quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os Limites da Tolerância

por Carlos Brickmann
Dar emprego público para o namorado da neta é imoral, mas vá lá: que avô recusaria um pedido da netinha? Compactuar com atos secretos é inacreditável, ainda mais para alguém que tem formação em Direito, mas este país é assim mesmo, aceita bem o desrespeito à lei. Já receber R$ 52 mil reais por mês, quando a lei diz claramente que o limite de pagamento com dinheiro público é de R$ 26.723 mensais (aliás, um excelente salário para o trabalho que é feito), acumulando aposentadorias, aí é demais: não há tolerância que possa resistir a esse deboche. O presidente do Senado, José Sarney, cansou-se de citar "o ritual do cargo". Mas já não se trata de ritual do cargo: o que ele perdeu foi a compostura.
Sarney nunca foi lá essas coisas como conduta política. Nasceu apoiando o senador Vitorino Freire para depois traí-lo; foi o presidente da Arena, o partido da ditadura militar, e virou PMDB desde criancinha quando a ditadura caiu. Contribuiu, é certo, para consolidar as instituições democráticas; mas fez um Governo desastroso, cheio de planos fracassados. Sua inflação chegou a 80% ao mês.
Mas, com todos os defeitos, com a vaidade exacerbada, tinha de zelar por sua imagem. Como disse o presidente Lula, ele não é um homem comum. Isso traz responsabilidades. Sarney, homem de farto patrimônio, dono de ilhas e mansões, de um império que inclui tevês, rádios e jornais, não tem justificativa para empapuçar-se de aposentadorias. Seus filhos estão criados, são ricos; ele nem tem onde gastar o tanto que recebe. É ganância, é olho grande. É falta de vergonha.

Falta...
Sarney recebe R$ 16.500,00 mensais como senador (mais casa oficial, com empregados e todas as despesas pagas pelo Tesouro, carro oficial com motorista, seguranças 24 horas), e R$ 35 mil de aposentadorias por cargos que ocupou no Maranhão — governador e funcionário do Tribunal de Justiça.
Mas nem deve perceber quando esse dinheiro entra na sua conta. É como se o caro leitor recebesse um crédito mensal de dez centavos no banco. Como poderia dizer um importante político, para ele isso é dinheiro de pinga.

...de vergonha
A Assessoria de Imprensa da Presidência do Senado informa que o acúmulo de dinheiro recebido de esferas distintas de poder ou de governo "é aceitável".

Imagem limpa
Roberto Freire, que foi presidente do Partido Comunista Brasileiro e dirige seu sucessor, o PPS, transferiu o título de eleitor para São Paulo. Freire foi candidato à Presidência da República, em 1989, teve vários mandatos de deputado federal e senador por Pernambuco, e sempre se manteve longe da bandidagem que tanto assola nossas casas legislativas. Agora, deve candidatar-se a deputado federal pelo PPS paulista, como o grande puxador de votos do partido. O PPS faz parte da coalizão que apóia José Serra.

O jogo da morte
Neste momento em que o Congresso debate a legalização dos bingos, vale contar que um radialista de São José dos Campos, SP, vive sob forte escolta policial pela campanha que move contra bingos e máquinas caça-níqueis — que, embora ilegais, funcionam. O DHPP, Departamento de Homicídios, interceptou conversas entre bandidos que se queixavam de que o radialista João Alckmin, que já sofreu dois atentados a bala, continuava na luta contra o jogo ilegal. A ordem captada nas interceptações foi matá-lo. As autoridades determinaram então que Alckmin seja escoltado o tempo todo por policiais pesadamente armados.

Como é o nome deles?
Esta coluna colocará na Internet o nome de todos os parlamentares que votarem a favor da legalização dos jogos ilegais. É uma informação muito útil à véspera das eleições: quem for a favor, ou contra, saberá em quem votar ou não.

E a língua, senhores doutores?
O chanceler Celso Amorim, referindo-se à tragédia do Haiti, disse que, "com a contribuição adequada da comunidade internacional, o povo haitiano será capaz de refundar seu país". Na véspera, falando do PAC 2, o governador baiano Jaques Wagner disse que o presidente Lula "está refundando a nação brasileira".
Suas Excelências provavelmente não sabem o que estão dizendo: nos dicionários Houaiss, Aurélio e Caldas Aulete, a palavra "refundar" significa "tornar mais fundo; afundar, tornar mais profundo, profundar, aprofundar".
Ambos devem ter ido buscar o significado errado da palavra no poeta e ex-ministro Tarso Genro, que falava em "refundação do PT". Tarso e seus aliados, no sentido correto da palavra, fizeram o que puderam para refundar seu partido.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O General Abriu o Arquivo

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Foi-se o tempo que general não tinha cara, não falava com a imprensa. Agora, ontem à noite (3/4) pela TV a cabo da Globo, nesses tempos de abertura dos arquivos da ditabranda, ou dos anos de chumbo como prefere o comunistéu, o General Leônidas Pires Gonçalves falou. Abriu.
No decorrer da entrevista, enfatizou: numa guerra o que temos é o horror. De belo, só a vitória. E, quem entra numa guerra não pode lamentar a morte. Falou várias vezes.
Compramos informação dos comunistas
E ainda, para espanto do entrevistador, o jornalista Geneton Moraes Neto, da Globo, devolveu na pergunta sobre confissões de terroristas comunistas obtidas através de tortura: não foi só através de tortura, foi também por delação, inclusive dos membros dirigentes do Partido Comunista.
O general afirmou que, atualmente, todo mundo diz que foi torturado para receber a bolsa ditadura e lançou um desafio público: quer que apareça um prisioneiro que tenha sido torturado enquanto ele chefiou o temido DOI-CODI.
E a bomba: Foi por dinheiro, 150 mil entregues em Porto Alegre à filha do delator da cúpula do Partido Comunista, que obtivemos a informação, local, data e hora, sobre a reunião no aparelho comunista da Lapa, em São Paulo, no dia 16 de dezembro de 1976, quando foram mortos três dirigentes do partidão, porque reagiram à prisão.
E perguntou ao repórter: "é duro ouvir, é?" E em várias outras respostas que deu, perguntou depois: foi isso que você perguntou, isso que queria saber?
O repórter, ao ouvir que compraram um dirigente terrorista comunista, retrucou, ponderando que a informação era "muito grave". Grave nada, ora vejam, a informação é muito interessante. Ou o jornalista estava achando que poderia ferir a honra de terrorista. Ou, pior, achando que terrorista tem honra?
E então o general contou também que essa coisa de pagar por informação de terrorista aprendeu numa viagem à Colômbia, que faziam muito lá e fizeram bastante aqui também.
Foi o senhor quem pagou? Eu não, oras, foi o Exército, respondeu. Mas que dinheiro é esse do Exército? É dinheiro que custeia Ações de Inteligência, explicou. E cutucou, noutra hora, a dinheirama que se gasta a titulo de indenização de terroristas e comunistas: são 2 bilhões até agora, com essa bolsa-ditadura. Na verdade, sabe-se, já é muito mais.
Jover Telles é o nome do traidor da cúpula do PCdoB que, por uns poucos trocados, delatou toda a direção do partido. O caso é narrado pelos comunas como “a chacina da Lapa”. Foi tanto chacina que mais da metade deles presentes na mansão ficaram vivos. Quem levou chumbo quente foi quem reagiu: Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Baptista Franco Drummond. Os empregados da mansão, inclusive, nada sofreram. Elza Monerat escapou por pouco. João Amazonas se salvou porque estava na China, tendo passado pela Albânia, tentando convencer Fumanchú a decidir entrar numa fria.
Jover Telles não sabia deste detalhe. Leia a operação conjunta do I e II EX em detalhes no livro A Verdade Sufocada.
Jover Teles já morreu de velho no interior do RS, com cerca de 90 anos de idade. Nunca se arrependeu de ter entregue os companheiros, igualzinho aos demais traidores apontados pelo próprio João Amazonas: José Genoíno da cueca cheia de dólares, Pedro Albuquerque Neto que nos levou ao local onde os guerrilheiros estavam treinando, e um outro, dentre vários valentes comunistas, famoso do Molipo, agente do serviço secreto cubano, que ninguém sabe, nem sequer imagina ou desconfia, o nome .,. acho que era o Cabo Anselmo ... “almirante” do Molipo.
Assim, fica sendo conhecida uma nova forma de tortura: surra com notas de Cruzeiros ... Agora, eles continuam a ganhar e milhões de vezes mais, como representantes do povo ...

Mas quem é esse general?
Já com longa carreira, no Comando Militar da Amazônia, no Comando Militar do Sul e também comandante do DOI-CODI no Rio de Janeiro nos anos 70, os anos da repressão militar, depois foi nomeado, em 1985, Ministro do Exército pelo presidente eleito Tancredo Neves.
Com a morte de Tancredo, foi ele quem garantiu a posse do então vice, José Sarney, diante da reticência de "setores" militares, civis e políticos. Foi quem implantou o processo de modernização do Exército Brasileiro. Aos 89 anos de idade, falou à vontade, abriu até mais do que foi pedido. Mostrou que vale sim a pena abrir os arquivos da ditabranda.
Parabéns ao General Leônidas que provou não ser bunda-mole como tantos outros que estamos vendo atualmente...
Adaptação dos textos copiados das
ATUALIZAÇÃO: Manoel Jover Telles passou seus últimos dias em Santa Catarina, onde era conhecido como “Manolo”. Pertencia ao Grupo de Poetas Livres e à Academia Catarinense de Letras e Artes. Sofreu derrame cerebral, foi hospitalizado, mas não resistiu. Faleceu na noite de um sábado, dia 16 de junho de 2007, aos 86 anos.

Do Março Azul ao Abril Vermelho

por Arlindo Montenegro
No dia 30 de Março, em cerimônia oficial no QG do Exército, em Brasília, o General Heleno, disse: "Hoje, fora do contexto, é fácil falar sobre abusos na luta contra a subversão. Como deveriam ter agido as forças legais? Na Colômbia, "coincidentemente", a guerra subversiva se iniciou na mesma época da que aqui eclodiu e o Estado colombiano vacilou em tomar decisões duras. O resultado são mais de 40 anos de guerra civil, quase 50.000 mortos..."
Verdade cristalina. E outra verdade é que vencido o terrorismo armado, a nação brasileira pensou por um momento que iria, afinal sacudir e acordar "o gigante adormecido". Mas por obra e graça do General Golberi do Couto e Silva, foi permitida a "valvula de escape" para o ensino do marxismo nos campus universitários. A rendição cultural abriu o espaço para o assassinato da alma brasileira.
Uma síntese da gênese desta implacável guerra mundial contra os princípios e valores da ex-civilização cristã ocidental, é dada numa aula do Pe. Paulo Ricardo, que pode ser vista no endereço — http://video.google.com/videoplay?docid=-7307097961801134682 — nos conduz a Rosa de Luxemburgo, que logo após a tomada do poder pelos bolcheviques na Rússia, liderava os comunistas para tentar fazer o mesmo na Alemanha.
Fracassou. Por quê? Marx, Engels, Lenin, Stalin, Trotsky, todos os criadores e líderes do catecismo comunista garantiam que (os trabalhadores) o povo unido, jamais seria vencido. E por que não deu certo na Alemanha de então? A resposta encontrada foi: o empecilho é a moral burguesa. E o que é a "moral" burguesa? Princípios e valores, conduta ética, toda a estrutura incutida pela civilização cristã. Logo, moral burguesa = moral cristã.
Então começaram a elaborar a guerra cultural, que substitui nos nossos dias a guerra quente. Em toda a Europa, os comunistas pensantes queimaram as pestanas durante anos, para chegar a Gramsci e na seqüência a Althusser, Sartre, Foucoult — um sujeitinho que morreu com a peste da Aids e que declarou ter sido a maior emoção da sua vida um quase atropelamento — W. Reich e Marcuse, que disseminaram as idéias da revolução cultural.
A escola inicial destes estudos foi o Instituto de Pesquisas Sociais, conhecido como Escola de Frankfurt, fundada em 1924, responsável pela publicação do primeiro volume das obras completas de Marx e Engels. Esta escola dedicou-se a esmiuçar o funcionamento do pensamento ocidental, estruturado na moral cristã, que todos passaram a denominar "repressiva". E este pensamento chega aos nossos dias como verdadeiro, depois de tanta repetição.
Marcuse fugiu do nazismo para os EUA, onde lançou sua obra, destacando-se "Eros e Civilização". A orientação dada: "faça amor, não faça a guerra", encaminhou na década de 60, parte da juventude americana ao Woodstock do rock, drogas e sexo livre. A "repressão" da moral burguesa (moral cristã) começava a ser superada pela juventude. As drogas, o sexo livre e o rock, abriram caminho para a dissolução da família, divorcio, aborto, feminismo, homossexualismo, camisinha e todas as "liberdades".
Com a “redemocratização” do Brasil, a cultura universitária predominante aderiu abertamente ao que se preparava desde os anos 70: “modernização”, superação da moral burguesa (moral do cristianismo), liberar geral. Foucoult ministrou aulas na USP! E puxava um fuminho junto com os alunos! O marxiano Fernando Henrique foi eleito Presidente, um uspiano emérito que foi para o exílio nos EUA e depois no Chile do socialista castrista Allende.
Lá também estava o estudante José Serra, aquele que tinha sido preso num congresso da UNE em Ibiúna, junto com Aldo Rebelo do PCdoB, José Dirceu e outros estelares que dão as cartas no atual governo e na política nacional. Desde então as Ongs “pacifistas” internacionais ocuparam o espaço brasileiro, para reduzir a natalidade no primeiro momento, aliciar caboclos e aborígenes, mapear o Brasil interior, traficar com a bio diversidade e influir nos gabinetes decisórios.
O Brasil, aquele país conservador que derramou nas ruas centenas de milhares de donas de casa, estudantes, operários nas marchas da família com Deus pela liberdade, contra a ameaça comunista nos últimos dias do governo Goulart foi virado de ponta cabeça. A produção cultural, a imprensa, a literatura incipiente (pra que ler quando tudo está na tela da rede Globo?) foi totalmente dominada pelo “politicamente correto”, isto é, avacalhar com a individualidade, massacrar pessoas conservadoras e prestigiar o coletivismo, tornar todos iguais em pensamento e ação.
Conseguiram! Com auxílio das novelas e do Roberto Marinho que pediu aos militares: “Deixem meus comunistas em paz”. Ele referia entre outros, o sr. Boni, amigo de infância do Sr. Dias Gomes, comunista de carteirinha, marido da Sra. Janete Clair. O casal dominou o horário nobre das novelas, disseminando em cada uma o ideário da revolução cultural comunista para que todos os videotas pensassem igual: divórcio para desmoralizar o casamento e a família, celibato dos padres (Roque Santeiro) para incutir a repressão da igreja católica.
Hoje temos a educação tomada por livros com mentiras sobre história, alunos que são promovidos por decreto e não por saber, drogas e violência nas escolas, professores amedrontados, greves políticas, profissionais que recebem um canudo mas aos quais é negado o saber, a informação, a formação necessária. Temos um país de analfabetos funcionais, cultura rede globo, marca internacional. Governo e mídia, perversos e mendazes aliados a serviço da nova ordem mundial.
Fonte: ViVerdeNovo

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esperando por Riva

por Adriana Vandoni
Sabe a Ana Jatobá, a madrasta? Hoje estou me sentindo a própria. O deputado Estadual de Mato Grosso José Geraldo Riva do PP, aquele que coleciona vitórias eleitorais com a mesma destreza que coleciona ações civis e penais, sobre as quais eu não posso comentar por ordem do excelentíssimo juiz titular da Vara Agrária (sic), Pedro Sakamoto, que decidiu Censurar o blog a pedido de Riva, pede em ação criminal, que eu fique presa por 6 anos e 6 meses. Sou muito perigosa, mas sou menos que o jornalista Enock Cavalcanti cuja pena pedida é de 11 anos e seis meses. E muito menos perigosa que o jornalista Fábio Pannunzio, que vai pegar, se depender de Riva, 15 anos.
Diferente da Ana Jatobá que matou uma criança e do deputado que é acusado pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, e pela Polícia Federal de desviar dinheiro público, nosso crime foi escrever sobre os feitos do deputado que, modesto como ele só, não gosta que as pessoas saibam o que ele faz de tão bom que lhe rendeu esta enriquecedora carreira política.
A princípio me senti inferiorizada por ter pego pena menor, depois entendi as razões de Riva. Ele foi generoso comigo porque de certo se lembrou que eu tenho mais uns 11 anos pedidos por Pagot. Penas que cumprirei integralmente, pois não terei bom comportamento na cadeia, pelo contrário, farei a maior arruaça.
Será que se eu pedir um conselho, Riva me dá? Quero fazer a conexão dos dois processos. E sei que ele deve ter um advogado que poderá me ajudar. Meu caso há de ser mais simples, pois enquanto quero juntar dois em um, ele tenta há anos conectar os seus 118.
Riva mexe com meus instintos mais empreendedores, afinal, a cadeia pode me tirar o direito de ir e vir, mas jamais de falar e escrever, pelo contrário, o tempo livre me permitirá escrever “Memórias do Cárcere ‘by’ Adriana Vandoni”, uma releitura de Graciliano Ramos (o “by” é para dar um ar mais chique). Além do Best seller, pretendo também retomar o antigo projeto de lançar o blog “Na Cela com Adriana”, que na versão by Riva, será “Éramos três”.
São tantos projetos e idéias a serem postos em prática durante o meu cárcere, que aos poucos vou divulgando aqui, como divulgarei também a íntegra da ação, tão logo tenha em mãos.
Como pode ver Riva, por mais que você queira marcar minha vida, tenho que dizê-lo que Pagot foi o primeiro. Mas esperarei por você lá.
Fonte: Prosa e Politica,
citado por Claudio Humberto.
COMENTO: efetivamente os canalhas encastelados na política brasileira não se envergonham de mal utilizar os recursos legais — que deveriam servir para defenestrá-los da vida pública — visando calar os que não concordam com suas patifarias. Infelizmente, algumas vezes encontram guarida no poder judiciário. Às vezes em função das brechas legais criadas propositalmente para favorecer os imorais em detrimento da verdadeira justiça. Esperamos que não seja o caso de mais esse processo movido contra a jornalista Adriana Vandoni.

Cheiro de Vingança, Puro Revanchismo

por Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra
Leonel Rocha, da Revista Época, começa sua matéria declarando que o general Heleno "tem o hábito de fazer declarações duras e, muitas vezes, contrárias às orientações do governo Por diversas vezes ele já criticou, por exemplo, a demarcação de terras indígenas em terras contínuas nas fronteiras, que considera arriscadas para a segurança nacional. Na terça-feira (30), Heleno voltou a fazer declarações polêmicas. (...) o oficial mandou um duro recado para a ala esquerda do governo".
A meu ver, como cidadã civil, entendo que um general tem o mesmo direito de se pronunciar que um ministro do STF, um senador ou outro cidadão brasileiro. Antes de ser militar, ele é um civil como outro qualquer. 
No momento em que o governo clama pela criação da Comissão da Verdade, não entendemos porque as palavras do general Heleno possam ser consideradas polêmicas e duras. Ele está apenas externando o que pensa, o que sente, o que viveu, o que estudou... 
E, não é isso que o governo se propõe com a criação da polêmica Comissão da Verdade? Não deseja esclarecer ao povo? Se realmente é isso, mostrar a verdade, é preciso dar voz e vez ao lado que lutou para manter a ordem no país. Dar voz para que digam porque foram lançados em uma guerra que não queriam.
Existe alguma dúvida de que as palavras do general Heleno estão certas? 
Existe alguma dúvida de que os militantes da luta armada lutavam para que o Brasil seguisse o exemplo de Cuba, da Coréia do Norte, de Angola, da Albânia e da União Soviética?
Existe alguma dúvida de que a intenção deles era implantar uma ditadura marxista-leninista no Brasil? 
O general mentiu quando disse que os revanchistas, muitos deles ex-terroristas e ex-guerrilheiros hoje ocupando altos postos da República, jamais defenderam ideais democráticos? 
Foi errado relembrar que muitos que estão no poder militaram em organizações subversivo-terroristas?
Todos nós sabemos do passado de Dilma Rousseff, Franklin Martins, Paulo Vannuchi, Carlos Minc, Fernando Pimentel, Juca Ferreira e outros membros do governo. O repórter foi bastante generoso em não relembrar as organizações terroristas onde militaram e os atos criminosos que praticaram. Se os leitores fizerem buscas neste site poderão encontrar históricos bem mais completos do que os publicados na matéria da Revista Época, o que contribuirá para que a verdade venha a público.
Será que são as Forças Armadas que estão reagindo à criação da Comissão da Verdade? Ou eles, que preferem manter a falsa imagem de "heróis que sacrificaram a vida em defesa da democracia e da liberdade"?
Terá sido o general Heleno exagerado quando disse que; “Hoje, fora do contexto, é fácil falar sobre abusos na luta contra a subversão"? 
Não foi correta sua pergunta "como deveriam ter agido as forças legais"?
Por acaso não é verdade que toda paz tem um preço?
Sua comparação da atual situação da Colômbia, com a situação que estaríamos vivendo hoje, se o governo não tivesse usado leis mais duras para coibir a escalada da subversão e do terrorismo, não é verdadeira? 
Como estaríamos nós, com nossa imensidão territorial, às voltas com uma Força Armada Revolucionária Brasileira (FARB)?
Terá o general Heleno exagerado quando disse que a liberdade de hoje "é um legado daqueles que cumpriram sua missão e não fugiram ao dever, nem à luta”? 
Será que o general não estava apenas demonstrando a opinião da grande maioria do povo brasileiro?
O general Heleno não estava certo quando disse que “Gostaria de aproveitar o momento e a data para reverenciar os companheiros que ajudaram a derrotar a luta armada"?
Não vemos em que o discurso do general Heleno demonstra resistência das Forças Armadas em relação à criação da Comissão da Verdade. Parece-nos que a resistência a que a verdade sobre o período venha a tona está mais evidente do lado dos ex-militantes e de parte da mídia que se nega a aceitar que a opinião de um cidadão seja expressada, livremente, como deveria ser em uma democracia.
Essas atitudes nos fazem desacreditar da verdadeira intenção do projeto do Sr Paulo Vannuchi. Sente-se no ar um cheiro de revanchismo. Esta comissão, como disse o general Maynard Santa Rosa, está mais para "Comissão da Calúnia".
E eu iria mais além: essa comissão tem cheiro de vingança, puro revanchismo.

domingo, 4 de abril de 2010

Ainda Sobre o General Santa Rosa

MINISTÉRIO PÚBLICO MILITAR
PROCURADORIA-GERAL DA JUSTIÇA MILITAR
DECISÕES DE SUBPROCURADOR-GERAL
PEÇAS DE INFORMAÇÃO
PROTOCOLO Nº 157/2010/DDJ
Após a declaração de suspeição por parte da Procuradora-Geral da Justiça Militar e de seu substituto legal (fls. 9 e 11), foram-me encaminhados os presentes autos para a devida apreciação do caso, no qual se imputa a Oficial-General a suposta prática do delito previsto no art. 166 do Código Penal Militar.
Narra a notícia-crime de  fls. 2/3 que o General-de-Exército MAYNARD MARQUES DE SANTA ROSA teria sido exonerado do cargo de Chefe do Departamento-Geral do Pessoal do Exército por ter divulgado carta, de sua autoria, que contém crítica à Comissão Nacional da Verdade, “adjetivando-a de ‘Comissão da Calúnia’, a qual seria composta ‘pelos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a banco, como meio de combater ao regime, para alcançar o poder’, dentre outras afirmações contrárias à comissão e suas tarefas” (fl. 2).
Destarte, alega-se que, ao criticar publicamente resolução de governo, qual seja, o Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, editado pelo Presidente da República, o Oficial-General pode ter incorrido no crime militar de publicação ou crítica indevida.
É o breve relato. Decido.
O crime militar em tela tem a seguinte redação:
Art. 166. Publicar o militar ou assemelhado, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar, ou a qualquer resolução do Governo: Pena 
— detenção, de dois meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Constata-se que a conduta imputada ao Gen SANTA ROSA refere-se ao segundo núcleo do tipo: “criticar publicamente (…) qualquer resolução de Governo”.
Examinemos, pois, o caso.
Eis a íntegra da carta redigida pelo Oficial-General:
A verdade é o apanágio do pensamento, o ideal da filosofia, a base fundamental da ciência. Absoluta, transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas.
A busca do conhecimento verdadeiro é o objetivo do método científico.
No memorável “Discurso sobre o Método”, René Descartes, pai do racionalismo francês, alertou sobre as ameaças à isenção dos julgamentos, ao afirmar que “a precipitação e a prevenção são os maiores inimigos da verdade”.
A opinião ideológica é antes de tudo dogmática, por vício de origem.
Por isso, as mentes ideológicas tendem naturalmente ao fanatismo.
Estudando o assunto, o filósofo Friedrich Nietszche concluiu que “as opiniões são mais perigosas para a verdade do que as mentiras”.
Confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa.
A História da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos.
Quando os sicários de Tomás de Torquemada viram-se livres para investigar a vida alheia, a sanha persecutória conseguiu flagelar trinta mil vítimas por ano no reino da Espanha.
A “Comissão da Verdade” de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010, certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.
Infensa à isenção necessária ao trato de assunto tão sensível, será uma fonte de desarmonia a revolver e ativar a cinza das paixões que a lei da anistia sepultou.
Portanto, essa excêntrica comissão, incapaz por origem de encontrar a verdade, será, no máximo, uma “Comissão da Calúnia”. (grifo nosso)
Prefacialmente, cumpre esclarecer a qual decreto o Gen SANTA ROSA faz referência. Não se trata do Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, que criou a Comissão da Verdade, mas, conforme explicitado na carta, do Decreto de 13 de janeiro de 2010, da categoria de “decretos não numerados” (DNN), e também, obviamente, editado pelo Presidente da República (anexo).
A partir desse dado, fica ainda mais evidente o objeto da crítica do Oficial-General: a futura composição da Comissão da Verdade, e não, propriamente, a previsão de sua criação, constante do Decreto nº 7.037/09.
Nesse contexto, da leitura da carta, extrai-se, em apertada síntese, o receio do seu autor a respeito da composição da referida Comissão, que, permeada pela ideologia, será incapaz de encontrar a verdade, revelando-se, portanto, uma “Comissão da Calúnia”.
Verifica-se, no entanto, que ainda não há qualquer ato de nomeação dos membros da Comissão da Verdade, pois esta sequer foi formada. O Decreto de 13 de janeiro de 2010 tão-somente criou um Grupo de Trabalho para elaborar anteprojeto de lei para instituí-la (art. 1º).
Assim, estamos em que a crítica não foi dirigida à resolução de governo de criação da Comissão da Verdade, mas aos seus futuros e prováveis integrantes, nominados pelo Oficial-General como “fanáticos”, que não estariam comprometidos com a exatidão dos fatos, pois, consoante se infere da carta, agiriam de acordo com sua ideologia.
Dessa forma, a crítica do Oficial-General mais se aproximaria do delito de injúria do que do crime de publicação ou crítica indevida. Porém, como os membros da Comissão da Verdade longe estão de serem definidos, não há como imputar o termo pejorativo a ninguém, restando atípica a conduta, sob essa ótica.
Outro aspecto a ser levado em consideração no exame da configuração do crime de publicação ou crítica indevida é a intenção no Gen SANTA ROSA em relação à publicidade dada, no final das contas, ao seu texto.
Na nota à imprensa divulgada pelo Ministério da Defesa em 10 de fevereiro de 2010 sobre a exoneração do General, encontra-se a seguinte assertiva: “Segundo o Comandante [General Enzo], ‘trata-se de correspondência pessoal do referido Oficial-general indevidamente propagada pela Internet, sendo, portanto, uma opinião particular’” (grifo nosso, anexo).
Conforme averiguado, então, a carta do Gen SANTA ROSA tratava-se de uma correspondência pessoal, a qual, a nosso ver, por encontrar-se situada em âmbito restrito e privado do remetente, está acobertada pela liberdade de expressão, constitucionalmente assegurada.
Ocorre que tal carta teve circulação indevida pela Internet. Contudo, em que pese a inegável autoria da carta, não se pode imputar ao seu autor a divulgação do texto e, por conseguinte, a conduta de “criticar publicamente”.
Caso contrário, restaria configurada a responsabilidade objetiva, veementemente rechaçada pelo Direito Penal hodierno.
Uma terceira questão a ser enfrentada refere-se ao âmbito de proteção da norma penal em comento.
Cientes de que o Código Penal Militar data de 21 de outubro de 1969 e que, portanto, foi editado em outro contexto político-constitucional, indagamos se o tipo previsto em seu art. 166 deve, atualmente, ser interpretado de modo a ter o maior alcance possível, abrangendo todos os tipos de “atos de superior”, inclusive os da vida privada, bem como “qualquer resolução do Governo”, independentemente da matéria veiculada, ou se tal dispositivo legal merece uma interpretação mais restrita, coerente com os demais tipos previstos no Capítulo V, “Da Insubordinação”, que levam sempre em conta ato ou assunto atinentes à disciplina militar ou a matéria de serviço ou dever imposto em lei, regulamento ou instrução.
Caso se entenda pelo campo de incidência mais largo, poder-se-ia argumentar que os militares estão proibidos de tecer críticas públicas até mesmo às políticas econômica, fiscal e tributária brasileiras e outros assuntos que a eles dizem respeito mais como cidadãos do que como integrantes das Forças Armadas, o que não se nos afigura plausível.
Assim, num contexto de duras críticas ao Plano Nacional de Direitos Humanos, de inequívoco interesse geral, seria justo que somente os militares não se pudessem manifestar enquanto vários outros segmentos da sociedade demonstraram seu descontentamento, tais como o clero, representantes da agricultura comercial e dos meios de comunicação, acadêmicos, economistas, juristas etc. (anexo)? Pior, seria razoável dar tratamento penal ao caso e imputar aos militares que expressassem sua opinião o crime previsto no art. 166 do CPM?
Vale lembrar, ainda, que, no que concerne ao tema geral da Comissão da Verdade, a voz do Gen SANTA ROSA não foi isolada, haja vista a divulgação na imprensa da denominada “crise militar”, consistente na ameaça de pedido de exoneração conjunta por parte do Ministro da Defesa e dos Comandantes das Forças Armadas em razão da criação da referida Comissão, nos termos originais do Decreto nº 7.037/09 (anexo).
Tudo isso denota que não há situação mais natural do que a existência de críticas a questões políticas dentro do verdadeiro Estado Democrático e Direito, em que assegurada a liberdade de expressão.
E, especificamente quanto aos militares brasileiros, faz-se oportuno invocar as lúcidas palavras do Marechal Osório no sentido de que “A farda não abafa o cidadão no peito do soldado”.
Por derradeiro, com isenção de juízo de valor sobre esta medida, ressalta-se que o proceder do Oficial-General já recebeu pronta e expedita repreensão, com sua exoneração do cargo de Chefe do Departamento-Geral do Pessoal do Exército (anexo).
Diante da atipicidade da conduta do General-de-Exército MAYNARD MARQUES DE SANTA ROSA, determino o arquivamento do feito.
Providências pelo Departamento de Documentação Jurídica.
Oficie-se ao Promotor da Justiça Militar Dr. Soel Arpini e ao Comando do Exército, com cópia desta decisão. Publique-se.
Brasília-DF, 10 de março de 2010.
MÁRIO SÉRGIO MARQUES SOARES
Subprocurador-Geral da Justiça Militar
COMENTO: alertado por correio eletrônico de um amigo, não acreditei e fui verificar. É verdade: um desocupado qualquer acionou o aparato judicial do Estado para tentar criminalizar a opinião expressa por um General, como se este não fosse também detentor de direitos constitucionais, como o de manifestar sua opinião sobre os cafajestes que se adonaram do poder político nacional. Como se militar não pagasse impostos e estivesse isento às patifarias e incompetência dos imorais petralhas. Faria melhor o tão dedicado baba-ovos governamental se buscasse punição para os "mensaleiros", para os que propiciam o enriquecimento de antigos bandoleiros, agredindo a Constituição Federal (Art 8º, § 1º das Disposições Transitórias); para os assassinos dos dissidentes; para os carregadores de dinheiro com origem desconhecida em cuecas ou em malas; para os que desrespeitam a legislação eleitoral; enfim para a cambada que está destruindo este pais. Ainda bem que existem, ainda, pessoas lúcidas no Poder Judiciário para impedir a total derrocada da Democracia "neçepaíz". Parabéns ao Subprocurador-Geral da Justiça Militar por não se deixar levar pelos argumentos dos democratas de araque que não aceitam críticas. Lamentamos que seu precioso tempo tenha sido gasto em ler e dar despacho a uma petição ridícula como a que lhe foi apresentada! Nossa imprensa, é claro, não publica fatos como este. Quieta como guri cagado! Afinal, não pode desagradar os que possuem a chave das Burras que são alimentadas pelos burros.

O Seu Dinheiro

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Maiara Coelho, oito anos, morreu há pouco no hospital público de Imperatriz, Maranhão, depois de dez dias internada com meningite. Não havia UTI para ela, mesmo com mandado judicial. O Juiz da Infância e Adolescência de lá reconhece que a Justiça não consegue mudar a triste realidade. Ela é a 17ª criança que morre em Imperatriz neste ano, por falta de UTI. Por pura coincidência, no mesmo dia, a Folha de São Paulo publicou a descoberta de que Fernando Sarney transferia 1 milhão de dólares das Bahamas para uma fábrica de bicicletas na China dias depois de a Suíça ter bloqueado 3 milhões de dólares de uma transferência, também dele, segundo o mesmo jornal, de 13 milhões de dólares para Liechtenstein, outro paraíso fiscal. Não há como deixar de registrar a simbologia disso.
Acabam de condenar o casal Nardoni pela morte cruel de uma criança, mas não se perguntam quantas crianças morrem neste país por cruel falta de recursos para os hospitais públicos, para o saneamento, para o combate às drogas e à violência. Os corruptos vão dormir tranqüilos porque fingem não perceber a gravidade de seus crimes. Imaginam que dinheiro público não é de ninguém e que não estão a matar ninguém. Errado. O dinheiro público é de cada um de nós, que trabalhamos duro todos os dias para pagar o imposto que está embutido em tudo que compramos, mais os impostos que pagamos diretamente, sem a contrapartida em bons serviços públicos.
Se eles superfaturam contratos para pagar mensalões de todas as siglas ou simplesmente receber comissões, o dinheiro dos nossos impostos é que sustenta essa corrupção e deixa de ser aplicado nos hospitais, onde pessoas estão morrendo e sofrendo por falta de médicos, de equipamentos, de medicamentos. Falta para as escolas e matam o futuro; falta para o saneamento e para a segurança, e mata-se no presente. A corrupção é crime contra os direitos humanos e, se foram somadas todas as vítimas da falta do dinheiro que é desviado, pode-se imaginar que o corrupto é um genocida.
Vamos para a frente do fórum de Santana, a nos indignar com os Nardoni, e no entanto ficamos passivos ante a corrupção epidêmica. Não percebemos que o dinheiro público não é do prefeito, nem do governador, nem do presidente, nem do deputado, vereador ou senador? O dinheiro público é do público; é nosso. E alguns de nós ainda justificam, como gritam os partidários de Arruda aqui em Brasília: Rouba mas faz. Ora, se você tiver uma empregada que faz boa comida, boa limpeza da casa, mas rouba; você concordaria em que ela roube mas faça? Se tiver, na sua empresa, um empregado trabalhador que desvia material do almoxarifado, você acha bonito, o rouba mas faz? Na verdade, você reagiria porque percebe que o dinheiro é seu. Mas basta o seu dinheiro ter passado pelos cofres de alguma receita pública, você já acha que não faz mal roubarem de você. Se você não gritar, vão continuar. E as Maiaras vão continuar sendo assassinadas pelos corruptos.
Alexandre Garcia é jornalista em Brasília

Ano Eleitoral e Gastos Públicos

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As corporações públicas tomaram de assalto o governo gaúcho. 
O Pacote de Bondades do governo Yeda, enviado na forma de 26 projetos de lei e um projeto de lei complementar para a Assembleia, representa o mais violento e corrosivo ataque das corporações públicas estaduais ao Tesouro do Estado.
Não se sabe por que razão o governo estadual rendeu-se às corporações de maneira tão incondicional.
Não foi para isto que a sociedade, sob a liderança de Yeda, fizeram um sacrifício enorme para ajustar as contas públicas (déficit zero).
As pressões dos aparatos sindicais e seus aliados dentro da Assembleia foram irresistíveis.
O RS arrecada algo como R$ 1,2 bilhão por mês de ICMS e terá que pagar uma Folha de Pessoal que chegará a R$ 1 bilhão por mês no final do ano.
O dinheiro dos contribuintes sai do bolso dos trabalhadores e vai direto para os hollerits de 300 mil funcionários estaduais ativos e inativos.
É uma derrama intolerável.
O que mais chama a atenção é que categorias combativas, irredentoras, insaciáveis, como é o caso do magistério, insistem em “vender” o mantra de que não receberam aumento algum de Yeda, quando isto é mentira. Somente este ano, eis como repercutirão os aumentos concedidos por Yeda ao magistério estadual:
— 8,6% relativos a parcela da Lei Britto que não foi paga por Britto, por Olívio e por Rigotto, mas que Yeda pagou.
— 6% que acabam de ser concedidos.
— 2% sobre o aumento meramente vegetativo da Folha (vantagens, por exemplo).
O total chega a 13%.
O CPERS pode até negar os cálculos, que foram feitos pelo economista Darcy Carvalho dos Santos, nesta quinta, a pedido do editor.
Se o CPERS fizer isto, você, leitor, deve pedir que os 13% desembarquem na sua conta corrente.
Este ano, a Folha de Pessoal dos professores será R$ 480 milhões maior do que a Folha de 2009. Ela pulará para perto de R$ 4 bilhões no ano, 30% de toda a Folha do governo do Estado.

Saiba o que poderá salvar o governo estadual da débâcle em 2010
Este ataque selvagem das corporações sobre os cofres estaduais neste ano de eleição só não será desastroso por duas razões macroeconômicas relevantes:
— O PIB estadual crescerá pelo menos 6%.
— A inflação oscilará entre 5% a 5,5%.
Isto, sem contar a melhoria das condições de gerenciamento das finanças públicas, que avançaram de modo revolucionário.

Lideranças empresariais omitem-se diante do assalto aos cofres públicos
Fiergs, Federasul, Fecomércio e o sr. Paulo Feijó, desta vez não fizeram plantão na Assembleia do RS para impedir o assalto aos cofres públicos.

Corporações impedem a reforma do Estado
O governo estadual não tem conseguido implementar medidas de verdadeira racionalidade administrativa no conjunto da máquina pública.
Os princípios de produção, produtividade e qualidade são letra morta em 90% das repartições.
As ferramentas até existem e já foram aplicadas em áreas como a secretaria da Fazenda, mas são repelidas de modo decidido em quase todo o setor público, a começar pela secretaria da Educação.
A ausência de planejamento estratégico impede abordagem sistêmica da máquina pública, a correta alocação de recursos humanos e até mesmo remuneração pelo mérito (cumprimento de metas, por exemplo). Isto levaria à eliminação de desperdícios e até de fraudes evidentes na concessão de licenças para tratamento de saúde e outras práticas abusivas.
O governo gaúcho continua sem governar o governo.
A oposição a qualquer controle e fiscalização é selvagem e parte dos sindicatos, aparelhos ongueiros, elites funcionais e dos Partidos.

Folha crescerá R$ 400 milhões apenas neste ano
Somente neste ano, os efeitos dos aumentos salariais concedidos dentro do Pacote de Bondades de Yeda aprovado esta semana pela Assembleia, representarão um adicional equivalente a R$ 375 milhões na Folha de Pessoal do Executivo.
A Folha do Executivo soma R$ 790 milhões. Sobram R$ 180 milhões para os demais Poderes.

Conheça cada um dos 27 projetos aprovados pela Assembleia
O editor foi atrás de cada um dos 26 projetos de lei e do único projeto de lei complementar aprovados pela Assembleia Legislativa do RS nos últimos três dias e que integram o Pacote de Bondades do Governo Yeda.
Todos eles mexem com salários dos servidores estaduais, mesmo quando apresentados sob a justificável argumentação de reorganização administrativa a qualquer título.
Trata-se do mais abrangente pacote de aumentos salariais para o funcionalismo público estadual já formatado pelo atual governo.
Os dois casos mais rumorosos relacionaram-se com as duas categorias de maior contingente funcional, no caso professores e brigadianos.
Os brigadianos, mais bem articulados, conseguiram reajuste de 19,9% para oficiais. Os professores, comandados pela política suicida do CPERS, chegaram tarde à mesa de negociação e perderam tudo. Levaram apenas 6% de aumento.
No link a seguir, você terá uma explicação bastante telegráfica sobre o teor de cada projeto aprovado, de acordo com pesquisa feita pelo editor nesta quinta-feira.
Os textos definitivos de cada nova lei ainda não foram publicados. CLIQUE AQUI para examinar a planilha completa.

sábado, 3 de abril de 2010

Mais Um ao Inferno!!!


Policía Nacional | Alias Jerónimo Galeano (centro), en una reunión del estado mayor del Comando Conjunto Central de las Farc. A la izquierda aparece Ciro Gómez Rayo, alias "Enrique Zúñiga" (también en la foto pequeña). Esta imagen fue descubierta por la  Policía tras un bombardeo, en octubre del año pasado.
por Carlos Olimpo Restrepo S.
Desde finais de outubro de 2009, a Força Pública colombiana incrementou as operações contra a Frente 50 das FARC, com o objetivo de acabar com essa célula guerrilheira, com presença entre Quindío e Tolima.
E ontem (31/3), com a morte em um bombardeio de sete de seus membros e a captura de outras sete pessoas, este grupo fica praticamente desarticulado.
Segundo porta-vozes da Força Aérea Colombiana (FAC) e da Policia Nacional, na Operação Baltazar morreu Ciro Gómez Rayo, vulgo "Enrique Zúñiga", chefe da Frente 50 e membro do Comando Conjunto Central das FARC.
É de recordar que o chefe do Comando Conjunto Central, vulgo "Jerónimo Galeano", foi objeto de um ataque similar em outubro do ano passado também em Tolima.
Ainda que seu cadáver não tenha sido achado, as autoridades presumem que ele morreu no ataque, devido aos testemunhos dos guerrilheiros que sobreviveram.

Inteligência e FAC
A ação militar ocorreu na madrugada de ontem (31/3) na garganta de Cocora, zona rural do município de San Miguel (Tolima).
A Policia indicou que recebeu informação de uma pessoa sobre a presença de um grupo de guerrilheiros nessa zona. Após isto, seu Grupo de Inteligência focalizou seus equipamentos ali, os quais confirmaram a localização de um acampamento das FARC e a presença nele do vulgo "Enrique Zúñiga".
O organismo de segurança preparou um grupo de Forças Especiais e pediu o apoio da FAC, a qual enviou dois aviões de combate à zona, onde realizaram um bombardeio.
Uns 40 membros da Policia se internaram na garganta de Cocora e encontraram os cadáveres dos sete guerrilheiros das FARC, entre eles o de "Enrique Zúñiga".
Na ação também morreu uma guerrilheira conhecida pelo apelido de "Marjury" e as autoridades indicaram que era a companheira sentimental de "Enrique Zúñiga".
A Policia Nacional indicou que outros sete integrantes dessa célula guerrilheira foram detidos após o ingresso das tropas no acampamento bombardeado.
Pelo chefe da frente 50 das FARC se oferecia uma recompensa de 500 milhões de pesos (cerca de 500 mil reais) e sobre ele pesavam 36 ordens de captura de distintas fiscalias (Procuradorias) por delitos como homicídio agravado, deslocamento forçado, seqüestro extorsivo, e rebelião.
De acordo com o diretor da Policia Nacional, general Óscar Naranjo, fontes de inteligência do organismo a seu cargo tinham indícios de que a Frente 50 das FARC planejava adiantar ataques e atentados durante estes dias da Semana Santa.
Segundo o general Naranjo, as ações do grupo ilegal iam ocorrer em vários municípios de Tolima e Quindío, além de fustigamentos ao alto de La Línea e na estrada Panamericana que do Eixo Cafeteiro conduz ao Vale do Cauca.
Fonte: tradução livre de El Colombiano

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Imaginando um Ataque Israelense ao Irã

por David E. Sanger
Em 1981, Israel destruiu o reator nuclear do Iraque em Osirak, declarando que não podia aceitar a possibilidade daquele país conseguir a capacidade de obter armas nucleares. Em 2007, eliminou um reator construído pela Coréia do Norte na Síria. E ano seguinte, os israelitas secretamente pediram auxílio a administração de Bush para equipamentos de vôos longos que eles pudessem precisar para atingir instalações nucleares do Irã.
Eles não foram atendidos, mas o pedido adicionou urgência para a pergunta: Israel tomaria o risco de um ataque? E nesse caso, o que seguiria?
Agora, aquela pergunta de jogo de sala de estar se transformou em simulações de jogos de guerra mais formais. As próprias simulações do governo são secretas, mas o Centro Saban para Política de Oriente Médio da Instituição Brookings criou uma própria em dezembro. Os resultados foram tão provocativos que um resumo deles circulou nos meios governamentais oficiais militares norte-americanos e em capitais estrangeiras.
Por causa de verossimilhança, antigos "policymakers" e oficiais de inteligência americanos — algum bem conhecidos — foram adicionados a mistura. Eles impressionaram o presidente e seus conselheiros superiores; o Primeiro Ministro israelita e gabinete; e líderes iranianos. Eles tiveram o anonimato concedido para poder tocar seus trabalhos livremente, sem medo de pressões. (Este repórter era convidado como um observador.) Um relatório por Kenneth M. Pollack, que dirigiu toda a simulação, pode ser encontrado no sítio do Centro Saban, na rede mundial de computadores.
Uma precaução: o tempo resumido simplifica demais os eventos de simulações. Freqüentemente eles menosprezam o risco de erro — por exemplo, analistas de inteligência inexperientes podem interpretar mal um ato fortuito, tomando-o como parte de um padrão de agressão. Neste caso, as ações dos americanos e equipes israelitas parecem bastante plausíveis; os analistas conhecem bem a burocracia e política de ambos os países. Prever movimentos do Irã é outro problema, pois muito pouco se sabe sobre seu processo de tomada de decisão.
David E. SANGER
Resumo da Simulação
1. ISRAEL ATACA
Sem avisar os Estados Unidos com antecedência, Israel atinge seis das instalações nucleares principais do Irã, usando uma base de reabastecimento provisoriamente instalada no deserto da Arábia Saudita sem conhecimento do governo saudita. (Não fica claro para os iranianos se o sauditas foram participantes ativos ou não.)
As relações já tensas entre a Casa Branca e Israel pioram rapidamente, e a falta de anúncio do ataque permite a Washington afirmar com veemência que não aceita o ataque.

2. OS ESTADOS UNIDOS SE ENVOLVEM
Com um discurso severo, os Estados Unidos exigem que Israel cesse seus ataques, entretanto algumas pessoas em Washington visualizam o momento como uma oportunidade adicional para debilitar o governo iraniano, particularmente o Corpo de Exército da Guarda Revolucionário Islâmica.
Dizendo essencialmente que Israel que fez uma bagunça, Washington instrui o país para acomodar-se enquanto os Estados Unidos tentam ajeitar as coisas.

3. OS ESTADOS UNIDOS ENVIA ARMAS
Mesmo pedindo contenção de todos os lados, os Estados Unidos enviam mais baterias de antimisseis Patriota e cruzadores Aégis para a região, como uma advertência ao Irã para não retaliar.
Mesmo assim, alguns conselheiros da Casa Branca alertam para o risco de ser envolvido no conflito, acreditando que a verdadeira estratégia de Israel é atrair a América para terminar o trabalho com ataques adicionais sobre as instalações iranianas danificadas.

4. IRÃ RETALIA
Apesar das advertências, Irã despeja projéteis em Israel, inclusive sobre seu complexo de armas nucleares em Dimona, mas danos e vítimas são mínimos. Enquanto isso, os dois aliados do Irã, Hezbollah e Hamas, atacam com lançamento de foguetes contra Israel.
Acreditando que já alcançou sua meta principal de sustar o programa nuclear iraniano por anos, Israel apenas responde.

5. IRÃ VÊ OPORTUNIDADES
Irã, mesmo abalado, vê oportunidades a longo prazo para unificar seu povo - e cooptar seus partidos de oposição - por razões nacionalistas. Sua estratégia é para montar ataques de baixo nível em Israel enquanto retrata os Estados Unidos como um tigre de papel - incapaz de controlar seu aliado e pouco disposto a responder para o Irã.
Seguro de que os sauditas tiveram conluio com os israelitas, e incentivados pela moderada posição Americana inicial, o Irã dispara mísseis no centro de processamento e exportação de óleo saudita em Abqaiq, e tenta incitar muçulmanos xiitas do leste da Arábia para atacar o regime saudita.
Irã também conduz ataques de terror contra objetivos europeus, na esperança de que os governos de lá acusarão Israel e os Estados Unidos

6. IRÃ EVITA OBJETIVOS DOS ESTADOS UNIDOS
Depois de uma reunião de sua liderança dividida, Irã decide não atacar diretamente quaisquer objetivos Americanos - para evitar uma resposta Americana total.

7. DISCUSSÃO EM ISRAEL
Embora a vingança do Irã contra Israel cause danos modestos, críticos na mídia israelita dizem que os líderes do país, ao não responder a cada ataque, enfraqueceram a credibilidade de dissuasão do país. Hezbollah dispara até 100 foguetes por dia ao norte de Israel, com alguns apontando para Haifa e Tel Aviv.
A economia israelita caminha para uma paralização e autoridades israelitas, pedindo a intervenção norte-americana, reclama que um terço da população do país está vivendo em abrigos. Centenas de milhares de israelenses fogem de Haifa e Tel Aviv.

8. ISRAEL CONTRA ATACA
Israel finalmente ganha aquiescência norte-americana para retaliar contra o Hezbollah. Ordena uma campanha de 48 horas por via aérea e forças especiais contra o Líbano e começa a preparar uma operação muito maior por ar e terrestre.

9. IRÃ JOGA A CARTA DO ÓLEO
Sabendo que sua última arma é sua habilidade de enviar os preços do óleo para o alto, Irã decide atacar com projéteis convencionais um centro de indústria de óleo em Dahran, na Arábia Saudita, e começar a minar o Estreito de Hormuz.
Um Navio-tanque panamenho registrado como americano e um caça-minas americano são severamente danificados. O preço do óleo dispara, entretanto temporariamente.

10. OS ESTADOS UNIDOS IMPULSIONAM FORÇAS
Incapaz de permanecer em posição secundária enquanto o fornecimento de petróleo e forças americanas são ameaçadas, Washington começa um reforço militar volumoso da região do Golfo.

11. REVERBERAÇÕES
O jogo termina oito dias depois do ataque inicial israelita. Mas os Estados Unidos estavam claramente objetivando destruir todo poder aéreo, terrestre e objetivos iranianos no mar e em torno do Estreito de Hormuz, aproveitando que as forças do Irã estavam para sofrer uma derrota significante. O debate aparece inesperadamente sobre quanto o programa nuclear do Irã foi verdadeiramente incapacitado, e se o país teria instalações substitutas secretas que poderiam estar funcionando em um só ano ou dois.

OBSERVAÇÕES DO REPÓRTER
1. Atacando sem conhecimento prévio de Washington, Israel teve os benefícios da surpresa e inércia - não só sobre os iranianos, mas também de seus aliados americanos - e no primeiro dia ou dois, gerentes de crise da Casa Branca correram em círculos ao redor.
2. A batalha rapidamente envolve a região inteira - e Washington. Os líderes árabe que poderiam ter quietamente aplaudido um ataque contra o Irã tem que se preocupar sobre a reação em suas ruas. A guerra passa a defender instalações de óleo saudita, o uso de aliados do Irã faz com que outros atores regionais rapidamente sejam envolvidos.
3. Você pode bombardear instalações, mas você não pode bombardear conhecimento. Irã não só dispersou suas instalações, mas também dispersou suas lideranças científicas e de engenharia, na esperança de reconstrução depois de um ataque.
4. Ninguém ganhou, e o sucesso dos Estados Unidos e Israel são medidos diferentemente. Em Washington, oficiais creditam que para sustar o programa nuclear iraniano só por alguns anos não valeu a pena o enorme custo. Em Israel, até algum atraso de anos parece valer o custo, e os israelitas afirmam que isto pode minar mais, fragilizando o regime e talvez acelerando seu desaparecimento. A maior parte dos americanos pensam que isto não passa de alucinação.
D.E.S.
Tradução livre da
Fonte: The New York Times - 26 Mar 2010,
indicado pelo meu amigo Felix

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Vítimas do Terrorismo - Abril

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Neste abril de 2010, reverenciamos a todos os que, em abris passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país. Para isso, atentaram contra o Brasil e agora lhes negam até mesmo o lenitivo de serem pranteados por nós.
Nestes tempos de esperança, cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
A lembrança deles não nos motiva ao ódio e nem mesmo à contestação aos homens e agremiações alçados ao poder em decorrência de um processo político legítimo. Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.

14/04/69 – FRANCISCO BENTO DA SILVA (Motorista - SP)

LUIZ FRANCISCO DA SILVA (Guarda bancário –SP)

Mortos durante um assalto, praticado pela Ala Vermelha do PCdoB, ao carro pagador (uma Kombi) do Banco Francês-Italiano para a América do Sul, na Alameda Barão de Campinas, quando foram roubados vinte milhões de cruzeiros. Participaram desta ação os terroristas: Élio Cabral de Souza, Derly José de Carvalho, Daniel José de Carvalho, Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Aderval Alves Coqueiro, Lúcio da Costa Fonseca, Gilberto Giovanetti, Ney Jansen Ferreira Júnior, Genésio Borges de Melo e Antônio Medeiros Neto.
04/04/71 – JOSÉ JÚLIO TOJA MARTINEZ (Major do Exército – Rio de Janeiro)

No início de abril, a Brigada Pára-quedista recebeu uma denúncia de que um casal de terroristas ocupara uma casa em Campo Grande/RJ. A 2ª Sessão da Brigada, chefiada pelo major Martinez, montou um esquema de vigilância sobre a citada residência. Por volta das 23 horas desse dia, chegou um casal, de táxi, estacionando-o nas proximidades da casa vigiada. A mulher ostentava uma volumosa barriga que indicava estar em adiantado estado de gravidez. O fato sensibilizou Martinez, que, impelido por seu sentimento de solidariedade, agiu impulsivamente visando preservar a “senhora” de possíveis riscos.
Julgando que o casal nada tinha a ver com a subversão, Martinez iniciou a travessia da rua, a fim de solicitar-lhe que se afastasse daquela área. Ato contínuo, de sua “barriga”, formada por uma cesta para pão com uma abertura para saque da arma ali escondida, a mulher retirou um revólver, matando-o instantaneamente, sem qualquer chance de reação. O capitão Parreira, de sua equipe, ao sair em sua defesa foi gravemente ferido por um tiro desferido pelo terrorista. Nesse momento, os demais agentes desencadearam cerrado tiroteio que causou a morte do casal de terroristas. Estes foram identificados como sendo os militantes do MR-8 Mário de Souza Prata e sua amante Marilena Villas-Bôas Pinto, ambos de alta periculosidade e responsáveis por uma extensa lista de atos terroristas.
No “aparelho” do casal foram encontrados explosivos, munição e armas, além de dezenas de levantamentos de bancos, de supermercados, de diplomatas estrangeiros e de generais do Exército.
Destino perverso esse que compensou com uma reação de ódio e violência o gesto de bondade tão característica do major Martinez. Ele deixou viúva e quatro filhos, três meninas e um menino, a mais velha, à época, com onze anos de idade. Sua esposa, com uma pequena pensão, criou com sacrifícios aquelas crianças que, pelo ambiente familiar de que desfrutavam, eram, naturalmente, dóceis e afáveis. Com o apoio de familiares e amigos, suplantou a dor, os traumas decorrentes da morte violenta e inesperada e as dificuldades resultantes da ausência do chefe de família.
A família do major Martinez não pediu, nem vê razão em homenagens. Apenas quer guardar a lembrança do esposo dedicado e pai carinhoso que ele foi.
Profissional competente, dedicado e leal, atleta exemplar, amigo afável e educado, “Zazá” , como era carinhosamente chamado por seus amigos, será sempre lembrado com muito carinho por todos aqueles que com ele conviveram.
07/04/71 – MARIA ALICE MATOS (Empregada doméstica – Rio de Janeiro)

Morta por terroristas quando do assalto a um depósito de material de construção.
15/04/71 – HENNING ALBERT BOILESEN (Industrial – São Paulo)

Quando da criação da Operação Bandeirante, o então comandante do II Exército, general Canavarro, reuniu-se com o governador do Estado de São Paulo, várias autoridades federais, estaduais, municipais e com industriais paulistas para solicitar o apoio para um órgão que necessitava ser criado com rapidez, a fim de fazer frente ao crescente terrorismo que estava em curso no estado de São Paulo.
A pedido de Carlos Lamarca, os terroristas escolheram três nomes para serem assassinados, como forma de intimidar os colaboradores da OBan. Estes eram: Henning A. Boilesen, Peri Igel e Sebastião Camargo (Camargo Correia) O primeiro escolhido foi o presidente da Ultragás, Henning Albert Boilesen, um dinamarquês, naturalizado brasileiro.
A partir da segunda quinzena de janeiro de 1971, iniciaram-se os levantamentos do industrial paulista, dos quais participaram: Devanir José de Carvalho, Dimas Antonio Casemiro, Gilberto Faria Lima e José Dan de Carvalho, pelo MRT; Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, pela ALN; Gregório Mendonça e Laerte Dorneles Méliga, pela VPR.
No dia 15 de abril de 1971 um Comando Revolucionário, integrado pelos terroristas Yuri Xavier Pereira, Joaquim Alencar Seixas, José Milton Barbosa, Dimas Antonio Casimiro e Antonio Sérgio de Matos, covardemente assassinou Boilesen. Quando o carro de Boilesen entrou na Alameda Casa Branca, dois carros dos terroristas emparelharam com o dele. Pela esquerda, Yuri, colocando um fuzil para fora da janela, disparou um tiro que foi raspar a cabeça de Boilesen. Este saiu do automóvel que dirigia e tentou correr em direção contrária aos carros. Foi inútil. José Milton descarregou sua metralhadora nas costas do industrial e Yuri desfechou-lhe mais três tiros de fuzil. Cambaleando, Boilesen arrastou-se por mais alguns metros e foi cair na sarjeta, junto de um Volkswagen. Aproximando-se, Yuri disparou mais um tiro que lhe arrancou a maior parte da face esquerda. Joaquim Alencar Seixas e Gilberto Faria Lima jogaram os panfletos por cima do cadáver. No relatório escrito por Yuri, e apreendido pela polícia, aparecem as frases “durante a fuga trocávamos olhares de contentamento e satisfação. Mais uma vitória da Revolução Brasileira”.
Vários carros e casas foram atingidos por projéteis. Caídas, duas senhoras, uma atingida no ombro e outra ferida numa perna. Sobre o corpo de Boilesen, mutilado com dezenove tiros, os panfletos da ALN e do MRT, dirigidos “Ao Povo Brasileiro”, traziam a ameaça:
“Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente”.

10/04/74 – GERALDO JOSÉ NOGUEIRA (Soldado PM – São Paulo)

Morto quando da captura de terroristas.
Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Texto adaptado de: TERNUMA