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domingo, 25 de agosto de 2024

Duque de Caxias - Um Humano, Acima de Tudo

por Manoel Soriano Neto (*)
ASPECTOS HUMANOS DO DUQUE DE CAXIAS
1. Considerações Iniciais
Muito já se disse a respeito do Duque de Caxias. Entretanto, traços humanos personalíssimos e aspectos singulares da edificante existência do inigualável Soldado merecem ser rememorados. 
Assim, apresentaremos alguns registros, dignos de nota, relativos ao Homem-Caxias; à sua audácia nos campos de batalha; ao resgate de sua memória e às principais homenagens que lhe foram tributadas. Tal é o objetivo destas despretensiosas achegas, alinhavadas em apertada e incompleta síntese.

2. O Homem-Caxias

a. Luiz Alves de Lima e Silva pautou a sua vida pela inteireza de caráter, arrojo, acendrado patriotismo, fervorosa religiosidade e inexcedível exação no cumprimento do dever.
Caxias possuía estatura acima da média para a sua época (quando trasladado, em 1949, para o Panteão em frente ao Ministério da Guerra — hoje Palácio Duque de Caxias —, no Rio de Janeiro, na Ata de Exumação constou que o esqueleto media 1,72m); de compleição atarracada, ombros largos, olhos castanhos, cabelos castanho-alourados, tez clara e rosada, voz suave, sisudo, garboso, austero, de hábitos morigerados, rigorosíssimo no cumprimento do dever, porém humano, saudável, apesar de padecer de uma malária contraída no Maranhão, que lhe causava a inchação do fígado; era orgulhoso de sua formação militar; corajoso; determinado; sedizente fatalista, o que também explica a sua invulgar temeridade; maçom dedicado; marido e pai extremoso e “cristão de fé robusta”.

b. O Coronel José de Lima Carneiro da Silva, neto de Caxias, entrevistado, aos 83 anos, pela revista “Nação Armada” (n° 23, Out 1941), disse em certo trecho da entrevista: “O Duque, após o passamento da Duquesa, jamais tirou o luto, mesmo em casa. Era, entretanto, alegre e se alimentava bem, preferindo à mesa, pratos da culinária gaúcha. Apesar de fluminense, o Rio Grande do Sul era a sua menina dos olhos. A toda hora falava das suas coisas, dos seus homens e tinha mesmo um certo sotaque de riograndense do sul. A música encantava-o, como velhas mazurcas e valsas, tocadas ao piano por sua comadre Maria José, que ele ouvia em silêncio, fumando grandes e perfumados charutos. Era um inveterado fumante de charutos, consumindo vários por dia.”

c. Caxias trouxe do Paraguai, três cavalos: “Moleque”, “Douradilho” e “Aedo”. Um de seus biógrafos, o Dr.Vilhena de Moraes, nos dá conta da seguinte reminiscência: “Ao fogoso “Douradilho”, da ponte de Itororó, Caxias, já velho e enfermo, costumava melhorar a ração na data do aniversário daquele combate (6 de dezembro de 1868)”.

d. Quando da concessão da anistia aos vencidos, ao término da Revolução Farroupilha, aflorou, sobejamente, o sentimento de generosidade do “Pacificador”.
Ele concedeu a liberdade aos cativos farroupilhas, incorporando os que assim desejassem ao Exército Imperial, e tratou com extrema bondade os derrotados, sendo escolhido, pelos próprios gaúchos, para Presidente da Província e por eles indicado para Senador pelo RS. Não apenas por isso, o saudoso jornalista e acadêmico Barbosa Lima Sobrinho, concedeu-lhe a invulgar honorificência de “Patrono da Anistia” e o eminente historiador militar, Coronel Cláudio Moreira Bento, o cognominou de “Pioneiro Abolicionista”.

e. Ainda com referência à grandeza de espírito de Caxias, observe-se, em seu Testamento, como está expressa uma de suas vontades: “Declaro que deixo ao meu criado Luiz Alves, quatrocentos mil réis e toda a roupa de meu uso”. Diga-se que esse criado era um índio que ele trouxera, ainda jovem, do Maranhão, após a Balaiada, adotando-o e dando-lhe o próprio nome; ressalte-se que ele foi a primeira pessoa lembrada, no dito Testamento, no qual, somente ao depois, são mencionados familiares e amigos íntimos do venerando Marechal.

f. Seria despiciendo falar-se do exacerbado patriotismo do Duque de Caxias. Mas gostaríamos de encerrar essas breves considerações atinentes à figura humana desse exponencial personagem de nossa História, relembrando um trecho de uma carta por ele escrita ao Visconde do Rio Branco, ao tempo da “Questão Christie”, de dolorosa memória, e que bem evidencia o seu acrisolado amor ao Brasil: “Não se pode ser súdito de nação fraca. Tenho vontade de quebrar a minha espada quando não me pode servir para desafrontar o meu País, de um insulto tão atroz”.

3. A audácia e o destemor de Caxias

a. A intrepidez de Caxias revelou-se em inúmeros episódios, nos quais o intimorato Comandante não se furtou a correr o “risco calculado”. A sorte, entretanto, sempre o acompanhou nos momentos de alta periculosidade. É que ele “tinha estrela”, tanto que a “grande estrela de Caxias” apareceu com fulgurante brilho, nos céus do Rio Grande do Sul, quando de uma de suas ofensivas noturnas contra os farroupilhas (era, na realidade, o cometa “Brilhante”), a respeito da qual dizia Caxias, em tom zombeteiro, mas alimentando, com sagacidade, a crendice popular em torno de sua pessoa: “É, eu nasci na Vila de Estrela, no Rio de Janeiro”.

b. Caxias era, de fato, extremamente arrojado, como se pode constatar em várias oportunidades de seu historial militar, desde Tenente a General. Extraordinária foi a sua valentia nos campos de batalha, na Guerra da Independência e na Campanha da Cisplatina, tendo o jovem Tenente e Capitão recebido encomiásticas referências por sua coragem, constância e desprendimento. Saliente-se, outrossim, a sua ousadia, quando do combate de Santa Luzia (MG); no reconhecimento, em 1852, do porto de Buenos Aires e, máxime, na Guerra do Paraguai. Quando do maior conflito bélico de que participamos, o Generalíssimo executou audaciosas manobras como a de envolvimento e cerco, em conjunto com a Marinha, e que redundou na queda da “inexpugnável” Fortaleza de Humaitá, no rio Paraguai (chamada de "A Sebastopol da América"); como a “marcha de flanco” empreendida pelos nossos três Corpos de Exército através de uma estrada, de cerca de 11 km, construída sobre o Grão-Chaco e as operações da “Dezembrada”, no ano de 1868, no começo das quais se travou a memorável batalha de Itororó. No fragor desta refrega, o Marquês de Caxias, aos 65 anos de idade, parte em direção à ponte sobre o arroio Itororó, sabre em punho e a galope de carga, após bradar: “Sigam-me os que forem brasileiros!”. Dionísio Cerqueira, partícipe do cruento recontro, o descreve, magnificamente, in "Reminiscências da Campanha do Paraguai" (consigne-se que o marcial apelo do Comandante-em-Chefe era tão-somente anímico, ao sentimento de brasilidade, posto que apenas tropas brasileiras participaram da batalha).

4. O memorável resgate da memória do Pacificador

a. Quando da trasladação dos restos mortais de Caxias e de sua esposa, em 25 de agosto de 1949, para o “Pantheon Militar”, defronte ao hoje Palácio Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, ocorreu um fato histórico singular, muito pouco lembrado, infelizmente. É que, naquela data, se deu o definitivo resgate da memória do Duque de Caxias, que tantos e tamanhos serviços prestara à Pátria Brasileira, na paz e na guerra. Mas tal resgate foi apenas um belo epílogo de um justo desagravo e da recuperação da imagem do Duque, o que já vinha ocorrendo, especialmente a partir de 1923, como adiante faremos referência.

b. Caxias morreu, no ano de 1880, triste e magoado. A tristeza se devia ao falecimento, em 1874, de sua amantíssima esposa, tendo ele usado luto completo, desde então até morrer, seis anos depois. Três pungentes mágoas o afligiram no final da vida e diziam respeito ao Imperador, à Maçonaria e à Igreja Católica.
O Duque encontrava-se agastado com o Imperador, desde quando concedera, com a relutância de D. Pedro II, em 1875, a anistia aos Bispos de Pernambuco e do Pará, solucionando, de forma magnânima, a chamada “questão religiosa”. Após o retorno de uma longa viagem à Europa, o Monarca destituiu o Gabinete Conservador, presidido por Caxias, nomeando um outro, com membros do Partido Liberal. O velho Soldado, bastante desgostoso, recolheu-se à Fazenda Santa Mônica, de propriedade de uma de suas filhas, onde viria a falecer, em 8 de maio de 1880, afastando-se, definitivamente, da vida pública.
O Decreto de anistia aos Bispos, nunca foi aceito pela Maçonaria. O Visconde do Rio Branco, Grão-Mestre da Ordem, solicitou demissão do Conselho de Ministros, a fim de não assinar o citado Decreto, rompendo com o seu grande amigo Caxias, “Irmão que se tornou altamente impopular entre os da Arte Real”, pelo que o Marechal deixou de frequentá-la.
Ademais, a Igreja Católica exigiu que o Duque, provecto e doente, cumprisse os ditames de uma bula papal e abjurasse a Maçonaria. Como ele não obedeceu àquela determinação religiosa, foi expulso, por ser “maçom pestilento”, da Irmandade da Cruz dos Militares, da qual fora Provedor.
Acrescente-se que a figura de Caxias, desde os últimos anos da Monarquia, vinha sofrendo duras críticas, desferidas por profitentes do Positivismo. Os positivistas, que tiveram decisiva participação na proclamação da República, eram pacifistas, agnósticos e adeptos da "ditadura republicana", e, não apenas por isso, menosprezavam os gloriosos feitos marciais do Império, dos quais o nosso “Soldado-Maior” foi o expoente máximo.

c. Porém, naquele agosto de 1949, toda a Nação Brasileira reparou as injustiças e ingratidões perpetradas contra o ínclito Soldado, quando do traslado de seus despojos e os da Duquesa. A histórica Solenidade cívico-militar, presidida pelo Presidente da República, Marechal Eurico Gaspar Dutra, revestiu-se de superlativo brilhantismo, sendo o presidente da Comissão de Trasladação, o Dr. Nereu Ramos, Vice-Presidente da República, que era um fiel maçom. Membros da Família Imperial Brasileira e o Marechal Rondon, tradicional positivista, estiveram presentes à cerimônia, que se encerrou com um monumental desfile militar. Aduza-se que a Igreja Católica velou os restos mortais de Caxias e os de dona Ana Luíza, na Igreja da Irmandade da Cruz dos Militares, que o havia expulso, em 1876, sendo concelebrada uma Missa por 18 Bispos e Arcebispos, de todos os rincões brasileiros, presenciada pelo Cardeal do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara. E mais: houve um dobre de sinos, em todas as igrejas católicas do Brasil, na hora da trasladação.
Destarte, em 25 de agosto de 1949, ocorreu, de fato, uma memorável reparação histórica da altaneira imagem de um dos maiores filhos desta Pátria, o Duque de Caxias!

5. Principais homenagens tributadas a Caxias

a. Caxias, “Nume Tutelar da Nacionalidade”, foi tudo! Marechal do Exército, Conselheiro de Estado e da Guerra, Barão, Conde, Marquês, Duque, Presidente e Pacificador de Províncias, Senador (pelo RS), Deputado (pelo Maranhão, eleito, mas não empossado), três vezes Ministro da Guerra e três vezes Presidente do Conselho de Ministros! E o Brasil soube reconhecer os beneméritos serviços por ele prestados à Pátria — “nossa Mãe-Comum”. Por esses “brasis” existem incontáveis monumentos, logradouros públicos, escolas, etc., que ostentam o augusto nome do maior vulto militar da História do Brasil. Dentre essas honrarias, sobrelevam-se as denominações de duas importantes cidades: a de “Duque de Caxias”, no Rio de Janeiro, e “Caxias do Sul”, no Rio Grande do Sul (diga-se, por ilustrativo, que a cidade de Caxias, no Maranhão, onde o então Coronel Luiz Alves venceu o último foco dos rebeldes, quando da “Balaiada”, deu origem ao seu primeiro título nobiliárquico — por ele mesmo escolhido — o de Barão de Caxias).

b. Caxias foi instituído, no ano das festividades do bicentenário de seu nascimento, mediante a Lei n° 10.641, de 28 Jan 2003, “Herói da Pátria”. Por isso, o nome do Herói foi inscrito no “Livro dos Heróis da Pátria” (é um grande livro de aço que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília), por ocasião de bela cerimônia ocorrida em frente ao Quartel-General do Exército, na Capital Federal.

c. No Exército Brasileiro, a impoluta memória de Caxias começou a ser reabilitada de um semianonimato (ao qual foi relegada pelo sectarismo positivista-republicano), em 1923, pelo Ministro da Guerra, General Setembrino de Carvalho. Ele instituiu, pelo Aviso n° 443, de 25 de agosto de 1923, a “Festa de Caxias”. Posteriormente, por meio do Aviso n° 366, de 11 de agosto de 1925, o mesmo Ministro criou o “Dia do Soldado”, também a ser comemorado na data natalícia do Duque. Naquele ano de 1925, sob o influxo das diretrizes do Ministro da Guerra, a Turma de Aspirantes-a-Oficial da Escola Militar do Realengo escolheu a denominação histórica de “Turma Duque de Caxias” (aliás, a Turma de 1962, da Academia Militar das Agulhas Negras, ano em que Caxias foi instituído Patrono do Exército, à qual pertence o ex-Comandante do Exército, General de Exército Enzo Martins Peri, também ostenta, com muita ufania, a denominação de “Turma Duque de Caxias”).
Outro momento histórico de grande relevância no enaltecimento de Caxias, pela Força Terrestre, se deu por ocasião do comando do então Coronel José Pessôa Cavalcanti de Albuquerque, na Escola Militar do Realengo (1931/34). Este militar, de elevadíssimos méritos, implantou, naquela Escola, várias místicas alusivas a nosso glorioso passado castrense, sendo as maiores delas a instituição do título de “Cadete”, para os então alunos da Escola, e a criação do espadim, réplica do invencível sabre do “Condestável do Império" e “Unificador da Pátria”.
O Duque de Caxias foi proclamado “Patrono do Exército”, consoante o Decreto n° 51.429, de 13 de março de 1962, por louvável iniciativa do Ministro da Guerra, herói da FEB, General de Exército João de Segadas Vianna (tal Decreto também instituiu os Patronos das Armas, Serviços e Magistério Militar).
O glorioso, altaneiro e invicto Exército Brasileiro, do qual Caxias é o Patrono, possui as seguintes Organizações Militares que exibem, em suas denominações históricas, com indescritível orgulho, o seu venerável nome: “Forte Duque de Caxias”, no Rio de Janeiro (RJ); "Palácio Duque de Caxias", sede do Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro (RJ); “Batalhão Barão de Caxias”, que é o 24° Batalhão de Caçadores, de São Luís (MA); “Grupo Conde de Caxias”, que é o 3° Grupo de Artilharia Antiaéreo, de Caxias do Sul (RS); “Companhia Praça Forte de Caxias”, que é a 13ª Companhia de Comunicações, de São Gabriel (RS) e o “Batalhão Duque de Caxias”, que é o Batalhão da Guarda Presidencial, de Brasília (DF). Recentemente (pela Portaria 296, de 31 de março de 2016), o majestático conjunto arquitetônico das portentosas instalações do Quartel-General do Exército, em Brasília (DF), denomina-se "Forte Caxias".

6. À guisa de Conclusão

Impende lembrar, por derradeiro, neste breve e inconcluso escorço referente a aspectos pouco lembrados da mui grandiosa gesta e da personalidade do Duque de Caxias, de que certa e recerta é a intemporalidade das inúmeras lições que ele nos legou!
Finalmente, desejaríamos trazer à lembrança, como corolário de tudo o que até aqui foi expendido, uma expressão, — “caxias” —, cunhada pelo saudoso e emérito sociólogo Gilberto Freyre, que bem retrata o caráter adamantino e as peregrinas virtudes de nosso insigne “Soldado e Pacificador”. Tal expressão, uma adjetivação metafórica caída na consagração popular, bem caracteriza aqueles que cumprem, integral e escrupulosamente, os seus deveres. Com esta conotação, assaz notável, urge assinalar-se que o vocábulo "caxias" já está dicionarizado nos léxicos de Aurélio Buarque e Antônio Houaiss! Disse Gilberto Freyre: “Caxiismo não é conjunto de virtudes apenas militares, mas de virtudes cívicas, comuns a militares e civis. Os 'caxias' devem ser tanto paisanos como militares. O caxiismo deveria ser aprendido tanto nas escolas civis quanto nas militares. É o Brasil inteiro que precisa dele”.
(*) Manoel Soriano Neto, é Cel Veterano,
 QEMA de Infantaria e Historiador Militar.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Cavalaria, a Arma Ligeira!

Seja Hipomóvel, Mecanizada, ou Helitransportada, sempre haverá uma Cavalaria!

Arma da Mobilidade e Poder de Choque! 


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Antônio João Ribeiro — 200 anos

por José Antônio Lemos dos Santos
Não se trata de exaltar as guerras em episódios ou personagens especiais, mas de celebrar um herói. Heróis existem em cada lado de qualquer contenda ou disputa, assim como covardes ou traidores, a depender do lado por onde são vistos. Herói é aquele que promove ou defende a todo custo, inclusive pessoais, os valores primordiais de seu povo em todas as áreas da ação humana. Em suma, existem heróis nos esportes, na cultura popular, na saúde, na arquitetura, na política, e até nas guerras, embora estas não devessem acontecer, mas aconteçam. Covardes ou traidores são o contrário dos heróis.
Quero falar sobre Antonio João Ribeiro, hoje quase desconhecido, mas um herói brasileiro que defendeu seu país a preço da própria vida em um dos episódios mais dramáticos da Guerra da Tríplice Aliança. Nascido em Poconé (MT) em 24 de novembro de 1823, morreu em Mato Grosso do Sul, na região onde hoje é o município de Antonio João, que o homenageia com seu nome. Neste ano de 2023 são completos exatos 200 anos de seu nascimento e este é o principal motivo deste artigo.
Seu drama ocorreu quando comandava a Colônia Militar de Dourados com uma guarnição de 14 soldados, mais cinco colonos — quatro homens e uma mulher — tendo que enfrentar um cerco de 365 adversários mais equipados. Rejeitou com altivez o ultimato do inimigo para render-se, não fugindo ao embate desigual. Antes do embate enviou mensageiro ao comando superior com sua decisão de defender aquela posição brasileira, ainda que a preço da própria vida. Não se escondeu em gabinetes e foi para a linha de frente onde morreram ele, dois soldados e mais dois colonos. Os demais foram dominados.
A mensagem enviada foi interceptada pelos inimigos. Tão eloquente era o seu texto que mesmo próximo do enfrentamento em luta sangrenta, ficou gravada mesmo na memória dos adversários que a leram, saltando de um texto em um papel dado como extraviado para a história das grandes epopeias brasileiras. Os bravos reconhecem seus iguais e se respeitam mesmo estando em lados opostos.
E assim foi.
Em 1980 o Exército Brasileiro consagrou o Tenente Antônio João Ribeiro como um de seus Patronos e construiu na Praia Vermelha, onde se encontram dois dos mais importantes centros de formação militar do Brasil — a Escola de Comando e Estado Maior do Exército e o Instituto Militar de Engenharia — um monumento em homenagem aos combatentes da Guerra do Paraguai tendo em posição de destaque a figura do ilustre mato-grossense e sul-matogrossense, o poconeano Tenente Antonio João Ribeiro representado no momento em que seu corpo se curva para trás alvejado de morte.
A mensagem enviada a seus superiores e interceptada pelos adversários, era pequena no tamanho e grande no significado. Segundo o site do Exército Brasileiro ela extravasava o inarredável sentimento do dever militar, expresso nas poucas palavras ali colocadas pelo bravo tenente: Sei que morro, mas o meu sangue e o de meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo de minha Pátria”. Vai, de fato, para além do dever militar firmando-se na linguagem cívica brasileira como expressão simbólica da afeição extrema da cidadania pelo seu berço pátrio diante de quaisquer tipos de ameaças que sobre ele paire.
* O autor é arquiteto e urbanista, e professor aposentado.

quarta-feira, 15 de março de 2023

Pior a Emenda que o Soneto

por Marcus Vinicius Gravina
É a conclusão que se pode ter das declarações em vídeos, que teriam vazado de uma reunião de militares do comando do Sudeste atribuídas ao atual Comandante-geral do Exército. Circulou há poucos dias e foram comentadas no Menu Globo/Política, Band Jornalismo e CNN Brasil (04 Mar 23), que motivaram este artigo.
De vários tópicos, considerei da maior importância o que abordou a suposta fraude nas eleições de outubro de 2022.
Foi precisa a afirmação do general, de que não houve fraude. No entanto deixou dúvidas que serão destacadas. Falando consigo mesmo, como se estivesse diante de um espelho disse:
Ah! Mas tinha coisa que a gente não pode ver? Sim. Tinha coisa por exemplo ... o código fonte era possível? Não. Por quê não era possível? Porque levaria uma montanha de tempo. Agora esse mesmo processo eleitoral que elegeu o atual presidente e que não elegeu o ex-presidente, ele foi o mesmo processo que elegeu majoritariamente um congresso conservador”.
Em outro vídeo, prossegue: “Ele (Bolsonaro) teve mais votos nesta eleição do que teve na outra. Então, a diferença nunca foi tão pequena. Foi mínima. E aí o cara fala assim — pô general, mas não teve fraude? Nós participamos de toda a fiscalização, fizemos relatórios, fizemos tudo. Constatou-se fraude? Não. Não dá para falar com certeza que houve qualquer tipo de irregularidade. Infelizmente foi resultado que para a maioria de nós foi indesejado, mas aconteceu”.
A ambiguidade neste texto está presente nele. No início o general foi categórico: não houve fraude. Mais adiante, reabriu a dúvida ao declarar: “não dá para falar com certeza que houve qualquer tipo de irregularidade”.
Os relatórios da fiscalização do Exército revelaram esta incerteza, até o ponto que chegaram os trabalhos das FFAA, representada pelos técnicos do Exército. Foi quando, para elucidar e concluir a auditoria ou fiscalização de urnas suspeitas, consideraram indispensável e requisitaram o código fonte ao TSE, o que foi negado por seu presidente.
Tentando justificar a interrupção das investigações, que esperaram em vão pela entrega do código fonte da apuração de urnas não auditáveis, de outra forma, fez questão de dizer que de 1º a 8 de janeiro deste ano, dia das invasões na praça dos três poderes, o Presidente da República/Comandante Supremo das Forças Armadas era outro. Se não disse ficou implícito, que na qualidade de superior hierárquico das FFAA, o presidente não teria permitido ou não admitiria a continuidade da auditoria que poderia lhe custar a perda do mandato.
Este foi o impasse que congelou a apuração dos fatos, que correm o mundo perplexo com os estridentes acontecimentos políticos em nosso território.
Quanto à maioria conservadora eleita para o Congresso no mesmo pleito evidencia-se mais um indicativo da incoerência ou distorção do resultado da eleição para presidente, tratando-se de eleitos pela mesma ala política do candidato derrotado.
O foco da questão, se houve alguma manipulação, foi na apuração dos votos presidenciais. Sem o código fonte, a verdade é uma só: as FFAA (Exército),  não concluíram a missão fiscalizadora, que contou para isto com todo o apoio e expectativa da sociedade brasileira.
A lógica da fala do Comandante do Exército leva a considerar o “dito por não dito”.
Não houve feridos em batalhas, mas muitas chagas foram abertas no âmago dos cidadãos brasileiros, que foram e continuam obrigados a votar, sem garantia de correção do uso de urnas não auditáveis.
Assim, como cidadão, exerço meu direito de opinião. Não é momento de se omitir.
Caxias do Sul, 03.03.2023

domingo, 25 de setembro de 2022

Armas em Funeral — Tenente Jose Conegundes do Nascimento

por Felix Maier
Faleceu em 22/09/2022 o Tenente Jose Conegundes do Nascimento, depois de sérios problemas relacionados à saúde.
Pudera! Herói da Guerrilha do Araguaia, onde atuou com risco da própria vida, o Tenente Conegundes enfrentou guerrilheiros fanáticos do PCdoB nas selvas de Xambioá, na região do Bico do Papagaio, no atual Estado de Tocantins.
A exemplo dos militares que combateram grupos terroristas e guerrilheiros de esquerda nas décadas de 1960 e 1970, como Ustra, Avólio, Lício Maciel, Curió, "Chico Dólar", o Tenente Conegundes foi deixado à própria sorte pelo Exército, que não deu o devido apoio jurídico, nem psicológico, a quem simplesmente cumpriu seu dever de defender a pátria contra o comunismo, carregando pesadelos pelo resto da vida. 
Vale lembrar que o Tenente José Vargas Jimenez, o "Chico Dólar", autor dos livros "BACABA" e "BACABA II", suicidou-se em Campo Grande, MS, em 2017. Por quê?
Em 2012, o Coronel Lício Ribeiro Maciel — também combatente na Guerrilha do Araguaia — e o Tenente Conegundes publicaram em livro físico o "ORVIL - TENTATIVAS DE TOMADA DO PODER", que já estava digitalizado e disponibilizado na internet no site A Verdade Sufocada, de Joseita Ustra, esposa do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra — confira em https://www.averdadesufocada.com/images/orvil/orvil_completo.pdf.
O "ORVIL" ("Livro", lendo-se ao contrário) foi uma obra feita por militares do Centro de Informações do Exército (CIE), na década de 1980, que seria uma resposta ao livro "Brasil: Nunca Mais", um livreco-panfleto patrocinado pelo bispo vermelho Dom Paulo Evaristo Arns, com documentos surrupiados do Superior Tribunal Militar (STM), de modo a beatificar terroristas e demonizar as Forças Armadas. No entanto, o "ORVIL", que seria publicado pela Biblioteca do Exército Editora (Bibliex), jamais foi levado ao prelo, por ordem do Governo Sarney e aquiescência do Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves.
Em 2014, na ânsia petista de colocar militares atrás das grades, o Tenente Conegundes foi convocado pela malfadada Comissão Nacional da Verdade (CNV), para prestar depoimento aos Torquemadas do Governo Dilma Rousseff, mas não compareceu ao picadeiro petralha, demonstrando sua hombridade. "Não vou comparecer. Se virem! Não  colaboro com o inimigo" — escreveu o bravo Veterano de Xambioá no documento que o intimou.
Parabéns, Tenente Conegundes, pelo belo trabalho realizado no Exército, em combate contra guerrilheiros comunistas, na defesa da democracia. Que a sua memória não seja assassinada, calada, diminuída, esquecida de vez, como quer a esquerda assassina, derrotada e revanchista.
Deus o guarde em bom lugar e conforte a alma de seus familiares!
Missão cumprida!
Selva!
Brasil Acima de Tudo!
Fonte: adaptado de 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

As Pressões dos Canalhas Para Viabilizar o Golpe

por Gélio Fregapani
Para que uma máquina funcione bem cada peça tem que fazer o seu trabalho, uma falhando o desempenho da máquina será prejudicado e conforme a importância da peça pode até emperrar todo o sistema.
Há alguma analogia entre uma máquina e o mecanismo de um governo, mas se nas máquinas as peças estragam por causas mecânicas nas instituições as peças podem não funcionar por vontade própria. Isto fica evidenciado na atitude do STF em retardar indefinidamente os julgamentos de processos que chegam até a sua instância, prejudicando o funcionamento do sistema como um todo, mas isto não chegou a paralisar o sistema governamental o qual, mesmo prejudicado, continuou funcionando. 
Fosse o STF peça de uma máquina certamente seria trocada ainda nesta fase em que ficou claro que, mesmo sendo importante, não era essencial para o funcionamento do governo. As duas instâncias anteriores já forneceriam ao menos a justiça indispensável ao funcionamento da sociedade. 
Porém uma peça de um sistema de governo tem vontade própria e se porventura essa vontade for apenas contrariar o Executivo a situação se complica. 
Poderia se esperar até que, dentro das deformações do jogo democrático, que o STF apoiasse a sua ideologia partidária em prejuízo da verdade, mas não haveria expectativa de que tentasse legislar como se legislativo fosse e a usurpar funções privativas do executivo, parecia fora de cogitação. Entretanto, é isto que acontece pois o STF — ou alguns de seus ministros, quando interessa à sua ideologia ou à seus patronos, legislam, investigam e julgam quando a função legal deles se resume a julgar assuntos constitucionais, pessoal com foro privilegiado e recursos de terceira instância os quais em parte, esperam até a sua prescrição.
Surpreende aos menos atentos a conformidade dos demais poderes em face do avanço do STF, que no legislativo pode ser exemplificado pela ordem de abrir a CPI para investigar a “responsabilidade” do Presidente na epidemia. Ainda que possa haver variadas motivações para que o Senado ceda a essa imposição, não há como evitar a impressão que existam tantos senadores comprometidos com corrupções, que ministros da Suprema Corte os mantenham reféns enquanto esperam pelas prescrições, mas é mais difícil compreender o porquê de o Presidente, que não tem o rabo preso, tolerar a intromissão do STF, que desde a sua posse, empenha-se em impedir as medidas desejadas pelo Presidente, na esperança de que seu governo seja um fracasso. O STF não está sozinho no desejo de derrubá-lo, as velhas raposas políticas previam que seu governo não resistiria a sete meses e prepararam uma perigosa rebelião da maioria dos governadores e a traição de aliados que tinham ajudado a derrotar o PT  o Mandeta e o Moro, os mais prestigiados de seu ministério. Seu único aliado ostensivo continuava a ser o apoio popular, pois as Forças Armadas estavam mudas, chefiadas por comandantes que aparentemente, dedicavam sua lealdade mais a fachada de democracia do que ao bem da Pátria.
Passado o momento de maior perigo, Bolsonaro continuou tolerando as intromissões do STF, mas o ambiente foi se agravando, tendendo para um confronto pois o STF, impulsionado pelos partidos de esquerda continua a forjar um pretexto para retirar Bolsonaro da presidência, enquanto este da mostras que não cairá sem reagir, sabendo que conta com o apoio da opinião pública e que terá o Exército atrás de si se for necessário virar a mesa.
O grande apoio popular aponta para que nas próximas eleições, se houver lisura, serão varridos muitos dos deputados e senadores oposicionistas/corruptos e com sua base aumentada o Presidente conseguiria governar com maior sucesso, portanto é do interesse do governo evitar o conflito. As oposições, vendo que o tempo trabalha contra elas, sentem que precisam alijar o Bolsonaro da presidência antes da eleição e provocam de todas as formas na esperança de que um ato de força do governo lhes dê um pretexto jurídico para declará-lo afastado. Não conseguindo ainda resta às oposições fraudar a eleição, por isto se opõem ferozmente a qualquer forma de voto auditável, afirmando que as urnas eletrônicas são seguras, quando até a mais ingênua das criaturas sente que houve fraudes em todas as nossas eleições, inclusive na última, apenas nesta não foi suficiente.
Podemos esperar que o STF continue a ocupar cada vez mais espaço até provocar uma reação que arranhe as leis, na esperança de que as Forças Armadas se quedem neutralizadas pela aparente legalidade dos tribunais. Num cenário assim certamente o Exército decidiria de forma unanime por apoiar a legitimidade da opinião pública mesmo contra a aparente legalidade de um JUDICIÁRIO CORROMPIDO.
No final, como sempre, o poder se origina na boca dos fuzis. Que o Criador abençoe nossas armas e nossas mentes.
Gelio Augusto Barbosa Fregapani,
é Coronel, Veterano do Exército
Paraquedista e amante da Amazônia.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Concurso de Admissão ESA 2020 — Cursos de Formação e Graduação de Sargentos de 2021/22

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Em 30 de agosto próximo ocorrerão as provas do Exame Intelectual do Concurso aos Cursos de Formação e Graduação de Sargentos do Exército Brasileiro que funcionarão em 2021 e 2022.
Assim, vamos manifestar alguns pontos de opinião, atualizando postagens feitas em anos passados.
Tivemos, neste ano de 2020, 103.807 candidatos confirmados, número que representa um expressivo aumento na procura por uma vaga na carreira de Graduados do Exército.
Desta forma, praticamente podemos repetir o comentário feito em outras postagens, sobre o mesmo assunto.
Observando o quadro acima, temos a "grosso modo" uma média maior que 85 candidatos para cada vaga disponibilizada. Uma demanda considerável, se comparada a outros concursos para cargos em função pública.
Temos então que, apesar do esforço de 'otoridades' — infelizmente com o apoio de membros da própria Instituição — em desmoralizar e desmotivar os profissionais das armas, a carreira militar continua a encantar nossos jovens que amam o Brasil e não temem sair de sob as asas dos seus pais. Espero que entre os candidatos aprovados não haja quem espere "levar vantagem", pois se houver vai se decepcionar. A carreira castrense é para quem se sujeita a uma vida de sacrifícios com remuneração somente suficiente para a sobrevivência familiar.
Aos que tiverem sucesso nas provas, alguns pequenos esclarecimentos que não é costume serem feitos, mas que eu os faço previamente para que, mais tarde, não usem o argumento covarde de que não sabiam direito o que estavam fazendo:
— Preparem-se para (diferentemente do que ocorre em Concursos para Cargos Públicos Civis) começarem a "mostrar serviço" depois de frequentarem os Cursos de Formação e Graduação; e isso vai continuar por 35 anos de serviço, no mínimo. É costume dizer que Sargentos devem provar a cada dia que são bons profissionais.
— Preparem-se, também, para permanecerem por sete ou oito anos na graduação de 3º Sargento, com vencimentos brutos mensais, após sua Formatura em 2022, por volta de R$ 5.100,00. A isto podem ser agregados mais 25% do soldo (aproximadamente R$ 950,00) se fizerem algum Curso de Extensão/Especialização Militar; e 10 ou 20% também do soldo (R$ 382,50 ou R$ 765,00) se forem servir em regiões consideradas inóspitas.
— Preparem-se, ainda — também diferentemente das funções públicas civis —, para serem destinados para servir em qualquer parte do território nacional, independentemente dos interesses familiares (casa própria, emprego da esposa, curso universitário, doenças de pais, avós, sogros, etc).
— Depois do Curso, no exercício das funções de Sargento as condições profissionais continuarão difíceis (passar frio, cansaço, acampamentos em condições precárias, escalas de serviço apertadas — sem direito a recebimento de "horas extras" —, formaturas, exercícios físicos, "tempo zero" para estudos fora do EB, etc), acrescidas da responsabilidade de repassar seus conhecimentos, com os devidos cuidados de segurança, para seus subordinados (os Soldados incorporados anualmente para o Serviço Militar Inicial).
— Quanto aos aspectos financeiros, a cada promoção terão um acréscimo de 15 a 20% em seus vencimentos, chegando à graduação de Subtenente com o vencimento bruto, também a partir de 01 Jul 2022) valendo aproximadamente R$ 13.200,00. Caso alcancem o oficialato, poderão chegar ao posto de Capitão, que terão vencimentos brutos, após 01 Jul 2022, por volta de R$ 19.000,00. Ao vislumbrar esses valores, a grosso modo, calcule que devem ser abatidos cerca de 14% dos mesmos, a título de descontos obrigatórios para atendimentos de saúde e para o fundo que financiará, no futuro, a Pensão de sua viúva. Depois desse desconto, ainda tem que prestar contas com o famigerado e faminto Leão do Imposto de Renda.
— Os que não prestaram o Serviço Militar Inicial devem atentar para um detalhe importantíssimo: se acharem que as condições oferecidas durante o Curso de Formação não lhe agradaram, não insista. Se você teve capacidade para ser aprovado no Concurso do CFGS, certamente tem capacidade para fazer outros concursos para atividades profissionais onde se sinta melhor.
Se não gostou do Curso, não irá gostar do dia-a-dia da caserna — que será uma continuação das atividades do Curso —, assim, busque sua felicidade fazendo outra carreira e não se torne um mau profissional (desmotivado, mal-humorado, dos que só enxergam motivos para reclamar e criticar, desagregador, sem disposição para consertar ou melhorar seu ambiente de trabalho).
Aos que entenderem que podem passar seus dias dedicando-se às atividades castrenses, sejam bem vindos! Terão trinta e cinco anos, no mínimo, de atividade profissional extremamente gratificante, em um ambiente que tem por característica principal a camaradagem!


Aproveito para citar cinco princípios a serem seguidos para um bom desempenho profissional:
— Conheça sua profissão (saiba qual seu papel na sociedade como profissional);
— Interesse-se por sua profissão (busque conhecimentos sobre como melhorar seu desempenho profissional);
— Conheça seus subordinados (identifique as características individuais de cada um, a fim de melhor destinar missões, recompensas e sanções);
— Mantenha seus subordinados bem informados (só assim, eles poderão desenvolver a iniciativa própria, no sentido de melhor cumprir suas missões); e
— Interesse-se, verdadeiramente, pelo bem estar de seus subordinados.
Essas regras, que parecem simples, na realidade são difíceis de serem seguidas, pois são as que diferenciam os Líderes dos Chefes. E uma das principais características exigidas ao Sargento é ser Líder.
E sejam Sargentos, profissionais conscientes de pertencerem a uma das Instituições mais respeitadas por nossa população decente!
Imagens: "Futuro Sargento do EB" no Facebook
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quarta-feira, 5 de junho de 2019

O Exército de Todos Nós

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por Sérgio Pinto Monteiro*
Era 15 de fevereiro de 1630 e o nordeste brasileiro começava a viver o pesadelo da invasão dos holandeses da Companhia das Índias Ocidentais. Naquele dia, a cidade de Recife acordou sob o bombardeio da esquadra do Almirante Hendrick Loncq, formada por 50 navios e 7.000 homens. Começava a segunda tentativa dos batavos de se apossar do território brasileiro. Seis anos antes, em 8 de maio de 1624, atacaram e ocuparam Salvador. A reação luso-brasileira, apoiada pela população, não se fez esperar. Militarmente inferiorizadas, nossas forças reagiram com uma intensa guerra de emboscadas. A metrópole portuguesa, com o apoio da Espanha, mandou ao Brasil uma poderosa esquadra de 52 navios e 12.000 homens, entre soldados e marinheiros portugueses e espanhóis, que expulsaram os holandeses da Bahia em 30 de abril de 1625, menos de um ano após o início da ocupação.
Cinco anos decorridos da derrota em solo baiano, a posição estratégica de Recife, a excelência de seu porto natural, a proximidade da Europa e da África e as fracas defesas locais, proporcionaram ao invasor as condições favoráveis a uma nova e vitoriosa campanha, colocando, por 24 anos, parte do nordeste brasileiro sob o domínio holandês.
Os pernambucanos resistiram ao invasor e contra ele lutaram bravamente. Matias de Albuquerque proclamou para toda a Capitania a disposição de lutar até a morte. O inimigo, após conquistar Recife e Olinda, tratou de fortificar suas posições. Como na Bahia, nossa resistência era baseada, principalmente, em emboscadas. Hoje, diríamos que seriam ações de comandos e forças especiais. Construímos, em local estratégico, como baluarte para impedir a penetração do adversário no interior, a fortificação do Arraial do Bom Jesus, que resistiu por cinco anos às investidas dos batavos.
No dia 23 de maio de 1645, dezoito líderes da Insurreição Pernambucana assinaram um Termo Compromisso onde, pela vez primeira em documento, se usava a palavra pátria, no seu sentido atual. Há também, no Compromisso, providências que hoje seriam consideradas como mobilização de Reservas:
“Nós abaixo assinados nos conjuramos e prometemos em serviço da liberdade, não faltar a todo o tempo que for necessário, com toda ajuda de fazendas e de pessoas, contra qualquer inimigo, em restauração da nossa pátria; para o que nos obrigamos a manter todo o segredo que nisto convém...”.
Estava criado, segundo o mestre Capistrano de Abreu, o sentimento da existência nacional brasileira, que iria se fortalecer ao longo dos próximos dois séculos, até a Independência em 1822. 
Paralelamente, surgia, consolidado, o Exército de Patriotas, formado pela fusão das três etnias  branca, negra e índia  com suas miscigenações. Nascia o Exército Brasileiro, democracia multirracial, sem discriminações nem preconceitos, sem cotas, numa pluralidade étnica e social unida pela alma de combatente do nosso soldado.
Em 18 de abril de 1648, o exército holandês com 7.400 homens marchou no sentido Barreta-Guararapes, tendo como objetivo final apoderar-se do cabo de Santo Agostinho. O exército patriota, com 2.200 homens, deslocou-se para interceptar o invasor. O Sargento-mor Antônio Dias Cardoso, como “soldado mais prático e experiente” sugeriu que o melhor campo de batalha seria o Boqueirão dos Guararapes. Na manhã de 19 de abril, primeiro domingo após a páscoa (pascoela), dia de Nossa Senhora dos Prazeres, Dias Cardoso, no comando de 200 homens, investiu contra a vanguarda inimiga para, em seguida, retrair em direção ao interior do Boqueirão onde o restante do nosso exército estava escondido, pronto para a batalha. Ao comando de “ás de espadas” os patriotas se lançaram sobre o inimigo. O terço (regimento) de Pernambuco, comandado por João Fernandes Vieira, auxiliado por Dias Cardoso, rompeu o inimigo nos alagados; os índios de Felipe Camarão assaltaram a ala direita dos holandeses; o terço dos negros de Henrique Dias atacou a ala esquerda, ficando as tropas de Vidal de Negreiros em reserva. Os batavos contra-atacaram com suas reservas de 1.200 homens, enquadrando o terço de Henrique Dias. Os patriotas, habilmente, lançaram a reserva de Vidal de Negreiros no momento adequado. Foram 4 horas de confronto, entre alagados e morros. Ao final, o exército holandês, derrotado, retirou-se com pesadas perdas  1.038 combatentes entre mortos e feridos. Já os patriotas, tiveram 84 mortos e 400 feridos.
A batalha final que culminou com a derrota e expulsão do invasor holandês ocorreu em 14 de janeiro de 1654, quando o exército patriota atacou o último reduto inimigo em Recife. Após dez dias de combates, a cidade foi reconquistada. No dia 26 de janeiro, na Campina da Taborda, os holandeses assinaram a rendição e retiraram todas as suas forças do Brasil. As vitórias nas Batalhas dos Guararapes uniram, no nascedouro, os conceitos de pátria e exército. E o dia da primeira vitória  19 de abril de 1648  por decreto presidencial de 24 de março de 1994, foi escolhido para Dia do Exército.
Em 19 de abril, decorridos 371 anos da primeira vitória que culminou com a expulsão do invasor holandês, o Exército Brasileiro  instituição detentora dos maiores índices de confiabilidade do nosso povo  comemorou a sua data de origem, num momento em que a nação vivencia tempos de mudanças, onde o cidadão de bem, estarrecido, constata que, nos últimos anos, o nosso país foi vilipendiado por maus compatriotas que, durante o dia ludibriaram o povo em nome de uma falsa democracia para, na calada da noite, tramarem contra ela e assaltarem os cofres da nação. As últimas eleições revelaram, claramente, que a sociedade nacional despertou de um longo pesadelo. O resultado das urnas evidenciou que a população clama por novos rumos, onde prevaleçam os princípios, tradições e valores que forjaram a nacionalidade e a HONESTIDADE, COMPETÊNCIA e JUSTIÇA sejam dominantes nos poderes da república. O Brasil não é um reduto de traidores, corruptos, incapazes e sectários. Somos um povo simples, bondoso, às vezes até meio ingênuo, mas profundamente patriota e sempre pronto a defender a grandeza e a soberania da nação. Novas e importantes lideranças estão surgindo. E a ESPERANÇA de um país renovado brilha, novamente, no horizonte da Pátria.
As Forças Armadas, por sua gloriosa história e elevada envergadura moral, são hoje o sustentáculo de melhores tempos. O Dia do Exército foi comemorado condignamente nas organizações militares. Mas a data que lembra as vitórias de Guararapes e a epopeia daquele punhado de bravos, não foram destaques numa parcela da mídia que, comprometida ideologicamente ou movida por interesses escusos, mantém uma postura hostil aos militares. Felizmente, as redes sociais são hoje um fortíssimo instrumento de revelação da vontade popular. E lá vimos as mensagens de cumprimentos da população ao Exército de todos nós.
PARABÉNS, MEU INVENCÍVEL EXÉRCITO!
*o autor é historiador, oficial R/2 do Exército Brasileiro, Patrono do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva, Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, da Academia Brasileira de Defesa e do Instituto Histórico de Petrópolis.
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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Dia da Cavalaria

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Para um povo que não valoriza sua Historia.
por Carlos Alberto Bastos Moreira
Cada americano conhece o Álamo. Por aqui, é-se apenas capaz de saber a escalação da seleção brasileira em 195... ou da Escola Samba vencedora em ....
Era ele um jovem de dezesseis anos e já estava no bojo da Historia. Totalmente diferente de quem rebola a bunda em bailes funks, nessa idade.
Um Alferes de Cavalaria, no Passo do Rosário (lá na BR tem a indicação do lugar). Em feroz luta contra os castelhanos que queriam reivindicar aquela parcela do território, o Alferes tem seu pelotão dizimado numa emboscada. 
E abre o galope na pampa, para salvar a própria vida, depois de ter lutado o que podia ser lutado. 
Tem apenas 16 anos.
Dois gaúchos argentinos lhe partem ao encalço, para a degola. 
E o jovem galopa, galopa, perseguido cada vez mais de perto pelos dois machos criados... É só o verde da pampa e resfolegar de cavalos. Coração no máximo...
Um dos perseguidores lhe joga uma boleadeira, da qual o jovem consegue desviar o cavalo. Mas vai ser alcançado em breve...
Então decide tudo ou nada: 
De súbito estaqueia o cavalo e faz meia volta. Com um tiro de pistola na cara do oponente, recebe o primeiro, o qual tomba na relva. E o segundo já lhe vem por cima. Com o cano da pistola (um só tiro) se defende do violento golpe de sabre que lhe é desferido e, em seguida, fende o cranio do inimigo com a coronha da pistola descarregada.... 
Dois cavalos correm soltos pela Pampa... 
O menino de 16 anos ainda está assustado por tudo que passou... Ele está sozinho ainda. Aguardará a noite para, ao passo silencioso do cavalo, tentar retornar para o seu Esquadrão. Ainda sera General e estará presente em campo na maior batalha das America - Tuiuti. 
E ainda vai levar um tiro no maxilar, em meio a tormenta chuvosa que se desencadeou na batalha de Avaí. Amarrou o queixo caído com um lenço e ficou em campo, para não desestimular seus homens. Sofreu muito com posteriores cirurgia... 
Eu acho que esse país não lhe merecia. Que os jovens brinquem de skate ou brinquem de comunistas avançados. Que brinquem de serem bichas escandalosas... De corruptos, de Bolivarianos. Certamente Osório está bem longe.
C.A.B.Moreira 
(aquele a quem o conhecimento traz as alegria que compensa o sofrimento produzido pela percepção de estar cercado pela turba ignara, sejam analfabetos ou "doutores ")
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domingo, 24 de fevereiro de 2019

A Tomada de La Serra: 74 Anos

por Sérgio Pinto Monteiro*
Há setenta e quatro anos um pelotão do Regimento Sampaio escreveu, nos campos de batalha da Itália, páginas gloriosas da história da Força Expedicionária Brasileira. Seu comandante era o Primeiro-Tenente da reserva convocado Apollo Miguel Rezk.
Apollo nasceu no Rio de Janeiro em 09 de fevereiro de 1918. Era filho de imigrantes: pai libanês e mãe síria. Fez seus estudos no Colégio Pedro II. Em 1935 tentou, sem êxito, entrar para a Escola Militar do Realengo. Seus pés planos e uma reprovação em Física impediram a realização do sonho de ingressar na carreira militar.
A idade de prestação do serviço militar obrigatório conduziu o jovem Apollo ao CPOR do Rio de Janeiro. Aprovado nos exames médico, físico e intelectual, após os três anos do curso do CPOR foi declarado Aspirante a Oficial da Reserva e classificado em 10º lugar entre os setenta concludentes da Arma de Infantaria, turma de 1939.
Em 1940 formou-se Perito-Contador na Escola Superior de Comércio do Rio de Janeiro. No ano seguinte foi convocado para realizar o Estágio de Instrução no Regimento Sampaio, promovido a Segundo-Tenente e desligado do serviço ativo do Exército. Em 1942 foi convocado para o Estágio de Serviço, novamente no Regimento Sampaio. Estudioso, concluiu em 1943 o bacharelado em Ciências Econômicas na Faculdade de Administração e Finanças da Escola de Comércio do Rio de Janeiro.
Ainda nesse ano foi promovido a Primeiro-Tenente e convocado para a Força Expedicionária Brasileira, em fase de formação e adestramento.
Apollo embarcou para a Itália como oficial subalterno, Comandante de pelotão da 6ª Companhia do II Batalhão do Regimento Sampaio. O 2º escalão da FEB seguiu para o Teatro de Operações no navio transporte de tropas americano “U.S. General W. A. Mann”, que partiu do armazém nº 11 do porto do Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1944, ancorando em Nápoles no dia 06 de outubro.
Na noite de 23 e madrugada de 24 de fevereiro de 1945, atuando em apoio à 10ª Divisão de Montanha americana no ataque a La Serra, o pelotão comandado pelo tenente Apollo, após ultrapassar um extenso campo minado, atacou as posições fortificadas alemãs. Apesar do intenso fogo inimigo, o pelotão Apollo cercou o objetivo, investiu contra a posição e pôs em fuga os alemães, fazendo cinco prisioneiros. Ferido em combate por volta das 23 horas, o tenente Apollo, cercado e contra-atacado, manteve a posição durante toda a madrugada e manhã do dia 24.

19.05.45 – Ten Apollo, único brasileiro 
agraciado com a Cruz de Serviços Notáveis,
 dos  EUA, é condecorado pelo
Gen Truscott – Alessandria, Itália.
Por esta missão foi condecorado pelo governo americano, em 19 de maio de 1945, com a “Distinguished-Service Cross”, único brasileiro agraciado com essa importante medalha de bravura:
“... por heroísmo extraordinário ... a despeito de campos de minas desconhecidos, terreno excessivamente difícil e forte oposição, o Primeiro-Tenente Rezk conduziu galhardamente os seus homens através de uma cortina de fogo de metralhadoras, morteiros e artilharia, para assaltar e arrebatar o objetivo do inimigo. Embora gravemente ferido quando dirigia o ataque, o Primeiro-Tenente Rezk nunca hesitou: pelo contrário, continuou firmemente o avanço ... repeliu três fortes contra-ataques, infligindo pesadas perdas aos alemães pela sua habilidade na condução do tiro. Depois, embora em posição vulnerável ao fogo das casamatas do inimigo circundante e a despeito das bombas que caiam e da gravidade dos seus ferimentos, o Primeiro-Tenente Rezk defendeu resolutamente La Serra contra todas as tentativas fanáticas dos alemães para retomar a posição. Pelo seu heroísmo, comando inspirado e persistente coragem, o Primeiro-Tenente Rezk praticou feitos que refletem as mais altas tradições do serviço militar.”
(tradução de trechos do documento original em inglês feita pela Seção Especial do Comando da FEB).
O comandante da FEB, General João Baptista Mascarenhas de Moraes, em Citação de Combate de 09 de abril de 1945, assim se manifestou quanto às ações do tenente Apollo na conquista de La Serra:
“... a personalidade forte, o espírito de sacrifício, a combatividade, a tenacidade, o destemor do tenente Apollo constituem belos exemplos, dignos da tropa brasileira.”
30.03.45 - Ten Apollo recebe a "Silver Star" 
do Cmt do V Exército americano, Gen Lucian 
Truscott, Lizano de Belvedere – Itália.
Anteriormente, graças ao seu desempenho no ataque a Monte Castelo em 12 de dezembro de 1944, o Tenente Apollo já havia sido agraciado pelos Estados Unidos com a medalha “Silver Star”. Terminada a Campanha da Itália, o Tenente Apollo recebeu quatro condecorações brasileiras: Cruz de Combate de 1ª Classe, Medalha de Sangue, Medalha de Campanha e Medalha de Guerra.
Quando da promoção do Tenente Apollo ao posto de Capitão, em 03 de setembro de 1951, assim se expressou o Ministro da Guerra no despacho em que deferiu a proposta:
“Deferido. A promoção se justifica, sobretudo, em virtude da conduta excepcional desse Oficial no Teatro de Operações da Itália, onde, entre diversas condecorações recebidas por bravura, lhe foi conferida a medalha “Distinguished-Service Cross” do Exército Americano, por heroísmo extraordinário em ação, distinção máxima somente concedida a este combatente brasileiro...”.
O destino, que no passado não permitira ao jovem Apollo a realização do sonho de ingressar na carreira militar através da Escola do Realengo, ainda haveria de, novamente, pregar-lhe outra peça. A tão sonhada carreira, que finalmente lhe chegara não pela via da Escola Militar, mas através do CPOR e da própria guerra, como também, e principalmente, por sua bravura e eficácia no cumprimento do dever, seria interrompida precocemente. 
Seus pés planos não resistiram ao esforço do combate e ao congelamento nas trincheiras da Itália. O Capitão Apollo, em 12 de dezembro de 1957, aos 39 anos, depois de vinte anos no exército, foi julgado inapto para o serviço ativo e reformado no posto de Major.
Conheci o nosso herói já no ocaso de sua vida. Era um bravo. Foram muitos sábados e domingos de intermináveis conversas. Jamais o Major Apollo admitiu o seu heroísmo. Pessoa simples, culta e educada era, sobretudo, um gentleman. Absorvi, voraz e intensamente, cada relato de suas ações na guerra. O Exército era realmente a sua paixão. E a Pátria, o seu bem maior. Ficamos amigos, o que me enche de orgulho e gratidão.
A nação, na tristeza daquele 21 de janeiro de 1999, perdeu um filho exemplar. E o Exército viu partir um de seus grandes guerreiros. A filha Nádia comunicou-me o falecimento do pai pela manhã, bem cedo. Desloquei-me rapidamente para a sede do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva, no quartel do CPOR/RJ, de onde fiz os contatos relativos ao passamento do Major Apollo. Enviei um necrológio aos jornais, avisei ao CComSEx, aos comandantes do Regimento Sampaio e do Batalhão de Guardas - onde ele servira no após guerra - bem como à Embaixada dos Estados Unidos, já que era ele detentor de duas condecorações americanas. Informei, também, à Comunicação Social da Presidência da República e aos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro.
O sepultamento foi no cemitério do Caju. Presentes, familiares, ex-combatentes da FEB e amigos do nosso herói, bem como quase uma centena de oficiais R/2. Um pelotão do Regimento Sampaio executou as honras fúnebres. O governo americano enviou, de Brasília, um oficial superior, fardado, para representá-lo. Os governos federal, estadual e municipal não enviaram representantes, nem formularam condolências à família enlutada. Jamais esquecerei o constrangimento que senti ao ouvir o Oficial americano dizer aos filhos do major Apollo:
“Eu não entendo vocês brasileiros. Na minha terra, alguém com as importantes condecorações de guerra do Major Apollo, teria recebido, ao longo de sua vida, as homenagens, o respeito e a gratidão do seu povo.”
Na tristeza daquele momento, assumi, intimamente, o compromisso - como missão - de divulgar a história do Major Apollo. Nesses dezenove anos desde o seu falecimento, tenho viajado pelo nosso país ministrando palestras - nos meios militar e civil - relatando os seus atos de bravura e heroísmo. O meu livro “O Resgate do Tenente Apollo”, escrito em parceria com o tenente Orlando Frizanco, terá a 2ª edição publicada ainda este ano. Há, também, disponível, embora não biográfico, o livro do tenente Luiz Mergulhão “Major Apollo Miguel Rezk: O Herói Esquecido”. O Conselho Nacional de Oficiais da Reserva criou a Medalha Major Apollo Miguel Rezk, para homenagear personalidades que se destaquem no apoio aos oficiais da reserva.


Revista Manchete - Ed 2426 - 03 Out 1998
Um dos desejos não realizados do herói era ser promovido a Tenente-Coronel, a exemplo de alguns de seus companheiros que obtiveram a promoção por via judicial. Quem sabe o Exército Brasileiro, ou mesmo o Congresso Nacional, lhe concedam, ainda que tardiamente, essa honraria, como derradeira homenagem póstuma, já que em vida não logrou recebê-la sob a forma de promoção por bravura, o que teria sido, inquestionavelmente, um ato de inteira justiça.
Os feitos do Tenente Apollo ultrapassaram os limites de sua existência física. Na verdade, já não mais lhe pertenciam quando, naquela madrugada de 21 de janeiro de 1999 foi vencido pelo inexorável. São episódios gloriosos da história militar de um país que teima em não cultuar seus heróis.
A Força Expedicionária Brasileira - e seus bravos - não pode ser esquecida. Ela simboliza a pujança e o valor de um povo. A nação lhe deve eterno respeito e imorredoura gratidão.
*o autor é historiador, Oficial da Reserva do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, da Academia Brasileira de Defesa e do Instituto Histórico de Petrópolis. É presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB. É fundador e ex-presidente do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva - CNOR.
Fonte:  Informativo O Tuiuti nº 278-Jun-2018,
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