quarta-feira, 1 de maio de 2013

O Bicho Está Pegando...

por Mário Ivan Araújo Bezerra
Falta de aviso não foi. “Em 2013 o bicho vai pegar”, alertou Gilberto Carvalho, com todas as letras, no final do ano passado, logo após o julgamento do “mensalão”. Eu acreditei. Alguém duvidou? As evidências estão aí.
O bicho vai pegar”, alertou ele no linguajar típico dos tempos atuais, mas chulo, em qualquer época, para uma autoridade da República. Discordo dele sob um aspecto: o “bicho” já está “pegando” há muito tempo, se não vejamos.
O grupo que ora se encontra no governo – ainda hoje inexperiente na arte de governar em que pese o fato de estar no poder há uma década – tem costumeiramente usado táticas solertes, velhacas, da mais baixa politicagem, para atingir seus objetivos. Os exemplos que podem ser citados para atestar a veracidade da afirmativa são muitos e de todos conhecidos, mas vale a pena relembrar alguns, além do “mensalão”.
A sorrateira e ruidosa campanha do desarmamento, que não desarmou nenhum bandido e só fez perturbar a vida dos cidadãos de bem. A proibição de venda de bebida alcoólica a menos de 50 metros do eixo das rodovias federais, que causou tanta celeuma que obrigou a revogação da medida.
O Plano Nacional de Direitos Humanos III que, alegando aprimorar as versões anteriores do mesmo Plano, na realidade busca sovietizar o país. A legislação radical sobre uso de bebidas alcoólicas ao volante que, impossível de ser aplicada em nossa sociedade carente de tudo, presta-se muito bem para perseguir e humilhar inimigos e adversários.
Os incontáveis e seguidos fiascos na aplicação do ENEM que, inexplicavelmente, ainda renderam um mandato de prefeito em São Paulo. A reforma ortográfica do vernáculo, capitaneada pelo governo brasileiro, que conseguiu desagradar todos os povos falantes do idioma português.
A penúltima manobra foi nada sutil: a anulação, arquitetada na calada da noite, das cassações de mandato realizadas pela constituição de 1946. (Incrível! Conseguiram emendar a constituição de 46!). A última novidade foi a PEC dos empregados domésticos, que criou muita expectativa, mas até o momento vem se revelando grosseiro engodo que apenas desassossegou as partes envolvidas.
Quanto às trapalhadas em matéria de política externa, o espaço é pequeno para abordar o assunto. Lembro, apenas, Honduras e Paraguai, o caso dos pugilistas cubanos e o acoitamento de bandidos internacionais, mas haveria muita coisa mais para comentar.
No prosseguimento da incitação à luta de classes – vale lembrar a culpa das elites pela não aprovação da CPMF, as vagas privativas e a inédita criação (ou invenção?) de modernos quilombolas – agora querem desarmonizar os Poderes da República, bagunçando o Judiciário, que está colocando pedras em seu caminho. (Pasmem: os deputados criminosos condenados discordam do tribunal que os condenou).
Logo, logo será a vez da Imprensa, a exemplo do que hoje ocorre na Argentina e na Venezuela. E, certamente, muitas outras surpresas – inimagináveis, no momento atual – haverão de vir, sempre à socapa, de forma sorrateira, enganosa. Quem duvidar, que leia, por exemplo, o PNDH III.
Cuidado! Essa gente pode tudo. Eles avisaram. E, pela minha experiência de vida, o ansiado ponto de inflexão nos rumos do país ainda está um tanto distante.
Mário Ivan Araújo Bezerra é General Ref
Fonte:  Alerta Total

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