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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Honrarias Militares Mal Utilizadas

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Recorrentemente temos visto algumas manifestações cobrando a cassação de Condecorações Militares concedidas a pessoas julgadas e condenadas pelo Supremo Tribunal Federal por crimes contra o Erário.
Aqui mesmo, em outubro de 2012, publiquei um texto referente a Condecorações específicas do Exército Brasileiro  Mensaleiros e as Condecorações Militares.
Mas é óbvio que a prática de distribuir Comendas com a finalidade única de tentar agradar eventuais ocupantes de cargos públicos  sabe-se lá com que objetivos secundários, ou melhor, sabemos muito bem  não é privilégio da Força Terrestre. Os meliantes relacionados no texto que citei também possuem Condecorações equivalentes, oferecidas pela Marinha e Força Aérea Brasileiras.
Além disso, temos ainda a Ordem do Mérito da Defesa (OMD), antiga Ordem do Mérito das Forças Armadas, cuja lista de recipiendários também é maculada por malfeitores condenados e outros por demais conhecidos da sociedade.
Essas pessoas também foram honradas de acordo com critérios conhecidos somente por seus proponentes, já que não há registro sabido de que hajam prestado relevantes serviços ao segmento castrense. Pelo contrário, a atuação de alguns desses sujeitos sempre foi de acentuado revanchismo contra a caserna, devido ao período de governo militar que se seguiu à Contrarrevolução de 1964.
Em uma breve pesquisa, encontramos algumas dessas pessoas:
 João Paulo Cunha - Grande Oficial da OMD em 21 Nov 2011; 
 José Dirceu de Oliveira e SilvaGrã Cruz da OMD em 21 Nov 2003;
 José Genoíno NetoGrã Cruz da OMD em 22 Set 2008.
O Ministro da Defesa tem a obrigação legal e moral de propor a exclusão desses condenados, conforme reza o inciso II do Art 6º da Portaria Normativa nº 754/MD, de 6 Ago 2003, que "Dispõe sobre as regras para a concessão da Ordem do Mérito da Defesa e dá outras providências". Talvez isso incentivasse os Comandantes das três Forças Armadas ao cumprimento da legislação relativa ao assunto e que lhes estão afetas.
E, aproveitando o ensejo, o Ministro poderia mandar verificar a situação processual de outros nomes que destoam na relação de agraciados com honrarias militares. Por exemplo:
 Demóstenes Lázaro Xavier Torres, ex senador cassado por suspeita de envolvimento com o crime organizado - Grande Oficial da OMD em 12 Nov 2009
 Erenice Alves Guerra, ex Chefe da Casa Civil da Presidência da República, exonerada em circunstâncias extremamente criticáveis - Grande Oficial da OMD em 28 Nov 2005;
 Geddel Quadros Vieira Lima, cujo "prontuário" pode ser lido em Aveloz - condecorado com a Grã Cruz da OMFA em 12 Nov 2009;
 Genebaldo de Souza Correia (um dos "anões do orçamento") - Comendador da OMD em 26 Jun 1991;
 Jader Fontenelle Barbalho, alvo de várias denúncias de corrupção e malversação de recursos públicos, tendo inclusive, sido preso por alguns dias - Grande Oficial da OMD em 3 Jun 1988;
 Joaquim Domingos Roriz, ex governador do DF e ex senador - Grande Oficial da OMD em 13 Jun 1989;
 José Roberto Arruda, o primeiro governador a ser encarcerado durante o mandato, no Brasil - Grande Oficial da OMD em 28 Nov 2005;
 José Sérgio Gabrielle de Azevedo, ex presidente da Petrobras - Grande Oficial da OMD em 12 Dez 2005;
 Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos, suspeito de envolvimento em problemas contábeis da Petrobrás - Grande Oficial da OMD em 26 Jun 1991.
E sendo muito otimista, poderia ser feita uma revisão para responsabilizar, pelo menos moralmente, os responsáveis pela indicação desses agraciados que deslustram as Condecorações recebidas, ao mesmo tempo em que se recomende maior cuidado quanto aos aspectos éticos dessas indicações. Afinal, não pode ser considerado minimamente correta a indicação, para essas honrarias, de pessoas que mancham o nome das Forças Armadas, enquanto que a grande maioria dos militares cumprem 30, 35 anos de dedicação, servidão mesmo, em prol de suas Instituições sem sequer sonharem com a chance de serem agraciados com alguma Condecoração a não ser a Medalha de Tempo de Serviço ou a de Tempo de Tropa, concedidas não por indicação mas única e exclusivamente por seus méritos.
Resta saber se haverá coragem moral para a execução das providências necessárias para essa limpeza ética na lista dos agraciados com Condecorações Militares. 
Ou se será providenciada uma mudança urgente na legislação. 
Ou se a legislação vigente será simplesmente "esquecida" e a vida seguirá seu rumo com medalhas criadas para enaltecer virtudes militares sendo distribuídas sem critério algum à cumpanherada do (des)governo, enquanto os verdadeiros militares, os que não possuem acesso aos gabinetes palacianos, tem seu merecimento solenemente ignorado.
Já não basta a humilhação imposta por meio dos vencimentos abastardados, os militares que honram sua farda e seus valores tem que conviver com canalhas elevados ao patamar de credores de homenagem especial do Ministério da Defesa.
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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Do 14-Bis Ao 14-Xis

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Aeronave que voa a mais de 11.000 km/h coloca o Brasil na elite da engenharia aeroespacial :
Em um laboratório em São José dos Campos, interior de São Paulo, a aeronave mais avançada do Brasil ganha forma. Batizado de 14-X, o aparelho tem nome inspirado na mais famosa máquina voadora brasileira, o 14-bis. Em comum com o avião de Santos Dumont, o 14-X tem o poder de garantir para o País um lugar no pódio da tecnologia aeroespacial. Não tripulado, o modelo é hipersônico, capaz de atingir dez vezes a velocidade do som (mais de 11.000 km/h). As propriedades do 14-X colocam o Brasil no seleto grupo de nações  ao lado de Estados Unidos, França, Rússia e Austrália  que pesquisam os motores scramjet, que não têm partes móveis e utilizam ar em altíssimas velocidades para queimar combustível (no caso, hidrogênio). Outra característica do veículo desenvolvido pelo Instituto de Estudos Avançados da Força Aérea Brasileira (IEAv) é que ele é um “waverider”, aeronave que usa ondas de choque criadas pelo voo hipersônico para ampliar a sustentação. É como se, ao nadar, um surfista gerasse a onda na qual irá deslizar.
O projeto nasceu em 2007, quando o Capitão Engenheiro Tiago Cavalcanti Rolim iniciou mestrado no ITA e foi aprovado com uma tese sobre a configuração “waverider”. Cinco anos depois, a teoria está prestes a virar prática. O primeiro teste do 14-X em voo, ainda sem a separação do foguete utilizado para a aceleração inicial, ocorrerá neste ano.
Em seguida, a Força Aérea planeja outros dois experimentos: um com acionamento dos motores scramjet, mas com a aeronave ainda acoplada, e outro com funcionamento total, quando a velocidade máxima deve ser atingida.Se formos bem-sucedidos nesses ensaios, estaremos no topo da tecnologia, embora com um programa muito mais modesto do que o dos americanos”, diz o Coronel Engenheiro Marco Antonio Sala Minucci, que foi diretor do IEAv durante quatro anos e é um dos pais do 14-X.
O grande desafio no desenvolvimento da tecnologia de altíssimas velocidades é a construção dos motores scramjet. Um engenheiro ligado ao projeto compara a dificuldade de ligar tais propulsores a “acender uma vela no meio de um furacão”. Por isso, o IEAv realiza os testes do primeiro protótipo no maior túnel de choque hipersônico da América Latina, no próprio laboratório do instituto.
Diferentemente do que ocorre em turbinas de aviões, esse motor não usa rotores para comprimir o ar: é o movimento inicial, gerado pelo foguete, que fornece o fôlego necessário. No 14-X, os propulsores scramjet são acionados a mais de 7.000 km/h.
Esse será o caminho eficiente de acesso ao espaço em um futuro próximo”, diz Paulo Toro, coordenador de pesquisa e desenvolvimento do 14-X. As aplicações práticas vão além do lançamento de satélites ou dos voos suborbitais. Os EUA, que testam sua aeronave batizada de X-51, pretendem usar a tecnologia em mísseis intercontinentais. Entre os civis, a esperança é de que o voo hipersônico possa se tornar uma realidade em viagens turísticas. Ir de São Paulo a Londres em apenas uma hora não seria nada mau.
Fonte:  Blog Defesa BR
COMENTO:  Um texto com maiores detalhes do projeto pode — e até mesmo merece — ser lido no Defesa BR. Como comentou um amigo, é necessário que sejam intensificadas as medidas de segurança e contra inteligência a respeito do projeto. Não podemos esquecer o "acidente" da explosão da base de lançamento dos foguetes em Alcântara onde perdemos o que tínhamos de melhor dos cientistas envolvidos nas pesquisas aeroespaciais brasileiras.
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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Aposentadorias — Lembrando a Formiga e a Cigarra

por Janer Cristaldo
Temos então em Porto Alegre um imortal e nobelizável morrendo à míngua. 
Comentei, há dois anos, um projeto de lei na Argentina, que pretendia instituir uma pensão social para escritores. "Com a barriga vazia, o escritor não escreve", dizia o poeta Miroslav Scheuba, coordenador da Sociedade Argentina de Escritores. "Como escritores são boêmios, não economizam e acabam sem nada", completa.
O projeto já foi aprovado em Buenos Aires, em 2009. São 100 escritores beneficiados, que recebem por mês 2.650 pesos  cerca de R$ 1.080. Em 2011, a prefeitura da cidade analisava o pedido de pensão de outros 30 autores. Pelos cálculos do governo, no âmbito federal, seriam quase mil beneficiados.
Os requisitos para o autor postular à pensão era não ter fonte de renda  ou tê-la menor que o valor da bolsa-escritor. É também necessário ter mais de 60 anos, ter se dedicado mais de 20 anos à atividade literária ou publicado mais de cinco livros. Outro quesito essencial é morar há pelo menos quinze anos na Argentina.
Ou seja, os escritores argentinos delegaram ao contribuinte seu sustento e os gastos de suas boemias. Se não conseguem viver de direitos de autor, passam a conta aos leitores. Ou nem mesmo a eles, já que quem não os lê também vai marchar. O escritor passa a ser uma espécie de incapaz do ponto de vista econômico, a ser sustentado por esmola estatal. 
É o que pretende o imortal e nobelizável gaúcho Luís de Miranda. Com 68 anos, o poeta publicou 34 livros e recebeu diversos prêmios. Desde 1987, é membro da Academia Rio-Grandense de Letras. Neste ano, Miranda está na lista de indicados ao Prêmio Nobel de Literatura. Seu nome foi aceito pela Academia Sueca a partir de uma indicação da PUCRS. O gaúcho compete com 194 indicados por um prêmio que ultrapassa US$ 2 milhões.
Enquanto o Nobel não vem, o nobelizável solicita uma pensão do Estado. Vive em condições precárias, é doente, há quatro anos faz uma só refeição por dia e está ameaçado de despejo por não pagar aluguel.
É duro ver um homem, nessa idade, passando por tais tribulações. O fato é que o vate passou a vida cantando a bona-xira e os bons vinhos, o pampa e a gauchidade, e esqueceu do próprio sustento. Agora pede esmola ao Estado.
Miranda chegou a seu momento da verdade. Poesia nunca pagou o sustento de ninguém no Brasil, exceção feita dos amigos do Rei, que conseguiram incluir suas obras nos currículos escolares, por imposição do governo. Seria de supor-se que 64 livros publicados rendessem direitos autorais suficientes pelo menos para comer. Não renderam. Porque tais livros são mentiras piedosas, financiados por órgãos estatais, distribuídos a bibliotecas, e lidos ... por ninguém.
A candidatura ao Nobel é outra mentira, avalizada por uma universidade, o que a torna mais cruel. Nenhum gaúcho, em sã consciência, vai acreditar que um medíocre escrevinhador, cuja obra sequer atravessou o Mampituba, possa ter alguma chance de ser contemplado com a láurea máxima da literatura no Ocidente.
É aquele momento em que um homem se olha no espelho e faz a pergunta mais dura à imagem que o contempla: quer dizer então que viveste toda tua vida escorado numa mentira? A imagem pode querer negar, mas não consegue. Outras mentiras deambulam por aí, mas seus portadores foram previdentes. Cientes de que nada valem no mercado, protegeram-se com sinecuras estatais. Os livros publicados, que ninguém lê, constituem pasto suficiente para suas vaidades.
Comove a situação de Miranda. Mas nesta situação vivem milhares de brasileiros, senão milhões. Por que razões o contribuinte iria sustentar a velhice de um destes deserdados da sorte, só porque escreveu um monte de bobagens que ninguém lê? Como fica o operário que trabalhou a vida toda e hoje vive situação idêntica  ou pior  que a do poeta?
Como vão viver os escritores? — perguntou-me certa vez um leitor. Que vivam de profissões honestas, como os demais homens. Literatura é profissão? Em um livro que causou algum escândalo na Paris dos anos 70 — Le Bazar des lettres — Roger Gouze contestou com energia o caráter profissional do ofício. "O estatuto oficial do escritor me parece tão absurdo quanto o das prostitutas que também reivindicam o seu: não se pode ao mesmo tempo desafiar o poder, a polícia, as leis (por hipócritas que sejam) da sociedade e pedir-lhes uma proteção".
Se a literatura é uma arte — argumentava Gouze — o escritor deve, como todo mundo, ter uma profissão que o sustente, ao lado da arte que ele alimenta com o melhor de si mesmo. "Não uma segunda profissão, pois a literatura não é uma". 
Como viverá então o escritor se a obra não lhe rende nada? "Como todo mundo" — responde o autor. Mas há poetas que se julgam os eleitos dos deuses. Mentiras caridosas de amigos os fazem sentir-se poetas, estes iluminados que foram delegados pelos povos para cantar suas esperanças. Fora do pequeno círculo de bajuladores, ninguém os conhece.
Um dia a casa cai. Se não souberam vender a alma a bom preço, o remédio é estender o chapéu ao contribuinte.
Fonte:  Janer Cristaldo

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mais Um Patife a Ser Beneficiado Pela "Bolsa-Cumpanhêru"

por Daniel Camargos
Quem observa o senhor franzino, de 66 anos, morador do Bairro Carmo, em Sete Lagoas, é incapaz de imaginar o peso da história que ele carrega. Wellington Moreira Diniz lutou contra a ditadura militar no Brasil (NOTA: a redação correta deveria ser: "lutou pela implantação de uma ditadura comunista no Brasil"), participou de ações armadas (Leia-se: assaltos) em bancos e quartéis para abastecer organizações como Colina, Var-Palmares e VPR com armas e dinheiro; foi responsável pela segurança do ícone da resistência (um reles desertor), o capitão Carlos Lamarca, e presenciou a jovem Dilma Rousseff, então com 21 anos, discutir asperamente com Lamarca. Fez ainda parte do grupo que roubou US$ 2,598 milhões (R$ 15 milhões atualmente - de dólares e não de Reais) do cofre da amante do político Adhemar de Barros; foi preso e cruelmente torturado (segundo o próprio), depois libertado em troca do embaixador suíço que havia sido sequestrado por seus companheiros. Exilado no Chile, foi segurança do então presidente cubano (ou ditador cubano?), Fidel Castro, quando este visitou o país governado por Salvador Allende, em 1971. Trabalhou ainda como assistente em produções do diretor de cinema chileno Miguel Littín e do italiano Roberto Rosselini e lutou pela independência de Angola (não explica se com o MPLA dos comunistas apoiados pela URSS ou da UNITA, apoiada pela China), participando da tomada do aeroporto na capital. 
(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Até a quarta-feira da semana passada, Wellington nunca havia contado sua trajetória. Em um depoimento de quase três horas, ele revelou ao Estado de Minas detalhes da sua biografia. Acusado de 38 assaltos, entre bancos, quartéis e automóveis, e de ter matado 12 pessoas em ações de resistência à ditadura, ele será julgado na próxima sexta-feira pela Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça. O deputado federal e ex-ministro dos Direitos Humanos Nilmário Miranda (PT-MG) será o relator do processo de Wellington e destaca: “A anistia não discrimina luta armada e luta pacífica. Em uma situação de ditadura é considerado lícito que os militantes peguem em armas”.
Se eu era bravo? Bravo é boi. Eu seguia as necessidades do momento”, entende Wellington. A ficha do Serviço Nacional de Informações (SNI) imputa 38 ações, mas ele garante ter participado de 45. Sobre as 12 mortes de que é acusado, garante não ser realidade. “Sempre atirei para cima. Se alguém trombou na bala não é problema meu”, ironiza (a mesma lógica dos meliantes de hoje que matam por que "o cara não queria entregar", o que confirma o ditado de que canalhas não tem idade). Um dos apelidos que recebia dos companheiros e também dos militares era 90. Uma alusão às duas pistolas .45 que sempre carregava na cintura durante as ações. Outro apelido – que ele não gosta, aliás – era “John Wayne da guerrilha”. “Isso é folclore”, rebate.
Distante da época elétrica, quando vivia entre um aparelho e outro e chegou a assaltar três bancos no mesmo dia, sendo um no Rio de Janeiro e outros dois em São Paulo, Wellington recita sua vida como se estivesse contando para si próprio. Em quase três horas de depoimento, fumou 18 cigarros, bebeu mais de uma garrafa de café - sem açúcar - e fez longas pausas. “Existem as pessoas que passam pela história e as pessoas que fazem a história. Foi uma opção de vida fazer história” conclui, deixando o cigarro queimar até o filtro.

O INÍCIO 
Wellington nasceu em Belo Horizonte, no Bairro Nova Suíça, filho de pai comerciante e mãe dona de casa. Começou a militância política na escola técnica industrial e logo depois integrou a Ação Popular (AP). Foi preso em 1968 (21 anos de idade). “Foi um escândalo. Eu morava com meus pais e fui levado de cueca para o CPOR”, lembra. Foi interrogado, mas como não entregava nada seguiu preso. “Nesse tempo a tortura não era institucionalizada. Era só pancadaria. Eles batiam muito com cacetete de borracha”, detalha. 
Recebia toda semana a visita dos pais e, para não assustá-los, dizia que estava bem e se sentia em uma colônia de férias. Certo dia, durante a visita, um coronel mandou que ele tirasse a camisa. Wellington resistiu, mas foi agarrado. “Meu pai viu como eu estava, porque o cacetete de borracha deixa lanhos  na pessoa (mentira: "lanhos" são cortes, cassetetes deixam hematomas), lembra. O coronel levou o pai dele para outra sala e teve uma conversa reservada. No dia seguinte, o pai de Wellington, Nereu Diniz, então com 46 anos, foi internado em um hospital e morreu de problemas cardíacos. “Meu pai não tinha nenhuma militância, não era ligado a nenhum partido político. Ele era só meu pai”, indigna-se.

AO ATAQUE
Três dias após deixar a prisão, em Belo Horizonte, foi decretado o Ato Institucional número 5 (AI-5). Porém, Wellington não esperou pelo endurecimento do regime militar e já estava vivendo clandestinamente no Rio de Janeiro. Ingressou no Comando de Libertação Nacional (Colina). O contato dele era o também belo-horizontino Juarez Guimarães de Brito. “Juarez é na minha vida de 66 anos a pessoa mais honesta, mais parceira, mais companheira e que me ensinou muito na vida”, afirma Wellington. O Colina fundiu com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Carlos Lamarca, e formou a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).
Entre as ações empreendidas na resistência à ditadura, Wellington destaca o assalto à agência do banco Andrade Arnaud, que ficava próximo ao Ministério da Guerra e à delegacia de repressão de assalto a bancos, na capital fluminense. “Isso deixou os militares furiosos”, recorda. Outro estratégia ousada foi o assalto à agência Urca da antiga União dos Bancos Brasileiros, que era onde os militares depositavam o dinheiro, pois era vizinho da Escola Superior da Guerra. Wellington também assaltou o carro do general Syzeno Sarmento, então ministro da Guerra (?). “Eu mesmo peguei o carro dele. Um carro bom, porque tinha placa fria e uma pistola .45 no porta-luvas”, lembra. 
O assalto ao quartel de Manguinhos, na Avenida Brasil, também marcou. “Éramos cinco pessoas. O Darcy Rodrigues chegou para o sentinela e gritou: qual é o f. que disparou a arma?”, lembra Wellington. O guarda, assustado, não soube responder e atendeu a ordem de Darcy, que estava vestido como militar. Cerca de 40 militares foram reunidos em uma sala e colocados em posição de sentido. “Estava todo mundo com o fuzil na mão. O Darcy entrou e deu posição de sentido. Aí eu entrei. Com uma Thompson (metralhadora) na mão”, recorda.

O GRANDE ASSALTO
A maior ação e mais notória foi o roubo do cofre da amante de Adhemar de Barros, no Bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Adhemar morreu em março de 1969 e deixou grande parte do dinheiro com sua principal amante, Anna Gimel Benchimol Capriglione. No dia 18 de junho de 1969, 11 militantes da VAR-Palmares, Wellington entre os líderes, invadiram a mansão, renderam todos os funcionários e levaram o cofre, que em valores de hoje tinha o equivalente a R$ 15 milhões (de dólares conforme Cardoso, op cit, pag 77). 
(foto: Ronaldo Moraes/O Cruzeiro/EM)
Eu não podia trocar dinheiro. Nem eu e nem o pessoal mais militarizado. Isso ficava para os simpatizantes. A Dilma (a presidente Dilma Rousseff) estava começando e foi junto com a Iara (Iara Iavelberg, militante e namorada de Carlos Lamarca) trocar parte do dinheiro em uma casa da câmbio no Copacabana Palace”, lembra. A maior parte, entretanto, foi levada para o embaixador da Argélia por Wellington. 
Todo dinheiro era para a organização. Eu nunca coloquei a mão em um tostão de todas as operações que fiz. Eu inclusive apanhei porque não tinha uma nota de US$ 1”, sustenta Wellington. Os militantes decidiram que cada um dos participantes poderia ficar com uma nota de US$ 1 como recordação do feito, mas Wellington recusou, o que fez ele apanhar ainda mais na prisão por não revelar onde estava a nota. A história do assalto é contada no livro O cofre do dr. Rui (Civilização Brasileira), escrito por Tom Cardoso. 

LAMARCA
(foto: Arquivo)
Após a fusão entre a Colina e a VPR que originou a VAR-Palmares, Wellington passou a comandar a terceira base operacional da organização. “O meu grupo propôs uma operação para matar o Lamarca (Carlos)”, lembra. O motivo é que eles tinham visto uma notícia no jornal em que Lamarca, então capitão do Exército e um dos melhores atiradores do país (nos testes militares de tiro, Lamarca sempre teve resultados medíocres) dava um curso de tiro para gerentes de banco reagirem aos assaltos. Wellington não sabia, entretanto, que no final de janeiro de 1969 Lamarca havia desertado e fugido do quartel de Quitaúna, em São Paulo, com uma Kombi carregada de fuzis, metralhadoras e munição e entrado para a VPR. 
O plano não foi pra frente e meses depois Wellington foi deslocado para uma tarefa. Quando entra no aparelho se depara com Lamarca. “Ele morreu de rir. Disse que eu queria matá-lo, mas teria era que cuidar dele”, afirma. Wellington se recorda de quando passou a ser segurança do principal nome da guerrilha armada. “Fui com ele quando foi fazer uma cirurgia plástica. As enfermeiras pensaram que éramos um casal. Me gozaram muito no hospital. Mas elas não sabiam que debaixo do capote que vestia havia duas pistolas .45, uma metralhadora Thompsom e algumas granadas”, detalha.

DILMA
(foto: Arquivo)
Após o assalto ao cofre da amante do governador Adhemar de Barros houve um encontro da VAR-Palmares em Teresópolis, na região serrana fluminense. Um grupo, liderado por Lamarca, priorizava as ações armadas, e outro, do qual Dilma fazia parte, tinha o discurso da conscientização da massa de trabalhadores. Eram os “foquistas”, que desejavam implantar focos de guerrilha ante os “massistas”.
Teve um embate e eu estava presente. A Dilma tinha a convicção dela, que era uma visão mais antimilitar. E nós tínhamos uma visão mais militar, que foi o grupo que formou a Vanguarda Popular Revolucionária. A Dilma acusou o Lamarca de não ter sustentação teórica. Houve tensão, as discussões foram sérias, mas nunca chegou às vias de fato”, recorda Wellington.

A QUEDA
Wellington viveu um tempo como camponês na região serrana do Rio de Janeiro preparando aquele que seria o cativeiro – caso o plano fosse efetivado – do então ministro da Marinha, Augusto Rademaker, e do militar Gary Prado, que estava no Brasil e foi um dos responsáveis pela caçada que matou Ernesto Che Guevara. “Fui ao Rio porque ia ter um encontro para fechar essa questão. Como eu era o segurança do Lamarca, sempre ia na frente para averiguar. Na hora em que abri a porta do apartamento tinha um Fal (fuzil) na minha cara”, lembra.
Wellington diz que correu, mas se deparou com outros militares. Chegou a trocar tiros, mas foi atingido de raspão na cabeça e outro nas costas. Acabou preso. “Ai me meteram duas (?) algemas. Um militar enfiou o fuzil na minha boca, quando eu estava caído. Fui levado para o DOI-Codi, na Barão de Mesquita. No elevado da Barão de Mesquita dei uma cabeçada no motorista do carro e ele esbarrou o carro na mureta”, destaca a própria valentia. Preso, Wellington afirma ter conseguido segurar 72 horas sem abrir a boca. Ele sabia muito. Sabia onde estava Lamarca e também o destino do dinheiro do cofre da amante do Adhemar de Barros e, por isso, foi torturado intensamente. 

EXÍLIO E FIDEL
Com o sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, comandado por Lamarca, Wellington entrou na lista dos 70 nomes que seriam trocados pelo diplomata. Foram para o Chile, que era governado por Salvador Allende. Chegando ao país andino, ele trabalhou com o cineasta Miguel Littín, como assistente de câmera no filme A terra prometida. Porém, quando o general Augusto Pinochet tomou o poder, seu nome foi incluído na lista de procurados e teve que deixar o país. 
Antes, em 1971, quando o então presidente (ditador? nem pensar) cubano Fidel Castro visitou o Chile, Wellington foi destacado pelo Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) para compor a equipe de segurança do líder cubano. “Precisavam de pessoa com certa experiência e desenvoltura para auxiliar nos trabalhos. Com gente disposta ao que desse e viesse. Fidel era um ídolo, assim como Che Guevara. E nos tratava de igual para igual, chamando-nos de companheiro e tomando um café igual nós estamos tomando aqui”, relata. 

CINEMA E REVOLUÇÃO
(foto: Arquivo)
No Chile, além de trabalhar na produção de filmes, Wellington conheceu Renzo Rosselini, filho do cineasta italiano Roberto Rosselini. Quando teve que deixar o país após a tomada do poder por Pinochet, Wellington chegou à Itália, passando por México e Bélgica antes. Lá, conta que foi assistente de direção de Roberto Rosselini em filmes feitos para a tevê italiana RAI. No Brasil, quando retornou, foi assistente de direção de Helvécio Ratton no filme A dança dos bonecos (1986). “Um cara extremamente corajoso. Não era de falar muito e nem de discutir, mas era um sujeito de muita ação”, lembra Ratton. 
Porém, antes de retornar ao Brasil, Wellington também esteve em Angola e participou da luta pela libertação do país (não explica se com o MPLA dos comunistas apoiados pela URSS ou da UNITA, apoiada pela China), que culminou na independência, em 1975. No país africano nasceu um de seus seis filhos. Após retornar ao Brasil, estudou medicina oriental e, por muitos anos, teve um clínica de acupuntura no Bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, além de dar aulas e escrever livros sobre o assunto. Há três anos mora em Sete Lagoas. Mudou-se para a cidade para viver mais próximo de sua mãe, que morreu em março deste ano.

IDEOLOGIA
Wellington afirma que na primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antigos companheiros o sondaram sobre a oportunidade de trabalhar em Brasília (ratificando o aparelhamento da máquina estatal com a nata da criminalidade cumpanhêra). Porém, ele permanece radical. “Eu não tenho estômago ainda. Eu ainda não tenho essa capacidade de exercer minha serenidade frente a pessoas que torturaram ou que financiaram a tortura. Eu não tenho o que fazer lá”, afirma. Wellington não se arrepende de nada do seu passado.Tenho muito orgulho de ter feito parte de uma situação que pode resultar hoje na nossa possibilidade de falar”, garante. O ex-combatente faz questão de deixar um recado para os jovens: “Acredito profundamente no ser humano e acredito nessa juventude que está vindo aí. Que pode trazer novos valores saindo desse colonialismo mental que existe até hoje. Não somos nós, os dinossauros da história, quem vai promover essas mudanças. Essas mudanças estão na mão dos jovens que não recebem pressão ideológica do jeito que recebíamos e que tem a liberdade de poder criar algo novo. Tenho um orgulho muito grande de ter participado na construção deste espaço. Quando vejo meus filhos com valores novos, com propostas novas, a vida está feliz e eu estou realizado”. 
Fonte:  O Estado de Minas - 19 Mai 13
COMENTO:  dá nojo ler uma "reportagem jornalística e isenta" como a que se vê acima. Não vou me estender em comentários. Me dei ao trabalho de efetuar meus comentários no próprio texto, marcando-os em azul, para que vocês os analisem no contexto das frases. Na verdade, só confirma a falta de seriedade do Estado de Minas, que já ficou demonstrada em episódios como a farsa da foto de Herzog no cativeiro; a publicação de partes selecionadas do "livro secreto do Exército" e outras reportagens onde o direcionamento do leitor desavisado é a tônica. Quanto ao resultado do "julgamento" do "cumpanhêru" pela cOmissão da Verdade, nem há o que discutir: certamente ele será mais um agraciado da bolsa-terrorismo ou bolsa-cumpanherada.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mensaleiros e as Condecorações Militares

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1. Comenda da Ordem do Mérito Militar
Foi criada pelo Decreto nº 24.660, de 11 de julho de 1934, e tem por finalidade premiar:
I - Aos militares do Exército que tenham prestado notáveis serviços ao país ou se hajam distinguido no exercício de sua profissão;
II - Aos militares da Marinha, Aeronáutica e Forças Auxiliares que, pelos serviços prestados, se tenham tornado credores de homenagem do Exército;
III - Aos militares estrangeiros que se tenham tornado credores de homenagem da Nação brasileira, e, particularmente, do seu Exército;
IV - A cidadãos, nacionais ou estrangeiros, que hajam prestado relevantes serviços ao Exército.
V - As Organizações Militares (OM) e Instituições Civis, nacionais ou estrangeiras, que se tenham tornado credoras de homenagem especial do Exército Brasileiro.
De acordo com o Decreto nº 3.522, de 26 Jun 2000, a Ordem será administrada por um Conselho composto pelos seguintes membros:
I - o Ministro de Estado da Defesa, Presidente Honorário;
II - o Ministro de Estado das Relações Exteriores, Vice-Presidente Honorário;
III - o Comandante do Exército, Chanceler da Ordem;
IV - o Chefe do Estado-Maior do Exército; e
V - o Chefe do Departamento-Geral do Pessoal.
O mesmo Decreto citado estabelece, ainda, alguns critérios a respeito da Ordem:
Art. 12. O Ministro de Estado da Defesa submeterá ao Presidente da República as propostas de admissão na Ordem, bem como as de promoção e exclusão dos seus graduados.
Art. 13. Ao Conselho compete:
I - julgar em sessão plena as propostas de admissão ou promoção na Ordem, aceitando-as ou recusando-as;
II - deliberar sobre a exclusão de graduado ou organização da Ordem; e
III - zelar pelo prestígio da Ordem e decidir sobre os assuntos de seu interesse.
Art. 33. Serão excluídos da Ordem:
I - Os graduados nacionais que:
a) nos termos da Constituição, tenham perdido a nacionalidade;
b) tiveram seus direitos políticos suspensos ou seus mandatos eletivos cassados;
c) tenham cometido atos contrários à dignidade e à honra militar, à moralidade da organização ou da sociedade civil, desde que apurados em investigação, sindicância ou inquérito; e
d) tiverem sido aposentados, reformados, transferidos para a reserva ou demitidos por força de atos institucionais ou complementares;
II - Os graduados nacionais ou estrangeiros que:
a) tenham sido condenados pela justiça brasileira em qualquer foro, por crime contra a integridade e a soberania nacionais, ou atentado contra o erário, as instituições e a sociedade;
b) recusarem a nomeação ou promoção ou devolverem as insígnias que lhe hajam sido conferidas; e
c) findo o prazo de seis meses, a contar da data fixada para entrega do diploma e condecoração, por qualquer motivo, não os tenha recebido na forma do art. 39 e seus parágrafos; 
III - Os graduados estrangeiros, militares ou civis, que a critério do Conselho tenham praticado atos que invalidem as razões pelas quais foram admitidos.
§ 1º As exclusões serão feitas por decreto, mediante proposta do Conselho.
§ 2º A exclusão da Ordem só poderá ser proposta ao Presidente da República quando votada por unanimidade dos membros do Conselho.

2. Medalha do Pacificador
A Medalha do Pacificador destina-se a condecorar militares, civis, organizações militares e instituições civis, nacionais e estrangeiras, que tenham prestado relevantes serviços ao Exército e que se tenham tornado credores de homenagem especial da Força, nas condições previstas no Decreto nº 4.207, de 23 Abr 02.
De acordo com o mesmo Decreto:
Art. 10. Perderá o direito ao uso da Medalha do Pacificador e será excluído da relação de agraciados:
I - o condecorado nacional que: 
a) tenha perdido a nacionalidade ou a cidadania;
b) tenha cometido atos contrários à dignidade e à honra militar, à moralidade da organização ou da sociedade civil, desde que apurados em sindicância ou inquérito; e
c) sendo militar:
1. for condenado à pena de reforma prevista no Código Penal Militar, por sentença transitada em julgado;
2. se oficial, for declarado indigno do oficialato, por decisão do Superior Tribunal Militar; e
3. se praça, for licenciado ou excluído a bem da disciplina;
II - o condecorado nacional ou estrangeiro que:
a) tenha sido condenado pela justiça do Brasil, em qualquer foro, por sentença transitada em julgado, por crime contra a integridade e a soberania nacionais ou atentado contra o erário, as instituições e a sociedade brasileira
b) recusar ou devolver a condecoração ou insígnia que lhe haja sido conferida; e
c) tenha praticado atos pessoais que invalidem as razões da concessão, a critério do Comandante do Exército.
Parágrafo único. A cassação será feita ex officio, em ato do Comandante do Exército.

3. Condecorados que desonram as Condecorações Militares
No recente escândalo do Mensalão, atualmente sendo julgado no Supremo Tribunal Federal, já foram condenados algumas pessoas agraciadas com Condecorações Militares, de acordo com critérios conhecidos somente por seus proponentes, já que não há registro sabido de que hajam prestado relevantes serviços ao Exército. Pelo contrário, a atuação de pelo menos dois desses sujeitos no Congresso Nacional sempre foi de acentuado revanchismo contra a caserna, devido ao período de governo militar que se seguiu à Contrarrevolução de 1964.
São eles:
— João Paulo Cunha - Medalha do Pacificador em 2003; e Grande Oficial da OMM em 11 Fev 2005; 
— José Dirceu de Oliveira e Silva - Grande Oficial da OMM em 25 Mar 2003;
— José Genoino Neto - Medalha do Pacificador em 2003; 
— Valdemar Costa NetoMedalha do Pacificador em 1993, Comendador da OMM em 29 Mar 1995, e Grande Oficial da OMM em 25 Mar 2003;
O Comandante do Exército tem a obrigação legal e moral de propor ao Conselho da OMM a exclusão desses condenados; e de cassar, ex officio, as Medalhas do Pacificador a eles concedidas.
E, aproveitando o ensejo, mandar verificar a situação processual de outros nomes que destoam na relação de agraciados com honrarias militares.  Por exemplo:
 Geddel Quadros Vieira Lima, cujo "prontuário" pode ser lido em Aveloz 
 Medalha do Pacificador em 2009, e Comendador da OMM em 30 Mar 2000;
 Genebaldo de Souza Correia (um dos "anões do orçamento") - Comendador da OMM em 31 Jul 1991, e Grande Oficial da OMM em 02 Ago 1993;
 José Roberto Arruda - Comendador da OMM em 10 Abr 2001;
 Paulo Salim Maluf (simplesmente caçado pela Interpol) - Grande Oficial da OMM em 18 Ago 1980;
 Roberto Jefferson Monteiro Francisco - Medalha do Pacificador em 1995 e Comendador da OMM em 31 Mar 1997;
 Severino José Cavalcanti Ferreira - Medalha do Pacificador em 1998; Comendador da OMM em 30 Mar 2000, e Grande Oficial da OMM em 22 Mar 2005;
E sendo muito otimista, poderia ser feita uma revisão para responsabilizar, pelo menos moralmente, os responsáveis pela indicação desses agraciados que deslustram as Condecorações recebidas, ao mesmo tempo em que se recomende maior cuidado quanto aos aspectos éticos dessas indicações. Afinal, não pode ser considerado minimamente correta a indicação, para essas honrarias, de pessoas que mancham o nome do Exército, enquanto que a grande maioria dos militares cumprem 30, 35 anos de dedicação, servidão mesmo, em prol da Instituição sem sequer sonharem com a chance de serem agraciados com alguma Condecoração a não ser a Medalha de Tempo de Serviço ou a de Tempo de Tropa, concedidas não por indicação mas única e exclusivamente por seus méritos.
Resta saber se haverá coragem moral para a execução das providências necessárias para essa limpeza moral na lista dos agraciados com Condecorações Militares. 
Ou se será providenciada uma mudança urgente na legislação. 
Ou se a legislação vigente será simplesmente "esquecida" e a vida seguirá seu rumo com medalhas criadas para enaltecer virtudes militares sendo distribuídas sem critério algum à cumpanherada do (des)governo, enquanto os verdadeiros militares, os que não possuem acesso aos gabinetes palacianos, tem seu merecimento solenemente ignorado.
Já não bastando a humilhação imposta por meio dos vencimentos abastardados, os militares que honram sua farda e seus valores ainda tem que conviver com canalhas elevados ao patamar de credores de homenagem especial do Exército Brasileiro.
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sábado, 18 de agosto de 2012

1º Ten QAO Alcindo Peres da Rosa - Belo Exemplo a Ser Seguido‏

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Novos Juízes no Araguaia vão assumir na próxima sexta-feira
Quarenta e três candidatos aprovados no Concurso Público Para Ingresso na Carreira da Magistratura de Mato Grosso escolheram na manhã desta segunda-feira (11 de junho), as comarcas onde atuarão como juízes substitutos. A posse dos futuros magistrados será realizada na sexta-feira (15) e eles entrarão em exercício no dia 18 (segunda-feira). A escolha ocorreu durante sessão pública extraordinária do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, realizada no plenário da Turma Recursal Única, no Anexo Desembargador António de Arruda.
A escolha ocorreu por ordem de classificação no concurso, sendo que o primeiro colocado foi o primeiro a escolher entre as comarcas de Primeira Entrância disponíveis, e assim sucessivamente, até o 43º colocado. O primeiro colocado, Ramon Fagundes Botelho, que obteve média de 8,644 na classificação geral, escolheu a Vara Única da Comarca de Poconé (104 km ao sul de Cuiabá) para jurisdicionar. O 44º colocado, Ivan Lúcio Amarante, que ficou entre os classificados em virtude de um candidato ter pedido para figurar em último lugar na lista, ficou com a Primeira Vara da Comarca de Vila Rica (1.259 km a nordeste de Cuiabá).
As Comarcas de Campinápolis, Porto Alegre do Norte, Querência, Ribeirão Cascalheira, São Felix do Araguaia e Vila Rica vão receber novos Juízes.
Confira abaixo para onde foi designado cada candidato:
- Vara Única de Alto Garças ............................................
- Vara Única de Novo São Joaquim – Alcindo Peres da Rosa;
- ...................................
PORTARIA Nº 110-DGP/DSM, DE 30 DE JULHO DE 2012.
Demissão do Serviço Ativo, ex officio,
 sem indenização à União Federal.
O DIRETOR DE SERVIÇO MILITAR, no uso da subdelegação de competência que lhe confere o art. 2º, inciso VII, alínea “c”, da Portaria nº 259-DGP, de 10 de novembro de 2008, em conformidade com as prescrições estabelecidas sobre o assunto nos arts. 115, 116 e 117 da Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980, e Portaria nº 65-DGP, de 26 de abril de 2012, resolve
DEMITIR,
ex officio, do serviço ativo do Exército, sem indenização à União Federal, a partir de 14 de junho de 2012,
o 1º Ten QAO (014870483-6) ALCINDO PERES DA ROSA
por ter sido nomeado e investido em cargo público permanente, e incluí-lo com o mesmo posto na reserva não remunerada.
Fonte:  BE nº 32, de 10 Ago 2012
COMENTO:  o Tenente, agora Juiz, PERES, é da Turma de 1984 do CFS Material Bélico - Manutenção de Viatura Auto, sendo detentor de duas Medalhas Marechal Hermes (1º Colocado no CFS e no CAS), Medalha de Corpo de Tropa com passador de Ouro, Medalha Militar de Prata e Medalha do Pacificador.
Parabéns a ele por sua dedicação e esforço, agora recompensados. Boa Sorte em suas novas funções!
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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Atletas-Militares Conquistam Cinco Medalhas Individuais nos Jogos Olímpicos de Londres 2012

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Equipe de Voley Feminino - Medalha de Ouro

Sargento FERNANDA GARAY, da Equipe de Vôley do Brasil, participante do Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento do Exército, recebeu apoio - salário, nutricionista, fisioterapeuta, técnico, local para treinar - em 2010. Em 2011, arrasou a China na final dos Jogos Mundiais Militares. Nestas Olimpíadas,  faturou o Prêmio Individual de Melhor Passadora  e liquidou as equipes da Rússia e dos EUA, colaborando com a conquista brasileira!

Medalhas Individuais
Ao subir ao pódio no último domingo (12), em Londres, para receber a Medalha de Bronze no Pentatlo Moderno, a pernambucana Yane Marques, 28 anos, encerrou com chave de ouro a melhor participação da delegação de atletas-militares do Brasil nos Jogos Olímpicos.

Cinco medalhas individuais – uma de ouro e quatro de bronze – foram conquistadas pelos 51 atletas da Marinha e do Exército que participaram das competições na capital inglesa. 

Se fosse uma nação, a equipe militar ocuparia a 47ª posição no ranking do quadro de medalhas, a frente de países como Venezuela, Índia, Bélgica e Filândia.

Judô
A primeira medalha brasileira conquistada por atleta-militar veio com Felipe Kitadai, no primeiro dia de competição do Judô. Nascido em São Paulo, Kitadai conquistou Medalha de Bronze.

Naquele mesmo sábado, 28 de julho, a piauiense Sarah Menezes ganhou a Medalha de Ouro também no Judô. 

O desempenho brasileiro na modalidade repetiu-se com os gaúchos Mayara Aguiar e Rafael Silva, o Baby, que obtiveram suas Medalhas de Bronze.

Pentatlo moderno
Na última prova dos Jogos Olímpicos, a sargento do Exército Yane Marques confirmou a expectativa de medalha.
Terceira colocada no ranking mundial, a militar conquistou o bronze, com 5.340 pontos. Coube a Yane – que obteve a primeira medalha brasileira no Pentatlo Moderno, modalidade que completou 100 anos em Olimpíadas – botar no peito a 17ª medalha conquistada em Londres pelo Brasil. Assim, o país fechou a participação em Olimpíadas com a sua melhor marca.
A carreira da primeira medalhista brasileira na história do Pentatlo Moderno começou a mudar há cerca de três anos. Em 2009, Yane foi uma das primeiras atletas a integrarem o Exército, que na ocasião tinha o objetivo de formar uma equipe forte para os Jogos Mundiais Militares do Rio 2011.
Como sargento da instituição, a atleta passou a contar com estrutura e apoio financeiro, elementos fundamentais em um esporte caro como o Pentatlo, que envolve cinco modalidades, recorda o treinador dela, Alexandre França.
Yane Marques avisou antes de competir: "Subir ao pódio não será surpresa". Ontem, depois de dar 15 tiros e correr 3.000 m, cruzou a linha de chegada, caiu no chão e desabafou: "Consegui".
Yane agora é medalhista olímpica. Ela alcançou medalha de bronze com o melhor desempenho em esgrima de sua vida; fez a melhor marca no Nado; superou-se no Hipismo com um cavalo de idade avançada; e soube controlar seu ponto fraco: a chamada prova "combinada", que reúne Corrida e Tiro.
Nossos Parabéns a esses atletas militares vencedores e aos demais que, sabemos, esforçaram-se ao máximo mas tiveram suas conquistas adiadas. Afinal, a conquista por eles de 5 dos 14 prêmios individuais (ou em dupla) obtidos representa mais de 35% do resultado positivo total brasileiro nesses Jogos Olímpicos. 
Aos "famosos de sempre", que contam com o apoio de times de renome, patrocínio de empresas e divulgação na grande mídia, dedico o vídeo abaixo:

Fonte:  publicações diversas
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segunda-feira, 26 de março de 2012

E Você, Preocupado em Fazer sua Declaração de Renda

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1. Pois, pois, R$ 2 milhões para uma ONG do Galvão Bueno
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Enquanto você brinca o carnaval, se alegra à beira-mar, se enche dessa felicidade de ocasião, a tigrada não brinca em serviço. Uma organização não governamental ligada ao narrador Galvão Bueno aprovou um projeto de R$ 2,2 milhões no governo federal.
O governo federal autorizou a Associação Beneficente Galvão Bueno a captar o valor em doações e patrocínios por meio da Lei de Incentivo Fiscal. A decisão foi publicada no “Diário Oficial da União” (DOU nº 33, de 15 Fev 12 - Seção I, pág 90)
O dinheiro é destinado ao projeto chamado “Escola de Formação de Pilotos”. Dois filhos de Galvão, Cacá e Popó, são pilotos de automobilismo, antiga paixão do narrador, especialista em F-1.
Agora, o mais interessante. Os dois estão com as respectivas carteiras de habilitação de motorista suspensas em Londrina, mas vão ensinar na formação de pilotos.
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2. Verba pública financia carreira de neto de Fittipaldi, nos EUA
Além de financiar a escola de pilotos do comentarista Galvão Bueno, como se divulgou há poucos dias, a Lei de Incentivo ao Esporte tem outro famoso na lista dos beneficiados por dinheiro público no automobilismo de competição: Emerson Fittipaldi.
Em setembro do ano passado, o Ministério do Esporte aprovou projeto de R$ 1 milhão para o “Programa de Formação do Piloto Pietro Fittipaldi, na Fórmula Nascar”. Dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte que já foi captado. (DOU nº 183, de 22 Set 11, Seção I, pag 724)
Pietro, de 15 anos, é neto de Emerson, nasceu e mora nos Estados Unidos, onde disputa a categoria de automobilismo.
Proponente: Instituto Emerson Fittipaldi - 02.339.999/0001-23
Título do Projeto:
Programa de Formação do Piloto Pietro Fittipaldi na NASCAR
Nº SLIE:1101751-15UF:SP
Nº do Processo:58701.000154/2011-45Estimativa Público:2160001
Valor Aprovado para Captação(R$):1.001.203,00Prazo para Captação:22/09/2011 a 31/12/2012
Data da Publicação:22/09/2011Manifestação Desportiva:SNEAR
QUEM PATROCINOU ou DOOUData da CaptaçãoValor Captado (R$) 
Patrocinador: 27/12/2011150.000,00
Patrocinador: 29/12/2011140.200,00
Patrocinador: 29/12/201167.000,00
Patrocinador: 29/12/2011500.000,00
Patrocinador: 27/12/201140.000,00
Patrocinador: 29/12/201124.000,00
Patrocinador: 13/12/201124.000,00
Total Captado (R$):945.200,00
Barbaridades
R$ 10,5 milhões: é valor total para projetos gerais de automobilismo aprovados pelo Ministério do Esporte, entre 2011 e 2012.
Só a Associação das Equipes e Pilotos de Automobilismo Amador vai levar R$ 3,6 milhões. Outros R$ 2,1 milhões vão para o Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3.
Repito, a lei permite, mas faltam critérios do Ministério do Esporte para limitar projetos como esses, pois quem é profissional de automobilismo têm alto poder aquisitivo.
Desperdícios
Claro que automobilismo merece apoios, mas que venham da iniciativa privada! Diante dos gravíssimos problemas de estrutura para a prática esportiva em comunidades carentes, aplicar dinheiro público na formação de pilotos é um deboche.
Lembro que apenas 53% das escolas públicas brasileiras têm uma quadra “decente” para a prática esportiva da garotada.
Esse contraste demonstra a total ausência de políticas públicas e definições de prioridades do governo para o esporte, como já denunciou o Tribunal de Contas da União. Denúncias, apenas isso…
Farra
Não podemos esquecer que a Lei de Incentivo ao Esporte usa recursos do Imposto de Renda. O governo abre mão de R$ 300 milhões anuais para aplicar em projetos que contribuam, de fato, para o fortalecimento e desenvolvimento do esporte.
No entanto, num país com limitações de verbas para as áreas da educação e da saúde, principalmente, o dinheiro público que falta aos hospitais, por exemplo, destina-se à elite, aos que usam nomes consagrados para captar com facilidade verba pública do imposto de renda.
Agressão
Há seis anos o Ministério do Esporte fecha os olhos a essa falta de planejamento, metas e prioridades para o uso do bem público, com total omissão do Conselho Nacional de Esporte.
Assim, o Conselho afronta as políticas econômicas do Ministério do Planejamento, da Receita Federal, do próprio Palácio do Planalto, que alertam para a necessidade de fixar prioridades nos gastos públicos. E a nossa prioridade no esporte não é o automobilismo de competição.
A Lei de Incentivo precisa urgentemente de uma revisão de critérios. Enquanto isso, continuaremos jogando dinheiro pela janela do desperdício.
COMENTO:  sou fã de corridas automobilísticas, mas não posso concordar com os fatos relatados. Não vale o argumento de que "não é dinheiro público". É dinheiro público sim, pois seu destino original eram as burras estatais. Sequer serve como consolo você saber o destino de parte dos impostos que deveriam "sumir" nos cofres públicos, mas não é justo! Imposto é para ser utilizado na “res-pública”, ou coisa pública, isto é: em benefício da sociedade. É legal mas não é moral esses valores não serem utilizados em saúde, segurança, educação, etc.
Além do mais, presume-se que a família de Galvão Bueno tem condições econômicas de estabelecer sua Escola de Formação de Pilotos com recursos próprios, mesmo subsidiando seus alunos. Já no caso da família Fittipaldi, a coisa é mais desproporcional. Qual o interesse da sociedade brasileira na formação do neto do velho astro do automobilismo como piloto da Fórmula NASCAR, cujas corridas sequer são divulgadas no Brasil?
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