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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Jornalismo ou Ativismo?

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Mais uma vez um maluco provoca tragédias nos Estados Unidos. É sabido o massacre ocorrido na madrugada de domingo em Orlando, quando um demente ingressou em uma boate lotada e começou a atirar indistintamente contra os frequentadores, com um fuzil (modelo AR-15) e uma pistola Glock calibre 9 mm. O tresloucado gesto provocou, de imediato, a perda de meia centena vidas e outro tanto de feridos.
Não vou tentar detalhar a desgraça - considerada a pior do tipo na história dos EUA - pois isto já está sendo feito com melhores meios pelo que denominamos nossa grande mídia.  Mas vou me ater exatamente na atuação dessa grande mídia quanto a forma de informar a sociedade a respeito deste e outros fatos de grande repercussão. 
Em primeiro lugar, estranho a ênfase que tem sido dada ao fato do flagelo ter ocorrido em uma "boate gay" e as diversas manifestações de apresentadores, jornalistas, comentaristas e políticos - incluindo aí o presidente Obama - classificando o fato como "crime de ódio" ou de homofobia. Me pergunto se um idiota qualquer praticar ato semelhante em um ginásio lotado em função de alguma luta de box entre figurantes famosos, as perdas de vidas seriam mais ou menos valoradas. Destaco que citei uma luta de box por não me parecer um ambiente que se coadune ao público "gay", sem excluir, é claro, a existência de lutadores e simpatizantes homossexuais.
Em segundo lugar, me espantou o aproveitamento da oportunidade para que os mesmos comentaristas acima citados, também o presidente Obama, desferissem suas críticas à liberdade que os norte americanos possuem, no que tange à aquisição e porte de armas. Só mesmo na internet, felizmente um espaço onde ainda se pode expressar livremente as opiniões, são encontradas algumas críticas às pouco divulgadas "gun-free-zones", por coincidência, locais que se destacam pela ocorrência de atentados do tipo que estamos tratando. 
Para quem ainda não sabe, tais zonas são locais onde é expressamente proibida a circulação de armas - normalmente nas redondezas de áreas de diversão e escolas, até mesmo escolas militares, o que explica atentados ocorridos em "bases militares", na realidade instituições de ensino militar. E por que são locais preferenciais para atentados com armas? Exatamente por terem os bandidos atacantes a certeza de que não haverá reação imediata aos seus crimes. Além do mais, desde quando bandidos e doidos preocupam-se com legislação? Alguma semelhança ao país que soma mais de 50 mil mortes violentas ao ano?
Sem querer minimizar perdas de vida, já adianto aos críticos da "violência característica dos yankees", que em 2015 ocorreram 372 "tiroteios massivos" nos EUA, que provocaram 367 mortos. 
Ao amanhecer de hoje (segunda-feira), tive de aturar o Ricardo Eugênio Boechat - um jornalista com opiniões cretinas, mas que ouço por ser ele bem informado - reclamando de ninguém ter indagado ao tal idiota assassino o motivo para ele  comprar um fuzil AR-15. A esse "formador de opinião" quero informar que aquisição de armas nos EUA é um direito constitucional. O questionamento reclamado seria tão extemporâneo quanto um vendedor de veículos interrogar os motivos que te levariam, um jornalista, a comprar um caminhão-baú (vai transportar contrabando? coisas roubadas? vai mudar de profissão? ...) se assim tu quisesses.
Para encerrar, destaquemos o enorme esforço da "grande mídia" em apoio ao seu queridinho, Barack Obama, na recusa de vincular essa calamidade ocorrida ao radicalismo islâmico. Mesmo depois de divulgado o anuncio dos canalhas do tal Estado Islâmico, assumindo que o criminoso insano era filiado à essa quadrilha de lunáticos. Dado ratificado pela informação do telefonema que o patife deu ao Serviço de Emergências americano (911) anunciando a atrocidade que iria cometer em nome de sua crença.
Os canalhas e hipócritas preferem ficar repetindo o eterno mantra da homofobia - termo que, por si demonstra a ignorância dos seus usuários frequentes (homo=igual; fobia=medo, assim, homofobia= medo do igual e não ódio aos que tem seus corpos desajustados aos seus instintos como impingem aos incautos) - pois se borram de medo ante a possibilidade de ter que apontar o dedo contra o terrorismo religioso, doença esquizofrênica que se difunde pelo mundo afora graças a covardia dos que se recusam a condena-la como deveriam.
É graças a esse tipo de "formadores de opinião" que nossa sociedade se horroriza porque um bando de corredores atrás de bola perdeu um jogo por "um gol de mão", mas glorificaria a mesma equipe se o gol fosse feito por um de seus membros!
E viva a luta pelo desarmamento e contra a homofobia. Mas nem pensem em criticar os terroristas que matam em nome da imposição de suas crenças. Isso é discriminação odiosa!! 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Brasil x EUA - Massacre Cultural

por Tatiana Valadares Gonçalves
Sarasota, FL-USA
Uma coisa que me chateou bastante ontem (14/12/12), foi que diante a notícia tão triste do massacre das crianças em Connecticut, ao invés de meditar, parar o coração um momento para pensar e mentalizar algo bom para quem sofria com a tragédia, muita gente do meu círculo de amizades resolveu bombardear minha caixa de mensagens, inclusive me telefonar, com comentários inúteis sobre os EUA, a segurança, o povo, etc.
Registro aqui minha decepção com cada um que se achou no direito de julgar e generalizar o fato.
Agora me espanta que isso tenha vindo de brasileiros, o Brasil é um país tão seguro e organizado, né??
Eu fui obrigada a escutar que os americanos são todos doentes mentais, que aqui é uma fábrica de malucos e o que estou fazendo aqui num lugar que não tem segurança. Sabe qual é a diferença entre isso aqui e o que os brasileiros têm ai ? Ordem.
Aqui tem muito maluco sim, tanto quanto aí, só que aqui o maluco se suicida depois da cagada, por que ele sabe que a JUSTIÇA será feita. Ele sabe o lhe espera. No Brasil, a gente sabe o que acontece com o maluco. Nada!
Daqui sete anos no máximo, dois malucos que jogaram a filha de 5 anos pela janela estarão fazendo compras no Shopping Center Norte. Sabe quando isso aconteceria aqui? Nunca. Daqui 5 anos, a maluca Ritchtofen estará passeando no Parque do Ibirapuera com o cachorro e tirando fotos no Instagram
Doentes mentais, revoltados, loucos e psicopatas não existem somente aqui ou aí no Brasil, eles estão no mundo, não há como evitá-los. Mas eu prefiro viver em um lugar onde existe um simples diferença – Cumprimento da Lei.
Por isso me espanta tanto a reação de alguns brasileiros; filhos coniventes de um país que elege ladrões, sai na rua pelado no carnaval cantando a própria desgraça e termina tudo em pizza.
Sabe qual é o GRANDE problema do Brasil? O povo só olha pra fora. Quantas vezes ouvi piadas que americano não conhece o mapa e não sabe diferença entre Brasil e Argentina. Palmas para eles! Por que perdem o tempo deles conhecendo detalhadamente o seu próprio mapa. Quando eles sentam no assento do metrô, no fim do dia para ir para casa, estão lendo noticias internas e se preocupando em fazer algo pela escola do seu bairro. O brasileiro não lê no metrô, também não senta, porque vive uma realidade miserável de falta de tudo, falta espaço, falta trem, falta ônibus, falta asfalto e sobra assunto descartável. Vai todo mundo no estilo sardinha em lata falando da novela das 8. Ou da tragédia do país alheio.
Todo mundo feliz por que ganhou o 13º salário, vão torrar tudo no mesmo dia comprando coisas caríssimas, pagando um imposto gigante, para se exibir para a vizinha no elevador.
Natal? Ah, no Natal o brasileiro gosta muito dos americanos, por que os copia em tudo! Isso é ridículo! Arranque esse monte de roupa do Papai Noel, por que NÃO vai nevar no Tocantins. 
E os EUA que não têm segurança e nada, lá só se come hamburguer e pizza, mas vamos lá pra Miami fazer as compras de Natal!!! Nessa hora todo mundo ama o bando de malucos daqui. Assim é o Natal Brasileiro, todo mundo comprando em 5 vezes no cartão, que nem louco algo que NÃO precisa e nem pode pagar. Na noite do Natal está todo mundo louco para passar logo a meia noite, largar a família pra trás e pegar a primeira estrada com trânsito infernal para ter 4 dias de sossego em algum lugar tão perigoso quanto o próprio bairro (seja qual for). Aqui, a gente escuta musica de Natal dezembro inteiro, no carro, em casa... aqui a gente ainda manda cartões pelo correio. Aqui a gente leva o filho para tirar foto com Papai Noel, de graça. Fazemos listas de tudo que devemos agradecer no ano. Repetimos a frase Feliz Natal 30 vezes por dia, para o caixa do super mercado, para o cara do correio, para o vizinho, no trânsito para a pessoa do carro ao lado. Aqui se acende uma vela na janela durante 25 dias para lembrar aqueles que partiram e não estarão conosco neste Natal. A gente come cereal como forma de agradecer a colheita do ano todo. O nosso Papai Noel está vestido adequadamente para a estação. Ou seja, aqui se vive com o que se tem e o que se é. No Brasil se vive com o que os OUTROS têm.
Estou tão chateada assim, porque nunca ouvi uma piada sequer de americano algum com relação ao Brasil. Muito pelo contrario, mesmo lendo notícias ruins daí, nunca alguém aqui se atreveu a fazer qualquer tipo de comentário que não fosse um elogio ao meu país. E o interessante é que grande parte de quem faz as piadas contra americanos, NUNCA colocou os pés aqui. Pior, julgam algo sem conhecer, que atitude ignorante! 
Portanto, quando quiserem apontar o dedo, apontem mas não na minha frente, pois se você tem o direito de expressar sua opinião a respeito do que bem entender, eu tenho o direito de me sentir ofendida e expressar a minha opinião sobre você. Eu sou Brasileira com letra maiúscula, mas a minha ‘Casa’ é aqui e o meu coração por opção está aqui e não vou me permitir mais escutar tais ofensas. Tenho orgulho de viver e criar meu filho em uma fabrica de possíveis malucos, ao invés de criá-lo dentro da certeza de habitar uma fabrica de corruptos, vagabundos e cegos por opção.
Tatiana Valadares Gonçalves
Sarasota, FL-USA
Recebido por correio eletrônico
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domingo, 20 de maio de 2012

Peru Vai Melhorar Serviço de Inteligência Para Combate ao Terrorismo

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O novo ministro da Defesa do Peru, José Urquizo, anunciou que o país reativará os comitês de autodefesa e melhorará o sistema de inteligência para enfrentar em ótimas condições o narcoterrorismo no Vale dos Rios Apurimac e Ene (VRAE).
Ele explicou que o governo tem uma estratégia clara para essa zona do país, cuja finalidade é separar a população das redes do narcotráfico, do terrorismo e da economia ilegal.
Durante a cerimônia de saudação aos altos comandos das Forças Armadas, Urquizo lembrou o êxito do trabalho dos comitês de autodefesa na luta contra o terrorismo, nas décadas de 80 e 90.
De acordo com o ministro da Defesa, as ações na região são a prioridade máxima de sua gestão.
José Urquizo revelou ainda que o governo peruano irá aumentar substancialmente o orçamento para a inteligência e a aquisição dos equipamentos necessários às operações.
"As ameaças à segurança que enfrentamos nos últimos anos têm a ver com a debilidade da capacidade do Estado para produzir inteligência necessária", observou o novo ministro.
José Urquizo também enfatizou a importância de se dar continuidade ao processo de modernização das Forças Armadas, tornando mais transparentes as compras e licitações no setor.
Para isso, o ministério da Defesa do Peru decidiu criar a Agência Central de Compras Militares.
De acordo com o ex-ministro da Defesa, Alberto Otárola, a decisão evitará demoras e tornará mais eficiente o processo de compra de bens e serviços pelas Forças Armadas.
Otárola explicou que a Agência Central de Compras Militares irá centralizar as aquisições dos institutos armados e permitirá o desenvolvimento planejado e de economia de escala nas compras, como ocorre nos países mais avançados do mundo.
Ele destacou ainda que essa agência dotará de maior transparência e eficiência os processo de aquisições por seu caráter técnico, sua independência e o seu pessoal profissional civil e militar especializado.
Segundo Otárola, "a Agência Central também vai melhorar o controle e a execução do orçamento destinado à Defesa".
Fontes militares informaram ao InfoRel que a atuação da Agência Central evitará ainda qualquer possível negociação ilícita entre o ente requerente e os representantes ou intermediários, sejam peruanos ou estrangeiros.
Além disso, ficou definido que o Peru irá priorizar as compras Governo a Governo, como no caso da aquisição de um sistema de armas para o país. Isso será possível por meio dos acordos de cooperação já existentes. As empresas intermediárias serão eliminadas do processo.
"Desta maneira não apenas estaremos garantindo a idoneidade do bem ou serviço que se adquire e a seriedade do provedor, mas também se melhorará a posição de negociação do Peru para a fixação dos preços definitivos da oferta", informou Alberto Otárola.
Ele enfatizou que a nova política considera como elemento central nas aquisições, a transferência de tecnologia e o desenvolvimento do sistema de offset como requisito indispensável no caso das compras Governo a Governo.
O projeto de implantação da Agência Central de Compras Militares será executado pela Direção Geral de Gestão Administrativa para a Defesa, órgão vinculado ao ministério da Defesa. Otárola recordou que em sua gestão, o governo priorizou as compras corporativas.
Atualmente, o país conta com onze desses processos em negociação.
"O bom desses processos é que alcançamos a standarização dos bens e uma maior eficiência econômica", concluiu.
Fronteiras
Nos dias 15 e 16 de maio, o governo peruano realizou na Universidade Amazônica de Madre de Deus, em Puerto Maldonado, o I Foro de Fronteiras Amazônicas do Peru, organizado pela Direção de Desenvolvimento e Integração do ministério das Relações Exteriores e o Departamento de Ciências Sociais da Universidade Católica do Peru.
A chancelaria peruana informou que o Foro foi um evento acadêmico para discutir a situação atual e as perspectivas de futuro das fronteiras amazônicas do país com o Brasil.
Neste sentido, foram estudadas as características da fronteira amazônica peruana em seus aspectos econômico, social, ambiental e institucional e as influências externas, em particular na região próxima à fronteira brasileira.
Outras duas edições estão previstas para este ano em Pucallpa e Iquitos e respondem a estratégia de conhecer e difundir a problemática dos espaços fronteiriços amazônicos em maior profundidade.
Participam dos eventos, funcionários nacionais e regionais, docentes universitários, representantes de sindicatos e instituições da sociedade civil, além do público interessado no desenvolvimento da Amazônia com critérios de sustentabilidade ambiental.
Fonte: Info Rel
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

"Timochenko", na Venezuela

Habitantes de Tibú, Norte de Santander, asseguram ter visto Rodrigo Londoño Echeverri, vulgo "Timoleón Jiménez" ou "Timochenko", chefe das FARC, em novembro de 2011, montado em uma moto.
"Timochenko"
Também dizem que em uma tarde, o chefe da narcoguerrilha estaria próximo ao rio, na vereda Três Bocas, junto a um grupo de subversivos.
Há também um boato que se espalhou pela aldeia (desde que ele assumiu a chefia das FARC), de que o teriam visto tomando cerveja no corregimento de Petrólea. 
Porém, nada disso é correto. O chefe das FARC está na Venezuela.
Até agora ninguém havia confirmado.
Porém "Daniel", um desmobilizado da Coluna Móvel Arturo Ruiz e Resistencia Barí, que pertenceu por treze anos ao grupo narcoguerrilheiro assim disse a El Colombiano.
26 de janeiro de 2012. 
São 10:00 horas e em um dos sete municípios de El Catatumbo se encontra "Daniel", um homem dessa região de montanhas, que conhece os rios e os segredos que existem no coração da mesma. Os habitantes da vila onde vive, como os demais residentes dessa região rica em petróleo e onde pululam os arbustos de coca, estão há dois meses atemorizados pelas ações armadas da guerrilha.
O ataque mais grave foi em 13 de janeiro, quando dois bandidos detonaram um carro-bomba no corregimento de Petrólea (Tibú), ao passar uma patrulha da Polícia, matando três pessoas e destruindo uma residência.
"Por aqui há o temor de uma vingança das FARC em função dos anos em que esta zona foi dominada pelo Bloco Catatumbo das Autodefesas", diz "Daniel", que também assegura que todas estas ações obedecem à ordem de "Timochenko", no sentido de que a guerrilha, em 2012, deve dominar esta região.
Os primeiros disparos e explosões provocadas pelos guerrilheiros da Frente 33 (comandada por "Jimmy Guerrero") foram contra a Estação de Polícia de El Tarra, à meia noite do dia 31 de dezembro passado. Dois policiais resultaram feridos.
"No corrente ano, as FARC atacaram a Alcadia (Prefeitura), a Polícia, instalaram um carro bomba na via que vai para Cúcuta e há uma presença massiva de bandoleiros. Se a situação continuar assim, estou pensando em despachar desde Ocaña", disse Jorge Arnas, prefeito de El Tarra.
Em primeiro de janeiro, bandoleiros da Coluna Móvel Arturo Ruiz y Resistencia Barí atravessaram um carro com explosivos na área urbana de Tibú, posteriormente desativado.
Na terra onde a lei é imposta pelo dinheiro do narcotráfico, o Governo criou a Força Tarefa Vulcano, em 23 de dezembro, com a missão de promover operações ofensivas e sustentadas contra as FARC, o ELN, o EPL e as BaCrim (bandas criminales = quadrilhas do crime organizado).
Mas é um segredo de Polichinelo que os 8.000 soldados que estão metidos naquela área buscam o homem que tem falado de paz ao país ao mesmo tempo em que segue dando instruções de seguir matando soldados e policiais e de lançar botijões explosivos que matam civis no sul colombiano.
De acordo com a Corporação Novo Arcoiris, as FARC cometeram 140 ações violentas em janeiro passado. Os militares traçaram o objetivo de liquidar "Timochenko" em um ano.
"Porém ele está na Venezuela, exatamente no estado de Zulia, na zona limítrofe com Colômbia, ao norte do Rio de Oro (Tibú), a ocidente de uma população chamada El Cruce de Venezuela e ao sul do rio Lora. Se move em uma área aproximada de 10 quilômetros quadrados, montanhosa e selvática", diz "Daniel".
"Timochenko" passou a fronteira
Ao soldado profissional Juvenal Delgado, uma cobra matou a Goten, seu cão anti-explosivos, enquanto estava rastreando as minas anti-pessoal que milicianos deixaram ativadas próximo ao oleoduto da Petronorte, que destruíram em 11 de janeiro em El Aserrío, corregimento de Teorama.
"Sem Goten já não vale a pena esta guerra, dois anos com meu cachorro e uma cobra o mata por perseguir a guerrilha. Vou pedir minha baixa", diz o militar sem esconder sua amargura, a bordo de um helicóptero Black Hawk (onde levam um guerrilheiro detido e algemado), que sobrevoa as montanhas rumo à Brigada XXX, em Cúcuta.
Perto dali, os guerrilheiros das FARC sobem e baixam pelos rios Sardinata, Río Nuevo, Tibú e Rio de Oro, controlando a saída e comercialização da coca para a Venezuela. "Com o ELN, o EPL e 'os Urabeños' há um pacto porque todos se beneficiam do narcotráfico", explica "Daniel".
La Cooperativa e o Rio de Oro são os dois pontos do país de onde "Timoleón" se aproxima, segundo explica o desmobilizado. "Em La Cooperativa está a Compañía 29 de Mayo das FARC e no outro extremo, a Compañía Catatumbo. É uma guerrilherada de 80 homens, que são o último anel de segurança do comandante 'Timoleón'", reitera "Daniel".
Segundo o Exército, em El Catatumbo se encontra a unidade norte do Bloco Magdalena Médio, comandado por "Pastor Alape", outro membro do Secretariado das FARC. São 372 guerrilheiros, com aproximadamente 200 milicianos, porém a Força de Tarefa Vulcano não pode confirmar se "Timochenko" está na Venezuela.
"Não poderia dizer com precisão aonde está 'Timochenko', porque seria irresponsável de minha parte ratificar ou afirmar algo como isso. Porém a condição de fronteira facilita à guerrilha evadir a ação das Forças Militares. Temos bem claro as limitações que gera para nós os limites com Venezuela e por nenhum motivo vamos ultrapassá-los", assegura o General Marco Lino Tamayo, Comandante da Força Tarefa Vulcano.
Um guerrilheiro boa vida
"Daniel" recorda os dias de 2005, o último ano que "Timochenko" esteve na Colômbia. "O acampamento se encontrava em Convención, no corregimento de Honduras. O Exército esteve bem perto e nesse mesmo ano ele teve que mover-se para o norte, em toda a linha de fronteira. Desde então ele está na Venezuela".
Afirmação que coincide com o ano em que se deu a primeira reunião entre o General Henry Rangel Silva (atual ministro de Defesa de Venezuela) e "Timochenko", segundo ficou evidenciado nos correios que o abatido "Raúl Reyes", manteve com o Secretariado. Apesar de não se saber onde se produziu o dito encontro, analistas do conflito já suspeitam.
"A ele depois da 'zona de distensão' encarregaram a tarefa de ampliar a plataforma de relações internacionais das FARC. As autoridades da Venezuela o protegem", expressa "Daniel".
Segundo o desmobilizado, "Timochenko" padece de diabetes avançada e é muito rigoroso. "Ele tem a enfermidade controlada, porém ele come muito bem, está gordo, toma vodka e gosta da boa vida. Agora anda com uma operadora de radio e 40 guerrilheiros das companhías Catatumbo e 29 de Mayo que são seu primeiro anel de segurança". Os pontos onde se abastecem os guerrilheiros na Venezuela, são El Cruce e Machiques, atravessados pela via que conduz a Maracaibo.
Conflito nas FARC
A presença de chefes guerrilheiros na Venezuela (denunciada pelo governo de Álvaro Uribe Vélez ante a OEA, em 22 de julho de 2010) não foi desmentida nem confirmada pelo atual Governo. Inclusive, em 16 de novembro passado, Juan Carlos Pinzón, Ministro da Defesa, assegurou que "desconhece" se o chefe das FARC está no país vizinho.
O debate não só está lançado entre o Governo e a opinião pública, que exige que se confirme ou desminta se o guerrilheiro está no país bolivariano. Também no interior das FARC há uma "guerra fria" entre os blocos e frentes que estão no país (enfrentando as Forças Militares) e os chefes guerrilheiros que estão na Venezuela.
Assim explica "Daniel": "O 'Mono Jojoy' (abatido), sempre criticou a 'Timoleón' porque era um homem tímido que não gostava de se meter no barro. Era muito raivoso mas de pouca ação. É certo que não estava convencido de receber o comando e que agora, com a ordem de lutar, está tentando passar a imagem de que tem mando e que inclusive está disposto a entrar na Colômbia".
São 15:00 horas e os alto-falantes dos helicópteros do Exército convidam os guerrilheiros das FARC para que entreguem pistas sobre o paradeiro de "Timochenko". Enquanto isso, "Daniel", sai de sua casa rumo a Cúcuta. Antes de se despedir, diz sorrindo, "o certo é que 'Timoleón' está sim na região de El Catatumbo, mas no lado da Venezuela".
Fonte: tradução livre de El Colombiano 
COMENTO: enquanto não se esclarece a verdade sobre a presença dos chefes da narcoguerrilha dita ideológica comunista e o ministro da defesa colombiano faz "cara de paisagem" sobre o assunto, as autoridades do Mico Mandante venezuelano anunciam a prisão de "Martin Llanos", um chefete das quase extintas Autodefesas Unidas de Colômbia (AUC) - paramilitares, bandidos também, mas anticomunistas - que se homiziava em terras bolivarianas. Quanto aos cumpanhêrus das FARC e ELN, nada se fala, nem se pergunta!!!
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Causas Profundas da Pirataria na Somália

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Um outro ponto de vista sobre  a pirataria nas costas da Somália. Não é o caso de ser contra ou a favor, mas mostrar alguns dados que não aparecem à opinião pública internacional.
De acordo com o vídeo abaixo, "Causas profundas da pirataria na Somália", os países industrializados que compõem os esforços internacionais contra a pirataria na Somália são os mesmos que depredam há décadas este infeliz Estado, e o continuam fazendo.
No mínimo, o vídeo serve para mostrar, também, o ônus para um Estado que não dispõe de Forças Armadas capazes para proteger suas riquezas.



  • Intrépidos...  Aventureiros...  Sedutores... Românticos...  E também um pouco loucos.
    As histórias de piratas cativaram-nos desde sempre na literatura, cinema e televisão.
    A pirataria é tão antiga como a própria navegação.
    Mas... o que é um pirata?
    O pirata é um bandido que se dedica ao roubo e ao saque marítimo. Apropria-se daquilo que não lhe pertence e fá-lo fortemente armado e à margem da lei.
    Por vezes contam com a proteção de um estado ou nação e atuam em seu nome a coberto do que antes era denominado de "cartas de Corso". Nesse caso denominavam-se "Corsários".
    "Os piratas somalis ampliaram o seu raio de ação"
    "São dois dos piratas"
    "O exército tentou capturar os piratas"
    "Finalmente a fragata 'Canárias' alcança o batel e captura os dois piratas"
    "Cerca de 60 piratas partilharam os despojos de 2 milhões e meio de euros"
    "Houve fogo no 'Inters-Um-Dois' repelindo os piratas"
    "Temos 63 piratas a bordo de momento"
    "Os trinta piratas estão armados, consomem álcool e são muito agressivos"
    "O inferno da Somália"
    Na atualidade, a pirataria na Somália assolapa os meios de comunicação.
    Mas... existirá tal pirataria? Em que consiste?  E... quem são realmente os piratas? Para averiguá-lo é necessário retroceder até à origem.
    "Piratas"
    A Somália foi colonizada pela Itália e Inglaterra. Consegue a sua independência em 1960 mas o governo democrático dura tão somente 9 anos.
    Em 1969 o ditador Mohamed Siad Barré lança um golpe de estado e forma o governo. Consegue-o com o apoio incondicional dos Estados Unidos.
    E não em vão: Graças a isso as principais companhias petrolíferas ianques conseguem contratos importantes para explorar o petróleo existente no país.
    Situada no Corno de África, a Somália ocupa uma posição geo-estrategica fundamental para as rotas de transporte marítimo que unem a Europa e a Ásia.
    Mais de 20.000 barcos de carga atravessam anualmente as suas costas através do Golfo de Áden, transportando mais de 10% do comércio mundial e por ali transita também grande parte do petróleo extraído no Médio Oriente.
    Há muito tempo que nações regionais e potências estrangeiras a disputavam como ponto estratégico para as rotas de transporte marítimo.
    O mandado militar de Siad Barré prolonga-se até 1988, quando o Movimento Nacional Somali se revolta contra a sua ditadura. O levantamento dá lugar a uma sangrenta guerra civil que se prolonga até 1991, ano em que Siad Barré se vê obrigado a abandonar o poder e a fugir do país. Mas a sua saída não traz a paz.
    Perante o vazio de poder, vários clãs defrontam-se entre si para tomarem o controle do país. O que tem impedido a existência de um governo estável até à atualidade. A guerra civil teve consequências devastadoras para o povo somali. Mais de 300.000 mortos, um milhão e meio de refugiados e uma fome terrível que afeta todo o país, agravada pela persistente seca.
    Hoje em dia, o frágil governo apenas consegue o controle da capital. Os confrontos entre as diferentes facções são constantes. A violência, o caos e a anarquia reinam nas ruas da Somália que é considerada o país mais perigoso do mundo.
    Aproveitando-se desta situação caótica sem controle nem governo um sem número de barcos de pesca procedentes de vários países começam a pescar sem nenhuma licença nas águas em frente à Somália. Incluindo as suas águas territoriais. Estes barcos, procedentes dos EUA, Ásia e da União Europeia praticam um tipo de pesca denominada: I.U.U., pesca ilegal, não declarada, não regulada.
    A sua incessante e descontrolada atividade usando artes de pesca proibidas noutras regiões do planeta está a acabar com as reservas pesqueiras de um país que carece de autoridade e meios para proteger as suas costas
    Na atualidade, mais de 800 barcos de distintos países pescam na zona. Estima-se que os lucros anuais gerados pela pesca ilegal ascendem a mais de 450 milhões de dólares. A pesca de atum sofreu um vertiginoso e insustentável incremento nos últimos 10 anos.
    Só a frota do atum, composta fundamentalmente por Espanha, com 60% das capturas e por França, com 40% captura na Somália umas 500.000 toneladas de atum por ano.
    As frotas pesqueiras das grandes potências com a União Europeia à cabeça contribuem desta maneira para o empobrecimento de uma das regiões mais miseráveis do mundo.
    Roubam a principal fonte de proteínas da sua população e acabam com a forma de vida e sustento dos pescadores locais. Desta forma, condena-se sem remédio a um país frágil que agoniza e morre de fome.
    Desde 1990 que a comunidade somali vem protestado reiteradamente na ONU e em diversos organismos internacionais. Os seus protestos nunca foram escutados nem atendidos
    O grupo de supervisão para a Somália das Nações Unidas também constatou e alertou nos seus relatórios sobre a depredação sistemática da zona levada a cabo por frotas de pesca estrangeiras.
    A ONU tampouco ouviu os seus próprios supervisores e não fez absolutamente nada para deter o saque.
    Mas o pesadelo não termina aqui. Desde a queda do governo, em 1991 outros barcos começaram a aparecer também na costa somali. A sua atividade é mais misteriosa.
    Os barcos entram nas suas águas territoriais vertem barris no mar e abandonam o lugar.
    Esta atividade suspeita alerta os pescadores somalis os quais tentam dissuadir os cargueiros que realizam os derrames. Mas não têm êxito. Os derrames continuam durante 14 anos. O conteúdo desses barris é um mistério até finais de 2004, ano em que um terrível tsunami assola o sudeste asiático.
    Quando a onda do tsunami chega à Somália centenas de barris são arrastados contra a costa.
    Os barris rompem-se. Há vazamentos. O conteúdo sai à superfície e termina nas praias.
    A gente da zona começa a adoecer. Infecções das vias respiratórias. Hemorragias intestinais... estranhas reações químicas na pele e mais de 300 mortes repentinas causam alarme entre a povoação. Após algum tempo ocorrem nascimentos com malformações e diversas enfermidades.
    Nick Nuttall, porta-voz do programa do meio-ambiente das Nações Unida, explicou que quando as embalagens se romperam pela força das ondas os contentores trouxeram à luz uma atividade espantosa:
    "A Somália está a ser utilizada como vertedouro de resíduos perigosos desde o início dos anos 90, e continuou desde a guerra civil não-resolvida nesse país. O lixo é das mais diversas classes: há resíduos radioativos de urânio, o lixo principal, e metais pesados como Cádmio e Mercúrio. Também há lixo industrial, resíduos hospitalares lixo de substâncias químicas e o que se queira nomear. O mais alarmante aqui é que se está a descarregar lixo nuclear. O lixo radioativo está a matar potencialmente os somalis e está a destruir totalmente o oceano".
    Ahmedou Ould Abdallah representante especial do ONU na Somália declarou à Al-Jazeera que as descargas de resíduos tóxicos continuam a acontecer na atualidade. O diplomata afirmou que possuía informações fidedignas de que são corporações europeias e asiáticas as que estão a despejar químicos e resíduos nucleares nas costas da Somália.
    Sim, as Nações Unidas enviaram os seus representantes para constatar a catástrofe. E sem embargo, o capítulo foi encerrado. Por ora não existiu um único despacho judicial, .... detenção ou condenação por estes atos criminosos.
    E isto não ocorre unicamente na Somália.
    As águas de outros países africanos como a Costa do Marfim, Nigéria, Congo ou Benim também são usadas como vertedouros tóxicos pelos países industrializados. Unicamente no ano 2011, chegaram a África 600.000 toneladas de resíduos tóxicos.
    O continente africano converteu-se na lixeira de resíduos radioativos gerados pelos países ricos. Um país devastado que morre de fome Os países ricos correm para lhes arrebatar a pesca e de passagem contaminar as suas águas com lixo tóxico e nuclear.
    Este é o contexto em que apareceram os homens que alguns meios de comunicação denominam de "piratas".
    Perante esta situação de absoluta impotência alguns pescadores reagiram de uma maneira desesperada.
    Começaram a aliar-se em pequenos grupos armados e usando lanchas rápidas tentam afugentar os barcos pesqueiros estrangeiros e dissuadir os navios que despejam resíduos nas suas águas.
    "Há muitos anos conseguíamos pescar muitíssimo... o suficiente para comer e para vender no mercado. Mas depois chegaram os navios estrangeiros de pesca ilegal que muitas vezes despejam produto tóxicos que dizimam as reservas pesqueiras.  Não me restou alternativa."
    Chamam-se a si mesmos os "Guarda-Costas Voluntários da Somália" e contam com o total apoio da população local. Segundo uma pesquisa, 70% da população somali apoia fortemente esta atividade como um meio de defesa das águas territoriais do país.
    Um dos seus líderes, Sugule Alí, explicou os seus motivos: "Parar a pesca ilegal e as descargas nas nossas águas. Não nos consideramos bandidos do mar. Consideramos que os bandidos do mar são os que pescam ilegalmente e despejam lixo."
    Mas inicialmente ninguém os leva a sério. As frotas pesqueiras estrangeiras continuam a pescar impunemente e as descargas tóxicas continuam.
    Tendo em conta que tudo isto ocorre num país cheio de armas e dividido em grupos rivais, a estes pescadores rapidamente se unem ex-combatentes e acabam convertendo-se em grupos fortemente armados. Pressentem um lucrativo negócio na captura destes barcos e na exigência de um resgate.
    Quando começam a reter barcos a zona vai-se esvaziando e as frotas estrangeiras deixam de chegar com tanta frequência.
    As grandes potências vêem agora ameaçada a sua atividade de pesca lucrativa e vêem-se privados do seu particular e muito economico vertedouro de resíduos tóxicos e nucleares. A ONU, que ignorou sistematicamente as reclamações somalis agora atende às reclamações dos países afetados por estas ações.
    Espanha e França, países com importantes frotas pesqueiras na zona encabeçam uma petição de uma reação militar conjunta.
    Desta maneira nasce a Operação Atalanta. A missão dispõe inicialmente de oito vasos de guerra, barcos de abastecimento e aviões de reconhecimento e vigilância. Após o fracasso inicial da operação, é ampliado o seu prazo e dotação, com mais de 20 navios e 1.800 militares. O custo estimado para o governo espanhol ascende a mais de 6 milhões de euros mensais.
    A segurança privada dos atuneiros galegos e bascos ascende a meio milhão de euros mensais. O governo espanhol suporta metade desse custo por intermédio do Orçamento de Estado.
    Recordemos a definição de pirata:  Roubam no mar, apropriando-se do que não lhes pertence. Realizam as suas ações fortemente armados. Em algumas ocasiões contam com a proteção de um Estado ou de uma Nação.
    Mas.. Por que razão pescam ali estas frotas? Não poderiam por acaso fazê-lo nas suas águas territoriais? Nos seus oceanos?
    Não! E a causa é terrível! Já não resta nada que pescar. Devastaram e saquearam todas as suas reservas. Os países ricos exterminaram a vida marinha dos seus próprios oceanos.
    Os sistemas de pesca dos países capitalistas industrializaram-se. Os ecossistemas marinhos são explorados até ao limite com o intuito de maximizar os lucros.
    Destrói-se a capacidade de regeneração das espécies marinhas. A cadeia alimentar é quebrada e as espécies extinguem-se.
    Como denuncia o Greenpeace International pelo menos um quarto de todas as criaturas marinhas capturadas são atiradas de volta ao mar, mortas. Baleias, golfinhos, ... albatrozes, ... tartarugas.
    São o que a indústria pesqueira denomina frivolamente de capturas acessórias.
    Desde os mares do Norte ao Golfo da Biscaia, o Cantábrico e o Mediterrâneo, esgotou-se e destruiu-se o habitat da maioria das espécies.
    O professor de História do Pensamento Político José Carlos García Fajardo, afirma: "Por isso as nossas frotas europeias foram à procura das ricas reservas de África, América Latina e Ásia.
    Em muitos países serviram-se de governantes sem escrúpulos da falta de meios para defender a pesca nas suas próprias águas ou de falsas joint ventures criadas para roubar as suas riquezas.
    No ano de 2006, tendo em vista proteger os seus recursos naturais o Senegal não renovou os acordos pesqueiros com os países da União Européia. Mas parece impossível deter as frotas pesqueiras capitalistas.
    Estas burlam as leis criando joint ventures comprando licenças a outros países e agitando bandeiras de conveniência.
    Atualmente, através da Internet pode-se comprar uma bandeira de conveniência em alguns minutos e por menos de 500 euros.
    No Senegal, os barcos de pesca deixaram de ser úteis para a sua finalidade original e são agora usados para transportar imigrantes que procuram um futuro melhor em países europeus.
    Ironicamente os mesmos países que lhes arrebataram o seu futuro.
    Na Somália, os barcos deixaram de ser úteis para a pesca e são usado agora para a pirataria.
    A Conferência Global dos Oceanos anunciou que 75% dos bancos de pesca mundiais desapareceram.
    A FAO também alertou que 80% das reservas mundiais estão sobre explorados e 30% das espécies marinhas se encontram abaixo do limite biológico de segurança.
    Por tudo isso, diversos estudos científicos calculam que no ano 2048 estarão esgotados todos os recursos pesqueiros do planeta.
    Fonte:  Dot Sub

quinta-feira, 21 de abril de 2011

População Armada é Uma População Violenta

por Bruno Pontes
Nada melhor do que ouvir um especialista no assunto desarmamento: Toninho Cicatriz, autor de 26 homicídios, 68 assaltos e fundador da ONG Amigos da Paz, apoia a garantia dos direitos humanos básicos da bandidagem. "Uma população armada é uma população violenta", diz Toninho, que me concedeu a seguinte entrevista, por telefone celular, de dentro de um presídio de segurança máxima.
Bruno Pontes: O governo já sabe como impedir que transtornados mentais matem crianças: retirando as armas da população ordeira. O senhor concorda com esse ponto de vista?
Toninho Cicatriz: Plenamente, porque é um ponto de vista progressista. A classe bandida aplaude o Sarney e seus amigos petistas. Assim como o José Eduardo Cardozo, nós temos a convicção de que uma população armada é uma população violenta.
Bruno Pontes: Mas o desarmamento não deveria atingir só os criminosos?
Toninho Cicatriz: Veja o caso do meu chapa Armando Caveira: semana passada ele quase foi morto por um cidadão tresloucado que quis proteger a família e reagiu ao assalto. É um absurdo. O sujeito quase apagou o Caveira. Essa insegurança não pode continuar.
Bruno Pontes: A superarmada Suíça tem índices de criminalidade de fazer inveja à Terra do Nunca e em fevereiro passado disse não ao desarmamento. Como se explica isso?
Toninho Cicatriz: Não tente me enganar. Tô dando entrevista de bom grado.
Bruno Pontes: Como assim tentar enganar?
Toninho Cicatriz: As únicas armas que existem na Suíça são os canivetes, e eu também não acredito que os suíços tenham recusado o desarmamento.
Bruno Pontes: Como não? Foi em fevereiro agora. ONGs e partidos de esquerda da Suíça, onde praticamente toda casa tem arma, arranjaram um plebiscito a favor do desarmamento, proposta que foi rejeitada por mais de 60% dos suíços.
Toninho Cicatriz: Eu não li nada disso no jornal. O que eu tenho lido, e eu concordo inteiramente, é que mais armas significam mais mortes. Este parecer é endossado pelo doutor Rubem César Fernandes, presidente da Viva Rio, uma grande parceira nossa, pelo doutor Luciano Huck e por outros especialistas.
Bruno Pontes: O ministro Luiz Fux, do STF, acha que o governo deveria invadir logo a casa das pessoas e tomar as armas, simples assim.
Toninho Cicatriz: Olha, vou te falar uma coisa: tô no ramo do crime há quase 30 anos, passei por poucas e boas e sofri muita incompreensão da sociedade, mas eu nunca esperei ver um juiz do Supremo subscrevendo minha filosofia. Dentro e fora do presídio a nossa comunidade vibrou. O doutor Fux está de parabéns!
Bruno Pontes: As pessoas com o cérebro normal pensam diferente: elas acham que a melhor coisa a fazer é tirar as armas dos criminosos e metê-los na cadeia.
Toninho Cicatriz: Essa tese é tão obscurantista que eu me recuso a comentar.
COMENTO:  É SÓ UMA BRINCADEIRA.  MAS QUANTA VERDADE!!!

terça-feira, 29 de março de 2011

Mais um Crime do Capitalismo

por Olavo de Carvalho
O sr. Paulo Henrique Amorim é, na mídia brasileira, o exemplo mais puro de fidelidade partidária. Por isso mesmo faz tempo que deixei de ler seus artigos: consulto os planos de marketing do PT e já sei tudo o que ele vai escrever nos doze meses seguintes. Outro dia, porém, uma pessoa que ignora ou despreza esse meu hábito salutar enviou-me um texto publicado no site daquele jornalista (Conversa Afiada), que acabei lendo por não ser obra dele e sim de uma de suas leitoras, que las hay, las hay
A referida, que assinava simplesmente "Marília", sem sabermos portanto se é uma criatura de carne e osso ou um alter ego do proprietário do site, noticiava ali que fora descoberta, em La Macarena, departamento de Meta, Colômbia, uma enorme vala comum - "a maior fossa do hemisfério ocidental" -, com os cadáveres de dois mil camponeses assassinados covardemente pelos paramilitares de direita, com a ajuda do Exército colombiano.
O fato, comentava a remetente, vinha sendo sistematicamente ocultado pela mídia colombiana, direitista como ela só, bem como pela igualmente reacionária Fiscalía, o equivalente colombiano do nosso Ministério Público.
Ficava portanto demonstrado, segundo a matéria, que "a Colômbia é, sem dúvida, um dos lugares do planeta no qual o horror do capitalismo se plasma da forma mais evidente, em seu paroxismo mais absoluto".
Na legenda de uma foto que para máxima credibilidade amorínica da denúncia mostrava três buracos sem nenhum cadáver dentro, concluía triunfalmente o editor do site: "Na foto, a maior - e mais funda - obra de Uribe. Só Hitler foi capaz de ir tão longe - e tão fundo."
Seria até covardia exigir de devotas almas chavistas algum conhecimento histórico mesmo elementar, mas eu, o leitor e o mundo sabemos que os nazistas não sepultavam os mortos dos campos de concentração: cremavam tudo. Quem cavou uma vala comum para esconder cadáveres foram os comunistas em Katyn.
Também sabemos qual o procedimento-padrão da propaganda comunista para pintar o capitalismo como um regime genocida. O modelo foi fixado para toda a eternidade pelo Livro Negro do Capitalismo, de Gilles Perrault, resposta involuntariamente paródica ao Livro Negro do Comunismo de Stéphane Courtois. Convocado às pressas para abafar o escândalo dos 100 milhões de vítimas do comunismo produzindo como pudesse idêntico número de mortos do outro lado, Perrault descobriu um método infalível, constituído de dois itens. Primeiro: computou as mortes ocorridas em guerras internacionais, que Courtois excluíra propositadamente para concentrar-se na soma das vítimas civis assassinadas por seus próprios governos. Segundo: completando a fraude com o engodo, atribuiu ao capitalismo a culpa por todas as mortes ocorridas na II Guerra Mundial, na guerra civil da Rússia, na guerra do Vietnã, na guerra da Argélia e na guerra civil espanhola, rotulando como vítimas do capitalismo, indiscriminadamente, as populações dizimadas nesses conflitos pelas tropas comunistas, fascistas e nazistas. Para reforçar a soma, meteu nela até mesmo - santa misericórdia! - as vítimas do massacre de Ruanda, 500 mil mortos, todos eles sacrificados por incitação demagógica da "teologia da libertação". Resultado: debitando-se na conta capitalista as violências cometidas pelos comunistas, o capitalismo se revelava mesmo um regime tão cruel quanto o comunismo, ou até pior, quod erat demonstrandum.
No caso colombiano, o método empregado não foi diferente. Durante três décadas a área de La Macarena esteve sob o controle das FARC. Sem apresentar sequer um arremedo de motivo, "Marília" e seu editor dão por pressuposto, portanto, que o morticínio - se algum houve, digo eu - deve ter ocorrido no período de 2005 a 2010, quando as Forças Armadas ocuparam a região. Nem percebem que, datando assim o ocorrido, se desmentem ao acusar de participação no crime os "paramilitares", que então já estavam desativados, desarmados e muitos deles encarcerados. É verdade que, em outras áreas e épocas, esses combatentes mercenários esconderam cadáveres em fossas, mas quem os espremeu até que confessassem tudo - e quem em seguida exumou os cadáveres - foram as Forças Armadas da Colômbia, e não se vê por que fariam isso, denunciando-se a si próprias, se tivessem participado desses crimes ou de outros idênticos. Fixando o delito no período posterior a 2005, "Marília" e Amorim inocentam involuntariamente os paramilitares. Removido o episódio para época anterior, ficam inocentadas as Forças Armadas, que não estavam no local. Se queria fazer uma denúncia séria, a dupla deveria ter ao menos evitado a contradição entre o tempo e o lugar do delito.
Aliás, se tivessem mesmo a intenção de descobrir fossas clandestinas, "Marília" e Amorim deveriam ter buscado numa outra direção. As FARC mantiveram dezenas de milhares de seqüestrados em cativeiro, em condições infra-humanas, por mais de três décadas. É impossível que alguns milhares não tenham morrido nesse ínterim, de fome, de maus tratos ou a tiros, sem haver jamais notícia de que os narcoguerrilheiros tivessem a gentileza de remeter de volta aos familiares os cadáveres dos prisioneiros mortos, que assim desapareceram duplamente: sumiram da face da Terra e nunca entraram nas contagens de "desaparecidos".
Fica portanto demonstrada, pelo método Gilles Perrault, a maldade sem fim do capitalismo e especialmente do sangrento ditador Álvaro Uribe.
Com toda a evidência, "Marília" e Amorim não leram jamais um jornal da Colômbia, pois se o fizessem saberiam que a grande mídia daquele país é anti-uribista e colecionadora voraz de denúncias contra as Forças Armadas, os paramilitares e a "direita" em geral. Saberiam também que a Fiscalia não é nenhum antro de conservadores, mas, bem ao contrário, é uma ponta-de-lança das FARC, firmemente decidida a vingar por meios jurídicos os mais heterodoxos as derrotas acachapantes que a narcoguerrilha sofreu no campo militar (veja-se, a título de exemplo, o caso do coronel Luís Alfonso Plazas, aqui descrito em 18 de junho, Olavo de Carvalho.org). Saberiam, ainda, que nem a mídia nem as autoridades ficaram inativas ante a denúncia da "vala comum". Que inatividade pode ter havido numa investigação que mobilizou, tudo junto, a Chancelaria, o Departamento de Direitos Humanos da Vice-presidência, a Procuradoria da República, a Inspetoria Geral do Exército e o governo da província de Meta? A investigação (agradeço à minha amiga Graça Salgueiro o envio da notícia publicada em El Tiempo) concluiu que o cemitério está lá desde há mais de vinte anos, que os corpos foram ali sepultados um a um em épocas diversas e que, por fim, não se encontrou no local um só cadáver cujo sepultamento não estivesse oficialmente registrado na prefeitura respectiva.
Mas não é só da mídia colombiana em geral que a dupla denunciante mantém austera distância. Nenhum dos dois parece ter lido sequer a notícia original da denúncia que veiculam. Se a conhecessem, saberiam que o sinal de alarma não foi dado por "uma comissão britânica", como dizem, mas sim pela senadora Piedad Córdoba e pelo deputado comunista Ivan Cepeda, dois parceiros tradicionais das FARC, quadrilha da qual a ONG inglesa "Justice for Colombia", que só entrou na história a título de megafone ex post facto, é também notória e incondicional aliada.
Para completar, está claro que "Marília" e seu editor não examinaram nem mesmo a foto que, na opinião de ambos, prova a crueldade nazista de Álvaro Uribe: se a tivessem ao menos olhado por instantes, teriam visto que ela não mostra nenhuma "vala comum", mas, precisamente ao contrário, várias covas separadas.
No entanto, quaisquer que sejam as minhas reservas quanto ao site do sr. Paulo Henrique Amorim, confesso que o nome da coisa é notável: a expressão Conversa Afiada evidencia, com clareza exemplar, que o conteúdo ali publicado só se distingue do vazio por um hiato.

domingo, 30 de maio de 2010

Crime Organizado na América do Sul - Sendero Luminoso e FARC

por Mariano Bartolomé
Buenos Aires, 26 de maio de 2010
É doloroso dizer mas na América Latina, ao mesmo tempo em que os bicentenários oferecem ocasiões propícias para reafirmar a vontade pacífica de nossos povos, a violência continua presente em toda sua geografia. Muitas das formas adotadas pela violência são novidades, porém outras tantas não são assim. Coexistem o velho e o novo, como se evidencia na Colômbia e no Peru.
Quanto ao caso colombiano, faz poucos dias um cidadão dessa nacionalidade de nome Esney Losada foi detido próximo à capital paraguaia por agentes antiterroristas locais, acusado de integrar a "Frente 15-Antonio Nariño" das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Segundo as versões difundidas pela imprensa guarani, é possível que Losada estivesse reunindo informações que permitissem o seqüestro extorsivo de um familiar do presidente da Confederação Sulamericana de Futebol.
Aproximadamente duas semanas antes, nas proximidades da cidade de Manaus, houve um fato similar que careceu de repercussão midiática: outra detenção de um cidadão colombiano, neste caso José Samuel Sánchez (vulgo "Martín Ávila" ou "Tatareto"), junto a sete brasileiros, com os quais integrava um bando criminoso que comercializava drogas com as FARC.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, as investigações desenvolvidas pela Polícia Federal brasileira a partir das mencionadas detenções haviam confirmado a existência de bases permanentes das FARC nas selvas setentrionais do país. O diário paulista assegurou, com base em documentos elaborados pelo serviço de inteligência da PF, que os insurgentes comercializam cocaína na região amazônica; com o dinheiro obtido, enviam à Colômbia armas, combustíveis, precursores químicos e diferentes equipamentos.
Cabe destacar que os rumores sobre a presença dos insurgentes na região amazônica não são absolutamente novos. Entre os que sustentam esta tese se encontra John Marulanda, especialista no conflito colombiano que chegou a sugerir a existência de vínculos entre as FARC e funcionários achegados ao presidente Luiz Inácio "Lula" da Silva, incluindo o próprio chanceler Celso Amorim. A propósito, a vontade do Palácio do Planalto indica vedar o uso do território nacional a qualquer tipo de ator estrangeiro, e nesse esforço se inscreve o incremento da presença militar no Amazonas.
Também com a mesma meta, o Brasil implementou mecanismos que permitem um importante fluxo de informação sensível com a Colômbia e vice-versa, cuja importância foi recentemente destacada pelo comandante das Forças Militares colombianas, general Freddy Padilla. Não obstante a existência desse canal permanente, a publicação da nota d'O Estado de São Paulo levou o governo da Colômbia a solicitar ao do Brasil que não permita que seu território seja uma "guarida" para as FARC. Em resposta a esse pedido Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais do presidente Lula, ratificou que seu governo deterá e eventualmente expulsará todo insurgente estrangeiro e assegurou que as Forças Armadas locais se encontram bem qualificadas para lidar com esse tipo de ameaças não convencionais.
Mais além de sua repercussão conjuntural, as detenções registradas em Assunção e Manaus voltaram a por sobre o tapete o tema da atual situação das FARC e, em particular, sua dispersão e apoios tanto em solo colombiano como no exterior. Ainda que é certo que a esta altura dos acontecimentos os apoios da insurgência dentro do próprio país são particularmente escassos, como se pode constatar nas pesquisas que iniciaram há dois anos a Fiscalía e a Corte Suprema de Justiça em relação à chamada "Farcpolítica", que afetaram apenas a quatro congressistas. Dentre eles se destaca a senadora oposicionista Piedad Córdoba, contra quem o Ministério Público efetuou acusações com base em sua menção em vários correios eletrônicos arquivados no computador do chefe guerrilheiro Raúl Reyes, abatido na controvertida "Operação Fênix"(1).
As acusações formuladas contra a legisladora pelo procurador geral Alejandro Ordóñez incluem a colaboração com o grupo guerrilheiro e o cometimento de atos tendentes à quebra da unidade nacional (traição à Pátria). A cooperação com as FARC incluiu a busca de fontes de financiamento e a manipulação de provas de vida de reféns da organização para favorecer a seus líderes e a governos de outros países. A referência da Procuradoria à erosão da unidade nacional, é certo, se sustenta em contínuos e reiterados chamamentos aos outros governos latino americanos a deslegitimar às autoridades eleitas colombianas e romper relações com a Casa de Nariño.
Um dado da máxima importância, no que se refere à estrutura de apoio das FARC dentro dos limites da Colômbia, é sua crescente vinculação em questões de narcotráfico com o fenômeno chamado "neoparamilitarismo", ainda que esse nome gere importantes desacordos(2). Em qualquer caso, a referência define os novos grupos criminosos que estão se estruturando em diferentes pontos da geografia nacional, e são integradas por ex-integrantes de nível médio das velhas Autodefesas. Estas alianças são tão preocupantes a ponto de serem explicitamente mencionadas pelo Escritório da Alta Comissão das Nações Unidas na Colômbia, em seu informe anual de 2009.
Nesse dossiê se vincula o reaparecimento de grupos armados ilegais com o parcial fracasso do processo de desmobilização de organizações paramilitares. Suas ações incluem narcotráfico, prostituição e tráfico de pessoas, extorsão, jogo clandestino e tráfico de armas; seus métodos incluem assassinatos, ameaças, deslocamento e violência sexual, e se focam não só em membros de outros grupos ou de organismos estatais, mas também latifundiários ou colaboradores.
A situação é diferente no que se refere ao campo externo, um terreno no qual no qual se verifica múltiplas vinculações dos insurgentes colombianos com diferentes atores estatais e não estatais, ainda que em forma recorrente as acusações apontem a Hugo Chaves. A última ocasião em que se manifestou o vínculo das FARC com o presidente venezuelano teve lugar em meados do passado mês de abril, quando o grupo guerrilheiro criticou o magistrado da Audiência Nacional espanhola Eloy Velasco, que acusou o líder bolivariano de facilitar e apoiar uma aliança entre esse grupo e o grupo terrorista basco ETA.
Afirma a cúpula das FARC em um escrito difundido pela Internet: "O inaudito ataque político e jurídico que o juiz espanhol Velasco lançou contra o governo da Venezuela é a continuação da guerra suja que o governo ultradireitista de Bogotá declarou à Revolução Bolivariana da Venezuela". Nessa mesma mensagem, a guerrilha acusou o governante colombiano Álvaro Uribe de atiçar o caso nos bastidores, movido por seu presumido ódio a Chavez(3).
Antes das acusações do juiz Velasco, o candidato presidencial colombiano pelo partido Cambio Radical, Germán Vargas Lleras, denunciou que muitos líderes das FARC se refugiavam no vizinho país, entre eles Timochenco, Bertulfo Álvarez e Grannobles. Ainda de acordo com Vargas Lleras, o Exército venezuelano guarda as instalações usadas pelas FARC nos estados de Táchira, Apure e Zulia; no caso zuliano, se inclui um acampamento onde os guerrilheiros colombianos treinariam centenas de integrantes das milícias bolivarianas em combate rural.
Os grupos venezuelanos treinados pelas FARC seriam pelo menos quatro, incluindo o autodenominado "Movimento Armado e Revolucionário para a Libertação Carapaica", que obteve notoriedade em janeiro passado quando seu líder, conhecido como "Murachi", concedeu várias entrevistas nas quais apareceu, mascarado e armado, no bairro "23 de Enero" de Caracas, local onde se moveriam com total liberdade centenas de militantes "carapaicas" instruidos em técnicas de combate pelos colombianos.
Além do Movimento Carapaica, dizem que as FARC treinam outros grupos, entre eles o Movimento 28 de Abril, as Forças Bolivarianas de Libertação e a Tropa Revolucionária Cubano-Venezuelana. De acordo com os informes de guerrilheiros desmobilizados e as informações dos computadores de Raúl Reyes, o treinamento proporcionado pelas FARC inclui manejo de explosivos, "operações urbanas" e treinamento com armas longas.
O outro caso que pretendemos analisar aqui é o do Peru. Na nação incaica recentemente se comemorou o trigésimo aniversário do grupo maoísta Sendero Luminoso (SL), pois em 17 de maio de 1980 se registrou sua primeira ação contra a comunidade campesina de Chuschi, no departamento de Ayacucho, consistindo na queima de atas de votação para as eleições municipais do dia seguinte. Esse ato, vale dizer, passou praticamente despercebido devido à euforia dos peruanos, que com os comícios daquele momento retornavam à democracia após doze anos de governo militar.
Lamentavelmente, os eventos que se seguiram romperam con essa indiferença e envolveram o Peru en uma espiral de violência. O professor de filosofia Abimael Guzmán (vulgo "Presidente Gonzalo"), fundador do SL, havia traçado como objetivo estratégico da organização construir a sangue e fogo uma "república popular de nova democracia" desde os escombros do "Estado burguês". O resultado foi um conflito armado sem precedentes que em duas décadas custou a vida a quase 70 mil pessoas, em sua maioria gente pobre que habitava em zonas remotas andinas, e causou perdas materiais superiores aos U$S 25 bilhões. Nessa época, os efetivos insurgentes chegaram a somar mais de 5 mil.
A captura de Guzmán em 1992 e sua posterior condenação à cadeia perpétua constituíram severas derrotas políticas que debilitaram gradualmente o SL, já que com ele foi caindo todo seu estado maior. Um ano depois, desde a prisão, o líder terrorista propôs um acordo de paz ao governo de Alberto Fujimori e finalmente depôs as armas.
Hoje, o SL se mantém oficialmente vigente, ainda que como guerrilha esteja reduzido a ações esporádicas em zonas isoladas, muito longe de seu antigo poder de intimidação. Ao mesmo tempo, no campesinato provoca uma indiferença quase total. Qual é, então, a lógica de sua atuação? A resposta é simples: o tráfico de drogas. Há aproximadamente uma década, remanescentes senderistas na zona do Vale dos Rios Apurimac e Ene (VRAE) começaram a vincular-se com o narcotráfico proporcionando segurança ao tráfico de drogas; hoje participam em todo o ciclo desta atividade: o cultivo, seu processamento e transporte fora da zona através dos chamados "mochileiros".
De acordo com especialistas oficiais, os guerrilheiros nessa região selvática não superam os 150 efetivos e carecem de capacidade ofensiva de significação. Sem dúvida, a designação de importantes recursos humanos e materiais para o controle dessa ameaça, por parte do governo, contradiz essa versão. De fato, a visita oficial que Lula realizou ao Peru em dezembro foi propícia para que o anfitrião expressasse seu interesse em adquirir uma dúzia de aviões brasileiros de combate Super Tucano A-29 (três ou quatro deles com urgência), para empregar contra o SL no VRAE.
Esta vertente senderista contaminada pela criminalidade está sob o comando de um guerrilheiro conhecido como "José", sucessor do mítico líder insurgente "Feliciano". Este se chamava na realidade Alberto Rodriguez Durand e era o máximo chefe da organização no VRAE nos anos 90. Em outubro de 1993 se opôs ao cessar fogo oferecido por Guzmán e constituiu a corrente "Prosseguir" que tentou seguir a luta armada até sua detenção em 1998. Seus sucessores começaram os contatos com os cartéis do narcotráfico.
Atualmente, na linha oposta a "José" encontramos uma ala política do senderismo liderada por "Artêmio", seguidor do fundador do grupo e propenso a infiltrar-se em organizações sociais, como sindicatos, e participar nas próximas eleições nacionais de 2011. De acordo com o ministro do Interior, Octavio Salazar, "Artêmio manifesta a vontade de penetrar nas organizações do Estado através das eleições em municípios e governos regionais. Essa é sua estratégia e não podemos perdê-lo de vista".
A ideia do grupo é lançar-se com uma estratégia que privilegie a ação política sobre a violência armada, tratando de apagar a imagem de terror que semeou no passado, e nesse sentido contaria com o aval de seu fundador: no ano passado seus advogados disseram que ele havia dado luz verde desde a prisão para que seus simpatizantes participem de processos eleitorais. Mais ainda, o advogado Alfredo Crespo disse em uma conferência de imprensa que o partido político poderia chamar-se Movimento por Anistia e Direitos Fundamentais e que buscaria a anistia de todos os presos políticos no país. Crespo acrescentou que outras metas dessa força seriam a implantação de uma nova constituição política e a luta contra a política neoliberal.
Sem dúvida, o governo do presidente Alan García poderia bloquear essa ação dos senderistas, enfatizando dois elementos: por um lado, a inexistência em um regime democrático de presos políticos; por outro lado, a não autorização da figura de anistia, à luz do dano gerado pelo SL em toda sua sangrenta trajetória.
Faz poucos dias, o enfrentamento entre Artemio e José foi exposto à cidadania peruana em toda sua dimensão. Na cidade ayacuchana de Huamanga os seguidores do primeiro desses líderes distribuíram panfletos fabricados de forma artesanal, nos quais se reivindicam como seguidores do marxismo-leninismo e acusam de narcotraficante ao outro chefe, chamando-lhe "vendepátria".
Ainda que nesses panfletos não constassem chamados explícitos ao emprego da violência nem à realização de ações terroristas, o Poder Executivo peruano se mantém cauteloso e em expectativa sobre esse ponto. De fato, Rafael Rey, ministro da Defesa, revelou recentemente que recebeu ameaças de morte da organização. Além disso, devido à existência de rumores de atentados no momento de cumprir-se o aniversário do SL, foi decretado o Estado de Emergência por 60 dias nos departamentos de Huánuco, Ucayali e San Martín (zonas de importante atividade narcoterrorista). Nessa situação se suspendem os direitos constitucionais, a liberdade e segurança pessoais, a inviolabilidade de domicílio e a liberdade de reunião. De acordo com o texto publicado no boletim oficial El Peruano, a medida é uma resposta ao fato de que havia "ocorrido atos contrários à ordem interna que afetam o normal desenvolvimento das atividades da população" nos últimos dias, ainda que tais atos não foram especificados.
Em definitivo, este resumo da situação que atravessam nesta época os grupos FARC e SL proporciona duas conclusões significativas. A primeira delas se refere à organização colombiana: tanto seu desdobramento como os apoios que registra nos âmbitos interno e externo mostram que, contrariamente ao que alardeava o Poder Executivo em meados do ano 2008 (após a morte de Tirofijo, o abatimento de Raúl Reyes e Iván Márquez, a deserção da chefe feminina "Karina" e a libertação de In grid Betancourt e outros sequestrados), ainda é prematuro falar de sua derrota definitiva.
A segunda conclusão se vincula com a fisionomia que adotará o Sendero daqui em diante. Na evolução das agrupações insurgentes nos países democráticos existe um momento crucial no qual sua evolução se apresenta nos termos dicotômicos que encarnam Artemio e José: por um lado, uma atuação dentro do sistema legal, baseado em uma plataforma política suscetível de captar uma massa de votos; por outro, uma opção pelos dinheiros sujos da criminalidade. O tempo nos dirá qual é o desenlace dessa pugna de transcendência histórica, pois ele também pode influir no desenlace do conflito colombiano.
Mariano Bartolomé é Graduado e Doutor em Relações Internacionais, especializado em Segurança Internacional.
E-mail: marianobartolome@yahoo.com.ar
(1) Os outros três congressistas são Jorge Robledo, Gloria Inés Ramírez e Wilson Borja.
(2) A ONU considera inadequado que toda nova criminalidade colombiana seja catalogada como neoparamilitarismo, a reedição dos paramilitares ou a continuidade disto. O argumento que dá é que "não há homogeneidade na conformação, propósitos, métodos e atividades destes grupos; é possível encontrar estruturas militares ou quase militares, mafiosas, sicariais e diversidade de propósitos: extorsão, território, comercio minorista de drogas ilícitas, narcotráfico, redes de prostituição, entre outros. Se trata de não qualificar de paramilitares a toda banda delinqüencial organizada na Colombia; isto não nega as exigencias para castigar a quem descumprem os compromisos do processo de desmobilização, nem a intensidade com que ha que combater a delinquencia".

(3) No começo do mês de março, Eloy Velasco solicitou la detenção de uma dúzia de presumíveis membros das FARC e do ETA por sua suposta colaboração e a intenção de assassinato, na Espanha, de personalidades colombianas, incluindo o próprio Uribe. No auto de detenção, se consigna que ambas organizações havíam contado com cooperacção governamental venezuelana. O governo venezuelano rechaçou a acusação e assegurou através do chanceler Nicolás Maduro que Velasco está associado ao ex presidente espanhol José María Aznar, a quem Chávez acusa de haver apoiado o golpe de Estado do ano 2002.
Fonte: tradução livre de texto
de Mundo RI