sábado, 15 de julho de 2023

O Bom Soldado

pelo Ten Cel Av Ref Flávio C. Kauffmann
Bom Soldado,
“A obediência, manifestação explícita da disciplina e base fundamental das Forças Armadas, não pode ser cega, irrefletida e irresistente. Ela precisa acordar-se com o acatamento dos valores basilares que a legitimam. Caso contrário, corre o risco de desvirtuar-se, transformando-se em subserviência, ou seja, em simples submissão de uma pessoa à vontade de outra”.
(Cel R1/EB  Marcelo Oliveira Lopes Serrano)
O soldado que assassina o rei é um traidor, não é? Nem sempre. Se o rei está louco e pretende queimar a cidade inteira, traição maior à Pátria seria não o fazer.
Respondendo à pergunta metafórica de um jovem amigo, essa foi a conclusão que cheguei sobre o personagem Jaime Lannister, da série Game of Thrones, uma série de enorme sucesso em “streaming” TV, recentemente. 
No Brasil moderno, “o Regicida”, teria problemas em descumprir a ordem real de “queimar todos”, pois se a desobediência hierárquica quando a ordem é manifestamente ilegal é, à luz do direito civil, fator excludente de culpabilidade; isto não se aplica no caso militar. Nesse caso, de acordo com o Código Penal Militar, a obediência deve ser absoluta, nunca relativa. Manda quem pode e obedece quem tem juízo! Que forças poderiam então contrabalançar tamanho poder de um comandante, no caso de uma ordem inconstitucional?
O aviador escritor Saint Exupéry começa a responder à questão quando sentencia que: “a autoridade repousa na razão”. 
Quer ser obedecido? Dê ordens razoáveis. Mas o que seria a razoabilidade numa ordem? Qual a razoabilidade em comandar cargas de Infantaria, morro acima, contra um inimigo entrincheirado e mais bem armado, como fizeram os comandantes italianos na frente alpina em 1916, provocando a morte de mais de 500.000 soldados? Ou na decisão de Leônidas, de “combater até a morte” nas Termópilas, contando com 300 bravos, contra um inimigo que “escurecia o céu com a quantidade de suas flechas”? A resposta é que as ordens acima, cuja racionalidade poderia ser facilmente questionada, cumpriam razões da Pátria, e que, como tal, se sobrepõem às de ordem pessoal.
No entanto, se não há limite para a extensão de uma ordem, que pode então requerer, até mesmo, o sacrifício da própria vida, há, por outro lado, claros limites no que se refere à sua razoabilidade. Na maior parte das vezes, não há o que raciocinar, já que comandante e comandado, por formação, deverão estar, sempre, ambos, alinhados com os interesses da Constituição e da Pátria. Mas o que fazer em caso de dúvida? E como identificar se as razões do comando se coadunam com as da Pátria, e não apenas com as que atendem, exclusivamente, ao projeto político de algum grupo que, temporariamente, detém o poder? Essa dúvida assaltava a mente dos oficiais do 2º/10º GAv, o SAR, na Base Aérea de Cumbica, quando, ao estourar a Revolução de 31 de março de 1964, o comandante do Esquadrão se declarou a favor do governo comunista de Jango Goulart. Na mesma tarde, frente ao mesmo dilema, estavam os oficiais da Base Aérea de Santa Cruz, pois o Comandante da Base já vinha se declarando, havia um bom tempo, favorável ao projeto comunista de Jango e Francisco Julião. 
Cumprir a ordem do governador Leonel Brizola, de que os sargentos matassem seus oficiais, como eu mesmo, ainda garoto, ouvi no rádio de pilha? Ou romper com a “legalidade” e prender os comandantes comunistas, fazendo valer a vontade da maioria da Sociedade? 
Bem, nesses casos, que se configuram num dilema enunciado por Samuel Huntington, deve-se buscar apoio na ética e nos valores morais, que representam a expressão dos valores castrenses intangíveis. Aquele mesmo conjunto de valores, que são desenvolvidos no início da carreira, que tornam o militar um ser de consciência moral e que devem acompanhá-lo durante todo o decorrer de sua vida. 
Explico. Sendo a hierarquia e a disciplina os dois pilares básicos em que se apoiam as FFAA, uma decorrência lógica é o fato de que, entre dois militares, seja sempre possível afirmar a existência de uma distinção hierárquica entre eles. Um deles é superior ao outro. A disciplina é que produz, em ambos, o acatamento dessa condição. Um comanda e o outro é comandado. E mesmo o que é comandado, também exerce o comando, em seu nível, sobre outros comandados. Fazendo uma extrapolação, o comandante dos comandantes máximos é o Governo, um órgão transitório de administração eleito pela maioria, que deve estar a serviço do Estado, agente político que representa a Sociedade territorialmente estabelecida e politicamente organizada. 
O problema passa a ocorrer quando os interesses desse Governo, estiverem em desalinho com os interesses do Estado ou da Sociedade (Pátria). E, nessa condição, a herança cultural, a ética e os valores morais, filtrados pelo pensamento crítico, podem ser os únicos parâmetros válidos para medir a razoabilidade de uma ordem. Parece sopa de letras, não é? Pois aí vão dois “cases”, como gostam os mais acadêmicos, sobre o papel das Forças Armadas. 
Mas, por favor, não esperem respostas prontas, pois os casos são contemporâneos e, como tal, dinâmicos. 
A Venezuela, quando lá estive como cadete, em 1975, competindo num Festival Olímpico, estava incluída entre os países mais ricos e culturalmente mais avançados da América Latina.
A partir da ascensão de Hugo Chaves e a implantação de uma ditadura socialista, posteriormente respaldada pelas urnas (num processo sob intensa suspeição), a elite intelectual e econômica nacional se transferiu, quase toda, para a América do Norte. A partir daí a compra da maioria de eleitores, nas camadas mais simples da população, passou a ser feita, progressivamente, através de programas sociais de distribuição de renda.
O absenteísmo inicial da cúpula das Forças Armadas, frente ao dilema moral que se apresentava, foi imediatamente sobrepujado por um processo de renovação dos rankings, nunca antes ocorrido. Como resultado, em pouco tempo, jovens oficiais, cooptados pelos socialistas, já ocupavam os principais postos de comando. 
O credo comunista, inspirado por Cuba, professado por um judiciário ativista, permitiu um sem-número de mudanças na constituição, que deram ao bolivarianismo um enorme poder sobre o Estado. Como em toda experiência comunista, hoje a Venezuela, que conta com imensas reservas de petróleo, vive o desabastecimento e a miséria econômica. Seus meios de comunicação estão amordaçados e mesmo o jornalismo internacional livre, sofre constante perseguição do governo. A cultura nacional foi toda comprada a favor do socialismo.
Iniciando com um programa de importação de médicos cubanos, o país conta hoje com mais de 60.000 “consultores” cubanos remunerados, comandando diversas instituições. Entre elas as forças armadas. Além de uma bem-equipada Guarda Nacional, os cubanos montaram grupos civis armados, os chamados “coletivos”, que só atendem ao comando dos próprios chefes cubanos. Esses grupos, conforme fartamente documentado em vídeos na internet, têm atirado nos manifestantes com munição real, pasmem, juntamente com as tropas do exército venezuelano. Não há mais qualquer dilema entre os soldados venezuelanos. Eles foram vencidos e hoje, apenas, servem a seus tiranos... 
Por aqui, nos governos de esquerda: foram assaltados os cofres públicos; o congresso vem sendo comprado com emendas parlamentares; as instituições sofrem aparelhamento; foi criada uma Guarda Nacional; a política externa foi desvirtuada; os eleitores pobres foram comprados com Bolsa Família; foi instituída a racialização da sociedade e a identidade de gênero; eliminada a meritocracia; oficializada a corrupção; liberada a baderna e a invasão de propriedades; feitos investimentos desastrosos em Cuba, Angola e Bolívia; e trazidos os indefectíveis médicos cubanos, em regime de servidão. 
A mídia tradicional, com poucas exceções, foi silenciada com o uso de verbas públicas, ao ponto de, até mesmo, vir a apoiar uma “censura do bem”. E, assim, a liberdade de expressão na internet se vê atualmente ameaçada por um [projeto de] lei de censura prévia. “Quantos dedos têm aqui?”, lembram-se do Grande Irmão (1984 - Orwell) e de sua verdade incontestável? Após um pequeno hiato de quatro anos de um governo liberal, castigado diuturnamente pela mídia, sem, no entanto, sequer cogitar qualquer tipo de censura, há, hoje, assuntos proibidos, o direito de propriedade foi relativizado e há brasileiros presos, sem o devido processo legal. Juízes do Supremo Tribunal Federal ultrapassam, em muito, suas atribuições constitucionais e mandam no país, silenciando antagonistas e utilizando a Polícia Federal como instrumento político sob à vista grossa das lideranças do Congresso Nacional e da corte de justiça mais antiga do país, o Superior Tribunal Militar, que possui competência para “declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”. 
As Forças Armadas, como Pôncio Pilatos, se abstiveram publicamente, mesmo após terem atestado por escrito a falta de confiabilidade do processo eleitoral. E hoje prestam continência a um Comandante Supremo, que as despreza e que não reúne os valores morais exigidos para o cargo. Com a volta de Lula, inúmeros fatos do dia a dia, mostram a progressiva comunização do regime, muito embora, se analisarmos a cultura nacional e a ideologia da maioria da população, veremos que os valores da Sociedade continuam sendo religiosos, liberais e democráticos. 
Essa rota, certamente, nos colocará, em pouco tempo, frente a um renovado dilema, como cidadãos e militares, já que, conforme dizia o General Osório, herói de Tuiuti, “a farda não abafa o cidadão no peito do soldado”. Estamos preparados intelectualmente para enfrentar esse dilema moral? A lealdade das Forças Armadas ao Presidente, que é o Comandante em Chefe, é mais ou menos importante do que à lealdade à Constituição? Você, militar, concorda em deixar esse legado político, que vem sendo gestado? Acha que isso é problema de terceiros e não seu? Está conformado em ter seus filhos e netos vivendo futuramente sob um regime sem liberdade de expressão, de credo e de imprensa? Seus parentes e amigos são favoráveis ao comunismo? Seu comandante imediato concorda com esse estado de coisas? 
O bom soldado não é, de modo algum, o que empunha a baioneta cega. É o que pensa, pondera e age, de acordo com os valores morais da Sociedade que jurou defender! Ah, aqueles oficiais de 1964, de Cumbica e Santa Cruz, por convicção do mais puro dever, terminaram por arrostar os comandantes, que violaram os princípios basilares de onde deriva a autoridade, pois como dizia aquele velho e honrado general: "Na carreira das armas não se prestam honras e obediência ao homem, mas aos galões que ele porta".
Informativo da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul (AHIMTB/RS)
COMENTO:  complemento o texto transcrevendo um que tem várias vezes sido utilizado pelo General R1 Luiz Eduardo Rocha Paiva, em suas palestras.
“Franqueza e coragem moral caminham juntas. A responsabilidade dos Oficiais na formação do processo político envolve uma franqueza absoluta, (...). Uma vez que uma decisão política final seja tomada, ele tem a obrigação de apoiar essa decisão como se ela fosse sua (...), com uma grande exceção: questões que envolvam os profundos princípios — dever, honra e pátria — não nos podem submeter a outros compromissos. O dever exige que um Oficial (...) se pronuncie. O General George C. Marshall disse que: ‘é duro obtermos homens para fazer isso, pois para tanto você expõe sua carreira e talvez sua comissão completamente’. Porém, qualquer Oficial verdadeiramente capaz de dar sua vida por seu país necessita também estar pronto a renunciar a sua carreira” 
(trecho de A Segunda Chance (In: Adams, David A. Um Ensaio sobre Liderança, com tradução e adaptação do Capitão de Mar e Guerra da Reserva Geraldo Luiz Miranda de Barros; publicado em Military Review)
O dilema entre lealdade e disciplina ocorre em situações extremas ao chefe militar do alto escalão. Tal dúvida não pode existir quando silêncio e omissão contribuírem para causar um dano insuportável à Nação, ela sim credora de sua irrestrita lealdade. 
Aos superiores o chefe militar deve obediência, cooperação, respeito e disciplinada franqueza, mas a sua lealdade em situações limites é, unicamente e acima de tudo, devida à Nação.

sábado, 17 de junho de 2023

Operação Grande Valsa

A capacidade humana, de humilhar seus adversários e de realizar operações psicológicas com objetivo de convencer seus povos e aliados de sua própria superioridade, é uma coisa quase inimaginável.
Em meados de junho de 1944, o Exército Vermelho realizou uma das mais poderosas ofensivas da Segunda Guerra Mundial na Frente Leste.
Conhecida em código como Operação Bagratión, sua execução significou a destruição quase completa da espinha dorsal do exército alemão no leste; foi apenas o início do chamado rolo compressor soviético.
Ao mesmo tempo, em 17 de junho, ocorreu outro evento incomum: No centro de Moscou, ocorreu um dos eventos mais simbólicos e chocantes da guerra, quando 57.000 soldados alemães pertencentes tanto à Wehrmacht quanto às Waffen-SS desfilaram para o espanto de muitos moscovitas nas varandas de suas casas e nas principais avenidas da capital soviética; no entanto, ao contrário do que eles haviam sonhado uma vez, sua marcha sobre Moscou não foi de vitoriosos, mas sim de vencidos. 
A chamada Operação Grande Valsa foi um dos episódios mais simbólicos da Grande Guerra Patriótica para os soviéticos, pois foi uma das humilhações mais imponentes que uma nação já infligiu ao exército de seu inimigo, o vídeo mostra todos os detalhes sobre como o "Desfile dos Vencidos" aconteceu no verão de 1944.


Fonte: Der Jürgen

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Revelações de um ex-Espião Cubano

Capa
por Ernesto Neto
Em recente viagem à Europa [2010], numa livraria em Toulon na França, me deparei com um livro que dificilmente será traduzido e lançado no Brasil: "El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro", de Juan Vivés, Éditions Hugo et Compagnie, lançado em agosto de 2005.
Juan Vivés, cujo nome verdadeiro era Andrès Alfaya Torrado, foi um dissidente cubano que residiu na França e durante 20 anos pertenceu ao serviço secreto de Fidel Castro. Adolescente ainda, foi para guerrilha na Serra de Escambray combater o regime de Batista e posteriormente fez parte da coluna guerrilheira de Che Guevara. Com a revolução vitoriosa, foi indicado e aceitou fazer parte do temível G2, onde, até 1979, esteve presente em quase todas as atividades de espionagem, guerrilheiras e militares em que Fidel fez o pequeno país caribenho participar. O que torna a sua figura ainda mais proeminente é o fato de ser sobrinho de Osvaldo Dorticós "presidente fantoche de Cuba até 1976" e grande amigo de Célia Sanchez que, segundo ele, juntamente com Raul eram as únicas pessoas que o patético tirano barbudo ainda ouvia.
Contracapa
São 17 capítulos que abrangem desde os motivos que levaram sua família — ricos proprietários de terras — à guerrilha contra Batista até o seu exílio na França, passando por vários outros acontecimentos contados por um ângulo que a esquerda sempre escondeu: a difícil convivência com Che, os primeiros dias depois da vitória, os fuzilamentos à revelia, o assassinato de Camilo Cienfuegos, a invasão da Baía dos Porcos, a crise dos mísseis soviéticos, as primeiras missões na África (Argélia), a morte de Che Guevara, o interrogatório dos prisioneiros americanos do Vietnã em Cuba, o assassinato de Salvador Allende por determinação de Fidel, as missões em Angola (Operação Carlota) e no Saara Espanhol, etc.
No meio de cada assunto, Juan Vivés conta casos que denotam o aspecto mau caráter de Fidel — colérico e com suas alegorias fantasiosas e megalomaníacas — e o prazer sádico que Guevara tinha pelos fuzilamentos e assassinatos: só na Fortaleza de La Cabaña ele comandou 600 sessões. O autor deixa bem claro que todos que se colocaram na frente de Fidel, ameaçando o seu prestígio como Líder Máximo da Revolução, foram misteriosamente "silenciados", sejam por inexplicáveis acidentes como o de Camilo Cienfuegos, sejam por falsas promessas de ajuda como o próprio Che, quando se encontrava na Bolívia.
Certamente os dois capítulos que mais chamam a atenção do leitor são o XI, onde o ex-espião revela um dos segredos mais bem guardados do comunismo cubano: o interrogatório de soldados americanos em Cuba durante a Guerra do Vietnã, e o XV sobre o assassinato de Allende. Por dominar o idioma inglês fluentemente, Vivés foi chamado à traduzir os interrogatórios dos prisioneiros americanos no Vietnã, devido a falta de pessoal capacitado para fazê-lo no pobre país asiático. Ele recusou a missão, afinal era sobrinho do "presidente" e amigo de Célia Sanchez; mesmo assim lhe entregaram dois textos de interrogatórios para que ele os traduzisse. No início ele tinha dúvidas se os prisioneiros estavam ou não em Cuba, mas posteriormente o seu próprio tio (o Presidente) lhe teria dito que havia prisioneiros americanos em território cubano. O que ele nunca soube foi o que fizeram com estes infelizes soldados. Provavelmente foram mortos. O assassinato de Allende por Patrício de la Guardia (seu próprio segurança e que pertencia ao serviço secreto cubano) já não é novidade depois do lançamento do livro Cuba Nostra de Alain Ammar (Ed. Plon, lançado em 2005) com o testemunho do próprio Juan Vivés. Segundo o autor, depois de financiar a campanha de Allende para as eleições chilenas de 1970, Fidel exigia uma postura mais ativa e radical do Presidente chileno em prol da revolução e das mudanças mais abruptas na sociedade. Com as dúvidas, os vacilos e os receios de Allende, que Fidel achava um fraco, não restou outra opção a Castro senão ordenar o seu assassinato. Em consonância com esta versão há dois fatos: a saída dos agentes cubanos do Palácio de La Moneda sem um arranhão sequer e o corpo de Allende não apresentar evidências de suicídio.
A intromissão de Cuba na questão do Saara Espanhol toma uma certa importância no mundo atual, já que Fidel praticamente criou e fomentou o Front Polisario (Frente Popular Para a Libertação de Saguia el Hamra e Rio do Ouro) que posteriormente se islamizou e hoje possui centenas de integrantes do grupo terrorista Al-Quaeda, fugidos da invasão americana do Afeganistão. Com isto, segundo Vivés, Fidel e Che desenvolveram os dois mais antigos grupos terroristas armados do planeta: o próprio Front Polisario/Al-Quaeda e o ETA. Este último apoiado e financiado por Fidel, ainda em Caracas, na Venezuela, logo no início da Revolução depois das relações entre Cuba e o governo espanhol se tornarem tensas.
O ex-espião ainda conta como a mídia internacional, artistas e escritores do mundo inteiro apoiaram (e apoiam!) o cruel regime castrista, disseminando mentiras a respeito do país e da revolução. Desde as falsas conquistas sociais devidas a Fidel até a glorificação das ditas vitórias épicas obtidas pelo Exército Cubano nas guerras africanas. Gabriel García Marques, por exemplo, ganhou uma mansão no bairro de Siboney em Havana, por ter escrito láureas a favor de Cuba em seu livro Operação Carlota, nome da operação militar cubana em Angola, onde o famoso escritor tenta justificar o injustificável. Segundo ele, uma das mentiras políticas mais bem remuneradas de toda a América Latina. O grande problema para estes intelectuais seria, depois da queda do regime, a devolução desses imóveis aos seus verdadeiros donos que se encontram no exílio.
Durante esta mesma operação militar em Angola é quando começa a se desenrolar a questão do tráfico de drogas envolvendo os irmãos Castro. Juan Vivés escreve que as tropas cubanas trocavam diamante e marfim (abundantes na África) pela heroína por intermédio da máfia de Hong Kong. Daí a droga era enviada a Havana em transportes militares cubanos e posteriormente era transportada para o Panamá, onde agentes cubanos da DGI negociavam com traficantes internacionais. O responsável por esta operação era o General Arnaldo Ochoa, que acabou sendo fuzilado por Fidel juntamente com outros participantes, em um processo digno da época estalinista, no intuito de limpar de todas estas implicações o seu regime. Vivés ainda menciona as relações com o tráfico de cocaína entre Raúl Castro, Daniel Ortega (da Nicarágua) e Pablo Escobar.
Lendo o livro, imaginamos como um pequeno país caribenho, certamente com o sacrifício extremo de seu povo, foi capaz de enviar tropas e missões de espionagem para várias partes do mundo. Já na metade da década de 60, o exército cubano possuía 500.000 homens, um pouco menos de 10% de sua população na época. Em sua louca aventura em Angola, em 15 anos de conflito, Fidel utilizou 300.000 homens. Fora os contingentes em outras regiões. Quantos jovens cubanos morreram, salvando a pele de russos, em nome de um regime que apenas escravizou e empobreceu o seu próprio povo?
No final de seu "avant-propos" (prefácio), Juan Vivés afirma não ser nenhum intelectual desiludido, nem um dissidente com ambições pessoais, apenas um homem sedento de liberdade que rejeita uma tirania egocêntrica fantasiada de revolução.
e      AR News

Livro de Espião Cubano Mostra Padres da Teologia da Libertação a Serviço de Fidel Castro
por Irapuan Costa Junior
Juan Vivés garante que
Raúl Castro (no
detalhe), é homossexual
Leio um livro que você, caro leitor, nunca lerá: “El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro” (Éditions Hugo et Compagnie, Paris, 2005). O autor é Juan Vivés, cujo nome verdadeiro era Andrès Alfaya Torrado, casado com Annie Clavel, francesa, e que viveu em Marselha, de 1979, ano em que fugiu de Cuba para não ser morto até sua morte em 22 de fevereiro de 2014. Tive notícia deste livro por um amigo de Portugal e tentei comprá-lo em duas livrarias francesas onde o encontrei. As duas responderam que não podiam enviá-lo para o Brasil, sem maiores explicações. O gramcismo anda assim tão poderoso por aqui, a ponto de exercer essa censura toda (que, aliás, já conhecemos) e fazê-la chegar aos “companheiros” franceses? Mistério. O fato é que só consegui comprá-lo em um sebo francês.
O autor é um cubano oriundo da alta aristocracia espanhola, que se juntou à rebeldia de Fidel Castro, desempenhou algumas ações revolucionárias de repercussão (que lhe valeram, ainda durante a guerrilha, o cognome de El Magnífico, que é o título do livro), e serviu sob as ordens de Che Guevara. É um livro repetitivo em alguns aspectos: fala, com conhecimento — o autor foi testemunha — das atrocidades de Che Guevara, de sua incompetência administrativa e de como era inimigo de um bom banho. De como Fidel sempre foi uma figura performática, capaz de tirar proveito público de qualquer situação, em Cuba e no exterior. Mas traz notícias novas e fatos interessantes, a partir de como Vivés, apolítico, resolveu combater o ditador Batista e se aliar a Fidel Castro. O motivador foi, diz ele, Benvenutto Cellini (1500-1571), o célebre escultor italiano.
A família de Vivés tinha algumas obras de arte raras, trazidas da Europa, entre elas um Cristo de marfim, belíssimo, esculpido por Cellini. A mulher de Batista tentou forçar a compra da escultura, o que ofendeu o pai de Vivés, e acabou por criar uma inimizade que terminou em retaliação por parte do ditador. Entre as revelações do livro a de que o regime de Fulgencio Batista estava se decompondo quando o Granma desembarcou Fidel e seus guerrilheiros em Cuba. Isto fez com que os revolucionários conquistassem os quartéis do Exército praticamente sem combate. Os soldados, como praticamente toda a população cubana, ansiavam por mudanças. Não suportavam mais a corrupção (que desviava seus suprimentos), e os baixos soldos, enquanto os membros do governo roubavam e faziam fortuna. Não houve, ao contrário do alarde feito por Fidel, combates de verdade. A revolução foi quase um passeio.
Vivés era sobrinho de Osvaldo Dorticós, presidente cubano indicado por Fidel, que, embora figura decorativa tinha sua importância. Era também parente de Celia Sanchez, segunda figura do regime comunista da ilha, depois de Fidel. Era, segundo os íntimos do poder, a única pessoa a contrariar Fidel Castro e a discutir com ele, quando discordava. Vitoriosa a revolução, Vivés foi designado para importantes funções, sob disfarce diplomático, todas elas ligadas ao serviço secreto cubano. Delas, o autor esconde mais que mostra, e alega fazê-lo para se resguardar, pois, caso não o fizesse, já teria sido eliminado. O que o salva, diz, são documentos secretíssimos depositados em um banco suíço, e que serão publicados caso seja assassinado.
Salvador Allende pode
ter sido executado por
ordem de Fidel Castro
Entre as mais interessantes passagens dessa biografia está a de que o autor foi encarregado, em Cuba, de instruir padres da Teologia da Libertação para trabalharem pelo regime castrista, e passar segredos, obtidos por confissão de fiéis importantes, para os dossiês da inteligência cubana. Como os padres brasileiros desse grupo não saíam de Cuba, é bem provável que fossem dos mais entusiasmados fornecedores de informações para os homens de Vivés. Os figurões que se confessaram com Leonardo Boff e Frei Betto devem pôr as barbas de molho.
Outro episódio estranho contado no livro é o de soldados e pilotos americanos aprisionados na guerra do Vietnã terem sido drogados e levados para Cuba onde foram interrogados e provavelmente mortos, sem que ninguém soubesse nos EUA. Vivés conta que ele próprio, que falava inglês correntemente, traduziu depoimentos desses pobres coitados. Também a homossexualidade de Raúl Castro é abordada no livro.
Outra revelação importante é sobre a morte do chileno Salvador Allende, em 1973. Como se sabe, todo o corpo de guarda-costas de Allende era constituído de cubanos experimentados. Os principais eram os gêmeos, Patrício e Tony de La Guardia. Com a derrubada e morte de Allende, esses cubanos retornaram a Cuba e foram tratados como heróis por Fidel. Vivés não compreendia como tinham saído com vida do Palácio de La Moneda, até que Patrício, num encontro no bar do hotel Habana Libre, já alto, contou-lhe que, por ordem de Fidel, executara Allende que queria se asilar na embaixada sueca. Fidel queria criar (e conseguiu) um mito de Allende resistindo até a morte. Morto Allende, os cubanos conseguiram abandonar o palácio antes do assalto final de Pinochet. Aliás, Pinochet só chefiou o exército chileno por indicação de Fidel, que o julgava com tendências comunistas. Vivés havia sido seu cicerone e interlocutor quando visitou Cuba.
COMENTO: apesar do interesse que o tal livro possa despertar no público (ainda) leitor, parece que seu destino é o mesmo do muito falado mas pouco conhecido "Combate nas Trevas", de Jacob Gorender (1923-2013), editado em 1987 e raríssimo atualmente, só sendo encontrado em sebos e a preços altos. "El Magnífico - 20 Ans au Service Secret de Castro" não é encontrado em idioma diferente do francês, em que foi publicado originalmente, nem mesmo em língua espanhola, e seus exemplares à venda, custam preços desproporcionais, por sua raridade. Acredito que seria um bom negócio algum editor adquirir os direitos e publicar uma versão do livro de Andrès Alfaya Torrado no Brasil.
Dados sobre Juan Vivés e sua descendência:
"(240ii) ... Andrés Alfaya Torrado nascido em Havana em 4 de Junho de 1945 casou duas vezes: a primeira em Havana em dezembro de 1968 com Dania de la Concepción Frías y Sanz nascida a 21 de julho de 1947 filha de Mario Frías e Eugenia Salvadora Sanz Garrote. Tiveram por filha a Lisette Alfaya Frías. 
Andrés Alfaya Torrado e sua segunda mulher Annie Clavel nascida na França tiveram por filhos a Cecilia, Sofía e Alexander Emmanuel Alfaya Clavel. 
Lisette Alfaya Frías nascida em Havana a 9 de janeiro de 1969 casou a 21 de novembro de 1990 em Habana com Cesar López-Muro Suárez nascido a 27 de janeiro de 1967, filho de Fernando López-Muro Moreno e Martha Suárez Esquivel. Tuvieron por filho a Andrés Augusto López-Muro Alfaya y Frías nascido em Londres a 31 de julho de 1995."

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Cavalo de Troia

Na epiderme, a defesa da liberdade. Abaixo, a tutela.
por Fernando Schüler 
Na incrível fábrica brasileira de explicações simples para problemas complicados, escutamos de tudo. Há quem tenha culpado os jogos eletrônicos pela violência nas escolas. De um ministro escutei que a culpa era da “liberação das armas”, diante da monstruosidade feita com uma machadinha, em Blumenau. Em um grupo de WhatsApp, alguém foi taxativo: “A culpa é do Bolsonaro”. Imagino que em outros o culpado tenha sido o Lula. E de uma outra autoridade li que aquilo teria algo a ver com o “golpismo do 8 de Janeiro”.
Na cacofonia brasileira, cada um vai espalhando suas impressões. A favorita da vez é a de que as redes sociais têm culpa no cartório. Seja pelo 8 de Janeiro, seja pela violência, seja por tudo de ruim que anda por aí. E que, como é próprio da tradição brasileira, precisamos de mais uma lei para “pôr ordem em toda essa bagunça”.
É sobre isso o debate em torno da Lei das Fake News. O Estado, como se tornou comum por aqui, resolveu regular a discussão. E o fez à moda brasileira: empresas de comunicação, com óbvios interesses no projeto, podem fazer editoriais e emitir sua opinião favorável ao projeto. Empresas com visão contrária, negativo. São intimadas a depor, a retirar sua opinião, e se tornam “suspeitas” de uma penca de crimes. Não deixa de ser didático. Nos ajuda a pensar um pouco sobre o que está em jogo.
Os defensores da lei dizem que é preciso regular. É preciso mudar os termos no Marco Civil da Internet, uma antiga lei da época em que se imaginava a internet como um espaço aberto, e determinar que as plataformas devem “atuar diligentemente” para “prevenir e mitigar” toda a sorte de crimes, inclusive aqueles de natureza política, como os “crimes contra as instituições democráticas”. Uma plataforma terá de decidir o que entra ou não na conta de uma “grave ameaça” ao estado democrático de direito. E, se não acertar, será responsabilizada.
As plataformas igualmente terão de monitorar as redes para identificar se há alguma suspeita de crime atual ou que “possa ocorrer no futuro”. Se não o fizer, e não comunicar às autoridades, também podem ser responsabilizadas. Por fim, a lei dá amplos poderes ao Comitê Gestor da Internet para fixar “diretrizes” para os códigos de conduta das redes, e igualmente depois para “validar” a sua redação. O Comitê terá poderes para “limitar a distribuição massiva de conteúdos e mídias”, pelas empresas de mensagens, como o WhatsApp, e deve fazer uma “conferência anual” para discutir todos esses assuntos. Este último item demonstra a displicência com que fazemos leis no Brasil.
Alguém poderia se perguntar por que cargas-d’água o contribuinte brasileiro precisa pagar, ano após ano, uma conferência anual para discutir qualquer coisa referente à liberdade e à regulação da internet. Não há resposta. Apenas uma lei feita no embalo do ativismo e da fúria reguladora que há alguns anos tomou conta do país.
O Comitê Gestor existe desde os anos 1990, sempre teve atribuições essencialmente técnicas. Se aprovada a lei, a conversa será outra. Ele passa a propor coisas como “diretrizes estratégicas para a liberdade na internet”. Dirá, por exemplo, para quantas pessoas você e eu poderemos mandar uma mensagem, no WhatsApp, e dirá o que as plataformas deverão admitir ou banir. Não é pouca coisa. Podemos até fazer de conta que vivemos todos em uma grande reunião de escoteiros e que não há problema algum em delegar essas coisas a uma instância de poder qualquer.
Quando Madison e os fundadores dos Estados Unidos desenharam o Bill of Rights, na Constituição americana, era exatamente para que uma coisa dessas não acontecesse. Que o Congresso “não faria leis” restringindo um direito que, na sua visão, pertencia às pessoas, aos cidadãos, e não ao Estado. Isso não quer dizer que eles estavam certos. Eles apenas escolheram um caminho, diferente do qual parecemos adentrar, no Brasil.
As guerras culturais da democracia atual fizeram com que muita gente trocasse a defesa da liberdade de expressão por outros tipos de prioridade. O “combate às fake news” e aos “discursos de ódio” é exemplo óbvio. Nada disso é novo, muito menos a pergunta xarope que vem logo depois: quem teria o poder para definir essas coisas? Quem definirá o que significa um “risco sistêmico ao estado democrático de direito”, conforme se lê, insistentemente, no projeto? Alguém poderia dizer que tudo isso é autoevidente.
O PCO que o diga. Foi banido por “atacar” o STF, ou coisa do tipo. Daria uma tese de doutorado analisar tudo que foi incluído na conta de “ameaça ao estado de direito” no Brasil dos últimos anos. Do famoso tuíte do professor Marcos Cintra “ponderando” sobre as urnas eletrônicas a um dedo médio apontado para o edifício do STF. O atual projeto criminaliza a divulgação de “fato que (alguém) sabe inverídico” sobre o processo eleitoral. Ou um fato “passível de sanção criminal”. É duro ter de perguntar, pela enésima vez, o que é exatamente uma informação “verídica”?
Dar uma opinião contrária ao sistema eleitoral ainda será permitido? Alguém assumirá a possibilidade de cair na malha do “risco sistêmico” ou da “grave ameaça”? As plataformas assumirão o risco? Os cidadãos? Ou estamos (quase) todos alegres em viver numa democracia pautada pelo medo? Suspeito que sim. E talvez seja exatamente aí que resida o problema.
O que estamos discutindo, na verdade, é uma lei vaga, com uma redação displicente, que aprofunda um pouco mais nossa democracia de tutela. É democracia dos tipos penais abertos, da censura prévia, dos banimentos de jornalistas, das decisões “de ofício”, sem contraditório, sem devido processo legal, essas coisas que sempre nos soam tão bem quando atingem o “lado de lá” do jogo político.
De uma legislação técnica e bem-feita, que é o Marco Civil da Internet, arriscamos migrar para uma regulação com forte componente político. No eterno pêndulo liberdade versus segurança, parecemos fazer uma opção. O que esquecemos é que tanto a liberdade como a segurança têm lá seus riscos. A liberdade traz o risco de que inverdades sejam ditas; a segurança, o risco de que apenas certos tipos de inverdade possam ser ditos. E não acho que precisamos ir longe para saber disso, no Brasil atual.
Alguém me definiu o projeto todo como um cavalo de Troia. Nos preâmbulos, palavras amenas sobre a “liberdade”. “Garantir a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, o fomento à diversidade.” Logo adiante, quando a lei passa aos comandos objetivos, a liberdade desaparece. Surgem aí o comitê, os códigos, as remoções e punições. É a lógica de decisões recentes sobre a censura, no Brasil de hoje. Na epiderme, a defesa da liberdade; um pouco abaixo, a tutela. Não é bom caminho. Mas reconheço que ele é perfeitamente adequado à nossa tradição. “Somos latinos, não anglo-saxões”, como me disse uma irritada interlocutora, tempos atrás, em um debate. Na hora, brinquei que não sabia se aquilo era uma crítica ou elogio. Mas no fundo acho que todos sabemos.
Fernando Schüler é cientista político
 e professor do Insper 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Chama o Sherlock, pessoal!


por Percival Puggina
A majestática frieza que caracteriza a Esplanada dos Ministérios e os prédios da Praça dos Três Poderes nunca me empolgou, seja como arquiteto, seja como cidadão. Os ministérios me sugerem peças de dominó alinhadas para caírem em cascata, embora, na vida real, sejam moeda política preciosa na tesouraria do governante. Os três poderes, na minha concepção, são um erro porque deveriam ser quatro. Como consequência nunca nos faltaram na história da República usurpadores para esse quarto poder — o indispensável Poder Moderador — cuja carência é causa de muitas das nossas crises. Mas isso é assunto para outro artigo.
Vamos ao mais recente mistério brasiliense, que está a cobrar vaga para um Sherlock Holmes na CPMI da Censura. O que me inquieta não é o fato que vi causar grande contrariedade entre alguns protagonistas deste momento político. Não me interessa saber quem vazou os vídeos tomados no interior do Palácio do Planalto. O importante é terem chegado ao conhecimento público. O que me suscita enorme curiosidade é o motivo para tantas horas de gravação terem sido postas sob sigilo por quem diz que nunca os assistiu antes de aparecerem na tela da tevê.
Chama o Sherlock, pessoal!
Também me intriga que os processos referentes aos envolvidos naqueles atos tenham seguido curso antes de serem tais imagens devidamente estudadas e se incorporarem ao conjunto probatório encaminhado à PGR e ao STF. Quando isso acontece, por falta de tempo, conforme tem sido dito, a autoridade encarregada pede a prorrogação do prazo. Vídeos tomados por dezenas de câmeras de vigilância instalados em cena de crime não se empacotam para serem assistidos quando der tempo. Mesmo assim, as peças acusatórias foram dadas por prontas e encaminhadas pela PGR ao STF.
Chama o Sherlock, pessoal!
Perante o mistério e na falta do Sherlock, minha intuição me leva a crer que tenha sido a pressa, também neste caso, a grande inimiga da perfeição (ou amiga da imperfeição). Isso combina bem com algo que tem sido para lá de frequente em nosso ambiente político e judiciário. O exemplo mais recente foi a votação do pedido de urgência para votar a projeto da Lei Brasileira da Censura pelo plenário da Câmara. A urgência foi aprovada na correria, atropelando a sensatez, e com menos de uma dúzia de parlamentares conhecendo o conteúdo daquilo a que concediam tanta urgência. Era para engolir tudo enrolado, mesmo! De afogadilho, sem tempo para serem advertidos sobre o que estavam aprovando.
No caso dos eventos do dia 8 de janeiro, minha intuição me diz que o urgente era tornar réus os recolhidos no magote de prisões feitas na frente do QG do Exército. E aí me socorro do ministro Gilmar Mendes quando verberava sua indignação, em reuniões do pleno do STF, contra o que chamava “condenações em cambulhada” que ocorriam em Curitiba como consequência das investigações, confissões e delações da Lava Jato.
Agora, quem se desagradou com o juízo de Curitiba declara réus cidadãos indiciados em pacotes de cem e de duzentos! A pressa é inimiga da perfeição. Na dúvida, chama o Sherlock, pessoal.

sábado, 15 de abril de 2023

O Que Celso Amorim Foi Fazer em Moscou?

O que será que há por trás da reunião sigilosa do "megalonanico" com Putin.
Celso Amorim, foi recebido em Moscou logo após a detenção do jornalista estadunidense Evan Gershkovich. Há hipótese de negociação envolvendo um espião russo preso no Brasil
¿Que foi fazer Celso Amorim na Rússia em 28 de março? O conselheiro de Política Externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido por Vladimir Putin no Kremlin durante uma hora, em uma visita não oficial, qualificada de “discreta” pela imprensa brasileira e somente revelada quando de seu regresso, graças a uma nota do diário Valor.
O ex chanceler, que dirigiu o Itamaraty, o Ministério de Assuntos Exteriores do Brasil, nos dois mandatos anteriores de Lula (2003-2010), saiu de Brasília em 28 de março, aterrissou em Moscou no dia 29 e depois foi à França para uma breve viajem antes de regressar ao Brasil em 2 de abril.
Indagado pela imprensa sobre a viagem, Amorim disse que o objetivo da reunião era tratar de uma possível negociação de paz brasileira para por fim ao conflito na Ucrânia. “Não há uma solução imediata”, disse Amorim, “há que preparar um cenário para quando se materialize a vontade política; e quando ficar claro para uma parte e para a outra que o custo da guerra é maior que qualquer concessão, [daí] poderão fluir as ideias de paz. Os russos disseram que apreciam os esforços do Brasil tanto como os da China. Pequim apresentou um plano de paz que foi rejeitado pelo ‘Ocidente’”.
Nos mesmos dias, em Moscou, alguns dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula, como o secretario geral Henrique Fontana e o secretario de Relações Internacionais Romênio Pereira, participaram de um evento do partido de Putin, Rússia Unida, sobre o tema do neocolonialismo. À agencia russa Tass, o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, se limitou a afirmar que “a reunião com Amorim teve lugar para reafirmar o convite prévio a Lula para realizar uma visita oficial à Rússia e para falar das relaciones bilaterais”.
Segundo os russos, em resumo, Amorim foi recebido por Putin para confirmar o convite a Lula e falar das relações bilaterais, enquanto que, segundo os brasileiros, foi para uma possível negociação de paz na qual Putin, de fato, não estava interessado. Por isto, muitos começam a se perguntar se nessa reunião o tema não era outro.

A ideia da troca
Sergey Cherkasov em um vídeo de 2017
Por exemplo sobre Sergey Cherkasov, um cidadão russo com a falsa identidade brasileira de Victor Muller Ferreira, acusado de espionagem ao tentar infiltrar-se como estagiário no Tribunal de Haya, na Holanda, onde, segundo as investigações, queria acessar informações sobre as investigações relacionadas a crimes de guerra russos.
As autoridades holandesas o deportaram para o Brasil, onde foi detido em 3 de abril de 2022 e condenado a 15 anos de prisão pela Justiça Federal de São Paulo por uso continuado de documentação falsa. Desde dezembro, Cherkasov está preso em Brasilia e Moscou solicitou sua extradição alegando — como é habitual quando se trata de repatriar a seus próprios agentes operacionais — que Cherkasov é um fugitivo, membro de uma organização de tráfico de heroína, e que seus crimes foram cometidos entre 2011 e 2013, ainda que Rússia nunca o havia buscado antes de 2022. Mais estranho ainda quando se considera que, segundo os registros de imigração brasileiros, o espião russo estava no Brasil tanto em 2010 como em 2011.
Evan Gershkovich (The Wall Street Journal/Handout via REUTERS)
Justo quando Amorim aterrizava na capital russa, em 29 de março, o correspondente em Moscou do diário estadunidense Wall Street Journal, Evan Gershkovich, era detido en Ekaterimburgo pelo FSB, o Serviço Federal de Segurança, sucessor da temida KGB. A acusação é de espionagem, algo que não se via desde 1986, durante a Guerra Fria, com a detenção pelos russos, pelas mesmas acusações, do jornalista estadunidense Nicholas Daniloff.
Uma semana antes da prisão de Gershkovich, o que demonstra como as datas nesta historia também podem indicar um rumo geopolítico, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia acusado de espionagem a  Cherkasov, que sempre sob falsa identidade brasileira de Victor Muller Ferreira, após estudar Ciências Políticas no prestigioso Trinity College de Dublín, Irlanda, havia obtido um título de Mestre no programa de Relações Internacionais da Universidade John Hopkins de Washington, especializando-se em política exterior estadunidense. A acusação das autoridades da administração Biden é o requisito legal prévio para um possível pedido de extradição pelos EUA.
No Wall Street Journal, John J. Sullivan, embaixador dos Estados Unidos em Moscou até o ano passado, afirmou que o fato de que o jornalista fosse acusado de espionagem e não de um delito comum sugere “que o Kremlin quer um grande premio na troca, um prisioneiro de alto perfil”. Algo como um espião. Nada a ver com as mais recentes permutas de prisioneiros entre Moscou e Washington, como a de abril de 2022 entre o ex marine Trevor Reed, acusado de agredir a dois oficiais russos, e Konstantin Yaroshenko, condenado por tráfico de drogas nos Estados Unidos. E, mais recentemente, em dezembro, a negociação da campeã de basquete Brittney Griner, detida em Moscou com menos de um grama de óleo de haxixe, pelo russo Viktor Bout, notório traficante de armas conhecido como O Mercador da Morte.
Daniel Hoffman, ex funcionário da CIA em Moscou, declarou ao Wall Street Journal que “o momento da detenção de Gershkovich não é, provavelmente, uma coincidência” e que o Kremlin “está tratando de incentivar uma troca de prisioneiros”, assinalando que a acusação de Cherkasov por parte dos EUA precedeu em uma semana à detenção do jornalista. Para o ex embaixador Sullivan, sem dúvidas, não está claro que Washington tenha sob sua custodia algum espião russo de alto nível. E, acrescenta o Wall Street Journal, “um câmbio incluindo Gershkovich pode ser mais difícil hoje, devido às atuais relações entre EUA e Rússia”.
Aqui, portanto, é onde o Brasil poderia entrar no jogo. Porque tem um espião russo que pode oferecer como moeda de troca — o Supremo Tribunal Federal autorizou sua extradição para a Rússia quando acabe a investigação no Brasil — e porque haveria uma perspectiva de dívida moral, tanto no Kremlin como na Casa Branca, que daria a Lula, e nem tanto ao país, uma vantagem política em sua ambígua política exterior, na qual aperta a mão de Biden e abraça o mundo multipolar de China, Rússia e Iran.
Cherkasov, que não está acusado de espionagem no Brasil, também exercia seu oficio de espião no país latino-americano. Utilizava esconderijos — "dead drop", ou recipiente fixo — para deixar dispositivos eletrônicos e mensagens, que depois eram recolhidos por outros membros da organização. Um destes recipientes foi descoberto em um bosque de Cotia, cidade vizinha a São Paulo. O documento falso com que ele ocultou sua identidade durante anos no Brasil declarava seu nascimento em 4 de abril de 1989 em Niterói, Rio de Janeiro. Foi precisamente em Niterói que a justiça brasileira descobriu e fechou, após 10 anos de processo penal, um cartório de registro civil que servia como uma fábrica de certidões de nascimento falsas, utilizadas também por uma rede de libaneses condenados por obter a nacionalidade brasileira com documentos falsos.
Além de Cherkasov, nos últimos meses foram descobertos pelo menos outros dois espiões russos com falsas identidades brasileiras. Em outubro, o serviço secreto norueguês deteve Mikhail Valeryevich Mikushin. Ele havia se apresentado como o pesquisador José Assis Giammaria na Universidade de Tromsø. Gerhard Daniel Campos Wittich era o nome falso de outro espião russo, cujo verdadeiro sobrenome segundo as autoridades gregas é Shmyrev, que viveu no Rio de Janeiro durante cinco anos, sob uma identidade brasileira com ascendência austríaca. Foi descoberto pelo serviço secreto grego porque sua esposa, a também espiã Irina Romanova, sob o nome de Maria Tsalla, operava em Atenas. O casal fugiu supostamente para Moscou, em janeiro.
No Rio de Janeiro, o suposto Daniel Campos havia alugado recentemente uma moradia próxima ao consulado estadunidense e era proprietário de uma empresa de 3D que produzia, entre outras coisas, esculturas de resina e vendia seus produtos tanto ao Exército como à Marinha e ao Ministério da Cultura do Brasil. Quem deu o sinal de alarme de seu desaparecimento em janeiro foi a noiva brasileira de Daniel Campos, que desconhecia a verdadeira identidade do jovem e denunciou seu desaparecimento durante uma viajem à Malásia.
O grande mistério segue sendo por que os espiões russos utilizam tanto o Brasil. As explicações podem ser múltiplas. Desde a facilidade para conexão a redes ilegais que proporcionam identidades falsas até a riqueza do país e seu papel estratégico no continente americano. Sob os mais de 7.000 quilômetros de costa atlântica do Brasil há quilômetros de cabos submarinos que conectam a infraestrutura de Internet do país com redes de todo o mundo. Fortaleza, no Ceará, hospeda o segundo maior centro de cabos submarinos do mundo (12 no total), com conexões para Estados Unidos (incluídos os cabos Monet em Boca Ratón, Florida), África e Europa. A Contra-inteligência, também é frágil no país. Ninguém investigou, por exemplo, se havia espiões a bordo do navio russo Akademik Boris Petrov.
O Governo do ex presidente Jair Messias Bolsonaro autorizou uma expedição científica deste navio em águas amazônicas [na verdade, atlânticas (*)] após reunir-se com Putin no ano passado, poucos dias antes do início da guerra na Ucrânia. A zona onde o Akademik Boris Petrov realizou sua exploração, em novembro passado, tem importância geopolítica. A companhia petroleira nacional brasileira Petrobras está investigando a região em busca de seus recursos petrolíferos. Além disso, o Akademik Boris Petrov havia desviado para a costa britânica em sua rota para o Brasil. Segundo o blog Plentyofships e alguns meios britânicos, sua passagem coincidiu com um acidente que danificou a infraestrutura do cabo submarino entre as Ilhas Feroe e Shetland. A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, falou de uma “situação de emergência” para as ilhas.
Por último, cabe mencionar que se a guerra na Ucrânia fracassa, Vladimir Putin poderia fugir para a América Latina, segundo informou Abbas Gallyamov, antigo porta-voz de Putin. O canal de Telegram Mozhem Obyasnit afirma que funcionários russos de alto escalão estariam se empenhando em comprar propriedades e em solicitar o status de residentes na Venezuela, Equador, Paraguai e Argentina.
Também, diplomatas russos teriam comprado propriedades na Ilha Margarita da Venezuela, para escapar da detenção em caso de que a guerra conduza a uma mudança de regime na Rússia. Enquanto isso, Lula se prepara para receber em visita oficial o ministro russo de Assuntos Exteriores, Sergei Lavrov, que chegará a Brasília em 17 de abril após a viajem de Lula a China, o que poderia aplainar o caminho para a troca de Cherkasov por Gershkovich.
Fonte: tradução livre de Infobae
COMENTO: Temos, então, mais uma jornalista se esmerando para justificar ou manipular os objetivos do passeio inútil do megalonanico Celso Amorim pela Europa, dissimulado em "assuntos bilaterais", talvez com o propósito de apagar a imagem de anão diplomático adquirida pelo atual assessor presidencial em gestões passadas. O propalado "plano de paz" sequer teve a atenção de Putin. A propósito, com a recusa do russo, o Borracho-mor deu entrevista sugerindo, então, que a Ucrânia aceitasse abrir mão da Crimeia, como "gesto de boa vontade" para encerrar o conflito com a Rússia. O chanceler ucraniano, diplomaticamente só faltou recomendar que o Cachaceiro enfiasse a proposta no rabo. Sobrou, então, a narrativa sobre os espiões russos com documentação brasileira, que poderia ser o motivo da visita do chanceler russo, trazendo um contêiner com cinco toneladas de misteriosa "bagagem diplomática", previamente guardado na Argentina.
Negociações obscuras sobre compra e venda de insumos, não passaram pela imaginação da jornalista, obviamente.
Esperamos que tanto o pessoal da nossa Polícia Federal, quanto o da ABIN estejam atentos a esses possíveis indícios de "ameaças e oportunidades" e que, pelo menos tenham identificado os "outros membros da organização" que apanhavam as encomendas deixadas no bosque em Cotia/SP.  Enquanto isso, o pessoal da Contrainformação russa continua alimentando a história do espião preso no Brasil, sabe-se lá com qual interesse. 
(*) Não sei se houve falta de informação ou excesso de má fé da redatora original do texto, mas a Portaria autorizando o trabalho de pesquisa do navio russo na costa brasileira é muito clara e específica. Não houve autorização para ingresso em área interna brasileira, sendo que a pesquisa foi em águas marítimas atlânticas. Durante todo o período em águas brasileiras, havia um Oficial da Marinha Brasileira fiscalizando, desde a rota percorrida, até os trabalhos propriamente ditos. As amostras coletadas foram analisadas e conferidas pela FURG (Fundação Universidade de Rio Grande) e pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco); o blog citado como fonte de suspeitas sobre o navio já não se encontra na internet. Por fim, a mesma Portaria prevê a apresentação de um Relatório, com itens muito específicos a serem bem detalhados ao término das pesquisas.

sexta-feira, 31 de março de 2023

Golpe Interrompido

Imagem: Internet
por Ari Cunha
Nesta data, em 1964, o Brasil pegava fogo. João Goulart armava a mudança do regime. O comunismo ameaçava o país.
Em São Paulo, surgiu movimento comandado pelas senhoras católicas. Saíram às ruas protestando contra o desvio para onde o Brasil estava sendo dirigido. O movimento chegou a outros estados. Mostrava a revolta em que vivia o povo. O comunismo não tinha vez. Era contra o que pensam ainda hoje os brasileiros.
As Forças Armadas seguiram a tradição de paz. Apareceram com valor. Assim foi evitada a entrada do Brasil no caminho aberto por outros povos.
Instituiu-se o governo militar. O presidente escolhido para substituir Jango foi Castello Branco. Homem de liderança nas Forças Armadas, prontificou-se a terminar o mandato interrompido. Ficou mais um ano por determinação da massa e da força.
O projeto era devolver a democracia ao Brasil. A revolução durou 20 anos, sufocando até guerrilha no Araguaia.
O país não vive mais a agonia. A história é contada fora da verdade. Derrotados ganharam em dinheiro o “patriotismo” do gesto. Foi prêmio aos porcos, que mataram jovens com a farda militar, para roubar armas. Esses mortos escreveram a história com dignidade.

quarta-feira, 15 de março de 2023

Pior a Emenda que o Soneto

por Marcus Vinicius Gravina
É a conclusão que se pode ter das declarações em vídeos, que teriam vazado de uma reunião de militares do comando do Sudeste atribuídas ao atual Comandante-geral do Exército. Circulou há poucos dias e foram comentadas no Menu Globo/Política, Band Jornalismo e CNN Brasil (04 Mar 23), que motivaram este artigo.
De vários tópicos, considerei da maior importância o que abordou a suposta fraude nas eleições de outubro de 2022.
Foi precisa a afirmação do general, de que não houve fraude. No entanto deixou dúvidas que serão destacadas. Falando consigo mesmo, como se estivesse diante de um espelho disse:
“Ah! Mas tinha coisa que a gente não pode ver? Sim. Tinha coisa por exemplo ... o código fonte era possível? Não. Por quê não era possível? Porque levaria uma montanha de tempo. Agora esse mesmo processo eleitoral que elegeu o atual presidente e que não elegeu o ex-presidente, ele foi o mesmo processo que elegeu majoritariamente um congresso conservador”.
Em outro vídeo, prossegue: “Ele (Bolsonaro) teve mais votos nesta eleição do que teve na outra. Então, a diferença nunca foi tão pequena. Foi mínima. E aí o cara fala assim — pô general, mas não teve fraude? Nós participamos de toda a fiscalização, fizemos relatórios, fizemos tudo. Constatou-se fraude? Não. Não dá para falar com certeza que houve qualquer tipo de irregularidade. Infelizmente foi resultado que para a maioria de nós foi indesejado, mas aconteceu”.
A ambiguidade neste texto está presente nele. No início o general foi categórico: não houve fraude. Mais adiante, reabriu a dúvida ao declarar: “não dá para falar com certeza que houve qualquer tipo de irregularidade”.
Os relatórios da fiscalização do Exército revelaram esta incerteza, até o ponto que chegaram os trabalhos das FFAA, representada pelos técnicos do Exército. Foi quando, para elucidar e concluir a auditoria ou fiscalização de urnas suspeitas, consideraram indispensável e requisitaram o código fonte ao TSE, o que foi negado por seu presidente.
Tentando justificar a interrupção das investigações, que esperaram em vão pela entrega do código fonte da apuração de urnas não auditáveis, de outra forma, fez questão de dizer que de 1º a 8 de janeiro deste ano, dia das invasões na praça dos três poderes, o Presidente da República/Comandante Supremo das Forças Armadas era outro. Se não disse ficou implícito, que na qualidade de superior hierárquico das FFAA, o presidente não teria permitido ou não admitiria a continuidade da auditoria que poderia lhe custar a perda do mandato.
Este foi o impasse que congelou a apuração dos fatos, que correm o mundo perplexo com os estridentes acontecimentos políticos em nosso território.
Quanto à maioria conservadora eleita para o Congresso no mesmo pleito evidencia-se mais um indicativo da incoerência ou distorção do resultado da eleição para presidente, tratando-se de eleitos pela mesma ala política do candidato derrotado.
O foco da questão, se houve alguma manipulação, foi na apuração dos votos presidenciais. Sem o código fonte, a verdade é uma só: as FFAA (Exército),  não concluíram a missão fiscalizadora, que contou para isto com todo o apoio e expectativa da sociedade brasileira.
A lógica da fala do Comandante do Exército leva a considerar o “dito por não dito”.
Não houve feridos em batalhas, mas muitas chagas foram abertas no âmago dos cidadãos brasileiros, que foram e continuam obrigados a votar, sem garantia de correção do uso de urnas não auditáveis.
Assim, como cidadão, exerço meu direito de opinião. Não é momento de se omitir.
Caxias do Sul, 03.03.2023

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Pulso Eletromagnético — Sabes do que se trata?

Possivelmente, a maioria da população mundial não sabe do que se trata esse termo. 

Outra parcela já ouviu falar ou leu algo a respeito e classificou o assunto como "mais uma teoria da conspiração". 

Não é! 

E é bom se informar! 


terça-feira, 10 de janeiro de 2023

O Significado de "Antifascista"

por Paulo Briguet

Quando comecei a trabalhar em jornal, no longínquo ano de 1992, as matérias ainda eram feitas em laudas de 20 linhas e 70 toques, com máquinas de escrever. Na época eu era trotskista e possuía uma Olivetti portátil sem a letra “a” — fato que muitos anos mais tarde entrou no enredo do excelente filme argentino “O segredo dos seus olhos”, numa rara ocasião em que a vida precedeu a arte. Tenho aqui nos meus alfarrábios alguns desses textos em que todas as letras “a”, maiúsculas ou minúsculas, foram feitas com caneta Bic nos espaços em branco deixados pela Olivetti banguela.
Submeto vocês, meus sete leitores, a essas lembranças pessoais unicamente pela razão de que hoje vi no Twitter a foto acima. Na imagem podemos ver, reunidos em um palanque, diversos chefões dos países comunistas. O lugar é Berlim Oriental; o ano, 1986; o motivo da comemoração, os 25 anos da construção do Muro de Proteção Antifascista (Antifaschistischer Schutzwall), mais conhecido como Muro de Berlim, ou Muro da Vergonha. Três anos depois dessa foto, o Muro cairia. E então ficou bem claro que “proteção antifascista” era apenas o nome oficial da escravidão de um povo.
Nosso repórter-escritor Fábio Gonçalves está escrevendo um artigo sobre a gênese do movimento “antifascista” que atualmente vem semeando caos, discórdia e morte nos Estados Unidos e promete fazer o mesmo no Brasil. Mas, antecipando-me ao Fábio (embora sem o seu talento), não resisti à tentação de publicar essa foto para que as pessoas entendam o verdadeiro sentido da causa “Antifa”. O termo “antifascismo” tal como é usado hoje, não passa de um eufemismo vagabundo para justificar a opressão contra as pessoas comuns — trabalhadores, cristãos, pais e mães de família, cidadãos sem pedigree ideológico — que repudiam o projeto de poder esquerdista e constituem a maioria da população.
Antes do advento da internet e das redes sociais, fazer o que estou fazendo agora — ou seja, mostrar que o antifascismo significa apenas um pretexto para o crime — era quase impossível. Primeiro, você tinha que encontrar a foto (e os jornais, revistas e arquivos estavam quase todos na mão da esquerda). Depois, mesmo que você conseguisse encontrar a imagem, precisava passar pelos inúmeros filtros de informação comandados por editores, redatores e repórteres alinhados com o progressismo. Se, por milagre, você conseguisse publicar a foto e o comentário em algum veículo de comunicação, teria em seguida de enfrentar o bombardeio de desmentidos, desinformação e ataques pessoais dos companheiros jornalistas, professores e intelectuais bem-falantes.
Hoje em dia, no entanto, basta um clique e um post para desmascarar as mentiras que a esquerda levou décadas para construir. É por isso que os políticos — e, nos últimos 30 anos, o cenário político-cultural brasileiro foi totalmente dominado pelo progressismo — querem de qualquer maneira controlar e censurar a internet. Na verdade, o sonho do establishment é construir um Muro de Berlim em torno das informações — o Muro da Liberdade e da Proteção Antifascista.
Adendo: Como complemento didático, eu não poderia deixar de mostrar a vocês sete esta outra foto. Nela, temos o ditador da Alemanha Oriental, Erich Honecker, muito à vontade com a ativista Angela Davis, do grupo terrorista Panteras Negras, modelo e inspiração para os atuais Antifas.

— Paulo Briguet é cronista e
 editor-chefe do BSM.
Discurso antifascista é apenas uma estratégia para construir um muro de opressão e censura em torno das pessoas comuns