quarta-feira, 25 de junho de 2008

Retrato Brasileiro — VARIG

por Janaina Leite
Olhei as notícias de internet sobre o Caso VARIG. Ai, que preguiça! Não vi nenhuma explicando o básico para que as pessoas entendam a gravidade do que está acontecendo. Então, darei minha contribuição.
1) O PT tem uma relação muito próxima com empresas de ônibus e aviação. Os laços geralmente são amarrados pelo advogado Roberto Teixeira, amigo fraterno de Lula e de boa parte da cúpula do PT. Seu nome ficou conhecido na década de 90, quando outro petista famoso, Paulo de Tarso Venceslau, denunciou Teixeira como o articulador de um esquema de arrecadação ilegal nas prefeituras petistas.
2) Nos últimos anos, Teixeira fez lobby para Antonio Celso Cipriani (Transbrasil) e Joaquim 'Nenê' Constantino (GOL). O primeiro era investigador do DOPS no período da ditadura. O segundo era sócio de Ronan Maria Pinto e Baltazar José de Souza em uma empresa de ônibus.
3) Ronan Maria Pinto, empresário no setor de transporte público que atuava na região de Santo André, teve sociedade com um petista famoso: Sérgio Gomes da Silva, o 'Sombra'. Os dois, junto com o advogado Fernando Milman, eram donos da Roanake.
4) A Roanake é uma empresa que mandou dinheiro para offshores no Uruguai. Parte dos recursos, milhões de reais, supostamente obtidos por meio do achaque de empresários em Santo André, teria retornado para cobrir campanhas políticas do PT e de seus aliados. Algumas das offshores em questão teriam sido usadas também para lavar dinheiro do tráfico de drogas da quadrilha do Comendador Arcanjo, um dos líderes do crime organizado no país.
5) 'Sombra' e Ronan foram acusados pelo Ministério Público de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e formação de quadrilha. Também foram denunciados como mandantes do seqüestro e do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel em 2001. A Justiça aceitou a denúncia contra 'Sombra', que está preso.
6) Os irmãos de Celso Daniel sustentaram publicamente que o prefeito foi morto por conta do esquema de dinheiro sujo que envolvia o PT. Afirmaram ainda que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, sabia disso.
7) O outro sócio de Ronan na Roanake, Fernando Milman, também manteve uma empresa com um petista graúdo: Waldomiro Diniz. Antes de ir trabalhar no Planalto, Waldomiro teria atuado junto a bicheiros e a bingueiros para arrecadar R$ 1 bilhão para a campanha do PT em 2002.
8) Um dos principais contatos de Waldomiro Diniz seria o espanhol Alejandro Ortiz e seus filhos, apontado pela Divisão Anti-Máfia da Itália e pelos parlamentares da CPI dos Bingos como o representante da máfia italiana no Brasil.
9) Diniz também teria ligações com empresários angolanos, segundo Rogério Buratti, ex-secretário de Antônio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.
10) Toda essa teia pode ser escrutinada agora, depois que a ex-diretora da ANAC, Denise Abreu, afirmou publicamente que o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e sua filha, a advogada Valeska Teixeira, fizeram lobby junto ao governo para que a VarigLog fosse vendida para o fundo norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, Marco Antônio Audi, Luiz Gallo e Marcos Haftel.
11) Denise confirmou que a ministra-chefe da Casa Civil teria pressionado a ANAC para que a venda da VARIG à GOL acontecesse rapidamente. O modelo de venda original traçado pelos técnicos do governo, disse Denise, garantia o pagamento das dívidas trabalhistas da VARIG e o ressarcimento dos aposentados que contribuíram com o fundo de pensão da companhia. Isso, porém, exigiria mais tempo e a venda acabou saindo sem que trabalhadores e pensionistas recebessem um tostão. O assunto foi para o Supremo Tribunal Federal.
12) A VarigLog foi repassada ao fundo americano Matlin Patterson, assessorado por Teixeira, por apenas R$ 24 milhões.
13) A venda, juntamente com a liquidação intempestiva do fundo de pensão da VARIG, permitiu que a GOL, de Nenê Constantino, a quem Roberto Teixeira também assessorou, levasse a VARIG — limpinha, sem dívidas — em março de 2007 por R$ 320 milhões. A CVM, na época, abriu um inquérito para investigar a compra.
14) A revista Veja da semana passada mostrou que a TAM fez uma oferta maior pela VARIG, de R$ 738 milhões. Mesmo assim, o governo preferiu selar a operação com a GOL.

E AGORA, COMO ESTÃO AS COISAS?
1) O presidente Lula recebeu Roberto Teixeira e os compradores da VarigLog logo em seguida de a operação ter sido fechada. Autografou uma foto onde aparece sorridente.
2) O presidente Lula não recebeu os aposentados do Aerus. Quem escreve para ele sobre o assunto recebe um e-mail dizendo que o assunto está na Justiça, pois o Supremo Tribunal Federal irá julgar a liquidação-relâmpago do fundo. Até o julgamento, que pode levar anos, ninguém recebe um tostão da VARIG. Muitos terão morrido quando a sentença sair.
3) Denise Abreu foi bombardeada pela mídia no caso do apagão aéreo e perdeu o cargo na ANAC. Desde então, não conseguiu mais emprego.
4) A TAM negou ter feito uma oferta maior que a da GOL pela VARIG. A Veja divulgou um memorando da TAM comprovando o que havia publicado.
5) A Justiça não aceitou a denúncia contra Ronan Maria Pinto no caso Celso Daniel. O consórcio liderado pelo empresário venceu a licitação de transporte público de Santo André em 5 de abril deste ano.
6) O caso Waldomiro Diniz foi esquecido. Até agora, não há decisão final da Justiça sobre o tema.
7) Rogério Buratti voltou atrás em suas denúncias, o que deve ajudar Diniz. Alejandro Ortiz e os filhos foram inocentados por falta de provas.
8) A família de Celso Daniel pediu asilo político à França. Recebia ameaças de morte no Brasil.
9) Paulo de Tarso Venceslau foi expulso do PT.
10) A mídia sabe de tudo isso e não publica.

Agora que você entendeu, combinemos assim: eu esqueço o que escrevi e você esquece o que leu, já que ninguém fará nada mesmo. Tudo continuará como sempre com o brasileiro orgulhoso em se identificar com toda essa cambada aí de cima.
E como diriam os anarquistas italianos: — 'Merda per merda...' !

Fonte: Navegação Programada

Piada Satânica

Resumo: Há quem acredite que é possível discutir racionalmente, polidamente, com pessoas como os srs. Lula e Mott.
Outro dia um amigo meu me perguntou se eu não havia reparado que, no intervalo de uma geração, condutas descritas pela psiquiatria como neuróticas e até psicóticas passaram a ser aceitas como normais. Não apenas como normais — respondi —, mas como normativas, louváveis e obrigatórias. Os passos seguintes são: 
(a) marginalizar e criminalizar toda reação de repulsa; 
(b) tornar a repulsa psicologicamente impossível, expelindo-a do repertório das condutas admitidas na sociedade.
Só a paranóia indisfarçável permite, por exemplo, que, num país onde ocorrem 50 mil homicídios por ano, os assassinatos de 120 homossexuais, espalhados ao longo de um ano num território de oito milhões e meio de quilômetros quadrados, sejam descritos como uma onda genocida homofóbica. No entanto, basta alguém apelar à comparação estatística e instantaneamente ele mesmo, entre gritos de revolta e lágrimas de indignação da platéia, é acusado de homofóbico e apóstolo do genocídio. A hipótese de confrontar o número de gays assassinados com o de gays assassinos, indispensável cientificamente para distinguir entre um grupo ameaçado, um grupo ameaçador e um grupo que não é nem uma coisa nem a outra, acabou por se tornar tão ofensiva que a mera tentação de sugeri-la já basta para você ser processado por homofobia, antes mesmo de haver lei que a proíba.
Mutatis mutandis, o sr. Luiz Mott alega como prova do ódio generalizado anti-gay uns noventa e poucos casos de agressões a homossexuais ocorridos num prazo de quatro meses em São Paulo, mas quem ousará cotejar esse número com a quantidade de agressões cometidas pelos próprios militantes gayzistas num só dia da Parada Gay na mesma cidade? Raciocinando pelo critério estatístico do sr. Mott, diríamos que os gays são um perigo público. A conclusão é absurda, mas decerto menos absurda do que proclamar que eles estão em perigo.
Proibido o senso das proporções, o fingimento histérico e o hiperbolismo paranóico em favor de grupos de interesse tornam-se deveres cívicos indeclináveis. A loucura tornou-se obrigatória, e quem quer que recuse ser contaminado por ela é um criminoso, um réprobo, um doente mental incapacitado para a vida em sociedade.
O sr. presidente da República acaba de dar foros de exigência estatal a essa estupidez psicótica, ao declarar que toda e qualquer oposição ao homossexualismo é "a doença mais perversa que já entrou numa cabeça humana".
S. Excia reforça suas palavras insistindo em aparecer em cerimônias oficiais ao lado do sr. Luiz Mott, aquele mesmo que discursa sobre arte pornô abraçado à estátua de um bebê pelado do sexo masculino, transmitindo de maneira nada sutil a idéia de que bebês são ou devem tornar-se objetos de desejo sexual como quaisquer outros (se não acreditam, confiram em Youtube). A propaganda da pedofilia é aí mais do que evidente, mas, ao condecorar o sr. Mott por "mérito cultural" (como se ele próprio tivesse mérito ou cultura), o sr. Lula joga todo o peso da sua autoridade presidencial no blefe cínico que nos força a negar o que vemos e a crer, em vez disso, na encenação oficial de altas intenções humanitárias e culturais. Não há prepotência maior do que exigir que um ser humano sacrifique sua consciência, sua inteligência a até sua capacidade de percepção sensível no altar do absurdo. "Afinal, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?", perguntava Groucho Marx. Quando a piada se transfigura em realidade, o humorismo se transmuta em palhaçada satânica.
Totalmente insensível ao grotesco da sua performance, o louco sobe à cátedra e dá lições de psiquiatria, catalogando como doentes os que achem que há algo de errado em erotizar a imagem de um bebê, e ainda propondo, como terapêutica, a prisão de todos eles.
E há quem acredite que é possível discutir racionalmente, polidamente, com pessoas como os srs. Lula e Mott...
Fonte: Midia Sem Mascara - 21 Jun 2008

Ibiúna, o Congresso que Acabou na Prisão

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Entrevista com o Delegado José Paulo Bonchristiano
No dia 12 de outubro de 1968, o delegado José Paulo Bonchristiano desmantelou o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), que era realizado no sítio Murundu, situado no município de Ibiúna, distante 70 quilômetros a oeste de São Paulo. Na época à frente do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), órgão que teve papel central nas investigações e na repressão aos movimentos de oposição ao regime militar, o policial retornou da operação liderando um comboio de 80 ônibus e algumas viaturas, que tinham como passageiros de viagem centenas de estudantes detidos.
As versões sobre o número de prisões variam de 706 a mais de 1200. Policiais e presos caminharam cerca de oito quilômetros pelo lamaçal em que foi transformada a estrada, que havia sido castigada por mais de uma semana de chuva sem trégua. Na longa marcha para a prisão, deixaram pegadas pelo barro de Ibiúna nomes emergentes da esquerda brasileira, como o ex-todo-poderoso do governo Lula, José Dirceu, o ex-deputado petista Vladimir Palmeira e o então presidente da UNE, Jean Marc von der Weid.
Para obter as informações que buscava, o DOPS recorria, entre outros métodos, à sedução feminina. O departamento produziu diversas Mata-Haris, que se dedicaram de corpo e alma à busca de informações nos aparelhos das organizações de esquerda do país. Uma das mais célebres dessas espiãs tropicais foi a Maçã Dourada, uma estudante de filosofia infiltrada na vida de José Dirceu.
Conhecido entre seus colaboradores pelo sugestivo apelido de "Cacete e Bala", o delegado Bonchristiano economizou munição na operação de Ibiúna. "Não disparamos um tiro. Prendemos 1263 estudantes de uma vez só e não deixamos ninguém ser ultrajado fisicamente", afirma. Quatro décadas depois da mítica ação, ele elogia Dirceu, diz que votaria em Lula, seu "hóspede" mais ilustre, e critica os métodos violentos que o célebre delegado Sérgio Paranhos Fleury reservava para os presos políticos. "No DOPS, entendíamos bem o que queriam os estudantes. Havia sido um deles. Lembro-me que em 53, no penúltimo ano da faculdade de Direito, fomos presos por fazer o enterro simbólico do Getúlio Vargas. E mais tarde fui diretor do DOPS".
Em meio à tensão das operações relacionadas à repressão, Bonchristiano comandou a segurança da Rainha Elizabeth II, quando a monarca britânica visitou São Paulo, em 1969. Pelo trabalho bem-sucedido, o delegado foi condecorado com a ordem de Cavaleiro da Rainha. "Fiquei 18 dias em Londres, com tudo pago pelo governo inglês, para receber o prêmio. O governador Abreu Sodré não se conformou. Dizia que a condecoração deveria ser feita a ele", afirmou Bonchristiano, personagem da Entrevista Especial BANDNEWS.

(Fábio Piperno e Isabella Bassi, 
para o site bandnewstv.com.br).
Quando o senhor ingressou no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS)?
José Paulo Bonchristiano - Tive 35 anos ininterruptos de polícia, iniciados em 1954. Cheguei ao DOPS em 1963 e saí dez anos depois. Me formei em Direito na PUC, a primeira universidade comunista. Por isso é que sempre entendi os estudantes. Cheguei ao DOPS convidado por um antigo colega, um dos maiores delegados de ordem política que vi na vida, o Antonio Ribeiro de Andrade. Me chamou, disse que precisava de mim e avisou que teríamos uma revolução no ano seguinte. Em 1963, o DOPS sabia tudo que acontecia na política da América Latina. O DOPS de São Paulo era o único órgão na América Latina que sabia de tudo.
Mas como o DOPS fazia para ser tão bem informado?
JPB - O DOPS era o único departamento do Brasil que tinha informação, contra-informação e desinformação. Hoje ninguém tem. Essa ABIN que está aí não tem nada. O desmanche do DOPS foi muito ruim para o país. O DOPS nunca precisou matar ninguém. A gente tirava tudo na conversa. O único delegado do DOPS que matou muita gente e fez muita coisa errada, mas não por causa do DOPS, foi o Fleury (1933-1979). Só na operação de Ibiúna prendemos 1263 estudantes de uma vez só e não deixamos ninguém ser ultrajado fisicamente.
Houve algum tipo de resistência em Ibiúna?
JPB - Nenhuma! Entrei no meio de onde estavam as tendas em que eles se encontravam os estudantes e disse: Está todo mundo preso! Muitos já me conheciam. Joguei para o José Dirceu a Maçã Dourada (codinome de Heloísa Helena - não confundir com a ex-senadora, que à época tinha 6 anos de idade!) e ela contou tudo.
Mas como que ela foi "plantada" no círculo do Dirceu?
JPB - Tínhamos várias estudantes. Não era só ela não. Elas trabalhavam para nós e para eles também. E a gente ficava sabendo de todas as coisas que eles faziam. Mulher conta tudo! Homem gosta de mulher bonita, toda arrumada e perfumada. Tínhamos outra muito mais difícil, a Denise Moreno. Essa não era brincadeira.
Qual foi o papel da Denise?
JPB - Fez tudo. Levantou informações de tudo o que eles queriam fazer. Ela sabia antes de tudo.
Ela teve romance com algum deles?
JPB - Com todos. Tinha romance com cada um. A gente passava as mulheres entre eles.
E quais eram as compensações para as Mata Haris brasileiras pelos bons serviços?
JPB - Dinheiro, um vestido bacana porque as mulheres gostam, e também o fato de elas se sentirem detetives.
Como era esse recrutamento?
JPB - Eram estudantes de Filosofia, Letras e era tudo no papo. A gente conversava com elas. Eram as Mata Haris brasileiras. E teve uma que sondamos muito, mas ela acabou ficando do lado deles. Foi a Iara Iavelberg.
Mas com a Iara foi bem diferente?
JPB - Foi para a luta armada. Quase a prendi em um apartamento na rua da Consolação, quando fui pegar o Lamarca. Ele conseguiu fugir. Mas logo prendemos a Iara. Depois, decidimos soltá-la. Sabíamos que ela ia procurar o Lamarca de novo. E foi com ele para a Bahia. Estava sendo monitorada.
Até chegar a Ibiúna, quais foram as informações que a Maça Dourada transmitiu a vocês?
JPB - Ela informou, dois dias antes, que o José Dirceu e a turma dele estavam reunidos para fazer um congresso. Vieram estudantes de todo o Brasil e ficamos monitorando. Pensamos que seria em Vinhedo. Mas a Maçã conseguiu dar um alô para nós do lugar, que ela não sabia exatamente qual era. Então, fechamos o cerco lá. Tive que andar oito quilômetros para ir. E voltei os oito quilômetros também andando com os detidos. Quando chegamos próximos à Ibiúna, pedi 80 ônibus onde colocamos toda a molecada e levamos todos para o DOPS. Chegando lá o diretor do departamento me perguntou: "O que você fez? Como vamos prender todo mundo?". Então eu disse: "Não se preocupe, vou soltar todo mundo. Só vou ficar com o pessoal do controle". Dito e feito. Muitos anos depois, quando eu já estava morando em Alphaville, um carro preto parou em frente à minha porta. Era o Zé Dirceu querendo tirar uma foto comigo. Indaguei o porquê e ele respondeu: "Porque eu quero ser presidente do PT e tirando uma fotografia com o senhor, conseguirei".
Foi em 1993?
JPB - Sim. E ele conseguiu ser presidente do PT!
O Vladimir Palmeira foi nessa viagem com o senhor?
JPB - Sim. Inclusive ele me convidou para uma festa no Rio de Janeiro, onde estava concentrado todo o pessoal da esquerda.
Há duas informações controversas. A primeira é sobre quem teria dado a informação final para vocês. Há uma versão de que foi um lavrador, que tinha uma dívida para cobrar. E há outra, a de que o padeiro achou meio estranho o volume de uma compra.
JPB - O padeiro achou mesmo estranho, pois pediram a ele uma encomenda de quatro mil pães para um sítio. A cidade era pequena e esse volume causou estranheza. Então ele telefonou para o delegado de Ibiúna informando o que havia acontecido. Aí é que entra o papel do lavrador que tinha uma dívida, de um saco de milho, para cobrar no sítio. Aliás, quando fui tirar a foto com o Zé Dirceu, encontramos o dono do sítio com um quadro do Che Guevara e barbudo como o Fidel Castro. Estava meio louco e falava em revolução.
Como esse assunto repercutiu em Brasília?
JPB - Foi uma coisa de louco. Conseguimos desmontar todo o esquema em São Paulo. Mas eu já havia desmontado um esquema antes, quando fiz a caderneta de Prestes, que foi o maior inquérito policial do Brasil até hoje.
Na época que o senhor estava no DOPS, por volta de 68, muita gente se escondia em áreas de São Paulo como Parelheiros, Interlagos e na Zona Leste?
JPB - Poucos. O pessoal naquela época, como eram todos estudantes ligados à faculdade, era urbano. Os aparelhos eram dentro de apartamentos. Quando eu peguei o assalto do trem pagador, que contou com esse que é o chefe da Casa Civil do (José) Serra, o Aloysio Nunes Ferreira, chegamos em um aparelho na rua Fortunato, número 24, atrás da Santa Casa de São Paulo. Nós colocamos lá a Joana. Ela que levantou o local. Quando chegamos lá, viram que era a Joana e abriram a porta. Então, entramos e prendemos todo mundo. Pegamos lá 480 milhões de cruzeiros, em dois sacos enormes. Os tiras ficaram até assustados.
E como era o detento José Dirceu?
JPB - Tranquilo. Só que o mais tranquilo de todos que tivemos foi o Lula (preso no início da década de 80). Mas teve um dia que ele reclamou da comida. Perguntei a ele: "você quer comer fora?". Ele disse que sim. Então, falei a ele para ir a um restaurante da Duque de Caxias (avenida, no centro de São Paulo), que o DOPS pagaria a conta. E ele foi e, mais tarde, voltou para a prisão. O Lula não dava problemas. Sempre foi carismático. Quando começava a falar na prisão, todo mundo ia na dele. Ele sabe conversar.
O Serra também chegou a ser seu "hóspede"?
JPB - Foi.
O Vladimir Palmeira chegou a fugir após a ação de Ibiúna? Falaram de uma fuga cinematográfica?
JPB - Nada. Nós facilitamos a fuga. Era interessante para a polícia, principalmente para a polícia política. Os que fugiam, iam encontrar os outros, fazer contatos e aí prendíamos todos. Só o Fleury que fazia bobagens. Nós conseguimos localizar o pessoal do Toledo, que estava comandando o Partidão. E o Fleury foi lá e matou todo mundo, numa casa lá na Lapa. O Fleury matava. Lembro uma vez que prendemos um militante, o Mario Japa, que tinha que ser ouvido por nós. Aí, encontramos o Fleury na rua, em uma outra viatura. Então, ele pediu o Mario Japa emprestado. Mas avisei que queria o preso de volta. Sabe o que ele fez? Matou o cara. O DOPS nunca entrou na área do DOI-CODI, mas eles queriam entrar na nossa. O Fleury foi determinado pelos generais da época para ficar à disposição do DOI-CODI no DOPS. Ele não era delegado do DOPS. Era uma espécie de delegado à parte no DOPS. Muita coisa foi mal explicada. Por exemplo, um cara que não precisava ter morrido era o (Carlos) Marighella. Ele foi preso por mim quatro vezes. Na última vez, ele disse: "doutor, o senhor foi o único que nunca encostou a mão em mim". Eu disse que nunca faria isso.
O Marighella quando foi cercado e executado já estava dominado ou resistiu à prisão?
JPB - O Mariguella era difícil. Ele topava a parada com as armas. E me falava que o poder a gente só toma pelas armas. Aí topou com o Fleury na alameda Casa Branca (na região dos Jardins, em São Paulo).
Que foi mais ou menos o mesmo lugar onde foi morto, em abril de 1971, o ex-presidente da Ultragaz, Henning Albert Boilesen, que era da OBAN.
JPB - E nós avisamos ele. Se precisar de uma segurança com você, nós podemos garantir, porque você está sendo manjado. Você está na OBAN, não é policial e fica olhando aqueles presos! Ficou manjado e pode morrer. Falei e uma semana depois ele morreu. Aí nós fomos buscar os caras que mataram ele. Pegamos um por um e morreram todos.
Mas a repressão ficou por conta do pessoal do Fleury?
JPB - É. Morreram todos. E aí eu gostei. Quando matam alguém que não tem nada a ver com isso, tem que morrer. E era assim antigamente. Quem matava um policial, depois morria.
O dinheiro da OBAN também chegava para as operações do DOPS?
JPB - Não. Era tudo com o Exército. O DOPS era do funcionalismo público estadual.
Ainda em 68 houve a batalha da Maria Antônia. Como foi o confronto?
JPB - Lá o problema foi maior porque o José Dirceu estava com a turma dele. Nós tínhamos do nosso lado o Comando de Caça aos Comunistas (CCC), que era dirigido por um rapaz que já morreu, um excelente advogado, o João Marcos Monteiro Fláquer. Houve então a confusão e ocorreu uma morte. Aí entramos e solucionamos tudo. Tiramos todo mundo de lá.
O Dirceu chegou a ser preso nesse dia também?
JPB - Foi. Lá na Filosofia USP, onde estudava a Maçã Dourada.
Vocês recebiam informações sobre pessoas procuradas que estavam em outros países da América do Sul? A Operação Condor era conhecida pelo DOPS?
JPB - Claro. Sabíamos de tudo. Prendi gente na Argentina, no Uruguai, no Peru e em outros países. Fui lá buscar essas pessoas.
Como era a estrutura do DOPS?
JPB - O DOPS era assim: primeiro, terceiro, quarto e quinto andares. O segundo andar era do Fleury, não do DOPS. Era separado. O Fleury fazia as coisas que os militares mandavam.
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Texto completo em: Band News tv
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terça-feira, 24 de junho de 2008

O Responsável Pela Tragédia do Morro da Providência

Lula, em 30 de novembro de 2007, quando contou em detalhes 
como botou o Exército para atender o projeto do Crivella.
Lula mente descaradamente ao criticar a presença do Exército no Morro da Providência. Ele apoiou pessoalmente a obra, ordenou que fossem liberadas em caráter de urgência, insistiu veementemente para que o senador Crivella tivesse o seu pedido atendido pelo Ministério das Cidades. Lula encheu o peito e assumiu a paternidade da presença do Exército, naquele seu estilo de "pai dos pobres", que botou a “peãozada” verde-oliva para trabalhar lá na favela do Crivella. Agora que morreram pessoas, que toda a safadeza veio à tona, o mentiroso tenta negar tudo. Leiam abaixo o trecho do discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de assinatura da autorização de início das obras de urbanização integrada do PAC nas comunidades de Pavão/Pavãozinho e Cantagalo — Rio de Janeiro-RJ, 30 de novembro de 2007:
"Outro dia, o Crivella entrou na minha sala com um mapa, um pacote de fotografias, de desenhos, e falou assim: “Presidente, me ajuda, Presidente. Se o senhor me ajudar eu vou fazer uma revolução lá no Morro da Providência, que foi a primeira favela do Rio de Janeiro”. Eu falei: o que é? “É porque lá...” mostrou as casas para mim e falou: “Presidente, eu quero colocar telhado, eu quero pintar essas casas, fazer reboco nessas casas, Presidente. Vai ficar bonito as pessoas verem o Morro da Providência com as casinhas pintadas, com telhado”. Quanto é que custa? “Ah, vai custar não sei quanto por cada casa”. Mandei chamar o Márcio: “Márcio, cuida disso aqui com o Crivella”. Aí, passaram 10 dias e o Crivella falou: “Presidente, eu acho que o Márcio não quer fazer”. O Crivella falou: “Estou disposto até a pedir licença no Senado para ir fazer essa obra lá, para ir trabalhar no meio da comunidade.” Chamei o Márcio outra vez: “Márcio, vem cá. Por que você não está fazendo (Inaudível): “Eu estou fazendo, Presidente, é que precisa estudar, precisa ver o custo de cada obra”. Conclusão: o Exército já está trabalhando lá no Morro da Providência e eu penso que daqui a uns 7 ou 8 meses a gente vai poder ir lá e inaugurar todas as casas rebocadas, todas as casas com telhado, para ir melhorando. Sabe uma coisa que eu acho importante no ser humano? É quando a gente recupera a auto-estima, quando a gente vê que as coisas estão acontecendo favoravelmente à gente."
Fonte: Coturno Noturno - 24 Jun 08

Forças Ocultas

por Sérgio Costa
RIO DE JANEIRO — Uma semana após a morte de três jovens da Providência, parece que, para o Estado, os traficantes do morro da Mineira fizeram apenas o que sempre se espera deles. Ou seja, torturar, matar, destruir. É como se a quadrilha fosse a "arma do crime" ainda não encontrada pela polícia. Ninguém foi preso, nenhuma operação foi feita ali. Ao menos até a conclusão desta coluna. 
O que é curioso, porque a atuação da polícia no caso tem sido quase exemplar. Em menos de 48 horas, o que não é habitual, diz ter esclarecido um crime que envolve o Exército. Militares detiveram os rapazes da Providência no sábado. No mesmo dia, eles foram mortos e seus corpos deram num lixão. Foram encontrados no domingo. Antes da noite cair, soube-se a história toda. Na madrugada de segunda, uma surpreendentemente ágil Justiça decretou a prisão dos militares suspeitos. Ao amanhecer, aqui ou na Europa — extensão além-mar do Palácio Guanabara —, as autoridades estavam acessíveis como nunca para comentar, condenar, criticar. Não tiveram tanta disponibilidade na prisão do ex-chefe de Polícia Álvaro Lins, deputado pelo PMDB. 
Nada contra a eficiência policial. Ela é desejável e merece aplausos. O problema é que a estrutura de investigação do Estado prefere demonstrar agilidade quando há interesses políticos e eleitorais, ocultos ou não, em jogo. O ex-bispo que o diga — se reaparecer — diante da sua vitrine eleitoral estilhaçada. Além do jogo político, deve-se levar em conta que havia outro ator interessadíssimo em ajudar a esclarecer o crime e, com isso, empurrar logo o Exército para fora da favela: o tráfico. 
Apesar de não ter parado com a ocupação, teve de reduzir sua atuação na Providência. Tem sido espantosa ali a quantidade de gente disponível para dar informações sem medo de se identificar. Adivinha quem liberou?
Fonte: Folha de São Paulo

Pode Ser Que Ele Esteja Maluco

por João Ubaldo Ribeiro 
Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.
Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes — quase sempre até —, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.
Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.
Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.
Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.
Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.
Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé — e certamente tem razão — depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.
Fonte:  Estado de São Paulo — 22 Jun 2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Uso de Biometria na Eleição

Sob nenhum ângulo que se examine com mais cuidado, como o político, o da segurança e o econômico, se encontra argumentos que justifiquem o enorme gasto que o administrador e justiça eleitoral pretende incorrer com a adoção das urnas-e biométricas que, no resto do mundo, são evitadas e até proibidas.
por Amilcar Brunazo Filho (*)
Em 2008, o TSE estará testando a identificação dos eleitores por impressão digital acoplada às novas urnas eletrônicas, que estão sendo chamadas de urnas biométricas ou, simplificadamente, urnas-B. O teste será desenvolvido durante as eleições de 2008, em três municípios — Colorado do Oeste/RO, São João Batista/SC e Fátima do Sul/MS. Em março e abril foi feito o recadastramento nestas cidades, com a coleta das impressões digitais dos dez dedos e da foto digitalizada em alta resolução dos eleitores. Em junho e julho serão feitos testes simulados com os próprios eleitores. Finalmente em outubro haverá a primeira eleição com biometria nestas cidades. A propaganda oficial do TSE sobre as urnas-B tem seguido o mote que seriam "as urnas eletrônicas mais modernas do mundo" desenvolvidas para acabar com o "último reduto da fraude eleitoral", quer dizer, com a possibilidade de um eleitor votar no lugar de outro. Vejam, por exemplo, o texto oficial do TSE: novas urnas eletrônicas, que estão sendo chamadas de urnas biométricas ou, simplificadamente, urnas-B.

Voto Seguro :: IDENTIFICAÇÃO BIOMÉTRICA DO ELEITOR

... merece destaque o desenvolvimento de Urnas Biométricas, que processarão o voto a partir da identificação biométrica do eleitor. A missão da Justiça Eleitoral brasileira é a de colocar nas mãos dos brasileiros o futuro cada vez mais seguro para a democracia e levar o Brasil à vanguarda tecnológica dos processos eleitorais em todo o mundo.

... O objetivo desse cadastramento biométrico é excluir a possibilidade de uma pessoa votar por outra, tornando praticamente impossível a fraude ao procedimento de votação.


Pensando por si próprio

Para não aceitar cegamente a propaganda oficial do plenipotenciário administrador eleitoral deve-se analisar a questão do uso de biometria nas urnas eletrônicas sob três aspectos:

  1. É adequado que um tribunal mantenha um cadastro biométrico dos cidadãos?
  2. É recomendável fazer a identificação digital do eleitor na mesma máquina eletrônica onde o eleitor irá depositar o seu voto?
  3. Se adotada, a biometria de identificação do eleitor resolve as fraudes existentes?

A primeira questão envolve aspectos mais políticos do que tecnológicos e, como a especialidade do autor é a segurança de dados informatizados, não se vai adentrar neste tema mesmo se sendo absolutamente contra ao poder judiciário administrar um cadastro de cidadãos.

A Garantia do Sigilo do Voto

Fora do Brasil, a resposta à pergunta (B), acima, é um sonoro NÃO. Somente aqui se usa — e os eleitores toleram — identificar o eleitor no próprio computador onde se vota. E não se pense que é uma questão de domínio da tecnologia. Toda a tecnologia embutida na fabricação de nossas urnas-B é 100% importada e nem nos países que nos vendem estas tecnologias se usa identificar o eleitor nas próprias máquinas de votar. Quer dizer, o software básico e o hardware de identificação do eleitor vem pronto de fora, mas lá fora eles não se atrevem a conectar biometria com urnas-e. O motivo desta recusa é óbvio: não há como garantir a inviolabilidade do voto contra um software malicioso que for inserido indevidamente nas urnas-e. Assim, para evitar esta possibilidade, toma-se a medida de segurança mais eficaz: não se permite que a identificação e o voto do eleitor estejam simultaneamente disponíveis na mesma máquina. Infelizmente, o brasileiro aceita este risco sem reclamar e o TSE usa fazer a identificação do eleitor nas urnas-e sob um argumento, certamente falacioso, que seria impossível a inserção de software malicioso em seus computadores. A principal consequência negativa da integração entre identificação e votação eletrônicas é o estímulo ao Voto-de-Cabresto-em-Massa, como recentemente posto em prática pelas milícias no Rio de Janeiro

O Eleitor-fantasma Eletrônico

Esta resposta negativa à pergunta (B) é tão forte que nem seria necessário entrar no debate da pergunta (C) para condenar as novas urnas-B que o TSE está adotando. Mas, desobedecendo as recomendações de colegas que também rejeitam a identificação biométrica do eleitor pelos dois primeiros critérios, vamos enfrentar o debate sobre as fraudes eleitorais que a biometria supostamente estaria impedindo. O exemplo citado da propaganda oficial do TSE apenas mostra, mais uma vez, a Justiça Eleitoral apelando para o ufanismo simplório do brasileiro — ...levar o Brasil à vanguarda — para vender a mistificação da tecnologia como panaceia contra todas as fraudes. É um exemplo crasso da Seita do Santo Baite! A tecnologia das fraudes evolui junto (e às vezes antes) com a tecnologia de segurança e é puro engodo esta propaganda de que agora é "praticamente impossível a fraude". Entre as fraudes eleitorais em urnas eletrônicas via identificação falsa do eleitor — o eleitor fantasma eletrônico — duas se destacam por mais frequentes:

  • Os mesários se aproveitam da ausência de eleitores e fiscais e introduzem votos nas urnas-e em nome de eleitores que ainda não compareceram;
  • Pessoas "compram" ou "alugam' o título de um eleitor legítimo e se apresentam no lugar deste para votar.

O Mesário Desonesto

Com relação a primeira destas modalidades de fraude em urnas-e brasileiras — o mesário desonesto — o TSE simplesmente não conseguiu resolver o problema do falso negativo nas urnas-B — quando ela recusa o voto a um eleitor legítimo — e na Resolução TSE 22.713/08 concede ao mesário uma forma de liberar a urna-B para votação por meio de uma senha:


Res. TSE 22.713 - Art. 4º ... VIII - por fim, não havendo o reconhecimento biométrico do eleitor, o presidente da mesa receptora de votos autorizará o eleitor a votar por meio de um código numérico e consignará o fato em ata;"

De posse deste senha — igual para todas as urnas-B —, mesários desonestos simplesmente continuarão podendo votar por eleitores ausentes e, provavelmente, não consignarão o fato em ata! Numa demonstração destas novas urnas-B verificou-se que, para liberar a urna-B sem que o eleitor esteja de fato a sua frente, basta ao mesário digitar repetidas vezes as teclas CANCELA/CONFIRMA do seu micro-terminal quando for solicitado ao eleitor colocar os dedos no sensor ligado à urna-B. Se nas urnas-E normais era possível para um mesário introduzir um voto falso por eleitor ausente em 15 a 20 s, com as urnas-B será possível fazer o mesmo em uns 35 a 40 s.

O Eleitor-fantasma Biométrico

Com relação à segunda modalidade de fraude, comumente chamada de "compra de votos", convém assistir o episódio da série Myth Busters do Discovery Channel onde eles detonam o mito da inviolabilidade da impressão digital biométrica. Com humor eles mostram como conseguem enganar o sistema de reconhecimento biométrico tanto do computador quanto de uma "fechadura biométrica" recorrendo a recursos banais como gelatina balística, filme de látex (cola branca escolar) e até com a impressão digital impressa em papel! Mostram, também, como obtiveram a amostra da impressão digital da pessoa autorizada sem que esta a tivesse fornecido voluntariamente. Além de tentativas de falsificar impressões digitais, outra forma de fraude no cadastro biométrico seria a inserção maliciosa, na base de dados, de comando que libere o cadastramento de pessoas com impressões digitais já cadastradas. Esta modalidade de fraude centralizada, que não seria possível sem as novas urnas-B, atende ao conceito de "centralismo fraudocrático" ironicamente anunciado pelo Prof. Pedro Rezende da UnB. Um exemplo deste tipo de ataque interno ao cadastro biométrico veio a tona com o recente desbaratamento de uma quadrilha que fraudava o cadastro biométrico do DETRAN/SP para burlar a emissão de carteiras de motorista.


Folha Online 04/06/2008 - 18h06 Venda de CNHs derruba corregedor e dois delegados do Detran PAULO TOLEDO PIZA

A Polícia Civil de São Paulo anunciou nesta quarta-feira o afastamento do corregedor do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), Francisco Norberto Rocha de Moraes, e outros dois delegados acusados de envolvimento no esquema de venda de CNHs (Carteira Nacional de Habilitação) desmantelado na Operação Carta Branca. ....... A investigação do esquema começou com a Polícia Rodoviária Federal de Mato Grosso do Sul. Os policiais verificaram que diversas ocorrências envolvendo motoristas com carteiras emitidas no Estado de São Paulo eram suspeitas de fraude. Entre os fatores que despertaram a desconfiança de policiais estão CNHs de pessoas analfabetas e deficientes físicos, que não possuíam a carteira para portadores de deficiência.

De acordo com o Ministério Público, essas carteiras eram emitidas sem que houvesse a necessidade da presença física do candidato a condutor. A quadrilha descobriu que o sistema de identificação por impressão digital do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) de São Paulo poderia ser fraudado

Além de usar a mesma digital em diversos documentos, a quadrilha também usava dedos de silicone e digitais coletadas em massas de modelar.


A Tinta Indelével

Existem, ainda, outras modalidades de fraudes de identificação menos frequentes que também não serão resolvidas pelas novas urnas-B como a "compra da abstenção" — quando se paga para um eleitor do adversário político não votar, mediante retenção do seu título e do seu RG. Enfim, a biometria só ajuda a atenuar o problema do eleitor fantasma onde mesários e os operadores do cadastro são honestos e os fiscais atentos. Mas, para evitar que eleitores ilegítimos possam votar em seções eleitorais onde os mesários são honestos e os fiscais atentos, não é necessário se recorrer a um caríssimo "maior cadastro biométrico do mundo" que o TSE planeja montar em 10 anos. Bastaria usar a velha "tinta indelével", como se usou recentemente na eleição presidencial do Paraguai e que se usa nos parques Playcenter, para pintar o dedo do eleitor que já votou. Simples, baratíssimo e tão eficaz quanto a parafernália eletrônica. Em países em que se adota a tinta indelével, exibir o dedo pintado depois de votar se tornou um ato de orgulho e prova de cidadania, como mostra a foto abaixo da candidata a presidente no Paraguai em 2008, Blanca Ovelar.

Candidata Presidencial Blanca Ovelar exibe
o dedo pintado confirmando que já votou

Custo da Biometria Eleitoral

Para fazer a coleta dos dados biométricos dos eleitores o TSE desenvolveu computadores especiais, chamados de KitBio, que substituirão a função dos computadores comuns usados atualmente nos cartórios eleitorais.


Kitbio completo com laptop, sensor de digitais, mini-estúdio fotográfico e
 caixa de transporte

Sensor coletor das impressões
 digitais biométricas

Os primeiros 60 KitBio comprados pelo TSE custaram mais de R$ 13.500,00 por unidade. Para implantar o equipamento biométrico em todos os cartórios eleitorais serão comprados quase 10 mil destes KitBio, resultando em mais de R$ 100 milhões. E este não é o custo maior do sistema. Há ainda o custo de adaptar os leitores de impressão digital às 400 mil urnas-e já existentes. Mas muito mais caro que os equipamentos de coletas de dados serão os serviços de batimento, que consiste na conferência on-line das impressões digitais dos eleitores já cadastrados, que teria que ser feita para evitar o cadastro duplo de Eleitores-Fantasmas-Biométricos. Devido ao altíssimo custo do batimento biométrico (protocolo AFIS), o TSE não o porá em prática durante o teste com as urnas biométricas de 2008. Quer dizer, o teste não será capaz de detectar casos de eleitores-fantasmas com cadastro biométrico duplicado!!!

Conclusões

Enfim, analisando sem tecno-fascinação o uso da biometria nas urnas-E brasileiras se constata que este processo:

  • dá a um tribunal a administração de um cadastro de cidadãos;
  • põe em risco a inviolabilidade do voto;
  • dificulta mas não elimina a falsificação de identidade
  • facilita ainda mais o Voto-de-Cabresto-em-Massa;
  • não elimina a fraude do mesário;
  • tem o custo proibitivo a ponto do essencial batimento ser postergado;
  • é rejeitado no resto do mundo

Assim, sob nenhum ângulo que se examine com mais cuidado, como o político, o da segurança e o econômico, se encontra argumentos que justifiquem o enorme gasto que o administrador e justiça eleitoral pretende incorrer com a adoção das urnas-e biométricas que, no resto do mundo, são evitadas e até proibidas.

(*) Amílcar Brunazo Filho, engenheiro, é o Representante Técnico do PDT junto ao TSE e coordenador do Fórum do Voto-E na Internet

Fonte: Voto Seguro.org

Co-autor Sem Autor

por Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA — Uma velha brincadeira ilustra bem o, digamos, espírito do jornalismo: quando um cachorro morde um homem, não é notícia; mas, quando um homem morde um cachorro, dá primeira página!
Atualizando: quando traficantes dos morros se matam uns aos outros, isso é rotina, não comove ninguém. Mas, quando 11 militares do Exército entregam jovens desarmados para serem trucidados por marginais, vira manchete.
O governo acredita que houve um "crime premeditado". Antes de "desovar" os jovens vivos nas mãos de assassinos do morro da Mineira, o tenente Vinícius Ghidetti consultou um soldado que mora por ali para saber onde estavam os maiores inimigos deles no pedaço. Ou seja: onde os três seriam estraçalhados com mais volúpia.
Dos onze militares, quatro já estão com prisão preventiva decretada por 30 dias e deverão ser julgados como "co-autores" de assassinato. Isso, porém, cria uma situação inusitada: será um crime com "co-autores", mas sem "autores"?
Porque todos — Exército, delegado, movimentos de direitos humanos, opinião pública e imprensa — só se preocupam e investigam o passo a passo dos 11 militares até os três corpos aparecerem num lixão. Mas ninguém fala, e aparentemente não investiga, quem apertou o gatilho e disparou os 46 tiros.
Discutem-se a psicologia do tenente, a formação de oficiais, o projeto político Cimento Social num ano de eleições e o uso das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem. Mas não se debate o chamado "cerne da questão": a guerra urbana que se alastra pelo país.
O fato novo (o homem que morde o cão) foi o envolvimento da farda, com militares se igualando a bandidos e negociando chacinas com eles. Mas o fato velho (pitbulls e rottweilers mordendo homens, mulheres e crianças) é tão crônico nas favelas e periferias que não emociona mais. Caiu na vala comum. E parece não ter solução.
Fonte: Folha de São Paulo — 22 Jun 08

domingo, 22 de junho de 2008

Carta ao Correio Braziliense

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Senhor Redator.
Gostaria de fazer três observações a respeito da edição de 21 de junho desse jornal.
A primeira é quanto à "chamada de capa" Exército Fica, Mas Vai Ter Que Se Comportar — reproduzida na página A-14, capa do "Caderno Brasil" —, o que dá a entender que em algum momento a Instituição com maior prestígio junto à população deixou de se comportar a contento. Quero lembrar ao redator do tão mal feito título que o incidente promovido por alguns militares (0,005% do efetivo total), apesar de lamentável, não é pior do que os muitos outros episódios de violência que ocorrem diariamente no Rio de Janeiro (consta que o "executor" dos três jovens já foi trucidado por ordem do traficante "dono" do morro da Mineira, sem ter direito a manifestações, missa ou pedidos de desculpa) e que a Instituição Exército, diferentemente do que se vê em outras instituições estatais (políticas, por exemplo), providenciou imediatamente a prisão dos suspeitos (nenhum órgão dos Direitos Humanos reclamou haver arbitrariedade na decisão nem reclamou para eles o direito de "inocência até o trânsito em julgado"!) e a abertura de inquérito criminal. Assim, não vejo como a Instituição possa melhorar seu comportamento. Por outro lado, a ação da AGU não foi motivada pela Instituição Exército que, certamente, não possui interesse algum em manter seu pessoal exposto às provocações de pessoas manipuladas pelos bandidos que efetivamente governam a área, nem quer servir de cabo eleitoral de um senador que já desconsiderou publicamente o papel desempenhado pela Instituição na Guerra do Paraguai.
Em segundo lugar, causou-me espanto a notícia publicada na página 19 sob o título VÍDEO MOSTRA ATAQUE A ÍNDIOS. Qualquer pessoa medianamente informada sobre os problemas que ora ocorrem em Roraima e que vá conferir o tal vídeo verificará que se trata da gravação feita durante a reação à invasão da fazenda do tal Quartiero (invasão incentivada pelas ONG que atuam na região). Tal reação motivou a prisão do fazendeiro e de seus funcionários. Isso foi noticiado à exaustão e não poderia, de forma alguma, ser noticiado como "integrantes da tribo macuxi ... sendo atacados por pistoleiros". O que houve afinal? Desconhecimento do repórter ou má fé na divulgação de mais uma notícia tendenciosa para denegrir mais nossa imagem no exterior (afinal, o Correio Braziliense, como um dos maiores jornais do país, também é lido no exterior). Fosse honesta a intenção, o repórter teria buscado informações sobre quem está financiando a viagem dos "representantes indígenas" à Europa.
Por fim, gostaria de alertar à editoria de esportes que existe uma categoria de automobilismo chamada "Formula Indy" onde correm sete brasileiros, dois deles com possibilidades de liderar o campeonato. A tal Fórmula Indy — apesar da imbecilidade dos diretores da rede de televisão que detém o direito de sua transmissão e que interromperam, ou pelo menos atrapalharam, a mostra do final da corrida de Iowa, para mostrar um jogo de futebol que também estava sendo transmitida por uma emissora concorrente — é sem dúvida muito mais competitiva e emocionante do que a Fórmula 1 que tanto prestígio recebe do jornal.

sábado, 21 de junho de 2008

Ao Senador Flávio Arns

Não assisti o discurso do senador mas, se verídico, concordo em gênero, número e grau!!!
por José Nascimento
Como estamos na semana dos aloprados, hoje em uma reunião pública sobre Direitos Humanos (de bandidos, já que nunca se importaram com as vitimas), e pessoas deficientes (assuntos que nunca poderiam ser tratados conjuntamente, visto a importância do segundo), o Senador Flavio Arns, se manifestou sobre os acontecimentos do Rio de Janeiro como “crime cometido pelo Exercito Brasileiro”, no mesmo instante liguei para o gabinete do Senador Flavio Arns e falei com a sua assessora, sobre minha indignação com o julgamento errado do Senador, solicitei que ele me desse um retorno, porque tinha uma pergunta a lhe fazer, em contestação de sua afirmativa usada na TV Senado, que enlameava o Exercito Brasileiro. Não tive retorno. Faço-a agora, através do blog, que a ele será enviado.
Senador considerando que: cinco elementos, servindo ao Exército Brasileiro, cometeram um desvio de conduta, e agindo em desconforme as ordens recebidas, culminaram com a morte de três “suspeitos” de pertencerem ao narcotráfico;
Considerando que o fato em si só representa uma atípica atuação no meio militar;
Considerando que nem se pode precisar quando fatos dessa natureza aconteceram, e nem com que freqüência aconteceu no seio das FFAA;
Considerando que Vossa Senhoria, membro de uma Instituição, Igreja Católica, tendo até um Bispo em família, jamais se manifestou sobre os milhares, disse, milhares de casos de pedofilia comprovadamente acontecidos em suas igrejas, em todo o mundo;
Considerando que a Instituição Permanente Exército Brasileiro é constituída de dezenas de milhares de brasileiros de ambos os sexos, e que cinco membros dessa Instituição Permanente cometeram esse crime, (já por vós condenado), e que esse número, fica em torno de 0,005% do total efetivo;
Pergunto ao Sr Senador, que condenou sem julgamento toda a Instituição Exército pelo crime de cinco de seus membros, como “Instituição criminosa”, de que chamaria a Vossa Instituição, Senado Federal, cujos membros num total 81 senadores, contam com mais de 27% que respondem, são indiciados e/ou aguardam julgamento por crimes que vão de homicídio a desvio de verbas, prevaricação, falta de ética e falsidade ideológica? Crimes praticados não contra uma, duas ou três pessoas, mas contra o erário, ou seja, crimes contra o povo. 
Você Senador quando pegar um microfone, representando seu Partido, pense antes o que vai falar, para não se igualar a um asno. 
Você deve um pedido de desculpa a todos os membros da Instituição Permanente Exército Brasileiro, quer sejam da ativa ou reserva. 
Por enquanto é só, mas não é o final, visto que não vejo humildade em seu caráter para se desculpar utilizando os mesmo meios pelos quais propagou vergonhosa e falsa acusação. 
Só um lembrete antes de lhe mandar ir se catar. 
— O Senado que você representou ao fazer a acusação desvairada, não tem um digito de credibilidade, e somado a credibilidade de sua Igreja, ainda assim fica aquém da credibilidade da Instituição Permanente Exército Brasileiro. 
SELVA!
Em tempo: A missão desenvolvida no morro da previdência pelos militares do Exército, configura dois crimes: primeiro o eleitoral, visto que se desenvolve, conforme consta do “out door” do “bispo” e seu colega Senador Marcelo Crivela, em sua campanha eleitoral; segundo por uma quebra de hierarquia do Presidente Lula comandante supremo das FFAA, contrariando as recomendações do Comandante do Leste e sem comunicação ao Governador do Estado, configurando ainda uma intervenção federal, e ultrapassando hierarquicamente, o Ministro da Defesa e o Comandante do Exército, ordenando uma missão de cunho eleitoreiro o que tipifica um crime eleitoral e de responsabilidade.
Seria grave se fosse em um país sério, mas aqui??? Tem o tal jeitinho brasileiro, que se materializa nos conchavos ou reuniões de lideres, sendo que sobrarão ao final defensores “gratuitos” para essa segunda quebra de hierarquia do apedeuta. 
Republiqueta!! Até quando ?
Fonte: ReservAtiva

El Camino Que Sigue la Argentina (e o Brasil, Quem Sabe?)

UNA HISTORIA, DOS PAISES
Esta es la historia de un líder político de un país del sur de un continente pobre, cuya población es la más alfabetizada del mismo y donde la cultura occidental tiene más relevancia. Este país era el granero de dicho continente, siendo sus principales generadores de entrada de divisas las exportaciones agrícolas, minerales y el turismo.
A lo largo de su militancia soportó la cárcel, bajo la acusación de subversivo pro-marxista. Su constancia y el apoyo de su partido lograron llevarlo al poder, primero bajo el ala de otro caudillo del cual rápidamente se despegaría para hegemonizar la autoridad del país.
Durante los primeros 4 años al frente de la República, este presidente dio sobradas muestras de pragmatismo en sus decisiones, sin ánimos revanchistas contra sus opositores. Se enfocó a consolidar el respeto por la propiedad privada y por las eficientes explotaciones agrícolas. En este comienzo se encargó de asegurar su base de poder tanto en su partido como en el país, seduciendo a los carecientes que eran mayoría.
A partir del quinto año el presidente vira su política a un régimen marxista-leninista unipartidario. Esta intención fracasa no tanto por la resistencia planteada por una oposición representada por personajes desacreditados y débiles, sino por las tendencias en auge democráticas del continente.
Este panorama no impidió que el nuevo caudillo fuera reelegido en las sucesivas elecciones bajo una fachada multipartidista ficticia, ya que los opositores eran intimidados y las elecciones tenían de todo menos transparencia: muertos que votaban, vivos rechazados en los centros de votación con cualquier excusa, control de los medios de comunicación por parte del Estado y despliegue masivo de regalos — electrodomésticos, combustibles, etc. — a quienes lo votaran. Elección tras elección alcanzaba altos porcentajes, ante la pasividad de una oposición amenazada y debilitada.
Su apoyo inicial al agro se tradujo en altos índices de producción agropecuaria y una drástica mejora en los índices de desarrollo humano, como la tasa de mortalidad. Mas pasados los años de gobierno estos logros tambalearon por la ineficacia, fuera de control la inflación, de las políticas de ajustes. Casi todos los ingresos y ahorros fueron destinados al pago de la deuda pública y los salarios y emolumentos del hipertrofiado aparato administrativo, encastrado con las tramas clientelistas y corruptas del partido gobernante. Además la entrada de productos extranjeros afectó negativamente al muy poco competitivo sector manufacturero provocando el cierre o recortes de empresas.
Ante una situación social y económica deteriorada, con falta de divisas, hiperinflación y desabastecimiento, el primer mandatario decidió lanzar después de muchas advertencias su reforma agraria. Se autorizaba la confiscación de tierras a agricultores, a los ciudadanos blancos — enemigos de la población "morocha" — mediante la violencia de grupos paraoficiales que incluyó destrucción de bienes, quemas de pastizales y plantaciones y hasta de violaciones de mujeres. El jefe de los paraoficiales amenazaba a la población con una guerra civil si el partido oficialista perdía las elecciones ante la oposición, a la que calificaba como "marioneta de los blancos" y llamaba a eliminarla por la fuerza por considerarla residuo del colonialismo.
Los excesos del presidente sumergieron al país en el desastre general: la producción agrícola y minera se desmoronó, las inversiones extranjeras desaparecieron, la inflación se disparó a cifras anuales inverosímiles. De todos los campos expropiados que debían terminar en poder de los más pobres el 70 % quedaron en mano de allegados al presidente. Los exabruptos incluyeron una declaración de guerra a su oposición política, mientras el partido multiplicaba la movilización de militantes; la crítica al presidente se tipificó como delito criminal por buscar el golpe de Estado, y se prohibió el control de las elecciones por monitoreo de representantes de otros países.
Definitivamente la pregonada redistribución de la riqueza determinó el colapso del sector más productivo del país — el agro — y el único que producía excedentes, luego dilapidados por un régimen de funcionarios ineptos que conservaban sus cargos adulando al viejo gobernante.
¿Adivinó de qué país se trata?
Todo lo narrado se refiere a la República de Zimbabwe y su presidente Robert Mugabe. Su última muestra de patetismo fueron las últimas elecciones, donde por primera vez en 28 años debió admitir una derrota pero — merced a su injerencia en el Poder Judicial — logró forzar un llamado a segunda vuelta. El mundo entero lo califica, mínimamente, como un autócrata obsesionado con mantenerse en el poder.
Zimbabwe obviamente es el país con la inflación más alta del mundo. En 10 años pasó de tener un 32 % anual a más de 100.000 %. Una hamburguesa vale más de 10 millones de la moneda local. Su tasa de desocupación también es récord.
Ante la inminencia de la segunda vuelta electoral Mugabe, de 84 años, declaró: "La oposición jamás gobernará mientras yo viva, estoy dispuesto a luchar por el país. El país no caerá en manos de traidores, mientras estemos vivos es imposible. Estamos dispuestos a morir e ir a la guerra".
Las apariencias engañan, los discursos también
En nuestro convulsionado país asistimos, con motivo del conflicto rural, a una fractura de la sociedad. Con impresentables y errores de los dos sectores, resalta más el patético papel de los alcahuetes oficialistas que repiten cual letanía un discurso ajeno sobre temas que desconocen pero cuya defensa les garantiza el calor del poder.
Es interesante tanto en Zimbabwe como en Argentina como las simplificaciones giran alrededor de lo mismo, máxime siendo dos sociedades tan distantes: nosotros o nadie, redistribución ficticia de la riqueza, opositores golpistas y traidores, "Patria sí, Colonia no", "blanquitos contra morochos".
Y más preocupantes son otras similitudes: agresiones a opositores, grupos paraoficiales, medios de comunicación cooptados o intimidados, funcionarios enriquecidos e impunes.
Para no imitar la idiotez del discurso oficialista local bien vale aclarar que Kirchner no es Mugabe, aún. Más allá de acusaciones por demagogia uno puso el tema de los derechos humanos sobre la mesa, y el africano debajo de su bota. A partir de esto, apelando a la cordura, uno ruega para que la parte de violencia del caso africano que aún no se vivió en la Argentina jamás nos llegue.
Por lo demás Mugabe lleva 28 años ininterrumpidos en el poder. Kirchner casi 5, y va — sin ironías — hacia 8. Es de esperar que la "alkimia" de Néstor no nos depare una continuidad vía Máximo, Florencia, Alicia Margarita, Rudy Igor o Jorge "Acero" Cali.
O, en el caso que lamentablemente suceda, que nos demos cuenta que Néstor no se inmiscuye en su gobierno.
Al fin al cabo nunca escuchamos declaraciones de la esposa de Mugabe. De la esposa de Néstor, realmente, tampoco ...
Tomás Ryan