domingo, 28 de junho de 2009

Luto!

Lamentavelmente, a semana foi trágica para os amantes das artes.
O mundo artístico perdeu, no dia 25 passado, duas pessoas que marcaram — cada uma em seu ramo de atividade — sua passagem pela vida dos admiradores.
A morte de Michael Jackson, cantor ainda em atividade, ofuscou o também lamentável falecimento da atriz Farrah Fawcett.
Temos visto pela televisão, várias manifestações de fãs do cantor, reprises de seus espetáculos e outros fatos que marcaram sua vida, atribulada e cheia de polêmicas.
Nesse contexto, o passamento de Farrah Fawcett ficou quase despercebido. Uma pena! 
A atriz de poucas obras foi um ícone em termos de beleza nos anos 70.
Bem que alguma rede de televisão poderia reapresentar, como um tributo à falecida, algum dos filmes estrelados por ela. 
Afinal, na minha opinião, a morte da atriz representou uma perda bem maior para a estética mundial.
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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Recuperação de Armamento

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1. A propósito de manter o público interno informado, o Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx) esclarece:
a. no dia 8 de março de 2009, foram roubados 7 (sete) Fuzis do 6° Batalhão de Infantaria Leve, situado em Caçapava-SP;
b. o Comando Militar do Sudeste, imediatamente, desencadeou a Operação Ypiranga, a fim de recuperar o armamento subtraído;
c. no dia 18 de junho de 2009, a última arma roubada foi recuperada, marcando o fim da Operação;
d. as diligências de busca e apreensão foram respaldadas por mandados, observando, rigorosamente, princípios e garantias individuais listados na Constituição Federal;
e. os envolvidos no roubo estão presos e responderão na Justiça Militar pelos crimes cometidos;
f. o curso da Operação permitiu o levantamento de diversas lições aprendidas que serão repassadas aos integrantes da Força, a fim de proporcionar suporte para a revisão e o aprimoramento das medidas de proteção de suas instalações e pontos sensíveis; e
g. as investigações seguiram o rigor, a abrangência e a profundidade com que o Exército trata o material sob sua responsabilidade. Graças a esse tipo de conduta, quando dessas ocorrências, os percentuais de esclarecimento dos casos e a subsequente recuperação do material são expressivos.
2. O Comandante do Exército destaca que o sucesso da operação foi fruto do profissionalismo e da determinação dos integrantes do Comando Militar do Sudeste e do apoio da Polícia Federal e dos órgãos de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
Gen Div ADHEMAR DA COSTA MACHADO FILHO
Chefe do CCOMSEx
Fonte: C Com S Ex
COMENTO: sempre é bom ver o CComSEx cumprindo sua missão de informar, deixando clara a atuação do EB. Em 26 Maio 09, "embarquei" em uma canoa furada, quando foi divulgada, por um blog normalmente bem informado, a notícia da recuperação do último FAL roubado. À época, critiquei em mensagem eletrônica ao CComSEx, a falta de pronunciamento oficial da Instituição. Hoje, quero desculpar-me pela afoiteza. Parabéns ao EB pela recuperação do seu material, dando exemplo de profissionalismo, cuidado para com a coisa pública e capacidade investigativa, a despeito da pressão vinda de alguns profissionais dos "zumano" que queriam interferir nas investigações. É assim que a coisa deve funcionar: crime militar, investigado pelos militares e julgado na Justiça Militar. E ponto final!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

El Kirchnerismo Prepara Sus Fuerzas de Choque

PARA EVITAR POSIBLE CACEROLAZO EL 28 DE JUNIO
por Pablo Docimo
Tal como este medio lo viene anticipando en diversos artículos de denuncia (1), (2) y (3) , las posibilidades de fraude, conflictos o irregularidades — póngale usted el nombre que más le guste — en torno a las elecciones del próximo 28 de junio, son cada vez más ciertas, y lejos ya de ser rumores, se han convertidos en hechos palpables.
En una de las notas antes mencionadas señalamos, textualmente: "El segundo paso lo darían los funcionarios más cercanos a Kirchner, como Florencio Randazzo, Sergio Massa, Jorge Capitanich y algunos otros, especialmente Aníbal Fernández, quienes confirmarían que han recibido denuncias de fraude electoral. Esto haría que las fuerzas de choque kirchneristas comiencen a desplazarse, tal como ocurrió la noche del cacerolazo a Cristina, a los lugares de concentración ya establecidos para marchar posteriormente, entre otros lugares, a la Plaza de Mayo reclamando 'Nuevas Elecciones'". Esto lo dijimos, de manera exclusiva, el 3 de junio antes que cualquier otro medio.
Tan cierto es nuestro anticipo, que el mismísimo diputado Carlos Kunkel confirmó a la agencia estatal Télam que "el domingo próximo, a las 19, nos vamos a juntar todos los compañeros para festejar en la Plaza de Mayo el triunfo de todos aquellos que decidimos ratificar el compromiso de acompañar a la presidenta Cristina Fernández de Kirchner y a Néstor Kirchner en la consolidación de este modelo".
Por supuesto que esta es la manera sutil de decir "Vamos a concentrarnos para evitar otro cacerolazo, como ocurrió aquella noche en plaza de mayo".
De hecho, el líder de la Federación Tierra y Vivienda, Luis D'Elía, dijo que encabezará una movilización a Plaza de Mayo el domingo 28 por la noche, aunque, al igual que Kunkel, D'Elía asegura que será para festejar "un amplio triunfo" oficialista.
Por supuesto que desde la oposición, la mirada es muy distinta, y aseguran que el kirchnerismo intenta "copar la plaza" por miedo a un cacerolazo o a la movilización de la oposición. Incluso, en declaraciones radiales emitidas en el programa "De Interés Nacional", que se emite por "Radiocadena ECO", AM 1530 donde participa quien suscribe, el titular de la UCR y Senador Nacional por Jujuy, Gerardo Morales, al ser consultado sobre cuales eran sus expectativas para las elecciones del próximo domingo dijo: "además de la eventualidad de un fraude, el día domingo, se pueden agregar hechos de violencia en las propias escuelas, de parte del aparato fiscalizador del PJ, de un lado y del otro. Así que hay que tener mucho cuidado con eso, y debemos ir sin miedo, y particularmente a nuestros fiscales les estamos pidiendo que cuenten hasta el último voto y se queden hasta la hora final."
Por su parte, D'Elía adujo que: "Nosotros y otras organizaciones que quieran participar nos vamos a movilizar a Plaza de Mayo, porque el domingo habrá un amplio triunfo".
En definitiva, estas declaraciones no hacen más que, por un lado, blanquear lo que venimos anticipando, que los kirchneristas no asumirán, de ninguna manera la derrota en caso de que esto ocurra, y segundo, tratar de intimidar y neutralizar, como ya lo han hecho, una concentración y manifestación espontánea de la ciudadanía para festejar un eventual triunfo de la oposición.
Como decía mi abuela: Más claro, échele agua.
Pablo Dócimo
Importante: a las pocas horas de haber publicado el presente artículo, Luis D'elía anunció que desistiría de hacer su marcha, no así otros grupos oficialistas.
(1) Periodico Tribuna.com.ar-Articulo=5377
(2) Periodico Tribuna.com.ar-Articulo=5404
(3) Periodico Tribuna.com.ar-Articulo=5423

Lula e o Homem Comum

por Ruth de Aquino
Foi a maior gafe de Lula desde que caiu nos braços do povo, em 1º de janeiro de 2003. Mesmo quem não votou nele se emocionou quando um homem comum chegou à Presidência pelo voto democrático e limpo.
Na semana passada, Lula disse que o senador José Sarney “não pode ser tratado como se fosse uma pessoa comum”.
Lula foi sincero. Amaciado pelo poder, envaidecido pelas lisonjas e pela popularidade, ele acredita que uns são mais iguais que outros. E leva o pragmatismo político às últimas conseqüências.
Lula nasceu em Pernambuco de uma família de oito filhos. Morou com a mãe, Eurídice, e irmãos num cômodo atrás de um bar em São Paulo. Trabalhou como engraxate e Office-boy. Fez curso técnico de torneiro mecânico, perdeu um dedo numa prensa hidráulica.
Em São Bernardo, tornou-se diretor do sindicato dos metalúrgicos. Testava seu carisma. Tentou cinco vezes a eleição para presidente. Uma história impressionante de persistência e sucesso.
Sempre disse o que pensava. Em 1986, chamou Sarney de “grileiro do Maranhão”. Em 1987, chamou Sarney de “ladrão” — perto dele, Maluf não passaria de “um trombadinha”. Em 1993, disse que, “de todos os deputados no Congresso, pelo menos 300 são picaretas”.
Agora, Lula depende da bancada do PMDB, a maior do Senado. Em terras remotas, no Cazaquistão, defendeu Sarney e o colocou num pedestal. O que seria hoje, em 2009, um homem comum para Lula? De que princípios, de que vísceras ele seria constituído?
Um dos fundamentos da democracia é que os governantes sejam vistos e cobrados como homens comuns. Qual seria o tratamento ideal para os poderosos no Brasil de Lula?
Espera-se de um presidente do Senado a mesma dignidade e retidão de caráter de um chefe de família comum? Como é punido o homem comum que cai no desvio? Como deve ser punido o político “com história suficiente para não ser tratado como uma pessoa comum”?
Que valores o líder transmite para o povo, com um discurso que trai sua própria história? Lula é hoje parte da elite que sempre criticou com ferocidade. Natural.
A elite não é má por definição, já descobriu o presidente. Mas, por isso, ele se solidariza com figuras como Renan Calheiros, Severino Cavalcanti, Jader Barbalho?
De vez em quando, Lula incorpora o sindicalista (lá fora) e critica os ricos e poderosos, em surtos de demagogia atabalhoada. Diante do premiê britânico, Gordon Brown, disse que “a crise foi causada por gente branca com olhos azuis”. Pegou mal.
Amaciado pelo poder, ele acredita que uns são mais iguais que os outros. E, pragmático, defende Sarney Foram mudanças profundas em seis anos.
É saudável mudar com o aprendizado. Ao assumir a Presidência, Lula deixou a economia do país a cargo de quem entendia do assunto. Seu pragmatismo econômico manteve o Brasil nos trilhos.
Mas, e os valores essenciais? Direitos humanos, por exemplo. Como explicar sua insistência em dizer que há democracia de sobra na Venezuela censora de Chávez? Como aceitar a omissão do Brasil em relação a uma ditadura como a da Coréia do Norte? Toma lá dá cá?
O outro deslize da semana foi a reação primária e açodada de Lula aos protestos nas eleições no Irã. Além de defender o embaraçoso presidente Mahmoud Ahmadinejad, Lula minimizou a revolta contra a teocracia dos aiatolás chamando os manifestantes de “vascaínos contra flamenguistas”, uma turma que não sabe perder.
Lula aproveitou para atacar a imprensa brasileira, por, a cada dia, “arrumar uma vírgula a mais” no “denuncismo” contra o Congresso. Como se fosse um vírus denunciar malversação de verba pública, nepotismo, favorecimento ilícito, farra de passagens aéreas e atos secretos no Congresso.
“Não tem fim, e depois não acontece nada”, disse Lula, como se o problema fossem as denúncias, e não a impunidade. “Vai desmoralizando todo mundo, e a imprensa corre o risco de ser desacreditada.”
Senhor presidente, a imprensa só fica desacreditada se as denúncias forem mentirosas. Ou se ela se omitir e fizer o jogo do poder. Uma imprensa medrosa e submissa ao governo — não importa o partido dominante — é uma imprensa sem credibilidade. Não faz jus a uma democracia madura como a brasileira.
Ou a transparência só vale para o homem comum??
Ruth de Aquino é diretora da
ÉPOCA no Rio de Janeiro

Camponês Paga Taxa Para Ter Indenização

Ex-servidor da Comissão de Anistia recebe 10% do valor
por Felipe Recondo
O Estado de São Paulo
Parte do dinheiro pago pelo governo aos camponeses perseguidos durante a Guerrilha do Araguaia está indo parar no bolso de um ex-funcionário da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Elmo Sampaio deixou o colegiado logo após o julgamento do seu próprio pedido de anistia, em 2002, e abriu uma consultoria para cuidar de processos que fossem levados a julgamento no ministério.
No acerto com alguns camponeses, 10% das indenizações são pagos a Sampaio. Mesmo não precisando de advogados ou representantes, os agricultores acabaram contratando seus serviços. A prática não é ilegal, mas fez integrantes da comissão acionarem o Ministério Público Federal em Marabá (PA) na semana passada.
"A Comissão de Anistia, no caso dos camponeses e em razão da possibilidade de desinformação, preocupou-se com o recebimento das indenizações. Por isso acionamos o Ministério Público e pedimos que acompanhe o recebimento das indenizações por cada um dos anistiados", afirmou o presidente da comissão, Paulo Abrão.
Sampaio foi anistiado por ter sido demitido da Petrobrás na década de 70, em função da militância no movimento estudantil. Recebeu mais de R$ 1 milhão de indenização e tem direito a prestações mensais vitalícias de R$ 8.299,36.
Se não há vedação para esses contratos, em acertos com outra clientela — ex-militares recrutados para combater a guerrilha — existem indícios de ilegalidades, conforme advogados consultados pelo Estado.
Sampaio também fechou contratos com ex-militares pelos quais ficava encarregado de contratar advogados para defendê-los na Justiça. De cada um deles, conforme relataram três ex-combatentes, Sampaio receberia 10% do valor da indenização e outros 20% repassaria aos advogados.
CONFIRMAÇÃO
Um dos ex-militares que está com processo de anistia na Justiça Federal confirmou que "10% vai para a consultoria do doutor Elmo" e "os 20% são dos advogados que a consultoria contrata". Outro ex-militar reiterou que "quem paga os advogados é a consultoria". Nesse grupo, haveria mais de 300 processos. Em cada um, os ex-militares pedem aproximadamente R$ 500 mil de indenização.
De acordo com os advogados, essa prática caracterizaria captação de clientela, o que é vedado pelo Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94). Sampaio arregimentaria clientes e subcontrataria os advogados, conforme os próprios clientes.
Além desse procedimento, outra prática chamou a atenção de advogados  as iniciais de alguns dos processos acompanhados por Sampaio são iguais, independentemente das circunstâncias de cada caso. Em sete processos analisados pelo Estado, o histórico, o relato dos fatos e os pedidos estão repetidos.
DEFESA
O administrador assume a prática de contratação dos advogados, mas nega irregularidades. "O trabalho da Elmo Consultoria é contratar os advogados para trabalhar", afirmou Sampaio. "O contrato firmado é com a Elmo Consultoria para cuidar dos processos dos militares", acrescentou o administrador, negando-se a revelar os porcentuais acertados. "Eu não tenho que dar informação pra você."
"A Elmo Consultoria é uma empresa regularmente constituída, presta serviços de consultoria e tem nos seus quadros advogados, administradores e estagiários", disse Eduardo Souza, advogado da consultoria.
Fonte: A Verdade Sufocada,
com indicação do meu amigo André.
COMENTO: essa é a ética da canalha comunista. O negócio é "se arrumar" enquanto a fonte não secar. Corja!!!!

Da Religião Petista

por Gravataí Merengue
Ser petista não é meramente uma opção política, mas uma circunstância religiosa. E digo que se trata de algo circunstancial porque, depois de certo tempo, o indivíduo já detém mais o controle de seus pensamentos, vontades e – sim – orações, rezas bravas e afins.
A menos que seja pago, aí é outra história. Mas sigamos. 
Subjetiva e objetivamente, psicológica e sociologicamente, o petismo reúne todas as características de uma religião. Todas. Isso chega a ser engraçado, pois são mesmo TODAS. Material e objetivamente: hierarquia, dízimo/financiamento, sacerdócio/catequese, doutrina/dogmas etc.; imaterial e subjetivamente: salvador/messias, santos/avatares etc. 
Para não incorrer no equívoco da analogia superabrangente (aquela coisa de fazer com que algo seja parecido com tudo), é importante focar no raciocínio dogmático, e o petismo tem algo muito parecido com a questão católica da "Infalibilidade Papal"; no caso do PT, trata-se da "Infalibilidade de Lula". 
Ele nunca falha. Ponto final. 
Com exceção, é claro, de pequenos, microscópicos e inofensivíssimos lapsos. Algo como um tropeço ou um pigarro do Sumo Pontífice. Mas, quanto aos atos maiores, não há erro: não se corrompe nem nunca se corrompeu. Nunca pisou no tomate. Nada, nada, nada. É infalível. 
O método científico difere do dogmático na revisão dos erros: para a ciência, há um verdadeiro triunfo na percepção de equívocos e é exatamente isso que move as engrenagens. Nas religiões, ao contrário, tudo é imutável. No petismo, também. Não é por outro motivo que eles NEGAM ATÉ A MORTE TODO E QUALQUER ESCÂNDALO, ERRO, LAPSO, RATA e MANCADA. 
Os olhos furiosos de um petista que nega o Mensalão são os mesmos de um cristão que brada em favor da existência de Adão e Eva. O religioso, contudo, pode apelar para o sagrado refúgio da liberdade constitucional de não ser esmagado pela lógica. Já o petista não tem esse mesmo benefício e aí está exatamente o STF cuidando dessa história. Mas ele continua com os mesmos olhinhos furiosos, jurando que nada disso existiu. 
O Messias 
Já comentei sobre o assunto aqui no blog, e é uma característica clássica do petismo (outra a aproximá-lo de uma religião). Praticamente todos os partidos do Brasil e do mundo alternam seus candidatos à presidência (ou primeiro ministro etc.). Sim, podem eventualmente ter um "líder mais emblemático" ou "figura mais carismática". Mas sempre alternam candidatos. 
Menos o PT. De 1989 a 2002, Lula foi o candidato do partido. Durante todo esse período, não fez outra coisa: exerceu a carreira de candidato. Foram nada menos do que TREZE anos nessa tarefa. Diga isso para alguém do Partido Democrata ou Republicano, nos EUA, e eles dificilmente compreenderão. Treze longos anos sem ocupar uma secretaria, ministério, vereança, prefeitura, governo, nada vezes nada. Única e tão-somente como candidato, esperando de quatro em quatro anos a chance de concorrer. 
Messianismo é isso. Tanto que, ao ganhar, não haveria carranca, nem trator, nem alavanca, e quero ver quem é que arranca ele ali de seu lugar – parafraseando Chico Buarque. Pois foi o que houve: a cada escândalo, alguém foi rifado poupando assim o Messias. Todos caíram, um a um, de Dirceu a Pallocci. Não foi por outra razão que se chegou ao nome da então ilustre desconhecida e petista neófita Dilma Rousseff (entrou no partido em 1999 para não perder um cargo no RS) como possível candidata à sucessão. 
Os Fiéis e o Povo 
Há uma coisa que irrita sobremaneira os fiéis do petismo: o fato de que estão dissociados do povo. Ok, eu sei, tudo os irrita, mas isso os deixa especialmente nervosos, porque a péssima notícia é precedida de um fato ótimo: Lula tem altíssima popularidade. Isso é bom? Sim, é. Mas o povo que o apoia é petista? Não, nem sabe o que é o PT, "esquerda", "direita" etc. E é aí que a rapaziada fica neurastênica. 
Claro, para uso externo não dão o braço a torcer. Já ouvi - e sem que a pessoa ficasse vermelha – que a eleição do Messias representou uma "percepção do povo oprimido quanto à necessidade da mudança dos rumos da economia neoliberal empregada nos últimos anos". Na hora, imaginei aquele cidadão com a enxada num braço e os livros de economia avançada no outro, discutindo a caminho da roça com seus colegas. 
Quando o "não" venceu naquela eleição sobre as armas, os mesmos que imputavam ao povo uma sabedoria de PhD em economia imediatamente trataram de dizer que as pessoas não estavam capacitadas para decidir quanto à venda de armamentos e munições. Achei estranho. Poucos anos atrás, eram livres-docentes em macroeconomia; agora, não sabem o que é um revólver. 
O mesmo acontece com a política. Quando vota no PT, o povo é esclarecidíssimo e tem um grau de politização digno dos melhores "think tanks". Quanto vota contra, é parvo. Simples assim. Recentemente, Marcelo Tas deu uma opinião sobre a USP. Quem a reproduziu foi chamado de "Bart Simpson"(*) pela militância petista do Twitter, que estendeu a alcunha à maioria dos seguidores do apresentador. 
Mas o que dizer de quem ignora o Mensalão ou acredita que Lula REALMENTE não sabia de nada? O que dizer de quem fala do PL Azeredo e ignora que há somente DEZ emendas de Mercadante num total de 23 artigos? E quem convenientemente "ignora" o massacre no Haiti pelo exército brasileiro ou a tortura contra os índios pela Polícia Federal? Seriam os "Kierkegaards"? 
Não. São os fiéis dessa seita, o petismo. 
E, por fim, como acontece com qualquer religião, a seita petista também tem um vício engraçado: julga-se a única portadora de determinada bandeira. Assim como a "Sagrada Fogueira da Barba do Altíssimo Senhor", criada ontem por algum sacripanta, pode alegar ser a VERDADEIRA representante do cristianismo, o PT diz que é a VERDADEIRA esquerda. E todos os demais ou são ultrarradicais ou entreguistas. 
Amém. 
(*) - Sim, sei da tentativa de chiste - como sempre revertida em humor involuntário tendo o próprio comediante como objeto da piada. Trata-se de brincadeira com o "Homer Simpson", daquela confusão com a Globo. 
Revisão: Hellen Guareschi
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Crônica Antiga: Corrupção Via Literatura

por Janer Cristaldo
Continua fazendo estragos no país o furor corporativista que assola certos ofícios. Em crônicas anteriores, comentei a regulamentação da profissão de astrólogo, cujo projeto de lei já passou no Senado. Enquanto a vigarice não toma forma de lei, um certo mestre De Rose — que não tem mestrado em coisa alguma — se propõe a regulamentar a profissão de instrutor de ioga. Os místicos se organizam e querem o monopólio do mercado das angústias humanas. Não bastassem estes senhores querer cercar de exigências os profissionais destas guildas metafísicas, um jornalista do Estadão quer agora carteirinha para escritor. Demonstrando desconhecimento da confecção de leis, o cronista Mário Prata pede ao presidente da república o reconhecimento de seu ofício: "O que eu quero, meu presidente, é que antes de o senhor deixar o governo, me reconheça como escritor". A capacidade de síntese do cronista é extraordinária: nunca se disse tanta bobagem em frase tão curta.
Esquecendo que existe um Congresso neste país, o cronista pede ao presidente a elaboração de uma lei. Mais ainda. Cita a Inglaterra como exemplo de país onde o escritor é reconhecido. Lá, segundo o cronista, toda editora que publicar um livro, tem que mandar um exemplar para cada biblioteca pública do país. "Claro que os 40 mil exemplares são comprados pelo governo. Quem ganha? Em primeiro lugar o público. Ganha a editora, ganha o escritor. Ganha o País. Ganha a profissão".
E quem perde? — seria de perguntar-se. A resposta é simples: como o governo não paga de seu bolso coisa alguma, perde o contribuinte, que com os impostos tem de sustentar autores até mesmo sem público. É o que chamo de indústria textil. Textil assim mesmo, sem acento: a indústria do texto. É uma indústria divina: você pode não ter nem um mísero leitor e vender 40 mil exemplares. Este é o sonho do cronista. Mário Prata viu um Potosí a céu aberto no bolso do contribuinte. Quando um político tasca a mão no dinheiro público, a imprensa horroriza-se e fala em ética. Mas se um membro da guilda sugere ao presidente da República que confisque dinheiro do contribuinte para seu bem-estar, chama-se a isto defesa da literatura nacional.
Diga-se de passagem, esta corrupção é florescente no Brasil. De fato, o Estado não compra 40 mil exemplares de cada editora. Mas através das leituras impostas em currículos e vestibulares, obriga a compra forçada dos Machados, Clarices Lispectors e Lygias Fagundes Telles da vida. Autores que, não fosse esta imposição da máfia editorial, há muito estariam gozando do merecido repouso eterno. Há quem defenda a privatização da Petrobras. Ninguém fala em privatização do livro. Pois o livro, no Brasil, é estatal.
Existe ou não existe a profissão de escritor no Brasil? Primeiro ter-se-ia de perguntar se escritor é profissão. Em um livro que causou algum escândalo na Paris dos anos 70 — Le Bazar des Lettres — Roger Gouze contestava com energia o caráter profissional do ofício. "O estatuto oficial do escritor me parece tão absurdo quanto o das prostitutas que também reivindicam o seu: não se pode ao mesmo tempo desafiar o poder, a polícia, as leis (por hipócritas que sejam) da sociedade e pedir-lhes uma proteção". Se a literatura é uma arte — argumenta o autor — o escritor deve, como todo mundo, ter uma profissão que o sustente, ao lado da arte que ele alimenta com o melhor de si mesmo. "Não uma segunda profissão, pois a literatura não é uma".
Como viverá então o escritor se a obra não lhe rende nada? "Como todo mundo" — responde Gouze. Claro que o autor francês fala de uma época em que literatura era vista como contestação. Hoje, os autores estão se profissionalizando. O editor pesquisa o paladar do público e encomenda um produto de moda. O escritor, como carneirinho dócil, escreve o que o público pede e o editor ordena. Ou o que um político paga. Fernando de Morais, por exemplo, está imerso na biografia desse caráter sem jaça, Antônio Carlos Magalhães.
No canta quien tiene ganas, sino quien sabe cantar — já dizia Martín Fierro. Escreve quem quer escrever, quem sente ter algo dizer e não consegue ficar calado. Regulamentar a profissão de escritor seria o primeiro passo para regulamentar também a de poeta. Ou a profissão escultor ou pintor. Não mais é poeta quem cria poemas, nem escultor quem esculpe, nem pintor quem pinta. Mas quem está registrado, em algum cartório, como tal. Você pode imaginar um ator que não consegue provocar um mísero aplauso em um teatro, mas é ator? Esse ator sem platéia já existe neste país incrível, pois a profissão foi regulamentada.
A pretensão não é nova, só o arguto cronista do Estadão parece desconhecê-la. O projeto que regulamenta a profissão de escritor está em tramitação na Câmara Federal há pelo menos dois anos. O absurdo foi proposta do deputado Antônio Carlos Pannunzio, por sugestão de membros da Academia Sãoroquense de Letras, de São Roque, interior de São Paulo. O projeto estabelece as normas para o exercício da profissão, nos mesmos moldes da de jornalista. Só não exige curso superior. Aprovada a lei, escritor não será mais quem escreve, e sim quem possui certificado de habilitação profissional. Ao melhor estilo do finado mundo socialista, este certificado seria fornecido exclusivamente pelo sindicato ou por associações profissionais da categoria.
Um jornalista pede ao governo para extorquir do contribuinte o dinheiro de seu sustento. Mário quer prata. Volto a Fierro:
Si la vergüenza se pierde
jamás se vuelve a encontrar.
(22/07/2002)

No País das Guildas

por Janer Cristaldo
Os corporativistas são aguerridos. Enquanto o ministro Gilmar Mendes afirma que não existe possibilidade de o Congresso Nacional reverter a decisão do STF que determinou o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) já conseguiu coletar quarenta assinaturas de apoio à apresentação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que exige diploma de curso superior de Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista.
Segundo a proposta, o exercício da profissão será privativo de portador de diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação. Ou seja, o senador quer reconstituir exatamente o que a suprema instância jurídica do país acaba de derrubar. Pelo jeito, o senador ainda não descobriu que em Estado constituído existe uma última instância. Ou as leis seriam cambiantes como as nuvens que passam. Que nem malmequer. Hoje pode, amanhã não pode, depois de amanhã pode e dia seguinte não pode mais.
Gilmar Mendes disse acreditar que a decisão vai repercutir em outras profissões, mas não quis citar quais. Seria em boa hora. Já existem na Câmara projetos propondo a regulamentação de 169 profissões, entre elas a de pedólogo, cozinheiro, manicure, astrólogo, técnico de futebol, repentista. Se entre os 169 projetos estão “profissões” como a de astrólogo ou repentista, você pode ter uma pálida ideia do que pretendem regulamentar os outros 167 projetos. Mais um pouco e os senhores legisladores tentarão regulamentar as profissões de prostituta ou travesti. Se o contribuinte já paga silicone, hormônios e cirurgias para estes últimos, não espanta que dentro de pouco se exija diploma para o exercício do ofício.
Se um dia perder a capacidade de indignar-me — dizia Gide — é porque estou ficando velho. No que a mim diz respeito, confesso que ainda não decidi o que me indigna mais nestas minhas seis décadas de existência: se pagar silicone para travestis ou se ver universitários fazendo passeatas para defender privilégios corporativistas. Estes jovens — dos quais seria de se esperar atitudes generosas e nenhum compromisso com a corrupção — em verdade estão assumindo a mesma atitude senil dos políticos esclerosados do Planalto, que consideram um ataque às instituições democráticas a denúncia de suas corrupções. Nunca antes neste país, como costuma dizer o Analfabeto-Mor, os jovens foram tão senis.
O Brasil não é só o país das regulamentações, mas também o das profissões exóticas. Não sei se o leitor sabe, mas até aquele pobre diabo que aperta botões em um elevador tem a profissão regulamentada no Brasil. Como se você fosse incapaz de apertar o botão do andar para onde você vai. Ainda na semana passada, representantes do Sindicato dos Cabineiros de Elevador — este é o pomposo nome do ofício — do Município do Rio de Janeiro participaram de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio para cobrar o cumprimento das leis municipal e estadual que exigem a presença de ascensoristas nos elevadores de prédios comerciais e mistos.
Cuidado ao apertar o botão de um elevador, leitor. Você ainda acabará incurso em exercício ilegal da profissão. E se tiver algum pendor para o repente, cuidado ao sair improvisando versinhos por aí. Esta atividade só poderá ser exercida por repentistas diplomados.
Ontem ainda, um leitor me informava que se pretende regulamentar a profissão de escritor. Sei disso, escrevi sobre o assunto há bons sete anos. Pretende-se também regulamentar a profissão de tradutor.
Tradutor não seria quem domina idiomas e traduz, mas quem cursou o curso de tradutor. Mais um pouco e nem pai-de-santo pode ganhar a vida com suas vigarices se não tiver curso superior.

O Grão Mestre da Cloaca da Esbórnia

por Valmir Fonseca Azevedo Pereira
Elevado à camada dos bem-aventurados, entes de gracioso estado de santidade e graça celestial pelo "bruxo do nordeste" (auto-intitulado o "maior estadista" que já transitou nestas plagas), o Exmo e desacreditado Senhor Presidente do Senado foi alçado aos píncaros dos deuses, e repousa, portanto, acima dos demais mortais. Faz companhia, entre outros, ao êmulo da honestidade e da retidão de caráter, o injustiçado ex-Deputado Federal Severino, considerado pelo nosso verboso monarca, um supimpa "cabra da peste". Não esqueçamos que o Severino foi eleito prefeito, graças ao valioso aval de sua integridade, endossada pelo imparcial pensador que dirige os destinos da Nação.
Diante do óbvio, ocorreu-nos que o recém inaugurado "Museu da Corrupção" está incompleto. Lastimosamente carece o singular acervo, das estátuas de seus venerandos heróis.
Por certo, faltará espaço naquele memorial para tantos homenageados. Podemos reclamar do esquecimento das figuras maiores da propina, do golpe, das licitações fajutas, dos desvios pecuniários, dos roubos escancarados, das tramóias e esbulhos, dos ilícitos praticados à larga e de roldão por astutos políticos do passado.
Realmente, daqueles, permanecem indícios de que eram contumazes ladravazes, entretanto, as provas se perderam na poeira dos tempos. Mas o que dizer dos exemplos de agora, dos ícones atuais? Onde estão o reconhecimento, as homenagens, os lauréis?
São tantos, dirão os Curadores do Museu. Mas, por que não imortalizar os atuais? Os que proliferaram com o fim da "dita branda"? Sim, são tantos. Como laureá–los sem cometer injustiças?
Na multidão que se acotovela para inscrever seu nome no "Livro de Ouro", diante do descortino de seus sombrios passos nos escaninhos do poder, um se sobressai – o imortal José Sarney.
Sarney poderia ser entronizado como "o equilibrista", tal sua longevidade junto aos poderosos e ao poder. É um camaleão profissional. Por tudo o que o magnífico Sarney e sua prole legaram de ensinamentos para as futuras gerações como exemplos de sucesso, apesar de nadarem de braçada no mar da pusilanimidade, na sombra e na água fresca, sua gloriosa trajetória política é digna de ser cantada em prosa e verso. E sua imagem, esculpida em bronze.
Como Presidente da Nação, de 1985 a 1990, destacou-se como o pai da maior inflação gestada neste País. Não bastasse, em janeiro de 1987, decretou a moratória. Diante tantos e retumbantes fracassos, só podia dar no que deu; Sarney conquistou com méritos o seu diploma de "Homem de Visão", justo reconhecimento da sociedade agradecida, diante da virtuosa figura. É um monumento, asseveram seus correligionários.
Ao propormos, que o insigne cidadão, que conseguiu manter na pobreza e na ignorância dois estados da federação, tenha sua majestosa estátua no hall de entrada do "Museu da Corrupção", cumprimos um dever de justiça.
Sabemos, pelo "nosso guia", que o probo Senador, não é qualquer vivente e "merece respeito". Assim, dia-a-ia, o desgoverno vai criando a cota dos "desonestos inimputáveis", selecionadissima máfia da esquerdalha, simpatizantes e aderentes de ocasião. Sarney, o "maribondo de fogo", um imortal da Academia Brasileira de Letras (pobre Brasil), é "hors concours".
O Sarney, cognominado de "o epítome da bandalha enrustida", encabeça, por suas decantadas qualidades, reconhecida desfaçatez e proverbial capacidade de negar qualquer envolvimento em "maracutaias" e flagrantes abusos e usufrutos de poder, diante de contundentes e explícitas comprovações, sem mexer um músculo da face, encabeça com méritos, aquele rol de afamados cidadãos.
E merece ser perenizado. Daí... E, por exultação incontida, em face do que nos aguarda, bradamos convictos e rútilos de admiração "que viva a república socialista–cotista", futuro objetivo do "estado policialesco", que está sendo implantado através da "enrolação e da boçalização do politicamente correto".
Fonte: Ternuma,
citado por BOOTLEAD.
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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Horror e Insensibilidade

por Olavo de Carvalho
A conversão maciça da classe jornalística ao esquerdismo possibilitou fenômenos como a ocultação do Foro de São Paulo.
Na década de 60, as organizações de esquerda tinham de se esforçar muito para recrutar dez militantes entre cada cem ou duzentos jornalistas. A lei que tornou obrigatório o curso universitário para o exercício da profissão mudou isso, entregando sucessivas gerações de jovens desmiolados à guarda de doutrinadores e recrutadores bem capacitados.
A conversão maciça da classe jornalística ao esquerdismo tornou possíveis fenômenos como o da ocultação do Foro de São Paulo e a farsa da eleição presidencial de 2002, arranjo entre partidos de esquerda, com exclusão de toda oposição possível, celebrado pela mídia nacional em peso como uma apoteose da livre concorrência democrática.
O STF fez muito bem ao eliminar a pérfida exigência do diploma, armadilha maquiavélica que rebaixou a qualidade dos nossos jornais e reduziu sua credibilidade, a ponto de que hoje eles não vendem mais exemplares do que nos anos 50, quando a proporção de analfabetos em nossa população era imensamente maior. Mas a simples eliminação desse instrumento de seleção ideológica não basta para garantir que um pluralismo de verdade venha a reinar na nossa imprensa.
Há meios de controle mais sutis e eficientes do que a imposição legal direta. No seu livro The True Story of the Bilderberg Group (Chicago, Independent Publishers Group, 2009), o jornalista espanhol Daniel Esturin mostra como essa plutocracia globalista, empenhada na construção de uma ditadura mundial, conseguiu se manter oculta desde 1954 até pelo menos 1998, estigmatizando como “teoria da conspiração” qualquer tentativa de revelar sua existência: seus componentes simplesmente compraram todos os grandes jornais e redes de TV dos EUA e da Europa. Isso determinou uma mudança mais profunda das funções do jornalismo do que a maioria da população pode conceber.
Como o objetivo da elite globalista é derrubar a economia americana e implantar sobre seus escombros um novo sistema, com moeda mundial unificada, impostos globais e administração burocrática planetária, as notícias, na quase totalidade da mídia, já não são selecionadas por nenhum critério de importância objetiva, mas pelo serviço que prestem à programação mental das multidões, de modo a fazê-las aceitar passivamente mudanças que, em condições normais, suscitariam explosões de ódio e revolta. A supressão e a manipulação tornaram-se gerais e sistemáticas, a ponto de atentar diariamente contra a dignidade da inteligência humana e de transformar os mecanismos eleitorais da democracia num mero jogo de aparências.
Quando a elite globalista faz eleger presidente dos EUA um desconhecido, proibindo qualquer investigação séria da sua biografia e reprimindo por toda sorte de ameaças a exigência de que ele apresente seus documentos pessoais, é claro que a noção de "transparência" se tornou uma utopia inalcançável e está instaurado o império do segredo. Quando o indigitado mata um mosquito, compra um cachorro ou brinca de "dama por um dia" nos jardins da Casa Branca, de mãos dadas com a digníssima, o fato é noticiado com alarde em todos os jornais e noticiários de TV, mas até atos oficiais do seu governo, quando arriscam criar alguma resistência, são omitidos ou publicados com discrição que beira o silêncio.
O mesmo acontece com inúmeras notícias de importância histórica mundial que, se reveladas, teriam o dom de despertar as multidões do torpor hipnótico que as imobiliza e incapacita.
Dificilmente o leitor encontrará nas páginas dos jornais, tão cuidadosamente foi escondida, a notícia de que Kaing Guek Eav, ex-diretor do sistema de prisões no regime comunista do Camboja, confessou ter mandado assassinar sistematicamente milhares de crianças, filhas de prisioneiros políticos, para que não tentassem vingar seus pais depois de crescidas (veja em Reuters.com). Nada ilustra melhor a natureza do comunismo. Essas crianças não foram mortas acidentalmente por bombas durante uma guerra. Se o fossem, e as bombas fossem americanas, estariam nas primeiras páginas como provas da maldade capitalista. Como foram assassinadas deliberadamente, é preciso abafar o horror para que, no mínimo, as massas continuem na ilusão do equivalentismo moral entre os países comunistas e os EUA.

Do mesmo modo, as vítimas das FARC e do terrorismo latino-americano em geral, brasileiro inclusive, são meticulosamente excluídas do noticiário, proibidas de entrar no círculo da piedade humana e esquecidas, por fim, como meros dejetos acidentais, indignos de atenção. Enquanto isso, a mídia considera normal e aceitável publicar palavras como estas do Dr. Emir Sader: "Há personagens com tal estatura histórica que, independente dos adjetivos e de todos os advérbios, ainda assim não conseguimos retratá-los em nada do que podemos dizer ou escrever. O que falar de Marx, que permaneça à sua altura? O que escrever sobre Fidel?... O Che é um desses personagens cósmicos”.
Num rápido manejo de teclado, criminosos desprezíveis, mentores de Pol-Pot, são elevados às alturas do indizível, do inefável, do transcendente à linguagem humana. Será exagero chamar isso de idolatria psicótica? Mas mesmo os que não apreciam o comunismo aceitam essa monstruosidade em nome da "diversidade de idéias", como se a matança deliberada de crianças fosse uma idéia, uma hipótese, um mero jogo acadêmico.
A longa convivência com essas enormidades, forçada diariamente pela mídia, dessensibiliza as consciências e as torna incapazes de perceber diferença entre a santidade e o crime, entre a virtude e a abominação. Na mesma medida e pela mesma razão, a estatura moral das sociedades democráticas vai baixando, e, com a ajuda de milhões de emires sáderes, os Ches e Pol-Pots se aproveitam disso para ostentar mais um pouco da sua infinita superioridade moral, anjos de bondade que pairam no céu, longe do “inferno capitalista”.
Olavo de Carvalho é jornalista, ensaísta
e professor de Filosofia.

Onde Mais Podem Estar os Espiões de Castro?

por Humberto Fontova
Na semana passada, o FBI capturou um bem-nascido analista de inteligência do Departamento de Estado, e também a sua mulher, sob a acusação de conspiração para cometer espionagem em favor do regime de Castro. David Kris, promotor assistente do Departamento de Justiça para assuntos de segurança nacional, descreveu o caso contra Walter Kendall Myers e sua mulher, Gwendolyn, como “incrivelmente sério” e a Secretária de Estado, Hillary Clinton, chamou-o de “uma violação ultrajante”, enquanto ordenava uma revisão de cima a baixo dos procedimentos de segurança do Departamento de Estado.
Os espiões cubanos podem ser especialmente difíceis de descobrir”, lamentam funcionários da inteligência americana, “porque o governo cubano é especialista em recrutar ‘verdadeiros partidários da causa’, em vez de agentes que queiram dinheiro”. Walter Kendall Myers é um exemplo perfeito. Foram necessários 30 anos para apanhá-lo.
Eu cheguei à conclusão de que deveríamos tentar obter a normalização de nossas relações com Cuba”, dizia a Diretiva Presidencial NSC-6, emitida em 16 de março de 1977 por Jimmy Carter. A diretiva, que deixou de ser secreta somente em maio de 2002, continua: “Para este fim, devemos iniciar conversações diretas e confidenciais com representantes do governo cubano”.
Esta “abertura” do Democrata Carter a Castro montou o palco para a carreira de Myers como espião. Ao que parece, Walter Myers começou a flertar com os agentes cubanos treinados pela KGB no final de 1978, enquanto esses serviam como diplomatas na ONU e Myers trabalhava como professor adjunto na Universidade Johns Hopkins e também como instrutor para o Departamento de Estado, que já lhe havia concedido autorização de segurança para assuntos confidenciais.
Os agentes de Castro gentilmente convidaram Myers para ir a Cuba numa “viagem de estudos”, com tudo pago (coisa fácil de arranjar, tanto então, como agora). Poucos meses depois, os agentes cubanos visitaram Myers em sua residência temporária em Dakota do Sul e lhe deram as boas novas: o emprego era dele. Assim, Myers prontamente alistou-se como um agente a serviço de um regime que almejava (e chegou muito perto disso) a incineração nuclear de sua cidade natal, Washington, DC.
Durante os procedimentos da captura de Myers, o FBI descobriu o seu diário, carregado de passagens “castrófilas”.
Para deixar mais clara a dificuldade de apanhar os espiões a serviço de Castro que confundem e atormentam os caçadores de espiões americanos, vamos jogar um jogo que eu chamei de:
“Quem disse isso: um espião a serviço de Castro ou alguém do Partido Democrata”.
 Fidel tirou o povo cubano das condições degradantes e opressivas que caracterizavam a Cuba pré-revolucionária. Ele ajudou os cubanos a salvar suas almas. Os cubanos não precisam fazer muito esforço para provar que nós fomos os seus exploradores.
Se você respondeu, “Myers, espião de Castro, em seu diário”, acertou.
 Eu acredito que não há nenhum outro país no mundo, incluindo todo e qualquer um sob domínio colonial, onde a colonização econômica, a humilhação e a exploração fossem piores do que em Cuba, em parte devido às políticas do meu país durante o regime de Batista...”.
Se você respondeu, “O Presidente dos Estados Unidos, o Democrata John F. Kennedy, falando ao jornalista francês Jean Daniel em novembro de 1963”, você acertou de novo.
 Batista foi apenas um de uma longa lista de figuras assassinas que nós empurramos sobre eles em nome da estabilidade e da liberdade”.
Se você respondeu “O espião Myers, em seu diário”, ponto para você.
 E eu vou além: em certa medida, é como se Batista fosse a encarnação de uma série de pecados dos Estados Unidos”.
Resposta: Presidente Democrata John F. Kennedy. Mais um ponto.
 Tudo que se ouve a respeito de Fidel sugere que ele é um líder brilhante e carismático”. 
Pensou no espião de Castro, Kendall Myers? Acertou na mosca, mais uma vez.
— Fidel Castro é muito tímido e sensível, um homem que eu considero como a um amigo”.
“Foi aquele candidato Democrata à presidência, George McGovern?” Você está certo, mas essa foi fácil demais.
 Castro transpira a sensação de seriedade e propósito que dá ao sistema socialista cubano o seu caráter ímpar. A revolução é moral sem ser moralista”. 
Palavras do espião Kendall Myers em seu diário”, é a resposta certa.
— Antes e acima de tudo, Castro é e sempre foi um igualitário dedicado. Ele despreza qualquer sistema no qual uma classe ou grupo de pessoas vive muito melhor do que outra. Ele desejou um sistema que provesse as necessidades básicas a todos – alimentação suficiente, assistência à saúde, moradia adequada e educação”. 
Se você respondeu, “Wayne Smith, indicado por Jimmy Carter como chefe da Seção de Interesses Cubanos em Havana”, você está se saindo excepcionalmente bem.
— Os cubanos abriram mão de sua liberdade pessoal em troca de segurança material? Nada do que já vi sugere isso; não vejo nada de valor que tenha sido perdido pela revolução. A revolução liberou enorme potencial e o espírito cubano”.
Resposta: Essa é do espião castrista, Kendall Myers, e você, previsivelmente, marcou mais um ponto.
— Cuba tem sistemas de saúde e de educação soberbos... o embargo a Cuba é a lei mais estúpida jamais aprovada nos Estados Unidos”.
Resposta: “O ex-presidente Jimmy Carter, Democrata”.
(Para o propósito deste artigo, por favor, desconsidere o fato de que todas essas frases feitas distribuídas por Castro aos seus propagandistas são demonstravelmente falsas. O ponto aqui é mostrar quem está repetindo essas mentiras).
“A ponta do iceberg” é uma expressão usada com frequência por observadores de Cuba sempre que um espião a serviço de Castro é apanhado. À luz das motivações reveladas no diário de Myers e da ‘castrofilia’ sem limites entre a comunidade acadêmica ao redor de Washington, na mídia e nos círculos Democratas, quem pode duvidar dela?
O brinde de Manhattan!”, vangloriava-se a revista Time a respeito da recepção oferecida a Castro pelo beautiful people de Manhattan, por ocasião de sua vinda a Nova York para discursar diante da Assembléia Geral da ONU em 1995, durante as comemorações do cinquentenário da instituição.
“O convite mais disputado em Manhattan!” era o que estampava uma matéria da Newsweek naquela semana, referindo-se ao torvelinho de eventos sociais que engolfaram Castro. Depois da ovação cheia de gritos e estrépitos que Fidel Castro recebeu na Assembléia Geral, ele foi festejado pelos melhores e mais brilhantes de Nova York, desfrutando da agradável companhia de dúzias de cintilantes celebridades, de “autoridades” da mídia, e dos poderosos e influentes.
Primeiro, foi oferecido um jantar no Council of Foreign Relations — CFR. Depois de desfrutar das delícias de ser o centro das atenções para um inebriado David Rockefeller, além de Robert McNamara, Dwayne Andreas e Harold Evans, da Random House [uma das maiores e mais influentes editoras americanas], Fidel fez rápida aparição no heliporto de Mort Zuckerman, na 5ª Avenida, onde uma aglomeração de celebridades do mundo jornalístico o aguardava. Entre esses estavam: um sem fôlego Mike Wallace, Peter Jennings [âncora da rede ABC], Tina Brown, Bernard Shaw [CNN] e Barbara Walters, todos agitados e se empurrando por um breve encontro, reagindo aquiescente e carinhosamente a cada comentário de Castro. Todos clamavam por autógrafos e fotos com Fidel. Diane Sawyer estava tão emocionada na presença do assassino em massa que correu até ele, abriu aquele sorriso cheio de dentes, abraçou-o e deu-lhe uma terna beijoca na bochecha.
Vocês são os melhores de todos!”, proclamou radiante o Führer cubano para a multidão sorridente que o circundava.
É isso mesmo, é isso mesmo!”, chilreavam os encantados convidados enquanto brindavam com suas taças de vinho, em sinal de estima e de exultante alegria.
E o assassino mal arranhou a superfície de seu fã-clube. De acordo com o Conselho Econômico e de Comércio EUA-Cuba, naquela visita, Castro recebeu dos poderosos e das celebridades de Manhattan 250 convites para jantares.
Portanto, quem pode duvidar que o pessoal da inteligência cubana esteja terrivelmente sobrecarregado de trabalho? Como lhes seria possível fazer a triagem de todos os candidatos americanos em suas vistas “acadêmicas” ou “jornalísticas” a Cuba, todos clamando querer ajudar o regime que almejava escravizá-los?
Publicado originalmente em Human Events
Tradução: Henrique Paul Dmyterko
Nota da Redação de MÍDIA@MAIS: para conhecer mais sobre as origens do comportamento pró-Fidel Castro existente entre a elite norte-americana, recomenda-se a leitura do livro resenhado pelo M@M, O verdadeiro Che Guevara – e os idiotas úteis que o idolatram.
Fonte: Mídia@Mais,
indicado pelo meu amigo Felix.
COMENTO: e por aqui? quantos guerrilheiros formados na escola de espionagem do SG2 cubano circulam nas esferas decisórias de nosso desgoverno? Que objetivos têm essas pessoas? O bem-estar do Brasil ou o cumprimento de sua gloriosa missão de transformar este país em um "satélite cubano", drenando nossas riquezas para uma utópica revolução a ser comandada pelos irmãos Castro, sob a "direção estratégica" do Mico Mandante Hugo Chavez Frias?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sarney Esqueceu Que a Morte Política Vive à Espreita dos Muito Vivos

por Augusto Nunes
Porque era provido do sentimento da honra, por ser capaz de sentir vergonha, Getúlio Vargas preferiu morrer a sujeitar-se a vinganças ultrajantes. Depois da mais dramática renúncia, o estadista gaúcho sobreviveu politicamente à morte física. Porque acha que nada desonra, por ser incapaz de envergonhar-se, José Sarney preferiu permanecer na presidência do Senado a reconhecer que ofendeu o Brasil que pensa. Depois de confirmar a tese de Jânio Quadros segundo a qual aqui ninguém renuncia sequer ao cargo de síndico, o morubixaba maranhense vai conhecer em vida a morte política.
Em política só existe a porta de entrada”, repete Sarney a cada entrevista mais extensa. Claro que existem portas de saída — só não as enxerga quem imagina que a carteirinha de sócio do clube dos pais da pátria não tem prazo de validade. Há a porta da frente e a dos fundos. Por aquela saiu Getúlio, sobraçando uma comovente carta-testamento. Pela porta dos fundos vai saindo o presidente do Senado, no cangote de um discurso inverossímil.
Foi penoso acompanhar pela TV a performance do artista em seu ocaso. Mãos trêmulas, olhar de medo, a voz indignada contrastando com os desmaios no meio da frase sem pé nem cabeça, o homem que chegou ao Congresso há 50 anos, governou o Maranhão e o Brasil e preside de novo o Senado parecia um coroinha do baixo clero. Enfileirou argumentos indigentes, evocou atos de bravura imaginários, reinventou o passado de governista congênito e caprichou na pose de herói da resistência.
Sempre perseguindo erraticamente pontos finais, Sarney engavetou pecados antigos, subestimou os recentes, informou que os atos secretos não foram secretos e, caprichando na pose de vítima, exigiu respeito. A crise não é minha, a crise é do Senado”, inocentou-se.
É isso aí, concordariam os presentes, com falatórios na tribuna ou com os gritos do silêncio. Todos fizeram de conta que Sarney não embolsou malandramente o auxílio-moradia, não promoveu a diretor-geral o bandido de estimação Agaciel Maia, não pendurou no cabideiro de empregos do Congresso duas sobrinhas, um neto, o ex-presidente da Assembléia Legislativa do Amapá, 50 parentes pra cá e 50 amigos pra lá. Todos absolveram o patriarca que tentara encobrir com um desfile de negativas a procissão de delinquências comprovadas.
Quando estiverem cauterizadas as feridas morais abertas pela Era da Mediocridade, o Brasil contemplará com desconsolo e desconcerto a paisagem deste começo de século. Como foi possível suportar sem revides as bofetadas desferidas por um político sem luz, orador bisonho, poeta menor e escritor medíocre? Como explicar a mansidão da maioria dos insultados pelo coro dos cúmplices contentes?
A ausência no plenário de representantes do Brasil que presta talvez seja mais perturbadora do que a presença de Sarney no centro da mesa diretora. Encerrado o espetáculo do cinismo, ninguém falou em nome dos injuriados. Ninguém contestou a discurseira absurda. Ninguém lastimou a decomposição do Legislativo. Ninguém sentiu vergonha.
Na quarta-feira, os senadores ficaram parecidos com Sarney, que é a cara do Senado destes tempos tristonhos. Mais cedo para uns que para outros, a morte política chegará para todos. Tomara que a instituição sobreviva.

O Zé Sarney à Deriva

Colunista da Folha em Apuros
por Alberto Dines
Não são poucos os jornalistas que se sentirão aliviados no dia em que a Folha de S.Paulo anunciar que José Sarney, seu colaborador das sextas-feiras, licenciou-se, aposentou-se ou ganhou o Nobel de Literatura e, por isso, deixará o jornal.
O vexame não atinge apenas os jornalistas que trabalham na Folha, familiarizados com a simbologia da Página 2, onde germinou a extraordinária ascensão do jornal em junho de 1975. A presença de Sarney nesta página é afronta gremial, corporativa, mexe com os brios dos profissionais brasileiros empenhados em fazer do jornalismo o ofício da decência e da consciência.
Apesar do maciço monolitismo que domina a grande imprensa, a Folha de S.Paulo conseguiu a façanha de ficar sozinha no incrível apego ao ex-presidente da República. Em apenas cinco meses, depois de uma controversa carreira de mais de meio século, o senador converteu-se em unanimidade nacional: o mar de lama que afoga nosso Legislativo é fruto da sua leniência e da sua complacência com a malfeitoria e a prevaricação.
A direção da Folha sabe disso, há tempos admite que a permanência de Sarney no seu quadro de colaboradores e amigos respinga na sua imagem nódoas indesejáveis, compromete a sua história, coloca suspeições onde só deveria existir transparência.
Os responsáveis pelos destinos da Folha, agarrados às birras juvenis, perderam uma magnífica oportunidade de dissociar-se da figura de Sarney em fevereiro, quando foi novamente alçado à presidência da Câmara Alta e à chefia do Legislativo. Outros colaboradores com currículos mais respeitáveis e em posições potencialmente menos conflituosas foram afastados sem dor, com naturalidade. Sobretudo sem ruído.
Atração fatal
No caso de Sarney, há uma estranha e perturbadora atração, verdadeira atração fatal: o jornal que se jacta de ter o rabo preso com o leitor tem o dito-cujo preso com o destino do parlamentar que no momento encarna a degradação do processo político.
Os estrategistas da Folha imaginaram que seria possível mantê-la distante das estripulias do senador. Quando os seus concorrentes Estado de S.Paulo e, logo em seguida, O Globo começaram a desvendar a incrível novela dos atos secretos, evidenciou-se que a Folha — como, aliás, era previsto — encalacrava-se junto com o seu dileto articulista.
O furo com a denúncia dos 300 atos clandestinos coube aos repórteres Rosa Costa e Leandro Colon, do Estadão, na quarta-feira (10/6). Surpreendidos, Folha e Globo entraram com naturalidade no assunto na edição seguinte (quinta, 11/6). Vocacionada para protagonismos, imaginava-se que a Folha logo trataria de ultrapassar o Estadão.
Quem se juntou ao Estadão foi O Globo, na sexta-feira (12/6), em reportagem de Gerson Camarotti: os atos secretos não eram 300, mas quase o dobro — 500. A Folha ficou visivelmente para trás. Neste dia, na discreta chamada na capa, o jornal explica que uma comissão examina desde 1995 os privilégios produzidos pelos atos secretos.
Sarney fora da pauta
Para disfarçar o desconforto, a Folha opinou no sábado, mas distanciou o escândalo da pessoa de Sarney: "Senado Secreto" foi o título do principal editorial da Página 2. O nome do fiel colaborador não aparece uma única vez, embora aparecesse com destaque no noticiário dos dias anteriores.
O Estadão também opinou no sábado, mas ao contrario da delicadeza do concorrente entrou de sola com um editorial sob o título "Corrupção Secreta". O envolvimento de José Sarney é detalhado num extenso parágrafo.
Quem tocou na complicada relação de Sarney-Folha foi o colunista Clóvis Rossi, o mais antigo da Página 2, que na edição de domingo (14/6) desculpa-se pelo atraso em entrar no assunto:
"A demora não se deve, creia-me [dirigindo-se ao leitor], à preguiça, à desatenção ou ao desejo de preservar o colega do espaço ao lado nas sextas feiras, o senador José Sarney, ao contrário do que suspeitam alguns leitores."
A demora deveu-se, segundo o jornalista, à incredulidade:
"...o que há mais para dizer sobre um caso destas proporções? Xingar a mãe?"
O libelo encerra-se com dinamite pura:
"O pior é que não tem saída, porque a saída depende dos próprios senadores, cúmplices, por ação ou omissão, do aparelho clandestino que era uma Casa de Leis".
Sarney está ferrado: a Folha jamais admitiria desvencilhar-se de um incômodo parceiro apenas para satisfazer "alguns leitores" exigentes e inconformados. Agora, com o decisivo empurrão assinado e avalizado pelo mais antigo articulista da Dois, está armado e acionado o cronograma para a saída de José Sarney da Folha de S.Paulo. Aleluia!
Clóvis Rossi merece um prêmio pela façanha.