sexta-feira, 25 de março de 2011

Ministérios à profusão

por Marcos Pontes
Deu trabalho, mas o tema sugerido pelo @ivomarcelino, além de bastante curioso é oportuno. De fato, ele propôs três subtemas referentes à quantidade de ministérios existentes no Brasil hoje e desde o governo petista anterior, ou matriz do atual. A pesquisa foi grande, mas valeu a pena pela riqueza de surpresas que trouxe.
Não vi porquê me prender na composição de gabinetes de republiquetas como Bolívia, Zimbábue ou Venezuela. Já que o ex-presidente apelou para o rodriguiano conceito de complexo de vira-lata para tentar desmerecer a seus opositores e era diretamente assistido pelo megalômano Celso Amorim, nada mais justo que nos comparar com grandes potências, a começar pelos Estados Unidos. Embora odiados pelos vermelhinhos, embora não dispense jeans e produtos eletrônicos vindos da maior potência do mundo, o que lhes enche de recalque e inveja, os EE.UU. não se tornaram o que são sem o mínimo senso de organização governamental.
Eis que descubro que o gabinete é formado por apenas 15 ministérios, dentro dos quais alocam-se as diversas agências. Não há uma determinação legal rígida sobre o limite numérico da quantidade de ministérios ou quais seriam eles, mas o bom senso faz com que governo após governo este número pouco oscile, seja o partido ocupante da Casa Branca Democrata ou Republicano.
Não bastasse os Estados Unidos terem praticamente a mesma extensão territorial do Brasil, uma população 50% maior e diversificação de serviços e indústrias de fazerem o Brasil parecer o Ver-O-Peso, o país verte o traje de xerife mundial e cuida de todos os seus interesses com apenas 15 ministérios. E mais: com o mínimo de cargos comissionados. Estes, sim, são limitados por lei e fiscalizados pelo Congresso. Longe de ser essa farra de nomeações de amiguinhos sem o mínimo preparo administrativo para tomarem conta das pastas em que se apegam como carrapicho em rabo de gato. Quem manda nas pastas são os profissionais de carreira, vida privada fiscalizada e produtividade como determinante para manter-se nos cargos, sem essa farra de estabilidade que mantém moscas mortas se sentindo intocados.
E que tal o Japão? Numa área do tamanho de Pernambuco, mas uma população próxima à do Brasil, uma das três maiores economias do mundo, mesmo depois da catástrofe do mega-tsunami, os nipônicos são gerenciados por apenas 8 ministérios, mais o gabinete do primeiro-ministro. E aí temos muito o que aprender como, por exemplo, com o Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca, ao contrário de nosso governinho vermelho que cria um ministério para a agricultura e outro para a pesca quando poderia criar uma só pasta para ocupar-se de toda a produção de alimentos e subsistência interna, além de cuidar das exportações da área.
A Alemanha, outro país que tem história conturbada e ainda teve que reorganizar-se depois da reunificação, após a queda do Muro, em 1989, conta com 16 ministérios. Vários deles contam com mais de uma ocupação que, porém, se complementam, o que deve dar celeridade nas decisões, planejamento multidisciplinar e evita guerrinhas internas.
Por exemplo, o Ministério da Economia é também da Tecnologia; há o Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais, sem esse aglomerado de Agricultura e Desenvolvimento Agrário; Educação e Pesquisa, sendo que o segundo, no Brasil, seria inócuo, uma vez que pesquisa por aqui é coisa pífia.
A França, berço dos vermelhinhos modernosos, não é exemplo para esta suruba ministerial brasileira. A mãe da república moderna também conta, entre seus 14 ministérios, os de múltiplas funções, como o da Indústria, Comércio e Cooperativas, o da Educação, Juventude e Desportos, o do Ambiente, Terras e Desenvolvimento Agrário e o de Finanças e Desenvolvimento Econômico, além de outros. Dentre todos, existe um que cuida de suas possessões estrangeiras, o das Ilhas Phoenix e Line, algo parecido com o que ocorre no Reino Unido, que, entre seus 23 ministérios, incluídos os gabinetes do Primeiro Ministro e o do Vice-Primeiro Ministro, tem as patas para a Irlanda, para a Escócia e para o País de Gales.
Os governos petistas demonstram seu despreparo e incompetência em administrar a coisa pública desde essa sopa de letrinhas que constituem a Esplanada dos Ministérios. Não bastassem os muitos ministérios, ainda cria secretárias com status dos mesmos, além de direção de órgãos federais, como o Banco Central, uma manobra de Lula para blindar o Henrique Meireles, dando-lhe foro privilegiado, outra aberração democrática em que cidadãos são separados numa casta superior, como se seus eventuais crimes fossem de menor importância, quando deveriam sofrer penalidades agravantes, caso algum um dia fosse condenado pela Justiça, outro reino de portas cerradas para os párias que formam o grosso da sociedade.
Não sei quem criou a terminologia “aparelhar o estado”, numa referência à prática petista de colocar companheiros desempregados em cargos comissionados a torto e a direito, mas faz muito sentido. “Aparelhos” eram outro nome dados às células comunistas nos anos 60 e 70. Aparelhar o Estado nada mais é do que criar células ocupadas por ex-terroristas armados com fuzis e que hoje se armam com o talão de cheques e cartões corporativos para fazerem reféns todos os cidadãos desse surrupiado país.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns!Excelente post!


Almirante Kirk