quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Luta de Classes Tupiniquim Chega ao Exército Brasileiro

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Digam o que quiserem sobre os comunistas brasileiros, uma coisa não podemos negar. Eles usam muito bem uma característica brasileira que é a imaginação, ou criatividade, aliada à adaptação às circunstâncias, no popular, eles tem muita habilidade com o que chamamos "jeitinho brasileiro".
Exemplo disso é o uso da velha e surrada "luta de classes" sistematizada por Marx e aperfeiçoada por Lênin, Stalin, Gramsci e outros 'pensadores", com o objetivo de dividir a sociedade em duas categorias: exploradores e explorados. Isso deveria levar a um eterno conflito entre capitalistas (proprietários de qualquer coisa que gere algo que possa ser transformado em mais dinheiro, ou lucro, denominado pelos 'revolucionários' de "mais valia") e a força de trabalho (os trabalhadores de todo tipo, mão de obra necessária à operação dos 'bens de produção', terras, máquinas, etc) utilizados na produção da "mais valia", também chamados 'proletários' (a prole grande não é coisa de hoje, é bem anterior às bolsas-votos). 
Desse conflito, adviria a tomada dos bens de produção pelos trabalhadores, eliminando-se os capitalistas (até mesmo, e principalmente, na forma literal), assim, a "nomenklatura" (direção partidária) se veria na obrigação de administrar a nova sociedade (afinal, alguém tem que por ordem na zona), determinando as regras a serem seguidas pelos "novos homens", libertos da escravidão capitalista, mas presos aos desígnios do Leviatã, do Grande-Irmão, do "Novo Príncipe" ou seja lá qual a denominação a ser dada à nova "zelite" governamental.
Os engenhosos pensadores da revolução social tupiniquim (atrasada no tempo, pois  o "muro de Berlim", símbolo do autoritarismo comunista já se foi há mais de vinte anos e já não mais existe a velha mãe-Rússia - URSS) limitaram temporariamente os atores da revolução que pretendem implantar "neçepaíz". Por um lado, abstraíram a "grande burguesia" (banqueiros, grandes empresários, multinacionais, etc), cooptada por meio da permissividade quanto às suas ações predatórias (juros extorsivos, formação de cartéis, remessas de recursos para paraísos fiscais, etc) em troca de "negócios" (contribuições legais ou não para campanhas eleitorais, lucros "não contabilizados" em obras estatais "não licitadas" ou com licitações "obscuras", emprego de apaniguados, e quem sabe, bons pagamentos por algumas 'palestras'). Esses aliados também podem ter acesso facilitado a alguns cargos públicos ou, pelo menos, que possibilitem atuar em prol de seus interesses comerciais..
Ao mesmo tempo, em uma atitude que deve ter feito Karl Marx virar cambalhotas em seu túmulo, acharam uma utilidade para o "lúmpen-proletariado" por quem o judeu-alemão nutria ojeriza. Espertamente (?), perceberam que cada membro dessa categoria social tem o mesmo direito a voto que os demais membros da sociedade burguesa. Foi só uma questão de motivação fazer com que esse voto fosse dirigido para quem lembrou-se de dar cidadania a esses seres. Nada que uma bolsa-esmola qualquer não resolvesse.
Assim, a luta de classes fica mais fácil, resumida à denominada "classe média" e os "pequenos burgueses" (assalariados x empresários de pequeno e médio porte).  
Com a "classe média", inchada pelo ingresso do proletariado beneficiário da "inclusão social", proporcionada pelas benesses governamentais e com seus recursos econômicos nivelados por baixo pelo achatamento salarial; e a pequena burguesia destruída pela pressão representada pela enorme carga de impostos, a concorrência predatória do grande empresariado, o pagamento cada vez maior de "direitos sociais" e uma burocracia mastodôntica, a maior parte da sociedade brasileira aproxima-se do modelo sonhado de "igualdade social".
O passo final será o "enquadramento da grande burguesia" que se acha segura junto à "nomenklatura". As opções se resumirão a aderir totalmente ao novo regime ou o velho e eficiente "paredón".
Esse, me parece ser o roteiro da caminhada do Brasil rumo ao futuro "socialismo tupiniquim".  A sociedade já parece preparada para aceitar esse desígnio.
O modelo democrático da divisão de poderes apregoado por Montesquieu já ruiu. O poder legislativo está totalmente comprometido com o rumo acima descrito. Lideranças políticas que se oponham a isso, não existem. O poder judiciário, a princípio moroso e ineficaz, encontra-se minado em sua base pelos novos integrantes formados em bancos escolares onde se propaga a "nova justiça", ou "justiça das ruas" há décadas; sua cúpula dominada pelos nomeados pelo critério de escolha feita somente entre os que se alinham ao projeto revolucionário (por ideologia ou por interesse) também já não é confiável.
A única resistência a esse cataclisma poderia ser representada pela Forças Armadas, hoje desarmadas mas ainda amadas. Destas, o Exército, por seu efetivo maior, tem sido o principal alvo de um programa sistemático de desestruturação em função de possuir a maior capacidade de reação. Equipamentos obsoletos, vencimentos desestimulantes, instalações precárias, falta de verbas para exercitar suas atividades fundamentais, interferências ideológicas nos currículos de formação, promessas de melhorias que nunca são cumpridas, são algumas das formas encontradas para minar esse segmento social. 
Agora mesmo, na última sexta-feira (6/5), nova portaria do Comandante do Exército regulamentou, mais uma vez, o Curso de Habilitação ao Quadro Auxiliar de Oficiais (CHQAO), que dará acesso dos praças ao oficialato.
O documento prevê o funcionamento do curso já em 2012, e constará de três fases. A primeira, à distância, terá duração de 300 (trezentas) horas/aula. No segundo ano, será realizada a fase presencial, com 500 (quinhentas) horas/aula. E, por fim, uma fase de práticas profissionais, com 400 (quatrocentas) horas/aula.
Os sargentos de carreira formados a partir de 1993 já estarão sujeitos à nova sistemática, que prevê a realização de concurso de admissão ao curso.
Um curso que terá 1.200 horas/aula é uma boa forma de seleção para o oficialato mas - sempre tem um mas - o legislador "esqueceu" de definir o direito financeiro que tal curso vai gerar.
Sendo um curso obrigatório para o prosseguimento da carreira, e tendo como pré-requisito o Curso de Aperfeiçoamento de Sargento (obrigatório para que se alcance a graduação de 1º Sgt) que paga 20% de Adicional Militar, o CHQAO (vulgo "Xicão") deveria pagar um percentual maior. Ou não? 
Por outro lado, avançam os estudos para promover os 3º sargentos do Quadro Especial (QE) a graduações superiores. Quem são estes? São militares que incorporaram como soldados, foram promovidos à graduação de Cabo e, por possuírem alguma habilitação de difícil formação (mecânica, informática, motorista de carros de combate, armeiros, etc) adquiriram estabilidade e, depois de quinze anos de serviço, foram promovidos à graduação de 3º Sargento. Há projetos tramitando no Congresso Nacional propondo que esses militares tenham acesso até a mais três promoções: a 2º e 1º Sargento e Subtenente.
Em resumo, temos que, enquanto o Sargento de Carreira deve, no mínimo, fazer um concurso, seguido por um Curso de Formação (atualmente de dois anos) e um Curso de Aperfeiçoamento para alcançar a graduação de Subtenente - destaquei que esses são no mínimo os cursos necessários, mas é sabido que se o Sargento não cursar algum Curso de Especialização ou de Extensão terá sua carreira emperrada deixando de ser promovido por merecimento -, há projeto das autoridades legislativas querendo que os Sargentos do Quadro Especial tenham o acesso à graduação máxima dos praças por "decurso de prazo".
Em outras palavras. Ao mesmo tempo em que se cria mais um obstáculo para que os Sargentos de Carreira alcancem o oficialato (o citado "Xicão"), busca-se meios legais para que os Sargentos do QE tenham os mesmos direitos que aqueles, sem passar pelas provas de seleção e habilitação pelas quais eles passaram.
Não e que eu esteja contra a que se melhore as condições de trabalho dos Sargentos do QE, mas não é possível aceitar esse tipo de equalização.  Desde a criação do Quadro Especial, tem sido sugerido que os Cabos com mais de quinze anos de serviço sejam matriculados em Cursos de Formação de Sargentos a fim de efetivamente ingressarem na carreira de Sargentos pela porta da frente. Nunca se viu qualquer iniciativa oficial a esse respeito.
Concluindo, se projetarmos nas Forças Armadas, e particularmente no Exército, o quadro inicialmente descrito de como subjugar a sociedade, vemos que ao mesmo tempo em que se alça o proletariado, digo, os militares de nível auxiliar à carreira de Sargento, sem exigir sua qualificação legal ("inclusão social"), desestimula-se os que estão na faixa superior dessa mesma categoria (1º Sargentos e Subtenentes), criando mais um tropeço em sua trajetória profissional (destruição da "pequena burguesia"). Dessa forma, transforma-se a maior parte do efetivo em uma grande "classe média" subjugada pelo "achatamento salarial" que atinge a todos, retirando-lhes qualquer disposição de reação.   Coevo a isso, alguns falsos líderes e "movimentos de democratização" são lançados para quebrar o binômio disciplina-hierarquia, e é promovida e a cooptação da "grande burguesia" com promessas de melhorias que nunca serão cumpridas e a oferta de alguns cargos de relevância em empresas estatais. Olhando dessa maneira, verifica-se que a "luta de classes" já chegou ao Exército Brasileiro. Espero estar errado!
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Um comentário:

Anônimo disse...

resumo: "farinha pouca meu pirão primeiro"