quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Militares do Exército Desacatados por PMs em Greve em Rondônia.

Autorizados pela presidência da República, soldados do Exército iniciaram nesta sexta-feira o patrulhamento das ruas das grandes cidades de Rondônia. 
Vídeo postado pelo site Rondoniaovivo mostra o medo e apreensão de militares com a aproximação de um contingente nas proximidades do 5º BPM. 
O Exército não iria realizar nenhuma ação de retomada, mas apenas o serviço normal de patrulha ostensiva. Mulheres pedem calma aos PMs.
Comentário:
Aos 59s, um dos grevistas(?) diz: "esse fuzil tu enfia no teu c..., c...!" Na sequência, outro ameaça o militar que parece ser o comandante da tropa: "Cês tão todo dia na rua, tá bom? Cês tão todo dia na rua!"
 Fonte:  Blog do Montedo
COMENTO:  a falta de reação por parte dos militares federais demonstram, por um lado, a disciplina e o bom senso, e por outro, o enorme desrespeito por parte de policiais — servidores pagos com dinheiro público — para com integrantes de uma Instituição Federal. Nos bons tempos, seria solicitado reforço e os "revoltados" encaminhados "a pau" para um quartel onde ficariam à disposição de um encarregado de IPM. Mas nos tempos democráticos de hoje, ofender milico em serviço já não deve mais ser crime.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

São Carlos Marighella

por Janer Cristaldo
duas semanas, comentando o instituto criado por Cristina Kirchner para reescrever a história da Argentina, eu afirmava que tal ideia nada tem de novo para quem vive no Brasil. Mas se antes as revisões históricas eram feitas em séculos, hoje os ocupantes do poder estão acelerando o ritmo e as fazem em décadas. Vide este país nosso. Não se passaram cinqüenta anos, e as esquerdas brasileiras reescreveram a história do Brasil. Os militares que, em 64, salvaram o país de tornar-se uma republiqueta soviética, são vistos hoje como bandidos. E bandidos são vistos como heróis.
Desde há muito vem se reescrevendo a história do Brasil. Começou com Ruy Barbosa, destruindo documentos relativos à escravidão. De lá para cá, a história vem sendo revista ano a ano. Lampião, um bandoleiro vulgar, foi promovido a herói. Zumbi, dono de escravos, foi promovido a defensor dos escravos.
Porto Alegre não tem memorial algum dedicado a gaúchos que, bem ou mal, tiveram sua importância, como Getúlio Vargas, Érico Veríssimo ou Mário Quintana. Existe a casa Mário Quintana, é verdade, cabide de empregos instalado no hotel em que vivia, pobremente, o Quintana. O poeta morreu na miséria. (Mas seu nome serviu como pretexto a gordos salários a um monte de vagabundos).
Em agosto passado a prefeitura da capital gaúcha liberou o início de construção do prédio em homenagem a Luís Carlos Prestes, assassino a mando de Moscou e certamente o mais obscurantista líder que o Rio Grande do Sul produziu. Transcrevo nota publicada na imprensa:
Desenhado e doado por Oscar Niemeyer em 2008, o projeto do Memorial Luís Carlos Prestes receberá nesta quinta-feira, 25, às 17h, a assinatura final do arquiteto. Com o ato, a prefeitura estará autorizada a liberar o início de construção do prédio que eterniza a memória desse ícone da história porto-alegrense e brasileira. O prefeito José Fortunati, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Noveletto, o arquiteto responsável pela execução da obra, Hermes Teixeira da Rosa, representantes da Corrente Prestista e familiares de Prestes participam do encontro com o arquiteto no Rio de Janeiro.
A construção do Memorial Luís Carlos Prestes será feita pela FGF como contrapartida pela cessão de uso do terreno para a nova a sede da entidade, que servirá como base administrativa e de operações voltadas à Copa do Mundo de 2014. A área, de 10 mil m², está localizada na Av. Edvaldo Pereira Paiva esquina com a Av. Ipiranga e abrigará os dois prédios.
Para o prefeito Fortunati o memorial representa dois marcos fundamentais para a cidade. "A iniciativa ergue espaço de um resgate histórico necessário e será o primeiro projeto de Niemeyer a ser executado na Capital". A obra deve iniciar até o final do ano e ficará pronta em prazo de 18 meses.

Obviamente, deve ter dedo do capitão-de-mato Tarso Genro nesta homenagem ao celerado. Tarso sempre manifestou seu fascínio por Prestes e o tem como um de seus ídolos. Também é normal que Niemeyer, o fóssil comunossauro, seja o autor do projeto. O Muro caiu há mais de duas décadas em Berlim. No Brasil, continua em pé. Resgate histórico necessário é o nome novo dado pelo prefeito para mentira histórica colossal.
Culminou ontem a santificação de mais um bandoleiro da história pátria, Carlos Marighella. No dia em que faria 100 anos, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça reconheceu que ele foi perseguido pelo Estado desde os anos 30, na ditadura de Getúlio Vargas.
Perseguido? Ora, em 35 Marighella participou da Intentona Comunista, tentativa de golpe de estado liderada pelo celerado gaúcho e financiada por Stalin. Pretenderia por acaso que lhe erguessem um monumento? Nos anos 60, o baiano foi o líder da ALN (Ação Libertadora Nacional), uma das organizações terroristas que mais matou pessoas no Brasil (entre estas, algumas que nada tinham a ver com o peixe) e que foi responsável pelo seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969, para trocá-lo pela libertação de 15 presos políticos. Marighella, que pregava a luta armada e que escreveu inclusive um manual de guerrilha, não pode queixar-se de ter sido passado pelas armas.
Numa reportagem evidentemente simpática ao terrorista, escreve Marcelo Ridenti na edição de hoje da Folha de São Paulo:
Morte violenta ajudou a forjar o mito do guerrilheiro heroico
Carlos Marighella talvez tenha sido o líder comunista brasileiro mais destacado, depois de Luiz Carlos Prestes. Militante do Partido Comunista desde os anos 30, teve longa trajetória até fundar a ALN (Ação Libertadora Nacional) e ser morto numa emboscada em São Paulo, em 1969, como resultado da escalada repressiva após o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick.
Escalada repressiva? O jornalista queria o quê? Que buscassem Marighella para condecorá-lo com a Ordem de Rio Branco? O Estado reagiu ao seqüestro e o santo homem das esquerdas levou a pior. Continua o repórter:
Foi paladino da opção democrática no pós-guerra e do esquerdismo do Manifesto de Agosto de 1950. Criticou o segundo governo Vargas e aproximou-se dos trabalhistas depois de seu suicídio.
Pode ser paladino da opção democrática quem tentou tomar o poder por ordens de Moscou? Quem teve como líder o frio assassino de Elza Fernandes?
Conhecido pela firmeza e pela emotividade, conta-se que teria chorado com a revelação oficial dos crimes de Stálin em 1956.
Não foi o único a chorar. Tive notícias de não poucos comunistas que choraram com as denúncias de Kruschov. Se os crimes de Stálin permanecessem ocultos, o Paizinho dos Povos continuaria merecendo a reverência de multidões no mundo todo. E os coitadinhos dos meigos e ternos e sensíveis comunistas não teriam razões para chorar.
Mais um pouco, e o celerado terá seu memorial. Provavelmente será matéria de vestibular. Se é que já não é. Basta dois milagres e poderá ser canonizado. Abaixo (clicando AQUI), segue artigo que escrevi ainda este ano.
Fonte:  Janer Cristaldo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Conclusões Politicamente Incorretas Extraídas da Morte de Kadafi

por Francisco César Pinheiro Rodrigues
Muamar Kadafi era, sem dúvida, um déspota desagradável — há tiranos "maneiros’... —, vingativo, nem um pouco esclarecido. Quando menino, nas aulas de História Geral, eu achava engraçada a expressão "déspota esclarecido". Cheio de caprichos, Kadafi dava imenso trabalho ao cerimonial e serviços de segurança dos países do Primeiro Mundo que visitava como convidado oficial. Exigia dormir em tendas, ao ar livre, mesmo em Roma, Nova Iorque e Paris. Não tinha o menor receio de afrontar os representantes das maiores potências nem os CEOs das riquíssimas companhias petrolíferas ocidentais, embora plenamente consciente de que dinheiro é poder. E o poder consegue praticamente tudo quando dispõe, sozinho, do privilégio de moldar, à vontade, a manipulável opinião pública. Kadafi atreveu-se — conta-se —, a rasgar a Carta das Nações Unidas em plena Assembléia Geral da ONU. Descontada a teatralidade, tinha uma certa razão, porque essa Carta não foi concebida para impor estilos de governo. Foi feita para obrigar, igualmente, todas as nações, fortes e fracas, a respeitar as demais, não interferindo nos seus assuntos internos.
Pelo que informa a mídia, Kadafi guardava no Exterior bilhões de dólares, em contas do Banco Central líbio e outras instituições governamentais. Como suas decisões não podiam ser contestadas por ninguém, o dinheiro depositado poderia — em tese — ser sacado pelo próprio Kadafi, para uso pessoal ou de sua família. Por outro lado, estando tais contas em nome de órgãos governamentais, isso foi benéfico para a Líbia, que ficou com reservas em dinheiro depositado no Exterior. Estivesse o dinheiro depositado em bancos na própria Líbia, essa riqueza já teria sido saqueada na confusão de meses de lutas internas.
Por mera intuição de psicólogo amador, arrisco "diagnosticar" — futuros biógrafos mostrarão se estou certo ou errado — que Kadafi fazia algum uso de anfetaminas, droga que, quando consumida sem restrições acentua a mania de perseguição, passada a euforia inicial. No seu caso, aliás, a paranoia era altamente recomendável porque o mantinha em constante alerta contra um enxame de inimigos que queriam seu lugar. Tendo tomado o poder ilegitimamente, em 1969, com 27 anos, sabia que só podia confiar na força e na intimidação porque foi com esses componentes da luta política — em países com pouca alfabetização — que se tornou o "homem forte" da Líbia. Conseguiu esse status em setembro de 1969, mediante um golpe de estado. Liderando um grupo de oficiais, tomou o poder quando o rei, Idris — o primeiro e único rei líbio — estava ausente do país. Idris, um monarca religioso e de saúde frágil, após sua deposição foi acolhido pelo Egito, ali vivendo — tudo indica confortavelmente —, até falecer em 1983. Nesse "golpe" de 1969 não houve derramamento de sangue.
Não obstante seus inúmeros defeitos — mesmo o demônio não consegue a perfeição em sua maldade — , Kadafi beneficiou o povo líbio quando, logo após se tornar o "dono" do país, exigiu uma maior participação estatal nos lucros do petróleo, extraído pelas poderosas empresas ocidentais. Caso contrário, elas não teriam mais permissão de continuar operando. Sabia que as petrolíferas acabariam cedendo, como realmente ocorreu. Seria suicídio econômico se elas abandonassem o lucrativo investimento. E sua ousadia foi sendo imitada por outros países da região, ricos em petróleo e gás, o que explica — em boa parte —, porque Kadafi era tão odiado pelos países mais ricos do ocidente.
Com a maior união dos países árabes, no item petróleo, o barril foi subindo de preço, para indignação daqueles países ocidentais acostumados, até então, a conceder à Líbia e outros países árabes apenas as migalhas do lucrativo negócio. Esses aumentos pareciam, ao Ocidente, uma autêntica "extorsão", tirando proveito de uma forma de energia até então impossível de substituir. Um dia Kadafi pagaria por esse estímulo à "chantagem".
E pagou, no dia 20 de outubro de 2011, ainda que, com muita habilidade política, usando-se mãos alheias: os revoltados com a longa ditadura. Seria necessário, para salvar as aparências, que os rebeldes líbios — não a OTAN —, fizessem o "serviço sujo". Atente-se que os pilotos da OTAN, sabendo ou presumindo que Kadafi estava na caravana de automóveis que fugia da cidade, não bombardeou ou metralhou largamente os veículos — como vinha fazendo antes —, porque com isso poderiam matar o ditador. A ordem, provavelmente, para os pilotos — ou para os controladores dos vôos não tripulados — seria mais ou menos essa: —"Apenas impeçam a fuga dele! Não o matem! Detido o comboio, será alcançado pelos rebeldes que certamente o matarão, algo muito mais prático que um julgamento público. Sabe-se lá o que ele diria em sua defesa, no tribunal? Se os aviões da OTAN o matarem diretamente estaremos violando a Convenção de Genebra. Isso seria um ato de guerra. E nesta é crime matar o inimigo que se rendeu. Juridicamente não estamos "em guerra". Estamos apenas favorecendo um dos lados, protegendo a população líbia". E assim aconteceu. Os revoltosos pegaram Kadafi e o lincharam e mataram. Soaria muito mal, política e juridicamente, que potências estrangeiras, integrantes da Otan, matassem um chefe de estado no próprio país dele. Essa manobra tem uma metáfora bem popular: "Puxar a sardinha com a mão do gato".
Abordando o assunto sob o ângulo de Direito Internacional é preciso frisar que a Carta das Nações Unidas não autoriza o uso do assassinato de chefes de estado a mando de outros Estados, seja em nome próprio ou através de organizações militares, como a OTAN. E o que aconteceu na Líbia foi exatamente a utilização do que é proibido: força aérea estrangeira metralhando e bombardeando as forças armadas de um país cercado e não acusado de agressão. Kadafi não atacara nem os EUA, nem o Reino Unido, nem a França. Um artigo de um especialista, Roberto Godoy, no jornal "O Estado de S. Paulo", revela-nos que a Otan dava cobertura ao avanço dos revoltosos, "garantidos pelo bombardeio aéreo, intenso e diário, dos 180 aviões da coalizão internacional".
Se isso não representa desrespeito à livre determinação dos povos, nítido ato de guerra, não dá mais para saber o que é guerra. A agressão não precisa, para ser caracterizada como tal, realizar-se com tropas marchando no chão. Se assim fosse, nações fortes poderiam jogar algumas bombas nucleares para arrasar qualquer país sem serem acusadas de ato de agressão. Um único avião poderia fazer "o serviço". Muito mais devastador do que milhares de soldados no solo. E na Líbia eram muitas dezenas de aviões atacando as forças governamentais. É muita inocência, ou malícia interpretativa, dizer que é indispensável a presença de soldados no solo para caracterizar uso da força, sob o prisma do Direito Internacional. O uso da força aérea é decisivo para vencer guerras, nos tempos atuais. Houve, sim, no caso líbio, uma poderosa e letal interferência de outros países, integrantes da OTAN, para derrubar um governo. Isso sem falar na presença, em terra, de dezenas de assessores estrangeiros, orientando os revoltosos sobre como articular os ataques contra o tirano, isso sem mencionar o fornecimento de armas.
Sobre tiranias, também o Direito Internacional não chegou ao ponto de permitir que países possam invadir outros para remover governantes que consideram, com ou sem razão, tiranos. Se os povos são soberanos, como diz a doutrina, podem apoiar um ditador, que lhes pareçam benéficos, talvez até mais justos que algumas democracias de papel. É certo que a democracia, em tese, é melhor que a ditadura, mas isso não autoriza as nações ou coligações a invadir países para remover governantes não democráticos.
Alguém dirá que a OTAN interferiu com ataques aéreos apenas por motivo nobre, defendendo direitos humanos, pois o ditador estava matando revoltosos, seus próprios cidadãos — que, convenhamos, estavam também dispostos a espancar ou matar o tirano.
Se o argumento da "nobreza" vale, na teoria, figuremos a seguinte hipótese: suponhamos que um milhão de americanos, reunidos em frente à Casa Branca, em Washington, protestasse contra a política econômica de Barack Obama. Exaltados, os manifestantes ameaçam invadir os jardins da Casa Branca. A polícia intervém com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Dois manifestantes morrem e a turba, mais enfurecida, tenta ingressar na sede do governo federal. Aí a polícia passa a atirar com balas de verdade. Aí teríamos o "massacre". Se o conflito se generalizasse, em várias cidades — pergunta-se —, teria a China, por exemplo, o direito "humanitário" de dar apoio aéreo à "população massacrada" bombardeando a Casa Branca e o Pentágono? Não seria, essa hipotética atitude chinesa, uma distorção na "proteção dos direitos humanos"? Sanções econômicas e diplomáticas são aceitáveis, sob o prisma internacional dos direitos humanos, mas intensos bombardeios significam clara interferência bélica nos assuntos internos de outros países, ainda proibida — pelo menos em teoria. Assim, tinha certa razão Kadafi quando, dizem, rasgou, na ONU, a Carta das Nações.
Um detalhe sobre o qual a opinião pública internacional deve permanecer atenta, futuramente— para conhecer as reais motivações do apoio bélico aéreo contra Kadafi — será saber se o novo governo líbio ficará ou não devendo dinheiro aos países que controlavam a OTAN. Receio que o fator petróleo está no topo do conjunto de motivos para a invasão aérea e o linchamento, "por procuração", do tirano.
Pergunta importante: o futuro governo líbio terá, por caso, que pagar financeiramente as armas recebidas dos americanos, franceses e ingleses? As despesas da OTAN com aviões, bombas, munições e assessoria militar em terra, deverão ser reembolsadas? Se isso ocorrer — seria muito cinismo... — estará comprovada a segunda intenção — petróleo! — da cobertura aérea e apoio tático aos revoltosos. Isso porque estando as finanças líbias muito desorganizadas, após meses de anarquia, o país só poderá, talvez, pagar tais empréstimos com concessões para extração do petróleo. Além do petróleo, com que outra riqueza o novo governo líbio pagaria essa dívida. Com areia? Ainda não se sabe se os alegados depósitos líbios no Exterior seriam suficientes para indenizar os gastos feitos pelos principais países que integram a NATO.
Empresas chinesas e de outros países — não integrantes da NATO — também extraiam o petróleo líbio. Voltarão elas a operar no país, quando a Líbia estiver sob novo governo, ou somente EUA, França e Reino Unido é que tomarão conta do petróleo líbio? Esse detalhe é importante para se verificar se a queda de Kadafi foi motivada apenas pela defesa dos direitos humanos ou se por trás dessa bela expressão havia alguma oleosa ambição política?
O assassinato, direto ou por procuração, ainda impregna a política internacional, prática que imaginava-se fora de moda. Por outro lado, o assassinato de Kadafi é um alerta de que as tiranias já não podem se defender com a eficácia de antigamente.
O exercício do poder é agradável. E, se absoluto — foi o caso de Kadafi —, agradabilíssímo. O que explica porque todos os governantes — inclusive presidentes de democracias ocidentais — queiram permanecer no cargo até a morte. E mesmo além dela, através de um filho sucessor, prova de que o "gene" da "monarquia" ainda impregna o código genético da natureza humana.
Todo governante gostaria de ser o fundador de uma dinastia infinita. "Jamais por amor ao poder, claro. Adoro meu povo quando me aplaude!". Difícil um presidente que não queira voltar ao poder. O próprio Barack Obama também faz questão de continuar, enquanto a legislação assim permitir, o que explica sua súbita mudança de mentalidade no avaliar situações internacionais. Em questão de semanas passou de "pomba" a "falcão". Se os eleitores querem mais "firmeza", sejamos "duríssimos", "do contrário perco a eleição". Putin saiu quando ficou impossível continuar, mas pretende logo voltar. E assim por diante, em todo o planeta. E os tiranos nem podem dar ao luxo de deixar o poder, porque é imenso o risco do assassinato. Por tal razão, e outras, é que a democracia — mesmo quando corrupta —, é superior às ditaduras. Nestas, quem entra não quer nem pode sair, sem risco de vida. Nas democracias, ninguém quer sair, mas pelo menos pode.
Para os líbios, no longo prazo, foi bom o afastamento de Kadafi, mas antes de melhorar vai piorar, por meses ou anos. Pessoas de sensibilidade normal não gostaram nem um pouco da brutalidade como ocorreu a queda do tirano. Melhor seria se seu afastamento ocorresse de modo mais civilizado. Em um tribunal, ele poderia nos revelar coisas bem interessantes, para susto de alguns chefes de estado.
As considerações deste artigo têm também a finalidade de sugerir que os leitores em geral estão bem cientes das manobrinhas astutas da política internacional, que se imagina mais inteligente do que realmente é.
Francisco César Pinheiro Rodrigues é desembargador aposentado do TJESP e escritor. 
Fonte:  Mundo RI
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domingo, 11 de dezembro de 2011

Uma Época Revolucionária

As Ações da CIA no Brasil” é o título da reportagem da última edição da revista Época que, conforme prometido pela revista, baseia-se em microfilmagens de documentos confidenciais do Centro de Informação da Marinha (Cenimar). A reportagem, seguindo a linha das matérias publicadas na edição anterior da revista, segue a linha de propaganda esquerdista e de ruminação das mesmas especulações e invencionices que foram (e ainda têm sido) propaladas por aqueles que participaram das atividades de subversão. Mais uma vez, a linguagem utilizada pela reportagem recorre, consciente ou inconscientemente, àqueles ditames preconizados pela cartilha de propaganda marxista. A matéria publicada pela revista Época inicia-se de maneira quase escandalosa (grifos do autor):
Os arquivos secretos da Marinha obtidos com exclusividade por ÉPOCA ajudam a entender a nebulosa relação dos governos militares brasileiros com a agência de espionagem americana. Esta segunda reportagem sobre o conteúdo de mais de 2 mil páginas produzidas pelo Centro de Informação da Marinha (Cenimar) torna públicos, pela primeira vez, documentos da ditadura que comprovam o envolvimento direto de agentes da CIA em fatos ocorridos no Brasil antes e depois do golpe de 31 de março. Nos arquivos do Cenimar, a que ÉPOCA teve acesso, aparecem descritos dois casos de aliciamento de militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o “Partidão”, pela CIA. Um deles, um ano antes da tomada do poder pelos militares, informação que reforça a tese de envolvimento da CIA na preparação do golpe de 1964. Em março de 1963, segundo os documentos, Manoel dos Santos Guerra Júnior, o Guerrinha, militava no PCB quando recebeu a visita de um estrangeiro. De acordo com a versão documentada pelo Cenimar, o desconhecido falava com sotaque e se apresentou como agente da CIA. Sem fazer cerimônias, convidou o dono da casa para trabalhar como informante remunerado da agência americana.
O próprio tom sensacionalista da reportagem é algo que beira o asqueroso. A reportagem baseia-se, como descrito acima, em dois supostos casos concretos em que o serviço de inteligência dos Estados Unidos obteve a cooperação de militantes do Partido Comunista Brasileiro. Qualquer pessoa que não esteja familiarizada com os fatos sobre a atividade comunista no Brasil poderá pensar que a ação da CIA é uma prova contundente de que a Revolução de 1964 foi orquestrada pelo governo norte-americano e ocorreu como forma de assegurar os “interesses imperialistas ianques” no País. Apesar de mencionar que “espiões infiltrados em governos, partidos e grupos armados tiveram participação determinante em muitos fatos históricos daquele período”, a revista convenientemente se esqueceu de mencionar a atuação do serviço secreto soviético e de agentes infiltrados da Internacional Comunista em território brasileiro — uma atuação que precedeu em cerca de 30 anos a Revolução de 1964.
O relatório conhecido como Projeto Orvil (“livro” ao contrário), coordenado pelo Gen. Div. Agnaldo Del Nero Augusto (que então ocupava o posto de coronel), assim relata o início da infiltração de agentes comunistas estrangeiros no País (p. 15):
No início de 1934, chegou ao Brasil o ex-deputado alemão Arthur Ernsf Ewert, mais conhecido com “Harry Berger”. Tendo atuado nos Estados Unidos, a soldo de Moscou, Berger veio acompanhado de sua mulher, a comunista alemã Elise Saborowski, que entrou no País com o nome falso de Machla Lenczycki. Berger acreditava que a revolução comunista teria início com a criação de uma “vasta frente popular anti-imperialista”, composta por operários, camponeses e uma parcela da burguesia nacionalista. A ação de derrubada do governo seria efetuada pelas “partes revolucionárias infiltradas no Exército” e pelos “operários e camponeses articulados em formações armadas”, embrião de um futuro “Exército Revolucionário do Povo”. O governo a ser instituído seria um “Governo Popular Nacional Revolucionário”, com [Luís Carlos] Prestes a frente
O mirabolante plano de Berger, tirado dos compêndios doutrinários do marxismo-leninismo, não levava em conta, apenas, um pequenino detalhe: a política brasileira, aquinhoada com uma nova Constituição de fundo liberal e populista, estava cansada dos mais de 10 anos de crise e ansiava por um pouco de paz e estabilidade.
Outros agitadores profissionais vieram para o Brasil, a mando de Moscou, durante o ano de 1934. Rodolfo Ghioldi e Carmen, um casal de argentinos, vieram como jornalistas. Ghioldi, na realidade, pertencia ao Comitê Executivo da IC
[Internacional Comunista], era dirigente do PC argentino e escondia-se sob o nome falso de “Luciano Busteros”. O casal León-Jules Valée e Alphonsine veio da Bélgica para cuidar das finanças. A esposa de Augusto Guralsk, secretário do Bureau Sul-Americano que a IC mantinha em Montevidéu veio para dar instrução aos quadros do PC-SBIC [Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista]. Para comunicar-se clandestinamente com o grupo, foi enviado um jovem comunista norte-americano, Victor Allen Barron. O especialista em sabotagens e explosivos não foi esquecido: Paul Franz Gruber, alemão, veio com sua mulher, Erika, que poderia servir como motorista e datilógrafa.

O PC-SBIC, atual Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi fundado em 25 de março de 1922 e propugnava “a agitação permanente e a tese da derrubada revolucionária das estruturas vigentes, renegava as regras de convivência da sociedade brasileira, propunha-se a realizar atividades legais e ilegais e subordinava-se às Repúblicas Socialistas Soviéticas”. Desde o começo, um dos pontos de atuação mais sensíveis do PC-SBIC foi a infiltração nas Forças Armadas: “A atuação de militares no Partido, como Maurício Grabois, Jefferson Cardin, Giocondo Dias, Gregório Bezerra, Agliberto Vieira, Dinarco Reis, Agildo Barata e o próprio Prestes, são exemplos desse trabalho de infiltração e recrutamento” (p. 12-13).
O relato de um dos casos de suposto “aliciamento” da CIA de Adaulto Alves dos Santos (conhecido também como “Alcindo” e “Carlos”), militante do PCB e um dos responsáveis pela gestão dos contatos internacionais do Partidão. Quanto às declarações de Adaulto ao Jornal do Brasil, em dezembro de 1972, a reportagem afirma quea entrevista foi arquitetada com a participação da CIA”. Reparem: arquitetada. Isso quer dizer que, então, a entrevista não passou de um embuste, uma farsa organizada pelos malvados militares e os mais-que-malvados agentes secretos imperialistas estadunidenses. Será?
Não é em absoluto chocante saber que a Central Intelligence Agency atuou no Brasil. Afinal, a ação comunista no País, construída desde os anos 1920, era a maior rede revolucionária em operação na América Latina, que contava com financiamento, suporte militar e apoio político ativo não apenas da União Soviética, mas também de outros governos — como Cuba, China, Coréia do Norte, Argélia e Chile. Também não é absolutamente chocante saber que a CIA atuava de forma estreita com os serviços de informação brasileiros, uma vez que o objetivo era um só: monitoramento e combate de atividades criminosas, totalmente desprovidas de legitimidade e ausentes de qualquer apoio popular, promovidas por grupos políticos que objetivavam a instalação de um regime totalitário comunista no Brasil. Essa linha é diametralmente oposta à da KGB, que buscava auxiliar esses grupos na promoção de atentados terroristas, seqüestros, assaltos e assassinatos como forma de instalar o caos e, assim, pavimentar o caminho para a sublevação marxista.
Outro ponto que precisa ser esclarecido: a tese de que a CIA teve participação ativa no movimento contrarrevolucionário de 31 de março de 1964 é pouco mais do que esquizofrênica. A ação dos militares foi uma resposta firme ao autêntico pedido de intervenção que partiu justamente do povo, como evidencia a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".
É preciso saber o contexto exato em que as declarações de “Carlos” foram publicadas no Jornal do Brasil. Em fins de novembro, o Jornal do Brasil publicou o relato de uma jovem chamada Judite Fasolini Zanatta em que foi revelada a infiltração dos comunistas na Igreja Católica. Judite relatou como foi utilizada por infiltrados na Universidade Católica de Louvain, Bélgica. Assim consta no relatório Orvil:
A denúncia de Judite fez com que, uma semana depois, um militante do PCB, Adaulto Alves dos Santos (“Carlos” ou “Arlindo”), viesse ao mesmo Jornal do Brasil, denunciar, segundo suas palavras “com nomes, fatos e locais, toda a trama comunista em relação ao Brasil, bem como todas as maquinações do Movimento Comunista Internacional”. Adaulto, conforme narrou ao repórter, 20 anos depois descobriu que o PCB “é um antro de intrigas e vaidades, com gente de boa e má fé, teóricos e aproveitadores, sobretudo aproveitadores”. Jornalista profissional, trabalhou em jornais do Rio de Janeiro e Minas Gerais, mas o jornalismo era apenas sua” frente legal”, pois nos últimos 20 anos fora um profissional do Partido e há 12 anos atuava na área internacional, fazendo contatos com os Partidos Comunistas estrangeiros e com agentes da KGB.
Adaulto revelou, efetivamente, a organização das Seções de Relações Exteriores, de Agitação e Propaganda, de Educação, de Organizações e de Negócios do PCB. Revelou os aparelhos do Partido no exterior e o apoio dado pelos soviéticos na formação de quadros, através da Escola de Quadros Profissionais de Moscou e da Universidade Patrice Lumumba. Explicou o mecanismo de troca de informações e de recebimento de verbas (dólares) e material de propaganda. Denunciou o trabalho militar, denominação dada principalmente ao esforço de infiltração Forças Armadas, dirigido por Dinarco Reis e a tática do Partido em relação à Igreja Católica. Com relação a esse último aspecto declarou: “o objetivo em relação a ela é utilizá-la em toda a sua estrutura e como um todo, e não apenas os chamados 'progressistas' (como vinha sendo feito anteriormente), aproveitando ao máximo os canais de penetração tradicionais, para com a fachada cristã, difundir, sorrateiramente, o comunismo. Por exemplo: não interessa aos soviéticos se D. Helder Câmara é comunista ou não. O que importa é que ele serve aos propósitos do comunismo”.

De acordo com a reportagem da Época, “Alcindo” informou que dois agentes da KGB, Nikolai Blagushin e Victor Yemelin, trabalhavam intimamente com a cúpula do PCB. Nikolai Blagushin faz parte da lista de agentes da KGB levada a público por John Barron, ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos, em seu livro “KGB Today”, de 1983. Quanto a Victor Yemelin, sua identidade ainda não foi esclarecida. Entretanto, documentos oriundos de atividades de vigilância da CIA fazem referência a um certo “General-Mayor V. Yemelin”, estrategista militar que compunha o setor de inteligência do Ministério da Defesa da URSS.
Pelo visto, a revista Época está realmente comprometida com a deturpação esquerdóide dos fatos. De nossa parte  ou seja, daqueles que realmente desejam que a verdade sobre a Revolução de 1964 não seja sufocada , o que podemos fazer é contestar publicamente os despautérios maquinados e martelados ad nauseam pelo vulgacho revolucionário.
COMENTO:  vale a pena ler a primeira parte do presente texto, em Juventude Conservadora.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Um Dia é do Caçador, Outro da Caça

Fernando Pimentel, militante da luta armada,
atual ministro do Desenvolvimento
A Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), do Rio Grande do Sul, desejava realizar uma ação que lhe destacasse junto à esquerda armada e lhe desse prestígio perante seu Comando Nacional (CN).
Era necessário, para isso, uma ação de impacto nacional e internacional. A experiência com o embaixador americano servia como exemplo. Esperavam que um cônsul fosse um alvo mais fácil que um embaixador e deduziram que a ação seria menos arriscada.
O alvo escolhido foi o cônsul dos Estados Unidos em Porto Alegre, Curtis Carly Cutter.
Imediatamente, em fevereiro de 1970, iniciaram cuidadosos levantamentos. Atuariam “em frente” com Gregório Mendonça (Fumaça), do Movimento Revolucionário 26 de Março — MR-26. Não poderia haver erros. 
Logo, descobriram tudo sobre o cônsul: onde morava, seus horários de entrada e saída de casa e do trabalho, locais aonde ia com mais freqüência e, principalmente, que usava, durante a semana, em seus deslocamentos um carro de cobertura, com dois agentes lhe dando segurança. Portanto, era preciso planejar a ação para um final de semana, quando, tranquilamente, circulava sem cobertura.
O bem-sucedido sequestro do cônsul do Japão reforçava a certeza do sucesso da ação. Confiantes, em março, Carlos Roberto Serrasol (Breno) recebeu a incumbência de alugar a casa localizada na Avenida Alegrete, 636, bairro Petrópolis, para ser o cativeiro do cônsul. Foi solicitado ao Comando Nacional (CN), já que nesse tipo de ação o tempo é precioso, a redação antecipada do comunicado a ser enviado às autoridades, após o sequestro.
Juarez Guimarães de Brito — COLINA, VAR Palmares e finalmente da VPR —, do Comando Nacional, no Rio de Janeiro, atendeu prontamente, incumbindo Celso Lungaretti (Lourenço), do Setor de Inteligência da VPR, de redigir o documento.
No comunicado, transcrito no final, como exigência para libertar o cônsul vivo, as autoridades deveriam libertar 50 presos, que seguiriam para a Argélia.
O comunicado também previa que a não aceitação das exigências levaria os seqüestradores à execução de Curtis Carly Cutter. O documento era assinado pelo Comando Carlos Marighella.
A ação foi marcada para 21 de março, um sábado. Assim foi feito. Já com um carro, roubado só para o sequestro, partiram para a ação. Tudo, no entanto, fracassou, por erro no tão minucioso planejamento. A ação foi remarcada para duas semanas depois. Afinal, era preciso rever todos os detalhes.
No dia 4 de abril de 1970, partiram outra vez para o seqüestro do cônsul. No comando da ação, Félix Rosa Neto e, como motorista, Irgeu João Menegon. No mesmo carro iam Fernando da Matta Pimentel (Jorge) e Gregório Mendonça (Fumaça). No carro de cobertura estavam Antônio Carlos Araújo Chagas (Augusto), Luiz Carlos Dametto e, como motorista, Reinholdo Amadeo Klement. Todos com revólveres, além de duas metralhadoras INA e granadas.
Pela manhã, quando o cônsul saiu de sua residência, partiram para o ataque. O diplomata, seguido pelos sete terroristas, foi salvo pelo excesso de tráfego que impediu o emparelhamento com o seu veículo.
Decepcionados, mas persistentes, esperaram nova saída do alvo da sua residência, o que aconteceu às 16 horas. Curtis dirigiu-se à Vila Hípica, em sua caminhonete Plymonth, e, novamente, foi seguido pelos dois carros. 
A sorte parecia estar ao lado dos sequestradores. O cônsul errou o caminho, entrou numa rua sem saída e teve de retornar. Armas a postos, Irgeu emparelhou o Volks com a possante Plymonth e Reinholdo fez o mesmo, pelo outro lado, com o carro de cobertura. O cônsul, pensando que os rapazes faziam um “pega”, acelerou sua Plymonth e os deixou, atônitos, para trás.
Não podiam desistir, ainda mais depois de terem comunicado ao CN e Juarez de Brito ter se empenhado na redação do comunicado. Era necessário insistir. A ação era importante. Portanto, à noite, estavam novamente a postos. Agora era vida ou morte.
A sorte estava com eles. Por volta das 20 horas, o alvo saiu com sua esposa para visitar amigos. Ficou na casa até as 22h30 e saiu acompanhado, além da esposa, por um amigo. 
Os sequestradores estavam à espreita. Começaram a seguir o cônsul. O horário era o ideal; pouca gente na rua, pouco tráfego. Porque não pensaram logo em fazer a ação à noite?
Logo depois da Rua Ramiro Barcelos, Curtis, que ia em baixa velocidade, foi ultrapassado pelo Fusca de Irgeu, que imediatamente, o fechou ocorrendo uma pequena batida. Félix, Fernando e Gregório desceram cercando a caminhonete.
O cônsul, forte e decidido, vendo as armas, não pensou duas vezes: acelerou sua possante Plymonth, atropelando o pequeno Volks e, de quebra, Fernando Pimentel. Félix, por trás, atirou com sua pistola .45, quebrando os vidros e ferindo Curtis que, em ziquezague, seguiu à toda velocidade, conseguindo escapar.
Três dos azarados ou incompetentes sequestradores foram presos uma semana depois pela equipe do DOPS/RS, chefiada pelo delegado Pedro Carlos Seelig. Os outros, sem muita demora.
A seguir transcrevo parte do comunicado que o Comando Nacional da VPR havia preparado, certo de que a ação seria um sucesso.
O cônsul norte-americano em Porto Alegre (Curtis Cutter) foi seqüestrado às... horas do dia... de ... pelo Comando “Carlos Marighella” da Vanguarda Popular Revolucionária. Esse indivíduo, ao ser interrogado, confessou suas ligações com a “CIA”, Agência Central de Inteligência, órgão de espionagem internacional dos Estados Unidos, e revelou vários dados sobre a atuação da “CIA” no território nacional e sobre as relações dessa agência com os órgãos de repressão da ditadura militar. Ficamos sabendo, entre outras coisas, que a “CIA” e o CENIMAR sofrem a concorrência do SNI, sendo que essa rivalidade é tão acentuada que em certa data um agente da “CIA” foi assassinado na Guanabara por elementos do SNI. Esse informe foi cuidadosamente abafado pela ditadura, mas o depoimento do Agente Cutter, nosso atual prisioneiro, permitiu que o trouxéssemos a público.
Se o cônsul Curtis Carly Cutter tivesse sido sequestrado, esse comunicado seria difundido pela imprensa e muitos acreditariam. Assim se forjam as mentiras, reescreve-se a história e faz-se a cabeça dos brasileiros.
Mentira. Eis a grande arma dessa gente para impor a sua versão desonesta dos fatos e da história.
Essa é a motivação maior que me leva a escrever. Desmentir a fraude dessa gente e demonstrar a sua impostura, resgatando a verdade com fatos irretorquíveis.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Guevara: Anatomia de um Mito

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Quem foi Ernesto "Che" Guevara?
Ficção: Um homem do povo - de todos os povos da Terra. Humanista. Corajoso guerreiro da paz. Amante da literatura e da vida. Advogado dos fracos e oprimidos.

Realidade: Assassino a sangue frio. Torturador sádico. Materialista com sede de poder. Terrorista que espalhou destruição e carnificina pela América Latina.

Assista o filme abaixo.  É mais de uma hora de desmentidos às lendas que montaram uma estória mentirosa, endeusando um reles bandido.
Livro indicado:  O Verdadeiro Che Guevara e os Idiotas Úteis que o Idolatram (Humberto Fontova)
Fonte:  You Tube
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Inovação da Kirchner

por Janer Cristaldo
A imprensa brasileira está escandalizada com notícia vinda da Argentina. Segundo Ariel Palácios, correspondente do Estadão no país, o governo da presidente Cristina Kirchner determinou por decreto que o Estado argentino comandará uma revisão oficial da História do país. Para isso, criou o Instituto Nacional de Revisionismo Histórico Argentino e Ibero-Americano Manuel Dorrego, que dependerá da Secretaria Federal de Cultura e funcionará com fundos públicos.
A entidade que reescreverá a História argentina será comandada pelo historiador Mario Pacho O’Donnel, declarado admirador dos caudilhos argentinos. Ela também será integrada por ministros do gabinete presidencial, jornalistas alinhados ao governo e líderes políticos.
O decreto determina que o objetivo do instituto será o de “estudar, investigar e difundir a vida e obra de personalidades e circunstâncias destacadas” da História argentina “que não tenham recebido o reconhecimento adequado no âmbito institucional”. No decreto, a presidente Cristina condena a História “escrita pelos vencedores das guerras civis do século 19″.
Grande novidade! Os vencedores sempre reescreveram a história. Stalin reescreveu a história da Rússia, Mao a da China. Mortos e denunciados por suas matanças  sempre da ordem de milhões  tanto Mao como Stalin têm hoje suas versões revisadas. Tiranos e assassinos, foram vistos por décadas como heróis e condutores de povos. Cultuados no século passado, hoje estão voltando à condição de tiranos e assassinos. Hitler perdeu a guerra? Caiu logo na vala dos vilões. Se a tivesse ganho, vilões seriam Churchill e Roosevelt. Nem Stalin teria feito carreira como genocida. E o mundo todo estaria falando alemão em vez de inglês.
Mas se antes as revisões históricas eram feitas em séculos, hoje os ocupantes do poder estão acelerando o ritmo e as fazem em décadas. Vide este país nosso. Não se passaram cinqüenta anos, e as esquerdas brasileiras reescreveram a história do Brasil. Os militares que, em 64, salvaram o país de tornar-se uma republiqueta soviética, são vistos hoje como bandidos.
Desde há muito vem se reescrevendo a história do Brasil. Começou com Ruy Barbosa, destruindo documentos relativos à escravidão. De lá para cá, a história vem sendo revista ano a ano. Lampião, um bandoleiro vulgar, foi promovido a herói. Zumbi, dono de escravos, foi promovido a defensor dos escravos.
A reescritura da história se acelera, dizia. Franco, que salvou a Espanha das investidas de Stalin, morreu em 75. Em julho passado, o El País dedicou vários ensaios relembrando a Guerra Civil Espanhola. Franco, um dos deflagradores do levante  que tomaria as rédeas do país pelos 39 anos seguintes  é visto como vilão. Desde alguns anos, há um movimento de “desfranquização” da Espanha, no sentido de retirar todos os nomes de rua ou monumentos em sua memória, como também os nomes de seus generais.
Quanto aos comunistas que, sob o comando de Stalin, queriam tomar o poder na Espanha, são vistos como os promotores de “una revolución movida en las primeras semanas por el propósito de liquidar físicamente al enemigo de clase, comprendiendo en esta denominación al ejército, la iglesia, los terratenientes, los propietarios, las derechas o el fascismo; una revolución que soñaba edificar un mundo nuevo sobre las humeantes cenizas del antiguo”.
Por mundo nuevo, entenda-se o regime comunista russo, que fez apenas 20 milhões de cadáveres. Franco matou? Matou. Não há guerra sem mortes. Mas matou para defender a Espanha, vítima de uma brutal invasão soviética. Em 1937, a União Soviética já havia colocado na Espanha pilotos de guerra, técnicos militares, marinheiros, intérpretes e policiais. A primeira presença estrangeira em terras de Espanha foi a soviética, com o envio de material bélico e pessoal militar altamente qualificado, em troca de três quartas partes (7.800 caixas, de 65 quilos cada uma) das reservas de ouro disponíveis pelo Banco de España. Pagos adiantadamente.
Em 1936, Juan Negrín, ministro da Fazenda do governo Largo Caballero  conhecido também como o Lênin espanhol , raspou os cofres do país em troca de aviões, carros de combates, canhões, morteiros e metralhadoras russas. Ao celebrar com um banquete no Kremlin a chegada das 7.800 caixas de ouro, Stalin, evocando um ditado russo, comemorou: "Os espanhóis não voltarão a ver seu ouro, da mesma forma que ninguém consegue ver suas orelhas".
Isto El País não contou. Seus redatores, a seu modo, estão reescrevendo a história.
O mesmo aconteceu cá entre nós. Há mais de década, eu dizia que os militares brasileiros costumavam gabar-se de ter vencido o confronto que culminou com a chamada Revolução de 64. Graças à ação das Forças Armadas, teriam sido derrotados os comunistas e compagnons de route que tentavam transformar o país em uma Cuba meridional. Três décadas depois, cabe a pergunta: foram?
Os celerados que, a mando do comunismo internacional, queriam instalar uma ditadura em Pindorama, são hoje vistos como heróis e gozam de pensões milionárias. No ensino oficial, hoje  e mesmo na imprensa  os militares são os vilões e os comunistas são os heróis. Em agosto passado, foi reeditado no Brasil o livro Vida de Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança  ode de Jorge Amado ao mais estúpido dos gaúchos, publicada originalmente em 1945.
Ainda há pouco eu falava das biografias mentirosas, que pretendem transformar criminosos em heróis. É o caso da cineasta gaúcha Flávia de Castro, que fez um filme — Diário de uma busca — transformando seu pai idiota em mártir. Comentei também o documentário Marighella, de Isa Grinspum Ferraz, cuja estreia estava prevista para outubro passado, que faz de um terrorista um santo. Este gênero literário é antigo e, no Brasil, Amado terá sido um de seus precursores.
Se isto não é reescrever a História, que será reescrever a História? Mas o Brasil nunca teve uma instituição oficial encarregada deste ofício. A inovação da Kirchner foi criar um instituto para isto, pago com o dinheiro do contribuinte.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Outro "Soldado" de Dezoito Anos

por Jorge Alberto Forrer Garcia
Curitiba, 3 de dezembro de 2011.
Prezados senhores, cordiais saudações.
Outro dia escrevi algumas palavras sobre um soldado de dezoito anos, citado num livro de autoria de um idiota que, depois de endeusar seus amigos terroristas, não se dignou nem a citar o nome do soldado do Exército, morto num atentado à bomba contra um quartel.
Hoje, decidi escrever sobre outro soldado de dezoito anos. Assim como aquele, esse outro soldado tem nome:  Carlos Eugênio da Paz. Quando foi servir ao Exército no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, também aos dezoito anos, já era militante da organização subversivo-terrorista denominada Ação Libertadora Nacional — ALN — a mais letal organização desse tipo na época e seguidora das orientações do Minimanual do Guerrilheiro Urbano, de autoria de Marighella, a quem Carlos Eugênio da Paz chamava carinhosamente de “Fabiano”.
Em livro que escreveu (editado em 1996), Carlos Eugênio da Paz rememora, na pág 104, o diálogo que teve com Marighella quando soube que ia incorporar ao Exército no Forte de Copacabana:
“—  Fabiano, vou servir, fui incorporado ao Forte.
“— Temos que refazer nossos planos, a partir de agora você é um revolucionário infiltrado no exército, o segredo é sua única arma. Vai ser importante aprender tudo o que puder. Manejo de armas, a disciplina militar, como funciona o inimigo por dentro, como pensa, como reage. Não se deixe levar pelas aparências, um exército tem uma lógica própria que às vezes subestimamos por não entende-la. Deixe-os transformá-lo num soldado, não corre o risco de perder a iniciativa, é consciente. Aprenda a obedecer que aprenderá a comandar, com seu poder de liderança, vai ser um bom combatente da guerrilha. Descubra uma ação que aproveite a aura histórica do Forte, para quando precisarmos de impacto promocional. Não faça política, não comente os fatos do dia-a-dia, poderia se trair. Continue no comando de seu grupo, mas se desligue da Coordenação, não quero que ninguém mais o conheça. Continue nas ações armadas, o respeito dos companheiros se conquista nas frentes de combate. O que viverá nos próximos meses poderá ser muito útil, boa sorte companheiro.
Quer dizer, cumpria seu serviço militar levando uma vida dupla: de dia, soldado. À noite, terrorista. Está escrito em seu livro.
Um ou dois anos depois Marighella (“Fabiano”) foi morto e seu “soldado” desertou das fileiras do Exército. Em seu livro, chega a zombar das providências que a organização militar a que pertencia tomou, na tentativa de encontrá-lo e trazê-lo de volta ao quartel, antes que se caracterizasse o crime de deserção.
A atitude desse “soldado de dezoito anos” infiltrado nas fileiras do Exército pode ou não ser considerada uma traição? Isso justifica ou não certas medidas de segurança que o Exército toma com relação ao seu pessoal? Como todo militar, ele também deve ter feito um “Juramento à Bandeira”. Mas...e daí?
Numa entrevista às páginas amarelas da Revista Veja em 1996 (clara propaganda de seu livro), ele revela os crimes que cometeu e muitos aspectos internos das organizações subversivo-terroristas os quais, sugiro, deveriam ser lidos previamente pelo futuros membros da Comissão da Verdade.
Esse “soldado” — ladrão e assaltante confesso — depois veio a ser anistiado e indenizado pelo Estado. Em parte com o meu dinheiro, mas — como cidadão que sou — não me lembro de ter sido consultado a esse respeito. Mas assim é o regime que nos vai sendo imposto. O Estado suplantando os cidadãos.
Concito-os a ler por si próprios a entrevista como publicada na época e concluir se é o caso de pessoas assim serem indenizadas por nós.
Jorge Alberto Forrer Garcia
Coronel Reformado




COMENTO:  Felizmente, esse chorume humano, criminoso que safou-se da morte pela magnanimidade dos militares que o anistiaram, repousa nos braços do Capeta desde 29 de junho de 2019. Que pague pelos crimes que não pagou por aqui! 
Fonte:  A Verdade Sufocada e

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Comércio de Armas: Façam o Que Eu Digo; Mas não Façam o Que Eu Faço!

por Vinícius D. Cavalcante
No dia 2 de dezembro passado, o líder comunitário William da Rocinha foi preso pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sob acusação de participar na venda de um fuzil AKS-74U para o traficante Nem. A prisão foi amparada num vídeo de 19 minutos, no qual aparece William, sentado a mesa com o traficante procurado, recebendo e contando dinheiro que lhe foi passado pelo criminoso. 
A arma em questão, uma das versões mas recentes do renomado fuzil Kalashnikov, até então nunca vista com criminosos fluminenses, emprega um calibre muito pouco usual na América Latina, o 5,45x39mm. As armas desse calibre foram introduzidas pela antiga URSS na Guerra do Afeganistão, nos anos 80 e o seu projétil, pequeno e de altíssima velocidade é excepcionalmente letal. A referida "bala", totalmente jaquetada, tinha um pequeno núcleo de aço e não era totalmente preenchida com o chumbo. A sua extremidade, por baixo da jaqueta ogival era mantida deliberadamente sem o chumbo e ao atingir o alvo, na prática, comportava-se como uma munição de "hollow-point". Para aumentar ainda mais sua letalidade,a jaqueta metálica era pré-enfraquecida em alguns pontos para que ao impactar no alvo, se fragmentasse e cavitavasse no tecido, incrementando o efeito traumático do projétil.
Não vou tecer comentários acerca do problema logístico do traficante, ao adquirir uma arma que não emprega a mesma munição dos AK-47, amplamente encontrados nas mãos de soldados, bandidos, guerrilheiros e terroristas por todo o continente. Pode ser mesmo que ele a estivesse adquirindo apenas para se exibir, e ufanar-se de ter a mesma arma que o Osama Bin Laden costumava portar; porém uma questão indiscutivelmente relacionada à prisão e que a mídia tradicional simplesmente passou ao largo é a de que o Sr. William da Rocinha foi um grande defensor do desarmamento da população civil no Brasil e que colaborou intensamente com a ONG Viva Rio, vendendo essa ruinosa mentira, como se a mesma fosse solução para a população brasileira.
Na maioria dos noticiários sequer apareceu referência a participação desse bandido no complô das ONGs, políticos e acadêmicos intelectualmente desonestos para desarmar a população civil brasileira. A verdade é que os mesmos caras de pau que querem desarmar o cidadão de bem, ontem bancavam o Nextel do tráfico da Rocinha e hoje vendem fuzil moderno, compacto e altamente letal pros traficantes! Enquanto se ensejam esforços para que nos desarmemos, E-L-E-S estão robustecendo seus arsenais com armas militares importadas, de calibre restrito, com cuja posse um cidadão sequer pode sonhar.
Na foto, o líder comunitário preso está justamente recebendo um prêmio por sua ação em prol do desarmamento dos homens de bem e ao lermos a faixa, pano de fundo na premiação, hoje, não há dúvidas de que "se a sua arma particular não for suficiente para acabar com você", podemos, providenciar com o nosso grande amigo e premiado colaborador, William da Rocinha, um poderoso fuzil AK-74, de fabricação russa, que certamente dará conta do recado!
Vinícius D. Cavalcante, CPP é Consultor em Segurança e 
Diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança - ABSEG
(www.abseg.com.br) no Rio de Janeiro.
Recebido por correio eletrônico.
COMENTO:   na última foto que ilustra o texto, datada de 2004, William Oliveira não recebia o prêmio, mas o entregava ao presidente do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne.
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mulheres Rompem Barreiras e Podem Agora ser Generais

Três médicas entram esta semana para a história do Exército como as primeiras mulheres a se formarem na Escola de Comando
por Damaris Giuliana
Sete de dezembro de 2011 será um dia histórico para o Exército Brasileiro. Pela primeira vez desde 1905, quando a Escola de Comando e Estado-Maior foi criada, mulheres estarão entre os formandos do curso que é pré-requisito para a promoção a General. Mais do que isso, uma delas será condecorada como a primeira colocada da turma.
Há dez anos, falei que não era para permitir a entrada. Elas são ousadas. Deixaram, olha o que aconteceu! A primeira da turma é mulher”, brinca o subcomandante da escola, Coronel Marcos Antonio Soares de Melo.
Majores Regina Rangel, Carla e Schendel são alunas da primeira turma mista da Escola de Comando | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
A primeira turma mista é só de médicos. O curso não é obrigatório e a seleção, considerada muito difícil, afasta candidatos. Centenas de militares estavam aptos a concorrer às 20 vagas, mas só 42 se inscreveram, e sete passaram — três mulheres.
As majores Carla Maria Clausi, Regina Lúcia Barroso Rangel e Regina Lúcia Moura Schendel ainda terão que trabalhar de 12 a 15 anos para concorrer ao generalato, mas vibram com o avanço. “Já consegui tudo que eu queria. Estou muito feliz.”, diz Schendel. “Temos sido pioneiras”, comemora Regina Rangel, que também foi da primeira turma mista da Escola de Saúde.
Médicos só podem chegar a generais de divisão, penúltimo posto da carreira regular. General de Exército é exclusivo para quem cursa a Academia Militar das Agulhas Negras, onde o ingresso de mulheres ainda é proibido. “Tem de amadurecer a ideia”, avalia o coronel.
Maior emoção da vida foi resgatar crianças sob escombros no Haiti
Primeira colocada da turma, Carla Maria Clausi, 48 anos, foi destaque também na Escola de Saúde do Exército. A cirurgiã curitibana, especializada em terapia intensiva na Bélgica, entrou para o Exército dez anos depois de casar com um militar.
Paraquedista e mergulhadora civil, integrou a primeira equipe brasileira feminina de orientação — esporte militar no qual se corre longas distâncias, indicadas por mapa e com apoio de bússola.
Expansiva, como todo descendente de italiano, a major não camufla sentimentos. E vai às lágrimas lembrando do ano em que serviu no Haiti. Em 2008, uma escola desabou, com a passagem de um furacão. Quando Carla chegou ao local, ainda foi possível escutar choros, mas recebeu recomendação para “evacuar a área”.
Nunca mais poderei dormir em paz se eu abandonar essas crianças”, argumentou. Ela acabou coordenando uma equipe de oito enfermeiros, em um resgate dramático. O grupo, junto com o general Carlos Alberto do Santos Cruz, passou 6h30 cavando os escombros com a mão. Quatro crianças saíram vivas.
Médica aprendeu dois idiomas indígenas para atender na fronteira
Filha de pianista, sobrinha de compositor, Regina Lúcia Barroso Rangel, 51 anos, diz que sempre gostou das Forças Armadas. Especializada em cardiologia e medicina esportiva, durante 11 anos aplicou mais de 2 mil testes cardiorrespiratórios em atletas militares.
Antes de atuar na Escola de Educação Física do Exército, dentro do paradisíaco Forte São João, na Urca, a carioca ralou dois anos em São Gabriel da Cachoeira (AM). “Cheguei a ir para o pelotão de fronteira. Do outro lado do rio era a Colômbia”, explica.
É uma vida muito difícil. Uma região muito isolada.” Segundo a major, a viagem de Manaus pelo Rio Negro demora mais ou menos três dias. Se não for assim, só de avião.
Os casos mais graves que atendeu foram os de picadas de cobras, incluindo jararaca e cobra-coral.Os pacientes vinham de barco, demoravam dias e, quando chegavam, (os ferimentos) já estavam muito evoluídos.
Na região, 95% da população é indígena. Para cumprir a missão, como dizem, Regina Rangel, que fala inglês e espanhol, aprendeu também tucano e baniwa.
Para major, mulher só conquista espaço se impondo com trabalho
Durante três anos servindo na Amazônia, de 1999 a 2001, Regina Lúcia Moura Schendel, 50 anos, conheceu “lugares esquecidos”. A carioca conta que não basta ser médica para prestar atendimento em comunidades ribeirinhas.
Fiz curso para aprender a consertar voadeira” (barco a motor), relata. “Você pode estar no meio do rio, ter um defeito e ficar ali. Não vai ter resgate”, explica. Subindo e descendo rios, a cardiologista socorreu inúmeras emergências. “Atendia muitos casos em que o cabelinho da criança, muito comprido, enrolava no motor do barco e escalpelava”, relata.
A gente atende de tudo porque há carência de médicos na região. Você não encontra médico civil nesses lugares, é só a gente mesmo. Nem com bons salários o civil vai.
Filha de general engenheiro, numa família de engenheiros civis, a médica não rompeu com a tradição só em casa. “Fui a primeira mulher instrutora da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais”, orgulha-se, ao lembrar de quando ensinava medicina de guerra. Considera que este pioneirismo foi seu maior desafio profissional. “Não adianta ser simpática. Tem de se impor com trabalho.
Fonte: O Dia OnLine
Transcrito no Blog do Montedo
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domingo, 4 de dezembro de 2011

O Tigre - O Blindado Nazista Mais Temido

Um dos mais temidos Carros de Combate da II Guerra Mundial, o Tiger várias vezes combateu contra cinco, dez e até quinze blindados inimigos e saiu-se bem dos combates.
A designação oficial inicial alemã para essa arma móvel foi Panzerkampfwagen VI Ausfhrung H (abreviado PzKpfw VI Ausf. H - Ausfhrung é o termo alemão para "versão"), mais tarde, o blindado foi redesignado como Panzerkampfwagen VI Ausf-E, em março de 1943. O tanque também teve a designação de SdKfz 181.
O mecanismo da culatra e extração de seu canhão foram derivadas do famoso "88" alemão, arma antiaérea com dupla finalidade. O KWK 36 L/56 de 88 milímetros foi a arma variante escolhida para o Tiger e, juntamente com o KWK 43 L/71-88mm dos Tigres II, fizeram daqueles tanques as armas mais eficazes e temidas na 2ª GM.
O tiro de canhão do Tigre tinha uma trajetória muito estável e era extremamente preciso graças ao sistema de pontaria Zeiss TZF 9b. Na Inglaterra, em testes realizados na época da guerra eram considerados bons resultados cinco impactos sucessivos em um alvo medindo 16"x18" a uma distância de 1.200 metros. Foi noticiado que blindados Tigres teriam nocauteado tanques inimigos a distâncias superiores a uma milha (1.600 m), embora a maioria dos combates travados durante a 2ª GM tenham ocorrido em distâncias muito menores.
A produção do Tiger I começou em agosto de 1942, e foram construídos 1.355 deles até agosto de 1944, quando a produção cessou. A produção começou em uma taxa de 25 por mês e atingiu o pico em abril de 1944 quando atingiu 104 por mês. Ela atingiu o máximo de 671 em 1 de julho de 1944. 
De modo geral, demorava cerca de duas vezes mais tempo para construir um PzKpfw IV que outro tanque alemão do período. Quando começou a produção do melhor PzKw VI Ausf B Tiger II, em janeiro de 1944, o Tiger I foi logo eliminado
O T-34 soviético era equipado com canhão de 76,2 mm cujo tiro não podia penetrar a blindagem frontal do Tiger. 
Veja alguns filmetes mostrando o desempenho do Tiger alemão:




Fonte:  tradução livre de  Live Leak