quarta-feira, 5 de agosto de 2015

FARC Querem Comissão da Verdade - Os Canalhas Só Trocam de Endereço

por Nelson Matta Colorado
As conclusões de uma Comissão que estude a Verdade sobre os protagonistas do conflito armado podem demorar anos.  É o que os narcoguerrilheiros querem para "assinar a paz".  Foto: Nelson Matta
"Abrir os arquivos" e acionar imediatamente uma "Comissão para o Esclarecimento da Verdade, a Convivência e a não Repetição", é a nova exigência dos delegados das FARC na mesa de negociações de Havana.
Com esta exigência, os negociadores buscariam estabelecer os responsáveis pelos delitos antes de sentar-se para discutir o tema de penas alternativas. A razão? As FARC sempre viram o Estado como o maior algoz e elas sempre se declararam como vítimas.
A solicitação não foi bem vista pelos analistas consultados por este diário, que a consideram uma estratégia protelatória, justamente quando os diálogos atravessam o ponto mais crítico; o das vítimas e a justiça que se aplicará a seus verdugos.
Em um comunicado, os narcoterroristas assinalaram: "antes de aplicar o sistema de justiça conveniente, é imperativo conhecer a verdade. Em Colômbia há personagens que parecem ter mais medo da verdade que do cárcere".
Reiteraram que se faz necessária uma verdade confessada pelos atores do conflito e das vítimas. "Deixar a Comissão para o Esclarecimento da Verdade para depois da assinatura da paz, é abrir as portas a imputações enviesadas e à impunidade dos maiores responsáveis e mandantes da violência" enfatiza a guerrilha.
A petição das FARC acompanha uma solicitação de "abertura de arquivos", referindo-se a documentos judiciais e sigilosos das Forças Armadas e Fiscalia (espécie de Procuradoria colombiana) sobre o conflito armado e seus protagonistas.
"Rodrigo Granda", um dos representantes dos subversivos, manifestou que "nunca se falou de impunidade, mas sim de conhecer a verdade antes de aplicar a justiça".
Os negociadores do Governo não comentaram esta declaração até o encerramento desta edição.
Esta é a segunda solicitação dos narcoterroristas para ativar uma comissão nas últimas duas semanas. A anterior instou a formação de uma Comissão para o Esclarecimento do Paramilitarismo no país.

Dilatando o processo
O historiador e docente da Universidade Nacional, Darío Acevedo, opina que "a guerrilha está cobrando um cheque que o Governo expediu ao aceitar a criação de uma comissão que somente gerará falsas expectativas e cuja composição é bastante problemática".
Trata-se de que "falar de somente uma verdade é indevido. Há verdades históricas que serão discutíveis porque dependem de um trabalho de análise e interpretação, e há verdades jurídicas porque as vítimas sempre terão que individualizar suas demandas. E ambos estudos tomarão muitos anos."
Sobre o pedido das FARC para desclassificar arquivos, Acevedo acredita que "obviamente vai dirigida contra o Estado colombiano, porque eles supõem que ele é o principal responsável do conflito".
Acrescenta que também seria importante conhecer os arquivos da guerrilha, do Partido Comunista Clandestino, e desde a época em que eles aprovaram a combinação de todas as formas de luta. Para o historiador, esta exigência é "uma maneira de enrolar os diálogos de paz".
A opinião coincide com a do docente da Universidade EAFIT, Jorge Giraldo Ramírez, que fez parte da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas, participante dos diálogos.O catedrático expõe que "as FARC estão recorrendo a mecanismos buscando dilatar uma decisão sobre o tema da justiça, que a sociedade entende que é um tema mais difícil, porque implica definir se haverá penas aplicáveis por uma justiça transicional, independentemente de como sejam pagas".
Adiciona que já havia sido pactuado que essa comissão começaria a funcionar após a assinatura do acordo de paz, não antes. Sobre os arquivos confidenciais, Giraldo enfatiza que neste processo de paz há dois mecanismos para que se chegue à verdade.
O primeiro é de caráter extrajudicial, através da Comissão da Verdade, no qual haja "uma confluência voluntária de atores sociais que aceitem apresentar seus casos e reconhecer responsabilidades".
O segundo é a via judicial, implantada na Lei do Marco Jurídico para a Paz como um tribunal especial para julgar os grandes responsáveis do conflito armado. Se for aplicado este modelo, não teria sentido a comissão proposta.

Ainda a respeito da notícia
O Ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, anunciou que sua carteira fará um acompanhamento detalhado do cessar fogo unilateral decretado pela guerrilha desde o passado 20 de julho.
Vamos fazer uma avaliação periódica do cessar fogo unilateral das FARC. Vamos fazer essa avaliação com toda objetividade; se estiver sendo cumprido, diremos, se não for cumprido, denunciaremos”, sentenciou.
O funcionário destacou ainda que "se o cessar fogo for cumprido, seguiremos por um bom caminho, porém o Presidente Santos disse que não é suficiente: tem que haver outros gestos que recuperem não só o interesse, mas também a confiança do povo colombiano".

EM RESUMO
Os analistas presumem que ao solicitar a conformação de uma nova comissão, as FARC buscam postergar a definição do tema de vítimas e justiça na mesa de negociações.
Nelson Ricardo Matta Colorado é jornalista formado na U.P.B., especializado em temas de segurança, crime organizado e delinquência local e transnacional.
Fonte: tradução livre de El Colombiano
COMENTO:  os velhacos utilizam muito bem as "lições aprendidas". A pantomima das "Comissões da Verdade" foi exitosa na Argentina e no Brasil, onde os patifes conseguiram distorcer a história de suas canalhices, invertendo valores e transformando criminosos em heróis e heróis em bandidos, inclusive penalizando estes além de promover um revanchismo indecente, maculando não só as memórias dos vencedores da luta armada mas convencendo os mais jovens de que foi graças a eles, os infames, que a democracia foi estabelecida. Esperemos que os colombianos não se deixem levar pelos engôdos desses velhacos, para não verem seus bravos militares desmoralizados e desvalorizados como ocorre nos domínios do Merdosul.
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