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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Jornalismo ou Ativismo?

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Mais uma vez um maluco provoca tragédias nos Estados Unidos. É sabido o massacre ocorrido na madrugada de domingo em Orlando, quando um demente ingressou em uma boate lotada e começou a atirar indistintamente contra os frequentadores, com um fuzil (modelo AR-15) e uma pistola Glock calibre 9 mm. O tresloucado gesto provocou, de imediato, a perda de meia centena vidas e outro tanto de feridos.
Não vou tentar detalhar a desgraça - considerada a pior do tipo na história dos EUA - pois isto já está sendo feito com melhores meios pelo que denominamos nossa grande mídia.  Mas vou me ater exatamente na atuação dessa grande mídia quanto a forma de informar a sociedade a respeito deste e outros fatos de grande repercussão. 
Em primeiro lugar, estranho a ênfase que tem sido dada ao fato do flagelo ter ocorrido em uma "boate gay" e as diversas manifestações de apresentadores, jornalistas, comentaristas e políticos - incluindo aí o presidente Obama - classificando o fato como "crime de ódio" ou de homofobia. Me pergunto se um idiota qualquer praticar ato semelhante em um ginásio lotado em função de alguma luta de box entre figurantes famosos, as perdas de vidas seriam mais ou menos valoradas. Destaco que citei uma luta de box por não me parecer um ambiente que se coadune ao público "gay", sem excluir, é claro, a existência de lutadores e simpatizantes homossexuais.
Em segundo lugar, me espantou o aproveitamento da oportunidade para que os mesmos comentaristas acima citados, também o presidente Obama, desferissem suas críticas à liberdade que os norte americanos possuem, no que tange à aquisição e porte de armas. Só mesmo na internet, felizmente um espaço onde ainda se pode expressar livremente as opiniões, são encontradas algumas críticas às pouco divulgadas "gun-free-zones", por coincidência, locais que se destacam pela ocorrência de atentados do tipo que estamos tratando. 
Para quem ainda não sabe, tais zonas são locais onde é expressamente proibida a circulação de armas - normalmente nas redondezas de áreas de diversão e escolas, até mesmo escolas militares, o que explica atentados ocorridos em "bases militares", na realidade instituições de ensino militar. E por que são locais preferenciais para atentados com armas? Exatamente por terem os bandidos atacantes a certeza de que não haverá reação imediata aos seus crimes. Além do mais, desde quando bandidos e doidos preocupam-se com legislação? Alguma semelhança ao país que soma mais de 50 mil mortes violentas ao ano?
Sem querer minimizar perdas de vida, já adianto aos críticos da "violência característica dos yankees", que em 2015 ocorreram 372 "tiroteios massivos" nos EUA, que provocaram 367 mortos. 
Ao amanhecer de hoje (segunda-feira), tive de aturar o Ricardo Eugênio Boechat - um jornalista com opiniões cretinas, mas que ouço por ser ele bem informado - reclamando de ninguém ter indagado ao tal idiota assassino o motivo para ele  comprar um fuzil AR-15. A esse "formador de opinião" quero informar que aquisição de armas nos EUA é um direito constitucional. O questionamento reclamado seria tão extemporâneo quanto um vendedor de veículos interrogar os motivos que te levariam, um jornalista, a comprar um caminhão-baú (vai transportar contrabando? coisas roubadas? vai mudar de profissão? ...) se assim tu quisesses.
Para encerrar, destaquemos o enorme esforço da "grande mídia" em apoio ao seu queridinho, Barack Obama, na recusa de vincular essa calamidade ocorrida ao radicalismo islâmico. Mesmo depois de divulgado o anuncio dos canalhas do tal Estado Islâmico, assumindo que o criminoso insano era filiado à essa quadrilha de lunáticos. Dado ratificado pela informação do telefonema que o patife deu ao Serviço de Emergências americano (911) anunciando a atrocidade que iria cometer em nome de sua crença.
Os canalhas e hipócritas preferem ficar repetindo o eterno mantra da homofobia - termo que, por si demonstra a ignorância dos seus usuários frequentes (homo=igual; fobia=medo, assim, homofobia= medo do igual e não ódio aos que tem seus corpos desajustados aos seus instintos como impingem aos incautos) - pois se borram de medo ante a possibilidade de ter que apontar o dedo contra o terrorismo religioso, doença esquizofrênica que se difunde pelo mundo afora graças a covardia dos que se recusam a condena-la como deveriam.
É graças a esse tipo de "formadores de opinião" que nossa sociedade se horroriza porque um bando de corredores atrás de bola perdeu um jogo por "um gol de mão", mas glorificaria a mesma equipe se o gol fosse feito por um de seus membros!
E viva a luta pelo desarmamento e contra a homofobia. Mas nem pensem em criticar os terroristas que matam em nome da imposição de suas crenças. Isso é discriminação odiosa!! 

sábado, 28 de maio de 2016

Cultura do Estupro ou Falta de Cultura?

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Saturados de tanto divulgarem gravações de conversas fiadas com conteúdos muito bem planejados e que, ao final, não conduzem a nada - pois não passam de iscas lançadas por um bandido querendo pegar outros para diminuir sua pena ante a Justiça -, os órgãos da mídia do "gigante deitado em berço esplêndido" acharam outro assunto.
Agora é o terrível crime ocorrido em uma "cumunidade", onde uma jovem supostamente foi estuprada por diversos criminosos - falam em mais de trinta.
O crime - e não há outra palavra para descrever o fato - já está sendo considerado por uma especialista como "o caso mais grave já ocorrido no Brasil". Aproveitando o ensejo, a mesma especialista brandiu o dado - obtido não se sabe como -, de que temos um estupro a cada minuto no Brasil. Foi dito, ainda, que antes desse episódio, o mais chocante havia sido o das quatro meninas do Piauí.
A memória das gentes é fraca. Já ninguém lembra da menina  recolhida a uma cela com 30 bandidos que a estupravam em troca do direito de receber alimentação, em Abaetetuba/Pará, em 2007. Destaco que a prisão ocorreu por  determinação de uma juíza o que, talvez, tenha diminuído seu caráter de barbárie.
A menina de 15 anos estuprada por dois empresários mineiros - com a "ajuda" de duas outras jovens de 17 anos cada - terá sido um crime menos cruel por terem sido "só" dois os estupradores? 
Ou quem sabe, a jovem de Brasília dominada pelo jardineiro e sua amante para ser estuprada e depois morta e enterrada no porão da própria casa deve ser considerado um caso menos criminoso por ter sido somente um estuprador e, ainda, auxiliado por sua amante?
Enfim, o que é que choca a sociedade? O número de estupradores? A categoria social da vítima?  Ou a forma como o fato é divulgado pela grande imprensa?
No rastro dessa imensa canalhice, temos os noticiários e as redes sociais repletas de opiniões onde abundam as críticas à "cultura do estupro", ao "machismo", e outras cretinices que insinuam que maus-tratos a mulheres praticados por homens seria um fator cultural brasileiro.
Coisa de gente mal intencionada ou mal informada. Me desculpem o mau jeito, mas "cultura do estupro é o cacête"!
O que aconteceu foi um crime praticado por quadrilheiros que dominam parte da cidade, com a cumplicidade dos usuários de drogas que os financiam. E a conivência de uma grande parte da população local que os protege e esconde, por medo, por simpatia - vendo neles o futuro patrão de seus rebentos - ou por verem neles o amparo que lhes é negado pelo Estado. Afinal, esses bandidos circulam livremente portando suas vistosas armas nos becos, em meio às mulheres e crianças. Geralmente são eles que proporcionam auxílio nos casos de necessidade financeira, de saúde e até mesmo de ... segurança, quando alguém ultrapassa os limites por eles impostos. Diversão, arte e cultura são também disponibilizados por esses donos da favela que patrocinam os jogos de futebol e bailes funck, muitas vezes com farta distribuição da mercadoria que financia toda essa filantropia. Só que não existe almoço grátis. Tudo tem seu preço. E o preço é o de não desagradar a autoridade. 
Cito parte de um comentário lido na internet: "Aí me lembro dos funks que escuto todas as sextas-feiras vindo da favela aqui perto de casa. As letras são indecentes. Fazem apologia a crimes como esse, associando imagens sexuais às "novinhas"." E continua, para definir "as novinhas". "Lembro de um recente "Profissão Repórter" mostrando os hábitos de meninas de 13, 14 anos, em bailes funk. As meninas saem para transar no carro com meninos que acabaram de conhecer. E voltam para dançar e encontrar o próximo menino."
Quem fala em "cultura do estupro" afasta-se muito - por desconhecimento ou má fé - do conceito de "cultura". 
Em poucas palavras, Cultura é um dos fatores constitutivos de uma Nação (povo, território, cultura). Ela é definida por Edward B. Tylor como "todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade".
Nas sociedades ocidentais, particularmente na brasileira, apesar dos enormes esforços gramscistas em prol da destruição ("desconstrução") dos valores cristãos que forjaram nossa herança cultural, a violência não faz parte da cultura pois não é aceita no conjunto dessa herança.
Para exemplificar a diferença, podemos falar sobre a cultura de estupro aceita em alguns países de orientais. Mais especificamente, usando o texto de Laircia Vieira, tratemos da cultura islâmica,  onde "as mulheres capturadas em guerra podem tornar-se escravas sexuais, a menos que declarem serem casadas com islâmicos. Sendo casadas com “infiéis”, poderão ser estupradas na frente deles antes destes serem mortos."
Mais ainda. A burca, tida como manifestação de recato feminino, tem como fim diferenciar as mulheres muçulmanas das "infiéis", com o escopo de evitar o estupro. Ou seja, a burca indica que apenas o marido pode estuprar quem a usa, enquanto a ausência dela significa que aquela mulher pode ser livremente estuprada. As que recusam o uso da burca são consideradas responsáveis pelo estupro a elas cometidos. Se elas não se identificam como islâmicas, podem ser livremente estupradas, sendo responsáveis pelos atos, além de serem culpadas por permitir que os mesmos ocorram fora do casamento
Obviamente, esse é o entendimento "tradicional", observado em regiões mais atrasadas ou dominadas pelo fanatismo talibã. A dinâmica cultural faz com que tais procedimentos sejam abolidos na maior parte dos países islâmicos, mas eles teimam em ser aceitos por parte de suas populações.
"Eis a cultura de estupro. Não existe nada similar na sociedade ocidental ou brasileira. Pôr filtros, problematizar os estupros como resultados de uma cultura social é ridicularizar a vítima ao manifestar um entendimento de que a violência sexual contra ela cometida não tem um culpado individual."
Não há na cultura brasileira a mínima demonstração de aceitação do estupro como componente dela.  Nem mesmo na sua parte mais delinquente! Todos conhecem o castigo recebido por estupradores ao chegarem aos presídios, obrigando as autoridades a lhes proporcionar segurança especial mediante isolamento dos demais.
O que, infelizmente, vem ocorrendo com a cultura brasileira é a generalização das culpas individuais, transformando facínoras em vítimas da sociedade, justificando suas transgressões com o objetivo claro de "desconstruir" a velha sociedade e impor a "nova ordem social", determinada pelos canalhas de sempre, que manipulam as informações, os recursos e a inteligência das pessoas.
Não se para para pensar nos motivos que levaram uma quadrilha a praticar uma barbaridade como a que serve de mote a este texto. Destaco: de forma alguma quero transferir a culpa da atrocidade para a vítima mas a questão não pode deixar de ser exposta. Por que uma pessoa específica é escolhida para ser a vítima de um bando de infames? No caso em questão, seria a menina mais bonita e atrativa que as demais? Houve alguma intenção de "demonstração de força" por parte de algum dos meliantes? É muita ingenuidade pensar que uma quadrilha reuniu-se para simplesmente divertir-se martirizando uma pessoa qualquer, quando poderia - sabemos muito bem - aumentar o número de vítimas e saciar melhor a avidez dos patifes.
Penso que o maior motivo dos problemas sociais que ora enfrentamos vem sendo plantado aos poucos nos "corações e mentes" - gostaram do termo gramscista? - de nossa sociedade, e que podemos denominar na "cultura dos direitos sem deveres". Nossa Constituição Federal é exemplo nítido desse disparate ao citar quase duas centenas de vezes a palavra direito e nenhuma vez citar algum dever cidadão. 
Para encerrar, parte de uma postagem copiada do Facebook: "Temos cultura da impunidade, cultura da retirada de culpa do indivíduo, cultura da vitimização do bandido, cultura da hipersexualização de crianças, cultura da falta de educação, cultura da falta de respeito. Ainda assim, jogar todo o problema para o gênero masculino e afirmar que todos os homens são possíveis estupradores ofende àqueles que jamais seriam capazes disso e fariam de tudo para evitar que uma mulher sofresse qualquer abuso."
O coitadismo e o vitimismo que dedicamos aos infratores - muitas vezes sob a pérfida desculpa de que os governantes cometem crimes maiores - dedicando-lhes todos os direitos possíveis, em detrimento até aos direitos das vítimas, sempre relegadas a um segundo ou terceiro plano, faz com que se tornem mais petulantes.
Muitos criticam os esforços contra o desarmamento geral da sociedade alegando que a permissão de posse de armas aumentaria muito a violência. Mais do que a já existente? Duvido.
Outros criticam as propostas de aumento e enrijecimento de penas criminais alegando não haver condições de aumentar a população carcerária e que as prisões não oferecem condições de ressocialização dos presos. E alguém acredita que animais como os que participaram dessa barbárie podem ser ressocializados?
Acredito que nossa cultura comportamental só encontrará seu rumo após uma retomada na busca de valores reconhecidos como tais por toda ou pela grande maioria da sociedade. Enquanto formos lenientes e compreensivos - sob a marca da misericórdia e indulgência cristãs, apregoados principalmente pelos que se dizem ateus - para com os maus, sempre estaremos sujeitos à maldade e perfídia deles.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A Justiça Revolucionária - O Assassinato da "Garota" Elza

Na data em que reverenciamos as vítimas do vergonhoso episódio denominado como Intentona Comunista de 1935, lembro a história de “Elza Fernandes”, como uma pequena mostra do caráter dos idealistas revolucionários, hoje idolatrados por uma parcela idiotizada da sociedade brasileira.
Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. 
Nas reuniões deles, militantes comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo de adolescente. Era o próprio secretário-geral do PCB, Antonio Maciel Bonfim, o “Miranda”.
Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de Miranda e passou a ser conhecida, no Partido, como “Elza Fernandes” ou, simplesmente, a “garota”. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma “honra”. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.
Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fizeram com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios “aparelhos”. Nos primeiros dias de janeiro de 1936, Miranda e Elza foram presos em sua residência, na Av. Paulo de Frontin, 606, Apt. 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a “garota” pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de “Miranda” e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, Elza foi liberada. À saída, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, subúrbio do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.
Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para “Miranda” surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Nesse momento, o Partido soubera que “Miranda” havia caído. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico.
Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era “Miranda”. As investigações do “Tribunal Vermelho” começaram.
Honório descobriu que Elza estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por “Miranda”, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a “garota”. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem Elza estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de “Miranda” para a “garota”.
Reuniu-se o “Tribunal Vermelho”, composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O “Tribunal” seguiu o parecer do chefe e a “garota” foi condenada à morte.
Não houve, porém, a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o “Miranda”. A reação do “Cavaleiro da Esperança” foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do “Tribunal”, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença.
Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:
Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária. ...
Por que modificar a decisão a respeito da “garota”? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido...? ...
Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar. ...
Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, por que é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas, e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião”.
Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos “tribunos vermelhos”, respondeu a Prestes: “Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.”.
Decidida a execução, Elza foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier, para uma casa da Rua Mauá Bastos, nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães, Adelino Deycola dos Santos, Francisco Natividade Lira e Manoel Severino Cavalcanti. Ela, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse a seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 cm pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a “garota” que, mesmo jovem, tentava salvar-se. Poucos minutos depois, com os pés junto à cabeça, o corpo de Elza foi enfiado num saco e enterrado nos fundos da casa. Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista.
Logo após este fato, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar pelas mesmas angústias, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista.
Alguns anos depois, em 1940, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara o secretário-geral na tentativa de assassinato do “Dino Padeiro”, participou da exumação do cadáver de sua irmã. O bilhete que escreveu a “Miranda”, o amante de Elza, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:
“Rio, 17-4-40.
Meu caro Bonfim.
Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira.
Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.
Do teu sempre amigo
Luiz Cupelo Colônio”.
Fonte: ORVIL-Tentativas de Tomada do Poder
(Páginas 87 a 90)
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domingo, 14 de abril de 2013

Imigrante Também é Gente

por Janer Cristaldo
Em 2006, escrevi crônica em defesa do direito ao estupro. Afinal, foi tendência de alguns juízes na época. Houve leitor incauto que não percebeu a ironia.
Em fevereiro daquele ano, em Roma, os juízes da Suprema Corte de Cassação da Itália estabeleceram que a violação de uma jovem é menos grave se ela não for virgem. O fato provocou polêmica. De acordo com a agência Ansa, o tribunal acreditava que tais vítimas, do ponto de vista sexual, tinham personalidade "mais desenvolvida do que se espera de uma garota de sua idade". Ou seja, a gravidade do crime já não residia no ato do criminoso, mas na condição física da vítima. No fundo, o velho culto latino do jus prima nocte. Ou droit de cuissage, como preferiam os nobres franceses. Estuprando uma virgem, o estuprador rouba suas primícias ao futuro marido e senhor da jovem. Se ela já não é virgem, bom... já não é tão grave.
Marco T., 40 anos, havia estuprado em 2001 sua enteada de 14 anos. Segundo a defesa, a menina consentiu em fazer sexo oral depois de se negar a uma relação completa, exigida sob ameaça, considerando que o sexo oral seria menos arriscado. A Suprema Corte aceitou a alegação da defesa, para quem "a jovem já havia tido relações sexuais a partir dos 13 anos e, do ponto de vista sexual, já estava mais desenvolvida do que se espera de uma menina da sua idade". Assim, foi aceito o recurso do acusado pedindo uma pena mais leve.
Em vários países da Europa, particularmente nos escandinavos, está ocorrendo uma onda de estupros, geralmente cometidos por árabes e africanos, tendo como vítimas suecas, finlandesas, danesas, francesas e italianas. Os jornais, ao noticiar o fato, ocultam não só a identidade como também a etnia e o país de origem dos criminosos. Supostamente, para não caracterizar o crime como étnico. Em verdade, obedecendo à tirania do politicamente correto e dos grupos dos tais de Direitos Humanos, que só defendem os direitos dos criminosos. Ou seja, o estupro tende a ser descriminalizado na Europa. Se não descriminalizado, pelo menos aceito como uma transgressão menor.
Há alguns anos, um cidadão sueco declarava ao vespertino Aftonbladet que não via nada de mal em estuprar uma sueca, afinal "são todas putas e sempre podem casar depois de estupradas". Tabu continuava sendo estuprar uma muçulmana, que depois seria repudiada pela própria comunidade e não teria chance alguma de encontrar marido. Claro que este cidadão "sueco" não era exatamente um sueco, mas imigrante de origem árabe com passaporte sueco. O silêncio da imprensa sueca em relação aos estupros étnicos enche de razão os muçulmanos que estão ocupando - inclusive juridicamente - a Europa. 
Pela Lei dos Crimes Hediondos, de 25 de julho de 1990, o estupro passou a ser considerado crime hediondo no Brasil. Ou seja: os condenados nela incursos são obrigados a cumprir pena integralmente em regime fechado, não têm direito à anistia, nem à liberdade provisória, nem à progressão do regime. A lei também impõe essas restrições a pessoas condenadas por homicídio qualificado, latrocínio, tráfico de drogas, tortura e terrorismo, entre outros crimes.
Ou melhor, impunha. Por decisão do Supremo Tribunal Federal, os presos por delitos graves já podem deixar a cadeia após terem cumprido um sexto da pena em regime fechado. Segundo o promotor Eduardo Araújo da Silva, em entrevista para o Estadão, o estuprador de uma criança ficaria hoje apenas um ano na cadeia, e mais um no regime semi-aberto. O pai ou a mãe de tal criança certamente se sentirão muito confortados com a instituição da progressão penal, ao ver o animal que violou seu filho rindo de suas caras apenas doze meses após ter entrado na prisão.
A bem da verdade, o estupro já foi descriminalizado no Brasil. Ou alguém ainda não lembra do homem que podia salvar a humanidade - como foi saudado pela imprensa americana - o cacique caiapó Paulinho Paiakan? Paiakan, em cumplicidade com sua mulher Irekran, estuprou barbaramente uma menina. Enquanto o processo se arrastava, Paulinho - são simpáticos os diminutivos! - avisou: se fosse condenado, não sairia de sua reserva. Ameaçou inclusive fazer rolar o sangue dos brancos, em caso de condenação. 
Pois bem: foi condenado. Não fez rolar o sangue dos brancos mas continuou em sua reserva, livre como um passarinho. A Polícia Federal, única autorizada a agir em reservas indígenas, com todo seu poder de fogo, não ousou lá entrar para buscar o criminoso. Paulinho zombou do Estado brasileiro, zombou da Justiça brasileira, zombou de sua vítima. E não houve sequer uma feminista que protestasse contra o crime hediondo. A menos que a nação caiapó já constitua um Estado independente do brasileiro - onde estupro não é crime - e ainda não tenhamos sido avisados.
Alguém ainda lembra da aguerrida feminista australiana Germaine Greer, autora de A Mulher Eunuco, publicado em 1976 no Brasil? Talvez ninguém mais lembre. Foi no século passado, faz tanto tempo. Pois eu lembro, tenho boa memória. Em dezembro de 2007, em Melbourne, quando Greer fazia uma palestra sobre Jane Austen, a escritora australiana Pamela Bone perguntou-lhe se ela via um paralelo entre o conceito de honra familiar em Orgulho e Preconceito e os conceitos de honra familiar nas sociedades do Oriente Médio contemporâneas. Perguntou-lhe ainda porque as feministas ocidentais pareciam tão reticentes a se pronunciar contra os crimes pela honra. Greer saiu pela tangente:
- É muito delicado. Me sugerem o tempo todo ir ao Darfour interrogar as vítimas de estupro. Eu posso me dirigir às vítimas de estupro, aqui. Por que deveria falar das vítimas de estupro no Darfour?
- Porque lá é bem pior – replicou Bone.
- Quem disse isso? – perguntou Greer.
Como se os estupros no Darfour fossem matéria desconhecida no Ocidente. Pamela Bone explica que ela fora ao Darfour e lhe assegurou que lá a situação era nitidamente mais grave.
Serenamente, respondeu a feminista:
- Enfim, eu diria que é muito delicado tentar mudar a cultura dos outros.
Que as sudanesas se lixem – foi o que no fundo disse Greer. Para a feminista, as sudanesas, mesmo castradas, não são os verdadeiros eunucos da humanidade. Na mesma Austrália de Greer, no início deste mês, um refugiado afegão alegou que diferenças culturais o levaram a estuprar uma menina bêbada e ganhou uma tentativa de recorrer da pena de prisão de 14 anos.
Esmatullah Sharifi, 31 anos, foi condenado a um total de 11 anos, sem liberdade condicional, por dois estupros cometidos poucos dias um depois do outro, em dezembro de 2008. Ele se declarou culpado em audiências distintas, por estuprar uma adolescente em 19 de dezembro e uma mulher, 25 anos, na véspera de Natal daquele ano. Agora, foi autorizado a recorrer da sentença por estuprar a adolescente. 
Para o juiz, Sharifi não tem um conceito claro de consentimento nas relações sexuais. O Meritíssimo concluiu que a proteção da comunidade foi o objetivo principal da pena imposta. Mas disse que havia “aspectos estranhos” na conduta da vítima de 18 anos, e Sharifi a tratou como "participante voluntária". Então tá. Se o coitado do afegão não tem um conceito claro do que significa um não, não tem culpa alguma quando estupra uma adolescente. Pelo jeito, Germaine Greer está fazendo escola em seu país.
Se a Itália já minimizou a invasão do corpo das mulheres, se a imprensa européia já não denuncia os estupros étnicos, se o Brasil confere a crimes hediondos a pena adequada a um ladrão de galinhas, se a nação caiapó tem como líder um estuprador confesso - e impune -, se um afegão pode ter atenuada sua pena porque não entende quando uma mulher diz não, então está na hora de deixarmos de pruridos. Descriminalizemos de vez o estupro. Como um pobre diabo, sujo e fedorento, terá acesso a esses corpos esplêndidos que a mídia oferece em bandeja, senão pela força? Que o direito ao corpo e ao sexo alheios não seja concedido apenas a bugres ou afegãos, e sim estendido a todos os sem-mulheres do mundo. 
Mulheres do mundo todo, sede mais complacentes com estes pobres párias sexuais, estes injustiçados excluídos da humana volúpia. Abrí generosamente vossas pernas, que mais não seja para facilitar o exercício deste direito inalienável dos sem-mulheres. Se você não é virgem, nem vai doer. Deixe de lado seus preconceitos burgueses e contribua para a construção de uma sociedade mais humana e mais justa, cuja dignidade social somente poderá ser restaurada no momento em que todo imigrante, árabe ou negro ou excluído de qualquer estirpe tiver acesso imediato ao sexo. 
Imigrante também é gente.
Fonte:  Janer Cristaldo
COMENTO:  além de descriminalizar o estupro, estamos em vias de legalizar a pedofilia, conforme se depreende das atitudes divulgadas por alguns "grupos de estudos" de direitos humanos. A liberação da sexualidade dos jovens e crianças já é abertamente defendida em reuniões ocorridas no valhacouto conhecido como Congresso Nacional. Quer conferir? Clique aqui!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Omenaje!



Fonte:  Os Diaristas
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sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Trágico Fim de Uma Mulher Com Coragem

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Angélica Bello defendeu os direitos humanos a partir de sua experiência como vítima
Angélica Bello (à esquerda), na última entrevista que deu aos meios de comunicação 2012.
Foto: Revista Semana
O sepultamento da ativista Angélica Bello foi discreto, como ela gostaria. E teria sido mais discreto se no mesmo dia o presidente Santos não o houvesse citado em um ato público: Angélica, pressionada por sua dor ou por ameaças, não sei por que, não suportou mais. Tudo parece indicar que tirou sua vida”.
A defensora de direitos humanos de 45 anos morreu em Codazzi (Cesar) em 16 de fevereiro, às 11:45 da noite. 
Naquele sábado, estava em um bar com uma de suas três filhas e um guarda-costas. Conforme uma atendente, ela deixou o local aparentemente abatida por uma discussão com a filha; esta e o guarda-costas a seguiram. Já em casa, a mulher disparou um tiro em sua própria boca, usando a arma de um outro guarda-costas que estava de folga. (Leia: La Corte pide a Fiscalía esclarecer muerte de líder de desplazadas).
Mas a tragédia de Angélica Bello começou muito antes. Em 1996 ela teve que fugir de Saravena (Arauca) com suas três filhas e um filho, em função de ameaças por ser filiada à União Patriótica. Como desabrigada, chegou a Casanare, onde duas de suas filhas foram recrutadas por um grupo das Autodefesas liderado por "Martin Llanos". Bello contava que implorou ajoelhada ao temido chefe paramilitar que lhe devolvesse suas meninas.
Dois dias depois, os "paras" entregaram as jovens mas deram uma hora de prazo para que a família abandonasse o povoado. Fugiu, então, para Villavicencio, onde chegaram sem nada. Seu desespero era tão grande que, como confessou à revista Semana, pensou em acabar com sua vida e a de seus filhos. Finalmente, com o apoio de um padre, se recuperou.
Pouco tempo depois retomou sua vocação política e se converteu em líder das "desplazadas" (mulheres deslocadas de seus locais de origem por conflitos). Em 2003 sofreu um atentado, mas isso não a impediu de, em 2006, criar a Fundação Nacional dos Direitos Humanos da Mulher, para atender vítimas de violência sexual.
As ameaças se intensificaram até 29 de novembro de 2009. Nesse dia, ao sair do Ministério do Interior, em Bogotá, onde foi pedir uma reavaliação do nível de risco que enfrentava, dois homens a sequestraram. "Abusaram sexualmente de mim. Disseram que não iam me matar para não me transformar em mártir. ... Um deles estava tão confiante que se pôs em minha frente e disse: 'olhe esta cara, por que vais te lembrar dela por toda tua vida'".
Suas filhas ficaram sabendo desse episódio pelo jornal El Tiempo, onde ela contou sua história pela primeira vez. Dias depois da publicação, a mais velha contou a ela que os paramilitares a haviam violado.
Mas sua força de vontade era muito grande. Certamente o presidente Santos percebeu isso e, em janeiro, convidou-a para compartilhar a mesa em um comitê criado pelo governo para atender vítimas do conflito.
A última ameaça chegou poucos dias antes de sua morte. Devia abandonar Codazzi antes da sexta-feira passada. Segundo Paula Gaviria, diretora da Unidade de Vítimas, nos próximos dias ela ia ser   reinstalada e as medidas de sua segurança seriam reestudadas.
O esforço das autoridades terá que focar-se agora na explicação dos fatos nos quais morreu uma das primeiras mulheres que deram um rosto ao drama do abuso sexual em meio à guerra.
Família necessita proteção
Na sexta-feira, a Corte Constitucional pediu ao governo maiores informações sobre a morte de Angélica Bello e instou a implementação de medidas de segurança para sua família, inclusive nova instalação urgente pela Unidade Nacional de Proteção.
Sua luta continua
A fundação não fechará
Álex Villalobos, companheiro de Luisa Fernanda, a filha mas velha de Angélica Bello, diz que a perseguição da qual ela foi vítima durante toda sua vida (ameaças e atentados) sempre buscou detê-la e frear sua luta. Por isso “decidimos que a Fundação deve continuar. Por ela, porque sabemos o que significou em sua vida”, afirma. A Fundação Defensora dos Direitos Humanos da Mulher (Fundhefem) nasceu em março de 2006. É uma ONG que se propõe a liderar e promover os direitos das mulheres que, como sua fundadora, foram vítimas de todo tipo de abusos em meio ao conflito armado no país. E conseguiu. Seu trabalho será continuado por suas filhas.
SALLY PALOMINO
Redatora de ELTIEMPO.COM
Fonte: tradução livre do Jornal El Tiempo
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ah! Esses "Republicanos" ...

por Percival Puggina
"Guardai-vos do fermento dos fariseus que é a hipocrisia. Porque nada há de oculto que não venha a descobrir-se, e nada há de escondido que não venha a saber-se. Por isso, as coisas que dissestes nas trevas, serão ditas às claras, e o que falastes ao ouvido nos quartos será apregoado sobre os telhados" (Lc. 12,1-3). 
Há quem ande bisbilhotando os namoros e infidelidades conjugais de antigos ocupantes do trono presidencial para mostrar que nada de extraordinário ocorre no affaire de Lula com Rosemary Nóvoa de Noronha. Opa! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. 
As aventuras de Lula, enquanto aventuras, só interessam a ele e, provavelmente, a dona Mariza Letícia. Mas não é disso que se vem tratando. Não consta dos anais da história que algum outro presidente tenha criado um cargo para acomodar convenientemente sua namorada. Aliás, o cargo, com as atribuições que bem convinham aos dois pombinhos, era tão desnecessário que a presidente Dilma o extinguiu de um dia para o outro. Qual outro presidente teve a ousadia de conceder passaporte diplomático à sua amante e a fez embarcar com ele em dezenas de viagens oficiais, com direito a diárias e às custas do erário, constrangendo a tripulação? Qual outro presidente da República deu-se ao desplante de determinar que o nome de sua manteúda fosse omitido da lista de passageiros, num desrespeito a normas nacionais e internacionais relativas ao tráfego aéreo? Nenhum presidente falou tão bem de si mesmo e nenhum chegou tão longe no uso abusivo do poder para atender conveniências pessoais. Nisso e em muitas outras coisas, Lula enxovalhou o cargo que ocupava. E prevaricou. 
Ele aprendeu ainda cedo, nos tempos do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a usar as instituições e seus recursos para fins políticos partidários (Augusto Nunes, em Direto ao Ponto, 10/09/2012). Nem as viúvas dos companheiros que procurassem o sindicato escapavam das investidas de Lula (entrevista dele próprio à revista Playboy, mês de julho de 1979). O sindicalismo brasileiro tem longa ficha corrida de mamatas, boquinhas e abusos. Por isso é impossível dizer se Lula foi professor ou aluno numa escola de malandragens. Mas tornou-se, também nelas, Doutor Honoris Causa. O desempenho de funções de mando com respeito aos limites determinados por necessário senso moral não fazem parte de sua biografia. Foi graças a essa característica de seu caráter que, sem qualquer constrangimento, uniu-se àqueles a quem mais atacara e trouxe para perto de si quase todos os maiores patifes da República. 
Espanta-me que certas pessoas de seu partido, tão verticais quanto doutrinárias e professorais quando se tratava de cobrar espírito e conduta republicana de seus opositores, ergam-se agora em defesa de malfeitores condenados pelo STF. E formem tropa de choque para blindagem de um ex-presidente que sempre se julgou acima da lei e governou o país rodeado por quase todos os trezentos congressistas que ele mesmo, como deputado, contabilizara como picaretas. Deus cria, a vida separa e o diabo junta. 
Para concluir: em profundo constrangimento devem estar os jornalistas que cobrem o cotidiano da presidência da República. Foi preciso uma ação da Polícia Federal para trazer a lume algo que passou batido por todos eles ao longo de oito anos e dezenas de viagens presidenciais! Ou foram patetas ou se fizeram de patetas, seguindo o exemplo do nosso estadista de Garanhuns. Um jornalismo nada republicano esse, também.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

MEC Censura Pensamento

por Janer Cristaldo
Corrigir redação é sempre um problema. Impossível fazer uma correção matemática de um texto, atribuindo ao mesmo uma nota precisa e objetiva. Em meus dias de magistério, me deparei com esse problema. Me impus um critério: três erros crassos de português, zero. Quanto ao resto, admite-se discussões. Afinal, eu lecionava na universidade e não podia admitir erros que, a meu ver, reprovariam um aluno no vestibular. Ocorre que eu vivia um tempo diferente de meus alunos. Os erros que minhas aluninhas (era quase todas alunas) cometiam, não eram admitidos em meus dias de ginásio.
Mas jamais corrigi modo de pensar. Certa vez, recebi um texto defendendo idéias absurdas (já não lembro quais), mas em um português impecável. Fiz não poucas observações à margem da redação, mas dei nota máxima ao aluno. Há alguns anos, recebi comovido uma mensagem dele. Dizia ter por mim muito respeito, pois apesar de discordar frontalmente do que ele escrevera, eu lhe dera um dez. Confesso que me fez muito bem receber essa mensagem.
Naqueles dias – UFSC, anos 80 – recebi uma proposta estranha. O chefe do Departamento de Letras abordou-me: - Janer, tu és a nossa última esperança.
Senti-me valorizado. Tratava-se de quê? Era simples, eu era o último professor com suficiente moral para reprovar o Jorjão. Não entendi mais nada. Era, de longe, meu melhor aluno. Alto, com quase dois metros, desengonçado e tímido, tinha um certo ar de Frankenstein que assustava as meninas. Mas escrevia de forma impecável, jamais tive de corrigir-lhe uma vírgula. Um estilo duro, é verdade, sentia-se que não lhe era fácil dominar a língua. Mas se esforçava e conseguia. Mais ainda: lia também em alemão. Se eu indicava um autor nacional traduzido ao alemão, ele lia o original e também a tradução, pelo prazer de lê-lo em outra língua. Por que o Jorjão? – quis saber.
- Ele é muito esquisito. Tem problemas psicológicos. Podes imaginar o Jorjão lecionando?
Confesso que não havia pensado no assunto. Mas eu não estava ali para analisar psicologicamente um aluno. E sim para ensinar literatura. Respondi que se levantasse a vara, teria de reprovar a classe inteira.
- E além disso o pai dele é da TFP.
Mas que tinha eu a ver com isso? Desde quando a crença de um pai pode ser motivo de reprovação de um aluno? Recusei-me a reprovar o Jorjão. O chefe de Departamento conseguiu outro professor para executar o serviço vil, e fiquei sabendo que o Jorjão teve de entrar com advogado para poder formar-se.
Anos depois, encontrei-o na rua. Coincidiu que estávamos em um declive, ele na parte de cima. Eu tinha de olhar para o alto, minha cabeça mal dava pouco acima de seu umbigo. Contou-me que estava lecionando em Anitápolis e já havia brigado com o prefeito. - E por que brigar com o prefeito, Jorge?
- É que a escola não tinha biblioteca. Exigi uma da prefeitura, o prefeito não quis. Acabei brigando e ele teve de providenciar uma.
Aquele era o aluno que o Departamento de Letras queria reprovar. Confesso que senti um certo nó na garganta. Naqueles dias, eu já fora ostracizado da universidade – entre outras razões, por ter reprovado uma analfabetinha, sobrinha de um deputado – e o Jorjão não se conformava:
- Tão cedo a UFSC não verá um professor como o senhor.
É possível. O Departamento cometeu um erro de cálculo ao contratar-me como professor visitante. Suponho que me julgaram maleável. A única solução foi ejetar-me. Mas o mal já estava feito: o Jorjão aprovado e a sobrinha do deputado reprovada. Me despedi comovido de meu ex-aluno. Quando um professor brigaria com um prefeito para conseguir uma biblioteca? Ouvir aquele depoimento me deixou bem até hoje. Anitápolis não sabe, mas tem uma dívida comigo.
Não bastasse a censura que Estado, a universidade, o PT, religião e ideologias querem impor ao pensamento, o MEC passou agora a censurar sua manifestação no vestibular. Leio no Estadão entrevista com a consultora em educação Ilona Becskeházy. Para ela, a formulação do Guia do Participante é um avanço, mas não será suficiente para diminuir as discrepâncias de avaliação entre os mais de 4 mil corretores que trabalharão nos 5,7 milhões de textos.
Além disso, Ilona afirma que o fato de o MEC ter mantido a cobrança para que o candidato respeite os direitos humanos causará mais controvérsias. "O politicamente incorreto é muito subjetivo. O que é inadmissível para um corretor pode ser plenamente aceitável para outro".
Uma das corretoras da prova, que falou ao jornal sob a condição de anonimato, concorda. "Há situações bem pontuais e fáceis, como o caso de um texto dizendo que negros e nordestinos devam ser assassinados. Isso sem dúvida desrespeita os direitos humanos. Mas há casos bem sutis e treinamento nenhum consegue uniformizar a percepção do corretor", diz.
Segundo ela, a orientação da banca é para que se dê nota zero a um texto que defenda que o dever das mulheres é cuidar da casa. "Mas eu não invalidaria, porque isso é uma questão cultural que precisa ser repensada na sociedade, não desqualificando a argumentação do candidato".
De minha parte, se alguém considera que negros e nordestinos devem ser assassinados e que o dever das mulheres é cuidar da casa, sentirei algo entre pena e asco pela espécie de ser humano que ele representa. Como professor de língua, se ele afirmar isto em um português impecável, só me cabe dar-lhe nota máxima. Um revisor de redação no vestibular não é pago para controlar pensamento. E sim para corrigir o vernáculo.
Os jornais protestam contra o politicamente correto. Isto é, fingem que protestam. De fato, o assumem. Os jornais não falam mais em favelas. Mas em comunidades. Não se fala mais em prisão de menores. Mas em apreensão de menores. Como se menor fosse um objeto que se apreende. Afrodescendente não chegou a pegar, mas jornalista já hesita em grafar a palavra negro. Até a palavra índio está entrando na faixa do proibido. Almas mais pudicas preferem aborígene. Ou povos da floresta. Mais um pouco, e o MEC não se contentará em vetar pensamento. Vai vetar palavras. 
Um gênio como Swift hoje não passaria no vestibular. Afinal, escreveu aquela incorretíssima modesta proposta para impedir que as crianças pobres da Irlanda sejam um fardo para seus pais ou para o país e se tornem úteis ao público.
COMENTO:  a "modesta proposta" a que o autor se refere é um impressionante texto irônico, escrito em 1729. A ideia era criticar a ineficiência dos políticos da época (a mesma ineficiência que persiste nos dias atuais). Para os leitores que pensam ter um estômago forte, o texto citado pode ser lido clicando AQUI
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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Lá, Como Aqui ...

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A respeito da recém sancionada Lei nº 12.605, de 3 Abr 2012 que "determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas", recebi a mensagem que transcrevo abaixo.
Parece que, na falta de atitudes governamentais sérias, as "presidantas" vão tomando algumas atitudes inócuas para demonstrar "otoridade".

Direto da Fronteira! Mesmo para aqueles que não tem intimidade com a língua espanhola, dá para entender perfeitamente. Faça um esforço, leia até o final e veja que "lá" também surgem as polêmicas quanto ao gênero da palavras.
Não entendo a ligação mas, ambas as governantes são antigas guerrilheiras ... será alguma coisa de origem ideológica? A última frase é GENIAL! 

"Carta de una profesora. 

Los participios activos son de una sola terminación que le corresponde al género masculino y femenino, y al artículo y pronombres neutros. 
Está escrito por una profesora de un instituto público. 

CONTRA LA TONTUNA LINGÜÍSTICA, UN POCO DE GRAMÁTICA BIEN EXPLICADA 
Tengo 50 años y he tenido la suerte de estudiar bajo unos planes educativos buenos, que primaban el esfuerzo y la formación de los alumnos por encima de las estadísticas de aprobados y de la propaganda política. 
En jardín (así se llamaba entonces lo que hoy es "educación infantil", mire usted) empecé a estudiar con una cartilla que todavía recuerdo perfectamente: la A de "araña", la E de "elefante", la I de "iglesia" la O de "ojo" y la U de "uña". Luego, cuando eras un poco más mayor, llegaba "El Gordito de Petete", un librito con poco más de 100 páginas y un montón de lecturas, no como ahora, que pagas por tres tomos llenos de dibujos que apenas traen texto. Eso sí, en el Gordito, no había que colorear ninguna página, que para eso teníamos cuadernos. 
En Primaria estudiábamos Lengua, Matemáticas, Ciencias Naturales, Ciencias Sociales, Plástica (dibujo y trabajos manuales), Música y Educación Física. En 6º de Primaria, si en un examen tenías faltas de ortografía del tipo de "b en vez de v" o cinco faltas de acentos, eras candidato a repetir el grado. 
En Bachiller, estudié Historia Mundial, Química, Literatura y Mecanografía. 
Leí El Quijote y el Lazarillo de Tormes; leí las "Coplas a la Muerte de su Padre" de Jorge Manrique, a Garcilaso, a Góngora, a Lope de Vega o a Espronceda... 
Pero, sobre todo, aprendí a hablar y a escribir con corrección. Aprendí a amar nuestra lengua, nuestra historia y nuestra cultura. 
En castellano existen los Participios Activos como derivado de los tiempos verbales. El participio activo del verbo atacar es "atacante"; el de salir es "saliente"; el de cantar es "cantante" y el de existir, "existente". ¿Cuál es el del verbo ser? Es "ente", que significa "el que tiene entidad", en definitiva "el que es". Por ello, cuando queremos nombrar a la persona que denota capacidad o ejerce la acción que expresa el verbo, se añade a este la terminación "-nte". 
Así, al que preside, se le llama "presidente", independientemente del género (masculino o femenino) del que realiza la acción, pero nunca "presidenta". 
De manera análoga, se dice "capilla ardiente", no "ardienta"; se dice "estudiante", no "estudianta"; se dice "independiente" y no "independienta"; "paciente", no "pacienta"; "dirigente", no dirigenta"; "residente", no "residenta". 
Y ahora, la pregunta: 
¿Nuestros políticos y muchos periodistas (hombres y mujeres, que los hombres que ejercen el periodismo no son "periodistos"), hacen mal uso de la lengua por motivos ideológicos o por ignorancia de la Gramática de la Lengua Española? 
Creo que por las dos razones. Es más, creo que la ignorancia les lleva a aplicar patrones ideológicos y la misma aplicación automática de esos patrones ideológicos los hace más ignorantes (a ellos y a sus seguidores). 
No me gustan las cadenas de correos electrónicos (suelo eliminarlas) pero, por una vez, les propongo que pasen el mensaje a los amigos y conocidos, en la esperanza de que llegue finalmente a esos ignorantes semovientes (no "ignorantas semovientas", aunque ocupen carteras ministeriales). 
Lamento haber aguado la fiesta a un grupo de hombres que se habían asociado en defensa del género y que habían firmado un manifiesto. 
Algunos de los firmantes eran: el dentisto, el poeto, el sindicalisto, el pediatro, el pianisto, el golfisto, el arreglisto, el funambulisto, el proyectisto, el turisto, el contratisto, el paisajisto, el taxisto, el artisto, el periodisto, el taxidermisto, el telefonisto, el masajisto, el gasisto, el trompetisto, el violinisto, el maquinisto, el electricisto, el oculisto, el policío y, sobre todo, ¡el machisto!
SI ESTE ASUNTO "NO TE DA IGUAL", PASALO, POR AHÍ LE TERMINA LLEGANDO A LA MINISTRA DE "IGUAL-DA" . 
Porque no es lo mismo ser UN CARGO PÚBLICO que UNA CARGA PÚBLICA."
Fonte: mensagem eletrônica do meu Amigo Deboni.
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sexta-feira, 2 de março de 2012

MPF Censura Dicionários

por Janer Cristaldo
Essa agora! O Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia (MG) entrou com uma ação contra a Editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss para a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do Dicionário Houaiss, que contêm expressões pejorativas e preconceituosas relativas aos ciganos. Segundo o MPF, também deverão ser recolhidos todos os exemplares disponíveis em estoque que estejam na mesma situação.
Se alguém acha que existe algo de novo sob o sol é porque não tem memória. Ou será que ninguém mais lembra da Cartilha do Nilmário? Comentei-a em 2005. Um ano antes, havia sido editada a cartilha Politicamente Correto & Direitos Humanos, pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que tinha então como titular o também mineiro Nilmário Miranda.
De autoria de um antigo militante comunista, o jornalista Antonio Carlos Queiroz, a cartilha bania do vocabulário, como inconvenientes, mais de noventa palavras. O documento era fruto de um convênio entre a Secretaria e a Fundação Universitária de Brasília, que resolveu terceirizar o serviço e o repassou ao jornalista. Quem passou a dar nome às coisas não era mais o povo, mas o PT. Dicionários e dicionaristas que se lixassem.
Esta tendência a censurar dicionários não é nova no PT. Uma de suas deputadas, Lúcia Carvalho, não teve pejo algum em apresentar à Câmara Legislativa de Brasília um projeto que retirava dos dicionários, livros didáticos e obras literárias, todas as expressões por ela consideradas machistas. Pra começar, "paraíba mulher-macho', que desde há muito faz parte do cancioneiro nacional.
O insólito em tudo isso é que um cacoete ideológico, surgido nas universidades americanas nos anos 80, seja endossado por antigos servidores de Moscou. Costumo afirmar que brasileiro adora copiar achados do Primeiro Mundo. Mas copia com dez ou mais anos de atraso, e sempre copia o pior. No caso, os mais lídimos representantes das esquerdas brasileiras, de um antiamericanismo ferrenho, foram buscar nos States a inspiração para seus pendores autoritários. Pois a linguagem PC - politicamente correta - é o stalinismo aplicado à linguagem. Stalinismo curiosamente oriundo de uma nação que se jacta de defender a liberdade. Não contentes de censurar livros, os neo-stalinistas querem censurar dicionários. Palavras que sempre estiveram na boca do povo - afinal, dela nasceram - passam de repente a constituir algo ilícito, ou no mínimo inconveniente, quando proferidas.
O objetivo da ação do MPF – segundo leio nos jornais - é obrigar o dicionário a suprimir quaisquer referências preconceituosas contra uma minoria étnica, que, no Brasil, possui hoje mais de 600 mil pessoas. Para o MPF, os significados atribuídos pelo Dicionário Houaiss à palavra "cigano" estão carregados de preconceito, o que, inclusive, pode vir a caracterizar crime. "Ao se ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura "cigano" significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou, ainda, que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação", diz o procurador Cléber Eustáquio Neves.
Como se fosse o Houaiss quem atribuísse essas acepções à palavra. O dicionarista não define palavra alguma. Apenas pesquisa o que ela significa no falar das gentes.
A cartilha do Nilmário era mais ambiciosa. Pretendia, por exemplo, banir palavras como preto (inclusive na expressão "a coisa ficou preta"), baianada, aidético, cabeça-chata, sapatão. A palavra negro também tem suas restrições: "a maioria dos militantes do movimento negro prefere este termo a preto. Mas em certas situações as duas expressões podem ser ofensivas. Em outras, podem denotar carinho nos diminutivos neguinho ou minha preta". Em suma, se você disser negro acompanhado de um sorriso, talvez passe. Mais um pouco e o PT passa a regulamentar o sorriso.
Ora, há muito os jornais brasileiros evitam essas palavras. A linguagem PC infiltrou-se até na legislação. Chamar alguém de negro, mesmo que negro seja, hoje constitui crime. Há alguns anos, um negro foi preso em Brasília por chamar um negro... de negro. É cada vez mais freqüente - numa cópia servil da imprensa ianque - o uso de afrodescendentes para negros. Se você, leitor, é desses que adoram pautar sua linguagem pela moda, ao ver um amigo negro, não mais o chame de negrão. Mas de "meu caro afrodescendentão". Se for miudinho, "meu querido afrodescendentinho".
Preto de alma branca, nem pensar. (Semana passada, um jornalista foi condenado a pagar R$ 30 mil por ter usado a expressão). É "um dos slogans mais terríveis da ideologia do branqueamento no país, que atribui valor máximo à raça branca e mínimo aos negros. Frase altamente racista e segregadora". Por analogia, a velha expressão popular "serviço de negro" muito menos. Mas falar em serviço de branco, quando você quer elogiar um trabalho, por enquanto não está proibido. Lapso do Queiroz.
A levar-se a sério a famigerada cartilha, até a Bíblia teria de ser reescrita. Pois Sulamita é negra. Pior ainda: negra, mas formosa. Lá está: nigra sum, sed formosa. A Vulgata, por sua vez, deriva da tradução dos Septuaginta - feita a partir do original hebraico - onde está, em grego: Melaina eimi kai kale. Esse "mas" tem sido até hoje uma espinha na garganta dos ativistas negros.
Já baianada é mais complexo. Os paulistanos mais pudicos, que já hesitam em chamar alguém de nordestino, ao referir-se aos nordestinos, os chamam de baianos. Para São Paulo, acima do Rio de Janeiro todo mundo é baiano. O gentílico, neste caso, não é um pejorativo para baiano, e sim um eufemismo para nordestino. O "baiano ACM" pode, afinal ACM é do mal. Mas que nenhum jornalista ouse grafar "o baiano Jorge Amado". Está arriscando seu emprego, pois Amado é do bem. Na fronteira gaúcha, curiosamente, baianada era tentar montar o cavalo pelo lado errado.
Baitola, bicha, boiola e viado, muito menos. Nem mesmo homossexualismo é recomendável, "tem carga pejorativa ligada à crença de que a orientação homossexual seria uma doença, uma ideologia ou movimento político". Melhor homossexualidade, como se a mudança de sufixo mudasse algo na preferência dos homossexuais. (Verdade que hoje o ministro Ayres Britto criou um neologismo, já que a palavra antiga andava meio desmoralizada: homoafetividade). Quanto à palavra viado, parágrafo único: por especial deferência, é de uso reservado à Presidência da República, quando quiser referir-se aos pelotenses.
Ocorre que o autor foi mais realista que o rei. Em seu afã de cassar palavras, compilou várias de muito apreço por parte do Supremo Apedeuta. Lula, talvez por precaução, mandou suspender a distribuição da cartilha que, com poucos meses de existência, virou raridade bibliográfica. Os homens desmoralizam as palavras e depois sentem-se obrigados a cassá-las.
Queiroz foi mais longe, colocou a palavra "comunista" entre as politicamente incorretas. Sem talvez lembrar que o PT tem suas origens, entre outras, no PCB e no PCdoB, partidos hoje legalizados e atuantes. Esta foi a grande novidade da cartilha: o autor intuiu que comunista passou a ser palavrão. Mas como definir, doravante, nulidades como Luiz Carlos Prestes ou Oscar Niemeyer? Não será fácil encontrar um novo adjetivo.
A ação do promotor mineiro originou-se de investigação iniciada em 2009, quando o MPF em Uberlândia recebeu representação de um cidadão de origem cigana questionando a prática de discriminação e preconceito pelos dicionários de língua portuguesa contra sua etnia. Para esclarecer os fatos, o procurador enviou ofícios a diversas editoras com pedidos de informações. Após receber as respostas, ele expediu recomendação às editoras para que fosse suprimida das próximas edições qualquer expressão pejorativa ou preconceituosa nos significados atribuídos à palavra "cigano". As editoras Globo e Melhoramentos se renderam covardemente à recomendação. Já a Editora Objetiva recusou-se a cumpri-la, sob o argumento de que seu dicionário é editado pelo Instituto Houaiss, sendo apenas detentora exclusiva dos direitos de edição. O MPF pede a condenação dos réus ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 200 mil.
Ou seja, o sr. Cléber Eustáquio Neves está nomeando a si mesmo como lexicógrafo. Todo dicionário deve agora passar pelo crivo do MPF. Quem define agora as palavras não são mais os dicionaristas, e muito menos o povo, mas os procuradores da República.
Como dizia, nada de novo sob o sol. Velho cacoete petista. Mas se esta passar, o Instituto Houaiss - como também o dicionário - ficarão definitivamente desmoralizados.
Fonte:  Janer Cristaldo
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eloá, Lindemberg e a Justiça para Inglês Ver

por Arthurius Maximus
Mais uma vez, como numa grande partida de futebol, o populacho delirou ao saber da condenação de Lindemberg Alves – o assassino de Eloá Pimentel – a mais de noventa e oito anos de cadeia. Infelizmente, o que o parecem desconhecer é o fato de que, no país onde o crime compensa, ser condenado a noventa e oito anos de cadeia é apenas mais uma farsa.
Como se já não bastasse a aberração legal, disfarçada de preocupação com os direitos humanos, que restringe o cumprimento de pena a meros trinta anos de reclusão; fazendo com que o criminoso brasileiro goze da possibilidade de matar milhões e jamais pagar com uma sentença pífia por seus crimes. Ainda se colocam as famílias das vítimas verdadeiramente a ver navios e, em alguns casos, a reviver o drama e o trauma da morte de seu ente querido ou conviver com o risco da ameaça psicológica constante da libertação de seu algoz em pouquíssimo tempo.
Mesmo que cumpra os trinta anos de cadeia; Lindemberg sairá jovem e forte da cadeia. Apto a assassinar mais algumas Eloás incautas, que ousarem decidir que não o querem mais por perto. Afinal, com apenas vinte e cinco anos, Lindemberg sairá da cadeia com meros cinquenta e dois anos (afinal já cumpriu uns três anos). Estará, pois, na flor da idade.
Sua frieza e sua inacreditável aparência robusta deixam bem claros para todos a impressão de que o assassino tem boa comida e certa tranquilidade na cadeia onde cumpre sua pena. Pois, quando em liberdade, seu físico era franzino e até parecia padecer de má alimentação. Tudo isso é claro, gozando de um gordo auxílio reclusão de mais de R$ 800,00 mensais (garantidos no governo Lula), além do que faturar no presídio se exercer algum trabalho durante sua pena. Nem vou mencionar os gastos para mantê-lo gordinho na cadeia. Isso, já sabemos, custa mais do que o governo gasta com um aluno ou com um trabalhador no “seguro” do INSS.
De certo mesmo, para definir seu grau de psicopatia, resta a sua fria declaração ao ser preso:Estou feliz. Ela está morta e eu estou vivo”. Esse é o retrato do jovem que será engordado e sustentado a pão-de-ló num sistema penitenciário criado sob medida para homens como ele.
Todas essas reflexões, caro leitor, são apenas baseadas no provável cumprimento dos trinta anos de cadeia aos quais foi condenado. Mas, como bem sabemos, Lindemberg é primário e – no Brasil – isso concede a qualquer cidadão uma licença automática para matar. Não faltarão advogados interessados em defender os direitos humanos do pobre menino injustiçado e esmagado pela mídia, acenando com os inúmeros benefícios que o aguardam durante esses anos de reclusão faltantes. Lindemberg jamais cumprirá sequer a metade desses trinta anos de cadeia e não me surpreenderia se, daqui a dez anos (ou menos), ele estiver de volta às ruas perseguindo as famílias de suas novas vítimas.
O nobre leitor causídico, com vasta experiência no direito, refuta?
Ora! Para vocês cito o exemplo vivo do que são capazes nossas leis unidas a um bom advogado: Os assassinos da jovem atriz Daniela Perez foram condenados a dezenove anos e seis meses de prisão – também por homicídio triplamente qualificado – não amargaram seis anos de cadeia. Além disso, pouco depois de libertados, reconquistaram o status de “primariedade” renovando sua licença para matar; obrigando a mãe de sua vítima a realizar uma cruzada em prol de uma mudança na legislação.
Querem outro absurdo? Salvatore Cacciola. Fugiu e ficou anos na Itália curtindo a grana que roubou aqui. Foi capturado por acaso, num esquecimento fatal de sua parte, e poucos meses depois de encarcerado no presídio em Bangu, ganhou “progressão de regime”; ficando livre para fugir de novo quando quiser.
Em que outro lugar do planeta um réu que já se evadiu, tem vastos recursos para tal e é de difícil extradição ganharia novamente liberdade condicional ou qualquer benefício penal?
Devemos, uma vez por todas, acabar com essa falácia de que cadeia deve recuperar alguém e remodelar o caráter do preso. Cadeia é para punir e afastar facínoras e psicopatas perigosos do convívio com a sociedade.
Quem pode, em sã consciência alegar que um Fernandinho Beira-Mar, um Elias Maluco, um FB, um Champinha – perigosíssimo psicopata que estaria livre se não fosse uma manobra legal de um grupo de advogados e das famílias de suas vítimas – e tantos outros criminosos contumazes ou elementos que cometeram crimes violentos vão se recuperar e viver licitamente em sociedade?
Nem se ficassem internados em uma prisão Suíça meus caros. Em nosso meio há um número de indivíduos predestinados geneticamente a serem marginais da lei. A ciência comprova o fato de haver cerca de três a seis por cento de psicopatas na população mundial.
Se hoje somamos seis bilhões de pessoas no planeta, esses são números consideráveis. Portanto, são indivíduos irrecuperáveis e altamente perniciosos para a sociedade. Devendo ser eliminados ou internados em instituições penais por toda a vida ou até não serem mais capazes de oferecer qualquer risco a terceiros.
Compreender que a “justiça para inglês ver” e essas falsas sentenças judiciais, na verdade, premiam os criminosos transformando as famílias das vítimas e a sociedade em novos alvos para a sanha assassina desses criminosos. A isso se soma a péssima performance das polícias judiciárias (que não elucidam – ou mesmo investigam – noventa e cinco por cento dos crimes) sendo a fonte interminável de impunidade, mortandade e alimento do ciclo eterno de violência que experimentamos em nosso país.
Infelizmente, para mudar isso só com uma enorme pressão popular. Pois, os próprios legisladores, elaboram leis frágeis e criam benefícios penais dos mais diversos, justamente com medo de um dia virem a experimentar o longo braço da lei.
Felizmente para eles, hoje o braço da lei aqui no Brasil não é longo e muito menos forte.
Acabar com a impunidade e fazer o delinquente ter a certeza de que será apanhado e punido rápida e severamente é a única forma de diminuir a violência e levar nossa sociedade a um patamar de maior tranquilidade e mais liberdade para quem realmente a merece.
E você, o que pensa disso?
Fonte:  Visão Panorâmica
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