terça-feira, 31 de março de 2015

Governos Militares de 1964 a 1985

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ALGUNS NÚMEROS DOS GOVERNOS MILITARES NO BRASIL
Tem gente que não vai gostar do que vai ler!
- Restabelecimento da autoridade por 21 anos;
- Criação de 13 milhões de empregos;
- A Petrobrás aumentou a produção de 75 mil para 750 mil barris/dia de petróleo;
- Estruturação das grandes construtoras nacionais;
- Crescimento do PIB de 14%;
- Construção de quatro portos e recuperação de outros 20;
- Criação da Eletrobrás;
- Implantação do Programa Nuclear - Criação da Nuclebrás e subsidiárias;
- Criação da Embratel e Telebrás (antes não havia orelhões nas ruas nem se falava por telefone entre os Estados);
- Construção das Usinas Angra I e Angra II;
- Desenvolvimento das Indústrias Aeronáutica e Naval (em 1971 o Brasil foi o 2º maior construtor de navios do mundo); 
- Implantação do Pró-álcool em 1976 (em 1982, 95% dos carros no país rodavam a álcool); 
- Construídas as maiores hidrelétricas do MUNDO: Tucuruí, Ilha Solteira, Jupiá e Itaipú (imagine nosso país, hoje à beira de apagões energéticos, sem a "obra faraônica" de Itaipú);
- Brutal incremento das exportações, que cresceram de 1,5 bilhões de dólares para 37 bilhões; o país ficou menos dependente da venda de café, cujo valor das exportações passou de mais de 60% para menos de 20% do total;
- Rede de rodovias asfaltadas passou de 3 mil para 45 mil Km; 
- Redução da inflação galopante com a criação da Correção Monetária, sem controle de preços e sem massacre do funcionalismo público;
- Fomento e financiamento de pesquisa: CNPq, FINEP e CAPES;
- Aumento dos cursos de mestrado e doutorado;
- INPS, IAPAS, DATAPREV, LBA, FUNABEM;
- Criação do FUNRURAL - a previdência para os cidadãos do campo;
- Programa de merenda escolar e alimentação do trabalhador;
- Criação do FGTS, PIS, PASEP;
- Criação da EMBRAPA (70 milhões de toneladas de grãos);
- Duplicação da rodovia Rio-Juiz de Fora e da Via Dutra;
- Criação da EBTU;
- Implementação do Metrô em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza;
- Criação da INFRAERO, proporcionando a criação e modernização dos aeroportos brasileiros (Galeão, Guarulhos, Brasília, Confins, Campinas - Viracopos, Salvador, Manaus); 
- Implementação dos Pólos Petroquímicos em São Paulo (Cubatão) e na Bahia (Camaçari); 
- Investimentos na prospecção de petróleo no fundo do mar que redundaram na descoberta da bacia de Campos em 1976; 
- Construção do Porto de Itaquí e do terminal de minério da Ponta da Madeira na Ilha de S. Luís no Maranhão;
- Construção dos maiores estádios, ginásios, conjuntos aquáticos e complexos desportivos em diversas cidades e universidades do país;
- Promulgação do Estatuto da Terra, com o início da Reforma Agrária pacífica;
- Polícia Federal;
- Código Tributário Nacional;
- Código de Mineração;
- Implantação e desenvolvimento da Zona Franca de Manaus;
- IBDF - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal;
- Conselho Nacional de Poluição Ambiental;
- Reforma do TCU;
- Estatuto do Magistério Superior;
- INDA - Instituto de Desenvolvimento Agrário;
- Criação do Banco Central (Dezembro de 1964);
- SFH - Sistema Financeiro de Habitação;
- BNH - Banco Nacional de Habitação;
- Construção de 4 milhões de moradias;
- Regulamentação do 13º salário;
- Banco da Amazônia;
- SUDAM;
- Reformas Administrativa, Agrária, Bancária, Eleitoral, Habitacional, Política e Universitária;
- Ferrovia da Soja;
- Rede Ferroviária ampliada de 3 mil e remodelada para 11 mil Km;
- Frota mercante de 1 para 4 milhões de TDW;
- Corredores de exportações de Vitória, Santos, Paranaguá e Rio Grande;
- Matriculas do ensino superior de 100 mil em 1964 para 1,3 milhões em 1981;
- Mais de 10 milhões de estudantes nas escolas (que eram realmente escolas);
- Estabelecimentos de assistência médico sanitária com crescimento em números de 6 para 28 mil;
- Crédito Educativo;
- Projeto RONDON;
- MOBRAL;
- Asfaltamento da rodovia Belém-Brasília;
- Construção da usina hidrelétrica de Boa Esperança no Rio Parnaíba;
- Construção da Ferrovia do Aço (de Belo Horizonte a Volta Redonda);
- Construção da Ponte Rio-Niterói;
- Construção da rodovia Rio-Santos (BR 101);
- Construção da "Free-Way" Porto Alegre-Osório (100 Km em área de banhados);
- Impediram a implantação de uma guerrilha semelhante às "FARC" no Brasil;
- .......
Observe que muitas dessas realizações foram destruídas ou descaracterizadas após a "redemocratização", tendo sofrido, recentemente, tentativas de reconstrução sob nova paternidade. 
Fizeram a maior revolução industrial do Século XX, pegando um país com o 45º PIB do mundo, e 21 anos depois, entregaram aos civis com o 10º PIB do mundo.
O resultado posterior:

Vamos para 30 anos, sob autoridade civil e ainda estamos "correndo atrás", esperando para vermos alguma coisa útil construída no período.
E nem me venham com a conversa mole de que tudo o que foi feito "endividou" o país! O Canalha que governa "eçepaíz" desde 2003 (desde 2011 disfarçado de presidAnta) bradou ao mundo ter liquidado a dívida externa em fevereiro de 2008 - mentira reiterada em 2013 pela Vossa Governanta. Assim, a herança maldita dos militares não foi assim tão maldita!
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quinta-feira, 19 de março de 2015

Vencidos e Derrotados?

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Filha de Himmler aos 81 anos: Ela trabalha com neo-nazistas e ajuda oficiais da SS escapar à justiça
por André Luiz
Gudrun Burwitz, filha
de Heinrich Himmler, 
tornou-se "avó" para 
uma nova geração de 
mulheres nazistas
Ao acenar para seus netos, Gudrun Burwitz aparenta a figura de uma mulher pronta para viver o resto de seus dias em paz e sossego.
Em vez disso, a filha de 81 anos de idade de Heinrich Himmler ainda trabalha em um ritmo impiedoso para manter viva a chama nazista.
A Sra. Burwitz sempre alimentou a memória de seu pai, acreditando que o homem que dirigia a Gestapo, a SS e o programa de extermínio que matou milhões de pessoas, dentre os quais judeus e outros grupos de minoria racial, era bom e digno.
Himmler e Gudrun nos anos de guerra.
Ele comandou a Gestapo, a SS
e o programa de extermínio que matou
 milhões de pessoas no Holocausto.
E apesar de sua idade avançada, ela continua a ajudar antigos integrantes do regime nazista para escapar à justiça.
Como a figura de liderança do sombrio e sinistro grupo Stille Hilfe – Ajuda Silenciosa – ela provê todo tipo de ajuda, inclusive financeira, aos ex-integrantes do nazismo.
O grupo formado em 1951 por um grupo de oficiais de alta patente das SS, na Alemanha, o grupo existe “para prestar assistência pacífica, mas ativa para aqueles que perderam sua liberdade durante ou depois da guerra por internamento, prisão, ou similar circunstância e que precisam de ajuda até hoje”.
A reunião do Partido Democrático Nacional (NPD), em Berlim demonstrando sob o slogan "Trabalhadores resistir - então e agora", em comemoração ao aniversário de 58 de revolta dos trabalhadores na Alemanha Oriental de 17 de junho de 1953
O Partido Nacional Democrata (NPD),
em Berlim protestando sob o slogan
"Os trabalhadores resistem",
na comemoração de 58 anos da revolta dos
trabalhadores na Alemanha Oriental,
de 17 de junho de 1953
O grupo, atualmente, está nas mãos da Sra. Burwitz. E seu trabalho tomou um rumo ainda mais sinistro. Ela tornou-se ‘avó’ para uma nova geração de mulheres nazistas com ideologia de Direita Radical. Esses discípulos de Hitler usam trajes tradicionais da Baviera e cabelos com tranças.
Andrea Roepke, pesquisadora especialista na vida da senhora Burwitz, afirma: “o Grupo Stille Hilfe não é apenas para prestar ajuda aos ex-nacional-socialistas, ele também financia o movimento neo-nazista.”
Gudrun Burwitz is fighting to keep Klaas Carel Faber (above), 89, from being extradited back to his homeland from Germany
Klaas Carel
 Faber
A Sra. Burwitz, que mora em Munique com o marido, está lutando para evitar que Klaas Carel Faber, 89, seja extraditado para a Alemanha. O holandês serviu nas fileiras da SS na Holanda, onde teria assassinado judeus indefesos a sangue frio.
E seu mais recente cliente é Soren Kamm, 90, um oficial da SS dinamarquês que teria cometido diversos assassinatos em sua terra natal, durante a Segunda Guerra, incluindo a execução de editor de jornal Carl Henrik Clemmensen em Copenhague. Em 1946, um tribunal dinamarquês condenou um dos comparsas de Kamm, Flemming Helweg-Larsen, à morte pelo mesmo caso, citando as mesmas provas. Helweg-Larsen foi executado no mesmo ano. 
Supporters shield the leader of the far-right extremist party, Udo Voigt (right), with signs as he gives a speech during the rally in Berlin on Friday
Apoiadores protegem com escudos
o líder do partido 
extremista de
extrema-direita, Udo Voigt (à direita), 

enquanto ele discursa em Berlim.
A Alemanha se recusa a executar um mandado de extradição emitido pela UE, embora Kamm tenha admitido sua culpa em uma entrevista de TV.
A Sra. Burwitz, a “Princesa do nazismo”, como um historiador a chamou, vive em uma casinha no subúrbio de Munique, com seu marido Wolf-Dieter.
“Eu nunca falo sobre o meu trabalho”, ela disse em entrevista ao um jornal britânico. “Eu só faço o que posso quando posso.”
Um funcionário da inteligência disse: “Ela tem mais de 80 anos, mas continua afiada. Ela gosta de fazer você pensar nela como uma senhora pacífica e calma, mas a realidade é outra”.
André Luiz, escreve sob a expectativa de contribuir com a memória da II Guerra Mundial e demonstrar que mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.
FONTE: Ecos da Segunda Guerra,
traduzido do original Dailymail
COMENTÁRIO:  transcrevo texto de Marcelo de Oliveira Cândido, recebido por e-mail:
Acho que chega não é?  Nem tanto ao Céu, e nem tanto a Terra!
É certo que a guerra é contada pelos vencedores, e aos perdedores, às batatas!
A história há de revelar, boa parte de verdades sobre a II Guerra Mundial, se bem que não toda, e infelizmente não para nós! (DC 2015)
O que faz (O ônus da prova é de quem acusa, não meu!) a filha de Her Himmler, não é de surpreender. Afinal, ela viveu esta parte da história, e entendo que é até coerente. Veja, ela além da vivência, tem informações/conhecimentos, que nem sonhamos!
Também, não acho que se justifique, uma perseguição ensandecida e porque não dizer irracional, a velhinhos de 90 anos de idade, ainda mais depois de meio século!
A II Guerra Mundial acabou sim. Pelo que sei, o Nacional Socialismo, surgiu como uma alternativa aos regimes comunista e Capitalista.
E o Nacional Socialismo surgiu de um povo, que mesmo tendo perdido a guerra (isto é, foi subjugado, humilhado e dilapidado), evidencia até hoje, que à época, inequivocadamente tinha massiva superioridade tecnológica face ao mundo. Isso faz pensar, se o Nacional Socialismo, também não acompanharia esta tendência. Será?
O fato é que os perdedores, e tudo o que eles representam, ficam até hoje sendo bode-expiatórios, dos vencedores. Ai [acima] está a reportagem, que apoia a minha afirmativa.
Incrivelmente, o maior vencedor, parece mesmo ter sido o comunismo, já que este regime Russo/Chinês, que matou 120 milhões de pessoas (e parece que a contagem continua), vem nos últimos anos, ganhando terreno principalmente na América Latina. E por absoluta incompetência dos capitalistas, que se desviaram totalmente de seu principal objetivo, que não é enriquecer!
Já o Socialismo Nazista - até onde sei - é responsabilizado por 25 milhões de mortes. Vejam que mesmo nesta contagem os Nazistas perdem! O que faz questionar, porque o Nazismo é proibidíssimo, e o comunismo não?
A resposta de fato é que um regime perdeu a guerra e o outro não!
No meu ponto de vista, a grande sorte dos comunistas, foi o surgimento do Nacional Socialismo Alemão. Vejam que sem ele, como iriam os comunistas Russos/Chineses desviar os olhares do mundo, às atrocidades contra os seus inimigos, e pior ainda, contra o seu próprio povo, cujo maior crime é não aceitar viver sobre a opressão do Estado totalitário de esquerda?
Também, elejo aqui o homem mais sortudo do mundo até esta data: Stalin!
Depois de todos os atrozes absurdos que ele fez, como estava do lado vencedor, morreu tranquilinho em casa, impune, e sem que a história (ainda), o tenha configurado como o verdadeiro crápula que foi!
Mas o cúmulo da sorte mesmo, foi ele (Stalin) ter sido contemporâneo de Hitler, pois como perdedor, o Führer Nazista absorveu tudo o que se pode imaginar de má sorte em moralidade e fama, desviando assim os olhares do mundo a Stalin, e porque não dizer também, a Mao Tsé-Tung, outro monstro sinistro, que inclusive enterrou boa parte da histórica cultura milenar, chinesa.
Não sei o que fica sendo “menos ruim”, se o assassinato de tantas pessoas, ou o da cultura e da história.
Encerrando este artigo, faço lembrar que 98% do povo mais adiantado do mundo, apoiavam o Nacional Socialismo e Adolf Hitler.
O que nos faz pensar por último: até onde pessoas, como a filha de Her Himmler, podem estar certas ou erradas?
Eu confesso que não sei. Mas de uma coisa eu tenho plena convicção:
- NÃO é possível de maneira alguma, julgar nem condenar atos de guerra como simples crimes.
Somente a história o fará!
Espero ter sido útil!
Marcello Cândido
Jurista, Psicólogo e Filósofo.
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sábado, 7 de março de 2015

Caçadores - Com a Mira no Dever

por Nelson Matta Colorado
O COPES (Comando de Operações Especiais) colombiano foi criado em novembro de 1984 e está subordinado à Direção de Segurança Cidadã. Seu primeiro desafio foi no ano seguinte, na tomada do Palácio da Justiça realizada pelo M-19. Os primeiros Comandos desse Esquadrão desembarcaram desde um helicóptero no teto do Capitólio em Bogotá.
Outra de suas missões importantes foi em 2008, na operação com o Exército e a Força Aérea, na qual foi morto, no Equador, o vulgo “Raúl Reyes”, um dos chefes das FARC.
Em cada disparo eles arriscam a própria vida e a de seus companheiros. Não é um oficio do qual se vangloriem, mas seu trabalho é tão especializado, que no país não mais de 20 o desempenham. Quatro deles estão no Valle do Aburrá e mantém atenção contínua nos 350 combos (grupos de delinquentes) daquela área.
- “Atirador, cada vez que você dispara, ¿faz isso para matar?”.
- “Nem sempre, mas é um estigma que carregamos”, responde o patrulheiro Guillermo*, que carrega consigo um rifle Sig Sauer 3.000 de calibre .308.
Seu rosto está lambuzado de pintura de camuflagem e veste um traje "guillie" - inventado há três séculos pelos caçadores escoceses - que o mimetiza com a vegetação da região.
Junto a ele, executando um exercício de observar um objetivo em um bosque de Altos de Niquía (Bello), está o patrulheiro Juan*, sua sombra, seu protetor, seu irmão, porque um atirador não é um lobo solitário, senão um binômio. Um é o observador, o outro dispara, igual aos leões quando saem a caçar.
Eles pertencem ao Comando de Operações Especiais (COPES), o grupo de assalto de elite da Polícia colombiana. Sua base está em Bogotá, porém em 22 de dezembro de 2013 o presidente Juan Manuel Santos, durante uma reunião do Conselho de Segurança, ordenou o translado de 20 unidades (duplas) ao Valle do Aburrá.
Pela primeira vez os combos que delinquem na zona enfrentam uma equipe altamente especializada. São muito poucos, porque não é qualquer um que pode integrar esta seleção.
“Como diz Sun Tsu em a ‘Arte da Guerra’: é melhor ir à luta com 10 tigres do que com 100 ovelhas”, recita o Major Byron*, Comandante do Esquadrão, enquanto inspeciona a seus rapazes no patio da estação policial de Bello.
Com um orgulho que lhe transborda no olhar, o Oficial os apresenta um a um: “veja jornalista, este é especialista em assalto urbano, aquele em combate fluvial, esse em explosivos com curso de enfermagem, o outro é Comando Jungla (de Selva), este aqui sabe Krav Magá (arte marcial militar de origem israelense), ele é 'expert' em abrir brechas, esse ali em desminagem, aquele maneja os dispositivos eletrônicos e as armas de apoio...”.
Todos exibem uniformes, arsenal e equipamento de intendência de última geração. A dotação destes 20 homens e três caminhonetes, custou 2.000 milhões de pesos (cerca de 2 milhões de reais), sem incluir salários nem alimentação, segundo o Major.
O secretário de Segurança de Medellin, Coronel (r) Sergio Vargas, diz que a Prefeitura pôs o equivalente a R$ 500 mil desse montante. “A Administração Municipal valoriza muito o trabalho do COPES. Eles participam em quase todas as operações de captura e apreensão contra o crime organizado, por seu alto nível de treinamento e especialização”.
Desde 2014, o Esquadrão executou as missões que mandaram ao cárcere os bandidos conhecidos como “Mayo” (bando de “Altavista”), “Pipe Rata” (da “Agonia”), “la Mona” (da “Convivir”) e “Ojón” (“os Camacoleros”), entre outros.
“O COPES nos dá a tranquilidade de que a operação sairá bem e com riscos reduzidos”, opina o General José Acevedo, Comandante da Polícia Metropolitana.
Os últimos a serem apresentados pelo Major são os patrulheiros Guillermo e Juan, dois dos quatro atiradores que existem na área metropolitana. Não lhes agrada ser chamados “franco-atiradores”.
“Pelos estatutos que nos regem, e em função dos direitos humanos, somos 'Atiradores de Alta Precisión' [TAP na sigla em espanhol]. Os franco-atiradores são os utilizados pelos grupos delinquenciais como assassinos”, explica Guillermo.

Questão de Psicologia
O binômio avança sigiloso pelo matagal. De repente se param quietos e apontam. Nossos olhos começam a duvidar de sua posição. ¿Onde estão? Desde o ar são invisíveis, pelo traje 'guillie', e em terra, o objetivo só os percebe quando já é demasiado tarde.
Os atiradores fazem aproximações profundas, são os que se aproximam do inimigo de modo avançado, para recolher informação útil ao resto da patrulha, que aguarda a 500 metros ou um quilômetro de distancia.
É uma técnica arriscada que se aprende com repetição e muito sacrifício. Guillermo relata que para ser COPES, o candidato deve ser aprovado em um curso de 4 meses no Centro Nacional de Treinamento e Operações Policiais (CENOP), em San Luis, Tolima.
É um inferno de trabalho físico, pressão psicológica, extenuantes jornadas carregando peso, explosivos, gases, saltos desde helicópteros, sendo levados ao limite pelos instrutores, em que uma das provas finais implica não dormir durante três dias.
A taxa de desistência é altíssima, em media, se inscrevem 80 e se graduam 20. Só ficam os mais duros. Por isso na Colômbia não há mais de 200 membros do COPES na ativa, segundo o Major Byron.
Guillermo é boiacaense, filho de uma professora e um camponês, tem 31 anos e assegura que está felizmente casado. É o primeiro e único policial de sua família.
“Um atirador tem que ser exato em sua maneira de pensar e atuar. Se um falha, está em jogo a vida dos companheiros e das pessoas que ele está protegendo no momento”, assinala.
Não lhe pesa a mão para combater uma ameaça. Seu recorde de disparo é de 800 metros, mas ele não se vangloria. “Eu tenho uma memória seletiva muito curta, prefiro não recordar de nada de meus procedimentos”.
A ideia do pós conflito motiva Guillermo a encher sua mente com melhores ideias que combater com a força. “Estamos ante uma mudança iminente, esperamos que nos chegue a paz, por isso, comecei a estudar Psicologia, estou no segundo semestre, pensando que me sirva para o trabalho com a comunidade”.

O lado duro da lei
Juan, bogotano de 28 anos, chegou à Força Pública por esses acasos do destino. Cursava o quinto semestre de Direito na Universidade Distrital, quando teve que resolver a questão do serviço militar.
Sem condições de alcançar a segunda categoria, resolveu prestar o serviço na Polícia. E portando o uniforme, representando o lado forte da justiça que antes estudava nas aulas, se sentiu completado.
Se destacou nas aulas práticas de tiro e os seus superiores o animaram a que se convertesse em atirador. Colocou esse ideal em sua mira, mas foi antes de chegar ao COPES que teve seu encontro mais próximo com a morte.
Em 2008 acompanhava um grupo de erradicação manual de cultivo de drogas em La Macarena, Meta, e durante uma caminhada foram emboscados pela guerrilha. Gritos, rajadas, explosões e, sobre a grama, o sangue e a vida de seu companheiro, o patrulheiro Chacón.
Não foi por vingança, mas algum tempo depois, já sendo atirador profissional, quis o azar que Juan regressasse a Meta para fazer seu disparo de maior alcance em uma operação. A 850 metros, em um área rural, caiu de bruços seu inimigo.
Atualmente, sua profissão está na moda. O filme “Franco-atirador” ["Sniper Americano", no Brasil], do diretor Clint Eastwood, tem sido aclamado pelo público e a crítica.
Ele narra a biografia do militar estadunidense Christopher Scott Kyle, apelidado de “a Lenda” e “o Demônio de Ramadi”. Durante seu serviço na invasão do Iraque, como atirador dos Navy Seals, o Pentágono lhe atribuiu 160 mortes confirmadas, com recorde de distancia de 2.100 metros, convertendo-se no 'sniper' mais letal nas guerras dos E.U.
Juan conhece bem essa historia, mas se recusa a mitifica-la. Para ele, o pior do trabalho é despedir-se da família quando surge o chamado para uma missão. Eles só sabem que ele é um policial comum e nada mais.
- “Nunca vamos com um pensamento de matar, isso é um equívoco que as pessoas imaginam. Se desafortunadamente nos toca fazer, fazemos, porém nossa tarefa vai mais além, queremos prestar um bom serviço e proteger aos nossos, porque somos uma família. Se temos que liquidar alguém, isso não nos dá gloria”.
- “Atirador, ¿quantos objetivos já liquidastes?”, lhe pergunto.
- “¿Não podemos mudar esta pergunta?”.
- “¿Por que?”.
- “Creia que tirar a vida de uma pessoa é algo que não se pode doutrinar a ninguém. Assim, quando eu faço meu disparo, não posso ficar conferindo se morreu ou não. Por que em geral ele está longe, há vento, bruma...”.
- “E cumprindo seu dever, ¿quantos disparos já fizestes?”.
- “Já gastei muita munição”.
Os atiradores afirmam que seu labor vai mais além de disparar, pois estão na primeira linha de risco, recolhendo informações.
Detalhes da reportagem podem ser vistos em vídeo, clicando AQUI.
* Identidades preservadas por nomes fictícios.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: é só uma demonstração de que as estorias glamorosas que nos são mostradas, quase sempre são mentirosas. A missão de matar outros seres não é uma coisa comum! Infelizmente, para a segurança da sociedade em geral, ela deve ser cumprida. No Brasil, ainda não chegamos ao ponto de termos que regular esse tipo de atividade. Mas não falta muito para alcançarmos esse ponto crítico.
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domingo, 22 de fevereiro de 2015

A Intuição e a Sensibilidade (Equivocadas) da Governanta

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Caros amigos
Os limites da autoridade de quem exerce o cargo de Presidente da República são regulados por lei e, como qualquer outro cargo público, deve ser desempenhado de acordo com a lei e os interesses da Nação e não conforme indicam a intuição ou a sensibilidade pessoais do ocupante da ocasião.
Com que autoridade a Governanta Dilma Rousseff decidiu não receber as credenciais do novo Embaixador da Indonésia? Esta é uma atitude que está fora dos limites do seu cargo!
A escolha dos países com os quais o Brasil terá ou não boas ou más relações diplomáticas não está abrangida pelos limites da autoridade presidencial e, mesmo que estivesse, não poderia ser uma decisão unilateral ou dependente do humor momentâneo ou das simpatias pessoais do governante.
A deselegância da Sra Rousseff ao mandar expulsar o Embaixador da Indonésia do Palácio do Planalto é mais uma prova do seu destempero, da sua grosseria congênita, do seu despreparo para o cargo e da sua vocação para o totalitarismo.
Na Venezuela, onde até pessoas eleitas para cargos públicos são presas sem mandato judicial, pela simples “vontade” do ditador, a atitude da Governanta seria perfeitamente normal. Será que ela pensa que o golpe comunista do tipo bolivariano que o Foro de São Paulo lhe “sugere” já está consumado, apesar de tudo que e de todos que se levantam contra ela no Brasil e no mundo?
Este fato, que se soma a tudo o mais que vergonhosamente ocupa o noticiário nacional e internacional, é mais uma prova de que a intuição e a sensibilidade de Dilma Rousseff estão muito aquém do desejável e que ela não está, nem nunca esteve, preparada ou à altura do cargo que ocupa.
Este é um problema cuja solução está prevista na Constituição Federal e que já foi empregada em outros tempos, não muito distantes, por especial pressão do partido da atual presidente.
O tema, para desespero dos incoerentes, dos aproveitadores, dos inimigos da liberdade e dos agitadores que apoiam a Governanta, já está na pauta do Congresso Nacional e deve merecer toda a atenção e o cuidado dos brasileiros e das autoridades encarregadas de aplicar a lei e de garantir o seu cumprimento.
Gen Bda Paulo Chagas
Fonte:   Facebook
COMENTO:  mesmo considerando que o fato abordado tenha sido um "factoide" criado pelos marqueteiros governamentais - aos quais a presidAnta se submete vergonhosamente - com o objetivo de obliterar a façanha do cretino ocupante do cargo de chefe maior da Polícia Federal, acusado de ter feito recomendações aos corruptores envolvidos nas patifarias petrolíferas brasileiras, e seus advogados, para protelarem as negociações com a justiça, a atitude presidencial é mais um motivo de reforço à crítica recebida em termos internacionais de que, atualmente, o Brasil é um anão diplomático!
O vexame é agravado pelo motivo que conduziu a presidente brasileira a essa estúpida decisão: o repúdio dela e seus acólitos contra a condenação de dois bandidos brasileiros, conforme a legislação de outro país, onde eles se aventuraram, imaginando que encontrariam, lá, a mesma impunidade vigente no Brasil.
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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ameaça Iraniana no Uruguai? E Nós Com Isso?

por Andrés Oppenheimer
Duas recentes ameaças de bomba próximas à Embaixada de Israel no Uruguai, e a misteriosa saída do país de um diplomata iraniano que foi filmado próximo a um dos incidentes, estão levantando novas suspeitas sobre as atividades terroristas do Irã na América Latina.
Os detalhes sobre o descobrimento dos pacotes com materiais explosivos em 24 de novembro e em 8 de janeiro próximos à Embaixada israelense são pouco claros, porém estão sendo divulgados aos poucos desde que o jornal israelense Haaretz informou que o Uruguai havia expulsado um diplomata persa em função do incidente de novembro.
Tanto Uruguai como Irã negaram a expulsão do diplomata, e o governo de José Mujica - criticado pela oposição por haver minimizado os fatos - negou que haja uma "ameaça iraniana".
Porém, depois, o governo disse que o diplomata iraniano (Ahmed Sabatgold, de 32 anos) havia abandonado o país em 7 de dezembro, três dias antes que o Chanceler uruguaio convocasse o Embaixador persa para expressar-lhe a preocupação a respeito de um vídeo que identificava seu funcionário nas cercanias do fato.
Políticos da oposição no Uruguai dizem que o Chanceler Luis Almagro - atual principal candidato ao cargo de Secretário-geral da OEA - forjou estreitos laços com o Irã durante os cinco anos em que esteve na Embaixada do Uruguai em Teerã, de 1991 a 1996. Almagro tem sido um duro crítico de Israel e tratou de minimizar a importância do incidente com o Irã, dizem seus críticos.
Os oposicionistas acrescentam que Almagro demorou mais de duas semanas depois da primeira ameaça de bomba para convocar o Embaixador iraniano, inclusive quando já era conhecido o vídeo que mostra o automóvel com o diplomata persa próximo ao local do incidente. Funcionários uruguaios afirmaram que o falso explosivo provavelmente foi deixado ali para medir o tempo de resposta da Embaixada de Israel.
Em uma entrevista telefônica nesta semana, Almagro me disse que não há elementos probatórios de que o Irã ou algum diplomata iraniano estejam vinculados a estas ameaças de bomba. Disse que, longe de minimizar o fato, ele até exagerou ao convocar o Embaixador persa em 10 de dezembro, porque somente havia "casualidades" que podiam conduzir à suspeita sobre uma possível conexão iraniana.
"Quem sabe me excedi um pouco no meu cuidado profissional e atuei além do que os elementos me permitiam, porque não me agradou a coincidência de que houvesse alguém da Embaixada do Irã justamente próximo à Embaixada de Israel quando a tal maleta foi encontrada", me disse Almagro. "Porém foi uma coincidência da qual não gostei, e por isso trabalhei para que esse tipo de coincidência não ocorra mais no futuro".
Almagro qualificou sua mensagem ao Embaixador do Irã, de 10 de dezembro, como "uma advertência. Lhe adverti que estas casualidades não me agradam, e que as considero inadmissíveis". O Irã alegou que o diplomata se encontrava naquela área porque havia ido a uma consulta médica.
Quanto a ter demorado mais de duas semanas para convocar o Embaixador persa, disse que estava em uma visita oficial ao México, e que agiu ao regressar a seu país.
Perguntado por que não tornou público o fato imediatamente, Almagro disse que "isto é algo que manejamos de maneira reservada, só os países envolvidos: Irã, Israel e Uruguai". Acrescentou que se tivesse evidencias para fazer uma denúncia pública "a teria feito, como fiz quando um Embaixador iraniano negou a ocorrência do Holocausto".
Minha opinião (A.O.): Almagro tem razão em que a mera presença de um diplomata persa próxima ao lugar onde se encontrou a maleta com materiais de uma bomba não prova que tenha havido uma responsabilidade iraniana.
Mas o Irã tem uma larga história de terrorismo no estrangeiro, incluindo o ataque de 1994 ao Centro Comunitário Israelita AMIA, na Argentina, no qual morreram 85 argentinos e outros 300 resultaram feridos. A Argentina solicitou que a INTERPOL prendesse vários funcionários persas suspeitos de terem planejado o ataque.
Em anos recentes, além de financiar grupos terroristas do HAMAS e HEZBOLLAH, o Irã foi acusado de envolvimento, pela Polícia da Índia, em um atentado terrorista contra um diplomata israelense, naquele país, em 2012; e por funcionários búlgaros pelo ataque suicida que matou seis turistas judeus em Burgas, Bulgária, naquele mesmo ano.
Estas ameaças de bomba no Uruguai não deveriam ser menosprezadas: parecem seguir um padrão muito habitual de um regime teocrático que vê o terrorismo como uma outra forma de fazer avançar sua guerra santa.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO: este tipo de incidente, aliado ao "asilo" que o Uruguai deu aos seis ex detentos de Guantánamo, acusados de terrorismo, nos faz lembrar as deficiências no controle da entrada de estrangeiros por nossas fronteiras, assunto já tratado aqui. Felizmente, temos passado incólumes, em termos de terrorismo internacional, por grandes eventos mundiais como os Jogos Pan-Americanos de 2007, o Encontro Mundial da Juventude Católica de 2013 e a Copa do Mundo de 2014. A atuação "suspeita" de agentes iranianos no Cone Sul não é novidade. Após vinte anos de protelações, surge agora a denúncia de "acordo" entre os governos iraniano e argentino para "abafar o caso" AMIA. A repercussão do caso e o possível indiciamento da presidente argentina por tentar atrapalhar as investigações em troca de petróleo persa podem radicalizar ações violentas como forma de pressão. Somado ao nosso caos político-econômico - com reflexos negativos na capacidade defensiva do país -, temos previsto para 2016 o evento das Olimpíadas. Será que continuaremos tendo a sorte de não sermos vítimas de atentados terroristas em função de "todos amarem o Brasil" (e servirmos de base de refúgio para bandidos de todos os naipes, inclusive terroristas procurados na Europa e Oriente Médio, que para cá se dirigem até "baixar a poeira")? Ou podemos confiar em nossos dispositivos de segurança? Ou podemos nos preparar para somar mais um desastre na nossa lista de fiascos internacionais?
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domingo, 8 de fevereiro de 2015

A Falácia da Desmilitarização da Polícia

por José Maria e Silva
No País em que latrocidas e estupradores são chamados de “reeducandos”, o governo federal quer que o policial que mata um sequestrador para salvar o refém seja chamado de “homicida”
Criar um “SUS” da segurança pública, unificar as polícias e despir a PM de sua farda — eis as propostas que prometem revolucionar a segurança pública no País. Praticamente unânimes entre os acadêmicos especializados na área, essas ideias conquistam cada vez mais adeptos em Brasília. É o que se percebe nas discussões da Comissão Especial de Segurança Pública do Senado, instalada em 2 de outubro deste ano (2013) com o objetivo de debater e propor soluções para o financiamento da segurança pública no Brasil. Criada por iniciativa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a comissão é presidida pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e tem como relator o senador Pedro Taques (PDT-MT).
“O sistema de segurança pública no Brasil está absolutamente falido” — com essa declaração, proferida numa audiência pública realizada no dia 13 de novembro último, o senador Pedro Taques resumiu um sentimento das ruas que hoje encontra guarida até nos quartéis. Cada vez mais estão surgindo depoimentos de policiais militares colocando em descrédito a própria corporação a que pertencem. É o caso do livro “O Guardião da Cidade” (Editora Escrituras, 2013, 256 páginas), do tenente-coronel Adilson Paes de Souza, fruto de sua dissertação de mestrado “A Educação em Direitos Humanos na Polícia Militar”, defendida na Faculdade de Direito da USP em 2012, sob a orientação do cientista político Celso Lafer.
Nesse trabalho acadêmico, festejado por toda a imprensa, o tenente-coronel da PM paulista defende a ampliação da carga horária do estudo de direitos humanos na formação dos oficiais da Polícia Militar, como forma de combater a tortura. Em meu artigo da semana passada, procurei demonstrar que se trata de uma falácia. O Curso de Formação de Oficiais é praticamente um curso completo de Direito e, como se sabe, é impossível estudar qualquer disciplina do Direito sem tratar dos direitos humanos, uma vez que a Constituição de 88, base legal de todas as disciplinas jurídicas, é alicerçada, de ponta a ponta, nos direitos da pessoa humana.

Sobrevivendo na Gestapo brasileira
Em vários momentos do livro, de modo quase indisfarçável, Paes de Souza compara a Polícia Militar brasileira com a Gestapo de Adolf Hitler e descreve o produto das ações da PM como um novo campo de concentração nazista. Citando um artigo da psicóloga e psicanalista Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes, sintomaticamente intitulado “Violência, Massa­cre, Execuções Sumárias e Tortura”, o tenente-coronel cita como exemplo desses casos, os 111 mortos do Carandiru, em 1992, os 493 mortos quando dos ataques do PCC em 2006 e a Operação Castelinho em 2002, “que constituiu uma emboscada”, com 12 mortos — todos bandidos do PCC, acrescente-se, já que o coronel não o faz em sua tese.
Para a psicóloga Maria Auxi­liadora Arantes, citada no livro “O Guardião da Cidade”, tais acontecimentos “são crimes filhotes de um Estado que deixou intacto um aparelho de matar e que não puniu os que o montaram”. O tenente-coronel Adilson Paes de Souza corrobora literalmente suas palavras, tanto que acrescenta a elas a seguinte frase: “De fato, Auschwitz faz-se presente”. Reparem: Paes de Souza está comparando o trabalho da Polícia Militar — instituição em que atuou durante 28 anos, chegando a tenente-coronel — com a violência das forças nazistas nos campos de concentração de Hitler.
O cientista político Celso Lafer, responsável pela dissertação de mestrado de Adilson Paes de Souza na USP, deveria ter-lhe feito uma pergunta singela antes de aceitar a orientação de seu trabalho: “Onde o senhor estava, na condição de tenente-coronel da Polícia Militar, quando seus subordinados de farda se tornaram exemplos atuais da Gestapo de Hitler, torturando e executando pessoas?” Antes de pontificar sobre os problemas da Polícia Militar, apresentando soluções mirabolantes do conforto de uma cátedra universitária, o tenente-coronel Paes de Souza deveria ter respondido para si mesmo essa pergunta.
Na condição de tenente-coronel da Gestapo brasileira (a se crer nos seus próprios conceitos), ou Paes de Souza foi cúmplice do holocausto que denuncia ou foi omisso diante dessa carnificina que imputa à PM. Em qualquer dos casos, deveria pôr a mão na própria consciência antes de se arvorar a defender tese, escrever livro e contribuir, ainda que involuntariamente, para a difamação sistemática de que a PM é vítima na imprensa e nas universidades.
Não é possível sobreviver durante 28 anos num aterro sanitário moral e dele sair com a alma cheirando a talco, como canta Gilberto Gil. Em seu livro, citando Albert Hirschman, Paes de Souza fala que os membros de uma instituição podem abandoná-la ou criticá-la quando se sentem descontentes. O autor não diz, mas, no caso da Polícia Militar, a via mais frequente é a omissão: o policial se esconde numa carreira burocrática, pontificando sobre direitos humanos, longe do tiroteio das ruas. Paes de Souza deveria explicar como sobreviveu ao horror que denuncia. Foi por essa terceira via? Sem essa explicação, suas reflexões e denúncias sobre a PM perdem muito da autoridade que poderiam ter.

Depoimentos de PM homicidas
Para exemplificar as críticas que faz à polícia, Adilson Paes de Souza colheu o depoimento de dois policiais militares condenados por homicídio e se valeu também de dois depoimentos colhidos pelo jornalista Bruno Paes Manso, do jornal “O Estado de S. Paulo”. Em junho de 2012, Manso defendeu no Departamento de Ciências Políticas da USP a tese de doutorado “Crescimento e Queda dos Homicídios em São Paulo entre 1960 e 2010”, em que faz uma “análise dos mecanismos da escolha homicida e das carreiras no crime”. O trabalho de Manso que resultou na tese já havia lhe rendido o livro “O Homem X: Uma Reportagem sobre a Alma do Assassino em São Paulo” (Editora Record, 2005), no qual o tenente-coronel buscou os depoimentos.
Os policiais ouvidos por Paes de Souza ganharam os apelidos de “Steve” e “Mike”, geralmente dados aos policiais que trabalham nas ruas. O policial Steve foi condenado a mais de 20 anos de reclusão por um homicídio a tiros e facadas. “No auge da prática do ato, senti que estava cheio de ódio e acabei descarregando tudo sobre o corpo da vítima. Tinha um sentimento de ódio generalizado de tudo”, afirma o policial. De origem nordestina, o policial contou que seu pai era PM aposentado e costumava conversar com toda a família na hora do jantar sobre o sentimento de honra que envolvia a profissão. Inspirando-se no pai, Steve, ao completar 18 anos, ingressou na polícia, por meio de concurso público.
“Fui designado para trabalhar numa unidade da Polícia Militar na periferia da cidade de São Paulo. Comecei a ver uma realidade que não conhecia: favelas, meninas estupradas, pessoas pobres vítimas de roubo, o que causou revolta”, conta Steve. Movido por essa revolta, diz que começou a trabalhar além do horário normal, prendendo o máximo possível de bandidos, na esperança de acabar com a criminalidade na região. O PM conta que, numa ocasião, prendeu em flagrante dois ladrões que tinham roubado um supermercado, mas na noite do mesmo dia viu os dois na rua. Quando os abordou, soube que fizeram um acordo com o delegado, inclusive deixando na delegacia uma parte da propina para o policial.
“Nesse momento, percebi que a corrupção existente nos distritos policiais da área onde trabalhava gerava a impunidade dos delinquentes”, afirma Steve, que passou a frequentar velórios de policiais mortos em serviço, alimentando ainda mais sua revolta com a impunidade dos bandidos. Foi aí que decidiu fazer justiça com a própria farda: “Eu era juiz, promotor e advogado. Levava a vítima para um matagal, concedia-lhe um minuto para oração e a sentenciava a morte”. Essa vida de justiceiro fardado destruiu sua família. Sua mulher chegou a tentar o suicídio. E, na cadeia, sofreu maus-tratos e não teve a solidariedade dos colegas: os policiais que o visitavam estavam mais preocupados em sondá-lo para saber se não seriam delatados, em virtude de outras ocorrências.
Um dos entrevistados pelo repórter Bruno Paes Manso, citado na dissertação do tenente-coronel Paes de Souza, também relata que se via em guerra contra os criminosos e, movido pelo ideal de resolver o problema da criminalidade, trabalhava praticamente o dobro: as oito horas regulamentares que o Estado lhe pagava e mais oito em que combatia o crime de graça, por sua própria conta e risco. Esse policial contou ter deparado com vários casos graves, que só via em filmes. Certa vez, atendeu a uma ocorrência em que uma criança de 4 anos foi estuprada e ele, junto com outros policiais militares, evitou o linchamento do estuprador. “Nesse momento, achou um contrassenso ter que proteger quem havia praticado uma monstruosidade contra uma menina. Sentiu revolta”, relata Paes de Souza.

Mais confrontos, mais mortes
Esse é praticamente o padrão dos depoimentos de policiais militares condenados por homicídio: 
1) imersão idealista do policial no combate ao crime; 
2) revolta com a impunidade dos criminosos; 
3) justiça com a própria farda; 
4) prisão, arrependimento e transferência da culpa para a corporação militar. 
O livro “Sangue Azul” (Editora Geração Editorial, 2009), baseado no depoimento de um soldado da PM do Rio de Janeiro ao documentarista Leonardo Gudel, também segue esse padrão. E parece que o recém-lançado “Como Nascem os Monstros” (Editora Topbooks, 2013, 606 páginas), romance do policial carioca Rodrigo Nogueira, condenado e preso por homicídio, também não foge à regra.
Um sargento preso por homicídio e ouvido por Bruno Paes Manso explica que o “assassinato é uma importante ferramenta no cotidiano perigoso do policial militar que trabalha na rua”, e acrescenta que “se os policiais fossem proibidos de matar seria melhor que parassem de trabalhar”. Esse mesmo policial diz ainda: “Sem contar que a bandidagem está cada vez ficando mais ousada, mais armada e respeita cada vez menos a polícia. Isso é explicado dessa forma, isso não foi a polícia que motivou. Hoje tem muito mais reação, o pessoal enfrenta, por isso tem mais morte”. O tenente-coronel Paes de Souza, do alto de sua tese da USP, classifica essa fala do sargento como simplista, por afirmar que mais criminalidade significa mais confronto e, consequentemente, mais mortes.
Ora, simplista é o modo como o tenente-coronel, desprezando seus 28 anos de experiência como policial, utiliza esses depoimentos para corroborar teses injuriosas a respeito da Polícia Militar, que a acusam de ser uma máquina assassina, nazista, semelhante a Auschwitz. O tenente-coronel e os demais acadêmicos que escrevem teses sobre segurança pública acreditam que basta alugar o ouvido de um soldado com perorações sobre direitos humanos para que, no outro dia, ele saia à rua com flores na boca do fuzil, ajudando velhinhas no semáforo e pegando crianças no colo, até que surja um marginal armado e esse policial, consciente de seus deveres, saque da farda um exemplar da Constituição e atire no rosto do bandido seus direitos humanos, para que o criminoso estenda os pulsos com cidadania e seja algemado com dignidade.

Completa inversão de valores
Uma análise verdadeiramente profunda dos depoimentos dos homicidas da PM revela a complexa natureza do trabalho policial, que, em qualquer tempo e lugar, é inevitavelmente insalubre para a alma. O policial é como o médico: sem uma dose sobre-humana de frieza, ele não será capaz de proteger vida nenhuma, pois o medo do sangue, da mutilação, do cadáver, irá acovardá-lo diante do dever a ser cumprido. Por isso, ser policial não é para qualquer um. Os policiais homicidas tentam enganar a própria consciência quando dizem que a corporação os transformou em violentos. O potencial de violência já estava presente neles — ou não teriam sonhado em ser policiais. Polícia não é assistência — é contenção. Por isso, tem de ser viril.
A testosterona que faz o bandido violento é a mesma que faz o policial corajoso. Por isso, ao contrário do que acreditam os acadêmicos, o policial tem que tratar o bandido como inimigo, sim. O soldo sozinho — por maior que seja — não é capaz de separar o policial do criminoso, pois a natureza mais profunda de ambos se alimenta da mesma virilidade masculina, responsável por mais de 90% dos crimes que são praticados em qualquer cultura humana em todos os tempos. Por isso, o policial corajoso precisa ser tratado como verdadeiro herói pela sociedade. Mas não basta. Como o ser humano é um ser relativo e não consegue julgar em absoluto, mas somente por meio de comparação, é preciso enaltecer o policial — e, ao mesmo tempo, punir verdadeiramente o criminoso, para marcar a diferença entre ambos.
Todavia, hoje ocorre justamente o contrário. O policial se revolta ao proteger de linchamento o estuprador de uma criança porque sabe que não será feita justiça. Mesmo esse tipo de criminoso tem direito a todas as regalias da legislação penal, travestidas de direitos humanos. A população brasileira não tem consciência disso, mas até os criminosos que matam ou estupram mulheres acabam tendo benefícios absurdos, como visita íntima na cadeia, o que as feministas defensoras dos direitos humanos traduzem como “direitos sexuais”. Ora, direito sexual é como direito de expressão: toda pessoa tem o direito de falar, mas não tem o direito de obrigar o outro a ouvi-la.
O preso não pode ser impedido de sonhar com uma mulher ou até de satisfazer solitariamente sua libido. Seria uma tortura psicológica privá-lo desse instinto básico. Mas isso não significa que ele tem o direito de manter relações sexuais dentro da cadeia, mesmo que seja com sua esposa. E a razão é simples: seu desejo sexual não pode ser posto acima da segurança da sociedade. É óbvio que, durante a visita íntima, não há meio de controlar o preso. Ele pode usar a visita — e sempre usa — para transmitir recados aos comparsas fora da cadeia, daí o comando que o cárcere continua tendo sobre o crime organizado. Praticamente todas as centrais telefônicas do PCC são administradas por mulheres de presidiários. E mulher de preso inevitavelmente o obedece, sob pena de ser morta.
O mesmo se dá com a alimentação do preso. Não deixar um latrocida passar fome na cadeia é garantir-lhe um direito humano básico, mas permitir que ele escolha o cardápio, por meio de rebeliões, como ocorre com muita frequência nos presídios brasileiros, não passa de um abuso com o dinheiro de suas vítimas. O preso tem direito a remissão de pena não só por dias trabalhados, mas também por horas de estudo e até leitura de romances. Ou seja, o que os acadêmicos chamam de “direitos humanos” são, na verdade, direitos civis, que deveriam ser privativos do cidadão que respeita as leis e não do bandido que fere o contrato social e, por isso, tem de ser excluído da esfera da cidadania enquanto cumpre sua pena.
Hoje, a inversão de valores é tanta que, oficialmente, por meio das políticas públicas do governo petista, o policial militar se tornou o verdadeiro inimigo público, enquanto se concede ao criminoso o monopólio dos direitos humanos. A Resolução nº 8, de 21 de dezembro de 2012, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, sob o comando da ministra Maria do Rosário, estabelece em seu artigo 1º que, quando um bandido morre em confronto com a polícia, na descrição de sua morte nos registros oficiais não deve mais ser usada a expressão “resistência seguida de morte” e, sim, “homicídio decorrente de intervenção policial”.
A alegação é que os policiais utilizam o chamado “auto de resistência” para esconder execuções. Ora, nos casos em que isso ocorre, não vai ser mudando as palavras que o crime deixará de ser praticado. Mais do que a nomenclatura, o que importa em qualquer crime é a investigação. E essa não deixará de ser feita caso um auto de resistência levante suspeitas. Prova disso é que dezenas de policiais militares são expulsos da corporação no Brasil. A Polícia Militar não é necessariamente pior do que a Polícia Federal, a Polícia Civil, o Judiciário, o Ministério Público, a OAB. Se os maus elementos de cada uma dessas corporações fossem enforcados nas tripas dos maus elementos das outras, garanto que não sobrariam condenados nem tripas. Principalmente quando se leva em conta o contexto em que cada uma delas atua — e, nesse caso, o contexto da Polícia Militar é, sem dúvida, o pior. Nenhuma instituição tem o monopólio do bem ou do mal. E ainda que a Polícia Militar fosse mesmo a pior de todas essas instituições, eu pergunto: convém desmilitarizar a polícia num País em que o bandido preso transforma até a cadeia em quartel do crime?
Fonte:  Palavra Acesa
COMENTO: o texto tem mais de um ano, mas continua atualíssimo!
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sábado, 10 de janeiro de 2015

O Mito do Terrorismo - A Grande Imprensa Como Protagonista, Impondo Seus Interesses

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Depois de alguns dias sem acesso à rede mundial, tendo contato com o mundo somente por meio dos canais abertos de televisão, retorno cada vez mais decepcionado com o padrão do jornalismo, infelizmente, não só o brasileiro. 
Festas de Natal e renovação de calendário com o devido escamoteamento a respeito da poluição atmosférica provocada pelos incontáveis espetáculos de queima de fogos, roubos, assaltos, arrastões, acidentes rodoviários, e outros assuntos somente abordados nos noticiários depois de passada a ressaca agravada pelos discursos e festividades de posse dos novos - ou nem tão novos - governantes.
Não poderia deixar de destacar o noticiário referente à "Guerra contra o Terror" desencadeada na França contra alguns idiotas que resolveram propagandear o Islamismo, ao mesmo tempo em que pensavam vingar Allah das agressões sofridas por parte de alguns jornalistas/desenhistas, enviando alguns desses denominados "cartunistas" para desculparem-se pessoalmente junto ao Misericordioso. 
Tivemos, então, coevo ao início do julgamento do imbecil que - com seu irmão idiota, provocaram o triste final da "Maratona de Boston" em 2013 - a ação de "terroristas" supostamente cooptados pela Al Kaeda contra cidadãos franceses.
O inusitado, no meu ponto de vista, foi a enorme pantomima estabelecida no reino de François Hollande. Cerca de vinte vidas perdidas. Destas, os cartunistas mortos tiveram seus nomes e imagens difundidas mundialmente acompanhadas por manifestações de artistas contra mais essa "agressão à liberdade de imprensa". Oitenta mil integrantes das forças de segurança francesas mobilizados com veículos blindados, helicópteros e equipamentos utilizando recursos de alta tecnologia para garantir a eliminação de dois mequetrefes escondidos nos arredores da capital francesa e mais um casal de cretinos foragidos na própria "cidade-luz" - e a mulher ainda conseguiu evadir-se. E a "cereja do bolo", na minha modesta opinião, foi a convocação, pelo próprio Hollande - horrorizado com a violência -, de uma manifestação pública contra o terrorismo. Como se não fosse ele o principal responsável pela segurança de seus concidadãos a ser mantida pelos diversos órgãos governamentais que conheciam de antemão os antecedentes dos "terroristas" envolvidos no episódio. 
Aconselho ao senhor Hollande que dê uma lida nos jornais brasileiros para ter uma pálida ideia do que é violência.
Não sei bem o motivo, mas me veio à lembrança uma certa senhora convocando a sociedade para "um pacto contra a corrupção", indicando que em seu imaginário são os integrantes dessa sociedade os responsáveis pela roubalheira que afundou a principal empresa pública de seu país.
Três dias de "espetáculo", manifestações que incluíram o apagamento das luzes da Torre Eiffel, muita gente mundo afora identificando-se como "somos todos Charlie" - reprisando o ridículo "somos todos macacos" -, inclusive no Brasil, pacífica terra onde a morte violenta de mais de cinquenta mil cidadãos em um ano não provoca comoção alguma, e a morte de duas dezenas de franceses (número tragicamente inferior a soma de recentes vítimas só de acidentes com ônibus nas estradas brasileiras) afeta a consciência de alguns cidadãos, que acorreram de lápis e cartazes em punho para serem filmados nas ruas, mostrando que o Brasil estava indignado contra o tal terrorismo.
Por favor, não pensem que sou insensível à covardia de um ato terrorista e, principalmente, a perda de vidas de forma tão estúpida. O que me incomoda é a enorme repercussão ao fato, em função de terem sido mortos alguns jornalistas/cartunistas, colocando a vida desses profissionais em um patamar de maior valor que os demais "bichos gente". Alguma filmagem do velório e sepultamento dos dois policiais mortos no ataque à sede do "Charlie Hebdo"? Ou da policial que impediu o outro meliante de atacar o estabelecimento judeu? Alguma citação constando, pelo menos seus nomes? Alguma foto de quando eram vivos? Não! Nada! Nunca existiram!
Qual a razão para isso? Quem sabe terá sido a motivação para as mortes. Os cartunistas foram mortos aparentemente por defenderem o direito de expressarem sua opinião, mesmo que de forma debochada e provocativa, contra valores alheios. Por aqui, há algum tempo, algumas pessoas com vaginas e orifícios excretores gulosos saciaram seus ímpetos de prazer em público, usando crucifixos e imagens representando a genitora do "filho de Deus". Tudo assimilado pacificamente por todos, inclusive lideranças religiosas, com pequenas exceções que emitiram pequenos protestos de divulgação pífia. Com os seguidores do Islã, é sabido que "o buraco é mais embaixo". Eles seguem e obedecem as prescrições de suas lideranças com a mesma devoção dos antigos seguidores de Joseph Stálin, talvez com mais persistência, mesmo que se considere o episódio do justiçamento de Trotsky. Salmán Rushdie e outros condenados pela Sharia que o digam. Viver onde as liberdades são postas em destaque superior até mesmo aos direitos ao respeito pode causar confusões na percepção de limites. Enquanto alguns podem pensar que podem desrespeitar crenças, outros podem acreditar que o direito à vida também pode ser relativizado.
De forma alguma penso que o desrespeito ao Islã justifique o ataque aos cartunistas mas me parece que a morte dos policiais foi muito mais gratuita. Para nós, brasileiros, acostumados a uma média de um policial morto por dia, é só uma questão estatística, mas me surpreende a preterição de importância da morte dos policiais franceses neste episódio. 
Liquidados os terroristas, lançada uma edição de um milhão de exemplares do "Charlie Hebdo", o que restou? Para mim, algumas dúvidas.
O descaso a respeito das mortes dos policiais e cidadãos comuns se deve ao desinteresse da sociedade francesa ou à ação direcionada da imprensa, preocupada em aproveitar a tragédia para um merchandising próprio?
Será que haverá alguma tentativa de que se repense até onde vai a liberdade? Será ela, a liberdade, realmente ilimitada? O direito de informar pode se mesclar com o direito de criticar com base em valores próprios, sendo ambos infinitos? E quem tem direito a esses direitos? Qualquer cidadão ou somente os jornalistas?
Será que se pode estabelecer uma escala de valores de vidas humanas? E a mais importante dúvida: o que nossas autoridades e órgãos de segurança (ABIN, PF, Forças Armadas, etc) estão fazendo para prevenir a ocorrência desse tipo de desgraça no Brasil?
Um pouco fora do assunto, mas coerente com a ação de mal informar exercida por nossa "grande mídia". Na manhã do dia 9 de janeiro, tive o enorme desprazer de assistir parte de um programa da Rede Record do RS com uma "reportagem" sobre as mansões e estilos de vida de um traficante assassinado recentemente e do pretenso mandante do crime, também traficante. Me "tapei de nojo" com o final do "trabalho jornalístico" mostrando uns jovens "compositores de rap", conhecidos pelo apelido de "emecis" (MCs) - tão idiota a denominação quanto os jornalistas, seus divulgadores -, famosos nas favelas em disputa pelos marginais por comporem versos em honra daqueles chefões do tráfico. Me pergunto: interessa à sociedade esse tipo de "informação"?
Essa atuação profissional me trouxe à mente uma frase do filósofo Olavo de Carvalho que pode servir de alerta a quem interessar possa: 
"O governo petista habituou a população a desrespeitar tudo. A Ordem, a Família, a Moral, as Forças Armadas, a Polícia, as Leis, o próprio Deus. Se esperava sair ileso e ser aceito como a única coisa respeitável no meio do esculacho universal, então é mais louco do que parece." (Olavo de Carvalho)
Para encerrar, leio que hoje ocorreu a explosão de uma "menina-bomba" na Nigéria, matando mais 20 pessoas em um país onde mortes violentas são rotina, assim como o descaso da imprensa a respeito. Esta notícia, obviamente, encontra-se sufocada entre os destaques dados à caçada aos terroristas franceses. Enfim, alguém pelo menos consegue identificar a Nigéria em um mapa-mundi? Ajudo: quem sabe em um mapa da África? Acho difícil.
Concluo lançando um desafio para aquele pessoal de ânus e vaginas sequiosas a quem me referi anteriormente: uma manifestação nos mesmos moldes da que fizeram com o crucifixo e com a imagem de Maria, só que utilizando a bandeira do tal Estado Islâmico. Se toparem - o que eu duvido muito - até pode ser que consigam uma parcela mínima do meu respeito.
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