quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Futuro do País do Futuro


No final dos anos oitenta (aquela época louca onde se hasteavam bandeiras nas escolas, os pais educavam e castigavam seus filhos, bandido ia para a cadeia, todo mundo sofria bullying, professores tinham autoridade em sala de aula e era normal ser heterossexual) lembro de sempre escutar um famoso slogan por onde quer que eu andasse: o Brasil é o país do futuro.
Mais de vinte anos decorridos e eis-me aqui, no futuro. E o Brasil continua sendo o país do futuro. A diferença é que agora sei que isto não é verdade. O Brasil é um país sem futuro, destinado a ficar mergulhado em promessas, no eterno "seremos" e nunca no "somos". Pode até parecer pessimismo, mas não é. É apenas o realismo cruel diante de uma infinidade de situações que, diariamente, confirmam esta triste realidade.
Meu pai as vezes se assusta quando trato do assunto. "Quer dizer filho que tu acha que não tem jeito?" Não pai, respondo. O Brasil não tem solução. Não enquanto nosso povo continuar sendo o "povo brasileiro," com jeitinho para tudo, sem responsabilidades e preocupado com carnaval, futebol e em ganhar dinheiro sem trabalhar. Nossa população vive numa espécie de hipnose, arquitetada desde muito tempo atrás, com o objetivo de implodir toda a nossa estrutura social, moral, religiosa e familiar. 
Vivemos no império do relativismo, onde não há certo e nem errado, onde três, quatro milênios de filosofia ocidental e valores judaico-cristão estão sendo destruídos. E o resultado é o que vemos: professoras ameaçadas em salas de aula, incentivo ao homossexualismo, empresários sendo tratados sempre como vilões, banditismo atribuído à "cruel e malvada sociedade burguesa," pais que não podem educar seus filhos e leis que tiram a liberdade do cidadão em sua vida privada sob a justificativa do fantasmagórico e famigerado "bem comum".
Enquanto nossos líderes estão preocupados em distorcer cada vez mais nossos valores morais e religiosos, o futuro fica cada vez mais distante. Para sermos o país do futuro é preciso que estejamos desde já planejando-o. Obras de infra-estrutura, reformas como a da educação, tributária, política, trabalhista e previdenciária (isto para citar apenas algumas) precisam ser realizadas. Mas o objetivo destas mudanças não podem apenas alcançar os próximos 5, 10 anos. É preciso pensar como será o país em 20, 30 anos. 
Foi assim, com este pensamento estratégico, que os presidentes militares fizeram as chamadas "obras faraônicas" e criaram iniciativas como o INCRA, o antigo MOBRAL, o BNH, e tantas outras que hoje sustentam toda a estrutura do país. Lá sim pensava-se no país do futuro. De lá para cá, quase nada foi feito nas áreas de energia, mobilidade urbana, transportes, indústria, segurança, saúde e educação. O resultado é o que vivemos agora: somos sede de dois dos principais eventos mundiais e a quantidade de obras e intervenções necessárias para que possamos efetivamente abrigá-los é simplesmente assombrosa. 
Mais assombroso ainda é que o planejamento dessas vislumbra apenas a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, como se o futuro fosse daqui a três, cinco anos. O problema é que iniciativas que atinjam o longo prazo não garantem votos imediatos e correm o risco de serem interrompidas com as mudanças de governos, numa clara demonstração de que não conseguimos nos planejar de maneira séria. Isto vale para todos os campos, desde a economia familiar até a política estratégica. Não somos um povo que visualiza o futuro. Nos preocupamos com o agora, com o imediato. Deixamos o futuro para as gerações futuras, mas não fazemos nada por ele ou por elas.
Se nada mudar, se continuarmos sendo o que fomos, daqui a 15 anos estaremos na mesma situação na qual nos encontramos hoje. Estaremos convivendo com os mesmos problemas de segurança, saúde, educação e infra-estrutura. Continuaremos colocando a culpa no empresário malvado e pagando pesadas tributações. E, na tela da TV, estaremos assistindo a um pronunciamento onde o orador certamente estará falando que "estamos preparando hoje, o país do futuro". A diferença é que assistiremos em 3D.
O futuro do país do futuro é ser... O país do futuro.

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