domingo, 24 de junho de 2012

O "Nosso" Incrível Exército de Brancaleone

por Francisco Vanderlei Teixeira de Oliveira
Além de engolir a Comissão da Verdade, que é mais uma jogada para atingir a imagem da instituição militar, o EB agora embarca nessa direta intervenção da Comissão de Direitos Humanos da OEA. 
(Jornalista Jorge Serrão)
Na Baixa Idade Média, séculos XI a XIV, materializaram-se fatos que culminaram com a decadência do feudalismo. A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre França e Inglaterra arrasou várias regiões da Europa, a “peste negra” eliminou cerca de um terço da população européia, seguiu-se a destruição dos campos, plantações e rebanhos. O trinômio “guerra, peste e fome”, afetou de forma definitiva o feudalismo.
No contexto histórico acima o diretor Mario Monicelli produziu, em 1965, o clássico do cinema italiano “O Incrível Exército de Brancaleone”. Nele, retratou os costumes da cavalaria medieval através de uma demolidora e bem humorada sátira. A figura central do filme é Brancaleone, um cavaleiro atrapalhado que lidera um pequeno exército, perambulando pela Europa em busca de um feudo. A produção consegue ser hilária, mesmo retratando aspectos avassaladores da crise européia, e focaliza principalmente a decadência das relações sociais no mundo feudal.
A Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) será palco de uma cerimônia pública de colocação de uma placa para homenagear o cadete Márcio Lepoente da Silveira, falecido em 1990, e outros que perderam as suas vidas durante instrução de formação do futuro oficial do Exército Brasileiro. Ao que se sabe, ao longo dos tempos foram muito poucos os casos de acidentes com mortes. As medidas de segurança e as de socorro médico às vitimas de acidentes em instrução militar sempre foram tomadas dentro do que prescrevem os regulamentos militares e do que manda o bom senso. 
O respeito ao ser humano sempre prevaleceu dentro das escolas de formação e dos quartéis pelo Brasil afora. Todo acidente sofre apuração de eventuais responsabilidades através de Inquérito Policial Militar, com solução aos cuidados das Auditorias Militares e, por vezes, do Superior Tribunal Militar. Portanto, não caberia qualquer interferência externa naquilo que está rigorosamente prescrito nos Regulamentos e nas Leis que regem a atividade de formação e preparo da Força Terrestre, bem como no Código Penal Militar.
O cadete é o herói a lutar, na paz ou na guerra, para honrar as tradições da nossa terra. O seu lema é o amor ao Brasil e o amor a nossa Bandeira.
A imposição do ato solene, que certamente será midiático, é parte do Acordo de Solução Amistosa celebrado entre o Estado Brasileiro e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). Essa instituição é a mesma que apregoa a revogação da Lei de Anistia brasileira, tentando desqualificar o que foi aprovado pelo nosso Congresso, sancionado pelo nosso Presidente e confirmado pelo nosso Supremo Tribunal Federal. Para agravar, a decisão do governo brasileiro em aceitar a homenagem pública, o ato de execução foi prontamente acatado pelo Comandante do Exército, que deve tê-la recebido através do nosso Ministro da Defesa, e repassado sem qualquer restrição ao Comandante da AMAN. Este, por sua vez, ainda terá a grande e ultima chance de mostrar que a formação na nossa tradicional Academia Militar se dá dentro de padrões de excelência equiparados às melhores Academias do mundo e que os excepcionais instrutores que fizeram e fazem parte do seleto quadro daquela Escola de Formação de Oficiais ainda merecem muito respeito. 
O lamentável nesse episódio grotesco é que mais uma ação desmoralizadora para o Exército Brasileiro se concretiza e os nossos chefes militares aceitam passivamente ser alvo dessa maquinação engendrada pelos articulistas dos direitos humanos do atual governo. Confirma-se outra obra da guerra psicológica para comprometer a imagem dessa digna Instituição, Guardiã Constitucional da soberania e da democracia do Brasil, que goza de todo o respeito da sociedade brasileira.
Resta-nos saber, somos ou não somos um País soberano?
Aceitar a interferência de organismos internacionais na condução do processo de formação dos nossos quadros de oficiais ou de praças não me parece ser o melhor caminho para o futuro da Nação. Acidentes de trabalho acontecem todos os dias em vários ramos de atividades e com muito mais frequência. A atividade militar, de formação ou operacional, com o risco maior que lhe é inerente, certamente estará sujeita a ocorrências com danos pessoais e até com perda de vidas. A conscientização sobre aspectos modernos de formação técnica e humanística devem seguir os princípios básicos que regem as necessidades operacionais das forças militares de qualquer país. No entanto, deixar que o clima de denuncia indicando que a formação e instrução militar se aproximam de ato de tortura nos levará ao imobilismo de ação e a queda do padrão de preparo dos nossos profissionais da guerra. 
O cadete ou o sargento que se candidatam aos cursos de formação estão totalmente cientes dos riscos a que se submeterão. Aceitam-nos de livre e espontânea vontade e podem “pedir para sair” a qualquer momento, sem nada dever ou dar satisfação. Não somos marionetes para ficarmos sujeitos aos gostos e contragostos dos interesses políticos de qualquer facção no poder. A nossa autonomia como força militar só se dará com a obtenção de equipamentos adequados, uma formação de elevado nível e condições de sustento familiar compatíveis com os dos países de primeiro mundo e com o do nosso almejado futuro. Mas a nossa Instituição tem muito a exigir de respeito pelo que representa para o Brasil.
Juramos dedicação integral ao serviço da Pátria, defendendo a sua Honra, Integridade e Instituições com o sacrifício da própria vida.
No tal acordo de Solução Amistosa fica evidenciada a pretensão da ingerência da OEA nos assuntos do Exército Brasileiro quando diz: “O Estado brasileiro se compromete a realizar estudo sobre a possibilidade de firmar convênio com o Instituto Interamericano de Direitos Humanos, cujo objetivo é assegurar, através do curso de capacitação, que a formação das praças e oficiais das Forças Armadas Brasileiras atenda aos padrões internacionais de proteção aos direitos humanos”. Ora bolas! Danem-se esses organismos internacionais! Mandem a OEA com sua CIDH e seus acordos amistosos passarem nos hospitais, postos de saúde, presídios e delegacias de todos os estados brasileiros. Lá encontrarão provas cabais daquilo que reconhecemos como tortura e terrorismo ao mesmo tempo. 
Levem juntas as autoridades dos governos federal, estadual e municipal responsáveis por aqueles setores. Certamente encontrarão motivos para erguer um sem numero de monumentos e apor incontáveis placas em homenagem aos vitimados pela irresponsabilidade do poder público e dos nossos políticos. Poderiam até levar comboios do Exército a reboque para recolher os governantes presos para os quartéis. Lá eles terão hospitais e postos de saúde funcionando e xadrezes com segurança e higiene compatíveis com o respeito à dignidade do ser humano e poderão conhecer tudo o que existe de bom na nossa formação militar. Não é isso que estão buscando?
O povo só será verdadeiramente livre se a ele for dada educação de qualidade. Dê-lhe também saúde, segurança, habitação, emprego e tudo mais que o faça um ser humano digno.
As autoridades brasileiras continuam submissas aos interesses estrangeiros. Com isso demonstram o quanto somos frágeis e nos colocamos como país subdesenvolvido. Lamentavelmente, temos que conviver com a contaminação dos chefes militares com esse estado de submissão e de fraqueza generalizados. A desmoralização das Forças Armadas, com prioridade para o Exército Brasileiro, continuará sendo estampada de forma cada vez mais intensa. Precisamos dar um basta, de forma clara e definitiva, para os de dentro e os de fora do Brasil. Não se está buscando ou apregoando confronto armado ou revolução pela força, mas simplesmente um posicionamento firme e determinado no sentido de colocar em patamar elevado os nossos verdadeiros interesses, que são mais nobres do que se prega nos corredores sinistros dos vários órgãos de defesa dos “falsos” direitos humanos.
Quem muito se curva o fundo aparece... (dito popular).
Não queremos guerra, peste, fome e nem tampouco decadência.
Não queremos um líder atrapalhado perambulando com seu diminuto exército.
Não queremos que nos transformem num “Incrível Exército de Brancaleone”.
Francisco Vanderlei Teixeira de Oliveira
é Coronel da Turma de 1975.
Fonte:  Alerta Total

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