domingo, 15 de outubro de 2017

Maduro: Mais Armadilha que Democracia

Maduro avisou que quem votar hoje, legitimará a Assembleia Constituinte. Esta, como se sabe, anulou as atribuições da Assembleia Nacional. Poderá fazer o mesmo com os governadores.
Foto: Reuters/Ricardo Moraes
Hoje (15 de outubro) ocorrerão eleições regionais na Venezuela, para eleger 23 Governadores de Estados. Durante as últimas décadas a convocação de eleições na América Latina tem sido uma festa democrática em boa parte dos países que durante décadas tiveram governos militares. Na Venezuela houve muitas jornadas eleitorais, particularmente no extenso regime chavista. As de hoje, não obstante, se afastam muito do significado que deveriam ter como expressão autentica e legítima de democracia participativa. 
Estas eleições deveriam ter sido celebradas em dezembro de 2016. Mas Nicolás Maduro as adiou mediante decreto, prevenido pelo triunfo da oposição na eleição do poder legislativo (Assembléia Nacional). Tão logo os movimentos de oposição assumiram o controle da Assembléia, seu Governo em conluio com o Conselho Nacional Eleitoral e o Tribunal Supremo de Justiça, violentaram as normas até o ponto de desalojar os deputados do Poder Legislativo e anular suas resoluções. Esses casos indicam o grau de manipulação a que está submetido o regime eleitoral venezuelano.
Por isso, ainda que as pesquisas que se podem fazer anunciem resultados contrários aos interesses do Governo, é ilusório pensar que as medições de opinião determinem o triunfo final, pois quem faz a contagem é que elege no final, e o poder eleitoral na Venezuela se subordina às ordens do poder presidencial. A célebre Tibisay Lucena, presidente do Conselho Eleitoral, é uma funcionária subalterna de Maduro e Diosdado Cabello, e é ela quem determina quem foi eleito para os governos estaduais.
Nada do que seria normal em um Estado de Direito - começando pela divisão de poderes e um sistema de de controles do exercício do poder - funciona na Venezuela. Lá tudo se sujeita aos interesses opacos da cúpula chavista e dos militares que os tutelam.
Além de todas estas anomalias democráticas, as eleições de hoje são apresentadas como uma verdadeira armadilha para os movimentos de oposição. Depois de semanas de manifestações diárias nas ruas e de sofrer uma violência oficial que deixou mais de uma centena de mortos, o chavismo conseguiu o que tanto se temia: dividir a oposição.
Depois de impor uma Assembléia Nacional Constituinte que usurpou as funções do Legislativo, e de acrescentar que quem votar neste domingo estará reconhecendo essa Constituinte - e que os eleitos deverão comprometer-se a acatar tal Assembléia - a oposição está no dilema entre participar, e portanto, reconhecer o sistema, ou abster-se e deixar o caminho totalmente livre para o chavismo.
A comunidade internacional, sem deixar de manifestar tímidamente seu incômodo com os atropelos autocráticos do chavismo, pede aos venezuelanos que votem. Entre as duas opções, votar ou omitir-se, para o resgate da democracia na Venezuela evidentemente é mais eficaz comparecer às urnas. Mesmo assim, a pureza do sufrágio e a transparência na contagem e escrutínios será mais que remota. Porém, a mobilização do voto em favor das liberdades e contra os déspotas pode consolidar os cimentos da heróica luta da oposição venezuelana.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
Comento:  ao final, temos que os canalhas do Foro de São Paulo estão tendo sucesso em manipular a população e os mecanismos de defesa da democracia na Venezuela.  Devemos ficar atentos para a implantação dos princípios estratégicos que levaram a esse desastre para a liberdade dos venezuelanos e que faz tempo são tentados no Brasil. De um deles fazem parte as contínuas "campanhas" pelo "voto nulo" e pela abstenção nas eleições, sob o argumento de que "não há candidato que valha a pena". Outra estratégia é reivindicar que o ato de votar deixe de ser obrigatório. São estratégias que favorecem os partidos com forte militância, notadamente os de bandeiras socialistas/comunistas. A não obrigatoriedade de comparecimento às eleições, ou o deixar de votar contra essas entidades e seus candidatos, faz com que a parte do seu eleitorado, mesmo sendo minoria, eleja seus candidatos em função da omissão dos seus oponentes. Acredite, entre os canalhas há muita gente inteligente. E nunca esqueça o velho ditado castelhano: "o diabo é mais diabo por velho que por diabo"!

domingo, 1 de outubro de 2017

Fortunas Lícitas e Ilícitas

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Escrevo com o propósito de tentar demonstrar a extensão da roubalheira a que estamos submetidos como cidadãos brasileiros, sem que a maioria da população se dê conta disso.
A alguns dias, em 27 Set 17,  morreu Hugh Hefner, o criador da revista Playboy e suas coelhinhas. Mesmo quem tenha restrições ao seu “estilo de vida” deve reconhecer que ele trabalhou, construiu um império representado por seu palácio luxuoso, cassinos, cabarés, publicações e suas colaboradoras — quase todas bem-sucedidas na vida profissional de modelo. A par disso, enriqueceu; viveu bem; e morreu como muitos gostariam — em um leito luxuoso, acompanhado por uma mulher 35 anos mais jovem. 
Seu sucesso iniciou quando eu sequer havia dado meus primeiros passos. Assim, eu tenho motivos para afirmar que a vida dele foi muito melhor sucedida que a minha, mesmo que tenhamos restrições a suas ações devido a crenças, cultura, hábitos ou de qualquer outro tipo — que podemos resumir na palavra "inveja" (mesmo aquela sem despeito ou rancor). Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que não sou infeliz com a vida e a família que tenho nem com a profissão que exerci e que me proporcionou tudo o que tenho e me faz feliz. Mas a vida de Hugh Hefner me parece que foi bem mais interessante que a minha. E tenho que concordar com um sujeito da televisão que imaginou o falecido chegando ao Paraíso Celeste e sendo recebido por São Pedro que lhe diz: "Acho que vais achar isto aqui um pouco monótono!
Do noticiário sobre a morte dele, me chamou a atenção o fato de que, por ter sofrido alguns revezes financeiros, tenha deixado uma herança estimada em 50 milhões de dólares a ser repartida entre sua última esposa e três filhos, que teve com esposas anteriores. Isto representa cerca de 12,5 milhões de dólares para cada herdeiro. É bastante dinheiro!
Temos, então, que um sujeito de vida invejável a tenha terminado com um saldo financeiro de 50 milhões de dólares. Faço questão de repetir, para que esse valor seja memorizado por quem me dá o honroso privilégio de ler o que escrevo.
Feita a referência, vamos falar sério. Gosto de comparar fatos que, na aparência nada tem em comum. Por isso citei o falecido norte-americano.
Lembremos que faz pouco tempo, encontraram 51 milhões de reais “perdidos” em um apartamento emprestado a um canalha, velho conhecido dos que acompanham as costumeiras putarias do que denominamos política brasileira. 
Ou seja, considerando o atual valor cambial de um dólar valendo pouco mais de três reais, um grandessíssimo fiádaputa — mantido a bastante tempo em cargos públicos, que por si só pagam vencimentos e regalias já fabulosos, graças a boa parte dos eleitores baianos — mantinha escondido dinheiro provavelmente obtido de forma ilegal, no valor de cerca de um terço do que foi adquirido em toda uma vida de trabalho de um “magnata” norte-americano.
Lembremos outro fato. O ladrão Paulo Roberto Costa, pego com a boca na botija em algumas das muitas roubalheiras praticadas contra a Petrobras, dentre outras ações que deveriam envergonhá-lo, ofereceu devolver 100 milhões de dólares roubados que se encontravam depositados no exterior. Aqui, abro um parêntese. Se esse outro fiádaputa se dispôs a devolver 100 milhões de dólares, suspeito que foi no intuito de agir como alguns pássaros que cantam longe de seus ninhos para enganar predadores de ovos. Os 100 milhões entregues, acredito, devem ter servido para desviar a atenção de outras centenas de milhões "preservados" para um futuro não muito longínquo. Afinal, temos leis cretinas feitas por legisladores desonestos e aplicadas por juízes e ministros de tribunais superiores lenientes permitindo as progressões de penas que logo se transformam em verdadeiros indultos. 
Temos, assim, um outro canalha — apenas UM dos muitos envolvidos na pilhagem praticada contra aquela empresa que diziam ser dos brasileiros — que mantinha uma pequena conta bancária no exterior com um saldo que era o dobro do que o pobre “explorador” das coelhinhas amealhou trabalhando toda uma vida.
Poderia citar um grande número de casos similares, mas serviria só para enojar a quem me dá a honra de sua atenção.
Fico por aqui, lembrando um fato ocorrido comigo há pouco menos de vinte anos em Bogotá, Colômbia. Em uma reunião social com diplomatas, fui abordado por um russo que já havia ultrapassado um pouco o limite de segurança de teor alcoólico. Ao saber que sou brasileiro aproximou-se e alegando ter servido em Angola onde aprendeu um pouco do nosso idioma disse preferir falar errado em português do que em espanhol, idioma que lhe parecia mais difícil. Resumindo a conversa, que derivou sobre notícias internacionais, pensei que o russo estava tentando escarnecer-me ao citar que notícias sobre o Brasil, quando aparecem no noticiário exterior quase sempre tratam de grandes roubos e desfalques. Minha irritação se dissipou quando ele complementou dizendo amar o Brasil por sua riqueza, concluindo que sua pátria, a extinta URSS — “segunda potência mundial, quase primeira”, em suas palavras — em função da corrupção, que aparentemente não alcançaria dez por cento do que ocorre no Brasil, foi parar na lata do lixo terrestre, com sua sociedade na miséria e a criminalidade se impondo como forma de sobrevivência do povo em geral.
Fiquei com pena do russo. E lhe dou plena razão, ao mesmo tempo em que me pergunto: até quando nosso povo vai continuar “deitado em berço esplêndido”, brigando e matando por paixões futebolísticas, ao mesmo tempo em que pouco realmente se manifesta sobre a verdadeira “zelite” brasileira (maus políticos, aliados a maus empresários monopolistas e maus banqueiros que compram o povo com migalhas do que roubam descaradamente) que se mantém espoliando esta que deveria ser uma das maiores — senão a maior — potência mundial, devido a suas riquezas naturais?
Até quando continuaremos acreditando nessa mentira deslavada de que empresas estatais são "patrimônio do povo" e assim devem ser preservadas, sem buscar nos informarmos a respeito do que essas empresas tem nos oferecido como sociedade?  Essas empresas servem ao povo ou a políticos indecentes e funcionários aproveitadores?
Até quando continuaremos, aceitando o revezamento no poder de quadrilhas que destroem o Brasil com a conivência de boa parcela da população que se deixa iludir por "salvadores da pátria" e se omite nos momentos de decisão, entregando seu futuro e de seus filhos nas mãos de canalhas como o Cachaceiro Mentiroso e seus quadrilheiros — com destaque para a senhora apelidada de "Amante" nas planilhas da corrupção, a mesma cujo marido é réu em processos de fraudes em empréstimos consignados para funcionários públicos e aposentados — que ora invadem as salas de nossas casas afirmando que "tiraram 35 milhões da miséria", e não falam nada sobre os bilhões que tiraram da "res-pública".
Até quando continuaremos aceitando que nos façam de idiotas enquanto nos fazem acreditar que somos os mais malandros do mundo??
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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Escravos Brancos. Quando a Caça de Peles Claras Semeava o Terror na Europa


Duas naves alongadas se aproximaram da popa da barcaça Francis. Os homens a bordo da Francis, uma pequena embarcação de carga que em 1716 ia de Gênova para a Inglaterra, estremeceram de terror: aquelas naves são xebecs, navios de três velas usados pelos caçadores de homens brancos. Eles vêm do norte da África, e os marinheiros da Francis sabem bem o que lhes espera: a escravidão. Todos perderão a liberdade, e muitos a própria vida. Serão jogados em celas pútridas, serão torturados e humilhados, maltratados até a morte. Poucos conseguirão rever a pátria.
O mercado de escravos de Argel em um desenho europeu de 1700. Os prisioneiros europeus eram acorrentados, desvestidos, examinados como atenção, muitas vezes espancados e depois comprados por mercadores que os revendiam para que executassem trabalhos forçados ou como remadores nas galés.
Ouro branco 
Escravos europeus, senhores africanos: uma situação insólita que só nos últimos tempos está sendo objeto de estudos aprofundados pelos historiadores. O quadro que temos daquela época, quando os cristãos eram chamados de “ouro branco” nos mercados norte-africanos, ainda está recoberto por uma pátina de descrições folclóricas.
No século 19, na Europa, o exotismo oriental estava na moda, sobretudo na pintura e demais artes plásticas (veja o quadro “Mulher branca sequestrada e levada ao harém”) e obras do gênero constituíam um filão muito lucrativo. Esse modismo também encontrou ressonância na produção literária naqueles tempos. Mas os historiadores, curiosamente, nunca levaram o fenômeno realmente a sério. Hoje, um livro do historiador norte-americano Robert Davis traça um panorama radicalmente diverso.
Segundo Davis, não menos de um milhão de europeus foram escravizados e obrigados a servir os seus senhores africanos. Entre 1580 e 1680, em Argel, Túnis, Trípoli e em muitas outras localidades do litoral norte-africano, viviam estavelmente cerca de 35 mil escravos brancos.
Procurando calcular quantos homens tinham de ser capturados para manter estável esse número, levando-se em conta as fugas (menos de 1%), resgates (4%), mortos pela peste que, na África, se espalhava com espantosa regularidade, Davis estimou que a cada ano fosse preciso capturar pelo menos 8.500 pessoas, ou seja 850 mil indivíduos no período entre 1580 e 1680.

1,25 milhão de escravos brancos
Para toda a época da escravidão, de 1500 até 1800, Davis estima “com boa aproximação” um número total de 1,25 milhão de europeus reduzidos à escravidão. E ele se refere apenas às cidadelas dos caçadores de escravos no Mediterrâneo ocidental: Argel, Túnis e Trípoli. Mas também no Marrocos e no Egito, dezenas de milhares de europeus viviam em escravidão, bem como no Império Otomano: em Constantinopla, entre os anos 1500 e 1800, havia uma presença estável de 30 mil escravos.
Os caçadores de escravos do Norte da África chegavam até a Grã Bretanha. Ao chegar aos portos britânicos, saíam das naves e invadiam tavernas e igrejas, vestindo roupas longas e com as cabeças completamente raspadas, empunhando cimitarras e arrastando os clientes das tavernas ou os fieis que assistiam à missa. Em 1627, um grupo argelino de caçadores de homens chegou à Islândia, onde sequestrou cerca de 100 homens, mulheres e crianças.
1,25 milhão de europeus deportados para o norte da África entre 1500 e 1800. Mas os africanos negros deportados para as Américas pelos europeus entre 1451 e 1870 foram cerca de 12 milhões.





















Terror na Itália 
Mas foi sobretudo no sul da Itália onde esses corsários mais agiram. Em 1543, desembarcaram na península cerca de 12 mil corsários, um verdadeiro exército que penetrou cerca de 30 quilômetros no interior das terras. Cerca vez, chegaram a 20 quilômetros do Vaticano. As milícias locais não ousavam atacar os invasores, claramente superiores em número e capacidade de combate. A Itália, na época, não existia como nação. O território italiano era fragmentado em numerosos pequenos Estados e algumas repúblicas, e os centros de poder estavam quase sempre situados bem longe das aldeias e pequenas cidades.
Em 1544, os caçadores de homens fizeram 7 mil prisioneiros no Golfo de Nápoles. Dez anos depois, em 1554, deportaram 6 mil pessoas residentes em Vieste, na Apúlia. Quando as naves voltavam à casa depois dessas incursões e desembarcavam os prisioneiros, contam os testemunhos da época que, nos mercados de escravos do norte da África, “um europeu valia o preço de uma cebola”.
Algumas vezes as expedições alcançaram um êxito tão grande que as naves corsárias não conseguiam transportar todos os passageiros. Estes eram então vendidos com grandes descontos aos seus próprios parentes. Era o momento em que entravam em ação os agiotas europeus locais que faziam empréstimos a quem não tinha condições de pagar o resgate de parentes sequestrados e, como abutres, tiravam proveito da desventura dos seus conterrâneos. Em situações como essa, os parentes do prisioneiro empenhavam a própria casa e todos os bens que existiam nelas. Assim, em poucas horas poderiam abraçar de novo os seus familiares queridos, mas não tinham mais como viver.
A escravidão foi praticada em toda a parte no mundo inteiro, desde as primeiras grandes civilizações como o Egito e a Grécia. Em Roma, os escravos estavam tão desesperados que, guiados por Espártaco, ousaram se rebelar. Com o advento do cristianismo, aos cristãos foi proibido comprar outros cristãos escravizados (mas a regra não se aplicava aos fieis de outras religiões). Mesmo assim, com essa providência, a escravidão na Europa diminuiu. Mas nos tempos coloniais 12 milhões de negros africanos foram deportados para a América, sobretudo para os Estados Unidos e o Brasil.
Ao redor do ano 1600, o alcance desse fenômeno foi redimensionado. A vigilância dos litorais melhorou graças à construção de fortalezas para a defesa e de torres de vigilância, ao mesmo tempo em que unidades de cavalaria barravam as estradas aos corsários que voltavam para suas naves carregando o seu botim. A partir daí, inúmeras incursões rápidas substituíram as grandes partidas de caça aos europeus de pele branca. O número das vítimas desses “furtos de cristãos” se somava àquele de pessoas capturadas no decurso de grandes operações espetaculares. As populações europeias litorâneas buscaram refúgio no interior das terras, em aldeias fortificadas cercadas por muralhas, sobre as colinas. As zonas costeiras ficaram despovoadas, as ilhas foram abandonadas. Foi por essas razões que começaram os ataques de corsários a navios mercantes. Muitas vezes os caçadores se aproximavam de suas vítimas a bordo de naves já conquistadas, sob falsa bandeira e vestidos com os uniformes das nações amigas. Entre 1613 e 1621 foram sequestradas e conduzidas a Argélia cerca de mil navios provenientes da Inglaterra, da França, dos Países Baixos e da Espanha.
Os europeus capturados eram levados para as cidades do norte da África, arrastados pelas ruas como animais, espancados e cobertos de cuspidas por uma multidão que gritava insultos. Eram a seguir levados a cárceres subterrâneos. Aglomerados nesses celas infectas, viviam em meio a excrementos, insetos e parasitas. A luz penetrava através de uma abertura gradeada no teto. Para abandonar a prisão, os escravos tinham de se agarrar a uma escada de cordas que era jogada do alto.

Leilão no mercado
Permaneciam nessas condições até o dia do leilão no mercado de escravos. Lá, tinham de se exibir saltando, dançando e cantarolando: os clientes queriam ter certeza que a mercadoria estivesse saudável e em bom estado. Os potenciais compradores avaliavam a musculatura, examinavam as mãos e os pés, observavam atentamente os dentes. No mercado se decidia a partida entre a vida ou a morte. O comprador precisava de um animal de trabalho, queria um escravo ou escrava sexual, ou simplesmente se tratava de um investimento especulativo? Apenas nos casos em que o novo proprietário esperasse obter um resgate elevado pela libertação do prisioneiro, ele evitaria maltratá-lo até a morte.
Várias torturas infligidas aos escravos: empalados, esquartejados por duas naves, queimados vivos, crucificados, queimados com velas, enterrados vivos, cortados em pedaços, arrastados por cavalos.
Prender um bispo era como ganhar na loteria
Por essa razão, os mais procurados pelos caçadores eram os passageiros ricos que viajavam a bordo de navios: comerciantes, sobretudo, com familiares dispostos a pagar elevadas somas pelo seu resgate. Ainda mais que os comerciantes, os bispos da Igreja valiam verdadeiras fortunas. Espalhara-se o boato de que a Igreja pagava regiamente e sem fazer alarde pela devolução dos seus dignitários.
O destino mais benévolo tocava geralmente a quem fosse comprado para trabalhar como serviçal em casas privadas: esvaziar as latrinas, conduzir camelos, talvez tocar música nos jardins e servir o café. Mas aos escravos destinados a trabalhos forçados em obras dos governos era reservado um tratamento duríssimo e impiedoso. Em Argel, tinham de arrastar por quilômetros blocos de pedra de 20 a 40 toneladas, desde a pedreira de onde tinham sido extraídos até o cais do porto. E podia ser ainda pior: a forma mais brutal de exploração do braço escravo era a dos remadores de galés.
A bordo de uma galé, a água de beber era poluída. Quem não resistia e caía doente era simplesmente jogado ao mar. Os homens viviam acorrentados aos remos. Não podiam se afastar deles e nem ficar em pé, e tinham de dormir sentados em filas de 3 a 4 pessoas. Para fazer suas necessidades, tinham de subir sobre os vizinhos até chegar à borda. Muitos deles, exaustos, renunciavam a se mover; por isso as galés eram cercadas por um fedor bestial. Nas galés de guerra otomanas, os remadores permaneciam acorrentados até mesmo quando a nave permanecia no porto durante o inverno. E, quando a nave naufragava em batalha, levava os escravos para o fundo.
Muitos escravos acabavam se convertendo ao Islã. Para os proprietários, a conversão dos escravos era um evento contraditório: útil para agradar a Alá, mas negativo para os negócios. Os convertidos não poderiam mais ser tratados de modo desumano. Para quem, por outro lado, se afastava do cristianismo, a passagem ao Islã significava um pacto com o demônio. Para o governo inglês esse escravo se tornava um traidor e não podia mais esperar por qualquer resgate. Com frequência segundo relatos, os ex-cristãos se distinguiam pelo zelo particular como colaboradores do regime: “Superam inclusive os bárbaros em matéria de crueldade e espancam os seus irmãos sem piedade”.
Mercadoria para o harém.
A compra de uma mulher branca nessa ilustração.
A escravidão no luxo
Alguns poucos escravos brancos, no entanto, conseguiam se sair muito bem. O veneziano Giacomo Colombin, por exemplo, capturado no mar em 1602, foi cortejado e protegido pelo capitão dos corsários porque possuía sólidos conhecimentos de engenharia e arquitetura, o que lhe trouxe grande riqueza: era um escravo, mas morava em um casarão luxuoso sobre as colinas de Argel. Depois de 30 anos, usando uma nave que ele mesmo projetara, conseguiu fugir junto a 22 outros prisioneiros.
Tais exemplos mostram que as sociedades escravagistas do norte da África eram bem mais complexas do que podemos imaginar. Novas fontes de informação possibilitam uma nova visão da vida social que se desenrolava nos assim chamados “banhos” de Argel. Desde o início do século 18, esses bairros-prisão, verdadeiros labirintos de ruelas similares às modernas favelas, nos quais vivia uma população de muitos escravos, possuíam algumas capelas para o culto católico, dirigidas por sacerdotes autorizados pelas autoridades dessas metrópoles dos corsários. Os muçulmanos apreciavam a ajuda desses padres, tanto no campo pastoral quanto médico. Os religiosos, com o tempo, conquistaram também um papel cada vez mais importante como agentes nas tratativas para os resgates. Tais processos, com o tempo, passaram de simples “vendas a varejo” de seres humanos para um comércio no atacado de homens-mercadoria.

Em 1816, a abolição
Os resgates custavam caro: em 646 um emissário inglês pagou 38 esterlinas por escravo, a renda anual de um comerciante inglês abastado. A política europeia em relação aos piratas, particularmente a francesa, permaneceu durante muito tempo caracterizada por hesitações e cinismos táticos: era mais importante um bom acordo comercial do que o destino dos escravos. No final do século 18, o rei da Dinamarca enviava a cada ano um tributo de armamentos aos caçadores de homens para que deixassem suas naves em paz. Mas com o final das guerras napoleônicas as relações mudaram. Durante o congresso de Viena entre 1814 e 1815, sob pressão do governo inglês, foi banido o comércio transatlântico de escravos. Ao mesmo tempo, o almirante inglês Sir Sidney Smith, chefe da “Sociedade dos Cavaleiros Libertadores de Homens Brancos Escravizados” lançou a ideia de uma intervenção humanitária no norte da África.
Em agosto de 1816, uma esquadra composta por 18 navios de guerra ingleses, alguns dos quais dotados de mais de 100 canhões, e com o apoio de naves holandesas, ancorou na baía de Argel. Quando se esgotou um ultimato, todas as naves abriram fogo, e sobre a cidade de Argel caíram cerca de 50 mil balas de canhão. A frota dos corsários ancorada no porto foi queimada. O fogo se propagou nas estruturas do porto e dos arsenais, e em pouco tempo se espalhou por toda a cidade. Argel virou uma ruína. Só nesse ponto foi que o comandante chefe dos corsários se rendeu e colocou em liberdade todos os escravos brancos. Logo em seguida, também Túnis, Trípoli e o Marrocos se apressaram em declarar que a escravidão fora abolida.
A escravidão negra nas Américas, no entanto, durou muito mais tempo. No Brasil, ela só terminou em 1888, pela pena da Princesa Isabel, Regente do Império – e a pressão de governos estrangeiros, sobretudo a Inglaterra.
Fonte:    Luis Pellegrini

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Você Sabe o Que é Uma Hégira?

O Ocidente chama de crise de refugiados ou questão humanitária.
Mas os islâmicos chamam de hégira. 
O que está em jogo na lei de imigração?
As verdadeiras questões em disputa na geopolítica, e mesmo na configuração do mundo de hoje, passam tão ao largo da intelligentsia moderna – políticos, jornalistas, analistas, professores e o circuito think tank – que não surpreende quando todos se surpreendem com um resultado que seria óbvio fora de seu jargão de educação técnica. 
A lei de imigração, de autoria do atual chanceler Aloysio Nunes (PSDB/SP), ex-motorista do terrorista Carlos Marighella, é um caso de estudo gritante: poucos conhecem seus prováveis resultados, raros entendem a dinâmica e quais são as forças em jogo, mas quase todos estão prontos para empunhar declarações com fontes na internet para, imediatamente, sacar o vocabulário do jornalismo e da Academia, acreditando que estão vencendo preconceitos, e não repetindo preconceitos socialmente aceitos, quando dizem que “nem todo muçulmano é terrorista”, ou ainda venerando vocábulos cristalizados como “islamofobia”. 
Se a intelligentsia se recusa a usar termos com maior capacidade de descrever o que se passa no mundo, como jihad ou salafismo, que dirá até mesmo saber o que são questões fundamentais para o islamismo, mas menos “pop”, como saber o que é uma hégira. 
A importância para o islam 
Responda rápido: qual é o evento que marca o início do calendário islâmico, aproximadamente em julho de 622 para o calendário juliano? Para os “não-preconceituosos” que apenas conhecem a religião muçulmana em comparação ao cristianismo, a tentação de responder algo como “o nascimento de Maomé” ou “o dia da revelação do ‘anjo Gabriel’ a Maomé” é quase carnal de tão sedutora, mas o início do tempo sagrado do islamismo começa de outra forma: com a hégira – a imigração de Maomé de Meca para Medina. 

Uma religião que marca o início de sua história com uma imigração, na mais branda das hipóteses, possui uma relação com imigrações indescritivelmente maior do que qualquer religião ou movimento político em toda a história do planeta. Enquanto ocidentais, que do Corão e do islamismo só conhecem os comentários da Globo News, falam em “crise de refugiados” ou “questão humanitária” (termos que nem possuiriam uma tradução aproximada em árabe), o que muçulmanos estão fazendo, mirando no Ocidente, é seguir os passos de Maomé, pregando abertamente uma hégira (hijra ou هجرة). 
Quando Maomé afirma ter recebido a sua “revelação” (em estado de transe, ao contrário de Maria, que responde racionalmente) do suposto “anjo Gabriel”, começa uma pregação em Meca, sua terra natal, importantíssimo entreposto comercial, tentando “corrigir” o judaísmo e o cristianismo. 
Naquilo que estudiosos do Corão determinam como os mais antigos escritos de Maomé, o “profeta” ainda é pacífico em relação a cristãos e judeus, “os povos do livro”, conforme o linguajar islâmico. Sua proposta é praticamente reescrever a Bíblia, sobretudo o Novo Testamento. Quem mais aparece nesse momento no Corão (e em boa parte do livro inteiro) é Jesus, não negando seus milagres, seu nascimento virginal, seu papel como profeta – mas negando sua mensagem, quase como se proferisse o tempo todo: Eu nunca disse tal coisa!.
Blasfêmias pesadíssimas e imperdoáveis para a mentalidade islâmica, como dizer que é Filho de Deus (como Alá, que não criou o homem à sua imagem e semelhança, pode ter alguma familiaridade com um humano?!) ou, oh, horror, que teria morrido numa cruz, algo que faria toda a teologia islâmica perder o sentido, mas que ocidentais seculares nem fazem ideia do porquê (vide nossos artigos Por que ateus devem comemorar o Natal e episódio Por que a esquerda adora muçulmanos do Guten Morgen, o nosso podcast).
Muçulmanos podem conviver com um tal de Jesus que multiplica pães e ressuscita mortos, mas não com um que morreu numa cruz, por isso costumam se focar não no aspecto messiânico (Kristos) de Jesus, mas no seu local de nascimento, preferindo chamar cristãos de “nazarenos”, até os marcando, em terras islâmicas, com a letra nuun (ن). Era tudo isso que o Corão buscava “corrigir”.
A pregação de Maomé não foi bem aceita por cristãos e judeus, mas também não por pagãos, que, pela visão da nova religião, não tinham nem mesmo o status de sub-religiões, os “errados” que deveriam marcar sua inferioridade se convertendo, pagando o imposto da jizya (“oferecido” apenas a cristãos e judeus). Meca, convoluta com a pregação de porta em porta do nosso auto-intitulado “profeta”, pregando um Deus que não era mais Verbo (logos) encarnado, mas pura vontade e mando, viu sua paz ser ameaçada e Maomé foge para uma cidade razoavelmente próxima, provavelmente com uma pequena caravana de convertidos: Medina, ou Yathreb. É a hégira que vai determinar tanto o islamismo que marca o início do tempo “verdadeiro”.
Após a hégira, já em Medina, Maomé troca completamente a sua estratégia de pregação cabana por cabana. Seu texto passa para a agressividade: ao invés da opção de pagar jizya para admitir a inferioridade, cristãos e judeus podem agora também ter a tentadora opção de serem mortos (já “infiéis” pagãos, como yazidis e afins, só podem mesmo se converter ou morrer, e suas mulheres serem usadas como escravas sexuais). 
Hégira como teologia 
Teólogos muçulmanos influentes nas principais universidades islâmicas do mundo costumam fazer a leitura desses versos contraditórios do Corão, que ora falam em “amar os judeus”, ora em “impor terror sobre aqueles descrentes, e então esmagar suas cabeças” (Qur’an 8:12), justamente pela posterioridade dos segundos sobre os primeiros: os versos de Medina, pós-Hégira, seriam mais “verdadeiros”. É por isso que um sem-número de países muçulmanos, mesmo com versos no Corão pregando alguma forma de “paz” com cristãos e judeus, proíbe sua permanência em suas terras. 
Houve um tempo em que
era comum retratar o “profeta”
É o que faz a dissidente (“apóstata”) Ayaan Hirsi Ali, que abandonou o islamismo e fugiu da Arábia Saudita, dividir os muçulmanos não da forma da tradição islâmica (sunitas, xiitas e kharijistas), mas entre muçulmanos de Meca e muçulmanos de Medina. Os primeiros, felizmente a maioria, seguem os ditos de Maomé pré-Hégira, quando seus escritos ainda falam de comércio, de código civil e de reformas teológicas em um clima que crê que o islamismo vai ser dominante por sua atração própria. Os segundos, que podem até ser uma minoria ínfima, mas são um perigo extremo numa religião com quase 2 bilhões de praticantes, além da hégira, preconizam a jihad, a guerra santa para a conversão – não de pessoas, mas de povos, regiões e países inteiros. Note-se a diferença gritante com uma religião que começa com um Êxodo, para seguir seu Deus e sua verdade em paz. 
Afinal, o islamismo, sendo um jin, não é só uma religião, mas também uma cosmogonia, um método de pensamento (incluindo o “científico”), um código civil, de alimentação, vestuário etc. Além do que ocidentais, incluindo seculares, chamam de “religião” (conceito latino que aprenderam unicamente pela via do complexo do judaico-cristianismo). 
O maior estudioso das religiões do mundo, o romeno Mircea Eliade, define em sua importantíssima obra O Sagrado e o Profano que os religiosos devem seguir o comportamento dos seus líderes, até por imitação. Apesar de não haver uma “preconização” de que muçulmanos devem sair “imigrando” pelo mundo, até a forma de interpretação do Corão depende dos hadith, textos atribuídos que narram a vida do “profeta” Maomé exatamente para tal fim. 
Hégira como conquista 
A hégira “original” é apenas a imigração de Meca para Medina (não é chamada de hégira nem mesmo o retorno de Maomé para Meca, já dotado de uma ideologia guerreira, e entrando em conflito armado com os habitantes locais, iniciando seu reinado conhecido pelo fio da cimitarra). 
Entretanto, como tanto o tempo quanto o espaço do islamismo são 100% sagrados (ao contrário do cristianismo, ou das antigas religiões de Roma, que permitem uma confluência entre sagrado e profano), uma imigração feita com fins religiosos, com o objetivo de povoamento de um lugar não-islâmico (Dar al-Harb, lar da guerra) para se tornar uma região muçulmana (Dar al-Islam, lar da submissão ou da “paz”: daí o apelido do islamismo) também pode ser chamado de hégira, por se estar imitando os passos do profeta. 
Apenas tal entendimento explica 90% da ideia de um “Estado Palestino” na região de Israel que muçulmanos querem tomar para si, expulsando todos os judeus de seu território – com o beneplácito da ONU e do Ocidente, criticando “assentamentos” (ou seja, judeus que ousam existir na Dar al-Islam, ofendendo muçulmanos que não aceitam judeus existindo no seu “lar da paz”). 
Seria uma imigração “sagrada”: como segue o roteiro Meca-Medina, é uma imigração “na paz”, e não ainda praticando a jihad, mesmo para muçulmanos que defendem o jihadismo. De fato, a história do islamismo é uma eterna repetição de tratados de paz (hudna), como o de Hudaybiyyah, feito pelo próprio Maomé. 
Enquanto o muçulmano, geralmente seu líder, está pensando numa trégua com fins de islamizar uma região, o ocidental pensa em “tratado de paz”. Após ter maioria populacional em Hudaybiyyah, através da poligamia e do incentivo islâmico ao prazer sexual (ao contrário do cristianismo católico), em 10 anos, Maomé declara guerra à cidade. 
O modelo segue sendo repetido em toda a propagação da religião com mais rápida ascensão no mundo: imigrações (hégiras), tratados de paz (hudnas), ocasionais guerras (jihad) e tomada de poder (Dar al-Islam). Muçulmanos conhecem o roteiro de cor e salteado. Ocidentais acreditam em “crise de imigração”. Dos portões de Viena ao acordo nuclear com o Irã, comemorado por acólitos de Barack Obama como uma “vitória” do presidente americano, ao mesmo tempo em que os imãs iranianos garantiam ao povo que fora uma vitória contra a América, que seria colocada de joelhos e teria a morte vinda de Alá, a novela é sempre reprise. 
Do Irã à Bósnia e Herzegovina, de Omã à Chechênia, dos Emirados Árabes Unidos à Ucrânia, da Turquia ao Afeganistão, o islamismo se espalhou por tal meio. Não por jesuítas e filosofia patrística e escolástica com universalização de ensino teológico como o cristianismo, mas pela submissão, o próprio significado da palavra islam
Vá e ensine a palavra do profeta – e mate os infiéis 
Muçulmanos enxergam o tempo, em seu calendário, pelo ponto de vista da Eternidade, quase como se tudo ocorresse simultaneamente para Alá. Se o Vaticano é um dos lugares no mundo em que mais se pode encontrar arte grega e romana (incluindo as mais pornográficas), o Estado Islâmico precisa destruir estátuas de deidades já não adoradas há milênios. 
Jihadistas consideram que atropelar civis com um caminhão é o mesmo que praticar a jihad com a espada na época de Maomé. Chamam hoje os combatentes aos grupos jihadistas de Cruzados, ou mesmo de romanos, enquanto a mídia ocidental se recusa até a dizer que dizem “Alá é grande”. Líderes islâmicos de países em guerra, no que chamamos de “crise imigratória”, incentivam sua população a praticar hégira, e a não respeitar as leis locais, esperando pela lei verdadeira de Alá. O resultado não poderia ser mais óbvio, caso ocidentais falassem claramente o que acontece no mundo. 
 
A hégira não é importante, portanto, apenas como história, ou teologia, ou metafísica mítica para interessados no sobrenatural, mas como atividade política de transformação de um país para a não-tão lenta submissão de sua população ao islamismo. 
Quando o chanceler Aloysio Nunes, eternamente ex-motorista do terrorista Carlos Marighella, cria uma lei para “ajudar” na “crise de refugiados” da Síria, tudo o que ele está fazendo, de verdade, é permitir que uma hégira finalmente mire o Brasil. E ainda dando mais direitos a muçulmanos do que a nativos brasileiros. 
Um microcosmo de imigração islâmica ocorreu na Argentina de Perón e depois com a conivência dos socialistas Néstor e Cristina Kirchner, até mesmo permitindo um atentado terrorista contra uma sinagoga que foi encoberto pelo casal. Também temos, é claro, as ligações da Venezuela com grupos terroristas pelo mundo, além do Irã. O vice-presidente venezuelano, o druso Tareck El Aissami, além de acusações de tráfico de drogas, foi acusado por um ex-ministro chavista de dar centenas de passaportes venezuelanos verdadeiros a terroristas sírios para praticar jihad na América. 
As perspectivas da lei de imigração de Aloysio Nunes não são exatamente animadoras. 
O perigo de um atentado terrorista, da jihad moderna, não é exatamente o principal a ser temido – por isso é inócuo o apelo de que “nem todo muçulmano é terrorista”, se nem mesmo todo jihadista, como nem todo defensor das Forças Armadas, está de arma em punho, matando infiéis no campo de batalha e degolando infiéis. 

Mas o islamismo, ao contrário de qualquer outra religião, vê imigração de uma maneira completamente distinta da de outros religiosos ou seculares. Não significa, é claro, que todo muçulmano tenha um plano de “islamizar” o lugar para onde migre, mas basta ver o pensamento dos imigrantes muçulmanos sobre apedrejamento de mulheres adúlteras, pena de morte para apóstatas ou o que acham de gays para se entender o tamanho do problema. 
Fora, é claro, que mesmo assim, há risco do próprio terrorismo e dos efeitos que teria no Brasil. Como disse o atual prefeito de Londres, o muçulmano Sadiq Khan, do Partido Trabalhista, o terrorismo é uma realidade com a qual as grandes cidades hoje “terão de conviver”. Sair na rua com Aloysio Nunes, desde seus tempos como motorista de Marighella, significa brincar de roleta russa sem nada a ganhar em caso de sobrevivência. 
Para quem considerou o muslim ban, o veto de Donald Trump a imigração vinda de sete países do Oriente Médio, como mero “racismo”, “xenofobia” ou “islamofobia”, fica realmente a dúvida se sabem de 10% do que vai acima. 
Sem necessidade de uma jihad, mais uma vez a esquerda ultra-atéia permite que a ideia de algum dia se implantar a lei da shari’ah em um lugar onde ela parecia ser impensável se torna questão não de se, mas de quando. Ocidentais acabam sendo crentes em deuses que nem sabem que existem, e nem sabem como esses deuses querem seus pescoços no chão.
Fonte:  Senso Incomum
COMENTO:  a população do Brasil é composta por uma grande miscigenação de biotipos, graças a grandes migrações, desde os brancos portugueses e espanhóis, passando pela migração forçada dos escravos africanos, as de alemães, italianos e polacos, até chegar aos vindos do Oriente Médio (os chamados, à época, sírio-libaneses) e Extremo Oriente (principalmente japoneses).  Sem dúvida, nosso país deve muito a esses imigrantes por ser a grande nação que é. Todavia, as circunstâncias mundiais mudaram ao longo do tempo. 
Notícia:  jornal  A Platéia  -  Imagem: Diário do Poder - 21 Ago 2016
Se, em épocas em que o Brasil necessitava de trabalhadores vindos de fora, havia um grande controle sobre esses imigrantes - há farta documentação existente sobre os registros oficiais de entrada de estrangeiros no país, com exceção dos oriundos do antigo Império Otomano - nos dias atuais esse controle não pode ser minimizado. Acredito que há espaço no Brasil para continuarmos a receber estrangeiros que possam contribuir no nosso crescimento, seja de que origem forem. Porém, o respeito a seus costumes deve ser recíproco ao respeito à cultura já desenvolvida no Brasil. O chamado "multiculturalismo", criado pelos adeptos do malfadado "politicamente correto", não deve nem pode, de nenhuma forma, ser aceito como superior à nossa cultura já estabelecida. Podemos e devemos acatar manifestações culturais alienígenas, desde que não afrontem os costumes - crenças, hábitos, formas de relacionamento, etc - já arraigados em nossa população.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Politicamente Correto e a Distorção da Verdade

Polêmica por declarações do General Óscar Gómez sobre homicídios
Ilustração: por Raul Zuleta - El Colombiano 
por Camilo Trujillo Villa
Uma queixa recorrente dos cidadãos é a de que muitos delinquentes e homicidas terminam livres ou pagando penas irrisórias por falhas do sistema judicial. Razão pela qual alguns se alegram e até celebram ao inteirar-se que um infrator da lei foi morto pelas autoridades ou assassinado nas disputas que se dão entre os grupos criminais.
É comum ver nas redes sociais frases alusivas ao uso de força letal para defender-se de um ladrão ou ler como justificam a morte de alguém considerado “malandro”, seja qual for a circunstância.
A conduta de fazer justiça pelas próprias mãos tem que ver, de acordo com Jairo Andrés Cárdenas, psicólogo e docente da Universidade Católica do Norte, na crença de que cada pessoa pode reclamar o direito de estabelecer uma norma social.
“Falta reconhecer o outro como individuo. E isso está se apagando. A impulsividade é a primeira que vige”, assegura.
A socióloga e especialista em Família, Ana Victoria Bedoya expõe que já se perdeu o respeito pela vida e a dignidade dos demais e que as novas tecnologias facilitam esse sentimento.
“A gente julga sem conhecer o contexto social das pessoas. Muitos aproveitam as plataformas virtuais para desafogar-se, destilar ódio e dizer o que não são capazes de sustentar pessoalmente”, comentou Bedoya.
Acrescentou que alguns aproveitam a oportunidade de anonimato proporcionadas por algumas redes sociais para expressar o [mal estar] que lhes causam as injustiças que vivem ou presenciam diariamente.

Mas quando é dito por um General
O que realmente surpreende, é ouvir o General Óscar Gómez Heredia, Comandante da Policía Metropolitana do Vale de Aburrá, dizer que “aquí não assassinam gente de bem, os que estão sendo mortos são aqueles que tem problemas judiciais”.
Essas declarações buscavam argumentar que os golpes que a Instituição tem provocado na criminalidade, tem como consequência um aumento nos homicídios, os quais, segundo o alto oficial, não tem conexão entre si.
A frase não foi bem recebida pela opinião pública.

Legitima a violência 
O sociólogo Max Yuri Gil Ramírez, presidente da Corporação Región, qualifica essa declaração como desafortunada e que a mesma deve gerar um alto nível de preocupação na cidadania. 
“Há três problemas com as palavras do General: primeiro, é como se nos dissesse que há uma espécie de pena de morte para os que tem antecedentes judiciais. Segundo, geram uma legitimação nesta modalidade de violência que tanto dano tem feito ao nosso país; a mal chamada limpeza social, porque faz o jogo dos que sustentam que é aos delinquentes que estão matando e isso está correto, quando [na verdade] é tudo ao contrario. E terceiro, é que estendem um manto de dúvida e de suspeita sobre todas as pessoas que foram assassinadas; esta é uma forma de re-vitimizar os familiares da pessoa que sofreu o homicídio”, manifestou Gil Ramírez.

Esfriar o debate 
O antropólogo Gregorio Henríquez considera que um cidadão pode interpretar as declarações do Comandante da Polícia Metropolitana como uma motivação à celebração de atos violentos. 
“Ainda que sempre há uma opinião pessoal e esta se debe respeitar, se espera que ante os meios de comunicação seja a institucionalidade que pese. Há que se conter ao falar, porque nunca se saberá de que maneira as pessoas entenderão o expressado”, opinou Henríquez. 
O antropólogo sugeriu que se baixe a temperatura do debate, já que o General Gómez Heredia tem sido um oficial muito racional em suas opiniões e que a ele se deve muito da recuperação de espaços que são importantes para a capital antioquenha. 
“Tampouco devemos começar a julgar por declarações que tem um contexto [específico]. E, se houve equivoco, também tem o direito a se retificar. O importante é esclarecer, para que isto não se preste a que algumas pessoas pensem ou digam: ‘se foi dito pelo Comandante da Polícia, é porque é certo ou é o que se deve fazer”, concluiu Henríquez.

Papel das mídias 
Para Diego Sierra, do Observatório de Direitos Humanos e Paz do Instituto Popular de Capacitação, a afirmação não tem fundamento e é muito grave, já que é uma postura que criminaliza a pobreza e “seria como justificar a pena de morte”. 
Considera, ainda, que os meios de comunicação deveriam fazer um esforço em saber o que se informa e o que não. 
“Muitas vezes, por ‘chiva’ [troça], algumas declarações podem gerar incerteza e insegurança em alguns setores da opinião pública. Devemos antepor a segurança e a vida, para que não nos volte a passar o que ocorreu nos anos noventa. A institucionalidade pública tem que estar em função disto, acompanhado pela cidadania”, assegurou Sierra. 
Também sustenta que é obrigação de todos nos manifestarmos contra o que limita a liberdade de participação política e comunitária.

Respeito pela vida 
O prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez Zuluaga, expressou que “é um horror seguir contando mais mortes, temos que falar do respeito pela vida, isto sempre será o mais importante”.

O que se diz sobre os homicídios em Medellin 
O General Óscar Gómez Heredia está a sete meses como comandante da PoliMetro.
O Sistema de Informação para a Segurança e Convivência (SISC), classifica em oito as causas dos homicídios que se apresentam em Medellin:
- associados a furtos, 
- associados a grupos delinquenciais organizados, 
- convivência, 
- violência de gênero, 
- violência intra-familiar, 
- procedimentos da força pública, 
- homicídio culposo, e
- em processo por categorizar (causas diferentes das anteriores). 
Os homicídios associados aos grupos delinquenciais organizados (147 em 2017) são os que lideram a estatística, seguido pelos de convivência e os associados a furtos. 
As comunas de Medellín onde mais se apresentam assassinatos são: Candelaria, Castilla, Doce de Octubre, Robledo, San Javier, Belén e Aranjuez. 
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: Isso mesmo colombianos, reforcem o "garantismo" dos direitos dos bandidos! No Brasil, tivemos o início de movimentos guerrilheiros nos anos 70 e eles foram liquidados rapidamente com o uso de força bruta! Por outro lado, vocês evitaram usar a força contra os bandoleiros das FARC em seu início. Ainda sofrem as dores dessa decisão, sendo até mesmo obrigados a "negociar" com os narcoterroristas que querem anistias e direitos até mesmo políticos. Por aqui, também fomos - e ainda somos - generosos para com os direitos de cidadania dos facínoras ao mesmo tempo em que depreciamos, admoestamos e reprovamos as Polícias e suas ações. O resultado é uma criminalidade totalmente fora de controle, com números de mortes violentas nunca antes alcançados e nossas polícias desmotivadas e tolhidas em seu atuar por leis e críticas de políticos, imprensa mais comprometida com o sensacionalismo que com a verdade, e um sem número de "especialistas" como os citados no texto, criticando a violência policial desde seus escritórios com ar condicionado, sem conhecerem de perto o assunto de que tratam.
Para coroar o ridículo do vezo crítico da notícia, no mesmo dia foi noticiado que o General Gómez se retratou do que havia dito.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Informação e Desinformação: Aspectos da Guerra Híbrida

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por Flávio César Montebello Fabri
O DefesaNet têm corretamente não somente alertado mas, principalmente, orientado, a respeito do cenário atual vivido a respeito de Guerra Híbrida. Tema que aparentemente é alusivo (a um leigo) somente como uma atuação militar, vivido por forças singulares, na “terra de ninguém”, mais do que nunca tem sido experimentado pelas forças policiais e pela sociedade civil como um todo, sendo extremamente complexo.
Até pouco tempo atrás, em outubro de 2015, vivenciamos em São Paulo (principalmente na capital), a ocupação de mais de 200 escolas, durante a “reorganização” proposta pelo Estado. Poucos se lembraram do evento ocorrido no Chile em 2006, conhecido como Rebelião dos Pinguins (com documentário disponível no site YouTube), com mais de 600.000 estudantes envolvidos, onde se falava muito do “amadurecimento do movimento estudantil”.
Poucos também leram a obra de Gene Sharp, Da Ditadura à Democracia (ou o documentário “Como Iniciar uma Revolução”), enquanto tentavam olhar um pouco mais atentamente a respeito das grandes manifestações populares que ocorriam, também, em passado recente.
Deixemos um pouco de lado conceitos doutrinários a respeito de Inteligência (que segundo a ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, é o “exercício de ações especializadas para obtenção e análise de dados, produção de conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país”) e Contrainteligência (de uma forma singela, o foco na proteção contra espionagem, por exemplo e produção de conhecimentos, realização de ações voltadas para a proteção de dados, conhecimentos etc.). Passemos a falar sobre a atividade de obtenção de informações e, mais propriamente, da desinformação.
Imagem – Atividade de Contrainteligência, segundo a ABIN 
Mas antes que pareça algo extremamente atual ou romântico (como em muitos filmes sobre espiões), gostaria de lembrar que, do ponto de vista histórico, a Sagrada Escritura (Bíblia) é rica em assuntos que ainda hoje parecem surpreendentes. Como a Bíblia é praticamente encontrada em todos os cantões do planeta, não é difícil efetuar consulta.
A não ser em relação aos meios utilizados e a refinamentos táticos, a primeira ação conhecida com típicas características de emprego de Forças Especiais, se encontra no Livro de Juízes, no seu capítulo 7. Gideão deslocou sob a cobertura da noite e do silêncio uma fração extremamente bem treinada para um acampamento adversário, que possuía um contingente muito maior que a força enviada. Tochas escondidas em cântaros (que foram posteriormente arremessados violentamente ao solo, produzindo som alto) ofuscaram e desorientaram os oponentes, que foram posteriormente abatidos.
A vitória de Gideão pouco difere em doutrina, técnica ou tática às operações do LRDG (Long Range Desert Group) britânico na África Saariana ou a equipe SEAL (Sea Air Land - U.S. Navy, sendo que a equipe 6 é denominada como United States Naval Special Warfare Development Group) desdobrada na Operação Arpão de Netuno, no Paquistão, em maio de 2011, que culminou com a morte do terrorista Osama Bin Laden. Também, a Bíblia menciona a importância do levantamento de informações, precedendo uma ação “ostensiva” propriamente dita. No Livro de Números 13:1-2 (capítulo treze, versículos um e dois) se lê: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Envia homens que espiem a terra de Canaã...”. Sucessor de Moisés, Josué fez uso de “espias” com a finalidade de angariar informações a respeito da situação em localidades, particularmente Jericó. Lemos em Josué 2:1-5 (capítulo dois, versículos de um a cinco) que:Então Josué enviou dois espiões dali onde se encontrava o campo israelita em Sitim, para que passassem o rio e se dessem conta secretamente de qual era a situação no outro lado, especialmente em Jericó”.
No versículo 3 que: “São espias...foram mandados pelos chefes israelitas para estudarem a melhor forma de nos atacarem (grifo nosso)”. Em Hebreus 11:31 (capítulo onze, versículo trinta e um) lemos: “Pela fé Raabe... acolheu em paz os espias”. 
Ressalto novamente que no comparativo entre ações, que se deve levar em consideração fatores como “quando ocorreu” e “com quais meios disponíveis”. Também me desculpo com aqueles que são conhecedores a respeito de temas bíblicos, por alguma incorreção de minha parte.
Estudar o objetivo, em vários outros pontos, são condições a serem avaliadas pela inteligência, podendo preceder uma ação onde, de uma forma ou de outra, se fará conhecer as reais intenções de um grupo. John Keegan, famoso historiador militar inglês, em sua obra Inteligência na Guerra: conhecendo o inimigo, de Napoleão à Al-Qaeda (Companhia das Letras, 2006), falando sobre a inteligência, cita o pensamento de George Washington de queA necessidade de obter informações de qualidade é evidente e não precisa ser objeto de debate”. Ainda, Keegan ensina que “a conquista da Gália por César decorreu de seu melhor uso de informações...”.
A arte da observação e dedução também foi sendo desenvolvida com o passar do tempo. As regras de observação mencionavam, inclusive, a análise quando da visualização da poeira e reflexos de luz como indicação de ações de tropas adversárias. Keegan explica queuma nuvem generalizada de poeira indicava geralmente a presença de saqueadores inimigos ... colunas densas e isoladas de pó demonstravam que as hostes estavam em marcha”, tão como, citando o Marechal de Saxe, que “nos dias claros, os reflexos de sol nas baionetas e espadas podia ser interpretado a distâncias de até 1600 metros...se os raios forem perpendiculares, significa que o inimigo avança em nossa direção; quando intermitentes e infrequentes, indicam retirada”.
Pois bem. Não necessariamente nos cenários de Guerra Híbrida, um objetivo (ou grupo envolvido) fica evidente. Da mesma forma, além de obter informações de interesse (e resguardar as mesmas quando necessário), DESINFORMAR também garante resultados quando se fala em mobilização de grupos, formar opiniões, fragilizar instituições, ocultar fatos etc. Aplicativos como o WhatsApp, Telegram, como tantos outros, feitos para facilitar o contato entre pessoas, podem ser utilizados para propagar em curtíssimo espaço de tempo boatos e informações distorcidas causando comoção, sendo que nem todos os usuários, antes de compartilharem algo que receberam, se preocupam em verificar a veracidade ou contexto.
Até que seja esclarecida que a informação recebida não era verídica ou possuía um caráter outro que não o mero esclarecimento a respeito de um fato, a mensagem já produziu seu efeito: DESINFORMAR.
O professor Guy Durandin, em seu livro As Mentiras na Propaganda e na Publicidade (JSN Editora, 1997) já alertava que “quanto ao grau de informação, evidentemente é mais fácil enganar uma população pouco informada do que uma bem informada. Para ilustrar, falaremos apenas de duas situações. Nos regimes totalitários, o governo se esforça para controlar totalmente a informação, ao ponto de se tornar impossível distingui-la da propaganda.
A população, recebendo tudo da mesma fonte, não tem dados para exercer seu espírito crítico, e corre o risco de acreditar em mentiras, ou então, depois de decepções acumuladas, tornar-se totalmente cética”. Na obra, exemplos como Goebbels (um artista da desinformação) e vários outros, são citados. Este livro é de leitura quase obrigatória, principalmente nos dias atuais.
Sobre informar e desinformar vi duas circunstâncias totalmente diversas em relação a uma pessoa próxima: meu filho. Um dia, uma de suas professoras comentou a respeito das vantagens de países democráticos. Citou como exemplo ... Cuba (!!!). Meu filho recebeu uma informação brevemente, não ocorreu debate ou pesquisa sobre, sendo que ao chegar em casa comentou estar fascinado com o que foi descrito. Conversamos longamente e foi exposto outro ponto de vista pessoal de minha parte. Deixo a convicção a respeito do tema com ele, desde que pesquise, tenha acesso a mais referências e outros posicionamentos.
Por outro lado, em outro ambiente (Capítulo DeMolay Sagrada Aliança Nº 791 – São Paulo / SP), testemunhei a pesquisa e debate, sem paixões exacerbadas, a respeito de temas atuais. Informações sobre determinado assunto foram expostas, ocorreram perguntas e, de forma salutar, uma conversa entre os jovens. Felizmente cada um deles tinha um posicionamento pessoal, que foi respeitado, celebrando-se as diferenças. Com uma vantagem: cada um deles, mesmo tendo uma opinião própria, teve acesso a mais informações.
Acompanhar o tema Guerra Híbrida, é um assunto mais complexo e de difícil compreensão do que aparenta. Com a velocidade que proporciona a dispersão de informações, é muito fácil, caso não se pesquise, se deixar levar por fatos parciais ou interesses que não são evidentes. Talvez, em outra oportunidade, possamos comentar mais a respeito de desinformação.
Fonte:  Defesanet

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Liberação de Armas Aumenta a Violência?

Como o Paraguai destrói toda a argumentação desarmamentista usada no Brasil

Quando usamos EUA, Suíça e Finlândia como exemplos de países muito mais armados do que o Brasil, onde a legislação para posse e porte de armas é bastante liberal e a taxa de homicídio é muito menor do que a brasileira, a crítica recorrente é que não podemos comparar países desenvolvidos com o Brasil. Podemos sim! Essa comparação prova que o “fator arma” não é a variável responsável pelos crime. Mas, uma legislação menos restritiva em um país pobre e menos desenvolvido como o Brasil seria um problema ou não? O exemplo paraguaio pode nos responder isso.
Quando falamos em Paraguai, os brasileiros fazem quase sempre a imediata associação com à Ciudad Del Este, tráfico de drogas e armas, contrabando e falsificações. Essa é a imagem que foi criada e repassada para nós durante décadas. Outra associação quase imediata é o oba-oba no que diz respeito às armas. Um pais sem lei onde qualquer um compra armas e, não raramente, essas armas vão abastecer o mercado ilegal brasileiro. … Será mesmo?
Comecemos falando de armas. A legislação paraguaia é realmente uma das menos restritivas da América do Sul, muito semelhante à brasileira antes do malfadado Estatuto do Desarmamento. Qualquer cidadão paraguaio para comprar uma arma, bastando apresentar cópia de identidade, certidão de antecedentes criminais (uma única, emitida pela Policia Nacional) e realizar um teste técnico de conhecimento básico. O trâmite demora em torno de 10 a 15 dias e não há qualquer discricionariedade envolvida. Não há limite de quantidade de armas. Não há restrição de calibres e, apresentando o registro da arma, o cidadão pode comprar quanta munição seu dinheiro permitir. A idade mínima é de 21 anos. O porte requer um laudo psicológico e o preenchimento de uma requisição. O cidadão pode ter o porte para duas armas, sendo ambas curtas ou uma curta e uma longa. Sim, você pode portar uma espingarda calibre 12 ou um fuzil em calibre .308. A anistia para armas irregulares é permanente e basta que o cidadão requeira o registro após o pagamento de uma pequena “multa”.
Evolução do índice de homicídios no Brasil desarmamentista
E a criminalidade? Bom, em 2002 o Paraguai enfrentou a sua mais alta taxa de homicídios: 24,63 homicídios por 100 mil habitantes. Hoje, o país tem a terceira menor taxa de homicídios (7,98) da América do Sul, perdendo apenas para o Chile (2,97) e o Uruguai (7,81). Lembrando que o Uruguai é o pais mais armado da América Latina.
Evolução do índice de homicídios no Paraguai armamentista
Essa taxa seria ainda menor se eles não fossem vizinhos do … Brasil! Sim, é na fronteira com o Brasil que as taxas de homicídios explodem e jogam para cima as taxas nacionais. Na faixa fronteiriça com o Brasil os números assustam. São 66 homicídios por 100 mil habitantes. 
Vizinho problema. 
E esse vizinho problema, com sua fracassada política desarmamentista, também causou estragos na liberdade à posse de armas naquele país. Foi graças às enormes pressões comerciais e políticas brasileiras, vidas pelas mãos do Ministério da Justiça, que o governo paraguaio acabou, em 2010, aceitando restringir a venda de armas “de assalto”. Hoje não é mais possível comprar legalmente armas como AR-15 ou AK-47, mesmo no diminuto calibre .22LR. Enquanto isso, contrabandistas internacionais continuam inundando nossos criminosos com esse tipo de armamento. De nada, amigos paraguaios!
Paraguai – Índice de homicídios por região
O Paraguai ainda possui uma das economias mais frágeis da América do Sul, com um IDH de 0,676, considerado médio e bem abaixo do Brasil. Mais de 30% da sua população está situada abaixo da linha da pobreza e sua taxa de desemprego é de quase 7%, o que enterra, mais uma vez, a ideia que o desenvolvimento humano e econômico é um fator decisivo para a redução da criminalidade. O vizinho Paraguai também vai vencendo o Brasil na economia, que melhora ano após ano desde 2010. Independente da evolução econômica, os homicídios estão em queda no Paraguai desde 2003.
Mas como o Paraguai conseguiu reduzir a criminalidade? Pode parecer difícil de acreditar para a maioria dos nossos políticos, mas foi combatendo … o crime! Integração das instituições policiais e judiciárias, investimentos nas polícias e, principalmente, a criação de uma força tarefa para fazer cumprir milhares de mandados de prisão. Enquanto isso, o Brasil segue brincando de segurança pública, impondo o desarmamento civil e assistindo milhares de assassinatos todos os anos. É 7 a 1 todo dia. E, se bobear, esse gol para o Brasil foi dado de lambuja pelo adversário.
Bene Barbosa é Presidente do Movimento Viva Brasil,
e especialista em segurança pública
Fonte:  ILISP
COMENTO:  este é um texto de 2016, mas seu tema é extremamente atual. Encontrei-o pesquisando sobre a violência no Paraguai, país vizinho onde acreditamos que há muita criminalidade e ao qual creditamos - injustamente - boa parte de nossos problemas de violência. Os números não mentem, os canalhas que empoleiramos nos cargos de governantes sim! A violência não é fruto da maior ou menor disponibilidade de armas. No Brasil, a violência é resultado da impunidade, das políticas de vitimização dos bandidos e do esforço dos canalhas em impedir a construção de mais presídios para que as punições aos criminosos sejam efetivas!