segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Aprendam com o PT

por Lenilton Morato
Muitos protestos foram organizados durante as comemorações da independência do Brasil, no dia 7 de Setembro. Em várias cidades foi organizada uma "marcha contra a corrupção". Parece que, finalmente, a população começa a despertar para a realidade dura que assola o país, com grande inversão de aspectos relacionados à ética e a moral. Agora temos uma juventude atuante! Agora somos organizados! Não. Nem uma coisa, nem outra. Os integrantes da tal marcha não estavam despertos. Pareciam sonâmbulos entorpecidos por palavras de ordens emanadas e plantadas para distraí-los e dispersá-los. Assim, as pessoas que marcharam contra a corrupção saíram aliviadas, com a reconfortante sensação do "eu fiz a minha parte". Ao mesmo tempo, tal manifestação foi inócua. E todos saem ganhando, tanto os marchadores quanto os organizadores e idealizadores do evento que, com certeza, tinha muita gente do partido mais corrupto dos últimos 20 anos: o PT. 
A esta manifestação faltou algo essencial a qualquer tipo de reivindicação: foco. Marcharam contra a corrupção. Sim, e daí? Corrupção não é um conceito tangível, mas algo genérico e que abrange praticamente toda a população: do político ladrão de recursos públicos àquele que falsifica as informações no imposto de renda, passando pelos fura-filas, ou dos motoristas que avançam o sinal vermelho. Todas são demonstrações de corrupção de valores morais. Lutar contra essa abstração é inócuo. Jamais alcançaremos qualquer resultado lutando contra algo que não podemos sequer definir com objetividade. 
Um protesto como este deveria ser dirigido contra os funcionários públicos, empresas privadas ou partido político que praticam a corrupção, e não contra o conceito dela. Deve-se dar nome aos bois para que se alcance o resultado desejado. As manifestações deveriam ser contra o Congresso Nacional, contra os agentes estatais e funcionários públicos que se deixam corromper e contra as empresas privadas que agem como corruptoras. Desta maneira poder-se-ia sim alcançar o resultado desejado. 
Nesta questão, o maior exemplo que podemos seguir é o do partido mais corrupto do país, o PT. Quando na oposição, a militância petista jamais saiu contra a corrupção ou contra a roubalheira generalizada. Além de se autoproclamar como verdadeiro baluarte da ética e da moral política, os manifestantes eram objetivos em suas passeatas: "Fora Yeda", "Fora FHC". Mesmo as empresas de comunicações (embora estejam todas comprometidas com a causa socialista) não conseguiram escapar da ira petista. Nenhum partido na oposição jamais se manifestou contra o PT ou o presidente Lula quando do caso do mensalão, o maior esquema de compra de votos de parlamentares que se tem notícia no Brasil. Em contrapartida, Fernando Collor foi retirado da presidência por pressão organizada deste partido, por crimes infinitamente menores (sendo inocentado posteriormente inclusive). Esta é a diferença fundamental entre um protesto verdadeiro e uma marcha difusa e ineficiente. 
O problema maior, entretanto, é a infiltração de militantes petistas em todo o tecido social, em todos os setores da vida nacional, da pré-escola às Forças Armadas. Mesmo as passeatas contra fatos ocorridos em um governo do PT são organizadas por militantes deste partido. Enquanto as forças conservadores continuarem covardes e apáticas, estarão sendo dominadas, mesmo que se constituem na maioria da população.  
E enquanto tivermos como expressão maior da oposição um partido que se espelha na esquerda dos EUA (Democratas) a situação permanecerá a mesma. É preciso que aqueles que se contrapõem efetivamente ao PT e seus aliados aprendam, humildemente, com eles a como se protesta e se comporta uma oposição.
Fonte:  Lenilton Morato
COMENTO:  o texto acima serve como um contraponto ao anterior. Os dois argumentos são bons, interessantes. Qual o mais adequado à sociedade brasileira? Não sei. Deixo a cargo dos leitores tirarem as suas conclusões. 

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