terça-feira, 3 de março de 2009

Lula na Avenida

Foi como se fosse um desconhecido. Nem vaias, nem palmas. Nada.
E nada é pior do que qualquer coisa
por Danuza Leão
O CARIOCA é mesmo único. Fica íntimo sem conhecer as pessoas; se você telefona para um escritório, a telefonista te chama de "meu amor", se compra um coco na praia, o vendedor te chama de "querida", se pede uma cadeira para tomar sol, vem logo um "é pra já, minha linda". Não é nem preciso dizer que todos se chamam de você e são de uma cordialidade suprema.
Estamos mais do que acostumados a toda essa intimidade. Mas quando é para vaiar ou para aplaudir, não fazem a menor cerimônia. E o curioso é que estão todos, sempre, de acordo. Que seja no Maracanã, no meio de um bloco, ou na avenida, a unanimidade é sempre geral, e nunca existem duas correntes, uma a favor e outra contra. Veja o pobre do Neguinho da Beija-Flor, que levou uma vaia daquelas por ter atrasado 15 minutos o desfile, já que resolveu se casar na avenida.
Isso pelo menos vai evitar que, no futuro, entre uma escola e outra, aconteçam batizados, aniversários e que tais. Mas foi curioso que o carioca, tão espontâneo nos seus arroubos, não tenha tido nenhum tipo de reação à presença do presidente na avenida.
Foi como se fosse um desconhecido qualquer no camarote do governador — nosso governador, que sempre faz uma pose original na hora das fotos. Nem vaias, nem palmas. Nada. E nada é pior do que qualquer coisa. Para quem, segundo as pesquisas, tem 84% de aprovação popular, seria de se esperar um espetáculo de gritos e vivas ao presidente. Afinal, 84% não são para se desprezar. Pois não aconteceu absolutamente nada.
Não adiantou o chapéu panamá, a animação de d. Marisa, que chegou a descer para sambar junto aos passistas, enquanto os fotógrafos cumpriam seu papel de mostrar o quanto nosso governador, nosso prefeito e nosso presidente são unidos. Ninguém deu a menor bola. Eu, que não entendo dessas coisas, acho que Lula estava em campanha; ele não foi ver o samba, mas testar 2010. Já o prefeito foi para a avenida, sambou com as escolas — todas —, mudou a cor da fitinha do seu chapéu para ser simpático com cada uma que passava, mas também não fez o menor sucesso. Era tudo "fake", e carioca saca essas coisas com incrível rapidez.
Quando Itamar apareceu na avenida, 15 anos atrás, foi um grande auê com palmas carinhosas de todos que passavam (depois que Lilian Ramos apareceu foi outro auê). Todos queriam saudar nosso então presidente. Mas desta vez a presença de nossa autoridade máxima foi um fiasco. E d. Marisa deu, enfim, sua contribuição como primeira-dama: foi quando reclamou com o ministro Temporão que não havia camisinhas no banheiro das mulheres. Que beleza, ter uma primeira-dama tão cuidadosa. Depois de tantos anos sem dizer uma só palavra, ela perdeu uma boa oportunidade de ter continuado muda e calada como sempre esteve.
Foi uma pena nossa jovem Dilma não ter vindo também. Ela teria certamente contribuído para que a indiferença carioca se mostrasse ainda mais evidente. Aliás, segundo amigos pernambucanos, sua passagem pelo Estado foi em branquíssimas nuvens. Lá também não aconteceu nada. O trio da alegria — Cabral, Paes e Lula — bem que se esforçou, mas no Carnaval não fez nenhum sucesso.
Folha de São Paulo
01 Mar 09
Fonte: ARQUIVO, ETC
COMENTO: o relato confirma duas teses vistas por aí. A primeira é a de que a aprovação de 84% do governo Lula só pode ser conferida entre os beneficiários das diversas bolsas-misérias por ele distribuídas. A segunda é a contida no texto de Janer Cristaldo, aqui publicado em que ele diz que carnaval não é mais coisa de pobre. Afinal, quem estava na Sapucaí, teoricamente, não é dependente da boa vontade governamental. Estava se divertindo e havia pago, caro, para isso. Enfim, meus parabéns aos cariocas que preferiram cumprir a finalidade do Carnaval: divertir-se. Sem nem mesmo perder tempo em vaiar a quem representa NADA.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Estas Son las Cavernas Donde se Escondía el ‘Mono Jojoy’

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El Ejército colombiano descubrió un complejo de cavernas en el centro del país donde según informó este sábado se ocultaba el jefe militar de la guerrilla de las FARC, Jorge Briceño, alias ‘Mono Jojoy’.

Fotos: Efe / Guillermo Legaría y MinDefensa de Colombia
Las cavernas, localizadas en una apartada zona selvática del departamento del Meta (centro), fueron visitadas este sábado por el ministro de la Defensa, Juan Manuel Santos, y el comandante de las Fuerzas Militares, general Freddy Padilla.
“Esto es algo similar a lo que usan los talibanes que se meten en túneles entre la tierra y dificultan su persecución”, dijo Santos a periodistas, tras recordar que el presidente Álvaro Uribe le ordenó “sacar a esos bandidos de sus últimas madrigueras“, y “eso es lo que estamos haciendo”, añadió el ministro.

Literalmente se están metiendo bajo tierra para esconderse y hasta allí estamos llegando para sacarlos”, insistió.
“Las FARC pasaron de vivir como reyes a vivir como ratas“, agregó Santos, quien el viernes en la noche llegó al país procedente de Washington donde fue a gestionar el mantenimiento de la ayuda económica y militar que Estados Unidos da a Colombia para el combate a los grupos armados ilegales y el narcotráfico.

Las cavernas, 11 en total, fueron ubicadas gracias al testimonio de una guerrillera de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC) que se desmovilizó, según indicó el general Padilla.
De acuerdo con el comandante militar, en las cavernas se escondía ‘Jojoy’ con unos 200 guerrilleros, y según informaciones de inteligencia del Ejército, el comandante militar de las FARC se encuentra desde hace varios meses enfermo, al parecer por causa de una diabetes crónica.


En las cuevas fueron halladas 500 granadas de mortero y abundante equipo médico que era utilizado en un improvisado hospital, donde según el general se practicaban abortos.

Según coincidentes testimonios de guerrilleras desmovilizadas, los comandantes de las FARC generalmente las obligan a abortar cuando se enteran que están embarazadas, situación que ha motivado algunas deserciones.
Las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC) es la guerrilla más antigua de las que combaten en Colombia, y según el Ejército está disminuida y hoy cuentan con unos 7.000 combatientes después de haber llegado a tener un estimado de al menos 11.000.




Fonte: Notícias 24
citado no Coturno Noturno

Pesquisando Alternativas

"O PMDB está se oferecendo para ver quem paga mais e quem ganha mais..." 
(Senador Pedro Simon)
Este artigo é dedicado a Angela Barea
por Waldo Luís Viana*
Concordando com o que escrevi, mas não sem um laivo de desesperança, a leitora a quem dedico este artigo apressou-se, porém, a formular a mais terrível pergunta: "em QUEM iremos votar, se o sistema está COMPLETAMENTE contaminado? O que nos resta fazer? Votarmos todos em BRANCO? Mas aí os bolsistas-esmolas ganham peso..." 
Como a sua inquietude resumiu mais ou menos as interrogações dos outros dezessete indivíduos que me leem e exibem opiniões, resolvi responder-lhe com novo artigo. Enfim, uma suíte...
A política — já disseram os sábios — detesta o vácuo e, baseando-se nesse princípio físico do século XIX, os políticos espertos procuram mostrar o senso de antecipação, movimentando-se com religiosa antecedência no tempo. Visam com isso, sem dúvida, ao mais estrito e legítimo cumprimento dos próprios interesses. 
Antigamente, todos negavam esses intentos: "não, não sou candidato, não quero, mas se o povo todo quiser, serei uma possibilidade, talvez, sou soldado do partido, depende do quadro à frente, etc." Tais evasivas, inclusive, demonstravam o quanto os caras eram profissionais, num jogo pesado em que ninguém é virgem.
A antecipação adviria de dois obstáculos inerentes à democracia, tacitamente colocada como o regime a ser vencido, em virtude dos apetites tipicamente monárquicos dos que simulam a sua defesa: mal ou bem existe um povo com vontade volúvel, a ser medido por intrincadas e viciadas pesquisas de opinião, e o inevitável transcorrer dos mandatos que um dia se extinguem, para íntima tristeza deles. 
Assim, quem considera a política uma "carreira" — em geral não possuindo elogiável espírito público — não pode deixar de pensar com antecedência, pelo temor de que os mecanismos de renovação eleitoral o surpreendam, retirando-lhe as mordomias, a fruição do poder e o pão-da-boca.
O transcorrer do mandato — ah! como escorre, inevitável, a areia da ampulheta! — pressupõe a criação de oportunidades que deverão promover os interesses do eterno postulante a qualquer cargo futuro e modificar a história a seu favor. 
E os políticos sabem que existe até um cronograma: nas campanhas, promete-se o impossível, sabendo-se que depois da posse não se poderá fazer nada no primeiro ano, com os cofres vazios e o orçamento decidido por lei pelo antecessor; no segundo e terceiro anos, não podendo mais falar em herança maldita, deve-se mostrar ao que veio, tocando as obras e cumprindo algumas promessas, gravadas em vídeo-tape ou noutra mídia digital, que, por sua vez, serão entregues no quarto ano, até a desincompatibilização do cargo para novo pleito ou, como permite a Constituição, lançar-se à reeleição mantendo a posição tão duramente conquistada.
No caso de um congressista, como o Legislativo é um túmulo, após passar três anos gozando de mordomias inexplicáveis, o deputado ou senador precipita-se sobre as bases para tentar repetir o mandato e ficar mais quatro ou oito anos marcando o território de poder, como um rinoceronte que faz xixi na árvore. Os estaduais e federais candidatam-se no meio do mandato às prefeituras de suas regiões; os senadores, de quatro em quatro anos, ao governos dos Estados. E a farra, permitida pelos mesmos que fazem as leis, continua... 
Lula et caterva, de peito aberto, resolveram contrariar a tendência típica da política brasileira e lançaram com antecedência um candidato. Não se sabe, ainda, se é balão de ensaio dele mesmo, mas o candidato está aí. Até operação plástica fez, como se conseguisse, como um José Dirceu de saias, apagar o passado. Acredita-se que a imensa popularidade virtual do presidente pé-frio, que não suporta vaia, possa sustentar o sonho antecipado.
O objetivo é testar a exposição da candidatura com todos os meios da máquina do executivo, ao arrepio da lei eleitoral (para a qual, inclusive, o governo não dá a menor bola), com o objetivo de chegar aos 20% de aceitação da opinião pública, até meados de 2009. Calcula-se que, a essa altura, a coleira do presidente e as obras do PAC irão operar milagres. Falta apenas perguntar ao povo — parafraseando o ilustre Mané Garrincha... 
No entanto, o candidato posto obrigou, como num jogo de xadrez, a que os demais mostrassem as próprias peças escondidas na manga. A falsa oposição brasileira passou a se mexer e apareceram dois candidatos num mesmo partido. Com isso, espertamente quiseram criar um fato consumado. É como se dissessem; "a briga é entre nós; não há terceira via ou outras alternativas." 
Esse falso dilema entre Coca e Pepsi tornou-se engraçado e ridículo, a tal ponto que um dos opositores de simulacro não consegue nem dizer sobre o que discorda. Os três candidatos são continuístas e adoram a gestão do presidente. Só querem a sua cadeira, mais nada. 
Tal situação, não contestada pela mídia, lembra-me muito os críticos da Escola de Frankfurt, jovens filósofos dos meados do século passado, que se perguntavam, ao criticarem a indústria cultural, será que a realidade é só isso?
Será que a sucessão, em nosso grande país, se resume a esses três mosqueteiros, com um bando de figurantes-aproveitadores aparecendo por pequenos partidos no futuro e desagradável horário eleitoral gratuito? E o PMDB, "to be or not to be" com caveira e tudo, para onde vai balançar? Quem dá mais?
Será que todos os nossos politicões viciados passaram para a direita e acreditam, no fundo, na eternidade da corrupção?
Não, lembremos que em 1989 tivemos um Collor de Mello como novidade, destruindo todas as raposas que disputavam com "elle" as eleições presidenciais, mas que não soube aproveitar a oportunidade histórica de realmente transformar o país, prisioneiro que era de uma oligarquia nordestina super-hiper-atrasada, os mesmos donatários que hoje dominam o Brasil. 
Dá pena ver o quadro em que submergimos, sem lideranças novas, sem rebeldias, a não ser as mediadas por verbas federais, com dois partidos gêmeos, fingindo que brigam, enquanto o outro disputa os melhores pedaços da carniça. 
Essa crise, traduzida pela sabedoria chinesa como perigo e risco, mas também como sorte e oportunidade, pode, no entanto, gestar a solução que precisamos e pela qual anseia a leitora.
Embora o setor político aparente esteja engessado pela corrupção continuada, pela mediocridade infinita do presidente e de seu governo e pelo senso de esperteza dos integrantes que o cercam — é exatamente esse ambiente enevoado que gestará a solução de que precisamos e que o povo vai perceber, facilmente, que tem novo sabor. 
Acalme-se, pois, querida leitora, que a solução aparecerá e estará ao alcance de nossa mão. Não dependerá dos bancos e dos milionários que nunca neste país se locupletaram tanto com um governo, nem das pretensas lideranças burocráticas que espertamente sonham em o suceder. 
A solução misteriosa ainda não se levantou. Pobre PMDB que não consegue adivinhar o seu nome para tentar aderir. O que sei — e posso garantir aos meus poucos e assustados leitores — é que se as situação continuar como está, com as podres alternativas já postas, o Brasil vai inevitavelmente caminhar para a guerra civil... 
Quem viver, verá! 
*Waldo Luís Viana é escritor, economista e
quase tão corajoso quanto mulher de militar...

Comissário do Povo e Demais Ministros Desmoralizam STF

por Janer Cristaldo
Tarso Genro, dublê de ministro da Justiça e capitão-de-mato, aquele mesmo ministro que deu acolhida a um terrorista italiano e mandou de volta para a ditadura cubana dois boxeadores que jamais assassinaram alguém e buscavam asilo no Brasil, afirmou ontem que, "do ponto de vista do ministério, temos consciência de que essas violações de propriedade privada são questões de ordem pública, de responsabilidade dos Estados, da polícia estadual e da Justiça estadual". Responsabilidade do ministério, pelo jeito, é dar abrigo a terroristas estrangeiros.
Comentei ontem que era esperada a manifestação urgente do comissário do povo Tarso Genro. Não se fez esperar muito. Como não podia negar que é crime financiar o crime, saiu pela tangente, como costuma fazer. “Não é de competência da União fazer policiamento ostensivo repressivo" — afirmou. Ou seja, há uma guerrilha católico-comunista organizada, treinada e aguerrida, cometendo crimes país afora, e a União não tem nada a ver com isso. Sobre os repasses de recursos financeiros pela União a movimentos sociais, o ministro disse que cabe a análise da CGU (Controladoria Geral da União) e do Tribunal de Contas. Ou seja, caso de polícia agora é de competência da CGU e do TC. Comentando as declarações do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, que, ao classificar as invasões de terras públicas e privadas de "ilegais", Tarso disse — serenamente, como se o governo nada tivesse a ver com o assunto — que o governo não pode disponibilizar seus recursos para qualquer entidade ligada a invasões, sob pena de ser responsabilizado por esses atos.
"Se tiver alguma irregularidade que envolva órgãos federais, é remetida para a PF realizar o inquérito. Então, nós recebemos com normalidade a manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal, e não temos nenhum comentário de conteúdo a fazer sobre elas", disse o petista.
O que encerra o assunto, pelo menos no âmbito do governo. O ministro afirma que é crime financiar o crime, Tarso admite que o governo deve ser responsabilizado por seus atos caso disponibilize recursos para qualquer entidade ligada a invasões e fim de papo. Até parece que o MST jamais invadiu terras no país.
Na Folha de São Paulo de hoje, demais vestais do Planalto manifestam veladamente seu desagrado com o ministro que disse que o rei está nu. Mas em momento algum entram no mérito da questão. Em Florianópolis, Dilma Rousseff, da Casa Civil, disse que o governo age dentro da lei ao transferir verbas às organizações e que aguarda manifestação "formal" do Judiciário sobre eventuais entidades que recebem recursos públicos e estão envolvidas em invasões. Eventuais entidades — diz a candidata ao governo em 2010 — que recebam recursos públicos e estejam envolvidas em invasões. Como se a ministra desconhecesse quais são tais entidades.
Já para o ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, "não existe ilicitude abstrata. É preciso saber se a ilicitude é referente a qual contrato, a qual convênio, a qual repasse, pra que a gente possa corrigir". Preferiu nem comentar o pronunciamento do ministro do STF, que disse que a ilicitude está em financiar o ilícito. Como se as ilicitudes não fossem absolutamente concretas e de conhecimento geral da nação.
Para o ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, o MST não deve ser criminalizado em razão das mortes ocorridas após a invasão de uma fazenda em Pernambuco. Seria interessante saber quem deve ser criminalizado. Certamente os proprietários da fazenda invadida, que resolveram matar seus seguranças. "Movimento social tem que ser equacionado sempre com diálogo". Ou seja, basta um grupo de bandoleiros definir-se como movimento social e está ao abrigo de qualquer sanção penal.
A afirmação de Gilmar Mendes tem duas premissas. A primeira: é crime financiar o crime. Segunda: invadir terras é crime. A primeira, o governo até pode, teoricamente, aceitar. A segunda, jamais.
Neste Brasil incrível, em pleno século XXI, chega a causar escândalo afirmar que invadir terras é crime. O governo Lula sente-se acima da lei, senta-se em cima da lei e desmoraliza o Judiciário ao negar que crime seja crime.

domingo, 1 de março de 2009

Direitos, Abusos Humanos e a Ineficiência Criminosa

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O carnaval acabou e o país começa a entrar definitivamente na realidade e a encarar os velhos problemas que nos assolam há anos. Isso mesmo, apenas começa, porque lá em Brasília o ano só vai começar na semana que vem e isso, segundo as palavras do senador José Sarney, se os parlamentares (ou será pralamentares) quiserem atender a sua “convocação geral” para que os projetos importantes que mofam nas gavetas do congresso Nacional sejam colocados em votação.
É lendo coisas assim que sinto saudades dos velhos políticos brasileiros que se vangloriavam de aprovarem projetos “bombásticos” a favor da nação. Quem não se lembra (aqui no RJ) do velho Aarão Steinbruch (senador, deputado federal, vereador); um político “das antigas” e já falecido que em toda a campanha eleitoral apresentava o seu bordão: “O pai da lei do décimo terceiro salário”.
O velho Aarão, mesmo sendo um político praticamente obscuro para muitos, nunca esteve envolvido em nada escuso e lutou pelo povo que adorava e pelos trabalhadores. Mas, esses eram outros tempos. Hoje, a nova safra já percebeu que de nada adianta vangloriar-se deste ou daquele projeto. É melhor que eles fiquem nas gavetas e que apenas se negociem mamatas, falcatruas e aumentos de verbas. Afinal de contas, o próprio Supremo Tribunal Federal deu sinal verde para a roubalheira ao decretar a prisão apenas após todos o trâmite em julgado. O que antes era difícil; hoje passou a ser praticamente impossível.
Mas, você leitor pode perguntar: “O que tudo isso tem a ver com o título desse artigo Maximus?”
Muito simples; toda essa divagação é para mostrar como nossas próprias autoridades adoram infringir as leis e desprezam tenazmente a população. Por outro lado, essa mesma população desprezada, se finge de indignada e recusa-se a constatar o óbvio: Ela é cúmplice desse “novo pensamento” dos políticos.
Mas, como chegou a essa conclusão Maximus? Você pode perguntar.
A conclusão é facilmente encontrada quando vemos os acontecimentos dantescos que explodiram pelo Brasil a fora nesse carnaval e que, em momento algum, sequer foram alvos da indignação de primeira página, costumeiramente vista pelas ruas brasileiras.
O relatório do Departamento de Estado americano sobre a violação dos direitos humanos no Brasil é um desses acontecimentos; todos os anos o relatório bate na mesma tecla: a polícia brasileira mata muito e impunemente.
Sim; mas esperar o que de pessoas mal pagas, mal treinadas e abandonadas à própria sorte? O que esperar de corporações que devem manter a lei; mas são abandonadas pelos políticos que teimam e ignorar essas mesmas leis?
No Pará, várias pessoas morreram porque não havia médicos num posto de saúde. Não havia médicos porque os salários estão atrasados a três meses. O único médico que chegou para trabalhar simplesmente foi embora ao constatar que seria o único. E os direitos humanos dessas vítimas? E quem pagará pelas mortes que ocorrem dia após dia nas filas dos hospitais públicos sucateados e abarrotados de indigentes desesperados. Depois disso, assistimos ao ministro do STF (um dos principais responsáveis pela impunidade neste país) clamar pela obediência as leis em rede nacional indignado pela invasão de fazendas.
Durante o carnaval nosso presidente rebolou alegremente na Sapucaí, ao lado do prefeito e do governador do Rio, sob aplausos de uma claque contratada (segundo denúncias) para abafar vaias caso elas ocorressem.
Esse mesmo presidente “boa praça” em seu Chapéu Panamá (que lembrava muito mais um turista bonachão do que o velho operário calejado) financia grupos que invadem propriedades privadas e matam impunemente pelo interior do Brasil sob a falsa alegação de defenderem a bandeira dos pobres que querem terra para plantar. Quando sabemos muito bem que a maioria dos líderes jamais pegou numa enxada e vive muito longe do ambiente rural. Que o diga José Rainha Júnior que, mesmo após ser banido do movimento, ainda usa a sigla como bandeira Brasil a fora e apoiou inclusive políticos envolvidos com o tráfico de drogas aqui no RJ segundo denúncia publicada no jornal O Globo em 2008.
O povo brasileiro deve abandonar a folia um dia ao menos e entender que a sua negligência quanto a esses fatos é criminosa. Tanto moralmente quanto civilmente. Afinal de contas; foi o povo o responsável por esses senhores tomarem a nação se assalto. E é o povo que perpetua os “bons moços” e os “salvadores da pátria” no poder geração após geração.
Sérgio Cabral, Eduardo Paes e Lula são mesmo um trio imbatível em matéria de fingir que governam. Enquanto isso, morre-se em todos os lugares de nossa imensa nação, de doenças que já eram facilmente curados no início do século passado.
Negligência, incompetência, má fé, imoralidade administrativa e todos os males que afligem justamente os mais pobres e os que são mais suscetíveis a má gerência da coisa pública. Contudo, o mais triste mesmo, é o fato de que são eles mesmos os principais responsáveis por essa corja sorridente e de bolso cheio dominar o nosso país.
Somos os algozes de nós mesmos e ainda sorrimos e cantamos alegremente durante quatro dias.
Pense nisso.

O Que Move os Homens?

por Arlindo Montenegro
Queiram ou não os beneficiários, as milionárias indenizações distribuídas pela Comissão de Anistia caolha, que favorece apenas um lado e politiza todos os processos para incriminar os militares, é conivente com parte da estratégia política internacional do comunismo.
Os militares alheios ao maquiavelismo dos políticos conduziram a sociedade para o caminho do progresso econômico. Diferente dos ideólogos deste governo, que iniciaram a guerra civil fratricida para implantar a “ditadura do proletariado”.
A anistia e posterior passagem do poder aos políticos, com eleições livres, deveria restaurar o ambiente de liberdades — proibitivas sob ataque dos terroristas. Deveriam conduzir para a construção do estado democrático de direito. O MDB, transformou a legenda de “Movimento” para “Partido”. Junto com o PSDB abriram as portas para os anistiados voluntários e ex-terroristas, até então banidos.
Uma nova constituição foi promulgada, estabelecendo mais direitos que deveres, abrindo caminho para a corrupção “ampla, geral e irrestrita”. O PT, fingindo comportamento ético, implantou a sistemática da chantagem, venda de facilidades, cobrança de “pedágios” em contratos de serviços turbinados. Por baixo dos panos foi sistematizada a deformação moral como instrumento para a tomada de poder.
Colaboradores incômodos foram eliminados: como Paulo de Tarso Venceslau, Celso Daniel, ministros, moleques de recado que arrecadavam propinas. O PT montou seu esquema financeiro e político: corrompeu parlamentares, recebeu contribuições estrangeiras, abriu as portas para ONGs como o CIMI trabalhar na Amazônia pela divisão do território nacional “para o desfrute pelas grandes civilizações europeias”. Negando sempre fazer o que tem feito.
As manifestações públicas e sociais do início de 1964 mobilizaram as Forças Armadas no cumprimento de obrigações constitucionais em defesa da Pátria. Marcaram o ponto de partida para a construção de uma nova sociedade.
Os comunistas, internacionalistas, tinham um “ideal” e se dispuseram a lutar por sua ideologia: morrer! Não pela Pátria, mas pelo sonho de integrar o poder totalitário da internacional comunista, sonho do globalitarismo marxista, submetendo toda a sociedade, como em Cuba, como era na União Soviética, como na China de Mao Tse Tung, como na Coréia do Norte.
Hoje temos um governo de criminosos organizados que utilizam a propaganda paga com o dinheiro público. A “oposição” e a mídia calam e consentem. Poucos se manifestam contra a campanha de punição a militares que defenderam a continuidade democrática nas escaramuças daqui, como antes haviam feito na II Guerra Mundial. O perdão é exclusivo para os que atacaram a democracia nos anos 60 e para os corruptos que em nos últimos 20 anos têm desfigurado a nação.
“Paulo Vannuchi pediu ontem que vítimas da repressão do regime militar, seus familiares e entidades de classe se organizem nos Estados para propor ações judiciais em massa questionando a abrangência da Lei de Anistia” (fonte: Estadão). Apontam para os militares depois de transformar em heróis os terroristas internacionalistas.
Desviam a atenção com barulho e propaganda, para esconder a tortura a que submetem os milhares de trabalhadores que saem e não sabem se voltam prá casa, vítimas de enchente, de bala perdida, de assalto relâmpago, da penúria na saúde pública. E ninguém se lembra de cobrar deste estado, destes governantes solidários com o crime organizado, a “reparação” pelas perdas diárias, impostas por suas decisões desastrosas e roubo continuado aos cofres públicos e privados.
Os militares são os “culpados”? As forças armadas que antes formavam jovens capazes e hábeis, disputados pelas empresas privadas, por serem eficientes e disciplinados, foram sucateadas. Não têm grana nem para o rancho da soldadesca. Os Ministérios Militares foram extintos e os atuais comandantes mendigam a subsistência com políticos. Montaram uma tal “Força de Paz” para intervir onde a ONU mandar. E deixam as fronteiras nacionais desguarnecidas.
Os internacionalistas no poder, são os piores terroristas e corruptos, os corporativistas associados ao mais sórdido das oligarquias, associados banqueiros e controladores internacionais como o Príncipe herdeiro da Inglaterra.
Estes internacionalistas, sim, são objetos de punição por seu passado e sobretudo pelo presente. Na direção do PT, PSDB, PMDB, PSB, PSOL e associados, vangloriam-se ter "combatido" os governos militares. Nunca trabalharam de fato. Enriqueceram enganando a população e saqueando os cofres públicos.
Em termos de violência política e institucional, num curto período de exceção, os militares trabalharam, colocando o Brasil entre as dez maiores potências econômicas. Enquanto eles estavam exilados, convivendo e aprendendo com companheiros da Europa capitalista ou em Cuba. A maioria cuidou de sobreviver sem meter-se em ações armadas. Agora mantêm o discurso socialista enquanto se prostituem e firmam o assistencialismo clientelista.
Quanto à segurança pública, as grandes metrópoles e cidades do interior não eram controladas por narcotraficantes. A guerra civil era restrita. Diferente de hoje, espalhada nas ruas e nos guetos residenciais ceifando milhares de vidas. O ambiente que eles prestigiam, importa em ausência de compostura, dignidade, honra, honestidade, patriotismo, extinção do respeito à família e valores culturais.
A ideologia capimunista já se infiltrou nos quartéis. Resta um motivo para manter a inércia diante dos que nos mantêm reféns em nossa casa: a covardia, o medo de defender a Pátria como fizeram nossos antepassados. O medo à responsabilidade de tomar nas mãos nosso destino. O medo de escolher o papel de construtores de uma verdadeiro estado democrático de direito.
Arlindo Montenegro é Apicultor.
Fonte: Alerta Total
COMENTO: (ATUALIZAÇÃO DE POSTAGEM) é interessante o fato de algumas pessoas demonstrarem um conhecimento "além de sua época". Acredito que o hábito de serem bons leitores ajudam a aquisição dessa característica. Além disso, as experiências de vida facilitam a visão das coisas que a maioria das pessoas não percebem. Sempre admirei os escritos de Arlindo Montenegro, e tinha a curiosidade de saber mais a respeito dessa pessoa. Isto foi esclarecido em março de 2022, por ocasião do falecimento de José Anselmo dos Santos, o famoso "Cabo Anselmo", quando o jornalista Jorge Serrão revelou que Arlindo Montenegro era um nome fictício que José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, usava para publicar seus textos no blog do amigo que o apoiava.  
https://jovempan.com.br/jorge-serrao/a-morte-do-cabo-anselmo-o-homem-que-nao-existiu.html

Vítimas do Terrorismo - Marços

Neste março de 2009, reverenciamos a todos os que, em marços passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes atualmente procuram justificar-se sob a mentira de que combatiam uma ditadura militar quando, na verdade, queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país.
Move-nos, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe, por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.
A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.

27/03/65 – CARLOS ARGEMIRO CAMARGO (Sargento do Exército – Paraná)
Morto em combate contra um grupo guerrilheiro comandado por Jeferson Cardin de Alencar Osório, em Leônidas Marques, PR.

31/03/69 – MANOEL DA SILVA DUTRA (Comerciante – Rio de Janeiro)
Morto durante assalto ao Banco Andrade Arnaud, na rua Visconde da Gávea 92.  Participaram deste assalto Carlos Minc  Banfeld , Fausto Machado Freire  e outros da organização VAR-Palmares.

11/03/70 – NEWTON DE OLIVEIRA NASCIMENTO (Soldado PM – Rio de Janeiro)
No dia 11/03/70, Mário de Souza Prata, Rômulo Noronha de Albuquerque e Jorge Raimundo Júnior, os militantes do grupo tático armado da ALN, deslocavam-se num carro Corcel azul, roubado, dirigido pelo último, quando foram interceptados no bairro de Laranjeiras-RJ, por uma patrulha da PM. Suspeitando do motorista, pela pouca idade que aparentava, e verificando que Jorge Raimundo não portava habilitação, os policiais ordenaram-lhe que entrasse no veículo policial, junto com Rômulo Noronha Albuquerque, enquanto Mauro de Souza Prata, acompanhado de um dos soldados, iria dirigindo o Corcel até a delegacia mais próxima. Aproveitando-se do descuido dos policiais, que não revistaram os detidos, Mário, ao manobrar o veículo para colocá-lo à frente da viatura policial, sacou de uma arma e atirou, matando com um tiro na testa o soldado da PM Newton Oliveira Nascimento, que o escoltava no carro roubado. O soldado Newton deixou a viúva, dona Luci e órfãs duas filhas menores de quatro e dois anos.

31/03/70 – JOAQUIM MELO (Investigador de Polícia – Pernambuco)
Morto por terroristas durante ação contra um "aparelho".

08/03/71 – DJALMA PELUCCI BATISTA (Soldado PM – Rio de Janeiro)
Morto por terroristas, durante assalto ao Banco do Estado do Rio de Janeiro.

24/03/71 – MATEUS LEVINO DOS SANTOS (Tenente da FAB – Pernambuco)
O PCBR necessitava roubar um carro para participar do seqüestro do cônsul norte-americano, em Recife.
No dia 26/06/70, três militantes do PCBR desceram do carro dirigido por Nancy Mangabeira Unger: Carlos Alberto Soares Rodrigues de Sousa, José Gersino Saraiva Maia e Luiz "Jacaré", (até hoje não identificado) para roubar um volks, estacionado em Jaboatão, na Grande Recife, nas proximidades do Hospital da Aeronáutica. Ao abordarem o motorista, o Tenente Mateus Levino dos Santos, da Aeronáutica, este foi ferido gravemente por Carlos Alberto, com um tiro na cabeça e outro no pescoço.
O Tenente Mateus Levino dos Santos, após nove meses de impressionante sofrimento, veio a falecer em 24/03/71, deixando viúva e duas filhas menores. O imprevisto levou o PCBR a desistir do seqüestro. Nancy Mangabeira Unger, banida em 13/01/71, em troca da vida do embaixador suíço, era filha de pai americano e sua mãe, brasileira, era filha de Otávio Mangabeira.
Por ironia, o próprio consulado americano, sem saber do planejamento do seqüestro de seu cônsul, correu em defesa de Nancy, alegando a dupla nacionalidade dela, brasileira e norte-americana.
Nancy, atualmente, é professora de Filosofia da Universidade Federal da Bahia.

06/03/72 – WALTER CÉSAR GALETTI (Comerciante – São Paulo)
Terroristas da ALN assaltaram a firma F. Monteiro S/A. Após o assalto fecharam a loja, fizeram um discurso subversivo, assassinaram o gerente, Walter César Galetti, e feriram o subgerente Maurílio Ramalho e o despachante Rosalindo Fernandes.

12/03/72 – MANOEL DOS SANTOS (Guarda de segurança – São Paulo)
Morto durante assalto terrorista à fábrica de bebidas Charel Ltda.

12/03/72 – ANÍBAL FIGUEIREDO DE ALBUQUERQUE (Coronel R1 do Exército – São Paulo)
Morto durante assalto à fábrica de bebidas Charel Ltda., da qual era um dos proprietários.

12/03/73 – PEDRO MINEIRO (Capataz da Fazenda Capingo – Para)
"Justiçado" por terroristas na Guerrilha do Araguaia.

Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.
Texto adaptado de:  A Verdade Sufocada
COMENTO: por uma questão de justiça, tenho lembrado aqui alguns membros de organizações terroristas que foram "justiçados" por seus companheiros de luta. Assim, reproduzo um desses "justiçamentos", ocorrido em março de 1971, conforme relatado no Projeto Orvil, denominado pela imprensa como o livro secreto do CIE. De suas páginas XXIV a XXVIII do Primeiro Volume, extraí:
"A manhã de 23 de março de 1971 encontrou o jovem advogado de 26 anos, Sérgio Moura Barbosa, escrevendo uma carta em seu quarto de pensão no bairro de Indianópolis, na capital de São Paulo.......
Três frases foram colocadas em destaque na primeira folha da carta: “A Revolução não tem prazo e nem pressa”; “Não pedimos licença a ninguém para praticar atos revolucionários”; e “Não devemos ter medo de errar. É preferível errar fazendo do que nada fazer”. Em torno de cada frase, todas de Carlos Marighela, o jovem tecia ilações próprias, tiradas de sua experiência revolucionária como ativo militante da Ação Libertadora Nacional (ALN).
Ao mesmo tempo, lembrava-se das profundas transformações que ocorreram em sua vida e em seu pensamento, desde 1967, quando era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e estudante de Sociologia Política da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Pensava casar-se com Maria Inês e já estava iniciando a montagem de um apartamento na Rua da Consolação.   .......
Lembrava-se de sua prisão, em fins de julho de 1968, quando fora denunciado por estar pretendendo realizar um curso de guerrilha em Cuba. Conseguindo esconder suas ligações com a ALN, em poucos dias foi liberado. Lembrava-se, também, da sua primeira tentativa para ir a Havana, através de Roma, quando foi detido, em 16 de agosto de 1968, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Conduzido à Polícia do Exército, foi liberado três dias depois. Finalmente, conseguindo o seu intento, permaneceu quase dois anos em Cuba, usando o codinome de “Carlos”. Aprendeu a lidar com armamentos e explosivos, a executar sabotagens, a realizar assaltos e familiarizou-se com as técnicas de guerrilha urbana e rural. Em junho de 1970, voltou ao Brasil, retomando suas ligações com a ALN.
Em face de sua inteligência aguda e dos conhecimentos que trazia de Cuba, rapidamente ascendeu na hierarquia da ALN, passando a trabalhar a nível de sua Coordenação Nacional. Foi quando, em 23 de outubro de 1970, um segundo golpe atingiu duramente a ALN, com a morte de seu líder Joaquim Câmara Ferreira, o “Velho” ou “Toledo”, quase um ano após a morte de Marighela (em novembro de 1969). Lembrava-se que, durante 4 meses, ficou sem ligações com a organização.  ....
Não sabia o jovem que a ALN suspeitava de que houvesse traído o “Velho”. ... Foi, então, integrado a um “Grupo de Fogo” da ALN em São Paulo, no qual participara de diversos assaltos, até aquela manhã.   ....   a ALN estava considerando seu trabalho, no “Grupo de Fogo”, como desgastante e “ainda somado à vacilação diante do inimigo”.
Ao final, assinava “Vicente”, o codinome que havia passado a usar depois de seu regresso de Cuba.
Terminada a redação, pegou o seu revólver calibre 38 e uma lata cheia de balas e um pavio a guisa de bomba caseira e saiu para “cobrir um ponto” com um militante da ALN. Não sabia que seria traído. Não sabia, inclusive, que o descontentamento da ALN era tanto que ele já havia sido submetido, e condenado, a um “Tribunal Revolucionário”.
No final da tarde, circulava, procedendo às costumeiras evasivas, pelas ruas do Jardim Europa, tradicional bairro paulistano. Na altura do número 405 da Rua Caçapava, aproximou-se um Volkswagen grená, com dois ocupantes, que dispararam mais de 10 tiros de revólver .38 e pistola 9 mm. Um Gálaxie, com 3 elementos, dava cobertura à ação. Apesar da reação do jovem, que chegou a descarregar sua arma, foi atingido por 8 disparos. Morto na calçada, seus olhos abertos pareciam traduzir a surpresa de ter reconhecido seus assassinos. Da ação faziam parte seus companheiros da direção nacional da organização subversiva Yuri Xavier Pereira e Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (“Clemente”), este último o autor dos disparos fatais
Ao lado do corpo, foram jogados panfletos, nos quais a ALN assumia a autoria do “justiçamento”. São sugestivos os seguintes trechos desse “Comunicado”:
“"A Ação Libertadora Nacional (ALN) executou, dia 23 de março de 1971, Márcio Leite Toledo.
Esta execução teve o fim de resguardar a organização.  ...   Uma organização revolucionária, em guerra declarada, não pode permitir a quem tenha uma série de informações como as que possuía, vacilações desta espécie, muito menos uma defecção deste grau em suas fileiras.   ...   Tolerância e conciliação tiveram funestas conseqüências na revolução brasileira.   Tempera-nos, saber compreender o momento que passa a guerra revolucionária e nossa responsabilidade diante dela é nossa palavra de ordem revolucionária.   Ao assumir responsabilidade na organização cada quadro deve analisar sua capacidade e seu preparo. Depois disto não se permitem recuos.  ...  A revolução não admitirá recuos!”"
O jovem não era “advogado” e nem se chamava “Sérgio Moura Barbosa”, “Carlos” ou “Vicente”. Seu nome verdadeiro era Márcio Leite Toledo."
Márcio Leite Toledo é nome de rua em Osasco/SP, sua família ainda não recebeu qualquer indenização por sua morte. Um bom artigo sobre seu assassino foi escrito por Augusto Nunes.
Outro assassinato ocorrido entre as hostes revolucionárias foi a morte do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, em 27 Mar 68, atribuída à Polícia Militar de São Paulo.
A verdade, no entanto, é bem diferente, como escreveu o historiador Carlos Ilich Santos Azambuja no texto "A parcialidade escancarada", em que faz críticas à tetralogia de Elio “Parmegiani” Gaspari: “Em seu livro, narra em detalhes a morte do estudante Edson Luiz, no restaurante do Calabouço, ocorrida em 27 de março de 1964. Detalhes tão precisos como se ele estivesse lá, assistindo a tudo. Não estava. Tanto não estava que escreveu que o fato ocorreu ‘a três quarteirões do hospital da Santa Casa’. Outra inverdade. Do restaurante ao hospital bastava atravessar a rua Santa Luzia. Eu estava lá e vi. No entanto, na Faculdade Nacional de Filosofia, Rio de Janeiro, de onde era aluno, narra a morte, a tiro de revólver disparado por um seu colega, de um estudante da mesma Faculdade. E só. Por que Gaspari, um historiador, evita dizer o nome desse seu colega, de Faculdade e de partido, que disparou a arma? Esse é um segredo de polichinelo, embora jamais o autor da morte tenha sido processado por esse crime. Seu nome? Apenas as iniciais, pois não desejo prejudicá-lo, onde quer que esteja. Assim, aquilo que ele julga que ninguém sabe, ele vai saber que eu sei: ACFPP”.  Posteriormente, em 22/11/2012, por meio de e-mail, Azambuja confidenciou a Félix Maier: “O nome do cara do qual eu escrevi apenas as iniciais é ANTONIO CARLOS FARIA PINTO PEIXOTO, na época militante do PCB. Faleceu em 15 de Julho de 2012”.