sábado, 21 de junho de 2008

Bendito Despreparo

É premente a necessidade de evitar que os militares sejam periodicamente vítimas do conceito de culpa coletiva, uma idéia de raízes nazifascistas.
por Alon Feuerwerker
Quem é o comandante-em-chefe das Forças Armadas (FFAA)? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quem é o responsável pela segurança pública no Rio de Janeiro? O governador Sérgio Cabral.
Num crime horrendo, traficantes do Rio mataram três rapazes, entregues aos bandidos por militares que supostamente haviam sido desacatados pelo trio. Os oficiais e soldados envolvidos já estão presos e irão pagar na forma da lei, militar ou civil. Parabéns às FFAA pela rapidez nas providências. Já os traficantes homicidas continuavam soltos até o momento em que escrevia esta coluna. Vamos aguardar como age no caso a polícia do governador Cabral.
Há todo um movimento de opinião pública para imputar às FFAA, como instituição, a responsabilidade pelo terrível episódio. Isso é tão razoável quanto culpar a Igreja Católica por um eventual caso de pedofilia de um padre. É tão lógico quanto apontar o dedo acusador contra a direção nacional de um partido pelo fato de um vereador da legenda cobrar propina para acompanhar o prefeito nas votações da Câmara Municipal.
Também está na moda dizer que as três mortes indicam a falta de preparo das FFAA para cumprir missões na esfera da segurança pública. Até gente do governo defende a tese. Não deixa de ser curioso, já que, segundo a própria administração federal, as FFAA estão bem preparadas para executar esse tipo de missão no Haiti. Talvez porque nossa presença militar naquelas paragens do Caribe seja pedra de toque do lobby de Lula para obtermos uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Se os militares brasileiros podem estar em Cité Soleil, por que não podem marcar presença no Morro da Providência? Claro que podem. Desde que o façam com o mesmo profissionalismo mostrado, até agora, nas favelas de Porto Príncipe. Evidente que problemas podem acontecer. Soldados são seres humanos, gente de carne e osso sujeita a fraquezas. Para preveni-las e puni-las, aliás, é que existe a lei.
Outro equívoco é defender que as FFAA devem restringir sua ação à defesa do país contra o inimigo externo. As FFAA não só podem como devem empregar seus recursos e sua conhecida capacidade em missões internas nas esferas do desenvolvimento econômico e do progresso social. Fora os lobbies contrariados, não vejo ninguém reclamar quando as FFAA são chamadas pelo presidente Lula para realizar obras rodoviárias. Ou quando se envolvem no apoio material à saúde e à educação de populações necessitadas.
Falsos argumentos à parte, o problema hoje enfrentado pelas FFAA é principalmente político. Nas hostes do antimilitarismo há os sinceros, que no íntimo ainda não conseguiram apagar a memória dos anos da ditadura. E há os espertos, que se valem do compreensível sentimento dos sinceros para tentar encurralar os militares e impedir que exerçam, no âmbito da democracia, seu papel constitucional na defesa do Estado brasileiro e contras as ameaças internas e externas. Um exemplo é a reserva indígena Raposa Serra do Sol.
As FFAA devem habituar-se à dura fiscalização pela sociedade, elemento constitutivo do regime democrático. E a sociedade deve acostumar-se ao fato de as FFAA serem uma instituição como outra qualquer, com bons e maus integrantes. Daí a absoluta e premente necessidade de evitar que os militares sejam periodicamente vítimas do conceito de culpa coletiva, uma idéia de raízes nazifascistas, para não irmos mais longe.
Por falar em esperteza e sinceridade, talvez você esteja a se perguntar por que as duas interrogações no primeiro parágrafo desta coluna. Ora, as FFAA não estariam cumprindo sua atual missão carioca sem a anuência do comandante-em-chefe. E soldados não poderiam confraternizar com traficantes se a polícia do Rio estivesse realmente empenhada em combater os criminosos. Elementar. Mas, assim como no recente caso da epidemia de dengue no Rio, Lula e Sérgio Cabral decidiram mergulhar e fazer que não é com eles. É uma tecnologia conhecida: fingir-se de morto na hora da batalha e aparecer depois para dividir os bônus da vitória.
Cabral e Lula são momentaneamente beneficiados por uma situação política peculiar. A presença do Exército no Morro da Providência relaciona-se com um projeto do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), candidato a prefeito da capital fluminense. O episódio das três mortes caiu, neste ano eleitoral, como uma luva para os muitos adversários do senador e da igreja dele, a Universal do Reino de Deus (Iurd). Como a igreja tem angariado mais inimigos do que recomendaria a prudência, o tempo fecha para Crivella e ninguém cobra nada do presidente e do governador.
Pensando bem, talvez num aspecto as Forças Armadas estejam mesmo despreparadas. Parece faltar aos nossos militares o necessário adestramento para freqüentar os meandros e labirintos de uma política partidária conduzida sem o menor apreço à verdade e ao interesse público.
Bendito despreparo.
Fonte:  Correio Braziliense - 20 Jun 08

Caso do Morro da Providência Revela o Caos

EPISÓDIO DO MORRO DA PROVIDÊNCIA EXPÕE O CAOS NUM BRASIL QUE SE RECUSA A ADMITIR QUE ESTÁ PERDENDO PARA AQUELES QUE QUEREM DESTRUÍ-LO EM NOME DE OUTROS PROJETOS DE PODER
por Rebecca Santoro
Pelo menos três militares do Exército, que atualmente exerce operação permanente na favela do Morro da Providência, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, detiveram três rapazes (David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17) por desacato, depois de serem abordados, por suspeita de estarem armados. Os jovens foram levados para a Delegacia Judiciária Militar, onde o capitão responsável não quis autuá-los, determinando que fossem liberados.
O tenente que liderava o grupo que deteve os rapazes, em flagrante desobediência às ordens do capitão, teria entrado em acordo com seus subordinados para que os jovens (que provavelmente tivessem contato com os traficantes da Providência, onde moravam) fossem levados, num caminhão do Exército, dentro do qual estavam 11 militares, para o Morro da Mineira, no Catumbi, zona norte do Rio, onde agem traficantes rivais. Sem cobrar dinheiro ou favor dos criminosos, entregaram as vítimas aos traficantes da Mineira e foram embora. Como previsível, os três jovens ‘inimigos’ foram mortos.
O tenente já confessou ter comandado a ação contra os três rapazes e, todos os 11 militares já estão presos em unidades da Polícia do Exército. Segundo o delegado-titular da 4ª Delegacia de Polícia Civil, Ricardo Dominguez, que está apurando o caso, no depoimento prestado pelo tenente, ele teria demonstrado frieza, calculismo e total falta de arrependimento.
Por outro lado, outras fontes não oficiais, revelaram-me que estão trabalhando sob outra perspectiva em relação ao caso. Primeiro, estão levando em consideração o fato de que uma tropa do EB foi destacada para prestar serviço no Morro da Providência, por ordem do comandante supremo das FFAA, diga-se o presidente da república, prestando um papel, suspeita-se, de ‘cabo eleitoral’ do bispo e senador Marcelo Crivela, apesar das explícitas recomendações do Comandante Militar do Leste em contrário e ainda sob o total desconhecimento da ação por parte das autoridades competentes cariocas.
De acordo com estas fontes, os militares passaram a ficar expostos à constantes atitudes de desrespeito e agressão verbal por parte de moradores da favela, por ordem dos traficantes. Houve, inclusive, um caso envolvendo um outro tenente que teve que ser retirado da missão, depois de ter sido ameaçado de morte. Diante desta situação, os ânimos estavam ficando cada vez mais acirrados entre os militares e os moradores. No caso do tenente que levou os três rapazes, supostamente ligados ao tráfico da Providência, para entregá-los a traficantes de quadrilha rival no morro da Mineira, a vulnerabilidade e a inconseqüência, podem tê-lo levado a tomar as providências que achou cabíveis, para impor o respeito às FFAA e ao Estado — abandonados que estavam, à própria sorte, aqueles militares, por ordens deste mesmo Estado que lhes impunha uma missão, na qual eram obrigados a sofrer humilhações verbais, diuturnamente, sem poder esboçar reação que viesse a se traduzir em justa punição aos que lhes desacatavam — e as FFAA — com todo o tipo de ofensa.
A melhor reportagem sobre o ocorrido, publicada no jornal carioca Gazeta do Povo, revela que, em depoimento à polícia, ‘um soldado, que mora em uma outra favela da zona norte do Rio, confessou ter guiado a guarnição até à Mineira, mas negou conhecer os traficantes. De acordo com o delegado, o caminhão com os 11 militares entrou no morro da Mineira. Os militares contaram que procuraram um lugar seguro para se abrigar e que o sargento, um morador da Baixada Fluminense, há cinco anos no Exército, iniciou uma negociação por meio de sinais com os traficantes. Um criminoso apareceu desarmado e levou as vítimas até os demais criminosos. A cena foi presenciada por vários moradores que confirmaram a informação a investigadores... O delegado tem a informação de que houve um contato prévio entre os militares e os traficantes do morro da Mineira. Os moradores afirmam que pelo menos dois soldados, entre os 11 militares presos, são moradores do morro da Mineira’.
A matéria revela ainda a mentalidade do tenente: “Um corretivo para não perder o prestígio diante da tropa. Esta foi a justificativa que o jovem tenente capixaba, 25 anos, deu ao delegado, para levar os três jovens... até traficantes rivais do morro da Mineira. A explicação do oficial é a de que foi um corretivo porque os jovens teriam ofendido os militares”.
Mais uma vez, a mídia de modo geral, as ONGs e todo o think-thank da esquerda terá arranjado um novo motivo para ‘bater’ nas FFAA. Dessa vez, entretanto, com razão, se ficassem presos apenas à má conduta dos militares envolvidos nessa ação, agravada pelo fato de terem cometido o delito usando fardas, armas e condução das FFAA, mas se, IGUALMENTE, porém, com a mesma ênfase, aproveitassem para chamar a atenção para a rapidez com que os elementos foram identificados, interrogados e detidos, além de, é claro, exigir punição exemplar e condenar, com a mesma veemência, o bárbaro crime de tortura e de assassinato dos três rapazes cometido pelos traficantes da Mineira. E sem também esquecerem de cobrar esclarecimentos sobre esse acordo entre Lula e Crivela, feitos à revelia das recomendações em contrário do CML e sem o prévio consentimento, ou mesmo um aviso sequer, dos órgãos competentes do Estado do Rio de Janeiro.
Em rigorosamente nenhuma das entrevistas veiculadas pelos meios de comunicação se ouviu sequer o mais remoto pronunciamento sobre a necessidade de identificar e de punir, com os rigores da lei, os traficantes executores do assassinato das três vítimas e muito menos se ouviu quem quer que fosse condenar estes traficantes por flagrante desrespeito aos direitos humanos. Tratados como monstros, somente os militares, em óbvia atitude discriminatória. Que espécie de senso de justiça é esse o dessas pessoas?
É inacreditável: Como revela reportagem da Folha Online de hoje, 18 de junho, quatro dias após o assassinato de três jovens nem a Polícia Militar nem a Civil fizeram nenhuma investida na favela da Mineira para tentar prender os traficantes apontados como assassinos e para fazer ao menos uma perícia do local onde as vítimas teriam sido executadas. Ninguém foi preso e nem mesmo formalmente acusado pelo crime. A própria Secretaria da Segurança do RJ informou que simplesmente não há nenhuma operação em curso e nem prevista para a Mineira e que eventual ação na favela ficará a cargo das delegacias especializadas. Que instituições são estas? Que estado de Direito é esse?
Gente capaz de cometer crimes existe em tudo quanto é lugar. Ainda mais em situações adversas. Por isso, o importante é agir com rapidez para identificá-las, detê-las e assim lhes manter até que sejam julgadas e, finalmente punidas. Não pode haver corporativismo entre membros de uma classe ou de uma instituição para proteger quem quer que tenha cometido crime. E não está havendo. Há que se ressaltar, também, que o Comandante Militar do Leste, Luiz Cesário da Silveira Filho, tomou, ainda, a iniciativa de convocar os parentes das vítimas para lhes pedir desculpas formais, em nome das FFAA.
O leitor tem visto essa eficiência toda por aí? Não, é claro. Não se vê a mesma reação em relação a uma imensidão de outros tipos de crime, mais ou menos graves, e até mesmo alguns do mesmo calibre, mas que foram cometidos por gente que faz parte de outras instituições, ou por gente chegada ao governo, ou por gente que faz parte de determinadas corporações, de movimentos chamados populares, de grupos étnicos patrocinados por ONGs, etc.
Até agora, o Exército tem reagido exemplarmente ao trágico acontecido. Repito: age com rigor exemplar. Mas, entretanto, não usou deste mesmo rigor para cuidar de seus próprios homens, que ficaram expostos a situações humilhantes, sem ter como reagir contra seus agressores, numa missão estressante e coberta de irregularidades. A tragédia que aconteceu no morro da Providência era eminentemente previsível e poderia perfeitamente ter sido evitada se o Planalto e o Ministério da Defesa entendessem alguma coisa de ações militares e, por sua vez, se o Comando do EB não estivesse tão preocupado em forjar (porque só forjando mesmo) uma situação almejada de bom relacionamento com aqueles que se apropriaram do Estado brasileiro e o transformaram num refém do governo petista — situação que qualquer um que tenha mais de dois neurônios é capaz de avaliar não se pretender como apenas transitória.
Desesperada atrás de verbas, as FFAA vêm caindo sistematicamente em contos enfeitados por discursos ufanistas de falsos patriotas (cuja pátria é, na verdade, a grande aldeia global socialista) que acenam com incentivos de reforma e de reaparelhamento inseridos num contexto de ascensão da era da nova democracia — que todos sabem perfeitamente tratar-se de uma mal disfarçada ditadura populista. Os livros estão cheios de exemplos que mostram exatamente como é que terminam histórias assim. Ninguém estuda mais História nesse país?
Voltando à tragédia da Providência, outra coisa que não está sendo divulgada pelos meios de comunicação televisivos e nem por jornais de grande circulação é que a polícia tem ciência do fato de que duas das vítimas tinham passagens pela polícia: Wellington, quando era menor, foi detido para averiguação, ocasião em que recebeu ligações de dois supostos gerentes do tráfico da Providência e David foi detido há mais de dois anos por porte de arma e corrupção de menores. Sabe-se também que, apesar da ocupação parcial do Exército no morro, o tráfico continua atuando, apenas tendo se deslocado dos pontos da favela que estão ocupados pelos militares.
Além disso, há outros dados importantes que não saem na TV, veículo de alcance incomparável. A colunista da Folha de São Paulo, Eliane Cantanhêde, divulgou em sua coluna (1706/2008) o “parecer encampado pelo Comando do Exército, em Brasília, o Comando Militar do Leste (CML) alertou para os riscos da participação militar no projeto Cimento Social no morro da Providência”... “O comandante do CML, general-de-exército Luiz Cesário da Silveira Filho, enviou o parecer ao comandante do Exército, general Enzo Peri. Discorreu sobre os riscos do contato de militares com bandidos, falou sobre a possibilidade de haver tiroteios e até mortes de civis com balas perdidas. Seu temor era que os militares estariam em áreas conflagradas, mas sem flexibilidade legal para real combate ao crime”... “Foi, porém, voto vencido. O Palácio do Planalto seguiu a sugestão do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e o projeto virou convênio dos ministérios de Cidades e da Defesa”.
A jornalista Lúcia Hipólito, em sua coluna, ressalta que maior escândalo maior ainda é “a população do Rio de Janeiro — e do Brasil — ter sido informada, da forma mais chocante possível, que um destacamento do Exército está sendo utilizado para reformar casas e pintar fachadas no morro da Providência, como parte de um projeto eleitoral do ex-bispo e senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), candidato a prefeito da cidade do Rio de Janeiro... Isso mesmo: o Exército Brasileiro foi privatizado para atender aos interesses eleitorais de um candidato, correligionário do vice-presidente da República e membro atuante da base aliada do governo”.
Ela cita, ainda, como agravante o fato de o Comando Militar do Leste ter dado parecer contrário à operação, que foi encampado pelo comando do Exército. Diz a jornalista: “mas, o Palácio do Planalto deu sinal verde para que fosse realizado um convênio entre o Ministério das Cidades e o Ministério da Defesa para viabilizar a atuação do Exército na comunidade”, reformando fachadas e telhados de casas populares. Informa também que “a Secretaria de Segurança do governo estadual não foi informada da operação. Só recentemente o secretário de Segurança declarou, em depoimento na Câmara dos Deputados, que ficara sabendo da presença do Exército no morro”.
O mais grave, entretanto, que revela esse infeliz e condenável ocorrido, eu suponho, não vai passar nem perto de ser abordado em todos os pontos de vista que serão divulgados pela grande imprensa sobre o caso. Não se trata de nenhuma novidade — ao contrário, é preocupação antiga, cada vez maior, e da mais óbvia conclusão. Basta saber um pouco de matemática e fazer os mais simples exercícios de lógica.
Em agosto do ano passado, por exemplo, num dos artigos que foram escritos sobre a crise aérea, Sangria no Ar, entre outras considerações, havia trechos em que se falava exatamente sobre os problemas de pessoal que afetavam as FFAA:
— Não é de hoje que as FFAA vêm tendo seus salários aviltados e suas verbas para operações, para compra de equipamentos e para o desenvolvimento de projetos fortemente contingenciadas — para não dizer, criminosamente, boicotadas. Uma criança de 10 anos poderia prever algumas das mais óbvias conseqüências: abandono da carreira por parte de pessoas mais qualificadas — o que é um desperdício do investimento nelas feito; desinteresse pelo ingresso na carreira militar por parte daqueles indivíduos mais bem preparados intelectualmente dentro da sociedade — o que gera, por outro lado, o rebaixamento do nível de exigência, em termos de preparação educacional, para que se ingresse na carreira, na medida em que se precisa de um contingente mínimo. A longo prazo, isso certamente acaba (ou acabará) fazendo com que, lá na frente, tenham-se pessoas intelectualmente despreparadas para comandar nossas Forças Armadas.
Isso sem falar nas probabilidades estatísticas de correlação entre as causas deste despreparo intelectual e de possíveis problemas relacionados ao déficit no recebimento de transmissão de valores importantíssimos para a formação do indivíduo, adquiridos dentro do convívio familiar sadio, que são imprescindíveis para que se formem bons seres humanos e cidadãos.
— Podem ser nefastas conseqüências deste despreparo, entre outras coisas, dentro das FFAA, problemas com o aumento do índice de corrupção, de roubos de armas e de equipamentos, do uso de drogas e ainda com o aumento do contingente de pessoas facilmente influenciáveis pela pregação de um nacionalismo ufanístico que pode vir a favorecer a sustentação de governos comunisto-populistas, etc. E o pior: o surgimento futuro de uma classe de comando — ora mais preocupada com seus próprios benefícios do que com os das tropas, ora desmotivada pela incapacidade mesma de compreensão, por parte destas tropas, do significado que deveria haver por trás das fardas que vestem. Tropas de mentalidade curta e sem preparo intelectual — esse é o maior dos desastres.
— Hoje, já não se fala nem mais nessa questão de fundamento — que seria o sucateamento do indivíduo militar —, mas, sim, do sucateamento dos equipamentos e das instalações... É preciso cuidado nesse ponto. Antes de aparelhar a Força, é necessário que se paguem salários melhores. Por todos os motivos que já foram acima citados. Mas, suspeita-se que isso não acontecerá enquanto o governo não tiver a mais absoluta certeza de que os beneficiários deste justo aumento não sejam aqueles que tenham as condições de lhe ameaçar seus planos de poder... Quem não quiser enxergar o óbvio que finja que não é nada disso...
— Antes ainda do artigo acima citado, publicação, em junho de 2005, no site Inforel (http://www.inforel.org/), trazia uma série de dados alarmantes. Revelava que, segundo dados do governo, em 2005, os servidores do Executivo custavam, em média, R$ 4.413 por mês cada um. Contabilizados os gastos com os inativos, a média por militar ficava em R$ 2.507 e continuava sendo a mais baixa entre o funcionalismo dos três Poderes. No Legislativo, a despesa média por servidor era de R$ 8.640 e, no Judiciário, de R$ R$ 8.704. As estatísticas do governo revelavam ainda que, na última década, as despesas com militares ativos eram as que menos haviam crescido. Havia dez anos, o servidor civil do governo federal custava em média 50% mais que o militar. Em 2005, essa diferença era de 121%. Em 1995, o gasto médio por funcionário do Legislativo e do Judiciário era 309% e 172% maior que os dos membros dos quartéis, respectivamente. Em 2005, a diferença estava em torno de 360% em ambos os casos.
E hoje, depois de toda a ‘novela’ que foi conceder um pagamento maior para os militares, que está, digamos, há anos luz de poder ser chamado de reajuste e muito menos de aumento (leiam detalhes aqui: Imortais Guerreiros), ainda houve Comandante das FFAA que tenha agradecido efusivamente ao ministro da defesa pela ‘conquista’. Crise entre as FFAA e Nelson Jobim? Parece que, pelo menos em relação aos comandos das Forças, não. Jobim freqüenta muitas das solenidades e festividades comemorativas tradicionais das FFAA. Em algumas delas, como convidado VIP, sua presença chega a fazer com que alguns destes eventos sejam, inclusive, modificados — não completamente, porém de forma bastante perceptível —, pelos organizadores, em sua estrutura e mesmo em seus propósitos, tudo na tentativa de agradar ao ministro.
No plano de ação militar, a tendência, parece, é a de que as FFAA como um todo estejam interessadas em compor o máximo de alinhamento com as diretrizes políticas e militares estabelecidas pelo governo, com o propósito firme de conseguir mais recursos para o reaparelhamento das mesmas. Nesse sentido, correm, livres, leves e soltos, por Brasília, os comentários de que o ministro Mangabeira Unger ignoraria solenemente as opiniões de muitos dos militares que ‘tentam’ trabalhar com ele. Dizem que ele faz o que quer — não se sabe se por conta dele ou do governo.
Qual será o preço que as próprias FFAA e a sociedade brasileira pagarão por esta ‘estratégia’ de relacionamento dos militares com o governo petista não se pode responder com exatidão. Ressalte-se, aqui, que os danos às FFAA não são privilégio nem invenção do governo Lula — é coisa que vem de longe e num crescendo, a partir de 1985.
Mas, com certeza, uma das conseqüências apareceu, notória e publicamente, esta semana, com a ação dos 11 militares, que agindo sob aparato militar, e demonstrando uma burrice inacreditável (* observações que não podem deixar de ser lidas), praticaram um crime injustificável e pelo qual devem ser exemplarmente punidos, como deveria acontecer com todos aqueles que têm cometido todo o tipo de crime e de barbaridade pelo país.
O ministro da justiça Tarso Genro, sobre este fato, perdeu mais uma das muitas oportunidades que já teve de permanecer calado. Ele disse, em declarações à imprensa, que o episódio era prova de que as FFAA não estão qualificadas para atuar no combate ao crime organizado urbano. Falou como se isso fosse válido genericamente, desconsiderando-se as especificidades de cada ocasião em que as FFAA podem ser empregadas para este tipo de atuação. O ministro deve, certamente, ler os jornais e deve saber, perfeitamente, que as tropas militares brasileiras que estão no Haiti, fazem por lá um trabalho difícil, porém, extraordinariamente bem feito, agindo em ambientes e situações bastante semelhantes às que ocorrem em muitas das favelas brasileiras. Muitos haitianos os consideram verdadeiros heróis. Nunca aconteceu no Haiti nada que se assemelhasse, nem de perto, com o que foi feito, por pelo menos 3 dos 11 militares do EB que estão detidos.
Por que este contraste? Resposta a perguntas como essa já são motivo de debates entre especialistas cujos resultados podem ser encontrados com facilidade na internet. O assunto é extremamente polêmico. Alguns acham que depende apenas de que se estabeleçam leis e regras específicas para a atuação das FFAA no combate ao crime organizado urbano aqui no Brasil. Eu, particularmente, acho que há outros problemas bem mais sérios que precisariam ser equacionados antes de qualquer simples regulamentação de forma de atuação dos militares neste campo. Mas, não falarei sobre isso neste artigo.
O fato é que, assim como acontece com grande parte do contingente das polícias civil e militar, especificamente as do Rio de Janeiro, nossos soldados, cabos, sargentos, tenentes e até capitães das FFAA, devido aos salários que percebem, residem dentro ou nas vizinhanças das favelas, locais que os colocam, e também a seus familiares, em pleno alcance dos criminosos dos quais podem se tornar vítimas ou até mesmo camaradas, ainda que nesse último caso isso não signifique, necessariamente, que deva haver uma relação de cumplicidade criminosa.
Não, a pobreza não leva um indivíduo, obrigatoriamente, a se transformar num criminoso. Há milhares de exemplos que podem comprovar isso. Mas, sem dúvida, tudo o que está ligado ao ambiente da pobreza, não em qualquer lugar do mundo, mas especificamente em algumas das grandes cidades brasileiras, não há como negar, pode contribuir bastante para essa transformação. E a realidade é que grande parte das pessoas que ainda têm interesse em seguir a carreira militar das FFAA crescem exatamente nestes ambientes, ou bem próximos a eles.
O que é que a sociedade pode esperar de uma situação como essa? Que, por exemplo, ao vestir uma farda das FFAA, muitos desses indivíduos simplesmente passarão por um processo miraculoso de redenção e se transformarão em pessoas desprovidas de passado? E quando muitas destas pessoas estiverem lá no generalato, o que esperar? Um dia, por obra, graça e inevitabilidade do simples passar do tempo, estaremos todos a viver exatamente esta situação, se nenhuma providência for tomada agora, já, imediatamente.
Esperar o quê? Que homens do nível de especialização da grande maioria dos sargentos mais antigos que ainda temos atualmente na Força, ou que homens da capacidade intelectual e profissional que também ainda compõem, hoje, as fileiras de oficiais superiores de nossas FFAA, nas gerações futuras, por um ato de insanidade, venham a se interessar em cometer uma espécie de suicídio vocacional, optando por uma carreira militar que os fará passar o resto de suas vidas suportando o achincalhamento da mídia, o desprezo dos governos sucessivos por suas condições salariais e de trabalho, condições estas que os levarão à frustração profissional e, muito provavelmente ligada a ela, à frustração pessoal e familiar? Quem é que, em nossa sociedade, pode, sinceramente, contar com este tipo de milagre?
O leitor acredita que o governo esteja minimamente interessado em tomar as providências, tão necessárias, para resolver esse grave problema? Deixo esta pergunta para sua reflexão.
Rebecca Santoro
Imortais Guerreiros - Imortais Guerreiros
(*) A ação dos militares envolvidos no crime é tão ‘auto-denunciatória’, tão cercada de elementos que facilmente conduziriam à descoberta dos criminosos, que até parece ter sido cometida por encomenda de gente que quisesse provar, dessa vez, cabalmente, que não se pode confiar nas FFAA — no preparo pessoal e profissional de seus elementos. Coisa de gente que joga pra valer nessa estória de cumprir com metas necessárias para conquistar e para permanecer no poder. É impressionante a rapidez com que se mobilizam, quase que por fenômeno premonitório, os defensores dos direitos humanos: um dia depois de descobertos os corpos dos rapazes, já havia sido confeccionada uma boa quantidade de camisetas temáticas com as fotos das três vítimas, e que passaram a ser usadas pelos parentes e amigos.
Coincidentemente, desde as falas do General Heleno sobre a Amazônia, a política indigenista e o perigo da demarcação em terras contínuas da reserva indígena Raposa da Serra do Sol, estranhamente, não pararam de se suceder tentativas de envolver as FFAA em escândalos que as desmoralizassem perante a opinião pública. Finalmente, depois da morte de civis, não importa se de criminosos ou não, pelas mãos de gente que fazia parte das FFAA, pode ser que surta o efeito pretendido por estes ‘agentes do além’, por obra do acaso ou não, ou talvez por mais sorte de uns do que de outros.
Estranho também é o fato de que, desde que as denúncias a respeito da participação da Casa Civil e, conseqüentemente, do Planalto, em operações ilegais e lesivas ao patrimônio nacional, nas compras e nas vendas do complexo da Varig, o MST e movimentos congêneres, apesar de já passado o tradicional Abril Vermelho — mês em que costumam promover ações coordenadas de invasões e de quebra-quebra por todo o país - resolveram, em pleno mês de junho, retomar estas mesmas práticas, chamando, obrigatoriamente para si, boa parte da atenção que precisa ser dispensada pela mídia para dar conta de informar sobre tudo o que está acontecendo de mais importante no país.
Com tanta coisa para noticiar, o caso gravíssimo da Bancoop, por exemplo, que envolve suspeita de assassinato e de repasse ilegal de dinheiro para campanhas eleitorais, incluindo a de Luis Inácio Lula da Silva, para presidente, em 2002; e o das cartas de um dos chefões das FARC colombianas, Raul Reyes, morto recentemente por tropas militares da Colômbia, dirigidas ao nosso excelentíssimo senhor presidente da república, e que foram encontradas, entre outras coisinhas também comprometedoras de envolvimento do governo brasileiro com os terroristas, nos computadores de Reyes apreendidos na mesma operação em que ele foi morto — são alguns dos casos que estão sendo tratados pela cobertura midiática com relevância muito aquém do destaque que mereceriam, tamanha importância que têm no próprio destino do país.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Cómo Hackea la SIDE

DE ESPIONAJE ELECTRÓNICO E IMPLANTACIÓN DE PRUEBAS
Desde el año 2000, la Secretaría de Inteligencia dependiente la Presidencia de la Nación (Ex SIDE) comenzó con sus primeros experimentos en la interceptación de correos electrónicos, pero según los indicios, el desarrollo e investigación más importante y serio que en esta materia tuvo la SI, fue a partir de octubre de 2005 cuando comenzó a darse rienda suelta al denominado "Proyecto Vampiro", en la Base de Coronel Díaz, dependiente del actual Director General de Operaciones o DGO, Antonio Horacio Stiusso.
Según las investigaciones realizadas, se había llegado a esta etapa luego de que era harto sabido por ese tiempo que los celulares de la totalidad de la clase política y empresarial, estaban "chupados" — intervenidos en la jerga de Inteligencia —, dado que ya existían en el país desde hacía algún tiempo las famosas "valijas" de escucha de telefonía celular que en ese entonces sólo captaban las trasmisiones de norma "analógica"; y se sabía que los políticos y empresarios conociendo esto — por los múltiples escándalos que habían transcendido a la prensa teniendo como protagonista a la SI — habían optado por comenzar a manejarse mediante la nueva maravilla de la web: el correo electrónico, intuyendo el organismo de espionaje vernáculo que, además, por este nuevo medio transitaría muchísima más información, tal como archivos de texto, planillas Excel, fotos — comprometedoras o no — e información diversa y de elemental importancia
Es así que se comienzan a experimentar con los primeros "keyloggers", programas cuya tarea consiste en registrar la actividad de las teclas presionadas, la captura de pantallas y chats, entre otras funcionalidades. El Ardamag Keylogger, el Spector, el Iopus y el Perfect Keylogger, algunos llevados a archivos de recorte (una técnica que permite hacerlos pasar bajo la extensión ".SCR" como un archivo de texto vulgar sin dejar entrever su carácter de virus); los recientes juguetitos de moda habían comenzado a dar sus primeros frutos con las casillas electrónicas de funcionarios, políticos, empresarios, y miembros de la farándula en un encarnizado esfuerzo por obtener la mayor cantidad de información posible.
Sin embargo, comenzó a darse el primer gran obstáculo para los espías electrónicos: la aparición de los antivirus y sus actualizaciones que día tras día comenzaban a detectar y a eliminar el accionar de estos programas espías, con lo cual los "fisgones oficiales" vieron que se les venía la noche
Luego de un extenso impasse por la coyuntura de ese momento, comenzaron los requerimientos de Inteligencia por parte de los funcionarios de turno — que presionaban a los espías por la obtención de información —, los cuales fueron llevados a cabo por medio de intrusiones a través de los denominados ataques de phishing o "suplantación de identidad". Estos ataques eran por medio del envío de postales, paginas que semejaban validaciones de cuentas a punto de caducar si no introducían su clave y tentadoras subscripciones a revistas pornográficas masculinas o femeninas (según el blanco a ser atacado); todas con un mismo patrón: se debía introducir la propia contraseña.
Con el tiempo y la pelea entre Antonio Stiusso y Fernando Pocino — ambos todopoderosos de la SI —, el proyecto se paró y cada base quiso desarrollar su propio sistema.

Interna feroz
Los hackers de la ex SIDE que respondían al sector de Fernando Pocino, comenzaron a utilizar un nuevo programita que no era todavía detectado por los antivirus y que transformaba la máquina de la víctima en un "servidor" y la del espía en "cliente", con lo cual se tenía acceso total a la computadora víctima, pudiéndose utilizar la PC como si fuese el propio usuario legal el que la manejase, permitiendo con ello, el envío de e-mails que involucrasen a la persona espiada, como así también la implantación de pruebas y el envío de amenazas. Así, como prueba "plantada", queda el IP de la víctima en total desconocimiento de ella. Con este procedimiento, de la noche a la mañana y gracias a la ayuda de jueces amigos de la SIDE los afectados podrían verse en medio de un allanamiento sin saber qué ocurría y sin tener nada que ver. Por caso, se puede mencionar lo que le ocurrió al Capitán del Ejército Gonzalo Alsogaray en su supuesta amenaza al "periodista", hoy devenido político, Miguel Bonasso. El programa que tantos beneficios le trajo a la SIDE se llamaba Slave y es propiedad de TWD Industries.
Posteriormente, como la ex SIDE no se contentaba con lo poco que obtenía — y como un pulpo megalómano quería controlar todo (1) — llegó a arreglos con las empresas de telefonía y privadas prestatarias de servicios de Internet, para la instalación de "Sniffers", programas que capturan el tráfico de una red o de un cliente específico, tales como el Ethereal en las mismas firmas a cambio de cifras mensuales — todas provenientes de fondos reservados — que oscilan entre los 100.000 U$S.
La proliferación de los servicios de 3g, así como los de Wi-Fi, Wi-Flex y la existencia de routers, brindó a los espías electrónicos un nuevo y jugoso medio para hacerse clandestinamente de información.
Aprovechando las vulnerabilidades que poseen todavía todas las empresas que brindan estos servicios, tales como Movistar, Claro y Telmex, y haciendo uso a bordo de las camionetas Renault Kangoo o Trafic de las SIDE, de notebooks cargadas con programas "desencriptadores" de protocolos WAP y WEP, tales como el WIFISLAX y el OMNIPEEK, logran introducirse con total impunidad en la privacidad de cualquier ciudadano. Sólo basta la captura de aproximadamente 40 a 200.000 paquetes de transmisión, que se reúnen en aproximadamente 15 minutos, para desencriptar la clave del usuario y tomar el control total de la máquina, permitiendo con ello hacer, deshacer, guardar archivos, plantar pruebas, suplantar identidades mediante técnicas de spoofing y realizar amenazas desde la propia computadora del espiado con total impunidad.
En lo relativo a la telefonía celular, ya la SI está en posesión de equipos de escucha para las normas analógica, digital y avantel, es decir Nextel. Esta última tiene aproximadamente unas 70 bocas capaces de intervenir unos 2.000 equipos de dicha firma.
Como estos equipos en general no cuentan con orden judicial, los hackers se desplazan en un vehículo — por lo general Kangoo o Trafic —, el cual debe estar alrededor de unos 200 metros del objetivo vigilado y objeto de la escucha para su intervención. Además, permite la captura de SMS y MMS — mensajes de texto y mensajes multimedia, es decir fotos y voz —, permitiendo conocer la ubicación, trayecto realizado y trayecto histórico mediante ubicación satelital o GPS (Global Position System).
El fin de la privacidad, de no haber mecanismos de regulación y control de estas actividades, parece estar llamando a la puerta de todos. Es hora de actuar antes de que sea demasiado tarde.
Christian Sanz
(1) No hay que olvidarse de la Ley Espía presentada ante el Congreso por el impresentable Jaime Stiusso cuyo objetivo es almacenar todo el tráfico de todas las personas durante un lapso de 10 años, violando totalmente la privacidad y que, por el bien de la democracia, esta no prospero en su aprobación.

Enfim, a Indignação

por Paulo Carvalho Espíndola
Durante a primeira quinzena deste junho de 2008, toda a mídia destacou com grande alarde a ação criminosa de uma patrulha militar, que levou à morte três jovens moradores da favela da Providência, na cidade do Rio de Janeiro. Verdadeiro e justificado o barulho da imprensa: afinal tratou-se de ato bárbaro e insano, além de ter sido praticado por integrantes do Exército Brasileiro, a mais respeitada instituição do país.
Ungidos pela mais patriótica das repulsas, variados representantes de movimentos políticos e sociais juntaram-se ao estardalhaço da mídia, reprovando o crime perpetrado e dando ao fato o colorido de um desvio institucional. Devemos repensar o emprego do Exército! Fora o Exército! Militares assassinos! Justiça já! De roldão e empurrados por quadrilhas ou por ONG (dá no mesmo), populares promoveram manifestações defronte do Palácio Duque de Caxias, sede do Comando militar do Leste.
O governador do Rio de Janeiro, o grande responsável pela segurança pública no estado, fez coro aos mais exaltados como se “as comunidades” — neologismo com que hoje são conhecidas as favelas — não fossem dominadas pelo crime organizado e a polícia carioca copiasse os métodos dos incorruptíveis e discretos policiais britânicos.
Não se trata de minimizar os desmandos de um grupo de militares criminosos, mas, sim, de dimensionar o episódio nas suas devidas proporções.
Não se pode, entretanto, estender ao Exército Brasileiro a mácula de uns pouquíssimos.
Infelizmente, existem desviados na Instituição, sejam quais forem os seus crimes. O que não se pode encobrir é que eles são dela expurgados com o rigor da lei e sempre que apareçam.
No meio de tanto alarido, os histéricos arautos da justiça e dos direitos humanos não destacam a pronta e enérgica resposta da Força Terrestre, ao prender os delinquentes e instaurar o devido e necessário Inquérito Policial Militar. Interessante é que essa mesma gente, ora postulante do rigor, há poucos dias ainda agredia o Exército por sua rigidez no caso de certo desertor homossexual. Não importam quais sejam os pesos e as medidas, pois o objetivo é atingir a autoridade militar.
Tudo isso ocorre como desgraça anunciada. Não é de hoje que o Exército reluta, dentro dos limites da disciplina, ao receber certo tipo de missão. Foi assim no PAC do morro da Providência. O Comandante Militar do Leste apresentou, claramente, suas objeções ao emprego de sua tropa na proteção das obras em questão, mas foi esforço vencido nas tratativas politiqueiras que acabaram por envolver a Força e lá se foi a tropa, mais uma vez resignada. Em meio a tudo isso e em total dessintonia, vem agora o ministro Mangabeira Unger, com sua proverbial empáfia e antipatia, ameaçar com o emprego do Exército, caso faleçam as suas medidas para a “regularização” da titularidade de terras na Amazônia. Cumprindo o seu papel de panaceia para todas as mazelas nacionais, certamente a Força Terrestre desviar-se-á de sua missão constitucional, outra vez, para o gáudio da politicalha.
Nem tudo está perdido, porém, neste circo que é o Brasil.
Alvíssaras! Regozijemo-nos, brasileiros de bem! Finalmente o grande cego-surdo-mudo indignou-se ante um fato delituoso.
O presidente da República encheu-se de indignação. Nada antes o demovera da pasmaceira e passividade. Não houve corrupção que o aborrecesse. As trapaças de seus sequazes de colarinho branco; os seus mensaleiros; a sua corte prostituída; as trapalhadas ministeriais; nada o tirou do sério e o fez ver e ouvir a podridão que o cerca.
Enfim, Lula reagiu e, incontinenti, mandou o seu intrépido ministro da Defesa embarcar para o Rio de Janeiro para ser o portador da sua indignação.
Nelson Jobim, com a pose de marechal-de-campo que ele pensa que é, prontamente partiu para cumprir a ordem do chefe supremo. Sob as luzes dos refletores e para todos os microfones deu a solução para o problema: “as obras têm de continuar”...
Segundo o órgão de imprensa Agência Estado, Jobim pediu que os militares compreendam a "catarse" provocada pela revolta dos moradores e não revidem provocações.
“Para o ministro, somente a satisfação dos moradores com a conclusão das obras do projeto Cimento Social, que reforma telhados e fachadas de casas, poderá superar o que classificou de ‘ato repudiável’. O ministro indicou que o Exército cogita deixar a comunidade, mas evitou falar sobre eventual retirada. ‘Isso é um problema que vamos resolver depois. As obras têm de continuar’, disse Jobim. Os operários ameaçam paralisar os trabalhos amanhã se os militares permanecerem. O ministro falou a 250 homens na Companhia de Comando do Comando Militar do Leste (CML) e afirmou que os moradores, que enfrentaram militares durante um protesto na porta do CML ontem, têm razão ao exibir sua revolta diante do crime praticado pelos 11 militares presos” (Agência Estado, 17 Jun 2008).

Está resolvido o problema. Lula se acalmou e retomou a letargia.
Os militares voltaram a pintar a favela de amarelo, sob tiros de traficantes e pedradas de “trabalhadores”; Jobim mostrou quem é que manda; o pessoal dos direitos humanos e a imprensa recomeçaram a cruzada contra a homofobia dos militares; Mangabeira Unger retornou às suas lides de emérito estrategista; e tudo fica como dantes no quartel d’Abrantes.
Pelo menos nos resta o consolo de ter visto, pela primeira vez, Lula indignar-se ante um crime.
Até para isso o Exército serve...
Paulo Carvalho Espíndola é Coronel Reformado
Fonte:  Ternuma

Vai Jogar Lama Para Todos os Lados

por Márcio Accioly
A corrupção faz escola e não se tem como remendar. Em São Paulo, o pau está comendo solto por conta da convenção municipal do PSDB, marcada para domingo. Ali, será decidido se o partido terá candidato a prefeito, ou não. O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin quer disputar a prefeitura da Capital.
Mas o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que era vice de José Serra e assumiu o posto quando este renunciou e concorreu ao governo (2006), quer ver se conquista o cargo pelo voto popular, dessa vez, e move céus e terras em busca desse objetivo. A tarefa não tem nada de fácil. Kassab quer que o PSDB o apoie e esqueça Geraldo.
Na quinta-feira (19), o presidente do diretório do PSDB no jardim São Luís, zona sul de São Paulo, Pedro Vicente, botou a boca no trombone e berrou que “recebeu proposta de R$ 100 mil para assinar a lista em favor da chapa encabeçada pelo atual prefeito Gilberto Kassab”.
A denúncia foi publicada na Folha Online, em matéria assinada por Wanderley Preite Sobrinho e Marcelo Gutierres. Vicente contou detalhes de tentativa de suborno, por parte de pessoa que, segundo ele, identificou-se como Marcos Aurélio da Silva e é supostamente ligado ao “diretório estadual”.
A verdade é que a disputa na convenção, marcada para domingo, está tomando o aspecto de “briga de cachorro grande”. O prefeito Kassab tem a caneta na mão e muita gente que ocupa cargos na prefeitura não deseja perder a boquinha sete meses antes das eleições. Deixar o certo pelo duvidoso, ainda mais com as denúncias da Alstom.
O governador José Serra (PSDB), tem apoiado abertamente Kassab e o racha dentro da legenda dos chamados tucanos deve provocar fissuras difíceis de consertar. Onze dos vereadores tucanos defendem apoio ao atual prefeito.
Se Geraldo Alckmin sair indicado na convenção, e conseguir ganhar as eleições, nada impede que os vereadores que agora estão contra ele revejam posicionamento, caso reeleitos, voltando a apoiá-lo na justificativa de que política é “negociação”.
Quando FHC cumpria o primeiro mandato presidencial (1995-99), montou esquema de corrupção de arrombar o cutelo, comprando votos para a emenda constitucional ao preço de duzentos mil reais. A denúncia causou enorme frisson na ocasião, mas nunca foi apurada. Como se vê, pode ter sido bem ilustrativa.
Dois deputados federais do Acre chegaram a renunciar, Ronivon Santiago e João Maia, mas tudo ficou por isso mesmo. Os tucanos são mestres na arte de cobrar CPIs, mas jamais permitem que façam com eles o que desejam aos outros. Aprenderam na mesma escola que dá suporte ao PT.
Por essa e por outras é que a vida pública nacional mergulhou na fedentina em que se encontra e onde alguém tenta levantar a cabeça a podridão fica insuportável, por causa do mexido efetuado. Não dá para agüentar nem mesmo tapando o nariz.
E olha que o PSDB foi fundado com a finalidade específica de se contrapor à corrupção endêmica e incurável, principalmente nas acusações que seus membros dirigiam ao ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB).
Mas, depois que Mário Covas assumiu o comando administrativo daquele estado, a quantidade de denúncias e suspeitas contra ele levantadas deixaram à mostra o mesmo tipo de prática que antes os chamados tucanos diziam condenar.
Até que FHC conquistou a Presidência da República, trazendo Sérgio Mota a tiracolo e as despesas com cartões corporativos que um acordo às pressas impediu o PT de investigar. A convenção de domingo promete e ainda existe muita lama para rolar.
Márcio Accioly é Jornalista.
Fonte:  Alerta Total
COMENTO: Há tempos venho afirmando que PT e PSDB são as duas faces da mesma moeda podre que vem comprando a consciência da população "dessepaíz". Ambos ainda perseguindo o sonho de impor o velho comunismo no país, tendo a corrupção como atividade-meio. O PT aliciando o lumpen-proletariado com as "bolsas-miséria", a fim de mascarar de "democracia" as suas atividades espúrias, e o PSDB enfeitiçando os auto-definidos "intelectuais" e "liberais" com suas privatizações sub-faturadas de entidades que, no momento seguinte, passam a dar lucros estupendos. Nossos comunistas retardatários e/ou retardados seguem sua luta sem se deixarem convencer pelas diversas derrotas que esse propósito já amargou e provará novamente, na época oportuna.

O Comando de Caça ao Exército Brasileiro, Formado pelos Companheiros dos Companheiros

por Reinaldo Azevedo
Os Amigos dos Amigos (ADA) mandam no Morro da Mineira. E os Companheiros dos Companheiros (CDC) dão as cartas em boa parte da imprensa e, claro, no governo, onde também são influentes os Compadres dos Compadres. A quantidade de sandices escritas em dois dias sobre o Exército Brasileiro raramente teve paralelo na história, até culminar com o pedido de desculpas do ministro Nelson Jobim, da Defesa. Pedido sem dúvida justificado, já que procurava falar, segundo entendi, em nome do estado brasileiro. Mas é claro que se dava ali uma tintura dramática — e um tanto demagógica e populista, com Jobim tomando um cafezinho em copo de geleia oferecido por uma "pobra" — a uma formidável crônica de erros.
É evidente que a ocorrência é grave, mas é patético que o estado brasileiro, por meio de seus governantes e representantes legais, ceda a uma "manifestação popular" que, a esta altura, já está devidamente orientada. E a orientação, como é comum nesses casos, obedece às ordem dos donos dos morros. E a lei vigente por ali não é a do estado brasileiro, mas a do Estado Sem Pátria do Narcotráfico. Explico-me. A polícia do Rio, volta e meia, faz muito mais vítimas. Não vai longe, uma milícia saiu matando a esmo, com dezenas de mortos. Guerras entre facções podem eliminar dezenas. E nunca se viu a "comunidade" revoltada. Nunca se assistiu a tamanho alvoroço dos Companheiros dos Companheiros. É a velha história: lá no morro, todos são ianomâmis, todos são nhambiquaras, eles que se virem e se matem. Até a Polícia já faz parte da guerra de tribos. A solidariedade dos "formadores de opinião" só aparece quando a "reserva indígena" é "invadida" pelos "brancos" do Exército. Aí os valentes consideram um crime antropológico.
Quanta hipocrisia! Quanta conversa mole! Quando crimes acontecem, costuma-se pedir a punição e a prisão dos culpados. Nesse caso, isso já está dado: os onze soldados envolvidos na operação estão presos. Então é preciso reivindicar outra coisa. O quê? Ora, a saída do Exército do morro. Ah, é preciso devolver a Providência a seu verdadeiro dono, não? E quem é? O Comando Vermelho.

Então chegamos ao ponto. Quando a polícia mata traficantes — ou mesmo suspeitos —, tudo bem. Estamos na normalidade. Caso se dê o contrário, e policiais morrem quase todo dia, também não é de se estranhar. Se uma facção entra em choque com a outra, igualmente se trata de algo corriqueiro.
Mas o "escândalo" de agora se deu porque soldados do Exército, além de terem cometido um crime, praticaram uma afronta "ética" — segundo a perversa ética vigente por ali: entraram na economia interna dos bandos que comandam o tráfico no Rio. Onde já se viu entregar gente do morro do Comando Vermelho aos chefes do morro dos Amigos dos Amigos? Isso é mesmo um absurdo. O presidente Lula tem mais é que se indignar, não é mesmo?
E aí se abriu a temporada de caça e de caça ao Exército, uma das instituições que gozam de mais prestígio junto à opinião pública, é bom que se diga. A situação já não vinha bem. Dois soldados que não respeitam o preceito constitucional da disciplina — REITERO: É A CONSTITUIÇÃO QUE DIZ, NO ARTIGO 142, QUE AS FORÇAS ARMADAS SÃO ORGANIZADAS "COM BASE NA HIERARQUIA E NA DISCIPLINA" — inventam uma acusação de homofobia e ganham as manchetes. A morte de um cadete durante um treinamento levou a suspeição sobre os métodos empregados pela Força — nota: deve morrer menos soldados nessas circunstâncias do que universitários em trotes de calouros. O trágico episódio do Rio ajudou a forjar a imagem de uma espécie de inimigo da sociedade.
As bobagens foram sendo ditas em cascata: 

— pelos "Companheiros dos Companheiros" da imprensa, que repetiam que a atuação do Exército é inconstitucional — não é, embora deva ser regulamentada por lei complementar;
— pelos "Companheiros dos Companheiros do governo — Tarso Genro aproveitou para dizer que isso mostra que as Forças Armadas não podem se dedicar a tal tarefa (como se os soldados tivessem agido de acordo com algum código militar); 
— pelos "Companheiros dos Companheiros"de analistas ligeiros — para quem o evento evidencia que o Exército é mal treinado; 
— pelos "Companheiros dos Companheiros" 
do presidente da OAB, Cézar Britto, que resolveu seguir na mesma toada.
E a questão é outra. A manutenção da lei e da ordem é uma das tarefas das Forças Armadas, sim, senhores, e ela precisa ser regulamentada, como lembrou com correção o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Comissão de Segurança da Câmara, embora, à diferença dele, eu me oponha a que o Exército deixe agora o Morro da Providência. Agora? De jeito nenhum! Fazê-lo corresponde a ser tangido de lá pelo Comando Vermelho. Ora, que os Tarsos e os Brittos parem de falar e de posar para os holofotes da demagogia e se se mobilizem em favor da regulamentação do parágrafo primeiro do Artigo 142 da Constituição.
Que, sobretudo, parem de se comportar como se a paz antes reinasse no Rio, só interrompida pela ação tresloucada de um tenente e seus subordinados. Os que pedem a saída do Exército do morro 
— a começar da Defensoria Pública Federal — têm qual proposta para os moradores? Já sei: que fiquem submetidos à canga da bandidagem. Afinal, não podemos interferir nos costumes de índios infanticidas nem nos hábitos dos nativos do morros, cuja "cultura" prevê mesmo alguns atos de violência, não é?
Gente hipócrita!

Nota: repararam que não se ouviu uma só crítica aos narcotraficantes? Nada! O maior lobby brasileiro, o mais numeroso e poderoso, é o lobby do crime.

Desculpas Hipócritas

por Rebecca Santoro
Que palhaçada é essa de todo mundo sair pedindo desculpas aos moradores do Morro da Providência no Rio de Janeiro, por causa de um assassinato cometido por traficantes rivais no Morro da Mineira, contra três jovens daquela comunidade, que provavelmente também tinham ligações com traficantes, depois de terem sido entregues a seus algozes por meia dúzia de garotos fardados, não sem justificativa, revoltados com o desrespeito atrevido e impune de criminosos a uma instituição como o Exército Brasileiro?
O comandante do Exército? O chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste? O Congresso Nacional? Todo mundo pedindo desculpas? Por quê?
Se alguém tem que se desculpar, não só com aquela gente, embora também com ela, é o excelentíssimo senhor presidente da república, Lula da Silva, que, por acaso, só abriu a boca para classificar o episódio como "abominável" e para determinar que uma comissão da Secretaria Especial de Direitos Humanos investigasse o caso.
Abominável, senhor presidente?
Abominável foi o senhor ter dado a ordem para que o Exército entrasse no morro da Providência para dar guarida a um projeto eleitoreiro de seu companheiro de ideais, o senador Marcelo Crivela, ignorando solenemente todas as recomendações em contrário, documentadas e devidamente assinadas, encaminhadas ao senhor, pelo seu Comandante do Exército, que o senhor deve achar que também chegou ao 'poder' sem muito ter trabalhado e estudado para isso — portanto, um bobalhão a quem não se precisa dar ouvidos. Ao agir assim, com plena consciência dos riscos que a operação representava, o senhor presidente atraiu todas as responsabilidades sobre estes riscos para si.
Vai dizer que não sabia disso, que não sabia de nada, como sempre? É que honra, dignidade, seriedade, responsabilidade são coisas que ou se tem ou não se tem dentro de si. Nada disso pode ser comprado, nem mesmo secretamente, por meio de cartão corporativo, por exemplo, não é mesmo?
O Exército tinha que pedir desculpas mesmo. Mas, não àquela comunidade, ou pelo menos não somente a ela. O EB está devendo desculpas e explicações a toda sociedade brasileira, já faz um longo tempo. E não é por causa desse negócio de 'tempos da ditadura' que colocaram o país na posição de oitava economia do mundo, não, inclusive com pleno emprego. A Instituição das FFAA, portanto incluídas aqui Marinha e Aeronáutica, deve se desculpar perante a sociedade por estar desempenhando o papel de muda e de omissa, durante pelo menos os últimos 20 anos, recolhida à clausura de seus próprios problemas, chamados 'militares-técnico-operacionais', como se estes problemas não fossem também, e principalmente, os da própria sociedade, que paga seus impostos para ter Forças Armadas que lhe garanta soberania, integridade territorial e segurança.
Somente agora, apenas para dar um exemplo, quando talvez já seja tarde, pela voz do General Heleno, que obviamente pôde contar com o beneplácito da colaboração da imprensa em destacar a matéria, é que o Brasil inteiro ficou sabendo do sério risco que corremos de termos que conviver com ilhas de poder paralelo, compostas por nações indígenas, entrecortando o território nacional. Será que, agora, nessa altura do campeonato, conseguiremos resolver a contento para os brasileiros esse problemão? Não serão também responsáveis por esta situação aqueles que dela sabiam e que, em cargos importantes, talvez pudessem ter sido ouvidos se tivessem falado a respeito, mas que preferiram se esconder atrás do conceito deturpado de disciplina e de hierarquia, para proteger estes mesmos cargos?
As Forças Armadas devem desculpas também aos brasileiros por terem distribuído medalhas da Instituição a pessoas que a elas não faziam, absolutamente, jus. Personalidades, indivíduos, fardados ou não, podem lá puxar o saco de quem bem entenderem. Cada um que se coloque o próprio preço. Mas, usar honras institucionais das FFAA para dar vazão a conceitos subjetivos de mérito, baseados em escolhas de caráter pessoal, ignorando as especificidades meritórias bem definidas, inclusive por escrito, destas medalhas, é atitude de quem não consegue distinguir o público do privado — de quem acha que 'tomar posse' em cargo de chefia de instituição é o mesmo que tomar posse da própria instituição.
Como é que as FFAA se permitiram chegar nesse estágio de sucateamento, de aviltamento salarial, de se deixar humilhar publicamente, muitas vezes sob acusações mentirosas sobre elas? Quem é que vai se desculpar perante os brasileiros diante das nefastas conseqüências que essa situação vem produzindo na vida nacional?
E o Congresso Nacional, então, pedindo suas desculpas à comunidade no Morro da Providência? O que significa isso? Uma piada? Um deboche?
Não me lembro de ter visto movimentação no sentido de pedir desculpas, por exemplo, aos familiares das vítimas do avião da TAM que se acidentou em Congonhas no ano passado, matando 199 pessoas. Por que o Congresso deveria ter se desculpado? Ora, por que foi este quem homologou as indicações desastrosas da presidência da república para a diretoria da Anac, uma diretoria escolhida política e não tecnicamente, que foi a agência responsável por passar documentos de conteúdo inverídico ao Ministério Público, que, por sua vez, com base nestes documentos, acabou por autorizar pousos e decolagens de aeronaves pesadas, também em dias de chuva, no aeroporto de Congonhas. Onde estava, então, a patrulha dos Direitos Humanos?
Ah! A patrulha dos Direitos Humanos estava mobilizada para ridicularizar os movimentos pacíficos surgidos pelo país contra o governo de Lula e contra o caos aéreo e a corrupção. A patrulha quer ter o monopólio sobre as manifestações e sobre seus conteúdos. Parte da mídia cooptada aderiu à ridicularizarão destes movimentos surgidos legitimamente. Prestou um grande desfavor. Mas, como também não saiu se desculpando aos moradores da Providência, embora lhes dê espaço e voz, sob pretexto de 'isenção', vou deixá-la de fora desse discurso.
O Congresso Nacional deve muitas desculpas, com certeza, porém a todos os brasileiros. A casa deve desculpas pelo 'mensalão', caso que vai acabar prescrevendo na Justiça e não colocará ninguém na cadeia nem fará também com que os prejuízos sejam ressarcidos aos cofres públicos. O Congresso deve desculpas pelo corporativismo que faz com que criminosos se protejam entre si naquela casa. O Congresso deve desculpas aos brasileiros pela produção intensiva de pizzas, numa CPI atrás da outra, por causa de conchavos, de dispositivos legais usados para bombardear todas as chances da boa apuração do que quer que seja. O Congresso deve desculpas por ter recriado a CPMF, que era para ser provisória, tendo durado mais tempo do que deveria, com outro nome. Há tanto para se desculpar ao povo brasileiro que não dá para citar tudo num simples artigo.
Então qual o motivo de todo esse festival de hipocrisia? Desacreditar as FFAA perante a opinião pública? Por quê? Medo de insurreição popular? Ora, já não se viu que as ruas do país são monopólio do crime organizado e dos arruaceiros dos chamados movimentos sociais — todos sustentados com verbas governamentais e outras ainda vindas do exterior, sob forma de doação? Medo de insurreição eleitoral? Com urnas eletrônicas sem voto impresso e com a permissão de que se minta descaradamente nos palanques eleitorais espalhados pelo país, sem falar no festival milionário de propaganda oficial do governo? Só pode ser brincadeira.
Chega de desculpas! Pedir desculpas não exime ninguém de crime que se tenha cometido. E muitos crimes, de toda a espécie, têm sido cometidos contra o país, contra a população brasileira. Para o crime, pode haver explicação, mas não desculpas. Para o crime, não se quer desculpas, mas punição.
Rebecca Santoro
rebeccasantoro@gmail.com