domingo, 4 de maio de 2008

Roraima — Laudo Antropológico Fraudulento

por Fabio Cavalcante
O laudo antropológico feito para justificar a demarcação em área contínua da Reserva Raposa Serra do Sol foi uma fraude. Essa é a afirmação feita pelo historiador roraimense Riobranco Brasil, que disse ter provas conclusivas que alegam que apenas uma pessoa elaborou o documento, ao invés de um grupo de trabalho, como mandava a Justiça. O historiador caracteriza o laudo como a maior peça farsante já produzida e que chegou a induzir as autoridades federais, na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, para oficializarem a demarcação da área indígena.
Os autos que comprovam a farsa estão reunidos no livro do autor, "Pedra Pintada, o Templo Sagrado", ainda em fase de publicação. Nele, Riobranco afirma que o grupo técnico, recrutado pela Funai para elaborar o relatório antropológico, nunca existiu. "O que se chama grupo se resume apenas em uma pessoa: a antropóloga Maria Guiomar de Melo, que foi a única que assinou o relatório", disse o historiador. "É de se supor que ela estivesse representando todo o grupo dos 27 técnicos das várias instituições envolvidas".
O processo de pesquisa foi realizado entre 1991 e 1993. Os 27 técnicos eram representantes da então Secretaria estadual de Meio Ambiente, Interior e Justiça de Roraima (SEMAIJUS), por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), por membros do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e do Conselho Indígena de Roraima (CIR).
O grupo interinstitucional foi formado por dez índios indicados pelo CIR. Segundo Riobranco, isso demonstra a parcialidade por não constar representações de outras instituições e dos índios contrários à demarcação em área contínua. "Além do fato de o relatório não representar o pensamento dos membros do grupo técnico, é considerável a pouca representatividade desse grupo constituído pela Funai".
Para o pesquisador, a Assessoria Jurídica do Governo do Estado deve entrar com uma ação judicial pedindo a anulação do laudo e, conseqüentemente, a anulação da homologação de Raposa Serra do Sol.
Além disso, a Assembléia Legislativa deve convocar para depoimento a antropóloga Maria Guiomar de Melo, apontada como a responsável pela elaboração do laudo. "Ela vai ter que se explicar sobre a elaboração fraudulenta desse documento, que em nada justifica a operação da Polícia Federal de retirada dos não-índios da terra indígena".
O historiador afirma que um fato semelhante ao que ocorre na Raposa, aconteceu há 104 anos, em que o Brasil perdeu uma gleba de 19.630 km para a Inglaterra. Trata-se da questão do Pirara, região localizada na época a Leste do Estado de Roraima.
Alegando estar proporcionando a exploração da riqueza britânica, o império inglês enviou ao lugar o explorador prussiano Robert Hermam Schomburgk, em 1835. Mais tarde, sob o argumento britânico de o território ser ocupado por tribos independentes que reclamavam a proteção inglesa, o Brasil reconheceu provisoriamente a neutralidade da área em litígio e retirou seus funcionários e o destacamento militar, com a condição de que as tribos continuassem independentes.
Logo, em 1842, uma expedição militar liderada por Schomburgk colocou marcos fronteiriços, demarcando a fronteira sem a anuência do governo brasileiro.
O feito foi chamado de "Linha Shomburgk". A questão se prolongou até 1904, quando, por fim, o Brasil aceitou o laudo arbitral do rei Vitor Emanuel III, da Itália, que deu ganho de causa à Inglaterra, perdendo o Brasil 19.630 km2 de seu território (o rei italiano concedeu de volta ao Brasil os outros 13.570 km2) e, conseqüentemente, os afluentes da bacia do Essequibo. Com a conquista, a Inglaterra obteve acesso às águas do Rio Amazonas pelos rios Ireng e Tacutu.
"A argumentação de Schomburgk para que o Brasil perdesse a questão do Pirara é a mesma mentira que estão argumentando para o país perder Raposa Serra do Sol", disse Riobranco. "Naquela época, o rei italiano Vitor Manuel usou os índios como escudo e hoje a história se repete. Outros italianos estão usando novamente os índios como escudo".
Fabio Cavalcante é historiador
Fonte: Tribuna da Imprensa, 30/04/08
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Finalmente, Enfureci!

.Waldo Luís Viana
Acordei de madrugada, neste outono de terremoto, a pensar sobre o que aconteceu realmente em meu país. Todo mundo já disse tudo. A imprensa golpista, a imprensa esquerdista que não se diz golpista (aliás que caricatura grotesca o esquerdismo a favor!) — e fiquei matutando: o que nos aconteceu?
Os políticos continuam os mesmos, safados, entre uísques, interesses e amantes, procurando os seus cadinhos, como moscas em volta das fezes do poder. Uma Pátria dirigida por pútridos, em sucessão de escândalos que não dá pra registrar, empreiteiros, bicheiros, lobistas, vigaristas, assessores, falsos empreendedores com escritório de fachada, amantes em busca de carteiras gordas e uma gravidez premiada, traficantes pequenos e grandes, a cocaína e a prostituição à solta, a pornografia invadindo os olhos dos nossos filhos pela internet e a corrupção vitoriosa, tão inexcedível em seu poder de persuasão, que os corruptos levam os filhos de carro blindado para a escola e seus netos serão inevitavelmente chacinados por alguém, desesperado, que o gordo, careca, de terno cinza e gravata vermelha, com certeza no passado prejudicou...
O que aconteceu neste país que nossos vizinhos querem tomar nossas riquezas e os índios e ONGs estrangeiras nossos territórios e minerais? Onde generais, sempre ciosos do respeito à hierarquia, acalmam as suas mulheres nos travesseiros noturnos, dizendo que com certeza virá o próximo aumento para a tropa? E olha que mulher de militar é fogo, hein, tem coragem...
O Brasil, como dizia o velho general Golbery é um barril de pólvora. E dizia mais: entre sístoles e diástoles vamos desdobrando nosso vil destino, enquanto as maiorias não cobram o seu quinhão. Esperemos, pois, que a Rocinha desça um dia e tome São Conrado, onde reside o Sr. César Maia e outros que tais. Vai ser uma novela da Rede Globo. Ainda bem que o Projac fica mais longe...
Cá estou eu, diante do computador que ainda me resta, pensando em meu país, sem dormir, como o velho seringueiro de Mário de Andrade. De que adianta pensar que minha filha está longe e se atravessar minha cidade de madrugada possa levar uma bala perdida? E o festival em torno da morte da menina Isabella? A mãe verdadeira já está sendo envolvida por duplas caipiras e talvez se torne artista do próximo Big Brother...
Tudo nessa terra é banalização. Vivemos a morte bem morrida da ética. Eu também tenho os meus pecados, como cruel mortal, mas diante do que vejo, das carnificinas, das bocas de fumo, dos caveirões e fuzis AR-15, sou reles e ingênuo inocente.
Escritor e poeta com tantos livros a publicar, outros no estrangeiro porque minha gente não me deseja ler, porque não apanhei da ditadura (tinha quinze anos quando ela explodiu) e não posso nem requerer indenização...
O que aconteceu, meu Deus, a meu país, em que as mulheres precisam tirar a roupa para subir na vida e encontrar um figurão para escorar o divórcio. Em que as prostitutas são seres dos mais nobres porque fazem distribuição de renda: tiram dos homens mais velhos o dinheiro que revertem para os filhos mais novos, que não pediram para nascer...
E nossos aposentados, roubados a cada dia em seus proventos de vento, não podem recorrer a ninguém, já sem forças. Os que lhes esmagam serão velhos um dia também, mas vivem da esperança de repatriar o dinheiro de paraísos fiscais, onde os brasileiros detêm 150 bilhões de dólares e não receiam qualquer guerra e, no íntimo, fazem previsão meteorológica de que jamais haverá um tsunami no Caribe...
Nossos juros, os mais altos do planeta, para conter o egoísmo da inflação produzido por nossas elites. Nenhuma idéia nova. Só a mesma ortodoxia econômica da Escola de Chicago. Como se o sol nascesse a cada dia por causa do Itaú, do Bradesco e do Banco de Boston. Essas instituições não valem a beleza de um carvalho, nem o pescoço de uma vaca pendido no pasto...
O Brasil da dengue, dos seios siliconados, da febre amarela, do carnaval do abadá e do rouba-cá, das geladeiras novas do bolsa-família para poupar energia, enquanto entregamos Itaipu para o falsificado irmão Paraguai, da solidariedade latino-americana que é sempre contra nós, dos norte-americanos que ainda pensam que comemos bananas e temos cobras pelas ruas passando entre tiros de fuzil, pobre Brasil, em que os poetas não estão nas praças públicas, mas trombadinhas e mulheres grávidas morrem nas portas dos hospitais públicos, aqueles da saúde quase perfeita.
Afinal temos um PAC de placas, discursos e pedras fundamentais, pastores bandidos que devem ao fisco e não podem ser investigados porque têm bancadas parlamentares, um congresso fascista, movido a facções profissionais como queria Mussolini, e uma falsa esquerda, sempre ética antes de chegar ao poder e coberta de dossiês e socialismo de mercado quando encontra com ele. Pobre país em que temos quase 50 ministros, como na extinta União Soviética e 22 mil cargos de confiança, como em qualquer ditadura africana.
Onde isso tudo vai acabar? Em nada. Na minha cama, para onde irei como sempre, assustado, à espera do efeito do calmante...
Waldo Luís Viana é escritor e economista.
Rio de Janeiro, 24 de abril de 2008.
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Assassinos É o Que São!!!

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O desgoverno brasileiro, sob orientação do Foro de São Paulo, nega-se a declarar a quadrilha das FARC como terrorista.
Conheça um pouco mais sobre esse "grupo insurgente":

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As Duas Faces da Mesma Moeda Podre.

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Trecho de artigo de Fernando Henrique Cardoso, publicado hoje nos jornais, com o título "Inventar o Futuro":
"Para tanto é preciso virtude e desprendimento. Não sufocar no nascedouro, como ainda agora em Belo Horizonte, qualquer entendimento entre forças do mesmo campo, nem alentar manobras continuistas e muito menos encobrir práticas policialescas que nem o regime militar ousou para desmoralizar os adversários. Será que existe algum fiapo de realismo em se propor que, apesar de tudo, não renunciemos a pensar grande, a inventar o futuro? Não sei, mas com ou sem realismo, se não se alenta a esperança, como produzir uma sociedade cujos cimentos não se apoiem apenas no mercado e na demagogia?"
É o ex-presidente falando um pouco como intelectual, um pouco como político esclerosado. Para Fernando Henrique Cardoso, PT e PSDB passaram a ser "forças do mesmo campo"! Tucanos, comecem a pastar. E quem achar ruim que vá amarrar seu burro em outro pasto
CORTESIA COM O CHAPÉU DOS OUTROS.
Na próxima semana, a "mãe" do Dossiê vai depor no Senado, onde não deveria escapar de dar explicações sobre o uso desregrado do cartão corporativo e de informações sigilosas para constranger a oposição. Não deveria. No entanto, segundo o Painel da Folha, tucanos prometem pegar leve com Dilma Rousseff na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, na quarta. Sérgio Guerra tem trocado figurinhas com o ministro José Múcio (Relações Institucionais) sobre o tema cartão corporativo. "Vamos tratar a ministra com cortesia", afirma o presidente do PSDB.
Fazer cortesia com o dinheiro do povo brasileiro parece ser a marca registrada dos "punhos de renda" que compõem o tucanato.
Fonte:   Coturno Noturno
COMENTO: Infelizmente, após 1985 não foi estruturado nenhum partido que tivesse o objetivo de se contrapor aos ditos "socialistas", que se estabeleceram em diversos "partidos" que não são mais do que diferentes ramos da mesma árvore podre, estéril e daninha conhecida como comunismo.
Esses patifes apresentam-se como "oposição" mas estão sempre prontos para realizar acordos evitando deixar mal seus comparsas. Essa falta de uma oposição "de verdade", que assuma seu papel de defesa do capitalismo, é o que nos está conduzindo à "ditadura do proletariado" comandada pelos diversos "partidos" que não passam de "tendências" da mesma quadrilha.
A culpa disso cabe ao excesso de escrúpulos dos que venceram na década de 60 mas não souberam realizar o "aproveitamento do êxito" enviando ao paredão as lideranças da corja que hoje aniquila nosso país aos poucos, como imensa parasita de múltiplos ramos (BNDES, FAT, bolsa-anistia, cartões corporativos sem controle, cargos de confiança, etc).
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Liberou Geral.

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Hoje tem a Marcha da Maconha, em várias capitais, para liberar o uso da erva. Na próxima semana, será realizado, em Brasília, o II Congresso Internacional do Huasca, o poderoso alucinógeno usado nos rituais do Santo Daime.
Sobre a liberação do uso de drogas, nenhuma autoridade brasileira ou movimento social se manifestou contra.
Ao contrário, Gilberto Gil, ministro da Cultura, afirmou: "espero que nós possamos celebrar em breve o registro do ayahuasca como patrimônio cultural da nação brasileira". Gil até hoje não vem a Florianópolis pois, certa vez, foi preso aqui, em flagrante, portando um "baseado".
E Tarso Genro, ministro da Justiça, prefere perorar sobre o "ser ou não ser crime" do Dossiê, em vez de manifestar uma posição firme contra a apologia ao uso de drogas.
Até a própria CNBB, optou por se preocupar com a cerveja. A Pastoral da Criança esteve recentemente na Câmara Federal para entregar 600.000 assinaturas em apoio ao Projeto de Lei 2733/08, que proíbe a propaganda de bebidas alcoólicas.
Ou seja: querem garantir que os efeitos "saudáveis" da maconha e da ayahuasca, amplamente liberados, não sejam ofuscados pela "marvada" da cachaça.
Do jeito que vai, ainda vamos assistir o Noço Guia tomando um chazinho de ayahuasca em reunião do conselho econômico e "apertando" uma "mangarosa" na reunião do conselho político. Maior barato, bicho.
Fonte:  Coturno Noturno
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sábado, 3 de maio de 2008

Desfazendo o Mito da Frota Americana

Hernani G. Teixeira - Cel Ref
Dia sete de abril de 1964, se não me engano. Sucessivas noites insones. O cansaço tomando conta da gente devagarinho, o que não nos impedia de perceber que era uma manhã radiosa de outono no Rio de Janeiro. O general Sizeno, chefe de gabinete, me toma pelo braço e me conduz até uma janela do salão D. João VI, ante-sala do gabinete.
— Vamos tomar um pouco de ar puro, Hernani. Estou preocupado com o chefe. Ele precisa ter, no mínimo, uma noite de sono completa. Será que você não consegue isso?
— General, nem a D. Iolanda está conseguindo levá-lo pra casa.
— Agora mesmo tive de descartar uma entrevista que o embaixador Lincoln Gordon estava solicitando, para poupar um pouco o general.
— General, o Sr falou isso com o general Costa e Silva? Eu acho que deveria falar, chefe.
— É, é o que vou fazer mesmo. Quer saber de uma coisa? Fala você mesmo.
Entrei no gabinete.
— General, o embaixador americano solicita uma entrevista com o Sr., ainda hoje, se possível. Temos aqui uma janelinha na lista de audiências...
— Depois de amanhã, capitão. Não quero falar com esse senhor antes disso. Chame o coronel Lauro (Lauro Alves Pinto, chefe da divisão de informações do gabinete, meses depois meu general comandante em Manaus).
O coronel Lauro recebeu mais uma missão. Descobrir em 48 horas que diabos o embaixador pretendia com a audiência.
Descobriu, ou melhor, concluiu. Só poderia ser a batida que a DOPS carioca (Delegacia de Ordem Política e Social, estadual) havia feito no escritório do deputado Almino Afonso, se não me engano num prédio da Avenida Treze de Maio, na Cinelândia, Rio.
A DOPS foi abrindo portas até que se deparou, numa delas, com o escritório da United Press, agência de notícias controlada por capitais americanos. Logo que perceberam o engano, os agentes fecharam e lacraram a porta. Se deram uma “olhadinha”, eu não sei dizer. A resposta da DOPS foi que “nós não mexemos em nada”. 
Qualquer órgão de informação não perderia a oportunidade e, mesmo assim, falaria a mesma coisa.
— Deve ser isso, general. A não ser — completou o coronel Lauro — que ele traga amanhã uma mensagem de solidariedade do governo americano pela virada que a revolução deu no Brasil, tendo em vista que o senhor hoje responde pelo país.
— Qual das duas alternativas você escolheria, Lauro?
— Como oficial de informações tenho que considerar todas as hipóteses, mas o meu instinto aponta para a primeira.
— Eu também aposto nela. A propósito, ligue-se com o gabinete do Brigadeiro Mello (comandante da Aeronáutica) e peça aquelas fotos para hoje.
— O senhor vai tocar no assunto com o embaixador?
— Não tenha a menor dúvida, coronel. Só vou recebê-lo pra isso.
Saí do gabinete sem entender nada. Que fotos? O que tem isso a ver com a Aeronáutica e com o embaixador americano? Quando o mistério é muito grande, serene o espírito e cale a boca. Foi o que fiz, recolhendo-me à insignificância de um simples ajudante de ordens.
No dia da audiência, Costa e Silva deixou Gordon esperando por mais de uma hora. No salão D. João VI ele foi tratado com conversas amáveis e com as dignidades devidas a um embaixador. Cafezinho pra cá, água gelada pra lá, aquela coisa toda. O embaixador falava português quase sem sotaque. O que incomodava um pouco era o seu cachimbo, mas nós tratamos de avisá-lo que o ministro tinha uma alergia terrível ao cheiro de cigarros, charutos e cachimbos, o que era uma deslavada mentira mas que talvez servisse para desequilibrá-lo um pouco. Ele estava à vontade demais cavalgando aquele cachimbo.
Antes de o embaixador entrar, o general chamou os dois ajudantes de ordem e determinou que um de nós estivesse sempre por perto durante a audiência para que o ajudássemos a reconstituir toda a conversa depois que tudo terminasse. Não havia ainda dispositivos discretos de gravação disponíveis naquela época.
Lincoln Gordon foi amavelmente recebido por Costa e Silva, que convidou-o a sentar num sofá, cada um em uma extremidade.
— Pois não, embaixador, em que posso ajudá-lo?
Gordon deu voltas homéricas até entrar no assunto. Era mesmo o caso da United Press. Costa ouviu-o em silêncio, até o fim.
— Embaixador, quando o senhor me solicitou audiência, julguei que vinha nos trazer a solidariedade do seu governo que, inclusive, apressou-se em reconhecer o nosso. Num rasgo de otimismo, confesso, cheguei a pensar que me trazia o anúncio de investimentos americanos no Brasil, veja só! Meu raciocínio foi simples. Se uma ilhota comunista (ele se referia à Cuba, obviamente), com um vigésimo da população brasileira e que cabe três vezes dentro do menor estado brasileiro, tem causado tantos problemas para os senhores, seu governo deveria estar festejando o fato do Brasil ter evitado a implantação do mesmo regime entre nós. Já pensaram que pedra no sapato nós poderíamos ser se acrescêssemos a foice e o martelo em nossa bandeira? No entanto, o senhor me vem com uma questão pequena dessas! Francamente, embaixador!
A seguir, Costa relatou ao embaixador a verdadeira versão da “invasão da United Press”.
— Aproveitando sua presença entre nós, gostaria de mandar um recado ao seu governo.
Capitão, nos dê licença, por favor.
A audiência continuou por mais meia hora, com os dois a sós.
Após esse encontro o general concordou em passar a noite em casa.
— A Iolanda anda me apertando. Quer saber se estou casado com ela ou com a pátria. Mande encostar meu carro, capitão. Aproveite você também para descansar um pouco.
— Vou deixá-lo em casa general. De lá seu motorista me deixa na Praça XV.
— Diga ao Sizeno para ele ir também comigo. Tenho algumas coisas que podemos acertar pelo caminho.
No carro, eu na frente e os dois generais atrás.
— General — perguntou Sizeno Sarmento — o Lauro lhe entregou as fotos?
De novo as fotos. Meu coração acelerou um pouco. Meus ouvidos cresceram tanto que invadiram o banco de trás do carro.
— Entregou, mas não tinha nada não.
— Aí o senhor não tocou no assunto com o embaixador, não é?
— Claro que toquei, Sizeno. Você tem cada uma! Se eu o recebi só pra isso!
— Posso saber o quê o senhor falou?
— Eu disse a ele que ouvi um boato sobre a presença de uma esquadra naval americana em águas muito próximas de nosso mar territorial — faixa de 8 milhas de largura na época, acompanhando o recorte de nosso litoral. Disse ao embaixador que nunca pedimos isso ao governo americano, que somos uma nação zelosa por nossa soberania, que os nossos problemas nós mesmos resolvemos, que a proximidade da esquadra, se verdadeira, estava nos incomodando, que agradecia os cuidados deles mas que os dispensávamos.
— E ele, disse o quê?
— Jurou de pés juntos que não tinha esquadra nenhuma, que se tivesse ele saberia que o governo americano não faria uma violência dessas, e por aí vai..
— O senhor acreditou?
— Acreditei na FAB, que sobrevoou e vasculhou a área e não encontrou nada .
Capitão — dirigindo-se a mim — sua presença nesse carro é meramente acidental. Gostaria de contar com o seu silêncio.
— Sim, Excelência — o general ficava irritado com esse tipo de tratamento, mas ele era um código tacitamente estabelecido entre nós. Naquele momento o general precisava sentir que sua recomendação era desnecessária e irritante.
Na realidade, sou um inconfidente, 44 anos depois, tentando me proteger por um escudo comum aos historiadores, e não a mim, chamado “distanciamento histórico”.
Costa e Silva tinha lá suas razões com relação ao tamanho da minha língua.
Hernani Guimarães Teixeira - Cel Ref
Comentário do Editor
Quarenta e quatro anos se passaram, e o então Capitão Hernani G. Teixeira, nos traz uma pagina oculta de nossa história, que nos enche de recordações, de quando um Presidente da República era identificado, não pela faixa Presidencial ou pelo o que seja em sua lapela, mas pela autoridade que se revelava em seus atos e atitudes cerimoniosas, formais, pela polidez pela consciência da liturgia do cargo, pela responsabilidade de que, uma só palavra sua fora do contexto poderia por em risco as pretensões do movimento militar, que atendia aos clamores da sociedade, receosa do regime comunista que se alastrava, pondo em risco a segurança e a hierarquia. Essas qualidades Costa e Silva comungava desde Ministro do Exército, e necessárias a redemocratização do País. O movimento iniciava seus objetivos colimados na recondução pacífica da ordem e do progresso. A soberania da Pátria se sustentava em sua firmeza de propósitos, bem ao estilo do relato de seu ajudante de ordens, de quem discordo quanto a auto análise que faz sobre sua sobriedade e circunspeção, visto que mais discreto do que esperar 44 anos, me parece impossível, o próprio Costa e Silva já o teria liberado da promessa a muito tempo, e deve estar orgulhoso, onde estiver com a descrição de seu Ajudante de Ordens, que nos trouxe essa doce página da história dos tempos em que Brasil era um País de sério, bem diferente da atual república sindicalista.
Merece o Coronel Teixeira o cumprimento de toda reserva das FFAA bem como a manifestação dos militares da ativa — é o mínimo que se espera, por desmascarar a existência da “Esquadra Fantasma Americana”.
Fonte: Reservativa
COMENTO: procurando na rede mundial, encontra-se algumas referências a uma suposta Operação Brother Sam, um imaginário deslocamento de uma frota de belonaves dos EUA em apoio ao Contragolpe de 31 de Março de 1964. Todavia, ao analisarmos o telegrama enviado na tarde do próprio dia 31, pelo Departamento de Estado ao Embaixador dos EUA no Brasil, verifica-se que, na realidade tudo não passou de um planejamento — "if it is decided this should be done" = se for decidido que isso deve ser feito — para o tão falado apoio, com previsão de chegada da primeira nave à costa brasileira em 8 de abril de 1964. Dessa forma, fica claro que não houve intervenção alguma dos norte-americanos na deposição do governo cripto-sindicalista de Jango.

A Ditadura do Proletariado, Segundo Marx

Como plagiador, Marx ultrapassa os limites da pura desonestidade. De Marat, se apropria da frase “o proletariado nada tem a perder, exceto os seus grilhões”. De Heine, “a religião é o ópio do povo”. De Louis Blanc, sacou a fórmula “de cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades”.
De Shapper, tirou a convocação “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”, e de Blanqui, a expressão “ditadura do proletariado”. Até mesmo sua obra bem acabada e vertiginosa, O Manifesto Comunista (1848, em parceria com Engels), é um plágio vergonhoso de O Manifesto da Democracia, de Victor Considérant, escrito cinco anos antes.
A opção da via democrática ao socialismo e o abandono do princípio da ditadura do proletariado como expressão do poder político da classe operária é um debate teórico que se desenrola, há anos, no Movimento Comunista Internacional, pois é considerado aquilo que constitui a chave do marxismo-leninismo: a teoria de Estado.

A fase, ou etapa, do Estado de todo o povo, conforme definição constante da Constituição stalinista de 1936, ou do socialismo desenvolvido, segundo a Constituição de 1977, apresenta formas inéditas de Estado, sem explicação e nem fundamentação teórica desde a perspectiva da teoria marxista. Ou seja, significa uma etapa a mais entre o capitalismo e o comunismo, introduzida pelos ideólogos do Kremlin.
É sabido que Marx assinalou que “entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista existiria um período de transformação revolucionária da primeira na segunda (...) Esse período de transformação do capitalismo em comunismo seria denominado socialismo, ou primeira fase da sociedade comunista”.

A caracterização do socialismo como primeira fase da sociedade comunista é fundamental para compreender seu alcance e limitações.

Ao assinalar que essa fase intermediária entre o capitalismo e o comunismo levaria, ainda, “o sinete da velha sociedade”, Marx reconheceu que, necessariamente, persistiriam elementos da velha sociedade capitalista em luta com aqueles elementos que seriam expressão da nova sociedade: a comunista. Persistiria existindo o direito burguês, que prosseguiria regendo o caráter da distribuição da riqueza social: “a cada um segundo o seu trabalho”. Persistiria a exploração do trabalho assalariado, a exploração da classe operária e a sua força de trabalho.
O socialismo, ao eliminar a propriedade privada sobre os meios de produção, terminaria, apenas, com uma das formas de exploração do homem pelo homem. Na medida, porém, em que a força de trabalho continuasse sendo encarada como uma mercadoria e o salário como o seu equivalente, o trabalho seria, ainda, assalariado. Persistiriam as classes sociais e a luta de classes continuaria sendo o motor da História. Persistiria o Estado como “expressão da dominação de uma classe sobre as outras”. Haveria, porém, uma mudança fundamental no caráter de classe e no tipo de Estado que possibilitaria a transformação revolucionária da sociedade capitalista em comunista. Segundo Marx, “a esse período corresponderia também um período político de transição, cujo Estado não poderia ser outro senão a ditadura revolucionária do proletariado”, expressão tomada de Louis Auguste Blanqui.

Karl Marx assinalou ainda que uma das finalidades da sua obra — “O Capital” — foi a de “encontrar a lei econômica que regularia o movimento da sociedade moderna” e que “ainda que uma sociedade haja encontrado o caminho da lei natural com auxílio da qual se movimenta, jamais poderá ultrapassar e nem descartar, por decreto, as fases naturais de seu desenvolvimento. Poderá, unicamente, encurtar ou mitigar as dores do parto”.
Dentre as leis atribuídas a Marx, uma delas assinala que “a luta de classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado (...) e que essa mesma ditadura nada mais é que o trânsito a uma sociedade sem classes”.
A questão fundamental em torno da ditadura do proletariado não é tanto a necessidade de uma maior ou menor violência ou coerção sobre a burguesia expropriada, nem do maior ou menor grau de liberdade ou democracia. A questão central é definir se a revolução indolor, pacífica e democrática pregada por Gramsci, significa e constitui somente uma mudança da classe que exerce a dominação do Estado, ou se exige um novo tipo de Estado que tenha como objetivo a absorção da sociedade política pela sociedade civil, a não separação entre esta e o Estado, e o fim da divisão entre homens que governam e homens que produzem, condições fundamentais para o desaparecimento do Estado e o trânsito à sociedade comunista.
O socialismo não é, portanto, um modo de produção autônomo como o é o capitalismo, e nem um Estado acabado. Então, o que é o socialismo?
O socialismo, no dizer de Marx, seria apenas um período político de transição e de luta “entre os elementos que buscam restabelecer e perpetuar a velha sociedade, que morre, e os elementos da nova sociedade, que nasce”. A tendência ao avanço ou ao retrocesso estaria condicionada por múltiplos aspectos, dos quais o Estado seria um dos fundamentais, uma vez que, para que essa sociedade realmente cumprisse suas funções de sociedade de trânsito ao comunismo, o Estado não poderia ser outro que não o da ditadura do proletariado.
Lênin, por sua vez, justificou esse período de transição — ditadura do proletariado — e atribuiu a inevitabilidade de nele persistirem o direito burguês e um poder coercitivo, ao fato de que, ao saírem da sociedade capitalista, “os homens não estão ainda preparados para trabalhar para a sociedade sem sujeição a nenhuma norma de direito, e porque, também, não existem as premissas econômicas para essa mudança”. Todavia, por outro lado, assinalou Lênin, “a organização comunista do trabalho social (...) baseia-se, e cada dia mais se baseará, na disciplina consciente dos próprios trabalhadores (...) Essa nova disciplina não cai do céu e não é conseguida apenas com boas intenções. Ela surge exclusivamente das condições materiais da grande produção capitalista, e o portador, o veículo dessas condições materiais, é uma classe histórica determinada, criada, organizada, agrupada, instruída, educada e aguerrida pelo grande capitalismo. Essa classe é o proletariado”.
Conclusão de tudo isso: no período de transição denominado socialismo — fase inferior do comunismo — deveriam ocorrer uma série de condições que assegurassem o desenvolvimento social à fase superior. Uma das condições é a de que o Estado surgido da revolução deveria ser um Estado com capacidade de extinção. A sociedade reorganizar-se-ia de forma tal que permitiria suprimir a divisão entre governantes e governados visando estabelecer uma única condição: a de homens que produzissem e, ao mesmo tempo, atendessem às funções de governo.
A forma organizativa que permitiria conjugar o Estado com a produção, teria por base um Estado organizado sobre conselhos operários, organismos desde os quais a classe produtora administraria os meios de produção e exerceria as funções de Estado, deliberaria, decidiria e executaria. Os órgãos máximos de poder seriam as assembléias de fábricas. Os delegados dos conselhos regionais e nacionais seriam demissíveis em qualquer momento.
O aparato burocrático do Estado iria, assim, desaparecendo progressivamente. A estrutura hierárquica das empresas e a administração pública desapareceriam também, as tarefas administrativas seriam simplificadas ao máximo e iriam perdendo seu caráter político.
A máxima democracia operária seria acompanhada da mais ampla liberdade de pensamento, de reunião, de organização e de expressão. A justiça não seria um aparato independente da população, na medida em que seria exercida através dos próprios órgãos de poder. Os órgãos de repressão e coação seriam eliminados por desnecessários.
A fusão do ensino técnico e superior com a produção permitiria a educação permanente e ininterrupta dos produtores. Um novo tipo de vida criaria as condições necessárias à emancipação da mulher da escravidão doméstica para tornar efetiva sua igualdade ao homem, tanto em seu papel produtivo como na vida social.
Agora comparemos tudo isso que Marx imaginou com aquilo que em seu nome foi implantado na ex-União Soviética, demais Estados ditos socialistas do Leste Europeu e que ainda persiste em Cuba (e eu acrescento China e Coréia do Norte).
(*) Carlos I. S. Azambuja é historiador.
Fonte:   Midia Sem Máscara
COMENTO: Só pra sacanear os marxistas!!!

Política de Factóides Para Distrair o Povão.

El martes 29 de abril, desapareció de la faz de la Tierra el presidente de la Casa de la Memoria de Zárate, Juan Puthod, quien fue sobreviviente de un centro clandestino de detención de la última dictadura militar y testigo de varias causas que investigan los delitos de lesa humanidad cometidos durante ese mismo período.
Según confirmó una fuente del ministerio de Seguridad provincial, Puthod salió de su casa rumbo a la Casa de la Memoria, pero nunca llegó a ese lugar.
Asimismo, la oficiosa agencia de noticias Télam, asegura que "una de las causas en las que Puthod es testigo está relacionada con el hallazgo de presuntos restos óseos humanos en el Tiro Federal. Había declarado sobre este tema, debido a que había estado secuestrado en la Prefectura y en diversos campos clandestinos de la localidad de Zárate y luego fue llevado a la Unidad 9 de La Plata, donde estuvo 5 ó 6 años preso".
Poco más de 24 horas después de su desaparición, Puthod reapareció y tras de sí dejó serios interrogantes que deberán ser oportunamente aclarados por el bien de la salud institucional de nuestro país.

Línea de tiempo
Juan Evaristo Puthod, DNI 12.071.400, nació en 1958 y vive con su esposa, Graciela Lencina y su hija de ocho años, en la calle José Hernández 47 de la ciudad de Zárate. Tiene otros dos hijos de 24 y 18 años de un matrimonio anterior con Susana Toledo. Se lo vio por última vez cuando se dirigía a su programa de radio.
Pocos saben que hace pocos días tuvo un interesante intercambio de llamados telefónicos con un importante miembro de la Secretaría de Seguridad de la Provincia de Buenos Aires. Ese mismo funcionario, horas antes dijo al mismísimo Néstor Kirchner: "Si queremos crear un hecho de conmoción, tenemos que intentar de nuevo con el plan Geréz, sólo que esta vez no hay que dejar cabos sueltos. Podemos reinstalar el caso Patti y a su vez tener una excusa para crear el caos que necesitamos para el 2 de mayo...".
A lo que hacía referencia el enigmático personaje es a la fallida operación kirchnerista de hacer desaparecer y aparecer posteriormente al "albañil" Luis Geréz a fines del año 2006 (1). Esa investigación ha sido virtualmente archivada a efectos de no dejar al descubierto la participación de Emilio Pérsico y otros personajes K en medio de la vergonzosa trama, inventada vanamente para hacer olvidar al evaporado Julio López.
En este caso, la situación es mucho más complicada: el kirchnerismo vive horas de complicación política y económica y debe desviar la atención de la sociedad respecto a la coyuntura que se viene.
Hace varios días, un funcionario de segunda línea de Casa de Gobierno habló con los periodistas que firman este artículo y anticipó lo que venía: "Se va a producir un nuevo hecho de conmoción nacional para culpar a ciertos sectores de la derecha y justificar una 'caza de brujas' sobre ellos. De paso se va a estigmatizar cierto sector del periodismo por 'conspirar' contra el gobierno (sic)". Parte de esta "persecuta" oficial fue anticipada oportunamente por este periódico, el cual, no casualmente, aparece en la lista de "conspiradores del gobierno".
Otra fuente — de la que no puede mencionarse siquiera en qué estamento oficial trabaja — confirmó lo mismo y agregó: "con una inflación galopante que está trepando del 20 al 30% y que parece que va a llegar al 40% es inevitable que explote todo, hace falta que se hable de otra cosa."
Independientemente de lo que mencionan los informantes, es dable preguntarse algunos interrogantes que no cierran sobre la desaparición de Puthod:
— ¿No es llamativa su reaparición, casi calcada a la de Luis Gerez a fines de diciembre de 2006?
— ¿No es llamativo que Puthod haya aparecido a 20 cuadras de la sede de la Casa de la Memoria, en la que él mismo milita?
— ¿No es revelador que después de que, desde Santa Cruz, Cristina Kirchner dijo que esperaba que la evaporación de Puthod "sea algo momentáneo", este reapareciera?
— Si es real que el militante había denunciado amenazas desde hace un año y medio ¿Por qué nadie investigó de dónde provenían?
— ¿Por qué la familia de Puthod se rehusa a hablar con los medios luego de haberse reunido con el ministro de Seguridad, Carlos Stornelli y el gobernador Daniel Scioli?
— ¿Por qué no se cruzan los llamados entre el fiscal de Zárate, Martín Zocca y los funcionarios de Seguridad de la provincia de Buenos Aires? ¿Es verdad — tal como aseguró una importante fuente a Tribuna de Periodistas — que un importantísimo ministro del gabinete kirchnerista quedaría seriamente comprometido si esto se hace?

Concluyendo
Las horas que se aproximan son fáciles de anticipar. Al igual que en el caso Geréz — el cual, dicho sea de paso, fue revelado antes que nadie por este medio — no habrá respuestas al periodismo (con suerte, habrá una sencilla conferencia de prensa sin preguntas permitidas), la familia de Puthod seguirá sin hablar con los medios y aparecerán contradicciones que nadie se preocupará en aclarar.
Lamentablemente, ya nadie se pregunta en qué estado se encuentra la causa por la "desaparición" de Luis Geréz, sólo se vive la coyuntura de lo más urgente. Pocos saben que el mencionado expediente está totalmente paralizado (2) y, tal como aseguran los principales medios de prensa, casi no hay dudas de que se trató de un "autosecuestro" con fines de "publicidad política".
La desaparición de Julio López presenta los mismos ingredientes, con la diferencia de que este operativo kirchnerista salió mal y se sospecha que el anciano falleció en medio de la farsa (3).
Lo sucedido con Puthod debe investigarse hasta las últimas consecuencias, no sólo por parte de la Justicia sino también por el endeble periodismo vernáculo. Si es una nueva tomada de pelo, no puede quedar impune bajo ningún punto de vista. Mucho menos viniendo de parte de una dirigencia que intenta forzar el odio de ciertos sectores contra otros.
Este periódico es el primero en condenar al terrorismo de Estado y adhiere a la prisión, no sólo de Luis Patti, sino de todos aquellos que asesinaron y torturaron a miles de inocentes en los oscuros 70. Pero la investigación de estos crímenes debe hacerse por vías lícitas, no puede coaccionarse la realidad para apurar los tiempos, menos aún cuando lo que se esconde detrás es el maquiavélico plan de un grupo de funcionarios de desviar la atención para poder seguir saqueando el país.
Christian Sanz y Carlos Forte
EL INSÓLITO CASO PUTHOD
TODAS LAS PRUEBAS DE LA FARSA
A medida que pasan las horas, el secuestro de Juan Puthod se vuelve más sospechoso e inverosímil. Hay grandes incongruencias y constantes contradicciones en el discurso del reaparecido militante, las cuales se suman al hermetismo oficial sobre el tema. Este periódico, por caso, intentó vanamente conseguir el testimonio de algún funcionario de la Secretaría de Seguridad de la Provincia de Buenos Aires — es dable mencionar que en otras oportunidades no hemos tenido problema alguno para hacerlo — o de alguna fuerza de seguridad involucrada en la investigación de este caso. El hermetismo ha sido absoluto.
Lo cierto es que, a medida que pasa el tiempo, crecen las dudas y muchos empiezan a asociar lo sucedido a Puthod con el caso de la rara desaparición — y posterior aparición — de Luis Geréz, donde importantes personeros del gobierno de Néstor Kirchner aparecieron rozados en medio de la trama y por lo cual se debió desactivar la indagación judicial. Si bien hay muchas similitudes entre ambos casos, más de las que a primera vista podrían especularse, la más macabra tiene que ver con la participación kirchnerista detrás de lo sucedido.
Sospechas en Zárate A pocas horas de haber sido secuestrado el militante Juan Puthod, este periódico planteó sus sospechas en torno a la veracidad de la información que transmitían los grandes medios de información y fue el primero en develar la trama oculta de lo sucedido (1). Si bien dos colegas de Tribuna de periodistas habían sido alertados por fuentes oficiales — con asombrosa anticipación — acerca de que esto iba a suceder, existen una serie de hechos que llevan a dudar acerca de lo que asegura la indagación oficial. Veamos.
Puthod asegura que fue secuestrado en la intersección de las calles Amheghino y Almirante Brown, una de las zonas más concurridas de la Ciudad de Zárate, especialmente por a las 19.40 hs., momento en el cual jura haber sido "chupado".
En la esquina donde supuestamente fue secuestrado Puthod existe una de las heladerías más conocidas de Zárate, Cremolatti, donde permanentemente circulan empleados que hacen delivery. Ninguno vio ni escuchó nada, lo cual es raro.
Obsérvese el tránsito en la siguiente fotografía, sacada desde la vereda de Cremolatti, donde permanentemente hay automóviles circulando, especialmente a la hora en que Puthod asegura haber sido "levantado". ¿Son tan imbéciles sus captores, que lo secuestraron justo en esa esquina, a dos cuadras de la Casa de la Memoria, corriendo el riesgo de que alguien los vea, incluido algún vecino que conociera a Puthod?
Alan Videla, un brillante periodista de Zárate que colaboró con esta investigación, confirmó hace unas horas las sospechas planteadas: "El problema, querido Christian, es que las 19.40 hs es una de las horas más transitadas para todas aquellas personas que trabajan en la zona céntrica. Toda persona que trabaje en oficinas o comercios ubicados sobre la calle Justa Lima — totalmente alumbrada al igual que Amegino y Brown — pasan por esta esquina para dirigirse ya sea a Barrios Villa Fox, Villa Carmencita, Barrio Bosch o las afueras de Zárate. Ya sea Campana u otro.
Además, si hay algo por lo que se caracteriza Zárate es por la cantidad de policías desparramados en la zona céntrica, sólo en la zona céntrica."
Más claro echarle agua.


Dudas y más dudas
En Zárate — ciudad a la que concurrió este cronista hace unas horas — el escepticismo es mayúsculo y la mayoría de sus habitantes creen que lo sucedido con Puthod fue algo "armado". Nadie se anima a arriesgar cuál sería la motivación, pero todos coinciden en destacar las contradicciones del discurso del desaparecido militante.
Este periódico armó su propio cuestionario de dudas, el cual — como se dijo más arriba — se intentó sin éxito plantear a algún funcionario de la Provincia de Buenos Aires. Algunas de esas dudas que nadie se anima a responder:
— ¿A qué se deben las groseras contradicciones de Puthod a la hora de describir cómo fue secuestrado?
— ¿Cómo es que no vio a sus secuestradores? ¿No es pueril el argumento de que siempre permanecieron del lado izquierdo de su persona, donde él no tiene visión?
— ¿Por qué el fiscal Martín Zocca se declaró incompetente en esta investigación? 
— ¿Por qué Puthod asegura con vehemencia que sus captores son Grupos de Tareas de la dictadura y luego admite que, según las voces que escuchó rondaban los "cuarenta y pico de años" (obvios adolescentes durante la dictadura)?
— ¿Por qué mintió al asegurar que había pedido una "custodia personal" en el juzgado de Zarate? 
— ¿Por qué no tenía custodia personal si venía siendo amenazado (2)?
— ¿Es casual que todos los testigos amenazados y evaporados de estos últimos años están relacionados íntimamente al Frente para la Victoria?
— ¿Es casual que tanto Geréz como Puthod estén fuertemente relacionados con el ex piquetero Emilio Pérsico? 
— ¿Cómo es posible que se esté pensando en el corrupto juez federal Federico Faggionato Márquez para llevar adelante esta causa judicial?
A las dudas mencionadas, se suman otras que nadie se atreve a responder. En tal sentido, en estas horas se vive un gran nerviosismo en el juzgado de Garantías de Zárate, ya que la declaración testimonial de Puthod fue más que endeble y no aportó mucho más que lo que habló con los medios. Por lo bajo, Graciela 
Cione — la jueza a cargo de esta causa — admite que evalúa aceptar la "declinación de competencia" para que la "papa caliente" pase en el corto plazo al juzgado Federal de Campana.
La incertidumbre es elocuente, salvo para los grandes medios de comunicación que no perciben ninguna rareza en lo sucedido y que permiten que la sociedad sea burlada una vez más.
Uno de los pocos que se animó a cuestionar lo sucedido ha sido diario Perfil en el día de la fecha (3), donde plantea sus propias dudas en una entrevista realizada al propio "secuestrado":
"Al momento de contar la liberación, aparecieron algunas dudas en el relato de Puthod.
'Me bajé solo del auto, me quedé parado, esperando el tiro.
Cuando se aleja el auto ni siquiera intento mirar. Me tiré la gorra a la miércoles, salí corriendo y me paré de golpe porque sentí que me iba a infartar', comenzó.
— Puthod, en la remisería lo vieron llegar con la gorra puesta. 
— Yo me saqué la gorra y la tiré, salí corriendo, y el frío en la cabeza me hizo volver a agarrar la gorra. Volví, la agarré y salí.
— Ahí también dicen que se presentó diciendo 'yo soy el secuestrado'. 
— No, yo le dije que pida un coche, me pregunta qué me pasa y entonces le digo: 'me acaban de liberar, yo estaba secuestrado'.
— ¿Por qué pese a su estado no esperaron a la ambulancia?
— Porque llegó primero mi señora y lo que pensó ella es en llevarme a un hospital. Vio las condiciones en que estaba. Al salir llega la policía.
(...) — Hay gente que duda del secuestro...
— Salieron a decir que el Gobierno fabricó el secuestro para frenar el conflicto con el campo. ¿Qué tengo que ver yo con el campo? La gente tiene boca, que hable, pero que sea un poco coherente."
Como puede verse, cada palabra pronunciada por Puthod genera más incertidumbre y sospecha.
El acuerdo secreto
 
La desaparición de Juan Puthod debe entenderse como un acuerdo de partes que oportunamente será develado públicamente.
¿A qué nos referimos? Pocos días antes de la desaparición del militante, se planificó en Puerto Madero — donde reside diariamente Néstor Kirchner — una acción de conmoción a la opinión pública que tendría como objetivo sensibilizar a la sociedad y poner al gobierno en posición defensiva ante ciertos conflictos que se viven en la actualidad.
En ese marco, se planeó la desaparición pactada de Puthod y otros hechos que irán sucediendo a lo largo de los días venideros — uno de ellos ha sido la amenaza de muerte a Hebe de Bonafini por 'portero eléctrico', conocido hace pocas horas —, lo cual está siendo manipulado casi íntegramente por funcionarios bonaerenses de la mano de un importante ministro de la Nación que suele estar detrás de este tipo de movidas. Todo con la venia del ex presidente Néstor K.
"Si alguien se atreviera a cruzar los llamados telefónicos entre Casa de Gobierno, el bunker de Puerto Madero, la Secretaría de Seguridad
(bonaerense), el celular de Emilio Pérsico y los teléfonos de Puthod, se descubriría la trama completa. Es escandaloso", aseguró a este periódico un incansable funcionario que transita los pasillos de Balcarce 50.
Ahora,
¿cuál ha sido el beneficio de Puthod en todo esto? Esto es parte de la historia desconocida de la trama.
La Casa de la Memoria es una institución que no tiene subvenciones de ningún tipo, ni siquiera por parte de la municipalidad de Zárate. Oportunamente, el cofundador de la institución, Martín Labró pidió públicamente ayuda oficial: "ojalá que esto sirva a las autoridades nacionales y provinciales para darse cuenta que necesitamos su apoyo. Estamos 3 mil, 4 mil pesos abajo", admitió.
Esta fue justamente la prenda de cambio: a Puthod se le prometió una serie de importantes subsidios en el corto/mediano plazo para sostener la Casa de la Memoria a cambio de fingir su propio secuestro y aparición.
Más tarde que temprano esto será develado, ya que el kirchnerismo suele publicar en el Boletín Oficial la mayoría de sus coactivas "donaciones".
Concluyendo 
La decadencia del país está asociada de manera inevitable a los desaguisados cometidos por ciertos funcionarios y oportunos grupos de poder en las sombras; pero no se debe dejar de sumar a gran parte del periodismo argentino, el cual acompaña las oficiales mentiras de turno a través de su pluma acrítica. Lamentablemente, esta tendencia es cada vez mayor, las operaciones de prensa están a la orden del día y los sobres con dinero que las ocasionan no cesan de circular.
El precio de esto es más grave que el que muchos creen. Mientras algunos bolsillos se llenan con dinero corrupto, la sociedad es saqueada impunemente a la vera de la "tinellización" social.
Cosas veredes, Sancho.
Christian Sanz
(2) De acuerdo a la ley 25.764 de "protección de testigos", Puthod debería haber tenido una custodia permanente.
COMENTO: Por aqui, ainda bem que temos a Petrobras, a infelicidade da família Nardoni, Ronaldo Fenômeno, a Polícia Federal promovendo espetáculos e "passeatas dos maconheiros", tudo para "distrair o povão"!!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Olho no Lance!

por Arlindo Montenegro
Os jogos do poder estão organizados e os ingressos já estão esgotados para o que vai acontecer nos campos de Santa Cruz de la Sierra, onde o comparsa do nosso cumpanhêro presidente, o cocaleiro Morales tem obedecido à risca os comandos do outro amigão da turma do Foro São Paulo, o revolucionário bolivariano Chavez.
A data é 4 de Maio, Domingo. Na Província (Estado) de Santa Cruz, fronteira com o Brasil, (ali onde Morales confiscou a refinaria da Petrobrás) vai acontecer um referendum pela autonomia em relação ao Governo Central
Os habitantes de Santa Cruz, reagem ao projeto da nova Constituição da Bolívia, que permite ao Presidente Morales implantar os controles estatais socializantes sobre a economia de todo o país.
O Senador Oscar Ortiz, em entrevista à AFP, declarou que “o projeto de Constituição de Morales, foi aprovado ilegalmente. Não tem conteúdo democrático porque é cópia do modelo de Hugo Chavez: criar fachadas democráticas mas concentrar todo o poder no Presidente”.
Segundo o Senhor Ortiz, que também é Presidente do Senado da Bolívia, o referendum de autonomia de Santa Cruz mostra a necessidade de “uma grande reforma na legislação sobre as obrigações do Governo Central com os Departamentos e Municípios”.
O povo de lá quer reformas políticas e vai à luta! Por aqui estamos esperando reformas políticas sentados e com calos nos traseiros! Os bolivianos merecem a atenção de todos os que prezam as liberdades, a Lei e aspirações democráticas do nosso continente e no mundo.
O Presidente de lá, ta P da vida com o movimento de referendos que já tem data marcada para acontecer em outras Províncias: Tarija, Beni e Pando, que junto com Santa Cruz, formam a “meia lua”, concentrando importantes recursos agrícolas, industriais e o gás do passa moleque na Petrobrás.
O Morales arrota que os referendos são “intentos separatistas de setores menores que não querem perder privilégios. Na verdade os referendos, que a Constituição da Bolívia permite, são reações anti socialistas dos setores majoritários e contrários ao poder na mão de um só.
Em 2005, antes de ser eleito ele prometia trabalhar para criar muitas Cubas e muitos Fidel na América Latina. Repetiu o discurso visitando Cuba, em 2006, já como Presidente. E há poucos dias, em confraternização com o bispo Fernando Lugo, eleito no Paraguai, disse: “Bem vindo ao ‘eixo do mal’... até há pouco só contávamos com o companheiro irmão maior Fidel e o companheiro Chavez” mas agora já contamos com outros (olhe o plural!) presidentes” (La Nación, Buenos Aires, 24/04/2008)
No dia 23 de Abril ele foi a Caracas, reunindo-se às pressas com Chavez, Daniel Ortega da Nicarágua e com o Vice Presidente cubano Carlos Lage. Foi então que o Senador Ortiz comentou que: “Chavez está ameaçando o continente de modo terrível. Há um presságio de violência (por ocasião do referendo) que só pode ser patrocinado pelo governo porque a população vai votar pacificamente. Chavez deve parar de intervir na Bolívia”.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) acaba de alertar para a possível violência e derramamento de sangue nos próximos dias. E o Governo de Morales vai tentar responsabilizar a “minoria” da oposição, contraria ao socialismo nos moldes bolivarianos.
Por aqui a tendência é do “to nem aí...” porque a turma nem sabe que diacho é o Foro São Paulo, nem a nossa imprensa deu destaque ao discurso do companhêro presidente dizendo:
“Meus queridos companheiros e companheiras que nos estimulam com esta visita ao 12º Encontro do Foro de São Paulo (...) nós pudemos atuar junto a outros países (...) sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política (...)”
Mais adiante Lula diz:
“E foram inúmeras daquelas reuniões que ninguém quer participar, às vezes, pegar um voo, andar quatro, cinco horas de avião e parando três, quatro vezes para chegar num lugar e encontrar meia dúzia de companheiros para se reunir. E esses companheiros que tiveram a coragem de assumir essa tarefa, eu acho que hoje podem estar orgulhosos, porque valeu a pena a gente criar o Foro de São Paulo ... hoje nós somos um continente em que a esquerda deu, definitivamente, um passo extraordinário (...) chegar ao poder e exercer esse poder. (...) feliz eu fico quando tomo a informação, (...) de que um companheiro do Foro de São Paulo foi eleito presidente da Assembléia, foi eleito prefeito de uma cidade, foi eleito deputado federal, senador (...)”
E Lula citou o Equador, Bolívia, Uruguai e a Argentina do companheiro Kirchner. Além da Venezuela, o Foro São Paulo já elegeu o Daniel Ortega. O Chile também elegeu uma companheira.
Lula deixou de citar as FARC, que tinham um representante presente à reunião e que, não obstante o clamor público, não obstante o tráfico de drogas e armas, não obstante as centenas de seqüestrados, contam com a simpatia de todos estes governantes alinhados ao Foro São Paulo, que, como uma Nova Internacional Comunista, decide o que fazer em reuniões secretas.
A imprensa, não acreditava, disse Lula. O plano para a tomada do poder utilizando-se das liberdades democráticas era tão bom, que ninguém acreditava.
Eis o que disse o Presidente:
“(...) no começo, acharam que nós éramos um bando de malucos. (...) eu não posso brincar o tanto que eu já brinquei, (...) porque quando nós começamos o Foro de São Paulo, a gente ficava implorando para ter um jornalista e não tinha nenhum. E hoje tem muitos e eu já não posso (...) dizer tudo o que eu dizia antes. Nós aprendemos que a organização da sociedade é um instrumento excepcional e nós aprendemos que o processo democrático pode garantir que a gente concretize esses sonhos nossos.”
Ou seja: eles aprenderam como utilizar as liberdades democráticas para destruí-las e instaurar o socialismo. Por isso o dia 4 de Abril próximo na Bolívia deve ser alvo das atenções dos que ainda desejam preservar a democracia em nosso continente.
Arlindo Montenegro é Apicultor
 e adora dar ferroadas no governo
 ideológico do crime organizado.
Fonte:   Alerta Total
COMENTO: (ATUALIZAÇÃO DE POSTAGEM) é interessante o fato de algumas pessoas demonstrarem um conhecimento "além de sua época". Acredito que o hábito de serem bons leitores ajudam a aquisição dessa característica. Além disso, as experiências de vida facilitam a visão das coisas que a maioria das pessoas não percebem. Sempre admirei os escritos de Arlindo Montenegro, e tinha a curiosidade de saber mais a respeito dessa pessoa. Isto foi esclarecido em março de 2022, por ocasião do falecimento de José Anselmo dos Santos, o famoso "Cabo Anselmo", quando o jornalista Jorge Serrão revelou que Arlindo Montenegro era um nome fictício que José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, usava para publicar seus textos no blog do amigo que o apoiava.  
https://jovempan.com.br/jorge-serrao/a-morte-do-cabo-anselmo-o-homem-que-nao-existiu.html

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Logo as Invasões Terão Proteção Policial!

AMEAÇA À VISTA
por Denis Rosenfield
São inúmeras as ações de apoio do governo atual aos movimentos ditos sociais e ao MST em particular. A dificuldade consistiria simplesmente em listá-las. A lei não é a eles aplicada, de tal maneira que podem gozar de total impunidade. E gozam de todos nós! A lei que impede a vistoria e a desapropriação das propriedades invadidas e retira os invasores da lista dos assentáveis não é observada. Propriedades são invadidas com violência — foices e facões, alguns especialmente comprados para amedrontar os proprietários e os seus funcionários, são armas brancas de uso corriqueiro. Maquinário é destruído, pessoas são feitas reféns, galpões são incendiados, sedes são depredadas — e tudo isso é chamado de "ocupações pacíficas". O politicamente correto parece não ter mais limites, embora seja uma forma travestida dos regimes totalitários, socialistas, do século 20 e dos seus êmulos do século 21. A reforma agrária nada mais é do que um pretexto, que tem a função de justificar essas ações perante a opinião pública. 
Os proprietários rurais e, agora, também os urbanos são vítimas dessa violência. Não se trata de reforma agrária, mas da eliminação do capitalismo, mediante a relativização preliminar da propriedade privada. O objetivo consiste em instaurar o socialismo autoritário em nosso país, tendo como guia as experiências cubana e venezuelana. Eis por que a bandeira do "latifúndio improdutivo" desapareceu do horizonte, pela simples razão de que ele não existe mais no País, senão marginalmente. O Brasil já efetuou a reforma agrária, a da moderna propriedade rural e do agronegócio. O que o MST procura atingir são empresas-símbolo do que o País tem de mais avançado em termos de sucesso, como a Aracruz e a Vale. Estas têm sido objeto das mais diversas arbitrariedades, tendo dificuldades em ter os seus bens preservados e fazer respeitar a lei. Mesmo tendo decisões judiciais a seu favor, estas parecem não ter nenhum valor, pois o MST e as organizações suas congêneres não consideram o Estado de Direito e a democracia representativa dignos de respeito.
As coisas, no entanto, tendem ainda a piorar. Uma prova contundente é recente documento da Ouvidoria Agrária Nacional, datado de 28 de fevereiro deste ano, intitulado Diretrizes Nacionais para Execução de Mandados Judiciais de Manutenção e Reintegração de Posse Coletiva. Com efeito, a Ouvidoria quer-se arrogar o direito de determinar as condições de execução de reintegração de posse, como se fosse um poder independente que agiria por cima dos governos estaduais. Sua pretensão consiste em impor condições às Polícias Militares para a execução desses mandatos, pondo-se na posição dos governadores estaduais. Trata-se de uma nítida usurpação destes governos. Na prática, equivaleria também a colocar-se na posição de um Poder Judiciário, cabendo, então, ao Ministério de Desenvolvimento Agrário decidir sob que condições uma sentença judicial deveria ser cumprida. A situação, na verdade, seria a seguinte: caberia a simpatizantes ou militantes dos movimentos sociais decidir se eles mesmos abandonarão ou não uma invasão. O MST e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) seriam os novos juízes deste país, numa medida de cunho autoritário.
Segundo consta das Diretrizes, a unidade policial, ao receber a ordem de desocupação, deveria articular-se com os demais "órgãos da União, Estado e Município (Ministério Público, Incra, Ouvidoria Agrária Nacional, Ouvidoria Agrária Estadual, Ouvidoria do Sistema de Segurança Pública, Comissões de Direitos Humanos, Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, Ordem dos Advogados do Brasil, Delegacia de Polícia Agrária, Defensoria Pública, Conselho Tutelar e demais entidades envolvidas com a questão agrária/fundiária) para que se façam presentes durante as negociações e em eventual operação de desocupação". Isto é, uma ordem judicial seria submetida à avaliação, para o seu cumprimento, de um número enorme de instâncias, cada uma devendo dar sua opinião e estar presente durante o processo dito de desocupação. Uma ordem judicial seria submetida a uma espécie de "assembléia", que teria a incumbência de impor condições para a sua execução. Na verdade, nenhuma reintegração de posse seria cumprida em nosso país. O Estado de Direito cessaria totalmente de funcionar graças a uma instância que agiria segundo as determinações dos "movimentos sociais". Teríamos uma subversão completa da democracia representativa, em nome de uma suposta "justiça social".
Outro item, próprio de uma comédia de mau gosto, se não fosse essa a própria realidade, é o de que não caberia à força pública a "destruição ou remoção de eventuais benfeitorias erigidas no local da desocupação". Ou seja, um grupo que age violentamente, destruindo as propriedades invadidas, deveria ser recompensado por suas "benfeitorias", que seriam preservadas. É surrealista: um grupo que destrói as benfeitorias privadas que encontra em seu caminho deveria ter assegurada as suas "benfeitorias". A propriedade privada deixaria de ser propriedade dos seus legítimos donos, passando a ser propriedade dos invasores, que teriam a proteção da polícia. As tendas de lona e as "terras" aradas rapidamente para fazer de conta que algo teria sido feito deveriam ser, assim, preservadas.
O documento faz também menção aos cuidados que deveriam ser tomados com mulheres, crianças e idosos. Interessante. Nenhuma palavra é dita sobre o fato de que o MST utiliza crianças e adolescentes como escudos para suas invasões, num desrespeito flagrante ao Estatuto da Criança e do Adolescente. É essa mesma organização política que desrespeita tão claramente a lei. E agora vem a Ouvidoria Agrária dar um respaldo aparentemente jurídico a essa situação, numa inversão completa da realidade. 
Se assim continuar, amanhã as invasões serão feitas sob proteção policial!