sábado, 17 de setembro de 2011

Carta dos Presos Políticos Militares Argentinos

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Diferentes Penitenciárias Federais
Estimados Senhores e camaradas:
Dirigimo-nos aos Senhores pela primeira vez, dizendo-lhes que conformamos um grupo ao redor de 400 Oficiais do Exército Argentino, presos em diferentes Penitenciárias Federais de todo o país há já vários anos (em alguns casos mais de 6 anos), processados e alguns condenados pelas ações da Força na Guerra contra a subversão.
Pertencemos, a grande maioria, à faixa de promoções CMN que vão da 93 à 106, quer dizer, que no ano de 1976 nos encontrávamos desde Subt(s) no 1º ano a Cap(s) no 2º ou 3º ano, isto é, todos Of(s) Subalt(s).
Saibam que entre nós há homens de destacada trajetória posterior em nosso Exército e outros já aposentados, no meio civil, homens condecorados pelo Exército por suas ações na guerra contra a subversão, Veteranos e condecorados das Malvinas, Chefes de Unidades, Adidos Militares, etc., todos hoje nos encontramos processados e/ou condenados basicamente pelos “supostos delitos” de associação ilícita, detenções ilegais agravadas pelo tempo de sua duração e tormento ou tortura. Como podia um Subtenente integrar uma associação ilícita com seu Comandante de Brigada e com seu Chefe de Unidade? Como podia um Tenente ordenar uma detenção ilegal e agravá-la no tempo? Tampouco tem resposta, e assim seguiríamos perguntado e respondendo o mesmo. Juridicamente, tema do qual falaremos, isto não tem nenhuma lógica, e no dizer popular, não tem pés nem cabeça.
Aqui existiu uma guerra e existiram ordens (nem legais nem ilegais), foram ordens. Nunca nos 4 anos de CMN nem nas “Escolas de Regimento” nos ensinaram a analisar as ordens, senão a cumpri-las. Não existe nem nunca existiu no Exército a “teoria Balza”. Nunca nos ensinaram a diferenciar as ordens.
Entre os que nos encontramos nesta situação, há camaradas doentes, alguns com cânceres terminais, doentes psiquiátricos, outros com AVC e seria longa a gama das doenças, isto somado aos já mais de cem (100) camaradas mortos na prisão (o CELS computa 193), alguns diante de nós.
A isto se soma a dor e a enfermidade de nossas famílias, essa “grande família militar” da qual tanto nos falaram e falamos. A dor não é só a de nos ver presos e tratados como delinqüentes comuns, senão a de ver-nos submetidos ao escárnio e à piada pública em diferentes MCS, nos translados algemados ou nesses arremedos de julgamentos que são mais um circo romano que outra coisa. Que dizer de nossos filhos já homens e mulheres, alguns Oficiais ou Chefes do EA? Saibam também que nossas mulheres e filhos estão doentes, muitos em tratamento, por esta situação. Devem saber também que há Suboficiais presos conosco, uma verdadeira afronta da qual nos devemos envergonhar. TODOS eram nessa época Cabos, Cabos 1ºs ou Sargentos, também conformavam as “associações ilícitas”? Um verdadeiro disparate. A grande pergunta é: até quando continuará esta vingança contra o Exército (não duvidem jamais que esse é o alvo!)? Por favor, nenhum queira acreditar ou pensar que é Justiça.
E também, por favor, não se deixem levar pelos que falam “deste novo Exército”. O Exército Argentino foi e é um só, desde 29 de maio de 1810 até nossos dias. A nenhum de nós se nos ocorreu renegar o Exército Libertador, do da Guerra com o Brasil, do da conquista do Deserto, do da guerra da Tripla Aliança, do de Richieri, do de Perón ou do da Guerra contra a Subversão e a reconquista das Malvinas. Com as virtudes e defeitos de seus condutores, são o mesmo Exército de HOJE.
Não se confundam! Não defendemos nem defenderemos o governo militar de 1976/83, mas sim, nos sentimos orgulhosos de haver sido parte da História do nosso grande Exército, derrotando a subversão, logro reconhecido na ocasião por toda a nossa sociedade (hoje desmemoriada) e por todo o mundo.
Somos homens maduros, alguns doentes, mas não estamos derrotados, lutamos como podemos por nossa liberdade e por “nosso Exército”, o de hoje e o de sempre. “Na história dos povos há lugares onde o patriotismo e a valentia se dão em uma dimensão maior, como se a terra fosse mais fértil em produzir qualidade humana” (Comandante Huber Matos).
Com toda humildade, tomamos para nós estas palavras de um dos Comandantes da Revolução Cubana, que pagou 20 anos de cárcere por sua discordância com Fidel Castro. Pedimos-lhe, como camaradas mais antigos, na maioria dos casos, que pensem não só em nós, senão em nosso Exército: aonde vamos, para onde nos levam, é este o caminho? Por favor, pensemos nisso. Não nos guiemos pelos “supostos MCS” e naquele “a opinião pública”. Para não falar no ar, encarregamos e pagamos, com a colaboração de muitos amigos, uma pesquisa de opinião (de uma das melhores empresas de pesquisa do mercado e sobre o universo mais amplo possível) que apontou resultados realmente surpreendentes que queremos compartilhar com vocês, para nos responder a todas essas perguntas, das quais damos alguns exemplos:
- O Exército, em matéria de imagem de instituições encontra-se no 3º lugar, depois da Igreja Católica e do jornalismo, ficando muito acima do Governo, dos grêmios, dos partidos políticos, etc.
- Outro dos temas é o do SMO (Serviço Militar Obrigatório), tão caro à sociedade, onde vemos que 60% dos pesquisados opina que deve voltar, duplicando a percentagem dos que se opõem.
- Em relação a nossos julgamentos pela Guerra contra a Subversão, quase 70% se manifesta contra os mesmos, ficando reduzido só a 16% os que estão de acordo.
- Além da polêmica que o tema provoca, 60% estima que seria positivo que as FFAA intervenham para combater o narcotráfico, contra apenas 21% que se manifesta contrária.
- Surpreendentemente, ante a pergunta se o Governo desarmou e colocou as FFAA em segundo plano, e se não estão equipadas nem em capacidade de defender a República, 68% manifestou-se de acordo com esta opinião.
Estimados camaradas, entendemos que este será o primeiro contato de um diálogo e intercâmbio de ideias que de forma respeitosa pretendemos e esperamos ter com vocês. Solicitamos aos que queiram nos responder de qualquer forma (anônima ou não), o façam chegar à nossa direção eletrônica.
Despedimo-nos de vocês com o forte abraço de soldados que corresponde.
Presos do Exército em Penitenciárias Federais
Nota da tradutora:
Este artigo destina-se, sobretudo aos militares brasileiros, para que se lembrem do seu passado e dos seus camaradas que hoje estão sendo julgados e amanhã poderão passar pelo mesmo que os militares argentinos estão passando hoje. E para melhor ilustrar o texto acima, sugiro que assistam à esta brilhante, corajosa e emocionante alocução do Senhor Coronel Horacio Losito, por ocasião de seu julgamento. Quanta firmeza! Quanta hombridade! Estes heróis da pátria, a maioria na faixa etária entre os 70 e 80 anos de idade, estão sendo julgados com condenações que vão dos 30 anos até prisão perpétua. Enquanto os terroristas assassinos estão todos no poder.
Palavras finais do Coronel “VGM” Horacio Losito
Tradução: Graça Salgueiro
Fonte:  Portal Ternuma
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Depois de Aprovar a Comissão da Verdade, Pretendem Revogar a Lei de Anistia.

por Carlos Newton
Com assinatura de apoio de todos os ex-ministros da pasta, a ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, divulgou uma carta-aberta aos deputados em que declara que o país está correndo contra o tempo para que a memória das vítimas da ditadura militar não seja esquecida.
No manifesto, Maria do Rosário e os ex-ministros apoiam o projeto de lei que cria a Comissão da Verdade e defendem que o direito à memória e à verdade é uma “conquista” que não pode ser negada. O Congresso Nacional tem em suas mãos a oportunidade de aprovar esse projeto seguindo os passos já trilhados para a consolidação do regime democrático em nosso país”, diz trecho da carta.
Nosso desafio, hoje, é uma corrida contra o tempo: as memórias ainda vivas não podem ser esquecidas e, somente conhecendo as práticas de violação desse passado recente, evitaremos violações no futuro”, assinalam os ministros.
Além de Maria do Rosário, assinam a carta os ex-ministros Paulo Vannuchi, José Gregori, Gilberto Vergne Sabóia, Paulo Sérgio Pinheiro, Nilmário Miranda e Mário Mamede. O ministro da Defesa, Celso Amorim, também participou da reunião, mas saiu do encontro sem falar com a imprensa.
O Projeto de Lei 7.376 foi enviado pelo Executivo, em maio, à Câmara dos Deputados e, depois de ter passado pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e a de Relações Exteriores e Defesa Nacional, já houve três pedidos para a inclusão da proposta, na ordem do dia, para análise do plenário. O projeto cria a Comissão da Verdade no âmbito da Casa Civil da Presidência da República.
Como se sabe, a proposta é polêmica por vários motivos. De início, não conta com apoio integral das Forças Armadas, porque só pretende investigar crimes dos militares, deixando de lado os cometidos pelos militantes da luta armada. Além disso, os militares já destruíram todos os documentos que os poderiam incriminar. Por isso, a Comissão da Verdade não terá em que se basear na investigação, a não ser pelos depoimentos de militantes. Mas quem liga para isso?
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GOVERNO USA ESTRATÉGIA ARDILOSA
A estratégia do governo é aprovar primeiro a Comissão da Verdade, para num segundo lance mudar a Lei de Anistia para punir quem torturou, matou e desapareceu com opositores do regime militar. O militares ainda desconhecem essa intenção do governo e estão aceitando a Comissão da Verdade porque ela não terá efeitos punitivos, porque o Supremo já reconheceu a constitucionalidade da Lei da Anistia. Quando souberem que o governo depois pretende mudar a Lei da Anistia, será tarde demais.
Já existe o projeto, que é de autoria da deputada Luiza Erundina (PSB-SP). A proposta já esteve três vezes para ser votada na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, mas foi retirado de pauta. Na manhã de ontem, o PSOL tentou incluí-la na pauta, mas foi derrotado pela base do governo. O PT liderou a mobilização para evitar a votação.
Foi na semana passada que o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), e o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que faz parte da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, reuniram-se com o ministro da Defesa, Celso Amorim, e decidiram pela estratégia de “congelar” o projeto de Erundina até que seja instalada a Comissão da Verdade.
A proposta da deputada está destinada a gerar problemas, quer seja aprovada ou rejeitada. Se passar, criará reações de setores militares, já incomodados com a Comissão da Verdade. Se não passar, o governo terá de se explicar junto à militância dos direitos humanos e parentes dos desaparecidos e perseguidos políticos.
Os militares, é claro, resistem a qualquer revisão da Lei da Anistia. A assessoria parlamentar do Comando do Exército já elaborou uma nota técnica contra o projeto de Erundina e a distribuiu aos deputados da comissão. “O projeto quer fazer não a interpretação autêntica, mas restritiva quanto ao alcance dos efeitos da anistia, ferindo de morte o verdadeiro espírito da lei. O projeto vai produzir efeitos retroativos, atingindo fatos passados. Implica em desequilíbrio e desarmonia”, diz a nota técnica do Comando do Exército.
Os militares argumentam que o Supremo Tribunal Federal já decidiu, em abril de 2010, que a lei de 1979 vale para todos, inclusive para crimes cometidos por agentes públicos, militares e civis. Independentemente da mobilização dos militares, alguns parlamentares de esquerda são contra a revisão da Lei da Anistia. Alfredo Sirkis (PV-RJ), por exemplo, um ex-guerrilheiro e que atuou na luta armada, é a favor da Comissão da Verdade, mas não da mudança da Lei da Anistia para punir agentes do Estado que atuaram na ditadura.
“Tenho absoluta autoridade para falar desse assunto e não admito ser patrulhado pela esquerda. Esses fatos ocorreram há 40 anos. Reabrir essa questão nesse momento será julgamento daqueles que eram personagens secundários. É reabrir um confronto que não interessa” - diz Alfredo Sirkis, que integra a Comissão de Defesa Nacional e votará contra o projeto de Erundina.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nova Arma Pode Controlar o Clima e Produzir Desastres Naturais

Uma nova tecnologia pode ser capaz de controlar o clima e desenvolver desastres naturais. Essa nova descoberta pode ser usada a favor ou contra a humanidade. Chuvas, terremotos e tsunamis já estariam sendo reproduzidos em laboratórios. Indícios revelam que isso já pode ter acontecido. O ser humano estaria próximo de descobrir como controlar a natureza.
Fonte:  Noticias R7
Já em 1966, o professor Gordon Mac Donald (membro da presidência da comissão científica de Geofísica e Física Planetária da Universidade de Los Angeles, USA) conduziu um comentário perturbador: "A chave para a guerra geofísica é identificar instabilidade ambiental, juntamente com uma pequena quantidade de energia que liberaria quantidades massivas dos mesmos. Para isto trabalha o HAARP. Tudo de estranho que está acontecendo na Terra é obra deles"
O projeto High Frequency Active Auroral Research Program (HAARP) (em português: Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência) é uma investigação financiada pela Força Aérea dos Estados Unidos, a Marinha e a Universidade do Alasca com o propósito oficial de “entender, simular e controlar os processos ionosféricos que poderiam mudar o funcionamento das comunicações e sistemas de vigilância”.
Iniciou-se em 1993 para uma série de experimentos durante vinte anos. É similar a numerosos aquecedores ionosféricos existentes em todo mundo, e tem um grande número de instrumentos de diagnóstico com o objetivo de aperfeiçoar o conhecimento científico da dinâmica ionosférica.
Existem especulações de que o projeto HAARP seria uma arma dos Estados Unidos, capaz de controlar o clima provocando inundações e outras catástrofes. Em 1999, o Parlamento Europeu emitiu uma resolução onde afirmava que o Projeto HAARP manipulava o meio ambiente com fins militares, contestando uma avaliação do projeto por parte da Science and Technology Options Assessment (STOA), o órgão da União Europeia responsável por estudo e avaliação de novas tecnologias. [1] Em 2002, o Parlamento Russo apresentou ao presidente Vladimir Putin um relatório assinado por 90 deputados dos comitês de Relações Internacionais e de Defesa, onde alega que o Projeto HAARP é uma nova “arma geofísica”, capaz de manipular a baixa atmosfera terrestre. [2] (FONTE: Wikipédia)
Fonte:  Atah Tiamat

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

11/9 ou 9/11?

por Janer Cristaldo
As datas históricas das quais tenho lembrança são escassas. Há uma que não esqueço. Eu tinha sete anos e ainda vivia no campo. Estava atrelando um tordilho à aranha que nos levava — eu e minha mãe — à escola, quando tio Ângelo chegou a galope, como quem traz notícia ruim. Antes de apear, já foi anunciando:
Canário, mataram o homem.
O dia era 24 de agosto de 1954. Canário era meu pai. O homem era Getúlio. Tio Ângelo era o homem que sabia das coisas, o único que tinha rádio em nosso clã. Não foi preciso dizer o nome do homem, tamanho era seu carisma.
Depois disso, não tenho muitas datas a lembrar. Do assassinato de Kennedy, que é outro marco na memória das gentes, não tenho a mínima lembrança. Só sei que estava em Dom Pedrito, onde as notícias, naqueles dias, custavam a chegar. Da chegada do homem à lua, tampouco não lembro. Estava em Porto Alegre, mas não tenho lembrança alguma da data.
Mas guardei outras duas, que talvez pouco digam ao leitor. Lembro muito bem do 28 de janeiro de 1986. Era manhã e eu tomava café em um bar em Salamanca. Olhei o jornal e vi aquela estranha rosácea em pleno espaço. A Challenger explodira acima do Oceano Atlântico, após 73 segundos de voo, ceifando a vida de sete tripulantes, entre eles Christa McAuliffe, uma professora de New Hampshire de 37 anos. Confesso que senti um nó na garganta.
Outra data que não esqueço foi o 28 de maio de 87. Era madrugada e eu vagava com um amigo na madrugada de Madri. Ele botou o olho na manchete de um vespertino e me disse: desta tu vais gostar. Naquele dia, Mathias Rust, um alemão de 19 anos, pilotando um monomotor e burlando toda vigilância aérea de Moscou, deu três vôos rasantes sobre o mausoléu de Lênin e aterrissou a 50 metros das muralhas do Kremlin, em pleno coração do comunismo. Estava acompanhado de uma menina. Cercados por moscovitas e turistas que lhes perguntaram de onde vinham, Mathias respondeu com a maior naturalidade: Helsinque.
Um feito e tanto. O mundo todo se perguntava como um aviãozinho de turismo havia penetrado numa capital protegida por um cinturão de mísseis antiaéreos, poderosas estações de radares civis e militares e instrumentos capazes de detectar qualquer objeto voando pouco acima do solo num raio de 30 km. Por cúmulo da ironia, Rust aterrissou na Praça Vermelha quando se comemorava o Dia da Guarda Soviética das Fronteiras. Dia seguinte, caía o ministro da Defesa soviético, o marechal Sergei Sokolov, por negligência. Molecada das boas.
Depois destas, a única que me marca é o 11 de setembro. Eu trabalhava em casa, quando uma amiga me telefona: dá uma olhada na televisão. Olhei. Tive a impressão que todo mundo deve ter tido. Seria mais um filme-catástrofe americano. Mas, pensando bem, nove horas da manhã não é horário de filme-catástrofe. Era fato.
Se houvesse um Nobel para o terrorismo, Bin Laden o mereceria sobejamente. Era preciso contornar algumas variantes. Primeiro, encontrar um punhado de malucos dispostos a morrer em prol de uma causa inútil. Parece que no mundo muçulmano há farta mão de obra. Encontrados os iluminados, era preciso treiná-los como pilotos. O que não foi difícil. Depois, era só escolher o alvo, de preferência um dos ícones do Ocidente. Bin Laden, em sua paranoia, imaginava que bastava matar alguns milhares de americanos para dobrar os Estados Unidos. É o que dá viver isolado do mundo.
Morreram três mil pessoas, sofreram outros milhares. O atentado abalou o Ocidente. Uma década depois, o poder americano continua intocado. Os malucos se consumiram no atentado, seu cúmplices foram mortos ou presos e Bin Laden foi fuzilado. O episódio gerou uma guerra estúpida. Apesar de quinze entre os dezenove terroristas serem sauditas, Bush, o boçal, insistiu na tese de que o Iraque estava na origem do atentado. Ok! Sempre é salutar ver um ditador como Saddam Hussein fora do poder. Mas os Estados Unidos se atolaram em um novo Vietnã e os homens-bombas continuam matando no Iraque. E não há nem sombra de esperança para um regime democrático na região.
Que restou do atentado de Bin Laden? Fora a dor dos que ficaram, um desconforto maior nas viagens aéreas no Ocidente todo. Foi também um desserviço ao Islã. Se antes os muçulmanos, com seus malucos que se explodiam na esperança de encontrar as 72 virgens no paraíso, já eram associados a terrorismo, hoje a associação é mais evidente. Não que todo muçulmano seja um terrorista. Mas eram muçulmanos todos os terroristas que atacaram as torres gêmeas.
Não partilho da ideia de que o 11/9 seja a data mais emblemática do século. Já fiz várias vezes esta experiência: perguntar a pessoas de minha idade, ou mais jovens, a universitários e jornalistas, o que ocorreu em Nove de Novembro de 1989. A data é até fácil de guardar, por ser aliterante. Ninguém lembra, ninguém sabe, ninguém viu. 11/9 todos lembram. 9/11 já está enterrado nos escaninhos da memória. 
Ocorre que o 9/11 transformou muito mais o mundo e o século que o incidente do 11/9. Parece que professor algum, jornalista algum, percebeu a importância do fato. Ou, propositadamente, o omite a seus alunos e leitores. Não é de espantar. Imprensa e universidade brasileiras estão contaminadas até os ossos pela nostalgia do comunismo. Viúvas sofrem muito ao relembrar a morte do marido.
No 11/9 morreram cerca de três mil pessoas. No 9/11, morreu um regime que matou 20 milhões de seres humanos.
Fonte:  Janer Cristaldo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cadáver da Operação Shaolin Assombra Palácio do Planalto e Governador do DF


por Mino Pedrosa
Um processo explosivo que está na Justiça Federal tem em seu conteúdo ligações perigosas entre o Palácio do Planalto, o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz, o secretário da Presidência da República Gilberto Carvalho e a ex ministra da Casa Civil Erenice Guerra envolvidos no desvio de milhões de reais dos cofres públicos através de ONGs especialmente criadas para esses expedientes.
Luiz Carlos Coelho de Medeiros e sua irmã Vera Lúcia Coelho de Medeiros faziam o trabalho de acompanhamento de emendas parlamentares destinadas às ONGs montadas para desviar milhões em verbas públicas. O presidente Lula determinou a nomeação de Vera Lúcia para a Casa Civil, subordinada diretamente a Erenice Guerra, na época secretária executiva no Palácio do Planalto.
O descontingenciamento ficava sob a responsabilidade de Erenice Guerra e Vera Lúcia, que se gaba de desfrutar uma intimidade com o presidente Lula. Dalí as emendas eram liberadas e encaminhadas para Agnelo que ocupava a pasta dos Esportes.
Agnelo tinha como um dos coordenadores da operação, na Esplanada dos Ministérios, Luiz Carlos Medeiros, que fazia a verba chegar às mãos dos dirigentes das ONGs, que no final da história retornavam com parte do dinheiro para o então ministro, segundo depoimentos de dois integrantes do bando que saqueava os cofres públicos.
Tudo isso parece estar sob controle de Gilberto Carvalho na Justiça. Mas os dirigentes que operavam para Agnelo estão tirando noites de sono do governador.
O processo que está sob sigilo na Justiça relata uma história triste e capaz de revoltar qualquer pessoa de bem. Uma delegada da cidade-satélite de Sobradinho, no entorno de Brasília, recebeu denúncia de abuso sexual de menores adolescentes. A partir daí iniciou investigação com escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça, e coleta de informações de orgias organizadas por empresários. O que a delegada não esperava era deparar-se com um escândalo nacional que passava pelo Palácio do Planalto, Ministério dos Esportes e pelo Governo do Distrito Federal.
A delegada que queria desvendar um crime local de abuso sexual, confrontou-se com informações que fugiam de sua competência. Foi então obrigada a enviar o inquérito para a DECO – Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado, da Polícia Civil do DF, sob a batuta do delegado Jean Carlo. Aí, começa uma profunda investigação que resultou em ameaças e assassinatos colocando duas testemunhas sob proteção da Polícia Federal.
Jean Carlo escalou dois agentes de sua confiança para infiltrar no bando. Tudo era gravado, filmado, documentado e passado para um grupo de inteligência da Operação batizada de Kung-Fu. O delegado Jean Carlo, tinha o controle absoluto de tudo, mas não poderia contar com a descoberta da verdadeira identidade de um de seus agentes infiltrados no bando: Luiz Carlos, o Clark, que foi assassinado durante a Operação.
A morte de Clark aconteceu em outubro de 2009. Como o agente trabalhava infiltrado na Operação Kung-Fu, o diretor-geral da Polícia Civil, Cléber Monteiro, esteve no local do crime e deu declaração de que o policial poderia ter sido vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). Mas o corpo de Clark foi encontrado entre os dois bancos da frente do carro da Polícia Civil descaracterizado, um Clio prata placa JFT 7515-DF, numa estrada de terra atrás do Condomínio RK, próximo à DF-001 e do Centro de Imagens e Informações Geográficas do Exército (CIGEx), em Sobradinho.
O corpo do agente estava sobre a marcha, com a cabeça voltada para o banco de trás. Além disso, havia uma marca de tiro no peito e quatro cápsulas de bala no chão do carro. Clark foi encontrado com uma arma na mão e estava com o pulso quebrado, o que foi omitido pela perícia no laudo final.
O depoimento da testemunha Michael Vieira da Silva chamou a atenção dos investigadores. O ex-integrante do bando das ONGs, disse que ele próprio teria sido vitima de João Dias, um dos dirigentes da ONG Instituto Novo Horizonte e soldado da PM lutador especialista em artes marciais. João Dias desfruta de um padrão de vida incompatível com o que possa receber em sua função pública: confortável mansão, carros importados e um temperamento capaz de intimidar qualquer pessoa que queira ter vida longa.
Segundo Michael, João Dias o forçou a fazer um depoimento, por escrito, retirando o nome de Agnelo da trama.
João, através de um golpe marcial, quebrou o pulso da testemunha tal qual o do agente Clark encontrado morto. Todas essas informações estão à disposição da Justiça nos depoimentos de Michael.
Michael Vieira da Silva contou que outro colaborador do delegado Jean Carlo, Geraldo Nascimento de Andrade, também estava marcado para morrer. O delegado Jean Carlo decidiu resgatar o agente infiltrado e Geraldo, ex-integrante do bando cooptado pela polícia, e colocá-los sob o Programa de Proteção a Testemunha.
Geraldo, ex-participante da ONG, cooptado pela polícia, foi informado pela esposa de um dos integrantes do bando que sua fotografia já estava nas mãos de matadores contratados para fazer o “serviço”.
A esta altura, a Operação Kung-Fu se transforma em Shaolin e sai da Polícia Civil do DF e vai para a Justiça Federal. Lá permanece na mesa do juiz substituto da 10ª Vara enquanto durou a campanha para o Governo do DF.
Joaquim Roriz, candidato que disputava com Agnelo Queiroz a vaga no Palácio do Buriti, colocou o depoimento de Michael em seu horário eleitoral na TV. Em contrapartida entra em cena a história contada pela Revista Quidnovi na semana passada sob o título Voz de Prisão.
Mais uma vez João Dias, pesadelo de Agnelo, é um dos protagonistas da história. Até chegar ao corre corre na padaria no Sudoeste, bairro nobre de Brasília, muita coisa havia acontecido e está vindo à tona agora.
Marcelo Toledo e o doleiro Fayed chamaram João Dias para se juntar ao grupo que tentava conseguir a alto custo a Secretaria de Segurança Pública, o DF-Trans e a Seguradora do BRB.
Foi oferecido para João, a Seguradora do BRB que poderia gerar de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhões ao mês para o esquema. João topou o negócio, mas por pouco tempo. Numa conversa com Miguel Lucena, presidente da Codeplan, foi prometido uma posição melhor dentro do Governo. Miguel pretendia assumir a Secretaria de Segurança Pública e deixar a Codeplan nas mãos de João Dias.
Lucena levou João Dias para enfrentar Toledo e Fayed, que tinham nas mãos gravações comprometedoras de caixa 2 na campanha de Agnelo. O delegado Lucena traçou o plano com João para dar voz de prisão ao doleiro e a Toledo por tentativa de extorsão. Chamou Fayed para tomar um vinho na Padaria Pães & Vinhos, no Sudoeste, enquanto João Dias ficou do lado de fora aguardando o momento de entrar em cena.
Em paralelo, Toledo telefona para Lucena e começa uma discussão. Em seguida, Toledo chega a padaria a fim de colocar um ponto final na tão esperada resposta de Agnelo.
O que Toledo não sabe é que a Seguradora do BRB não pode ser dada a ele, nem por Agnelo, porque está nas mãos do vice Tadeu Filipelli e do grão mestre da maçonaria da Loja Grande Oriente do Brasil, Jaffé Torres. Lucena começa a discutir e o resultado foi parar na 3ª DP. Lá, João Dias demonstrava prestígio com o governador. Exigia que fosse feito um Boletim de Ocorrência colocando Agnelo e Lucena como vitimas de extorsão.
João falava alto e ditava as regras. Mas o delegado Onofre de Moraes não podia fazer o BO porque não estavam na Delegacia nem Lucena nem Agnelo. João Dias então deixa a delegacia dizendo que daria o prazo de uma semana para tudo ficar resolvido. E garantia ter Agnelo em suas mãos.
Agora, Onofre, está investigando o caso em sigilo e deve colocar no inquérito o depoimento de todos os personagens.
No final da tarde desta 2ª feira (29/8), o governador de Brasília Agnelo Queiroz, durante a inauguração de uma pequena reforma no Hospital da Ceilândia, mostrou-se descontrolado. Xingou os pacientes que cobravam mais atenção da área da Saúde. Disse que os pacientes eram mercenários. O motivo desse descontrole poderia até ser a questão do Sistema de Saúde do DF que está falido. Mas, na verdade, o que incomoda Agnelo é o rumoroso processo que tramita na justiça federal, e que agora poderá vir à tona.
Hoje Agnelo deverá ter uma nova dor de cabeça. Conforme revelou o Quidnovi, na semana passada, o governador continua nomeando todas as pessoas envolvidas em escândalos que possam derrubá-lo da cadeira do Buriti. Segundo o Diário Oficial do DF de 13 de janeiro de 2011, Vera Lúcia foi nomeada para um CNE 07, como assessora especial da Secretaria de Estado e desenvolvimento Urbano e Habitacional. No DODF de 10 de março de 2011, Vera Lúcia foi remanejada para um cargo de natureza especial com CNE 05. Ela agora é Ouvidora da Secretaria de Transparência e Controle do GDF. Ou seja, escuta as denúncias contra o Governo para que possam ser apuradas.

Fonte: Quid Novi
COMENTO: reafirmo que o relato é pesado e que, infelizmente, faltam dados que poderiam melhorar a credibilidade sobre o relatado, como a especificação de datas, mas é mais um fato que, certamente, não constará nas notícias divulgadas pela "grande imprensa", nem terá uma apuração promovida por algum "procurador justiceiro"!
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Favelas Pacificadas?? Como Assim??

por Carlos Newton
Depois da terceira noite de confrontos entre militares do Exército e traficantes no Complexo do Alemão, o bairro teve a segurança reforçada. Com mais de cem homens, a Polícia Militar decidiu ocupar, por tempo indeterminado, dois morros vizinhos — da Baiana e do Adeus. E na quarta-feira (7/9), soldados do Exército fazem uma grande operação nos acessos ao complexo em dois blindados do tipo Urutu.
A manutenção do tráfico de drogas no Alemão e nas demais favelas ditas “pacificadas” mostra que Helio Fernandes tinha toda razão, ao denunciar repetidas vezes que não houve pacificação alguma, apenas um pacto entre o governador e os traficantes. O tráfico continua, nunca parou, e agora está enriquecendo os PMs que tomam conta das favelas “pacificadas” e levam comissão dos traficantes, como ficou provado agora no caso dos três PMs presos no Morro da Coroa, com R$ 13 mil nos bolsos.
Por isso vale a pena ler de novo o artigo publicado aqui no Blog pelo jornalista Helio Fernandes em 8 de julho de 2010. Parece que foi escrito hoje.
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A “pacificação” das favelas não passa de um acordo entre o governador e os traficantes, que podem “trabalhar” livremente, desde que não intimidem os moradores.
por Helio Fernandes
Em dezembro de 2009, publiquei aqui no Blog um importante artigo de denúncia, mostrando que a política de “pacificação” das favelas não passa de uma manobra eleitoreira do governador cabralzinho, que inclui um incrível e espantoso acordo entre as autoridades estaduais e os traficantes que atuavam (e continuam atuando) nessas comunidades carentes.
O acordo está “firmado” sob as seguintes cláusulas:
1 – Os traficantes somem com as armas da favela, com os “soldados” de máscaras ninjas, com os olheiros e tudo o mais. 
2 – A PM entra na favela, sem enfrentar resistência, ocupa os pontos que bem entender, mas não invade nenhuma casa, nenhum barraco, e não prende ninguém, pois não “acha” traficantes ou criminosos. 
3 – A favela é tida como “pacificada”, não existem mais marginais circulando armados, os moradores não sofrem mais intimidações, não há mais balas perdidas. 
4 – Em compensação, o tráfico fica liberado, desde que feito discretamente, sem muita movimentação.
Até o Blog publicar esses artigos, ninguém havia tocado no assunto. A implantação das chamadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) vinha sendo saudada pela imprensa escrita, falada e televisada como uma espécie de panaceia na segurança pública. Era como se, de súbito, as autoridades estaduais e municipais tivessem conseguido “colocar o ovo em pé”, resolvendo de uma hora para outra o maior problema da atualidade: a violência e o tráfico de drogas nos guetos das grandes cidades.
Não há dúvida, esse é um dos maiores desafios da humanidade. Como todos sabem, em praticamente todos os países do mundo, governantes e autoridades da segurança pública continuam sem saber como enfrentar e vencer o problema da criminalidade e do tráfico. Menos no Rio de Janeiro. Aqui, houve uma espécie de “abracadabra”, um toque de varinha de condão, e num passe de mágica, as favelas foram “pacificadas”, que maravilha viver.
O mais interessante: não foi disparado um único e escasso tiro, os traficantes e “donos” das favelas não lançaram uma só granada, um solitário morteiro, não acionaram seus lança-chamas, seus mísseis portáteis, seus rifles AR-15 e M-16, suas submetralhadoras Uzi, nada, nada.
No artigo-denúncia que publiquei no final de dezembro de 2009 e nos outros que se seguiram em janeiro, chamei atenção para esse fato espantoso: ninguém reparou que a tal “pacificação” foi fácil demais, não houve uma só troca de tiros?
O pior foi a atitude do governador cabralzinho, que deve pensar (?) que os demais cidadãos são todos imbecis e aceitam qualquer “explicação” que lhes seja fornecida pelas autoridades. Recordemos que foi ele quem teve a ousadia e a desfaçatez de vir a público e proclamar, textualmente: “dei prazo de 48 horas para os traficantes deixarem o Cantagalo-Pavão-Pavãozinho”.
Como é que é? O governador esteve como os traficantes, “cara-a-cara”, e fez o ultimato? Ou mandou recado por algum amigo comum? Como foi o procedimento? Ninguém sabe.
O que se sabe é que o governador alardeava (e continua alardeando) que, em todas as favelas onde a Polícia Militar instalou as UPPs, os traficantes e criminosos simplesmente sumiram, assustados, amedrontados, apavorados.
Seria tão bom se fosse verdade. Mas o que é a verdade para esse governador enriquecido ilicitamente, cuja mansão à beira-mar em Mangaratiba virou ponto de atração turística? Para ele, a verdade é a versão que ele transmite, por mais fantasiosa que seja, como se fosse um ridículo Pinóquio de carne e osso (aliás, muito mais carne do que osso, já caminhando para a obesidade precoce), a inventar contos da Carochinha para iludir os eleitores.
Quando escrevi a série de artigos desmascarando a “pacificação das favelas”, houve tremenda repercussão (como ocorre com tudo que sai publicado nesse Blog ou na Tribuna da Imprensa). Mas a maioria das pessoas se recusava a acreditar. Não podiam aceitar que um governante descesse a nível tão baixo, criasse tão estarrecedora mistificação, tentasse manipular tão audaciosamente os eleitores.
Mas meus artigos plantaram a semente da dúvida. Nas redações, os jornalistas começaram a questionar a veracidade do sucesso dessa política de segurança pública. Até que, há dois ou três meses, O Globo publicou uma página inteira em sua seção “Logo” (que é uma espécie de “pensata”), ironizando a facilidade com que as favelas teriam sido “pacificadas”. (Não me deram crédito nem royalties, é claro, mas fico esperando o pré-sal).
Agora, no dia 2 de julho, mais uma vez O Globo, em reportagem de Vera Araújo, comprova que meus artigos de denúncia estavam corretos. Sob o título “Feirão de Drogas Desafia UPP”), com fotos impressionantes feitas em maio na Cidade de Deus, a matéria mostra que o tráfico de drogas está e sempre esteve liberado, exatamente como afirmei.
Ao que parece, a repórter nem chegou a ir à Cidade de Deus. As fotos na “favela pacificada” foram feitas por um morador do local, que as enviou ao jornal. Foi facílimo fazer a matéria, as imagens dizem tudo.
No dia, seguinte, mais um repique em O Globo, mostrando que, assim com o tráfico de drogas, também a exploração de caça-níqueis está liberada na comunidade “tomada” pela PM. As fotos, novamente, são de um morador da favela, que o jornal, obviamente, não identifica.
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PS – Isso não está acontecendo somente na Cidade de Deus. Em todas as favelas pacificadas, ocorre o mesmo.
PS2 – Aproxima-se a eleição e, na campanha, o governador vai massacrar a opinião pública com a divulgação do êxito da “pacificação das favelas”. Este é ponto mais forte de sua “plataforma” eleitoral, ao lado das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).
PS3 – Aliás, UPPs e UPAs, tudo a ver. As UPAs também são um golpe de marqueting político-eleitoral, conforme iremos demonstrar neste Blog.
PS4 – O desgoverno de cabralzinho é um tema longo, do tipo “E o vento levou”. E seria bom, perdão, seria ótimo, se o vento o levasse permanentemente para longe de nós.
Fonte:  Tribuna da Imprensa
ATUALIZANDO:
A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu afastar nesta segunda (12) o comandante e o subcomandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos morros Coroa e Fallet/Fogueteiro, na zona norte, após denúncia de que os policiais recebiam propina de traficantes da região.
A PM informou em nota que o capitão Elton Costa e o tenente Rafael Medeiros foram afastados com base em um inquérito aberto há 60 dias para investigar “um esquema de pagamento de propina em troca do relaxamento das ações de fiscalização e favorecimento da venda de drogas nas comunidades”. Segundo o comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, a investigação está em fase final e deve ser concluída em uma semana.
COMENTO:  alguns jornalistas parecem visionários. Hélio Fernandes é um desses. Mas não é capacidade de adivinhação. É profissionalismo e capacidade de se manter íntegro, sem se vender aos governantes em troca das malditas "verbas de comunicação social" que os patifes retiram dos investimentos em educação, saúde, rodovias e outros serviços sociais para utilizar na compra da opinião de "comunicadores" tão canalhas e corruptos quanto os que os compram. E a cúpula das Forças Armadas se presta e se apresta a legitimar essa pantomima.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Aprendam Com o PT

por Lenilton Morato
Muitos protestos foram organizados durante as comemorações da independência do Brasil, no dia 7 de Setembro. Em várias cidades foi organizada uma "marcha contra a corrupção". Parece que, finalmente, a população começa a despertar para a realidade dura que assola o país, com grande inversão de aspectos relacionados à ética e a moral. Agora temos uma juventude atuante! Agora somos organizados! Não. Nem uma coisa, nem outra. Os integrantes da tal marcha não estavam despertos. Pareciam sonâmbulos entorpecidos por palavras de ordens emanadas e plantadas para distraí-los e dispersá-los. Assim, as pessoas que marcharam contra a corrupção saíram aliviadas, com a reconfortante sensação do "eu fiz a minha parte". Ao mesmo tempo, tal manifestação foi inócua. E todos saem ganhando, tanto os marchadores quanto os organizadores e idealizadores do evento que, com certeza, tinha muita gente do partido mais corrupto dos últimos 20 anos: o PT.
A esta manifestação faltou algo essencial a qualquer tipo de reivindicação: foco. Marcharam contra a corrupção. Sim, e daí? Corrupção não é um conceito tangível, mas algo genérico e que abrange praticamente toda a população: do político ladrão de recursos públicos àquele que falsifica as informações no imposto de renda, passando pelos fura-filas, ou dos motoristas que avançam o sinal vermelho. Todas são demonstrações de corrupção de valores morais. Lutar contra essa abstração é inócuo. Jamais alcançaremos qualquer resultado lutando contra algo que não podemos sequer definir com objetividade.
Um protesto como este deveria ser dirigido contra os funcionários públicos, empresas privadas ou partido político que praticam a corrupção, e não contra o conceito dela. Deve-se dar nome aos bois para que se alcance o resultado desejado. As manifestações deveriam ser contra o Congresso Nacional, contra os agentes estatais e funcionários públicos que se deixam corromper e contra as empresas privadas que agem como corruptoras. Desta maneira poder-se-ia sim alcançar o resultado desejado.
Nesta questão, o maior exemplo que podemos seguir é o do partido mais corrupto do país, o PT. Quando na oposição, a militância petista jamais saiu contra a corrupção ou contra a roubalheira generalizada. Além de se autoproclamar como verdadeiro baluarte da ética e da moral política, os manifestantes eram objetivos em suas passeatas: "Fora Yeda", "Fora FHC". Mesmo as empresas de comunicações (embora estejam todas comprometidas com a causa socialista) não conseguiram escapar da ira petista. Nenhum partido na oposição jamais se manifestou contra o PT ou o presidente Lula quando do caso do mensalão, o maior esquema de compra de votos de parlamentares que se tem notícia no Brasil. Em contrapartida, Fernando Collor foi retirado da presidência por pressão organizada deste partido, por crimes infinitamente menores (sendo inocentado posteriormente inclusive). Esta é a diferença fundamental entre um protesto verdadeiro e uma marcha difusa e ineficiente.
O problema maior, entretanto, é a infiltração de militantes petistas em todo o tecido social, em todos os setores da vida nacional, da pré-escola às Forças Armadas. Mesmo as passeatas contra fatos ocorridos em um governo do PT são organizadas por militantes deste partido. Enquanto as forças conservadores continuarem covardes e apáticas, estarão sendo dominadas, mesmo que se constituem na maioria da população.
E enquanto tivermos como expressão maior da oposição um partido que se espelha na esquerda dos EUA (Democratas) a situação permanecerá a mesma. É preciso que aqueles que se contrapõem efetivamente ao PT e seus aliados aprendam, humildemente, com eles a como se protesta e se comporta uma oposição.
COMENTO:  o texto acima serve como um contraponto ao anterior. Os dois argumentos são bons, interessantes. Qual o mais adequado à sociedade brasileira? Não sei. Deixo a cargo dos leitores tirarem as suas conclusões.
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Do Grito dos Excluídos ao Protesto Contra a Corrupção

por Marcos Pontes
Não só a esquerda, também os famigerados incolores minimizam os atos de protesto que ocorreram em todo o país contra a corrupção que grassa em todos os poderes. Os primeiros por motivos óbvios, os segundos por terem medo de assumir qualquer postura e, para isso, arrumam as mais estapafúrdias e insustentáveis desculpas.
Tirando o PSOL, mais conhecido como o PT-de-ontem, toda a esquerda está apoiando a presidente e sua pseudo-faxina, inclusive parte da que deveria ser oposição, o PSDB. Por estar alinhada com a presidente, participar dos protestos significaria que não está satisfeita com a maquiagem que o governo federal está fazendo enquanto finge que combate os corruptos. Seria o equivalente a dizer que quase nada foi feito. Antes ficar bem com os corruptos do que indispor-se com a falsa faxineira.
O PSOL até tentou, em Brasília, desfraldar suas bandeiras vermelhas, intento frustrado pelos demais participantes. O movimento nasceu suprapartidário e assim deverá manter-se, demonstrando que era um movimento deveras popular e não manipulado por siglas. Os vermelhinhos fizeram beicinho e não desfilaram.
Há nove anos a UNE desfilaria, mas a pensão milionária que recebe dos cofres públicos não desapontaria sua comandante-em-chefe. Fingiu-se de morta e até torceu os dedos para que sua ausência não fosse notada. Não deu certo a reza, se é que comunista reza. Quem tem mais de 30 anos tinha certeza que veria os barbudos e cabeludas, de camisetas fantasiadas com a cara do assassino platino-cubano Che ou batinhas indianas, as indefectíveis bolsas a tiracolo e as sandalhinhas de couro de bode empunhando faixas e esgoelando-se em palavras de ordem. Pouparam-nos desse espetáculo démodé.
As desculpas dos incolores: ah, isso vai dar em nada (pode ser, mas só as pitonisas podem adivinhar); isso é coisa de políticos (e é mesmo, políticos com as melhores intenções, pelo menos até o momento. A melhor espécie de políticos que pode existir, aquele que faz política civil, sem o uniforme maculado dos partidos); eu vou lá deixar de curtir meu feriado pra pegar sol na moleira? (A vida é feita de prioridades. Se sua prioridade é chocar jacaré em casa ou encher o rabo de cerveja à beira d’água enquanto os ratos saqueiam o erário, problema seu, mas não chore mais tarde); isso é coisa de reacionários de direita (esta é dos incolores que fingem-se de vermelhos ou que acreditam que toda a direita é conservadora ou vice-versa. Costumam ser emprenhados pelos ouvidos com uma tendência fortíssima, se não já comprovada, de politicamente corretos). E la nave va...
E já que foi mencionada a direita, parte dela recusou-se a comparecer. A mais bem explicada razão que li foi o artigo do Felipe Moura Brasil, no Mídia Sem Máscara. Alega o nobilíssimo autor que afirmou que ficaria em casa, embora refira-se à manifestação marcada para o dia 20 de setembro, no Rio (imagino que tenha ficado em casa no dia 7).
Para Felipe, o movimento popular, para ser mais incisivo, deveria ter alvos nominados, do tipo Jaqueline Roriz, Renan Calheiros, José Sarney, José Dirceu, ou mais amplo como o PT, o governo federal, toda a classe política... Me permito discordar. Desejando apontar seus petardos para alvos específicos cairia a marcha justamente no erro que ele aponta ter sido cometido: acertar uns, deixando outros bandidos de fora.
Para se começar a tal “primavera brasileira” (anotem aí, se ela vier a ocorrer, a imprensa cunhará este epíteto), primeiro tem que se levar o problema diante dos olhos do populacho desinformado para, só então, combater seus agentes. A verdadeira faxina é paulatina, não esse arroubo presidencial de faz de conta que limpou a Esplanada dos Ministérios, populista e de boa imagem para a mídia genuflexa.

domingo, 11 de setembro de 2011

Policiais Corruptos e Narcotraficantes Sabotam Operação de GLO do Exército no Alemão


por Jorge Serrão
O Exército foi sistematicamente sabotado em sua operação de cerco e repressão ao narcovarejo no Complexo do Alemão, durante os nove meses de “ocupação”. Sempre que montou “zonas de exclusão”, com acesso restrito a pontos onde dificilmente deixaram de ocorrer venda de drogas nos morros daquela região, os militares foram obrigados a deter policiais civis, PMs e até maus elementos da elitizada tropa do Bope que insistiam em furar o cerco para levar aos bandidos drogas e armas ou para apanhar propina.
A divulgação sobre estas dezenas de detenções foi cuidadosamente censurada pela cúpula de segurança do Governo Sérgio Cabral – que faz marketagem política com a triste farsa das UPPs (Unidades de Policiamento Pacificadoras). Em conluio com o governo Fluminense do vascaíno Cabralzinho, que é aliado da petralhada em política e negócios, o Ministério da Defesa não dá autorização para que o Exército exiba tudo que registrou (gravando em áudio e/ou vídeo) nas operações do Alemão. O EB fez um brilhante trabalho de inteligência, aplicando sua doutrina de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), mas não existe vontade política de combater o tráfico, para valer, no Alemão e adjacências.
Os governos federal e estadual do RJ não gostaram, mas foram obrigados a engolir ontem a dura verdade revelada pelo Comandante Militar do Leste. O General Adriano Pereira Júnior admitiu que traficantes ainda vendem drogas em bocas de fumo itinerantes no Morro do Alemão. Contrariando a vontade da turma do Cabral, o General Adriano avisou que o EB volta a revistar suspeitos de tráfico de drogas na comunidade. Em entrevista no Comando Militar do Leste (CML), o General até identificou quem é o “agente do quarto elemento” responsável pelos ataques ao EB: o traficante Paulo Rogério de Souza Paz, o Mica, foragido da Vila Cruzeiro.
A verdade completa que o General Adriano conhece bem, mas não pode proclamar é: Toda vez que o esquema de poder vigente é questionado popularmente, seus esquemas mafiosos são desnudados, estouram sinais de crise econômica e o sistema no poder teme sofrer um golpe, o Governo do Crime Organizado escala o chamado “quarto elemento” para desafiar as Forças Armadas. Criminosos politicamente orientados atacam os militares que cumprem a missão de Garantia da Lei e da Ordem.
Os soldados e seus comandantes, quando reagem, voltam a ser, injustamente, alvos de suspeitas de “violações dos direitos humanos”. Bandidos, os chefes deles, o Ministério Público e a Mídia cumprem a missão de estigmatizar o Exército. Por isso, o Alerta Total pergunta, sem cansar: Até quando nossos militares aceitarão cair nesta armadilha da guerra assimétrica promovida pelo sistema de Governo do Crime Organizado? Quem quiser entender melhor como ocorre a guerra psicológica contra o EB, basta dar uma olhada no organograma acima.
O medo do Governo do Crime Organizado é a alta qualidade das informações que os estrategistas do EB colhem nesta operação. Por isso, a ordem é intensificar os ataques assimétricos, na mídia, contra as Forças Armadas. A tática do inimigo é simplória e manjada. Geram-se assuntos desviantes da atenção, para irritar os militares, como a Comissão da Verdade. Ao mesmo tempo, usa-se o Ministério Público para fiscalizar a ação de GLO do EB, sob a desculpa de “evitar eventuais excessos praticados pelos militares contra a comunidade”. Na mídia, sempre que possível, reforça-se a imagem dos militares como autoritários, abusando de uma inocente população carente.
O enxugamento de gelo continua
O Complexo do Alemão continuará ocupado pelo Exército até junho, quando os morros da região ganharão as pretensas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
O efetivo de militares no local foi aumentado para 1.800, e outros 200 homens já estão à disposição e devem ser integrados à Força de Pacificação nos próximos dias.
O esquema de Garantia da Lei e da Ordem do EB conta com mais 120 militares de reforço, ocupando por tempo indeterminado os morros do Adeus e da Baiana, vizinhos ao complexo.
Esvaziando os resultados
O secretário de Segurança do RJ, José Mariano Beltrame, que também participou da entrevista de ontem no CML, alegou que não se pode vender ilusões à população em relação à luta contra o tráfico de drogas:
“Eu tenho sido bastante enfático ao dizer que, após 30, 40 anos de abandono de algumas áreas e total domínio do tráfico, ninguém vai resolver isso a curto prazo. Nós abrimos uma janela para que os serviços públicos e a própria sociedade cumpram o seu papel nessas comunidades”.
Com tais palavras, Beltrame já antecipa a derrota de uma ação mais firme de combate ao tráfico – o que não é desejo real do governo Sérgio Cabral.
Depoimento emblemático
Um morador do Alemão fez uma revelação importante à reportagem do jornal O Globo que reflete perfeitamente o risco institucional que o EB corre na GLO do Alemão: Segundo ele, alguns traficantes sequer saíram da comunidade e outros já estão no local há tempos.
Segundo ele, o tráfico quer provocar uma reação dos militares, para forçar a saída do Exército:
“É claro que o tráfico quer voltar. Minha sensação foi de frustração. Há morador de bem sendo ameaçado para ser conivente com o tráfico. Tenho medo de voltar aos tempos do terror”.

Fonte: Alerta Total
COMENTO: enquanto os generais se submeterem às determinações de políticos, juristas e outros comprometidos com o "quem paga as despesas de campanha" - legais ou não -, as Forças Armadas serão alvos fáceis da canalha. A pantomima da "pacificação" tem que ser desmascarada urgentemente pelos militares sob pena de saírem, de novo, como os bandidos da estória. Ou assumem o comando total da operação ou largam de ser bobos da corte. Fazer guerra pela metade é entrar na suruba andando de quatro. Os militares sabem o resultado de entrar em combate com a finalidade de poupar o inimigo. A parte decente da sociedade brasileira está pagando um alto preço pela benevolência dos militares para com a bandidagem comuno-terrorista.
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Miséria Vocabular

por Janer Cristaldo
De Solange Maria Mendonça Campos, recebo:
Prezado Janer, 
eu dava uma aula, no curso médico de graduação, para uma turma do 5º ano. Ou seja, os senhores/as ali presentes estavam quase formados. O tema era "Depressão: sintomas e sinais universais na clinica médica básica". Arrisquei: "a insônia é o arauto da depressão" (feliz expressão de um grande psiquiatra francês, daqueles da velha cepa, que quase moravam dentro do hospital).
Mal-estar na classe. Repeti, e constatei pela perplexidade dos rostos à minha frente, que ninguém sabia o que era arauto. Expliquei quem era em outros tempos, e sua função social então. Alguns entenderam, e fizeram a associação óbvia, a maioria não. Então desenhei no quadro (acho que ai em SP diz-se lousa?) um daqueles arautos de desenho animado de Disney, com plumas no chapéu, corneta com aquela bandeira, etc.
Aí eles entenderam quem era o arauto, mas eu ainda tive de explicar que assim como o arauto fazia, tocando a corneta, a insônia vinha anunciar, etc. Foi neste dia que comecei a pensar em não dar mais aula.
Abçs, Solange
Não se espante, Solange! A miséria vocabular é moeda corrente em nossos dias. Perdeu-se a curiosidade de saber o sentido de uma palavra desconhecida. Dicionário, que deveria ser o primeiro instrumento de aprendizado de um aluno, é livro ausente na maioria das casas. Sou fascinado por palavras e, se tropeço em uma que desconheço, vou correndo ao dicionário. Trabalho com um ao lado do computador e tenho, hoje, acho que mais de cinqüenta em minha biblioteca. 
Nem todos são de língua, bem entendido. Tenho dicionários bíblicos, de teologia, literatura, mitologia. Enfim, seria demais pedir que todos participem de meus vícios. Mas pelo menos um dicionário  unzinho só  devia existir entre os livros de cada estudante.
O pior é que esta miséria vocabular grassa até mesmo entre profissionais que lidam diariamente com as palavras. Vi isto de perto em meus dias de redação nos grandes jornais. Há uma tendência, entre os jornalistas — particularmente os da Folha de São Paulo — de nada escrever que um leitor mediano não entenda. Se a palavra é inevitável, lá vem explicação. Sempre que você encontrar a palavra latrocínio, o redator abre parênteses e explica: roubo com morte. Como se precisasse explicar o que é latrocínio. 
A partir daí, decorre uma conseqüência lógica. Se o jornalista desconhece o significado de uma palavra, é óbvio que o reles leitor também a desconhece. E o jornalista, pretendendo ser didático, prefere evitá-la. Transcrevo minhas aventuras nos dias de Folha, que estão em meu livro Como ler jornais, editado em 2006.
Escrevendo sobre uma escaramuça qualquer no planeta, fiz uma manchetinha mais ou menos assim:
OBUS MATA UM E FERE TRÊS 
Mal viu o título na rede, um jovem editor reclamou:
— Obus? O que é isso?
Obus, expliquei pacientemente, é uma peça de artilharia, um tipo de morteiro. Também chama-se obus a granada ou bala lançada por esse morteiro.
— Ah, mas o leitor não vai entender. Ninguém sabe o que é obus.
De minha parte, eu desconhecia palavra mais concisa que obus para dizer tiro de morteiro. Para minha sorte, um dos editores fizera serviço militar. Sim, é isso mesmo, é obus. "Mas vocês fizeram serviço militar, disse o primeiro. O leitor, nem sempre". O que, pelo menos no que a mim dizia respeito, era falso. Nunca fiz serviço militar. Quando menino eu fazia, isto sim, palavras cruzadas. Projétil de morteiro, quatro letras? Obus.
Meses mais tarde, novo conflito com os redatores hostis ao vernáculo. Me caíra nas mãos um TL (texto-legenda) para titular. Na foto, uma mulher de mãos postas e cabeça inclinada manifestava sua adoração por algo ou alguém. Nem hesitei: 
EM SINAL DE PREITO
Mal o texto chegou em sua tela, o editor, sempre alerta, gritou de sua baia:
— Preito? O que é isso?
Juntei minhas mãos, inclinei a cabeça e disse:
— Preito é isto.
— Ah, mas então deve ser uma palavra muito antiga.
De fato, era bem mais antiga que eu. Como aliás a maioria das palavras que eu ou você usamos. Lembrei-me do obus e fui tomado de súbita iluminação. Para aquele menino, formado na reputadíssima ECA, palavra que ele não conhecia certamente o leitor também não a conhecia. Os leitores do jornal eram nivelados pelo padrão do que ele ignorava.
Quem passou por jornais nas últimas décadas, terá dezenas destas histórias para contar. No dia 03 de outubro de 2001, a Folha superou todos seus feitos. A entrevista com Fernando Henrique Cardoso versava sobre o abate de aviões clandestinos sobre o território nacional. “Precisamos fazer um esforço grande para controlar o terrorismo, que é um inimigo suez — assim redigiu a repórter a declaração do presidente.
A moça, que desconhecia o adjetivo soez, escreveu como pensou ter ouvido e resolveu esclarecer o leitor, que talvez não soubesse o que significava suez: "FHC se referia aos combatentes egípcios que lutaram contra os israelenses na região de Suez, em 1973, e atacavam seus oponentes por meio de túneis subterrâneos abandonados, de surpresa: ninguém sabe de onde vem". Explicação mais que oportuna, já que nem mesmo eu saberia dizer o que significa suez como adjetivo.
Ora, diria o jovem editor, o presidente se permite tais palavras porque é um erudito. Acontece que não se exige erudição de ninguém para falar em soez. As gerações novas, hostis à leitura e viciadas pelo parco vocabulário televisivo, não mais conhecem palavras elementares do vernáculo e ainda se julgam no dever de elucidar para o leitor vocábulos de cujo significado apenas suspeitam. Com este material humano, que sequer conhece a própria língua, faz-se jornalismo. Pois jornalismo, hoje, só pode exercer quem faz curso de jornalismo.
Melhor mesmo, só a história dos perdigotos, já incluída no rol dos clássicos da Folha. A notícia era sobre a epidemia de uma gripe, que se disseminava por perdigotos. O repórter, ciente de sua ignorância, fez o que deveria fazer: consultou o dicionário. Só que ficou na primeira acepção da palavra. Os leitores foram então informados que a gripe era transmitida por filhotes de perdiz. O cidadão urbano foi tranqüilizado. Como nas urbes não existem perdizes, muitos menos filhotes das ditas, não havia porque temer a gripe.
Você pode baixar Como ler jornais de http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/lerjornais.html
Recomendo vivamente.
Fonte:  Janer Cristaldo
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sábado, 10 de setembro de 2011

O Dia da Penitência

por Clóvis Heberle
Em Oruro, no altiplano boliviano, a principal atividade econômica é a mineração, desde que os espanhóis conquistaram a região e passaram a explorar o subsolo. Na época colonial, os índios eram usados como mão de obra, e morriam às centenas de milhares no trabalho das minas.
Aprenderam nas aulas de catecismo dadas pelos missionários católicos que Deus habitava o céu e o diabo as profundezas da terra. Concluíram que com uma mãozinha do senhor das trevas tudo seria mais fácil — achar bons veios de ouro, prata ou cobre, ou pelo menos não morrer num desmoronamento. E assim surgiu a diablada.
Desde o século 16, na época do carnaval, os moradores de Oruro dançam e cantam com os rostos encobertos por máscaras medonhas representando a imagem de satanás. A tradição de homenagear o diabo perdura até hoje, e virou atração turística internacional. Mas, terminada a festa, correm às igrejas para pedir perdão a Deus e à Virgem e serem perdoados deste pecado. 
É o dia da penitência.
No Brasil, em agosto, a Rede Globo e a Mc Donalds também fazem a sua penitência. 
A Globo satura os lares brasileiros com violência, futebol, sexo e besteirol. As crianças são as maiores vítimas, submetidas a programas que estimulam a erotização precoce, a alimentação à base de doces, refrigerantes e salgadinhos e a solução de seus problemas na base da pancada, da intriga e da fofoca. As menininhas, para estarem na moda, usam batom, se pintam, calçam sapatos de salto e usam roupinhas justinhas. Beijar, namorar e conspirar contra coleguinhas, como nas novelas, se tornam as prioridades numa fase de suas vidas em que não têm condições de avaliar o certo e o errado. 
Mas, um dia por ano, há o Criança Esperança. Os funcionários da empresa são convocados a pedir dinheiro para obras em favor das crianças. É o dia da penitência. 
A Mc Donalds, que durante 364 dias por ano entope seus clientes com alimentos à base de carboidratos, gorduras e refrigerantes (água carbonada com xaropes), tornando-os obesos e desnutridos, criou o Mc Dia Feliz. Com a ajuda de jornalistas, atores de TV e artistas conhecidos, recolhe dinheiro doado posteriormente a entidades dedicadas ao tratamento do câncer infantil. Um dia de penitência pelo dano que causam, principalmente, a meninos e meninas.
Mas, ao contrário dos índios bolivianos, os pecados destas duas megaempresas são reais, e não fruto da imaginação dos padres que acompanhavam os conquistadores espanhóis. 
E não é com um ato penitencial por ano que eles serão perdoados.
Clóvis Heberle é jornalista e edita o
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