quarta-feira, 10 de junho de 2020

Concurso de Admissão ESA 2020 — Cursos de Formação e Graduação de Sargentos de 2021/22

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Em 30 de agosto próximo ocorrerão as provas do Exame Intelectual do Concurso aos Cursos de Formação e Graduação de Sargentos do Exército Brasileiro que funcionarão em 2021 e 2022.
Assim, vamos manifestar alguns pontos de opinião, atualizando postagens feitas em anos passados.
Tivemos, neste ano de 2020, 103.807 candidatos confirmados, número que representa um expressivo aumento na procura por uma vaga na carreira de Graduados do Exército.
Desta forma, praticamente podemos repetir o comentário feito em outras postagens, sobre o mesmo assunto.
Observando o quadro acima, temos a "grosso modo" uma média maior que 85 candidatos para cada vaga disponibilizada. Uma demanda considerável, se comparada a outros concursos para cargos em função pública.
Temos então que, apesar do esforço de 'otoridades' — infelizmente com o apoio de membros da própria Instituição — em desmoralizar e desmotivar os profissionais das armas, a carreira militar continua a encantar nossos jovens que amam o Brasil e não temem sair de sob as asas dos seus pais. Espero que entre os candidatos aprovados não haja quem espere "levar vantagem", pois se houver vai se decepcionar. A carreira castrense é para quem se sujeita a uma vida de sacrifícios com remuneração somente suficiente para a sobrevivência familiar.
Aos que tiverem sucesso nas provas, alguns pequenos esclarecimentos que não é costume serem feitos, mas que eu os faço previamente para que, mais tarde, não usem o argumento covarde de que não sabiam direito o que estavam fazendo:
— Preparem-se para (diferentemente do que ocorre em Concursos para Cargos Públicos Civis) começarem a "mostrar serviço" depois de frequentarem os Cursos de Formação e Graduação; e isso vai continuar por 35 anos de serviço, no mínimo. É costume dizer que Sargentos devem provar a cada dia que são bons profissionais.
— Preparem-se, também, para permanecerem por sete ou oito anos na graduação de 3º Sargento, com vencimentos brutos mensais, após sua Formatura em 2022, por volta de R$ 5.100,00. A isto podem ser agregados mais 25% do soldo (aproximadamente R$ 950,00) se fizerem algum Curso de Extensão/Especialização Militar; e 10 ou 20% também do soldo (R$ 382,50 ou R$ 765,00) se forem servir em regiões consideradas inóspitas.
— Preparem-se, ainda — também diferentemente das funções públicas civis —, para serem destinados para servir em qualquer parte do território nacional, independentemente dos interesses familiares (casa própria, emprego da esposa, curso universitário, doenças de pais, avós, sogros, etc).
— Depois do Curso, no exercício das funções de Sargento as condições profissionais continuarão difíceis (passar frio, cansaço, acampamentos em condições precárias, escalas de serviço apertadas — sem direito a recebimento de "horas extras" —, formaturas, exercícios físicos, "tempo zero" para estudos fora do EB, etc), acrescidas da responsabilidade de repassar seus conhecimentos, com os devidos cuidados de segurança, para seus subordinados (os Soldados incorporados anualmente para o Serviço Militar Inicial).
— Quanto aos aspectos financeiros, a cada promoção terão um acréscimo de 15 a 20% em seus vencimentos, chegando à graduação de Subtenente com o vencimento bruto, também a partir de 01 Jul 2022) valendo aproximadamente R$ 13.200,00. Caso alcancem o oficialato, poderão chegar ao posto de Capitão, que terão vencimentos brutos, após 01 Jul 2022, por volta de R$ 19.000,00. Ao vislumbrar esses valores, a grosso modo, calcule que devem ser abatidos cerca de 14% dos mesmos, a título de descontos obrigatórios para atendimentos de saúde e para o fundo que financiará, no futuro, a Pensão de sua viúva. Depois desse desconto, ainda tem que prestar contas com o famigerado e faminto Leão do Imposto de Renda.
— Os que não prestaram o Serviço Militar Inicial devem atentar para um detalhe importantíssimo: se acharem que as condições oferecidas durante o Curso de Formação não lhe agradaram, não insista. Se você teve capacidade para ser aprovado no Concurso do CFGS, certamente tem capacidade para fazer outros concursos para atividades profissionais onde se sinta melhor.
Se não gostou do Curso, não irá gostar do dia-a-dia da caserna — que será uma continuação das atividades do Curso —, assim, busque sua felicidade fazendo outra carreira e não se torne um mau profissional (desmotivado, mal-humorado, dos que só enxergam motivos para reclamar e criticar, desagregador, sem disposição para consertar ou melhorar seu ambiente de trabalho).
— Aos que entenderem que podem passar seus dias dedicando-se às atividades castrenses, sejam bem vindos! Terão trinta e cinco anos, no mínimo, de atividade profissional extremamente gratificante, em um ambiente que tem por característica principal a camaradagem!


Aproveito para citar cinco princípios a serem seguidos para um bom desempenho profissional:
— Conheça sua profissão (saiba qual seu papel na sociedade como profissional);
— Interesse-se por sua profissão (busque conhecimentos sobre como melhorar seu desempenho profissional);
— Conheça seus subordinados (identifique as características individuais de cada um, a fim de melhor destinar missões, recompensas e sanções);
— Mantenha seus subordinados bem informados (só assim, eles poderão desenvolver a iniciativa própria, no sentido de melhor cumprir suas missões); e
— Interesse-se, verdadeiramente, pelo bem estar de seus subordinados.
Essas regras, que parecem simples, na realidade são difíceis de serem seguidas, pois são as que diferenciam os Líderes dos Chefes. E uma das principais características exigidas ao Sargento é ser Líder.
E sejam Sargentos, profissionais conscientes de pertencerem a uma das Instituições mais respeitadas por nossa população decente!
Imagens: "Futuro Sargento do EB" no Facebook
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segunda-feira, 25 de maio de 2020

QI Médio do Brasileiro — Dados de 1909 a 2013

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Trago péssimas notícias, mas pelo menos agora temos uma justificativa para o que estamos passando.
O QI médio em praticamente todos os países do mundo cresceu muito nos últimos 100 anos.
Na Alemanha e nos EUA, o crescimento do QI médio foi de mais de 30 pontos. No Quênia e na Argentina, foi de cerca de 25 pontos. Na Estônia e no Sudão, foi cerca de 12 pontos.
Fonte: Our World in Data.org
No Brasil, aconteceu justamente o contrário. A queda do QI foi de quase 10 pontos nos últimos 100 anos. 
Devemos ressaltar que o padrão atípico para o Brasil pode estar relacionado a diferentes métodos utilizados nas diferentes fases do estudo. Mas ele não pode ser inutilizado por isso.
Talvez essa queda no índice generalizado seja único na história da humanidade. Em 2013, o nosso QI médio era de 87, colocando o Brasil, em média, no limite da deficiência intelectual.
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Esse fenômeno bizarro tem tudo a ver com o nosso modelo de (des)educação escolar. A coisa vem de longe. Em 1915, Lima Barreto já revelava a cultura das aparências no Brasil: ao saber que Policarpo Quaresma tinha uma biblioteca, o doutor Segadas, clínico famoso, pergunta para quê tantos livros, se não era nem formado. É assim há mais de cem anos: no Brasil, quase sempre os livros não servem para ampliar o nosso mundo interior, mas como sinal exterior de status. 
Em 1951, o prêmio Nobel de física Richard Feynman aceitou o convite para lecionar, no Rio de Janeiro, para uma turma de pós-graduação. Ao fim da experiência, em 05 de maio de 1952, Feynman fez uma conferência que, quase setenta anos depois, ainda repercute fundo na ciência brasileira. Nessa conferência, expôs o nosso sistema educacional: ele descreveu uma educação na qual os alunos não aprendem nada a não ser decorar textos e fórmulas, mas não sabem o que fazer com isso. Feynman diz na sua autobiografia que aparentemente havia no Rio de Janeiro uma Universidade, com uma lista de cursos, com descrições desses cursos; mas que isso era um grande engodo, e que no Brasil não havia realmente nem Universidade, nem ciência.
O fato é que a educação brasileira é muito ruim há pelo menos cem anos.
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E a educação brasileira tem sido muito ruim porque nunca houve um projeto de educação no Brasil. Jamais — jamais! — os nossos governantes e gestores do primeiro escalão se perguntaram por que educar. Nunca se puseram a questão: "quem nós queremos que as nossas crianças sejam aos dezoito anos? o que queremos que elas saibam, o que queremos que elas saibam fazer?".
O resultado é que o nosso currículo escolar é uma colcha de retalhos sem nenhum propósito, um currículo que macaqueia desastradamente os currículos de outros países.
Daí vem uma surreal conseqüência: a única meta de todo o ensino básico se torna o vestibular, um vestibular com um programa duas vezes absurdo — absurdo por sua extensão alucinada e absurdo por sua desconexão com a vida do espírito e da sociedade.
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O modelo de ingresso no ensino superior por meio de provas que abrangem uma quantidade sobre-humana de conhecimentos não mede nada além da capacidade de concentração, memorização e repetição. Não é por acaso que os professores mais reputados nos cursinhos preparatórios são justamente os especialistas em mnemotécnica: são aqueles que criam os poemas mais picantes para se decorar a Tabela Periódica, que inventam as melhores melodias para se guardar várias fórmulas de física e que adestram os alunos com esquemas pré-fabricados de redação para qualquer tema.
Neste nosso modelo, o bom candidato ao ensino superior se torna profundo conhecedor ... de métodos de realizar provas. E, por não ter compreendido realmente nada, no dia seguinte ao vestibular se esquece de tudo o que passou dez anos estudando.
Surge daí a tradição — identificada, com assombro, por Feynman — do "estudar para a prova", das musiquinhas de decoreba, dos cursinhos preparatórios: saber os macetes para tirar boas notas nas avaliações importa mais do que verdadeiramente saber aquilo que se estuda. A nossa escola nada ensina — a não ser a tirar boas notas. O nosso currículo oculto é o da valorização dos diplomas — e o da desvalorização do conhecimento. 
Ora, amigos, Platão já ensinava: é impossível existir uma sociedade sã sem um sistema educacional saudável. O nosso sistema educacional, com um currículo inacreditavelmente extenso, mas absolutamente sem propósito, é justamente o oposto disso. Como querer que o Brasil seja um país com bons cidadãos, se o nosso currículo oculto parece ter sido elaborado com a finalidade de formar indivíduos frívolos, vaidosos e ignorantes?
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Isso explica um fenômeno brasileiro contemporâneo: a enorme quantidade de academias de ginástica, fenômeno sem par no mundo, contrastando com a ínfima quantidade de livrarias nas nossas cidades. 
Um povo que coloca a preocupação com a "barriga tanquinho" em primeiro lugar na sua vida revela, com isso, qual é a sua visão de mundo e que marca pretende deixar na História.
Amigos, o Brasil é o país com maior número de cirurgias plásticas por habitante no planeta. Os EUA fizeram cerca de 300 mil cirurgias a mais do que as 1.224.300 realizadas no Brasil em 2017, mas têm uma população 60% maior do que a brasileira.
Por outro lado, o povo brasileiro está entre aqueles com menor quantidade de livrarias per capita em todo o planeta. São Paulo, sozinha, tem o dobro da quantidade de automóveis da Argentina inteira. Mas Buenos Aires, sozinha, tem o dobro da quantidade de livrarias de São Paulo. 
O brasileiro acha muito caro pagar cinqüenta reais por um livro, mas faz dívidas astronômicas para comprar um automóvel. Isso ilustra o nosso problema civilizacional: somos o país da pose inculta. Somos o exemplo acabado da síndrome socrática de Dunning-Kruger: tão abissalmente ignorantes que não sabemos nem que somos o povo mais ignorante do mundo.
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A consequência disso é evidente. Nestes anos, tenho ouvido e lido profissionais liberais, magistrados, jornalistas e — pasmem — professores universitários com uma nítida dificuldade de descrever as suas intuições e percepções ou com uma evidente incapacidade de efetuar as operações lógicas mais simples numa discussão.
É fácil atestar essa decadência: basta visitar uma livraria — se você encontrar alguma, é claro — e buscar um romance de qualquer escritor brasileiro contemporâneo. Raríssimos serão os livros que não apresentarão uma vulgaridade estrutural, sintática, gramatical e vocabular desoladora.
Ou seja: ter recebido a educação escolar e universitária no Brasil nas últimas décadas é praticamente uma condenação à impotência discursiva.
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E o que a literatura de um povo têm a ver com o QI? Tudo, amigos, tudo. 
É por meio da linguagem que nós pensamos o mundo. Por meio da estrutura sintática da língua intuímos a estrutura lógica do cosmos. Sartre nos diz que "nosso pensamento não vale mais do que a nossa linguagem e deve-se julgá-lo pela forma com que a utiliza". Se não lemos boa literatura, falamos mal; se falamos mal, pensamos mal; se pensamos mal, saimo-nos mal nos testes de QI. Para tornarmo-nos mais inteligentes, é preciso desenvolver uma faculdade comunicativa que vá além dos grunhidos mais ou menos elaborados com os quais expressamos os desejos, as sensações e as opiniões imediatas. 
Geralmente, é na escola que tomamos contato, pela primeira vez, com a estruturação formal da nossa língua — não somente por meio das aulas de Português, mas, principalmente, por meio dos contos, romances e poemas que somos obrigados a ler. 
E o que somos obrigados a ler, amigos? 
Em meio a alguns tesouros da língua portuguesa, como Padre Vieira, Machado, Euclydes, Lima Barreto e Guimarães Rosa, somos forçados a encarar um Joaquim Manuel de Macedo ("A Moreninha"), um José de Alencar ("O Guarani"), um Raul Pompéia ("O Ateneu"), um Aluísio Azevedo ("O Cortiço").
No meio desses tesouros e desses dejetos da literatura, uma ausência brilha: a ausência da grande literatura mundial. 
Amigos, eu acho inconcebível que os alunos brasileiros não leiam Cervantes na escola. Que não leiam Shakespeare. Que não recebam livros de Dostoiévski, de Hemingway, de Borges. Que, ao lado dos necessários poemas de Pessoa, de Cecília Meireles, de Drummond, não leiam Blake, Whitman, García Lorca, Neruda.
Como podemos ombrear com os outros povos do mundo se não conhecemos o fundo cultural no qual os debates civilizacionais são travados? Amigos, as trocas civilizacionais profundas não se dão no plano da conversa do taxista de aeroporto, não se dão em termos de cantores da moda e jogadores de futebol. 
A não ser que deliberadamente queiramos nos posicionar como a nação do QI médio 87, a nação dos bobos-felizes.
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O nosso sistema educacional é, na verdade, um sistema inteiramente deseducacional. Ele não aumenta a nossa inteligência: ele a reduz. 
Se o nosso sistema educacional continuar centrado na prova, não haverá saída para a nossa civilização: acabaremos por desaparecer não por conseqüência de uma invasão ou de uma guerra civil, mas por pura inaptidão para a existência. 
Para salvarmos a civilização brasileira, precisamos salvar a escola. E a escola somente será salva se ela passar a fazer o que nunca fez: se ela passar a educar. Se ela, em primeiro lugar, começar a ensinar a pensar, o que somente é possível se ela começar a ensinar a ler, a escrever e a falar. 
Finalmente, amigos, para ler, para escrever, para falar bem, só há um caminho: o caminho da boa literatura e da prática da escrita e do debate. Justamente o que mais falta nas nossas escolas, tão ocupadas com todo o resto.
Fonte: recebido pelo What'sApp

quarta-feira, 29 de abril de 2020

A Rede de Túneis de Nicolás Maduro em Caracas

por UNIDAD INVESTIGATIVA 
“¿Os Estados Unidos estão negociando com (Nicolás) Maduro? Não. Mas Maduro quer, sim, uma negociação secreta com o Governo dos Estados Unidos”.
A afirmação foi feita há poucos dias (14 Abr) por Michael Kozak, Secretario Adjunto da Oficina de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado.
Não deu maiores detalhes, mas fontes em Caracas confirmam que a recente acusação formal por narcotráfico e apoio ao terrorismo contra 15 membros do regime, incluído seu líder, fizeram com que as lealdades internas comecem a romper-se e que alguns busquem acertos por "baixo dos panos".
O procedimento, unido às substanciais recompensas que o governo Trump oferece por Maduro e seus paladinos — e a movimentação de navios antinarcóticos em direção às costas venezuelanas —, começaram a exercer uma pressão que se traduz em vazamentos de informações e em mensagens de colaboração para com a justiça dos Estados Unidos.
Assim confirmaram a El Tiempo, oficiais de Inteligência colombianos e fontes em Caracas que fornecem dados a investigadores e a agencias federais estadunidenses .
“O regime está alarmado. Alguns de seus oficiais, militares e operadores políticos estão buscando um ‘salva-vidas’ que permita negociar sua entrega; ou sua liberdade em troca de informações relevantes. Há muitos buscando contacto com agencias de Inteligencia dos Estados Unidos, e até de outros países”, assegura Johan Obdola, presidente da Organização para a Segurança e Inteligencia (IOSI), que faz parte de uma rede global de especialistas e colaboradores que operam desde a Venezuela.

A Rede
Esse cenário de naufrágio, ao qual se une a emergência desatada pela pandemia do coronavírus, botou a circular a informação de que Maduro está reativando um "plano B".
Se trata de um complexo subterrâneo de túneis em varias locações em Caracas, tido como um de seus anéis de proteção para ocultar-se e se entrincheirar por meses em caso de um ataque. 
Um dos primeiros a referir-se aos túneis foi Germán Varela, ex-oficial da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), que em maio de 2019 falou de três que saíam ou conectavam com o Palácio de Miraflores.
Supostos  túneis de escape apontados pelo ex Tenente Germán Varela. Foto: Arquivo particular
Porém, informação consolidada, a partir de informes de militares e funcionários ativos, fala de vários quilômetros, que guardam material estratégico.
“Há uns seis anos, aproximadamente, com a assistência do Irã e do Hezbolah (movimento libanês pro-iraniano), o regime iniciou a construção. Averiguamos a informação de que, em Caracas, há aproximadamente 17 quilômetros e sua finalidade é brindar seguridade de movimentações estratégicas dos grupos de elite do regime, em caso de uma ação armada”, assegurou o venezuelano Obdola em uma comunicação com El Tiempo desde Vancouver (Canadá), onde permanece exilado desde que começou a denunciar o chamado ‘cartel dos Soles’.

Alojamentos e armas
Além, de Miraflores se sabe que há alguns localizados no Banco Central (500 metros a leste do palácio presidencial), no Forte Tiuna (complexo militar a cerca de 6 Km ao sul), na praça de Venezuela e até no quartel de La Montaña (800 metros a oeste), onde repousam os restos de Hugo Chávez. Aí guardam armamento, munição, equipamentos de comunicações e alojamentos para albergar cerca de 1.500 homens. A informação de Obdola — que agrescenta que La Montaña serve como sede do Hezbolah — coincide com a de agentes de Inteligência que investigam os tentáculos dessa organização na Colômbia.
El Tiempo revelou em meados de 2019 como funciona uma mafia enquistada em oficinas de registros, notarias e na Registradoria que vende identidades falsas a estrangeiros, inclusive os membros do Hezbolah.
Para agentes da Oficina de Imigração e Aduana (ICE) e para a Migração Colombiana é claro que essa organização criminal transnacional, com ramos em pelo menos 12 departamentos [estados], está vendendo registros civis, cédulas e passaportes por tarifas que alcançam os 20 milhões de pesos por cabeça.
Os pagamentos seriam feitos através de bancos europeus e de Miami e garantiriam a entrega da nova identidade na Venezuela, Turquia, Iraque, Líbia, Síria e Palestina, até onde chegam escondidas em peças de carne exportadas desde a Colômbia através de empresas ligadas a patrocinadores do Hezbolah.
Na Colômbia também analisam a informação sobre o papel que a Ilha de Margarita desempenha no tema do narcotráfico.
“Os cartéis das drogas de Colômbia vem controlando a zona costeira oriental venezuelana há bastante tempo. Delta do Amacuro, Sucre, Anzoátegui e Nueva Esparta (ilha Margarita) tem estado sob seu controle, assim como das FARC; e nos últimos anos, o cartel de Sinaloa, tem tentado se impor de maneira agressiva”, explica Obdola.
Inclusive, se fala de enfrentamentos pelo controle das rotas que vão até Trinidad e Tobago e outras ilhas do Caribe, no trajeto em direção à Europa.

Alcalá e Padrino
O General (r) Clíver Alcalá se entregou às autoridades dos EUA  dias depois que saiu a acusação contra Nicolás Maduro e seus "lugar-tenentes".  Foto: AFP
No momento, Clíver Alcalá, é o único “lugar-tenente” de Nicolás Maduro em poder dos Estados Unidos — ele viveu mais de um ano em Barranquilha —, que começou a entregar informações.
Não obstante, o fato de que seu irmão, o General Carlos Antonio Alcalá Cordones, ser embaixador da Venezuela no Irã é pelo menos inquietante.
“Clíver Alcalá estava fazendo jogo duplo, trabalhando para Nicolás Maduro (com um aparente enfrentamento), e para Juan Guaidó. As armas apreendidas eram para um ‘falso grupo’ que supostamente existe na fronteira com o Brasil, chamado Operação Aurora, liderado por outro aliado de Maduro: o tenente José Rodríguez Arana”, insiste o especialista em Inteligência e seguramça Obdola. 
Ele acrescenta que um dos "arquivos vivos" do regime, o general inativo Hugo ‘el Pollo’ Carvajal, que recentemente se entregou à DEA na Espanha, está escondido em Portugal, sob o amparo da diplomacia do regime.

E há outros fatos interessantes.
O Ministro da Defesa, Vladimir Padrino, aparece no cartaz dos mais procurados, mas sem recompensa. 
Foto: Carlos Becerra - Bloomberg.
Há o General Vladimir Padrino López (Ministro da Defesa), por quem o governo Trump não ofereceu recompensa, apesar de inclui-lo no cartaz dos mais buscados. 
Sua esposa e familiares aparecem como responsáveis por varias empresas — Brisana LLC, Urtaris Realty Group e Majalud LLC — e imóveis localizados na Florida e Texas. Segundo o Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCCRP), o custo das propriedades superariam os 4 milhões de dólares.
Sobre os supostos nexos de Clíver Alcalá com Juan Guaidó, Estados Unidos já deu uma resposta. “Apoiamos Guaidó como presidente interino e a Assembléia da Venezuela”, puntualizou Kozak na mesma mensagem em que disse que não estão negociando em segredo com Maduro.
Agora, o que se indaga é o que há por trás do ‘convite’ do regime para que os venezuelanos regressem em plena pandemia.

O oficial por trás do retorno de venezuelanos
Nas conversas digitais de grupos de venezuelanos na Colômbia começou a aparecer um suposto coronel — que se identifica como José Abigaíl Jaspe Castellanos — dando instruções para o retorno àquele país. “Boa noite. Sou um coronel do Exército da Venezuela. Não sei por que me escolheram. Vocês são compatriotas e vou receber todas as suas inquietudes. (…) Vou lhes enviar um vídeo para que vejam como estamos esperando nossos compatriotas aqui na Venezuela”, se escuta em um áudio.
Nas bases de dados oficiais aparece um militar com esse nome, graduado no Curso de Formação de Suboficiais Profissionais de Carreira n° 10.
Jornalistas tentaram comunicar-se com o celular do qual foram enviadas as mensagens, mas ele foi desativado. Mas em Cúcuta asseguram que é um venezuelano quem paga os 4 milhões de pesos (cerca de 4 mil reais) que vale cada viajem de um ônibus ao centro da Colômbia para recolher venezuelanos.
UNIDAD INVESTIGATIVA
u.investogativa@eltiempo.com
Em Twitter: @UinvestigativaET
Fonte: tradução livre de El Tiempo

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Juntando Pontas Soltas (Nem Tão Soltas)

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Vamos reunir alguns dados.
Apareceu um questionamento, feito por um Magistrado, no processo de herança da dona Marisa — aquela que parecia mineira, não falava mas aparentemente agia muito — sobre uma quantia um pouco fora dos padrões para uma pessoa sem ocupação profissional que, portanto, não possuía renda.
Posteriormente, em 8 Mai 2020, o Juiz determinou a correção do valor que havia sido publicado com incorreção (imagem acima). 
Esse poderia ser somente mais um dos muito boatos difundidos e depois jogados no ostracismo, mas aqui ele foi corrigido. 
Mas lembro alguns outros que ainda permanecem sem uma devida explicação, como a "pensão mensal" de 30 mil reais que a mesma falecida teria deixado, conforme declaração do viúvo em audiência processual; a assinatura nos 24 recibos de aluguel durante uma hospitalização do assinante; o apartamento vizinho adicionado ao "triprek" de Lula; os repasses ao Instituto Lula; as “palestras” sem plateia e sem assunto; os milhões de Luís Cláudio, em troca das Medidas Provisórias; as transferências para a Gamecorp de Lulinha e a ascensão meteórica da empresa com os milhões injetados pela OI, hoje em recuperação, e a coincidência com a OI de Portugal, nas falcatruas que levaram o Primeiro-Ministro português, José Sócrates, à prisão. Some-se a isso a "estória" da dona Rose — aquela da qual nunca mais se soube por onde andam os processos judiciais em que foi indiciada — carregando uma mala de 25 milhões de Euros para Portugal, em mais um rumoroso caso com as digitais do então Presidente. E as investigações necessárias não são realizadas por causa da burocracia judiciária e as “determinações” do STF.
Vejamos este vídeo com o depoimento de Antonio Palocci — aquele sujeito "muito mentiroso" nas palavras de Luiz LI, o probo, e raciocinemos se os fatos que ele revela podem ter algum relacionamento.
Observem que ele menciona que Lula, pouco antes de deixar o governo, recebeu 300 milhões de reais.
Palocci diz que, se Lula tivesse seguido sua orientação e comprado o sítio de Atibaia e o apartamento de Guarujá, no Ed Solaris, dificultaria as investigações, porque os ganhos de Lula (mesmo com origens fictícias) eram compatíveis com a aquisição daqueles bens.
Falou mais alto a ganância. É como dizia o "velho deitado": Malandro demais se atrapalha!!
Resta a incômoda impressão de que a caça impiedosa aos ladrões do erário perdeu seu ímpeto com a saída do então Juiz Sérgio Moro da liderança da Operação Lava-Jato, da qual nada mais se lê ou escuta na mídia.

terça-feira, 31 de março de 2020

Jornalista Paulo Martins - 1964, Eu Estava Lá!


*1964: por quem viveu a História*
O jornalista Paulo Martins, que, em 1964, anunciou a vacância do cargo de Presidente da República decretada pelo Congresso Nacional, restabelece a verdade histórica da falaciosa versão de que os militares depuseram Jango em 64. 
O radialista é testemunha viva do ocorrido e relata como tudo aconteceu (matéria publicada em 29 Mar 2019, pela TV Tarobá).
56 ANOS DE MOVIMENTO QUE EVITOU SERMOS TRANSFORMADOS EM UMA VENEZUELA
A mentira é uma depravação e depravação significa, entre outras coisas, falta de rigidez moral, de decoro. Digo isso em razão de estar se avizinhando uma data histórica que "dissociados da verdade" insistem há anos de chamar de golpe, "o golpe de 31 de março" praticado por "militares".
Nessa afirmação envolvendo a posição de militares, juntam outra depravação em torno do que se conhece por revolução e explico.
Primeiro, que nem o dia certo do movimento que inspirou a tomada de posição contra a tentativa de implantar o comunismo no Brasil os acusadores sabem, e me cabe corrigir essa falsidade informando que não foi no 31 de março.
A tentativa de agitar a nação, depois de dias de bagunças, se deu em 1º de abril. No 31 de março, num planejamento de agitação, João Goulart e Leonel Brizola deixaram Brasília e se dirigiram para Porto Alegre, iniciando a tentativa "de golpe de esquerda" no dia seguinte, 1º de abril, agitação a que deram o nome de "campanha da legalidade".
Segundo: o movimento de resistência que os insipientes de hoje não sabem, ou se sabem, mentem, teve como líderes "não os militares", que ao longo dos anos são atingidos por espetadas de baixaria. A liderança daquele movimento revolucionário pertenceu a civis que inspiraram o povo brasileiro a sair às ruas, aos milhares, em todas as capitais, em passeatas que ficaram conhecidas como "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".
E os civis que promoveram e lideraram a revolução foram os governadores civis, repito, do Paraná, Ney Braga; de Minas Gerais, Magalhães Pinto; da então Guanabara, Carlos Lacerda; do RS, Ildo Meneghetti; de São Paulo, Ademar de Barros; e de Santa Catarina, Celso Ramos; além dos jornalistas Roberto Marinho, da Globo; e Assis Chateaubriant, dos Diários e Emissoras Associados; essa última, a empresa para a qual eu trabalhava.
Os militares, diante da pressão desses líderes governamentais e da pressão do povo nas ruas, depois de Goulart e Brizola abandonarem tudo e fugirem, é que após um breve período de governo de Ranieri Mazzilli (o Presidente da Câmara dos Deputados que foi empossado pelo Congresso), é que assumiram o comando da Nação por ter o mesmo Congresso decretado vago o cargo de Presidente ... ninguém tirou Goulart de lá ... ele é que fugiu.
Assim, é um depravado todo aquele que mente sobre o que chama de golpe e que foram os militares que assim determinaram, pois golpe é o que queriam os sociopatas implantar. E rotulo de "depravados" tanto aqueles, como os que hoje repetem a mentira, por uma razão: fui eu o locutor que foi obrigado a entrar na marra no estúdio da Rádio Farroupilha naquele 1º de abril. Conduzido por Brizola, fui sequestrado e testemunha ocular da história — e ali fiquei na cadeia de rádio chamada de "Cadeia da Legalidade".
Fui nomeado oficialmente por Goulart e Brizola, lendo ofícios redigidos e patrulhados por um bando de agitadores.
Acompanhei toda história, também, depois através do tempo e, todos seus capítulos não cabem aqui, mas digo mais: todos os jornais brasileiros apoiaram os governadores civis líderes daquele movimento, assim como apoiaram os militares, depois que assumiram para botar ordem no País, todos os "grandes jornais brasileiros", com exceção do chamado "Última Hora".
E os militares, após assumirem e resgatarem a ordem atropelada pelo comunismo, transformaram o Brasil, da 49ª economia do mundo, na 8ª economia do mundo.
Assim, pela verdade dos fatos, que se honre nesse fim de semana os 56  anos do movimento que evitou nos transformarem numa Venezuela de hoje. 
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Sugere-se a leitura do e-book "Entre Mitos e Verdades - a História do Regime Militar", que pode ser baixado em http://bit.ly/2I2c7dJ

sexta-feira, 20 de março de 2020

Sequestros, Esta é a Palavra Correta

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SEQUESTROS, COM LETRA E SANGUE
Ofende às vítimas saber que as FARC falam ante a JEP de "retenções".
Como se fosse pouco para um ser humano estar meses ou anos acorrentado, humilhado. 
A reparação também é moral.
Os discursos justificatórios das FARC, agora Partido FARC, minimizando as atrocidades cometidas por seus guerrilheiros enquanto estiveram imersos no conflito armado contra o Estado colombiano, não conhecem limites.
Ofende a centenas de milhares de vitimas seu discurso nas audiências da JEP (Jurisdição Especial de Paz) “suavizando” o teor humilhante e desumano de seus crimes.
Denominar “retenções” a sequestros que demoraram meses e anos, dos quais muitas vitimas nunca regressaram ou após os quais suas vidas foram afundadas em traumas e recordações de horrores é mais um dos malabarismos verbais que se chocam contra a necessidade, e a obrigação — segundo os acordos firmados com o Estado —, de dizer a verdade, de garantir a não repetição e de reparar não só economicamente mas também moralmente a esteira de vitimas que deixaram.
O idioma e suas acepções oferecem claridade: uma retenção talvez poderia aludir a que um dos bandos de uma confrontação prive da liberdade transitoriamente a civis em circunstancias de combate, de hostilidade, de comprovação de informações de Inteligencia, mas os sequestros das FARC contra diferentes personalidades do país fizeram parte de uma rede de cálculos criminais de intimidação da sociedade, de crueldade, de ostentação de “poder” e humilhação aos cidadãos, que se prolongaram com implacável desprezo pela vida e a humanidade.
Nos acordos de Havana com as FARC, assim como na sua evolução normativa, os compromissos da ex-guerrilha são claros: incluem a não re-vitimização. Se os reincorporados não os cumprirem, podem ter revogados os múltiplos benefícios jurídicos concedidos.
Por sua parte, a Jurisdição Especial de Paz (JEP) não é espectadora passiva do que queiram indigitar os responsáveis de crimes tão cruéis como o sequestro. Embora em uma primeira etapa processual devam ser registrados os testemunhos, chegará o momento em que devem valorar, contrastar, contra-interrogar, questionar e, finalmente, julgar. Julgar com a lei nas mãos, com as definições precisas sob as quais as normas tipificam os crimes de guerra e delitos de lesa humanidade.
A carta da líder política Ingrid Betancur para a JEP retrata essa indignação, em dupla via: a primeira, porque se inteirou das categorias e do relato manipulado dos ex-combatentes, nas audiências, por versões dos meios de comunicação, não dos magistrados e do sistema de justiça transicional.
O segundo, que é o mais profundo e que é a substância deste editorial, porque a historia de sofrimento e ignominia que padeceram as vitimas dessa guerrilha, em especial os sequestrados (hoje vivos ou mortos), pode ser enterrada e seus efeitos jurídicos e judiciais diluídos no esquecimento e na impunidade.
Varias linhas da carta de Íngrid descrevem a surpresa e o mal estar: “O agrilhoamento era parte de sua obsessão com o castigo para nos quebrar psicologicamente (...) Se apropriaram de minha vida, de meu tempo familiar e laboral (...) para me usar como escudo militar, moeda de troca e plataforma midiática”. Por isso, adverte ela com razão que “perdão não é esquecimento. Tampouco é impunidade”.
Se o Partido FARC e os desmobilizados pretendem se insertar realmente na vida do país, e na civilidade, deverão entender que sua aceitação não significa esquecimento nem este relato lânguido e eufemístico de suas atrocidades.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Mentira Esquerdista Desmentida

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“Os adolescentes cometem menos de 1% dos homicídios e são 36% das vítimas”
por Leandro Narloch
Ainda não sei qual é a minha posição sobre a redução da maioridade penal. Concordo que há um problema de impunidade de adolescentes violentos, mas o projeto parece mais uma manifestação do mesmo populismo penal que motivou a lei do feminicidio. O que eu sei é que os dois lados da discussão precisam ter mais cuidado com os números e argumentos que apresentam.
Nas últimas semanas, o Globo, a Folha de S. Paulo, o Diário de S. Paulo, a revista Exame, o portal Terra, a edição impressa de Veja e quase todas as ONGs e políticos contrários à redução disseram que menos de 1% dos homicídios no Brasil são cometidos por adolescentes. A Folha reproduziu o dado num editorial e em pelo menos dois artigos, de Vladimir Safatle e Ricardo Melo.
Havia razão para publicar a porcentagem, pois ela parecia vir de órgãos de peso — o Ministério da Justiça e o Unicef. Acontece que a estatística do 1% de crimes cometidos por adolescentes simplesmente não existe. Todas as instituições que jornais e revistas citam como fonte negam tê-la produzido.

O Mito do 1%
Numa nota contra a redução da maioridade, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) reproduziu a estimativa e deu a Secretaria de Direitos Humanos como referência. Mas a Secretaria de Direitos Humanos diz que nunca produziu uma pesquisa com aqueles dados.
O Congresso em Foco, hospedado pelo UOL, afirma que “segundo o Ministério da Justiça, menores cometem menos de 1% dos crimes no país”. Um punhado de deputados e sites do PT diz a mesma coisa. Mas basta um telefonema para descobrir que o Ministério da Justiça tampouco registra dados de faixa etária de assassinos. “Devem ter se baseado na pesquisa do Unicef”, me disse um assessor de imprensa do ministério.
Seria então o Unicef a fonte da estimativa? Uma reportagem do Globo de semana passada parece resolver o mistério: “Unicef estima em 1% os homicídios cometidos por menores no Brasil”. Mas o Unicef também nega a autoria dos dados. Fiquei dois dias insistindo com o órgão para saber como chegaram ao valor, até a assessora de imprensa admitir que “esse número de 1% não é nosso, é do Globo”. Na reportagem, o próprio técnico do Unicef, Mário Volpi, admite que a informação não existe. “Hoje ninguém sabe quantos homicídios são praticados por esse jovem de 16 ou 17 anos que é alvo da PEC.” Sabe-se lá o motivo, o Globo preferiu ignorar a falta de dados e repetir a ladainha do 1%. O estranho é que o Unicef não emitiu notas à imprensa desmentindo a informação.
Também fui atrás da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, mas nada: o governo paulista não produz estimativas de faixa etária de assassinos, somente de vítimas. Governos estaduais são geralmente a fonte primária de relatórios sobre violência publicados por ONGs e instituições federais. Se o estado com maior número absoluto de assassinatos no Brasil não tem o número, é difícil acreditar que ele exista. Resumindo: está todo mundo citando uma pesquisa fantasma.
Na verdade, uma estatística parecida até existiu há mais de uma década. Em 2004, um pesquisador da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo lançou um estudo afirmando que menores de idade eram responsáveis por 0,97% dos homicídios e 1,5% dos roubos. Foi assim que nasceu a lenda do 1% de crimes cometidos por adolescentes.
Mas a pesquisa de 2004 tropeçou num erro graúdo. Os técnicos calcularam a porcentagem de crimes de menores em relação ao total de homicídios, e não ao total de homicídios esclarecidos. Sem ligar para o fato de que em 90% dos assassinatos a identidade dos agressores não é revelada, pois a polícia não consegue esclarecer os crimes.
Imagine que, de cada 100 homicídios no Brasil, apenas oito são esclarecidos, e que desses oito um foi cometido por adolescentes. Seria um absurdo concluir que apenas um em cada cem homicídios foi praticado por adolescentes. Um estatístico cuidadoso diria que menores foram culpados por um em cada oito crimes esclarecidos (ou 12,5%).
Adotando esse método, os números brasileiros se aproximariam dos de outros países. Nos Estados Unidos, menores praticaram 7% dos homicídios de 2012. No Canadá, 11%. Na Inglaterra, 18% dos crimes violentos (homicídio, tentativa de homicídio, assalto e estupro) vieram de pessoas entre 10 e 17 anos. Tem algo errado ou os adolescentes brasileiros são os mais pacatos do mundo?
Sim, tem algo errado: a estatística.

O Mito dos  36%
Há ainda outro malabarismo. Pesquisas sobre causas de morte de adolescentes mostram que, dos jovens que não morreram de causas naturais, 36% foram assassinados. Muita gente está usando essa porcentagem para uma afirmação bem diferente: a de que os adolescentes são 36% das vítimas de homicídio no país. Tiraram a porcentagem de uma frase e a colocaram em outra. O número real é bem menor. Em São Paulo, jovens entre 15 e 19 anos são 9% das vítimas. Se dividirmos em partes iguais, os mortos com 15 a 17 anos são 5,4% do total.
Até mesmo o Unicef concorda com o número mais modesto. A entidade diz que 33 mil brasileiros entre 12 e 18 anos foram assassinados entre 2006 e 2012. O total de homicídios nesse período foi de 350 mil, segundo o Mapa da Violência. Dá 9% de menores de idade no total de vítimas. É estranho ver o Unodc, também da ONU, repetir o mito de que 36% das vítimas de homicídio são adolescentes. É a ONU contradizendo a própria ONU.

A Falha do Argumento
Alguém pode dizer que o número de jovens homicidas continua baixo. Mesmo se for 1% ou 10%, a redução da maioridade não resolveria muita coisa. Acontece que os brasileiros entre 15 e 18 anos são, segundo o IBGE, 8% da população. Afirmar que adolescentes respondem por uma pequena parte dos crimes faz parecer que eles não são culpados pela violência do país, quando provavelmente são tão ou um pouco mais violentos que a média dos cidadãos.
Não há aí nenhuma novidade. Quem já passou pela adolescência sabe que essa é a época da vida em que mais nos sujeitamos a brigas, perigos e transgressões. Não é preciso ser um grande estudioso do comportamento humano para concluir que a juventude é a época de fazer tolice.
Além disso, a estatística compara uma faixa etária muito estreita — jovens entre 15 e 17 anos — com uma muito ampla — qualquer adulto com mais de 18 anos. É claro que o segundo grupo vai ficar com o maior pedaço. Mas se confrontarmos faixas etárias equivalentes, a violência é similar. Brasileiros entre 35 e 37 anos também são responsáveis por uma pequena porcentagem de assassinatos. Deveríamos deixar de condená-los, já que a prisão deles não resolveria o problema de violência no Brasil? Não, claro que não.
Os opositores da redução da maioridade penal ainda têm uma boa lista de razões para lutar contra o projeto de lei. Argumentos não faltam. O que falta é cuidado com os números.
@lnarloch
Atualização: depois da publicação deste post, fui procurado por Tulio Kahn, autor da pesquisa de 2004 da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Ele me esclareceu que foi a reportagem da Folha que chegou ao número de menos de 1% de crimes, cometendo o erro que descrevi acima. Segundo Kahn, em seus dados originais, os homicídios cometidos por adolescentes seriam 3,3% do total de homicídios esclarecidos.
Fonte:  Revista Veja

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Não Se Apavore Com o Novo Vírus — Leia Isto ...

O novo coronavírus ainda não é uma pandemia e não há como prever se o será.
A mortalidade é baixa, mas não se pode baixar a guarda.
O Presidente chinês interdita uma região e mata 10.000 pessoas enfermas com gás venenoso para evitar que se propague uma infecção ainda mais perigosa. Isto se conta na premiada novela de ficção científica Wake (Viking Canada, 2009), de Robert J. Sawyer. Nesse livro, para que o assassinato em massa não seja revelado, o país fica desconectado da Internet.
Quando se publicou a obra, em 2009, este cenário não parecia tão disparatado ante o encobrimento e a censura do governo chinês ao tratar com a síndrome respiratória SRAS (ver em Cronologia, abaixo). ¿Que detalhes dessa historia se relacionam com o surto do novo coronavírus?
Segundo o Hospital Universitário Johns Hopkins de Estados Unidos, já há 6.165 casos confirmados, 133 personas morreram e 126 contagiados se recuperaram [dados de 30 Jan 2020 — ontem estavam em 902 mortos].
Imagine uma cidade, com uns 11 milhões de habitantes, completamente fechada quanto ao seu exterior. Sem conexões de ônibus, trens, voos nem transporte público. As estradas, bloqueadas e as salas de cinema, fechadas. Atualmente, enquanto estás lendo isto, há dois lugares em que isto se passa. Estão localizados na China Central, no médio rio Yang-tze e se chamam Wuhan, da qual se tem escutado recentemente nas noticias, e Huang-gang, que tem a mesma população de Bogotá, uns oito milhões.
A respeito, o doutor Gauden Galea, representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) na China, disse ao diário The New York Times, “até onde sei, sitiar a 11 milhões de pessoas é novidade para a ciência”.
Cada vez há mais pessoas cobertas por estas medidas extremas para evitar que o problema de saúde pública seja ampliado. Desde o passado 24 de janeiro, ao menos 14 cidades e, portanto, cerca de 35 milhões de habitantes na China estão em quarentena para conter o coronavírus.
Lina Luna, internacionalista especialista em China contemporânea e professora da Universidade Externado de Colombia, afirma que ainda que aquele país seja fechado quanto a suas políticas internas, isto não ocorre em assuntos globais de saúde. De fato — diz — eles tem liderado a OMS e “tem sido abertos em quanto aos dados sobre esse vírus. Eles sabem que o mais apropriado em casos como este é a colaboração global”.
Diferentemente do que sugere a historia de ficção de Sawyer, apesar da quarentena, hoje quando a China volta a ser o epicentro de um vírus, está mais aberta quanto aos dados que tem obtido sobre a epidemia que inquieta o mundo. Em dez dias, por exemplo — um tempo recorde — investigadores chineses lograram sequenciar o vírus 2019nCov e publicaram na Internet (no portal de informação genômica NGDC) os dados para todos que queiram ter acesso a eles.

O que se sabe
Esta epidemia está se mostrando difícil. Se dissemina antes de que qualquer sintoma apareça. Para que o medo não se propague mais rápido: ainda não está na Colômbia [nem no Brasil] e não é uma pandemia. Não, ainda. Tampouco se sabe se será. O doutor Hugo Grisales Romero, matemático, estatístico e doutor em epidemiologia da Universidad de Antioquia, conta que existem modelos matemáticos para descrever o avanço de uma determinada enfermidade, mas “nem tudo está escrito”.
A pandemia é definida pela OMS — única entidade que pode determinar se uma epidemia se converte em algo mais — como uma propagação mundial de uma nova enfermidade. Francisco Javier Díaz, médico virólogo e docente da Faculdade de Medicina da Universidad de Antioquia, complementa: “O coronavírus não é pandemia porque ainda não se apresentaram casos autóctones fora da China”.
Sim, há casos na Europa e América do Norte, mas todos foram contagiados na China e posteriormente regressaram a seus sítios de origem.
No artigo científico Tempo de origem e dinâmica epidémica do novo coronavírus, publicado na Revista Biorxiv em 27 de janeiro de 2020, se assinala que a infecção começou em 17 de dezembro de 2019. Os pacientes começaram a chegar com pneumonia às clínicas de Wuhan. Seus sintomas eram febre, tosse e dificuldade para respirar. Algo normal no inverno no qual estão.
No entanto, os médicos não encontraram as causas das pneumonias e os pacientes não respondiam aos tratamentos com antibióticos. Até que apareceu o primeiro sinal de alarme: a maioria dos infectados trabalham em um mercado de animais vivos em que alguns animais domésticos e selvagens são comercializados.
O novo coronavírus já chegou a 13 países e já se sabe que o tempo entre a infecção e o inicio da enfermidade em uma pessoa é entre um e 14 dias.
É mortal, mata em media menos de 3% dos infectados e cerca de 20% experimentará enfermidade grave. Se perguntará, então, a que se devem os alarmas e a preocupação.

¿Exagero?
Embora ainda não seja pandemia, não descuide. No relatório do Global Preparedness Monitoring Board (GPMB), convocado conjuntamente pelo Banco Mundial e a OMS, foi advertido, em setembro de 2019: “Por muito tempo temos permitido um ciclo de pânico e negligência quando se trata de pandemias: nos precipitamos em esforços para combater uma ameaça seria, e rapidamente nos olvidamos do perigo que subsiste”.
Ainda que as enfermidades, epidemias e pandemias sempre tenham existido, conta Díaz, virólogo da U.de A., “os dois fatores fundamentais que complicam o surto são o crescimento da densidade populacional e o aumento do trânsito internacional”. Essa possibilidade contemporânea de viajar a qualquer parte do mundo em menos de 36 horas significaria que as infecções se possam dispersar de país a país e logo tornar-se mundiais.
Alberto García, médico pediatra intensivista espanhol, explicou em uma postagem no Twitter, que o coronavírus depende de aquele a quem infecta para replicar-se. Como todos os vírus.
“Há para todos: para cães, macacos, morcegos e humanos. Como vivem fazendo copias, às vezes cometem um erro que lhes favorece estupendamente. A copia lhes permite saltar, por exemplo, de morcegos para humanos”. Esta última hipótese acaba de ser apoiada por uma investigação publicada no The Lancet, que seguiu a pista da “árvore genealógica” de vários vírus encontrados em morcegos, muito similares ao da epidemia atual em pessoas.
É importante recordar que as infecções virais “não costumam requerer tratamento”, acrescentou. Os vírus se replicam, mas os seres vivos, armados com seu sistema imunológico, sacam seu conjunto de defesas para enfrenta-los.
Por isso é que o tratamento geralmente é o de gerenciar os sintomas e esperar. Se for um vírus respiratório, oxigênio ou auxílios para respirar, e se for digestivo, hidratação constante. As complicações, acrescenta García-Salido, se dão nos menores, nos mais idosos e nos pacientes com enfermidades ou situações de debilidades prévias.
O alerta se torna vermelho quando as infecções se dão por um novo vírus antes não descrito em humanos. Edwin Silva Monsalve, médico infectologista de Bogotá, e parte da ciência aberta na América Latina, disse em sua conta no Twitter que esta é a “terceira vez que um vírus zoonotico (de origem animal não humano), cruzou a barreira de especies”. Os outros dois foram a gripe aviaria e a suína.
As situações de gravidade e mortes se produzem em sua maioria em populações de risco. O resto, diz García-Salido, deve confiar no sistema imunológico, que saberá como tratá-lo.
Os pacientes se hospitalizam para frear a propagação de um vírus que não se conhece bem.
Por isso as agências de saúde como a OMS e o CDC dos Estados Unidos tomam medidas. Já se sabe que é um vírus de origem animal o que causa o surto e como se transmite. Agora se deve conte-lo e evitar que ele se expanda. É apenas lógico e não deveria alarmar a população. Na Colômbia a entidade encarregada pela prevenção é o Ministério de Saúde e Proteção Social. Na quarta-feira (29/1), Sandra Girón Vargas, diretora de epidemiologia e demografia dessa instituição, disse em entrevista coletiva que, até agora, as medidas são as mesmas que para a Infecção Respiratória Aguda (Ver as Recomendações, abaixo).
Esta situação já foi vivida antes, diz o doutor Díaz, e aprendeu-se bastante. No passado, ao apresentar-se outras epidemias similares, muitos queriam ajudar e não sabiam como. Agora se sabe que os planos de preparação iniciados em 2003 frente à gripe aviária tem sido de grande utilidade: tomamos consciência da importância dos programas de vigilância (um tipo especial de protocolo em que se controlam diversos parâmetros de maneira sistemática, periódica e oportuna) e foram estabelecidas normas para os alarmes e medidas de controle. Também, agora se sabe que há uma necessidade de controlar as epidemias da gripe animal e que não existem grupos de idade não sensíveis aos novos vírus gripais.
A diferença contemporânea é o fluxo de informação que fascina os científicos. A ciência cada vez mais colaborativa e menos individualista está gerando um grande banco de dados sobre o comportamento do coronavírus e de seu possível tratamento. Em um mês já se tem publicações científicas arbitradas que revisam assuntos clínicos, diagnósticos, possíveis tratamentos e número de contágios estimados por pacientes (dois a quatro).
Assim, se o vírus chegar à Colômbia [ou ao Brasil], mantenha a calma. As entidades encarregadas, o Ministério da Saúde, a Aerocivil, Migração da Colômbia e, inclusive, as mesmas companhias aéreas já estão preparadas para reagir ante a aparição deste vírus. Você tem sua cota na prevenção com atos tão simples como lavar as mãos constantemente. Consultar um especialista e informar-se bem antes de entrar em pânico também é uma boa estrategia.

Cronologia dos Vírus mais Mortais do Século XXI
— Zika: Em 2007 houve uma grande epidemia na Micronésia, onde cerca de 75% da população resultou infectada. Brasil informou sobre casos locais em maio de 2015. Se estendeu depois a outros 22 países.
— Ebola: Essa febre hemorrágica com uma alta taxa de mortalidade se produziu em 2013 na Guiné e logo se propagou a países vizinhos: Libéria, Serra Leoa, Nigéria e Senegal, entre outros.
— SRAS: A Síndrome Respiratório Aguda Grave (SRAS) apareceu em Cantão, China, em 2002. Se contagiaram 8.000 pessoas, e mais de 800 faleceram em 37 países. É similar ao coronavírus de Wuhan.
— Gripe aviária:  Os tipos mais conhecidos de gripe aviaria são o H5N1 e o H7N9. O primeiro caso em humanos do vírus H5N1 se deu em Hong Kong em 1997. Entre 2003 e 2014 houve 700 contágios e morreram 400 pessoas.
— Gripe suína: Em 2009, uma cepa chamada H1N1 ou também gripe suína, originou uma pandemia. Morreram mais de 18.000 personas. O surto se propagou por mais de 20 países, sobretudo no sudeste asiático.
— Coronavirus 2019-nCoV: Este novo vírus apareceu na cidade chinesa de Wuha. Se transmite de pessoa a pessoa e pode ser contraído ao comer carne animal pouco cosida. Os sintomas são similares aos de uma gripe.

Glossário
— Epidemia: Detecção de um aumento no número de casos acima do esperado, o que dá uma ideia da propagação de uma doença, mas não o quão patogênica é.
— Pandemia: Quando um novo vírus se espalha pelo mundo e a maioria das pessoas não tem imunidade contra ele. Casos indígenas devem ocorrer.
— Vírus: Não há consenso sobre se estão vivos ou não. Eles estão alojados dentro de uma célula de outra criatura. Instalados, eles começam a fazer cópias deles mesmos.
— Coronavírus: Extensa família de vírus, alguns dos quais podem ser a causa de várias doenças humanas, desde o resfriado comum até a SRA.

Recomendações
Para evitar contágios:
1 — Lave as mãos. Esta é a medida mais simples e eficaz de proteção contra infecções.
2 — Se você tossir e não tiver um lenço de papel, faça-o no cotovelo. Infecções se espalham por curtas distâncias.
3 — Fique em casa se estiver doente. Esteja ciente de quão importante é evitar o contágio.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano
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