quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

As Lições do Chile

El Colombiano  - Editorial - 19 Jan 2010.
A maturidade democrática que o Chile alcançou depois da ditadura de Augusto Pinochet (1973- 1990) é tão indiscutível quanto o triunfo do candidato de centro-direita Sebastián Piñera, no domingo passado, e deixa importante lição para a América Latina que, sem dúvida, será definitiva para decidir o rumo político na região.
Chile falou claro e decidiu dar um giro depois de 20 anos de governos de centro-esquerda. O legado de Ricardo Lagos e de Michelle Bachelet são bases sólidas sobre as quais Piñera poderá seguir na consolidação política e econômica do país austral, visto na região como um exemplo de mudança, desenvolvimento e liderança.
Os chilenos são os grandes vencedores dessa luta democrática. O primeiro a divulgar isto foi o próprio Piñera, que em seu discurso de triunfo convidou à unidade nacional e estendeu um tapete vermelho a todos os partidos políticos, para "tirar o Chile, de uma vez por todas, do subdesenvolvimento", também como estratégia para buscar alianças no Congresso, de maioria oposicionista.
Desnecessário dizer que o triunfo de Piñera não é só uma derrota para Eduardo Frei e sua aliança de "Concertación", com Bachelet à frente, mas também para Hugo Chaves. Foi armada uma contundente barricada ao chamado Socialismo do Século XXI.
O rápido reconhecimento do triunfo de Piñera por parte de Frei é outro fato importante, pois afasta a polarização política que acompanhou a campanha eleitoral e põe a todos os chilenos no objetivo de consolidar um modelo de desenvolvimento que não pertence a nenhum partido, convertendo-se em uma política de Estado. Manter essa unidade em torno a interesses comuns será parte fundamental do mandato de Piñera.
O resultado eleitoral, 51.6 contra 48.3 por cento não representa um cheque em branco para Piñera. Tampouco uma demanda por regressar ao passado ou por ensaiar caminhos aventureiros ou estrambóticos. A rota seguida pelo Chile desde a década de 80 não admite atalhos. Seu produto per capita, que está em 15 mil dólares, e a notável redução da pobreza, colocaram o país na liderança da América Latina (44º mundial) em matéria de desenvolvimento humano.
Não obstante, há nuvens cinzas no firmamento: as falhas na educação, o desemprego e a crescente delinquência, como produto dos vazios nas duas anteriores. Em política externa não são menores os desafios. As disputas limítrofes com o Peru e a reclamação da Bolívia ao direito de acesso soberano ao mar, estarão na primeira linha de sua agenda.
Colombia, por sua parte, ganhou um aliado forte dentro de seu objetivo de obter um TLC (Tratado de Livre Comércio) com os Estados Unidos, ingressar na APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) e conseguir mais harmonia na luta contra a guerrilha, o narcotráfico e o terrorismo.

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