sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Geolocalização de um Lançamento de Míssil

por Marc Català 
Em setembro de 2021, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico desde um trem. Neste trabalho, os conhecimentos de OSINT (Open Source Intelligence ou Inteligência de Fontes Abertas) são utilizados para localizar de onde foi feito o lançamento. Assim, mostra-se que o campo OSINT está disponível para todos.

OSINT está na moda.
Muitos profissionais ligados a Segurança, Inteligência, Jornalismo e Tecnologia estão continuamente em busca das melhores técnicas e ferramentas de OSINT. E eles não estão muito longe do rumo correto.
Na era da informação, das redes sociais, da digitalização massiva, da Internet de Todas as Coisas e da transparência, quem sabe obter informação de fontes abertas tem muito a ganhar a nível pessoal e profissional.
Inclusive, ao combinarmos Investigação Online OSINT com a Análise IMINT (Imagens de Inteligência) e o reconhecimento e identificação de material militar, investigações e análises avançadas podem ser realizadas, como a descrita abaixo.
Este trabalho, realizado por Marc Català, analista internacional e aluno do LISA Institute habilitado no Curso de Analista Internacional, demonstra como OSINT e IMINT estão disponíveis para todos.

Análise do vídeo
Nesta seção, é realizada uma análise IMINT (ou Image Intelligence) do vídeo transmitido pela rede de televisão estatal KCNA em que é mostrado o lançamento do míssil, que pode ser visto aqui.
A primeira coisa que se vê é que estamos em um ambiente quase sem civilização, especificamente em um pequeno vale entre duas montanhas de pouca altitude (1-vermelho). Ao fundo vemos a silhueta de uma serra que poderia nos ajudar a encontrar o local (2-vermelho) e que o céu está muito nublado, embora não chova (3-vermelho).
Observamos como se destacam dois elementos-chave da ferrovia: um túnel (de onde sai o trem) (1-azul) e uma única via (2-azul). Destaca-se a presença de uma torre de alta tensão à direita (1-amarelo). Por fim, destaco duas curiosidades: um artefato, reto como um poste, sobre o túnel (1-roxo) e uma superfície sem vegetação com estrutura de madeira artificial e outro de pedra (2-roxo).
Deste ângulo, podemos ver melhor o lado esquerdo da estrada. Duas coisas se destacam: uma clareira a apenas 20 metros da pista (1-vermelho) e que a montanha do túnel não está completamente coberta de vegetação, mas tem paredes rochosas (2-vermelho). Uma das curiosidades dessa imagem é que o trem anda para trás (1-azul).
Talvez o aspecto mais significativo aqui seja o aparecimento de um poste elétrico no lado direito da pista (1-amarelo), o que indica que esta linha não é eletrificada, pois não é uma catenária e vemos como os cabos sobem a montanha em vez de passar pelo túnel (2-amarelo). A torre de alta tensão ainda é visível deste ângulo (3-amarelo). O que parece um caminho aparece logo à direita da ferrovia e sobe a montanha (1-roxo).
Visto do outro ângulo, vemos como o vale, embora pequeno, existe junto com a planície (1-vermelha). A existência do caminho possível mencionado acima se materializa (2-vermelho), explicando o método de como esses trabalhadores subiram no topo do túnel (3-vermelho). É impressionante que, ao fundo, se vejam duas superfícies que contrastam com a cor escura da montanha, que pode ser um lago, uma enseada ou uma urbanização (4-vermelho) e (5-vermelho). Vale a pena notar a presença de um corpo estranho formado por, possivelmente, dois tubos que talvez formem uma fonte no início do caminho (1-roxo).
A vista de cima revela outra característica distintiva que pode ser útil: uma grande planície no fundo do vale à esquerda da estrada (1-vermelho). Enquanto isso, verificamos que a linha de transmissão não está a serviço da ferrovia (1-amarelo), pois os cabos que saem do posto tomam outra direção ao se aproximar do túnel e, além disso, o trem não possui conectores superiores (porque, como é lógico, dificultaria o lançamento dos mísseis) (1-azul). Por fim, ainda não conseguimos descobrir o que é a "estátua" de dois tubos, mas esse ângulo nos dá uma visão mais privilegiada do que parece ser um pequeno monumento (1-roxo).
Partindo do lado esquerdo da estrada (tomando como ponto de referência o lado oposto ao túnel [o direito nesta foto]), a existência do referido vale é muito mais pronunciada, notando-se como ambas as montanhas descem drasticamente para um fundo que, agora, não vemos (1-vermelho). A fiação elétrica (1-amarelo) fica muito mais visível agora, confirmando que se estende ao longo da pista. Por fim, o carro de transporte dá-nos uma informação muito importante, a sua identificação (1-azul). Embora não seja muito visível, os últimos 6 caracteres correspondem aos números "161597".
Observamos mais de perto os vagões de trem, que agora mostram suas identificações com mais clareza: o ônibus tem o logotipo da Korean State Railways e abaixo dele o código "68-161597" (1-azul), enquanto o vagão da frente tem o mesmo logotipo e abaixo você pode ler "67-151273" (2-azul). Vemos a locomotiva (3-azul) pela primeira vez e, embora apenas parte dela seja visível, podemos começar a adivinhar que tipo de locomotiva foi usada. Por fim, o poste (1-amarelo) pode ser visto com mais detalhes e vemos que é feito de concreto com ranhuras para escalada.
A primeira coisa que se destaca na imagem em termos de terreno é que a encosta esquerda não é um vale que desce até uma planície, mas chega a um ponto onde encontra as duas montanhas (1-vermelho) para depois subir outra montanha (2-vermelho). Também podemos ver a locomotiva quase a 100% (1-azul), podendo afirmar quase exatamente que é uma Classe K-62 Série 600, mas sem poder especificar qual das 64 que o país asiático possui. A fumaça que sai da locomotiva (2-azul), criada a partir da combustão do diesel, confirma isso. Vemos um segundo poste elétrico (1-amarelo) mais para trás e que a fiação elétrica (2-amarelo) segue seu curso junto com a pista. Você pode ver, novamente, o monumento "estranho" à direita (1-roxo). Podemos ver que está a poucos metros da estrada.
Na primeira imagem que temos do túnel (provavelmente da posição dos trabalhadores que estavam acima do túnel na Imagem 3), podemos ver um pequeno mas importante detalhe. Se você olhar para o poste elétrico mais próximo, ele contém uma placa com o número 78 (1-amarelo). Também vemos como o poste mais distante tem outra placa (2-amarela), embora ilegível da nossa posição.
Pode ser o número da linha férrea, mas como não está ligado a ela por meio de catenárias, pode ser a identificação da linha de transmissão. Ainda assim, pode nos dar alguma pista sobre onde estamos. Com referência à Figura 7, caso se confirme que a locomotiva é a proposta, a largura da via (1-azul) não poderia ser diferente de 1.435 mm, padrão universal, reduzindo o campo de busca.
Esta é talvez a cena mais reveladora de todo o vídeo. Começamos pelo poste de luz mencionado anteriormente (1-amarelo), onde se vê novamente a placa com o número 78. Como está dos dois lados, é óbvio pensar, então, que este é o número de identificação do poste na linha de luz e, portanto, descarta-se a hipótese de que o 78 esteja ligado à ferrovia.
O mais importante de todo o vídeo está neste letreiro (1-azul), do lado esquerdo do túnel, onde se lê (ainda que pixelado) "Mundeok". Portanto, assumimos que esta ferrovia, neste sentido, vai para essa cidade. Também vemos como o final do túnel (3-azul) está próximo, portanto é curto. Finalmente, confirmamos que os trabalhadores acima do túnel (1-roxo) estão gravando.
Esta imagem é tremendamente reveladora em termos de terreno. Destacamos como a montanha à direita antes do túnel desliza para baixo (1-vermelho) até chegar a uma planície (um pouco escalonada) sem árvores (2-vermelho). Mais longe, seguindo a mesma linha, surge outra montanha com um declive no mesmo sentido (3-vermelho) e, no final de tudo, avista-se um vale muito maior (4-vermelho), para onde todos estes vales parecem desaguar. A forma lembra uma costela, sendo a estrada o osso central, as montanhas as costelas que levam ao vale distante. O mirante antes do túnel (1-roxo) é muito melhor apreciado, agora com outra visão da estrutura de madeira artificial e com pessoas filmando.
Embora à primeira vista essa imagem não ofereça muita novidade, ela serve para corroborar a teoria da Imagem 10. Os vales que saem da montanha onde está localizada a ferrovia (1-vermelho) ligam-se diretamente a um vale transversal maior do outro lado (2-vermelho).
Este ângulo do túnel, porém mais alto, permite identificar claramente a linha da montanha no horizonte (1-vermelho). Observamos como aparece uma nova torre de alta tensão (1-amarelo), o que significa que a linha de alta tensão segue a direção do vale geral, o mencionado acima. Da mesma forma, vemos como mais postes de baixa tensão (2-amarelo) aparecem ao longo da estrada. Vemos as pessoas no topo do miradouro com a estrutura de madeira artificial (1-roxo).
A visão aérea nos dá uma perspectiva maior quando vamos analisar os dados com o Google Maps ou Google Earth. As duas clareiras em ambos os lados da estrada são claramente visíveis (1-vermelho). O mais interessante desse ponto de vista é que podemos começar a fazer medições, usando a locomotiva como escala. Sabemos que uma Série 600 tem 17,55 metros de comprimento (1-azul). Assim, podemos medir a distância entre os pólos de baixa tensão (1-amarelo), dando-nos aproximadamente duas locomotivas e meia (2-azul) ou quase 44 metros. Podemos fazer o mesmo com o trecho entre o mirante do lado esquerdo da pista e o túnel (1-roxo), que mede seis locomotivas e meia (3-azul) ou 114 metros, aproximadamente.
Esta vista mais distante do miradouro dá-nos uma melhor perspetiva da silhueta da montanha (1-vermelha) que atravessa o túnel. Isso facilitará nosso trabalho quando usarmos o Google Earth. O misterioso poste no topo da referida montanha (1- amarelo) faz sentido, pois é a continuação da linha de baixa tensão que segue a pista, mas sobe a montanha para evitar passar pelo túnel. Vemos à esquerda a torre de alta tensão que vimos anteriormente (2-amarelo).
O ângulo que apreciamos de um ponto alto da montanha para o lado esquerdo da estrada (lembramos sempre que tomamos o lado oposto do túnel como ponto de referência) permite-nos observar uma vista maravilhosa da paisagem montanhosa norte-coreana . Para melhor dividir os achados, o que descobrimos até agora está delineado na forma de linhas e setas de diferentes cores abaixo da linha pontilhada preta.
O que está acima será extremamente útil ao usar o Google Earth e o Google Maps para determinar a área exata do lançamento. Entre todas as silhuetas montanhosas e os vales, detectamos dois possíveis indícios de civilização que contrastam com o verde da vegetação: uma área possivelmente urbanizada no final das grandes montanhas (direita) e duas estranhas figuras brancas não identificadas (esquerda).
Nesta imagem não podemos obter muitas informações, mas é bastante curioso. Primeiro, as letras acima do túnel (1-azul). Anteriormente, vimos como os personagens foram lidos claramente aos 0:08 do vídeo. Por outro lado, o poste mais próximo do túnel (1-amarelo) revela outra pista: um número 79. Ou seja, os postes são, teoricamente, numerados por ordem de colocação e, assim sendo, junto com as medidas que obtivemos acima, podemos conhecer a origem desta linha de energia.
Se retrocedermos o vídeo até o segundo 0:57, pode-se ver como no post anterior (1-amarelo) há uma placa com o número 77. Então, tomando como referência as medidas da Imagem 13, podemos concluir que a fonte de energia desta linha está localizada em aproximadamente 3 km e meio.
O acostamento direito da estrada (2-azul) também é interessante, pois destaca uma pequena mureta e dois pequenos pilares, supostamente para marcar o percurso em tempos antigos. Acima do túnel vemos o cinegrafista (1-roxo) com mais detalhes, mas o mais interessante fica ao lado do poste de energia: um drone (2-roxo) usado para fazer imagens aéreas, que podem ser vistas durante o vídeo e até em transmissões KCNA.
Regressamos a um miradouro junto ao topo do túnel, desta vez com uma vista de cima. Destaco o grande declive da montanha junto à estrada (1-vermelho) porque é a primeira vez que podemos observar o ângulo real desta. Vemos também as silhuetas das montanhas diante do mirante (2-vermelho), que conta com a presença de cinegrafistas (1-roxo), e a serra ao fundo (3-vermelho). Vemos como uma torre de alta tensão (1-amarelo) se destaca acima da montanha mais próxima. Por fim, vale destacar a ferrovia (1-azul) que mantém um trajeto reto, praticamente sem desvio.
Por fim, realizamos uma observação de detalhes da área, para podermos ter uma ideia do que temos que procurar no Google Earth e no Google Maps. A primeira coisa a notar é o terreno. Podemos desenhar as linhas mais altas das montanhas próximas (1-vermelho).
A seguir, vemos mais definidas as extensões reais das clareiras próximas à estrada (2-vermelho). E, finalmente, podemos distinguir duas novas clareiras atrás das montanhas anteriores (3-vermelho). A linha férrea confirma a teoria de que é quase reta até chegar ao túnel (1-azul). O túnel, por sua vez, mede quatro locomotivas (2-azul), totalizando aproximadamente 70 metros. Finalmente, a pista que sai do túnel vira para a esquerda (3-azul).

Análise de mapas

Mapa 1: Geográfico
Se quisermos geolocalizar o lançamento, é vital conhecer a geografia da Coreia do Norte. Este país caracteriza-se por ser montanhoso, especialmente na fronteira com a República Popular da China. De fato, há o Monte Paektu, uma montanha emblemática do país asiático, no topo da qual, na cratera de um vulcão inativo, formou-se o denominado Lago do Céu.
Uma cadeia de montanhas se estende até a Coreia do Sul, deixando apenas uma área plana a oeste, onde fica a capital. Pelo que observamos, o lançamento ocorreu em ambiente montanhoso, longe de qualquer sinal de costa, de modo que a costa e áreas planas e baixas estão descartadas.

Mapa 2: Política
Da mesma forma que na geografia, devemos conhecer a distribuição das várias sub-regiões. Na Imagem 9 vemos uma pista importante, o nome da cidade de Mundeok. Esta cidade pertence à região de Pyongan do Sul (ou Pyongan-Namdo, como aparece no mapa), uma área que contém planícies e montanhas.
Supondo que os nomes dos túneis mostrem cidades da mesma província, assumimos que o túnel está localizado em algum lugar no sul de Pyongan. Isso reduz drasticamente o campo de busca, pois só temos que buscar em uma única região.

Mapa 3: Clima

Mapa 4: Ferrovias
Conhecer o sistema ferroviário norte-coreano é de grande interesse, já que o lançamento é feito a partir de um trem.
A partir deste mapa podemos identificar os diferentes tipos de linhas e a sua geolocalização. Desta forma, podemos identificar mais rapidamente as linhas ferroviárias que nos interessam.

Mapa 5: Relevo
Restringindo ainda mais a área de pesquisa, este mapa de relevo da Província de Pyongan do Sul (ou Pyongan-Namdo) nos mostra as áreas montanhosas, urbanas e planas. Em vermelho indico a cidade de Mundeok, vista em uma placa na imagem 9, para nos dar uma ideia de onde a estrada pode estar localizada.
Isso nos ajuda ainda mais a restringir a área de pesquisa e, em conjunto com os Mapas 3 e 4, determinar a área exata.

Mapa 6: Eletricidade
O outro aspecto que pode nos ajudar é conhecer o mapa de trânsito elétrico do país. Lembre-se que a pista é seguida por duas linhas de energia: uma de baixa tensão e outra de alta tensão. Também temos a pista dos números nos polos de baixa tensão, que nos dão uma ideia aproximada da proximidade de uma usina ou subestação elétrica.

Análise de informações
Vemos pela primeira vez a alegação de que este lançamento não ocorreu em 16 de setembro, mas no dia anterior, 15 de setembro, em uma notícia publicada pelo The San Diego Union-Tribune. As imagens, entretanto, foram publicadas pela rede de televisão estatal KCNA em 16 de setembro.
Com os novos dados, devemos encontrar novos mapas e pistas que possam nos ajudar. Neste caso, o Mapa Meteorológico (Mapa 3) mostrava os dados de 16 de setembro, no dia seguinte, por isso atualizamos para 15 de setembro.
Nesta ocasião apenas conseguimos obter 3 horas de referência para nos orientar (descartando as que são à noite e de madrugada) e, de acordo com os dados obtidos, vemos que é muito provável que os lançamentos tenham sido feitos à tarde, já que foi quando mais nebulosidade foi detectada no céu norte-coreano.
Esta notícia da BBC revela outro fato interessante: os mísseis lançados do trem percorreram cerca de 800 km antes de atingir um alvo de teste no mar oriental do país (Mar do Japão). Esses dados podem nos ajudar a fechar um pouco mais o círculo de busca, pois se houver algum ponto na linha de distância de 800 km que não chegue ao mar ou cruze a fronteira marítima, seria descartado.
Neste mapa com um raio de aproximadamente 800 km (800,56 km especificamente), tomando como ponto central a cidade de Mundeok, vemos que o raio chega até o mar, chegando até a superá-lo em vários pontos. Na verdade, o alcance é tal que até circunda toda a península coreana.
Como não sabemos a localização exata dos alvos de teste, mas eles criaram uma agitação internacional, não podemos descartar a possibilidade de que esses alvos estivessem localizados perto da fronteira japonesa ou sul-coreana.

Conclusões.
A paisagem diz-nos que estamos num local montanhoso, mas não de grande altitude. Caracteriza-se por ter três nervuras do lado direito da estrada, com duas clareiras entre elas, e um pequeno vale ascendente e outra clareira à esquerda. As costelas da esquerda conduzem a um vale transversal que as recolhe, em frente a uma montanha.
Tanto do lado direito como do lado oposto, avistam-se nítidas silhuetas das serras, com pouca (ou nenhuma) presença de urbanização. O céu está completamente nublado, sem nenhuma clareira por onde o Sol possa passar.
Na segunda nervura direita, no topo da montanha, tocando a estrada, vê-se uma pequena clareira ou miradouro, com duas estruturas artificiais (um arco quadrado de madeira e uma pequena escultura de pedras redondas).
Duas linhas de trânsito de eletricidade são identificadas no vídeo: uma de torres de alta tensão, localizada aproximadamente no vale transversal; e outro de postes de baixa tensão, que acompanha a linha férrea. Este último é numerado (vemos os números 78 e 79) e pode nos levar à origem dessa linha de baixa tensão.
A linha férrea na direção do túnel é praticamente reta. Ao atravessá-la, desvia-se ligeiramente para a esquerda, acompanhando o contorno da serra. A largura da via é o padrão universal (1435 mm) e suas condições são excelentes. Esta pista não é eletrificada.
O túnel tem aproximadamente 70 metros de comprimento. À entrada deste, à sua esquerda, distinguimos uma placa onde se lê "Mundeok", o que significa que esta localidade está situada num ponto não muito distante seguindo esta estrada.

Primeira tentativa de geolocalização
A primeira abordagem foi feita nos arredores montanhosos da cidade de Mundeok, tomando todo o sistema da área (que inclui a capital, Pyongyang).
Essas montanhas são amplamente urbanizadas, e é difícil para qualquer um dos vales entre elas não conter um edifício ou uma estrada. É atravessado apenas por uma ferrovia (Dongbungni-Jungi-Galli), que é sempre plana. Apenas a linha a oeste da serra (a Linha Pyongui) chega a Mundeok.

Conclusão
Após examinar detalhadamente a área, concluímos que ela deveria ser descartada.
Em primeiro lugar, o alto nível de urbanização da área impede que ocorram condições como as do vídeo, em que (quase) não se observam sinais de urbanização no entorno e arredores visíveis.
Em segundo lugar, o layout das faixas não corresponde ao do vídeo. Eles cercam todo o vale da montanha, não entrando nele exceto em um ponto ao sul, perto de Pyongyang. Desta forma, e contando com o relevo da zona, é impossível que existam vales e montanhas como os do vídeo.
Terceiro, os túneis. Estes são quase inexistentes em ambas as rotas, e os que existem não coincidem de forma alguma com o do vídeo. Além disso, eles também não estão na área montanhosa, então, novamente, as características do terreno não correspondem ao que estamos procurando.
Por fim, e em linha com os anteriores, tem a ver com o terreno junto aos trilhos. Em nenhum momento as características do terreno (planícies, clareiras, distribuição de serras, nervuras, vales...) se assemelham às da região.
Podemos dar esta primeira tentativa como fracassada, pois não há vestígios do que estamos procurando. Então, vamos tentar uma segunda opção de pesquisa.
Lembre-se que havia linhas de alta tensão perto da área (elas cruzaram o vale transversal). Então, a partir do mapa da linha de energia, devemos encontrar uma estação de energia perto de Mundeok que fica perto dos trilhos do trem.

Segunda tentativa de geolocalização
Neste novo ponto de vista podemos ver as principais usinas da região. Destacamos, sobretudo, a conhecida central nuclear de Yongbyeon, com 50 MW de potência. Este é o centro das atenções dos países vizinhos, uma vez que se supõe que ali seja enriquecido urânio para armas nucleares.
A outra usina a destacar é Huicheon, uma das maiores hidrelétricas de toda a Coreia do Norte.
PET: Usina Termelétrica - PEH: Usina Hidrelétrica - PEN: Usina Nuclear

Conclusão
Esta nova abordagem abre um campo de pesquisa mais amplo, especialmente na zona norte da cidade de Mundeok e mesmo fora da província de Pyongan-Namdo. Ainda assim, esta área é descartada novamente.
Em primeiro lugar, as usinas do sul (Dezembro, Pyongyang-Leste e Munsu-Dong) parecem estar preparadas para abastecer a capital norte-coreana e as cidades vizinhas, já que não se vê sair grandes torres de alta tensão dessas usinas, que levem eletricidade a longas distâncias, além do fato de que as linhas ferroviárias da região também não coincidem com as do vídeo.
Em segundo lugar, a usina hidrelétrica de Huicheon tem linhas de alta tensão, mas elas seguem para o norte e oeste, nem chegando perto da cidade de Mundeok. Por fim, as estações de energia mais próximas (Chongchon-Gang e Yongbyeon) não possuem tomadas de alta tensão, então, novamente, é impossível que elas sejam a fonte da fiação. Além disso, a usina nuclear de Yongbyeon é cercada e guardada pelos militares.
Consideramos, portanto, esta segunda tentativa sem sucesso, pois não encontramos vestígios da linha de alta tensão vista no vídeo. É possível que estejamos dando muita atenção a elementos artificiais e que estejamos ignorando outros campos. Um exemplo disso é que estamos focando a investigação em torno da cidade de Mundeok devido à suposta presença deste nome em uma placa ao lado do túnel.
A sudeste da província, em Yangdeok, identificamos uma cordilheira que poderia ser candidata a sediar o local de lançamento, pois é uma serra e o nível de urbanização é menor. Vamos focar a próxima tentativa lá.

Terceira tentativa de geolocalização
A zona sudeste de Pyongan-Namdo é atravessada por uma linha férrea, a Linha Pyongra, que, embora eletrificada, não pode passar despercebida, uma vez que as características da zona a tornam uma boa candidata a acolher a área de lançamento.
Assim, iniciaremos a busca em Yangdeok, por ser mais distante da capital e, portanto, deve ter um menor grau de urbanização; e seguiremos a linha férrea no sentido leste, para nos afastarmos ainda mais da capital.

A linha férrea é desviada para o norte para a província de Hamyong do Sul. Ainda assim, as previsões estavam corretas e o nível de urbanização nesta área é muito menor do que no noroeste da província. Podemos estreitar ainda mais a área à medida que nos movemos ao longo da ferrovia.
A meio caminho da estação Geocha, partindo da estação Seoktang Oncheon, encontramos uma zona com dois túneis, sendo que o primeiro tem uma boa semelhança com a zona que procuramos.

Passamos a analisá-lo em detalhe.

Conclusão
Como havíamos previsto inicialmente, as características desta área estão mais próximas às do nosso critério de pesquisa: área montanhosa com pouca urbanização. Neste caso, a zona está correta.
Em primeiro lugar, são apreciadas as clareiras e costelas que mencionamos ao longo da investigação. Em segundo lugar, o túnel tem a mesma distância necessária. Além disso, a curvatura da pista ao sair é a mesma do vídeo.
Terceiro, a pista antes da entrada do túnel é quase completamente reta.
Também podemos ver o pequeno miradouro da montanha anterior, onde estavam os cinegrafistas com a estrutura de madeira artificial e a pequena suposta escultura de pedras redondas.
A leste da estrada, embora difíceis de reconhecer, estão as torres de alta tensão que aparecem no vídeo. Finalmente, com a vista aérea no ângulo indicado, vemos como esta imagem e a Imagem 18 são idênticas.
Concluímos, então, que encontramos o local exato do lançamento.  Este está localizado na Linha Pyongra, a mais longa da Coreia do Norte e que liga a capital, Pyongyang, a Rajin, quase na fronteira com a Rússia.
O ponto de lançamento exato foi entre Seoktang Okcheon e Geocha, nas coordenadas 39º16'31"N, 126º48'18"E.

Resultado final

Ferramentas usadas:
— Video.twimg.com,             — Wikipedia,
— Google Maps,                    — Google Earth,
— Google Translate,              — Google Images,
— Canva,                               — BBC,
— Ventusky,                           — San Diego Union
— Tribune.
Fonte: tradução livre de LISA News

domingo, 30 de janeiro de 2022

Dois Ases Brasileiros na II Guerra Mundial — Voando pela RAF e Pela LUFTWAFFE

Pierre Clostermann (à esquerda) e  Egon Albrecht, ambos exibindo suas condecorações. Destaque para a Cruz de Guerra (“Croix de Guerre”) com 17 palmas (!) de Clostermann, e a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro (“Ritterkreuz des Eisernen Kreuzes”), de Albrecht.
por Luiz Reis
Os entusiastas brasileiros em História da Aviação Militar se lembram dos feitos do 1º Grupo de Aviação de Caça (“Senta a Pua”) na Campanha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, onde os pilotos brasileiros, em número muito menor do que uma típica unidade de caça norte-americana da USAAF (Força Aérea do Exército dos Estados Unidos), causaram grandes perdas ao inimigo em diversos ataques ao solo no Teatro de Operações italiano.
Entretanto os pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB), embora muito bem treinados pelos norte-americanos, nunca tiveram a oportunidade de enfrentar a outrora poderosa Luftwaffe (Força Aérea Alemã) praticamente varrida dos céus italianos desde a invasão do país no ano de 1943.
os italianos, que haviam assinado o armistício tiveram sua Regia Aeronautica destruída pelos alemães quando eles invadiram a Itália, restando apenas uma pequena força aérea ligada a República Social Italiana, um Estado fantoche comandado por Benito Mussolini, concentrada no norte do país e que pouco atacava os Aliados.
Mesmo nenhum piloto da FAB tendo derrubado alguma aeronave inimiga, com apenas alguns poucos pilotos destruindo aeronaves inimigas no solo; o Brasil teve dois ases (pilotos que obtém cinco vitórias aéreas ou mais), nascidos no país (coincidentemente na cidade de Curitiba, Paraná), que lutaram na Segunda Guerra Mundial; mas ambos pelas forças aéreas dos países de suas origens étnicas: Pierre Clostermann e Egon Albrecht.

Pierre Clostermann
Pierre Clostermann, com o uniforme da RAF, em seu caça Spitfire com as marcas de suas vitórias aéreas.
Pierre Henri Clostermann (Curitib, 28 de fevereiro de 1921 – Montesquieu-des-Albères, França, 22 de março de 2006) foi um piloto de caça condecorado da Segunda Guerra Mundial, escritor, engenheiro aeronáutico e político franco-brasileiro. Filho de um diplomata francês em serviço no Brasil, um ano após seu nascimento, seus pais retornaram a França, mas durante sua juventude passava suas férias no Brasil. Em 1937 voltou mais uma vez ao país para estudar no Liceu Franco-Brasileiro, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, passou a escrever colunas para o jornal “Correio da Manhã” e obteve seu brevê de piloto no Aeroclube do Brasil. Com fim da Batalha de França, vencida pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, recebeu um telegrama de seu pai com a mensagem:Junte-se ao general de Gaulle ou não será mais meu filho.
No mesmo ano de 1940 ele seguiu para a Inglaterra para juntar-se à “Força Aérea da França Livre” como parte da RAF (Real Força Aérea Inglesa), entrando em combate em 1942. Em 11 de junho de 1944, logo após o “Dia D” e o início da libertação da França, ele foi um dos primeiros pilotos da França Livre a pousarem em solo francês libertado. Tinha um distante primo alemão piloto da Luftwaffe, chamado Bruno Klostermann, que faleceu em 14 de janeiro de 1945 durante um combate aéreo, pilotando um caça Messerschmitt Bf 109. 
Voando com os caças Supermarine Spitfire e Hawker Tempest, Pierre Clostermann obteve 33 vitórias aéreas (19 solo e 14 compartilhadas, a maioria delas contra caças) até o fim da guerra. Também foi responsável por destruir diversos alvos em terra e no mar, dentre eles, caminhões, tanques, locomotivas e até botes de patrulha da Kriegsmarine (“Marinha de Guerra”) alemã.
Em 1946 elege-se pela primeira vez deputado francês, sendo reeleito seguidamente até 1969. Dois anos depois inicia a atividade de escritor, lançando “Le Grand Cirque” (“O Grande Circo”, em português), sucesso de vendas na época e traduzido para várias línguas. Já formado Engenheiro Aeronáutico e num período de pausa na política, ocupou cargos executivos nas empresas de aviação Max Holste, Reims Aviation e Cessna Aircraft Company, até se aposentar. 
Ele atingiu o posto de Wing Commander (“Tenente-Coronel”) na RAF, mas manteve o posto de Lieutenant (“Tenente”) na França por muitos anos, devido principalmente ter sido comissionado como Seargent (“Sargento”). Anos depois ele recebeu a patente de Coronel da Força Aérea Francesa. 
Dentre as diversas condecorações e homenagens que recebeu como a Cruz de Guerra, a Grã-Cruz da Legião de Honra, a Silver Star, a Distinguished Service Cross (Estados Unidos da América), recebeu também em 2004 a Medalha do Mérito Santos-Dumont (Brasil), ato registrado no documentário “Um Brasileiro no Dia D”.

Egon Albrecht
O túmulo de Egon Albrecht (à esquerda) e uma arte representando a última aeronave que ele pilotou, um Messerschmitt Bf 109G.
Egon Albrecht-Lemcke(¹)  (Curitiba, 19 de maio de 1918 - Creil, França, 25 de agosto de 1944) foi um piloto de caça teuto-brasileiro que combateu na Segunda Guerra Mundial pela Luftwaffe, tendo conquistado 25 vitórias aéreas confirmadas. Filho dos imigrantes alemães Frederico Albrecht e Hedwig Elditt Albrecht, do ponto de vista do Direito Internacional da época, para a Alemanha, Egon Albrecht era cidadão do Terceiro Reich, ou seja, era alemão (Jus sanguinis), mas para o Brasil, era brasileiro, porque nasceu no território brasileiro (Jus soli), podendo optar por uma das duas nacionalidades.
O pouco que se sabe de sua juventude antes de ingressar na Luftwaffe é que nasceu na cidade de Curitiba, no Estado do Paraná, Brasil, em 19 de maio de 1918, filho de Frederico Albrecht e Hedwig Elditt Albrecht. Partiu para a Alemanha antes de completar os 18 anos, já que era membro da Hitlerjungend (“Juventude Hitlerista”), na qual só podiam permanecer até os 18 anos de idade, onde provavelmente aprendeu a pilotar (ele usava um badge da Juventude Hitlerista em seu uniforme). 
Ele emigrou para a Alemanha, provavelmente atendendo ao chamado do Führer Adolf Hitler para que os alemães étnicos retornassem a sua pátria (“Volksdeustche”), como muitos teuto-brasileiros — descendentes dos alemães que emigraram para o Brasil durante a segunda metade do século XIX — que partiram para lutar pela terra dos seus antepassados.
Após concluir o seu treinamento, em 1940, Albrecht, comissionado como Leutnant (“Tenente”), foi enviado para a 6./ZG-1 operando um caça bimotor Messerchmitt-Bf-110, “Zerstörer”. 
Posteriormente, a 6./ZG-1 teve sua denominação mudada para 9./ZG-76 e, depois para 6./SKG-210 em 24 de Abril de 1941. 
Com a 6./SKG 210, Albrecht voou em combate na Rússia, enfrentando o terrível inverno russo. No dia 4 de Janeiro de 1942, a 6./SKG-210 voltou a ser designada como 6./ZG-1. Albrecht foi designado Staffelkapitän da 1./ZG-1 em 12 de Junho de 1942. 
Quase um ano depois, o Oberleutnant Albrecht foi condecorado com a “Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro”, em 25 de Maio de 1943, pelas suas então quinze vitórias aéreas, outras onze aeronaves destruídas em solo, 162 veículos motorizados, 254 veículos diversos, três locomotivas, oito posições de Flak (Artilharia Antiaérea), doze armas antitanques e oito posições de infantaria destruídos em solo.
Em 9 de Outubro de 1943, o Hauptmann (“Capitão”) Albrecht sucedeu Hauptmann Karl-Heinrich Matern (morto em ação no dia 8 de Outubro de 1943) como Gruppenkommandeur do II./ZG-1. Em Outubro de 1943, o II./ZG-1 foi deslocado para a frente ocidental com base na Costa do Atlântico de França, onde voou missões sobre a Baía de Biscaia. Em Outubro de 1943, o Gruppe foi transferido para Wels, na Áustria para combater as incursões da 15ª Força Aérea da USAAF, com base no sul da Itália. Em Julho de 1944, o II./ZG-1 retornou à Alemanha para realizar a conversão dos novos caças monomotor Messerchmitt-Bf-109G, “Gustav”, sendo redesignado III./JG-76. Albrecht liderou o Gruppe para a Frente de Invasão.
No dia 25 de agosto de 1944, durante uma missão de combate, Albrecht foi forçado a abandonar a formação devido a um problema no motor de seu avião (um Messerschmitt-Bf-109G-14, Werkenummer 460593, código “Schwarz 21″). Enquanto retornava para sua base sozinho, seu avião foi atacado por caças norte-americanos — não se sabe qual a unidade específica — e foi abatido próximo a St. Claude, noroeste da cidade de Creil (França). Embora Albrecht tenha conseguido saltar de paraquedas, ele chegou morto ao chão, onde seu corpo foi saqueado por civis. Ainda hoje especula-se se teria sido ferido em combate ou se foi metralhado pelos caças inimigos enquanto estava no paraquedas, sendo isso crime de guerra, algo não tão incomum, no período, para ambos os lados.
Egon Albrecht foi o único brasileiro condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, dentre outras condecorações do Terceiro Reich. Neste total de 25 vitórias, estão incluídos 15 vitórias na Frente Oriental e outras 10 na Frente Ocidental, incluindo pelo menos seis bombardeiros quadrimotores. Ele ainda destruiu onze aeronaves em solo, na Frente Oriental.
OBS:  (¹) O seu nome de batismo, presente em sua certidão de nascimento em Curitiba, é “Egon Albrecht”, mas nos registros da Luftwaffe, consta “Egon Albrecht-Lemcke”. O motivo dessa discrepância é desconhecida.
***
COMENTÁRIO (do autor): "O título original desse artigo era “OS DOIS MAIORES ASES DA AVIAÇÃO MILITAR BRASILEIRA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL … VOANDO PELA RAF E PELA LUFTWAFFE!!!” 
Como eles não voaram pela Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial eles não são, realmente, ases da Aviação Militar Brasileira, e sim dos países pelos quais lutaram, mas isto não invalida o fato de serem ases brasileiros. Mesmo assim pedimos desculpas pelo erro e efetuamos as correções necessárias."

domingo, 16 de janeiro de 2022

A Saga de um Povo

por José Maurício De Barcellos
Em recente debate do qual participaram Olavo de Carvalho e vários nomes de peso da direita conservadora no Brasil, mediado pelo culto comentarista político Paulo de Figueiredo, ouvi o professor e consagrado filósofo dizer que a vitória de Bolsonaro e a sua luta nos últimos anos não tirou a esquerda do poder, nem ao menos diminuiu sua interferência na sociedade.
Aí, com um só exemplo, comprovou seus argumentos perguntando a todos os demais debatedores — do naipe do ex-chanceler Eduardo Araújo e dos ex-Ministros da Educação e do Meio Ambiente Abraham Weintraub e Ricardo Salles, além do Deputado Luiz Phelippe de Orleans e Bragança e de outros importantes formadores de opinião que estavam participando — se durante os governos petistas a vermelhada ousou tanto ou teve tanto poder, a ponto de manter adversários políticos incomunicáveis no cárcere, presos por uma excrescência denominada de crime de opinião, que a lei não prevê.
Indignado, o Mestre sustentou que o Capitão, ao assumir a presidência não conseguiu tirar a esquerda delinquente encastelada no legislativo e no judiciário. Eu concordo. Porém ouso acrescentar que este homem, mercê de uma força, de uma abnegação e de uma tenacidade que nenhum outro brasileiro até hoje demonstrou, tirou e vem retirando o poder das mãos da esquerda ladra e assassina e faz isso diariamente, ainda que lhe sangrem o corpo e a alma.
Para concordar totalmente com o maior intelectual vivo da atualidade eu teria também que admitir que a consabida ameaça do bandidaço Zé Dirceu (no sentido de que a canalha vermelha, mesmo perdendo as eleições continuará dominando o poder) já teria se efetivado e, sendo desta forma, independentemente do que nossa gente venha a fazer, jamais aqueles malfeitores sairiam do poder. Isto seria igual a capitular e, para um verdadeiro patriota, igual à morte.
Ademais, é bom considerar que o Brasil não é uma Cuba ou uma Venezuela. É grande demais para acabar dominado por um verme do tipo Zé Dirceu. Isto é, um guerrilheiro fracassado que Cuba, se não fosse uma ilha de incompetentes e assassinos, devia amargar cada tostão gasto com seu treinamento, pois, a rigor, aqui por essas bandas só colecionou fracassos em tudo que se meteu. Como guerrilheiro que nunca guerreou, como espião vermelho disfarçado de comerciante que operação alguma concluiu, como pai de uma família de dementes e pervertidos, como político sem voto, como agente público que foi defenestrado do cargo com desonra e como ladrão da coisa pública que acabou encarcerado, sua vida é um rosário de derrotas. É um pulha desta ordem que o Brasil deve temer?
Lamento pelos que não pensam desta maneira, mas jamais reconheci qualquer valor pessoal e patriótico em um meliante como aquele, bem como nas quadrilhas de FHC a Temer e muito menos na abjeta classe política que dominou o País nos últimos 35 anos e considero um acinte imaginar o contrário.
Não foi Bolsonaro e seu diminuto número de correligionários que levou aquela corja ao poder. Foi, isto sim, o povão enganado e iludido que votou naquela “cacicalhada” sem vergonha, além de os muitos patifes que hoje insultam o homem que quase perdeu a vida para manter a derradeira esperança dos patriotas.
Agora vejo uns “vagabundinhos” das entranhas carmim, pousando de “sábios uspinianos” a meter o bedelho “criticante” em tudo que se faz no Planalto e, o que é pior, apedrejando um líder como o Brasil jamais conheceu. E o fazem justo por estar metido nesta camisa de onze varas para levar o País ao lugar que bem merece no concerto das Nações livres e soberanas, chegando ao ponto sustentar que Bolsonaro não teve coragem para dizimar a própria corja de esquerdistas que, no passado, foram eleitos por aquela trupe de moleques metidos a besta, nojentos e sorrateiros “terceiroviista”.
Há três décadas que combato os vermelhos neste País e por isso penso que tenha autoridade para acatar o pensamento do gênio Olavo de Carvalho quando, de uma forma muito mais didática, um dia disse também, com outras palavras, que o Capitão ao tomar posse devia de imediato, ter quebrado as pernas dos comunistas, dos corruptos e dos ladrões e por ser um arraigado democrata não o fez — e digo eu — então tem sido massacrado, juntamente com sua família e ainda está arriscando sofrer um golpe contra sua reeleição.
Realmente, com a força do enorme apoio popular que o levou ao poder, Bolsonaro poderia ter partido para cima da banda podre do STF, do Parlamento, dos chupins da máquina governamental e então, até sem violência e com arrimo nas disposições constitucionais vigentes, ter prendido em nome da “Nova Ordem Brasileira” corruptos, ladrões e farsantes encastelados nos três poderes da República, independente do viés ideológico.
Essa faxina profilática nos teria livrado dos tipos de Toffoli a Gilmar Mendes; de Jaques Wagner ou de Humberto Costa a Renan ou Barbalho; de Aécio Neves a Gleise Hoffmann que, julgados na forma da lei, certamente estariam cumprindo suas penas. Avalie, meu caro leitor, o quanto o País poderia ter avançado e quanto de nossas agruras teriam sido poupadas.
Por fás ou por nefas tudo isso não aconteceu. Bolsonaro e sua gente optaram pela solução menos traumática, pelo caminho mais tortuoso, simplesmente porque estão convencidos que a grande massa popular, depois do muito que tem entregado e por tudo que tem lutado, fará justiça e não permitirá a volta da escória vermelha que desgraçou a Nação Brasileira, para vir “venezualizar” o Brasil.
Segundo uma sã lógica, somente não vejo como se quer culpar um só homem, por maior que seja o peso de sua liderança, por não destruir em três anos, três décadas de desmandos e de corrupção, para as quais nós o povo e não ele Bolsonaro fomos o maior responsável.
Tenho consciência de que é enorme o perigo que estamos correndo com esta próxima tentativa de o mal em voltar ao poder em 2022, apoiada pela esquerda delinquente, pelas FARC’s, pelas ORCRIM’s e pelo Narcotráfico na América latrina, que há poucos dias atrás derrotou a sociedade chilena.
Tenho a exata dimensão do quanto esta questão é complexa e pode ter sua solução influenciada pelos interesses globalistas do poder econômico mundial aliado ao comunismo internacional que, de certa maneira, até o maior País democrático do mundo, os EUA, já atingiu em cheio.
Todavia, é preciso que se diga que cumpre a nós os patriotas — e não às nossas lideranças em primeiro lugar — lutar contra o perigo que nos ronda, convictos, inclusive, de que o grau de intensidade e da crueza da luta encarniçada é estabelecido pelo inimigo ou pelo invasor, como ensinam os antigos manuais da guerra. Defender sua liberdade, esta é a saga dos homens de honra em relação à sua Pátria.
A luta para salvar o Brasil das mãos do comunismo está deflagrada. Muito ao contrário do que os comunas pregaram no passado, aos vermelhos, aos malditos “terceiroviistas”, aos mandarins encastelados no poder, aos chupins da máquina governamental, à banca usurpadora, aos intelectuais da impostura e aos poderosos que ficaram, como a velha imprensa órfã do erário, não interessam o embate direto ou a luta nas ruas, seja ela pacífica ou armada.
Aquela gente abominável não tem sangue nas veias para isso, mas nosso povo, já deu sinais que não vai recuar ou entregar a rapadura sem lutar. Remember o último Sete de Setembro. Creiam nisto e estejamos preparados quando a hora chegar.
A meu juízo fica certo que, depois do muito que esse País padeceu, somente a pouquíssimos brasileiros ainda se pode iludir com as propostas das ideologias ateias e assassinas que vitimaram nossa gente aos milhões por todo Brasil. A vermelhada criminosa não tem um só argumento que lhes autorize voltar ao poder.
A terrível saga deste povo — a eterna batalha por sua liberdade — vai exigir que estejamos preparados para enfrentar as insidiosas propostas dos vermelhos da 3ª via. Esta camarilha do mal agora chega ao mais completo despudor, quando tenta equiparar Bolsonaro ao “Ogro Descondenado”, para argumentar que ambos representam o atraso (atraso com o mago Paulo Guedes: com o intrépido Tarcísio de Freitas e a competente Tereza Cristina?) e que justo eles os vermelhos — que desde 1985 só nos destruíram — têm a chave para o progresso, inserindo o Brasil na proposta dos globalistas da escravidão mundial, como insidiosamente vem argumentando o velho comunista Roberto Freire, também ansioso para voltar ao Planalto.
Conquanto se saiba que os fracos, os sem honra e sem espinha dorsal de pouco precisam — quase nada — para perdoar os crimes praticados contra a Nação Verde e Amarela pela esquerda meliante, minha esperança é que, com o povo do bem vão ter que gramar um bom bocado e ainda terão que travar uma luta renhida, que auguro não demore mais.
Jose Mauricio de Barcellos,
ex Consultor Jurídico da CPRM-MME
 é advogado

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Sobre Vacinas: Lamento, Mas Quem Decide Sou Eu!!

por Valterlucio Bessa Campelo
Observando a movimentação recente em torno da vacinação de crianças e a exigência do passaporte sanitário, inclusive com audiência pública realizada pelo MS — Ministério da Saúde, na OPAS — Organização Pan-Americana de Saúde nesta terça-feira 04/01, além de manifestações de rua em todo o Brasil, resolvi dedicar esta primeira coluna de 2022 a um tema subjacente a tudo isso — a liberdade.
Pediria ao leitor que observasse a si mesmo e a sociedade comparando com 2019. Do que efetivamente sente falta? Sim, meu caro, embora trate-se de algo maior e de origem anterior, os dois últimos anos foram de aguda perda de liberdade. A peste deu pretexto a que, com nosso consentimento, diga-se, parte importante do nosso livre arbítrio fosse amputado e colocado à disposição do Estado. De tal modo, que seria quase um desvario dizer que vivemos ainda em uma sociedade livre.
Por que chegamos a este ponto? Basicamente porque sob ataque ou ameaça, somos naturalmente inclinados a trocar fatias de liberdade por alguma segurança e conforto. Eles sabem disso. À medida que cresce a ameaça, cresce também a nossa disposição a ceder. Ao ponto de entregarmos tudo e, voluntariamente, oferecermos nossa liberdade. O jovem Étienne de La Boétie tratou brilhantemente desse tema em seu livro “Le Discours de la Servitude Volontaire” (1552). Algo que muito tempo depois, em 1930, o pai da psicanálise, Sigmund Freud, constatou: a maioria das pessoas não quer realmente liberdade, porque liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo de responsabilidade.
No século passado, aconteceu profusamente durante a segunda guerra mundial, quando sob invasão nazista, em vários países, europeus se dividiram em colaboradores e colaboracionistas. Os primeiros demonstraram uma espécie de acovardamento simples, de consentimento envergonhado desde que seu habitual modo de vida fosse minimamente preservado. Intelectuais e artistas serviram à opressão, fazendo movimentar a indústria cultural. No livro “Paris – a festa continuou”, (2012), Alan Riding deixa isso claro.
Os segundos, encontraram na colaboração ostensiva uma chance de promoção de suas fraquezas morais às custas da própria nacionalidade e passaram a exercer, como se dominadores fossem, toda ordem de crueldade, perseguição, roubo, assassinato, estupro e deportações de judeus e opositores. Na França, por exemplo, existiram casos em que nacionais chegaram a postos do oficialato das SS e membros graduados da Gestapo. Muitos franceses, especialmente policiais e burocratas, atuaram como agentes do governo nazista que esfolou o país após a rendição covarde do General Petáin.
Em certa medida, é como vejo os dias de hoje. Diante do pavor disseminado a partir da peste chinesa, no Brasil, assim como nos outros países (nisto não há grande diferença), foram gerados colaboradores e colaboracionistas. Aqueles que normalizam a realidade cruel e agem porque não se importam com a perda de liberdade, desde que se sintam seguros e com baixas taxas de responsabilidade, e aqueles que servem incisivamente porque lucram e se promovem, seja financeira ou politicamente. Trocam de bom grado a própria liberdade por um punhado de poder ou dinheiro que lhes possibilitem os que realmente os possuem.
Algo necessário e que se impôs neste processo foi a anulação ou minimização da oportunidade ao dissenso. Disso cuidou a velha mídia através de um turbilhão incessante de notícias terríveis e da emblematização pejorativa dos contrários. Adjetivos do tipo “negacionista”, “terraplanista” e outros são títulos com que propositalmente encerram a discussão. Como uma estrela amarela pregada no peito de um judeu na Polônia em 1940, o termo fecha as portas ao debate. Ouvi recentemente de um deles:não discuto com eleitor de Bolsonaro, é tudo negacionista”. Pensei imediatamente que se estivéssemos na França em 1942 ele não hesitaria em fuzilar-me. Como alterar pelo argumento lógico uma mente que se tranca? Como entrar naquela mente com uma verdade objetiva se foram eliminadas as condições do diálogo? Cria-se assim, uma sociedade mouca, cega, escrava e desumana, capaz de tudo.
Ocorre que liberdade não é uma mera abstração filosófica, um luxo do qual as pessoas se utilizam ocasionalmente. Ela diz respeito à ação e ao pensamento. É a forma como você decide sobre a sua vida, com quem se relaciona, o que faz, o que lê, aonde vai, o que possui. Liberdade são suas escolhas. Em última instância é o que você pensa, é o que você é. Entregaremos isso também em troca de uma suposta segurança provida pelos que criaram a insegurança?
Do meu canto longínquo, olho o mundo e vejo em todos os lugares fantasmas dos cães de Pavlov (1849-1936), babando a cada estímulo que recebem, este determinado de fora pra dentro por interesses globalistas de controle, aliás, amplamente confessados no Forum Econômico Mundial, nos livros de Klaus Schwab seu presidente e já experimentados na China. Jornalistas, articulistas, partidos políticos, juízes, artistas, médicos, universidades, associações etc., aceitaram vergonhosamente o papel de colaboracionistas de um sistema que viola frontalmente as nossas liberdades. Como se houvessem passado por uma lobotomia repetem à exaustão uma carga de mensagens cuja profundidade não se deram o trabalho de examinar.
Há, contudo, os que não se rendem. Independentemente do tamanho do engodo, é apenas um engodo e, como bem lembrou Étienne de La Boétie, basta não entregar o que eles querem e cai a tirania. As inúmeras audiências públicas havidas em estados, no distrito federal e em muitos municípios, demonstram que assim como colaboradores e colaboracionistas, nesta guerra há a resistência.
Refiro-me, por exemplo, a médicos da estirpe da Dra. Maria Emilia Gadelha, Dr. Roberto Zeballos, Dr. José Augusto Nasser, Dra. Roberta Lacerda e muitos outros contados aos milhares, que abdicando da frondosa árvore do politicamente correto, vão ao sol, expõem à luz seu entendimento e suas experiências. Sabem que enquanto a mão direita estende a agulha, a mão esquerda maneja um bisturi nos amputando a liberdade e instalando o controle social. Escudados em comitês, os colaboracionistas, muitas vezes associados e comissionados das big pharmas, se defendem desqualificando seus opositores, acusando-os de adotarem teorias conspiratórias.
A propósito, embora (por motivos óbvios) a mídia não propague, o sistema oficial americano VAERS, comunica que apenas nos EUA foram relatados mais de 1,5 milhões de efeitos adversos após a vacinação, com 14.817 eventos morte. São dados investigados e provados. Não, não são, nem serão. Não foram devidamente investigados. Por lá também o governo está de braços dados com as big pharmasMas deveriam ser suficientes para autorizar que cada cidadão faça a própria escolha ao invés de ser submetido e submeter suas crianças à vacinação forçada que, de modo cínico, aparece disfarçada de mero constrangimento documental.
Considero, pessoalmente, que ela pode ser adotada, propagada e recomendada massivamente, se for o caso, porém, em hipótese alguma, sob nenhum argumento, pode ser imposta direta ou indiretamente, pois nestes termos sempre constituirá flagrante ataque à liberdade do indivíduo nos termos da nossa lei maior e tantas outras. Este é o ponto.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Filho do Diabo: o Mini-submarino do Narcotráfico Tirado do Fundo do Mar

por Alicia Mendez
Velas, imagens de demônios, ossos e altares, são alguns dos elementos a que já estão acostumados os integrantes das Forças Armadas e da Polícia que lutam contra o narcotráfico e que os encontram continuamente nos operativos contra as redes criminais que fazem presença no país.
Essas crenças dos traficantes de drogas tornaram-se tão populares entre os grupos ilegais que até mesmo o acompanhamento das 'bruxas' ou 'videntes' a serviço de redes ilegais tem permitido chegar a grandes traficantes que colocaram nessas práticas a proteção de seus carregamentos de drogas e a tarefa de garantir sua própria segurança.
As autoridades têm indícios da transferência de "bruxos" para os estuários onde os narcotraficantes mandam construir submersíveis e semi-submersíveis que depois enchem de coca e lançam ao mar, para os benzerem e 'amarrarem' com bonecos e imagens que os impeçam de serem apreendidos pelas autoridades.
À parte dessas crenças tão arraigadas nas organizações ilegais, os homens e mulheres que integram a Marinha Nacional cumprem sua missão de desenvolver operações de interdição marítima e fluvial em todas as costas do país.
Mas há uma operação que marcou a história da Força Naval do Pacífico, que é responsável pela soberania e segurança de Punta Ardita/Chocó, a Candelilla de la Mar/Nariño (fronteira com o Equador), uma área que equivale a 339.500 Km² de área marinha e 1.300 quilômetros de costa.
A operação parecia rotineira e consistia em emergir (retirar do mar) um semi-submersível que os narcotraficantes afundaram, com duas toneladas de cocaína, para evitar o processo judicial. As redes ilegais instalam mecanismos artesanais em seus semi-submersíveis, que lhes permitem naufragar quando descobertos pelas autoridades e, assim, por a perder todas as provas do tráfico.
Punta Aji
A aposta entre o bem e o mal foi registrada em documentos oficiais em fevereiro de 2019. Naquela data, a Inteligência Naval identificou o possível embarque de um carregamento de cocaína por meio de um semi-submersível que aparentemente havia partido de Punta Ají, no Pacífico central.
A partir da base de operações da Força Naval do Pacífico, foi lançada a operação para localizar a nave. De fato, uma equipe da Guarda-costeira a detectou nas proximidades da Ilha Górgona, mas quando chegaram ao ponto, encontraram apenas três náufragos — dois equatorianos e um colombiano — que disseram que seu barco havia tido uma falha e afundado. Não havia nenhum vestígio da embarcação em que as drogas eram transportadas para os mercados internacionais.
Os guardas-costeiros da Unidade de Reação Rápida tinham convicção de que os náufragos eram tripulantes do barco e que, ao perceberem os agentes, abriram as válvulas no fundo do barco para fugir da justiça.
Sem barco e sem drogas, o pessoal da Marinha não tinha como apresentar os náufragos — cujas vidas foram salvas — à autoridade competente como traficantes de drogas, para registrar o processo.

O começo da história
Não permitir tal zombaria à justiça tornou-se um desafio para o pessoal da Força, que decidiu lançar uma gigantesca operação para localizar e recuperar o semi-submersível, na qual nossos mergulhadores foram os protagonistas, disse o contra-almirante Orlando Alberto, comandante da Força-Tarefa Antidrogas Poseidon.
Foram necessários 10 dias para
resgatar a nave.
Foto: Força Naval do Pacífico
Esta força-tarefa tem seu posto de comando em Tumaco, Nariño, e é uma das unidades de elite da Força Naval do Pacífico, desde onde se coordenam ações de bloqueio de passagem às quatro redes de narcotraficantes dos dissidentes das FARC, que agem na Costa do Pacífico em Nariño e que disputam o controle do milionário comércio ilegal.
A conversa sobre a operação se espalhou entre os moradores. "A Marinha vai procurar o barco", começou a se ouvir na área, e logo surgiram vozes garantindo que não iriam conseguir, não por motivos técnicos ou pelas dificuldades inerentes a este tipo de operação, mas pela crença atribuída ao sobrenatural.
Isso não se recupera, isso está benzido”, começaram a dizer algumas pessoas da região. Outros afirmaram: "Não, eles amaldiçoaram, isso é maldito, isso é do diabo." E os mais ousados sentenciavam: “Essa carga não será resgatada porque pertence ao diabo, ao 'Filho do Diabo'”.
Como resultado desses avisos feitos na região, o semi-submersível terminou batizado como 'Filho do Diabo'.
A história foi contada na base de operações da Força Naval do Pacífico, na Bahia Málaga, Valle del Cauca, pelos mergulhadores que participaram da operação de resgate do semi-submersível, que foi recuperado.
A primeira coisa que foi feita foi localizar o semi-submersível por meio de algumas sondas de eco. Já no ponto, os mergulhadores submergiram e identificaram-no, iniciando a manobra de resgate para trazer à tona a coca que estava lá dentro e poder apresentar os supostos náufragos ao juiz, para sua judicialização, afirmou o Major Juan Manuel Arenas Suárez, comandante do Grupo de Mergulho do Pacífico.
O semi-submersível foi localizado por mergulhadores a uma profundidade de 110 pés (cerca de 33 metros) nas proximidades do Parque Nacional Ilha Górgona.

Como foi realizada a operação de reflutuação?
Localizada a embarcação, lembrou o Major Arenas Suárez, surgiu outro problema: Evitar a todo custo que o combustível (óleo diesel) que ela transportava fosse derramado no processo de salvamento, para não impactar o meio ambiente.
O Major Arenas indicou que, um a um, e com um trabalho meticuloso que demorou várias horas, os mergulhadores extraíram os pacotes de coca, que eram a prova principal para processar os três homens associados àquele navio. Além disso, a análise da documentação de cada remessa permitem elaborar processos contra os que estão por trás dos crimes. Neste caso, a investigação indicou que a droga pertencia aos dissidentes da 29ª frente das FARC.
A próxima etapa foi resgatar o submersível, que afundou quase verticalmente — cravando no fundo  em 40% (cerca de 22° de inclinação). Então, para quebrar a sucção do fundo, porque a nave continuava presa, fizemos um 'brainstorm de ideias', com todo o pessoal da Força, para estabelecer a manobra adequada, disse o chefe dos mergulhadores, que destacou que a experiência e o estudo da Física que tinham os homens da Marinha, acabaram jogando a favor do time que tinha a missão de recuperar a nau.
A recuperação de semi-submersíveis tem sido uma das principais operações dos mergulhadores da Marinha.  Foto: Força Naval do Pacífico
10 dias de operação
Na verdade, o Major Arenas lembrou que trabalharam por 10 dias para fazer o barco boiar, após ter sido estabelecido um ponto de tração.
Os mergulhadores, cujo curso de salvamento tem duração de 18 meses (por ser tecnólogo), mergulharam em duas modalidades que exigem um treinamento rigoroso. O primeiro, full face, com uma máscara de última geração que cobre todo o rosto, com comunicação entre os mergulhadores e o supervisor, e a obtenção de imagens em tempo real, o que permite reagir e coordenar as operações de forma mais eficaz. Outro grupo agiu de forma semi-autônoma, quando o ar é levado até eles desde a superfície.
Estar a 35 ou 36 pés de profundidade é chegar quase ao limite da resistência do corpo humano submerso no mar. A princípio não achávamos que [a nau afundada] resistiria ao puxão, mas com o apoio do nosso navio anfíbio de desembarque, BDA, a âncora foi lançada e instalado um guincho (equipamento com braço e polia, que permite levantar uma carga por meio da tração do cabo que passa por ela)”, explicou o policial.
Os fardados sabiam que cada passo da operação estava sendo seguido com interesse na área e que apostas eram feitas, até mesmo entre integrantes de redes criminosas, que insistiam que esse semi-submersível jamais poderia ser retirado do local.
O guincho ficou em operação a noite toda, eles se revezaram para não perder um minuto e no dia seguinte conseguiram soltar o semi-submersível do fundo marinho.
A embarcação BDA utilizada na operação foi construída na Colômbia na Empresa de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval Marítima e Fluvial (Cotecmar) e está configurada com suporte hiperbárico, plataforma de mergulho, apoio logístico e manobra de resgate, para a capacidade de seu guindaste.
Após soltar a estrutura do fundo do mar, iniciou-se outra etapa que exigiu igual cuidado: deslocá-la para uma área com menor profundidade para que os mergulhadores pudessem trabalhar em melhores condições e o navio fosse finalmente trazido à superfície.
O 'Filho do Diabo', com 20 metros de comprimento por 2 metros de largura, agora faz parte do Museu de Submersíveis, localizado na sede da Base Naval do Pacífico, onde contam a história com orgulho, pelo valor de cada um dos que participaram da manobra de recuperação da embarcação.
Lá, junto com outros navios apreendidos pela Marinha, é exposto e mostrado aos uniformizados recém-chegados à unidade militar com a mensagem de que tudo é possível e que nem mesmo as crenças dos narcotraficantes poderão impedir o avanço das autoridades.
Alicia Liliana Méndez
Editora Adjunta de Justiça
@AyitoMendez
Leia também:
Fonte: tradução livre de

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Caçadores de Recompensas Buscam 'Iván Márquez' e 'Gentil Duarte' na Venezuela

Mentores do regime de Maduro tentam enviá-los ao Irã.

Iván Márquez e Gentil Duarte, chefes de dissidências das FARC.
FOTO: EL TIEMPO
A sequência de ataques aos acampamentos das dissidências das extintas FARC em território venezuelano — que iniciou no passado 17 de maio com a morte de ‘Jesús Santrich’ e seguiu com as de ‘Romaña’ e o ‘Paisa’, no início de dezembro — não vai diminuir.
Assim indica um Informe de Inteligência, assinalando que ‘Iván Márquez’, chefe da ‘Segunda Marquetalia’, completou uma semana escondido no estado de Amazonas, na Venezuela. 
O outrora negociador das FARC em Havana está decidindo se volta à Colômbia (por Vichada ou Guainía) ou se finalmente vai para a Nicarágua, depois que terem bloqueado sua viajem para Cuba.

O vídeo de Romaña foi gravado, dias antes de sua morte, de forma clandestina por emissários da Mafia. Foto: EL TIEMPO
Sabe-se que o mesmo comando armado que liquidou os  "lugar-tenentes" da quadrilha seguem ‘Márquez’, ‘Jhon 40’ e ‘Zarco Aldinever’, os cabeças sobreviventes da estrutura criminosa.
Vladimir Padrino López,
ministro da Defesa.
Foto:  AFP
De fato, os caçadores de recompensas também andaram ‘comprando’ dados de outra dissidência que permanece no outro lado da fronteira: a de Miguel Botache Santillana, ‘Gentil Duarte’, e Néstor Gregorio Vera, vulgo Iván Mordisco.
Os enfrentamentos armados em território venezuelano entre essas duas facções criminais — a de ‘Márquez’ e a de ‘Duarte’ — incomodam a influentes granjeiros e empresários dos quais foram ocupados imóveis; um deles conhecido como ‘Peñadero’.
Vários deles são próximos (até mesmo sócios) de dois poderosos do regime, aos quais levaram suas queixas: Diosdado Cabello e o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino.
Militares venezolanos foram sequestrados pelas dissidências de 'Gentil Duarte'.  Foto:  Archivo Particular
A presença e os conflitos entre os bandidos colombianos  também incomodam setores do Exército venezuelano, do qual os ex-FARC já  assassinaram e sequestraram vários integrantes.

Os íntimos de ‘Mordisco’
'Iván Mordisco', um dos chefes
da dissidência.
Foto:  Archivo / EL TIEMPO
De fato, foi denunciada a cobrança de ‘impostos’ que as dissidências vem praticando aos chamados ‘patriotas cooperantes’.
Os extorsionados tratam-se de empresários venezuelanos e, também de narcotraficantes dos quais são cobrados uma substancial percentagem por cada tonelada de cocaína que carregam pelos territórios sob influência da guerrilha, nos estados de Amazonas e Bolívar.
Essas atividades de violência importada tem levado um setor do regime a proporcionar dados e coordenadas de localização dos ex-guerrilheiros colombianos em troca de consideráveis somas que os denominados "caça-recompensas" — não mais de 20 — prometem terminar de pagar com o dinheiro que os governos de Colômbia e de Estados Unidos oferecem pela localização dos membros dessas dissidências.
Passaporte de Álex Saab entre 
os papéis de Pandora.
Foto:  EL TIEMPO
O cerco na Venezuela está se fechando a tal ponto que já se sabe que um grupo vinculado às dissidências de ‘Gentil Duarte’, incluídos familiares, está planejando sair com destino ao Irã nos próximos dias.
A informação que se tem é de que os chamados comandantes ‘Ernesto’ e ‘Adrián’ ou ‘el Intelectual’ estão conseguindo cédulas de identidade e passaportes venezolanos.
O outro a que estão tentando remover é um advogado internacionalista, ligado a ‘Iván Mordisco’, que foi assessor de um dos maiores chefes das ex-FARC.
A intenção é de que possam debandar ao exterior como assessores em matéria de segurança, um mecanismo similar ao que usou, em seu início, Álex Saab”, assegurou uma fonte humana a agentes de Inteligência.

Os IGLA e os fuzis
Agências internacionais investigam entrega de fuzis às ex-FARC.
Foto: Policia Nacional
O informante agregou que estariam pensando fazer o mesmo com aparentados de outros caudilhos que permanecem nas imediações de Capacho — cidade entre San Antonio e San Cristóbal —, próxima à fronteira, e Valencia, custodiados por integrantes do Corpo de Investigações Científicas, Penales e Criminalísticas (CICPC), a anterior PTJ.
Mas, além de deixar os chefes das dissidências fora do alcance dos caça-recompensas, é investigado outro propósito em torno de seu deslocamento ao Irã.
Agências internacionais indagam uma suposta entrega de fuzis às ex-FARC, dentro dos planos que vinham traçando junto com o Hezbolah, o grupo pro-iraniano que vários países ligam a violentos atos terroristas.
Também se investiga o destino de dez (10) dos mais de 3.900 misseis terra-ar portáteis russos (IGLA) que Venezuela tem em seu poder.
Apesar de constarem como baixados do estoque por seu Exército, ninguém sabe sua localização e há temor de que tenham terminado nas mãos das dissidências.



Reunião em Casigua-El Cubo
Nesse local ocorreu a reunião para planejar o atentado contra Iván Duque.
Foto: EL TIEMPO
O sistema de defesa e ataque antiaéreo (os IGLA) lhes permitiria chegar com maior precisão a objetivos como os helicópteros e outras aeronaves militares e de polícia colombianas”, disse um oficial de Inteligência.
Investigam vazamento de informação
 no atentado a Duque. 
Foto: Archivo Particular
E completou dizendo que as dissidências da Frente 33 tem estado atrás de um desses mísseis para executar um ato terrorista antes de 7 de agosto de 2022.
Em uma reunião que fizeram seus chefes — incluído o vulgo Jhon Mechas, o cérebro da sequência de atentados em Cúcuta — foram oferecidos 4.000 milhões de pesos (cerca de 4 milhões de Reais) para repetir os atentados contra o presidente Iván Duque, que falharam em 25 de junho passado.
A reunião, para esse fim, se levou a cabo na zona rural de Casigua El Cubo, capital de um município que se chama Jesús María Semprúm, localizado no estado de Zulia”, explicou uma fonte de Inteligência. E agregou que ‘Jhon Mechas’ ainda permanece nessa zona, a tão somente uns poucos quilômetros de Tibú, Norte de Santander.

A reunião com a CIA
Aeroporto Internacional de Maiquetía, Venezuela. Foto: Google Maps
Sobre ‘Márquez’, agências estrangeiras não descartam que o atentado, em 14 de dezembro passado, no aeroporto Camilo Daza de Cúcuta — que acabou com a vida de dois especialistas em explosivos — tenha sido um ato terrorista diversionista para possibilitar a movimentação do bandido.
Se acredita que, para sair da Venezuela, contariam agora com a complicidade de organizações criminosas locais, como o ‘Trem de Aragua’, que controlam várias passagens fronteiriças ilegais na fronteira.
Nicolás Maduro e seu regime seguem guardando silencio sobre esses fatos. Mas despertou a atenção de vários atores (legais e ilegais) a reunião com um enviado da CIA que teria ocorrido em 7 de dezembro passado.
O que se sabe, até agora, é que no aeroporto de Maiquetía aterrizou o avião estadunidense Phoenix Air 38, o mesmo que teria sido usado em 2019 para evacuar o pessoal da embaixada dos Estados Unidos logo após serem expulsos pelo regime de Maduro.

Os atritos com Daniel Ortega
Daniel Ortega.
Foto: EFE/EPA/AMIT SHABI
/ POOL y Jorge Torres
Para investigadores, ‘Iván Márquez’, que permanece oculto no estado de Amazonas (Venezuela), teria a Nicarágua como sua mais segura rota de escape. Aproveitando que, as relações entre o governo desse país e o colombiano tem se deteriorado.
Primeiro foi pela disputa limítrofe em San Andrés, depois pelo não reconhecimento da reeleição de Daniel Ortega  pela Colômbia, e agora pelas agressivas declarações do presidente nicaraguense, que teriam sido motivadas pela possível chegada de líderes da ‘Segunda Marquetalia’ a Manágua. “Colômbia é um narco-Estado”, disse Ortega nesta semana.
Para o Governo colombiano, se trata de uma estrategia com que Ortega busca distrair a atenção da comunidade internacional, que rechaça com veemência a nova ditadura que se instala no país centro-americano, disse o Ministério de Relações Exteriores em um comunicado.
E adicionou que a resposta de Ortega aos reclamos sobre eleições livres em seu país consiste em atacar a Colômbia para distrair a atenção e censura internacional.
Unidad Investigativa
u.investigativa@eltiempo.com
@UinvestigativaET
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Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO:  procurei fazer a tradução na forma como o texto foi publicado, e essa apresentação pode nos aparentar um tanto incompleta, mas é assim que age o jornalismo sério internacional. Apresentam o que foi obtido e as conclusões são feitas pelos leitores.
Pelo visto, parece que o Foro de São Paulo já foi para o saco, pelo menos por enquanto. Não adiantou tentarem "refundar" a quadrilha com o nome de Grupo de Puebla. Sem os recursos financeiros que a quadrilha petista mandava desde o Brasil, nem o petróleo venezuelano — cuja extração definha devido à crise que aflige o regime de Nicolas Maduro — não há "motivação" para os bandidos. E, sabemos, "casa em que falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão." O canalha Daniel Ortega, vendo o barco afundar, procura retirar seu feudo do naufrágio iminente. 
Repetindo o que houve no Brasil, os narcoguerrilheiros negociaram um pacto com o fraco governo colombiano que sucedeu Álvaro Uribe — incentivado, tal governo, pelos políticos canalhas vinculados aos terroristas — obtendo inúmeras vantagens. Mas os benefícios foram direcionados só para a cúpula dos canalhas, como sempre ocorre entre "comunistas", e a ralé foi se reorganizar para dar continuidade em suas atividades criminosas. Mais, os EUA não entraram nas negociações. Os criminosos continuam sendo buscados pelos yankees e as recompensas por suas capturas e/ou morte seguem em vigor. Daí o surgimento dos "caçadores de recompensas" que, bem ou mal, estão fazendo o que a justiça falha dos colombianos não faz.
Não esquecendo que as investigações sobre os apoios criminosos às ditaduras socialistas/comunistas seguem ocorrendo. Os delatores venezuelanos estão revelando o que sabem. E na Justiça norte-americana não há os excremerdíssimos brasileiros que autocraticamente anulam processos. Ainda pode sobrar indiciamento para muitos bandidos daqui.
E nesse vai e vem legal, continua o sofrimento do povo daquele país.
Por este motivo, os brasileiros tem o dever, até mesmo a obrigação, de extirpar o câncer representado pelos bandidos travestidos de socialistas/comunistas da vida pública do Brasil. A proteção à vida do Presidente Bolsonaro deve ser priorizada. O General Heleno foi claro. O desespero fará com que a bandidagem tente de tudo. E mais um atentado ao líder do Brasil não é impossível. Se tentaram quando ele ainda era candidato, imaginem agora que sua reeleição é iminente!
Esperemos que não haja necessidade de formação de grupos de caçadores de recompensa por aqui. Se houver, será uma boa fonte de renda para muitos. E fonte de pavor para muitos outros.