quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Frades Dominicanos

Felix Maier
Abaixo, verbete que consta de meu trabalho “Arquivos I - Uma história da Intolerância”, ainda em andamento, mas já disponível no site Usina de Letras, link “Artigos”, que trata da participação de antigos jornalistas do Grupo Abril com a gangue terrorista de Marighela, os quais foram recrutados por Frei Beto.
“Frades dominicanos - No início de 1968, houve várias reuniões no Convento dos Dominicanos do Bairro das Perdizes, em São Paulo, lideradas por Frei Osvaldo Augusto de Rezende Júnior, congregando frades para tomada de posição política, que culminaria com a adesão do grupo ao Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP) – que teve, ainda naquele ano, mudado seu nome para Ação Libertadora Nacional (ALN). Participaram das reuniões Frei Carlos Alberto Libânio Christo (Frei Beto), Frei Fernando de Brito (Frei Timóteo Martins), Frei João Antônio Caldas Valença (Frei Maurício), Frei Tito de Alencar Ramos, Frei Luiz Ratton, Frei Magno José Vilela e Frei Francisco Pereira Araújo (Frei Chico). Frei Osvaldo, apresentando Marighela a Frei Beto, conseguiu a adesão ao AC/SP de todos os dominicanos que participaram das reuniões. Frei Beto também entrou em contato com a VPR por intermédio de Dulce de Souza Maia, nos meios teatrais, onde Frei Beto atuava como repórter da “Folha da Tarde”. A primeira tarefa que os dominicanos receberam de Marighela foi fazer um levantamento de áreas ao longo da Rodovia Belém-Brasília, para implantação de uma guerrilha rural. A área de Conceição do Araguaia, onde a ordem dominicana possuía um convento, foi assinalada no mapa como área prioritária, pois teria importante apoio logístico. O levantamento sócio-econômico da região foi feito com base no “Guia Quatro Rodas”, da Editora Abril. Esse trabalho passou a ser compartimentado, para aumentar a segurança, e os frades passaram a utilizar codinomes: Frei Ivo, o Pedro; Frei Osvaldo, o Sérgio ou Gaspar I, nos contatos que este tinha com Marighela; Frei Magno, o Leonardo ou Gaspar, era quem mantinha contato com Joaquim Câmara Ferreira; Frei Beto, o Vítor ou Ronaldo, ficou encarregado do sistema de imprensa e também dos contatos com Joaquim Câmara Ferreira, que coordenava as atividades do Agrupamento em São Paulo (o AC/SP se infiltrou na Editora Abril e no jornal “Folha da Tarde”, do Grupo Folha). Na “Folha da Tarde”, Frei Beto recrutou os jornalistas Jorge Miranda Jordão (Diretor), Luiz Roberto Clauset, Rose Nogueira e Carlos Guilherme de Mendonça Penafiel. Clauset e Penafiel cuidavam da preparação de “documentos”, e Rose, do encaminhamento de pessoas para o exterior. Na Editora Abril, a base de apoio era de aproximadamente 20 pessoas, comandadas pelo jornalista Roger Karman, e composta por Karman, Raymond Cohen, Yara Forte, Paulo Viana, George Duque Estrada, Milton Severiano, Sérgio Capozzi e outros, que elaboraram um arquivo secreto sobre as organizações armadas (servia também como fonte de informações para organizações subversivas). O AC/SP tinha assistência jurídica, composta de 3 advogados: Nina Carvalho, Modesto Souza Barros Carvalhosa e Raimundo Paschoal Barbosa. Quando procurado pela polícia, em São Paulo, Frei Beto, que havia ingressado no convento dos dominicanos, em São Paulo, em 1966, foi acobertado pelo Provincial da Ordem, Frei Domingos Maia Leite, e transferido para o seminário dominicano Christo Rei, em São Leopoldo, RS. Frei Beto foi preso no RS, onde atuava junto com a ALN para fuga de terroristas ao Uruguai.”
A respeito de Marighela e de seu grupo criminoso, sugiro acessar http://www.ternuma.com.br/ciazambuja.htm .
Atenciosamente,

Félix Maier
P.S.: O coronel Lício Maciel, cujo grupo de combate (GC) prendeu José Genoino, em seu livro “Guerrilha do Araguaia - Relato de um combatente”, disse que um outro GC tomou, à força, um cristal de um transmissor, que tinha contato com Tirana, na Albânia (Como se sabe, o PCdoB tinha aquele país como “farol” do seu movimento). E onde estava a estação-rádio? Ora, num convento dos ... frades dominicanos, no interior de Goiás. Meu tio materno Arno Preis tinha também ligações com essa gente, tanto é que foi morto no antigo estado de Goiás, hoje Tocantins, depois de matar um soldado da PM e ferir outro. Donde se depreende que a Guerrilha do Araguaia foi muito mais do que se diz sobre os mortos e desaparecidos do PCdoB. Esse movimento subversivo comunista era muito mais abrangente. Sorte do Brasil que não vingou a ideia de transformar nosso País em um “paraíso” cubano, sonho de Frei Beto até os dias de hoje.
P.P.S.: Talvez seja esse um dos motivos de a revista Veja até hoje tratar a Contra-Revolução de 1964 como uma simples quartelada e ignorar solenemente os livros escritos por militares a respeito da luta armada, a exemplo de “A Verdade Sufocada”, do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chegou a estar entre os 3 livros mais vendidos no Brasil, segundo noticiou o Jornal do Brasil. Se, ao contrário, algum jornalista do Grupo Abril metido com o grupo terrorista de Marighela tivesse escrito um libreto sobre a Guerrilha do Araguaia, com certeza isso se transformaria num ensaio de várias páginas de Veja.
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A ALN também consta de "Arquivos I":
"ALN - Ação Libertadora Nacional: grupo terrorista, cujos fundos eram obtidos por assaltos e dinheiro recebido de Cuba. Somente a partir de 1969 o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP) passaria a utilizar a denominação Ação Libertadora Nacional (ALN); o AC/SP havia sido criado em 1967 pelo terrorista Carlos Marighela, após este ser expulso do PCB, depois da Conferência da OLAS, em Cuba. Sua obra “Minimanual do Guerrilheiro Urbano” foi traduzida para vários idiomas e foi o “livro de cabeceira” dos grupos terroristas “Brigadas Vermelhas”, da Itália, e “Baader-Meinhoff, da Alemanha (“... os “tiras” e policiais militares que têm sido mortos em choques sangrentos com os guerrilheiros urbanos, tudo isto atesta que estamos em plena guerra revolucionária e que a guerra só pode ser feita através de meios violentos.” - trecho do “Minimanual”). No dia 10 Ago 1968, a ALN assaltou o trem-pagador Santos-Jundiaí, levando NCr$ 108 milhões, ação que consolidou a entrada da ALN na luta armada; nesse assalto, participou o Secretário-Geral do Governo Fernando Henrique Cardoso (depois Ministro da Justiça), Aloysio Nunes Ferreira Filho, que fugiu em seguida para Paris com sua esposa Vera Trude de Souza, com documentos falsos. Junto com o grupo terrorista MR-8, de Fernando Gabeira, a ALN seqüestra o embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, no Rio de Janeiro, em 4 Set 1969, por cujo resgate foram libertados 15 terroristas (entre os quais estavam Vladimir Palmeira e José Dirceu).
Marighela foi morto pela polícia em São Paulo, no dia 4 Nov 1969: após o seqüestro do embaixador americano, as prisões de terroristas tiveram seqüência: no dia 1º de outubro foi preso em São Sebastião, SP, o coordenador do setor de apoio, Paulo de Tarso; no dia 2 Nov foram presos no Rio de Janeiro os Freis Fernando e Ivo; no dia 3 Nov, já em São Paulo, Frei Fernando “abriu” o restante da rede de apoio, sendo presos os Freis Tito e Jorge, um ex-repórter da Folha da Tarde, responsável pelas fotos dos documentos falsos, e um casal de ex-diretores do mesmo Jornal; Frei Fernando foi quem levou ao “ponto” com Marighela, no dia 4 Nov, após revelar duas senhas, pois era o responsável pela coordenação das atividades dos dominicanos com Marighela, desde a saída de Frei Osvaldo de São Paulo, em junho daquele ano; combinado o encontro com Frei Fernando, Marighela resistiu à ordem de prisão quando entrava no carro de Frei Fernando, sacando um revólver, quando foi morto pelos policiais; a morte de Marighela repercutiu no Brasil e no exterior; com a morte de Marighela, assumiu o comando Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo”, que viajou a Cuba com Zilda Xavier para receber instruções de Fidel Castro, país em que um dos fundadores da ALN, Agonalto Pacheco, estava em choque com as autoridades locais, especialmente o comandante Manuel Piñero, o “Barbarroxa”, acusado de desvirtuar as iniciativas do AC/SP. Câmara Ferreira foi preso no dia 23 Out 1970, em São Paulo; cardíaco, sofreu enfarte na viatura policial, vindo a falecer; Carlos Eugênio Paz, em seu livro “Viagem à Luta Armada” (Editora Civilização Brasileira, 228 páginas, 1996), fantasia a história, dizendo que “Toledo” foi torturado até a morte pelo delegado Fleury; essa versão é negada por Luís Mir (“A Revolução Impossível”, pg. 560); em um bolso de “Toledo”, foi encontrada carta de Frei Osvaldo Rezende, onde constavam contatos internacionais, projetos políticos e ligações com os Governos cubano e argelino; o Governo brasileiro denunciou à ONU a ingerência em seus assuntos de países que não respeitavam o direito internacional – o que não teve nenhuma conseqüência prática. Em 7 Set 1970, João Alberto Rodrigues Capiberibe (mais tarde Governador do Amapá), “militante” da ALN, foi preso junto com sua mulher Janete e sua cunhada Eliane. Em 23 Mar 1971, a ALN faz o “justiçamento” de um “quadro”, Márcio Leite de Toledo; Carlos Eugênio Paz, em seu livro “Viagem à Luta Armada”, afirma que foi co-autor desse “justiçamento”. Junto com o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), a ALN assassina o industrial Henning Albert Boilesen, diretor do Grupo Ultra, no dia 16 Abr 1971 (Sebastião Camargo, da empresa Camargo Correia, era também alvo para seqüestro e “justiçamento”, mas prevaleceu a escolha de Boilesen, porque era considerado “espião da CIA” e patrocinador da OBAN). Terroristas da VAR-Palmares, da ALN e do PCBR assassinam o marujo da flotilha inglesa que visita o Rio de Janeiro, David A. Cuthbert, de 19 anos, no dia 08 Jan 1972; nos panfletos, os terroristas afirmaram que a ação era em solidariedade à luta do IRA contra os ingleses. Em 1971, a ALN divide-se em duas facções: o Movimento de Libertação Nacional (MOLIPO), fundado pelo serviço secreto cubano (José Dirceu, Chefe da Casa Civil da Presidência durante o Governo Lula, era um dos integrantes), e a Tendência Leninista (TL). Em 1972, a ALN/SP assassina o gerente da firma F. Monteiro S/A, Valter Cesar Galatti, ferindo ainda o subgerente Maurílio Ramalho e o despachante Rosalino Fernandes; em 1972, terroristas da ALN/GB, do MOLIPO e da ALN/SP assassinam o investigador Mário Domingos Pazariello, o soldado da PM/GO, Luzimar Machado de Oliveira e o cabo da PM/SP, Sylas Bispo Feche; a ALN/GB assassina em 1972 Íris do Amaral. No dia 21 Fev 1973, a ALN formou um grupo de execução, integrado por 3 terroristas, que assassinaram o proprietário do Restaurante Varela, o português Manoel Henrique de Oliveira, acusado de ter denunciado à polícia, no dia 14 Jun 1972, a presença de quatro terroristas que almoçavam em seu Restaurante, três dos quais morreram logo após (na verdade, os terroristas mortos estavam sendo seguidos pelo DOI-CODI). No dia 25 Fev 1973, terroristas da ALN, da VAR-Palmares e do PCBR assassinaram em Copacabana o Delegado Octávio Gonçalves Moreira Júnior. Pelo extenso “currículo” de Marighela, seus familiares receberam mais de 100 mil dólares de “indenização”, outorgada pela famigerada “Comissão dos desaparecidos políticos”, criada no primeiro Governo FHC. Além de Marighela, outro terrorista de destaque foi Carlos Eugênio Sarmento da Paz, que confessou ter praticado em torno de 10 assassinatos. Jessie Jane Vieira de Souza, outra “militante” da ALN, que participou do seqüestro de um avião, é hoje diretora do Arquivo Público do Rio de Janeiro. Com o auxílio do Movimento Comunista Internacional (MCI) e de padres dominicanos, como Frei Beto, a ALN tinha um sistema de propaganda no exterior, a FBI."
Em "Arquivos I", no Usina de Letras, veja ainda os verbetes AI-5, CEIAL, Frente Brasileira de Informações (FBI), Foquismo, Frades dominicanos, Libro Blanco, M3G, MOLIPO, OCLAE, OLAS, Organizações subversivas brasileiras, OSPAAAL, PCBR, Pinar del Río, Revolução de 1968, Seqüestro de aviões, Violência estudantil, VPR e www.olavodecarvalho.org/textos/sseal.htm.
Félix Maier
Militar da reserva e escritor, autor de
“Egito - Uma viagem ao berço de nossa civilização”, Thesaurus, Brasília, 1995.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Truculenta Sanha

por Agnaldo Del Nero Augusto
“La vem, como o furacão/ 
A desabar da montanha./ 
E na truculenta sanha./ 
No torvo rancor eterno./ 
De recalcada vindita./ 
Vibra essa prosa maldita/. 
Como um corisco do inferno.“
Bulhões Pato (Livro do Monte)
O fanático, movido pela paixão, sobrepõe-se à lucidez e à razão. Atormentado com sua ideia fixa de vingança, amargurado por sua obsessão, ultrapassa os limites da lógica. O ministro Paulo Vannuchi ultrapassou a lucidez e todos os limites da ordem democrática, ao declarar que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes “não pode ser simpático à ditadura”. 
(O ESP - 10/11/08).
Extravasou o seu ódio pelo Ministro Mendes que, ao responder à pergunta de um jornalista sobre a imprescritibilidade do crime de tortura, afirmou que se tratava de uma discussão com dupla face: O texto constitucional diz que também o crime de terrorismo é imprescritível. Vannuchi teve a desfaçatez de perguntar “quem são os terroristas”? Ele não foi só simpático ao terrorismo, participou da ALN, organização terrorista liderada por Marighela, autor do Minimanual do Guerrilheiro Urbano, que iniciava com a seguinte proclamação: “Hoje, ser ‘violento’ ou um ‘terrorista’ é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta contra a vergonhosa ditadura militar e suas atividades”. Marighela ao criar sua organização criminosa, expediu documento às demais organizações subversivas, onde critica as que buscavam evoluir na base do puro proselitismo e faz alerta claro: “Sendo o nosso caminho o da violência, do radicalismo e do terrorismo, os que afluem à nossa organização não virão enganados, e sim atraídos pela violência que nos caracteriza.”
Quando Vannuchi aderiu à ALN, aderiu, automaticamente, a esses preceitos, ou foi enganado, era um ignorante, um inocente inútil?
Consta que teve um parente morto na luta armada, cuja família já recebeu indenização, por ter perdido a guerra. Alguém já disse, em certo momento, que já não se sabia se essa era uma nobre luta, ou um bom investimento. Com a criação da ‘Bolsa Ditadura’, além de terroristas, tornaram-se sicários.
Um juiz não tem que expressar simpatia nenhuma, tem que interpretar a lei. Se a interpretação é contrária ao desejo, aos propósitos dos revanchistas, vem a contestação, não a contradita, não a alegação forense, mas a tentativa de desqualificação, ou mesmo a injúria. Não foi assim com o parecer da Advocacia Geral de União sobre o mesmo tema? Não se fez pressão sobre os advogados, inclusive com a interferência do apedeuta-mór? O senhor Vannuchi, em documento enviado a AGU, não só contestou o parecer, mais do que isso, desqualificou o Ministério Público, que, no seu conceito, não é competente para atuar na área dos direitos humanos. Ele é competente, o assunto é do interesse de todos. Com respeito, atendo-se ao texto da lei, a AGU contestou a ação do Ministério Público Federal.
Nessa entrevista, com o maior cinismo, o Sr Vannuchi, perguntou: quem são os terroristas? Como se eles não existissem. Alguns são seus colegas de Ministério. Muitos foram seus companheiros de militância. Abram os Arquivos e saberão quem são os terroristas. São tantos que é inviável nominá-los em um artigo, mas eles têm sido indicados, com nome, sobrenome e seu(s) respectivos codinomes no site do TERNUMA, que ele bem conhece. Não surpreende, se com o mesmo impudor, amanhã perguntar: que atos terroristas? De que atos de terror vai querer saber? Do primeiro, realizado na manhã de 31 de março de 1966, no Parque Treze de Maio, em Recife, ou o mais impactante, realizado em 25 de julho, desse mesmo ano, marco inicial da luta terrorista, perpetrado no Aeroporto Internacional de Guararapes, também em Recife, com duas mortes e onze feridos, entre eles três mulheres e uma criança. Das ações contra organizações militares, do estraçalhamento do corpo do sentinela Mario Kozel Filho ou o massacre do tenente Alberto Mendes Jr. Dos assassinatos do Major Edward Von Westenhagem, do capitão Charles R. Chandler, do marinheiro inglês David Cutthberg. Do terrorismo seletivo, de que foram vítimas o industrial Henning Albert Boilesen, o delegado Dr Octávio G Moreira Junior, o comerciante Manoel H de Oliveira. O Dr Vannuchi sabe o que é o terrorismo seletivo e com que propósito são perpetrados.
Voltemos às suas declarações. Que objetivos tinha ao lançar essa injúria pública ao eminente juiz, presidente do Tribunal, que ao fim deverá por cobro à polêmica? São várias as hipóteses. Deixo à reflexão do leitor a escolha da mais adequada.
A ofensa à dignidade ou decoro de um juiz é da maior gravidade. Em especial se parte de um ministro, e se essa ofensa é dirigida, publicamente, ao presidente do Supremo Tribunal Federal. Quebra-se a harmonia e arranha-se a independência entre os poderes, princípio basilar da democracia e faz periclitar o Estado de Direito.
Mexeram no vespeiro e quando se aproxima a hora da verdade, bate o desespero e expõem sua truculenta sanha.
Fonte: Ternuma

La Verdad Sobre el Obispo

Las reuniones y acuerdos misteriosos del Obispo
por LUÍS AGÜERO WAGNER
Las reuniones misteriosas del obispo Fernando Lugo ya se han hecho un hábito, generando más dudas que respuestas sobre el rumbo de su gestión al frente del gobierno.
El presidente Fernando Lugo recibió el martes en la residencia oficial a un grupo de congresistas de los Estados Unidos encabezados por Elio L. Angel, informó el vocero Rubén Penayo.
El funcionario dijo a la AP que Angel "es miembro de la cámara de representantes por el Partido Demócrata en Nueva York y presidente del subcomité sobre el hemisferio occidental del comité de relaciones exteriores".
"Lo acompañaron otros siete legisladores", acotó Penayo, aclarando que no se difundirá ningún comunicado sobre la reunión privada, aunque se desconoce el motivo del misterio.
ACUERDOS SECRETOS CON URIBE
El misterio en torno a las reuniones con los congresistas no es una novedad en el accionar del obispo, quien el 20 de abril ganó las elecciones en ancas de la intervención del embajador norteamericano James Cason, e impulsado por movimientos financiados por USAID.
Aunque la prensa dedica grandes espacios al acuerdo de Hugo Chávez con Fernando Lugo, ignora olímpicamente los documentos firmados con Uribe, con quien el obispo se reunió en varias oportunidades sin herir la susceptibilidad de nadie. Jamás fueron cuestionados los acuerdos con Estados Unidos, ni se difundieron las razones que llevaron al clérigo-presidente a reunirse con el archi-desprestigiado George W. Bush.
La prensa paraguaya informó el viernes 5 de setiembre de 2008 que la embajadora de los Estados Unidos en Paraguay, Liliana Ayalde, sugestivamente visitó al ministro del Interior, Rafael Filizzola.
En la ocasión, la representante de George W. Bush enfatizó el interés de su país de “apoyar y acompañar los programas” de seguridad de Paraguay. La diplomática no descartó una cooperación para el fortalecimiento de la Policía Nacional, que se realizaría en el marco del Programa Umbral. Ver: ABC Digital-Asunción, 5 Set 08.
La diplomática acotó que “básicamente estuvimos repasando lo que la cooperación del Gobierno de Estados Unidos ha venido trabajando y algunos temas posibles para el futuro”. Añade que hablaron de “algún posible apoyo a la Policía”.
El tipo de “apoyo” en la materia que ha brindado Estados Unidos en el pasado a Paraguay es bien conocido por quienes sufrieron cárcel, destierro y tormentos en los centros de detención que bajo la atenta mirada de la CIA norteamericana, mantuvo el dictador anticomunista Alfredo Stroessner entre 1954 y 1989.
Pocas semanas después, el obispo y su ministro del interior viajaron a Colombia, donde la embajadora Ayalde dirigió la oficina de USAID, para firmar acuerdos con Alvaro Uribe.
EN COLOMBIA
"Con radicalidad, con serenidad, pero con firmeza hemos condenado todo tipo de violencia: pequeña, grande, ideológica, guerrillera, de ejércitos irregulares... ningún tipo de violencia cabe en nuestra mentalidad y no tendrá cabida en nuestro país mientras nosotros seamos Gobierno", dijo el supuesto teólogo de la liberación tercermundista Fernando Lugo abrazado al narco-presidente de Colombia Álvaro Uribe, el lunes 29 de setiembre de 2008 en Bogotá.
Se entiende de sus declaraciones una tácita condena a las FARC, a pesar de que la teología de la liberación es un movimiento que cobró auge a través de religiosos adscriptos al movimiento marxisto-guerrillero latinoamericano.
Antes de concluir su visita de 24 horas, Lugo ya había pasado del dicho al hecho en materia de cooperación y anunció que su ministro del Interior, Rafael Filizzona, se queda unos días en Colombia para que las autoridades paraguayas se capaciten en temas de seguridad y secuestro.
"Se queda el Ministro del Interior para contactar y concretar los aspectos de cooperación en la formación de Policía antisecuestro en Paraguay y para que la Policía de Paraguay pueda venir a hacer cursos aquí en Colombia (...) También está el ofrecimiento de que vayan profesores de la Policía Antisecuestro de Colombia a impartir clases y experiencias (en Paraguay)", comentó Lugo en la conferencia de prensa.
Precisamente el mismo secretario de estado hace poco había recibido la visita y las instrucciones de la representante del terrorista en jefe del mundo libre, George W. Bush, en su mismo despacho en el ministerio del Interior.
La penetración de los organismos de seguridad en América Latina durante el siglo XX constituye, sin ninguna duda posible, uno de los episodios más siniestros y vergonzosos en la historia del imperialismo.
EN NEW YORK Y COREA
Jamás fueron difundidos los motivos de la visita del obispo a Corea, sólo se sabe que su campaña fue fuertemente apoyada por la Secta Moon. También se ignora los temas tratados con David Rockefeller en New York, o con referentes de la mafia ítalo-norteamericana como John Tonelli. Lo único cierto es que ofició de guía turístico en la gran manzana Conrado Pappalardo, un personaje conocido por haber operado para el Plan Cóndor y haber proveído pasaportes para el asesinato en Washington de Orlando Letelier.
VISITA DE ROGER NORIEGA
Ninguna prueba, ninguna rectificación ni desmentido puede anular el efecto de una publicidad bien hecha decía el filósofo alemán Hermann Keyserling, y un famoso escritor norteamericano afirmaba que la mejor prueba de una inteligencia superior es la capacidad de sostener dos ideas contrarias en la mente.
Es precisamente el elogio que podríamos hacer a los propagandistas del obispo Fernando Lugo, quienes lograron gran difusión para la visita a Fernando Lugo de Leonardo Boff y la hija del Che Guevara, pero lograron mantener en el más estricto secreto la reunión que tuvieron ayer los halcones James Cason y Roger Noriega con el obispo de los pobres y clérigo-presidente.
Al golpe publicitario para euforizar a la conformista izquierda, con las visitas de Aleida y Leonardo, siguieron los misteriosos encuentros con James Cason y Roger Noriega, quienes buscaron eludir a la prensa, sin éxito, y fueron sorprendidos exultantes y a los arrumacos.
“Ahora estoy en el sector privado y vine con representantes del sector privado de Estados Unidos, están visitando su país, para revisar las oportunidades que existen aquí para participar del desarrollo social y económico con Paraguay y contribuir a las buenas relaciones entre Estados Unidos y Paraguay que históricamente fueron muy positivas”, expresó Noriega, uno de los más acérrimos críticos y desestabilizadores de la Venezuela bolivariana.
¿Quiénes están detrás del Obispo?
Todo el andamiaje de la CIA y sus extensiones y derivados, como USAID, la National Endowment for Democracy y la prensa adicta al imperio, se jugó por el obispo Fernando Lugo el 20 de abril.
En Paraguay, llamó la atención que las ONGs recibieran fuertes donaciones a partir de la llegada al país del embajador James Cason, un conocido desestabilizador apadrinado por Otto Reich. El objetivo de la operación encubierta era sufragar la alternancia en el poder, ubicando al obispo Fernando Lugo en la presidencia de Paraguay.
Entre las numerosas organizaciones beneficiarias de estos dólares distribuidos por la administración de George W. Bush que apoyaron a la campaña del obispo, sobresalieron Gestión Local y la Casa de la Juventud, que financiaron con fondos de USAID e IAF a los movimientos Tekojoja y Pmas, como en Nicaragua la NED y otros organismos alternativos de la CIA propiciaron la elección de Violeta Chamorro en 1989.
Las organizaciones no gubernamentales y voluntarias — lo que hoy conocemos por sociedad civil — son conocidas como una extensión de las políticas neoliberales de EE UU en todo el mundo.
La CIA y la US Agency for International Development (USAID ó AID) tienen un protagonismo central en el esquema de promover las ideas y hechos políticos favorables al imperio, y a ellas se añadió un nuevo organismo, creado en 1983, bautizado como The National Endowment for Democracy (NED).
En Paraguay, la NED ejerce un control total sobre la prensa mediática, a la que presenta listas indicando cuáles son los referentes políticos que puede promocionar. Son los principales referentes de la NED los propietarios de ABC color y radio Ñandutí, Aldo Zucolillo y Humberto Rubín, dueños de gran parte de lo que en el país se puede decir. En Brasil, a comienzos de los 60, se utilizaron idénticas operaciones de la CIA junto a las de la sociedad civil opuesta al gobierno, con el resultado de provocar el golpe militar de 1964 contra el presidente Joâo Goulart, que dio comienzo a 20 años de una represión política indescriptiblemente brutal.
En fechas más recientes coordinaron un golpe mediático contra el gobierno de Raúl Cubas en Paraguay (marzo de 1999) y aceitaron a la sociedad civil de oposición al gobierno venezolano de Hugo Chávez, donde el papel de organismos gubernamentales estadounidenses, la CIA y otros como la AID y la NED detrás del fallido golpe de estado de abril de 2002 fue evidente.
El embajador norteamericano James Cason, como un flautista de Hamelín dedicado a cantar folklore paraguayo, fue determinante para alinear a todas las ONGs y fundaciones que reciben dólares americanos detrás del clérigo-presidente, sobrino del agente de la CIA Epifanio Méndez (delatado por Agee) y que perpetúa hoy la tradición familiar.
Entre las organizaciones aparecieron incluso grupos de feministas, que se vieron obligadas a impulsar una candidatura de un obispo católico, a pesar del clásico antagonismo con el Vaticano.
Entre estas supuestas organizaciones civiles estuvieron las feministas de convicciones subsidiadas por USAID como las Mujeres Políticas en Red, Parlamento Mujer, Red de Mujeres Políticas, Red de Mujeres Munícipes del Paraguay (RMMP), Coordinadora Interpartidaria de Mujeres del Paraguay (CIMPAR), Mujeres Políticas por la Democracia y el Desarrollo, etc.
Son sufragadas desde la embajada norteamericana además de las redes de mujeres, Ideco (Roberto Ferreira), el Partido Demócrata Cristiano, Partido Encuentro Nacional, Patria Querida, el grupo de adherentes del Partido Unace que lidera Emma Rolón, la Red de Contralorías ciudadanas del Paraguay, la Contraloría Ciudadana de Ypané, Afosci, CIDSEP, CISNI, Fedem, Transparencia Paraguay, Semillas para la Democracia, radio Los Angeles, Radio Comunitaria de Villa Elisa, Fundación Tierra Nueva y GEAM, todos estos grupos aglutinados en el Grupo impulsor para la Regulación del Financiamiento Político en Paraguay.
La nómina sigue con Sakã (transparencia, en guaraní), integrada por cinco organizaciones no gubernamentales, Gestión Local, vinculada al Moviendo Tekojoja. Los "proyectistas" son Raúl Monte Domecq y Guillermina Kanonnikoff.
Otros grupos paraguayos financiados por extensiones de la CIA son Decidamos, Instituto de Geopolítica y Estudios Internacionales (IPEGEI), Radio CARITAS, Mujeres Por la Democracia, Centro Paraguayo de Estudios Sociológicos Fundación Paraguaya para la Cooperación y Desarrollo, Centro de Estudios Democráticos (CED), Centro de Información y Recursos para el Desarrollo, Instituto de derecho y Economía Ambiental, Centro de Estudios y Formación para el Ecodesarrollo, Asociación de Empresarios, Comité Paraguay-Kansas, Asociación Afro Paraguaya Kamba Cua, Centro Interdisciplinario de Derecho Social y Economía Política, Fundación Arlequín Teatro", Casa de la Juventud – Paraguay, cuna del Pmas de Camilo Soares, Cooperativa La Norteña y la Escuela Agrícola de Carumbey, Instituto de Estudios Comparados en Ciencias Penales y Sociales.
En el marco de la campaña pro-obispo, maletines de George W. Bush ingresaron en forma encubierta en Paraguay, yendo a parar a los bolsillos de los partidarios del obispo de los pobres y teólogo de la liberación, el marxista clérigo-presidente Fernando Lugo.
Por ejemplo, los 45,226.96 dólares que en nombre del Plan Umbral recibió recientemente la guevarista Casa de la Juventud (ONG que recauda para el PMas) de mano de organismos imperialistas bajo control de George W. Bush, supuestamente para enseñar a estudiantes secundarios algo fundamental: "identificar la corrupción" en Paraguay. Se suma el dinero a los 127.000 con que anteriormente les benefició la IAF. Se añaden en el mismo contexto las fuertes sumas que recibe Gestión Local, ONG cuyos responsables son a la vez financistas de Tekojoja, o los 132.700 dólares que en el 2006 recibió la Fundación Arlequín Tetro (refugio de organizadores de manifestaciones contra la actual administración municipal) para objetivos tan relacionados con el arte escénico como "ayudar a adolescentes de centros educativos a identificar, estudiar, discutir y atender las prioridades de la comunidad". Debemos agregar los 116.300 dólares de George W. Bush recibidos en el 2006 por el CIDSEP, los 95.000 dólares recibidos por la Fundación paraguaya para la Cooperación y Desarrollo del ex intendente Martín Burt, los 94.000 depositados a nombre de la ADEC, los 27.500 donados a la CPES de Domingo Rivarola, los 164.404 aportados a la CED, o las importantes donaciones que reciben el CIRD de Agustín Carrizosa para "apoyar a las organizaciones de la sociedad civil", la IDEA de Patricia Abed, o los sensibles ecologistas de Alter Vida como Jorge Lara Castro.
Como puede advertirse, la lista es bastante extensa y garantiza un amplio control sobre la "sociedad civil" paraguaya. No es la victoria electoral del Obispo Fernando Lugo la primera operación exitosa de la NED, USAID y la CIA en Paraguay, que ya actuó en Paraguay con eficacia varias veces. Por ejemplo, cuando en 1989 se derrumbaba la Unión Soviética, y con ella la propaganda con que el dictador Alfredo Stroessner justificaba sus abusos, se aseguró de promover un cambio a la medida de los intereses imperialistas, limpiando expedientes y ubicando en la presidencia a un célebre narcotraficante.
El mismo año el gobierno norteamericano invirtió mil millones de dólares en el triunfo de Violeta Chamorro en Nicaragua, imponiendo así una jefa de estado con los billetes provenientes de la National Endowment for Democracy, un inofensivo organismo llamado a tomar la posta de la CIA desde 1983.
Considerando inminente el fin de Stroessner, el imperio norteamericano se movilizó en ese entonces para impedir que sus adversarios tomen las riendas a su caída, para lo cual se apresuró a ganar para su causa a los disidentes con una muy buena remuneración.
El encargado de distribuír los dólares para "el cambio" fue el Dr. Carl Gershman, presidente de la NED. La Freedom House funcionó como un embudo por donde pasaron los fondos que concedía la NED, y gran parte de ellos fueron a parar a los bolsillos de los comunicadores destacados.
Radio Ñandutí, a través de la Casa de la Libertad, recibió importantes sumas de dinero de la National Endowment for Democracy (NED). Leonard Sussman, agente de la CIA y Director Ejecutivo de la Casa de la Libertad, realizó una visita a Paraguay a fines de 1987, guiado por Humberto Rubín, estableciendo contactos con varias organizaciones que luego recibirían fondos de la NED. El objetivo era "madurar" la idea del cambio.
A partir de entonces, estos organismos promovieron la estructuración de un andamiaje que hoy controla todo lo que en Paraguay se puede decir, paradójicamente con la coartada de que defienden la libertad de expresión.
Un organismo es la Cámara de Anunciantes del Paraguay (CAP), a la que acompaña Cerneco. Reciben con frecuencia los auspicios de USAID. Por ejemplo, el "Foro por la libertad de expresión", organizado por la Cámara de Anunciantes del Paraguay (CAP) y CERNECO en noviembre de 2004, fue auspiciada por la USAID (Agencia Internacional de desarrollo de los Estados Unidos). A este "Foro" asistió el señor Kevin Goldberg, "experto norteamericano en Libertad de Expresión y Derecho a la Información". Otro apéndice de la embajada norteamericana es el Centro de Regulación, Normas y Estudios de la Comunicación (CERNECO), fundado en 1990. Humberto Rubin, vinculado con la Nacional Endowment for Democracy (NED), fue presidente de CERNECO entre 1992-2002.
CERNECO proclama que "Surgió como un medio para canalizar inquietudes, ideales y el espíritu de servicio y progreso de un grupo de personas vinculadas al campo de la comunicación masiva".
Se formó una línea de acción que enfocaba el tema del Código de Ética, que regulaba la conducta de los propios medios de comunicación, de las empresas anunciantes y de las agencias de publicidad. Integraron la comisión pro-Código de Ética: Carlos Jorge Biedermann, Rufo Medina e Ilde Silvero. Rufo Medina e Ilde Silvero son empleados de Aldo Zuccolillo, dueño del diario ABC Color. En cuanto a Carlos Jorge Biedermann, basta con señalar que es yerno del general de la "Operación Cóndor", Guillermo Federico Clebsch, egresado de la Escuela de las Américas, detalle que alcanza para conocer cuál es la tendencia de su "ética".
Otra organización vinculada a este grupo es CONAR: Consejo de Autorregulación Publicitaria de CERNECO, un ente privado cuyo objetivo es la autorregulación de la publicidad, proponiendo a través de sus recomendaciones, que los mensajes publicitarios se encuadren dentro de los principios de la legalidad, honestidad, decencia y veracidad".
Toda esa estructura estuvo al servicio del Obispo Fernando Lugo, en una operación magistralmente coordinada por el desestabilizador estrella de George W. Bush, James Cason, y presentada ante la prensa mediática y los incautos como "un gran triunfo de la izquierda". Lo que se dice una perfecta operación encubierta de la CIA en Paraguay.
Fonte: recebido por correio eletrônico

Eles Só Queriam Trocar de Ditadura

por Augusto Nunes
"Ainda bem que a gente não chegou ao poder, porque, se isso acontecesse, teria de devolver no dia seguinte", sorriu Vladimir Palmeira no meio do debate promovido na noite de lançamento do livro de Evandro Teixeira sobre a Passeata dos 100 Mil. "A gente não tinha preparo para governar país nenhum, todo mundo sabia muito pouco", admitiu. Se parasse por aí, o carismático alagoano que comandou os estudantes do Rio nos barulhos de 1968 teria resumido com elogiável precisão o estado geral do Brasil daqueles tempos. Mas Vladimir continua, 40 anos depois, louco por um microfone. E desandou na fantasia: "A gente não tinha nem mesmo um projeto de poder".
Os líderes tinham, sim, e Vladimir era o primeiro entre eles. Quem não tinha era a "massa de manobra", como se referiam os chefes à multidão dos anônimos, obedientes às ordens emanadas da comissão de frente, dos chefes de alas ou dos padrinhos da bateria. O rebanho queria a ressurreição da democracia. Os pastores queriam outra coisa, confirma Daniel Aarão Reis, ex-militante do MR-8, ex-exilado e hoje professor de história da Universidade Federal Fluminense.
"As esquerdas radicais não queriam restaurar a democracia, considerada um conceito burguês, mas instaurar o socialismo por meio de uma ditadura revolucionária", fala de cadeira Aarão Reis, que no fim da década de 60 foi o principal ideólogo de uma dissidência do PCB que seria o embrião do MR-8. Mas Aarão Reis, como Fernando Gabeira, é daqueles que se preparam a vida inteira para a vida inteira, e são sempre contemporâneos do mundo ao redor. Para ele, 1968 estendeu-se além de dezembro, mas terminou. O historiador enxerga com nitidez o que a maioria dos antigos líderes, todos sessentões mas ainda estacionados nos anos de chumbo, nem parecem vislumbrar.
"Não compartilho da lenda segundo a qual fomos — faço questão de me incluir — o braço armado de uma resistência democrática", constata. "Não existe um só documento dessas organizações que optaram pela luta armada que as apresente como instrumento da resistência democrática". A dissimulação prevalecia também nos cursinhos intensivos que formavam em marxismo-leninismo jovens que jamais passavam da terceira vírgula de O Capital. Só na entrega do diploma o monitor avisava que, depois da ditadura militar, viria a do proletariado, que substituiria a bala o capitalismo cruel. Os alunos, pinçados na "massa de manobra", não descobriam de imediato que estavam lutando por um regime tão infame quanto o imposto ao Brasil.
Os líderes não eram assim tão jovens: quem está perto (ou já passou) dos 25 anos não tem direito a molecagens e maluquices. E todos ficavam sob as asas de tutores com larga milhagem. Tão duros com o rebanho, os pastores obedeciam sem chiar aos comunistas veteranos que chefiavam as seitas. O sessentão Carlos Marighela, por exemplo, ensinava aos pupilos da ALN a beleza que há em "matar com naturalidade", ou por que "ser terrorista é motivo de orgulho". Deveriam orgulhar-se da escolha feita quando confrontados com a bifurcação escavada pelo AI-5, cumprimentava o mestre.
A rota à esquerda levava à frente de batalha onde guerreiros apoiados pelo povo aniquilariam o exército da ditadura. Vergonha deveriam sentir os que enveredaram pela caminho à direita, que desembocava na capitulação ultrajante. Surdos aos equivocados profissionais, os que se mantiveram lúcidos desbravaram uma terceira trilha e alcançaram o acampamento da resistência democrática. Estivemos certos desde sempre. Desarmados, prosseguimos a guerra contra o inimigo que os derrotara em poucos meses. E a resistência democrática venceu.
Nós lutamos pela implosão dos porões da tortura. Eles estavam longe quando Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho foram executados. E longe continuavam quando militares ultradireitistas tentaram trucidar a abertura política. Eles só voltaram do exílio e escaparam do cárcere porque nós conseguimos a Anistia.
A lei deve ser revista? Problema dos vitoriosos, que somos nós. Não deles, os que perderam todas, perderam tudo — menos a arrogância. Nós ressuscitamos a democracia. Eles se fantasiam de feridos de guerra. Exigiram empregos, indenizações, mesadas. Agora tentam expropriar a Anistia. Nós não lhes devemos nada. Eles nos devem até vida.
Fonte:  O Globo - 12 Nov 08

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Cué-Cué Marabitanas — O Arco Indigenista se Fecha Sobre a Amazônia

O sonho dos gringos é pegarem toda a serra que separa o Brasil da Venezuela e Guianas e fazer uma nova nação. Não terão muito tempo; a crise mundial lhes tirará o poder, mas temos que resistir até lá.
por Félix Maier
O livro A Farsa Ianomâmi, escrito pelo coronel do Exército Carlos Alberto Lima Menna Barreto (— MENNA BARRETO, Carlos Alberto Lima. A Farsa Ianomâmi, Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1995), põe a nu, ao provar com inúmeros documentos, a farsa do século passado, que foi a criação da Terra Indígena Ianomâmi (TI Ianomâmi). Na verdade, o blefe monumental foi arquitetado por uma fotógrafa belga, Cláudia Andujar, que reuniu algumas tribos, que não tinham nenhuma relação entre si, e criou a "nação imemorial dos ianomâmis", com o total apoio dos caciques brancos de Brasília.
O livro de Menna Barreto tem a apresentação feita pelo general-de-divisão Carlos de Meira Mattos, que assim inicia seu escrito:
"A questão ianomâmi, como é apresentada pelos interesses alienígenas, clama contra a lógica e o bom senso. Como reivindicar o controle político de um território brasileiro da extensão de 94.1991 km2 (semelhante à área de Santa Catarina e três vezes a superfície da Bélgica), para uma tribo que o habita, de 5.000 índios, no máximo, e que vive, até hoje, no mais baixo estágio da ignorância e primitivismo? Estes próprios índios ignoram as reivindicações que são feitas em seu nome, por organizações internacionais mascaradas com intenções científicas (ecologia, ambientalismo, antropologia) e que fazem uma pressão crescente no sentido de entregar a soberania dessa área aos seus habitantes" (pg. 11).
Em 1973, em noticiário bombástico, Cláudia Andujar se referiu pela primeira vez aos índios ianomâmis, os quais, no entanto, nunca haviam sido identificados pelos exploradores que passaram pela região. E olha que foram muitos, tanto do Brasil, quanto do exterior. No capítulo 3, A Ianomamização dos Índios, diz Menna Barreto: "Manoel da Gama Lobo D'Almada, Alexandre Rodrigues Ferreira, os irmãos Richard e Robert Schomburgk, Philip von Martius, Alexander von Humboldt, João Barbosa Rodrigues, Henri Coudreau, Jahn Chaffanjon, Francisco Xavier de Araújo, Walter Brett, Theodor Koch-Grünberg, Hamilton Rice, Jacques Ourique, Cândido Rondon e milhares de exploradores anônimos cruzaram, antes disso, os vales do Uraricoera e do Orenoco, jamais identificaram quaisquer índios com esse nome" (pg. 29). Com a autoridade de quem foi o primeiro comandante do 2º Batalhão Especial de Fronteira e do Comando de Fronteira de Roraima, diz Menna Barreto: "É preciso ficar claro antes de tudo que os índios supostamente encontrados por Cláudia Andujar são os mesmos de quando estive lá, em 1969, 1970 e 1971. (...) eles continuam a ser os xirianás, os uaicás, os macus e os maiongongues de sempre, ficando essa história de 'ianomâmis' só para brasileiros e venezuelanos" (pg. 33).
Em 1985, quando Menna Barreto era Secretário de Segurança de Roraima, a população de Boa Vista ficou admirada com tantos aviões da FAB fazendo evoluções nos céus: dois aviões de transporte Búfalo, uma esquadrilha de jatos e alguns helicópteros. As aeronaves não eram para compor a Base Aérea de Boa Vista, recém-inaugurada. Eram para transportar agentes federais, que desceram no Garimpo de Santa Rosa, para aplicar castigos aos trabalhadores, como escreveu Menna Barreto: "Após retirarem as pessoas de suas choupanas ao lado da pista, as teriam obrigado a se despirem, submetendo-as a vexames, ofensas e agressões, enquanto outras equipes procediam à destruição dos equipamentos e mantimentos existentes nas imediações" (Pg. 59 e 60). Menna Barreto soube, por integrantes da FAB, que a ordem de Brasília era, em um prazo de 4 semanas, "esvaziar os garimpos a oeste dos 62º e as áreas reivindicadas por macuxis, ingaricós e taulipangues nos Rios Suapi, Quinô, Cotingo e Maú, na região montanhosa, ao norte do Território" (pg. 60). Finaliza Menna Barreto seu capítulo 7,
A Vingança da Gringa: "Tempos depois — por informações vazadas da FUNAI — soube-se que a autoridade misteriosa não era outra senão a belga Cláudia Andujar. Com singular prestígio nas altas rodas de Brasília, intimidou órgãos do Governo com um protesto pela existência de brasileiros a oeste do meridiano 62º, no Garimpo Santa Rosa. A solução encontrada foi desencadear uma operação secreta de espancamento de garimpeiros, de modo a contentá-la, sem que mais ninguém neste país ficasse sabendo..." (pg. 62 e 63)
Raposa Serra do Sol teve sua origem em blefe semelhante à geração espontânea dos ianomâmis. Diz Menna Barreto: "E muito menos se pode chamar de ideal a conspiração criminosa de alguns 'padres' com os índios transviados, para arrancar outro pedaço de Roraima, com a criação pretendida da reserva indígena Raposa - Serra do Sol, em uma parte do estado povoada, há dois séculos, por brasileiros" (pg. 155).
Não se pode esquecer o modus operandi desses patifes, muitos travestidos de padres e pastores evangélicos. Diz Menna Barreto: "Agem pela violência, seguindo a conhecida receita da guerrilha: intimidar para subjugar. E nem sabem mais por quê. O terrorismo, a violência deixou de ser o processo para ser o objetivo. E violência não pode ser ideal de ninguém. Bandido não pode ser herói. Bandido é bandido mesmo" (pg. 155).
Depois das Nações Ianomâmi e Raposa Serra do Sol, vem aí uma nova nação, que está sendo engendrada pelos morubixabas da Funai, pelo CIMI e por sociólogos e antropólogos de diversas partes do mundo, para arrancar mais um naco do mapa do Brasil: a Nação Cué-Cué Marabitanas.
Guarde bem este nome: Cué-Cué Marabitanas. Logo irá aparecer nos noticiários. No momento é a TI Cué-Cué Marabitanas, que, juntamente com outras TI, existe apenas nos mapas da FUNAI, do CIMI e das ONGs. Fica no Estado do Amazonas, município de São Gabriel da Cachoeira e tinha 1.645 indígenas, em 1996, segundo fonte do Instituto Socioambiental (ISA). Na extremidade sul da TI Cué-Cué Marabitanas fica a cidade de São Gabriel da Cachoeira. Esta TI dos cués fica entre a TI Balaio, a leste (que faz fronteira com a TI Ianomâmi), a TI Alto Rio Negro, a oeste, a TI Médio Rio Negro I, ao sul, e a Venezuela, ao norte. Abaixo da TI Alto Rio Negro, existe ainda a TI Rio Apapóris (próximo à Vila Bittencourt). E a leste da TI Médio Rio Negro existem as TI Médio Rio Negro II e TI Rio Tea. Abaixo da TI Médio Rio Negro I — depois de uma faixa de terra ainda não pleiteada pela Funai para os indígenas — existe a TI Uneiuxi. Todas estas TI ficam no Amazonas. Com as demarcações de Balaio e Cué-Cué Marabitanas, o município de São Gabriel da Cachoeira terá 90% de suas terras destinadas aos índios! Convém lembrar que no Amazonas existe, ainda, a TI Rio Cuieras, na região de Manaus e Nova Airão.
A Portaria da FUNAI nº 1.131, de 23 Nov 2007, publicada no Diário Oficial da União nº 229, de 29 de novembro de 2007, define o Grupo Técnico para realizar a delimitação da TI Cué-Cué Marabitanas, constituído também — vejam só! — por "lideranças indígenas" e integrantes da ONG Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). O Exército, que durante séculos ocupou e preservou a Amazônia para o Brasil, mais uma vez não foi chamado para opinar sobre o assunto.
Pesquisando na Internet, descobri algo espantoso, que não vem sendo divulgado pela mídia, para que os vendilhões de nossa Pátria possam trabalhar mais à vontade. No Blog do antropólogo e ex-presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, lê-se o seguinte:
"... A ilusão messiânica também tem configurações laicas. Veja, por exemplo, a proposta do ISA de forçar a Funai a demarcar a Terra Indígena Cue Cue Marabitanas em tal dimensão que junte em uma única área as terras indígenas Yanomami (9,9 milhões de hectares) e Alto Rio Negro (10,5 milhões de hectares), as quais, junto com a demarcação de mais duas terras contíguas ao Sul, totalizariam cerca de 23 milhões de hectares e fechariam uma fronteira contínua de 2.500 km com a Venezuela e a Colômbia".
O que se pode depreender das investidas do ISA, com pleno apoio da Funai e do CIMI, e de milhares de ONGs, tanto nacionais quanto estrangeiras, o problema indígena no norte de Roraima e Amazonas é muito mais grave do que imaginávamos, depois que foram criadas e homologadas pelo Governo Federal as TI Ianomâmi e Raposa Serra do Sol. Ou seja, o movimento indigenista, de caráter entreguista (entre os brasileiros que apoiam tal patifaria) e de propósito gatuneiro (entre os espertalhões estrangeiros, que querem preservar para si, no futuro, a colossal riqueza do subsolo, de minerais raros), quer transformar uma área igual a três vezes o solo de Portugal em uma mega nação indígena, ao unir ''nações indígenas" de Roraima à Vila Bitencourt, AM, passando pela Cabeça do Cachorro, em um arco de 3.000 km de extensão — com a agravante de fazer fronteira com tropas das FARC escondidas nas florestas colombianas. Existe pressão de expandir ainda mais esse imenso território amazônico, se o avanço indigenista se estender também ao Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Sem falar que a TI Raposa Serra do Sol, que também faz divisa com a Venezuela, ao norte, e a Guiana, a leste, tem uma área superior a 1,7 milhão de hectares.
Espertamente, brasileiros apátridas, sob as ordens de ONG estrangeiras, pretendem que o Governo Federal primeiro homologue a TI dos cués, um território menor, para então darem o golpe final, monumental, definitivo, que é a criação e homologação da TI Alto Rio Negro, que tem uma área superior ao território ianomâmi. Com isso, terão conseguido o diabólico intento, que irá mais do que triplicar as terras contínuas dos territórios indígenas junto à fronteira com a Venezuela e a Colômbia, para mais fácil criar uma gigantesca e riquíssima Nação Indígena.
E por que aquela enorme região foi escolhida para comportar tão poucos índios? Uma visita ao endereço do site de Rebecca Santoro (Imortais Guerreiros) nos dá uma valiosa e decisiva pista, em seu texto "O misterioso, rico e estratégico corredor que passa por Roraima": a riqueza de sua bacia sedimentar.
O que se pode prever é que, em futuro não muito distante, será criada a Grande Nação Ianomâmi, ou algum outro nome bombástico que venha a ter, como Cué-Cué Marabitanas, que é o sonho milenarista dos novos beatos da atualidade. Será a efetivação da balcanização de toda a Amazônia, dilapidando as extensas terras que um dia pertenceram ao Brasil, país que, daí em diante, será conhecido mundialmente como Brasilistão — uma mistura de Brasil com Afeganistão. Outras extensas áreas indígenas do País terão o mesmo destino no futuro, a persistirem o entreguismo estatal e a inércia dos cidadãos brasileiros.
Convém lembrar, que, além dos indígenas, outros bantustões segregacionistas, também de cunho socialista, estão sendo criados em todo o Brasil, dentro dos moldes do Apartheid sul-africano de triste memória, que são os acampamentos do MST e as terras reivindicadas pelos quilombolas.
Fonte: recebido por correio eletrônico

Esqueceram de Mim!!!!!

Coturno Noturno - 7 Nov 08:
O primeiro presidente negro da história daquele país (EUA) já ligou para duas dezenas de chefes de estado pelo mundo à fora. Ainda não ligou para o Lula. Uma hora destas ele acorda invocado e liga pro Obama.

Coturno Noturno - 8 Nov 08:
Obama já ligou para o presidente do México, Felipe Calderón, o primeiro ministro australiano Kevin Rudd, o primeiro ministro canadense, Stephen Harper, o presidente francês Nicolas Sarkozy, a chanceller alemã Angela Merkel, o primeiro ministro israelense Ehud Olmert, o primeiro ministro japonês Taro Aso, o presidente sul-coreano Lee Myung-bak e o premiê britânico Gordon Brown. E nada de ligar para o Lula. Chora não, Lula, o mal agradecido também não ligou nem à esquerda para o Zapatero e nem à direita para o Berlusconi. Calma que a fila anda.

Coturno Noturno - 9 Nov 08:
Ontem foi a vez de José Luis Rodríguez Zapatero, presidente da Espanha, ter duas boas notícias: a primeira é que vai poder participar do G-20, ocupando uma das vagas da França. A outra é que recebeu uma ligação de 10 minutos, longos 10 minutos, carinhosos 10 minutos, amistosos 10 minutos de ninguém mais, ninguém menos do que Barack Hussein Obama, o primeiro presidente negro americano, quase um metalúrgico. Aqui no Brasil, o telefone não toca. Calma, Lula, a fila anda.

Coturno Noturno - 10 Nov 08:
E continua a saga do nosso Presidente Lula em busca de um agrado de Barack Obama. Agora, os assessores brasileiros estão tentando agendar pelo menos um aperto de mão e uma foto dos dois, no próximo sábado, em Washington, por ocasião da reunião do G-20. Depois de ser ungido pelo Papa, Lula quer posar ao lado do "companheiro" e dar alguns conselhos econômicos como, por exemplo, acabar com o Banco Mundial e o FMI. Vamos torcer para que o nosso presidente seja, finalmente, recebido, pois a situação já está ficando até certo ponto constrangedora. Ô, Baraque!!!

Coluna do Claudio Humberto - 11 Nov 2008 
Lula who?
Desde sexta-feira a embaixada do Brasil em Washington implora ao escritório de Barack Obama para ele receber Lula. Mas está difícil.

Coturno Noturno - 11 Nov 08:
Hoje, na Itália, Sua Sumidade Lula XIII, deu um ultimato ao Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos, que assume em 20 de janeiro de 2009:
"Acho que, inteligente como ele é, sabe que se a crise não for debelada logo, um ano depois ficará na responsabilidade dele", afirmou.
A platéia era amistosa, formada por sindicalistas italianos. Do jeito que Obama está preocupado com as opiniões e recados de Sua Sumidade Lula XIII, agora ele vai ligar, vocês não acham?

COMENTO: Não consigo entender essa impaciência, afinal o futuro presidente norte-americano também não ligou, ainda, para as grandes "lideranças mundiais da américa latrina": Los hermanos Castro, Hugo Chaves, Evo Morales, Rafael Correa, Cristina Kichner, Michelle Bachelet, Fernando Lugo, e por aí vai...
ALELUIA!!! Foi noticiado há pouco, 20:30h, que Barack Obama falou por telefone com Vosso Imperador Luis LI, que encontra-se na Itália. Dizem as más línguas que Obama estava tentando falar com Berlusconi mas algum aspone brasileiro conseguiu colocar Lula na linha telefônica. Muito gentil, Barack Obama teria prometido visitar o Brasil logo que possa, pois tem muita vontade de conhecer nossa capital, Buenos Aires, e Foz de Iguazu, nosso pólo industrial.

Dinheiro, a Chave Contra "Reyes"

CINCO MIL MILLONES de pesos se le pagaron a un informante por la ubicación del campamento donde estaba el jefe de las FARC.
El presidente Álvaro Uribe Vélez, reveló ayer desde México que el Gobierno colombiano entregó cerca de 3 millones de dólares a la persona que brindó la información sobre la ubicación del extinto miembro del Secretariado de las FARC Luis Édgar Devia Silva, alias "Raúl Reyes".
El Presidente informó que fueron "cinco mil millones de pesos que pagamos con lo de Raúl Reyes. Eso eran aproximadamente casi tres millones de dólares", dijo Uribe durante la Cumbre de Negocios en la ciudad de Monterrey, México, que clausuró ayer.
Uribe aprovechó el espacio para invitar al Gobierno del país norteamericano para que esta estrategia de la entrega de recompensas se incorpore en las políticas de los Estados y dijo que "la seguridad es una necesidad de los pobres, porque la seguridad es un elemento sustancial de la prosperidad".
Del mismo modo, el Jefe de Estado colombiano calificó de "esfuerzo valeroso que le dará una gran victoria a las nuevas generaciones de mexicanos", el trabajo que adelanta su homólogo mexicano, Felipe Calderón, en la lucha contra el crimen.
Durante su intervención en la Cumbre de Negocios de Monterrey, en la noche del domingo, Álvaro Uribe aplaudió el gran esfuerzo que está adelantando el Gobierno mexicano contra las bandas criminales y el narcotráfico.
"Cuando se vive en un país como Colombia y ha habido que enfrentar esa intensa lucha contra el crimen, uno siente una gran felicidad cuando ve esfuerzos como el del presidente Calderón. Esfuerzo valeroso que le dará una gran victoria a las nuevas generaciones de mexicanos para poder vivir tranquilos", indicó el Jefe de Estado colombiano.
También agregó: "Quiero expresar toda nuestra solidaridad, nuestro aplauso al presidente de México, Felipe Calderón, por ese gran esfuerzo, por ese gran valor civil con que está liderando la política mexicana de lucha contra el crimen".
Pidió mano dura
El Jefe de Estado colombiano dijo que ve con buenos ojos las capturas en México de narcotraficantes colombianos y no desaprovechó la oportunidad para pedirle al Gobierno mexicano "mano dura para los que vienen a delinquir a México, porque esos son los que le hacen más daño a los colombianos de bien, que vienen a trabajo o visitan el extranjero".
De otro lado, su homólogo Felipe Calderón, le informó al presidente Uribe que México también aplica estos programas de recompensas para las personas que ofrecen información valiosa a las fuerzas del Estado.
Calderón recordó que gracias a estos programas de recompensas, en los últimos tres meses han sido capturados cuatro de los doce narcotraficantes más buscados en ese país.
Uno de ellos, Eduardo Arellano Félix, alias "El Doctor", un importante miembro del cartel de Tijuana buscado por la agencia antidrogas estadounidense (DEA) y capturado el pasado 26 de octubre durante un allanamiento a su residencia en Tijuana.
El presidente Calderón sostuvo en este caso, por la información recibida, también se pagó una cifra cercano a los 3 millones de dólares, como recompensa a los informantes.
Fonte: El Colombiano - 11 Nov 08

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

'Eu Cometi o Crime em Defesa dos Meus Comandados'

por Fernando Klein
Imagem: TNonline
Data: 22 de outubro de 1987. 
Horário: 10 horas. 
Cerca de 50 militares do 30º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz) desembarcam de quatro viaturas em frente à Prefeitura de Apucarana, a 60 quilômetros de Maringá, cercam o prédio e impedem a entrada e saída de pessoas. Na frente dos homens armados com fuzis e pistolas está o capitão Luiz Fernando Walther de Almeida, de 34 anos. 
Acompanhado por um grupo de soldados, ele invade o gabinete e entrega ao assessor do prefeito carta de protesto contra os baixos salários e a deficiência do atendimento de saúde aos militares. A atitude abala o Brasil, fazendo renascer o 'fantasma' da ditadura, ainda vivo na memória da população. Imprensa e lideranças políticas da época repudiam a atitude, mas tudo indica que o protesto surte efeito. Na mesma noite, o então presidente José Sarney anuncia, em rede nacional, reajuste de 25% para todos os militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. O comando do Exército, porém, diz que o aumento já estava programado. 
Aos 50 anos de idade, Walther, tenente-coronel da reserva, atua como chefe de segurança do principal shopping do Rio de Janeiro, onde vive com a esposa e três filhos. Do escritório do shopping, fala por telefone sobre o episódio e, pela primeira vez, dá a sua versão sobre a história. Lembrando de todos os detalhes daquela manhã do dia 22 de outubro de 87, ele garante: estava certo. 'Me ensinaram nas escolas militares que o militar zela pelas condições de vida digna dos seus comandados, tanto quanto pela manutenção da disciplina e dos deveres castrenses. Eu levei isso ao máximo, talvez além. Eu cometi o crime para chamar a atenção de uma situação injusta e hoje, sem medo de errar, negligente da época', afirma.
Ele nega que queria reviver a ditadura e diz acreditar que, mesmo sem 'nunca ter sido sindicalista' e apesar de o Exército negar, tenha conseguido um reajuste que nenhuma entidade sindical conseguiu até hoje no Brasil. Depois de sair de Apucarana, Walther passou por Curitiba, Salvador, Brasília e Rio de Janeiro, onde se aposentou no ano passado. Leia abaixo, na íntegra, a entrevista concedida pelo militar da reserva. 

Como surgiu a idéia de cercar a prefeitura e protestar contra os baixos salários da tropa?
Eu saí de uma reunião (no 30º BIMtz) em que foram lidos alguns documentos, um dos quais dizia que o hospital não atenderia mais os conveniados do Fusex (Fundo de Saúde do Exército) a partir do dia 31 de outubro, porque a contribuição estava muito defasada. Outro documento informava que nós teríamos que pagar a mudança dos uniformes, obrigatória naquele ano. Para ter uma idéia, uma jaqueta verde-oliva custava um terço do que ganhava líquido um terceiro-sargento. Foi lido nesse dia ainda sobre a situação da família de um sub-tenente de Cascavel que havia falecido e deixado a viúva com quatro ou cinco filhos, e a família estava em petição de miséria. É certo que o clima já era de insatisfação. Havia alguns antecedentes, por exemplo, a mulher de um capitão que morava embaixo do meu apartamento teve uma fratura no braço ou na perna, e esse capitão não tinha dinheiro para bancar o atendimento. Os tenentes meus tinham bicicleta e não automóvel. Naquela manhã, quando saí do auditório e me dirigi a minha subunidade (1ª Companhia de Fuzileiros), me reuni com os quatro tenentes da companhia e comecei a falar com eles [sobre a situação]. Entrei num estado de desabafo, e eles ficaram quietos. Quando saíram da sala, disse ao último deles: toque a campainha de alarme. Aí ele tocou o alarme e eu mandei entrar em forma só com o equipamento leve [munição 7,62]. Ato contínuo, puxei uma folha de rascunho e escrevi o protesto de próprio punho em 20 segundos. Então, comecei a pensar o que faria. Três coisas me passaram pela cabeça: bloquear a rodovia em frente ao batalhão, fazer a operação em um meio de comunicação ou cercar a prefeitura. Nesse tempo que a tropa estava se preparando, eu tirei várias cópias do rascunho — já tinha decidido onde seria o protesto. 

Pensou em desistir em algum momento?
Senti três frios na espinha. Primeiro, quando vi a tropa pronta e liguei a viatura; podia ter mandado desembarcar todo mundo. A segunda, quando ia sair do quartel, que poderia não ter saído e voltado. A terceira, quando peguei a estrada, que ainda dava para voltar, pois havia um retorno próximo ao quartel.

E como foi ao chegar à prefeitura?
Antes de sair, no quartel, os tenentes me perguntaram o que estava acontecendo, porque estranharam minha reação quando a tropa estava pronta no quartel. Disse que era um treinamento: Defesa de Ponto Sensível. Eles perguntaram onde. Disse que não sabia. Então, o tenente subcomandante da companhia disse que o exercício estava errado, porque ele, como subcomandante, não podia sair sem saber para onde. Então, peguei uma folha de papel e esbocei para eles: aqui é a Prefeitura, aqui a Câmara; o teu Pelotão cerca por fora aqui; o teu por fora ali; o teu ocupa a Prefeitura por dentro, as janelas; e o quarto pelotão, o de Apoio [morteiro e metralhadora], não vai, porque vai ter uma tarefa especial: distribuir os panfletos [na imprensa]. E tudo aconteceu entre 9 e 10 horas da manhã. A ação durou de 10 a 15 minutos. 

E a reação dos funcionários da prefeitura? 
Todos dizem que eu chutei a porta do Prefeito, mas não foi bem assim. Estava com a metralhadora cruzada no peito, no gabinete do Prefeito, que é precedido por três entradas, frontal e duas laterais; e quando chegamos na frontal perguntei pelo Prefeito, disseram que não estava; perguntei pelo Chefe de Gabinete, me mandaram para a direita; não tinha ninguém, voltei e fui para a esquerda, procurando o Zanoni [Ariovaldo Zanoni, Chefe do Gabinete], quando voltei na sala — você sob tensão faz coisas diferentes — em vez de bater com a porta, eu bati com o coturno embaixo. A minha intenção era chamar atenção das pessoas para abrir a porta. Realmente bati com o coturno debaixo da porta, mais forte do que com a mão em cima, mas não queria derrubar a porta. O Kaminski [Wilson Kaminski, assessor do prefeito] então disse que eu tinha enfiado o pé na porta, o que não era verdade.

Como foi a volta ao quartel? 
Quando voltei, me despedi e desarmei a tropa, procedimento normal de exercício. Passei o comando ao tenente e, nesse momento, a tropa soube que fiz o protesto. Só então falei para os soldados, elogiei a conduta deles e disse que, junto com o exercício, tinha feito um protesto, e que seria severamente punido por isso. Até me lembro bem que falei que fiz aquilo por amor ao Exército. Dirigi-me ao Major [Subcomandante da Unidade] e ele me prendeu porque saí da unidade sem autorização. A partir daí, fiquei preso. Deixei-me punir, porque assinei flagrante depois de 24 horas.

Como foi a punição? A carreira foi muito afetada? 
Na carreira, a única coisa que afetou foi a não-promoção a coronel (fui para a reserva como tenente-coronel). Quanto à punição, fui a julgamento em Curitiba, na 5ª Circunscrição Judiciária Militar, tendo sido condenado a três anos de prisão. Daí, fui julgado no Superior Tribunal Militar, em Brasília, onde a pena caiu para oito meses. Então, acabei beneficiado por indulto natalino e cumpri apenas cinco meses de prisão. Nesse período, fiquei deslocado da família por dois anos, porque o Exército cometeu vários abusos. Me transferiram para Curitiba — um capitão do Exército com três filhos pequenos, o mais velho com 10 anos —, e me fizeram deixar a família em Apucarana, sem clima para ela. Em 88, a minha mulher e os filhos foram morar em Ribeirão Preto (SP). Eu ainda voltei em 89 para Apucarana, porque me deixaram numa situação esquisita, esdrúxula; fiquei em Curitiba baseado como militar do 30º BIMtz, sem receber transferência, sem receber pela mudança. Fiquei lá à disposição da Justiça, deslocado.

O reajuste concedido na época foi reflexo do protesto? 
Em uma entrevista à Folha (Folha de S. Paulo), o então ministro da Fazenda Bresser Pereira, demissionário do cargo, falou sobre esse aumento aos militares e disse que o reajuste foi um absurdo (a situação econômica do País não permitia). O Exército, por sua vez, disse que o aumento já estava garantido...

Como o senhor avalia as conseqüências? 
Me ensinaram nas escolas militares que o militar zela pelas condições de vida digna dos seus comandados, tanto quanto pela manutenção da disciplina e dos deveres castrenses. Eu levei isso ao máximo, talvez além. Eu cometi o crime para chamar a atenção de uma situação injusta e hoje, sem medo de errar, negligente da época. Hoje sou tenente-coronel e sei muito bem o que aquele capitão fez e eu sabia que ele ia pagar por aquilo; eu digo que ele pagou o preço disso.

O senhor faria de novo? 
[Hesitação] Olha, só digo que não tenho arrependimento. Já coragem para fazer [pausa], mas tive outras bravatas, na verdade, nunca deixei de ser aquele capitão, não. Eu nunca deixei de ser. É claro que a idade pesa. Até pouco tempo, essa história me emocionava muito, mas o hoje o tempo fez com que esse episódio fizesse parte da lembrança boa da minha vida. Hoje, sou conhecido por aquela atitude. Aquilo que fiz foi realmente ímpeto, coragem e ética, porque decidi contra mim o tempo todo, contra a minha família. O saldo foi positivo. Eu não dediquei ao Exército, apesar de ter dito aquilo naquela hora à tropa. Foi para quem eu comandava; eles sabem que fiz por eles. Quando lembro de certas coisas tenho certeza de que fiz o que deveria ter feito. O meu Subtenente, por exemplo. Ele servia numa cidade e a família noutra. A família estava em Curitiba. Nos 15 anos da filha dele — ele não foi à festa da filha —, porque não tinha condições financeiras nem o Exército oferecia tratamento para corrigir os dentes da menina, que eram para a frente. Ele não tinha como resolver aquilo e sofria barbaridade por causa disso. Hoje, as coisas mudaram.

O senhor acha que passou pela cabeça das pessoas e governantes da época o fantasma da ditadura? 
Não tive o menor apoio dos setores da esquerda local, como a própria Igreja, que me viram como filhote da ditadura e se equivocaram. Mas eu estava defendendo os interesses dos mais simples e não de nenhum graúdo. Embora os Generais também ganhassem 25% de reajuste naquela noite, não foi neles que estava pensando. Estava pensando nos meus comandados, que não tinham dinheiro para cuidar dos dentes dos filhos. Nunca fui líder sindical (risos), mas acho que ninguém conseguiu um reajuste desses. Eles dizem que já tinham dado o reajuste, mas...

A repercussão surpreendeu o senhor? 
Esse episódio aconteceu às 10 horas da manhã. Quando saí da prefeitura, o Kaminski ligou para o Scarpelini [Carlos Scarpelini, Prefeito da época], que estava no gabinete do irmão [deputado José Domingos Scarpelini]. Um ligou para o governador Alvaro Dias e outro para um deputado federal do Paraná em Brasília. Esse parlamentar, então, foi ao Congresso, onde estava sendo discutida por deputados e senadores a Constituinte [aprovada em 88]; ele pediu a palavra na tribuna e disse: 'senhores, eu acabo de tomar conhecimento que neste momento está havendo uma rebelião militar no Paraná, em Apucarana'. Quando o presidente José Sarney soube, o Serviço de Informações do Exército ainda não sabia. O presidente ficou de 10h30 até às 14h30 sem saber o que estava acontecendo de fato. Ninguém sabia por quatro horas o que estava ocorrendo e isso é muita coisa! O presidente ficar por quatro horas sem saber o que estava acontecendo? Isso porque o Ministro do Exército estava na China; meu Comandante não estava, tinha viajado para Marechal Hermes (SC) para realizar reconhecimento da área onde ocorreriam manobras do Comando Militar do Sul. Neste reconhecimento, estavam também o Comandante do Comando Militar do Sul e o comandante da 5ª Brigada Militar, de Cascavel. Eles não tinham comunicação, pois estavam no meio do mato. Um avião então foi buscar o General do Comando. Enquanto os Comandantes não falam, ninguém sabe o que acontece. O mais alto escalão do País, portanto, não sabia o que estava ocorrendo. Pode pesquisar: nesse dia estava prevista a posse de dois ministros, o que foi cancelado. Daí, às 20 horas, anuncia pelo Jornal Nacional o reajuste de 25% aos militares e dizem que o aumento já estava dado e que me precipitei, sei lá...

O senhor encerrou a carreira como tenente-coronel. Isso não lhe frustrou? 
Eu poderia ter seguido. Eu fiz a Escola de Comando do Estado Maior do Exército, que prepara os Generais. O problema é que não me reabilitei judicialmente. Achava que de alguma forma o Exército iria me reabilitar. Não tenho mágoa por isso. Eu não pedi reabilitação judicial, o que deveria ter feito dez anos atrás e só fiz no ano passado, quando não tinha tempo útil para reverter mais nada. Eu deixei o barco andar.

* Entrevista de Fernando Klein publicada originalmente pelo jornal 'Tribuna do Norte', de Apucarana, na edição de aniversário deste ano do município, comemorado no dia 28 de janeiro de 2004.
COMENTO: Há alguns dias, li em um blog a pergunta sobre "por onde andará o Cap Walther, de Apucarana?" Foi com muita satisfação que recebi, hoje, o texto acima que relembra alguns valores relativos a "Chefia e Liderança", hoje esquecidos ou considerados "obsoletos". Meus cumprimentos ao Ten Cel R1 Luiz Fernando Walther de Almeida!