virtuais para desafogar-se, destilar ódio e dizer o que não são capazes de sustentar pessoalmente”, comentou Bedoya.
Acrescentou que alguns aproveitam a oportunidade de anonimato proporcionadas por algumas redes sociais para expressar o [mal estar] que lhes causam as injustiças que vivem ou presenciam diariamente.

Mas quando é dito por um General
O que realmente surpreende, é ouvir o General Óscar Gómez Heredia, Comandante da Policía Metropolitana do Vale de Aburrá, dizer que “aquí não assassinam gente de bem, os que estão sendo mortos são aqueles que tem problemas judiciais”.
Essas declarações buscavam argumentar que os golpes que a Instituição tem provocado na criminalidade, tem como consequência um aumento nos homicídios, os quais, segundo o alto oficial, não tem conexão entre si.
A frase não foi bem recebida pela opinião pública.

Legitima a violência 
O sociólogo Max Yuri Gil Ramírez, presidente da Corporação Región, qualifica essa declaração como desafortunada e que a mesma deve gerar um alto nível de preocupação na cidadania. 
“Há três problemas com as palavras do General: primeiro, é como se nos dissesse que há uma espécie de pena de morte para os que tem antecedentes judiciais. Segundo, geram uma legitimação nesta modalidade de violência que tanto dano tem feito ao nosso país; a mal chamada limpeza social, porque faz o jogo dos que sustentam que é aos delinquentes que estão matando e isso está correto, quando [na verdade] é tudo ao contrario. E terceiro, é que estendem um manto de dúvida e de suspeita sobre todas as pessoas que foram assassinadas; esta é uma forma de re-vitimizar os familiares da pessoa que sofreu o homicídio”, manifestou Gil Ramírez.

Esfriar o debate 
O antropólogo Gregorio Henríquez considera que um cidadão pode interpretar as declarações do Comandante da Polícia Metropolitana como uma motivação à celebração de atos violentos. 
“Ainda que sempre há uma opinião pessoal e esta se debe respeitar, se espera que ante os meios de comunicação seja a institucionalidade que pese. Há que se conter ao falar, porque nunca se saberá de que maneira as pessoas entenderão o expressado”, opinou Henríquez. 
O antropólogo sugeriu que se baixe a temperatura do debate, já que o General Gómez Heredia tem sido um oficial muito racional em suas opiniões e que a ele se deve muito da recuperação de espaços que são importantes para a capital antioquenha. 
“Tampouco devemos começar a julgar por declarações que tem um contexto [específico]. E, se houve equivoco, também tem o direito a se retificar. O importante é esclarecer, para que isto não se preste a que algumas pessoas pensem ou digam: ‘se foi dito pelo Comandante da Polícia, é porque é certo ou é o que se deve fazer”, concluiu Henríquez.

Papel das mídias 
Para Diego Sierra, do Observatório de Direitos Humanos e Paz do Instituto Popular de Capacitação, a afirmação não tem fundamento e é muito grave, já que é uma postura que criminaliza a pobreza e “seria como justificar a pena de morte”. 
Considera, ainda, que os meios de comunicação deveriam fazer um esforço em saber o que se informa e o que não. 
“Muitas vezes, por ‘chiva’ [troça], algumas declarações podem gerar incerteza e insegurança em alguns setores da opinião pública. Devemos antepor a segurança e a vida, para que não nos volte a passar o que ocorreu nos anos noventa. A institucionalidade pública tem que estar em função disto, acompanhado pela cidadania”, assegurou Sierra. 
Também sustenta que é obrigação de todos nos manifestarmos contra o que limita a liberdade de participação política e comunitária.

Respeito pela vida 
O prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez Zuluaga, expressou que “é um horror seguir contando mais mortes, temos que falar do respeito pela vida, isto sempre será o mais importante”.

O que se diz sobre os homicídios em Medellin 
O General Óscar Gómez Heredia está a sete meses como comandante da PoliMetro.
O Sistema de Informação para a Segurança e Convivência (SISC), classifica em oito as causas dos homicídios que se apresentam em Medellin:
- associados a furtos, 
- associados a grupos delinquenciais organizados, 
- convivência, 
- violência de gênero, 
- violência intra-familiar, 
- procedimentos da força pública, 
- homicídio culposo, e
- em processo por categorizar (causas diferentes das anteriores). 
Os homicídios associados aos grupos delinquenciais organizados (147 em 2017) são os que lideram a estatística, seguido pelos de convivência e os associados a furtos. 
As comunas de Medellín onde mais se apresentam assassinatos são: Candelaria, Castilla, Doce de Octubre, Robledo, San Javier, Belén e Aranjuez. 
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: Isso mesmo colombianos, reforcem o "garantismo" dos direitos dos bandidos! No Brasil, tivemos o início de movimentos guerrilheiros nos anos 70 e eles foram liquidados rapidamente com o uso de força bruta! Por outro lado, vocês evitaram usar a força contra os bandoleiros das FARC em seu início. Ainda sofrem as dores dessa decisão, sendo até mesmo obrigados a "negociar" com os narcoterroristas que querem anistias e direitos até mesmo políticos. Por aqui, também fomos - e ainda somos - generosos para com os direitos de cidadania dos facínoras ao mesmo tempo em que depreciamos, admoestamos e reprovamos as Polícias e suas ações. O resultado é uma criminalidade totalmente fora de controle, com números de mortes violentas nunca antes alcançados e nossas polícias desmotivadas e tolhidas em seu atuar por leis e críticas de políticos, imprensa mais comprometida com o sensacionalismo que com a verdade, e um sem número de "especialistas" como os citados no texto, criticando a violência policial desde seus escritórios com ar condicionado, sem conhecerem de perto o assunto de que tratam.
Para coroar o ridículo do vezo crítico da notícia, no mesmo dia foi noticiado que o General Gómez se retratou do que havia dito.