quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Canoas, terra de ninguém. Ou melhor, terra de mafiosos?


Recebi, ontem à tarde, do jornalista Rogério Mendelski: Fiquei impressionado com o relato do teu leitor Lauro Tendardini a respeito das arbitrariedades cometidas contra ele e contra a Lei Eleitoral em Canoas. Pelo jeito, deverá se repetir o mesmo na eleição do segundo turno, no dia 31. Será que o MPE ficou sabendo? Aliás, em Canoas, com a tal eleição digitalizada teve gente votando às 19h. O que assusta é que tudo ocorreu aqui do nosso lado e não num grotão da Amazônia... ----- O Rogério refere-se a um texto do jornalista Lauro Tentardini, que está no espaço Dos Amigos. Postei lá, pelo tamanho do e-mail, que é rico em detalhes. Esperava que alguém se manifestasse sobre o que o jornalista conta. E ele se dispõe a apresentar provas.  Nessas horas, eu pergunto:  Onde estão os chamados magistrados? Será que um assessor de um desses magistrados não poderia ter feito uma impressão e encaminhado ao chefe?  Será que este escândalo vai ficar por isso mesmo? ----- Para quem não leu, aí está o texto do Lauro Tentardini:
Sei que muitos da imprensa são amigos do senhor Jairo Jorge da Silva, prefeito de Canoas. Mas os fatos que vou relatar refletem a verdade, inclusive com Boletins de Ocorrência registrados por mim.
Na sexta-feira, por volta das 21 horas, ao passar pelo sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, ouvi um discurso o que já era proibido por lei. Perguntei ao flanelinha que me informou se tratar de um discurso do Pimenta e do Nelsinho Metalúrgico, candidato apoiado por Jairo Jorge.
Dei a volta e avistei na Victor Barreto, três ônibus, um inclusive com a placa do Nelsinho Metalúrgico, e que transportou a militância para a reunião proibida. Durante duas horas chamei o 190 e sempre a mesma resposta "já mandamos uma viatura para o local". Depois das duas horas que citei, resolvi eu mesmo filmar e fotografar. Fiz isso do lado de fora, evidentemente e, também, peguei as pessoas entrando no ônibus. Fui ao plantão da Polícia Civil e registrei o boletim de ocorrência, assim como denunciei ao TRE. Achei que era uma infeliz coincidência, mas ontem percebi que temos um xerife, e não um prefeito. No início da manhã, ao votar no colégio Espírito Santo, avistei muitas bandeiras do PT. Até aí tudo bem, não fosse na fila de votação duas mulheres comentarem, de maneira equivocada e fraudulenta, que não se poderia votar no candidato Ronchetti, pois este estaria inelegível. Uma informação falsa, divulgada de forma equivocada por parte da imprensa e espalhada pelo PT. Ronchetti liderava todas as pesquisas em Canoas e despencou de forma muito estranha. A curiosidade é que as mulheres que divulgaram a informação tinham adesivos de Nelsinho Metalúrgico no peito, outra coincidência. Avisei a voluntária do TRE que aquele tipo de abordagem na fila de votação era proibida, mas ela não tomou nenhuma providência e disse que não ouviu nada. Então, logo depois, a Polícia Militar mandou que muitas pessoas com adesivos de Ronchetti os retirasse e entregasse para eles. Pergunto, em qual outra cidade "destepaíz" foi proibida a utilização de adesivos bolacha no peito? E por que os petistas continuavam com suas estrelas e bandeiras? Mais tarde, na Rua Venâncio Aires, eu e minha colega jornalista, Ângela, avistamos uma grande concentração de viaturas. Sabe qual foi o absurdo desta vez? Arrombaram o carro da senhora Carmem Dadaut, que por coincidência tinha adesivos do Ronchetti no vidro. A senhora Carmem estava almoçando e o Diego, dono do restaurante, interveio. Foi preso na hora. Eu estava me sentindo em Cuba ou na Venezuela, os países que adotam as regras democráticas modelo para o PT. Depois, na mesma rua, paramos pra ver qual o motivo do novo bolinho. Aí um Policial Militar, sem identificação nominal, mandou descermos, apagou todas as minhas fotos da câmera, e fez várias ameaças. Abriram o porta-malas da senhora Ângela, mas para a tristeza deles nada de irregular foi encontrado, nem nos documentos do carro. Fui ameaçado de prisão, anotaram número do meu documento, meu nome e data de nascimento. Me senti um bandido, um criminoso, um mensaleiro. No colégio Rondon, o Jingle de Dona Dilma era tocado. Mas não é proibido no dia da eleição? A Polícia estava lá e nada fez. Por fim, por outra coincidência do destino registramos onze pessoas que tentaram votar em Ronchetti e disseram que ao digitar o número aparecia "nulo" nas urnas eletrônicas infraudáveis. Segundo o TRE, as pessoas devem ter errado o número. Um apagão de memória coletiva. É possível, sem dúvidas. Mas foi mais uma infeliz coincidência de um dia cubano num país democrático.
COMENTO:  eu me recuso a pensar que a gloriosa Brigada Militar tenha tomado partido nas eleições. Acredito que as ações relatadas tenham sido atitudes individuais de maus policiais, organizados em uma verdadeira quadrilha com objetivos eleitorais. Realmente é muita coincidência a ocorrência dos diversos fatos relatados, em diferentes locais.  Só uma ação de quadrilheiros fardados explicaria tanta patifaria.  Porém, muito mais estranhável é o gritante silêncio por parte do Comando da Corporação e dos responsáveis pela fiscalização judicial da lisura das eleições.  Aos leitores de fora do Rio Grande, explico que Jairo Jorge, o atual prefeito de Canoas/RS, é aquele sujeito com cara de "padre nerd" que secundava Tarso Genro, quando este foi Ministro da Educação em substituição a Cristovam Buarque.  Será que lá pelas bandas do Rio Grande também já "tá tudo dominado"?  Esse tipo de atitude terá tido alguma repercussão na vitória do 'peremptorio' governador eleito?

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