segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Militares Vítimados na Tragédia de Santa Maria/RS

.
Dentre as mais de duas centenas de vítimas da terrível tragédia que se abateu sobre o Rio Grande do Sul na madrugada deste domingo, destacamos a perda de oito companheiros militares do Exército Brasileiro atingidos pelo sinistro.
- Brady Adrian Gonçalves Silveira - O Ten Adrian Silveira, de Comunicações, servia na 13ª Cia Com, em São Gabriel/RS. Estava comemorando seu aniversário ocorrido no dia 26 de janeiro;
Daniela Dias de Matos - Capitã Médica;
Diego Comim Silvestri - O 3º Sgt Diego Silvestri era do Serviço de Intendência, da turma de 2009, e servia no 8º RC Mec, na guarnição de Uruguaiana. Natural de Santa Maria, havia iniciado suas férias na quarta-feira;
Leonardo de Lima Machado - Soldado de 26 anos, conseguiu escapar com vida mas heroicamente voltou a entrar duas vezes no local e, na segunda, ficou preso e faleceu. Ele tirou sua namorada, a deixou na calçada em frente e imbuído pela solidariedade e valentia, voltou a entrar para ajudar outros, o que lhe foi fatal.
Leonardo Machado de Lacerda - O 1º Ten Lacerda, era natural do Rio de Janeiro e tinha 28 anos. Formado pela Academia Militar das Agulhas Negras em 2007, morava em Santa Maria e servia no 4º Regimento de Carros de Combate, em Rosário do Sul/RS. Lacerda chegou a tirar um amigo do estabelecimento e não hesitou em retornar para tentar resgatar outros que ficaram lá dentro. A ansiedade em salvar os colegas, porém, acabou encerrando a trajetória de um jovem apaixonado pela carreira militar.
Cabo Lucas Teixeira, entre dois colegas - Fonte: Facebook
Lucas Leite Teixeira - O Cabo Lucas é outro que se pode adjetivar de herói! Com que outra palavra podemos descrever alguém que entra em meio ao caos e chamas para salvar vidas? E que mesmo após trazer duas pessoas em meio à fumaça retorna para deixar sua vida na busca de uma terceira pessoa? Só mesmo seres humanos dotados de muito bom caráter e coragem para abrir mão da própria vida visando o bem de outras. 
Luciano Taglia Pietra Espiridião - Era Soldado, natural de Nova Palma e morava em Santa Maria; e
Rogério Floriano Cardoso - Cabo.

O que o Soldado Leonardo de Lima e o Cabo Lucas Teixeira fizeram jamais será esquecido, famílias agradecem os seus feitos de coragem, honrando a farda que vestiram da maneira mais grandiosa, um orgulho para todos os  seus companheiros de farda.

Cinco militares da Força Aérea Brasileira, servindo na Base Aérea de Santa Maria, também pereceram no terrível acontecimento. Tratam-se de:
Giovani Krauchemberg Simões, Soldado;
- Leandro Nunes da Silva, Soldado;
Luiz Carlos Ludin de Oliveira, Sargento; 
- Rodrigo Dellinghausen Bairros Costa, Soldado; e
- Rhuan Scherer de Andrade, Soldado.

Que Deus, em sua grandiosidade, ampare os familiares dessas vítimas, dando-lhes consolo e coragem para enfrentar essa fatalidade em seus grupos familiares.
.

sábado, 26 de janeiro de 2013

A Crise dos Reféns na Argélia: Ataque Terrorista foi ‘Serviço Interno’ que Saiu Pela Culatra – diz Jeremy Keenan

por Jessica Elgot
Para um dos maiores especialistas mundiais em militantes islamistas no Sahara, a crise dos reféns na Argélia pode ter sido ‘serviço interno’, aprovado pelos serviços de inteligência da Argélia, que acabou dando errado.
Mokhtar Belmokhtar
O professor Jeremy Keenan, da Escola de Estudos Orientais e Africanos, disse ao The Huffington Post na Inglaterra, que o Batalhão “Assinado em Sangue” (Biddam al-Mua'qi'oon) de Mokhtar Belmokhtar sempre manteve laços muito próximos com os serviços secretos da Argélia, apesar de Belmokhtar ter sido oficialmente “condenado à morte”, in absentia, naquele país.
Para o professor Keenan, é “quase impossível” que militantes armados atravessassem, sem serem vistos, os quase 2.000 quilômetros de deserto, se não tivessem autorização tácita para avançar.
O deserto é pontilhado de postos de segurança militares. Teria sido impossível passar por todos eles. E o campo de gás In Amenas era um dos locais mais fortemente protegidos em toda a Argélia. Apesar disso, aqueles homens chegaram até lá e entraram. É preciso explicar como isso aconteceu.
O professor Keenan lembra que havia muita especulação segundo a qual os serviços de inteligência da Argélia estariam planejando um ataque terrorista de pequenas proporções, para chamar a atenção do ‘ocidente’ para as repercussões de uma ação militar no Mali.
Mas, depois que o governo da Argélia autorizou a força aérea francesa a usar o espaço aéreo da Argélia para bombardear o Mali, o grupo de Belmokhtar virou-se contra os argelinos.
Não há mais dúvidas de que os serviços de segurança planejaram um pequeno ataque terrorista, a ser levado a cabo por eles, não por algum terrorista, para assim criarem uma situação na qual pudessem dizer ao resto do mundo ‘nós bem que avisamos: se vocês atacarem o Mali, o terror atacará em toda a região. Temos razão e podemos controlar a região.’ Verdade é que os serviços de segurança há vinte anos organizam esse tipo de falso ataque terrorista naquela região.
Erro da Argélia
O regime argelino é altamente dissimulado e esse tipo de ação é bem típica deles. Acho que um grupo recebeu autorização para atravessar o país, porque os serviços de segurança da Argélia imaginaram que haveria ‘coisa pequena’, uns poucos tiros contra um ônibus ou um posto policial, coisa desse tipo.
Assim se consegue explicar por que foram liberados para cruzar o país. Mas acho que o feitiço virou contra o feiticeiro: os terroristas voltaram-se contra os serviços de segurança da Argélia e golpearam furiosamente, forte e fundo, a própria Argélia.
Para o professor Keenan, o grupo que atacou é, quase com certeza, comandado por Belmokhtar, também conhecido como o “Príncipe Caolho”. Belmokhtar foi dado por morto ano passado (teria sido assassinado por grupos rebeldes do norte do Mali), mas reapareceu agora, numa vídeo-mensagem em que assume a responsabilidade pelo ataque no Mali.
Os especialistas creem que o ataque ao campo de gás foi longamente planejado ao longo de vários meses antes do início da ofensiva francesa contra o Mali.
Sabe-se que Mokhtar Belmokhtar deixou o Mali há duas ou três semanas. É perfeitamente possível, portanto, que tenha liderado a ação: é o estilo dele, são os mesmos meios que costuma mobilizar, vê-se a marca de sua longa experiência, conhece como ninguém aquele território. Tenho certeza de que não está lá pessoalmente. Mas não há dúvida de que são seus homens”, diz o professor Keenan:
Muitos, na Argélia, entendem que o governo traiu o país, ao autorizar a França a usar o espaço aéreo argelino para alcançar o Mali. O grupo que atacou a usina está sendo elogiado. Tenho conversado com contatos meus na Argélia. Todos estão absolutamente furiosos.
Sem Escolha …
Os argelinos de fato não tiveram escolha. Em nenhum caso poderiam dizer ‘não’ à França. Mas o governo, simultaneamente, faz muita propaganda anti-ocidente pela televisão. Assim mantém ‘a rua’, pode-se dizer, satisfeita. Mas, por trás dos panos o governo argelino trabalha ‘dos dois lados’. Agora, afinal, o povo parece estar percebendo.
Suspeito que haverá reação monumental contra o governo. Reação ‘da rua’ argelina. Não há quem não tenha suspeitas sobre o que realmente aconteceu ali. Muitos se convencerão que foi ‘trabalho interno’. E muitos outros sentirão que o serviço de inteligência fracassou e não impediu a entrada de grupos terroristas no país deles. Que provocaram dano ao país.
Para o professor Keenan, o ataque terrorista terá efeito descomunal, no longo prazo, na política de toda a região. Os efeitos aparecerão já muito depois de os reféns resgatados terem deixado o país.
A resposta da Argélia parece ter sido de extraordinária fúria, de arrogância cega. Entraram com muita força, porque, de fato, foram engambelados. E tinham de mostrar poder.
Haverá vastíssima repercussão, sempre com portas fechadas, especialmente no que tenha a ver com a atuação dos serviços de inteligência. É o evento mais grave que se vê ocorrer na Argélia, há muitos, muitos anos.
Até hoje, a segurança de estrangeiros sempre foi garantida. Jamais antes houve ataque contra instalação de extração de gás e petróleo. É evento sem precedentes na história da região. Governos e serviços secretos não sabem como reagir.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Namorada de Lula Não Quer Ser Incomodada Pela Imprensa

por Ucho Haddad
Óleo de peroba – O Brasil vive um contínuo processo de inversão de valores. Quem está no poder rouba como e quando quer, mas nada acontece. Na verdade, o que acontece é que o povo e as instituições são alvo de zombaria desses saltimbancos, que tentam implantar no País um projeto totalitarista de poder, a exemplo do que já existe na vizinha Venezuela, onde golpes da esquerda fazem parte do cotidiano local.
Lula, como se sabe, foi o comandante-mor do Mensalão do PT, o maior escândalo de corrupção da história nacional, sem contar os outros imbróglios de sua era, mas ele insiste em negar sua participação, mesmo sabendo da sua culpa, até porque as reuniões da bandidagem aconteciam na sala ao lado do seu gabinete, no Palácio do Planalto. Ao contrário do que tenta acusar seus adversários e desafetos, Lula é vagabundo com todas as letras, mas de idiota nada tem. Afinal, um idiota não chega ao poder central, faz o que ele fez e deixou fazer e sai impune, pelo menos por enquanto.
A mais recente descoberta da Polícia Federal aponta para um conluio criminoso entre Lula e Rosemary Noronha, sua namorada, que foi demitida por Dilma do cargo de chefe de gabinete do escritório paulistano da Presidência da República. A Operação Porto Seguro tem mais de uma centena de gravações de telefonemas entre Lula e Rosemary, mas o Palácio do Planalto trabalha diuturnamente para que o material não vaze. Se isso acontecer, Lula estará arruinado politicamente e será obrigado a deixar o apartamento em que mora, em São Bernardo do Campo, pois a ex-primeira-dama não suportará tamanha traição. 
Acusada de participar da quadrilha desbaratada pela Polícia Federal, Rosemary Noronha, a Marquesa de Garanhuns, continua dando ordens. Sua prisão chegou a ser cogitada pela Justiça Federal, o que entornaria o caldeirão de lama, mas o magistrado que conduz o caso decidiu substituir a restrição de liberdade por comparecimentos regulares e quinzenais na sede do Judiciário, onde Rosemary é obrigada a assinar um documento e fornecer informações. Fora isso, a namorada de Lula não pode deixar a cidade de São Paulo sem prévia autorização da Justiça.
Pois bem, indiciada como quadrilheira, Rosemary solicitou à Justiça, que deferiu o pedido, que a imprensa fosse impedida de registrar imagens suas no interior do prédio da Justiça Federal, em São Paulo. Há no País uma atuação dual da Justiça. Quando um bandido comum, que roubou um pacote de pão no supermercado vai a julgamento, sua imagem é estampada no noticiário, como se fosse o mais perigoso dos criminosos. Rosemary, que integrou um grupo que provocou prejuízos bilionários ao Estado, não pode ser incomodada e nem mesmo ter a sua face lenhosa registrada por fotógrafos e cinegrafistas.
Diz a Constituição Federal que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. A concessão absurda que se faz a Rosemary Noronha é um flagrante desrespeito à Carta Magna, pois enquanto operava a mando de Lula fazia questão de alardear ao mundo sua relação mais do que íntima com o chefe e sempre que podia estava diante das câmeras. O Brasil precisa dar um basta na bandalheira comandada por Lula!
Fonte: Ucho.Info
COMENTO:  e o Cachaceiro falastrão, que vive dando palpites no exercício do governo do qual não admite ter saído - com a cumplicidade criminosa do poste que ele deixou para "esquentar o lugar enquanto ele estiver fora" -, agora se esquiva de jornalistas que, por sua vez, não fazem muita questão de obter alguma explicação plausível - se é que possa haver - sobre o reinado de sua amante sob a proteção da instituição Presidência da República. 
Por outro lado, mais uma manifestação de completa falta de pudor para com a sociedade é essa atitude do juiz ao impedir o exercício profissional dos jornalistas - exercício esse protegido por lei - protegendo a "amante do rei" de ter sua cara nojenta exposta aos otários que pagam impostos e taxas para sustentar essa putaria toda!
.

domingo, 20 de janeiro de 2013

"Novilíngua" Sapa Democracias

por Janer Cristaldo
Costumo afirmar que há décadas não leio ficções. Mas há aquelas que se impõem, às quais voltamos sempre. O livro mais importante do século passado, a meu ver, é 1984, de George Orwell, publicado em 1948. Em verdade, não é exatamente uma ficção. Mas um denso e premonitório tratado de linguística. Que é 1984?
Estamos em uma sociedade que, em 1948, Orwell situará trinta anos atrás. O mundo está dividido em três grandes superpotências — como hoje — em guerra permanente: a Eurásia, que situamos nas atuais Rússia e Europa; a Lestásia, coincidindo com a China e o Japão; e a Oceania, incluindo a Grã-Bretanha, as três Américas e Austrália. Há ainda um vago território em disputa, que inclui o Oriente Médio, a África e o Afeganistão.
A ação do romance transcorre em Londres, capital da Oceania. O personagem central é Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, cuja função é criar e divulgar inverdades. Winston relaciona-se com Júlia, "rebelde da cintura para baixo", o que, entre outras coisas, o levará à perdição, pois neste Estado não se admite relações mais sólidas entre um cidadão e outro do que as relações entre o cidadão e o Estado. Temos ainda Goldstein, de hipotética existência, membro de uma oposição subterrânea denominada Fraternidade.
Temos o Grande Irmão, de abstrata existência, tão abstrata que sequer talvez exista, ou pelo menos tenha deixado há muito de existir, mas que exige de todos amor e submissão. E temos outro elemento importante, o tecnocrata O'Brien, o mantenedor da Ordem, definida como eterna e imutável. Toda transformação, toda revolução, é impensável no universo orwelliano. A relação entre dominante e dominado será possível através da dor. Ouçamos O'Brien, enquanto tortura Winston:
"— O verdadeiro poder, o poder pelo qual temos de lutar dia e noite, não é o poder sobre as coisas, mas sobre os homens. Como é que um homem afirma seu poder sobre outro, Winston?
Winston refletiu.
— Fazendo-o sofrer.
— Exatamente. Fazendo-o sofrer. A obediência não basta. A menos que sofra, como podes ter certeza que ele obedece tua vontade e não a dele? O poder está em se despedaçar os cérebros humanos e tornar a juntá-los da forma que se entender. Começas a distinguir que tipo de mundo estamos criando?"
Às antigas civilizações fundadas no amor ou na Justiça, O'Brien contrapõe um mundo de medo, traição e tormento, onde o progresso será no sentido de maior dor.
"— Já estamos liquidando os hábitos de pensamento que sobreviveram de antes da Revolução. Cortamos os laços entre filho e pai, entre homem e homem, entre mulher e homem. Ninguém mais ousa confiar na esposa, no filho ou no amigo. Mas no futuro não haverá esposas nem amigos. As crianças serão tiradas das mães ao nascer, como se tiram os ovos da galinha. O instinto sexual será extirpado. A procriação será uma formalidade anual como a renovação de um talão de racionamento. Aboliremos o orgasmo. Nossos neurologistas estão trabalhando nisso. Não haverá nem arte, nem literatura, nem ciência.(...) Mas sempre... não te esqueças, Winston... sempre haverá a embriaguez do poder, constantemente crescendo e constantemente se tornando mais sutil. Sempre, a todo momento, haverá o gozo da vitória, a sensação do pisar um inimigo inerme. Se queres uma imagem do futuro, pensa sempre numa bota pisando um rosto humano — para sempre".
Para manter ad aeternum este poder, os tecnocratas de Oceania utilizam instrumentos simples e eficazes, ao alcance de qualquer ditador contemporâneo:
— a vigilância permanente, através de um aparelho emissor-receptor de TV, o olho onipresente do Grande Irmão. Permanentemente ligada, transmite o tempo todo propaganda estatal, enquanto ao mesmo tempo vigia o espectador involuntário.
— a destruição do passado, mediante o recurso elementar de controlar o registro da História, reescrever documentos e jornais, eliminar qualquer possibilidade de memória.
a criação de um novo vocabulário, a Novilíngua, ou melhor, a redução sistemática do acervo vocabular então existente. O discurso se reduz a slogans, o que permite dizer: guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força. As palavras se transformam em siglas, não temos mais socialismo inglês, mas Ingsoc. A palavra é substituída por módulos. Em vez de mau, temos inbom. Uma pessoa que desapareceu não é uma pessoa que desapareceu, é uma impessoa. Nunca existiu.
— a aniquilação imediata, através de uma eficiente polícia política, de toda e qualquer oposição ao sistema.
Objetivo final desta filosofia: a eliminação total daquilo que se convencionou chamar um ser humano.
Se és homem, Winston, és o último homem. Tua raça está extinta. Nós somos os herdeiros. Entendes que estás sozinho? Estás fora da história, tu és não existente". Mas o mais profético da obra de Orwell é certamente o newspeak. Ou novilígua. Eliminar palavras antigas e conferir-lhe nova forma e novo significado. É o que estamos vendo, em todos os países do Ocidente, através do politicamente correto.
Comentava ontem a nova mania na Alemanha, que pretende eliminar da literatura a palavra negro. Comentei ainda há pouco o ousado passo dos suecos, que pretendem eliminar da escola os pronomes ele e ela. Em Estocolmo, a pré-escola proíbe que crianças sejam tratadas como meninos e meninas. Em conformidade com um currículo escolar nacional que busca combater a "estereotipação" dos papéis sexuais, uma pré-escola do distrito de Södermalm, da cidade de Estocolmo, incorporou uma pedagogia sexualmente neutra que elimina completamente todas as referências aos sexos masculino e feminino. Os professores e funcionários da pré-escola Egalia evitam usar palavras como "ele" ou "ela" e em vez disso se dirigem aos mais de 30 meninos e meninas, de idades variando entre 1 e 6 anos, como "amigos".
O han e o hon (ele e ela), foram trocados pelo pronome neutro hen, palavra que não existe nos dicionários. Mas tampouco é nova. Foi proposta por Hans Karlgren em 1994. Mas já havia sido aventada por Rolf Dunas, no Upsala Nya Tidning, em 1966. Nesta proposta, hen era apresentado como substituição a han e hon e mais: henom substituiria henne/honom (dele/dela). A palavra parece ter sido inspirada no finlandês hän.
Chez nous, temos a homoafetividade e o poliamor. Homossexualismo já era. Agora vige homoafetividade. A velha poligamia morreu. Viva o poliamor. Negro é insulto. O correto agora é afrodescendente. (Como se não fôssemos todos afrodescendentes). Para o PT não existem mais crimes. Mas malfeitos.
O idioma fictício criado por Orwell só podia existir em um Estado totalitário, que controla inclusive a História, reescrevendo livros e jornais. Em 2013, estamos em pleno 1984 orwelliano. Removendo-se a palavra ou um de seus sentidos, as pessoas não podem se referir a algo. Logo, este algo não existe mais. Controlando a linguagem, o governo controla o pensamento. 
Alguns conceitos da novilíngua:
Duplipensar - Duplo pensamento, duplicidade de pensamentos, saber que está errado e se convencer que esta certo. "Inconsciência é ortodoxia".
Crimidéia - Crime ideológico, pensamentos ilegais.
Impessoa - Uma pessoa que não existe mais, e todas as referências a ela devem ser apagadas dos registros históricos.
Crimideter – Segundo Orwell, "faculdade de deter, de paralisar, como por instinto, no limiar, qualquer pensamento perigoso. Inclui o poder de não perceber analogias, de não conseguir observar erros de lógica, de não compreender os argumentos mais simples e hostis ao Ingsoc, e de se aborrecer ou enojar por qualquer trem de pensamentos que possa tomar rumo herético." - Como descrito pelo próprio autor no livro.
Negrobranco - A palavrinha tem dois sentidos mutuamente opostos. Quando é aplicada a um adversário, é o hábito de se afirmar que o negro é branco, apesar dos fatos evidentes. Quando aplicada a um membro do Partido, simboliza a lealdade de afirmar que preto é branco, se isso for exigido pelo Partido. Também significa acreditar que o preto é branco, ou até mais, saber que o preto é branco, e acreditar que jamais foi o contrário. 
Daí a afirmar que guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força, basta apenas um passo. 
Qualquer semelhança não é mera coincidência. O curioso é que a novilíngua contemporânea não é imposição de um Estado totalitário, mas de grupos de pressão vivendo em Estados democráticos. É a universidade, o mundo editorial e a imprensa que o impõem. 
Os jornais escrevem catilinárias contra o politicamente correto. Mas ai do jornalista que, na hora de publicar, não seja politicamente correto. Morto o comunismo, as democracias estão sendo sapadas desde dentro. É como se as viúvas do Kremlin, não mais dispondo de um instrumento para exercer sua tirania, pretendessem exercê-la sem o suporte do Estado. 
Se colar, colou. O pior é que está colando.
Fonte:  Janer Cristaldo
COMENTO:  há muito instala-se "neçepaíz" a "petralíngua" onde recursos irregulares ou ilegais são "verbas não contabilizadas"; bandidos que pretendiam transformar o Brasil em uma imensa Cuba são "lutadores pela liberdade"; sistemas de câmeras de vigilância, "chips" de controle e localização de pessoas e automóveis, além de aparelhos de televisão que entopem os cérebros das pessoas de "cultura concebida nos estúdios" (noticiários, novelas e talk-shows — nem vou citar os reality-shows — que só mostram futilidades) substituem o olho do Grande Irmão vigiando e controlando atos e pensamentos. E em Banânia, uma Comissão da Verdade busca reescrever a História recente do país, invertendo valores dos atores da luta ocorrida entre terroristas e servidores que, cumprindo ordens e os sagrados juramentos feitos com base em suas honras, evitaram a queda do país em mãos de malucos seguidores de uma ideologia fracassada, que ainda teimam em não ver sua idiotice.
.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quem Manda na América Latrina



E, se extrapolarmos a América Latrina, temos que na Coréia do Norte, quem manda é o "cumpanhêru" filho do morto!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Novidades de Ano Novo

.
Folga! Descanso total! Tramandaí-Sul, sem acesso à rede mundial e com televisão limitada à rede Globo, a qual me recuso a dar audiência, me dou ao trabalho a cada três ou quatro dias de comprar um jornal para não ficar totalmente desconectado do mundo. 
Para não perder a oportunidade, relaciono alguns fatos que me chamaram a atenção:
.
1. No final da semana passada, ou retrasada, um deputado federal ficou retido nas eternas obras da BR-101 no sul de Santa Catarina e, indignado teria contatado o Ministério dos Transportes cobrando providências. Muito bacana a atitude do cretino se desconsiderarmos o fato de que há décadas se repetem os problemas de transito entre Florianópolis e Torres, agravados no verão, em função das obras que nunca chegam a seu término. O deputado idiota manifesta sua incompetência ao mostrar que desconhece tal problema. E está no seu segundo ou terceiro (quem sabe quarto) mandato. Mostra, também, seu lado aderente ao marketing. Um deputado federal mostrar sua indignação ao servidor que supostamente o atendeu em um domingo (talvez um vigilante do prédio???) até se entende. Mas divulgar o fato à imprensa é uma clara forma de forçar uma demonstração de basbaquice transfigurada em interesse. É claro que o problema não será resolvido tão cedo. E nas próximas viagens, o faceiro parlamentar fará uso do jatinho ou helicóptero de algum empresário amigo. E o povão voltará a votar nesse inútil!

.
2. O presidente venezuelano Hugo Chaves iniciou mais um mandato desde Cuba onde encontra-se hospitalizado e, acredita-se, em recuperação. Enquanto encontra-se fora do país, este vai sendo dirigido pelo vice presidente Nicolás Maduro. Não tenho simpatia alguma pelos governantes venezuelanos que se dizem bolivarianos (que Simón Bolívar os perdoe), mas li alguns brasileiros questionando a legitimidade de tal procedimento, taxando-o de golpe. Demonstram a péssima memória política brasileira ao fingirem não lembrar o último  golpe político brasileiro, proporcionado pelo general Leônidas ao legitimar a posse do vice presidente de Tancredo Neves, o imperador do Maranhão, ou da "sarneilândia". As críticas brasileiras bem exemplificam o ditado sobre "o roto falando mal do esfarrapado".

.
3. E o franceses, cujo atual presidente, socialista diga-se de passagem, que se elegeu prometendo, e cumprindo a promessa, de retirar os militares franceses da ratoeira do Afeganistão, resolveu mobilizar 2500 militares e enviá-los ao Mali para combater rebeldes islâmicos que ameaçam o governo daquele país africano. O envio de jovens para lutar, e possivelmente morrer, defendendo os interesses nacionais nem sempre é uma atitude bem vista pela população de qualquer país. Particularmente quando esses jovens começam a retornar em esquifes. A foto de Eric Fefeberg da AFP me retirou qualquer dúvida quanto à corajosa decisão francesa de enviar militares para intervir em uma luta externa. Ao olharmos com um pouco de atenção, verificamos que o biotipo dos soldados fotografados não são o que se espera da espécie gaulesa. E ao olharmos para o distintivo que ostentam orgulhosamente com as cores da bandeira francesa, notamos, encimando-o, o dístico cinzento: "Légion Étrangère". 

Afinal, mercenários estrangeiros são para isso! Fossem funcionários da capitalista Blackwather e a gritaria seria ensurdecedora!
É melhor parar de ler jornais também e retornar ao meu isolamento da civilização!
.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Respeito e Preconceito

por Arlindo Montenegro
Quando leio ou ouço que os judeus “são o povo escolhido de Deus”, sinto comiseração dos não judeus, tratados pelos sionistas como “goyins”. Isto é, discriminados. Reduzindo tudo à expressão mais simples, é difícil conceber que a deidade suprema, que a mente de todos os povos imagina, (salvo os ateus), com vários nomes, atribuindo-lhe diversas feições de animais racionais e irracionais, seria capaz de desprezar a maioria e eleger um grupo minoritário como “escolhido”. Escolhido para quê? 
Aproximadamente cinco sextas partes (Antigo Testamento) da Bíblia, manual da doutrina cristã, adota os textos fundamentais do judaísmo. O texto atual foi traduzido, interpretado e reescrito diversas vezes depois que o Mestre (judeu) Jesus foi condenado e crucificado com a anuência dos mesmos sacerdotes do judaísmo. Aqueles religiosos que compartiam o poder com o Império Romano, temiam, talvez, a força do amor e do perdão presentes no ensinamento do compatriota que condenaram.
São passados mais de dois milênios. A força do cristianismo mobilizou uma civilização espalhando-se pela terra. O conteúdo doutrinário, a ética e a moral contida na história dos hebreus, permeia a fé cristã, tanto quanto a fé judaica, que desconhece os ensinamentos cristãos contidos no Novo Testamento. Somente há menos de um século, o povo judeu que também se espalhou sobre o planeta, conservando seus símbolos, ritos e idioma, suas tradições culturais, teve a oportunidade de ser acolhido numa faixa de terra para reunir-se como nação em território próprio.
Para construir suas cidades e fazer florescer o deserto, o novo Estado de Israel recebeu os gordos “dízimos” de todos os compatriotas ricos ou pobres, estabelecidos em todos os continentes, ocupando postos de destaque nas mais sólidas instituições, na indústria, no comércio, no governo, nas escolas, na mídia. É um povo internacionalista por excelência, influente por excelência. Mas seu ponto de referência é Israel, que rapidamente se tornou uma potência militar, aliada aos EUA.
Logo o governo de Israel decidiu por uma expansão territorial. E a ONU mandou “tropas de paz”, os boinas azuis, recrutando militares da ativa de vários países, do Brasil inclusive, para guarnecer a “Faixa de Gaza”, garantindo novas fronteiras e transformando os agredidos em agressores. Não obstante os encontros de cúpula, não obstante o formidável arsenal e eficácia da inteligência e das forças armadas de Israel, as agressões entre os beligerantes parece não ter fim.
Com exceção das perseguições, torturas e morte de milhões, que sofreram durante a ocupação da Europa pelas tropas nazistas, estiveram presentes e foram bem recebidos em todas as latitudes. Inclusive e especialmente na Rússia Soviética, onde participaram do governo desde o primeiro momento. Foi o mesmo Exército Vermelho quem treinou tropas de Hitler por ordem de Stalin. O “exército do povo”, que foi organizado por Trotsky, o judeu que seria sucessor de Lenin, motivo porque Stalin o expatriou, perseguiu pelo mundo e mandou matar no México.
O estado soviético contava no seu começo com 17 judeus entre os 22 Comissários do Povo da equipe de Lenin. “A Questão Judia” publicada em Paris, em 1931, divulgou a presença de 33 judeus entre os 43 Comissários de Guerra; nas Finanças eram 24 dos 30 Comissários; na Justiça, 20 dos 21; eram 7 entre os 8 Comissários do Trabalho; na Assistência Social, 100%; na Educação também estavam em maioria, mais de 79%; no jornalismo, 100 %.
Entre os internacionalistas do comando globalitário atual a presença judaica é bem conhecida. Foi o mesmo Rothschild, que tem nome de rua em Telaviv, quem organizou o sistema financeiro que submete todas as nações, além de financiar ambos os lados das guerras napoleônicas, I e II guerras mundiais e outras menores, submetendo como devedores dos bancos, príncipes e nações. Parece até que há um grupo cumprindo à risca toda a orientação descrita nos “Protocolos dos sábios de Sião”, cuja autoria negam de pés juntos.
Como em todas as culturas, como em todas as religiões, como entre os nacionais de cada canto do planeta, existem representantes e seguidores da cultura doutrinária coletivista do globalismo, controlando as finanças e influindo nas decisões de governo e instituições. Judeus existem constituindo famílias com “goyins”. Judeus existem que preservam valores das nações onde nasceram. Brasileiros existem que veneram e defendem Cuba, a Venezuela, a Rússia, a China e desprezam os valores e a cultura tradicional da pátria.
Tudo que foi grafado acima é menos importante se se entende que as pessoas de qualquer origem, cor ou credo, merecem respeito; que os construtores da riqueza, em todos os quadrantes são obrigadas a mandar seus filhos para escolas que os treinam para desenvolver preconceitos, ódios, racismos e finalmente para mandá-los matar e morrer, iludidos com pseudo ideais, com fanatismos, presas da mais infame manipulação exercida pelo núcleo tradicional do poder coletivista global.
Queiramos ou não, apaches ou tupiniquins, judeus ou zulus, americanos, africanos, asiáticos, nascidos em cavernas ou metrópoles, brancos, pretos, amarelos ou vermelhos, somos semelhantes, habitantes do mesmo planeta em forma transitória, não importam os patronímicos. A vida é um bem comum e temos o dever primeiro de cuidar e protegê-la.
Arlindo Montenegro é Apicultor.
Fonte:  Alerta Total
COMENTO: (ATUALIZAÇÃO DE POSTAGEM) é interessante o fato de algumas pessoas demonstrarem um conhecimento "além de sua época". Acredito que o hábito de serem bons leitores ajudam a aquisição dessa característica. Além disso, as experiências de vida facilitam a visão das coisas que a maioria das pessoas não percebem. Sempre admirei os escritos de Arlindo Montenegro, e tinha a curiosidade de saber mais a respeito dessa pessoa. Isto foi esclarecido em março de 2022, por ocasião do falecimento de José Anselmo dos Santos, o famoso "Cabo Anselmo", quando o jornalista Jorge Serrão revelou que Arlindo Montenegro era um nome fictício que José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, usava para publicar seus textos no blog do amigo que o apoiava.  
https://jovempan.com.br/jorge-serrao/a-morte-do-cabo-anselmo-o-homem-que-nao-existiu.html

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Superpoder da FUNAI

por Ernesto Caruso 
Poder-se-ia dizer, impatriótico, desastrado e desumano. Impatriótico porque as suas ações solapam as bases da unidade nacional historicamente definida e consolidada como nação e Estado brasileiro; desenho político definido por tratados, sem os quistos raciais ultimamente implementados por governantes a serviço dos ditames externos, ingênua ou maquiavelicamente designados como nações indígenas. 
Desastrado, pois anulam a atividade produtiva de onde brotam o sustento e a sobrevivência das famílias de origem indígena ou não, carentes de outros meios de subsistência, como na criação da reserva Raposa Serra do Sol e o processo de desintrusão dos arrozeiros. Repete-se tal ato politicamente incorreto no distrito de Estrela do Araguaia, MT, na expulsão de sete mil habitantes da área de Suiá Missu; são 165 mil hectares para 150 índios, aos quais foram oferecidos 230 mil hectares no Parque Araguaia. Mas, os silvícolas não querem a floresta querem é fazenda, terra formada pelo trabalho e capital dos que lá estão há 30, 40 anos. Conflitos entre índios e brancos agora revividos que só víamos nos filmes americanos, com a diferença de que nossos brancos — grande parte — têm sangue de índio e negro.
Desumano, pois negam o progresso aos índios que não aceitam mais a vida contemplativa na natureza, a caçar, pescar ou nadar nos rios. Querem partilhar do bem-estar proporcionado aos demais viventes, com assistência médica, moradia, televisão, luz elétrica, educação, trabalho. Ao longo de tantos anos integraram-se às sociedades decorrentes das ondas migratórias, para mais recentemente o grupo dos “direitos humanos” confiná-los nas matas do jardim zoológico, verde-amarelo não por muito tempo. 
A FUNAI existe desde 5/12/1967 (Lei 5.371), que, entre outros, tem por princípios: garantia à posse permanente das terras que habitam, resguardo à aculturação espontânea do índio, de forma a que sua evolução sócio-econômica se processe a salvo de mudanças bruscas, promover a educação de base apropriada do índio visando à sua progressiva integração na sociedade nacional. 
O Estatuto do Índio foi aprovado pela Lei 6.001, de 19/12/73, que no Art. 1º confere “o propósito de preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmoniosamente, à comunhão nacional.” Que forma harmoniosa é essa, posta em prática pelo governo central? Vemos conflitos e não paz; raiva entre índios e não índios, palavras de rancor e de guerra, “vamos ficar na terra até a morte”. A refletir: Quanta terra dispõe este país para acomodar a sua gente! Para a reforma agrária que está hibernando, a mando de quem? Idem para os silvícolas, que têm a opção de se manterem isolados, em vias de integração ou integrados. Se na vida nativa, a floresta é o meio. Se lá não habita, é um direito/dever de se enquadrar como os demais cidadãos.
Não obstante, a Lei de 1967 e o Estatuto de 73, aprovados na fase do regime militar (64/85), rotulado de “entreguista” pela esquerda revolucionária e simpatizantes, foram os governos de Collor, FHC e Lula/Dilma que decretaram as maiores reservas. Reserva Ianomâmi (9,5 milhões de hectares), Raposa Serra do Sol (1,7 milhão de hectares), Trombetas Mapuera (4 milhões, como o estado do Espírito Santo). Juntando todas, a área protegida tem mais de 100 milhões de hectares, 13% do território brasileiro. Conflitos e violência presentes, intranquilidade e ingerência de entidades e próceres estrangeiros nas questões nacionais.
Uma retaliação do território sem a participação do Congresso Nacional, baseada no relatório de um antropólogo nomeado pela FUNAI, complementado pelo trabalho de um grupo técnico desse órgão, submetido à aprovação da presidência do mesmo órgão, publicado para contestações se houver e, encaminhado ao ministro da Justiça que o aprova e publica portaria para a sua demarcação e ao fim, a homologação por decreto do Presidente da República. Questão de magna importância à decisão de poucos!
Se encontrarem as ossadas de Arariboia em Niterói/RJ, vai ser um problema dispor de espaços onde não existam ossos dos brasileiros primitivos para alojar os não índios vivos.
A legislação precisa evoluir, silvícola integrado à comunhão nacional, tem carteira de trabalho assinada, mora nas cidades, frequenta escola, tem assistência médica pelo SUS, precisa ter carteira de identidade como qualquer brasileiro. 
Ernesto Caruso é Coronel Reformado do EB.
Fonte:  Alerta Total
.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Roubar Pelo Povo

por Carlos Alberto Sardenberg
Intelectuais ligados ao PT estão flertando com uma nova tese para lidar com o mensalão e outros episódios do tipo: seria inevitável, e até mesmo necessário, roubar para fazer um bom governo popular. 
Trata-se de uma clara resposta ao peso dos fatos. Tirante os condenados, seus amigos dedicados e os xiitas, ninguém com um mínimo de tirocínio sente-se confortável com aquela história da “farsa da mídia e do Judiciário”. 
Se, ao contrário, está provado que o dinheiro público foi roubado e que apoios políticos foram comprados, com dinheiro público, restam duas opções: ou desembarcar de um projeto heroico que virou bandidagem ou, bem, aderir à tese de que todo governo rouba, mas os de esquerda roubam menos e o fazem para incluir os pobres. 
Vimos duas manifestações recentes dessa suposta nova teoria. Na “Folha”, Fernanda Torres, em defesa de José Dirceu, buscou inspiração em Shakespeare para especular: talvez seja impossível governar sem violar a lei. 
No “Valor”, Renato Janine Ribeiro escreveu duas colunas para concluir: comunistas revolucionários não roubam; esquerdistas reformistas roubam quando chegam ao governo, mas “talvez” tenham de fazer isso para garantir as políticas de inclusão social. 
Tirante a falsa sofisticação teórica, trata-se da atualização de coisa muito velha. Sim, o leitor adivinhou: o pessoal está recuperando o “rouba mas faz”, criado pelos ademaristas nos anos 50. Agora é o “rouba mas distribui”. 
Nem é tão surpreendente assim. Ainda no período eleitoral recente, Marilena Chauí havia colocado Maluf no rol dos prefeitos paulistanos realizadores de obras, no grupo de Faria Lima, e fora da turma dos ladrões. 
Fica assim, pois: José Dirceu não é corrupto, nem quadrilheiro — mas participou da corrupção e da quadrilha porque, se não o fizesse, não haveria como aplicar o programa popular do PT. 
Como se chega a esse incrível quebra-galho teórico? Fernanda Torres oferece uma pista quando comenta que o PT se toma como o partido do povo brasileiro. Ora, segue-se, se as elites são um bando de ladrões agindo contra o povo, qual o problema de roubar “a favor do povo”? 
Renato Janine Ribeiro trabalha na mesma tese, acrescentando casos de governos de esquerda bem-sucedidos, e corruptos. Não fica claro se são bem-sucedidos “apesar” de corruptos ou, ao contrário, por serem corruptos. Mas é para esta ultima tese que o autor se inclina. 
Não faz sentido, claro. Começa que não é verdade que todo governo conservador é contra o povo e corrupto. Thatcher e Reagan, exemplos máximos da direita, não roubavam e trouxeram grande prosperidade e bem-estar a seus povos. 
Aqui entre nós, e para ir fundo, Castello Branco e Médici também não roubavam e suas administrações trouxeram crescimento e renda. 
Por outro lado, o PT não é o povo. Representa parte do povo, a majoritária nas últimas três eleições presidenciais. Mas, atenção, jamais ganhou no primeiro turno e os adversários sempre fizeram ao menos 40%. E no primeiro turno de 2010, Serra e Marina fizeram 53% dos votos. 
Por isso, nas democracias o governo não pode tudo, tem que respeitar a minoria e isso se faz pelo respeito às leis, que incluem a proibição de roubar. E pelo respeito à opinião pública, expressa, entre outros meios, pela imprensa livre. 
Por não tolerar essas limitações, os partidos autoritários, à direita e à esquerda, impõem ou tentam impor ditaduras, explícitas ou disfarçadas. Acham que, por serem a expressão legítima do povo, podem tudo. Assim, caímos de novo em velha tese: os fins justificam os meios, roubar e assassinar. 
Renato Janine Ribeiro diz que os regimes comunistas cometeram o pecado da extrema violência física, eliminando milhões de pessoas. Mas eram eticamente puros, sustenta: gostavam de limusines e dachas, mas não colocavam dinheiro público no bolso. (A propósito, anotem aí: isto é uma prévia para uma eventual defesa de Lula, quando começam a aparecer sinais de que o ex-presidente e sua família abusaram de mordomias mais do que se sabe). 
Quanto aos comunistas, dizemos nós, não eram “puros” por virtude, mas por impossibilidade. Não havia propriedade privada, de maneira que os corruptos não tinham como construir patrimônios pessoais. Roubavam dinheiro de bolso e se reservavam parte do aparelho do estado, enquanto o povo que representavam passava fome. Puros? 
Reparem: na China, misto de comunismo e capitalismo, os líderes e suas famílias amealharam, sim, grandes fortunas pessoais. 
Voltando ao nosso caso brasileiro, vamos falar francamente: ninguém precisa ser ladrão de dinheiro público para distribuir Bolsa Família e aumentar o salário mínimo. 
Querem tudo?
Dilma consegue aprovar a MP que garante uma queda na conta de luz.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico diz que haverá mais apagões porque não há como evitá-los sem investimentos que exigiriam tarifas mais caras. Ou seja, a conta será mais barata, em compensação vai faltar luz. 
Carlos Alberto Sardenberg é jornalista
Fonte:  O Globo
.

domingo, 6 de janeiro de 2013

As FFAA e sua Credibilidade Junto à População

por José Geraldo Pimentel
Antes das eleições de outubro último, eu tinha definido como meu candidato preferencial à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro o nome do prefeito Eduardo Paes, que disputava a reeleição. Não tinha candidato à vereador. Numa tarde olhando um outdoor, vi a foto de um pastor conhecido ao qual devotava certa admiração. Imaginei que o mesmo fosse candidato. “Seria um bom nome!” Imaginei. Não demorava e acessava na Internet um vídeo em que o pastor tecia críticas ao ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao tempo que admitia que ele era um ‘estadista’. Aí caiu a ficha! Dizer que um marginal que não governou o país, levando a maior parte do tempo em viagens pelo exterior, sempre aparecendo ao lado dos piores governantes, ditadores, quer de direita ou de esquerda, mas sempre indivíduos sem caráter, que confundia o público com o privado, é um estadista! Eu exclui o seu nome de minha relação de candidatos à vereança da cidade.
É assim que não apenas uma esmagadora maioria de pessoas desinformadas, desempregada, assistida por programas sociais  bolsa-família, cotas para analfabetos funcionais entrarem na faculdade, e outras benesses usadas como meios de atrair os menos favorecidos com a sorte  mas pessoas bem postas na vida, mas de caráter duvidoso, acreditam que o ex presidente Lula foi realmente um ‘estadista’! Governar sem conhecimento de causa, apenas delegando poderes à qualquer indivíduo indicado por partidos que lhe davam sustentação política, não confere a um político o status de um bom governante. Nunca na história do país se roubou tanto quanto na era comuno-petista do ex presidente Lula. Ele dava migalhas para um miserável, menos do que um quinto do salário mínimo, e declarava que fazia inclusão social com o seu programa assistencialista. Morrer na porta de um hospital, ter o pior ensino, morar em favelas, não contava na sua parca e desumana imaginação. Aos miseráveis as migalhas. Aos poderosos o lucro fácil! A ocupação das repartições públicas com amigos e seguidores de seu partido; estes, sim, recebendo salários dignos!
Adoradores do capo tupiniquim existem em todos os seguimentos da sociedade. E não apenas políticos, ex sindicalistas, dirigentes de uniões estudantis, intelectuais e artistas de esquerda, empresários espertos que sobrevivem de obras superfaturadas, onde jorra dinheiro para amaciar as mãos dos que lhes favorecem as concorrências públicas fraudulentas, imprensa corrupta que divulga mentiras, reescrevendo a história do país, e, pasmem os menos informados: uma parcela grande de militares, a sua maioria em altos cargos de comando nas Forças Armadas. Esses são os piores adesistas, porquanto traem a confiança da população, que de uma maneira ou de outra, ainda dá um credito de confiança na instituição militar, colocando-a no topo das que merecem mais credibilidade. A última pesquisa realizada pela FGV deu um índice de 75% de aprovação da população às FFAA brasileiras. A instituição com o maior índice de aprovação.
A instituição é perene e não se deixa corromper, mesmo quando é comandada por um monte de ratos, covardes, bajuladores; que trocados por merda, o escambo fica devendo.
Aí se pergunta. O Brasil tem jeito? Tem. Quando a população acordar de sua letargia, quando tiver levado a um paredão, ou enforcado em praça pública a maioria dos bandidos que estão infelicitando a nação, neste momento se ouvirá o tilintar das espadas sendo desembainhadas, e colocadas à serviço da nação. Veremos, então, que as FFAA não são “um instrumento do Estado brasileiro à serviço do governo eleito democraticamente!” como declarou um colaboracionista, comandante militar de uma grande unidade. Só na cabeça de um vendido, poderia ocorrer tamanha insensatez mental.
Adesistas de primeira ordem são capazes de vender a alma ao diabo e pisar o pescoço da própria mãe para se darem bem na vida. Muitas dessas criaturas estão encasteladas em cargos de comandantes das FFAA, comandantes de grandes unidades e departamentos militares. Viraram as costas para “aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia”. Dizem sem a menor cerimônia: “O Exército não vai fazer nada!” 
Mas o reino desses infiéis está próximo de chegar ao fim. A presidente da República estuda a substituição dos atuais comandantes militares, ‘por fadiga na função e desgaste junto à tropa!’.
É aquela história que venho repetindo, um chefe militar atuante, respeitado pela tropa, é mais útil à governabilidade do que um comandante militar submisso, covarde e bajulador. Esses senhores quando a coisa fica preta, mudam de lado, e deixam quem estiver acima na mão. Homens honrados, não traem seus superiores!
Está mais do que na hora de fazer uma limpeza étnica na instituição militar!
Fonte:  Alerta Total
.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Velho Safado Rides Again

por Janer Cristaldo
Nosso mundinho está cheio de madalenas arrependidas, que pecaram com gosto durante a juventude e querem redimir-se em idade provecta. Em dezembro passado, Fernando Gabeira lançou Onde está tudo aquilo agora?, onde canta seu “difuso desejo de liberdade". Segundo Gabriel Manzano, redator do Estadão, se O que é isso, companheiro?, lançado há 33 anos, era um balanço de sua breve militância na luta armada, constituída por um sequestro, uma prisão e um exílio, este novo livro abre o olhar para cinco décadas de uma vida agitada, iniciada ainda jovem em Juiz de Fora (MG) com "um difuso desejo de liberdade". Atravessa o jornalismo, a rebeldia, o exílio, a causa ecológica, o PT e o PV mais 16 anos como deputado e candidato, para terminar com a pergunta do título.
No Facebook já pipocam postagens louvando a honestidade do autor. Neste país sem memória, é espantoso ver como velhas prostitutas se transformam em vestais da noite para o dia, bastando para isso mentir com convicção. Eu também não li o livro, mas tenho não poucas informações sobre o autor.
Fernando Gabeira, velho bolche e ex-terrorista, ganhou uma aura de ilibada reputação após ter renunciado a seus delírios de jovem. Mas a mim jamais convenceu. Gabeira, se alguém não mais lembra, militava no movimento terrorista MR-8, responsável pelo sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969. É um dos responsáveis pela sobrevida política dessa excrescência chamada José Dirceu. Após o sequestro, Gabeira foi fazer turismo ideológico em Cuba, foi depois para o para o Chile e acabou caindo na social-democracia sueca, onde, ao que tudo indica, tornou-se mais cordato.
Mas nada justifica seu passado. O sequestro do embaixador ocorreu no final dos anos 60. Gabeira era jornalista e, por uma questão de ofício, pessoa bem informada. Ao aderir a um movimento stalinista, já era grandinho suficientemente para ter plena consciência das purgas de Stalin nos anos 30, dos gulags, do affaire Kravchenko, das denúncias de Kruschov no XX Congresso do PCUS, em 1956. Se optou pelo terrorismo, não foi por falta de informação.
Em 2008, ao ter notícias das bolsas-ditadura recebidas por Ziraldo e Jaguar — isso sem falar nas milhares de outras — Gabeira deitou verbo contra os dois vigaristas do Pasquim. Em 6 de maio do mesmo ano, a Folha de São Paulo noticiava que seria julgado no dia seguinte, pela tal de Comissão de Anistia do Ministério da Justiça um pedido seu para que a União considerasse o tempo em que foi exilado, na época da ditadura militar, para efeitos de aposentadoria.
Segundo o noticiário, de 2002 para cá, quando foi sancionada a Lei de Anistia a perseguidos políticos, o governo brasileiro autorizou o pagamento de R$ 2,4 bilhões em indenizações em 25.013 pedidos feitos à comissão, na época. A média das indenizações pagas em prestações únicas era de R$ 59.004,46. As indenizações pagas em prestações continuadas eram de R$ 3.653,00. Quem paga tudo isto? Eu, você, nós contribuintes, que nunca pegamos em armas para praticar terrorismo.
Gabeira, entusiasmado com o dinheiro fácil das bolsas-terrorismo, deixou cair a máscara de neo-impoluto e mostrou ao que vinha. Afirmou não ter condições de demonstrar no que trabalhou. “Eu pedi para contarem, para efeito de aposentadoria, os anos que passei no exílio. Foram nove anos. Não tenho condições de demonstrar claramente que eu trabalhei. Os dois jornais em que trabalhei, o Binômio e o Panfleto, foram empastelados. O Diário da Noite e o Última Hora fecharam. Para pedir aposentadoria, preciso disso”.
Gabeira, o impoluto, queria indenização pelos dias bem vividos no paraíso social-democrata. Se a moda pega, todo lavador de pratos que saiu do Brasil naqueles anos vai querer o seu. Por outro lado, as novas gerações serão imbuídas da consciência de que investir em terrorismo sempre garante uma velhice tranquila. Como disse Millôr Fernandes. "A luta armada não deu certo e eles agora pedem indenização? Então, eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento".
Lula tem a fama de ser o Teflon da política brasileira. Nele nada gruda, nem os escândalos que avaliza, nem as bobagens que profere. Mas pelo menos recebeu a comenda por parte da imprensa. Não é, no entanto, o único em quem nada gruda na política nacional. Por mais alta que seja sua aprovação entre os eleitores, nunca conseguiu erguer-se à condição de reserva moral da nação. Fernando Gabeira sim. Nenhuma das besteiras que cometeu em sua vida — nem seu passado terrorista, nem seu requerimento da bolsa-ditadura, nem as viagens de sua família com dinheiro do contribuinte — gruda em seu nome. Pelo contrário, continua sendo visto como um dos raros exemplos de honestidade no universo político tupiniquim.
Em 17 de julho de 2009, escrevia Fernando Gabeira na Folha de São Paulo:
“Há uma dezena de deputados dispostos a enfrentar o PMDB, aliados e a combatividade da estrela vermelha. Aliás, voltei ao Salão Verde, pensando nela. A estrela vermelha para mim não tem sentido. Eu a vi nos tanques sérvios que atiravam nos civis e em nós, repórteres. Agarrados à estrela vermelha, perpetraram crimes horrendos sob o título de limpeza étnica”.
Quem o lê, pode até imaginar que o bravo deputado esteve algum dia nalgum front. Já contei como foi a cobertura de Gabeira. Sinto-me obrigado a contar de novo.
Guerra da Iugoslávia, 1991, nos dias de independência da Croácia. Eu trabalhava na editoria de Internacional da Folha de S. Paulo. Gabeira, nosso correspondente responsável pelo Leste europeu mandava suas matérias de Berlim, que isso de cobrir guerras no front é muito arriscado. Por volta das três horas da tarde, começava a enviar seus despachos, a partir do noticiário dos jornais da manhã. Isto é, os jornais haviam sido redigidos ontem, os fatos ocorridos anteontem e o leitor brasileiro os leria amanhã, com pelo menos três dias de atraso. As agências noticiosas, mais ágeis, nos enviavam notícias fresquinhas. A nós, redatores, cabia substituir o lead da reportagem por material mais quente. Lá pelas cinco da tarde, o despacho enviado caíra para o pé do texto. Quando o correspondente informava que os iugoslavos planejavam um ataque, nós já tínhamos os alvos destruídos e os aviões de volta às bases.
A cobertura da guerra, em verdade, era feita da redação na Alameda Barão de Limeira, em São Paulo. Que, de certa forma, estava mais próxima dos fatos que o correspondente na Alemanha. O texto todo era redigido na redação. Começávamos a atualizar a matéria pelo lead e Gabeira ia descendo rumo ao pé. Muitas vezes não sobrava sequer uma linha do despacho original. Mas a matéria saía assinada por Fernando Gabeira, "enviado especial".
Como era feita esta cobertura? O redator recebia um punhado de despachos, que iam sendo renovados a toda hora pelo boy que os retirava do telex. (Eram ainda os dias do telex). Havia matérias quentes das agências, que tinham seus correspondentes no campo de batalha, reportagens frias que davam o clima local, análises de especialistas e informes sobre a repercussão dos fatos nas diferentes capitais do mundo. Cabia ao redator juntar todos esses relatos e criar uma história coerente. Fossem os textos assinados ou não, os fragmentos aproveitados pelo redator eram todos atribuídos ao “correspondente de guerra”, comodamente instalado em Berlim.
A segunda edição do jornal, a que circularia no dia seguinte apenas em São Paulo (na cidade), era fechada lá pela 01h da manhã. Como os redatores da Internacional eram ágeis, o leitor paulistano pelo menos tinha uma visão muito atualizada da guerra, graças ao intrépido correspondente Fernando Gabeira. Ocorre que o texto que chegava ao leitor não era de Gabeira. Era nosso.
Gabeira deveria sentir-se muito surpreso se lesse sua matéria publicada, falando de fatos dos quais ele, o suposto autor do texto, nunca ouvira falar. Mas nunca reclamou, como seria de se esperar de um jornalista honesto.
Pelo jeito, de tanto assinar artigos que não escrevia, acabou acreditando que esteve no front. “Tanques sérvios que atiravam nos civis e em nós, repórteres”. Heroico, o deputado! Pena que só viu tanques sérvios pela televisão. Vai ver que se sentiu ameaçado em seu sofá, pelos canhões que avançavam na tela.
Em 19 de maio de 2010, a Agência Estado noticiava que Gabeira, então candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, reagiu com indignação às declarações feitas pela ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy sobre a sua atuação no sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. "Esse sim sequestrou", disse a petista, afirmando que caberia à Gabeira a incumbência de matar o embaixador.
A vestal do PV reagiu indignada: "Ela está equivocada, está inventando coisas, está mentindo. Não havia escala para isso (para um assassinato). Lamento que ela use esse tipo de coisa na campanha eleitoral. Até porque tem muita gente dentro do PT que sabe bem dessa história", afirmou.
Ao acusar Gabeira, Dona Marta respingou Franklin Martins, um dos sequestradores do embaixador, então ministro da Comunicação Social no governo do PT — et pour cause. De Madri, o velho terrorista apressou-se a autorizar o outro velho terrorista: "O Gabeira não foi escalado. Não tinha ninguém escalado para matar. A participação do Gabeira era ser basicamente o responsável pela casa."
Ora, se você sequestra alguém isto significa que não vai libertá-lo se não obtiver satisfação às suas exigências. E se o governo não atendesse as reivindicações dos terroristas? Estes iriam devolver Elbrick intacto à embaixada americana? Se assim fosse, para que sequestrar então? Sequestro implica sempre uma ameaça de morte. Armas servem para matar. Que mais não seja, ser responsável pela casa em que se guarda um sequestrado é ser cúmplice do sequestro.
Gabeira disse então que não pretendia processar a petista pelas declarações. "Vou ignorá-la. Como ela merece, de uns anos para cá". Nem teria como processá-la. Por acaso Dona Marta disse alguma inverdade? Houve um ar de indignação nos jornais, a afirmação de que a ex-prefeita “apelou”. Apelou como? Quem não sabe que Gabeira teve um passado terrorista? Há até quem fale em pós-dedo-durismo. São lindos os neologismos. Têm a virtude de “enjoliver” uma realidade suja.
Gabeira, se alguém não lembra, é a vestal que, como se nada tivesse a ver com as falcatruas do Senado, escreveu em sua coluna na Folha de São Paulo, em julho de 2009: “Não se trata só de um constrangimento ao ver o Senado definido como casa de horrores. Mas o de conviver um grupo de homens idosos, movendo-se com uma desenvoltura criminosa, unindo nos lábios do povo as palavras velho e safado, como se fossem gêmeas que nascem ligadas. Tempo de tormentas”.
De sua militância comunista, Gabeira não escapou ao velho vício stalinista, o de devolver qualquer acusação a quem o acusa. Minha mãe, não. É a tua. Velho e safado, quer hoje negar seu passado como terrorista.
Ainda não li o livro de Gabeira, disse. Mas da boca de quem teve tal passado desonesto, não pode sair coisa que preste.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Alerta Contra o Mercantilismo Colonial

por Rui Nogueira
Quanto de cana-de-açúcar produzimos ao longo dos séculos? Tudo para o exterior. Pau-brasil saiu a troco de simples extração.
No século XVIII, Portugal chegou a ver a sua população reduzida pela metade com a corrida em busca do ouro brasileiro. Há relatos de mortos de fome com o bolso cheio de pepitas. O ouro encontrado foi remetido para o exterior e os diamantes entregues para os anglo-holandeses. As monoculturas se estenderam para atender aos interesses dominantes. O manganês foi retirado da Serra do Navio, Amapá, e depositado como reserva estratégica nos Estados Unidos. Saiu borracha e ficou apenas a construção de um teatro.
Nunca nos é permitido, pelo conluio do comércio internacional com a nossa elite espúria, um desenvolvimento harmonioso das nossas comunidades. Toda e qualquer exportação sempre é direcionada para atender ao interesse externo, seja extrativista, mineral, agrícola e só pode ser retratada como saída de riqueza, para deixar buraco e miséria.
Não há, ainda, um termo para expressar a situação em que vivemos. Entretanto miramos a África e nos lembramos da frase de Jomo Kenyatta, primeiro presidente do Quênia: Os Europeus chegaram na África e eles tinham a Bíblia e nós a terra e nos ensinaram a orar com os olhos fechados e quando os abrimos eles tinham a terra e nós a Bíblia.
Com todos os métodos, os “escolhidos” europeus e agora, também, os americanos, chegam, ocupam tudo e quando abrimos os olhos não temos nada em nossas mãos.
As empresas, os bancos, os portos, os mercados, as editoras, os transportes, os serviços de água, a energia, o petróleo, a população agrícola, as indústrias, até os clubes de futebol. Céus! Estamos ocupados. Somos empregados mal assalariados das corporações transnacionais.
Africanar... já somos rotulados de atrasados, incompetentes e já está montada toda uma estrutura do controle das comunicações, sucateamento do ensino, desagregação das nossas instituições, enfraquecimento das Forças Armadas na direção de exercerem o seu papel de defesa da nossa soberania e população.
O africanar tem que ser bloqueado nem a África nem qualquer outra região do mundo merecem permanecer nesse quadro de exploração e miséria.
A guerra, neste século XXI, está em franca evolução com a aliança dos organismos internacionais (supostamente criados para ver o bem comum) e as corporações financeiras, contra a humanidade.
Nenhuma ética filosófica, política ou religiosa justifica e estagnação da maior parte das comunidades na miséria esmagadas por avalanches de papel pintado e dívidas desnecessárias.
Isto não é comigo” e “não posso fazer nada”, são as concepções impregnadas nas mentes das pessoas pelos meios de comunicação para impedir qualquer mudança ou reação.
Vamos fazer uma revolução!!!
Peguem a arma mais forte que existe no universo: a idéia, ajustem-na com a convicção. Coloquem-na com a alma da justiça e da eqüidade. Tornem-na radiante com o conhecimento. Façam-na viável com o saber-fazer. Alimentem-na sempre com a certeza de que o preceito do mundo não é o egoísmo nem a competitividade, mas a simbiose em que você sempre tem o todo melhor que cada uma das partes. Assim, poderemos mostrá-la aberta a todos os homens de bom senso e humanísticos.
Basta!
Temos o direito de viver bem!
Os bens e os serviços essenciais têm que ter gestão comunitária.
Privatização representa só ter o bem ou o serviço se tiver dinheiro. Chega de exclusão, de exploração.
Vamos anular o Africanar pela compreensão, eqüidade, simbiose, solidariedade, conhecimento e especialmente, pela hiper-revolução pessoal, aproveitando todos os segundos do dia para seja, onde estiver, conscientizar e discutir para criar uma opinião pública de que o nosso país tem de ser um lugar bom para todos viverem e criarem seus filhos com dignidade.
Resistir é possível. Resistir é preciso.
Fonte:  Alerta Total
.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2012 – O Ano Que Não Terminou

por Jorge Serrão
Feliz 2013, mas nada custa lembrar que 2012 ainda não terminou. Parece que estamos em uma máquina do tempo movida a vapor ou manivela, de tão lenta para realizar as mudanças urgentes no tempo certo. O mundo não acabou, nem deve acabar, porém teremos de segurar a onda de problemas gerados no passado e que vão comprometer nosso presente-futuro.
Onde estão as reformas política e tributária sempre prometidas e nunca cumpridas? Como ficou a redução de gastos desnecessários dos governos para que sobre dinheiro para investimentos que nos levarão ao crescimento real? A quantas anda a melhoria na área de ensino, para permitir que o Brasil seja, um dia, uma potência científica-tecnológica e com cidadãos bem capacitados para produzir e empreender?
Ok, tais perguntas se referem a respostas focadas em um Projeto para o Brasil. Pois bem, onde está tal Projeto? Quem terá a coragem, competência e oportunidade de concebê-lo para anteontem? A ressaca das megafestinhas de ano novo ainda persistem, mas a intenção de mudar o Brasil realmente para melhor fica sempre naquela promessa com jeito de jamais ser cumprida. Sofremos da tal doença do amanhã — um vírus da vanguarda do atraso que promete resolver tudo em um futuro que nunca chega de forma palpável.
Então vamos a questionamentos mais simples, do mundo político-jurídico-institucional brasileiro. Quando é que o tal julgamento da Ação Penal 470 vai realmente terminar? Mais precisamente: quando é que os semi-deuses togados proclamarão o tal do “transitado em julgado”? Melhor indagando: quando é que as penas dos condenados começam a ser efetivamente cumpridas, após esgotados todos os inúmeros recursos possíveis? Pergunto mais: quando o Supremo Tribunal Federal vai publicar no Diário Oficial o tal “acórdão” com as decisões dos ministros para que os advogados dos mensaleiros ainda possam recorrer?
É preciso fazer tantas perguntas diante do que se viu nas retrospectivas produzidas por nosso espetaculoso telejornalismo tupiniquim. O enredo principal da retrô da Globo bem que poderia ter sido exibida como um quadro do humorístico Zorra TotalFoi uma piada de péssimo gosto colocar os apresentadores dentro do prédio do velho Tribunal do Juri do Rio de Janeiro, para proclamar que o “o mensalão foi o julgamento do século”.
A verdade é concreta — como bem prega o alemão Goethe. O espetáculo teatral do mensalão ainda não puniu, efetivamente, nenhum dos atores. As penas de prisão que eles deverão cumprir, efetivamente, são pequenas diante do crime que cometeram. Além disso, a prisão deles nem tem data para ocorrer. Enquanto continuam soltos, em fevereiro, o ilustre condenado José Genoíno (que se proclama um injustiçado) vai tomar posse como deputado federal, assumindo a suplência do PT. Os demais continuam livres, leves e soltos como “consultores”.
Outra vigarice editorial: Por que a mídia abestada e amestrada pelas verbas oficiais ou das empresas amigas do Governo do Crime Organizado não fala mais sobre o Rosegate? Será que vai mesmo funcionar a operação abafa para impedir que Luiz Inácio Lula da Silva seja poupado em mais um escândalo de corrupção que tem sua apadrinhada e melhor amiga Rosemary Nóvoa Noronha como uma das principais operadoras? Por que será que nem o batom na cueca serve de prova material no Brasil dos corruptos?
Enquanto 2012 não termina, 2013 deve começar muito esquisito na telinha. Breve, a Rede Globo vai exibir a mais cara produção da história do cinema brasileiro: “Lula, o Filho do Brasil”. Do ponto de vista estético e cinematográfico, o filme de Bruno Barreto é uma obra de grande qualidade, justificável pelos R$ 16 milhões torrados em sua concepção.
O lamentável é que, nas atuais circunstâncias, a veiculação do filme é mais uma tática de propaganda para preservar a imagem do grande líder  que entra em fase de desgaste pós-Rosegate. E, para piorar, comenta-se que a Globo receberá uma injeção de R$ 6 milhões para passar o filme. A “ajuda” seria uma forma de compensar eventuais perdas com patrocinadores que deixariam de anunciar durante a exibição do “épico petista”, para não ficar com a imagem atrelada ao governismo-partidarismo.
Pena que o Festival Nacional da Rede Globo não possa exibir outros filmes de sucesso, contando os escândalos do Rosegate, da Petrobrás, da Eletrobrás e alguns outros prestes a estourar no comecinho do ano que termina com a dezena 13.
Azar nosso ou deles? Eis a questão... Até que o segredo da cueca (ou da calcinha?) seja finalmente desvendado...
Fonte:   Alerta Total