quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Do Mercosul à Unasul

por Osmar José de Barros Ribeiro,
 em 16 Ago 2012
Nossa Constituição assinala que A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. Trata-se, sem dúvida, de uma proposição romântica, notadamente se consideradas as disparidades políticas, econômicas, sociais e culturais existentes numa área onde, particularmente entre os povos de língua espanhola, encontramos disputas e problemas de toda ordem, sem falar na histórica desconfiança de todos em relação ao Brasil.
Mas vejamos a forma pela qual estão se encaminhando as coisas e o seu possível gran finale.
Em 1990, Fidel Castro e Lula, então presidente do PT, acertaram a criação de um órgão que, reunindo partidos e organizações de esquerda nas Américas do Sul e Central, nelas recuperasse o poder e a influência das idéias marxistas perdidas com a queda da URSS. 48 organizações de esquerda (incluindo terroristas como as FARC, que chegaram a fazer parte da sua direção), partidos e frentes, atenderam ao chamado e reuniram-se São Paulo/SP. O texto da declaração então aprovada, definia as bases de um novo conceito de unidade e integração continental que está na raiz da criação da UNASUL e deu força à idéia de integração continental. No encontro seguinte, realizado em 1991, 68 organizações e partidos de esquerda de 22 países, consagraram o nome de Foro de São Paulo para a frente recém-criada.
Ainda em 1991, no dia 26 de março, Brasil e Argentina, ambos com longa história de rivalidades, buscando apagar ressentimentos e o desenvolvimento integrado da região, acertaram o surgimento do Mercosul (Mercado Comum do Sul), um bloco econômico inicialmente formado pela Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai e, mais tarde, acrescidos da Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru, como países associados.
Lula, eleito presidente (2003/2011), afastou-se da direção do Foro, mas nunca deixou de apoiar governantes de esquerda, haja vista seu procedimento em relação aos problemas havidos com a Petrobras na Bolívia, com empreiteiras nacionais no Equador, a ação contra a deposição do presidente hondurenho e, por último, em relação às reivindicações de Fernando Lugo, então presidente do Paraguai, quanto aos valores pagos pela energia gerada em Itaipu.
Em maio de 2008, num momento em que era discutida a instalação de bases dos EUA na Colômbia, foi criada a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), um acordo visando unificar o Mercosul e a Comunidade Andina com a inclusão do Chile, Guiana e Suriname. Tal Acordo, reunindo os dois blocos, pretende ser um espaço de articulação entre as nações.
Havia, da parte dos dois maiores membros do Mercosul, o desejo de trazer para este, por razões políticas e econômicas, a Venezuela de Hugo Chávez, embora enfrentando a resistência do Senado do Paraguai. O impedimento do presidente Lugo pelo Congresso guarani deu o santo e a senha para a concretização desse desejo, conforme a transcrição de trechos do editorial do jornal O Estado de S. Paulo, de 6 de agosto do corrente ano:
Brasil e Argentina urdiram o isolamento do Paraguai, último obstáculo à adesão da Venezuela, e atropelaram as normas do Mercosul para receber Hugo Chávez...; Como diz o diplomata José Botafogo Gonçalves em artigo no Estado (2/8), trata-se de um "novo Mercosul", isto é, não se pode mais falar de uma zona de livre comércio e de união aduaneira, que está no espírito da fundação do bloco, mas, sim, de "um novo clube com objetivos políticos e econômicos que não valoriza o mercado, a livre circulação de mercadorias e serviços, a internacionalização das economias e a competitividade... os valores da democracia e do livre mercado já não fazem mais parte do Mercosul. Com seu novo DNA, e em nome da expansão de oportunidades para as indústrias brasileiras e argentinas, o bloco mandou às favas os escrúpulos, instrumentalizando-se cada vez mais como contraponto bolivariano ao "império" americano.
Foi criado assim, por razões predominantemente políticas, um órgão que traz em si mais problemas que soluções. Aqueles já começam a despontar, tanto pela suspeita de que os EUA pretendem instalar uma base militar no Paraguai, quanto pelos rumores de uma retaliação paraguaia à Argentina e ao Brasil na questão energética.
Os ideais que levaram à criação do Mercosul, breve cederão o passo às razões ideológicas da Unasul, basicamente as mesmas do Foro de São Paulo e então, sob a égide do histriônico demagogo esquerdista Hugo Chávez, estarão plantadas as sementes do conflito.
Fonte:  recebido por correio eletrônico
COMENTÁRIO: do meu amigo Felix: “Numa reunião presidida por Fidel Castro e com as presenças de Lula (Luís Inácio Lula da Silva), do José Genoino, do Frei Beto e de outros líderes do Partido dos Trabalhadores (PT), Fidel disse claramente: ‘Se Lula não ganhar a eleição (de 1989) é preciso formar uma entidade para coordenar a esquerda latino-americana’. Previa-se em janeiro de 1989, nessa reunião em Cuba, o chamado Foro de São Paulo. Lula perdeu a eleição e fundou-se o Foro de São Paulo, em julho de 1990, exatamente como tinha sugerido Fidel Castro. Foi num evento no Hotel Danúbio, na capital paulista, presentes 48 entidades, várias guerrilheiras, dentre as quais duas peruanas e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A estrutura de toda a esquerda, na América Latina, em 1990, começou a ser organizada” (Cel Aluisio Madruga de Moura e Souza - História Oral do Exército/1964, Tomo 15, pg. 353). Em 1993, na cidade de Havana, o FSP decidiu que suas então 112 entidades deveriam apoiar Cuba em seu “período especial” (após perder a mesada soviética), trabalhar para eleger Lula e impedir o desenvolvimento do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). E que se o NAFTA entrasse em vigor, haveria o levante de Chiapas - o que veio a ocorrer em 1/1/1994 com o EZLN."
Na realidade, o Foro de São Paulo é nada mais, nada menos do que a velha OLAS (Organização Latino Americana de Solidariedade) dos anos 60/70 - que naufragou em virtude da morte do "porco guevara" que lhe dava respaldo moral - agora melhor organizada e com objetivos mais adequados à safadeza e patifarias, características dos "novos esquerdistas" que só querem "se arrumar".

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