terça-feira, 31 de março de 2020

Jornalista Paulo Martins - 1964, Eu Estava Lá!


*1964: por quem viveu a História*
O jornalista Paulo Martins, que, em 1964, anunciou a vacância do cargo de Presidente da República decretada pelo Congresso Nacional, restabelece a verdade histórica da falaciosa versão de que os militares depuseram Jango em 64. 
O radialista é testemunha viva do ocorrido e relata como tudo aconteceu (matéria publicada em 29 Mar 2019, pela TV Tarobá).
56 ANOS DE MOVIMENTO QUE EVITOU SERMOS TRANSFORMADOS EM UMA VENEZUELA
A mentira é uma depravação e depravação significa, entre outras coisas, falta de rigidez moral, de decoro. Digo isso em razão de estar se avizinhando uma data histórica que "dissociados da verdade" insistem há anos de chamar de golpe, "o golpe de 31 de março" praticado por "militares".
Nessa afirmação envolvendo a posição de militares, juntam outra depravação em torno do que se conhece por revolução e explico.
Primeiro, que nem o dia certo do movimento que inspirou a tomada de posição contra a tentativa de implantar o comunismo no Brasil os acusadores sabem, e me cabe corrigir essa falsidade informando que não foi no 31 de março.
A tentativa de agitar a nação, depois de dias de bagunças, se deu em 1º de abril. No 31 de março, num planejamento de agitação, João Goulart e Leonel Brizola deixaram Brasília e se dirigiram para Porto Alegre, iniciando a tentativa "de golpe de esquerda" no dia seguinte, 1º de abril, agitação a que deram o nome de "campanha da legalidade".
Segundo: o movimento de resistência que os insipientes de hoje não sabem, ou se sabem, mentem, teve como líderes "não os militares", que ao longo dos anos são atingidos por espetadas de baixaria. A liderança daquele movimento revolucionário pertenceu a civis que inspiraram o povo brasileiro a sair às ruas, aos milhares, em todas as capitais, em passeatas que ficaram conhecidas como "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".
E os civis que promoveram e lideraram a revolução foram os governadores civis, repito, do Paraná, Ney Braga; de Minas Gerais, Magalhães Pinto; da então Guanabara, Carlos Lacerda; do RS, Ildo Meneghetti; de São Paulo, Ademar de Barros; e de Santa Catarina, Celso Ramos; além dos jornalistas Roberto Marinho, da Globo; e Assis Chateaubriant, dos Diários e Emissoras Associados; essa última, a empresa para a qual eu trabalhava.
Os militares, diante da pressão desses líderes governamentais e da pressão do povo nas ruas, depois de Goulart e Brizola abandonarem tudo e fugirem, é que após um breve período de governo de Ranieri Mazzilli (o Presidente da Câmara dos Deputados que foi empossado pelo Congresso), é que assumiram o comando da Nação por ter o mesmo Congresso decretado vago o cargo de Presidente ... ninguém tirou Goulart de lá ... ele é que fugiu.
Assim, é um depravado todo aquele que mente sobre o que chama de golpe e que foram os militares que assim determinaram, pois golpe é o que queriam os sociopatas implantar. E rotulo de "depravados" tanto aqueles, como os que hoje repetem a mentira, por uma razão: fui eu o locutor que foi obrigado a entrar na marra no estúdio da Rádio Farroupilha naquele 1º de abril. Conduzido por Brizola, fui sequestrado e testemunha ocular da história  e ali fiquei na cadeia de rádio chamada de "Cadeia da Legalidade".
Fui nomeado oficialmente por Goulart e Brizola, lendo ofícios redigidos e patrulhados por um bando de agitadores.
Acompanhei toda história, também, depois através do tempo e, todos seus capítulos não cabem aqui, mas digo mais: todos os jornais brasileiros apoiaram os governadores civis líderes daquele movimento, assim como apoiaram os militares, depois que assumiram para botar ordem no País, todos os "grandes jornais brasileiros", com exceção do chamado "Última Hora".
E os militares, após assumirem e resgatarem a ordem atropelada pelo comunismo, transformaram o Brasil, da 49ª economia do mundo, na 8ª economia do mundo.
Assim, pela verdade dos fatos, que se honre nesse fim de semana os 56  anos do movimento que evitou nos transformarem numa Venezuela de hoje. 
--*--
Sugere-se a leitura do e-book "Entre Mitos e Verdades - a História do Regime Militar", que pode ser baixado em http://bit.ly/2I2c7dJ

sexta-feira, 20 de março de 2020

Sequestros, Esta é a Palavra Correta

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SEQUESTROS, COM LETRA E SANGUE
Ofende às vítimas saber que as FARC falam ante a JEP de "retenções".
Como se fosse pouco para um ser humano estar meses ou anos acorrentado, humilhado. 
A reparação também é moral.
Os discursos justificatórios das FARC, agora Partido FARC, minimizando as atrocidades cometidas por seus guerrilheiros enquanto estiveram imersos no conflito armado contra o Estado colombiano, não conhecem limites.
Ofende a centenas de milhares de vitimas seu discurso nas audiências da JEP (Jurisdição Especial de Paz) “suavizando” o teor humilhante e desumano de seus crimes.
Denominar “retenções” a sequestros que demoraram meses e anos, dos quais muitas vitimas nunca regressaram ou após os quais suas vidas foram afundadas em traumas e recordações de horrores é mais um dos malabarismos verbais que se chocam contra a necessidade, e a obrigação  segundo os acordos firmados com o Estado , de dizer a verdade, de garantir a não repetição e de reparar não só economicamente mas também moralmente a esteira de vitimas que deixaram.
O idioma e suas acepções oferecem claridade: uma retenção talvez poderia aludir a que um dos bandos de uma confrontação prive da liberdade transitoriamente a civis em circunstancias de combate, de hostilidade, de comprovação de informações de Inteligencia, mas os sequestros das FARC contra diferentes personalidades do país fizeram parte de uma rede de cálculos criminais de intimidação da sociedade, de crueldade, de ostentação de “poder” e humilhação aos cidadãos, que se prolongaram com implacável desprezo pela vida e a humanidade.
Nos acordos de Havana com as FARC, assim como na sua evolução normativa, os compromissos da ex-guerrilha são claros: incluem a não re-vitimização. Se os reincorporados não os cumprirem, podem ter revogados os múltiplos benefícios jurídicos concedidos.
Por sua parte, a Jurisdição Especial de Paz (JEP) não é espectadora passiva do que queiram indigitar os responsáveis de crimes tão cruéis como o sequestro. Embora em uma primeira etapa processual devam ser registrados os testemunhos, chegará o momento em que devem valorar, contrastar, contra-interrogar, questionar e, finalmente, julgar. Julgar com a lei nas mãos, com as definições precisas sob as quais as normas tipificam os crimes de guerra e delitos de lesa humanidade.
A carta da líder política Ingrid Betancur para a JEP retrata essa indignação, em dupla via: a primeira, porque se inteirou das categorias e do relato manipulado dos ex-combatentes, nas audiências, por versões dos meios de comunicação, não dos magistrados e do sistema de justiça transicional.
O segundo, que é o mais profundo e que é a substância deste editorial, porque a historia de sofrimento e ignominia que padeceram as vitimas dessa guerrilha, em especial os sequestrados (hoje vivos ou mortos), pode ser enterrada e seus efeitos jurídicos e judiciais diluídos no esquecimento e na impunidade.
Varias linhas da carta de Íngrid descrevem a surpresa e o mal estar: “O agrilhoamento era parte de sua obsessão com o castigo para nos quebrar psicologicamente (...) Se apropriaram de minha vida, de meu tempo familiar e laboral (...) para me usar como escudo militar, moeda de troca e plataforma midiática”. Por isso, adverte ela com razão que “perdão não é esquecimento. Tampouco é impunidade”.
Se o Partido FARC e os desmobilizados pretendem se insertar realmente na vida do país, e na civilidade, deverão entender que sua aceitação não significa esquecimento nem este relato lânguido e eufemístico de suas atrocidades.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Mentira Esquerdista Desmentida

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“Os adolescentes cometem menos de 1% dos homicídios e são 36% das vítimas”
por Leandro Narloch
Ainda não sei qual é a minha posição sobre a redução da maioridade penal. Concordo que há um problema de impunidade de adolescentes violentos, mas o projeto parece mais uma manifestação do mesmo populismo penal que motivou a lei do feminicidio. O que eu sei é que os dois lados da discussão precisam ter mais cuidado com os números e argumentos que apresentam.
Nas últimas semanas, o Globo, a Folha de S. Paulo, o Diário de S. Paulo, a revista Exame, o portal Terra, a edição impressa de Veja e quase todas as ONGs e políticos contrários à redução disseram que menos de 1% dos homicídios no Brasil são cometidos por adolescentes. A Folha reproduziu o dado num editorial e em pelo menos dois artigos, de Vladimir Safatle e Ricardo Melo.
Havia razão para publicar a porcentagem, pois ela parecia vir de órgãos de peso — o Ministério da Justiça e o Unicef. Acontece que a estatística do 1% de crimes cometidos por adolescentes simplesmente não existe. Todas as instituições que jornais e revistas citam como fonte negam tê-la produzido.

O Mito do 1%
Numa nota contra a redução da maioridade, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) reproduziu a estimativa e deu a Secretaria de Direitos Humanos como referência. Mas a Secretaria de Direitos Humanos diz que nunca produziu uma pesquisa com aqueles dados.
O Congresso em Foco, hospedado pelo UOL, afirma quesegundo o Ministério da Justiça, menores cometem menos de 1% dos crimes no país”. Um punhado de deputados e sites do PT diz a mesma coisa. Mas basta um telefonema para descobrir que o Ministério da Justiça tampouco registra dados de faixa etária de assassinos. “Devem ter se baseado na pesquisa do Unicef”, me disse um assessor de imprensa do ministério.
Seria então o Unicef a fonte da estimativa? Uma reportagem do Globo de semana passada parece resolver o mistério: “Unicef estima em 1% os homicídios cometidos por menores no Brasil”. Mas o Unicef também nega a autoria dos dados. Fiquei dois dias insistindo com o órgão para saber como chegaram ao valor, até a assessora de imprensa admitir que “esse número de 1% não é nosso, é do Globo”. Na reportagem, o próprio técnico do Unicef, Mário Volpi, admite que a informação não existe. “Hoje ninguém sabe quantos homicídios são praticados por esse jovem de 16 ou 17 anos que é alvo da PEC.Sabe-se lá o motivo, o Globo preferiu ignorar a falta de dados e repetir a ladainha do 1%. O estranho é que o Unicef não emitiu notas à imprensa desmentindo a informação.
Também fui atrás da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, mas nada: o governo paulista não produz estimativas de faixa etária de assassinos, somente de vítimas. Governos estaduais são geralmente a fonte primária de relatórios sobre violência publicados por ONGs e instituições federais. Se o estado com maior número absoluto de assassinatos no Brasil não tem o número, é difícil acreditar que ele exista. Resumindo: está todo mundo citando uma pesquisa fantasma.
Na verdade, uma estatística parecida até existiu há mais de uma década. Em 2004, um pesquisador da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo lançou um estudo afirmando que menores de idade eram responsáveis por 0,97% dos homicídios e 1,5% dos roubos. Foi assim que nasceu a lenda do 1% de crimes cometidos por adolescentes.
Mas a pesquisa de 2004 tropeçou num erro graúdo. Os técnicos calcularam a porcentagem de crimes de menores em relação ao total de homicídios, e não ao total de homicídios esclarecidos. Sem ligar para o fato de que em 90% dos assassinatos a identidade dos agressores não é revelada, pois a polícia não consegue esclarecer os crimes.
Imagine que, de cada 100 homicídios no Brasil, apenas oito são esclarecidos, e que desses oito um foi cometido por adolescentes. Seria um absurdo concluir que apenas um em cada cem homicídios foi praticado por adolescentes. Um estatístico cuidadoso diria que menores foram culpados por um em cada oito crimes esclarecidos (ou 12,5%).
Adotando esse método, os números brasileiros se aproximariam dos de outros países. Nos Estados Unidos, menores praticaram 7% dos homicídios de 2012. No Canadá, 11%. Na Inglaterra, 18% dos crimes violentos (homicídio, tentativa de homicídio, assalto e estupro) vieram de pessoas entre 10 e 17 anos. Tem algo errado ou os adolescentes brasileiros são os mais pacatos do mundo?
Sim, tem algo errado: a estatística.

O Mito dos  36%
Há ainda outro malabarismo. Pesquisas sobre causas de morte de adolescentes mostram que, dos jovens que não morreram de causas naturais, 36% foram assassinados. Muita gente está usando essa porcentagem para uma afirmação bem diferente: a de que os adolescentes são 36% das vítimas de homicídio no país. Tiraram a porcentagem de uma frase e a colocaram em outra. O número real é bem menor. Em São Paulo, jovens entre 15 e 19 anos são 9% das vítimas. Se dividirmos em partes iguais, os mortos com 15 a 17 anos são 5,4% do total.
Até mesmo o Unicef concorda com o número mais modesto. A entidade diz que 33 mil brasileiros entre 12 e 18 anos foram assassinados entre 2006 e 2012. O total de homicídios nesse período foi de 350 mil, segundo o Mapa da Violência. Dá 9% de menores de idade no total de vítimas. É estranho ver o Unodc, também da ONU, repetir o mito de que 36% das vítimas de homicídio são adolescentes. É a ONU contradizendo a própria ONU.

A Falha do Argumento
Alguém pode dizer que o número de jovens homicidas continua baixo. Mesmo se for 1% ou 10%, a redução da maioridade não resolveria muita coisa. Acontece que os brasileiros entre 15 e 18 anos são, segundo o IBGE, 8% da população. Afirmar que adolescentes respondem por uma pequena parte dos crimes faz parecer que eles não são culpados pela violência do país, quando provavelmente são tão ou um pouco mais violentos que a média dos cidadãos.
Não há aí nenhuma novidade. Quem já passou pela adolescência sabe que essa é a época da vida em que mais nos sujeitamos a brigas, perigos e transgressões. Não é preciso ser um grande estudioso do comportamento humano para concluir que a juventude é a época de fazer tolice.
Além disso, a estatística compara uma faixa etária muito estreita  jovens entre 15 e 17 anos  com uma muito ampla  qualquer adulto com mais de 18 anos. É claro que o segundo grupo vai ficar com o maior pedaço. Mas se confrontarmos faixas etárias equivalentes, a violência é similar. Brasileiros entre 35 e 37 anos também são responsáveis por uma pequena porcentagem de assassinatos. Deveríamos deixar de condená-los, já que a prisão deles não resolveria o problema de violência no Brasil? Não, claro que não.
Os opositores da redução da maioridade penal ainda têm uma boa lista de razões para lutar contra o projeto de lei. Argumentos não faltam. O que falta é cuidado com os números.
@lnarloch
Atualização: depois da publicação deste post, fui procurado por Tulio Kahn, autor da pesquisa de 2004 da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Ele me esclareceu que foi a reportagem da Folha que chegou ao número de menos de 1% de crimes, cometendo o erro que descrevi acima. Segundo Kahn, em seus dados originais, os homicídios cometidos por adolescentes seriam 3,3% do total de homicídios esclarecidos.
Fonte:  Revista Veja

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Não Se Apavore Com o Novo Vírus — Leia Isto ...

O novo coronavírus ainda não é uma pandemia e não há como prever se o será.
A mortalidade é baixa, mas não se pode baixar a guarda.
O Presidente chinês interdita uma região e mata 10.000 pessoas enfermas com gás venenoso para evitar que se propague uma infecção ainda mais perigosa. Isto se conta na premiada novela de ficção científica Wake (Viking Canada, 2009), de Robert J. Sawyer. Nesse livro, para que o assassinato em massa não seja revelado, o país fica desconectado da Internet.
Quando se publicou a obra, em 2009, este cenário não parecia tão disparatado ante o encobrimento e a censura do governo chinês ao tratar com a síndrome respiratória SRAS (ver em Cronologia, abaixo). ¿Que detalhes dessa historia se relacionam com o surto do novo coronavírus?
Segundo o Hospital Universitário Johns Hopkins de Estados Unidos, já há 6.165 casos confirmados, 133 personas morreram e 126 contagiados se recuperaram [dados de 30 Jan 2020  ontem estavam em 902 mortos].
Imagine uma cidade, com uns 11 milhões de habitantes, completamente fechada quanto ao seu exterior. Sem conexões de ônibus, trens, voos nem transporte público. As estradas, bloqueadas e as salas de cinema, fechadas. Atualmente, enquanto estás lendo isto, há dois lugares em que isto se passa. Estão localizados na China Central, no médio rio Yang-tze e se chamam Wuhan, da qual se tem escutado recentemente nas noticias, e Huang-gang, que tem a mesma população de Bogotá, uns oito milhões.
A respeito, o doutor Gauden Galea, representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) na China, disse ao diário The New York Times,até onde sei, sitiar a 11 milhões de pessoas é novidade para a ciência”.
Cada vez há mais pessoas cobertas por estas medidas extremas para evitar que o problema de saúde pública seja ampliado. Desde o passado 24 de janeiro, ao menos 14 cidades e, portanto, cerca de 35 milhões de habitantes na China estão em quarentena para conter o coronavírus.
Lina Luna, internacionalista especialista em China contemporânea e professora da Universidade Externado de Colombia, afirma que ainda que aquele país seja fechado quanto a suas políticas internas, isto não ocorre em assuntos globais de saúde. De fato  diz  eles tem liderado a OMS etem sido abertos em quanto aos dados sobre esse vírus. Eles sabem que o mais apropriado em casos como este é a colaboração global”.
Diferentemente do que sugere a historia de ficção de Sawyer, apesar da quarentena, hoje quando a China volta a ser o epicentro de um vírus, está mais aberta quanto aos dados que tem obtido sobre a epidemia que inquieta o mundo. Em dez dias, por exemplo  um tempo recorde  investigadores chineses lograram sequenciar o vírus 2019nCov e publicaram na Internet (no portal de informação genômica NGDC) os dados para todos que queiram ter acesso a eles.

O que se sabe
Esta epidemia está se mostrando difícil. Se dissemina antes de que qualquer sintoma apareça. Para que o medo não se propague mais rápido: ainda não está na Colômbia [nem no Brasil] e não é uma pandemia. Não, ainda. Tampouco se sabe se será. O doutor Hugo Grisales Romero, matemático, estatístico e doutor em epidemiologia da Universidad de Antioquia, conta que existem modelos matemáticos para descrever o avanço de uma determinada enfermidade, mas “nem tudo está escrito”.
A pandemia é definida pela OMS  única entidade que pode determinar se uma epidemia se converte em algo mais  como uma propagação mundial de uma nova enfermidade. Francisco Javier Díaz, médico virólogo e docente da Faculdade de Medicina da Universidad de Antioquia, complementa: “O coronavírus não é pandemia porque ainda não se apresentaram casos autóctones fora da China”.
Sim, há casos na Europa e América do Norte, mas todos foram contagiados na China e posteriormente regressaram a seus sítios de origem.
No artigo científico Tempo de origem e dinâmica epidémica do novo coronavírus, publicado na Revista Biorxiv em 27 de janeiro de 2020, se assinala que a infecção começou em 17 de dezembro de 2019. Os pacientes começaram a chegar com pneumonia às clínicas de Wuhan. Seus sintomas eram febre, tosse e dificuldade para respirar. Algo normal no inverno no qual estão.
No entanto, os médicos não encontraram as causas das pneumonias e os pacientes não respondiam aos tratamentos com antibióticos. Até que apareceu o primeiro sinal de alarme: a maioria dos infectados trabalham em um mercado de animais vivos em que alguns animais domésticos e selvagens são comercializados.
O novo coronavírus já chegou a 13 países e já se sabe que o tempo entre a infecção e o inicio da enfermidade em uma pessoa é entre um e 14 dias.
É mortal, mata em media menos de 3% dos infectados e cerca de 20% experimentará enfermidade grave. Se perguntará, então, a que se devem os alarmas e a preocupação.

¿Exagero?
Embora ainda não seja pandemia, não descuide. No relatório do Global Preparedness Monitoring Board (GPMB), convocado conjuntamente pelo Banco Mundial e a OMS, foi advertido, em setembro de 2019: “Por muito tempo temos permitido um ciclo de pânico e negligência quando se trata de pandemias: nos precipitamos em esforços para combater uma ameaça seria, e rapidamente nos olvidamos do perigo que subsiste”.
Ainda que as enfermidades, epidemias e pandemias sempre tenham existido, conta Díaz, virólogo da U.de A., “os dois fatores fundamentais que complicam o surto são o crescimento da densidade populacional e o aumento do trânsito internacional”. Essa possibilidade contemporânea de viajar a qualquer parte do mundo em menos de 36 horas significaria que as infecções se possam dispersar de país a país e logo tornar-se mundiais.
Alberto García, médico pediatra intensivista espanhol, explicou em uma postagem no Twitter, que o coronavírus depende de aquele a quem infecta para replicar-se. Como todos os vírus.
Há para todos: para cães, macacos, morcegos e humanos. Como vivem fazendo copias, às vezes cometem um erro que lhes favorece estupendamente. A copia lhes permite saltar, por exemplo, de morcegos para humanos”. Esta última hipótese acaba de ser apoiada por uma investigação publicada no The Lancet, que seguiu a pista da “árvore genealógica” de vários vírus encontrados em morcegos, muito similares ao da epidemia atual em pessoas.
É importante recordar que as infecções virais “não costumam requerer tratamento”, acrescentou. Os vírus se replicam, mas os seres vivos, armados com seu sistema imunológico, sacam seu conjunto de defesas para enfrenta-los.
Por isso é que o tratamento geralmente é o de gerenciar os sintomas e esperar. Se for um vírus respiratório, oxigênio ou auxílios para respirar, e se for digestivo, hidratação constante. As complicações, acrescenta García-Salido, se dão nos menores, nos mais idosos e nos pacientes com enfermidades ou situações de debilidades prévias.
O alerta se torna vermelho quando as infecções se dão por um novo vírus antes não descrito em humanos. Edwin Silva Monsalve, médico infectologista de Bogotá, e parte da ciência aberta na América Latina, disse em sua conta no Twitter que esta é a “terceira vez que um vírus zoonotico (de origem animal não humano), cruzou a barreira de especies”. Os outros dois foram a gripe aviaria e a suína.
As situações de gravidade e mortes se produzem em sua maioria em populações de risco. O resto, diz García-Salido, deve confiar no sistema imunológico, que saberá como tratá-lo.
Os pacientes se hospitalizam para frear a propagação de um vírus que não se conhece bem.
Por isso as agências de saúde como a OMS e o CDC dos Estados Unidos tomam medidas. Já se sabe que é um vírus de origem animal o que causa o surto e como se transmite. Agora se deve conte-lo e evitar que ele se expanda. É apenas lógico e não deveria alarmar a população. Na Colômbia a entidade encarregada pela prevenção é o Ministério de Saúde e Proteção Social. Na quarta-feira (29/1), Sandra Girón Vargas, diretora de epidemiologia e demografia dessa instituição, disse em entrevista coletiva que, até agora, as medidas são as mesmas que para a Infecção Respiratória Aguda (Ver as Recomendações, abaixo).
Esta situação já foi vivida antes, diz o doutor Díaz, e aprendeu-se bastante. No passado, ao apresentar-se outras epidemias similares, muitos queriam ajudar e não sabiam como. Agora se sabe que os planos de preparação iniciados em 2003 frente à gripe aviária tem sido de grande utilidade: tomamos consciência da importância dos programas de vigilância (um tipo especial de protocolo em que se controlam diversos parâmetros de maneira sistemática, periódica e oportuna) e foram estabelecidas normas para os alarmes e medidas de controle. Também, agora se sabe que há uma necessidade de controlar as epidemias da gripe animal e que não existem grupos de idade não sensíveis aos novos vírus gripais.
A diferença contemporânea é o fluxo de informação que fascina os científicos. A ciência cada vez mais colaborativa e menos individualista está gerando um grande banco de dados sobre o comportamento do coronavírus e de seu possível tratamento. Em um mês já se tem publicações científicas arbitradas que revisam assuntos clínicos, diagnósticos, possíveis tratamentos e número de contágios estimados por pacientes (dois a quatro).
Assim, se o vírus chegar à Colômbia [ou ao Brasil], mantenha a calma. As entidades encarregadas, o Ministério da Saúde, a Aerocivil, Migração da Colômbia e, inclusive, as mesmas companhias aéreas já estão preparadas para reagir ante a aparição deste vírus. Você tem sua cota na prevenção com atos tão simples como lavar as mãos constantemente. Consultar um especialista e informar-se bem antes de entrar em pânico também é uma boa estrategia.

Cronologia dos Vírus mais Mortais do Século XXI
— Zika: Em 2007 houve uma grande epidemia na Micronésia, onde cerca de 75% da população resultou infectada. Brasil informou sobre casos locais em maio de 2015. Se estendeu depois a outros 22 países.
— Ebola: Essa febre hemorrágica com uma alta taxa de mortalidade se produziu em 2013 na Guiné e logo se propagou a países vizinhos: Libéria, Serra Leoa, Nigéria e Senegal, entre outros.
— SRAS: A Síndrome Respiratório Aguda Grave (SRAS) apareceu em Cantão, China, em 2002. Se contagiaram 8.000 pessoas, e mais de 800 faleceram em 37 países. É similar ao coronavírus de Wuhan.
— Gripe aviária:  Os tipos mais conhecidos de gripe aviaria são o H5N1 e o H7N9. O primeiro caso em humanos do vírus H5N1 se deu em Hong Kong em 1997. Entre 2003 e 2014 houve 700 contágios e morreram 400 pessoas.
— Gripe suína: Em 2009, uma cepa chamada H1N1 ou também gripe suína, originou uma pandemia. Morreram mais de 18.000 personas. O surto se propagou por mais de 20 países, sobretudo no sudeste asiático.
— Coronavirus 2019-nCoV: Este novo vírus apareceu na cidade chinesa de Wuha. Se transmite de pessoa a pessoa e pode ser contraído ao comer carne animal pouco cosida. Os sintomas são similares aos de uma gripe.

Glossário
 Epidemia: Detecção de um aumento no número de casos acima do esperado, o que dá uma ideia da propagação de uma doença, mas não o quão patogênica é.
— Pandemia: Quando um novo vírus se espalha pelo mundo e a maioria das pessoas não tem imunidade contra ele. Casos indígenas devem ocorrer.
— Vírus: Não há consenso sobre se estão vivos ou não. Eles estão alojados dentro de uma célula de outra criatura. Instalados, eles começam a fazer cópias deles mesmos.
— Coronavírus: Extensa família de vírus, alguns dos quais podem ser a causa de várias doenças humanas, desde o resfriado comum até a SRA.

Recomendações
Para evitar contágios:
 Lave as mãos. Esta é a medida mais simples e eficaz de proteção contra infecções.
— Se você tossir e não tiver um lenço de papel, faça-o no cotovelo. Infecções se espalham por curtas distâncias.
 Fique em casa se estiver doente. Esteja ciente de quão importante é evitar o contágio.
Fonte:  tradução livre de El Colombiano
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domingo, 26 de janeiro de 2020

O Rio Grande do Sul é um Estado de Racistas?

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Tá certo, a gauchada é racista como o brasileiro em geral. Nem mais nem menos.
Veja o número de brancos, nos estados, e de negros e "pardos".
Notem que o RS tem apenas 16 por cento de pretos/pardos.
Analise Estado por Estado:
Para terem uma ideia, a Bahia tem 81 [na verdade aproximadamente 75] por cento de negros/pardos.
E somente em 2018 elegeu a primeira negra para o cargo de deputada estadual. Ao assumir o cargo, leia o que Olívia Santana disse: "O racismo está no Brasil todo, mas na Bahia deveria ser comum que mulheres negras ocupem espaços de poder na política. Mas o que vemos é que isso é incomum."
Agora, veja o que a ativista norte-americana Ângela Davis afirma:
Não posso falar com autoridade no Brasil, mas às vezes não é preciso ser especialista para perceber que alguma coisa está errada em um país cuja maioria é negra e a representação é majoritariamente branca”.
...
São raríssimos os negros que foram eleitos para cargos majoritários  prefeito e governador.
Assim, sem ajuda do Google, lembro do governador do Espírito Santo, Albuíno Azeredo, e do prefeito de São Paulo, Celso Pitta, afilhado [político] de Paulo Maluf.
Quem mais?
Alceu Collares foi eleito prefeito de Porto Alegre e governador do RS. Antes havia sido deputado federal.
E isso que algumas "lideranças" do movimento negro afirmam que o RS é o Estado mais racista do Brasil!
Ah, antes de Collares, a gauchada elegeu Carlos Santos deputado estadual, tendo inclusive assumido o cargo de governador, no impedimento do titular.
...
Querem mais um exemplo do Estado mais racista do Brasil?
Tem a história da atual prefeita de Dois Irmãos, município de colonização alemã.
Tânia Terezinha da Silva, nascida em Novo Hamburgo, em 1º de julho de 1963, é técnica em enfermagem. Filiada ao MDB, foi eleita vereadora, em 1996, em Dois Irmãos-RS. Foi a quarta mais votada. Foi presidente da Câmara Municipal e eleita prefeita em 2012 e reeleita em 2016. Foi a primeira mulher e a primeira mulher negra eleita para o cargo.
Filha de uma empregada doméstica e de um caminhoneiro, a caçula de seis irmãos, Tânia Terezinha é servidora concursada da Prefeitura de Dois Irmãos. Não conseguiu se reeleger em 2000, assumindo a coordenação do Posto 24 horas da cidade.
Em 2008, recebeu 2.055 votos, a mais votada da cidade, e foi eleita, por unanimidade, presidente da Câmara Municipal.
Em 2012, em eleição apertada, venceu a disputa pela prefeitura com 9.450 votos, contra 8.840 do ex-prefeito Gerson Schwengber (PT). Foi reeleita para o cargo em 2016, com 56,33% dos votos.
Em janeiro de 2018, assumiu o cargo de presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio dos Sinos.
A Tânia é a da foto ilustra o topo deste espaço.
Fonte:  Blog do Prévidi
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

A Explosão da Sede do Serviço Secreto Colombiano — 30 Anos Atrás

O atentado de 6 de dezembro de 1989 tinha como alvo o General Miguel Maza Marques, mas matou sessenta pessoas e feriu outras quinhentas, sem alcançar seu objetivo.
O contexto do fato se conheceu quase trinta anos depois.
Imagem: El Colombiano
O Atentado
Quinhentos quilos de dinamite de amônia, detonados nove andares abaixo, provocaram apenas um estremecimento que empurrou a cadeira do general Miguel Maza Márquez, diretor do Departamento Administrativo de Segurança (DAS), e fez com que o piso ficasse coberto com pedaços de reboco e vidro de segurança. 
Fora do escritório blindado, no entanto, a imagem era diferente: eram 7h37 da manhã de 6 de dezembro de 1989 e no cruzamento da Carrera (Avenida) 28 com a Calle (Rua) 18A em Bogotá, no bairro Paloquemao, havia ocorrido o mais forte ataque explosivo da história da Colômbia. Sessenta pessoas morreram e 600 ficaram feridas. Documentos dos arquivos dos tribunais, cuja sede era vizinha do DAS, caíam como uma chuva de papel sobre a rua, onde 34 carros que passavam foram reduzidos a esqueletos em chamas e uma cratera de 4 metros de profundidade por 13 de diâmetro arrematavam a cena de um campo de batalha.
Imagem da Internet
Poucos segundos antes da detonação, o local central do buraco gigante era ocupado por um ônibus modelo 1986 da Companhia de Aqueduto de Bogotá, de placas SB6765, roubado uma semana antes por membros do cartel de Medellín, que planejavam o ataque sob as ordens de Pablo Escobar e de Gonzalo Rodríguez Gacha, também conhecido como “el Mexicano”. 
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Mas o alvo, Maza, deixou ileso o escritório às 7h45 e começou a descer pelo que restava do prédio, entre escombros e corpos. No caminho — ele contou à agência Colprensa —, encontrou o corpo de uma de suas secretárias. Às 8 da manhã, o ministro do governo, Carlos Lemos, enviou uma mensagem pela linha direta que ele mantinha com o presidente Virgilio Barco, em visita oficial ao Japão: "Maza está vivo". Era o segundo ataque de que o general se salvava naquele ano. Em maio, 100 quilos de dinamite explodiram na passagem de seu carro blindado na esquina da Carrera 7ª com a Calle 57, também em Bogotá. Sete transeuntes morreram.
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Neste segundo ataque, "Los Extraditables" — o grupo criminoso criado por Escobar para fazer guerra contra um julgamento nos EUA — usaram em frente à sede do DAS cinco vezes mais explosivos, mas em vez de matar Maza, apenas multiplicaram o número de vítimas. Muitos ainda estavam sob os escombros às 9 da manhã, quando Pilar Lozano, uma repórter do El País da Espanha, chegou ao local e viu a rua transformada em um purgatório de almas com dor que murmuravam: “Não quero olhar, não quero ver minha família despedaçada". Um homem que passava viu os jornalistas reunidos e gritou para eles: "Digam que odiamos os narcotraficantes". Essa rejeição popular foi retomada por Maza horas depois, quando ele deu suas declarações à imprensa: "Esta é uma guerra contra o povo colombiano", disse ele.
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"Temos que seguir adiante até acordar desse pesadelo." O despertar do palestrante demorou quase 30 anos e acabou tomando seu lugar na história. Naquele dia 6 de dezembro, ninguém duvidava que Maza fosse o maior inimigo do cartel de Medellín, mas isso mudou em 24 de novembro de 2016, quando ele foi condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça por ter colaborado — em uma aliança tripla entre o DAS, o narcotráfico. e as Forças de Autodefesa de Magdalena Médio — com o assassinato do candidato liberal Luis Carlos Galán, em 18 de agosto de 1989. Só então ficou claro até que ponto os atingidos pela bomba naquele dia, desprotegidos fora do gabinete blindado do general, desconheciam a guerra pela qual morreram.

Ligações de Maza com o crime
A Suprema Corte destacou, em sua sentença, a relação entre o então diretor do DAS, Miguel Maza, com Henry Pérez Durán, comandante das Forças de Autodefesa do Magdalena Médio. Segundo os depoimentos recolhidos na decisão, Maza acusou Pérez de "trabalhos sujos" relacionados ao combate dos guerrilheiros em sua área de influência. Por sua vez, o diretor do DAS colaborou não perseguindo Pérez. Na prática, isso serviu de ponte entre dois inimigos: Maza e Pablo Escobar, por sua relação com o cartel de Medellín.
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O Sobrevivente — William Ortiz González
Aos 10 anos, ele soube que tudo ao seu redor poderia acabar subitamente. Que, qualquer dia, enquanto esperava o café da manhã, por exemplo, as paredes poderiam desabar, os vidros saltarem de suas janelas e o barulho das sirenes e os gritos se tornarem o único som audível.
Foi em 6 de dezembro de 1989. William esperava em uma lanchonete por sua mãe, María Elena, que havia ido a duas quadras dali para deixar sua bolsa em seu escritório no prédio do Departamento Administrativo de Segurança (DAS).
Em algum local, entre o prato colocado sobre a mesa e a bolsa deixada na cadeira, 500 quilos de dinamite explodiram. Tudo mudou do lugar onde deveria estar: os objetos saíram das prateleiras, as mesas viraram, os corpos voaram e aterrissaram, vivos ou mortos, em outro lugar. William levantou-se e caminhou os dois quarteirões que o separavam do prédio do DAS, apenas reparando a cratera de 4 metros no chão, olhando para a porta pela qual, para ele, todas as pessoas do mundo saíam, exceto a sua mãe. Ele demorou a reconhecer a mulher transfigurada pelos escombros que apareceu entre a multidão. Ambos se aproximaram, primeiro em silêncio e andando, depois correndo e gritando, até se estreitarem como nunca antes. O que fazer depois daquele abraço? O que acontece no instante imediatamente após o fim do mundo conhecido? Naquele dia, William e Maria Elena deixaram o palco da guerra, pegaram um táxi e chegaram à casa deles. Mais tarde, ela foi ao hospital e soube que, embora uma viga a tivesse protegido de receber a onda de choque principal, uma parte da pressão entrara em seus ouvidos, danificando completamente um e 50% do outro. O dano a William foi diferente. O que o ataque lhe tirou foi a confiança elementar de que o que o rodeia permanecerá de pé, a tranquilidade de viver sem esperar um estouro. Seu fardo, diz ele, é suficiente para acrescentar o rancor. "Há muito tempo perdoei Pablo Escobar, e a Popeye", diz ele. “Se eu os visse, a única coisa que exigiria seria que olhassem para mim, que me vissem nos olhos".
Fonte: tradução livre de El Colombiano

Por esses fatos, em 1994 um juiz condenou Guillermo Alfonso Gómez Hincapié a 8 anos de prisão e a 9 anos de cárcere a Eduardo Tribín Cárdenas, as pequenas penas foram produto de benefícios pela política de colaboração com a justiça.
Segundo as investigações, Gómez tinha uma relação afetiva com uma secretaria do DAS e teria aproveitado essa situação para fazer espionagem para a mafia. Enquanto que Tribín foi contratado por Gómez para alugar o imóvel no sul de Bogotá, onde armazenaram os explosivos usados no atentado.
Isto foi o que sobrou do chassi do ônibus utilizado no atentado. 
Foto:   arquivo El Tiempo
Posteriormente, Carlos Mario Alzate Urquijo, vulgo "Arete", jagunço de Pablo Escobar condenado pelo ataque ao avião da Avianca, ocorrido uma semana antes ao do DAS, assumiu sua responsabilidade no atentado à sede do órgão.
Alzate Urquijo, foi condenado a 20 anos pelo atentado à Avianca, mas também obteve benefícios por sua colaboração com a justiça e foi libertado em 27 de novembro de 2001. Ao sair da prisão de Itagüí, Antioquia, um sicário o atingiu com dois tiros. Hoje, ‘Arete’ estaria vivendo na Espanha.
Fontes da Fiscalia (Procuradoria) indicaram que atualmente não há nenhuma investigação por este atentado.

Os autores intelectuais: mortos
A investigação aponta como um dos autores intelectuais dos fatos a Pablo Escobar, que financiou o atentado com o qual buscava matar Maza Márquez. Na época, as investigações do próprio DAS sobre o ataque mostraram que Pablo Escobar destinou 1.000 milhões de pesos (cerca de um milhão de reais) para aquele atentado. Escobar foi abatido pela Polícia em 2 de dezembro de 1993 em Medellín.
Também é assinalado outro chefe do cartel de Medellín, Gonzalo Rodríguez Gacha, o 'Mexicano', que contratou o traficante de explosivos no Equador para fornecer ao cartel de Medellín a dinamite utilizada nos atentados em questão. O 'Mexicano' foi abatido em Coveñas, Sucre, em 15 de dezembro de 1989.
John Jairo Arias Tascón, o Pinina, jagunço de confiança de Escobar e um dos chefes do bando ‘los Priscos’, também está citado neste caso. Ele manejava as contas de Escobar desde onde saiu o dinheiro para financiar o ataque ao edifício do DAS. A Polícia abateu o vulgo 'Pinina' em 14 de junho de 1990.
Por último, as autoridades indicaram Gonzalo Chalo Marín, que era integrante do cartel de Medellín e se encarregava de transmitir as ordens de Escobar para realizar atentados com carros bomba. Morreu assassinado em princípios de 1990.
A explosão deixou uma cratera de mais de 10 metros de diámetro. 
Foto:  Arquivo/El Tiempo
O avião pequeno
"Sabíamos que o DAS e seu diretor eram duas das obsessões de Escobar", lembra um funcionário importante da agência que concordou em revelar informações sigilosas, desde que seu nome não seja divulgado.
Por meios técnicos e fontes humanas soubemos que Escobar queria atentar contra o general Maza usando uma aeronave pequena. O escritório do Diretor ficava no 9º andar e, ainda que fosse blindada, era o jeito mais certeiro para causar a sua morte”, explica.
E segue:O plano se frustrou porque apesar de terem localizado pacientes terminais, dispostos a morrer em um atentado em troca de uma boa quantia, nenhum era piloto”.
Escobar, então, optou por reforçar o chassis de um ônibus — identificado com os logos da empresa de Acueducto y Alcantarillado (Água e Esgotos) de Bogotá, previamente roubado — o qual foi carregado com os 500 Kg de dinamite. E encarregou a Jhon Jairo Arias Tascón, vulgo Pinina, seu assassino de confiança, para que executasse o plano terrorista.
O ônibus-bomba explodiu de maneira controlada, enquanto rodava, o que confirma que o condutor morreu junto a civis e membros do DAS. Mas nunca ninguém soube quem conduziu o veículo, e em alguns casos foi difícil identificar os mortos.
A identificação dos cadáveres se tornou penosa e devastadora. Um par de famílias receberam somente pequenos cofres simbólicos do que seriam os restos de seus defuntos.
Vários dos feridos terminaram com lascas de madeira — e vidro — incrustados em seus corpos ou com lesões internas, produto dos golpes secos que receberam contra as paredes como consequência da onda expansiva da explosão.
Dez quadras ao redor resultaram praticamente destruídas. As instalações e edificações da chamada zona industrial de Paloquemao — na Calle 19, um par de quadras acima da Carrera 30 — começaram a desabar, e até escritórios do complexo judicial vizinho foram atingidos. Se calcula que pelo menos 300 empresas tiveram que encerrar suas atividades pelos efeitos do ato terrorista, assim como 30 corporações financeiras.

Mas o alvo de Escobar sobreviveu.
Destruíram o edifício, mas não os homens que trabalham no DAS”,  disse  à imprensa Manuel Antonio González, um dos chefes de segurança, após percorrer os 11 andares do prédio destruído.
Imagem: Arquivo de El Tiempo
Diana Margarita Fonseca, uma secretaria designada à Interpol, se salvou por segundos de morrer, junto com o filho que esperava.
No entanto, a bela mulher, coroada como rainha da simpatia do DAS alguns anos antes, esteve vários meses atrás das grades.
Descobrimos que seu parceiro era Guillermo Alfonso Gómez Hincapié, o mesmo que havia ajudado a alugar o galpão onde havíamos encontrado a dinamite: estava a serviço de Escobar, recorda o funcionário.
E acrescenta que é falso que Carlos Castaño — então lugar-tenente de Escobar e depois chefe paramilitar — tivesse dado informação sobre a localização do galpão: “Tivemos que fazer vigilâncias no bairro por dias. Nessa época, Policia Judiciária, técnicos em explosivos e a Inteligencia do DAS, fazíamos turnos de 24 horas”.
Outro dos ‘duros’ da Inteligencia disse a El Tiempo a única certeza é a de que Castaño obteve informação privilegiada de gente de dentro do DAS e que a pode ter entregue a Escobar para o planejamento deste atentado e o do avião da Avianca, uma semana antes.
Se suspeita que foi assim que souberam que César Gaviria planejava viajar a Cali usando voo comercial.
Alberto Romero Otero, diretor de Inteligencia do DAS, admitiu ante a Fiscalia (Procuradoria) que o informante de codinome Alekos, que informava dados sobre o cartel, era realmente Castaño. Mas seus homens asseguram que Romero era incorruptível e que cortou a comunicação com Alekos quando soube que o informante era Castaño.
Calcula-se que para executar o atentado foram movimentados cerca de 40.000 milhões de pesos da época, por meio de treze contas bancarias.
Gonzalo Rodríguez Gacha, vulgo el Mexicano, foi quem se encarregou de adquirir a dinamite por intermédio de Julio César Riofrío Orozco, um cidadão equatoriano. Este trouxe a explosiva carga desde seu país e a introduziu na Colômbia pela fronteira com Equador; seguiu até Medellín e finalmente chegou a Bogotá.
Gómez Hincapié, companheiro da linda secretaria do DAS, recebeu 10 milhões de pesos pelo trabalho sujo e criminoso e, depois de jurar que a ex-Rainha Simpatia não havia tido nada que ver com o episódio, conseguiu que a pusessem em liberdade.
A ele, um juiz regional de Antioquia condenou a oito anos de cárcere e a seu cúmplice, Eduardo Tribín Cárdenas, a 9 anos e 8 meses. As ridículas penas obedeceram a os benefícios previstos no Decreto 2047 de 1990 e a que ambos colaboraram com suposta informação sobre os atentados de Escobar.
Por isso, ninguém duvida que o sujeito que apareceu morto em 3 de julho de 1998, identificado como Guillermo Hincapié, um empregado do mafioso Leonidas Vargas, é o mesmo do ataque ao DAS.

‘Los Magníficos’
Na instituição se falava que um grupo de seus melhores agentes, conhecidos como ‘Los Magníficos’, se dedicou a vingar o atentado, em uma espécie de ponto de honra.
Só posso dizer que ajudamos a capturar a vários sicários de Escobar, incluído o vulgo 'el Zarco'. Recordo que naquele dia a camioneta do DAS deu pane, e o bandido zombou de nós dizendo que seu patrão sim metia grana na guerra contra o Estado. E sobre o mito das atuações dos ‘Magníficos’ só posso dizer que sempre será 'segredo profissional', disse o funcionário sobrevivente.
Fonte: tradução livre de El Tiempo
COMENTO: de tudo o que foi relatado, fica a lição de que nunca é demais o cuidado no trato com Informantes não pertencentes aos quadros de um órgão de Inteligência, para não fornecer dados ao invés de obtê-los. Pequenas indiscrições sempre se transformam em dados significativos nas mãos de bons analistas adversários. A vaidade de mostrar-se "bem informado" quase sempre é paga com grandes decepções. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

O Silêncio do Populismo

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por Renato Sant'Ana
Ela era mulher, negra, jovem e estava mais para pobre que para classe média: recebia o modesto salário em parcelas e atrasado. Marciele Renata dos Santos Alves, 28 anos, policial militar, foi assassinada em ação, no enfrentamento com uma quadrilha no Vale do Rio Pardo, RS.
O que vão dizer agora os "coletivos" que se julgam detentores de mandato para falar em nome das mulheres, dos negros e dos pobres? Cadê o ruidoso (e "fake") ativismo dos direitos humanos?
Quando a vereadora Marielle Franco foi assassinada, um crime repulsivo, claro, em poucas horas, graças à mobilização frenética de certos "movimentos" e com o auxílio inestimável da extrema-imprensa, viu-se a mais agressiva tentativa de provocar comoção e de construir um mito.
Ela morreu na noite de 14/03/2018 com seu motorista, Anderson Gomes. Duas horas após o fato, segundo Rute de Aquino (O Globo, 17/03/18), "eram registrados 594 tuítes por minuto". Até parecia que os "movimentos" estavam de plantão a espera de um cadáver.
Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP), apurou que, das 21h de 14/03/18 (logo após o crime) às 10h30min de 16/03/18, para efeito de impulsionamento de conteúdo nas redes sociais (um truque de manipulação), foram usados 1.833 robôs nos tuítes publicados sobre a morte da vereadora.
O resultado foi considerável. Embora ninguém conhecesse a motivação nem a autoria do crime, em menos de 12 horas, já havia pessoas por todo o país que, jamais tendo ouvido falar no nome dela, se sentiam de luto e até apontavam culpados. E, claro, como esponjas, absorviam o conteúdo subliminar das "narrativas" de redes sociais.
Naqueles dias, inumeráveis crônicas e artigos lembraram o caso da juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros numa emboscada em Niterói.
Tudo para dizer que a comoção pela morte de Marielle foi muito maior.
A juíza, nos últimos 10 de seus 47 anos, mandou para a cadeia cerca de 60 bandidos da Baixada Fluminense ( inclusive policiais e milicianos).
Seu nome entrou numa lista de 12 pessoas que o crime organizado
pretendia executar. Ela, sim, foi testada em sua coragem. E jamais recuou. Patricia Acioli passou à história como "juíza linha dura".
Mas para Samira Bueno, então diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, "Se alguém carregava em si toda a representação do que é a vulnerabilidade gerada pela violência, essa pessoa era ela [Marielle]", isso porque era mulher, negra, de origem simples, "militante" dos direitos humanos e lésbica.
Patricia Acioli não era essa polivítima. Logo, não servia para, de uma só tacada, propagandear as agendas que a esquerda roubou das mulheres, dos negros, dos pobres, dos homossexuais, etc.
A comparação entre Patrícia e Marielle foi um tiro que saiu pela culatra, servindo para desmascarar o planejado "culto à personalidade" da vereadora e o propósito populista desse expediente.
Cada vez mais, mulheres, negros, homossexuais e pobres do país rejeitam a credencial de vítima que a esquerda lhes oferece.
E é cada vez mais ampla a consciência de que bondade, egoísmo, dignidade, estupidez, respeito e propensão ao abuso nada têm a ver com sexo, cor da pele nem classe social.
E a isto chegamos: hoje, apesar da tremenda mobilização inicial e de o nome de Marielle seguir sendo usado a torto e a direito pela mídia amestrada, por estudantes de passeata e assemelhados, a invenção de um Che Guevara de saia não vingou.
De Marciele Renata dos Santos Alves, sabe-se que não vai interessar a "movimentos" populistas. Era uma mulher de ação. Não incorporava o vitimismo. E deu iniludíveis provas de coragem.
Como disse o governador Eduardo Leite, Marciele "Levou ao limite o seu juramento colocando a própria vida em risco para proteger a sociedade."
Ela tem o reconhecimento e a homenagem desta coluna, porque seu exemplo ilumina e inspira.
Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: sentinela.rs@uol.com.br
Fonte:  Blog do Políbio Braga