domingo, 14 de novembro de 2010

Histórias Desconhecidas da 2ª Guerra Mundial

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Muitas vezes o sentimento dos seres humanos se coloca acima da brutalidade das guerras.
Charlie Brown era piloto americano de um B-17G do 379º Bomber Group em Kimbolton, na Inglaterra.
Durante um ataque a cidade de Bremen no território alemão, em 20 Dez 1943, seu B-17, apelidado "Ye Old Pub", foi seriamente danificado, atingido pelas balas dos caças inimigos e pela artilharia antiaérea.
Com a bússola arruinada, ele voava perdido e cada vez mais para dentro da Alemanha, ao invés de estar com rumo direcionado para sua base inglesa. Após sobrevoar um aeródromo alemão, um caça Messerschmidt Me 109G foi enviado para abater este B-17. 
Quem estava no comando do caça era o alemão Franz Steigler que ao se aproximar do bombardeiro, não podia crer no que via.
Em suas palavras:
"Nunca vi um avião naquele estado. A seção traseira, leme e profundores muito avariados, os artilheiros da ré  e da cúpula superior feridos, a proa do  quadrimotor destruída e furos por toda fuselagem."
Embora tivesse o caça armado e carregado, Franz emparelhou seu Me 109 com o B-17 e olhou para o comandante Charlie Brow e viu que este estava ferido, sangrando, apavorado e lutando com os controles para manter o bombardeiro voando.
Ciente da desorientação do piloto, Franz acenou para que ele girasse 180 graus, e escoltou o avião danificado em um rumo seguro de volta para a Inglaterra. Então Charlie Brown o saudou e voltou para sua base.
Ao pousar, Franz informou ao seu comandante que havia abatido o bombardeiro sobre o mar, e nunca contou a verdade para ninguém. No "debrief", Charlie Brown e sua tripulação informaram o ocorrido, mas foram instruídos para não falar sobre o episódio com ninguém.

Após 40 anos, Charlie partiu em busca daquele piloto alemão que o salvou. Depois de longo tempo de pesquisa, ele encontrou Franz. Este nunca havia citado o fato, nem nas reuniões do pós-guerra.
Eles se encontraram nos EUA,  em 1990, numa reunião do 379º BG, com o remanescente da equipe que ainda estava viva porque Franz não disparou suas armas em 1943. Quando perguntaram a Franz por que não derrubou o B-17, ele respondeu:
"Não tive coragem de acabar com a vida daqueles homens que lutavam para viver. Voei ao lado deles por um longo tempo. Eles davam tudo de si para chegar são e salvos à sua base, e eu não ia impedi-los de viver. Simplesmente não podia atirar em um inimigo indefeso. Seria o mesmo se eu estivesse num pára-quedas."
Pesquisas mostram que o 2º Ten Charlie Brown foi viver em Seattle após o final da Guerra e Franz Stigler mudou-se para Vancouver, Canadá, em 1953.  Quando finalmente eles se encontraram, descobriram que haviam vivido separados por menos de 200 milhas por quase 50 anos.
Ambos pilotos morreram em 2008.
Nas fotos, os pilotos na época da 2ª guerra e durante o seu encontro nos EUA, com Franz Steigler à esquerda e Charlie Brown à direita.










Fonte:  tradução livre de Aviation Stories e
Valor Studios

sábado, 13 de novembro de 2010

Bravo Justiceiro Catarina Reivindica Bolsa-Ditadura

por Janer Cristaldo
Houve há alguns meses um crime de estupro em Florianópolis, onde estavam envolvidos filhos de altas personalidades locais, entre eles o rebento de um executivo da RBS. A empresa escondeu o quanto pode o envolvimento de seu funcionário, que veio à tona graças ao blog Tijoladas do Mosquito, de um personagem ilhéu, mais conhecido por Mosquito. É um valente. Na última edição de seu blog, arremete com destemor contra o império dos Sirotsky.
"O Mosquito dá mais uma Tijolada:
A CASA CAIU!
Anulada sentença que deixava monstrinhos estupradores em casa fumando maconha e tomando vodka

A decisão é do desembargador Hilton Cunha Júnior, da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, em resposta a mandado de segurança assinado pelo advogado Francisco Emmanuel Campos Ferreira, que representa a menina violentada.
O magistrado entendeu que a garota, por meio de seu procurador, tem o direito de intervir como parte no processo como assistente do ministério público, o que não foi autorizado pela juíza de primeira instância Mari de Lurdes Simas Porto. Esse julgamento foi uma vergonha, uma fraude.
O desembargador Hilton Cunha Jr. ordenou que a medida sócio-educativa seja suspensa até o julgamento do mérito do mandado de segurança.
Tem que mandar os monstrinhos para o São Lucas, igual aos outros estupradores, pobres ou ricos.
Faz-se justiça. Punição para todos envolvidos nesse crime bárbaro. Parabéns ao desembargador. Pelo menos um não se dobra a RBS/GLOBO, políticos e policiais corruptos e ao Ministério Público que atuou vendido nesse caso.

Meus pêsames a juíza da Vara de Infância e a Promotora que levaram uma ducha de água gelada e ao Chefe do Ministério Público, por compactuar com toda a patifaria.
"

Com esta patifaria, Mosquito não compactua. Mas não resistiu a outra, mais conveniente, e juntou-se à laia dos Lulas, Dilmas, Conys, Ziraldos, Jaguares e Gabeiras (sim, Gabeira, o impoluto, também), e pediu uma bolsa-ditadura.
Vá ao Google e digite Comissão de Anistia, clique no primeiro resultado. Ao aparecer a página inicial, clique em Andamento de Processos no canto superior direito. Ali você coloca o nome da pessoa ou o número de processo e obterá em síntese o andamento do processo.
O nome da pessoa é Amilton Alexandre, que assim se chama o justiceiro ilhéu. O número do processo é 2007.01.58710.O Requerente afirma que participou como dirigente estudantil do movimento popular conhecido como 'Novembrada'. Por esta razão em dezembro de 1979 teria sido preso por agentes da Polícia Federal, e, posteriormente, processado pela Justiça Militar do Paraná."
A tal de novembrada — assim foi cunhada pelos “novembreiros” — foi um xingamento ridículo nas ruas de Florianópolis a João Figueiredo. Mosquito deve ter passado na cadeia menos dias do que Lula. Foi o suficiente. Hoje reivindica os mesmos benefícios dos canalhas que já o receberam.
COMENTO:  pois é!  Há muitos anos li a respeito de um tal  "Decálogo" atribuído a Lenin (mas nunca consegui encontrar algum documento que confirmasse isso).  Me parece mais uma síntese feita por algum bom analista sobre a atuação do líder soviético.  É bom esclarecer que tomei conhecimento dessas "regras" durante a vigência plena da chamada "ditabranda", isto é, nem se cogitava sobre a chegada ao poder da quadrilha hoje no governo.  Independentemente de quem tenha sido o autor, ele conseguiu estabelecer um belo roteiro de como destruir uma sociedade.  E o pior de tudo é que tal 'Decálogo' foi posto em prática, não só 'neççepaíz' como praticamente em toda a parte mais atrasada da América Latrina. O fato acima relatado, é uma boa mostra da aplicação dos 'conselhos' nº 6 e 9 do malfadado decálogo.  E haja imposto, ou 'destribuição social' da renda da burguesia.  Por burguesia entenda-se eu, você e os demais otários contribuintes, assaltados cotidianamente pela maior carga tributária do planeta.  É a ideologia do "me dar bem a qualquer preço", incutida em todos os níveis da sociedade.  Quem não a pratica é o babaca da estória.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Mito do "Rombo" na Previdência

Volta e meia vemos membros do governo ou parlamentares aliados criticarem o "rombo" da Previdência. O artigo abaixo, publicado em 24 de agosto passado, e elaborado por quem entende do tema, desmitifica o assunto.
Seguridade Social mantém superavit em 2009
por Jorge Cezar Costa
O ano de 2009 foi atípico. Foram vivenciados, em todo o mundo, os reflexos de uma crise financeira do sistema capitalista, iniciada no final de 2008, provocando um efeito dominó em instituições financeiras de todo o mundo num processo conhecido como a “crise dos sub-primes”.
O Brasil digeriu bem toda essa turbulência com medidas eficazes, como a diminuição das restrições da política monetária, com queda nos juros e folga no crédito, especialmente pela intervenção direta dos bancos públicos; ampliação das linhas de créditos para as empresas e corte nos impostos de pessoas físicas e jurídicas; flexibilização das metas de superavit de todo o setor público; aumento real para o salário mínimo e para os gastos sociais, e a ampliação dos incentivos para os investimentos privados.
Contudo, não passamos incólumes pela crise. Houve causas e conseqüências em diversos setores econômicos e sociais, afetando, inclusive, o Orçamento da Seguridade Social (OSS). Redução de postos formais de trabalho, queda na produção industrial afetando negativamente a arrecadação da COFINS e do PIS/PASEP, perda na lucratividade das empresas, acarretando queda nas receitas da CSLL, medidas de desoneração tributária praticadas para tentar alavancar o consumo e minorar os efeitos da crise, são exemplos que afetaram negativamente o OSS. Em 2009, apesar das adversidades, o superavit do sistema de Seguridade Social foi de R$ 32,6 bilhões, conforme pode ser observado no quadro.
 
É importante ressaltar que na metodologia utilizada pela ANFIP há uma separação entre Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e Regimes Próprios de Servidores e Militares (RPPS). Nos termos da Constituição Federal (CF) fica clara a delimitação de suas ações, tanto do ponto de vista orçamentário (art. 165, §5º), quanto no que se refere ao funcionamento, receitas e despesas. A Seguridade Social tem seu sistema no Título VIII (da Ordem Social), englobando as áreas da Saúde, Previdência e Assistência Social (art. 194), com fontes de financiamentos exclusivas (art. 195), enquanto o Regime Próprio dos Servidores Públicos tem seu sistema fundamentado no art. 40, com regras e financiamentos próprios. Por outro lado, o Regime dos Militares está sob a guarda do art. 42, também, com regras e financiamentos próprios. Portanto, vê-se que são sistemas totalmente diferentes e precisam ser analisados, cada um de per si, de formas distintas.

Mesmo sob os efeitos da crise internacional, a Previdência Social, em 2009, ampliou a cobertura.
A diminuição do desemprego e a ampliação do percentual dos trabalhadores empregados com carteira assinada determinaram que metade dos trabalhadores ocupados possuísse cobertura previdenciária. O percentual de 52%, demonstrado pela última PNAD (2008), ainda é baixo, mas é substantivamente superior ao percentual de 45% existente em 2002.
Analisando as contas da Previdência Social, em conjunto com a evolução do mercado de trabalho a partir de 2004, verificam-se resultados altamente positivos. O saldo do subsistema urbano, considerando-se as renúncias, foi de R$ 13,9 bilhões.
Esses resultados, pela suas transparências, permitem aos trabalhadores discordarem dos discursos reformistas, que preconizam cortes de direitos alcançados. Nesse sentido, a ANFIP, sempre à frente dos acontecimentos, luta por propostas de inclusão previdenciária, de maiores reajustes para aposentadorias e pensões, que universalize o seguro previdenciário, tornando-o um sistema mais justo e mais equânime.
Jorge Cezar Costa é presidente da ANFIP
COMENTO:  como ficou demonstrado, as dificuldades da previdência não passam de pura conversa fiada. 32 bilhões de reais é muita grana como superavit. É só gerenciar melhor as "transferências de renda" e parar de usar os recursos da previdência para tapar os furos da dívida pública que o superávit aumenta, possibilitando o reajuste legal e moral para quem já fez sua parte, trabalhando e gerando a riqueza do país.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Honra, a Quem Honra Merece!

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O resgate quase milagroso dos 33 mineiros chilenos enterrados vivos na mina San José encheu de justo orgulho toda a nação sob a liderança de seu presidente Santiago Piñera que permaneceu dia e noite junto a sua esposa junto à abertura por onde foram saindo um a um, como em um prolongado parto da mãe terra, os 33 mineiros depois de 70 dias encerrados a 2000 pés de profundidade [aproximadamente 600 metros] nas entranhas da terra.
Foi um dia de ação de graças e de um júbilo indescritível onde repicaram os sinos das igrejas do Chile ao sair de sua prisão o primeiro e o último dos 33 mineiros. Não era para menos, esses mineiros honraram sua estirpe mantendo-se unidos e com uma moral e integridade tão alta que até se negaram a tomar remédios para controlar o estresse e a depressão que acarreta o encontrar-se ante uma situação tão extrema como é a de estar praticamente enterrado vivo.
O mundo inteiro se uniu e acompanhou o povo chileno em suas vicissitudes e regozijos, e mais pessoas viram o resgate dos mineiros que a chegada do primeiro cosmonauta americano à lua.
Sem dúvida, ainda que seu chanceler Alfredo Moreno já havia elogiado ao país norte-americano por haver “respondido ao pedido de ajuda de maneira imediata” frente ao acidente na mina San José, correspondia ao presidente Piñera expressar seu agradecimento aos americanos ao consumar-se com êxito a operação de resgate e reconhecer ante o mundo que foram companhias e técnicos dos Estados Unidos os que fizeram possível, com a ajuda de Deus, que se consumasse o miraculoso resgate.
Foram companhias privadas americanas que junto a engenheiros da NASA efetuaram com êxito o resgate dos mineiros chilenos, algumas das quais o fizeram generosamente pro-bono (*) apesar que o presidente Piñera, com uma fortuna de mais de dois bilhões de dólares, podia ter coberto com seu próprio dinheiro e sem grande esforço os US$ 10 milhões que custou a operação de resgate.
As companhias da Pennsylvania, Schramm e Center Rock construíram os equipamentos e as brocas usadas para chegar onde se encontravam os mineiros.
Por outro lado, a companhia UPS levou da Pennsylvania ao Chile 13 toneladas de equipamentos para perfuradoras em menos de 48 horas e sem cobrar ao governo chileno um só centavo. Outra companhia americana doou aos 33 mineiros os óculos espelhados especiais a um custo de US$ 400 cada um para evitar danos a suas retinas ao saírem à luz do dia.
Especialistas americanos das companhias Layne Christensen de Wichita/Kansas e sua subsidiária, Geotec Boyles Bros. manejaram as maquinas e brocas que aumentaram o diâmetro do túnel que chegaria ao lugar onde estavam os mineiros fazendo possível seu resgate. Para esse trabalho trouxeram Jeff Hafrt de Denver Colorado, que se encontrava no Afeganistão, contratado pelo Exército americano, perfurando poços em busca de água.
A companhia Atlas Copco Construction Mining de Milwauke/Wisconsin, coordenou o uso dos distintos equipamentos que operavam com especificações diferentes.
A Companhia Aries Central Califórnia Vídeo de Fresno, Califórnia, desenhou as câmaras especiais que foram baixadas uma milha até onde se encontravam os mineiros, enviando imagens televisivas à superfície.
Zephyr Technologies de Annapolis/Maryland, enviou monitores que enviavam relatórios dos sinais vitais dos mineiros que foram usados durante sua subida à superfície.
Foram os engenheiros da NASA de Houston os que desenharam a cápsula Fénix que foi construída pelos engenheiros navais do Chile e que conduziu os mineiros à superfície. A NASA também deu assessoramento médico, inclusive o psicológico, e  de dietas especiais, assim como os trajes especiais usados para manter estável a pressão sanguínea dos mineiros durante seu ascenso à superfície.
Também de Houston tiveram papel central uma companhia especializada em equipamentos “gyros(**) para medidas de precisão e a companhia Drillers Supply International cujo dono tinha laços íntimos com o Chile onde havia trabalhado por 25 anos. Sua companhia serviu de contratista geral para o Plano B de perfuração que possibilitou chegar até os mineiros.
E como um exemplo ao mundo, depois de trabalhar arduamente no resgate durante mais de 30 dias e coroá-lo exitosamente, assim como chegaram, se foram os americanos caladamente para não roubar a cena e para que os chilenos desfrutem na plenitude a glória desse resgate histórico.
Há que reconhecer que Piñera mostrou ser um grande líder, que não teve  obstáculo em pedir ajuda imediata dos Estados Unidos, já que antes de tudo, o mais importante era resgatar com vida os mineiros presos a  mais de dois mil pés de profundidade.
Mas Piñera se esqueceu de honrar os que fizeram possível um milagre que o colocou nos anais da historia universal.
Fonte: tradução livre de  Red Democratica
(*) trata-se de uma atividade exercida por profissionais competentes, os quais a praticam de forma voluntária e sem serem pagos pelo serviço prestado. (Wikipédia)
(**)  abreviatura para giroscópio, um dispositivo de estabilização da orientação (Wikipédia).
COMENTO:  já escrevi aqui que é inegável a capacidade dos militares norte-americanos de gerar antipatia nas regiões onde atuam. Por outro lado, não se pode fechar os olhos ao uso que os "yankees" fazem da tecnologia a seu alcance. Como bem lembrou um leitor do Claudio Humberto, em 17 Fev 2010 (Tecnologia dos USA na tragédia do Haiti), enquanto muitos países doaram milhares de garrafões de água a serem transportados por aviões, a utilização da tecnologia de dois gigantescos navios atracados em Porto Príncipe permitiu que fossem dessalinizados rapidamente pelo porta aviões USS Carl Vinson cerca de 200 mil galões diários de água para os haitianos, que somados aos 300 mil galões diários produzidos pelo navio-hospital USNS Comfort, amenizaram o problema da sede daquele sofrido povo. Podemos não gostar deles, mas temos que reconhecer sua capacidade de trabalho fundamentada na tecnologia, tanto dos militares quanto dos civis. E sua atuação no Chile vem ratificar isso. Eles tem motivo para ser, se não arrogantes, pelo menos vaidosos. E nós não podemos deixar que o antiamericanismo nos deixe só com inveja. São exemplo a ser seguido.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estupidamente Incorreto

Nelson Motta*
A estupidez humana não conhece limites, principalmente quando acredita estar agindo em nome de Deus ou “fazendo o bem”. Além de tentar controlar e censurar a liberdade de opinião, o politicamente correto agora quer reescrever a História.
Nos Estados Unidos, “Huckleberry Finn”, de Mark Twain, um clássico da literatura americana, foi banido em muitas escolas, sob a acusação de racismo. Porque no livro, que se passa no século 19, os negros são chamados de “nigger”, um pejorativo pior do que “crioulo”. Por ironia, os negros americanos modernos resgataram criticamente a palavra maldita e se tratam entre si pelo vocativo “nigga”, um equivalente afetuoso de “negão”. Garotos negros e brancos continuam se encantando com os livros de Mark Twain. E o racismo é história.
No Brasil, macaqueando o gringo, querem banir das escolas o clássico infantil “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, por suposto conteúdo racista, ao comparar Tia Nastácia a uma macaca quando ela trepa agilmente em uma árvore fugindo de uma onça. Numa edição mais correta, Tia Nastácia deveria ser comida pela onça. E não haveria nenhuma caçada, porque a onça é um animal em extinção e a simples ideia de caçá-la é intolerável em “um mundo melhor”.
Tia Nastácia foi um dos grandes amores de minha infância e de todos que leram os livros de Monteiro Lobato. Era carinhosa, sabida, engraçada, popular, uma queridona. A cor de sua pele sempre foi um detalhe e só serviu para me incutir a ideia de que gente de qualquer cor poderia ser adorável. Ou detestável. Foi uma vigorosa contribuição contra os preconceitos e a intolerância.
Graças ao amor e à sabedoria de uma velha caipira e uma negra analfabeta, Pedrinho, Narizinho e várias gerações de brasileiros receberam uma rica educação, baseada na cultura e na aventura, na liberdade e na alegria. Com impecável ética pessoal, Dona Benta e Tia Nastácia, além de divertir e ensinar, passavam às crianças valores universais.
Mais correto seria adotar em todas as escolas brasileiras o “Guia politicamente incorreto da História do Brasil”, de Leandro Narloch. Para educar os educadores.
* Nelson Motta é jornalista, produtor cultural

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ainda Sobre o Bombardeio Colombiano no Equador

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A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão independente da OEA, acaba de admitir uma demanda interposta pelo Equador contra a Colômbia pelo bombardeio ao acampamento das FARC em Angostura, onde morreu, além do segundo em mando das FARC, Raúl Reyes, o cidadão equatoriano Franklin Aisalla Molina, vulgo Lucho.
A essência da demanda é que Aisalla foi executado a sangue frio por tropas estrangeiras, neste caso as Forças Armadas colombianas, e foram ofendidos seus direitos à vida e a integridade pessoal, e a Colômbia tem que responder por isso. O mundo ao avesso.
Aisalla não só morreu em uma ação militar de legítima defesa conduzida por Colômbia, mas também foi demonstrada sua estreita relação com as FARC e sua participação direta em ações claramente de caráter terrorista. As provas forenses, realizadas por organismos internacionais, comprovaram que o equatoriano sofreu múltiplas feridas mortais, produto do bombardeio ao acampamento de Raul Reyes, pois se encontrava nele, não de forma casual, senão permanente e ativa, como mais um membro do grupo terrorista das FARC.
A aceitação da demanda não implica que a Colômbia vá ser condenada, pois a tese do próprio Governo e de reconhecidos especialistas em direito internacional, é que a Comissão Interamericana não tem competência para estudar o caso do bombardeio em Angostura. Nós compartilhamos tal tese. É fácil para a Colômbia demonstrar que cumpriu os princípios do Direito Internacional Humanitário e resoluções das Nações Unidas em relação com o uso da legítima defesa em fatos contra o terrorismo.
Colômbia mostrou suficientes provas para desmontar qualquer pretensão contra o país, porém não se pode  menosprezar, o que parece ocorrer neste caso, a diplomacia paralela que seguem exercendo alguns organismos internacionais e ONG de direitos humanos contra os interesses supremos colombianos.
Que a CIDH, pela primeira vez em 50 anos de existência, aceite uma demanda de um Estado contra outro, não pode ser visto como um fato isolado da arremetida que se vem apresentando nos Estados Unidos e Europa contra o ex Presidente Álvaro Uribe, que segue tendo razão quando afirma que Colômbia não pode manter uma diplomacia "meliflua e babosa".
Infelizmente, no caso do bombardeio de Reyes "matamos o tigre e lhe perdemos o couro", por que estava bem oferecer desculpas pela operação militar em solo equatoriano, porém nos faltou clareza e eficácia para capitalizar em nosso favor a copiosa informação que estava contida nos computadores do abatido "chanceler das FARC".
Oxalá não aconteça o mesmo com os (computadores) de Jojoy, por simples conveniência pessoal, e pondo em risco nossa soberania e dignidade.
Que o Governo e a Chancelaria, sem sossego, aproveitem esta instância internacional para demonstrar que temos sido vítimas, não verdugos, do companheirismo de alguns governos vizinhos com grupos ligados ao terrorismo. Só assim poderemos corrigir o rumo deste mundo que parece ao avesso.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano

domingo, 7 de novembro de 2010

Nota de Falecimento

Com a entrada no ar, no último dia 3, do novo portal do Exército Brasileiro na Internet, veio a ser definitivamente sepultada a Revolução Democrática de 31 de Março de 1964.
Nos dois únicos locais onde ela podia ser vista naquele site era na sinopse histórica da Força Terrestre e na relação das datas festivas e comemorativas  lá ela já não está mais.
É bem verdade que a coitada já de algum tempo vinha dando sinais de que seria "riscada" da História, a fim de não criar arestas com o poder dominante. Segue agora rumo ao esquecimento, onde se juntará à Intentona Comunista de 1935 e à Guerrilha do Araguaia. Afinal, não passam de apenas "factoides" criados pela mente deturpada de chefes militares da época e pelos quais muitos de nossos irmãos de armas  bestas que foram  cumpriram seu juramento à bandeira, dando a vida em defesa da honra, da integridade e das instituições do Estado Brasileiro.
Não queria crer que fosse simples assim apagar episódios da História Militar brasileira, mas o foi. Lembra aquela conhecida figura de uma cobra, em posição circular, abocanhando o próprio rabo, ou seja, comendo-se a si mesma.
Quero ver agora como é que se vai fazer com a denominação histórica atribuída à 4ª Brigada de Infantaria Motorizada, com sede em Juiz de Fora/MG e que, mediante portaria do Comando da Força — recebe a denominação de "Brigada 31 de Março". 
Outra coisa chatinha de se lidar vai ser com a série de outras denominações relacionadas com personagens que se destacaram na Revolução, como o Marechal Castello Branco, por exemplo, pois há várias homenagens a ele em repartições do Exército e essas honrarias, não obstante ter-se destacado na Força Expedicionária Brasileira (FEB), ele as obteve por sua oportuna intervenção nas ações de preparação e condução da Revolução que ora se quer esquecer. E a ponte Presidente Costa e Silva, a Rio-Niterói? Quando formos perguntados por que ela recebe esse nome diremos o quê? Que é uma homenagem a um militar que deu sua vida por uma revolução que não existiu?
Corrijam-me os companheiros se eu estiver delirando:
 Não fomos formados todos pensando que o Brasil tinha salvado-se a si mesmo em 1964?
Se a coisa aconteceu assim, quer dizer que fui, por muitos anos, iludido sobre um fato histórico que não aconteceu?
Sendo assim, será que posso acionar a União na Justiça por danos morais devido a ter-me proporcionado uma formação equivocada que hoje me torna um "deslocado" da sociedade politicamente correta?
Sim. Um "deslocado", pois, a todo ano estarei em algum lugar relembrando as datas de nascimento daquelas senhoras: a Intentona Comunista de 1935, a Revolução Democrática de 1964 e a Guerrilha do Araguaia.
Meus sentimentos às pessoas ligadas às falecidas e que em algum momento deram suas vidas por elas.
Jorge Alberto Forrer Garcia - Coronel de Cavalaria R/1
Curitiba/PR
"Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se opor a agitadores e terroristas de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia".
(General WALTER PIRES
COMENTO: é o triunfo do velho estratagema stalinista de simplesmente 'apagar' o passado inconveniente. É só lembrar as fotos do 'grande líder', editadas grosseiramente, sem a presença de Trotsky, o desventurado. Não estranharei se, em futuro breve, "a Internacional" passar a ser entoada em formaturas militares e alguma OM vier a ser batizada com a denominação histórica de Carlos Lamarca ou Carlos Marighela.
CLARIM, TOQUE SILÊNCIO!

sábado, 6 de novembro de 2010

O Estado Sou Eu

Carta publicada no diário La Nación em 05/11/10
Circunstancias particulares de minha vida me levaram a compreender e valorizar a importância da imprensa na limitação do poder do estado. Onde as câmaras estão ligadas ou um jornalista se faz presente, a onipotência do estado se minimiza e o exercício dos direitos de cidadania fica garantido. Como contrapartida, quando os meios de comunicação olham distraidamente para outro lado, funcionários inescrupulosos vêem a oportunidade de assumir a frase de Luís XIV “O Estado sou eu”.
Em 01/10 o Lic. Alfredo Forti, Secretario de Estado do Ministério de Defesa da Argentina, transmitiu a dois oficiais do Exército Argentino a ordem terminante de retirar uns cartazes colocados na frente do Edifício Libertador, cujo conteúdo molestava à Dra Nilda Garré, acrescendo que deviam utilizar a força física se fosse necessário. Os cartazes formavam parte de uma manifestação pacífica encabeçada por esposas e filhos de militares detidos por haver combatido o terrorismo nos anos 70.
Um dos oficiais explica ao funcionário de defesa que os militares não tem poder de policia para dar cumprimento ao solicitado, ao que aquele responde que igualmente se cumpra a ordem. Ao mesmo tempo, por telefone, o General César Santos Milani, assume a ordem ilegal do funcionário público, pondo em marcha o procedimento repressivo.
Um Oficial Chefe, cinco suboficiais e três soldados voluntários são empenhados na ruptura da manifestação pacífica, que termina com mulheres golpeadas e o roubo deliberado do suporte dos cartazes usado no protesto. Enquanto os responsáveis por essa repressão ilegal permanecem impunes, este oficial da reserva, que participava da reclamação, foi sancionado com 20 dias de prisão em represália por ter denunciado a violação às Leis de Defesa e de Segurança Interior. Com os meios silenciados ¿Se poderá fazer Justiça?
Pedro Rafael Mercado
DNI: 18046597
pedrorafaelmercado@yahoo.com.ar
Fonte:  tradução livre de AFYAPPA
COMENTO:   para saber mais sobre a agressão contra os familiares dos vários militares argentinos presos (dos quais mais de uma centena pereceu no cárcere) sem condenação judicial, por terem combatido o terrorismo nos anos 70 do século passado, leia o artigo em AFyAPPA. Repito aqui que a Argentina de hoje tem tudo para ser o Brasil de amanhã. Passadas as eleições, um bando de procuradores desocupados de São Paulo surge no noticiário com uma nova ação judicial contra militares reformados por "mortes ou desaparecimento forçado de pelo menos seis pessoas, além de tortura contra outras 19 pessoas. ... A ação pede que os réus sejam condenados a pagar indenização à sociedade, tenham as aposentadorias cassadas e ajudem a cobrir os gastos da União com indenizações para as vítimas."  Para mover uma ação visando agilizar os processos do mensalão, dos assassinatos dos dois prefeitos petistas paulistas, ou dos milhões apreendidos em São Paulo durante a campanha eleitoral de 2006, esses 'procuradores' não devem ter tempo disponível.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pós Eleição

1. Conto de fadas
O texto do Nelson Motta é de antes da eleição, dia 29 de outubro.
É um belo de um exercício.  Confira:
Diz a lenda que, com Zé Dirceu cassado pelo mensalão, Lula escolheu Antonio Palocci como candidato a seu sucessor em 2010. Um quadro político de alto nível, com credibilidade, moderação e sucesso no comando da economia. 
Não era um poste ou um burocrata, mas um político experiente, respeitado e eficiente, que amadureceu e cresceu no poder. Uma ameaça aos radicais do PT e aos fisiológicos do PMDB, Palocci representava o melhor do governo Lula, sua continuidade e avanço. Dele se poderia esperar decência, competência e respeito à democracia e às liberdades, e que não trataria a oposição como inimiga.
A candidatura de Palocci provocaria entusiasmo até entre oposicionistas, colocando em polvorosa o ninho tucano.
Quem poderia enfrentá-lo com mínimas chances? Se levasse uma chinelada de Lula em 2006, Alckmin não teria apetite nem cacife para enfrentar um Palocci popular e articulado, turbinado pela popularidade de Lula, em 2010. Nem Serra, que preferiria se reeleger governador sem sair de casa, continuar sua ótima administração e encerrar uma brilhante carreira política. Alckmin seria o senador mais votado do Brasil.
Para enfrentar Palocci, só alguém que representasse a novidade, a confiança e a esperança ao mesmo tempo, fora da chatice do velho centro de poder paulista. Como Aécio Neves, o governador mais popular do país, com sua história vitoriosa, sua linhagem política e sua juventude. Na oposição, só ele poderia encarnar com credibilidade o pós-Lula e empolgar como possibilidade real de um Brasil melhor. Com crescimento e justiça social, mas sem mensaleiros e aloprados, sem aparelhamento do Estado e complacência com tiranos e corruptos amigos.
Se Deus fosse mesmo brasileiro, o segundo turno seria disputado por Antonio Palocci pelo PT-PMDB e Aécio Neves pelo PSDB-DEM. Os búzios, as cartas, os astros e todas as pesquisas teriam dificuldades em prever o resultado, mas seriam unânimes em apontar o vencedor: o Brasil.
Mas como não é brasileiro, e nunca na história desse país teve o seu santo nome tão usado em vão, Deus criou o caseiro Francenildo e nos deu Dilma e Serra.
2. Genéricos e outros mistérios
Rogério Cezar de Cerqueira Leite
Como consequência da Guerra das Malvinas, quando a Argentina, por ter abdicado da produção própria de fármacos, ficou desabastecida de medicamentos, o governo militar brasileiro aprovou um programa, por mim proposto, de desenvolvimento dos princípios ativos (fármacos) dos 350 remédios constituintes da farmácia básica nacional.
Estimava-se que, em dez anos, seria possível desenvolver, por engenharia reversa, pelo menos 90% desses produtos. De fato, em pouco mais de três anos, cerca de 80 processos já haviam sido desenvolvidos e 20 produtos já estavam sendo produzidos e comercializados por empresas brasileiras.
O sucesso inicial desse projeto permitiu que fosse iniciada por mim, nesta Folha, uma campanha de esclarecimento sobre medicamentos genéricos, o que não teria sentido sem a produção própria de fármacos.
Precipitadamente, o governo Itamar Franco tentou lançar a produção de genéricos. O poderoso cartel de multinacionais de medicamentos se insurgiu. Ameaçou-nos de desabastecimento, de verdadeira guerra. Derrotou e humilhou o Ministério da Saúde.
Poucos anos depois, esse cartel não somente cedeu prazerosamente ao ministro José Serra, então na pasta da Saúde, como até fez dele seu "homem do ano".
Seria o costumeiro charme do ministro? Seu sorriso cândido? Senão, qual o mistério?
Como consequência da isenção de impostos de importação para o setor de química fina, da infame lei de patentes e de outras obscenidades perpetradas pela administração FHC, mais de mil unidades de produção no setor de química fina, dentre as quais cerca de 250 relativas a fármacos, foram extintas.
Além do mais, cerca de 400 novos projetos foram interrompidos.
Os dados foram extraídos de boletim da Associação Brasileira de Indústria da Química Fina. Em poucos anos, o deficit da balança de pagamentos para o setor saltou de US$ 400 milhões para US$ 7 bilhões. Quem acha que, com isso, Serra não merece o título de homem do ano das multinacionais de medicamentos?
Também os "empresários" brasileiros do setor de genéricos têm muito a agradecer ao ex-ministro da Saúde, pelas suas margens de lucro leoninas. Basta ver os imensos descontos oferecidos por quase todas as farmácias, que com frequência chegam a 50%. Os genéricos do Serra nada têm a ver com os genéricos que planejamos.
E o tão aclamado programa de AIDS do Serra? É compreensível que todos os seres humanos, e talvez também o ministro Serra, tenham se comovido profundamente com a súbita e aterrorizante explosão da AIDS. Que oportunidade sem par para políticos demagógicos!
A ONU homenageou o então ministro Serra pelo mais completo e dispendioso programa de apoio aos doentes de AIDS de todo o planeta.
Países ricos, com PIB per capita dez vezes maiores que o nosso, ficavam muito aquém do Brasil. Como foi possível? E por que será que, nesse mesmo período, os recursos orçamentários destinados ao saneamento básico não foram usados?
O então dispendioso tratamento de um único doente de AIDS correspondia à supressão de recursos para saneamento básico que salvariam centenas de crianças de doenças endêmicas, com base em uma avaliação preliminar. Será que Serra desviou recursos do saneamento básico? Mistério!
Mas persiste o fato de que, durante a administração Serra na Saúde, os recursos destinados ao saneamento, à época atribuídos a esse ministério, não foram aplicados.
Mesmo sem contar mistérios como aqueles dos "sanguessugas" e da supressão do combate à dengue no Rio, entre outros, considero pífia, eminentemente pífia, a atuação de Serra no Ministério da Saúde.
Rogério Cezar de Cerqueira Leite, 79, é físico, professor
 emérito da Universidade Estadual de Campinas, 
presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron
e membro do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo.
Fonte:  Blog do Prévidi - 3/11/2010
COMENTO:  pena que o segundo texto não tenha sido divulgado antes das eleições. Mas nunca é tarde!!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Consummatum Est

por Janer Cristaldo
Foi uma segunda-feira sem novidades. As primeiras páginas dos jornais estavam previstas há meses. Eleita a primeira mulher presidente da República, dizem as manchetes. Pode ser. Mas vejo a coisa por outro lado. Vinte anos depois da queda do Muro, da dissolução da União Soviética e do desmoronamento do comunismo, foi eleito o primeiro presidente da República marxista. Pois, pelo que sei, dona Dilma nunca renegou publicamente sua filosofia de juventude. Pelo contrário, orgulha-se discretamente de ter lutado para transformar o Brasil numa republiqueta soviética.
Meu correio é inundado diariamente por mails de almas ingênuas que contam os dias que faltam para findar o governo Lula. São bobalhões que ainda não se deram conta de que o inimaginável acabará acontecendo: ainda vamos sentir saudades do Supremo Apedeuta. Há uma direita histérica no Brasil, liderada pelo astrólogo Aiatolavo de Carvalho e seus acólitos, que via em Lula uma ameaça comunista. Ora, Lula nunca teve ideologia. Só se apegou a um ismo, um único ismo, o oportunismo. Se alguma virtude teve, foi jogar na lata do lixo os propósitos socialistas do PT.
Mas Dilma tem ideologia. É atrabiliária e vai mostrar as garras. O PNDH-3 aí está, esperando aprovação de uma bandeira sempre cara aos velhos comunistas, a censura de imprensa. Alguns Estados, apressadinhos, ao arrepio da Constituição, já criaram seus conselhos de controle da mídia. O tal de plano legisla em todas as áreas, é quase uma nova Constituição. Parece ter sido elaborado por um analfabeto em termos de legislação. Mas apenas aparentemente. Em verdade, é obra de alguém que, por muito entender de leis, não as respeita.
Antes mesmo de tomar posse, Dilma já está acenando com a reabilitação de um corrupto envolvido no escândalo da máfia do lixo, em Ribeirão Preto. Que teve de renunciar ao ministério da Fazenda por ter violado o sigilo bancário de um humilde caseiro. Por seus feitos, ao que tudo indica, Palocci será contemplado com um ministério.
Imaginei que a fatura, neste 2010, seria liquidada no primeiro turno. Não foi. O que só prolongou a agonia tucana. Serra não ousou atacar Lula. Nem poderia. São farinha do mesmo saco. Não houve oposição nestas eleições. Ambos os candidatos reivindicavam a continuidade do governo Lula. A tal ponto que Serra, supostamente oposição, grudou um bonequinho de Lula em sua campanha. Houve dois partidos, é verdade: o do sim e o do sim senhor. Dilma prometia manter a Bolsa-Família, Serra prometia um décimo-terceiro salário para a bolsa. O PSDB sequer ousou em propor um governo distinto ao de Lula. Criou a infeliz expressão “pós-Lula”. Ora, se é para dar continuidade ao governo de Lula, melhor então votar em quem Lula indica. Este foi o recado que Serra passou aos eleitores.
Os tucanos amanheceram, nesta segunda-feira, contando mortos e feridos. ”Não é um adeus, é um até logo”, disse Serra após sua derrota. Santa ingenuidade. Serra saiu politicamente morto deste pleito. Tem 68 anos e o máximo que pode esperar é uma secretaria de Alckmin como prêmio-consolação. Tinha dezenas de trunfos em mão para enfrentar o PT. O assassinato de Celso Daniel, o mensalão, dinheiro nas cuecas, quebras de sigilo fiscal e bancário, nepotismo, proteção às falcatruas de Sarney, em suma, corrupção foi o que não faltou para denunciar. Serra preferiu manter um silêncio obsequioso. Se usasse as armas que tinha em mãos, mesmo que perdesse, cairia em pé. Não as usou. Sai aviltado do pleito.
Dilma mentiu descaradamente durante toda a campanha. Há três anos se pronunciava a favor do aborto, publicamente. De repente, virou defensora da vida. Não teve sequer a hombridade de dizer que mudara de idéia. Preferiu entoar o mantra dileto do PT: são boatos e calúnias. Marxista convicta, divulgou fotos de um encontro com o papa e deixou-se fotografar fazendo o sinal da cruz. Serra não deixou por menos, saiu a beijar terços. Só faltou aos candidatos papar hóstias. O Brasil engoliu prazerosamente as mentiras da candidata.
Leitores mais antigos devem lembrar quando o PT, em seus anos irados, denunciava o regime assistencialista das sociais-democracias europeias. Hoje, o PT fez sua presidenta graças ao regime assistencialista que instalou no país. A vitória de Dilma se deve fundamentalmente ao Nordeste que não trabalha e vive das esmolas do Estado. As mesmas esmolas que Lula denunciava, quando eram dadas por Fernando Henrique. Os tucanos não podem queixar-se. Prepararam o ninho para os chupins.
Consummatum est. Teremos pelo menos mais oito anos de lulismo e populismo pela frente. Quanto a mim, estou vacinado. Se sobrevivi a oito anos de Lula, acho que sobrevivo a Dilma. O duro vai ser ver aquele rosto emético nas primeiras páginas dos jornais nos próximos anos. Duro também é ver uma remanescente das tiranias comunistas assumir o poder, vinte anos após a queda do Muro.
Isto é Brasil.
Fonte:  Janer Cristaldo
COMENTO:  em seus escritos, Janer já manifestou não ser assíduo telespectador, assim, faz referência ao incômodo de ver a presidente eleita nas páginas iniciais dos jornais nos próximos anos.  Meu problema é maior que o dele.  Os jornais são estáticos e eu sou telespectador frequente.  Nos próximos anos continuarei a ter gastos extras com baterias para o controle remoto, que ora uso freneticamente para evitar ver ou ouvir sobre um certo bebum que está largando o osso, mas será substituído na telinha pela nova 'supernanny'.

Quebra-Quilos Party

por Ipojuca Pontes
Toca, toca minha gente/Toca, toca a reunir/
Que os matutos quebra-quilos/Por aí não tardam a vir” 
(Cantiga nordestina do século XIX)
Em 26 de julho de 1862, o imperador D. Pedro II, com o objetivo de criar meios práticos de controle fiscal e ao mesmo tempo auferir novos recursos financeiros para sustentar os gastos da Corte estabelecida no Rio de Janeiro, assinou uma lei que revogava o sistema de pesos e medidas então vigentes no país. Conforme relatos históricos, a lei impositiva tratava de substituir as antigas medidas de superfície, capacidade e peso (tais como palmos e polegadas, e pesos calculados em arroubas e libras) por novos padrões de quilograma, metro e litro, oficializando-se, com isso, em todo o território nacional, o sistema métrico decimal vigente na França desde o início do século XIX.
A regulamentação da lei, no entanto, só foi efetuada dez anos mais tarde, em 1872, por força de instrução baixada pelo então ministro da Agricultura e Comércio da Corte, Francisco do Rego Barros. No ano seguinte, precisamente em 1º de julho de 1873, a lei imperial entrou em vigor e, tal como pretendiam os burocratas da Corte, as mercadorias oferecidas no comércio e nas feiras públicas passaram a ser medidas segundo os novos ditames impostos pela Coroa.
Nos editais públicos afixados nas coletorias e cartórios das vilas e municípios ficava determinado que a partir daquela data, qualquer usuário do antigo sistema de pesos e medidas seria punido com a prisão de cinco a dez dias e multa de 10 a 20 mil réis, ficando o infrator obrigado a adotar os novos padrões de pesos e medidas.
Assim, para cumprir a lei e negociar sem temer as sanções legais, o comerciante, o pequeno proprietário e o artesão de produtos caseiros teriam de alugar ou adquirir junto às autoridades públicas os novos pesos e medidas  pagando por fora, como taxa extra, a sua aferição.
Pior ainda: ao lado da obrigatoriedade de aquisição (ou aluguel) da nova parafernália, os comerciantes passariam a enfrentar um encargo até então impensável, o “Imposto do Chão”  outra forma de tributo paga às autoridades municipais pelo privilégio de expor no chão das feiras suas mercadorias. Num Nordeste inóspito e retardatário, assolado pela crise da produção de açúcar e algodão  commodities em baixa nos mercados nacional e internacional , a onda impositiva do governo levou ao desespero as populações das pequenas cidades, em particular os negociantes, criadores de gado e agricultores que tinham no comércio de produtos agrícolas e artesanais  tais como feijão, farinha, carne, queijo, milho, cachaça, peneiras, tecidos, etc.  a própria sobrevivência.
O resultado do acosso imperial não se fez esperar: numa crua manhã de outubro de 1874, lideradas pelo almocreve (indivíduo que tem por ofício alugar ou conduzir bestas de carga) João Vieira, o João Carga d`Água, centenas de pessoas desceram a serra do Bodopitá e invadiram a movimentada feira de Campina Grande, na Paraíba, se insurgindo contra as medidas do governo consideradas lesivas.
Aos gritos, munidos de porretes e bacamartes, os revoltosos passaram a quebrar os moldes de medidas dos feirantes. Em seguida, invadiram a Coletoria e a Câmara Municipal, onde, após rasgarem éditos e avisos, destruíram novos moldes e queimaram os arquivos contábeis do poder público repletos de multas. De quebra, os revoltosos jogaram os pesos no Açude Velho da cidade.
Entre os feirantes, foram distribuídos panfletos e manifestos advertindo a população de que ela seria a principal vítima das medidas infligidas pelo poder imperial, pois que, segundo o alerta, ao final das contas os aluguéis e compra dos novos moldes pagos à prefeitura seriam inevitavelmente repassados aos compradores.
Mais tarde, atacando a vila do Ingá do Bacamarte, nas vizinhanças de Campina Grande, os revoltosos do Quebra-Quilos invadiram a casa da Comarca e destruíram os novos editais do governo, obrigando o comandante da polícia local, José Aranha, a assinar um documento no qual se comprometia a acabar, de uma vez por todas, com “os novos impostos, a lei de recrutamento e a aplicação dos novos pesos e medidas e custas judiciais”.
Na capital da Paraíba, o então presidente da província, o magistrado Silvino Carneiro da Cunha, impotente diante da ação dos sediciosos, solicitou a ajuda da Corte, reconhecendo que estava “sem forças para manobrar, sem meios para fazer seguir em perseguição a esses desordeiros, que, certos da nossa fraqueza, ameaçam-nos a cada instante”.
Exaltada em prosa e verso pelo improviso poético dos repentistas sertanejos, em pouco tempo a Revolta dos Quebra-Quilos tomou conta não só dos vilarejos paraibanos, como logo se espraiou por boa parte das províncias nordestinas. Ela se alastrou por quase uma centena de cidades e vilas de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte  chegando até ao Maranhão. Por toda parte, os revoltosos subvertiam a lei, rasgavam editais, invadiam cadeias, soltavam os presos, destruíam medidas e “quebravam” os quilos, livrando a população do “dilúvio armado pelos ladrões”, isto é: o novo sistema métrico decimal.
Após dois anos de muitos combates, a repressão veio solerte e firme. À Paraíba foram enviadas forças comandadas pelo coronel Severiano da Fonseca, irmão do marechal Deodoro, o futuro proclamador da República. No final, não apenas “os matutos e desordeiros” foram punidos pelo braço forte da lei. Padres e advogados solidários aos Quebra-Quilos receberam os castigos devidos, muitos deles supliciados pelo “colete de couro”, uma peça de couro úmido que, uma vez endurecida pelo calor do sol, sufocava a vítima entre golfadas de sangue pela pressão da veste.
Para alguns historiadores tupiniquins, o movimento dos Quebra-Quilos não tinha o menor conteúdo político em suas ações e propósitos. Em última análise, a revolta sertaneja enquadrar-se-ia como mera expressão da “desobediência civil”  uma forma incorreta de se definir o fenômeno, embora, de fato, não exista atitude política mais consciente do que o ato da desobediência civil, caracterizado pelo ensaísta Henry David Thoreau, rebelde que no século XIX se recusou a pagar impostos ao governo norte-americano, como uma forma de resistência à lei criada pelo Estado injusto, instituída para subtrair dos indivíduos seus direitos naturais e inalienáveis. (No dizer de Thoreau, o “Melhor governo é o que de fato não governa”).
Não deixa de ser inspirador o fato de saber que no Brasil, quase um século e meio atrás, tal como ocorreu em 1773 na rebelião do Boston Tea Party (que mais tarde desaguou na guerra da independência norte-americana), a população indignada se reuniu e lutou contra impostos que feriam suas liberdades e riquezas. Nos Estados Unidos atual, para enfrentar um governo pródigo em leis permissivas, como é o do socialista Barack Obama, a população insurgente restabeleceu o Movimento Tea Party para desalojá-lo do poder pela força do voto  no que se vai dando muito bem.
E aqui, no Brasil, restabelecida a famigerada CPMF no futuro governo (seja ele qual for), haverá força moral para se reeditar um movimento inspirado na sedição dos Quebra-Quilos?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Espanhóis Querem Canonizar Negrín, o Traidor da Espanha

por Janer Cristaldo
A Guerra Civil Espanhola, ocorrida entre 1936 e 1939 – há sete décadas, portanto – parece ainda não ter terminado. As esquerdas remanescentes da Queda do Muro até hoje continuam desenterrando os cadáveres dos espanhóis mortos por Franco. Ainda em agosto passado, uma equipe que trabalha na escavação de uma vala comum no monte de La Pedraja (norte do país) encontrou cerca de 60 corpos de pessoas executadas pelas tropas franquistas. A Lei da Memória Histórica, adotada no final de 2007 para reabilitar as vítimas da Guerra Civil, prevê que as instituições apoiem a abertura de valas comuns e a identificação de corpos. Quanto aos cadáveres dos espanhóis mortos pelos comunistas, destes as esquerdas não querem nem ouvir falar.
Em 1936, por exemplo, em Paracuellos del Jarama, sítio que ninguém gosta de lembrar, foram fuzilados pelo Partido Comunista nada menos que dois mil e quatrocentos espanhóis que se opunham à Frente Popular. Há quem fale em cinco mil. Outros em oito mil. À frente do PC espanhol estava Santiago Carrillo.
A matança de Paracuellos é plenamente confirmada por historiadores e foi bem mais feia que o suposto bombardeio de Guernica. Entre 7 de novembro e 4 de dezembro de 1936, militares que haviam participado do levante franquista ou que não haviam se incorporado aos comunistas, falangistas, religiosos, militantes de direita, cidadãos comuns e outras pessoas que haviam sido detidas por serem consideradas partidárias da sublevação, foram retiradas das prisões, atadas pelos punhos e conduzidas em ônibus e caminhões e conduzidas às margens do Jarama, onde foram sumariamente fuziladas. São cadáveres que não interessam. 
Leio no El País de hoje (26/10) uma insólita reportagem que endeusa o homem que entregou todo o ouro do erário espanhol a Stalin. Trata-se de Juan Negrín, presidente de governo da República de 1937 a 1939, visto como “um homem incompreendido e olvidado, que viveu os últimos anos de seu exílio no anonimato, ocupado em Paris com a tutela de seus netos”. Para Enrique Moradiellos, historiador e autor da biografia, Negrín foi um homem que deu seus melhores anos ao serviço da Segunda República e que, após perder a guerra sendo chefe de governo, se exilou e seguiu lutando por aqueles ideais socialistas que marcaram sua trajetória vital.
Um documentário intitulado Ciudadano Negrín, dirigido por Sigfrid Monleón, Carlos Álvarez e Imanol Uribe, eleva Negrín à condição de grande estadista. “Quisemos resgatar o personagem ensombrecido e esquecido, o estadista mais importante da política contemporânea espanhola, e devolver a emoção do homem que teve de assumir a responsabilidade de um governo no momento mais trágico de nossa história recente” - afirma Monleón.
Vamos ao episódio do outro entregue a Moscou, que já evoquei várias vezes nesta bitácora. Em 1936, quando ministro da Fazenda do governo Largo Caballero, Juan Negrín raspou os cofres do país em troca de aviões, carros de combates, canhões, morteiros e metralhadoras russas. Ao celebrar com um banquete no Kremlin a chegada das 7.800 caixas com 65 quilos de ouro cada uma (três quartos das reservas espanholas), Stalin, evocando um ditado russo, comemorou: "Os espanhóis não voltarão a ver seu ouro, da mesma forma que ninguém pode ver suas orelhas".
Serviam para que estas armas? Para matar os espanhóis que lutavam por uma Espanha livre e democrática. Em 1937, a União Soviética já havia colocado na Espanha pilotos de guerra, marinheiros, intérpretes e policiais. Neste mesmo ano, a URSS já tinha na Espanha mais de cem aviões de combate. Os mais utilizados foram os I-15 (biplanos), conhecidos com Chatos, e os I-16 (monoplanos), conhecidos como Moscas. No ano seguinte continuaram chegando à zona republicana mais aviões soviéticos, entre estes vários bombardeiros, cada vez mais aperfeiçoados, alguns ultrapassando a velocidade de 300 milhas, como os Katiuska. 
Costumo afirmar que Franco salvou a Espanha das ambições continentais de Stalin. Salvando a Espanha, salvou a Europa. Dominasse Stalin a Espanha, Portugal cairia no dia seguinte. Dominada a península, teria controle do mar do Norte, Atlântico e Mediterrâneo. França e Itália ficariam estranguladas. E todo o sul da Europa estaria dominado por Moscou. O muro de Berlim demoraria muitas décadas ainda para cair.
Não resta, hoje, na Espanha, mais nenhuma estátua do homem que salvou a Espanha. Enquanto isso, intelectuais erguem monumentos ao homem que queria destruí-la.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Recado

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Para você, burguês de direita que trabalha e produz alguma coisa; que tem renda mensal acima de R$ 1.500,00 o que lhe coloca no grupo da 'zelite' tributada pelo Leão do IR; que paga mais outros 84 impostos e taxas sem usufruir serviços públicos mínimos, sendo obrigado a pagar, também, escola pública, plano privado de saúde, segurança privada para sua rua ou prédio; e que faz parte do grupo reacionário, antissocial e contrarrevolucionário dos oitenta milhões de eleitores que não votaram na presidente eleita ontem [Abstenções: 29.197.152 (21,50%) + Nulos: 4.689.428 (4,40%) + Brancos: 2.452.597 (2,30%) + votos no outro candidato 43.711.388 (43,95%)], fica o meu recado:

Não se deixe abater, trabalhe duro e trate de produzir mais pois aí vem o novo imposto progressivo sobre a "grande fortuna" que você acumula, a fim de sustentar os 55.752.529 de banqueiros e especuladores da dívida pública; sem terras; sem teto; sem emprego; funcionários públicos 'comissionados'; ocupantes de 'cargos de confiança'; usuários do 'cartão corporativo do governo federal'; usuários das 'verbas secretas palacianas'; usuários do bolsa-família; usuários do 'auxílio-reclusão' e de outros "benefícios sociais" que necessitam de sua colaboração para continuar o trabalho de destruição moral da população brasileira, iniciado por FHC e aperfeiçoado por Luis Inácio.

Sem contar os diversos "cumpanhêrus" internacionais que também necessitam do auxílio brasileiro para a implantação dos desígnios do Foro de São Paulo para a América Latrina.

Isto é democracia, e ela tem seu preço. 
E é você que deve pagar!!
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Vítimas do Terrorismo - Novembros

Neste novembro de 2010, reverenciamos a todos os que, em novembros passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país. Para isso, atentaram contra o Brasil e agora lhes negam até mesmo o lenitivo de serem pranteados por nós.
Nestes tempos de esperança, cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
A lembrança deles não nos motiva ao ódio e nem mesmo à contestação aos homens e agremiações alçados ao poder em decorrência de um processo político legítimo. Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.

12/11/64 - Paulo Macena - (Vigia - RJ)
Morto durante a explosão de uma bomba colocada Cine Bruni, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, em protesto contra a "Lei Suplicy".   Também ficaram feridas seis pessoas.

07/11/68 - Estanislau Ignácio Correia - (Civil - SP)
Morto pelos terroristas Ioshitame Fugimore, Oswaldo Antônio dos Santos e Pedro Lobo Oliveira, todos integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), quando roubavam seu automóvel na esquina das ruas Carlos Norberto Souza Aranha e Jaime Fonseca Rodrigues, em São Paulo.

04/11/69 - Estela Borges Morato - (Investigadora do DOPS - SP)
Morta a tiros quando participava da operação em que morreu o terrorista Carlos Marighela.

04/11/69 - Friederich Adolf Rohmann - (Protético - SP)
Morto durante a operação que resultou na morte do terrorista Carlos Marighela.

07/11/69 - Mauro Celso Rodrigues - (Soldado PM - MA)
Morto em uma emboscada, durante a luta travada entre lavradores de terra, incitados por militantes da Ação Popular (AP).

14/11/69 - Orlando Girolo - (Bancário - SP)
Morto por terroristas durante assalto ao Banco Brasileiro de Descontos (Bradesco).

17/11/69 - Joel Nunes - (Sub-Tenente PM - RJ)
Morto a tiros por Avelino Bioen Capitani, durante um assalto da Organização Terrorista PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) ao Banco Sotto Mayor, na Praça do Carmo, Rio de Janeiro.
Desde janeiro de 2003, Capitani, que vive em Porto Alegre e é reconhecido como segundo tenente da Marinha.

10/11/70 - José Marques do Nascimento - (Civil - SP)
Morto por terroristas em confronto com policiais.

10/11/70 - Garibaldo de Queiroz e José Aleixo Nunes - (Soldados PM - SP)
Mortos em confronto com terroristas da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) que faziam uma panfletagem armada na Vila Prudente, São Paulo.

01/11/71 - Nelson Martinez Ponce - (Cabo PM - SP)
Metralhado por Aylton Adalberto Mortati, durante um atentado praticado por cinco terroristas do MOLIPO (Movimento de Libertação Popular), contra um ônibus da Empresa de Transportes Urbano S/A, em Vila Brasilândia, São Paulo.

10/11/71 - João Campos - (Cabo PM - SP)
Morto na estrada de Pindamonhangaba, ao interceptar um carro que conduzia terroristas armados.

22/11/71 - José do Amaral Villela - (Oficial da Reserva do Exército - RJ)
Morto pelos terroristas da VAR PALMARES (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) e do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), Sérgio Landulfo Furtado, Norma Sá Ferreira, Nelson Rodrigues Filho, Paulo Roberto Jabour, Thimothy William Watkin Ross e Paulo Costa Ribeiro Bastos, que assaltaram um carro-forte da firma TRANSPORT, na Estrada do Portela, em Madureira. José do Amaral Villela, que trabalhava como guarda, foi morto a rajadas de metralhadora e ficaram feridos os guardas Sérgio da Silva Taranto, Emílio Pereira e Adilson Caetano da Silva.


27/11/71 - Eduardo Timóteo Filho - (Soldado PM - RJ) 
Morto por terroristas, durante assalto contra as Lojas Caio Marti.
Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Fonte:  Texto adaptado de: TERNUMA