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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Geolocalização de um Lançamento de Míssil

por Marc Català 
Em setembro de 2021, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico desde um trem. Neste trabalho, os conhecimentos de OSINT (Open Source Intelligence ou Inteligência de Fontes Abertas) são utilizados para localizar de onde foi feito o lançamento. Assim, mostra-se que o campo OSINT está disponível para todos.

OSINT está na moda.
Muitos profissionais ligados a Segurança, Inteligência, Jornalismo e Tecnologia estão continuamente em busca das melhores técnicas e ferramentas de OSINT. E eles não estão muito longe do rumo correto.
Na era da informação, das redes sociais, da digitalização massiva, da Internet de Todas as Coisas e da transparência, quem sabe obter informação de fontes abertas tem muito a ganhar a nível pessoal e profissional.
Inclusive, ao combinarmos Investigação Online OSINT com a Análise IMINT (Imagens de Inteligência) e o reconhecimento e identificação de material militar, investigações e análises avançadas podem ser realizadas, como a descrita abaixo.
Este trabalho, realizado por Marc Català, analista internacional e aluno do LISA Institute habilitado no Curso de Analista Internacional, demonstra como OSINT e IMINT estão disponíveis para todos.

Análise do vídeo
Nesta seção, é realizada uma análise IMINT (ou Image Intelligence) do vídeo transmitido pela rede de televisão estatal KCNA em que é mostrado o lançamento do míssil, que pode ser visto aqui.
A primeira coisa que se vê é que estamos em um ambiente quase sem civilização, especificamente em um pequeno vale entre duas montanhas de pouca altitude (1-vermelho). Ao fundo vemos a silhueta de uma serra que poderia nos ajudar a encontrar o local (2-vermelho) e que o céu está muito nublado, embora não chova (3-vermelho).
Observamos como se destacam dois elementos-chave da ferrovia: um túnel (de onde sai o trem) (1-azul) e uma única via (2-azul). Destaca-se a presença de uma torre de alta tensão à direita (1-amarelo). Por fim, destaco duas curiosidades: um artefato, reto como um poste, sobre o túnel (1-roxo) e uma superfície sem vegetação com estrutura de madeira artificial e outro de pedra (2-roxo).
Deste ângulo, podemos ver melhor o lado esquerdo da estrada. Duas coisas se destacam: uma clareira a apenas 20 metros da pista (1-vermelho) e que a montanha do túnel não está completamente coberta de vegetação, mas tem paredes rochosas (2-vermelho). Uma das curiosidades dessa imagem é que o trem anda para trás (1-azul).
Talvez o aspecto mais significativo aqui seja o aparecimento de um poste elétrico no lado direito da pista (1-amarelo), o que indica que esta linha não é eletrificada, pois não é uma catenária e vemos como os cabos sobem a montanha em vez de passar pelo túnel (2-amarelo). A torre de alta tensão ainda é visível deste ângulo (3-amarelo). O que parece um caminho aparece logo à direita da ferrovia e sobe a montanha (1-roxo).
Visto do outro ângulo, vemos como o vale, embora pequeno, existe junto com a planície (1-vermelha). A existência do caminho possível mencionado acima se materializa (2-vermelho), explicando o método de como esses trabalhadores subiram no topo do túnel (3-vermelho). É impressionante que, ao fundo, se vejam duas superfícies que contrastam com a cor escura da montanha, que pode ser um lago, uma enseada ou uma urbanização (4-vermelho) e (5-vermelho). Vale a pena notar a presença de um corpo estranho formado por, possivelmente, dois tubos que talvez formem uma fonte no início do caminho (1-roxo).
A vista de cima revela outra característica distintiva que pode ser útil: uma grande planície no fundo do vale à esquerda da estrada (1-vermelho). Enquanto isso, verificamos que a linha de transmissão não está a serviço da ferrovia (1-amarelo), pois os cabos que saem do posto tomam outra direção ao se aproximar do túnel e, além disso, o trem não possui conectores superiores (porque, como é lógico, dificultaria o lançamento dos mísseis) (1-azul). Por fim, ainda não conseguimos descobrir o que é a "estátua" de dois tubos, mas esse ângulo nos dá uma visão mais privilegiada do que parece ser um pequeno monumento (1-roxo).
Partindo do lado esquerdo da estrada (tomando como ponto de referência o lado oposto ao túnel [o direito nesta foto]), a existência do referido vale é muito mais pronunciada, notando-se como ambas as montanhas descem drasticamente para um fundo que, agora, não vemos (1-vermelho). A fiação elétrica (1-amarelo) fica muito mais visível agora, confirmando que se estende ao longo da pista. Por fim, o carro de transporte dá-nos uma informação muito importante, a sua identificação (1-azul). Embora não seja muito visível, os últimos 6 caracteres correspondem aos números "161597".
Observamos mais de perto os vagões de trem, que agora mostram suas identificações com mais clareza: o ônibus tem o logotipo da Korean State Railways e abaixo dele o código "68-161597" (1-azul), enquanto o vagão da frente tem o mesmo logotipo e abaixo você pode ler "67-151273" (2-azul). Vemos a locomotiva (3-azul) pela primeira vez e, embora apenas parte dela seja visível, podemos começar a adivinhar que tipo de locomotiva foi usada. Por fim, o poste (1-amarelo) pode ser visto com mais detalhes e vemos que é feito de concreto com ranhuras para escalada.
A primeira coisa que se destaca na imagem em termos de terreno é que a encosta esquerda não é um vale que desce até uma planície, mas chega a um ponto onde encontra as duas montanhas (1-vermelho) para depois subir outra montanha (2-vermelho). Também podemos ver a locomotiva quase a 100% (1-azul), podendo afirmar quase exatamente que é uma Classe K-62 Série 600, mas sem poder especificar qual das 64 que o país asiático possui. A fumaça que sai da locomotiva (2-azul), criada a partir da combustão do diesel, confirma isso. Vemos um segundo poste elétrico (1-amarelo) mais para trás e que a fiação elétrica (2-amarelo) segue seu curso junto com a pista. Você pode ver, novamente, o monumento "estranho" à direita (1-roxo). Podemos ver que está a poucos metros da estrada.
Na primeira imagem que temos do túnel (provavelmente da posição dos trabalhadores que estavam acima do túnel na Imagem 3), podemos ver um pequeno mas importante detalhe. Se você olhar para o poste elétrico mais próximo, ele contém uma placa com o número 78 (1-amarelo). Também vemos como o poste mais distante tem outra placa (2-amarela), embora ilegível da nossa posição.
Pode ser o número da linha férrea, mas como não está ligado a ela por meio de catenárias, pode ser a identificação da linha de transmissão. Ainda assim, pode nos dar alguma pista sobre onde estamos. Com referência à Figura 7, caso se confirme que a locomotiva é a proposta, a largura da via (1-azul) não poderia ser diferente de 1.435 mm, padrão universal, reduzindo o campo de busca.
Esta é talvez a cena mais reveladora de todo o vídeo. Começamos pelo poste de luz mencionado anteriormente (1-amarelo), onde se vê novamente a placa com o número 78. Como está dos dois lados, é óbvio pensar, então, que este é o número de identificação do poste na linha de luz e, portanto, descarta-se a hipótese de que o 78 esteja ligado à ferrovia.
O mais importante de todo o vídeo está neste letreiro (1-azul), do lado esquerdo do túnel, onde se lê (ainda que pixelado) "Mundeok". Portanto, assumimos que esta ferrovia, neste sentido, vai para essa cidade. Também vemos como o final do túnel (3-azul) está próximo, portanto é curto. Finalmente, confirmamos que os trabalhadores acima do túnel (1-roxo) estão gravando.
Esta imagem é tremendamente reveladora em termos de terreno. Destacamos como a montanha à direita antes do túnel desliza para baixo (1-vermelho) até chegar a uma planície (um pouco escalonada) sem árvores (2-vermelho). Mais longe, seguindo a mesma linha, surge outra montanha com um declive no mesmo sentido (3-vermelho) e, no final de tudo, avista-se um vale muito maior (4-vermelho), para onde todos estes vales parecem desaguar. A forma lembra uma costela, sendo a estrada o osso central, as montanhas as costelas que levam ao vale distante. O mirante antes do túnel (1-roxo) é muito melhor apreciado, agora com outra visão da estrutura de madeira artificial e com pessoas filmando.
Embora à primeira vista essa imagem não ofereça muita novidade, ela serve para corroborar a teoria da Imagem 10. Os vales que saem da montanha onde está localizada a ferrovia (1-vermelho) ligam-se diretamente a um vale transversal maior do outro lado (2-vermelho).
Este ângulo do túnel, porém mais alto, permite identificar claramente a linha da montanha no horizonte (1-vermelho). Observamos como aparece uma nova torre de alta tensão (1-amarelo), o que significa que a linha de alta tensão segue a direção do vale geral, o mencionado acima. Da mesma forma, vemos como mais postes de baixa tensão (2-amarelo) aparecem ao longo da estrada. Vemos as pessoas no topo do miradouro com a estrutura de madeira artificial (1-roxo).
A visão aérea nos dá uma perspectiva maior quando vamos analisar os dados com o Google Maps ou Google Earth. As duas clareiras em ambos os lados da estrada são claramente visíveis (1-vermelho). O mais interessante desse ponto de vista é que podemos começar a fazer medições, usando a locomotiva como escala. Sabemos que uma Série 600 tem 17,55 metros de comprimento (1-azul). Assim, podemos medir a distância entre os pólos de baixa tensão (1-amarelo), dando-nos aproximadamente duas locomotivas e meia (2-azul) ou quase 44 metros. Podemos fazer o mesmo com o trecho entre o mirante do lado esquerdo da pista e o túnel (1-roxo), que mede seis locomotivas e meia (3-azul) ou 114 metros, aproximadamente.
Esta vista mais distante do miradouro dá-nos uma melhor perspetiva da silhueta da montanha (1-vermelha) que atravessa o túnel. Isso facilitará nosso trabalho quando usarmos o Google Earth. O misterioso poste no topo da referida montanha (1- amarelo) faz sentido, pois é a continuação da linha de baixa tensão que segue a pista, mas sobe a montanha para evitar passar pelo túnel. Vemos à esquerda a torre de alta tensão que vimos anteriormente (2-amarelo).
O ângulo que apreciamos de um ponto alto da montanha para o lado esquerdo da estrada (lembramos sempre que tomamos o lado oposto do túnel como ponto de referência) permite-nos observar uma vista maravilhosa da paisagem montanhosa norte-coreana . Para melhor dividir os achados, o que descobrimos até agora está delineado na forma de linhas e setas de diferentes cores abaixo da linha pontilhada preta.
O que está acima será extremamente útil ao usar o Google Earth e o Google Maps para determinar a área exata do lançamento. Entre todas as silhuetas montanhosas e os vales, detectamos dois possíveis indícios de civilização que contrastam com o verde da vegetação: uma área possivelmente urbanizada no final das grandes montanhas (direita) e duas estranhas figuras brancas não identificadas (esquerda).
Nesta imagem não podemos obter muitas informações, mas é bastante curioso. Primeiro, as letras acima do túnel (1-azul). Anteriormente, vimos como os personagens foram lidos claramente aos 0:08 do vídeo. Por outro lado, o poste mais próximo do túnel (1-amarelo) revela outra pista: um número 79. Ou seja, os postes são, teoricamente, numerados por ordem de colocação e, assim sendo, junto com as medidas que obtivemos acima, podemos conhecer a origem desta linha de energia.
Se retrocedermos o vídeo até o segundo 0:57, pode-se ver como no post anterior (1-amarelo) há uma placa com o número 77. Então, tomando como referência as medidas da Imagem 13, podemos concluir que a fonte de energia desta linha está localizada em aproximadamente 3 km e meio.
O acostamento direito da estrada (2-azul) também é interessante, pois destaca uma pequena mureta e dois pequenos pilares, supostamente para marcar o percurso em tempos antigos. Acima do túnel vemos o cinegrafista (1-roxo) com mais detalhes, mas o mais interessante fica ao lado do poste de energia: um drone (2-roxo) usado para fazer imagens aéreas, que podem ser vistas durante o vídeo e até em transmissões KCNA.
Regressamos a um miradouro junto ao topo do túnel, desta vez com uma vista de cima. Destaco o grande declive da montanha junto à estrada (1-vermelho) porque é a primeira vez que podemos observar o ângulo real desta. Vemos também as silhuetas das montanhas diante do mirante (2-vermelho), que conta com a presença de cinegrafistas (1-roxo), e a serra ao fundo (3-vermelho). Vemos como uma torre de alta tensão (1-amarelo) se destaca acima da montanha mais próxima. Por fim, vale destacar a ferrovia (1-azul) que mantém um trajeto reto, praticamente sem desvio.
Por fim, realizamos uma observação de detalhes da área, para podermos ter uma ideia do que temos que procurar no Google Earth e no Google Maps. A primeira coisa a notar é o terreno. Podemos desenhar as linhas mais altas das montanhas próximas (1-vermelho).
A seguir, vemos mais definidas as extensões reais das clareiras próximas à estrada (2-vermelho). E, finalmente, podemos distinguir duas novas clareiras atrás das montanhas anteriores (3-vermelho). A linha férrea confirma a teoria de que é quase reta até chegar ao túnel (1-azul). O túnel, por sua vez, mede quatro locomotivas (2-azul), totalizando aproximadamente 70 metros. Finalmente, a pista que sai do túnel vira para a esquerda (3-azul).

Análise de mapas

Mapa 1: Geográfico
Se quisermos geolocalizar o lançamento, é vital conhecer a geografia da Coreia do Norte. Este país caracteriza-se por ser montanhoso, especialmente na fronteira com a República Popular da China. De fato, há o Monte Paektu, uma montanha emblemática do país asiático, no topo da qual, na cratera de um vulcão inativo, formou-se o denominado Lago do Céu.
Uma cadeia de montanhas se estende até a Coreia do Sul, deixando apenas uma área plana a oeste, onde fica a capital. Pelo que observamos, o lançamento ocorreu em ambiente montanhoso, longe de qualquer sinal de costa, de modo que a costa e áreas planas e baixas estão descartadas.

Mapa 2: Política
Da mesma forma que na geografia, devemos conhecer a distribuição das várias sub-regiões. Na Imagem 9 vemos uma pista importante, o nome da cidade de Mundeok. Esta cidade pertence à região de Pyongan do Sul (ou Pyongan-Namdo, como aparece no mapa), uma área que contém planícies e montanhas.
Supondo que os nomes dos túneis mostrem cidades da mesma província, assumimos que o túnel está localizado em algum lugar no sul de Pyongan. Isso reduz drasticamente o campo de busca, pois só temos que buscar em uma única região.

Mapa 3: Clima

Mapa 4: Ferrovias
Conhecer o sistema ferroviário norte-coreano é de grande interesse, já que o lançamento é feito a partir de um trem.
A partir deste mapa podemos identificar os diferentes tipos de linhas e a sua geolocalização. Desta forma, podemos identificar mais rapidamente as linhas ferroviárias que nos interessam.

Mapa 5: Relevo
Restringindo ainda mais a área de pesquisa, este mapa de relevo da Província de Pyongan do Sul (ou Pyongan-Namdo) nos mostra as áreas montanhosas, urbanas e planas. Em vermelho indico a cidade de Mundeok, vista em uma placa na imagem 9, para nos dar uma ideia de onde a estrada pode estar localizada.
Isso nos ajuda ainda mais a restringir a área de pesquisa e, em conjunto com os Mapas 3 e 4, determinar a área exata.

Mapa 6: Eletricidade
O outro aspecto que pode nos ajudar é conhecer o mapa de trânsito elétrico do país. Lembre-se que a pista é seguida por duas linhas de energia: uma de baixa tensão e outra de alta tensão. Também temos a pista dos números nos polos de baixa tensão, que nos dão uma ideia aproximada da proximidade de uma usina ou subestação elétrica.

Análise de informações
Vemos pela primeira vez a alegação de que este lançamento não ocorreu em 16 de setembro, mas no dia anterior, 15 de setembro, em uma notícia publicada pelo The San Diego Union-Tribune. As imagens, entretanto, foram publicadas pela rede de televisão estatal KCNA em 16 de setembro.
Com os novos dados, devemos encontrar novos mapas e pistas que possam nos ajudar. Neste caso, o Mapa Meteorológico (Mapa 3) mostrava os dados de 16 de setembro, no dia seguinte, por isso atualizamos para 15 de setembro.
Nesta ocasião apenas conseguimos obter 3 horas de referência para nos orientar (descartando as que são à noite e de madrugada) e, de acordo com os dados obtidos, vemos que é muito provável que os lançamentos tenham sido feitos à tarde, já que foi quando mais nebulosidade foi detectada no céu norte-coreano.
Esta notícia da BBC revela outro fato interessante: os mísseis lançados do trem percorreram cerca de 800 km antes de atingir um alvo de teste no mar oriental do país (Mar do Japão). Esses dados podem nos ajudar a fechar um pouco mais o círculo de busca, pois se houver algum ponto na linha de distância de 800 km que não chegue ao mar ou cruze a fronteira marítima, seria descartado.
Neste mapa com um raio de aproximadamente 800 km (800,56 km especificamente), tomando como ponto central a cidade de Mundeok, vemos que o raio chega até o mar, chegando até a superá-lo em vários pontos. Na verdade, o alcance é tal que até circunda toda a península coreana.
Como não sabemos a localização exata dos alvos de teste, mas eles criaram uma agitação internacional, não podemos descartar a possibilidade de que esses alvos estivessem localizados perto da fronteira japonesa ou sul-coreana.

Conclusões.
A paisagem diz-nos que estamos num local montanhoso, mas não de grande altitude. Caracteriza-se por ter três nervuras do lado direito da estrada, com duas clareiras entre elas, e um pequeno vale ascendente e outra clareira à esquerda. As costelas da esquerda conduzem a um vale transversal que as recolhe, em frente a uma montanha.
Tanto do lado direito como do lado oposto, avistam-se nítidas silhuetas das serras, com pouca (ou nenhuma) presença de urbanização. O céu está completamente nublado, sem nenhuma clareira por onde o Sol possa passar.
Na segunda nervura direita, no topo da montanha, tocando a estrada, vê-se uma pequena clareira ou miradouro, com duas estruturas artificiais (um arco quadrado de madeira e uma pequena escultura de pedras redondas).
Duas linhas de trânsito de eletricidade são identificadas no vídeo: uma de torres de alta tensão, localizada aproximadamente no vale transversal; e outro de postes de baixa tensão, que acompanha a linha férrea. Este último é numerado (vemos os números 78 e 79) e pode nos levar à origem dessa linha de baixa tensão.
A linha férrea na direção do túnel é praticamente reta. Ao atravessá-la, desvia-se ligeiramente para a esquerda, acompanhando o contorno da serra. A largura da via é o padrão universal (1435 mm) e suas condições são excelentes. Esta pista não é eletrificada.
O túnel tem aproximadamente 70 metros de comprimento. À entrada deste, à sua esquerda, distinguimos uma placa onde se lê "Mundeok", o que significa que esta localidade está situada num ponto não muito distante seguindo esta estrada.

Primeira tentativa de geolocalização
A primeira abordagem foi feita nos arredores montanhosos da cidade de Mundeok, tomando todo o sistema da área (que inclui a capital, Pyongyang).
Essas montanhas são amplamente urbanizadas, e é difícil para qualquer um dos vales entre elas não conter um edifício ou uma estrada. É atravessado apenas por uma ferrovia (Dongbungni-Jungi-Galli), que é sempre plana. Apenas a linha a oeste da serra (a Linha Pyongui) chega a Mundeok.

Conclusão
Após examinar detalhadamente a área, concluímos que ela deveria ser descartada.
Em primeiro lugar, o alto nível de urbanização da área impede que ocorram condições como as do vídeo, em que (quase) não se observam sinais de urbanização no entorno e arredores visíveis.
Em segundo lugar, o layout das faixas não corresponde ao do vídeo. Eles cercam todo o vale da montanha, não entrando nele exceto em um ponto ao sul, perto de Pyongyang. Desta forma, e contando com o relevo da zona, é impossível que existam vales e montanhas como os do vídeo.
Terceiro, os túneis. Estes são quase inexistentes em ambas as rotas, e os que existem não coincidem de forma alguma com o do vídeo. Além disso, eles também não estão na área montanhosa, então, novamente, as características do terreno não correspondem ao que estamos procurando.
Por fim, e em linha com os anteriores, tem a ver com o terreno junto aos trilhos. Em nenhum momento as características do terreno (planícies, clareiras, distribuição de serras, nervuras, vales...) se assemelham às da região.
Podemos dar esta primeira tentativa como fracassada, pois não há vestígios do que estamos procurando. Então, vamos tentar uma segunda opção de pesquisa.
Lembre-se que havia linhas de alta tensão perto da área (elas cruzaram o vale transversal). Então, a partir do mapa da linha de energia, devemos encontrar uma estação de energia perto de Mundeok que fica perto dos trilhos do trem.

Segunda tentativa de geolocalização
Neste novo ponto de vista podemos ver as principais usinas da região. Destacamos, sobretudo, a conhecida central nuclear de Yongbyeon, com 50 MW de potência. Este é o centro das atenções dos países vizinhos, uma vez que se supõe que ali seja enriquecido urânio para armas nucleares.
A outra usina a destacar é Huicheon, uma das maiores hidrelétricas de toda a Coreia do Norte.
PET: Usina Termelétrica - PEH: Usina Hidrelétrica - PEN: Usina Nuclear

Conclusão
Esta nova abordagem abre um campo de pesquisa mais amplo, especialmente na zona norte da cidade de Mundeok e mesmo fora da província de Pyongan-Namdo. Ainda assim, esta área é descartada novamente.
Em primeiro lugar, as usinas do sul (Dezembro, Pyongyang-Leste e Munsu-Dong) parecem estar preparadas para abastecer a capital norte-coreana e as cidades vizinhas, já que não se vê sair grandes torres de alta tensão dessas usinas, que levem eletricidade a longas distâncias, além do fato de que as linhas ferroviárias da região também não coincidem com as do vídeo.
Em segundo lugar, a usina hidrelétrica de Huicheon tem linhas de alta tensão, mas elas seguem para o norte e oeste, nem chegando perto da cidade de Mundeok. Por fim, as estações de energia mais próximas (Chongchon-Gang e Yongbyeon) não possuem tomadas de alta tensão, então, novamente, é impossível que elas sejam a fonte da fiação. Além disso, a usina nuclear de Yongbyeon é cercada e guardada pelos militares.
Consideramos, portanto, esta segunda tentativa sem sucesso, pois não encontramos vestígios da linha de alta tensão vista no vídeo. É possível que estejamos dando muita atenção a elementos artificiais e que estejamos ignorando outros campos. Um exemplo disso é que estamos focando a investigação em torno da cidade de Mundeok devido à suposta presença deste nome em uma placa ao lado do túnel.
A sudeste da província, em Yangdeok, identificamos uma cordilheira que poderia ser candidata a sediar o local de lançamento, pois é uma serra e o nível de urbanização é menor. Vamos focar a próxima tentativa lá.

Terceira tentativa de geolocalização
A zona sudeste de Pyongan-Namdo é atravessada por uma linha férrea, a Linha Pyongra, que, embora eletrificada, não pode passar despercebida, uma vez que as características da zona a tornam uma boa candidata a acolher a área de lançamento.
Assim, iniciaremos a busca em Yangdeok, por ser mais distante da capital e, portanto, deve ter um menor grau de urbanização; e seguiremos a linha férrea no sentido leste, para nos afastarmos ainda mais da capital.

A linha férrea é desviada para o norte para a província de Hamyong do Sul. Ainda assim, as previsões estavam corretas e o nível de urbanização nesta área é muito menor do que no noroeste da província. Podemos estreitar ainda mais a área à medida que nos movemos ao longo da ferrovia.
A meio caminho da estação Geocha, partindo da estação Seoktang Oncheon, encontramos uma zona com dois túneis, sendo que o primeiro tem uma boa semelhança com a zona que procuramos.

Passamos a analisá-lo em detalhe.

Conclusão
Como havíamos previsto inicialmente, as características desta área estão mais próximas às do nosso critério de pesquisa: área montanhosa com pouca urbanização. Neste caso, a zona está correta.
Em primeiro lugar, são apreciadas as clareiras e costelas que mencionamos ao longo da investigação. Em segundo lugar, o túnel tem a mesma distância necessária. Além disso, a curvatura da pista ao sair é a mesma do vídeo.
Terceiro, a pista antes da entrada do túnel é quase completamente reta.
Também podemos ver o pequeno miradouro da montanha anterior, onde estavam os cinegrafistas com a estrutura de madeira artificial e a pequena suposta escultura de pedras redondas.
A leste da estrada, embora difíceis de reconhecer, estão as torres de alta tensão que aparecem no vídeo. Finalmente, com a vista aérea no ângulo indicado, vemos como esta imagem e a Imagem 18 são idênticas.
Concluímos, então, que encontramos o local exato do lançamento.  Este está localizado na Linha Pyongra, a mais longa da Coreia do Norte e que liga a capital, Pyongyang, a Rajin, quase na fronteira com a Rússia.
O ponto de lançamento exato foi entre Seoktang Okcheon e Geocha, nas coordenadas 39º16'31"N, 126º48'18"E.

Resultado final

Ferramentas usadas:
— Video.twimg.com,             — Wikipedia,
— Google Maps,                    — Google Earth,
— Google Translate,              — Google Images,
— Canva,                               — BBC,
— Ventusky,                           — San Diego Union
— Tribune.
Fonte: tradução livre de LISA News

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ecos do 31 de Março.

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1964 - Um Testemunho
Fernão Lara Mesquita
Para entender o que aconteceu em 64 é preciso lembrar o que era o mundo naquela época.
Um total de 30 países, parando na metade da Alemanha de hoje, havia sido engolido pela Rússia comunista por força militar. Invasão mesmo, que instalava um ditador que atuava sob ordens diretas de Moscou. Todos os que tentaram escapar, como a Hungria em 56, a Checoslováquia em 68, a Polônia em 80 e outros, sofreram novas invasões e massacres.
E tinha mais a China, o Vietnã, o Camboja, a Coreia do Norte, etc, na Ásia, onde houve verdadeiros genocídios.
Na África era Cuba que fazia o papel que os russos fizeram na Europa, invadindo países e instalando ditadores no poder.
As ditaduras comunistas, todas elas, fuzilavam sumariamente quem falasse contra esses ditadores.
Não era preciso agir, bastava falar para morrer, ou nem isso. No Camboja um quarto de toda a população foi executado pelo ditador Pol Pot entre 1975 e 1979, sob os aplausos da esquerda internacional e da brasileira.
Os países onde não havia ditaduras como essas viviam sob ataques de grupos terroristas que as apoiavam e assassinavam e mutilavam pessoas a esmo detonando bombas em lugares públicos ou fuzilando gente desarmada nas ruas.
As correntes mais radicais da esquerda brasileira treinavam guerrilheiros em Cuba desde antes de 1964. Quando João Goulart subiu ao poder com a renúncia de Jânio Quadros, passaram a declarar abertamente que era nesse clube que queriam enfiar o Brasil.
64 foi um golpe de civis e militares brasileiros que lutaram na 2ª Guerra Mundial e derrubaram a ditadura de Getúlio Vargas, para impedir que o ex-ministro do Trabalho de Vargas levasse o País para onde ele estava prometendo levá-lo, apesar de se ter tomado presidente por acaso. Tratava-se portanto, de evitar que o Brasil entrasse num funil do qual não havia volta, e por isso tanta gente boa entrou nessa luta e a maioria esmagadora do povo, na época, a apoiou.
A proposta do primeiro governo militar era só limpar a área da mistura de corrupção com ideologia que, aproveitando-se das liberdades democráticas, armava um golpe de dentro do sistema para extingui-las de uma vez por todas, e convocar novas eleições para devolver o poder aos civis.
Até outubro de 65, um ano e meio depois do golpe, seguindo o combinado, os militares tinham-se limitado a cassar o direito de eleger e de ser eleito, por dez anos, de 289 pessoas, incluindo 5 governadores, 11 prefeitos e 51 deputados acusados de corrupção mais que de esquerdismo.
Ninguém tinha sido preso, ninguém tinha sido fuzilado, ninguém tinha sido torturado. Os partidos políticos estavam funcionando, o Congresso estava aberto e houve eleições livres para governador e as presidenciais estavam marcadas para a data em que deveria terminar o mandato de Jânio Quadros.
O quadro só começou a mudar quando em outubro de 65, diante do resultado da eleição para governadores, o Ato Institucional nº 2 (AI-2) extinguiu partidos, interferiu no Judiciário e tornou indireta a eleição para presidente. Foi nesse momento que o jornal O Estado de S. Paulo, que até então os apoiara, rompeu com os militares e passou a combatê-los.
Tudo isso aconteceu praticamente dentro de minha casa, porque meu pai, Ruy Mesquita, era um dos principais conspiradores civis, fato de que tenho o maior orgulho.
Antes mesmo da edição do AI-2, porém, a esquerda armada já havia matado dois: um civil, com uma bomba no Cine Bruni, no Rio, que feriu mais um monte de gente; e um militar numa emboscada no Paraná. E continuou matando depois dele.
Ainda assim, a barra só iria pesar mesmo a partir de dezembro de 68, com a edição do AI-5. Aí é que começaria a guerra. Mas os militares só aceitaram essa guerra depois do 19º assassinato cometido pela esquerda armada.
Foi a esquerda armada, portanto, que deu o pretexto para a chamada ‘linha dura” militar tomar o poder e a ditadura durar 21 anos, tempo mais que suficiente para os trogloditas de ambos os lados começarem a gostar do que faziam quando puxavam gatilhos, acendiam pavios ou aplicavam choques elétricos.
A guerra é sempre o paraíso dos tarados e dos psicopatas e aqui não foi diferente.
No cômputo final, a esquerda armada matou 119 pessoas, a maioria das quais desarmada e que nada tinha que ver com a guerra dela; e os militares mataram 429 “guerrilheiros”, segundo a esquerda, 362 “terroristas”, segundo os próprios militares. O número e as qualificações verdadeiras devem estar em algum lugar no meio dessas diferenças.
Uma boa parte dos que caíram morreu atirando, de armas na mão; outra parte morreu na tortura, assassinada ou no fogo cruzado.
Está certo: não deveria morrer ninguém depois de rendido, e morreu. E assim como morreram culpados de crimes de sangue, morreram inocentes. Eu mesmo tive vários deles escondidos em nossa casa, até no meu quarto de dormir, e já jornalista contribuí para resgatar outros tantos. Mas isso é o que acontece em toda guerra, porque guerra é, exatamente, a suspensão completa da racionalidade e do respeito à dignidade humana.
O total de mortos pelos militares ao longo de todos aqueles 21 “anos de chumbo” corresponde mais ou menos ao que morre assassinado em pouco mais de dois dias e meio neste nosso Brasil “democrático” e “pacificado” de hoje, onde se matam 50 mil por ano.
Há, por enquanto, 40.300 pessoas vivendo de indenizações por conta do que elas ou seus parentes sofreram na ditadura, todas do lado da esquerda. Nenhum dos parentes dos 119 mortos pela esquerda armada, nem das centenas de feridos, recebeu nada desses R$ 34 bilhões que o Estado andou distribuindo.
Enfim, esse é o resumo dos fatos nas quantidades e na ordem exatas em que aconteceram, do que dou fé porque estava lá. E deixo registrado para os leitores que não viveram aqueles tempos compararem com o que andam vendo e ouvindo por aí e tirarem suas próprias conclusões sobre quanto desse barulho todo corresponde a sentimentos e intenções honestas.
Fernando Lara Mesquita é jornalista.
 Escreve em www.vespeiro.com
Publicado no jornal “O Estado de São Paulo” de 07 Abr 2014.
Fonte:  Clube Militar
COMENTO:  dedique menos de dez minutos para ver o vídeo abaixo. Obviamente é uma montagem. Foram usadas cenas de diversas fontes e há erros de português de sobra. Mas ele retrata o que ocorreu em diversos países no passado, o que ocorre hoje na Venezuela e o que certamente ocorrerá no Brasil em futuro muito próximo. Desfrute, se puder!
Vídeo copiado do Blog do Licio Maciel
ATUALIZAÇÃO:  infelizmente, os canalhas já começaram a usar seus poderes ditatoriais sobre a internet. O vídeo foi "sumido" magicamente do You Tube, por ordem sabe-se lá de quem! E isso que o tal "Estatuto da Internet" recém foi promulgado! Mas foi republicado! Aproveite e veja, antes que apaguem novamente!
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terça-feira, 25 de junho de 2013

A Fina Linha Que Separa a Privacidade e a Segurança

por Natalia Estefanía Botero y
Daniel Rojas Arboleda
Com uma aparência afastada do imaginário coletivo quando se pensa nos empregados da CIA, Edward Snowden, de pele branca, barba rala, óculos e 29 anos de idade, se preparou para deixar gelados os governos e serviços de inteligência dos Estados Unidos e Reino Unido.
Após revelar documentos nos quais se evidenciou que empresas como Facebook, Google, Apple, Microsoft, Yahoo, AOL, PalTalk, YouTube e Skype responderam positivamente a umas 50.000 solicitações de informação privada de usuários feitas pelo Governo dos E.U., Snowden abriu o debate sobre a fronteira entre a segurança de um Estado e a privacidade de seus cidadãos.
Segundo o diário The Guardian, a que o jovem ex-agente da CIA vazou vários dos documentos, E.U. e Reino Unido destinam cerca de 550 especialistas para analisar uma quantidade colossal de informação aproveitando os avanços na tecnologia e os mecanismos de interação virtual, que leva milhares de milhões de pessoas a revelar seus dados mais íntimos na rede.
A isso se soma o crescimento da rede de cabos de fibra ótica e o fato de que quase a totalidade da informação que se move por ela passa por E.U., país cuja Agencia de Segurança Nacional (NSA, por sua sigla em inglês) conta com o software Prism, que permite monitorar, cotejar e cruzar informação a que o organismo acessa com previa autorização das companhias de internet.
Sem dúvida, e de forma paradoxal, o mesmo avanço nas tecnologias da informação dificulta o seguimento dos dados e a tomada de decisões sobre o procedimento a seguir. 
"A computação em nuvem é armazenamento de informação no ciberespaço, o que dificulta a detecção da origem e destino da mesma e torna complexo determinar qual é a legislação aplicável em certos casos determinados", explicou Diego Buitrago, coordenador do Grupo de Investigação de Delitos Informáticos do CES.
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¿Legítimo ou ilegal?
Entre as vozes de indignação que se levantaram no mundo após as revelações de Snowden, se escutou com força a pergunta sobre o direito que tem um Estado para decidir, de maneira unilateral, examinar as informações privadas de seus cidadãos.
Em resposta, o Diretor Nacional de Inteligência dos E.U., James Clapper, emitiu um comunicado no qual defendeu a legalidade da medida.
"Prism não é um programa secreto de busca de dados. É um sistema de computação interno do Governo usado para facilitar a coleta legalmente autorizada de informação de inteligência estrangeira por parte de provedores de serviços de comunicação sob supervisão de uma corte", ressaltou o alto funcionário.
Clapper, amparando-se na Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA), enfatizou que dita informação não é obtida de maneira unilateral por parte das agencias de segurança, e que os provedores dos serviços tem conhecimento do procedimento.
Não obstante, para o diretor da consultoria em estratégia e inteligência Analytyka Consultores e ex-diretor do Instituto de Assuntos Públicos na Universidade do Chile, Guillermo Holzmann, o respeito às leis por parte desses programas de vigilância é muito difícil de comprovar.
"Deveria haver certo nível de acesso para que os cidadãos verifiquem se esse controle está ocorrendo bem ou não pois, do contrario, estaríamos gerando as condições para um autoritarismo velado que finalmente vá em contra ao cidadão, mas é muito difícil pensar que tudo seja transparente e se dê a conhecer", assegurou o especialista.
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Enredos diplomáticos
O problema entre países gerado pelo vazamento aos diários The Guardian e The Washington Post incluiu por um lado os E.U. e China. Na segunda-feira passada (17/6), a porta-voz do Ministério de Exteriores chinês, Hua Chunying, qualificou de "absurdas" as insinuações de que Snowden, refugiado em Hong Kong, é um espião que trabalha para esse país, uma alusão feita pelo ex-vice presidente dos E.U., Dick Cheney em uma entrevista ao Daily News.
Por sua parte, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, revelou na sexta (21/6) que sua organização está ajudando Edward Snowden para que receba asilo na Islândia, enquanto o Departamento de Justiça dos E.U. prepara uma petição de extradição.
Por outro lado, a revelação de que o Governo britânico espionou delegados de vários países que assistiram, em 2009 a duas reuniões do G-20 em Londres, gerou iradas respostas por parte dos governos de Turquia e Rússia.
"Estes vazamentos incrementaram o nível de desconfiança entre as nações e entorpeceram as relações entre elas", anotou Holzmann.
"¿Realmente os Estados acreditam que a forma de enfrentar a tecnologia é criminalizando-a?" — perguntou Carolina Botero a respeito das perseguições a Snowden e Assange. A fórmula não é criminalizar senão começar a falar de valores e códigos de ética", concluiu.
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Migalhas eletrônicas
Por sua vez, o escândalo cria um clima generalizado de desconfiança dos usuários de serviços de internet, em especial frente à exposição de seus dados. O que se inscreve no que María Rocío Arango, docente do departamento de humanidades da Universidade EAFIT, denomina como "vigilância de mercado". 
Seu propósito, mais que prevenir algum fato desafortunado, como faz a vigilância policial, "tem que ver com antecipar ou criar os desejos ou necessidades dos consumidores". Neste caso não se requerem leis ou parâmetros, diz a especialista em filosofia, senão conhecer os gostos, hábitos, rotinas, vícios e virtudes, desejos, paixões e defeitos de consumidores e internautas. 
Isso fez com que grupos como Tacticaltech.org tenham criado iniciativas tipo Me and My Shadow para ajudar a identificar o que se pode fazer com as migalhas eletrônicas que se deixam na internet. Para a blogueira alemã Anne Roth, que faz parte dessa comunidade, "é impossível evitar deixar rastro quando navegamos na rede". É difícil saber o que farão com os dados, mas pelo menos fica a alternativa de compartilhar cada vez menos informação.
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CRONOLOGIA — O 11/SET INSPIROU A LEI PATRIOTA
2001
Os ataques às Torres Gêmeas de 11 de setembro foram o estopim para que o Governo dos E.U. aprovasse naquele ano a Lei Patriota para garantir a segurança.
2010
O soldado do Exército dos E.U., Bradley Manning, é preso por supostamente vazar informação confidencial ao sitio Wikileaks, criado por Julian Assange em 2008.
2012
Assange se refugiou na embaixada do Equador em Londres para evitar sua extradição à Suécia e denunciou o seu abandono por parte do Governo de Austrália, seu país.
2013
Em 9 de junho, Edward Snowden, vazou documentos que revelavam que o software Prism permite à NSA acessar a dados privados de usuários de internet.

ANTECEDENTES — GOOGLE DISPÕE DADOS SOB A LEI
Larry Page, CEO do Google disse que o governo dos E.U. não teve acesso direto nem através de nenhuma "porta traseira" a seus servidores, e que somente libera informação por pedido legal. Acresceu que foram os primeiros a gerar um relatório de transparência pública em sua página. Apple afirmou que recebeu nos últimos cinco meses, entre 4.000 e 5.000 solicitações de informação para dispor.

PROTAGONISTAS — QUEM É QUEM NOS VAZAMENTOS

EDWARD SNOWDEN — Ex empregado da CIA.
Ex agente da CIA que entregou aos periódicos The Guardian e The Washington Post documentos que provam que os governos do Reino Unido e E.U. tiveram acesso a dados privados de usuários de internet, assim como informações de diplomatas de várias nações.

JULIAN ASSANGE — Criador do Wikileaks
Herói para uns e criminoso para outros, este especialista em informática, que publicou milhares de documentos classificados por vários governos, está refugiado na embaixada do Equador em Londres para evitar ser extraditado à Suécia e responder por supostos delitos sexuais.

BRADLEY EDWARD MANNING — Ex militar estadunidense
Acusado pelo Pentágono de entregar documentos classificados a Assange, valendo-se de sua posição como analista de inteligencia do Exército dos E.U., espera o inicio de um julgamento marcial em uma prisão militar nos E.U.

OPINIÕES: 
Informação que se encontra na internet
Marcos Nehme — Diretor da Divisão Técnica da RSA Latinoamérica
¿O que se coleta a respeito de nós na internet? 
A informação coletada das pessoas na internet é pessoal. Por essa razão, há que ter cuidado de que informação pessoal se fornece em sítios da web, sobretudo em redes sociais, pois existem sujeitos com objetivos fraudulentos buscando estes dados na web. Cada um deve conhecer sua responsabilidade”.
¿Qual plataforma ou serviço é mais vulnerável?
O ambiente web é vulnerável porque muita gente faz parte dele. No mundo móvel existem duas plataformas principais (iOS e Android). Android é mais vulnerável porque é uma plataforma aberta na qual se podem desenvolver aplicações com somente o acesso a uma livraria. Isto implica que também se criem aplicações falsas ou de cibercriminosos que buscam coletar informação para montar fraudes, o qual nos convida a estar alerta sobre quem são os desenvolvedores dos "apps". No iOS ocorrem menos fraudes pois é uma plataforma fechada”.
¿Podemos apagar nossos dados na web?
Tecnicamente é possível apagar a informação mas é muito difícil, pois a quantidade de dados é imensa. Vivemos no mundo do Big Data (informação gerada por sensores e dispositivos conectados). Em 2012 a população mundial gerou a quantidade de informação equivalente a quase cinco quatrilhões de livros. Nesse contexto, os dados se podem inter relacionar para descobrir padrões ocultos de la vida de una persona. Informação isolada como que uma pessoa compre uma calça e logo após tome um café, e depois pague uma compra com seu cartão de crédito não tem sentido aparentemente, porém se relacionamos toda essa "data" se gera informação de valor que inclusive pode ser de interesse para uma pessoa que queira cometer fraude. Se impõe usar técnicas de análise para responder rapidamente a um incidente”. 

Intimidade em cheque pelas novas tecnologias
María Rocío Arango R. — Professora de Humanidades da U. Eafit.
Há que distinguir dois tipos de vigilância: a policial e a do mercado. Se diferenciam em virtude do agente, mas compartilham um suposto básico: a periculosidade. Termo usado por Foucault para assinalar essa capacidade que, se supõe, tem todos os seres humanos de atuar, mais cedo que tarde, de maneira perigosa. Esta condição, que se espera permaneça como mera potencialidade, justifica a aparição de muitos sistemas de controle social. Em ambos casos a vigilância eletrônica joga um papel fundamental. O uso das novas tecnologias tem facilitado a tarefa de observação e registro dos dados. O que há uns anos era um trabalho que consumia recursos exorbitantes, hoje toma uns minutos. Zygmunt Bauman chama "sociedade confessional", que tem convertido a confissão em um modelo de vida, pois aquilo que não fique registrado, não existe. Os registros constroem arquivos e estes, prontuários ou bases de dados relacionais e conhecimento, dependendo do tipo de vigilância que se exerça. Os recentes escândalos tem virado os olhares para o alcance do que aqui chamamos vigilância policial e tem deixado de lado que praticas desse tipo se realizam sem maiores discussões públicas em empresas privadas de todo o mundo, cujos serviços de inteligência comercial e de mercado intercambiam bases de dados e "conhecimento" sobre clientes. ¿Pode o Estado manter sob vigilância a vida privada dos cidadãos? Creio que não, que nem o Estado nem os particulares tem direito a observar, registrar e analisar a intimidade de ninguém. Porém, quando os argumentos que se esgrimem tem a ver com a proteção do país de supostos ataques terroristas, o direito à intimidade sofre. 
Assim, vale a pena nos perguntar se a intimidade que tanto tempo nos custou construir, está chegando a seu fim graças ao influxo das novas tecnologias que se baseiam no registro exaustivo do nosso cotidiano.

A privacidade depende cada vez mais da segurança
Guillermo Holzmann — Expert em inteligência. Diretor Analytyka Consultores.
O caso dos vazamentos ao The Guardian e The Washington Post demonstra como nos estados a segurança é uma variável independente, enquanto que a privacidade resta como uma variável dependente da primeira. Sem dúvida, se deve pensar na maneira em que se definem os graus de segurança que um país requer, os quais são diferentes em países totalitários, como Coreia do Norte, em comparação com as democracias desenvolvidas, como Canadá. A partir daí se definem os alcances dos organismos de segurança e os controles que a democracia pode prover para lhes fazer contrapeso. Haveria que analisar em que momentos a privacidade pode ser agredida em virtude de um argumento de segurança e os requisitos éticos que rodeiam estas decisões. O certo é que ao revelar-se este tipo de informação se geram problemas internos em torno da capacidade do poder Legislativo e outras agencias de controle a respeito de como estão exercendo seu poder de garantir a segurança, pois lhes apresenta o desafio de determinar como se controlam e fiscalizam estes casos.
O outro problema é que atrás da investigação a um cidadão e a verificação de que não representa perigo, não está claro o que se passa com toda essa informação privada que foi examinada, nem se a mesma é eliminada ou cai em mãos de alguém e, no caso de ser achado culpável, qual é o mecanismo legal que se aplicará contra ele: ¿o seguirão?, ¿o levarão à justiça ou o matarão?, são perguntas que vale a pena implantar.

CONCLUSÃO
O escândalo de espionagem cibernética nos E.U. e Reino Unido impactou a confiança dos cidadãos e gerou incidentes diplomáticos. A intimidade na internet se pôs à prova.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Musa Comunista Gaúcha e Seu Partideco de Doidos

O DESCONFORTO DA MUSA COM O SEU DESASTRADO PARTIDO
por José Luiz Prévidi
Falei apenas uma vez com a deputada federal Manuela D'Ávila. Sempre a chamei de Musa Comunista por uma simples razão: ela sempre foi uma das queridinhas da mídia e não entendia a razão. Até que a conheci. É uma pessoa cativante e, quem sabe por isso, faz a cada eleição um caminhão de votos.
Ela não gosta das minhas brincadeiras. Uma, em particular, ela detestou — Dona Dilma deveria nomeá-la Embaixadora do Brasil na Albânia.
Para quem não sabe: MC é filiada ao PCdoB e o seu partido sempre teve a Albânia como símbolo do "socialismo no mundo". Era mais uma das grandes bobagens do PCdoB, que mesmo em pleno século 21 continua com o pensamento no início do século 20.
Hoje, os "Comunistas do Brasil" acham que Cuba é o paraíso na terra, que as FARC lutam pela libertação da Colômbia, etc. A loucura é tanta que há alguns anos o partido chegou a "homenagear", no horário político gratuito, um dos chefões das FARC, narcotraficante procurado em todo o mundo, "assassinado pelas forças repressoras do povo colombiano".
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É inacreditável, mas no último dia 3 os geniais dirigentes do PCdoB lançaram um Manifesto, assinado por movimentos e partidos brasileiros que, de acordo com o texto, lutam contra o "imperialismo belicista e pela manutenção da paz e soberania das nações". Pra resumir, o texto defende a "soberania" da "República Popular e Democrática da Coreia". Lendo o "documento" me senti nos anos 50. Defende aquele gordinho, com cara de mocinha (ele vai sempre ao Japão para brincar na Disneylândia), que é um aspirante a ditador dos coreanos.
Quem quiser ver a joia, está num post abaixo, de "Segunda, 8 de abril de 2013".
Como o PCdoB é um partido "democrático" foi lido por todas as instâncias, inclusive pela líder do partido na Câmara federal, casualmente a senhora Manuela D'Avila.
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Ontem, o Jornal da Globo (10 Abr 2013) tripudiou do tal manifesto e da Musa Comunista.
Mais uma vez a Musa se perdeu ao tentar explicar o que é inexplicável. Porque o tal "documento" é também assinado pelo PT e PSB e as direções desses partidos não autorizaram nada.
Musa Comunista não deu entrevista, mas pelo Twitter escreveu bobagem: — O Manifesto foi assinado por uma pessoa qualquer. O episódio é uma piada.
Pode?
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Olha, sei não, mas se a Musa Comunista insistir com a filiação ao PCdoB não vai conseguir se eleger prefeita de Porto Alegre nem mesmo em 2032, como sugeri em um comentário há alguns anos.
COMENTO:  eu penso que os tais "comunistas do Brasil", e seus aliados, não deveriam limitar-se a uma simples nota de apoio entregue à embaixada norte-coreana. Eles deveriam juntar o vil metal que possuem e comprar passagens de ida para o Extremo Oriente, apresentando-se ao seu ídolo para ajudar na defesa da República Democrática da Coréia. Por outro lado, tenho que reforçar a explicação da deputada Manuela: não só o episódio, mas o seu partido é uma piada, de muito mau gosto, mas não passa de piada.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quem Manda na América Latrina



E, se extrapolarmos a América Latrina, temos que na Coréia do Norte, quem manda é o "cumpanhêru" filho do morto!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

200.000 Agonizam em Campos de Concentração da Coréia do Norte

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Jornalistas estrangeiros "confiáveis"
foram bem tratados
A Coréia do Norte comemorou com grandes manifestações de massas o centésimo aniversário de Kim Il-sung, avô do atual ditador Kim Jong-un, noticiou o diário Le Monde.
Kim Il-sung foi o fundador da mais pertinaz dinastia comunista, talvez a mais cruel, embora haja nisto discrepâncias. 
Duzentos jornalistas estrangeiros foram convidados a admirar as realizações do socialismo norte-coreano, inclusive seu centro espacial.
Mas o fizeram sob estrita vigilância dos agentes da ditadura.
Assim, de um trem luxuoso (para os critérios miserabilistas) eles puderam contemplar os sucessos dos assentamentos da reforma agrária – encenação montada cuidadosamente e para ser vista apenas sem descer do comboio.
O estratagema é velho. Já foi implementado pelo ministro Potemkin para impressionar a czarina da Rússia, Catarina a Grande: meras fachadas fingindo prósperas mas inexistentes aldeias na Criméia. 
Assentamento de reforma agrária: 
regime "montou" as melhores cenas que conseguiu
E os jornalistas ocidentais, sempre tão zelosos dos direitos humanos, fingiram não perceber o truque.
Enquanto esses repórteres engoliam alegremente o peixe podre, em Washington era apresentado um espantoso relatório sobre o gulag norte-coreano. 
O emissário especial dos EUA para os direitos humanos na Coréia do Norte, Robert King, advertiu os jornalistas: “Os coreanos do Norte vão lhes permitir observar o disparo de um de seus mísseis. Mas eles não vão lhes permitir ver o que acontece nos campos de concentração”. 
O relatório, publicado pela primeira vez em 2009 com base em 60 testemunhos, e divulgado pela ONG Comitê pelos Direitos Humanos na Coréia do Norte (ver relatório em PDF clicando AQUI). Committee for Human Rights in North Korea (PDF).
Todo o país é estritamente controlado
pelo exército socialista
Segundo ele, 200.000 homens, mulheres e crianças vivem em seis campos situados no norte do país, em condições comparáveis às da escravidão, frequentemente prisioneiros sem julgamento ou em consequência de processos iníquos. Alguns deles foram condenados só pelo “crime” de ter escutado uma rádio da Coréia do Sul ou por ter tentado ir para a China.
A Coreia do Norte aplica o sistema de “culpabilidade por associação”, o qual permite aprisionar qualquer pessoa que seja parente de um opositor até a terceira geração. 
Segundo Amnesty International, fotos de satélite mostram que o gulag norte-coreano (kwanliso, literalmente “local de controle” em coreano), instalado nos anos 50 copiando o sistema soviético, vem crescendo desde 2001.
Esses campos têm o tamanho de cidades, com escolas, fábricas e assentamentos.
Em dois desses campos de trabalhos forçados há “zonas de reeducação” de onde é possível sair após ter dado provas de fidelidade ao socialismo.
Coréia do Norte assemelha-se a um
 imenso campo de concentração 
O resto faz parte dos “distritos de controle total”, onde os prisioneiros tidos como irrecuperáveis ficam até morrer. Só três pessoas conseguiram fugir desses distritos, segundo as associações de defesa dos direitos do homem.
Um ex-prisioneiro do campo de Yodok e fundador da associação Kim Tae-jin testemunhou: 
No campo número 15, eu tive tempo de observar as pessoas que estavam em volta de mim. O campo está dividido em diversas zonas. Uma delas é de controle total. Os que ficam encerrados ali estão condenados até morrer. Eu encontrei antigos fiéis do ditador. Eles foram enviados a esse campo porque cometeram pequenos erros”.
Com o título Fugi do Campo 14 a Editora Belfond publicou o testemunho do fugitivo norte-coreano Shin Dong-hyuk, nascido no próprio campo de concentração.
Fonte:  Pesadelo Chinês
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