domingo, 31 de janeiro de 2021

A Minoria Torpe que Pensa Ser Dona do Brasil

por Luiz Carlos Nemetz
Quem conhece um pouco da história do Brasil, sabe que desde Getúlio Vargas uma casta política tomou as entranhas do poder no Brasil e segue encravada nele até hoje.
Uma imensa minoria egoísta, atrevida e sem limites que pensa serem os donos do país.
São pequenas oligarquias que chamo de aristocracia medieval brasileira.
Pequenos exemplos: Fernando Henrique Cardoso é filho e sobrinho de generais que conspiraram para derrubar Getúlio, levando-o ao suicídio, por terem seus interesses pessoais contrariados.
Rodrigo Maia é genro do genro do genro de Getúlio. O líder gaúcho que criou essa cultura. Dava cartórios, capitanias hereditárias e sustentava a imprensa para conseguir governar.
É um grupelho acostumado no bem bom. Quase sempre líderes sem votos, mas hábeis na arte da malandragem (andar pelo mal), da chantagem, do compadrio, do aparelhamento das estruturas do Estado, que se perpetuam ao longo das décadas agarrados as mamatas e gordas mordomias vidas do poder público.
O mais hábil destes grupos tem sua gênese na ala ruim da antiga UDN (que tinha uma ala boa), ainda viva e atuante como a velha “banda de música”, sempre prontos para em simuladas contendas, tomarem o poder na mão grande, criando crises artificiais para dividir o butim. Que quando não conseguem o que querem, partem para derrubar governos.
Fizeram o levante militar em 64. Deram o tapa, mas depois, esconderam a mão, quando viram seus interesses e o acesso ao baleiro ser dificultado.
São malabaristas na arte da manipulação. Na sua grande maioria são líderes com grande repulsa popular, figuras abjetas. Põe a frente para representa-los líderes de ocasião aos quais comandam com rédeas curtas, espora e mango via das “instituições” das quais nunca desgrudam, como o comando do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.
Aliaram-se a democratas legítimos se passando por eles para restabelecer a democracia quando perceberam que poderiam novamente montar no petiço e mamar nas gordas tetas do erário no movimento das Diretas Já.
Levaram sorte e um dos seus mais representativos líderes, Sarney, num acaso do destino abocanhou o poder.
Ato seguinte, sob os auspícios de Roberto Marinho, levaram um inconsequente à Presidência. Fernando Collor de Mello, Filho de Arnon de Mello (Ministro de Getúlio), embaixador da família global na então capitania hereditária das Alagoas.
O jovem tresloucado chutou o balde e quis reinar sozinho. Dividiram-se. E, insatisfeitos com a partilha do poder, derrubaram o caçador de marajás sem dó nem piedade.
Sempre sob a editoria da Globo, elegeram o maior enganador que o país já viu: Fernando Henrique Cardoso, cuja maior habilidade é sempre falar sem dizer absolutamente nada. Mas como vive bem essa peça...
Sem líderes para suceder aquele que melhor distribuiu o butim, perceberam que ninguém mais seguraria Lula depois de ter sido derrotado em 3 eleições seguidas.
O líder operário, vadio, guloso, caipira, radical, percebeu que perderia novamente se não aderisse às dinastias que mandavam no Brasil.
Transmutou-se em “Lulinha paz e amor”, que se revelou um misto de comunista inculto e analfabeto com capitalista ganancioso.
O sapo barbudo cumpriu o dito de Maquiavel e se aliou aos adversários de fígado. E vice-versa. Cada lado com o claro propósito de enganar uns aos outros.
Por meio de juras recíprocas Lula acenou com obediência. E os conspiradores deram-lhe apoio. Lula partilhou o Estado e o afano comeu solto.
Falso líder, vaidoso e com ambição desmedida, Lula levou os seus ao poder. E a petezada conheceu o pistache, os bons vinhos, as lagostas e “dolce far niente”. E se lambuzaram ficando sem unhas de tanto raspar os cofres. E pouco a pouco foi colocando os oligarcas de lado, substituindo-os aqui e ali no começo, e por todos os lados no fim, no comando do erário.
A Dilma foi uma espécie de sucessora hereditária deste reino com muitos reis. As coisas saíram do controle. Derrubaram-na.
Hoje podemos perceber que neste teatro de operações foram inseridos vários líderes e peças chaves.
Somente para não deixar sem registro, surge o juiz paladino, Sérgio Moro, que hoje se sabe, agiu a serviço e a mando da casta, para cumprir o papel bem desenhado, legitima e seletivamente bem feito, de cortar a cabeça das serpentes que saíram do controle e quebraram os acordos de partilhar a pacoteira de dólares.
Ávida a minoria egoísta que se move somente pelas vantagens, ensaiou novos líderes. Contudo, nunca, jamais, em tempo algum, tiveram por foco o bem-estar do povo ou a felicidade geral da nação.
De cheiradores a bons moços de fala mansa, buscaram fabricar líderes que tentaram ser levados a sério, buscando engodar o eleitorado como os artistas de circo e de espetáculos saltimbancos fazem com suas plateias.
Tudo com um só objetivo: assegurar a preservação dos seus interesses e seguir no controle do poder central, seus ministérios e empresas públicas.
Mas eis que surge um “offside” com o qual não contavam e que não aparecia nos radares dos mais hábeis analistas. É Bolsonaro.
Tentaram de todas as formas não deixar acontecer a candidatura. Buscaram derrotá-lo nas urnas. Agora, sob o perverso código de honra que sempre une os conspiradores, tentam impedir que governe, buscando confiscar seus poderes com machadadas seguidas de machadadas.
Nesta altura da história os camaleões já tinham duas cabeças: a de sempre e a nova representada pela união retrógrada da desmoralizada esquerda. Mas o que se vê é que a aliança do mal está dividida e dissipada ainda que o PT e PSOL se abracem tentando botar fogo no circo onde tem uma baleia adestrada.
Todos sabiam, como ainda sabem, que um governo de um líder independente, patriota, com significativo e participativo apoio popular, seria o fim do jogo de cartas marcadas.
A esquerdalha perdeu a boquinha. As castas corruptas e oligarcas usaram da inteligência de sempre. Acionaram seus tentáculos de várias formas para por a encilha no burro indomável.
Foram de Sérgio Moro de infiltrado no governo a dissidente em bulha ao controle do Congresso. Sempre tentando impedir o Governo de governar.
Do terrorismo diuturno e ininterrupto da mídia que míngua sem o abastecimento das gordas verbas de publicidade ao mais indecente e escancarado ativismo judiciário jamais visto na história da nossa República.
E seguem tentando de todas as formas possíveis e imagináveis refazer o sistema podre.
Mas, apesar dos defeitos, da falta de polidez e por vezes até da aparente (mas não real) inabilidade política, estamos vendo o aperfeiçoamento do governo.
Se não como sonhamos, mas como está sendo possível. Está diante de nós a extinção dos privilégios, a ausência de corrupção, o cumprimento das promessas e compromissos de campanha, ungidas pelas urnas.
Sem caça às minorias, sem racismo, sem machismos, tudo dentro de uma enorme paciência de Jó, fôlego de gato e normalidade constitucional e democrática.
Bolsonaro cumpre a missão que tem pela frente se mostrando um paciente reformador. Não um rei ditador e déspota, mas um líder “reinento” que não teme a repressão de uma minoria autocrática.
Um Presidente que não cede à violência da ameaça revolucionária.
Que mal ou bem, com acerto e erros, passa à nação uma sensação de virtudes cívicas e de patriotismo nunca vistas nos últimos séculos.
É de surpreender? Sim, é! Tentam de todas as formas apagar-lhe a chama.
Ora com a libélula cintilante como lantejoulas expostas ao sol, vestido com suas calças apertadas e portando-se como um homem dama em constante estado de TPM e de conspiração como é o caso do tresloucado João Dória.
Ora com as editorias mordazes, desleais da rede Globo e do seu patético grupelho de palpiteiros comentaristas.
Olhemos pela janela. E observemos: quem é que brada? Seguramente quem perdeu uma bocada ou uma boquinha é que está latindo ou uivando. Ou quem não tem leitura política nem percepção histórica. Observem um por um.
A verdade é que hoje temos um governante que mesmo transpassado pelas setas (e pela faca) dos seus inimigos, tal qual como São Sebastião, defende com um sorriso por vezes desnecessariamente provocativo, a sua autoridade com todos os parcos recursos dos quais dispõe. Mas, dentre eles, ainda detém o mais poderoso fuzil que existe numa democracia: o apoio popular expresso pela única arma da qual deixaram o homem comum ser portador: o voto!
Esperemos para ver! Quem está ao lado da nação e tem a nação ao seu lado, não vai ceder para as intrigas de gabinetes, aos conchavos dos partidos, aos interesses dos corruptos e corruptores, às editorias de jornais falidos e sem credibilidade, ou aos conspiradores em desespero. Bolsonaro, como diria Churchill quando se referia à Laurence da Arábia:
“O mundo sente, não sem uma certa apreensão, que ali está alguém de fora de sua jurisdição; alguém diante do qual as tentações podem-se espalhar em vão; alguém estranhamente emancipado, indomável, descompromissado com convenções, movendo-se livre das correntes da ação humana; um ser capaz, num ápice, da mais violenta revolta ou de um sacrifício supremo; um homem solitário, austero, para quem a existência não é senão um dever, e dever para ser fielmente cumprido”.
Alguns podem achar ruim com ele. Mas todos teriam a certeza que seria muito pior sem ele.
COMENTO: discordo da primeira frase. A casta política que se adonou do Brasil vem desde as Capitanias Hereditárias. Uma análise genealógica das pessoas que mandam e desmandam no país, apontará raízes profundamente derivadas dos doze donatários enviados por Portugal no Século XVI. Assim, podemos restringir o conteúdo do texto como atinente à nossa elite emergente no Século passado, totalmente desprendida da História e do futuro do Brasil.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Espionagem na América Latina — II

Continuação da matéria anterior.
Alekandr Paristov, um dos espiões russos expulsos da Colômbia
Foto: El Tiempo
Pagavam em dólares por dados de segurança nacional. Indagavam se outros espiões entravam como turistas.
Alekandr Belousov, outro espião
russo expulso da Colômbia
Foto: El Tiempo
Um executivo colombiano admitiu que, em varias entregas e em envelopes lacrados, acabou  recebendo cerca de 10.000 dólares em espécie — uns 50 mil reais — de um cidadão russo que inicialmente se apresentou como assessor de negócios do governo do poderoso Vladimir Putin.
Ele já não lembra se o russo o abordou em um foro acadêmico ou econômico mas, pouco a pouco, foi se aproximando através de encontros casuais e convites a restaurantes e reuniões, onde o moscovita se mostrava como um homem influente e endinheirado.
Mas o suposto assessor de negócios terminou sendo um dos dois espiões que o Governo colombiano expulsou, em 8 de dezembro, em uma decisão diplomática sem antecedentes que tensiona ainda mais as relações com o Kremlin, prejudicadas por seu apoio público e militar à ditadura de Nicolás Maduro.
O governo Duque acusou os dois russos — Alexander Paristov e Alexander Belousov — de estar comprando informações sobre temas estratégicos do país: recursos minerais, redes elétricas, infraestrutura petrolífera e centrais hidroelétricas.
Os espiões russos foram expulsos da Colômbia em 8 de dezembro.
Foto: EL TIEMPO
“Desde 2017 rastreávamos este tipo de atividades inusuais. Mas o Governo decidiu agir quando se confirmou que não se tratava de fatos isolados mas sim de um trabalho sistemático e sustentável desenvolvido por pessoal que chegava à embaixada russa com credenciais diplomáticas, mas com treinamento em Inteligencia”, disse um oficial colombiano.
De fato, agora se verifica com agências de Estados Unidos se Belousov, um dos expulsos, é o mesmo espião que o governo Obama baniu — no final de 2016 — junto com outros 34, pela suposta interferência da Rússia nas eleições presidenciais daquele país.
Naquela época se falava da participação desses cidadãos em “atividades cibernéticas maliciosas”.
Por suspeitas similares, também foi expulso, neste ano, pessoal diplomático russo da Bulgária, Áustria, Noruega, Eslováquia e da República Checa. Mas a estrategia na Colômbia, que Rússia nega taxativamente, é outra.
Se calcula que cerca de 23 membros do corpo diplomático designados em Bogotá, que ingressaram desde meados de 2016, tem perfis atípicos. Agencias estrangeiras ajudaram a verificar que estavam ligados ao Serviço de Inteligência Exterior (SVR) e ao Departamento Central de Inteligência (GRU).
Armaram pouco a pouco uma rede de informantes sólida e paga, em empresas públicas e privadas, especialmente em multinacionais que prestam serviços à Ecopetrol.
A Rússia domina o mercado do gás na Europa, um recurso político-econômico que diminuiria se petroleiras, como a colombiana, incursionam localmente no ‘fracking’ (fratura hidráulica para extrair óleo cru e gás). De fato, Ecopetrol já usa essa técnica na Cuenca Pérmica no Texas.
A produção de Ecopetrol na Cuenca Permian de EUA, por meio de Fracking, está entre os 10 maiores campos produtores da empresa.
Foto: Ecopetrol
Rastreamento político e militar
Documentos oficiais do governo Trump assinalam que Rússia vem desenvolvendo uma estrategia para boicotar esses projetos. Mas o interesse na Colômbia iria mais além.
Capa de  informe sobre ações russas no tema do gás e fracking. 
Foto: El Tiempo
Alguns dos informantes recrutados foram contatados na Expomilitar, onde os russos entregaram cartões de apresentação citando cargos militares e chegaram a oferecer até venda de armamento moderno.
Asseguravam que tinham acesso a dirigentes militares e a oficinas castrenses chaves. Além da Direção Nacional de Inteligência (DNI), o Exército já havia detectado os movimentos dos possíveis espiões.
Eles insistiam em obter informação do setor energético e tecnológico, mas também indagavam pelo político e militar.
“Quando os russos que cumpriam estas tarefas eram movimentados de Bogotá, transmitiam os contatos e missões aos que chegavam”, explicou outro oficial que participou na investigação de Inteligência, batizada ‘Operación Enigma’.
Os espiões não deixavam rastreabilidade nas chamadas a celulares ou mensagens de WhatsApp ou Signal: “Fazem tudo com mensagens escritas que logo destroem ou em encontros pessoais; como a velha guarda da espionagem”.
Ademais, conduziam um esquema de segurança discreto e de alto nível que inclusive lhes proibia deslocar-se por alguns setores de Bogotá e usar o Trans-Milênio.

O voo venezuelano
Ao tráfego de ‘diplomatas’ suspeitos se juntou um inusual aumento de russos em planos turísticos na Colômbia.
Inclusive, os dois expulsos costumavam alugar luxuosos sítios nos arredores de Bogotá e viajavam para Santa Marta, Cartagena e Barranquilla, supostamente em gozo de folgas, para fazer novos contatos.
O interesse pela Colômbia se tornou visível em 2 de junho passado, quando Rússia pediu que fosse aprovado um voo humanitário para retirar a seus nacionais, isolados pela pandemia.
Varias coisas chamaram a atenção. Todos foram transportados por uma empresa venezuelana (Avior Airline), e por três pilotos venezuelanos; e vários dos 57 passageiros declararam que estavam de passeio em cidades que não são ofertadas em pacotes turísticos internacionais: Nemocón, Doradal, La Vega, Zipaquirá, Girardot, Chía, Copacabana y Popayán.
“E cerca de uma dúzia, que não viajavam em grupo, disseram que estavam de turismo em Córdoba. É possível que o interesse se deva a que uma firma russa participou na construção da represa de Urrao e ainda realize algum tipo de manutenção”, explicou uma fonte de Inteligência.
Esse mesmo oficial disse que não é novidade que Colômbia esteja alerta a movimentos inusuais de outros governos. E recordou que Migración Colombia tem expulsado cidadãos cubanos e venezuelanos por espionagem.
Além disso, através de negociações diplomáticas, se freou uma generosa doação de outro governo que queria presentear ‘tablets’ e computadores de última geração a um grupo de mandatários regionais.
Por enquanto, além da expulsão de dois membros do corpo diplomático da Colômbia na Rússia — em uma reação de réplica —, o governo de Vladimir Putin não tomou medidas adicionais sobre as acusações da Colômbia.
Mas não se descarta algum tipo de revide, como um ataque cibernético, para o qual o país já está se blindando.
“E damos como certo que a semeadura de espiões na Colômbia será renovada paulatinamente. Se trata de atividades que a Rússia desenvolve em dezenas de países e o nosso — aliado de seu arquirrival, Estados Unidos — não vai ser a exceção”, previu um dos investigadores que prepara a ‘Operación Enigma II’.

Agentes britânicos e dos EUA alertaram sobre o trânsito de mensagens criptografadas.
Dezenas de mensagens criptografadas que saíam desde Colômbia diretamente a diferentes áreas do Kremlin, na Rússia, começaram a chamar a atenção de agentes britânicos e dos Estados Unidos.
O tráfico inusual de informação, em meados de 2017, coincidiu com mudanças no corpo diplomático da embaixada desse país em Bogotá e a inusitada ampliação de 23 cargos que foram preenchidos por funcionários com experiencia em Inteligência. 
De imediato, a Direção Nacional de Inteligência (DNI) ativou um dispositivo que teve suas primeiras consequências há poucas semanas, com a descoberta e expulsão de dois dos membros dessa missão: Aleksandr Nikolayevich Belousov, na Colômbia desde 1º de novembro de 2017, que fazia parte do Serviço de Inteligência Militar da Rússia (GRU); e Aleksandr Paristov, integrante do Serviço de Inteligência Exterior (SVR) daquele país, que ingressou na Colômbia em 17 de janeiro de 2019.
Detalhes desta trama estão consignados em um documento que a Presidência enviou há meses ao Embaixador da Colômbia na Rússia, Alfonso López Caballero.
"Desde 2017, começamos a identificação de vários agentes russos no país (...) um deles ficou em evidencia pelas atividades que vinha realizando. Graças a agências de Inteligência estrangeiras conseguimos confirmar que é membro ativo e de alto cargo do Serviço de Inteligência Exterior (SVR)", se lê no documento.
O agente começou a recolher informações importantes nas áreas política, econômica e científica, que enviava por mensagens criptografadas a seu país.
Pagando grandes somas, armou rapidamente uma rede de informantes de nacionalidade colombiana com acesso a informações sensíveis de empresas privadas e estatais do sector energético.
Um segundo agente, do Departamento Central de Inteligencia (GRU), foi identificado meses mais tarde e sua presença ativou novos controles depois que se detectaram ameaças de ciberataques.
Em 2019, o primeiro agente foi removido do corpo diplomático e chegou, em sua substituição, outro de maior hierarquia, que herdou sua rede de informantes, ratificando que não era um trabalho pessoal e esporádico, mas sim uma missão oficial. 
"Até então, as informações da espionagem sobre Colômbia saiam exclusivamente pela Venezuela, porém ficou claro que se abriu outra comporta por Rússia", disse um agente de Inteligência. 
Ainda assim, há um dado inédito: pessoas intimas a esses funcionários russos foram retiradas do país quando começou a pandemia, por rotas que passavam por Venezuela e Irã.

Britânicos e estado-unidenses
As evidências coletadas pelas agências britânicas e dos Estados Unidos foram fundamentais para que o governo Duque procedesse diplomaticamente.
Na verdade, as informações que saíram criptografadas não eram somente sobre a Colômbia. Também eram sobre atividades de outras agências de Inteligência e governos aliados, diante de questões como Venezuela e grupos terroristas como Hezbollah.
Do país, saíram para Rússia dados de comissões estrangeiras presentes no país, coordenadas de pontos importantes de produção energética, e informação política.
Contudo, afora de diplomático, o caso tem um componente penal. Estão buscando judicializar às pessoas que venderam informação sensível aos russos: "Além de outros delitos, se configura traição à pátria". 

Tema relacionado (original em espanhol).
UNIDAD INVESTIGATIVA
u.investigativa@eltiempo.com
@UinvestigativaET
Fonte: tradução livre de El Tiempo
*atalhos no próprio texto*
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Espionagem na América Latina — I

Embaixada da Rússia  em Bogotá.
A Chancelaria colombiana expulsou dois funcionários da Embaixada da Rússia  do território daquele país, em 8 de dezembro.
Assim confirmou Juan Francisco Espinosa, diretor da Autoridade Migratória. "No passado 8 de dezembro abandonaram o território nacional dois cidadãos estrangeiros, de nacionalidade russa, que serviam à embaixada desse país em nosso território", sentenciou.
Espinosa asseverou que as razões que motivaram este abandono são alheias à Migración Colombia e competem a razões de Estado.
"Dadas as circunstancias em que saem estas duas pessoas, em curto prazo não poderão retornar ao país", acrescentou.
Se trata de dois diplomatas russos identificados como Alexander Paristov, nascido em 12 de janeiro de 1989, e Alexander Belousov, nascido em 29 de janeiro de 1981. Os homens estavam a mais de dois anos no país.
De acordo com a informação divulgada, essas pessoas estavam desenvolvendo atividades de Inteligencia. A advertência sobre as ações ilegais que estariam fazendo chegou através da Direção Nacional de Inteligência.
Fonte oficial assinalou que os estrangeiros estavam recrutando informantes e já haviam adiantado esse processo na cidade de Cali.
Aduziram que além de Inteligência militar, realizavam Inteligência econômica e tinham interesse em conhecer informação privilegiada sobre a exploração de recursos minerais.
"Trabalhamos de maneira articulada com o Governo Nacional. Sempre que existam riscos, ou potenciais riscos, à segurança do país procederemos em decorrência", disse o funcionário.
Os diplomatas russos saíram da Colômbia em um voo Bogotá-Amsterdam-Moscou. Um deles saiu com a família e o outro, sozinho.
Segundo esta fonte, a presença destes dois indivíduos em território colombiano também estaria relacionada com a situação na Venezuela e as próximas eleições naquele país.
Em reciprocidade, as autoridades russas teriam expulsado dois diplomatas colombianos da capital da Rússia.
Um funcionário de assuntos consulares e a encarregada de temas culturais da embaixada da Colômbia na Rússia foram os dois integrantes da missão em Moscou que saíram daquele país nas últimas horas.
Leonardo Andrés González, segundo secretário encarregado de funções consulares, e Ana María Pinilla Morón, segunda secretária, encarregada de assuntos culturais e de atenção aos estudantes, ambos funcionários de carreira diplomática, tiveram que programar suas viagens em questão de horas e saíram do país europeu em 23/12, via Istambul (Turkish Airlines), para Bogotá.
Leonardo González trabalhou por nove meses no fundo rotatório do Ministério de Relações Exteriores, em 2014. Um ano depois ocupou o cargo de segundo Secretario de Relaciones Exteriores e estava próximo a cumprir seu primeiro ano na Rússia. Ele é advogado e tem especializações em direito administrativo e em direito comercial.
Ana María Pinilla também estava próxima a cumprir seu primeiro ano na Rússia e foi recém promovida. Desde 2013 trabalha no Ministério de Relações Exteriores. É profissional em Relações Internacionais e começou um mestrado em Análises de problemas políticos, econômicos e internacionais.
Por casos similares de espionagem, as autoridades colombianas já haviam expulsado, em outros momentos, cidadãos venezuelanos e a um cubano.

Em junho de 2020, Migración Colombia expulsou do país o 2º Sargento do Exército venezuelano Gerardo José Rojas Castillo, a quem as autoridades colombianas consideravam ser um militar ativo venezuelano em atividade de espionagem.
O Exército venezuelano anunciou que isto não era verdade e que Rojas Castillo é um desertor,  mas para a Contra-Inteligência do Exército da Colômbia, ele é um militar operacional, que aparentemente, tinha como propósito identificar os esquemas de segurança e movimentos do Batalhão de Artilharia nº 2-La Popa, situado em Valledupar, Cesar.

Esta base militar faz parte da Décima Brigada Blindada, encarregada das operações de segurança e de repelir os grupos à margem da lei em Cesar e La Guajira.
Rojas Castillo foi dos primeiros militares que ingressaram na Colômbia,  por Paraguachón (La Guajira), em 19 de fevereiro de 2019, pedindo apoio e ajuda do Governo, de acordo com os registros.
Nesse dia, ele entregou sua arma de dotação, munições e seus uniformes militares. “Se apresentou como desertor e foi submetido a varias entrevistas para verificar se realmente era um membro ativo do Exército venezolano”, disse um militar colombiano que esteve à frente do processo contra Rojas.
A fonte disse que, basicamente, o processo se centra em perguntar sobre a localização de bases militares, treinamento recebido, nome de superiores, gírias e linguajar castrenses para identificar se realmente faz parte da Força Pública.
Rojas Castillo passou pelo processo e fez parte do grupo de militares venezuelanos que receberam o status de refugiados das Nações Unidas. Mas, como se havia confirmado que conta com cursos de Contra-Inteligência Militar, de Forças Especiais e de Infiltração, entre outros, a Inteligência da Colômbia, o definiu como um “objetivo” de vigilância.
De acordo com os informes de inteligência, o homem se radicou em Valledupar, onde há algum tempo vive sua mãe.
Entre abril de 2019 e fevereiro de 2020, Gerardo Rojas se dedicou à economia informal. Inicialmente instalou um ponto de venda de sucos frente ao Batalhão La Popa e, pouco depois, começou a trabalhar como vigilante, em uma obra que se estava levantando em frente da mesma unidade militar.
“Isso nos chamou a atenção, o não querer afastar-se da zona”, assegurou a fonte. Paralelo a isso, Rojas renunciou à figura de refugiado e solicitou a Permissão Especial de Permanência (PEP), que o governo colombiano criou para os imigrantes venezuelanos.
Assinala a fonte do Exército, que desde finais de fevereiro deste ano, justo quando se começou a conhecer as dimensões da pandemia e as medidas de isolamento, o rastro de Rojas se perdeu.
“A Contra-Inteligência do Exército Nacional confirmou que Rojas saiu de maneira ilegal do país, por alguma trilha em La Guajira, e se reincorporou a sua unidade militar na Venezuela”, afirmou a fonte.
Os labores de Inteligência, obtiveram que o militar venezuelano estava ativo, e servindo no Batalhão de Infantaria Mecanizado nº 141, localizado na cidade de Carora, estado de Lara.
“Confirmamos que o 2º Sargento, entre março e os primeiros dias de junho, esteve em Carora, realizando atividades próprias de serviço em postos de segurança, sobre alguns postos de gasolina e postos de controle nas vias de fronteira, estava uniformizado e com arma de dotação”, assinalou a fonte.
Da mesma forma, souberam que o militar recebeu 15 dias de férias, e que iria à Colômbia para visitar sua mãe. “Se logrou estabelecer que Rojas ingressaria no país em 10 de junho. Entrou por uma trilha e estávamos a postos para pegá-lo”, destacou.
Rojas foi descoberto em um posto de controle instalado pelo Exército em Ye de los Corazones, na estrada que vai de Valledupar a La Guajira.
Sua captura foi registrada por volta das 10 da noite, e foi posto à disposição de  Migração Colombiana. Durante este processo, se destaca que o homem reconheceu ante as autoridades colombianas que era um militar ativo venezuelano.
Gerardo José Rojas Castillo, de 27 años, reconheceu ser um militar ativo venezuelano.
Migração Colombiana o trasladou na manhã seguinte de Valledupar a Paraguachón, em La Guajira — fronteira com Venezuela —, onde há um posto migratório, no qual, se cumpriria a expulsão do militar venezuelano.
Depois de varias 'idas e vindas' — havia quem desejasse a instauração de um processo criminal, o que demandaria tempo e trâmites judiciais —, Rojas Castillo foi expulso por ingressar de maneira ilegal no país, por ter vencida sua PEP, e por violar as medidas sanitárias decretadas para frear o coronavírus.

Em março de 2019 foi expulso o cubano José Manuel Peña García, acusado de espionagem na Base Aérea de Palanquero, uma instalação estratégica das Forças Militares em Puerto Salgar, Cundinamarca.
Peña García foi acusado de ter nexos com o Exército cubano e de estar em busca de informação sobre o desempenho dos aviões Kfir, da Colômbia.
Em La Dorada (Caldas), o cubano José Manuel Peña García era considerado um homem quieto, discreto, que fazia vários trabalhos e nem usava o celular.
Com mulher e filho, conquistou a confiança de algumas pessoas que se declararam intrigadas quando, em 15 de março de 2019, às 20h30, foi detido por integrantes da Polícia Judiciária de Migração Colombiana.
Sua expulsão foi precedida por um relatório de Inteligência que relatava seu vínculo com o Exército cubano e o fato de estar rondando a Base Militar de Palanquero.
A informação na qual a Migração Colombiana baseou a decisão de expulsar Peña García do país também afirma que seu pai é coronel do Exército da Ilha.
Para membros da Inteligência colombiana, fica claro que há interesse em estabelecer o cotidiano das aeronaves Kfir, que substituíram os antigos Mirage.
"Palanquero é a base principal. Os Kfir substituíram o Mirage e foram potencializados. Todos os seus sistemas e armas são novos, assim como sua capacidade de reação. Dessa base saem os aviões que fazem rondas por todo o país, são o escudo aéreo. Os registros de rotinas são secretos”, explicou um oficial de Inteligência.
E acrescentou que essas aeronaves são usadas ​​em operações sigilosas contra os guerrilheiros e outros grupos armados ilegais.
“De La Dorada é fácil monitorar a entrada e saída dos Kfir. E temos informações de que há interessados ​​no assunto, havendo um oficial de controle cubano em Manizales que estaria recebendo esses dados”, explicou outra fonte.
O caso de Peña García se junta ao do venezuelano Brayan Andrés Díaz Díaz, que ingressou irregularmente no Comando de Manutenção Aérea da Força Aérea em Madrid, Cundinamarca. Seguindo os protocolos, os dois homens foram expulsos da Colômbia.
Fonte: tradução livre de El Tiempo

sábado, 19 de dezembro de 2020

O Homem que Humilhou os Castro Duas Vezes

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Fugiu de Cuba e voltou para buscar a Família
No dia 20 de maio de 1991, decolou de solo cubano o Major Orestes Lorenzo, em um Mig-23 para mais um treinamento de rotina. Na máxima velocidade e rente ao mar (2mts) para fugir dos radares cubanos e americanos, em menos de 10 minutos atravessou os 150 km que afastam os dois países, os radares americanos apenas o detectam 45 segundos antes dele aterrizar na Base Aérea de Key West. 
Após os interrogatórios de praxe Orestes solicita asilo político nos EUA. O Major Lorenzo era um dos melhores pilotos de Cuba, veterano da guerra de Angola e com inúmeras missões, tinha até sido instrutor na União Soviética.
Na sua última visita ao país já durante a Perestroika de Gorbachov, Orestes começou a questionar o regime comunista e a vida das pessoa na Rússia e em Cuba.
A sua deserção foi uma grande humilhação para o regime dos Castro, já que um veterano condecorado piloto tinha não só abandonado o paraíso comunista como também exposto na televisão americana todos os problemas da Ilha.
Assim que teve aprovado seu status de refugiado politico Orestes solicitou ao governo de Cuba a saída de sua esposa e seus dois filhos para os EUA, mas recebeu a negativa do então Comandante da Forças Armadas Raul Castro.
Orestes recorreu à Comissão de Direitos Humanos da ONU sem êxito, na Cúpula Ibero-americana de 1992 celebrada em Madri e com presença de Fidel Castro, ele se prendeu as grades do prédio em sinal de protesto, a rainha Sofia que era muito próxima do Fidel pediu para liberarem a família de Orestes sem sucesso.
Raul Castro pessoalmente falou para Victoria (esposa de Orestes) "diga para seu marido que se teve culhões para levar o avião embora, então que os tenha também para vir buscar vocês".
Orestes, então, publicou uma carta aberta à Fidel no The Wall Street Journal afirmando que se sua esposa e filhos fossem liberados ele se entregaria para ser julgado por uma corte marcial em Cuba, mas nunca teve resposta.
Sem êxito em suas tentativas de se reunir com a família por vias diplomáticas e já desesperado Lorenzo decidiu então ir pessoalmente buscar sua família.
Pegou U$ 30.000 emprestados de uma organização humanitária é comprou um velho Cessna 310 bimotor, umas amigas mexicanas turistas levaram um recado a sua esposa em Cuba dizendo hora, dia e local onde deveriam estar. Assim no dia 19 de dezembro de 1992, ás 17:00 horas, decolou de um pequeno aeroclube perto de Miami e falou “Se em 2 horas não voltar é por que estou morto”.
MIA02-ORLANDO-(EEUU)-11/03/04-El ex piloto militar cubano Orestes Lorenzo, que se fugó en 1991, de Cuba en un avión MiG-23 y que regresara un año después por su familia en una avioneta, ha rechazado cinco guiones y la película sobre su proeza. EFE/Orestes Lorenzo
Sendo piloto de MiG, ele estava intimamente familiarizado com as defesas aéreas cubanas. Como auxílio visual, Orestes desenhou marcações em um mapa. Semicírculos vermelhos marcavam os setores de SAM (mísseis superfície-ar), um corredor amarelo marcava uma área cega para o radar devido ao terreno e uma linha verde perto do paralelo 24 indicava o limite do alcance do radar cubano.
Além disso, Orestes conhecia os procedimentos de comando e controle cubanos. “Eu sabia que nenhum SAM poderia ser lançado sem a permissão pessoal de Castro. A razão para isso era que Castro não queria ser abatido por engano quando estava voando".
Mais uma vez voando rente ao mar para fugir dos radares americanos e cubanos Orestes se aproximou de uma estrada na praia de Mamey a uns 120 km de Havana, onde sua esposa e filhos o aguardavam. Com extrema perícia, pousou sua avioneta na estrada e em menos de um minuto embarcou sua família decolando novamente rente ao mar a 20 pés (5 a 6 metros) de altitude, rumo aos Estados Unidos, assim que ultrapassaram os limites cubanos ele falou para os familiares: "agora vocês são livres".
O ato de Orestes foi um escândalo midiático pois pela segunda vez tinha ridicularizado o regime castrista. Em uma entrevista coletiva, em Miami, falou  "Digam para Raul Castro que lhe segui o conselho e eu mesmo fui buscar minha família”. 
Atualmente, Orestes Lorenzo é um bem sucedido empresário no ramo da construção civil nos Estados Unidos e ainda voa em shows aéreos num Albatroz.
Fonte:  Hideo in Japan

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Bombardeio Busca Liquidar “Ramiro”

“Ramiro”  comanda a dissidência
que opera em Ituango, responsável
 por vários desalojamentos.
FOTO: El Colombiano
Seu corpo não pode ser recuperado da área de operações. Militares acreditam que morreu ou está gravemente ferido; em Ituango não sabem de seu paradeiro.
Quando na madrugada de 23 de novembro os homens da Polícia, do CTI e da Inteligência do Exército entraram na zona que havia sido bombardeada, estavam seguros de que não havia sobreviventes e deram por certo que o meliante conhecido por Ramiro, chefe de um grupo dissidente da Frente 18 das FARC, havia morrido junto a seus homens mais próximos.
O acampamento principal do grupo armado, situado na vereda Blanquizal, de Ituango (Antioquia), estava convertido em um lodaçal, com três grandes crateras que rapidamente foram inundadas pela chuva, o que dificultou a recuperação e identificação dos cadáveres.
“O mau tempo não deixava aterrizar na zona, havia chovido muito nos dias anteriores e seguiu chovendo durante a recuperação dos corpos e do material de intendência”, contou um dos agentes de Inteligência militar.
Com o passar das horas, o corpo de Ramiro, o principal objetivo na zona, não foi encontrado, ainda que os militares assegurem que é muito possível que esteja morto e seus despojos tenham sido recuperados por alguns dos sobreviventes.
Esta hipótese é respaldada por elementos pessoais que ficaram na zona: a prótese que usava para caminhar e que tem desenhados o Ché Guevara e a Virgem de Guadalupe (foto), assessório que usava porque há oito anos perdeu sua perna ao fugir de uma operação militar e cair em um campo minado. Também acharam uma calça com seus documentos pessoais, tudo com perfurações e sangue.
Porém na manhã de 23 de novembro interceptações telefônicas da Procuradoria geraram serias dúvidas: o meliante conhecido como Macho Viejo (um dos chefetes que também se acreditava ter sido morto no bombardeio) comunicou-se com um colaborador pedindo que coordene com vulgo ‘Peludo’ — o qual sabe o lugar onde está o ‘Papai’, fazendo referencia a ‘Ramiro’ — apoio a ele por que se encontra enfermo de uma ‘asa’ (braço), agrega que se encontra com outras duas pessoas que também estão lesionadas.
A Operação
O bombardeio foi feito com três bombas lançadas desde aviões "Kfir" da Força Aérea, e foi apoiada pela investigação por mais de um mês pelas tropas da Sétima Divisão do Exército, que obtiveram a certeza de que “Ramiro” estaria na noite daquele domingo no acampamento.
“Não há dúvidas de que estava lá, mas como ainda não recuperamos seu corpo, não foi possível confirmar sua morte, porém pelo estado do local e de seus pertences encontrados, se saiu vivo estava gravemente ferido”, contou outro agente de Inteligência.
De fato, o Comandante da Sétima Divisão do Exército, General Juan Carlos Ramírez, assegurou que vários membros desse grupo resultaram feridos, pelo qual seguiram as operações na área: “Há outros que morreram mas ainda não os encontramos”.
Depois de muitas buscas por peritos forenses, o corpo de “Ramiro” não foi encontrado no lugar do bombardeio.
De acordo com o informe oficial, morreram seis pessoas: a companheira sentimental de “Ramiro”, conhecida como “Sandy”; “Alberto Mico”, “Camaleón” e “Camilo”, os quais eram membros da segurança do chefe da dissidência da Frente 18. Também morreu “Leo”, que pertencia ao grupo Los Caparros e servia como enlace da aliança criminosa com os dissidentes das FARC. Por sua parte, o bandido conhecido como Tabares ou Carepalo foi capturado. Também foram apreendidas seis armas longas tipo fuzil, duas metralhadoras, três armas curtas, 18 carregadores e 800 cartuchos de munições.
Enquanto isso, em Ituango também se preguntam pelo paradeiro de “Ramiro”, mas com uma nuance. Autoridades locais, líderes comunitários e ex-combatentes das FARC não sabem de seu destino, mas dizem que isto pouco importa, “porque cada vez que um ilegal cai, algum outro o substitui”.

Quem é o vulgo "Ramiro"?
Erlinson Echavarría Escobar, conhecido como “Ramiro”, ingressou nas FARC em 1999, onde se tornou chefe intermediário na 18ª Frente e participou da concentração para entrega de armas em Santa Lucía (Ituango), mas logo depois mudou de ideia e formou um grupo independente. 
Foi um dos primeiros dissidentes a se declarar obediente ao grupo La Nueva Marquetalia, composto por "Iván Márquez", "Jesús Santrich" e "El Paisa". 
No corrente ano, em combates contra essa quadrilha, o Exército atingiu oito mortes, 19 prisões, seis menores recuperados e dois levados à justiça .
Fonte: tradução livre de El Colombiano

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

A Intentona Comunista no Rio de Janeiro — 1935

por Clynson Oliveira
Coronel Inativo do EB
(Monumento aos Mortos na Intentona Comunista de 1935)
[..] Na madrugada do dia 27 de novembro de 1935, alguns sediciosos sublevaram-se no Rio de Janeiro, na Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos e no 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, onde vários militares foram mortos por seus próprios companheiros. [..]   (Exército Brasileiro, 1990).
Recebi, em 2014, a missão de comandar o Batalhão de Infantaria de Selva mais jovem do Exército Brasileiro, o 3º BIS, herdeiro das tradições e guardião das memórias do 3º Regimento de Infantaria, cuja honra fora manchada por integrantes comunistas de suas fileiras.
Contar esta história é mais que uma obrigação, mas um dever de eternizar e manter viva a chama da verdade em homenagem aos heróis mortos e suas famílias.
Na madrugada de 27 de novembro, insurgia-se, no Distrito Federal (Rio de Janeiro), parte das guarnições do 3º Regimento de Infantaria (3º RI), na Praia Vermelha, e da Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos.
O capitão Agildo Barata Ribeiro, expulso do Exército em 1932 por insubordinação, exilado em Portugal até 1934 e readmitido ao Exército Brasileiro, após a anistia geral decretada pela Assembleia Constituinte foi o líder da insurreição no 3º RI.
Agildo Barata Ribeiro já havia sido punido com 25 dias de prisão por desenvolver intensa atividade política. Foi transferido para o Rio de Janeiro para cumprir a punição e, em conluio com o Tenente Francisco Antônio Leivas Otero, chefe da célula local do PC e da ANL, articulou o levante no 3º RI.
O 3º RI era a unidade militar de maior prestígio do Exército, completa em equipamento e pessoal, contava com mais de 1700 militares subordinados. Também, foi a unidade do Exército Brasileiro onde a doutrinação de oficiais e praças atingiu seu ápice.
Na calada da noite, Leivas Otero iniciou o levante encurralando seus camaradas. Foram recebidos a fogo pelos militares das companhias de metralhadoras. O primeiro a morrer foi o Major Mendonça, atingido pelos insurgentes que tinham como intenção dominar o Regimento e marchar em direção ao Palácio do Catete, sede do governo brasileiro, para destituir o então presidente Getúlio Vargas.
Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade, a escola de Aviação do Campo dos Afonsos, se insurgia sob o comando do capitão Agliberto, que assassinou a sangue frio seus subordinados, tenentes Bragança e Paladini e capitão Souza Melo.
O heroico Tenente Coronel Eduardo Gomes foi o comandante da reação aos revoltosos, que manteve o fogo até a chegada dos reforços de tropas da Vila Militar, comandadas pelo General José Joaquim de Andrade.
Em clima de guerra, o 3º RI foi bombardeado por terra, céu e mar. As instalações do Regimento na Praia vermelha foram destruídas por completo. O saldo em baixas foi de 19 mortos e 167 feridos.
(Frente do 3º RI após ser bombardeado)
“Os comunistas, obcecados pelo poder a qualquer custo, fanáticos comandados pela matriz internacional da subversão tentaram implantar um regime totalitário, de inspiração marxista-leninista. O povo brasileiro, atônito e chocado, viu-se pela vez primeira ante a verdadeira face do comunismo liberticida e materialista”. (Exército Brasileiro, 1985).
Lembrar sempre desta data é uma advertência à nossa geração, não para enfatizar uma vitória, mas, tristemente, para lembrar-se do que fere a sensibilidade do profissional militar, sempre e até hoje.
A incitação ao levante pelas armas, promovido por ideólogos marxistas, tem que ser combatida e reprimida, para que esta chacina promovida no passado, não ocorra nem no presente e nem no futuro.
Eis porque desejo que os civis e o País sejam informados e absorvam a versão correta de um trágico fato que envergonha a nossa história.
Após os fatos narrados, as consequências para o Brasil foram a decretação da clandestinidade do Partido Comunista Brasileiro e a prisão dos líderes. Entretanto, eles todos, voltaram ao PODER no cenário nacional em diversas ocasiões.

Insurgentes de Natal
Lauro Lago, José Macedo e João Galvão foram presos e são personagens do livro as Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos. Foram anistiados em 1945, após a segunda Guerra Mundial.
José Praxedes fugiu à pé e se escondeu no meio da mata por quase dois anos. Após ser localizado por agentes do PCB, recebeu nova identidade e se internou no interior da Bahia até 1984 quando veio a falecer.
O “Santa”, líder e assessor do PCB, foi preso com um relatório detalhado sobre a Insurreição. Inexplicavelmente não foi identificado nem nos inquéritos do Rio de Janeiro e nem no de Recife. Anistiado em 1945, até hoje não se sabe a identidade e o paradeiro de um dos maiores nomes da Revolução.
Todos os demais envolvidos na Insurreição foram presos por mais de 8 anos, sendo todos anistiados em 1945.

Insurgentes de Recife
Gregório Bezerra foi preso e anistiado em 1945. Tornou-se um político famoso, sendo eleito deputado pela constituinte de 1946, sendo cassado em 1948. Viveu na clandestinidade organizando ligas camponesas armadas no interior de Pernambuco e núcleos sindicais no Paraná e Goiás.
Foi preso novamente em 1964 por estar envolvido com a luta armada e a subversão, tendo sido solto em 1969 em troca da devolução do embaixador Charles Elbrick, sequestrado por terroristas. Viveu no México e na Rússia tendo retornado ao Brasil em 1979 após a promulgação da Lei da Anistia. Morreu em 1983.

Insurgentes do Rio de Janeiro
Luis Carlos Prestes foi preso e condenado por assassinato, logo após a tentativa frustrada da Intentona Comunista. Foi anistiado em 1945 e eleito Senador de 1946 a 1948, além de ser o secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro até 1980.
Durante o período do Regime Militar, se auto exilou na União Soviética, tendo retornado ao Brasil, voluntariamente, após a promulgação da Lei da Anistia em 1979, vindo a falecer em 1990.
Agildo Barata Ribeiro foi preso e condenado por subversão após o insucesso da Intentona Comunista, sendo anistiado em 1945.
Foi eleito vereador pelo Rio de Janeiro de 1947 a 1948, quando seu mandato foi cassado e o PCB colocado na ilegalidade no Brasil.
Desligou-se do PCB quando descobriu, após o relatório de Nikita Krushev, os crimes hediondos e contra a humanidade cometidos por Stalin. Morreu em 1968.
Infelizmente a bandidolatria no Brasil não é uma prerrogativa do século XXI, mas é sim, um triste legado. As tentativas dos “isentões” da época em anistiar e reintegrar esses contumazes ideólogos da liberdade, amantes do terrorismo e da violência, não os recuperou da insana vontade eterna de tomar o PODER.
Que estes eventos nos lembrem sempre que o “o Preço da Liberdade é a eterna vigilância”.
Fonte:  Medium
COMENTO:  Ivis Bezerra, médico e professor da UFRN publicou um minucioso relato sobre os fatos ocorridos em Natal, citando diversos outros nomes que não contam no texto acima. Nesse relato, o autor cita que o misterioso "Santa" seria um mestre de obras com nome de João Lopes e o relatório que ele havia feito foi apreendido com Luis Carlos Prestes por ocasião da prisão deste. Na mesma página da Internet, há a transcrição de um depoimento que teria sido dado por João Lopes, o "Santa" — e "Marisa", sua companheira — que se restringe à sua ida para o Nordeste e ao período em que esteve preso. Neste relato, percebe-se que ele não foi identificado como o membro do PCB enviado a Natal para organizar a revolução. Tudo isto só reforça a minha impressão, já expressa no comentário publicado aqui, aqui e aqui, de que, o "Partidão" sempre teve um agente duplo em sua alta direção.

domingo, 1 de novembro de 2020

E se James Bond Tivesse uma Família?

O filho de um espião israelense dos anos 60 conta como é.

Oded Gur-Arie era apenas um menino quando soube que seu pai era um espião.
Crédito:Courtsey de Peter Payette
Hoje, Oded Gur-Arie ensina empreendedorismo no Adrian College em Michigan, mas ele nasceu em Israel e seu pai é um dos espiões mais famosos da história do país, conhecido por seu nome alemão, Wolfgang Lotz.
Na década de 60, Israel suspeitou que o Egito estava desenvolvendo armas de destruição em massa, que poderiam então ser usadas contra Israel. O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser trouxe cientistas alemães para ajudar no desenvolvimento do seu programa nuclear e o MOSSAD enviou o pai de Gur-Arie para tentar se infiltrar em seus círculos, fingindo ser um ex-oficial nazista.
O jovem Oded e sua mãe estavam alojados em Paris para a missão e seu pai — Zeev era o nome hebraico que ele havia adotado — vinha visitá-los de vez em quando.
“Em uma de suas primeiras visitas do Egito, ele foi se encontrar com seu chefe e me levou junto”, conta Oded. “De repente, percebi que eles estavam falando sobre coisas incríveis, como informações, pessoas e espiões, e Egito e isso e aquilo, e ficou muito claro para mim o que ele estava fazendo.”
Oded afirma que o MOSSAD decidiu que seria mais seguro expô-lo ao que estava acontecendo, em vez de correr o risco de ele descobrir por si mesmo e reagir de uma forma que poderia destruir o disfarce de seu pai. 
“Depois, quando estávamos voltando para casa, meu pai se virou para mim e disse: 'Agora você sabe o que estou fazendo'. E eu disse: 'Sim'. Ele disse: 'Você percebe que minha vida depende disso? Deve ser mantido em segredo absoluto, porque do contrário coisas ruins acontecerão? 'Eu disse sim.'”
Era uma responsabilidade imensa para um menino de 12 anos carregar e se tornou ainda maior quando Oded percebeu que seu pai havia sido pego, em 1965. Ele foi o primeiro a descobrir, antes de sua mãe ou dos controladores de seu pai.
“Era sábado de manhã, desci para pegar o jornal The Herald Tribune. Eu fui até uma banca de jornal e peguei o jornal e comecei a andar para casa. Enquanto estou voltando para casa, fico olhando e lendo o jornal e vejo na primeira página algo que diz: 'Seis alemães ocidentais desaparecem no Egito.' Aquilo chamou minha atenção e eu olho e vejo o nome do meu pai lá.”
Oded, que imediatamente percebeu que "desapareceu" significava que eles foram capturados, percebeu outra coisa que o pegou de surpresa.
“Eu li que 'Wolfgang Lotz e sua esposa, Waltraud Lotz' e eu pensei, 'Quem diabos é esta Waltraud Lotz?' Eu não sabia nada sobre a existência dela.”
Nesse ponto, a notícia não tinha chegado a sua mãe, nem ao MOSSAD em Israel. Oded tinha que ser o mensageiro.
“Então, eu perguntei a mim mesmo: 'O que direi à minha mãe quando chegar em casa?'”, lembra. “Era talvez menos de um quarto de milha da banca de jornal até a casa. Pareceu a caminhada mais longa que já fiz, tentando descobrir o que fazer. Percebi que minha vida como eu a conhecia e a vida de minha mãe como a conhecíamos, tudo iria realmente mudar de maneira extrema.”
O casamento de Wolfgang Lotz com outra mulher no Egito não fazia parte dos planos. Quando seus operadores do MOSSAD descobriram, por acidente, eles consideraram abortar a missão, mas estava tudo correndo bem desa forma, e Lotz era um espião muito bom. Na verdade, ele era um espião tão bom que conseguiu manter seu disfarce mesmo depois de ser pego. Ele escondeu das autoridades egípcias a sua naturalização israelense, convencendo-as de que era somente um alemão dono de um clube de hipismo, e que só espionava para os israelenses em troca de dinheiro porque eles o pressionavam. Se os egípcios descobrissem que ele era israelense, provavelmente o teriam executado. Então, por alguns anos, enquanto seu pai estava na prisão egípcia, Oded teve que manter as aparências e fingir que nada estava errado.
Lotz e sua "esposa" no tribunal, Cairo, agosto de 1965.
Crédito: Spywise.net
“Voltamos imediatamente para Israel e eu estava indo para a escola e tinha uma namorada. ... Eu tinha 16, 17 anos na época e fazia as coisas que todo adolescente faz. Eu tinha que manter esse segredo incrível para mim mesmo e não poderia compartilhá-lo com ninguém.”
Wolfgang Lotz foi libertado alguns anos depois (1968) e voltou para Israel, mas nunca voltou para casa. Para a decepção da mãe de Oded, ele trouxe sua nova esposa alemã com ele. Lotz teve problemas para se ajustar à vida civil em Israel e nunca foi capaz de estabelecer uma segunda carreira. Ele morreu na Alemanha em 1993.
Oded, bem treinado em guardar segredos, não falou sobre sua experiência por anos. Isso mudou em 2007, quando um dia seu filho voltou da escola com um livro intitulado Os Maiores Espiões do Mundo. Oded, que estava assistindo TV, viu seu filho folheando o livro e uma das fotos chamou sua atenção.
“Eu indiquei a ele, uma das fotos e disse, 'Você sabe quem é esse homem?' Ele olhou para mim e disse: 'Não'. Eu disse: 'Esse é o seu avô.' Ele disse: 'O quê?' Foi quando me dei conta de que mesmo as pessoas mais próximas de mim — minha família, minha esposa, meus filhos — conheciam a história em geral, mas não sabiam realmente todos os detalhes.”
Isso convenceu Oded Gur-Arie a concordar em participar de um documentário sobre a vida de seu pai, após rejeitar muitas outras ofertas ao longo dos anos. Ele descreve a experiência de compartilhar sua história na frente da câmera, muitas vezes em lágrimas, como tendo um efeito purificador. Ele concordou em trabalhar com o diretor, Nadav Schirman, já que o achava realmente interessado na história humana e não apenas nas partes de ação.
"E se James Bond tivesse uma família?" Oded Gur-Arie explica. “As pessoas geralmente não pensam sobre esse aspecto, mas por trás de cada história real de espionagem e aventura, existem pessoas, existem famílias, existem esposas, filhos e mães. Olhamos para o glamour e todas as coisas de aventura, mas não para os humanos e o preço e o custo que isso causa para as pessoas.”
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Este artigo é um resumo do episódio "Espionagem na Era do Terror" da America Abroad sobre situação atual da coleta por Inteligência Humana e seu futuro. America Abroad é um premiado programa de documentários de rádio que analisa em profundidade as questões críticas das relações internacionais e da política externa dos EUA todos os meses. Você pode nos seguir no Facebook, conversar conosco no Twitter e assinar nosso boletim informativo semanal para atualizações.
Fonte: The World

sábado, 10 de outubro de 2020

Bandido do ELN Confessou Organizar os Ataques em Bogotá

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Dizem que 'banca' universitários, e recruta jovens por meio de redes de milícias e sequestros.
Vulgo ​​Uriel, líder do ELN.  Foto: AFP
Por Unidade Investigativa
Perto de um dos maiores afluentes do rio Sipí, nas selvas do Chocó, está o acampamento do bandido conhecido como Uriel, guerrilheiro de 42 anos, nascido em Antioquia, que há poucos dias admitiu a intervenção das milícias ELN nos atos de vandalismo ocorridos em Bogotá e outras cidades durante os protestos dos dias 9 e 10 de setembro. 
“As revoltas e motins não foram motivadas por diferentes grupos de oposição ao governo. Nossa militância urbana participa deles como mais um (...). Vamos acabar com os centros de tortura e morte chamados CAI”, é ouvido em um áudio enviado por meio de redes.
Ogli Ángel Padilla, 'Fabián', chefe do ELN. Foto: Arquivo particular
Embora seu acampamento esteja localizado a mais de 280 quilômetros da capital, o guerrilheiro — terceiro na linha de comando da chamada Frente de Guerra Ocidental — se move mais pela nuvem (web) do que pela selva, onde seu grupo está lutando pelo controle social e tráfico de drogas contra o 'clã do Golfo'. 
“Há dois anos Uriel é responsável pelo recrutamento de jovens por meios tecnológicos. Para isso contam com uma estrutura clandestina chamada 'Trabalho virtual revolucionário e coletivos de estudo'”, diz um relatório de Inteligência.
E acrescenta que com os rendimentos da coca e dos sequestros que realiza — como o de 6 civis e de um ex-deputado —, apoia financeiramente a formação superior de jovens militantes, em troca de cumprirem um plano de trabalho do movimento social e estudantil do ELN. 
Vários de seus 'bolsistas' formam as Milícias Urbanas do ELN nas principais capitais e difundem as mensagens revolucionárias que ele envia regularmente por suas contas no Twitter, Instagram, Facebook e WhatsApp.
O caldo de cultura não poderia ser melhor. Só em Bogotá, 34,6% dos desempregados são jovens, o dobro do ano passado. E o acesso e a permanência em redes também estão aumentando na esteira da pandemia. 
No entanto, esta nova estratégia de penetração social massiva tem sido usada pelo ELN desde muito antes da emergência de saúde (pelo menos dois anos atrás), e tem projetado o facínora conhecido como Uriel como liderança da insurreição nas cidades. Mas o cérebro das ações é seu chefe, Ogli Ángel Padilla Romero, vulgo Fabián, braço direito de 'Pablito', também chamado 'Assassino do ELN'.
Carlos Emilio Marín é o nome verdadeiro do vulgo Pablito, do ELN.
Foto: Arquivo particular
Quem é Uriel
Para a seleção de militantes entre os jovens, 'Uriel' é apresentado como parte da minoria burguesa e intelectual que chegou para renovar a liderança do ELN. A esse respeito, membros de agências de Inteligência disseram que ele realizou estudos de engenharia eletrônica em um centro público de estudos em Medellín. 
Além disso, ele é acusado de tudo, desde ataques a delegacias de polícia até o uso de armas de longo alcance contra helicópteros Black Hawk, em Nóvita, Chocó.
Também lhe atribuem assassinatos e queima de material eleitoral, em 2014, e sequestro de 6 pessoas, em 2018. 
De concreto, há um processo contra ele por rebelião e outro por rebelião e sequestro agravado. Nesses arquivos ele é identificado como Andrés Felipe Vanegas Londoño. 
Parte do processo contra ele é mantido por uma promotoria especializada, além da Polícia GAULA. 
Segundo investigadores, desertores do ELN asseguram que 'Uriel' também realiza trabalho ideológico e político em comunidades indígenas e afrodescendentes na área de San Juan e Sipí, Chocó.
“Paradoxalmente, em seu discurso ele promove levantes populares contra massacres e violência, mas sua frente é a que mais gera mortes e crimes em Chocó e outras áreas de influência”, explica um oficial de Inteligência. 
E acrescenta que atrai estudantes universitários com o argumento de fornecer e renovar a militância do ELN, buscando desenvolver quadros (líderes) com capacidades abrangentes muito além das estruturas armadas que estão em vigor hoje. 
Mas o objetivo é alcançar o protagonismo do processo revolucionário nas massas (redes sociais) e na mídia.
“Embora seja verdade que o ELN trouxe um trabalho de massa avançado por vários anos, essas novas formas de incorporação e engajamento buscam diversificar as formas e métodos para desenvolver o trabalho político organizacional”, diz um analista. 
'Uriel' começou como miliciano, em 2000, na rede urbana Martha Elena Barón. Em 2005 ingressou como guerrilheiro na frente do Cacique Calarcá, e em 2019 já era tido como um suposto ideólogo da Frente de Guerra Ocidental, que se opôs aos diálogos com o Governo em 2017, através da mesa de Quito, contrariando a liderança que permanece em Cuba e que, por enquanto, não o desautorizou.

Assuntos relacionados para ler (em espanhol):
Unidade Investigativa 
u.investigativa@eltiempo.com 
No Twitter: @UinvestigativaET
Fonte: tradução livre de El Tiempo