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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Heróis Também Perdem Batalhas

Tenente (SEAL) Michael Murphy: Agraciado com a Medalha de Honra por ações durante a Operação Red Wings em 28 Jun 2005.
Em 28 de junho de 2005, bem atrás das linhas inimigas a leste de Asadabad, no Hindu Kush do Afeganistão, uma equipe de quatro homens do Navy SEAL realizava uma missão de reconhecimento na altitude implacável de aproximadamente 3.000 metros. 
Os Tenente Michael Murphy, o Técnico Mnt Armt de 2ª Classe Danny Dietz, o Técnico de Sonar de 2ª Classe Matthew Axelson e o Técnico de Saúde de 2º Classe Marcus Luttrell tinham uma tarefa vital. Os quatro SEALs buscavam localizar Ahmad Shah - um terrorista de 30 e poucos anos que cresceu nas montanhas mais ao sul.
Sob o nome de Muhammad Ismail, Shah liderava um grupo guerrilheiro conhecido na região como os "Tigres da Montanha" que se alinharam com o Taleban e outros grupos militantes perto da fronteira com o Paquistão. 
A missão SEAL foi comprometida quando a equipe foi flagrada por cidadãos locais, que presumivelmente relataram sua presença e localização para os talibãs.
Equipe SEAL (Sea, Air, Land) operando no Afeganistão.
Da esquerda para a direita: Tec Sonar  2ª Classe Matthew G. Axelson, 29 anos; Tec Sist Info Sênior Daniel R. Healy, 36 anos; Intendente de 2ª Classe James Suh, 28 anos; Tec Saúde de 2ª Classe Marcus Luttrell; Tec Mnt 2ª Classe Eric S. Patton, 22 anos; e Tenente Michael P. Murphy, 29 anos.
Com exceção de Luttrell, todos foram mortos em 28 Jun 2005 em apoio a Operação Redwing.
Um tiroteio violento irrompeu entre os quatro SEALs e uma força inimiga muito maior, de mais de 50 milicianos anti-coalizão. O inimigo tinha enorme superioridade numérica sobre os SEALs. Eles também tinham vantagem no terreno. Eles lançaram um ataque bem organizado de três frentes contra os SEALs. O tiroteio continuou incessantemente enquanto a esmagadora milícia forçava a equipe a se aprofundar em uma ravina.
Tentando alcançar a segurança, os quatro homens, agora feridos, começaram a descer pelos lados íngremes da montanha, fazendo saltos de 2 a 3 metros. Aproximadamente depois de 45 minutos de luta, oprimidos por forças avassaladoras, Dietz, o responsável pelas comunicações, procurou um local ao ar livre para fazer uma chamada de socorro à base. Mas antes que conseguisse, ele foi baleado na mão, o tiro lhe quebrou o polegar.
Apesar da intensidade do tiroteio e de ter recebido ferimentos de tiros, Murphy destacou-se por arriscar sua própria vida para salvar a vida de seus companheiros de equipe. Ele, com a intenção de fazer contato com a base, mas percebendo isso seria impossível desde a posição no terreno onde eles estavam lutando, sem hesitação e com total desrespeito por sua própria vida, moveu-se para campo aberto, onde teria uma posição melhor para transmitir uma chamada e conseguir ajuda para seus homens.
Afastando-se das rochas montanhosas protetoras, ele conscientemente se expôs. Este ato deliberado e heroico privou-o de cobertura e fez dele um alvo fácil para o inimigo. Enquanto continuava a ser alvejado, Murphy fez contato com a Força de Reação Rápida na Base Aérea de Bagram e solicitou ajuda. Ele forneceu a localização de sua unidade e o tamanho da força inimiga enquanto solicitava apoio imediato para sua equipe. Atingido por um tiro que o acertou nas costas, o impacto fez com que ele soltasse o transmissor. Mas ele completou a ligação e continuou atirando no inimigo que estava se aproximando. Severamente ferido, o tenente Murphy retornou à posição de cobertura com seus homens e continuou a luta.
Um helicóptero MH-47 Chinook, com oito SEALs e oito  "Night Stalkers" membros do 160º Special Operations Aviation Regiment (Airborne) foi enviado para uma missão de extração e retirar os quatro SEALs em apuros. O MH-47 foi escoltado por helicópteros de ataque do Exército fortemente blindados. Entrando na zona de combate, os helicópteros de ataque foram usados ​​inicialmente para neutralizar o inimigo e tornar a área mais segura para o helicóptero de transporte de pessoal, de blindagem leve.
O maior peso dos helicópteros de ataque diminuiu o avanço da formação, levando o MH-47 a ultrapassar sua escolta blindada. Eles sabiam do tremendo risco de entrar em uma área inimiga ativa à luz do dia, sem o apoio das aeronaves de ataque e sem a cobertura da noite. O risco seria, obviamente, minimizado se eles colocassem o helicóptero em uma zona segura. Mas sabendo que seus irmãos guerreiros foram baleados, cercados e gravemente feridos, a equipe de resgate optou por entrar diretamente na batalha que se aproximava na esperança de conseguir pousar no terreno brutalmente perigoso.
Quando o Chinook chegou na área da batalha, uma granada lançada por um lança-rojão atingiu o helicóptero, matando todos os 16 homens a bordo.
  Equipe do SEAL DVTeam 1:
- Tec  2ª Classe (SEAL) Eric S. Patton, 22 anos;
- Tec de Sist Info (SEAL) Daniel R. Healy, 36; e
- Intendente 2ª Classe (SEAL) James Suh, 28.
Equipe do SEAL DVTeam 2:
- Atirador 2ª Classe (SEAL) Danny P. Dietz, 25.
Equipe do SEAL Team 10
- Bombeiro Chefe (SEAL) Jacques J. Fontan, 36;
- Tenente Comandante (SEAL) Erik S. Kristensen, 33;
- Técnico em Eletrônica 1ª Classe (SEAL) Jeffery A. Lucas, 33;
- Tenente (SEAL) Michael M. McGreevy Jr., 30; e
- Paramédico 1ª Classe (SEAL) Jeffrey S. Taylor, 30 anos.
 "Night Stalkers" do 3º Batalhão do 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais (SOAR):
- Sargento Shamus O. Goare, 29 anos;
- Chief Warrant Officer (Subtenente) Corey J. Goodnature;
- Sargento Kip A. Jacoby, 21;
- Sargento 1ª Classe Marcus V. Muralles, 33;
- Major Stephen C. Reich, 34;
- Sargento 1ª Classe Michael L. Russell, 31;
- Chief Warrant Officer (Subtenente) Chris J. Scherkenbach, 40.
 "Night Stalker" da Companhia do QG, 160º SOAR (Airborne):
- Sargento Mestre James W. Ponder III, 36 anos.
No chão e quase sem munição, os quatro SEALs, Murphy, Luttrell, Dietz e Axelson continuaram a luta. No final do tiroteio de duas horas que ecoava nas colinas e penhascos, Murphy, Axelson e Dietz foram mortos. Estima-se que 35 talibãs também estavam mortos.
O quarto SEAL, Luttrell, foi atingido por uma granada e caiu inconsciente. Recuperando a consciência algum tempo depois, ele conseguiu escapar gravemente ferido e lentamente se arrastou para o lado de um penhasco. Desidratado, com uma ferida de tiro em uma perna, com estilhaços metidos nas duas pernas, três vértebras rachadas; a situação para Luttrell era sombria. Helicópteros de resgate foram enviados, mas ele estava muito fraco e ferido para fazer contato. Viajando sete milhas a pé, ele evitou o inimigo por quase um dia. Felizmente, os cidadãos locais vieram em sua ajuda, levando-o para uma aldeia próxima, onde o mantiveram por três dias. Membros do Taleban foram à aldeia várias vezes exigindo que Luttrell fosse entregue a eles. Os aldeões recusaram. Um dos aldeões foi para um posto da Marinha com uma nota de Luttrell, e as forças dos EUA lançaram uma operação massiva que o resgatou do território inimigo em 2 de julho.
Por sua destemida coragem, espírito de luta intrépido e devoção inspirada a seus homens diante da morte certa, o tenente Murphy conseguiu transmitir a posição de sua unidade, um ato que finalmente levou ao resgate de Luttrell e à recuperação dos restos mortais dos três que foram mortos na batalha.
Este foi o pior número de mortos das Forças dos EUA em um único dia desde o início da Operação Liberdade Duradoura, quase seis anos antes. Foi a maior perda de vida da Naval Special Warfare desde a Segunda Guerra Mundial.
A comunidade Naval Special Warfare (NSW) se lembrará para sempre de 28 de junho de 2005 e os heroicos esforços e sacrifícios de nossos operadores especiais. Nós mantemos com reverência o último sacrifício que eles fizeram enquanto estavam engajados nessa feroz luta de fogo nas linhas de frente da guerra global contra o terrorismo.
Tenente Michael Murphy foi contratado como um aspirante da Marinha em 13 de dezembro de 2000, e começou seu treinamento Básico Subaquático de Demolição/SEAL (BUD/S) em Coronado, Califórnia, em janeiro de 2001. BUD/S é um Curso de formação de seis meses e o primeiro passo para se tornar um SEAL da Marinha.
Após a formatura do BUD/S, ele frequentou a Escola de Paraquedistas do Exército, o Treinamento de Qualificação SEAL e o Curso de Delivery Vehicle (SDV). O Tenente Murphy ganhou seu Tridente de SEAL e foi servir no SDV Team (SDVT) 1 em Pearl Harbor, Havaí, em julho de 2002. Em outubro de 2002, ele foi transferido com o Pelotão Foxtrot para a Jordânia como oficial de ligação do Exercício Early Victor.
Após sua temporada com o SDVT-1, o Tenente Murphy foi designado para o Comando Central de Operações Especiais na Flórida e enviado para o Catar em apoio à Operação Iraqi Freedom. Depois de voltar do Qatar, o tenente Murphy foi enviado para o Chifre da África, Djibuti, para auxiliar no planejamento operacional das futuras missões da SDV.
No início de 2005, Murphy foi designado para a Equipe de SDV SEAL 1 como oficial assistente encarregado do Pelotão Alfa e enviado ao Afeganistão em apoio à Operação Liberdade Duradoura.
O tenente Murphy foi enterrado no Cemitério Nacional de Calverton a menos de 30 quilômetros de sua casa de infância. 
Ele recebeu uma Citação Especial (Elogio) pessoal do Presidente George W. Bush. Os outros prêmios pessoais do tenente Murphy incluem o Purple Heart, o Combat Action Ribbon, a Medalha de Comenda do Serviço Conjunto, a Medalha de Comenda da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais, o Ribbon da Campanha do Afeganistão e a Medalha do Serviço de Defesa Nacional.
Fonte: tradução livre de Medalha de Honra-USNavy
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

¿Retrocede a Esquerda na América Latina?

por Diana Carolina Jiménez
Em novembro passado, os argentinos elegeram Presidente um empresário "de direita" que enfrentou o candidato designado pela presidente Cristina Fernandez, e o Congresso no Brasil iniciou uma investigação para determinar se submete a julgamento político a Presidente Dilma Rousseff, cujos índices de aprovação nas pesquisas permanecem perto de 10 por cento.
No que constitui, talvez, a reviravolta mais importante, o eleitorado venezuelano, onde começou o giro à esquerda da região, entregou a vitória à oposição, por uma margem esmagadora nas eleições legislativas, pela primeira vez desde que o "anti yanqui" Hugo Chavez ganhou a Presidência em 1988.
A reação se produz em meio a uma tormenta econômica que não se via há décadas. Todas as dinastias políticas estão pagando o custo de ter economias em quebra e uma corrupção desenfreada, e os analistas ressaltam que a maioria desses governos em mãos de esquerdistas assumiram quando a economia da China iniciava uma época de forte crescimento nos últimos 15 anos, demandando matérias primas da região.
Agora, que o colosso asiático enfrenta problemas, os preços do cobre, da soja e do petróleo caíram, arrastando as moedas e, com elas, as aspirações de milhões de famílias que ascenderam à classe média surfando na crista daquele "boom".
Ao mesmo tempo, as taxas de juros nos Estados Unidos estão aumentando pela primeira vez em sete anos, o que se soma à pressão sobre as entidades endividadas em dólares.
"No fundo, estamos vendo na América do Sul, de forma geral, um lembrete de que o pêndulo político se move" disse o Senador Antonio Navarro Wolff, ex dirigente da guerrilha esquerdista M-19. "Na última década parecia não mover-se porque a situação econômica era muito favorável".
Sem dúvidas, especialistas consideram que seria um erro dizer que a esquerda tenha perdido toda sua força. O movimento peronista, do qual surgiu Cristina Fernández, conserva a maioria no Senado argentino; o Partido dos Trabalhadores de Rousseff segue sendo a agrupação política mais poderosa do Brasil e os aliados de Maduro obtiveram 33% dos votos, apesar dos prognósticos de uma contração econômica que poderia chegar aos 10%.
Outros esquerdistas obstinados ainda pisam firme, como o equatoriano Rafael Correa, com um índice de aprovação de 41% apesar de sua economia dependente do petróleo se esforçar para não cair em recessão.
Uma possível explicação: em lugar do ressurgimento das direitas, poderá existir uma divisão entre pragmáticos e ideólogos, diz Chistopher Sabatini, um especialista na região e professor na Universidade de Colúmbia.
Até mesmo a Cuba socialista, que há décadas serve como pedra angular da esquerda latino americana, olha para o norte e se esforça para superar meio século de desconfianças da potência norte americana.
Os primeiros sinais de mudança apareceram na posse de Macri. Enquanto que uma amargada Cristina e Maduro brilharam por sua ausência, Correa e o boliviano Evo Morales compareceram. Morales, inclusive, ensaiou jogar futebol com Macri, ex presidente do popular clube Boca Júniors, horas depois de assistir um ato de despedida de Cristina e seus partidários.
Além de tudo, políticos conservadores partidários do livre mercado tem acolhido a tradição esquerdista dos programas sociais para combater a pobreza. Macri insistiu muitas vezes durante sua campanha que manteria uma rede social para os pobres. A coalizão opositora venezuelana, acusada pelo oficialismo de querer entregar os recursos nacionais ao Fundo Monetário Internacional, disse que uma de suas prioridades legislativas seria entregar títulos de propriedade às milhões de famílias a quem Chávez deu moradias gratuitas.
Para o futuro, a centro-direita promete diminuir tanto a hostilidade para com Washington com seus gestos grandiloquentes, quanto as relações com Irã, promovidas por Chávez e a Argentina. Deve concentrar-se em fortalecer as economias mediante controle fiscais e monetários, a luta contra a corrupção e a devolução da independência ao poder judicial e outras instituições.
"É evidente que a direita aprendeu as lições" disse Sabatini, diretor de Global Americans, um grupo promotor do livre mercado. "Enquanto muita gente segue acreditando na esquerda, a crise econômica é tão grave que muitos mais estão dispostos a apostar na mudança".

EM RESUMO
Em lugar do ressurgimento das direitas na América Latina, poderá ocorrer uma divisão entre pragmáticos e ideólogos, segundo analistas. Dizem que há flexibilidade de ambos os lados.

MACRI DERRUBOU O MODELO POPULISTA
Em apenas uma semana a frente do poder na Argentina, o conservador Mauricio Macri implementou uma série de medidas de alto impacto para dar o troco ao modelo populista vigente nos últimos 12 anos: uma aposta arriscada na qual põe em jogo seu capital político. Macri, de 56 anos, derrubou o modelo econômico de sua antecessora, Cristina Fernández, em que o Estado tinha o controle da economia mediante fortes regulamentações financeiras e comerciais e implementou, em questão de dias, uma política de livre mercado. O mandatário eliminou as restrições para a compra de dólares, conhecidas popularmente na Argentina como "el cepo" (arapuca) cambiário, vigente durante todo o segundo mandato de Cristina (2007 - 2015). 
Era uma das disposições mais esperadas pelos mercados. Também eliminou os impostos sobre exportações de vários grãos, como trigo e milho, e reduziu os da soja, uma das principais fontes de divisas e de financiamento dos inéditos planos sociais que o kirchnerismo destinou aos setores mais vulneráveis da população. Foram isentas, ainda, as vendas externas de produtos industriais.
Os direitos às exportações, principalmente, assim como as somas retidas pelo fisco na compra de dólares para poupança e em pagamentos de cartões em moeda estrangeira, abasteciam o Estado kirchnerista com boa parte dos recursos para a destinação universal por filho, que beneficia com uma média de 100 dólares ao mês a dois milhões de famílias sem emprego/renda.

CORRUPÇÃO E RECESSÃO PÕEM O PT EM APERTOS NO BRASIL
Uma economia que a cada dia naufraga mais e um escândalo de corrupção de proporções gigantescas, não só ameaçam derrubar a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, como também destruir o legado do governante Partido dos Trabalhadores e sua luta por liderar a esquerda latino americana.
Especialistas consultados concordam que o partido sofre o pior momento desde sua criação, principalmente por um escândalo de corrupção e subornos na estatal Petrobras, que coincidiu com a queda nos preços das matérias primas, cujas exportações haviam impulsionado o desenvolvimento do país nos últimos anos. A rede de corrupção se desenvolveu por mais de uma década e envolveu cerca de 60 políticos e as maiores das grandes empresas do setor petrolífero e da construção em momentos em que a economia sentia fortes quedas nos últimos três trimestres.
Segundo economistas entrevistados pelo Banco Central, o PIB se contrairá uns 3,6% em 2015. Tudo isto pode derrubar o trabalho de anos do PT - como é conhecido popularmente - que construiu sua liderança lentamente desde inícios dos anos 80 quando o período dos governos militares brasileiros se findava. Naquela época, o partido encontrou sua base política em sindicatos e movimentos sociais, e seu discurso, baseado no exercício ético da política, convenceu o eleitorado.
Também, durante anos, foi granjeando a simpatia das classes populares com seus programas sociais que tiraram milhões de brasileiros da pobreza e os inseriram na classe média.

VENEZUELA, EM UMA SEMANA CHAVE
O maior risco de turbulência, de longe, é apresentado na Venezuela.
Após sua vitória nas eleições legislativas, a oposição parece estar em condições de desafiar o presidente Nicolás Maduro, que se encontra em posição de crescente debilidade. Ao invés de permitir que seus inimigos compartilhem o custo político das reformas necessárias para frear a inflação galopante e a escassez de produtos básicos, Maduro até agora só tem prometido reforçar as políticas estatizantes que mergulharam o pais no pântano ao mesmo tempo em que ignora o que denomina um "Parlamento burguês". 
Na quinta-feira (31/12) a oposição venezuelana fez um chamado aos militares para que garantam o respeito ao resultado das eleições de 6 de dezembro, após confirmar seu desprezo pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça que ordenou suspender de maneira "preventiva e imediata" a proclamação de três dos 112 deputados eleitos.
A Mesa da Unidade Democrática - MUD taxou de ridículas estas impugnações e seus 112 parlamentares eleitos, dois terços do Parlamento, assumiram seus respectivos cargos em 5 de janeiro, como estava previsto, junto aos 55 chavistas eleitos. 

EVO MORALES SERÁ JULGADO EM FEVEREIRO
O presidente da Bolívia, Evo Morales, se colocará em julgamento em fevereiro quando os bolivianos decidirão em referendo se permitirão que ele se apresente a outra reeleição, em um cenário adverso por apresentar os primeiros despontes de recessão e com o populismo latino americano em retrocesso. Os cidadãos do país andino foram convocados para uma consulta popular em 21 de fevereiro, um mês depois que Morales celebre dez anos ininterruptos no poder, que lhe parecem pouco, pois se ganha no referendo e nas eleições de 2019, governará até 2025, estabelecendo assim um recorde de permanência no antigo volátil Palácio Queimado.
Será a competição mais arriscada de Morales, já que não concorre contra a débil oposição, mas contra si mesmo. O mandatário deve demonstrar que sua popularidade saiu ilesa dos escândalos de corrupção que salpicaram seu Governo nos últimos meses; das acusações de autoritarismo por parte da oposição e da retirada de apoio de vários setores indígenas que antes foram seus aliados. Um dos estorvos mais graves que poderá influir no resultado do referendo é o do Fundo Indígena, que destinou milionárias ajudas para cerca de 200 projetos de desenvolvimento que nunca chegaram a ser executados.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Combate Decisivo no Araguaia – Início da Derrota do PCdoB

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Num de seus livros fajutos, Elio Gaspari escreveu que o caso ”Sônia” (a seguir, no próximo capítulo) foi o episódio mais notável da guerrilha, distorcendo propositalmente os fatos e enaltecendo o fanatismo da terrorista ensandecida e espumando de raiva, ódio doentio.
Mais um erro grosseiro causado por muita má fé.
É, talvez, o mais inusitado, por se tratar de mulher e de fanatismo fora do comum, extremado. Mas o combate com o grupo militar da guerrilha foi muito mais importante, muito mais sangrento, tendo desmoralizado o movimento do PCdoB: eles perderam em um único combate, quatro elementos dos mais importantes (um deles entrincheirou-se atrás de uma árvore e conseguiu fugir em desabalada carreira depois de cessado o tiroteio, pois estava sem arma na mão e ninguém atirou nele), todos com cursos na China e em Cuba. O que fugiu, soubemos depois, era o João Araguaia, desapareceu na mata. O “Velho Mário” revelou, na ocasião em que recebeu a notícia da morte dos guerrilheiros, que um deles, o Zé Carlos (“Zequinha”), era seu filho, André Grabois, fato que era desconhecido de quase todos.
O combate do dia 25 de dezembro de 1973, o chafurdo de Natal, também foi muito mais importante que um simples combate não terminado, em que uma guerrilheira fanática acerta dois militares.
Com o combate contra o grupo militar da guerrilha, os bandidos ficaram desmoralizados e, na realidade, foi o começo do fim, passando pelo chafurdo (inegavelmente o mais importante de toda a luta) até a morte de Osvaldão.
O grupo militar, comandado por André Grabois, filho de Maurício Grabois, era o mais selecionado, o melhor, nas palavras do próprio Velho Mário em seu diário. Por este motivo, fazem pouco alarde do ocorrido, dizendo que foram emboscados, que estavam famintos, embora saibam realmente o que aconteceu, uma vez que o que conseguiu escapar deve ter relatado o fato. Uma emboscada fica demonstrado impossível no caso, pois numa perseguição na mata não se sabe onde eles vão passar.
Tudo se originou no assalto ao quartel da PM de São Domingos, ao alvorecer de um determinado dia no final de setembro ou início de outubro de 1973, pegando a guarnição de surpresa.
A Operação Sucuri estava terminada e as ações na mata iam ser iniciadas no dia 3 de outubro. Aproveitando a “calmaria” na mata o grupo militar da guerrilha, comandado por André Grabois, o “Zequinha”, destruiu uma ponte na Transamazônica e ao alvorecer pegaram todos ainda dormindo no quartel. Incendiaram todas as instalações, casa principal, refeitório, almoxarifado, corpo da guarda, casa da estação de rádio, gerador, paiol, levando todo o armamento (fuzis, revólveres), toda a munição e todo o fardamento, todo o dinheiro e material individual, agredindo com coronhadas, torturando e humilhando os militares, inclusive deixando todos de cueca. Uma ação audaciosa e reveladora da grande confiança que possuíam até então. Para eles, reinava inteira calmaria na mata; para os militares o movimento era febril: ia ter início, finalmente, a ação contra os terroristas.
O Zé Carlos, ou Zequinha, ou André Grabois, deixou um recado com o Tenente comandante do destacamento: “Que ninguém ouse nos seguir, pois agora estamos bem armados e o pau vai quebrar…”. E quebrou mesmo, mas para o lado deles, principalmente. Deixou também um comunicado à população, assinado por “Zé Carlos – Comandante do Destacamento A”.
O assalto ao Quartel teve grande repercussão entre a população local, mas foi contraproducente para os bandidos porque os moradores temiam as conseqüências naturais que adviriam. Nas cidades adjacentes, também houve muita perplexidade, receios e histórias mal contadas.
A notícia chegou a Marabá imediatamente; era o que chamávamos “telégrafo cipó”, ninguém sabia como e quem a trouxe. Recebi ordem para ir até lá com minha equipe, “verificar” o que realmente houve e tomar as providências necessárias. Fomos de viatura até a ponte destruída (incendiada), atravessamos o rio à vau pois ainda era época seca, embora as chuvaradas repentinas já começassem.
Chegamos a São Domingos por volta de meio-dia, sob forte calor. Pedi que os homens do povoado viessem falar comigo, para relatarem o que aconteceu, quantos eram no grupo de terroristas e quem o chefiava. Vieram uns vinte moradores. Informado de tudo, expliquei a gravidade da situação e ressaltei que não podíamos deixar de ir atrás do bando. Pedi dois mateiros voluntários para auxiliar seguir os bandidos na mata. As mulheres ficaram de longe, só escutando e observando, mas se aproximaram, vendo que a conversa tinha terminado. Depois de alguns minutos, eles conversando com as mulheres, o João Pedro me trás a decisão: ninguém se apresentou para ir, com medo das mulheres ou dos bandidos (não sei qual o maior).
Vi-me obrigado, então, a ameaçar levar todos. Não tinha alternativa, a não ser que “escalasse dois voluntários” pelas aparências, com risco de opção por meros agricultores de jerimum ou macaxeira. Um bom mateiro teria que se dispor a ir e, como eu não teria garantia de sua competência na mata, deveriam ir dois. A designação tinha de ser deles próprios, lógico.
Como é que eles se negavam, quando os maiores interessados eram eles próprios, que tiveram o posto policial atacado e destruído? Sem polícia para assegurar a ordem, a área seria de ninguém. Depois de muita conversa, apresentaram-se dois mateiros dispostos a irem conosco.
Quando nos embrenhamos na mata fechada já pude vislumbrar toda a dificuldade que seria aquela missão. Após duas horas de marcha, aproximadamente, paramos na beira de um riacho.
Meu problema era grande, pois viemos sem a equipe de apoio e só poderíamos aguentar na mata uns dez dias, no máximo, devido ao pouco sal disponível. Com a batida nítida na trilha, pois além de muito carregados eles iam quebrando muito graveto, completamente confiantes, relaxados, eu sabia que só iríamos voltar quando os encontrássemos, de qualquer maneira. Teríamos que caçar de esbarro para sobrevivência, pois não poderíamos perder tempo procurando caça. Numa segunda parada para descanso, a última do dia, na beira de uma nascente, chamei os guias e expus o problema, no que eles concordaram, informando que a região era de muita caça; marchando silenciosamente poderíamos abater muitas aves e pequenos animais com a 22.
Os bandidos, com a carga pesada que levavam, marchavam devagar, parando muito.
Vários dias seguindo-lhes as pegadas, a despeito das fortes pancadas de chuva que mascaravam as pegadas, obrigava-nos a diminuir a marcha, sabíamos que avançávamos seguramente a cada dia, o que mais ainda aumentava a disposição de encontrá-los, fossem quais fossem as dificuldades. No final de alguns dias, já estávamos com muita fome, pois a ração de combate estava no fim e como tínhamos trazido pouco sal, o churrasco de caça, geralmente mutum insosso ou jabuti completamente sem sal, não ficava apreciável, ou melhor, já estava ficando intragável, principalmente de manhã, como primeira refeição.
Foi quando no alvorecer de um certo dia, antes do café, escutamos três tiros fortes de fuzil, tão nosso familiar e a bulha feita por porcos atingidos, guinchando. Eram eles, a menos de 500 metros, na mata. O confronto só foi acontecer cerca das 15:00 horas. Nesse dia não comemos nada e a sede era grande, pois não atravessamos nenhum córrego. Mas, diante do vislumbre do inevitável, nos esquecemos de tudo.
Eles deram os três tiros às 06:00 horas, caçando porcos monteiros, fazendo uma grande algazarra. Enquanto progredíamos sobre eles, houve três mudanças de posição: a inicial dos tiros nos porcos, a de preparação da caça (esfola e limpeza, quando fizeram fogo para queimar os pelos) e a que fizeram em seguida para feitura de dois caçuás para o transporte da carne, pois ficaram muito carregados. Inicialmente, partimos para o local dos tiros, claro. Eles mudaram de posição e pegaram outro rumo, sempre conversando em voz alta; mudamos o rumo também. Eles pararam e fizeram fogo. Recomeçaram a marcha e em seguida pararam por algum problema, sempre conversando alto. Aí, nós demos a volta e os atacamos pela frente, na direção em que estavam marchando, pegando-os de surpresa.
Equipe em formação de combate em linha, eu sem poder mais rastejar devido à proximidade de um guerrilheiro, levantei-me e gritei a ordem de prisão, obtendo como resposta um tiro dado por um deles que estava de vigia mais atrás e que não tinha sido visto. O revide foi inevitável, imediato. Mero suicídio.
O tiroteio foi intenso e prolongado; quem se mexia tomava bala.
Terminado o tiroteio, silêncio na mata, estavam mortos: “Zé Carlos” (André Grabois), “Alfredo” (Antonio Alfredo Lima), e “Zebão” (João Gualberto Calatroni), todos identificados pelo único sobrevivente, o “Nunes” (Divino Ferreira de Souza), que estava muito ferido, com um projétil que lhe atravessou o corpo transversalmente, entrando no quadril de um lado e saindo na axila do outro lado, quase arrancando-lhe o braço. Mas foi ele quem deu os nomes dos mortos e a importância do grupo, embora falando com muita dificuldade. À noite, mal podia falar. O que conseguiu fugir era o “João Araguaia” (Demerval da Silva Pereira).
Do nosso lado, um soldado com ferimento na perna, julgado a princípio que tinha sido atingida a femoral e outro soldado com distúrbio psicológico (vomitando seguidamente e aparvalhado, parecendo estar sonâmbulo).
Conforme combinado via rádio, os mortos e feridos e todo o material deveriam ser transportados para o sítio da Oneide e entregues ao pessoal do PIC (Pelotão de Investigações Criminais) para a devida identificação.
O local do combate não era identificado nas cartas e as árvores eram muito altas de modo que o helicóptero não podia baixar.
No dia seguinte, bem cedo, iniciamos a marcha. Foram 6 horas através da mata, extremamente difícil, com os cadáveres, feridos e carga sendo transportados em muares que estavam abandonados pelos moradores, e que foram trazidos pelos guias. A munição de fuzil foi destruída, jogada num buraco na mata. Os cadáveres, expelindo sangue e soro, ao passarem na folhagem faziam o retorno dos galhos na nossa cara, de modo que chegamos no sítio da Oneide completamente impregnados, emporcalhados. Além disso, havia um ferido gravemente (o Nunes); o soldado ferido podia andar, mancando, apoiado numa muleta improvisada de pau com forquilha. Foi, realmente, uma dura missão. Começamos a marcha ao raiar do dia e chegamos no sítio da Oneide com os helicópteros já pousando, ao meio-dia, como fora combinado via rádio. Tinham que ser identificados todos eles, claro. O pessoal do PIC ficou com um helicóptero e voltamos no outro, levando o Nunes, para os primeiros socorros em Marabá. Devido à gravidade dos ferimentos, ninguém acreditava que ele se recuperasse. Dias depois, soube que ele morreu.
Dizem os comunas, que o mataram na Casa Azul. Quando Pedro Albuquerque tentou o suicídio na prisão em Fortaleza, se tivesse morrido, estariam dizendo a mesma coisa. Caso o Nunes não tivesse morrido, teria ficado aleijado, pois o projétil destruiu a articulação do braço com o ombro.
Dessa maneira, estava destruído o grupo militar da guerrilha, o mais importante deles.
Numa reportagem na imprensa, um mateiro afirmou que a tropa do Exército já chegava atirando.
Primeiro, os mateiros iam ficando para a retaguarda na iminência do confronto. Ficavam quietinhos lá atrás até o cessar fogo.
Segundo, como os bandidos estavam fardados, tendo o Zé Carlos o gorro de 2º Ten da PM do Pará na cabeça (caki com estrela vermelha), teria obrigatoriamente de ser dada a voz de prisão para certeza de quem se tratava, invariavelmente.
Terceiro, na área agiam vários grupos de combate, principalmente em reconhecimento, o que tornava imperiosa a identificação para não haver acidente entre tropas amigas. Jamais poderia haver precipitação no encontro na mata. E nunca houve, que eu saiba.
Se a intenção fosse realmente acabar com eles, de qualquer maneira, o João Araguaia não teria sido poupado; estava sem arma na mão e ninguém atirou nele.
O mais gritante de tudo, que anula a versão de já chegarmos atirando, é que seria muito mais fácil levar prisioneiros marchando algemados pela mata do que transportar cadáveres em lombo de muares, exudando continuamente na nossa cara, pois íamos tocando os muares.
Dificilmente o local dos combates, em mata fechada, permitia o pouso de helicóptero. Inclusive, eles continuariam carregando as próprias cargas que roubaram. As informações que poderiam fornecer também eram de suma importância e foram perdidas, uma vez que o sobrevivente, o “Nunes”, muito ferido, não estava em condições de falar na manhã seguinte. Ele apenas deu, logo cessado o tiroteio, o nome de cada um componente e da importância do grupo, ainda com sangue quente, logo terminado o combate. Sofreu muito durante a noite e no caminho tendo chegado muito mal no sítio da Oneide, onde foi medicado sumariamente.
Tanto no caso da descoberta do local da guerrilha, como em todos os demais, era dada a voz de prisão. Os três elementos avistados (dois homens sem camisa e uma velha) no final da trilha de Pará da Lama, e que escaparam fugindo para a mata, podiam ter sido alvejados facilmente, tal a proximidade a que chegamos, uns 80 metros. De FAL, era tiro e queda.
O mesmo poderia ter sido feito com o “Geraldo”, que inclusive tentou fugir e poderia ter sido atingido facilmente.
O Pedro Albuquerque está vivo, em Fortaleza, CE, turisticando constantemente ao Canadá (como é bom ser comunista…).
O caso da ”Sônia”, demonstra de maneira insofismável este procedimento das patrulhas, uma vez que ela poderia ter sido alvejada mortalmente ao tentar puxar a arma, mas foi preferido deixá-la ferida, após três ordens seguidas de três advertências sucessivas.
No meu entender, aquela era a hora do “Velho Mário” desencadear a retirada, a única ação lógica que lhe restava. Principalmente em respeito aos seus comandados. Depois, repetiu o erro quando a “Sônia” caiu. Aquela decantada “vitória” no caso ”Sônia”, na qual “vibrou” e elogiou o fanatismo da pobre e infeliz companheira, na realidade selou a sua derrota e morte; ele não teve a capacidade de reconhecer o grande erro de avaliação, isto é, cantou uma vitória totalmente impossível antes de tempo. Esqueceu uma regra básica: nunca entrar numa guerra sem um plano de retirada; jamais entrar numa guerra sem saber como sair dela.
O jornalista Luiz Maklouf Carvalho, durante entrevista comigo, mostrou uma reportagem publicada em um jornal antigo, em que um morador, conhecido como “Vanú” (Manoel Leal Lima), de São Domingos, Transamazônica, declarou que foi guia do Exército no combate em que morreu o “Zé Carlos” (André Grabois). Não o reconheci na foto nem lembrei dele como mateiro. Nas declarações de “Vanú”, dentre as feitas evidentemente com objetivo de agradar o interlocutor tendencioso, além de muita imaginação, ele acertou alguns detalhes que, julguei, ele tivesse ouvido de Luiz Garimpeiro e Antonio Pavão, seus vizinhos em São Domingos e que foram os mateiros que mais serviram à minha equipe. Mas, assim mesmo, resolvi consultar o Cid por e-mail. Eis a resposta:
… Mas, vamos ao que interessa: no caso do “Vanú”, era baixinho, uns 35 a 40 anos, não sei bem, acho que na mata as pessoas aparentam maior idade. Mas lembro que atuou em uma de nossas últimas missões, me ficou na lembrança devido ao fato de que atuou muitos dias reclamando de um problema no joelho, e que o atrapalhava no andar. Não sei porque ele foi escolhido, estando naquela situação para andar. Quanto ao “Vanú” dizer que eu mandei enterrar corpos, é uma grande mentira, mesmo porque uma coisa que jamais passou pela minha cabeça foi a de me preocupar com os corpos do inimigo. Sempre achei que era problema deles, tanto que já escrevi diversas vezes sobre isso e declarei que se fosse para  enterrar o inimigo o Exército teria levado um Pelotão de Sapa, o que não fez. Nossos mortos estão bem enterrados e lembrados com respeito e carinho, o deles era problema deles, se não os recuperaram, com certeza alguma onça o fez”.
Jamais eu levaria para a mata alguém estropiado, nem militar nem civil, mormente o mateiro, pois andávamos o dia inteiro, dia após dia, como cantiga de grilo… Ainda mais numa missão prolongada, em que teríamos de andar muitos dias na mata, e reconhecidamente perigosa pelo número de guerrilheiros que informaram compor o grupo, agora já bem armados de fuzil e com muita munição.
“Vanú” pode ter sido mateiro daquela missão, o que não foi confirmado pelo Cid, por sinal uma das mais difíceis missões dentre todas, mas, pelas mentiras que disse, perdeu a credibilidade. De tudo que declarou, só acertou Cid e Adulpro (que muito bem pode ser Asdrúbal); muito pouco proporcionalmente ao que errou. No meu entendimento, acho que ele deve ter ouvido as conversas dos dois guias, que, aliás, eram da mesma vila de São Domingos. Mentiu muito. Só poderei confirmar que um dos guias era o Vanu depois de conversar com ele. Fica tranqüilo, Vanu, que da próxima o Adulpro se lembrará de você.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Enquanto Isto, na Sala da Justiça

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Lewandowski Sai do Plenário Irritado
O ministro revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski, saiu nesta segunda-feira (12/11) irritado do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo ele, o ministro relator do processo, Joaquim Barbosa, o ofendeu durante a sessão. Eles discutiram após Barbosa acusar Lewandowski de demorar na dosimetria das penas lendo artigos jornalísticos.
A surpresa é a lentidão em proferir os votos. [...] Estou surpreendido com a ação de obstrução de vossa excelência”, disse Barbosa.
Hoje a maioria dos ministros decidiu pela pena de 2 anos e 11 meses de reclusão para o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) pelo crime de formação de quadrilha
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José Dirceu é condenado a 10 anos e 10 meses de prisão em regime fechado
O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) foi condenado nesta segunda-feira   a 10 anos e 10 meses de reclusão.
Ele é considerado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como o "mandante" do esquema do mensalão e, além da prisão, Dirceu terá que pagar uma multa de R$ 676 mil. 
A lei determina que punição superior a 8 anos de reclusão tem de ser cumprida em regime fechado. Dirceu foi condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa por comandar o esquema de pagamento de propina a parlamentares da base aliada do governo do ex-presidente Lula.
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Genoino é condenado no STF a 6 anos e 11 meses de prisão
O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu nesta segunda-feira a pena do ex-presidente do PT José Genoino: 6 anos e 11 meses de prisão, além de multa no valor R$ 468 mil. Ele foi considerado culpado pelos crimes formação de quadrilha e corrupção ativa no julgamento do mensalão.
Pelo Código Penal, as penas superiores a 8 anos de prisão devem ser cumpridas em regime fechado, desta forma, ele poderá cumprir a pena em regime semiaberto.
É tão grave o comportamento do réu que se ele fosse detentor de mandato seria passível de desqualificação, pela perda do mandato, por ato que configura atentado ao decoro parlamentar”, disse o ministro Celso de Mello sobre o réu.
Antes do intervalo, Joaquim Barbosa fixou também a pena de 2 anos e 3 meses de reclusão para Delúbio Soares por formação de quadrilha. Agora, os ministros tentam convencer o revisor a voltar ao plenário.

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Delúbio Soares é condenado a 8 anos e 11 meses de reclusão pelo Supremo
O Supremo Tribunal Federal (STF) fixou nesta segunda-feira (12) a pena de 8 anos e 11 meses de reclusão ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, além de multa de R$ 325 mil. Ele foi condenado pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa. Por ter ultrapassado a marca de oito anos de prisão, Delúbio deverá cumprir a pena em regime fechado.
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Lula disse não ter visto condenação do ex-chefe da Casa Civil do seu governo
O ex-presidente Lula desconversou mais uma vez ao ser indagado sobre o julgamento do mensalão, chegando ao ponto de fingir não saber que o homem de sua maior confiança no governo, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu havia sido condenado a quase doze anos de cadeia. "Não achei (nada) porque não vi, meu filho. Deixa eu ver", afirmou a um jornalista. Ele estava em Barueri, na Grande São Paulo, pelas 18h, após participar da abertura das Olimpíadas do Conhecimento.
Imagens de Sponholz
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Quarta Cópia

Dá-se a prudência como característica marcante dos mineiros.
Teria a ver, segundo os estudiosos, com a paisagem das cidadezinhas de horizonte limitado, os depósitos de ouro e de pedras preciosas explorados no passado até se esgotarem, e a cultura do segredo e da desconfiança daí decorrente.
Não foi a imprudência que afundou a vida de Marcos Valério. Foi Roberto Jefferson mesmo ao detonar o mensalão.
Uma vez convencido de que o futuro escapara definitivamente ao seu controle, Valério cuidou de evitar que ele se tornasse trágico.
Pensou no risco de ser morto. Não foi morto outro arrecadador de recursos para o PT, o ex-prefeito Celso Daniel, de Santo André?
Pensou na situação de desamparo em que ficariam a mulher e dois filhos caso fosse obrigado a passar uma larga temporada na cadeia. E aí teve uma ideia.
Ainda no segundo semestre de 2005, quando Lula até então insistia com a lorota de que mensalão era Caixa 2, Valério contratou um experiente profissional de televisão para gravar um vídeo.
Poderia, ele mesmo, ter produzido um vídeo caseiro. De princípio, o que importava era o conteúdo. Mas não quis nada amador.
Os publicitários de primeira linha detestam improvisar. Valério pagou caro pelo vídeo do qual fez quatro cópias, e apenas quatro.
Guardou três em cofres de bancos. A quarta mandou para uma das estrelas do esquema do mensalão, réu do processo agora julgado pelo Supremo Tribunal Federal.
Renilda, a mulher dele, sabe o que fazer com as três cópias. Se Valério for encontrado morto em circunstâncias suspeitas ou se ele desaparecer sem dar notícias durante 24 horas, Renilda sacará dos bancos as três cópias do vídeo e as remeterá aos jornais O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo. (Sorry, VEJA!)
O que Valério conta no vídeo seria capaz de derrubar o governo Lula se ele ainda existisse, atesta um amigo íntimo do dono da quarta cópia.
Na ausência de governo a ser deposto, o vídeo destruiria reputações aclamadas e jogaria uma tonelada de lama na imagem da Era Lula. Lama que petrifica rapidinho.
A fina astúcia de Valério está no fato de ele ter encaminhado uma cópia do vídeo para quem mais se interessaria por seu conteúdo. Assim ficou provado que não blefava.
Daí para frente, sempre que precisou de ajuda ou consolo, foi socorrido por um emissário do PT. Na edição mais recente da VEJA, Valério identifica o emissário: Paulo Okamotto.
Uma espécie de tesoureiro informal da família Lula da Silva, Okamotto é ligado ao ex-presidente há mais de 30 anos.
No fim de 2005, um senador do PT foi recebido por Lula em seu gabinete no Palácio do Planalto. Estivera com Valério antes. E Valério, endividado, queria dinheiro. Ameaçava espalhar o que sabia.
Lula observou em silêncio a paisagem recortada por uma das paredes envidraçadas do seu gabinete. Depois perguntou: "Você falou sobre isso com Okamotto?"
O senador respondeu que não. E Lula mais não disse e nem lhe foi perguntado. Acionado, Okamotto cumpriu com o seu dever. Pulou-se outra fogueira. Foram muitas as fogueiras.
Uma delas foi particularmente dramática.
Preso duas vezes, Valério sofreu certo tipo de violência física que o fez confidenciar a amigos que nunca, nunca mais voltará à prisão. Prefere a morte.
Valério acreditou que o prestígio de Lula seria suficiente para postergar ao máximo o julgamento do processo do mensalão, garantindo com isso a prescrição de alguns crimes denunciados pela Procuradoria Geral da República.
Uma eventual condenação dele seria mais do que plausível. Mas cadeia? E por muito tempo? Impensável!
Pois bem: o impensável está se materializando.   E Valério está no limiar do desespero.
Fonte:  Blog do Noblat
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domingo, 8 de julho de 2012

Vencimentos dos Militares - Porque Estamos Assim

por Haroldo Amorim
Dia desses conversei com o Mike, um inglês boa praça casado com uma brasileira, dono de uma lan house perto da minha casa. A conversa descambou para política, pobreza e corrupção no Brasil. No meio do papo, o Mike externando a verve da lógica saxônica soltou a seguinte pergunta: o Brasil tem muitos pobres, mas alguém perguntou o motivo da pobreza? Espantosa e simples indagação. Concluímos que a pobreza é prima da ignorância, filha da corrupção, neta da omissão, irmã do populismo e bastarda da ausência de oportunidades. Saí de lá com esse pensamento. Diante dos atuais, e porque não dizer históricos problemas salariais dos militares brasileiros, cabe também a lógica pergunta do Mike: porque as Forças Armadas ganham mal?
As explicações são várias: estrutura verticalizada da autoridade, com as decisões centradas no que manda mais, ou seja o Comandante. Quem manda é o Comandante. Por isso, quem está logo abaixo quer o cargo dele. É a fila que anda sem marolas, e assim vai até a base. Daí o círculo vicioso dos emarolados que não querem se queimar ou se indispor, de olho numa merreca a mais como insinuou o Lula. Militares são “migalheiros”, o Lula acertou. 
Outra explicação, consequência da primeira, é a acomodação com a miséria. Estamos precariamente aparelhados e equipados, nos acostumamos a cumprir a missão constitucional dessa forma, aliás muito bem. Nossos hotéis de trânsito são ruins, habitamos moradias acanhadas porque incorporamos esse modo acochambrado de viver, afinal somos militares e militar não pode ter conforto. Daí nos contentarmos com migalhas salariais, como disse o Lula. Sempre foi assim. É o conformismo da merreca, pior do que não vir nada...., já dizia o meu avô.
Uma terceira explicação é a conveniência da disciplina. A disciplina é usada para justificar a mudez conveniente. Não podemos dizer isso ou tomar tal atitude porque somos disciplinados, o regulamento não permite, temos de acreditar nos chefes, não posso manifestar porque o estatuto assim o exige, então só resta mandar a mulher protestar batendo panela, isso é ridículo. Alguém já viu mulher de juiz, político, diplomata, auditor da receita ou procurador batendo panela no meio da rua?
Marola quando justa não faz mal a ninguém, pelo contrário, alerta sobre um estado de coisas. O que é mais feio: esposa batendo panela ou a penúria com disciplina? As carreiras citadas acima são carreiras de estado, mas os militares pagam mais pelas mazelas do estado.
Uma quarta e última explicação é a mania de se desvalorizar. Militar não se dá valor. Os cursos são difíceis, as exigências profissionais são absurdas, mas o militar despreza esse fato. Quando faz um curso, tira do contracheque a habilitação anterior. Não incorpora gratificações, não ganha hora extra e está disponível ao empregador em regime integral, sem receber por isso, ao contrário, os chefes antigos até aquiesceram quando a MP 2215 subtraiu injustamente a gratificação por tempo de serviço e o posto acima na reserva, só que quem negociou e assinou embaixo não perdeu nada. A culpa não é do Chefe “A” ou do Comandante “B”. A culpa é do patriotismo errante, da postura filha do carreirismo, irmã da autoflagelação merrequeira, neta do comodismo da marola, prima do complexo de inferioridade e bastarda da conveniência verticalizada. 
Um dos sinais da desagregação de uma nação é quando as Forças Armadas dão sinais de fragilidade.
Na queda do Império Romano foi assim. Mas isso eu não falei pro Mike.
Haroldo Amorim é Cel R/1 do Exército
Recebido por correio eletrônico
do meu amigo Dari
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sábado, 23 de junho de 2012

O Paraguai é Aqui?

Acabo de ver na TV o Chanceler do maior país da América Latrina afirmando que o Brasil não tem opinião sobre a destituição do  presidente paraguaio e seguirá a 'orientação da comunidade'
Covardia! É esse tipo de procedimento que caracteriza a incompetência mascarada de democracia. Enquanto dirigentes de países que normalmente tomam a atitude brasileira como parâmetro manifestam-se sobre o assunto, a maior potência regional se encolhe e marca sua presença pela tibieza
Certamente aguardam orientações do Coma Andante Castro para definirem o que fazer.
 Já se ultrapassou o fim do poço há muito tempo!
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Decepção Com o Vovô

por Flavio Oscar Maurer
Vovô Fidel aprontou outra. Outra bomba. Agora disse que o governo cubano vai demitir de uma só tacada 500 mil funcionários públicos, num primeira etapa. Logo mais, no início do ano que vem serão mais 500 mil. Vocês já imaginaram esta gente toda buscando emprego na incipiente iniciativa privada de Cuba? São pessoas criadas, educadas, doutrinadas e com o absoluto cacoete da ineficiência do funcionário público, especialmente o dos países comunistas. São pessoas que não tem a menor noção da competitividade e da absoluta necessidade da eficiência que são o motor das empresas privadas numa economia de mercado.
Quem teve a oportunidade de ler ou vivenciar como a transição de uma economia estatizada para um sistema de mercado globalizado é complicada, pode imaginar o quanto o povo cubano vai sofrer ainda, para finalmente encontrar a sua autonomia como cidadãos livres.
Na Alemanha, por exemplo, quando o leste foi incorporado à economia capitalista da parte ocidental, depois da queda do muro, houve inicialmente uma euforia generalizada, mas que rapidamente foi substituída pela decepção das pessoas se aperceberem logo que o sucesso estava no trabalho e na competência de cada um, que tinham que ser conquistados individualmente e não através da mão do Estado ou da militância no partido. Muitos sonharam com a restauração do comunismo. Foi necessário pelo menos uma geração para que a mentalidade empresarial da livre iniciativa fosse absorvida pelos cidadãos e se incorporasse na nacionalidade da Alemanha unificada.
O que é mais surpreendente é que a comunicação da demissão em massa dos funcionários públicos cubanos foi feita pela CTC (Central dos Trabalhadores de Cuba - sindicato). Em dura nota, a CTC elogiou Raúl Castro pela decisão , afirmando que "Cuba não pode nem deve manter um funcionalismo inflado que gera perdas e maus hábitos", o texto ainda chama a atenção para a necessidade de "redução de vultuosos gastos sociais, subsídios excessivos, bem como rechaça qualquer hipótese de aposentadoria antecipada em função das medidas tomadas".
Curiosamente, em Cuba, ao que se saiba, ninguém do sindicato e mesmo do povo protestou até agora.
Evidentemente, num estado aparelhado pelo partido nada acontece, mais ou menos como aqui, onde os escândalos se sucedem e, um após outro, caem no esquecimento, sem que ninguém se manifeste. Com o aparato policial e de inteligência do Estado em Cuba, imagine-se as consequências para quem ouse protestar.
Será que seguiremos o caminho inverso ao de Cuba, para só depois de passadas várias gerações chegarmos às mesmas conclusões que vovô Fidel está chegando agora?
Onde estarão neste momento enfiando suas cabeças estes esquerdopatas brasileiros, tradicionais bajuladores do regime cubano, que aproveitam o horário político para apresentar suas idéias de estatização da economia no país, redução da jornada de trabalho, rejeição ao agronegócio e às empresas privadas, tudo na contramão do que está acontecendo na paradisíaca ilha do socialismo?
Acho que vovô Fidel escolheu má hora para dar estas notícias. Qualquer brasileiro com um pouquinho de racionalidade vai ser obrigado a rejeitar e virar as costas para aqueles em cujas plataforma eleitorais nesta eleições constem projetos identificados com o que em Cuba está sendo jogado na lata do lixo. Ora, se lá tentaram durante 50 anos e não deu certo, por que vamos tentar novamente inventar a roda em Pindorama?
A nossa versão do atraso cubano está no PNDH-3 que querem porque querem implantar aqui.
Fonte: recebido por correio eletrônico

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Fim de Uma Vida de Arrogância

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Há exatamente 65 anos o povo italiano, cansado da desgraça a que foi levado pela arrogância e prepotência de um pretenso líder popular, pôs fim à vida dele e de seus entes próximos.
Para que não seja esquecido o fato de que a paciência popular tem limites, mesmo ante a suposta força e carisma de maus líderes.

Aos que adquiriram a cidadania italiana pensando ficar impunes por suas estrepolias, que sirva de alerta!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Berlim: o Muro Caiu ou Foi Derrubado?

por Francisco Ferraz
Certas datas não devem e não podem passar em branco, despercebidas. Ontem, 9 de novembro de 2009 foi uma delas. Há vinte anos o muro de Berlim foi derrubado, pelos berlinenses ocidentais e orientais. Esta é a primeira observação que cabe fazer. Costuma-se dizer que o “muro caiu”, que ocorreu “a queda do muro”, mas na realidade, o muro foi derrubado.
Porém se empreendermos uma análise mais detida, as duas expressões estão corretas e representam o verdadeiro significado daquele momento histórico.
O muro foi derrubado, no seu significado histórico, pela resistência silenciosa do povo da então chamada Alemanha Oriental. Sua reação, na noite de 9 de novembro de 1989, foi primeiro de incredulidade, a seguir de curiosidade, logo depois de felicidade, exaltação, alívio, emoção e outros tantos sentimentos de semelhante natureza.
E o muro foi derrubado fisicamente, pelas picaretas, martelos e pelas mãos, dos berlinenses do leste e do oeste. Foi derrubado fisicamente quando os guardas de fronteira, tão confusos quanto o povo, tentavam, formando uma corrente humana, impedir a passagem pela porta de Brandenburgo. Não aguentaram muito, e nada mais fizeram a não ser unir-se aos que passavam.
Mas o muro também caiu. Caiu pela absoluta e total falência do sistema comunista.
O socialismo stalinista que, com correções cosméticas ainda sobrevivia caiu, desmanchou-se. Caiu primeiro na Hungria quando o povo começou a atravessar a fronteira rumo à Áustria e ninguém o impediu; a seguir na Polônia, e depois na Alemanha Oriental, dando início a um “efeito dominó” que não poupou nem a União Soviética, e que, como num passe de mágica, varreu o comunismo da face da terra. Para ser preciso permaneceram ainda a China, Cuba e Coreia do Norte.
Mas a China sempre foi mais China que comunista, e, àquela altura já começava a trilhar um novo rumo; Cuba ficou totalmente inviabilizada sem a ajuda econômica soviética, aguardando a morte dos Castro para ter a sua “glasnost” e “perestroika”; e a Coreia do Norte, nominalmente governada pelo partido comunista, mas na realidade por um monarca despótico e absoluto, fruto de um sistema – quem diria – de socialismo dinástico.
Tantas décadas de disputa por armas nucleares, por sistemas de ataque e de defesa com mísseis de longo alcance, médio alcance, e curto alcance, pela grande controvérsia da “guerra nas estrelas”, pela NATO e pelo Pacto de Varsóvia, pela Guerra Fria com seus espiões e seus momentos de suspense, quando o mundo se aproximava da guerra nuclear.
Essas décadas de disputa e conflito, de encontros e desencontros, de intervenções políticas e militares, abertas ou às escondidas, adotadas igualmente pelos dois blocos antagônicos, e que fizeram a história do século XX, não produziram os protagonistas da queda do muro.
O muro não caiu por que a Alemanha do leste ou o mundo comunista fora derrotado numa guerra. Não foram militares os seus protagonistas, nem foram armas convencionais ou nucleares a causa da queda. Também não foi o capitalismo que derrotou o socialismo, como alguns apregoam.
O socialismo se esvaiu. Morreu de um misto de anemia, desilusão e perda de vitalidade. Talvez, em termos médicos, devíamos chamar de morte por falência de múltiplos órgãos...
Seus protagonistas foram pessoas comuns, cansadas ao ponto da exaustão com uma sociedade que não possuía mais uma utopia coletiva, e que não permitia aos seus cidadãos uma utopia particular, privada. Essa a explicação porque na Alemanha a “derrubada ou queda do muro” ocorreu sem derramamento de sangue.
Ninguém estava obrigado a deixar a Alemanha Oriental.
O povo podia revoltar-se contra os que abandonavam o país e contido a avalanche, os militares podiam ter recebido ordens de fechar a fronteira, e até mesmo usar armas.
Nada disso aconteceu. Ao contrário o sangramento transformou-se em hemorragia incontrolável. A União Soviética quem sabe, poderia conter seu povo.
Será? Não sabemos.
Mas a União Soviética tinha fixado uma tradição para lidar com os arroubos de liberdade nos países da Europa do Leste. A URSS não hesitou em 1956 em esmagar com seus tanques e metralhadoras o levante húngaro. Tampouco teve dúvidas em invadir a Tchecoslováquia com seus tanques na “Primavera de Praga” de Dubchek.
O fato é que os líderes não se atreveram. Nem lá, nem nos demais países ditos socialistas, nos quais, nenhum dos homens-mito da semana anterior, os Grandes Líderes do partido, tentaram alguma reação séria. Ou calavam-se e discretamente retiravam-se do poder para suas casas, ou, como Caesescu, protagonizavam fugas humilhantes, que, no seu caso lembrou Mussolini, fugindo disfarçado de soldado alemão, até ser preso e fuzilado por guerrilheiros italianos.
Aliás, o fim de Caesescu e sua esposa, fuzilados depois de uma frustrada fuga, foi muito semelhante ao de Mussolini e Clara Petacci, inclusive na falta de respeito com os corpos.
O socialismo caiu com o muro. Caiu sem lutar, caiu sem nem mesmo tentar reagir. Como se explica isso? Essa é uma questão que ainda pede por interpretações inteligentes.
Um sistema como o soviético, que conquistou o poder pela mobilização popular nas ruas, pela conquista dos militares e pelo uso da força, entregou-se para quem...?
Salvo a Polônia com Lech Walesa, não me recordo de nenhum líder anti-socialista que tivesse algum poder para enfrentar o poderoso partido comunista e derrubar o governo.
Não é este o local para uma análise mais aprofundada, mas não se pode esquecer a analogia histórica com a revolução francesa e a revolução russa. Nos dois casos, a revolução se consumou como vitória dos revolucionários, sem uma reação à altura do poder econômico e militar, que o regime derrubado possuía. Quando o assalto ao poder é enfrentado, há luta, há sangue, há mortos, até que o conflito tenha um vencedor. Quando um sistema cai com essa facilidade, sem assalto ao poder, cai porque chegou a um grau de decadência interna de desmoralização, de desconhecimento do povo que governa, que já nenhuma reação é possível.
Foi o que ocorreu com Nicolau II, Louis XVI e os líderes dos países socialistas. Não entenderam que eram prisioneiros de um processo histórico silencioso criado por eles mesmos. Na medida em que implantaram a ditadura e não permitiam a livre expressão do pensamento, não tinham como conhecer o sentimento e o pensamento do seu povo.
Foi este processo histórico silencioso que o conforto do servilismo dos auxiliares, e o hábito de interpretar a ausência de contestação com aceitação, apoio e lealdade popular que vinha minando a sua legitimidade. Viam a realidade com olhos de quem não quer ver, ou melhor “por el color del cristal con que se mira”. Não perceberam que comandavam uma elite que estava tão distanciada do povo. Que acreditavam e apostavam na imemorial deferência e no respeito quase religioso que o povo (francês e russo) tinha em relação aos seus monarcas.
Até o momento em que algum ato político coletivo de contestação foi praticado e não foi contido (mesmo porque já não podia mais ser contido).
É ai que a realidade começa a importunar suas vidas até o momento em que vão perdê-la na guilhotina (Louis XVI), ou por fuzilamento (Nicolau II, Caesescu, Mussolini).
Mas voltemos a 9 de novembro de 1989.
Na madrugada do dia 10 e, ao longo dos próximos dias, Brabants (os carros que a Alemanha Oriental fabricava, de péssima qualidade, feios e inconfortáveis) atravessavam a fronteira, carregando famílias inteiras, atemorizadas de que o governo e o partido reagissem e novamente bloqueassem a fronteira.
Aproveitavam a chance para escapar antes que os tanques, que haviam silenciado Budapeste e Praga, viessem silenciar Berlim. À medida em que o tempo passava e nem o partido nem o governo reagiam, foram sentindo que não havia mais Alemanha Oriental nem Ocidental. Sentiam-se alemães.
Víamos nas reportagens de TV, os cidadãos que vinham da Alemanha Oriental deslumbrados, quando trocavam sua moeda por marcos (1 por 1), e quando inundavam as lojas, as padarias, os bares, as livrarias sem poder esconder o tocante sentimento de encanto, descoberta, surpresa diante da livre quantidade de alimentos e da variedade, qualidade e preço acessível dos produtos de consumo, que encontravam em Berlim Ocidental.
Essa a data que a humanidade comemorou ontem e que passou quase desapercebida no Brasil. Nem de longe teve uma cobertura que se aproximasse daquela que prodigalizam ao Carnaval.
É fundamental assinalar que ela é uma das grandes datas da sofrida história da luta pela liberdade na história. É uma data que merece ser refletida por quem ama a liberdade para todos, a democracia e o estado de direito.
É também uma data que merece muita reflexão por parte dos ditadores que ainda existem, e daqueles que tentam tornar-se.
O povo não esquece. É capaz de viver sem liberdade por longo tempo. Na URSS, morto Lênin, a utopia socialista, foi abandonada, cedendo lugar ao oportunismo, a corrupção, e a tirania totalitária.
Gerações se sucederam protegidas dos livros, modismos, pensamentos e realizações do mundo Ocidental. Nos países socialistas não chegava nem o texto escrito, nem a voz, nem a imagem do mundo ocidental. Jovens envelheceram dentro deste sistema.
Apesar de tudo, quando a primeira oportunidade surgiu, o povo correu atrás da liberdade e da legitimidade de lutar por sua utopia pessoal e familiar.
Alguns dos líderes aposentados pela história, ao se referir sobre seu povo, devem ter usado a clássica frase de Talleyrand, sobre os Bourbons que retornavam do exílio:
Não aprenderam nada, não esqueceram nada
A mídia brasileira deve dar uma cobertura maior ao evento. Mas suspeito que se concentrará muito mais na reprodução do espetáculo da comemoração alemã, do que na reflexão sobre o significado da data.