sexta-feira, 27 de novembro de 2020

A Intentona Comunista no Rio de Janeiro — 1935

por Clynson Oliveira
Coronel Inativo do EB
(Monumento aos Mortos na Intentona Comunista de 1935)
[..] Na madrugada do dia 27 de novembro de 1935, alguns sediciosos sublevaram-se no Rio de Janeiro, na Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos e no 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, onde vários militares foram mortos por seus próprios companheiros. [..]   (Exército Brasileiro, 1990).
Recebi, em 2014, a missão de comandar o Batalhão de Infantaria de Selva mais jovem do Exército Brasileiro, o 3º BIS, herdeiro das tradições e guardião das memórias do 3º Regimento de Infantaria, cuja honra fora manchada por integrantes comunistas de suas fileiras.
Contar esta história é mais que uma obrigação, mas um dever de eternizar e manter viva a chama da verdade em homenagem aos heróis mortos e suas famílias.
Na madrugada de 27 de novembro, insurgia-se, no Distrito Federal (Rio de Janeiro), parte das guarnições do 3º Regimento de Infantaria (3º RI), na Praia Vermelha, e da Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos.
O capitão Agildo Barata Ribeiro, expulso do Exército em 1932 por insubordinação, exilado em Portugal até 1934 e readmitido ao Exército Brasileiro, após a anistia geral decretada pela Assembleia Constituinte foi o líder da insurreição no 3º RI.
Agildo Barata Ribeiro já havia sido punido com 25 dias de prisão por desenvolver intensa atividade política. Foi transferido para o Rio de Janeiro para cumprir a punição e, em conluio com o Tenente Francisco Antônio Leivas Otero, chefe da célula local do PC e da ANL, articulou o levante no 3º RI.
O 3º RI era a unidade militar de maior prestígio do Exército, completa em equipamento e pessoal, contava com mais de 1700 militares subordinados. Também, foi a unidade do Exército Brasileiro onde a doutrinação de oficiais e praças atingiu seu ápice.
Na calada da noite, Leivas Otero iniciou o levante encurralando seus camaradas. Foram recebidos a fogo pelos militares das companhias de metralhadoras. O primeiro a morrer foi o Major Mendonça, atingido pelos insurgentes que tinham como intenção dominar o Regimento e marchar em direção ao Palácio do Catete, sede do governo brasileiro, para destituir o então presidente Getúlio Vargas.
Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade, a escola de Aviação do Campo dos Afonsos, se insurgia sob o comando do capitão Agliberto, que assassinou a sangue frio seus subordinados, tenentes Bragança e Paladini e capitão Souza Melo.
O heroico Tenente Coronel Eduardo Gomes foi o comandante da reação aos revoltosos, que manteve o fogo até a chegada dos reforços de tropas da Vila Militar, comandadas pelo General José Joaquim de Andrade.
Em clima de guerra, o 3º RI foi bombardeado por terra, céu e mar. As instalações do Regimento na Praia vermelha foram destruídas por completo. O saldo em baixas foi de 19 mortos e 167 feridos.
(Frente do 3º RI após ser bombardeado)
Os comunistas, obcecados pelo poder a qualquer custo, fanáticos comandados pela matriz internacional da subversão tentaram implantar um regime totalitário, de inspiração marxista-leninista. O povo brasileiro, atônito e chocado, viu-se pela vez primeira ante a verdadeira face do comunismo liberticida e materialista”. (Exército Brasileiro, 1985).
Lembrar sempre desta data é uma advertência à nossa geração, não para enfatizar uma vitória, mas, tristemente, para lembrar-se do que fere a sensibilidade do profissional militar, sempre e até hoje.
A incitação ao levante pelas armas, promovido por ideólogos marxistas, tem que ser combatida e reprimida, para que esta chacina promovida no passado, não ocorra nem no presente e nem no futuro.
Eis porque desejo que os civis e o País sejam informados e absorvam a versão correta de um trágico fato que envergonha a nossa história.
Após os fatos narrados, as consequências para o Brasil foram a decretação da clandestinidade do Partido Comunista Brasileiro e a prisão dos líderes. Entretanto, eles todos, voltaram ao PODER no cenário nacional em diversas ocasiões.

Insurgentes de Natal
Lauro Lago, José Macedo e João Galvão foram presos e são personagens do livro as Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos. Foram anistiados em 1945, após a segunda Guerra Mundial.
José Praxedes fugiu à pé e se escondeu no meio da mata por quase dois anos. Após ser localizado por agentes do PCB, recebeu nova identidade e se internou no interior da Bahia até 1984 quando veio a falecer.
O “Santa”, líder e assessor do PCB, foi preso com um relatório detalhado sobre a Insurreição. Inexplicavelmente não foi identificado nem nos inquéritos do Rio de Janeiro e nem no de Recife. Anistiado em 1945, até hoje não se sabe a identidade e o paradeiro de um dos maiores nomes da Revolução.
Todos os demais envolvidos na Insurreição foram presos por mais de 8 anos, sendo todos anistiados em 1945.

Insurgentes de Recife
Gregório Bezerra foi preso e anistiado em 1945. Tornou-se um político famoso, sendo eleito deputado pela constituinte de 1946, sendo cassado em 1948. Viveu na clandestinidade organizando ligas camponesas armadas no interior de Pernambuco e núcleos sindicais no Paraná e Goiás.
Foi preso novamente em 1964 por estar envolvido com a luta armada e a subversão, tendo sido solto em 1969 em troca da devolução do embaixador Charles Elbrick, sequestrado por terroristas. Viveu no México e na Rússia tendo retornado ao Brasil em 1979 após a promulgação da Lei da Anistia. Morreu em 1983.

Insurgentes do Rio de Janeiro
Luis Carlos Prestes foi preso e condenado por assassinato, logo após a tentativa frustrada da Intentona Comunista. Foi anistiado em 1945 e eleito Senador de 1946 a 1948, além de ser o secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro até 1980.
Durante o período do Regime Militar, se auto exilou na União Soviética, tendo retornado ao Brasil, voluntariamente, após a promulgação da Lei da Anistia em 1979, vindo a falecer em 1990.
Agildo Barata Ribeiro foi preso e condenado por subversão após o insucesso da Intentona Comunista, sendo anistiado em 1945.
Foi eleito vereador pelo Rio de Janeiro de 1947 a 1948, quando seu mandato foi cassado e o PCB colocado na ilegalidade no Brasil.
Desligou-se do PCB quando descobriu, após o relatório de Nikita Krushev, os crimes hediondos e contra a humanidade cometidos por Stalin. Morreu em 1968.
Infelizmente a bandidolatria no Brasil não é uma prerrogativa do século XXI, mas é sim, um triste legado. As tentativas dos “isentões” da época em anistiar e reintegrar esses contumazes ideólogos da liberdade, amantes do terrorismo e da violência, não os recuperou da insana vontade eterna de tomar o PODER.
Que estes eventos nos lembrem sempre que o “o Preço da Liberdade é a eterna vigilância”.
Fonte:  Medium
COMENTO:  Ivis Bezerra, médico e professor da UFRN publicou um minucioso relato sobre os fatos ocorridos em Natal, citando diversos outros nomes que não contam no texto acima. Nesse relato, o autor cita que o misterioso "Santa" seria um mestre de obras com nome de João Lopes e o relatório que ele havia feito foi apreendido com Luis Carlos Prestes por ocasião da prisão deste. Na mesma página da Internet, há a transcrição de um depoimento que teria sido dado por João Lopes, o "Santa"  e "Marisa", sua companheira  que se restringe à sua ida para o Nordeste e ao período em que esteve preso. Neste relato, percebe-se que ele não foi identificado como o membro do PCB enviado a Natal para organizar a revolução. Tudo isto só reforça a minha impressão, já expressa no comentário publicado aqui, aqui e aqui, de que, o "Partidão" sempre teve um agente duplo em sua alta direção.

domingo, 1 de novembro de 2020

E se James Bond Tivesse uma Família?

O filho de um espião israelense dos anos 60 conta como é.

Oded Gur-Arie era apenas um menino quando soube que seu pai era um espião.
Crédito:Courtsey de Peter Payette
Hoje, Oded Gur-Arie ensina empreendedorismo no Adrian College em Michigan, mas ele nasceu em Israel e seu pai é um dos espiões mais famosos da história do país, conhecido por seu nome alemão, Wolfgang Lotz.
Na década de 60, Israel suspeitou que o Egito estava desenvolvendo armas de destruição em massa, que poderiam então ser usadas contra Israel. O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser trouxe cientistas alemães para ajudar no desenvolvimento do seu programa nuclear e o MOSSAD enviou o pai de Gur-Arie para tentar se infiltrar em seus círculos, fingindo ser um ex-oficial nazista.
O jovem Oded e sua mãe estavam alojados em Paris para a missão e seu pai  Zeev era o nome hebraico que ele havia adotado — vinha visitá-los de vez em quando.
Em uma de suas primeiras visitas do Egito, ele foi se encontrar com seu chefe e me levou junto”, conta Oded. De repente, percebi que eles estavam falando sobre coisas incríveis, como informações, pessoas e espiões, e Egito e isso e aquilo, e ficou muito claro para mim o que ele estava fazendo.
Oded afirma que o MOSSAD decidiu que seria mais seguro expô-lo ao que estava acontecendo, em vez de correr o risco de ele descobrir por si mesmo e reagir de uma forma que poderia destruir o disfarce de seu pai. 
Depois, quando estávamos voltando para casa, meu pai se virou para mim e disse: 'Agora você sabe o que estou fazendo'. E eu disse: 'Sim'. Ele disse: 'Você percebe que minha vida depende disso? Deve ser mantido em segredo absoluto, porque do contrário coisas ruins acontecerão? 'Eu disse sim.'
Era uma responsabilidade imensa para um menino de 12 anos carregar e se tornou ainda maior quando Oded percebeu que seu pai havia sido pego, em 1965. Ele foi o primeiro a descobrir, antes de sua mãe ou dos controladores de seu pai.
Era sábado de manhã, desci para pegar o jornal The Herald Tribune. Eu fui até uma banca de jornal e peguei o jornal e comecei a andar para casa. Enquanto estou voltando para casa, fico olhando e lendo o jornal e vejo na primeira página algo que diz: 'Seis alemães ocidentais desaparecem no Egito.' Aquilo chamou minha atenção e eu olho e vejo o nome do meu pai lá.
Oded, que imediatamente percebeu que "desapareceu" significava que eles foram capturados, percebeu outra coisa que o pegou de surpresa.
“Eu li que 'Wolfgang Lotz e sua esposa, Waltraud Lotz' e eu pensei, 'Quem diabos é esta Waltraud Lotz?' Eu não sabia nada sobre a existência dela.”
Nesse ponto, a notícia não tinha chegado a sua mãe, nem ao MOSSAD em Israel. Oded tinha que ser o mensageiro.
“Então, eu perguntei a mim mesmo: 'O que direi à minha mãe quando chegar em casa?'”, lembra. “Era talvez menos de um quarto de milha da banca de jornal até a casa. Pareceu a caminhada mais longa que já fiz, tentando descobrir o que fazer. Percebi que minha vida como eu a conhecia e a vida de minha mãe como a conhecíamos, tudo iria realmente mudar de maneira extrema.”
O casamento de Wolfgang Lotz com outra mulher no Egito não fazia parte dos planos. Quando seus operadores do MOSSAD descobriram, por acidente, eles consideraram abortar a missão, mas estava tudo correndo bem desa forma, e Lotz era um espião muito bom. Na verdade, ele era um espião tão bom que conseguiu manter seu disfarce mesmo depois de ser pego. Ele escondeu das autoridades egípcias a sua naturalização israelense, convencendo-as de que era somente um alemão dono de um clube de hipismo, e que só espionava para os israelenses em troca de dinheiro porque eles o pressionavam. Se os egípcios descobrissem que ele era israelense, provavelmente o teriam executado. Então, por alguns anos, enquanto seu pai estava na prisão egípcia, Oded teve que manter as aparências e fingir que nada estava errado.
Lotz e sua "esposa" no tribunal, Cairo, agosto de 1965.
Crédito: Spywise.net
Voltamos imediatamente para Israel e eu estava indo para a escola e tinha uma namorada. ... Eu tinha 16, 17 anos na época e fazia as coisas que todo adolescente faz. Eu tinha que manter esse segredo incrível para mim mesmo e não poderia compartilhá-lo com ninguém.
Wolfgang Lotz foi libertado alguns anos depois (1968) e voltou para Israel, mas nunca voltou para casa. Para a decepção da mãe de Oded, ele trouxe sua nova esposa alemã com ele. Lotz teve problemas para se ajustar à vida civil em Israel e nunca foi capaz de estabelecer uma segunda carreira. Ele morreu na Alemanha em 1993.
Oded, bem treinado em guardar segredos, não falou sobre sua experiência por anos. Isso mudou em 2007, quando um dia seu filho voltou da escola com um livro intitulado Os Maiores Espiões do Mundo. Oded, que estava assistindo TV, viu seu filho folheando o livro e uma das fotos chamou sua atenção.
Eu indiquei a ele, uma das fotos e disse, 'Você sabe quem é esse homem?' Ele olhou para mim e disse: 'Não'. Eu disse: 'Esse é o seu avô.' Ele disse: 'O quê?' Foi quando me dei conta de que mesmo as pessoas mais próximas de mim  minha família, minha esposa, meus filhos  conheciam a história em geral, mas não sabiam realmente todos os detalhes.
Isso convenceu Oded Gur-Arie a concordar em participar de um documentário sobre a vida de seu pai, após rejeitar muitas outras ofertas ao longo dos anos. Ele descreve a experiência de compartilhar sua história na frente da câmera, muitas vezes em lágrimas, como tendo um efeito purificador. Ele concordou em trabalhar com o diretor, Nadav Schirman, já que o achava realmente interessado na história humana e não apenas nas partes de ação.
"E se James Bond tivesse uma família?" Oded Gur-Arie explica. As pessoas geralmente não pensam sobre esse aspecto, mas por trás de cada história real de espionagem e aventura, existem pessoas, existem famílias, existem esposas, filhos e mães. Olhamos para o glamour e todas as coisas de aventura, mas não para os humanos e o preço e o custo que isso causa para as pessoas.
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Este artigo é um resumo do episódio "Espionagem na Era do Terror" da America Abroad sobre situação atual da coleta por Inteligência Humana e seu futuro. America Abroad é um premiado programa de documentários de rádio que analisa em profundidade as questões críticas das relações internacionais e da política externa dos EUA todos os meses. Você pode nos seguir no Facebook, conversar conosco no Twitter e assinar nosso boletim informativo semanal para atualizações.
Fonte: The World

sábado, 10 de outubro de 2020

Bandido do ELN Confessou Organizar os Ataques em Bogotá

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Dizem que 'banca' universitários, e recruta jovens por meio de redes de milícias e sequestros.
Vulgo ​​Uriel, líder do ELN.  Foto: AFP
Por Unidade Investigativa
Perto de um dos maiores afluentes do rio Sipí, nas selvas do Chocó, está o acampamento do bandido conhecido como Uriel, guerrilheiro de 42 anos, nascido em Antioquia, que há poucos dias admitiu a intervenção das milícias ELN nos atos de vandalismo ocorridos em Bogotá e outras cidades durante os protestos dos dias 9 e 10 de setembro. 
As revoltas e motins não foram motivadas por diferentes grupos de oposição ao governo. Nossa militância urbana participa deles como mais um (...). Vamos acabar com os centros de tortura e morte chamados CAI”, é ouvido em um áudio enviado por meio de redes.
Ogli Ángel Padilla, 'Fabián', chefe do ELN. Foto: Arquivo particular
Embora seu acampamento esteja localizado a mais de 280 quilômetros da capital, o guerrilheiro — terceiro na linha de comando da chamada Frente de Guerra Ocidental — se move mais pela nuvem (web) do que pela selva, onde seu grupo está lutando pelo controle social e tráfico de drogas contra o 'clã do Golfo'. 
Há dois anos Uriel é responsável pelo recrutamento de jovens por meios tecnológicos. Para isso contam com uma estrutura clandestina chamada 'Trabalho virtual revolucionário e coletivos de estudo'”, diz um relatório de Inteligência.
E acrescenta que com os rendimentos da coca e dos sequestros que realiza — como o de 6 civis e de um ex-deputado —, apoia financeiramente a formação superior de jovens militantes, em troca de cumprirem um plano de trabalho do movimento social e estudantil do ELN
Vários de seus 'bolsistas' formam as Milícias Urbanas do ELN nas principais capitais e difundem as mensagens revolucionárias que ele envia regularmente por suas contas no Twitter, Instagram, Facebook e WhatsApp.
O caldo de cultura não poderia ser melhor. Só em Bogotá, 34,6% dos desempregados são jovens, o dobro do ano passado. E o acesso e a permanência em redes também estão aumentando na esteira da pandemia. 
No entanto, esta nova estratégia de penetração social massiva tem sido usada pelo ELN desde muito antes da emergência de saúde (pelo menos dois anos atrás), e tem projetado o facínora conhecido como Uriel como liderança da insurreição nas cidades. Mas o cérebro das ações é seu chefe, Ogli Ángel Padilla Romero, vulgo Fabián, braço direito de 'Pablito', também chamado 'Assassino do ELN'.
Carlos Emilio Marín é o nome verdadeiro do vulgo Pablito, do ELN.
Foto: Arquivo particular
Quem é Uriel
Para a seleção de militantes entre os jovens, 'Uriel' é apresentado como parte da minoria burguesa e intelectual que chegou para renovar a liderança do ELN. A esse respeito, membros de agências de Inteligência disseram que ele realizou estudos de engenharia eletrônica em um centro público de estudos em Medellín. 
Além disso, ele é acusado de tudo, desde ataques a delegacias de polícia até o uso de armas de longo alcance contra helicópteros Black Hawk, em Nóvita, Chocó.
Também lhe atribuem assassinatos e queima de material eleitoral, em 2014, e sequestro de 6 pessoas, em 2018. 
De concreto, há um processo contra ele por rebelião e outro por rebelião e sequestro agravado. Nesses arquivos ele é identificado como Andrés Felipe Vanegas Londoño. 
Parte do processo contra ele é mantido por uma promotoria especializada, além da Polícia GAULA. 
Segundo investigadores, desertores do ELN asseguram que 'Uriel' também realiza trabalho ideológico e político em comunidades indígenas e afrodescendentes na área de San Juan e Sipí, Chocó.
Paradoxalmente, em seu discurso ele promove levantes populares contra massacres e violência, mas sua frente é a que mais gera mortes e crimes em Chocó e outras áreas de influência”, explica um oficial de Inteligência. 
E acrescenta que atrai estudantes universitários com o argumento de fornecer e renovar a militância do ELN, buscando desenvolver quadros (líderes) com capacidades abrangentes muito além das estruturas armadas que estão em vigor hoje. 
Mas o objetivo é alcançar o protagonismo do processo revolucionário nas massas (redes sociais) e na mídia.
Embora seja verdade que o ELN trouxe um trabalho de massa avançado por vários anos, essas novas formas de incorporação e engajamento buscam diversificar as formas e métodos para desenvolver o trabalho político organizacional”, diz um analista. 
'Uriel' começou como miliciano, em 2000, na rede urbana Martha Elena Barón. Em 2005 ingressou como guerrilheiro na frente do Cacique Calarcá, e em 2019 já era tido como um suposto ideólogo da Frente de Guerra Ocidental, que se opôs aos diálogos com o Governo em 2017, através da mesa de Quito, contrariando a liderança que permanece em Cuba e que, por enquanto, não o desautorizou.

Assuntos relacionados para ler (em espanhol):
Unidade Investigativa 
u.investigativa@eltiempo.com 
No Twitter: @UinvestigativaET
Fonte: tradução livre de El Tiempo

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

O Brasil Ainda à Busca de Salvadores

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Decididamente o Brasil é uma Nação que não merece o povo que tem.
Um território farto em riquezas naturais, com abundância de água, a riqueza do futuro, abrigando um povo composto por uma amálgama do que deveria ser a síntese do dito "ser humano":
— a origem índia (de quem deveríamos ter herdado a simplicidade do modo de viver);
— mesclada com o branco europeu (que deveria nos legar sua cultura vinda desde os tempos helênicos, a bravura que os levou a arriscar-se nas Cruzadas — visando manter a Fé e as terras estratégicas necessárias à manutenção de seus Reinos  e, depois, a atravessarem o Atlântico em busca de novas oportunidades de riqueza e poder);
— os africanos com sua imensa esperteza que lhes possibilitou não só a sobrevivência física (os mais fracos e incapazes de se adaptar, morreram nos porões dos navios negreiros), e cultural (o sincretismo religioso burlou o cristianismo drástico, vigente à época, e acresceu importantes contribuições à culinária, artes e idioma do Brasil);
— a vinda posterior de árabes, com sua imensa capacidade de negociação, italianos e alemães, gente dedicada ao trabalho como principal atividade humana, mais tarde os japoneses especialistas na criação de novas tecnologias.
E o resultado disso tudo? Aparentemente só conseguimos incorporar o pior da herança genética desses povos citados.
A simplicidade indígena transformou-se em pura vagabundagem, onde qualquer esforço é tido como castigo divino; do europeu, nos restou a ambição e a avareza; a esperteza intelectual africana nos legou a "malandragem" de tirar proveito de tudo e de todos, o querer colher o que não plantou, o vitimismo de parecer menos que "ozôtro" para gerar piedade.
Deu no que deu. Um povo que tem por objetivo de vida o prazer, a exploração do alheio e a eterna esperança de que "alguém" (Deus, o pai, o patrão, o vizinho, as autoridades  qualquer um, menos eu) fará o que deve ser feito.
Assim, vamos, aos trancos e barrancos, sobrevivendo com os olhos voltados às tabelas dos intermináveis campeonatos de futebol, à trama da novela noturna da televisão, ao calendário na contagem de quantos dias faltam para o Carnaval — e à contagem de quantos feriados haverá neste ano.
Os dirigentes do país se sucedem sem que a população atente para quem são. O que vale é o herói, o "salvador da Pátria" do momento. Desta forma, já tivemos muitos. As decepções também, mas delas não tiramos ensinamento algum.
Para não regredirmos muito, tivemos Getúlio Vargas e sua ditadura de 15 anos, compensada pela CLT, o direito ao voto das mulheres e alguma coisa mais. Sua morte, por suicídio, acabou em choradeira generalizada e vandalismo por parte dos seus defensores mais ardorosos contra a oposição supostamente responsável por seu óbito. A queima dos estoques de café; as peripécias do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) e da (DESPS) Delegacia Especial de Segurança Política e Social e seu chefe, Filinto Mulleras negociações que nos proporcionaram a CSN; tudo foi esquecido.
Também tivemos Luis Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança.
Quem se der ao trabalho de buscar a história de vida dele, verificará que a partir de 1930 ele passou a cometer "equívocos" que terminavam por comprometer seus parceiros de aventuras. Dizem que era possuidor de inteligência acima da média. Não é o que os fatos demonstram. Sua história contém diversos fatos obscuros. Um deles foi o recebimento de 800 contos (milhões) de réis de Osvaldo Aranha para apoiar a Revolução de 1930. Ele ficou com o dinheiro mas não apoiou Vargas. Antes disso, de 1924 a 1926 teve papel secundário em uma tentativa revolucionária posteriormente batizada como "Coluna Prestes" por seus simpatizantes. Sua subordinação é comprovada. 
Prestes pede orientação ao "Sr General Miguel Costa"
Posteriormente, em 1934, recém chegado da extinta URSS foi aclamado presidente da comunista ANL (Aliança Nacional Libertadora). Em meados de 1935 divulgou um manifesto provocando Vargas, que tornou a ANL ilegal. Isso teria motivado a covarde Intentona Comunista de 27 Nov 35, deflagrada porque ele teria feito 'uma avaliação  equivocada sobre o apoio popular à revolução', apesar dos avisos de companheiros de partido. A violenta repressão feita pela polícia de Vargas desmantelou a ANL e o PCB de então. Prestes foi preso por nove anos, mas não há notícia de que tenha sofrido maus tratos como os que foram provocados em seus companheiros comunistas, inclusive sua mulher, Olga Benário, entregue ao governo nazista da Alemanha, onde foi executada. Com o fim do Estado Novo em 1945, anistiado e solto, elege-se Senador. O radicalismo das ações dos comunistas faz com que, em 1947, o partido volte a ser proscrito e Prestes retorne à clandestinidade até 1958, quando a ordem de sua prisão foi revogada. Com a Contra Revolução de 1964, com os direitos políticos cassados, retorna à clandestinidade. Novamente, erra e permite que fossem apreendidas várias agendas onde constavam os dados necessários para incriminar as demais lideranças comunistas. Em 1971, foge de novo para a URSS de onde retorna em 1979 por ocasião da anistia decretada pelo governo. Morreu em março de 1990.
Parece um resumo biográfico de um herói? A mim parece a vida de um sujeito que soube tirar proveito da ideologia para "se dar bem"! 
Nossa lista dos falsos heróis de nossa história é extensa. Não vou cansá-los e darei um salto no tempo, passando por Jânio da Silva Quadros e sua tentativa frustrada de estabelecer um governo totalitário com o apoio das Forças Armadas que não admitiam JangoTancredo Neves, tão político que até para morrer o fez na hora certa — antes de assumir a Presidência da República em tempos de crise que certamente abalariam sua imagem —; Leonel de Moura, aquele que iniciou a destruição do aparato de segurança legal do Rio de Janeiro; Fernando Affonso "Culhão Roxo", o caçador de marajás e seu tesoureiro, cuja fortuna amealhada ninguém sabe, ninguém viu; o Sindicalista Canalha, cujo nome e alcunha evito citar, que mesmo condenado vive tentando retornar dos infernos onde convive com outros mortos-vivos políticos, acreditando — e com ele, alguns seguidores — que ainda tem algum poder de convencimento. Também tivemos outros heróis passageiros como o Procurador Luiz Fernando, aquele que "plantava" boatos na imprensa e abria investigações com base nas publicações; o Delegado Protógenes e sua Operação Satiagraha — enterrada sem pompas por mexer com gente muuuito grande — que acabou levado aos braços do PCdoB e à decadência total ao entregar-se às praticas obscuras; inquebrantável Joaquim Barbosa, e tantas outras "tomadas de três pinos" que nos foram, e continuam sendo enfiadas garganta abaixo pelos marqueteiros da mídia.
Por falar em Joaquim Barbosa, não podemos negar que antes dele pouco se ouvia falar — e assim, pouco se sabia sobre o Superior Tribunal Federal e seus ministros. Sua atuação atraiu os holofotes da mídia e, então, começamos a nos interessar por figuras como Gilmar Ferreira Mendes, destacado algumas vezes quando se pronunciava — nos autos e/ou fora deles — contrariando interesses dos governantes petistas. As luzes dos holofotes atraíram Marco Aurélio Mendes de Farias Mello — o urubu que se imagina pavão  que pegou gosto por disputar presença nos tele noticiários, dando uma martelada no prego e duas na ferradura. Depois deles, Enrique Ricardo Lewandowski e José Antonio Dias Tóffoli — a dupla "Tofodówski" — chegaram para se contraporem a tudo que  contrariasse Lula e Dilma. O protagonismo televisivo atraiu até mesmo o até então discreto decano da corte, José Celso de Mello Filho, que se mantinha incógnito desde sua nomeação em 1989.
Quem fizer um pequeno exercício de memória, lembrará  de, em alguma ocasião ter visto, escutado ou lido algum elogio à atuação dessas figuras, por sua postura ante algum caso analisado. A partir de janeiro de 2019, os citados, que ainda agem no STF, só são destacados na mídia por sua ação de oposição política contra o governo. E para isto, receberam o reforço de Alexandre de Moraes, nomeado em 2017.
Recentemente, nas eleições de 2018, vimos uma chuva de sedizentes "auxiliares do salvador da pátria". Alguns, depois de eleitos mostraram sua verdadeira face de reles aproveitadores da bonomia do povo brasileiro e do Presidente eleito, que não soube filtrar os recebedores de seu apoio pré-eleitoral. Assim, figuras como o televisivo João Agripino e o desconhecido juiz Wilson Witzel tornaram-se governadores das duas mais conhecidas Unidades da Federação, São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. O eleitorado paulista nos brindou, ainda, com deputados como o ator Alexandre Frota, a jornalista Joyce Bejuska e o "ativista" (seja lá o que isto signifique) Kim Patroca. Destaquei esses nomes por serem pessoas claramente eleitas com a promessa de apoiarem o Presidente da República eleito nas mesmas eleições e, ao primeiro revés, colocaram-se na oposição a ele. E assim, chegamos até a um caso oposto. O da também "ativista" Sara Giromini, uma jovem em busca de fama, que aproveita as oportunidades que aparecem.
De militante feminista — fundadora da filial brasileira da organização Femen e suas manifestações de extremo mau gosto — transformou-se em figura de destaque em manifestações destrambelhadas, supostamente "de direita", a ponto de acabar presa acusada de terrorismo. Outras pessoas poderiam ser aqui citadas. A fonte é farta, mas o texto já se torna cansativo. Jornalistas dariam um texto à parte.
De tudo, nos fica a inferência de que o brasileiro em geral é um grande "desligado" das coisas que influenciam sua própria vida, atual e futura. Coisas como buscar conhecimento e uma formação profissional que lhe proporcione estabilidade futura não são consideradas pela grande maioria. Os poucos jovens que tem essa preocupação farão parte da elite dirigente do país em um futuro próximo. E sofrerão a crítica de terem sido privilegiados pela sorte, pelo poder econômico — mesmo que sejam oriundos de categorias econômicas mais baixas —, pelos pais que sustentaram seus estudos, etc. Dificilmente terão seus esforços reconhecidos. 
Mas hão-de dirigir os destinos dos eternos preocupados com os resultados de jogos de futebol, contratações de jogadores, "paredões" dos inúteis "rialiti chous", votações de escolas de samba, e outros afazeres.

sábado, 22 de agosto de 2020

Sentença Revela a "Candura" dos Bandidos do ERG

Exército Revolucionário Guevarista foi condenado por recrutamento de crianças e violência de gênero.
O ERG foi desmobilizado em agosto de 2008, na aldeia Guaduas, de El Carmen de Atrato, Chocó.
Foto:  Escritório do Alto Comissariado para a Paz
Por Juan David López Morales
Quando o Exército Revolucionário Guevarista (ERG) foi condenado pela primeira vez por uma Câmara de Justicia e Paz, em 16 de dezembro de 2015, foram consideradas 21 vítimas de recrutamento de menores. Em uma sentença emitida nos últimos dias 172 novas denúncias foram apresentadas por este delito, dando conta da verdadeira magnitude da atuação delitiva daquele bando.
A sentença, da magistrada Beatriz Eugenia Arias Puerta contra 16 ex-integrantes do ERG, explica que essa quadrilha chegou a ter 403 integrantes, dos quais mais de 200 foram recrutados quando eram menores de idade, em proporções similares entre homens e mulheres, mas com riscos adicionais para elas pela violência baseada em gênero que se exerceu.
O documento de 1.629 páginas identifica cinco padrões de macro-criminalidade que foram apontados ao ERG. O de recrutamento de menores é apenas um deles. Os outros são: violência baseada em gênero, deslocamento forçado, detenções ilegais e desaparecimentos forçados.
O ERG nasceu em 1993 como uma dissidência da Frente Ernesto Che Guevara, do Exército Nacional de Libertação (ELN). Olimpo de Jesús Sánchez Caro, vulgo Cristóbal, era o comandante militar e foi um dos 18 que desertaram em outubro daquele ano em Carmen de Atrato, Chocó, para formar a Companhia Guevarista, que mais tarde seria chamada ERG.
Limites de Chocó. El Carmen de Atrato, localiza-se entre Tutunendo, e Medellin.
O padrão de recrutamento dá conta da historia do ERG. De 1993 a 1995 foi seu estabelecimento na região, e nesse período recrutou cerca de 25 jovens. A estabilização e fortalecimento se deu entre 1996 e 1998, com outros 37 recrutamentos. A época de maior inserção de meninos e meninas ao grupo foi entre 1999 e 2003, durante a expansão, com 80 casos. Na fase final do grupo, entre 2004 e 2008, foram recrutados pelo menos mais 30.
O ERG se desmobilizou em 21 de agosto de 2008, como consequência do debilitamento militar pela confrontação contra o Estado e outros grupos ilegais, depois de semear terror em vários departamentos. 
A prática de recrutamento de menores se exerceu em três deles:
— Antioquia (Andes, Betania, Ciudad Bolívar, Medellín e Salgar);
— Chocó (Bagadó, El Carmen de Atrato, Lloró, Nóvita, San José del Palmar e Tadó); e
— Risaralda (Pereira, Belén de Umbría, Mistrató e Pueblo Rico).
A sentença diz que para conseguir sua expansão, essa malta se aproveitou de fatores como a imaturidade psicológica, as carências afetivas e de proteção no lar, a falta de preparação acadêmica e a escassez de recursos econômicos, assim como “a ausência de autoridades legalmente constituídas e da presença estatal” na região.
Além disso, houve a conjunção de várias práticas delituosas. De fato, de muitas das vítimas só se conhece uma alcunha, porque foram assassinadas quando estavam em ação, em combates com outros grupos ou por seus próprios companheiros.
Um padrão criminal em estreita relação com isto foi o de violência baseada em gênero, ainda que a Câmara de Justiça e Paz esclareça que não há nexo causal entre estas e que as vítimas são “exclusivamente” mulheres integrantes do ERG.
Houve uma política de “impedir a reprodução feminina através de práticas de aborto forçado ou sem consentimento, e do uso de métodos anticonceptivos” para manter as mulheres “como instrumento de guerra”, afirma a sentença.
A violência de gênero ia desde a reprovação às mulheres que houvessem tido mais de uma parelha, ainda que não fosse de forma simultânea, pelo que eram submetidas ao escarnio de seus companheiros, até crimes de acesso carnal violento. Sobre estes últimos, a magistrada pede à Procuradoria aprofundar mais as investigações, pois há pouca informação além de alguns testemunhos.
Os abortos forçados se praticavam tanto por métodos farmacêuticos, ou seja, pilulas e injeções, como cirúrgicos, principalmente curetagem por sucção, “sem que importasse o tempo de gestação, mas unicamente a ordem de interromper a gravidez”. Eram praticados tanto nos acampamentos como nos territórios indígenas, mas o lugar de preferencia eram consultórios clandestinos em meio de suas zonas de controle.
Essas praticas causaram em suas vítimas “sequelas físicas e psicológicas, como a afetação da sexualidade, os sentimentos de culpa, a raiva, os transtornos do sono e o aparecimento de sintomas depressivos”, afirma a sentença. Entretanto, a contracepção forçada se baseava na obrigação de tomar pilulas ou na aplicação do dispositivo intra-uterino.
A Câmara diz que só era exercida pressão sobre as mulheres porque os homens não eram obrigados a usar métodos de proteção, e enquanto que as grávidas eram castigadas com trabalhos forçados, causar uma gravidez não tinha nenhuma reprimenda.
As práticas do ERG se concentraram, sobretudo, no município de Carmen de Atrato, Chocó, onde nasceram e se desmobilizaram. Nessa zona, onde há prevalência de população indígena embera, foram afetadas as reservas de Sabaleta, La Puria e El Consuelo. Os indígenas foram recrutados e deslocados, e suas comunidades foram usadas como refugio, por isso que, na sentença, são sujeitos de reparação coletiva.
Cristóbal, o chefe da quadrilha e outros quinze membros foram condenados a 40 anos de prisão, mas esta pena lhes foi remida por ter requerido os benefícios do acordo com Justiça e Paz e terem confessado a verdade assumindo a responsabilidade dos atos cometidos no conflito. A maioria dos condenados já estão em liberdade.
Juan David López Moreles
Redator de Justiça @LopezJuanda
Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO:  eis aí o resultado dos acordos de paz entre o Estado Colombiano e os narco-guerrilheiros das FARC e quadrilhas similares, acordos estes engendrados em Havana e aceitos pela pusilanimidade dos administradores pós Uribe.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A Máquina Espiã Suíça Usada por EUA e Alemanha

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A máquina suíça que espionou dezenas de governos durante décadas
Isto permitiu à CIA e ao Serviço de Inteligência alemão ter acesso a comunicações sigilosas.
A companhia suíça Crypto AG fabricou máquinas que forneceram informação secreta de outros governos à Inteligência estadunidense e alemã. Foto:  BBC
Foi uma espionagem de décadas, que começou antes da Guerra Fria e durou até começos deste século.
Os Serviços de Inteligência dos Estados Unidos e Alemanha tiveram acesso às comunicações criptografadas de vários governos graças a uns dispositivos de Crypto AG, uma companhia suíça de criptografia.
A empresa forneceu os aparatos a mais de 120 governos desde fins dos anos 40 até os anos 2000.
O que as autoridades destes países não sabiam era que as máquinas estavam manipuladas e pertenciam em segredo aos governos da Alemanha Ocidental e dos EUA.
Com elas, tanto a Agência Central de Inteligência (CIA) como o Serviço Federal de Inteligência alemão (BND) tiveram acesso a informações criptografadas de vários países, entre eles Irã, Índia, Paquistão, várias nações de América Latina e inclusive o Vaticano.
Assim foi revelado em reportagens do diário estadunidense The Washington Post, da agência alemã ZDF e o canal suíço SRF.
Esses meios tiveram acesso ao historial interno sigiloso da CIA, em que a Operação era descrita como "o golpe do século dos Serviços de Inteligência".
Em 1980, os Oficiais de Inteligência da CIA processavam 40% das comunicações estrangeiras, providas pelos dispositivos Crypto.
A companhia suíça faturou milhões de dólares com as máquinas que foram parar na CIA e no BND.
"Os governos estrangeiros estavam pagando bom dinheiro aos EUA e Alemanha Ocidental por suas comunicações mais secretas, que foram lidas por ao menos dois (ou até cinco ou seis) países", diz um relatório da CIA sobre esta Operação.
O documento indica que Reino Unido, Israel, Suíça e Suécia se encontravam cientes destas atividades e receberam informação recolhida por EUA e Alemanha.
A estrategia permitiu aos EUA monitorar os funcionários iranianos durante a denominada "crise dos reféns", quando um grupo de estudantes do Irã tomou 66 diplomatas e cidadãos estadunidenses como reféns por 444 dias, entre novembro de 1979 e janeiro de 1981.
E, também, fazer chegar aos Serviços de Inteligência britânica informação sobre o Exército argentino durante a guerra das Malvinas e rastrear os movimentos das juntas militares sul-americanas, de acordo com o The Washington Post.
O jornal menciona que a espionagem também afetou  Brasil, Chile, Colômbia, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Uruguay e Venezuela.
No entanto, Russia e China nunca confiaram nas máquinas suíças e jamais as usaram.
Em 2018 um investidor adquiriu a companhia suíça original, que passou a chamar-se Crypto International.
Nesta empresa, afirmam que não há "conexão com a CIA ou o BND" e que estão "consternados pelas conclusões dos relatórios".
O governo suíço foi informado desse caso em novembro passado e nomeou a um antigo juiz do Tribunal Supremo da Suíça, Niklaus Oberholzer, com a finalidade de "investigar e esclarecer os fatos".

Aflição na Suíça 
Análise da jornalista da BBC, Imogen Foulkes, desde Genebra, Suíça:
Na Suíça a noticia foi recebida com angustia.
"Nossa reputação foi feita em tiras", escreveu um periodista político a respeito. "Nossa neutralidade é uma hipocrisia", declarou outro.
Havia rumores sobre os negócios turvos da Crypto AG desde alguns anos. Seus empregados suspeitavam de que algo não andava bem.
O governo suíço sabia do assunto. Na verdade, foi um dos poucos que não recebeu uma máquina Crypto alterada pela CIA.
No entanto, é doloroso que os meios internacionais divulguem esta questão.
A revelação volta a por os suíços em evidência, com uma imagem da qual sempre se esforçaram em desfazer: que fariam qualquer coisa pelo preço adequado.
Houve tempos em que seus bancos cuidaram do dinheiro que governantes de fato saquearam aqui e ali, fazendo vista grossa à evasão fiscal em escala massiva.
Se supunha que tudo isto era parte do passado. Mas agora outro setor, o da engenharia de precisão suíça, também tem motivos para envergonhar-se.
Precisamente, a CIA usou Crypto AG pela reputação suíça de neutralidade e qualidade, segura de que isso atrairia a clientes (governos) de todo o mundo.
Suíça ficou com o dinheiro e vendeu as máquinas manipuladas. Agora, todo mundo sabe.

A historia por trás de Crypto
Um inventor russo chamado Boris Hagelin criou uma máquina de criptografia portátil quando fugiu para os EUA durante a ocupação nazista da Noruega em 1940.
O dispositivo era suficientemente pequeno para poder ser usado em campanha e foi fornecido a cerca de 140.000 militares estadunidenses.
Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, Hagelin se mudou para a Suíça.
Sua tecnologia evoluiu tanto que o governo estadunidense temeu que deixasse de funcionar como recurso para espiar as comunicações de outros governos.
Mas William Friedman, um descifrador de códigos estadunidense, convenceu a Hagelin para vender os dispositivos mais avançados somente aos países aprovados pelos EUA.
Assim, as máquinas antigas, que a CIA sabia como acessar, foram vendidas a outros governos.
Na década dos 70, EUA e Alemanha adquiriram Crypto e controlaram a quase totalidade da operação, incluindo a contratação de pessoal, o desenho da tecnologia e a estratégia de vendas.
Fonte:  tradução livre de El Tiempo

sábado, 25 de julho de 2020

A Investigação do Ataque à Escola 'Gen. Santander'

Por Justicia
Imagem: Fiscalia General de la Nación
Um juiz de controle de garantias enviou ao cárcere, ontem (13 Jul 20), seis dos oito capturados pelo atentado terrorista contra a Escola de Polícia General Santander, que em 17 de janeiro de 2019 tirou a vida de 22 cadetes.
Estas capturas se registraram desde 2 de julho, em diferentes zonas do país, por parte da Polícia e Procuradoria em uma segunda fase da investigação.
El Tiempo teve acesso ao Informe de Inteligência — sobre o trabalho de infiltração no ELN (Exército de Libertação Nacional)  e aos labores técnicos que após ano e meio permitiram identificar e localizar os capturados por aquele ato terrorista.
A investigação sobre o fato terrorista, é considerada como uma das maiores levadas a efeito na historia recente do país. "Desde o momento da ativação do carro bomba na Escola, 9:46h., se voltaram todas as atividades de Polícia Judiciária, Inteligencia e atos urgentes, em coordenação com a Procuradora para que não ficasse impune", disse a este diário um dos investigadores que esteve a frente do caso.
De fato, de acordo com o documento, os agentes encarregados da investigação realizaram 1.800 atividades de Inteligência, entre elas, a analise de 8 milhões de telefonemas realizados logo após a explosão do carro bomba, o que permitiu, por exemplo, traçar o percurso das motos que acompanharam a camioneta que ingressou na Escola com os explosivos.
Naquela primeira fase foi identificado Andrés Felipe Oviedo Espinel, vulgo Jesús ou 'Barbas' que havia recebido ordens diretas do COCE (Comando Central) do ELN para planejar o atentado. Ele é um dos capturados que o juiz enviou ao cárcere.
"´Jesús' foi identificado por um dos nossos agentes que se infiltrou em um acampamento do ELN   há uns anos  e que recebeu treinamento dele em Inteligência e Contra-inteligência delitiva para não serem identificados nas cidades. Esse acampamento estava em Arauca, mas no lado da Venezuela", disse o investigador.
Também foram autorizadas a interceptação de 165 linhas — que resultaram mais de 35.000 áudios para analisar. Assim como, foram trabalhadas  246 horas de vídeo e se cotejaram 813 imagens. 
"65 evidencias eletrônicas com dados de importância relacionadas com o caso. 10 análises de evidencias genéticas (entre elas em um sapato e um gorro abandonados ao escapar nas motos e nos carros) e 298 buscas seletivas em bases de dados", ressalta o Informe, somado a entrevistas a fontes, retratos falados e outras atividades de Inteligência.
Durante o período de investigação, se realizaram 400 atividades de vigilância e seguimentos (encobertos), "dormíamos nos carros, vivíamos nos carros, eram turnos de 24 e até 48 horas. Com o objetivo de recompilar a informação que nos permitisse relaciona-los com o atentado terrorista", assegurou o investigador.
Jessica Barrientos Castilla, uma das capturadas, foi ludibriada através de um policial "que a conquistou e se tornaram namorados. Ela administrava a loja de queijos localizada a 200 metros da Escola. E pouco a pouco foi contando detalhes que fortaleceram o acervo probatório contra o grupo", assegurou a fonte.
Alem disso, durante este processo os agentes, montaram 45 disfarces para vigiar os hoje capturados, "se passavam por vendedores, mecânicos, trabalhadoras sexuais, técnicos de comunicações, vendedores de doces, cantores, o que fosse", disse a fonte.
"Tínhamos um companheiro infiltrado como morador de rua. Ele estava encarregado de vigiar a um dos cérebros do atentado. Levava mais de uma semana na rua, e em uma manhã, chegou um grupo de vigilância (Polícia), e o levaram. Não pudemos fazer nada, e ele não podia se identificar", relatou o investigador.

Andrés Felipe Oviedo Espinel, o "Jesus" e Angie Lorena Solano Cortés, conhecida como "Maco que na época do atentado formavam um casal , foram capturados em 2 de julho junto a outras seis pessoas acusadas de participação na ativação de 80 quilos de pentolita no interior da Escola.
O Informe de Inteligência divulgado da conta dos movimentos dos dois no dia do atentado, e a forma como se obteve suas identificações e captura depois de ano e meio de seguimentos, escutas e infiltrações para deixar a descoberto seus perfis criminais. O casal, destaca o documento, se encarregou de fazer a espionagem na Escola para perpetrar o atentado.
De acordo com o documento,Jesús’ e ‘Maco’ saíram em uma moto preta de placas CYN-03E do bairro El Tejar, e na transversal 72-F-39, no sul da cidade, começam a custodiar a camioneta carregada com explosivos em seu trajeto até a Escola.
Depois que o veículo ingressa no ponto de ataque, se registra a passagem deles por varias câmaras de segurança até a rua 45-Sul n° 72-J, onde abandonaram a moto e trocaram rapidamente de roupa. 
Nesse local, os investigadores encontraram um par de tênis  que foi processado para obter mostras de DNA ; e foi registrado terem abordado um táxi para continuar sua fuga.
Os agentes de Inteligência da Polícia de Bogotá seguiram seus passos através das câmaras, e os localizaram na Primeiro de Mayo com 45-Sul, onde tomam um segundo táxi que os leva até a rua 60-Sul com Av. 80-D, onde sobem em outro táxi quando o rastro deles é perdido.
Os investigadores, com base nos registros filmados, começam a desenvolver o trabalho de inteligência interna, “e nesse processo, um de nossos homens que esteve infiltrado na zona de refúgio do ELN na Venezuela identifica o vulgo 'Barbas' o 'Jesús'”, disse um dos agentes frente ao caso.
O infiltrado se passou como integrante das células urbanas da guerrilha e recebeu “instrução” de ‘Jesús’. “Só o que nosso agente sabia, era que ‘Jesús’ procedia de Cundinamarca”, destacou o investigador.

Os seguimentos ao cérebro do atentado
De acordo com o investigador, identificado Andrés Felipe Oviedo, ao revisar seus antecedentes constatam que foi integrante de um grupo radical que na época se autodenominou ‘Chamado a Mentes Libertarias’, e que participou em ações terroristas registradas entre 2015 e 2016.
A ‘Jesús’, o localizam em Cajicá, Cundinamarca, e verificam que não tinha um trabalho fixo e que se “mantinha por semanas inteiras encerrado em seu apartamento”. Mas todas as quintas-feiras, sagradamente, sua mãe o visitava, fazia compras e pagava suas dívidas.
Durante mais de um ano, os agentes de Inteligência seguiram 'Jesús', recorrendo a disfarces de vendedores de frutas, habitantes de rua e até como vizinhos do setor.
Chamou a atenção dos agentes que a mãe “de um terrorista treinado e homicida” o acompanhava para pegar um ônibus e lhe dava a benção, nas poucas vezes que saiu.
Nessas esporádicas saídas, os investigadores notaram que tomava “medidas de segurança” que uma pessoa com uma vida normal  não realiza. Em suas visitas a Bogotá, por exemplo, tomava um ônibus, esperava uns minutos, descia e abordava um táxi, e logo depois utilizava o serviço de TransMilenio.
Seu comportamento claramente não era normal, não interagia com seus vizinhos nem falava com outras pessoas, isso nos dificultou um pouco as vigilâncias e seguimentos, mas estamos capacitados para isso, para não perder a pista”, afirmou o homem a frente do caso.
Ressaltou que em um dia ‘Jesús’ tinha o cabelo grande, e logo saiu com ele totalmente raspado, ou retirava a barba. “Durante o ano e meio em que o estivemos controlando, trocou de aparência varias vezes”, pontualizou.
Coevo a isto, ‘Jesús’ aproveitou que ‘Maco’ estava escondida em outro lugar, e teve uma relação sentimental com outra mulher, “a quem fazia dar duas ou três voltas na quadra  para verificar que não a estivessem seguindo  e só depois a deixava entrar em sua casa”, se lê no documento.
Outra das características do cérebro do atentado contra a Escola de Polícia é que não usava celular, e suas comunicações eram feitas através de correios humanos ou internet.

A 'Maco', atraíram um parente
Nesse período, outro grupo se dedicou a descobrir a Angie Lorena Solano, conhecida por Maco, e estabeleceram que poucos dias depois do atentado terrorista ela viajou à Argentina,  para “enfriar-se”, como dizem os guerrilheiros que integram, as células urbanas.
Para lá viajaram homens de Inteligencia, que trabalharam com nossos homólogos da Argentina e a acham em uma residencia universitária, onde já havia feito contato com grupos radicais”, assegurou o investigador.
Ela saiu da Argentina, fez uma parada no Brasil e outra na Venezuela. Finalmente, em 25 de dezembro de 2019 regressa a Bogotá. 
Maco’ foi fotografada mais de 500 vezes durante o processo, e “sempre estava diferente, trocava a cor do cabelo, o corte, usava óculos, lentes de cor, buscava ver-se diferente”, disse o investigador.
No ambiente familiar de ‘Maco’, uma pessoa muito próxima a ela, e que conhecia suas atividades com o ELN  e dado a ter relações extraconjugais  foi identificada.
Com essa informação, infiltramos a uma de nossas agentes de Inteligencia. Ela ganhou a confiança do homem, viam-se quase diariamente e assim conseguimos colectar muitos detalhes, como ‘Maco’ estar organizando outro grupo, base em Bogotá, e estavam recrutando jovens bem como os detalhes de sua viajem à Argentina”, ressaltou o investigador. 
Logo que ‘Maco’ chega a Bogotá, se translada a Manizales, de onde vai para uma chácara, para seguir escondida, ali chegaram os investigadores no dia das capturas. A ‘Jesús’, o capturaram em Zipaquirá, Cundinamarca.
Os investigadores, em especial os de Inteligencia da Polícia de Bogotá, em coordenação com a Fiscalía e a Polícia Judiciária, foram somando um a um os elementos dos seguimentos e infiltrações com o que conseguiram as ordens de captura dos oito implicados, dos quais seis já foram enviados ao cárcere por um juiz.

Os presos:
As provas dão conta de que os processados fariam parte de duas estruturas do ELN, a Frente de Guerra Oriental e a Frente de Guerra Urbana, e desempenharam distintos papéis no ataque que deixou 22 cadetes mortos e 89 pessoas feridas, em 17 de janeiro de 2019.

Planejamento e execução
Pela suposta responsabilidade no planejamento e execução do ataque, um fiscal da Direção Especializada contra Organizações Criminais imputou a:
Andrés Felipe Oviedo Espinel, vulgo 'Jesús ou Barbas', que teria recebido ordens diretas do Comando Central (COCE) do ELN para planejar o ataque à Escola General Santander. Foi imputado pelos delitos de homicídio de pessoa protegida e tentativa de homicídio de pessoa protegida; terrorismo e rebelião. Contra ele também há evidencia de envolvimento na detonação de artefatos explosivos contra duas sedes de PORVENIR em Bogotá (Calle 72 e Puente Aranda), em 2 de julho de 2015.
Angie Lorena Solano Cortés, vulgo 'Maco', acusada de acompanhar em motocicleta o carro-bomba ativado na Escola de Cadetes. Foi imputada por homicídio de pessoa protegida, tentativa de homicídio de pessoa protegida, atos de terrorismo e rebelião. Contra ela, há elementos que a vinculariam diretamente à denominada Frente Urbana Nacional e de participar em algumas reuniões realizadas pelo ELN na Venezuela.
Carlos Arturo Marín Ríos, vulgo 'Marín', imputado por atos de terrorismo. Também teria acompanhado o carro-bomba em motocicleta.
Jessica Catherine Barrientos Castilla, a 'Jessica', seria integrante da Comissão de Finanças da Frente de Guerra Oriental do ELN. Foi imputada como presumível responsável dos delitos de financiamento ao terrorismo e atos de terrorismo, e rebelião.
Miguel Antonio Castillo Rodríguez, alias 'Tonho', proprietário de duas empresas de produção e distribuição de queijos instaladas em Arauca e Bogotá que teriam servido para financiar a ação criminal. Foi imputado pelos delitos de financiamento ao terrorismo, rebelião e atos de terrorismo.
Por solicitação do Promotor do caso, ‘Jesús’ ou ‘Barbas’, ‘Maco’, ‘Jessica’ e ‘Toño’ receberam medida de asseguramento em centro carcerário; enquanto que Carlos Arturo Marín Ríos, vulgo 'Marín', foi beneficiado com detenção domiciliar devido à sua idade e sua condição especial de saúde.

Financiamento
Por sua parte, um Procurador da Direção Especializada contra Lavagem de Ativos imputou a três personas que fariam parte de uma rede criminosa do ELN apontada por lavagem de recursos obtidos de atividades ilícitas e financiar ações terroristas como a da Escola de Cadetes General Santander. Os processados são: 
Carlos Felipe e Luis Sebastián Mateus Vargas, conhecidos como ‘Carlitos’ e ‘Sebas’, seriam, respectivamente, os encarregados dos lácteos que, supostamente, serviram de fachada para legalizar dinheiro da Frente Oriental de Guerra do ELN. O dinheiro obtido teriam sido usados para comprar material de intendência e armas que eram transportados em veículos refrigerados entre queijos e outros alimentos. Por dirigir comercializadoras de derivados 'Carlitos' foi imputado por enriquecimento ilícito. Por sua parte, a Fiscalía indicou 'Sebas' por lavagem de ativos e enriquecimento ilícito. Carlos Felipe e Luis Sebastián são irmãos de Álvaro José Mateus Vargas, vulgo 'O Quejeiro', capturado em maio de 2019 e condenado no final do ano passado a mais de oito anos de prisão por rebelião, concerto para delinquir agravado, e financiamento do terrorismo e de grupos de delinquência organizada.
Angie Daniela Martínez Buitrago, a 'Dani', também chamada 'Arauquenha', que teria manejado durante oito anos milionárias somas de dinheiro sem uma clara procedência. A ela se atribui uma transferência de 1.500 milhões de pesos [cerca de 1,5 milhões de Reais] à estrutura do ELN que executou o atentado à Escola de Cadetes General Santander. Por estes fatos, a Fiscalía imputou-lhe os delitos de lavagem de ativos e enriquecimento ilícito. 'Dani' manteve vínculo sentimental com 'O Quejeiro', durante o tempo que exerceu a atividade ilegal.
Os irmãos Carlos Felipe e Luis Sebastián Mateus Vargas receberam medida de asseguramento em centro carcerário; enquanto que Angie Daniela Martínez Buitrago, a 'Dani', foi favorecida com detenção domiciliar, em atenção a uma enfermidade que padece e requer tratamento médico especializado.
Em outro processo que se segue contra os irmãos Mateus Vargas, a Direção Especializada de Extinção do Direito de Domínio impôs medidas cautelares a vários de seus bens, como a Sociedad Inversiones y Comercializadora Aldama S.A.S.; as lojas Lácteos Villa Yulita, Quesera Los Andes, Distriquesos F.F. e Lácteos Villa Esperanza; além de quatro veículos.
Fonte: tradução livre de Zona Cero 
com imagens de La Voz del Cinaruco