domingo, 17 de fevereiro de 2013

CSS Hunley - O Primeiro Ataque de Submarino da História

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CSS Hunley, que serviu às forças confederadas durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), foi o primeiro submarino operacional da história a realizar um ataque bem sucedido a um navio de guerra.
O submarino Hunley, batizado com o nome do seu inventor, Horace Lawson Hunley, foi desenvolvido no auge da guerra pelos confederados, na cidade de Mobile, no estado do Alabama, sendo transportado por via férrea para a cidade de Charleston. Quando da chegada do Hunley a Charleston, seu porto encontrava-se bloqueado por dois navios da União, o USS Housatonic e o USS Canandaigua, que se encontravam posicionados ao largo das ilhas Sullivan´s e Morris, para impedir que navios mercantes abastecessem a cidade. Foi nesse contexto que o Hunley foi construído, para destruir os navios da União, pondo um fim ao bloqueio naval.
Unidades da Marinha da União bloqueando o porto de Charleston
A bordo dos dois navios da União, já corriam rumores sobre uma "máquina infernal", que tinha sido desenvolvida pelos confederados, mas não se sabia ao certo o que era, apenas sabiam que podia deslizar silenciosamente pela água e aproximar-se de um navio sem ser notado, e afundá-lo. Como tal, o capitão do USS Housatonic dera ordens para que a área em torno do navio fosse constantemente vigiada, as caldeiras mantivessem a todo o tempo uma pressão de 220 psi, e os motores preparados para arrancar a qualquer momento, para se desviarem do que quer que fosse que os confederados lançassem sobre eles.
Horace Lawson Hunley,
o inventor do Hunley
E era mesmo isso que os confederados tinham em mente, mas antes o Hunley fora submetido a rigorosos testes.
Com 12 metros de comprimento, um peso avaliado em 7,5 toneladas, movido à força de braços por meio de uma manivela acionada por sete homens ligada a uma engrenagem dupla, ligada a uma hélice de ferro forjado, uma velocidade à superfície na ordem dos 13 nós, e submerso de cerca de 4 nós, o Hunley mostrou ser um submarino muito capaz, mas, ao mesmo tempo, muito perigoso. Antes mesmo de o Hunley zarpar para o mar para atacar o USS Housatonic, o submarino afundou duas vezes, afogando seu próprio inventor e mais doze vítimas.
Com isso, os confederados perderam em parte o interesse no Hunley. Um oficial da Marinha Confederada chegou a declarar: "Ele é mais perigoso para nós que para eles".
Foi então que se deu uma reviravolta.
O Tenente George L. Dixon, e sete marinheiros destemidos, demonstraram interesse em utilizar o Hunley mesmo sabendo de sua má fama. O Tenente Dixon fez uma série de inspeções no Hunley nas quais identificou o que presumivelmente falhou quando dos dois afundamentos anteriores, e ordenou uma série de pequenos reparos e adaptações, notadamente no sistema dos lemes de profundidade, ordenou a instalação de uma hélice mais resistente e que movimentasse mais água, e uma série de melhorias nos tanques de lastro.
USS Housatonic, que bloqueava o porto de Charleston, foi o alvo do CSS Hunley
Com isso o submarino Hunley começou a ser testado por Dixon e sua tripulação. Dixon levou o submarino ao limite, testando-o exaustivamente, calculando o tempo que o submarino percorria determinada distância, quanto tempo podiam permanecer submersos até que os níveis de oxigênio obrigassem a regressar à superfície e renovar o ar. Dixon calculou que podiam permanecer submersos cerca de 30 minutos, até terem de subir à superfície e renovar o ar. No final desses testes, Dixon sentiu-se confiante no Hunley e estava disposto a mostrar ao Almirantado que o submarino, em mãos hábeis e experientes, podia ser uma arma mortífera e extremamente eficaz.
Assim, Dixon começou as negociações com o Almirantado, com vista a receber a permissão para atacar o navio do bloqueio, o USS Housatonic, que ocupava uma boa posição para atacar, e caso fosse afundado, daria tempo para que alguns navios de mercadorias passassem pela "entrada desprotegida" providenciada pelo Hunley ao afunda-lo.
O CSS Hunley ataca
Tenente George L. Dixon,
comandante do CSS Hunley
Em pouco tempo, Dixon recebeu a autorização para atacar, mas foi ordenado que atacasse à noite, por volta das 21:20h, período em que estaria mais escuro. Nuvens escuras aproximavam-se de Charleston, elevando a moral de Dixon e de sua tripulação, pois a luz do luar não iria refletir no casco de ferro do Hunley, sendo muito difícil a sua detecção antecipada pelos tripulantes do navio da União.
Na noite de 17 de fevereiro de 1864, às 20:45h, Dixon e a sua tripulação entraram a bordo do pequeno submarino CSS Hunley, e começaram a sua jornada a caminho da posição ocupada pelo Housatonic. Segundo o plano de ataque que Dixon entregou ao Almirantado, ele pretendia submergir o Hunley quando estivesse a 1,2 km de distância do alvo. Seu armamento consistia de um torpedo. Na terminologia da época, torpedo designava um explosivo instalado na ponta de um arpão, que era direcionado e preso ao casco da embarcação inimiga e, depois, detonado por espoleta.
O sistema de propulsão do CSS Hunley: movido a manivela e força braçal
De acordo com um tripulante, que sobreviveu ao afundamento do USS Housatonic, a noite corria clara. Nuvens escuras ocultavam as estrelas e o céu. Eram 21:05h, a tripulação do Housatonic cantava em conjunto o Hino americano, quando ouviu-se o apito do vigia. Todos pararam de cantar e encaminharam-se para bombordo.
Segundo um relatório dos arquivos navais americanos, transcrevemos a descrição dada pelo referido tripulante:
“Cantávamos o Hino americano, quando de súbito, sem que nada o previsse, ouviu-se o apito do vigia, paramos de cantar e fomos para o lado bombordo do convés. O que eu e os meus amigos marinheiros vimos, deixou-nos sem sangue. Acabara de aparecer à superfície um objeto cilíndrico, e que se encaminhava na nossa direção, não dava para perceber o que era, a luz fraca dos holofotes não permitia que se visse bem, mas então, dois tubos ergueram-se desse objeto, e percebemos que o que quer que fosse, fora construído pelo homem, e que as intenções com que se encaminhavam para nós, não eram as melhores.
O capitão Pickering, de imediato, ordenou que se abrisse fogo sobre esse objeto, que, a cerca de 30 metros de nós, se começava a notar fracos clarões de luz vindos do seu interior. Dada a proximidade a que se encontrava aquele objeto, não nos foi possível abrir fogo com as peças principais, sendo nós obrigados a abrir fogo com os mosquetes e revólveres. Do meio da confusão, dos disparos, o capitão Pickering ordenou que os motores fossem de imediato postos em marcha à ré. Eu estava na amurada, a disparar o meu mosquete naquele objeto, ele encontrava-se a dois metros do nosso casco quando de súbito parou. Ouviram-se gritos no interior da máquina atacante, e vi que tinha por cima pequenas vigias, e foi para lá que tentei apontar, na esperança de atingir algum dos homens no seu interior.
Então dois tripulantes, cujo nome eu desconhecia, gritaram, apontando para baixo, e vimos uma barra de ferro, que ia da máquina atacante até ao nosso casco. Enquanto continuávamos a abrir fogo, a máquina atacante começou a recuar lentamente. Não me parecia que as balas de mosquete estivessem a ter qualquer efeito naquela máquina, mas não havia mais nada que pudéssemos fazer. Então, quando a máquina atacante recuou a cerca de 40 metros de nós, ouviu-se uma explosão debaixo de água, todo o Housatonic tremeu debaixo dos nossos pés, água lançada ao ar caiu sobre o convés, e nem um minuto após a explosão sentimos o convés a inclinar-se sob os nossos pés, percebemos de imediato que nos estávamos afundando.
O capitão Pickering deu ordem de abandonar navio, e de imediato os botes foram lançados para dentro da água, e muitos lançaram-se ao mar. Eu fui um dos muitos que se lançaram à água, na tentativa de escapar. A água estava gelada, e fui resgatado para dentro de um bote. Nunca mais vi essa máquina que nos atacou. O Housatonic inclinou-se para trás, a proa surgiu nas águas, e nem quatro minutos após a explosão, todo o magnifico navio desapareceu nas águas.”
O submarino CSS Hunley: é possível ver o arpão com o 'torpedo' na ponta
Especulações e resgate
Pouco se sabe em relação ao que aconteceu a bordo do CSS Hunley após a explosão. Sabe-se que o submarino fez o sinal combinado, com uma lanterna de magnésio, confirmando o afundamento do USS Housatonic, e que os navios de abastecimento podiam encaminhar-se depressa para o porto de Charleston. Em terra, esperou-se pacientemente o regresso do triunfante submarino, coisa que nunca aconteceu.
O Hunley desapareceu para só ser encontrado 136 anos depois, no dia 8 de agosto de 2000, enterrado sob dois metros e meio de areia e lodo, que o conservaram para a posteridade, mais as ossadas do Tenente Dixon e dos seus sete tripulantes.
Os destroços do Hunley sendo resgatados em 2000
Muita especulação existe em torno do que sucedeu com o submarino que não regressou de sua missão. Em geral, as teorias mais aceitas são:
1) A força da explosão da bomba, cravada no casco do USS Housatonic, pode ter danificado os componentes do submarino, a ponto de ficar parcialmente não operacional;
2) Com o esforço realizado pela tripulação do Hunley os níveis de dióxido de carbono podem ter aumentado a níveis que fizesse os tripulantes desmaiarem, fato bem possível de ter acontecido, pois, quando da escavação no Hunley, as ossadas dos tripulantes encontravam-se tombadas sobre a manivela, o que é consistente com a teoria de terem desmaiado em plena atividade;
3) Outra hipótese é a de que, na explosão, o casco tenha ficado danificado, a ponto de permitir a entrada de água no casco, mas que deu tempo para a tripulação fazer o sinal de confirmação com a lâmpada de magnésio, e;
4) Uma inundação repentina, pela falha dos tanques de lastro por exemplo, que fizesse com que o Hunley mergulhasse a pique, e que afogasse os seus tripulantes.
O submarino CSS Hunley em exposição, após ter sido recuperado e restaurado
Controvérsias históricas a parte, o fato é que o CSS Hunley foi o primeiro submarino a afundar um navio de guerra em combate. Apesar de sua perda, o conceito de uma embarcação que poderia submergir para o ataque fora provado e, nas duas guerras mundiais do século XX, o submarino desempenharia papel essencial na luta pelo domínio do poder marítimo.
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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Coonestando a Ilegalidade

por Marco Antonio Felício da Silva
Surpreendentemente, a Imprensa noticiou encontro realizado, sob rigoroso sigilo, em dezembro passado, por iniciativa do Ministro da Defesa, entre os comandantes da Marinha, do Exército, e da Aeronáutica, com representantes da famigerada “Comissão da Verdade”. Os assuntos tratados foram tornados públicos, em entrevista a O Globo, pelo coordenador Claudio Fonteles, que falou pelos militares, lamentavelmente, e pela “Comissão”.
A posição colaborativa dos comandantes militares, segundo o publicado, demonstra, indubitavelmente, que tais comandantes inexplicavelmente, coonestam as ações de uma comissão que afronta o Estado Democrático de Direito, não cumprindo, ela, o que a lei determina, por viés ideológico, ações essas que vão além do espaço em que age a própria “Comissão” como o apoio aos violentos e criminosos “escrachos”.
Sem qualquer dúvida, os "escrachos" traduzem ilegalidade inaceitável, um acinte aos direitos individuais, podendo, a qualquer momento, levar a uma tragédia anunciada.
Assim, há que ressaltar que os integrantes da “Comissão” violam a lei que a criou por não satisfazerem o seu artigo 2º, o que estabelece as credenciais básicas para os seus componentes, entre elas a isenção política, a defesa da verdadeira democracia e dos direitos humanos.
As afrontas à lei em tela iniciaram-se quando o Sr. Gilson Dipp e um de seus auxilares, o advogado José Carlos Dias, ao assumirem os respectivos cargos, afirmaram, publicamente, que caberia à “Comissão da Verdade” ouvir e investigar os dois lados, agentes do Estado e guerrilheiros e terroristas subversivos, que cometeram supostamente os crimes capitulados na lei que a criou. Entretanto, no dia 12 de Junho de 2012, à página 11, do Caderno O País, do Jornal O Globo, o Sr. Gilson Dipp afirmou que “o caráter da Comissão da Verdade será o de apurar os crimes cometidos pelo Estado e não os dois lados do conflito durante o regime militar: — Quais os dois lados? Vamos procurar as graves violações aos direitos humanos. Quem comete graves violações? A lei diz isso (que se trata de violações do Estado)”. O Sr. José Carlos Dias o acompanhou nas afirmações acima.
Ambos se acovardaram diante das declarações dos demais membros, pois, a lei se refere apenas às graves violações dos direitos humanos, sem particularizar os agentes do estado como os passíveis de investigação. Diz a lei em seu artigo primeiro: 
Art. 1º Fica criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, a Comissão Nacional da Verdade, com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional.
Aliás, o tema já havia provocado, no governo anterior, embates entre o ex- ministro da Defesa e ex-Presidente do STF, Nelson Jobim, com o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. O ex-ministro Jobim não aceitava e recriminava a possibilidade de a dita “Comissão” investigar apenas os crimes cometidos por Agentes do Estado (militares) e ameaçou pedir demissão do cargo se o seu ponto de vista não fosse o acordado, o que finalmente ficou assentado com o apoio dos atuais comandantes militares os quais, hoje, não fazem qualquer objeção à deformada e ilegal leitura da lei.
Há que enfatizar que metade dos crimes da chamada esquerda, cerca de mais de meia centena, não tem autoria definida, sendo que a lista respectiva foi encaminhada aos membros da “Comissão da Verdade” para apuração de violações contra direitos humanos.
A ilegalidade se torna, ainda, maior quando a “Comissão da Verdade” resolve “legalizar”, recentemente, sua decisão de realizar investigações somente de agentes públicos e de excluir das apurações os crimes cometidos pelos subversivos, por meio de uma medida administrativa, publicando uma “Resolução”, no Diário Oficial da União.
Claudio Fonteles afirmou, durante a entrevista, terem “colocado com muita clareza que uma experiência ditatorial não pode se repetir no país”.
O jornal ainda transcreveu que os comandantes militares afirmaram que há boa vontade em localizar documentos e o propósito é de colaboração. Segundo eles, não há restrições ao trabalho da comissão e nem resistência a convocações de oficiais do passado para prestarem depoimento ao grupo.
Em vista do acima, não se pode compreender como os comandantes militares são levados a colaborar com a Comissão da Verdade, coonestando ilegalidades, regadas a escrachos, prenhes de viés totalitário, aceitando reprimendas e, ao mesmo tempo, elogios de lobo em pele de cordeiro, visando o esfacelamento da coesão militar.
Não se pode compreender, também, o abandono de subordinados a própria sorte, antigos camaradas que cumpriram a missão recebida com denodo, coragem e brio, hoje alvos da sanha ressentida e ávida de revanche daqueles que, criando uma nova e mentirosa estória, tentam afastar as Forças Armadas do caminho que abrem para a conquista e consolidação do poder, sonhando com uma indesejável “democracia radical” para o nosso País.
Marco Antonio Felício da Silva é Gen Bda

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Compre seu Carro! É Sinal de Status, o Governo Garante e a Petrobrás Implora!

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Só para reforçar a ideia expressa na postagem do dia 21 Ago 2012, publico o vídeo abaixo. É divertido, e instrutivo para nossos novos ricos.

Só para esclarecer: o dólar americano, ontem, estava cotado em R$ 2,07. Multiplique esse valor pelo preço do automóvel (veja o vídeo) e teremos R$ (surpresa!!!). Com esse valor, compramos que tipo de automóvel em Banânia? 
ATUALIZAÇÃO: Lamentavelmente, não sei por qual motivo, o comercial estrelado por Usher, Kate Upton e Willem Dafoe – mais a trilha: Simpathy for The Devil, dos Stones volta e meia some da Internet (é a terceira cópia que publico). Nele, um jovem é tentado pelo diabo – interpretado pelo ator Willem Dafoe – a assinar um contrato “suspeito” enquanto observa a montagem de um outdoor do outro lado da rua do restaurante em que se encontram. Em destaque, a versão sedã do Classe A. Neste intervalo de tempo, o jovem sonha tudo o que seria possível fazer aceitando o "negócio" com o carrão, incluindo participação em festas e acompanhamento de belas mulheres. Antes de “fechar o acordo”, o jovem vê o preço do carro (US$ 29,9 mil, preço de carro médio nos EUA) e desiste da negociação.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Que Tal o Exemplo?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Os Bilionários do PT

Em 1975 a hidrelétrica de Tucuruí, a quarta maior do mundo, começou a ser construída no Pará. Dez anos depois ela foi inaugurada. Foi uma das maiores obras públicas da história do Brasil, a mais cara da Amazônia. Projetada inicialmente para custar 2,1 bilhões de dólares, no final seu valor se multiplicara por cinco, passando de US$ 10 bilhões.
Já a fortuna do dono da empreiteira principal da obra, a Camargo Corrêa, “apenas” dobrou. Em 1975, Sebastião Camargo tinha uma fortuna pessoal calculada em US$ 500 milhões. Dez anos depois ele se tornou o primeiro bilionário brasileiro.
A usina hidrelétrica, que garante 8% de todo consumo de energia do país, com seus quase 200 milhões de habitantes, lhe permitira embolsar meio bilhão de dólares, em valor não atualizado.
Quando se abriu a última década do século XX, as listas das revistas americanas Fortune e Forbes incluíam apenas três bilionários brasileiros: Antonio Ermírio de Moraes, cabeça da principal família de industriais brasileiros, e Roberto Marinho, imperador das comunicações com sua Rede Globo de Televisão, além de Camargo.
Ao final do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, eram oito. Quando Lula passou o bastão presidencial à correligionária, Dilma Roussef, a lista passara a 30. No ano passado chegou a 35. A soma das fortunas individuais desses bilionários equivalia à metade do que amealhou o homem mais rico do planeta.
Por coincidência, o mexicano Carlos Slim, que tem na carteira US$ 69 bilhões, é dono das operadoras de telefonia Claro e Embratel nesse Brasil que se tornou terreno fértil para imensos ganhos pessoais.
Eike Batista, com apenas 55 anos, um jovem na companhia de anciãos podres de rico da seleta confraria, era o cabeça do ranking, em março do ano passado, com seus US$ 34,5 bilhões. Mas ontem seu patrimônio já era de pouco menos da metade, US$ 10,7 bilhões.
Nesse dia 7 ele perdeu US$ 300 milhões com a queda das ações da principal das suas seis empresas de capital aberto, sempre com um X no nome, a OGX. Segundo a agência de notícias americana Bloomberg, ele caiu fora da roda dos 100 homens mais ricos da Terra.
No curso de um ano a OGX, perdeu mais de três quartos do seu valor porque sua produção, depois de tantos anúncios mirabolantes, frustrou todas as expectativas, principalmente a de Eike. Os analistas mais bondosos justificaram a queda contínua e grande do patrimônio do empresário atribuindo-a ao seu excesso de otimismo.
Essa exagerada autoconfiança o teria levado a prever resultados sem base real. Como a de que passaria o mexicano Slim em 2015. A meta já era difícil de alcançar quando seu patrimônio era metade da fortuna do concorrente. Agora é quase sete vezes menor.
Com mais realismo nas suas ações, acreditam esses analistas compreensivos, Eike Batista retomará a roda da fortuna e voltará ao topo. Ele seria a personificação do genuíno ricaço dos tempos do novo trabalhismo no poder, personificado pelo PT.
Ganhou muito dinheiro por ser um autêntico empreendedor, apostar nas riquezas do país, arriscar investimentos na produção e ter uma visão mais ampla e sensível da atividade empresarial. Um bilionário do bem, conforme o jargão maniqueísta dos nossos tempos de retórica de camuflagem. Embora uma das duas empresas que atuam no porto de Açu, a LLX, tenha sido acusada pelo governo do Rio de Janeiro de causar danos ao meio ambiente. E multada.
Por trás da pantomima do marketing, verifica-se que o sucesso começa com boas – ou mesmo privilegiadas, no sentido estritamente técnico da expressão – informações, a maior parte delas proveniente do aparato estatal.
É também na administração pública que esses empreendedores (na Rússia mais diretamente conhecidos por “barões ladrões”, com ênfase nos produtores de petróleo do Mar Cáspio, o equivalente do Pré-Sal dos Eikes Batistas et caterva neste país varonil) vão buscar seus quadros de gestão.
Duplo uso de informações privilegiadas, pois.
No caso de Eike, com a decisiva participação do pai, Eliezer Batista, ex-ministro de vários governos e presidente da ex-estatal Companhia Vale do Rio Doce, artífice de grandes investimentos públicos em logística, infraestrutura e produção, sobretudo de commodities.
A ascensão súbita e exponencial desses ricaços, quando se confronta seus ganhos através da manipulação de papéis com o balanço real de seu ingresso no processo produtivo, expressa uma nova modalidade de associação entre o governo e a iniciativa privada.
Quando se puxa o novelo da trajetória dessas pessoas, quase sempre se chega ao ente estatal. Mas agora com novo discurso, reforçado pelos números de programas assistenciais e de “inclusão social”, que permitiram a milhões de famílias sair da faixa da miséria ou formar um novo tipo de “classe média”, montada não sobre poupança real, mas graças a um endividamento perigoso, precário, uma faca só lâmina, como diria o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto.
Tudo muda para tudo ficar igual. Ao mesmo tempo em que Eike Batista era despejado do arrolamento nobre dos homens mais ricos do planeta, a viúva de Sebastião Camargo, Dirce, pulava à frente do banqueiro Joseph Safra, tornando-se a terceira maior bilionária brasileira.
Dirce? Mas quem é Dirce, devem ter perguntado os atentos leitores do noticiário financeiro. De fato, a viúva do grande empreiteiro, discreta como o marido, deixara os holofotes da imprensa.
Mas a Camargo Corrêa, que ainda hoje, passados quase 40 anos da sua instalação na área, continua a trabalhar (e faturar) no canteiro de obras de Tucuruí, no rio Tocantins, certamente um recorde – ao menos nacional.
E funciona a todo vapor nas novas hidrelétricas de Juruá, no rio Madeira, e de Belo Monte, no Xingu, esta destinada a ocupar o lugar de Tucuruí no ranking das maiores usinas do mundo.
No ano passado essas duas frentes de serviços responderam por 30% dos 17,3 bilhões de faturamento da empresa. Continuará assim pelos próximos anos, um maná tão parecido, na administração petista do Brasil, àquele que os governos militares providenciaram para sua empreiteira favorita. A ditadura virou democracia, mas o dinheiro é o mesmo, embora avolumado na drenagem para mais bolsos privilegiados. A multiplicação dos bilionários bem que podia ser considerada uma das maiores obras do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento (de quem mesmo?).
Fonte:  Yahoo Notícias
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domingo, 10 de fevereiro de 2013

A Pressão Psicológica Sobre os Agentes do Estado


Não estou fazendo a apologia do crime com este texto. Mas não admito que tripudiem as Forças Armadas sem que haja uma resposta à altura. A cada ação corresponde uma reação. Estamos preparados. ‘Eles que venham. Por aqui não passarão!’
por José Geraldo Pimentel
Na luta armada dos anos 64/85 surgiu o emprego da expressão ‘agente do Estado’, aplicada aos elementos que foram designados para dar combate a grupos de indivíduos que desde o início da década de 1960 vinham se preparando para empreender uma luta armada que colocaria o país sob a influência da então toda poderosa URSS. O mundo estava dividido entre o comunismo, liderado pela URSS, e a democracia, política adotada pelos EUA.
Antes da decretação do Ato Institucional nº 5 ocorreu o primeiro atentado praticado pelos comunistas. Aconteceu no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, Pernambuco, quando uma mala explodiu no trajeto em que o candidato à presidência da república, Marechal Costa e Silva, deveria passar. A sorte favoreceu o militar, mas parte da comitiva que o aguardava no aeroporto foi atingida pelo artefato, havendo mortos e feridos.
Os assim chamados agentes do Estado, que viriam substituir a Operação Bandeirante (OBAN), criada para combater atos terroristas que aconteciam principalmente em São Paulo, eram homens mais bem preparados para enfrentar a ação subversiva que campeava pelo país. O Ministro do Exército determinou que nas regiões militares fossem criados grupos de investigação e combate aos subversivos, os chamados Destacamentos de Operações de Informações - Centros de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). Militares das Forças Armadas, assessorados por policiais militares e civis das Forças Auxiliares, logo mostravam serviço, e o país em pouco tempo retornava à normalidade. A violência que resultaria desse confronto, com seqüestros, ciladas, assassinatos, assaltos a bancos e unidades militares, etc., não teve mocinhos e nem bandidos. O número de mortos e desaparecidos de ambos os lados, atesta esta verdade.
Com a decretação da Lei da Anistia, que chegou atendendo além das expectativas - anistia geral, ampla e irrestrita -, segundo vontade do presidente general João Batista Figueiredo, deveria pacificar a nação brasileira. Mas o passar dos anos diria que os derrotados nessa luta, reintegrados à vida política do país, resolveram que deveriam reescrever a história. E estão fazendo com o silêncio obsequioso dos generais que sucederam os homens que lideravam a instituição militar no passado.
O Exército não vai fazer nada!”, declarou o ex comandante do Exército, general Francisco Roberto de Albuquerque, ao ser instado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, notificado pelo Juiz da 23ª Vara Civel de São Paulo que atendia a uma ação movida por parentes de militantes da luta armada que morreram em combate. A covardia e fraca atuação do comandante do Exército favoreceu-lhe o prêmio, ao passar para a reserva, de uma ‘boquinha’ numa das diretorias da Petrobras. Um pró-labore mensal comparável a mais de cinco salários recebidos enquanto esteve na ativa.
A declaração do comandante do Exército abriu as portas para o inicio de uma enxurrada de ações contra os agentes do Estado.
Anos depois uma Comissão Nacional da Verdade seria criada com o aval dos novos comandantes militares, que, ainda, convocaram os presidentes dos Clubes Militares para não se oporem à aprovação do documento no Congresso Nacional. A nova lei deveria esclarecer fatos políticos acontecidos nos anos 64/85. Os sete membros escolhidos para compor a comissão logo mudariam os rumos da lei, e se prenderiam apenas aos fatos ocorridos durante os governos militares; e, ainda, enfocando as investigações exclusivamente em cima dos agentes do Estado. Transformaram a CNV em um tribunal de exceção, cuja finalidade é criar subsídios para modificar a Lei da Anistia e levar ao banco dos réus os que lutaram em defesa da pátria brasileira. A Argentina e o Chile, entre outros países que criaram comissões de investigação, estão aí para mostrar como se condenam militares, muitos à prisões perpétuas.
O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, na primeira reunião entre membros da CNV e das Forças Armadas, declarou:
Não há restrições ao trabalho da comissão e nem resistência a convocações de oficiais do passado para prestarem depoimento ao grupo”.
Ele repetia a covardia de seu antecessor. Ao facilitar a ação dos membros da CNV, quis dizer, em outras palavras, que entregava em uma bandeja de prata os seus companheiros de farda ao inimigo.
O coordenador da comissão Cláudio Fonteles, declarou à imprensa, depois:
Colocamos com muita clareza que uma experiência ditatorial não pode se repetir no país.
As autoridades militares - acovardadas - ouviram caladas e caladas permaneceram, é o que se comenta nos bastidores.
E é aí que eu entro nessa história. Como me sentiria se estivesse na situação dos agentes do Estado, desamparados pelas autoridades militares e vistos com desdém pelos próprios colegas de farda, que desconhecem minimamente os fatos que aconteceram no passado? Sofri ao ver o Coronel Ustra, a vítima preferencial dos comunistas, fazer uma declaração em que teme ter sua casa invadida e ser assassinado, como aconteceu com o ex chefe do DOI-CODI do Rio de Janeiro, coronel Júlio Miguel Molinas Dias. Além do crime, ainda plantaram documentos em sua residência, dizendo terem encontrado provas que indicam que o ex deputado Rubens Paiva foi assassinado dentro de instalações militares.
Eu sofro as dores do mundo. Minhas dores são bem menores do que as que maltratam outras pessoas. Não consigo assimilar como as nossas ‘autoridades do presente’ viram as costas para os seus companheiros de farda que cumpriram ordens superiores e com o risco de suas próprias vidas e de seus familiares, foram à luta e venceram os comunistas. Sem a ação desses bravos companheiros, hoje, provavelmente seríamos uma republiqueta do proletariado à semelhança de Cuba e outros países que seguiram o mesmo caminho orientados pela então URSS. Esses homens salvaram o país, mas não conseguem salvar a si mesmos!
As FFAA nas mãos dos atuais comandantes militares e de alguns generais que se passaram de armas e bagagens para o lado do inimigo, caminham para se transformarem em guardas pretorianas, a serviço dos governantes de plantão. O comandante Militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho, sinalizou nesse sentido. Em declaração numa palestra organizada pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, em São Paulo, foi enfático: "Somos um instrumento do Estado brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente". Essa capitulação o indica como provável substituto do general Enzo Martins Peri no comando do Exército, na reforma que a presidente deverá fazer nas FFAA. O perfil do general Adhemar da Costa Machado Filho o qualifica para integrar os quadros do governo, que se cerca de elementos bajuladores, covardes e pusilânimes!
Quando vejo um membro da Comissão da Verdade usar as câmaras de televisão para dizer que o Exército forja fatos inerentes a desaparecimentos de ex terroristas e ex guerrilheiros, e nenhuma autoridade militar reagir, causa-me mal estar.
O Exército de Caxias está nas mãos de um bando de autoridades militares que confundem covardia com disciplina militar. Omissos, lenientes e traidores; autênticos vendilhões da pátria. Esses chefes militares perderam a dignidade, não respeitam a farda que vestem, e se transformaram em ‘mercadores de medalhas’. Saem por aí tentando agradar aos antigos opositores do regime militar.
Essa derrama de condecorações vem atendendo a toda a malta de bandidos que tomou de assalto o poder. Nenhum bandido travestido de autoridade civil deixou de ser contemplado com o mimo de uma medalha militar. Condecorados ‘por relevantes serviços prestados ao país e às FFAA brasileiras’.
Nossos chefes militares são serviçais e bajuladores por natureza. Aceitam e aplaudem qualquer infâmia que seja imposta às FFAA. Não se sentiram diminuídos, por exemplo, quando o ex ministro da Defesa, Nelson Jobim, nomeou o ex guerrilheiro José Genoino, que lutou contra os militares na Guerrilha do Araguaia, como seu assessor especial, com status maior do que o do próprio ministro chefe do Estado Maior-Conjunto das Forças Armadas. Este cidadão enquanto esteve no Ministério da Defesa foi pródigo em aplaudir punições aplicadas a oficiais generais, como ocorreu com a exoneração do general Maynard Marques de Santa Rosa do Departamento-Geral do Pessoal (DGP). Punição causada pela crítica que o general fez quando da criação da Comissão Nacional da Verdade, chamando-a de ‘Comissão da Calúnia’. O general Santa Rosa foi profético em sua crítica, pois a comissão se transformou num depósito de documentos forjados por criminosos que querem reescrever a história, transformando acontecimentos históricos em parafernálias de mentiras glorificando as ações criminosas dos militantes da luta armada. Os seus atos criminosos querem passar por lutas pela liberdade.
Os homens e mulheres nomeados para compor a comissão não têm preparo profissional para esclarecer fatos históricos, desviando as normas prescritas na lei, para atender aos caprichos menores de suas vocações subversivas às quais se prendem por laços de amizade e serviços prestados a ‘cumpanheros’ presos na repressão militar. São imorais e capciosos. Seriam melhor aproveitados se tivessem sido nomeados para fazer um levantamento das condições carcerárias dos presídios do país; porquanto eles conhecem bem a atividade de advogados de porta de xadrez.
Só encontro um caminho para proteger a integridade física e moral dos agentes do Estado. Partir para o confronto. Tenho por leme que a maior defesa é o ataque! Não adianta ir atrás de advogado, quando os salários mal dão para cobrir os orçamentos familiares. Procurar a Assistência Juridica/JC, que amealha uma quantia descontada no contracheque, é perder tempo. “Não movemos ação contra o Estado (FFAA), não tratamos de ação imobiliária.” Se for tratar de questão familiar criam o maior problema! Essa banca de advocacia e nada, é a mesma coisa! Não funciona!
Ir à luta! Quem sabe no futuro os agentes do Estado serão reconhecidos, e receberão a mesma atenção dos ex terroristas e ex guerrilheiros, que hoje são tratados como heróis nacionais e gozam do privilégio de receberem indenizações e pensões milionárias, sem descontar Imposto de Renda! Os trabalhadores e todos os cidadãos que produzem, pagam Imposto de Renda.
Eu embora seja aparentemente explosivo, sou pacato por natureza. Sou incapaz de matar um animal, qualquer que seja, mas não titubearia em praticar uma desdita se uma vadia de uma ministra chefe da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, uma diretora de ONG como a cretina que tentou me enquadrar na lei porque chamei a Comissão da Verdade, de ‘Comissão da Calúnia’, quaisquer dos membros dessa comissão, ou um procurador comuna, - se atrevesse entrar em minha casa, comandando um grupo de policiais para apreender documentos. Eu cortaria a garganta do (a) infeliz e socaria a testa para que a cabeça se desprendesse do tronco. O faria sem dó e arrependimento.
Alguém precisa dar uma demonstração de força, repelindo as investidas da ‘comissão da calúnia‘, e de promotores públicos que se prestam ao papel de advogar familiares de bandidos.
Não consigo assimilar que as autoridades militares calem diante de secretarias e ONGs ditas de direitos humanos.
As nossas autoridades militares têm muito de prostitutas de bordéis de beira de estrada: apanham e gostam. São tratadas como cachorros, e agem como tal! Perdem a essência do soldado quando colocam no ombro uma estrela de general!
Repito o que tenho dito ultimamente. Não se deve atender a chamados de ‘comissão da calúnia’, nem de procuradores públicos. Esses senhores e senhoras não respeitam a instituição militar.
Se algum agente do Estado conservar em seu poder documentos ou informações que levem ao paradeiro de militantes da luta armada mortos ou desaparecidos em combate, que os destruam; e jamais dêem a chance que seus corpos sejam encontrados e nem revelado como foram executados. Esses assassinos mortos, - terroristas e guerrilheiros, - não merecem compaixão, pois traíram o país e os familiares. Que os seus restos mortais descansem em paz nos jazigos dos impuros!
A maioria dos agentes do Estado já passou dos setenta anos de idade. Muitos são octogenários, vivem em cadeiras de roda, assistidos por enfermeiras. A ‘comissão da calúnia’ corre o risco de não encontrar quem levar aos tribunais, morrendo na praia.
Mesmo ‘para lá de Bagdá’, os nossos guerreiros não se separam de suas pistolas de 9mm que mantém coladas ao corpo, prontos para receber os recalcados com pompa e circunstância. Eu sugeria aos familiares dos nossos bravos guerreiros que os defendam, como eles defenderam a pátria comum. Não permitam que o seu sossego seja perturbado com a presença de um oficial de justiça, intimando-os para comparecer em uma comissão ou promotoria pública. O caminho é o mesmo: recebam os paus mandados com uma rajada de tiros, principalmente se estiver presente um membro da comissão ou um procurador público. A porta do inferno é a serventia dos fariseus!
O segundo ponto que se deve levar em consideração é a ousadia de quantos se julgam senhores da terra e acham que podem desmoralizar as FFAA e Forças Auxiliares, impunemente. Que o pessoal da ativa, da reserva e reformado, organizem grupos de investigação para fazer um mapeamento desses bastardos. Deve-se realizar uma faxina étnica, se acontecer um novo confronto. Que não se repita a ‘ditadura branda’ do passado! Che Guevara, o ídolo da esquerda festiva, ensinou o caminho das pedras! É vencer e vencer, e seguir o seu exemplo!
José Geraldo Pimentel
Cap Ref EB
Rio de Janeiro, 07 de fevereiro de 2013.
Fonte: recebido por mensagem eletrônica

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Claudio Fonteles e o Caso Rubens Paiva

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No dia 4 Fev, segunda-feira passada, foi divulgado um relatório escrito pelo presidente da Comissão Nacional da meia-Verdade, Claudio Fonteles a respeito do desaparecimento do deputado Rubens Paiva. 
Paiva foi preso em casa, no dia 20 Jan 71, por soldados da Aeronáutica. Desde então, está desaparecido. A versão oficial é a de que ele teria desaparecido em uma suposta operação de resgate organizada por militantes de esquerda.
No relatório, o ex-procurador-geral da República acredita apresentar subsídios suficientes para desacreditar o que chama de "mirabolante farsa" produzida pelo "Estado Ditatorial Militar". 
A assertiva é feita partir de um suposto "informe" do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e de uma relação de materiais pertencentes ao deputado, que foi encontrada com outros documentos, curiosamente, na residência do coronel reformado Julio Miguel Molina Dias, assassinado em Porto Alegre em 1º Set 12. 
Digo curiosamente por que o militar foi morto na rua mas, contrariando a prática, foi feita uma "busca" de indícios dentro de sua casa. Tal busca deveria ter sido feita pelo delegado chefe da investigação, seus assistentes imediatos e peritos do IGP (Instituto-Geral de Perícias). O isolamento do local deveria ter sido feito pela Brigada Militar e ninguém mais deveria ter acesso ao mesmo, a não ser depois do trabalho legal ser encerrado. Na ampla divulgação que a imprensa fez sobre a ação policial na casa do coronel, nem brigadianos nem peritos são citados. Por isso, não se sabe onde estavam exatamente, os documentos, se num cofre, se numa pasta preta, se numa prateleira, se numa gaveta chaveada, se no armário da cozinha, se em meio a um álbum de recordações. Nada disso está definido. Mas ficou claro que um repórter, possivelmente convidado especial folheou os documentos, junto com o delegado, sem a presença de peritos. Reforçando o ineditismo da "busca" em que foram encontrados os documentos comprometedores, cerca de vinte armas existentes no imóvel não foram confiscadas, tendo a "apreensão" se limitado aos documentos. Posteriormente, o Exército realizou o recolhimento das armas e dois policiais-militares foram presos, acusados pela morte atribuída a um assalto mal sucedido - e não se falou mais no assunto.
Dos documentos recolhidos na casa do militar assassinado, o destaque maior - e por que não dizer único - foi dado a uma relação de pertences do político desaparecido, que "registra ter sido encaminhado pelo QG-3, equipe CISAer, aos 21 de janeiro de 1971, Rubens Beyrodt Paiva". Até aí, nada de novo, aparentemente ninguém nega a prisão feita no dia 20/01/71 pela Aeronáutica e a "transferência" do preso para o Exército no dia seguinte.
A principal alegação de Claudio Fonteles para desacreditar a versão oficial sobre Rubens Paiva é o documento identificado como "Informe 70 do SNI", com data de 25 Jan 71, supostamente transcrito nas páginas 1 e 2 do relatório. Não se pode afirmar com certeza sobre o texto do "informe" pois uma cópia da relação de bens pessoais de Rubens Paiva é mostrada na página da CNV, mas o tal "Informe 70" não é mostrado. Porém, consta que ele é datado de 25/1/71 e trata sobre a prisão de Rubens Paiva no dia 20/1/71, e que "nada diz sobre a fuga/seqüestro de Paiva, que teria ocorrido em 22 de janeiro". 
Ora, se o assunto é a "prisão" de Cecília de Barros Correia Viveiros de Castro e Marilene de Lima Corona, por conduzirem cartas de asilados políticos para o ex-deputado, cuja prisão também é relatada, não há por que o documento citar a "fuga" posterior de um dos presos. Relatos oficiais desse tipo se restringem ao assunto original, e o "resgate" deve ter sido objeto de outro documento. Esse era o "procedimento padrão". 
Há que se considerar que à época não havia as facilidades da informática e muitos documentos eram redigidos posteriormente aos fatos com a finalidade de mante-los registrados. Além do mais, se o documento foi redigido pelo SNI, há que se descontar os prazos de trâmites burocráticos da época - que se mantém nos dias atuais - entre a saída de um informe de um órgão, no caso o Exército e seu processamento por outro, o SNI. Hoje em dia, apesar dos recursos tecnológicos, vemos a mídia agir dessa mesma forma, noticiando fatos com defasagem até de dias. 
O texto também leva em consideração, os depoimentos das mulheres presas e o depoimento do médico Amilcar Lobo (já falecido), prestado à Polícia Federal em 1986, que alegam terem visto o político torturado nas dependências militares - a isenção desses depoimentos nunca é questionada.
Assim, temos que, para Claudio Fonteles depoimentos de pessoas envolvidas ideológica e emocionalmente - e por que não dizer financeiramente -, com o caso, aliados à redação tardia de um documento servem perfeitamente para desacreditar a versão oficial fundamentada em documentação (sindicância) regular.
Abstraindo-se opiniões vinculadas a crenças políticas, acredito ser terrível e injusta a dor dos familiares do deputado Rubem Paiva por estarem há tanto tempo sem uma certeza sobre o que aconteceu com ele e penso que o ideal seria o total esclarecimento desse fato, mas isso deve ocorrer de forma minimamente lógica e honesta. Não é isso o que se encontra no "relatório" de Claudio Fonteles que, ao invés de demonstrar uma busca efetiva pela verdade mais parece uma forma de "mostrar serviço", procurando justificar e espetacularizar a existência da comissão por ele chefiada.
Fico com a impressão reforçada de que o sr Claudio Fonteles não passa de um fanfarrão!
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Silêncio dos Soldados

por Guilherme Socias Villela*
É notório que os poderes do Estado brasileiro, em toda a sua existência, têm revelado notáveis conflitos políticos. Ocorre que suas instituições tradicionais têm mostrado incapacidade de superar crises políticas nacionais — inclusive, e principalmente, nas crises germinadas em ideologias que geram devaneios ou paixões e emoções — indissociáveis da condição humana.
Nos cerca de 70 anos da monarquia brasileira, esses conflitos políticos foram, de alguma forma, amenizados por certo poder moderador — exercido pela autoridade moral do seu último imperador. Todavia, no período republicano brasileiro, é reconhecido que esse poder moderador, nas crises políticas nacionais, tem sido exercido pelas Forças Armadas — convocadas nos momentos, anteriores ou posteriores, ao que poderiam ser denominados "sistólicos" da vida política brasileira.
Golpe. Contragolpe. Revolução. Dê-se-lhe o nome que se queira dar ao movimento político, econômico, psicossocial e militar brasileiro de 1964 — ocorrido num mundo em que predominava a Guerra Fria. Rigorosamente, do ponto de vista histórico, esse movimento ainda está para ser interpretado.
(Historiadores franceses clássicos recomendavam que não se fizesse história depois da era napoleônica — segundo eles, para que não se perdesse a "perspectiva histórica". A propósito, ultimamente, no Rio Grande do Sul, quase dois séculos depois, a própria história da Revolução Farroupilha vem sendo revisada.)
Uma das consequências do movimento de 1964 ainda hoje pode ser observada: o prestígio das Forças Armadas nacionais está danificado. É como se a nação houvesse olvidado sua participação na independência brasileira; na Guerra do Prata; na Guerra do Paraguai; na atuação da Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial; no desempenho militar da Marinha de Guerra  a mais antiga das armas nacionais; além da defesa aeroespacial do território nacional  exercida pela Força Aérea Brasileira. E, não menos importante, a participação das Forças Armadas nos programas de saúde e educação realizados nos mais recônditos e desprovidos lugares do território nacional; na sua presença em missões de paz em alguns países latino-americanos; e, ainda, na construção de obras de infraestrutura do país  especialmente rodovias, pontes e ferrovias.
(Recentemente, na reforma do aeroporto de Guarulhos (Cumbica), feita pelo Exército Nacional, as obras foram entregues antes do prazo estipulado no projeto, além de serem devolvidos R$ 150 milhões ao Tesouro Nacional — o que, em matéria de obras públicas, é algo incomum!)
Hoje, infelizmente, a sociedade brasileira assiste, emudecida, à corrupção, aos escândalos, às distorções de conduta, aos subornos, à falsidade e à falta de compostura política  e tudo que faz sentir os primeiros "perfumes" da gradativa putrefação de uma sociedade doente.
A propósito, é indispensável lembrar que o militar brasileiro, ao revés  no poder ou fora dele , sempre tem conduta exemplar. Sua formação, da escola à caserna, está norteada para a devoção à pátria; para a integridade e para a honestidade pessoais; para a ética; para a hierarquia; para a ordem; e por valores éticos orientadores do seu comportamento moral, pelo resto da vida  motivo pelo qual, hoje, não tendo sido convocado, pode ser entendido o seu silêncio.
*Economista, ex-professor universitário
COMENTO: o autor do texto aparentemente desconhece os resultados de recentes pesquisas de opinião pública sobre confiança nas instituições brasileiras, onde as Forças Armadas sempre estão nos primeiros postos de confiabilidade. Exatamente pelo seu grau de profissionalismo e dedicação à Pátria e não a Governos.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Vítimas do Terrorismo - Fevereiros

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Neste fevereiro de 2013, reverenciamos a todos os que, em fevereiros passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país.
Nestes tempos de esperança, cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.
A lembrança deles não nos motiva ao ódio e nem mesmo à contestação aos homens e agremiações alçados ao poder em decorrência de um processo político legítimo. Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.
20/02/70 – Antônio Aparecido Posso Nogueró (sargento PM – São Paulo) 
Morto pelo terrorista da VPR Antônio Raimundo de Lucena quando tentava impedir um ato terrorista no Jardim Cerejeiras, Atibaia/SP.
12/02/71 – Américo Cassiolato (Soldado PM – São Paulo) 
Morto por terroristas em Pirapora do Bom Jesus.
28/02/71 – Fernando Pereira (Comerciário – Rio de Janeiro ) 
Morto por terroristas quando tentava impedir um assalto ao estabelecimento “Casa do Arroz”, do qual era gerente.
01/02/72 – Iris do Amaral (Civil – Rio de janeiro) 
Morta durante um tiroteio entre terroristas da ALN e policiais. Ficaram feridos nesta ação os civis Marino Floriano Sanchez, Romeu Silva, Altamiro Firezo, Irene Dias (na época com oito anos) e Rodolfo Archmman.
Autores: Flávio Augusto Neves Leão Salles (“Rogério”, “Bibico”) e Antônio Carlos Nogueira Cabral (“Chico”, “Alfredo”), ambos da ALN. A família de Antonio Carlos Nogueira Cabral foi indenizada de acordo com a Lei 9140/95.
05/02/72 – David A. Cuthberg (Marinheiro inglês – Rio de Janeiro) 
A respeito desse assassinato, sob o título “REPULSA” o jornal “O Globo”, do Rio de Janeiro, publicou:
Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil. Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi que se encontrava. Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para, logo em seguida, completar a infâmia, despejando sobre o corpo, ainda palpitante, panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra jovem inocente, em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos”.
A ação criminosa, tachada como “justiçamento”, foi praticada pelos seguintes terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações comunistas:
- Adair Gonçalves Reis (“Elber”, “Leônidas”, “Sorriso”) – ALN;
- Antônio Carlos Nogueira Cabral (“Chico”, “Alfredo”) – ALN.(família indenizada de acordo com a Lei 9140/95);
- Aurora Maria Nascimento Furtado (“Márcia”, “Rita”) – ALN (família indenizada de acordo com a Lei 9140/95);
Carlos Alberto Salles (“Soldado”) – VAR-PALMARES;
- Flávio Augusto Neves Leão Salles (“Rogério”, “Bibico”), da ALN, que efetuou os disparos com a metralhadora;
- Getúlio de Oliveira Cabral (“Gogó”, “Soares”, “Gustavo”) – PCBR (família indenizada de acordo com a Lei 9140/95);
- Hélio Silva (“Anastácio”, “Nadinho”) – VAR-PALMARES; 
- James Allen Luz; e
- Lígia Maria Salgado da Nóbrega (“Ana”, “Célia”, “Cecília”), da VAR PALMARES, que jogou os panfletos que falavam em vingança contra os “Imperialistas Ingleses”.(família indenizada de acordo com a Lei 9140/95).
18/02/72 – Benedito Monteiro da Silva (Cabo PM – São Paulo) 
Morto quando tentava evitar um assalto terrorista a uma agencia bancária em Santa Cruz do Rio Pardo.
27/02/72 – Napoleão Felipe Bertolane Biscaldi (Civil – São Paulo) 
Morto durante um tiroteio entre os terroristas Lauriberto José Reyes (família indenizada de acordo com a Lei 9140/95) e José Ibsem Veroes com policiais, na rua Serra de Botucatu, no bairro Tatuapé. Nesta ação um policial foi ferido a tiros de metralhadoras por Lauriberto. Os dois terroristas morreram no local.
28/02/72 – Luzimar Machado de Oliveira (Soldado PM – Goiás) 
O terrorista Arno Preiss encontrava-se na cidade de Paraiso do Norte, que estava incluída dentro de esquema de trabalho de campo do MOLIPO. Usava o nome falso de Patrick McBundy Comick. Arno tentou entrar com sua documentação falsa no baile carnavalesco do clube social da cidade. Sua documentação levantou suspeita nos policiais, que o convidaram a comparecer à delegacia local. Ao deixar o clube, julgando-se desmascarado, Arno sacou seu revólver e disparou à queima roupa contra os policiais, matando o PM Luzimar Machado de Oliveira e ferindo gravemente o outro PM que o conduzia, Gentil Ferreira Mano.
Protegido pela escuridão, Arno homiziou-se num matagal, sendo entretanto localizado por populares que, indignados, auxiliavam a polícia. Arno travou, ainda, intenso tiroteio com seus perseguidores, antes de tombar sem vida. Com dificuldade, a polícia impediu a violação do corpo.
21/02/73 – Manoel Henrique de Oliveira (Comerciante – São Paulo) 
No dia 14 de junho de 1972, as equipes do DOI de São Paulo, como já faziam há vários dias, estavam seguindo quatro terroristas da ALN que resolveram almoçar no restaurante Varela, no bairro da Mooca. Quando eles saíram do restaurante, receberam voz de prisão e reagindo desencadearam tiroteio com os policiais. Ao final, três terroristas estavam mortos e um conseguiu fugir.
Erroneamente, a ALN atribuiu a morte de seus três companheiros à delação de um dos proprietários do restaurante e decidiu justiçá-lo.
O comando “Aurora Maria do Nascimento Furtado” constituído por Arnaldo Cardoso Rocha (família indenizada de acordo com a Lei 9140/95), Francisco Emanuel Penteado (família indenizada de acordo com a Lei 9140/95), Francisco Seiko Okama (família indenizada de acordo com a Lei 9140/95) e Ronaldo Mouth Queiroz (família indenizada de acordo com a Lei 9140/95), foi encarregado da missão e assassinou no dia 21 de fevereiro o comerciante Manoel Henrique de Oliveira, que foi metralhado sem que pudesse esboçar um gesto de defesa. Seu corpo foi coberto por panfletos da ALN, impressos no Centro de Orientação Estudantil da USP, por interveniência do militante Paulo Frateschi. Manoel Henrique deixou além de sua esposa, duas crianças pequenas, desamparadas, que aguardam uma indenização do governo.
22/02/73 – Pedro Américo Mota Garcia (civil – Rio de Janeiro) 
Por vingança foi “justiçado” por terroristas por haver impedido um assalto contra uma agência da Caixa.
25/02/73 – Octávio Gonçalves Moreira Júnior (Delegado de polícia – São Paulo) 
Com a tentativa de intimidar os integrantes dos órgãos de repressão, um “Tribunal Popular Revolucionário” decidiu “justiçar” um membro do DOI/CODI/II Exército.
O escolhido foi o delegado de polícia, Dr. Octávio Gonçalves Moreira Júnior que viajava, seguidamente de São Paulo para o Rio de Janeiro, onde estava noivo.
O levantamento de sua vida no Rio de Janeiro foi feito pela terrorista Bete Chachamovitz, da ALN, que repassava todos os dados para um comando terrorista chamado “Getúlio de Oliveira Cabral”.
No dia 23/02/73, o Dr. Octávio viajou de São Paulo para o Rio de Janeiro e Bete avisou o comando terrorista da chegada do delegado. Ficou decidido que iriam executá-lo no dia seguinte.
No domingo, dia 25, o Dr. Octávio foi à praia em Copacabana, e depois almoçou com um amigo. Quando voltava do almoço, Bete fez o reconhecimento visual do delegado e o apontou para os seus assassinos que se encontravam num automóvel estacionado na esquina da Avenida Atlântica com a rua República do Peru.
Do carro saltaram três terroristas. Um deles trazia uma esteira de praia, enrolada debaixo do braço. Dentro da esteira uma carabina calibre 12. Um dos assassinos deu o primeiro tiro nas costas, derrubando-o e atirando-o a alguns metros de distância. Um segundo atirou perfurando seu pulso direito e enquanto que o terceiro assassino aproximou-se e deu-lhe dois tiros no rosto com uma pistola 9mm. O Dr. Octávio morreu instantaneamente.
O comando terrorista seguiu à risca o ensinamento do manual de Carlos Marighela que afirma: “guerrilheiros não matam por raiva, nem por impulso, pressa ou improvisação. Matam com naturalidade. Não interessa o cadáver, mas seu impacto sobre o público”.
O comando terrorista que assassinou o Dr. Octávio estava assim constituído:
- Bete Chachamovitz – ALN;
- Flávio Augusto Neves Leão Salles (“Rogério”) – ALN;
- James Allen Luz (“Ciro”) – VAR PALMARES;
- José Carlos da Costa (“Baiano”) – VAR-PALMARES;
- Merival Araújo (“Zé”) – ALN (família indenizada de acordo com a Lei 9140/95);
- Ramires Maranhão do Vale (“Adalberto”) – PCBR;
- Ranúsia Alves Rodrigues (“Florinda”) – PCBR (família  indenizada  de  acordo  com  a  Lei  9140/95); e
- Tomaz Antônio da Silva Meirelles Netto (“Luiz”) – ALN.
Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Texto adaptado de: A Verdade Sufocada
COMENTO: por uma questão de justiça, também lembrarei aqui alguns membros de organizações terroristas que foram "justiçados" por seus companheiros de luta. Para isso, reproduzo um desses "justiçamentos",  ocorrido numa noite qualquer de fevereiro de 1971, conforme relatado no Projeto Orvil, denominado pela imprensa como o livro secreto do CIE. Em suas páginas 658 e 659 podemos ler:
A AP condena e executa Antonio Lourenço
Fevereiro de 1971, cerca de oito horas da noite. 
A tortuosa trilha que conduzia da localidade de Santa Filomena à localidade de Bacabeira, no município de Pindaré-Mirim, no Maranhão, ao invés das promessas de um encontro amoroso, traria a morte inesperada e violenta a "Fernando”, nome de guerra do militante da AP, Antonio Lourenço
Antonio Lourenço não foi vitima de um assalto ou de uma ação de vingança pessoal. A AP, olvidando sua origem católica e seu idealismo humanista, condenara "Fernando" a morte. A desdita de "Fernando" foi ter sido preso e retornado à militância, o que o colocou sob suspeita de ser um agente policial. 
O Comitê Regional da 8ª Região, coordenador das atividades da AP nos Estados do Maranhão e Piauí foi o responsável pela condenação de Antonio Lourenço. Esse CR-8, constituído a partir de dezembro de 1970, era composto pelos militantes Rogério Dolne Lustosa que usava, também, o nome frio de José Severino Nascimento e mais seis militantes [Maria Dolores Pereira Bahia, Manoel da Conceição Santos, Ana Maria Gonzaga, Antonio Lisboa Rodrigues Brito, Carlos Fernando da Rocha Medeiros Luis Morais dos Santos]
O assassinato foi planejado pelo comitê seccional de Santa Inês, subordinado ao CR-8. Luzia Saraiva Lima, membro do comitê, seduziu Antonio Lourenço com promessas de amor e o conduziu para a trilha onde já se encontrava um grupo chefiado por Ana Maria GonzagaO grupo era constituído por Joaquim Matias Neto, Antonio Lisboa Rodrigues Brito, Deoclécio Ramos Tavares, João Batista, Francisco Vitório dos Santos e um agricultor de Bacabeira conhecido como "Chico Brabo". Um outro grupo, constituído por Luís Morais dos Santos, Antonio Pereira Campos, Antonio Moralino, "Osmar" e um camponês de Santa Filomena, postou-se em outra estrada, visualizando uma alternativa, caso o "casal de amantes” optasse por outro caminho. 
Antonio Lourenço e Luzia tomaram a trilha que conduzia a Bacabeira, sendo “surpreendidos” pelo primeiro grupo que lá se colocara. Antonio Lisboa Brito deu um tiro de rifle 44 na barriga de Antonio, que, aturdido e sem entender sua sina, levou um segundo tiro, de revólver 38, de Joaquim Matias Neto, caindo ao solo. Ato contínuo, todos os participantes do grupo caíram sobre o condenado, estrangulando-o e trucidando-o a porretadas até a morte. 
Restava dar sumiço ao corpo. O cortejo macabro levou os despojos de "Fernando" para a "roça" de Antonio Lisboa, onde foram colocados numa cova, cobertos com palha e incendiados. Após cobrirem a sepultura, resolveram disfarçar o improvisado jazigo plantando feijão sobre ele. 
A terra, adubada com os restos de Antonio Lourenço, continuou, indiferente aos desígnios vingativos da AP, a produzir feijão. 
A pena de morte, vinculada à Lei de Segurança Nacional constrangia a sociedade e era alvo constante da orquestração comunista, entretanto, utilizada sob o eufemismo de "justiçamento", era aplicada sem o menor embaraço, a qualquer suspeita não comprovada que pudesse colocar em risco a "causa revolucionária". Assustadora é a coerência comunista. - Projeto Orvil, pag 658/659.

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