sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Alzheimer de Ortega

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, parece estar sofrendo de Alzheimer. Não só se esqueceu que há sentenças definitivas da Corte Internacional de Justiça de Haia que estabeleceram a soberania da Costa Rica  sobre o rio San Juan e a zona da Ilha Calero, que hoje o exército nicaraguense ocupa pela força, mas também os estreitos vínculos do sandinismo com o narcotráfico, que ele agora quer imputar à Colômbia, ao México e ao Panamá.
A situação de violação da soberania da Costa Rica por parte da Nicarágua, que começou no passado 21 de outubro, não é somente grave, mas de alcance hemisferico, pois o presidente Ortega fez uma acusação temerária e irresponsavel para rechaçar a resolução em seu desfavor emitida no domingo passado (14/11) pelo Conselho Permanente da OEA: "Somos vítimas de uma conspiração encabeçada por Colômbia, Panamá, Guatemala, Costa Rica e México, que têm interesses com o narcotráfico no Caribe".
Ortega não só desconhece e desafia a resolução da OEA, mas esquece quem foram os que no passado mantiveram estreitas ligações com os narcotraficantes. Existe copiosa informação e testemunhos dos vínculos que o movimento sandinista, do qual Daniel Ortega é um símbolo, manteve com Pablo Escobar na década dos 80, depois que o capo colombiano abandonou o Panamá por problemas com o então ditador e traficante confesso Manoel Antonio Noriega.
São também conhecidos os escândalos por corrupção dentro do sandinismo e o livro do ex-vicepresidente da Nicarágua, Sergio Ramirez, Adiós Muchachos, é prova disso. A transição política que deu início ao governo de Violeta Barrios de Chamorro esteve marcada pelo saque dos sandinistas, em 1990, um fato que a história chamou "La Piñata". E há uns poucos anos, a própria filha de Ortega o denunciou por abuso sexual.
A caricatura com que Ortega quer livrar-se dessa nova flagrante violação de soberania, dizendo que os mapas do Google lhe dão razão para ter invadido a zona limítrofe com a Costa Rica, não pode servir para burlar, novamente, a justiça internacional e que fique tudo por isso mesmo.
A resposta tímida da OEA não foi diferente da "discreta" posição da Colômbia nesse caso e em tantos outros. O silêncio prudente que tanto invoca o Governo colombiano se converteu em "patente de corso" (carta branca) para que alguns de nossos "novos melhores amigos" façam o que lhes dá vontade com o direito internacional.
Parece estar imperando a lei do mais forte e surpreende, também, o silencio dos Estados Unidos para com outro de seus melhores sócios na região.  Faz bem Costa Rica, e oxalá o resto da América Latina faça o mesmo, em pedir a intervenção do Conselho de Segurança da ONU, pois está em jogo a estabilidade hemisférica.
Ainda que o Alzheimer não seja contagioso, parece servir a alguns governos vizinhos para distrair a atenção da comunidade internacional e ocultar a verdadeira realidade, que não é outra que a ameaça à democracia, produto do traslado do narcotráfico desde as zonas onde é combatido para outras onde existe estreito contubernio com ele.  O Alzheimer de Ortega não pode servir para que faça "piñata" conosco!
Publicado el 17 de noviembre de 2010
Fonte:  tradução livre de El Colombiano

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